quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Futebolês #44 Pendurar as botas

Por Eduardo Louro


  


 



Não consegui resistir a esta expressão do futebolês. Confesso que, neste tempo em que o nosso legítimo direito à indignação é substituído por não menos legítimos sentimentos de revolta, não encontrei melhor expressão para trazer aqui a esta rubrica semanal!


Até porque nestas circunstâncias confesso que, eu que tanto gosto de falar das coisas do futebol e de brincar com expressões, tiques e até com a fauna desse mundo, hoje não me apetece mesmo falar de futebol. Acho que há alturas em que não podemos passar ao lado jogo (outra expressão de futebolês) e deixar que o futebol possa servir para aquilo que tantas vezes é acusado: ópio do povo!


Pendurar as botas significa em futebolês terminar a carreira. Chegada uma certa idade, variável de caso para caso mas mais frequentemente entre os 30 e os 40 anos, quando as condições físicas e mesmo as psicológicas – motivação, em particular – deixam de estar adequadas às exigências da competição, o jogador de futebol decide colocar ponto final na sua carreira.


Claro está que, sendo as botas o único elemento da indumentária exclusivamente usado no campo de jogo – vê-se muita gente na rua, e até no supermercado, com os calções e a camisola de jogo, mas não se vê ninguém com as botas de futebol, aquelas mesmo a sério, de pitons – quando deixam de fazer falta arrumam-se. Em Portugal penduram-se as botas. No Brasil arrumam-se as chuteiras!


É geralmente reconhecido que a decisão de pendurar as botas é das mais difíceis de tomar. Nem sempre é tomada na melhor altura. Alguns (poucos) tomam-na prematuramente, quando é visível que têm ainda muito para dar. Outros tomam-na tarde de mais, arrastando-se pelos campos a esbanjar honra e prestígio. Mas também há os que as sabem pendurar na altura certa, em plena posse de todas as suas faculdades, algumas mesmo refinadas pela experiência que só os anos trazem. Deixam saudades e o seu perfume permanece no ar durante muitos anos. Tantos quantos os que formos capazes de guardar na memória! Diz-se que saem pela porta grande: afinal aquela por onde sempre entraram!


Não é o caso do nosso primeiro-ministro. Seguramente que não!


Entrou de facto pela porta grande, mas já foi há tanto tempo e entrou num labirinto tal que nunca mais encontrou a saída. Perdeu-se num labirinto que construiu como uma teia, onde se enredou e onde nos capturou a todos, como se fossemos simples moscas incapazes de fugir de um destino que não traçamos.


Nem todos conseguem construir as condições para sair pela porta grande. São mesmo muito poucos os que têm esse privilégio. Mas muitos conseguem sair a tempo, conseguem evitar a deprimente exposição pública da sua decadência. Podem não deixar saudades, mas também não deixam no ar aquele fedor de um prazo de validade largamente ultrapassado!


O nosso primeiro-ministro arrasta-se pelos campos do poder há tempo de mais. Há muito que perdeu a validade. Há muito que perdeu o direito à respeitabilidade. Há muito que exibe a sua deprimente decadência!


Perdeu há muito as suas faculdades e limita-se a enganar-nos a torto e a direito. A ludibriar-nos permanentemente, sem ponta de respeito por quem paga tão alto preço para o manter em actividade. Mesmo que ficcionada e virtual!


Ultrapassou todos os limites, senhor primeiro-ministro! Pendure as botas e deixe-nos ver se ainda conseguimos encontrar alguma saída para isto!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Aí vêm elas ... as medidas

Por Eduardo Louro


 


O presidente acabou de falar com os partidos. E ouviu toda a oposição dizer-lhe que mais impostos é que não! Do partido do governo deve ter ouvido o contrário: impostos é que é!


O Sr Angel Gurria já deve ter tomado o avião de volta. Já cá não está, já fez o seu número!


O Benfica já está a jogar. É aí que grande parte dos portugueses têm a sua atenção concentrada.Tudo em ordem, portanto.


O governo já nos pode vir mostrar o tamanho do dedo que nos vai meter naquele sítio que todos sabem!


Pois bem. Aí vêm elas!


Ah! O Sr Angel Urria, o secretário-geral da OCDE veio cá dizer que nós, todos os que achamos que isto não vai lá com impostos, que o que é preciso é gastar menos, somos todos burros. Que não é nada disso: isto vai lá é com mais impostos!


Houve logo muita gente que achou que a visita do Sr Urria tinha sido encomendado pelo governo. Era a resposta às consultas do PR!


Até pode ser que sim. Mas convém recordar que esta gente da OCDE, do FMI e de outros que tais só vê mesmo aumento de impostos. Desconfio que seja porque de cortes na despesa estejam eles fartos! É que uma coisa são promessas (vamos cortar, prometemos que vamos mesmo!) e outra são os impostos, logo a cair.


Mas isso mata a economia! E o que é que isso os preocupa?


 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Do pântano ao inferno

Por Eduardo Louro


 


Há nove anos também tivemos orçamento. Cheirava muito a queijo mas tinha vida. Havia vida para além do orçamento e nem se ouvia falar de défice, quanto mais de vida para além dele. Também não se falava de dívida e, de mercados, só fosse do peixe, do Bulhão ou da Ribeira!


E no entanto, de repente, quando ninguém esperava, chegou o pântano! O pantanal veio por aí fora, mais rápido e surpreendente que um tsunami, e transformou tudo num imenso e pelos vistos insuportável lamaçal!


O governo fugiu, e o país, nas palavras de alguém que também haveria de fugir pouco depois, viria a ficar de tanga!


Hoje, nove anos passados, o país secou, secou e … de pântano transformou-se num inferno. A arder por todo o lado. Insuportável!


Ontem terá sido o dia D. Um vento mais forte de um quadrante qualquer fez alastrar as chamas a uma velocidade maior que a do tsunami. E o governo volta a fugir!


Vai fugir como fugiu o de Guterres mas até a tanga já nos leva. Agora deixa-nos nos nus e descompostos! Espero que fiquemos também envergonhados!


Há apenas quatro meses o governo e o então novo líder do PSD estavam de acordo. Era preciso aprovar um PEC – que logo se percebeu que apenas tinha E (de embuste), sem P (seja de plano seja de programa) nem C (de crescimento) – para acalmar os mercados e lá se dançou o tango.


É hoje claro que para o primeiro-ministro aquilo não passou de baile. Não era para levar a sério, era para continuar a fazer de conta. O seu parceiro de tango é que, como agora se vê, parece que levou aquilo um pouco mais a sério!


Entretanto o primeiro-ministro lá ia deixando correr o marfim. Num país virtual, ora tecnológico ora de novas oportunidades, em second life.


Percebia-se que o par dançava cada vez mais afastado, num tango já sem ponta de sensualidade. Nem um ligeiro encosto, um leve sarrafar!


Até que chegamos à beirinha do orçamento. O Presidente da República quer um orçamento negociado entre os dois para garantir a sua vidinha sem chatices: é música para os ouvidos de Sócrates! Que, porém, nada faz para se aproximar do par, que até parece cheirar mal dos sovacos, a precisar de patcholi.


Passa a dançar a solo, substituindo a música: agora é o Estado Social, tocado até à exaustão. Até o disco ficar riscado!


Claro que sabíamos no que ia dar a conversa do Estado Social. Simples: aumentar impostos mas nunca cortar na despesa! Subliminar: não reduzimos a despesa do Estado para não pôr em causa o Estado Social e para combater o défice temos que aumentar impostos. Outra vez!


Já ninguém se lembra que há quatro meses se havia acordado aumentos de impostos mas também redução de despesa! E que todos garantiam a pés juntos que não haveria mais aumentos de impostos!


E pronto! O ministro das finanças, como se acabasse de ser apanhado por uma enorme surpresa, a mesma surpresa do disparo do défice nos últimos dias do ano passado, lança o grito de desespero: digam-me como é que eu consigo reduzir o défice em 4,5 mil milhões sem aumentar impostos


Logo a seguir é Pedro Silva Pereira: se não aprovam o nosso orçamento com os impostos que quisermos vamos embora. Já hoje, e desde Nova Iorque, é o primeiro-ministro que o confirma.


Está visto: esta gente, para reduzir o défice, só conhece um instrumento e uma única maneira de lhe mexer: aumentar impostos, ir-nos ao bolso!


Eu, por mim deixava-os ir embora. De vez e para bem longe. Pena que não fiquem a arder nas chamas do inferno que aqui criaram!

Futebolês #43 Cultura de jogo

Por Eduardo Louro


  


O futebolês é muito virado para as coisas da cultura. Tem a leitura, como já vimos , mas tem também um conceito mais vasto: a cultura de jogo!


Como qualquer cultura, ou se tem ou não se tem. Aqui a diferença está na adjectivação: no futebolês, ao contrário da linguagem comum, quem tem cultura de jogo não é necessariamente culto!


Um jogador – e esta é outra particularidade, apenas ao jogador é atribuída essa cultura, ninguém mais no mundo da bola é digno dessa bênção – com cultura de jogo é aquele que dispõe de um conjunto de condições que lhe permitem interpretar o jogo e tomar as melhores decisões em função da leitura que fez. O que equivale a dizer que o futebolês coloca as coisas nos seus devidos lugares: a cultura vem da leitura!


Sem saber ler o jogo não há cultura de jogo. Sem ler o jogo nada feito: não há interpretação que valha nem decisões que resultem.


Um jogador com cultura de jogo é naturalmente um jogador completo – ele junta às suas funções de jogador ainda as de treinador dentro do campo, a de um treinador ali à mão dos colegas. É a extensão da liderança do treinador. Ele percebe quando o jogo deve ser acelerado ou quando se impõe baixar-lhe o ritmo.


É deste tipo de jogadores que sai o patrão da equipa e, muitas vezes, futuros bons treinadores.


Outra coisa bem diferente de cultura de jogo é a cultura desportiva. E essa não abunda por aí!


Enquanto que a cultura de jogo se manifesta exclusivamente no rectângulo de jogo a cultura desportiva vive fora do terreno de jogo. Embora acabe sempre por ter repercussões lá dentro!


A cultura desportiva não obriga a ter grandes conhecimentos sobre desporto. Ter cultura desportiva não significa ser nenhuma enciclopédia desportiva, nem sequer ter os conhecimentos do Luís de Freitas Lobo.


A cultura desportiva traduz-se exuberantemente na expressão inglesa que toda a gente usa e a que alguns chamam treta: fair play!


O fair play não se esgota na sua utilização em campo, no tal sítio onde ás vezes é mesmo uma treta. Não se limita ao cavalheirismo exigido aos jogadores em campo. Extravasa o campo de jogo e é mesmo tão mais importante quanto mais afastado desse recinto.


Não será falta de cultura desportiva vir criticar o presidente da comissão de arbitragem por se ter prestado a esclarecer os lances da arbitragem do Guimarães-Benfica?


Creio que sim. Quando o dirigente máximo da arbitragem, onde sempre vimos imperar um corporativismo especializado em atirar areia para os olhos, vem explicar esses lances de forma clara, como, afinal, toda gente tivera oportunidade de ver, está a contribuir para o fair play. Está não só a contribuir para um aumento da cultura desportiva mas, e muito mais importante, está a dizer aos senhores árbitros que têm de ter atenção, porque toda a gente está a ver. Daí que os mínimos aceitáveis em cultura desportiva, mesmo um dez nas novas oportunidades, obrigue a aplaudir a iniciativa de Vítor Pereira.


Mas não foi o que fizeram o presidente do Guimarães e o treinador do Porto. No primeiro não se pode falar de falta de cultura desportiva porque, pelo que se viu e ouviu, é falta de cultura. Ponto!


Já no treinador do Porto é clara falta de cultura desportiva, de fair play e até de elegância! Deve ser daqueles ares. Quando até podia ser magnânimo e, do alto da sua cadeira, a de sonho, e dos seus nove pontos de avanço (!), aplaudir a atitude do sr Vítor Pereira. Mesmo que não fosse por nobre cultura desportiva, bastaria que fosse por mero reconhecimento. Por ele não ter esmiuçado nenhum dos muitos erros que têm favorecido o Porto ao longo destas primeiras cinco jornadas que, somados com os outros, dão nos tais inacreditáveis nove pontos.


É mesmo daqueles ares! Também o recém-chegado João Moutinho, interrogado pelas facilidades no jogo da Madeira, com o Nacional, respondeu que eram eles que tornavam os jogos fáceis. Fantástico! Quando acabávamos de assistir a um jogo que julgávamos facilitado logo aos 20 minutos com um auto-golo e, logo no minuto seguinte, voltamos a julgar facilitado pelo árbitro quando não assinalou a mão de Rolando e o respectivo penalti que poderia voltar a deixar o jogo empatado! Claro que nos lembramos logo da maneira como tinham sido tornados fáceis três dos restantes quatro jogos. Porque o do Dragão com o Braga foi bem difícil. Mas também, apesar de o não ter visto, mas pelo que li e ouvi e pela minha cultura desportiva, bem jogado e bem ganho!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Nunca antes

Por Eduardo Louro


 


 


Acabei de regressar do Brasil, onde voltei precisamente dez anos depois. Por mera coincidência, de novo em tempo de campanha eleitoral!


Voltei pois a encontrar um país em campanha eleitoral. Encontrei um país com algumas diferenças mas uma campanha eleitoral bem diferente.


Sempre um Brasil de dupla face – sinais de desenvolvimento próprios de uma potência mundial convivem, lado a lado, com os mais evidentes sinais de terceiro-mundismo –, mas agora um país que todo o mundo cobiça. Qual garota de Ipanema, filha adoptiva do talento de Vinícius (…olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…) que todos querem para namoradinha!


Nunca antes o mundo olhou para o Brasil deste jeito!


Um país que todos os dias atinge novos máximos nos mais diversos índices, a fazer lembrar aquelas semanas loucas das bolsas. Batem-se sucessivos recordes e cria-se a ideia que o limite é o céu. Depois cai tudo, mas isso é outra estória! Esperemos que seja!


Foi este país que vim encontrar, mas … em campanha eleitoral.


A primeira sensação foi que não tinha chegado a sair de Portugal. Sucesso atrás de sucesso, cada indicador melhor que o outro. Os milagres do Estado Social… Estava ali tudo, não faltava nada: aquilo era o discurso que eu ainda levava nos ouvidos. E, no entanto, estava do outro lado do oceano! O país era outro mas o discurso era o mesmo. Fantástico! Nunca antes tinha visto uma coisa assim!


Depois do choque inicial comecei então a perceber as nuances do discurso. Comecei por perceber que os dados e os indicadores que sustentavam o discurso faziam sentido. São produzidos pelo INE lá do sítio – o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – variam a sério, não em cagésimos, são lidos correctamente e impressionam mesmo!


Mas era um discurso cheio de “nunca antes”. Nunca antes de Lula, claro!


Todos aqueles dados e indicadores impressionantes têm uma única referência: o Presidente Lula. O mérito por tudo o que de bom se passa hoje no país é dele. E só dele! Há já quem diga que se eliminará Pedro Álvares Cabral para entregar a Lula o mérito do descobrimento do Brasil!


É este o registo de uma campanha eleitoral onde o presidente se sobrepõe ao candidato. Destinada a assegurar uma continuidade dinástica, bem mais própria da velha linha latino-americana que das democracias modernas do mundo que hoje namora o Brasil, e onde o presidente não se comporta de forma condizente com o seu prestígio pessoal. Bem maior no exterior do que internamente!


É preocupante, e bastante questionado em sectores insuspeitos da sociedade brasileira, este envolvimento e esta personalização meio chavista da campanha. Tão mais preocupante quanto se sabe que nunca foi desmantelada a rede de corrupção com epicentro na sua Casa Civil. Que todos os dias faz prova de vida.


Parece-me que nem o Brasil nem a senhora Dilma Roussef mereciam isto. Nem, acima de tudo, Lula!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Com ... tranquilidade

Por Eduardo Louro


 


 


Encerrada que está a disparatada, absurda e achincalhante trapalhada em que o Sr Gilberto Madaíl meteu o nome de Portugal, do futebol português e até de Mourinho (se bem que aí a música seja outra e haja muito por contar) aí está uma nova trapalhada: Paulo Bento!


Quero desde já dizer que nada tenho contra o treinador Paulo Bento. Tenho, no entanto, tudo contra mais esta trapalhada, na sequência directa da trapalhada anterior: ninguém percebe por que é que o Sr Madaíl não tratou discretamente do disparate Mourinho – podia ter almoçado, comido umas tapas ou apenas tomado um chá sem o anunciar aos sete ventos, preservando, como o mais elementar bom senso aconselharia, uma reserva que só faria sentido quebrar em função do sucesso (de todo improvável) de tão disparatada iniciativa – como ninguém poderá perceber a sucessiva exposição do nome de Paulo Bento e os sucessivos avisos (que mais pareciam ameaças) do anúncio de um futuro  contacto. Alguém entende que se avise, dias a fio, que se vai efectuar um contacto?


É para mim claro que é trapalhada atrás de trapalhada. Outra coisa seria difícil de esperar nesta altura do Sr Madaíl.


Trapalhadas à parte, em que Paulo Bento não tem qualquer responsabilidade, convém tentar perceber se esta opção, que parece estar a gerar unanimidade no meio mediático e desportivo, encaixa na actual realidade da selecção nacional.


Vítor Serpa, no Editorial de domingo de A Bola, apontava alguns traços do perfil do novo seleccionador: “mais forte do ponto de vista psicológico do que táctico, mais alegre do que triste, mais extrovertido do que intimista, mais amigável que conflituoso, mais comunicativo do que embezerrado, com mais amigos que inimigos”.


Eu acrescentaria: experiente, com forte capacidade mobilizadora, fortemente de empático, de discurso fácil, simples e directo, de espírito aberto, liberto de dogmas tácticos e … com tranquilidade!


Parece-me que, à excepção da famosa tranquilidade – imagem exclusiva de um discurso amplificado pelos Gato Fedorento e não exactamente uma imagem de marca – não encontramos aqui muitos pontos de contacto com o perfil de Paulo Bento. O que não faz dele um mau treinador nem sequer impede que seja seleccionador nacional! Apenas não encaixa na actual selecção nacional: uma equipa sobre brasas, sem margem de erro, descrente, sem chama e sem público!


Pode ser que corra bem, mas é daquelas soluções que, com toda a tranquilidade, tem tudo para não dar certo. Gostaria de estar redondamente enganado!

Reposições #7- Qualificação e formação profissional*

Por Eduardo Louro


 


 


A formação e a qualificação profissional mantêm-se na primeira linha dos desafios que se colocam à economia portuguesa e à nossa sociedade em geral. A par do investimento em I&D, o investimento na qualificação profissional dos portugueses continua a justificar prioridade máxima no quadro da economia nacional.


Não é novidade que os nossos deficits de produtividade e de competitividade resultam, para além de alguns factores de rigidez que se chocam com os novos conceitos de mobilidade e flexibilidade, da insuficiente qualificação dos nossos recursos humanos. Consequência, em primeira análise, do sistema de educação mas também de hesitações e equívocos no paradigma da formação profissional.


A Educação tem sido e continua a ser o grande problema do país. Falamos de analfabetismo, do abandono escolar precoce e do insucesso académico onde, com políticas vocacionadas exclusivamente para maquilhar esses índices, ainda apresentamos taxas que nos envergonham. Mas falamos, também, das muitas licenciaturas, mestrados e doutoramentos substancialmente desfasados das necessidades requeridas para a sustentação da modernização e da competitividade do país.


A formação profissional tem, em Portugal, uma história muito paralela à do processo de integração europeia. Com uma umbilical ligação a fundos comunitários.


Por razões conhecidas (a revolução industrial que não passou por aqui, o condicionamento industrial do Estado Novo, etc.) a economia portuguesa, fiel a um modelo de mão-de-obra barata e, qual ciclo vicioso, de baixa qualificação, tem-se mantido afastada das economias desenvolvidas. Por esta e outras razões (igualmente históricas, políticas, culturais e sociais) o capital humano – conceito praticamente desconhecido até há bem pouco tempo – não figurava no topo das preocupações de empresários e gestores.


Sem tradições de preocupação com a valorização dos seus recursos humanos não admira que equívocos, hesitações e mesmo negligência tenham ensombrado a história da formação profissional em Portugal.


Algo mudou entretanto. É hoje notório que, apesar de todas as dificuldades, se começa a olhar para o factor humano como o mais importante dos recursos. E a apostar na sua valorização como factor de sucesso do negócio, da empresa e do país.


A valorização dos seus recursos humanos, como factor crítico de sucesso, mas também de dignificação do trabalho e de coesão e desenvolvimento social, constitui-se, cada vez mais, como uma variável fundamental da estratégia de desenvolvimento do país. Deve constituir uma missão que a todos envolva. Empresários, porque reforçam os seus activos. E trabalhadores, porque valorizam o seu único activo.


Com iniciativa própria, numa cultura de exigência, rigor e qualidade. Sob pena de continuarmos a desperdiçar recursos, focados em rácios de fachada em vez de resultados.


 


*Publicado no Região de Leiria em Março de 2008

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Futebolês #42 Falso ponta de lança

Por Eduardo Louro


   


 


O futebolês é uma linguagem com virtudes inimagináveis. Entre elas uma capacidade extraordinária de adaptação aos mais rebuscados conceitos e uma enorme facilidade de transmitir as mais subliminares mensagens. O falso ponta de lança tem um pouco de tudo isso!


Há o ponta de lançao matador –, que já por aqui passou, mas também o falso ponta de lança. Que, ao contrário do falso médico (ou de qualquer outro falsificador), não anda por aí a armar-se no que não é. O falso ponta de lança não é aquele tipo que chega ao aeroporto todos os Verões (e todos os Janeiros, também Verão lá na terra deles) a proclamar aos setes ventos que faz muitos golos, que remata bem com os dois pés e que é muito bom de cabeça mas que, depois … nada. Nem um só desses atributos! Esse, embora pudesse parecer, não é o falso ponta de lança. Esse é o barrete!


O falso ponta de lança não é um impostor. Fazem dele um impostor, não o é ele próprio. É o treinador que cria esse embuste!


Ou porque não tem mesmo um ponta de lança na equipa – às vezes só tem um ou outro desses barretes – e, já diz o povo, quem não tem cão caça com gato; ou porque, mesmo tendo-o, não o utiliza porque tem medinho do adversário. Não é capaz de o enfrentar cara a cara. De disputar o jogo pelo jogo, olhos nos olhos com o adversário. Arma a equipa em bases ultra defensivas e, não lhe sobrando ninguém para servir o ponta de lança – ou assistir, como vimos na assistência –, opta por destinar as tarefas atacantes a um só jogador, normalmente franzino e rápido e de boa relação com a bola.


Aí está o falso ponta de lança!


Que nem sequer é bem uma falsidade. Comparada com as falsidades que por aí andam…


São as falsas partidas do Benfica e da selecção, a colocarem em sérios riscos os respectivos objectivos logo de início. São as falsas soluções e até mesmo os verdadeiros problemas confundidos com falsas questões!


Na selecção, como de resto se esperaria, tudo se resolveu com o despedimento de Queiroz. É falso que Madaíl tivesse algo a ver com o problema, ou mesmo que não seja ele o próprio problema. Basta olhar para a desorientação e o desespero verdadeiramente humilhante da tão disparatada quanto ridícula ideia de ir suplicar a José Mourinho (e ao Real Madrid) que venha treinar a selecção nos dois próximos jogos. Nunca visto!


No Benfica as coisas estão a correr como a partir de certa altura (o tema tem aqui sido abordado desde a 36ª edição) era previsível que corressem.


É visível que não há só falsos pontas de lança. Também há falsos resultados, falseados por arbitragens que, muitas vezes, custam a perceber como meramente infelizes. Objectivamente o Benfica vem sendo duplamente prejudicado: penalizado por decisões erradas nos seus próprios jogos e por decisões erradas que têm beneficiado os seus adversários directos. E os órgãos sociais do Benfica reagiram. Com razão. Mas mal, a meu ver! Mal porque dispararam em todas as direcções, e muito mal quando apelam à desmobilização da sua massa associativa – a sua maior força. Uma força capaz de levar a equipa ao colo – joga praticamente em casa em 27 ou 28 dos 30 jogos do campeonato – como ainda há pouco se via. Apelar aos adeptos para não comparecerem nos campos dos adversários é deitar fora uma das principais vantagens comparativas. Mas é também um espinho na relação de boa vizinhança com a grande maioria dos concorrentes: os pequenos clubes que vêm na visita do Benfica o seu euromilhões!


Não é assim que se mobilizam as tropas!


Ah! E Olegário Benquerença?


Bom, não está em causa a sua seriedade, para mim absolutamente intocável. Mas começa a ser demasiado evidente que não é feliz nos jogos com o Benfica. E como faz infelizes todos os benfiquistas (menos um, que eu conheço e ele também)!


Tudo começou aqui há uns anos, na Luz, com aquele remate do Petit que o Vítor Baía defendeu para além de uma linha que, mais que uma linha de golo, é uma linha que separa benfiquistas e anti benfiquistas. A partir daí é uma história de jogos complicados que, à luz dos dois últimos – o do Dragão do final da época passada e agora este de Guimarães – o melhor mesmo é pôr-lhe ponto final. E que a recente homenagem da A. F. Porto (já quase ninguém se lembrava da sua histórica e tumultuosa relação com a arbitragem) em nada ajudou. É que não é a mesma coisa da homenagem da A.F. Leiria, em que com muito gosto (a convite do tal benfiquista único  que acima referi) participei, na véspera da partida para a África do Sul!


E domingo há derbi. Que parece estar já a aquecer, depois de uma longa semana europeia em que apenas o Braga deu passo em falso!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Reposições #6- Competitividade e flexibilidade*

 


Por Eduardo Louro


 


 


Há muitos anos que em Portugal se discute a legislação laboral. É invariavelmente apresentada como factor de bloqueio do país. Bloqueia o investimento e bloqueia o desenvolvimento e, assim, hipoteca o crescimento e o futuro!


Até há alguns anos atrás esta era uma discussão fundamentalmente ideológica. Entre esquerda e direita, entre patronato e sindicatos. E se o normal era a tradição continuar a ser o que era – “patrões” e direita a reclamarem liberalização e sindicatos e esquerda a defenderem a manutenção da rigidez da legislação laboral – a verdade é que, em diversas ocasiões, foi possível ouvir mesmo alguns empresários de sucesso dizer que a questão laboral era um mito e que, para eles, não representava qualquer dificuldade.


Esta dialéctica foi resistindo na sociedade portuguesa e na concertação social que tem presidido à sucessiva evolução da legislação até ao recente Código de Trabalho.


Hoje, se considerarmos que as ideologias não evoluem e não se adaptam às novas realidades, a discussão não pode ser ideológica. Vivemos num mundo globalizado, num mercado aberto e concorrencial onde Portugal tem uma das legislações mais rígidas. As empresas têm que ser competitivas e, para isso, é fundamental a competitividade do factor trabalho.


E a nossa rigidez laboral não contribui para melhorar essa competitividade. Não contribui directamente, enquanto mecanismo estrangulador da flexibilidade, de reajustamentos operacionais nas empresas mas, fundamentalmente, não contribui enquanto mecanismo estruturante de mentalidades, das novas mentalidades perante as novas realidades do mundo em que vivemos.


O cidadão é levado a pensar que o seu posto de trabalho está legalmente protegido, independentemente do seu desempenho. Mas não é levado a pensar que o seu posto de trabalho só estará verdadeiramente protegido enquanto a sua empresa for competitiva. Que quando deixar de o ser tem que fechar e, fechando, adeus posto de trabalho. Não há legislação que lhe valha. A rigidez laboral não traz mais do que uma segurança aparente e enganadora.


Poderá ainda argumentar-se que a flexibilidade laboral desprotege os mais fracos na relação de trabalho, deixando-os à mercê do livre arbítrio do empregador. Porventura algumas vezes assim poderá suceder, mas nada que um poder minimamente regulador e eficaz não pudesse resolver. Acresce que, com o desenvolvimento da qualidade de gestão, hoje praticamente todas as empresas reconhecem nos seus recursos humanos o seu principal activo. Alguém acredita que as empresas não pretendem preservar os seus principais activos?


O que está em causa são pois os “maus” trabalhadores. E, para estes, a única forma de os proteger é tentar transformá-los em bons trabalhadores. Responsáveis, interessados e produtivos. Formá-los e reciclá-los.


Não há economias com pleno emprego. A capacidade de emprego das economias é mais ou menos limitada. O desemprego é uma variável macroeconómica incontornável. Grave, para uma sociedade, é quando o desemprego é preenchido por pessoas que foram objecto de grande investimento em educação e formação. É quando esse investimento não tem retorno. É quando o investimento não é estimulado e se não cria mais emprego.


Um mercado de trabalho marcado pela rigidez é um mercado fechado, que deixa de fora muita gente capaz e onde os mais jovens sentem enormes dificuldades para entrar. Preserva, até ao limite da capacidade de resistência de muitas empresas, o emprego dos seus mas perpetua o desemprego dos outros. Permite a ilusão de um emprego garantido e impede ou, pelo menos, limita a preocupação dos trabalhadores com a sua própria formação, o seu próprio desenvolvimento e a sua própria produtividade.


A competitividade das empresas interessa aos seus accionistas, aos seus trabalhadores e a toda a sociedade. É pois algo de convergente e não tão dialéctico quanto fomos admitindo no passado.


A flexibilidade laboral não desata todos os nós que estrangulam a nossa economia mas contribuirá fortemente, através da valorização e responsabilização dos cidadãos, para transformar, dinamizar e enriquecer a nossa sociedade. E, pasme-se, para a tornar mais justa!


 


*Publicado no Região de Leiria em Junho de 2006

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Reposições #5- Internacionalização vs exportação*

 


Por Eduardo Louro


 


Os nossos governos, e em particular o último, fizeram uma grande aposta na internacionalização das empresas nacionais, com diversos programas e milhões de euros envolvidos nessa estratégia.


Sempre tive algumas dúvidas sobre tal estratégia. Acho indiscutíveis as vantagens para a economia portuguesa do investimento das empresas nacionais no estrangeiro quando focado numa estratégia de afirmação dos seus produtos nos mercados internacionais. Por isso entendo que serão de apoiar os investimentos em distribuição e marketing, aqueles que permitam acompanhar de mais perto o cliente e o seu produto. E acho discutíveis as vantagens para a economia nacional de todos os outros tipos de investimento no exterior que não se relacionem directamente com a criação de valor no país.


Por isso, apoiar a internacionalização das empresas “tout court”, apenas para colocar uma bandeirinha pelo mundo fora, sem entender o que corresponde ao interesse da economia nacional ou apenas ao interesse particular (de empresas ou de grupos), no actual contexto, é muito questionável.


Chegou-me na semana passada às mãos um estudo publicado em Setembro, da autoria de três professores do meu ISEG – Miguel Fonseca, António Mendonça e José Passos –, que conclui que “o investimento directo português no estrangeiro tem impacto negativo nas exportações”. Este estudo analisou e correlacionou exportações e investimento em 18 países entre 1996 e 2007 e conclui que apenas em Angola (16%) e em Espanha (apenas 1%) se verificou crescimento nas exportações. Em todos os restantes 16 as exportações caíram.


Estas conclusões, e realçando que as duas excepções vêm de países especiais – parece claro e inequívoco que Angola e Espanha constituem, para Portugal, mercados externos com especificidades próprias – vêm confirmar o erro daquela estratégia.


Quando precisamos de aumentar consolidadamente as nossas exportações desenvolvem-se políticas e incentivam-se estratégias com o efeito contrário. Não temos dimensão económica nem empresarial para gerar empresas multinacionais (condições desse tipo tivemo-las mas já lá vão mais de cinco séculos), pelo que dar incentivos à internacionalização das empresas sem cuidar de assegurar que contribuem para gerar exportações, é cortar o crescimento da economia nacional. A crise também se faz destas coisas!


 


 


*Publicado no Vila Forte em Outubro de 2009


 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Reposições #4- Alemães*

Por Eduardo Louro


 


Confesso que, ao contrário da minha filha mais velha, a Joana, que desde pequena sempre foi uma admiradora dos alemães, e com justificadíssimas razões, entre as quais a forma como souberam renascer dos imensos dramas de duas guerras mundiais consecutivas e o rigor da organização social, eu nunca fui um particular entusiasta da coisa alemã, à óbvia excepção dos seus produtos e das suas tecnologias. Aí há muito que sou o mais fanático dos alemães!


Comecei por apresentar este antagonismo emocional com a minha filha para salientar a forma como os acontecimentos pesam em função da sua proximidade com cada geração. A minha foi ainda muito marcada pelo nazismo, não tanto de forma directa mas naquilo que foi transportado para o regime em que crescemos. De modo que via aquela língua como uma coisa agressiva, quase que emitida a partir de uma boca preenchida por aquele bigodinho ridículo…Depois, confesso que no futebol, aquela coisa deles não jogarem nada mas ganharem sempre, também não contribuía nada para captar as minhas simpatias.


Enfim, mas tudo isso já ficou para trás e, agora sou, também eu, um admirador, já não só dos carros e dos equipamentos alemães, mas dos próprios alemães. E olhem que é coisa recente!


O primeiro passo foi dado através de uma estória que envolvia um alemão, um experimentado marinheiro português, uma prestimosa assistente de bordo, e a personagem principal: uma genoa. Nem vale a pena contar a estória, nem teria espaço para o fazer. Fica apenas o registo do meu primeiro momento de aproximação simpática a um alemão!


Pouco depois, dava eu próprio aqui conta de um gesto só ao alcance dos grandes cidadãos: um multimilionário alemão, Dieter Lehmkuhl de seu nome, quando o seu governo anunciava baixar os impostos, tomava a iniciativa de promover o lançamento de um imposto apenas para eles próprios, para os multimilionários. Já não era necessário mais nada para, definitivamente, me tornar num grande admirador dos alemães. Afinal isto não é possível em mais nenhuma parte do mundo!


Mas não é que na passada semana tomo conhecimento de mais um gesto nobre de uma cidadã alemã? Conta-se em poucas palavras: a senhora era gerente bancária, e geria contas de gente de baixos recursos, que muitas vezes as deixava, se bem que por pequenos montantes, a descoberto, com todas as implicações que bem conhecemos, e de gente como a do tal senhor. Então a senhora transferia destas últimas os valores necessários para que os desgraçados não fossem ainda mais desgraçados. Logo que essas contas estivessem regularizadas pelos seus titulares voltava a repor os valores nas contas mais abastadas.


Aí pensei quão injusto eu havia sido para um povo que é composto por pessoas como estas!


Mas a história não acaba aqui! Porque alguns dos ditos desgraçados, quando viram dinheiro na conta voltaram a gastá-lo, a dita senhora não conseguira repor todos os valores. Por isso, mas sem utilizar um único cêntimo em proveito próprio, agora reformada, a senhora tem de dispor da totalidade da sua reforma para ressarcir os titulares das contas mais abonadas, que não conseguira repor.


Cheguei então a pensar pedir ao tal dito senhor que lhe desse uma ajudinha, porque bem a merece!


Em Portugal temos muitas histórias parecidas… diferem é no destino dado ao dinheiro. É também essa pequena diferença que nos faz tão diferentes de um povo que merece ser admirado!


 


 


 


*Publicado no Vila Forte em Dezembro de 2009

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Reposições #3- Equívocos estratégicos*

 


Por Eduardo Louro


 


 


Continuo de férias. E férias, nesta altura e para quem preze o cruzamento de consciência nacional com sol e praia, é no Algarve.


 


Nesse Algarve de que se dizia estar às moscas e onde os estabelecimentos hoteleiros, particularmente os mais luxuosos, teriam tido necessidade de fazer saldos para atingir os níveis mínimos de ocupação.


 


Na verdade não senti nada disso. Nem moscas nem saldos! Mas não são os saldos que me ocuparam a mente, até porque, provavelmente, existiriam em latitudes que não teria preocupação de atingir. O que me assaltou o espírito foi perceber donde viria a ideia de que o Algarve estaria às moscas quando aquilo era o inferno de gente de sempre. Ou pior. Tenho por hábito, independentemente da zona onde me fixe, dar sempre uma voltinha por Albufeira, à noite. Pois, este Agosto e pela primeira vez, não consegui sair do carro. Tudo o que era estacionamento estava cheio!


 


Não foi necessário fazer um esforço mental muito grande para perceber por que razão, estando o Algarve cheio, se dizia estar às moscas. Afinal o que estava às moscas era o Allgarve! Eu explico: os bifes não vieram! Eram só tugas!


 


Claro que os portuguesitos não dão para encher tudo o que é infra-estrutura turística que por lá se plantou ao arrepio das mais elementares regras de planeamento e de bom senso. Mas dão para encher as ruas e os parques de estacionamento. E até dão para salvar o Algarve daquilo que seria um ano verdadeiramente catastrófico.


 


Se bem me lembro foi o ministro Manuel Pinho que teve a ideia do Allgarve. Se bem que a ideia do Algarve para os ingleses, já vem muito de trás. As cartas de restaurante em inglês, a food, os drinks e os bares ingleses, a par com o mau tratamento de que os portugueses eram objecto, como se fossem gente estranha, são já bem antigos no Algarve. Mas a ideia de Manuel Pinho, e os largos milhões gastos na sua promoção, não raramente em autênticas aberrações de marketing e de estética, apenas reforçou esse estado de coisas.


 


Ora isto é um erro estratégico dramático. Não é só dramático por menosprezar os portugueses que pagaram impostos para financiar essa campanha. É dramático porque se diz que o turismo é a única actividade económica viável para Portugal. É um desígnio estratégico nacional! É o nosso petróleo!


 


É um erro estratégico dramático porque não partiu da valorização da nossa diferença e ignorou literalmente todo o nosso potencial cultural e toda a nossa rica diversidade. Pelo contrário, apostou numa imagem de um país servil para o turista, que lhes quer oferecer aquilo que eles já têm. Que aposta nas únicas coisas que eles lá não têm – sol e praia – mas recriadas nos ambientes que lá têm. Que pega na sardinha assada e a serve com chips!


 


Como é óbvio ninguém sai do seu país para ir fazer turismo noutro que lhe oferece as mesmas coisas. Para isso fica em casa. Quando se sai para outros países vai-se à procura de coisas diferentes. Pois aí está: a nossa estratégia para o nosso maior desígnio não é estratégia – é sol e praias, que são apenas preciosos recursos naturais. E quem não tem estratégia para os potenciar não os merece!


 


Depois, quando os ingleses não vêm, o Algarve está às moscas!


 


 


*Publicado no Vila Forte em Agosto de 2009

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Futebolês #41 Cláusulas de rescisão

Por Eduardo Louro


   


 


 


As cláusulas de rescisão entraram recentemente no dicionário de futebolês. Entraram tarde mas em força!


O que vem então a ser isto das cláusulas de rescisão?


Bom, o conceito é simples e claro: estabelecido um contrato entre as partes – o jogador, mas também já o treinador, e a entidade patronal – uma cláusula desse contrato prevê uma das condições em que esse mesmo contrato possa ser rescindido. Precisamente a que fixa o valor que obriga a entidade patronal a ceder os respectivos direitos desportivos.


Contrata-se um profissional e diz-se logo: por menos deste valor (o da cláusula de rescisão) ninguém o leva! A partir desse momento, e em teoria, o mercado fica a saber que não vale a pena falar noutros números. E o profissional fica a saber, mais, aceita expressamente que, se ninguém aparecer a bater esse valor, não vale a pena inventar problemas de adaptação, de saudades da família ou do que quer que seja, porque a entidade patronal não cede. Nem está obrigada a ceder!


Claro que isto é a teoria. A realidade é outra: na maioria das vezes a cláusula de rescisão não serve para nada. Ou porque não tem qualquer aderência à valia desportiva do jogador, ou porque é o próprio jogador que invoca tudo e mais umas botas para a mandar às ortigas e assegurar a transferência que lhe garante o contrato da sua vida.


Quando, no final da época o presidente, aflito por vender os melhores para realizar uns cobres que tem de ir entregar ao banco, diz que não sai ninguém, a não ser que seja batida a cláusula de rescisão, isso não é mais que conversa para adepto ouvir. Claro que vende tudo o que lhe queiram comprar. Depois o culpado será sempre o jogador: “o jogador é que quis sair e não podemos manter um jogador contrariado”, é a inevitável justificação.


É isto que vemos em todos os nossos clubes!


Na selecção nacional, na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), não é bem a mesma coisa. Aí temos um imbróglio, que é uma das maiores vergonhas nacionais para, ao que se diz, fugir a uma cláusula de rescisão que, afinal, ninguém sabe se existe.


A verdade é que, com ou sem cláusula de rescisão, pôr Carlos Queiroz a andar, sem indemnização, tem sido o grande quebra-cabeças da direcção da FPF. Ao ponto de toda a gente ter perdido a cabeça e já não restar alternativa que não passe pela porta de saída: toda a gente para a rua, antes que acabem por matar definitivamente uma selecção nacional (tão sintomática quanto os resultados - um único ponto em dois jogos tornam já difícil o apuramento para o europeu - é a assistência de Guimarães, claro indício de que o apoio à selecção faz parte do passado) que tem prestigiado o país e enchido os cofres da FPF.


Todos têm sido indignos do esforço e da categoria dos jogadores mas, para mim, a maior decepção é mesmo o seleccionador Carlos Queiroz. Que não pode agora vir dizer que está em causa a defesa da sua honra e do seu prestígio. Não está porque não se defende o que já se perdeu!


Há dois anos Queiroz chegava à FPF em ombros. Não tinha ganho nada, mas fazia o pleno nacional. Era o homem certo no lugar certo!


Em dois anos, o homem que todos aclamamos por lhe reconhecermos competência, prestígio, mundo, elegância e cosmopolitismo transforma-se em grosseiramente incompetente, capaz do mais ordinário vernáculo e da mais reles rixa de taberna, emocional e intelectualmente desequilibrado, sem norte e perdido em labirintos de dúvidas e de suspeições.


 


PS: Como devem ter percebido este texto foi escrito antes da apregoada reunião da direcção da FPF de ontem, quinta- feira. Daí que não comente qualquer decisão, se é que alguma foi mesmo tomada!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

É hoje...É hoje!

Por Eduardo Louro


 


 


“É hoje … é hoje”! Lembra-me uma anedota que me contaram há muitos, muitos anos.


Num debate sobre sexualidade o orador, para apalpar (falando de sexualidade, apalpar não será o verbo mais aconselhável, mas vá lá … vocês entendem-me, sem malícia…) a plateia, vai questionando a audiência sobre a frequência da sua actividade sexual. “Quem faz sexo todos os dias que levante o braço”! Quem faz uma vez por semana? Uma vez por mês …. E as pessoas iam levantando o braço. Até que, chegando a uma vez por ano, responde um cavalheiro de meia-idade, que já não levanta o braço mas salta e grita: Eeeuu! Eeeuu! Surpreendido, o orador questionou-o sobre a razão daquela excitação toda, quando, afinal, ele era o menos activo de todos os presentes. A resposta veio ainda mais excitada: “ É que é hoje … é hoje”!


Este hoje é outro. É que hoje é o dia 9 de Setembro, o dia em que o Presidente da República vai demitir o governo! Se o não fizer hoje … já só lá para o próximo Verão. Mas aí até poderá acontecer que o Presidente já seja outro, que não seja este. Sim porque isto de um Presidente ter sempre assegurada a reeleição não é uma fatalidade!


Claro que não parece nada que o Presidente vá aproveitar esta última oportunidade, ele que até anda tão ocupado a mandar recados sobre a aprovação do próximo orçamento, precisamente para que nada incomode o seu passeio para a reeleição. Mas também não parecia nada que o tipo que limitava a sua actividade sexual a uma única vez por ano, vergado ao peso de assembleia com gente muito mais activa (ou mais mentirosa), se manifestasse daquela forma e com tamanha exuberância. Expectável seria que ele ficasse caladinho e escondido no anonimato da multidão. Sem que ninguém desse por ele nem pelo seu deprimente desempenho!


Por isso esperem. Esperem até ao final do dia! É que estamos em tempo de vindimas e “até ao lavar dos cestos … “


 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Reposições #2- Guru do Chiado*

 


Por Eduardo Louro


 


Da pizza diz-se que o segredo está na massa. Da Gestão diz-se que está na flexibilidade e na agilidade.


Particularmente em tempos de crise, como os que teimam em continuar, a agilidade da gestão tornou-se num verdadeiro mito. Só as empresas com grande flexibilidade, com enorme capacidade de adaptação em tempo real à mudança conseguem vingar e atingir o sucesso.


De facto a mudança sempre teve muito de assustador. Resistir-lhe foi e continua a ser um factor de bloqueamento. Na sociedade e, inevitavelmente, nas empresas. Responder à mudança é um factor crítico de sucesso, e responder-lhe rapidamente e em força, exige enorme agilidade. Chamamos-lhe, popularmente, jogo de cintura ou também flexibilidade de rins.


Este mito da agilidade e da flexibilidade de gestão continua a tirar o sono a muitos gestores e empresários, que passam noites de autêntico pesadelo a matutar na forma de alcançar tão valioso desiderato. Pois surpreendam-se: vou dar uma ajuda.


Há já alguns anos que venho observando, em Lisboa (é em Lisboa que tudo se passa...), o mais emblemático case study de agilidade e flexibilidade na gestão de um negócio. Passa-se no Chiado e tem como protagonista uma senhora, de aparência desenrascada, seca de carnes e à volta dos 50 anos.


Está sol e a senhora apresenta-se na Rua Garrett com os dois braços carregadinhos de óculos de sol, para a senhora e para o cavalheiro, pró menino e prá menina, de todas marcas: Ray Ban, Gucci, … Mas, de repente, o céu escurece e anuncia  chuva. Num ápice a senhora desaparece com os óculos de sol e reaparece, minutos depois, com os mesmos braços agora carregadinhos de chapéus-de-chuva. A chuva pára e, se volta o sol, volta ela com os seus óculos. Mas, se o sol não está voltado para emprestar ainda mais beleza ao Chiado e a chuva é substituída por uma aragem fria, a senhora,  os mesmos minutos depois, está de regresso com os braços carregadinhos de luvas e cachecóis.


Delicio-me com esta demonstração de agilidade desde há uns 4 anos. Ontem decidi que era tempo de meter conversa, de ao menos lhe perguntar o nome. Não podia deixar passar mais tempo sem juntar o seu nome à minha lista de gurus de referência. Saí do parque de estacionamento (Império): o sol brilhava, o Chiado estava lindo e cheio, como sempre. Ela lá estava, ao fundo, com os braços carregados de óculos. Mas, de repente, sem sequer me darem tempo de me aproximar, umas nuvens negras taparam-no… Fica para a semana!


 


 


  


*Publicado no Vila Forte em Outubro de 2009

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Reposições #1- Tempo de (férias) mudança*

 


Por Eduardo Louro


 


Estamos em tempo de férias, em pleno pique de Agosto, cada vez mais o mês das férias.


Muitas empresas, por cá e a exemplo do que sucede por essa Europa fora, encerram mesmo durante este período. Cada vez mais o período anual das diferentes actividades vai de Setembro a Julho, e já não tanto de Janeiro a Dezembro. Apesar de, em Portugal, os exercícios económicos continuarem a seguir o calendário anual de Janeiro a Dezembro e dos Balanços se fazerem a 31 de Dezembro de cada ano, a realidade é que deveriam fazer-se em 31 de Julho. Agosto seria riscado do calendário para todas as actividades não turísticas, e o ano iniciar-se-ia a 1 de Setembro.


O mês de Agosto é um mês de férias, de descanso, de retempero de forças. Mas também de balanço do que ficou para trás e de perspectivar o futuro, muitas das vezes com esperanças renovadas, com promessas de mudanças. De rotinas, de hábitos e de comportamentos.


Provavelmente quem se der a estes exercícios durante este mês de Agosto será levado ao desânimo porque, estamos mais uma vez, ou continuamos, mergulhados na crise.


Todos sabemos que, passados os primeiros anos de integração europeia quando, por força do nosso baixo nível de desenvolvimento e dos recursos canalizados para a nossa economia, atingimos níveis de crescimento assinaláveis, passamos sistematicamente a divergir dos padrões de crescimento global deste espaço que integramos.


Uma divergência no crescimento económico que nos tem empobrecido e deixado mais distantes dos nossos parceiros de comunidade. E que se faz sentir em muitos outros indicadores, que não exclusivamente económicos, onde desencantadamente vamos ocupando cada vez mais o fundo das tabelas.


E porquê?


A resposta é unanimemente aceite: educação e formação.


Em Portugal não temos levado a sério este desafio da educação e da formação. Pelas mais diversas razões, e apesar da enorme quantidade de recursos canalizados para estes sectores. E, no entanto, é também já consensual entre nós a importância estratégica da educação e da formação profissional enquanto vector fundamental de desenvolvimento.


Por que falhamos então este desígnio nacional?


Fundamentalmente porque ele ainda não corresponde a uma vontade colectiva. De todos e de cada um. Porque muitos de nós achamos que nada temos a ver com o assunto. Que é problema do outro. Porque o consenso estabelecido corresponde muito ao domínio do politicamente correcto e pouco ao domínio da consciência real.


Mas também porque existe uma dinâmica própria da aprendizagem da qual estamos muito afastados. Quanto mais se sabe, mais se sabe que se não sabe. Não é necessário recorrer ao filósofo para sustentar a afirmação.


Sem um sistema de educação que alimente o gosto pelo saber, que forneça as ferramentas básicas para procurar o conhecimento, não é criada uma dinâmica de aprendizagem. E, sem essa dinâmica, não é fácil assumir a responsabilidade da formação ao longo da vida. Porque é de responsabilidade que se trata. A responsabilidade de acompanhar um mundo sempre em mudança para que dele não sejamos excluídos.


 


*Publicado na  Newsletter do I-Form em Agosto de 2008

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Reposições

 


Por Eduardo Louro


 


Manter um blogue a solo não é fácil. Nem difícil. Às vezes é fácil, às vezes é difícil, depende. Depende da disponibilidade, do tempo que conseguimos roubar às nossas actividades diárias. Nas próximas duas semanas irei estar fora e sem condições para alimentar uma relação regular com o Quinta Emenda. Por isso procurei uma fórmula para manter o blogue vivo durante estas duas semanas e decidi publicar, em reposição, alguns textos publicados nos últimos tempos em diversos espaços.


É como fazem as televisões durante o Verão… Mas também como fazem muitos VIP em muitos VIB (very important blog), quando apenas replicam o que publicam nos jornais!


Seleccionei alguns textos em obediência a um critério de intemporalidade. Porque sejam temas que se mantenham actuais, ou mesmo que mostrem como, afinal, o tempo passa sobre muitos deles sem em nada os alterar. Ou porque sejam mesmo intemporais!


Estas reposições, sete ao todo, estarão devidamente identificadas e darão ainda as referências da publicação original. Mas claro que nestas duas semanas nem tudo serão reposições!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Futebolês #40 LOSANGO

Por Eduardo Louro


   



Quando em futebolês se fala em losango não se está a falar daquele polígono quadrilátero a que também chamamos rombo. Fala-se, como nunca se tinha falado, de sistema táctico. Da disposição táctica dos jogadores em campo ou, na linguagem futebolesa mais elaborada de Luís de Freitas Lobo, da construção da casa táctica da equipa ou do habitat táctico-posicional dos jogadores.


Quando digo que se fala do losango como nunca se tinha falado de outro sistema táctico faço-o com toda a propriedade: creio que nunca outro sistema foi tão badalado, mas também nunca outro sistema fora apresentado desta forma, com recurso a este tipo de imagem e terminologia. 


Uma rápida espreitadela pela História das tácticas do futebol mostra-nos isso mesmo (não, não é o famoso “o futebol é isso mesmo”, máxima do politicamente correcto em futebolês que serve de resposta a tudo o que se não sabe responder).


Creio que não estarei errado se disser que tudo começou com o WM – pelo menos não tenho conhecimento de referências a sistemas tácticos anteriores – que tem a particularidade de, como o losango, recorrer a uma imagem para traduzir o desenho arquitectónico da casa táctica: 2 defesas, então chamados, à inglesa, de backs, identificados nas duas bases inferiores do W, 3 médios, identificados nas três pontas superiores do mesmo W, e cinco avançados, sendo dois extremos (pontas superiores do M) com os restantes três (base inferior do M) no meio – dois interiores (o esquerdo e o direito) e o avançado centro.


Era o futebol dos anos 40 do século passado, todo mandado para frente: apenas dois defesas e cinco avançados. São os anos gloriosos do Sporting dos cinco violinos – os cinco avançados que ficaram na história do Sporting e do futebol nacional.


Depois passou-se à imagem numérica para identificar o sistema. Utilizando esta forma de representação o WM teria sido o 2x3x5. É quando surge, já nos anos 50 e durante boa parte da década de 60, o 4x2x4: reforço da defesa, agora a quatro, pouca importância do meio campo, com apenas dois jogadores, e quatro avançados, mantendo os mesmos dois extremos bem agarrados à linha, perdendo-se os dois interiores e passando a dois avançados centro. São os tempos gloriosos do Benfica de sessenta, donde emerge um famoso quarteto (José Augusto, Torres, Eusébio e Simões), que domina em Portugal e na Europa, com cinco presenças na final da Taça dos Campeões Europeus. E da mais brilhante de todas as selecções nacionais: a de 66!


A partir daqui assiste-se ao reforço dos cuidados defensivos e a um crescimento demográfico no meio do campo. No 4x3x3 que surge nos finais da década de 60 (excelentemente interpretado pela selecção do Brasil no Mundial do México de 1970) e vem até à actualidade  - evidentemente que com múltiplas nuances de alas e trincos. Ou nos actuais 4x4x2, 4x2x3x1 e … losango!


O problema é que o losango é uma simplificação. Transmite-nos uma imagem geométrica, em vez de um alinhamento de algarismos em forma de factores de multiplicação, mas não representa mais que uma variante do 4x4x2. Pois é, a imagem do rombo aplica-se apenas ao desenho do quarteto do meio campo: um médio defensivo atrás, o 6, dois no meio (sem alas) e um 10 à frente! Daí que a verdadeira designação do sistema seja o 4x4x2 em losango, que se traduziria em (veja-se a confusão) 4x1x2x1x2. O tal que no Sporting de Paulo Bento, tal a dependência, mais parecia cocaína. Dizia-se que o Sporting era losangodependente!


Daí que a Academia de Alcochete agora mais pareça uma clínica de desintoxicação, para cortar definitivamente com aquela dependência. O Paulo Sérgio, coitado, passa as noites a sonhar com o maldito losango e a tentar inventar novos sistemas. Numa destas até inventou um que metia um pinheiro… Como cidadão responsável andava, como todos nós, preocupado os incêndios que destroem a maior mancha de pinheiros da Europa. Mas, como profissional responsável, não dormia às voltas com os muitos sistemas tácticos que pretende implementar na equipa em simultâneo, para matar de vez o losango e surpreender finalmente os adversários. E pronto, lá veio um com pinheiro…


O Costinha bem lhe explica que não pode ser, que os pinheiros arderam todos e que os poucos que resistiram estão pela hora da morte. Mas nem assim ele tira o pinheiro da cabeça! E já avisou que no Natal não quer ser enganado. Quer mesmo um pinheiro, não é dessas árvores de natal de plástico que os ecologistas agora nos querem impingir!


 


PS A selecção inicia hoje os jogos de apuramento para o euro 2012. O que é que a gente pode dizer? Parafrasear o Queiroz? Não, é muita ordinarice

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Sentença

 


Por Eduardo Louro


 


 


Parece que desta é que é! Amanhã teremos finalmente a leitura do acórdão do Processo Casa Pia.


Espera-se pela sentença com a esperança que se espera de cada decisão do tribunal: espera-se por Justiça!


Uma esperança que elevamos à máxima potência quando esperamos que possa apagar o passado, como uma simples borracha. Que apague todo o mal que foi causado, que limpe de todo sofrimento e que abra as cancelas a um amanhã cheio de sol …


Ninguém pode esperar nada disto para amanhã: muitas das crianças violadas e violentadas, vítimas primeiras de toda esta vergonha nacional, ouvirão provavelmente amanhã a sentença já com filhos ao colo. Outras vítimas, vítimas que também há entre os arguidos, não tenho disso grandes dúvidas, sabem que já nada consegue limpar nada. 


Já não há esperança. Não se fará justiça! Assim nunca se fará justiça…

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...