quinta-feira, 31 de outubro de 2019

É assim!

Resultado de imagem para sérgio conceição maritimo


 


Não há volta a dar: o Porto não ganha, e lá regressa o Sérgio Conceição azeiteiro e arruaceiro. Enquanto ganha cumprimenta os adversários no fim do jogo, esboça uns sorrisos e chega até a assemelhar-se a uma pessoa cordata.


Mas, logo que não ganha, solta o grunho que tem lá dentro. Ontem, na Madeira, voltou a ser assim. Voltou a deixar o colega adversário de mão estendida, voltou a utilizar linguagem de sarjeta e a queixar-se de tudo e de todos. Só não se queixou do golo que lhe valeu o empate ... O que seria, se tivesse acontecido na baliza da sua equipa? 


Mas não se passa nada... E Sérgio Conceição continua apenas a ser frontal, como Pinto da Costa apenas dono da mais fina ironia...


Por cá, é assim!


 

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Regressos

Benfica goleia Portimonense e aproveita deslize do FC Porto para assumir a liderança isolada


 


Não sei se é o regresso do Benfica desaparecido mas, à nona jornada, nesta modernice dos jogos da Liga a meio da semana, é o regresso às boas exibições e às goleadas. Depois de dois meses periclitantes, o Benfica venceu e convenceu!


Com as bancadas pela primeira vez abaixo dos 50 mil - mesmo assim com uma boa assistência, para um jogo a meio da semana e com uma meteorologia pouco convidativa - a Luz voltou a vibrar com boas jogadas de futebol, quatro golos e ... regresso ao topo da classificação. Isolado, sem companhia. Com o melhor ataque e a melhor defesa!


A primeira parte não foi brilhante. Mas também não foi, nem nada que se parecesse, tão pobre como nas últimas participações. O Portimonense não facilitou, com uma linha de cinco defesas, e outra de quatro logo à frente. E os espaços não abundaram, antes pelo contrário. E pertenceu-lhe até a primeira oportunidade do jogo, logo no arranque, negada pelo Odysseas, bem a fechar o ângulo.


O Benfica assentou então o seu jogo numa grande segurança defensiva, complementada por uma boa e segura circulação de bola. É certo que não criou situações de golo, especialmente porque os cruzamentos nunca saíam a preceito. Só que, se não há situações de bola corrida, aproveitam-se as de bola parada, como já tinha sucedido em Tondela. 


Voltou a acontecer logo aos 17 minutos, num canto de Chiquinho, como mandam os cânones, com desvio na pequena área para o segundo poste para a entrada de rompante, e em grande estilo, de André Almeida. E a repetir-se logo no arranque da segunda parte. Desta vez o remate do André levou a bola à barra. Que rapidamente foi recuperada, para Grimaldo cruzar e Rúben Dias aparecer à frente da baliza a estrear-se também a marcar no campeonato.


A partir daí, sim. A exibição do Benfica soltou-se definitivamente e voltou a haver períodos de autêntico regalo para os olhos. Deu para mais dois golos, já de bola corrida, ambos de Vinícius. E para mais três feitos, que acabaram por ficar por fazer nos pés de Chiquinho e Gedson, e na cabeça de Jota.


A equipa joga bem qando os jogadores jogam bem. Não pode ser de outra forma, e todos os jogadores do Benfica estiveram em bom nível. Incluindo Gedson, que na primeira parte tinha sido claramente o elo mais fraco. Mas Chiquinho, titular pela primeira vez e logo no regresso de grave lesão, Vinícius, Gabriel e Grimaldo brilharam a grande altura. 


Que seja para continuar, é o que se deseja. Mesmo que as mexidas na equipa tenham de continuar. Hoje entraram cinco jogadores novos relativamente ao jogo de domingo. Entre eles, Samaris. Também mais um regresso a saudar.


O excelente ambiente no seio da equipa, bem patente na forma como os golos foram celebrados, e muito especialmente na forma como Seferovic festejou os do Vinícius, poderá nem ser um regresso. Com a raridade dos golos não dava para perceber. Hoje deu. E saúda-se também!

Salário mínimo estrutural

Resultado de imagem para salário mínimo nacional


 


Começa hoje na Assembleia da República a discussão do Programa do Governo, de que muito se tem ouvido falar nos últimos dois ou três dias.


Do que mais se tem falado, e o que mais tem sido enfatizado, é do aumento do salário mínimo nacional até aos 750 euros no final da legislatura, daqui a quatro anos. Se ela lá chegar, mas isso são outros quinhentos...


Lembramos-nos do circo que se monta cada vez que se fala em aumentar o salário mínimo. Nunca pode ser, o país não aguenta, as empresas não resistem, e vem aí o desemprego. É este o circo que estranhamos que não esteja já montado, desta vez. E que, pelo contrário, haja como que um consenso nacional à volta do aumento do salário mínimo. E mais estranhamos ainda que tenham sido as organizações patronais os primeiros a aplaudir a medida. 


Há quem veja nisto um mero apontamento táctico. Para defender o bem maior da legislação laboral, como se sabe o epicentro do fenómeno de implosão da geringonça, governo e entidades patronais davam as mãos na política de rendimentos e em particular no salário mínimo. Mas poderá, no entanto, ser algo mais estratégico.


O problema do salário mínimo em Portugal é ter deixado de ser o salário mínimo. Com a troika, e especialmente com o governo que quis ir, e foi, além da troika, o salário mínimo perdeu o adjectivo e ficou simplesmente salário. O problema é que, em vez de mero indicativo de referência, o salário mínimo passou, pelas mãos de Passos e Portas, a referencial da prática salarial.


O problema do salário mínimo em Portugal já nem é - pasme-se - estar muito abaixo da média europeia e ser mesmo um dos oito dos mais baixos (em poder de compra) da Europa. O problema é que o salário mínimo é hoje a retribuição de perto de um quarto dos trabalhadores portugueses, quando em 2001 era o de apenas 4% deles, e está encostado ao salário mediano, pouco acima dos 800 euros. Portugal tem, a seguir à França, o salário mínimo mais próximo do mediano (61%). Só que, em França (62%), o salário mínimo é o dobro do português. 


 


 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Vender a alma


 


 


Esta coisa de tudo se vender, de tudo servir para fazer o dinheiro que não vem de onde deve vir, ou que não há de todo, dá sempre nisto.


Chamam-lhe naming, mas é um negócio de alma. Quando não há mais nada para vender, vende-se a alma. Foi aí que chegamos, com toda a gente a vender a sua própria alma e, depois, a vender todas as que lhe apareçam pela frente, mesmo as que não estão à venda.


A Rosa Mota não terá aceitado vender a sua quando, ao que se diz, aceitou a proposta de Rui Moreira para mudar o nome do velhinho Pavilhão Rosa Mota do Palácio de Cristal para o recuperado pelo dinheiro da cerveja "Pavilhão Rosa Mota – Super Bock Arena". Mas terá vendido parte dela, o que para o Presidente da Câmara do Porto, especialista no negócio, bastava. E bastou para, do alto da sua hipocrisia, reduzir tudo a um pequeno nada: de "Pavilhão Rosa Mota – Super Bock Arena" a "Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota", não vai grande diferença.


Por maior que esteja à vista!


 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Coisas extraordinárias

Resultado de imagem para programa de governo natalidade


 


Está empossado o novo governo e aprovado, em Conselho de Ministros, o seu programa. Falta a sua discussão e aprovação no Parlamento, lá mais para o final da semana, que desta vez é até um bocadinho mais curta.


Esgotados os temas da constituição do governo, da (falta de) novidade à sua dimensão (é mesmo grande, houve até dificuldade em encaixá-los todos na fotografia), a opinião e a crítica viram-se agora para o seu programa, um campo bem mais aberto, onde cabe de tudo. Da opinião mais fundamentada à crítica mais corrosiva, ou ao mais simples disparate, dito com a convicção de maior certeza absoluta. O mais extraordinário que ouvi veio da boca de uma conhecida e mediática jornalista especializada em economonia, com lugar cativo nas rádios e televisões que, no meio de inúmeros anúncios e considerações, descortinou uma baixa de IRS para famílias com mais filhos, daí concluindo para um programa do governo a promover a natalidade, um dos mais dramáticos problemas do país. 


Dito assim, sem mais nem menos, com a convicção de quem não tinha dúvida nenhuma sobre o que estava a afirmar. Como se o problema da natalidade se resolva com menos meio ponto na taxa de IRS, de que grande parte da população está infelizmente isenta, Ou como se as taxas de IRS, e a fiscalidade em geral, não estivessem sempre a mudar. 


Se as taxas de IRS fossem instrumento de política de natalidade corria-se o risco de fazer disparar as taxas de interrupção voluntária de gravidez. Os casais que tomassem a decisão de ter mais um filho no momento em que fosse anunciado um benefício na taxa de IRS, corriam grandes riscos de se arrependerem ainda antes do seu nascimento...


Mas há quem ache que não, e que a malta vai toda desatar a fazer filhos para aproveitar um descontozinho na taxa de IRS. É extraordinário!


 


 

domingo, 27 de outubro de 2019

E pronto. O Famalicão entregou a liderança

Resultado de imagem para porto famalicao


 


À oitava jornada o Famalicão perdeu a liderança do campeonato, que surpreendentemente segurou até a este fim do mês de Outubro. Ficou a sensação que estava a pesar-lhe demasiado. 


Mas a forma como a entregou desmente que fosse assim tão pesada. As coisas pesadas nunca são entregues em bandeja. E esta liderança foi entregue em bandeja de prata... 


O Famalicão não ofereceu apenas um golo. Nem dois. Ofereceu todos os três golos da vitória do Porto. O primeiro no tempo de compensação da primeira parte, o segundo à entrada do último quarto de  hora e o terceiro à beira dos 90. Os dois primeiros com passes a isolar os adversários, e o terceiro, como num espectáculo de malabarismo, mais difícil ainda: com o guarda-redes, depois de muitas insistências, a esperar até ficar rodeado de adversários para, depois, sair a driblá-los todos.


Isto não quer dizer nada. Quer apenas dizer que foi mesmo assim. E que às vezes as coisas correm mal. O que poderá tornar-se difícil de perceber é a insistência no que corre mal... 

Que saudades das transições...


 


O treinador do Tondela tinha prometido jogar fechado lá atrás, confirmou essa intenção apresentando a equipa num cinco-quatro-um, pelo que o início do jogo não desiludiu essas expectativas.


Logo que o habilidoso Hugo Miguel deu o apito inicial o Tondela encostou-se à sua baliza e o Benfica não saiu de cima da área contrária. Boa circulação de bola, mas invariavelmente com o jogo a afunilar para a zona central, superpovoada por defesas tondelenses. E quando a bola chegava às alas, pouca presença dentro da área (Taarabt é apenas mais uma experiência falhada para o papel de segunda avançado), um monopólio dos defesas do Tondela. De sufoco, só o facto de a bola não passar da linha do meio campo para a metade do relvado à frente da baliza de Odysseas. Na verdade, situações de perigo para a baliza de Cláudio Ramos, nem em cheiro.


Por volta dos 10 minutos, e por duas vezes consecutivas, a bola passou para o lado de lá e surgiram as duas única ocasiões de golo. Que o guarda-redes do Benfica anulou, na primeira reduzindo o espaço e defendendo com a bola com um pé e, na segunda, com uma grande defesa para canto.


Até ao golo do Benfica, aos 19 minutos, por Ferro, na sequência de um canto, que por sua vez aconteceu na sequência do primeiro remate  a sério (Pizzi), o jogo manteve a mesma toada, com o Benfica a circular a bola, e o Tondela a todo lá atrás. Esperava-se que a partir daí se alterassem por completo as permissas do jogo, e que o adversário abrisse definitivamente o seu jogo. A verdade é que, mesmo que na resposta oTondela tivesse criado a sua terceira - e última - oportunidade de golo, o jogo não mudou de imediato. Foi mudando aos poucos...


 À medida que foi mudando, que o adversário mais subia, o jogo  ia ficando mais de feição para o Benfica. Mas não para este, para o outro, desaparecido há quase três meses, que fazia das transições o trunfo maior do seu futebol.


Este Benfica não consegue sair rápido para o ataque, os jogadores que têm a bola têm sempre mais uma volta a dar, e os que a não têm parece que estão presos por estacas.


A segunda parte foi exactamente isto, essa incapacidade de aproveitar o que um jogo mais repartido dava. E daí um espectáculo pobrezinho, na maior parte do tempo um jogo sem balizas. Da parte do Benfica, apenas dois remates, ambos de Chiquinho - um regresso que se saúda - que entrou já na segunda metade da segunda parte, para o lugar do apagado Taarabt. Do Tondela, nem um!


Mais um jogo que não abafa as saudades do Benfica desaparecido, e que vale pelo resultado. A 13ª vitória consecutiva fora de casa. Para o campeonato interno, obviamente!

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

É preciso ter lata!

Jornal Económico


 


Anda há anos em fugas para a frente, sempre a encontrar expedientes para não largar a cadeira. Afastado do Banco, refugiou-se - melhor, entrincheirou-se - na Associação Mutualista Montepio, protegido pelo seu estatuto especial que a coloca fora do sistema de supervisão bancária. Não estando claro - como é comum em Portugal - que estivesse sob a supervisão da área seguradora, foi necessário um esclarecimento legislativo a confirmá-lo.


Só então a Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões (ASF) pôde avaliar os dirigentes da Associação Mutualista, e a condição de Tomás Correia em particular. Acusado em vários processos do Ministério Público e do Banco de Portugal, que já não lhe reconhecia idoneidade bancária, e sabendo que não lhe poderiam ser reconhecidas condições para se manter no lugar, pede para sair por ter terminado a sua missão.


Tomás Correia sempre disse que só sairia pelo seu pé. E tem lata suficiente para pretender fazer crer que é o que está a fazer. Mas, não. Não está a sair pelo seu pé. Está a sair empurrado pela porta dos fundos!


 

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Não sabem fazer de outra maneira

Resultado de imagem para vale dos caidos


 


Depois de muita controvérsia chegou hoje, finalmente, o dia de retirar os restos mortais de Franco do Valle de los Caídos, um santuário que é um monumento aos que, de ambos os lados, caíram na trágica guerra civil espanhola, e destinado precisamente à sua última morada. Não era, como se sabe, o caso do generalíssimo ditador espanhol. Franco não caiu, pelo contrário, levantou-se na guerra civil de 1936-39. Emergiu dela para usurpar ditatorialmente o poder até à sua morte, em Novembro de 1975.


Os franquistas, que em Espanha são mais que as bruxas ("que las hay las hay"), como não acham nada disso, entendem que é lá que Franco deve permanecer. Que tenham esse entendimento, é lá com eles. Seria o menos, se não tivessem também entendido fazer a vida negra as dois irmãos que acabaram de herdar o negócio do pai, e de ficar com empresa contratada para a transladação.


Mas é assim. Eles não sabem fazer de outra maneira...


 


 

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Paradoxos e milagres

Benfica 2-1 Lyon: Pizzi (com ajuda de outro português) dá a primeira vitória aos encarnados


(EPA/RODRIGO ANTUNES)


 


Que sofrimento!


Foi com muito sofrimento, e alguma sorte, que o Benfica alcançou a primeira vitória nesta edição da Champions, e uma das raríssimas dos últimos anos nesta fantástica competição.


No meio da alegria desta vitória, a profunda tristeza da certeza certa do desaparecimento definitivo do Benfica alegre, confiante e competitivo de Bruno Lage. Nada esconde esta triste realidade!


Este jogo de hoje com o Lyon, provavelmente a equipa do grupo melhor apetrechada a nível de individualidades, foi um jogo de paradoxos. O primeiro é mesmo aquela alegria naquela tristeza. O segundo, mas mais notório ainda, foi que o Benfica acabou por ganhar, com sorte, um jogo cheio de azares.


 À sorte de marcar na primeira oportunidade, logo aos 4 minutos, por Rafa (Who else?) seguiu-se logo o azar da sua lesão, privando a equipa do seu mais desiquilibrador e talentoso jogador. E não se ficaram por aqui os azares do jogo porque, vítima de uma das muitas entradas violentas e cheias de maldade dos jogadores do Lyon, Seferovic cedo ficou inferiorizado e praticamente fora do jogo. E, sem que se percebesse bem por quê, Bruno Lage deixou-o em campo até à hora de jogo.


Ao azar do remate de Pizzi ao poste, quando o Benfica esboçou a reacção possível ao golo do empate do Lyon sucedeu, dois minutos depois, aos 86, a sorte do golo da vitória... Não. Essa é que não. Não foi sorte o golaço de Pizzi, foi um grande golo, de grande execução. A reposição da bola do Anthony Lopes foi um incidente de jogo, um erro como tantos outros. O que se seguiu foi um momento de grande concentração competitiva, de enorme visão de jogo e de finalização de excelência. Aqui, a sorte foi ter Pizzi naquele momento, como já tinha sido dois minutos antes. E o azar foi nunca ter tido Pizzi desde os vinte minutos de jogo quando, mais de cinco minutos depois da lesão, entrara a substituir o azarado Rafa, acabadinho de regressar.


Do resto, para além destes paradoxos de sorte e azar, fica mais um jogo muito fraquinho do Benfica, de novo com demasiados passes errados, a quebrarem  todas as hipóteses de qualquer dinâmica de jogo. 


Apesar de tudo a primeira parte nem foi verdadeiramente má. De mau apenas que o Benfica não tenha tido capacidade para tirar mais de um jogo que lhe estava de feição, ainda mais depois daquele golo madrugador. Haverá sempre a desculpa da lesão de Rafa que, evidentemente, cortou com tudo o que tivesse sido a planificação do jogo. A segunda parte foi pouco menos que péssima, e o Benfica só ganhou o jogo, pesem todas as incidências, porque o Lyon, como afinal todos quantos assistiam àquela pálida exibição, pensou que tinha tudo para o ganhar.


Não foi um milagre, esta primeira vitória. Mas não ficou muito longe disso. E  se não há milagres todos os dias, também os sucedâneos são esporádicos. Por grande que seja a fé!

Coisas ridículas

Resultado de imagem para élites durão barroso


 


O ridículo, de que se faz grande parte da vida política do país, teve ontem mais um grande dia.


Durão Barroso, a elite da elite do país, deputado, secretário de Estado, ministro, primeiro-ministro, primeiro ministro desertor, e até presidente da Comissão Europeia por muitos e maus anos, professor convidado de grandes universidades internacionais, objecto das mais altas condecorações do Estado e, depois dos serviços relevantes prestados à sua causa pessoal, como apadrinhar a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, com as consequências conhecidas e que o mundo ainda hoje paga, ou enterrar a União Europeia quando dela era suposto tomar conta, chairman na cabeça da víbora do império do mal, mais conhecida por Goldman Sachs, vem agora dizer que as "elites portuguesas não têm estado à altura da capacidade  de resiliência do povo".  


Francamente...


Depois de uma coisa destas até apetece não achar ridículo que se façam obras para abrir um novo acesso e uma nova porta no hemiciclo da Assembleia da República só por causa de um único deputado. Não, não é por especiais condições de mobilidade. É apenas porque é incómodo para dois ou três deputados, terem que o incomodar para chegarem aos seus lugares... Quer dizer, os dois ou três (dos cinco) deputados do CDS que ocuparão a segunda fila, estão muito incomodados por ter de incomodar o deputado do Chega. Que não deu notícia do incómodo, e que até nas escadas se poderia sentar...


 


 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Rio a caminho da foz


 


Rui Rio acabou com o tabu que não existia e anunciou a recandidatura à liderança do PSD. Bem anunciada, e no momento certo. Esperou que os adversários saíssem da toca, aparecessem e dissessem ao que vinham. Depois de lhes tirar as medidas, anunciou o que não poderia deixar de anunciar e fechou o lote de candidaturas às directas de Janeiro. E já ninguém o poder acusar de demorar mais tempo a tomar a decisão que António Costa a formar um governo... Que ontem ficou também concluído, com mais 50 Secretários de Estado. Se o tamanho importa...


Anunciou que não o fazia por interesse pessoal mas pela obrigação de "impedir um PSD de perfil eminentemente liberal", liderado pelo "cinismo e a hipocrisia do politicamente correto" e tomado por "grupos organizados e pouco transparentes". 


Nem mais. Os adversários, com muito pouco para dizer e nada para acrescentar, não lhe exigiam mais. Perdoam-se-lhe até os eufemismos ... E aproveitou para anunciar que até ao congresso - e obviamente até às directas, que o antecedem - acumularia com a liderança parlamentar. Voltou a acertar, o palco parlamentar e os debates com o primeiro-ministro, garantem-lhe suficientes ganhos de visibilidade para os adversários. 


Desta vez Rio está a fazer as coisas bem... Pelo menos corre a caminho da foz, seja lá ela no centro ou lá onde for...


 


 

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O fim do Reino Unido

Resultado de imagem para adiamento brexit


 


As peripécias do Brexit, em cena há mais de três anos, mostram-nos exuberantemente as diversas faces do populismo, e a da irresponsabilidade em todo o seu esplendor.  


À entrada para o fim-de-semana, e cansados de três anos de folhetins sem que a "estória" saia do mesmo  sítio, acreditávamos que finalmente União Europeia e governo britânico, ou o que resta disso, tinham conseguido dar corpo a um acordo, e que Boris Johnson seria poupado a fazer-se de "morto numa vala". Estava tudo certo, e só era preciso que o Parlamento britânico, no sábado, aprovasse o acordo finalmente encontrado. 


Não aconteceu assim, o Parlamento não se pronunciou sobre o acordo e, em vez disso, aprovou novo adiamento da data do Brexit para Janeiro, obrigando Boris Johnson a formalizar um novo pedido de adiamento, que tinha jurado nunca fazer: "antes morto numa vala". O que esta espécie de criança a brincar aos primeiros-ministros resolveu, numa brincadeira pouco elaborada para a idade, solicitando o adiamento numa carta não assinada, a que juntou outra, essa sim, assinada, a manifestar-se contra o pedido apresentado.


Aquela irresponsável - por impreparada - ideia que David Cameron levou ao Parlamento em 2015, e que conduziu ao referendo de Junho do ano seguinte, deu nisto. E isto não é apenas um impasse que já vai em mais de três anos. É isso, e as ruas cheias de gente contra o Brexit, mas com o miúdo em primeiro-ministro a subir as sondagens. É isso e o fim do próprio Reino Unido em passo acelerado...


 


 


 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Ainda não foi desta, mas...

Benfica não facilita, goleia Cova da Piedade e segue em frente na Taça de Portugal


(TIAGO PETINGA/LUSA)


 


Ainda não foi desta que o Benfica regressou mas, ao contrário de outros, cumpriu com o que se exigia - passar a primeira eliminatória da Taça, que tinha para disputar hoje na Cova da Piedade.


Também não teve o tal regresso forte à competição, como Bruno Lage reclamava e, pelos vistos, considerou ter acontecido. Mas também não foi tão mal como tem ido, fosse pela debilidade do adversário, fosse pelo papel de facilitador da evolução do resultado. E a verdade é que não fez sofrer os adeptos, como vinha fazendo, o jogo foi tranquílo e regressou aos resultados de que há muito andava arredado. E o 4-0 final (os dois primeiros de Pizzi e os últimos dois de Vinicius) ficou até curto para as oportunidades criadas.


A qualidade de jogo melhorou porque a equipa melhorou bastante no passe. Mesmo na primeira parte, enquanto o Cova da Piedade teve folgo físico e anímico e fechou bem todos os caminhos da sua baliza, e o Benfica enfrentou algumas dificuldades, e denotou algumas fragilidades de dinâmica e de velocidade, a equipa não falhou muitos passes, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos jogos.


Mal - mal mesmo - foram os cruzamentos. O Benfica fez muitos cruzamentos, mas não me lembro de um em boas condições. E RDT - por cá, porque na UEFA tem de ser mesmo Raul de Tomás - que continua desinspirado e desesperado pelo golo. Às vezes parece que falta só um pouquinho de sorte. Mas há outras vezes que parece que falta muito mais...


Não se pode dizer que este jogo tenha deixado muito para festejar, e como ensaio para o Lyon ... também não dá para grande entusiasmo. Para saudar só mesmo o regresso de Florentino, e a subida de produção de Pizzi. 


Ah... E se Cervi (de Zivkovic já nem dá para falar) não é muito mais jogador que o Caio, não percebo mesmo nada disto...

Jordão (1952-2019)

Resultado de imagem para rui jordão benfica


 


Foi um dos melhores de sempre. Começou a jogar no Benfica, com 19 anos, onde começou por se celebrizar e permaneceu durante cinco anos, até partir para Saragoça. Regressou um anos depois, mas para o Sporting, onde permaneceu ao mais alto nível durante nove anos. Nos últimos dois anos da carreira representou o Vitória de Setúbal, passando depois a dedicar-se completamente à pintura.


Conta-se que não mais foi visto no futebol. Os artistas são assim. E Jordão, ao lado de Eusébio, de Artur Jorge ou de Vítor Baptista, ou ao lado de Manuel Fernandes, foi sempre o artista que a tela e os pincéis confirmaram.


 


Resultado de imagem para rui jordão sporting

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Pobreza*

Resultado de imagem para onu pobreza


 


Assinalou-se ontem o dia Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objectivo de alertar a população para a necessidade de combater a fome e a pobreza, cuja erradicação constitui um dos oito objectivos do milénio definidos pela ONU no arranque do século.


Não é o sucesso ou insucesso destas datas comemorativas que me suscitam o tema. Estas datas são o que são e, se não resolvem os problemas que evocam, também certamente não lhe dificultam o combate. Servem acima de tudo para isto, para que se fale das coisas, para que, pelo menos num dia, falemos de problemas com que nos deveríamos preocupar todos os dias.


O problema da pobreza é, há-de ser sempre a mancha mais negra, e a nódoa mais resistente, do desenvolvimento da humanidade. E a desigualdade que lhe está associada a maior nota da incapacidade humana para harmonizar justiça e solidariedade com desenvolvimento.


A nível global, quando o universo estatístico é toda a humanidade, a pobreza está a diminuir a uma taxa sem precedentes. Em 1990, 43% da população mundial, pouco menos de metade, vivia em pobreza extrema, com menos de 1,25 dólares por dia. Actualmente esse número é de 21%, menos de metade.


Sabe-se que este é um resultado da globalização. É inequívoco que a deslocalização industrial, atrás de mão-de-obra muito mais barata, proletarizou centenas de milhões de pessoas nas regiões menos desenvolvidas do mundo, tirando-os da fome, mesmo pagando-lhes mal. Não é menos inequívoco, porém, que essa mesma deslocalização deixou, nos países que abandonou, nas regiões mais desenvolvidas, um rasto de desemprego e um lastro de miséria por onde a pobreza galgou, crescendo a um ritmo pouco diferente do da descida no polo inverso.


E esse é o maior drama do ocidente nos tempos que correm, com preocupantes reflexos políticos e sociais em sociedades incapazes de responder aos complexos desafios dessa nova realidade e onde, acima de tudo, as pessoas estão indisponíveis para aceitar viver um pouco menos bem para que outros, do outro lado, possam viver um pouco melhor. 


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

O tolo

trump erdogan.jpg


(Roubado do Der Terrorist)


 


É mais mais um tesourinho deprimente de Trump, esta carta que fez entregar ao presidente turco e que anunciara de “muito poderosa”.


Mesmo sabendo tudo o que se sabe "deste imbecil eleito presidente da maior potência mundial", por mim, nunca imaginaria que, ao nível mais alto da diplomacia, num contexto de grande exigência formal como é o de uma guerra internacional, a indigência pudesse atingir esta dimensão. 


Não é apenas a habitual boçalidade, que Trump sempre disfarça com os excessos de informalidade e com linguagem de negócios de merceeiro. É também a completa ausência de tacto que, mesmo no final, não poderia deixar de ser mais expressiva: "Não seja um tipo difícil". Não seja tolo"!


Aí está o que, para o tolo-mor do planeta, é uma carta “muito poderosa”. Podemos ficar descansados. Não ficam dúvidas que Erdogan manda já retirar as tropas da Síria, e deixa os curdos em paz... 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

O novo governo velho

Resultado de imagem para novo governo 2019


 


Depois do PS se ter fechado sobre si mesmo para o funeral da geringonça, foi a vez do governo de António Costa se fechar sobre si mesmo para o seu próprio funeral. 


Sabe-se que as soluções governativas têm tanto menos espaço quanto menor for o espaço que abram para além das paredes do seu círculo político. Para constituir seu o novo governo António Costa não limitou sequer o campo de recrutamento ao seu próprio partido; limitou-o ao seu próprio governo. Que já dava mais a ideia de um corpo de segurança pessoal que propriamente um governo.


É um governo novo que nasce velho. Talvez seja por isso que é tao grande, o maior de sempre. Mas não certamente o de maior o futuro...

Ferida aberta

Resultado de imagem para catalunha noticias


 


Como se esperava, a indignação, e logo depois a violência, saíram à rua na Catalunha, pouco depois de serem conhecidas as condenações aos líderes independentistas catalães. A ferida voltou a ser aberta!


A sentença que atingiu pesadamente as caras do referendo, com penas comparativamente bem mais pesadas que as sentenciadas no julgamento do golpe franquista de 1981, e que a direita espanhola, ainda assim, acha leve, prossegue apenas o trilho da humilhação que Madrid traçou para a Catalunha a seguir ao referendo.


Pedro Sanchez poderia ter arrepiado caminho, e ter evitado a reabertura desta ferida sangrenta que corrói a Espanha. Não se poderá dizer que tivesse tido condições para resolver os problemas das autonomias, e em particular da Catalunha. A instabilidade governativa em que Rajoy deixou a Espanha, já em consequência desses problemas, que se precipitaram no referendo e nos acontecimentos que lhe sucederam, há dois anos, e a incapacidade de Sanchez formar um governo no quadro do cenário eleitoral que se lhe seguiu, nunca terá permitido as condições para seriamente enfrentar o problema. Mas poderia ter mantido a ferida reservada, em vez de a escancarar e de a reabrir ao escarafuncho. Poderia ter proclamado o indulto, como Rajoy poderia há dois anos ter encontrado outras respostas para o referendo, permitindo-o inclusivamente.


Não o fez. Optou por ceder à pressão da extrema-direita e por permanecer enredado na teia de contradições que o PSOE vem tecendo nos últimos largos anos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

CR 700. Nada mais!

Resultado de imagem para ucrania portugal


A selecção nacional disse definitivamente adeus ao primeiro lugar no seu grupo de apuramento - e com isso ao sempre desejado pote 1 no sorteio da fase final - ao perder (1-2) na Ucrânia - que garantiu já o apuramento e o primeiro lugar da qualificação - o jogo que não podia perder. Mas que nunca mereceu ganhar!


A equipa portuguesa, que já na passada sexta-feira, onde tinha feito a fraquinha selecção do Luxemburgo parecer uma equipa quase temível, foi pouco mais que sofrível. E fez parecer a equipa ucraniana uma selecção do topo do futebol europeu.


É verdade que poderia não ter perdido o jogo, e tendo em consideração as oportunidades de golo, o remate de Danilo com a bola na trave, as defesas de Piatov (que está lá para isso) e que, depois de beneficiar do penalti que fez o 1-2 (e o desejado golo 700 do Cristiano), jogou os 20 minutos finais em superioridade numérica, poderia até tê-lo ganho. Mas não é menos verdade que, pese embora tudo isso, não mereceria tê-lo ganhado. A Ucrânia foi sempre melhor equipa, e mesmo com menos um jogador, nos últimos 20 minutos e com o resultado apertado, foi a única equipa a jogar futebol que desse gosto ver.


A selecção nacional continua sem futebol. Só a espaços Fernando Santos conseguiu pôr a equipa a jogar bem, e curiosamente foi sempre na ausência de Crsitiano Ronaldo. A regra tem sido um futebol lento, sem intensidade e desligado, exclusivamente dependente de iniciativas individuais. Em regra tem sido a inspiração dos jogadores, individualmente, a resolver as coisas. E mesmo aí as coisas não têm sido fáceis, até porque é grande a tentação de Fernando Santos para não pôr os melhores a jogar.


Os regressos de João Mário e João Moutinho para esta dupla jornada confirmam essa tentação do seleccionador. Parece que já só faltam Adrien e Cedric! 


Tudo isso se confirmou no jogo de hoje, que apenas valeu pelo golo 700 de Cristiano Ronaldo, e pelo significado de tão especial marca ser atingida na selecção. Opções muito discutíveis na constituição da equipa, jogadores desligados, desconcentrados - o que custou dois golos na metade inicial da primeira parte -, e ausência completa quer de velocidade quer de dinâmicas colectivas.


O apuramento da selecção nacional não está em risco, nem se espera que venha a estar. Mas o prestígio da selecção, e o dos nossos melhores jogadores, não sai a ganhar com exibições como esta.

Políticos presos? Ou presos políticos?

Resultado de imagem para oriol junqueras e puigdemont


 


Foram condenados a penas entre os quase 10 e 13 anos de prisão, nove dos doze independentistas catalães envolvidos na preparação e execução referendo separatista sobre a independência da Catalunha, em 2017, por esta altura do ano.


As penas ficam longe dos 25 anos reclamados pelo Ministério Público, que somava a acusação do crime de rebelião à lista de crimes em julgamento. Caiu a rebelião, mas não caíram as outras acusações, como a sedição, ou o estranho desvio de fundos públicos.


E ainda não chegou a Puidgemont, que sorrateira e atempadamente se pôs ao fresco ... Nem ao fim esta história a que uns chamam de presos políticos, e outros políticos presos.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Geringonça (2015-2019)

Resultado de imagem para símbolos de óbito


 


É finalmente oficial: a geringonça morreu. Não há geringonça 2.0!


Os últimos meses da legislatura já lhe davam pouca vida e a campanha eleitoral ligou-a à máquinaque, que os resultados de domingo desligaram. O que se passou nesta semana não foi mais que a gestão do anúncio oficial de uma morte certa, a lembrar o que sucede no desaparecimento dos caudilhos das ditaduras, em que guardam os cadáveres em arcas frigoríficas durante um certo tempo para acautelar reacções e evitar sarilhos.


No caso da morte da geringonça não foi necessário que esse tempo se prolongasse muito, uma semana de cinco dias chegou. Foi o tempo suficiente para que umas coisas extraordinárias fizessem caminho.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Estragar a festa*

Resultado de imagem para petição joacine


 


Acabadas as eleições, contados os votos – não todos, estranhamente, quase uma semana depois, ainda não estão contados os da emigração – analisam-se resultados e perspectiva-se o que estará para vir.


É o que sempre acontece na semana seguinte ao dia da festa dos votos - sim, apesar de tudo continua a ser dia de festa!


E nesta semana ninguém se poderá queixar de falta de tema, até porque os resultados deste domingo dão pano para mangas. Três novos partidos entraram pela primeira vez na Assembleia da República, fazendo aumentar para 10 (em mais de 40%) os partidos com assento parlamentar, e um, à segunda participação, quadruplicou a sua representação. Os dois partidos da anterior direita parlamentar – mais um que o outro - não evitaram um descalabro anunciado; e as coisas também não correram exactamente bem – também mais a um que a outro – aos parceiros do governo na geringonça.


Há sempre contas sobre quem ganhou e quem perdeu, quem votou em quem, e quem deixou de votar em quem, para passar a votar em quem… Há uma maioria para desenhar que sustente politicamente o governo, e há uma guerra de sucessão a vislumbrar-se à volta as feridas abertas nos principais partidos da direita.


No entanto houve gente para quem nenhum destes temas teve suficiente interesse. Houve gente para quem a única coisa digna da sua preocupação foi a eleição de uma afro-descendente, nascida em Bissau e cidadã portuguesa desde os oito anos, em cujos festejos surgiu uma bandeira da Guiné-Bissau. De tal forma que lançaram uma petição pública, ao que dizem já assinada por nove mil pessoas para, por impatriotismo, impedir a sua tomada de posse. Impatriotismo – evidentemente – denunciado pela presença da bandeira daquele país africano a que, como a todos os outros de língua portuguesa, chamamos irmão. Isto é imbecil, mas não é inocente … Nem novo. Nem novidade nos métodos, nem nos meios, nem nos fins…


Há quem não goste que as eleições sejam uma festa. E há, depois, gente que tem especial gosto em estragá-la!


 


*Aminha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Coisas extraordinárias

Resultado de imagem para carlos cesar


 


Entre as muitas coisas extraordinárias que vamos ouvindo nestes dias, em que uns lambem as feridas, outros deitam foguetes, e outros ainda mostram o que não queriam, a mais extraordinária de todas diz assim: "andaram o tempo todo a pedir que se impedisse a maioria absoluta do PS, e agora não querem colaborar na solução que desejaram".


É mais ou menos isto que dizem certas pessoas do partido que vai formar governo, ao que nem o próprio António Costa conseguiu fugir. Pode até ser ideia sua, mas a quem a ouvimos repetir até à exaustão é precisamente àqueles que chamaram empecilhos àqueles com quem negociaram no passado, e voltam a ter que negociar. 


Não está provado, antes pelo contrário, que corresponda à realidade. Mas não é isso que é extraordinário, antes pelo contrário, também. É normal e frequente que ideias às avessas da realidade façam carreira na política portuguesa. Já é extraordinário que o PS, ou certas pessoas do partido, achem que negociar uma formulação de entendimento é simplesmente deixar os interlocutores a abanar que sim com a cabeça a todas as letras do seu programa. O mais extraordinário, mesmo, é que o PS, ou essas certas pessoas do partido, achem que tem mesmo de ser assim porque eles é ganharam as eleições.


O que, bem vistas as coisas, não deixa de ser um dado novo...

As duas faces da mesma moeda eleitoral

Resultado de imagem para moedas


 


À medida que os resultados eleitorais foram sendo analisados começamos a surpreender-nos com as circunstâncias em que pela primeira vez, no regime democrático,  a extrema direita chega ao Parlamento. Tínhamos mais ou menos por adquirido que o extremismo radical de direita, racista e xenófobo, mesmo que com algum acolhimento  em alguns sectores da sociedade portuguesa, nunca teria expressão política que alguma vez lhe permitisse eleger um deputado que fosse. Afinal teve, e mesmo descontando os exageros da excitação do momento, que até já prometem triplicar a votação daqui a quatro anos, e governar daqui a oito, a tendência será mais para subir que para descer.


Mas não é essa a maior surpresa. O mais surpreendente é que este é o resultado da transferência directa de votos do eleitorado comunista. Tal como tínhamos por adquirida a falta de expressão política e eleitoral da extrema direita, dávamos por garantida a inamovibilidade do voto comunista, e por blasfémia qualquer hipótese de transferência para  a extrema direita fascista.


Sabíamos que esta transferência de votos, ainda há poucos anos de todo imprevisível e inaceitável, estava a acontecer em muitos pontos da Europa. Sabíamos que, em França, o crescimento da Frente Nacional de Marie Le Pen tinha justamente acontecido assim, com o voto, anteriormente comunista, dos operários das grandes cinturas industirais do país. Mas em Portugal era diferente. Em Portugal o Partido Comunista mantinha-se forte e socialmente activo, enquanto por toda a Europa os seus congéneres há muito que tinham desaparecido.


Dizem alguns analistas que o fenómeno se explica pela globalização, pela transferência das indústrias para outras regiões do globo e pela nova economia dos países mais desenvolvidos, fortemente terciarizada, que tirou referências e futuro às massas proletarizadas, lançando-as para os guetos das sociedades modernas. 


Acredito que sim, que seja esta a explicação. Mas também aqui há em Portugal algumas diferenças, e algumas coisas não batem certo. É verdade que poderemos rever esse quadro em zonas sub-urbanas da grande Lisboa, onde essa transferência de voto teve evidente expressão. Mas já não vemos nada disso em muitas zonas do Alentejo, onde esse fenómeno foi igualmente notório.


E lá voltamos, mais que à especificidade portuguesa, à especificidade do Partido Comunista Português. Quando, nos anos 70 e 80, se pôs fora do chamado euro-comunismo, na realidade a aceitação expressa do jogo democrático ocidental, em rotura com a mãe pátria União Soviética, o PCP fechou-se na sua aldeia gaulesa  e acrescentou alguns anos ao seu prazo de validade. E isso permitiu-lhe adaptar-se, com sucesso - diga-se - às novas circunstâncias do pós queda do muro de Berlim, enquanto os então poderosos Partidos Comunistas de Itália (de Enrico Berlinguer), de França (de Georges Marchais) ou de Espanha (de Santiago Carrillo) iam desapareceram sem praticamente deixar rasto.


Mais de 30 anos depois todos os outros, com a geringonça, o PCP entrou activamente no jogo, e abandonou o seu último reduto, lá deixando muitos dos seus fiéis, agora perdidos, sem referências e perante mentiras que sempre lhe haviam sido dadas por verdades. E vice-versa.


E esta é a outra face da moeda. A que tem o escudo bem português!

Aí está Cavaco

Resultado de imagem para cavaco tira o tapete a rio


 


"Como social democrata com fortes ligações à história do PSD, o resultado obtido pelo partido não pode deixar de me entristecer". Cavaco é isto.  Cínico, impiedoso e sempre à espera do momento para a estocada final.


Onde quer que seja, com quem quer que seja!

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Coisas dos dias que correm

Resultado de imagem para vai estudar relvas


 


Enquanto por cá, entretidos a fazer (de) conta(s) à geringonça, vemos ressurgir Miguel Relvas, e logo a reclamar ar fresco para o partido - ao contrário do que poderia à primeira vista parecer, faz todo o sentido: os mais bafientos são os que mais precisam de ar fresco - no outro lado do Atlântico, Trump continua na  sua espiral de loucura, ao ritmo da sua profunda ignorância e da sua ilimitada imbecilidade.


Depois de decidir retirar as tropas da Síria, abrindo espaço a Ancara para avançar sobre a minoria curda no território, isto é, de abandonar os curdos, que usou para derrotar o daesh e que deram a única vitória militar aos americanos dos últimos anos, à sua sorte e às mãos de Erdogan, Trump surge no Twitter - of course - a ameaçar que, se a Turquia intervier militarmente na Síria para além dos limites definidos pela sua própria, enorme e incomparável sabedoria, destruirá e aniquilará completamente a sua economia.


Sem Título (12).jpg


 


 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Já não há surpresas


 


 


Os resultados eleitorais não deixaram ninguém surpreendido - nem Assunção Cristas - perfeitamente em linha com as sondagens, o que deixa o politiquês mais enfraquecido, a perder definitivamente uma das suas principais forças de expressão: "as sondagens valem o que valem".


Pois valem. E valem tanto que é melhor que a classe política comece a usar de alguma parcimónia no seu uso já que, pedir-lhes que cortem esta estafada e gasta expressão do seu discurso, é capaz de ser pedir muito. 


Entraram três novas forças políticas para o Parlamento (a escrever, até daria para parecer que foi só uma: "Livre, Iniciativa Liberal Chega pela primeira vez ao Parlamento), onde a diversidade nunca foi tão grande: Dez! Agora são dez os partido com representação parlamentar, o que não deve deixar de ser saudado, mesmo que um não tenha nada para saudar.


Com o PS a oito deputados da maioria (deverá ficar assim, depois de apurados os resultados da emigração), e com o PAN a ficar-se por metade disso, dentro do exercício que aqui deixei há uma semana, os resultados confirmaram em absoluto os cenários improváveis em que Costa deixara as suas fichas. E que, com Jerónimo de Sousa a deixar logo ontem claro o que já era claro para qualquer observador, o empecilho do Bloco lá continua, incontornável.


Neste quadro, como referia nesse texto da semana passada, a noite de ontem haveria de mostrar quem tem "memória curta". Ou "capacidade de perdoar"... Catarina Martins, que pela ordem natural do protocolo surgiu primeiro, apressou-se a dizer que estava disponível para tudo, desde um amplo acordo estrutural para a legislatura à negociação pontual de cada medida sempre que necessário. Costa, magnânimo na vitória, mas rendido à evidência, prometeu ao povo, que gostou de geringonça, mais geringonça ainda. Agora cabem todos, venham todos à geringonça 2.0.


Parece fácil, não é?


O Bloco de Esquerda diz presente, sem rancores nem reservas. E sem empecilhar. E o PS diz venham todos, todos contam e ninguém empecilha.


Não me parece que seja bem assim e, na verdade, o que Catarina Martins disse - e viu-se pelo caderno de encargos -  foi que a vingança se serve fria. E Costa apenas os chamou a todos para lhes dizer que conta com eles ... para executar o seu programa. 


E assim será, enquanto assim for...


 


 

domingo, 6 de outubro de 2019

"As sondagens valem o que valem"

Resultado de imagem para eleições 2019 projeções


 


"As sondagens valem o que valem"? Vá lá, arranjem outra se faz favor!


 


 


 

Amália

 


Resultado de imagem para amália rodrigues


 


Vinte anos sem Amália... E porventura nunca vinte anos tiveram tanta Amália!


Porque somos assim?  Porque é este o nosso fado? Ou porque é este o fado dos verdadeiramente imortais?

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Apelos ao voto*

Imagem relacionada


 


Chega hoje ao fim a campanha eleitoral. Amanhã é feriado, e dia de reflexão para os eleitores, todos nós. Não se percebe bem para que serve, nem que falta faz… mas está assim instituído.


E no domingo vamos votar. Alguns. Sabemos que muitos não vão. Uns por comodismo, outros por desinteresse e outros ainda porque desistiram… Uns porque não querem saber, tanto se lhes dá, outros porque acham que não vale a pena, que não muda nada. Uns que não se deixam encantar, e outros que se desencantaram…


Daí que estes sejam dias de apelo à participação eleitoral dos portugueses.


Votar – é um cliché, mas é assim - é um direito e um dever. Um direito que a nenhum cidadão pode ser negado, e um dever que nenhum cidadão deve negligenciar. Apenas isso. Sou contra o voto obrigatório. Por princípio, mas acima de tudo pela sua (im)praticabilidade.


O incumprimento legal tem, por definição, que ser sancionado. A lei tem que definir a sanção pelo seu incumprimento. A partir daqui imagine-se o que por aí viria … Deixo apenas à imaginação de cada um …


Não há por isso volta a dar, e os que não sentem a responsabilidade do voto não se vão aproximar das urnas. Por mais apelos, mais ou menos bacocos, que lhes dirijam, não vão!


Claro que é sempre conveniente lembrar a todos os que decidiram não votar, e aos que nem isso decidiram, porque mesmo essa decisão já seria uma maçada, que milhares de compatriotas lutaram décadas a fio por eleições livres. Que muitos deles morreram sem nunca poder chegar a votar. Que a democracia também é sua responsabilidade. E que não votar não significa estar contra nada, significa apenas não fazer nada contra tudo.


Mas, simplesmente votar, não resolve grande coisa. Não é por se deslocar à Assembleia de Voto e deixar uma cruz num quadrado qualquer, que alguém resolve o que quer que seja. Isso apenas baixaria a abstenção e deixaria porventura o ego do regime mais composto. Era batota. É preciso que o voto seja uma expressão informada e consciente de cidadania.


Por isso, se nada fizermos no domínio da educação cívica que acrescente cidadania às pessoas, o apelo ao voto dificilmente deixará de ser mais um gesto demagógico, idêntico a tantos outros de que estamos em grande parte fartos.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

Diogo Freitas do Amaral (1941-2019)

Resultado de imagem para freitas do amaral


 


Desapareceu um figura incontornável da democracia portuguesa. Tão incontornável quanto controversa!


Que descanse em paz!

A comunicação de Bruno Lage

Resultado de imagem para bruno lage


 


O futebol desconexo que o Benfica está a apresentar - e não, não é só na Champions, embora aí o estigma seja maior - está em linha,  já não sobra qualquer dúvida, com o desconexo discurso do seu treinador. Hoje é tão penoso o futebol da equipa como o discurso do treinador.


Há poucos meses Bruno Lage, mais que uma lufada de ar fresco, era a grande revolução do futebol português. Recuperava jogadores dados por perdidos, lançava miúdos desconhecidos, apresentava um futebol que maravilhava toda a gente e galvanizava os adeptos e não se limitava a ganhar, goleava. E a par de tudo isto introduzia na paróquia do futebol nacional um discurso bem composto, claro, bem articulado, explicativo, respeitoso e elegante, com efeitos contagiantes que felizmente se começam já a notar.  


Os mais resistentes a este discurso, invariavelmente os adeptos mais empedernidos dos rivais, daqueles que por princípio de vida recusam o que quer que seja de positivo nos adversários, desvalorizavam a novidade, e a inovação, apenas sustentadas no sucesso dos resultados. Quando os resultados deixassem de aparecer - coisa por que obviamente ansiavam -  iria esfumar-se e desaparecer no meio das agressões, insinuações e impropérios do carroceiro discurso oficial do futebol português.


O momento actual do Benfica não está a dar-lhes razão na medida em que Bruno Lage não cedeu ao discurso carroceiro, e era esse o ponto daquela perspectiva. Mas é inegável que Bruno Lage surge sem discurso para ciclos negativos, como o que está a atravessar. 


Nos tempos actuais a comunicação não é tudo. Mas sobra muito pouco. É quase tudo!


E a comunicação de Bruno Lage está a falhar quando mais falta lhe faz. Mesmo que com alguma dificuldade, acabamos por perceber que o planeamento possa falhar, que as opções possam não ser sempre as melhores em todos os momentos, que os jogadores percam mínimos de forma aceitáveis, ou que caiam em depressão. O que não se percebe, e se torna inaceitável, é um discurso sistematicamente auto-explicativo e negacionista, enrolado e sem convicção, que lança todas as dúvidas sobre a real capacidade de reacção à adversidade.


 


PS: Não se conclua deste texto que atribuo a Bruno Lage todas as responsabilidades pelo que se está a passar. Nada disso. Este texto apenas trata de discurso, de comunicação. De Bruno Lage.


 


 


 

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O pesadelo continua


O Benfica - jogadores, técnicos e dirigentes - transformou a mais importante e mais bonita competição do futebol mudial de clubes, de que deveria fazer uma festa, num pesadelo para todos os seus adeptos.


Hoje, na Rússia, escreveu-se mais uma página negra na História do Benfica. 


Foi uma equipa falhada. Perdeu todos os duelos, falhou passes a um metro, nunca soube como deveria posicionar-se, quer a atacar quer a defender. 


Nada de positivo se consegue encontrar nesta lamentável e vergonhosa exibição deste Benfica desaparecido. Nem - finalmente - o golo de RDT apagou coisa nenhuma.


 

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Questões de memória

Resultado de imagem para memória


 


A quatro escassos dias das eleições do próximo domingo, e sem se saber bem se pela própria dinâmica da campanha, ou se pelo efeito da acusação do Ministério Público no processo Tancos -  muito provavelmente pelo efeito combinado de ambas - os dados revelados pelas sondagens apontam para respostas claras às principais questões que se levantavam para estas legislativas.


A primeira dessas respostas é a definitiva impossibilidade de uma maioria absoluta. A segunda é que o PSD mantém o seu espaço de afirmação eleitoral, e que o anúncio da morte política de Rui Rio era claramente exagerado. E a terceira, muito em consequência da segunda, é certo, é a negação da hecatombe da direita que, mesmo sem qualquer hipótese de ser maioritária, está longe da humilhação que se chegou a anunciar. Provavelmente nem baixará da votação há quatro anos, e só não conseguirá manter os mesmos resultados porque os votos estarão agora distribuídos por mais três forças políticas. 


Neste quadro podem começar-se a traçar os cenários para o dia a seguir ao das eleições. E pode começar por dizer-se que todos aqueles em que António Costa apostou as fichas são impossíveis ou improváveis: a maioria absoluta, é impossível; e uma simpática maioria com o apoio do PAN é muito improvável. A terceira da linha de prioridades de Costa, não era aposta, era pura ilusão. Admitir a possibilidade de uma maioria com o PCP é um erro que não abona a sagacidade política de António Costa. Nunca o PCP entrará sozinho em qualquer cenário de governação, deixando o Bloco de fora, a capitalizar o descontentamento e a ocupar-lhe - ainda mais - o seu espaço. Custa a perceber como poderia António Costa não ter isto por claro!


António Costa deveria ainda ter percebido que a geringonça não é facilmente replicável, e por isso deveria ter sido mais prudente nas apostas. Preferiu arriscar e foi traído pela soberba. Pela soberba da maioria absoluta, e pela soberba de menosprezar Rio e o PSD, elegendo o Bloco como adversário principal para esta disputa eleitoral.


As expectativas que agora se levantam vão prender-se com questões de memória. Pode ser que ainda no próximo domingo comecemos a ver quem tem memória curta. Ou - quem sabe? - capacidade de perdoar!


  


 


 

A pastilha elástica e o bar aberto

Resultado de imagem para costa e rio eleições


 


Não se sabe ainda se o Parlamento vai ou não discutir Tancos de emergência, conforme requerido pelo PSD.  O Presidente da Assembleia da República convocou uma reunião extraordinária da conferência de líderes para apreciar esse requerimento e, pelo que se vai sabendo, o PS estará isolado na tentativa de impedir essa discussão.


O que se sabe é que, ao contrário do que muitos analistas têm andado a dizer, a acusação do Ministério Público está a ser decisiva na campanha eleitoral, e vai ter muita influência nos resultados do próximo domingo. Isso é cada vez mais claro. Tancos, agora em formato de acusação judicial, é para António Costa a pastilha elástica que se agarrou à sola do sapato. Não descola, e acompanha-o para onde quer que vá. Já para Rui Rio é uma espécie de bar aberto em noite de borga. De lá não sai, de lá ninguém o tira...


 


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...