quarta-feira, 31 de maio de 2023

Pois...

Crise na imprensa escrita reduz número de edições impressas | Esquerda


Pedro Marques, o agora euro-deputado que foi ministro das infra-estruturas do primeiro governo de António Costa, que reverteu a privatização da TAP, foi ontem ouvido na Comissão de Economia que, em paralelo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) - coisas da política da paróquia -, está a ouvir ex-governantes e antigos responsáveis ligados à privatização de 2015. Precisamente um dia antes de, hoje, marcar presença na CPI. E disse muita coisa.


Disse que nem a Parpública, nem a TAP nunca informaram os "famosos" fundos Airbus, na tal troca da encomenda dos doze A350 pelos cinquenta e três NEO, que afinal acabou nos 226,75 milhões de dólares que a Airbus pagou a David Neeleman, para que os accionistas privados realizassem prestações de capital com "o pêlo do cão". 


Mas disse mais. Disse que Miguel Pinto Luz, actual vice-presidente do PSD, e Secretário de Estado da tutela no último governo de Passos Coelho, aquele que durou menos de um mês, e que assinou a privatização à vigésima quinta hora, assinou uma carta-conforto em que o Estado assumia os pagamentos que a TAP falhasse aos bancos, assim privatizando lucros e deixando nacionalizados os riscos. 


Parece que Miguel Pinto Luz diz não se lembrar de ter assinado tal coisa. É normal, é "o que a casa gasta". Nestas coisas nunca há muito a tirar de um lado para acrescentar no outro. Menos normal é passarmos os olhos pelas primeiras páginas de todos os jornais de hoje e não vermos uma única palavra sobre o assunto.


 

terça-feira, 30 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Depois dos insectos, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura recomenda agora que comamos alforrecas.


Não achei grande piada a essa dos insectos. Não é que me choque a ideia de uma imperial com umas pernas de formiga bem passadas. Ou que, na falta de refeições baratas, não aceite refeições de baratas. Formigas e baratas é coisa que nem falta em muitos restaurantes e cervejarias, só que não constam na ementa. É apenas porque isso vai dar numa corrida a tudo o que seja insecto e pôr em causa os mais insuspeitos equilíbrios ecológicos…


Mas, quanto às alforrecas… nada a opor. Só tenho que aplaudir. Afinal aquilo até nem deve ser muito diferente da gelatina, e pode servir para muito mais que mera sobremesa. Há que extingui-las, antes que sejam elas a acabar de vez com o nosso peixinho... E depois ainda há a variante política, muito apreciada nos dias que correm…

Respeito político

Mariana Mortágua acusa Chega de perseguição por ser mulher de esquerda e  homossexual - SIC Notícias


Não sei se a Mariana Mortágua vai ser, ou não, bem sucedida na liderança do BE, em especial na tarefa de o recolocar no lugar de terceira força partidária do país. Parece-me uma missão difícil, mas também me parece não haver no partido outra figura mais capaz para o tentar.


Do que não tenho dúvida é do respeito que conquistou. Sim, que conquistou através de determinação, frontalidade e competência. O respeito é o maior activo de um político. Sabe-se como é escasso, e valioso, nos dias que correm, em que são cada vez mais raros os protagonistas que o merecem.


Esse respeito, traduzido em elogios oriundos de todo o espectro partidário, e em particular de respeitável e respeitada gente da direita conservadora como, por exemplo, Lobo Xavier e Cecília Meireles, é tão mais notável quanto, ainda há bem pouco tempo, era alvo de chacota dessa esfera política. 


Ontem, na entrevista ao Paulo Magalhães, na CNN, deixou mais uma notável demonstração de como sabe dar-se ao respeito, para ser respeitada. Questionada sobre se, ao divulgar a sua orientação sexual, não estava a expor a sua intimidade, respondeu que a sua intimidade não isso. Era apenas a sua liberdade!


Podemos concordar, ou discordar, das suas ideias políticas. No todo, ou em parte. Não podemos é deixar de saudar aparecimento de novos quadros políticos que, em vez de gente nova para a velha classe política, verdadeiramente projectem uma nova geração para uma política nova. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Vamos percebendo, pelo que nos dizem o Gaspar e o Schauble, o governo e a UE, que está tudo a correr bem. De Gaspar, que está tudo tão bem que até já chegou um novo tempo, o de olhar para o investimento. De Schauble, que graças ao nosso pequeno génio das finanças, o processo de ajustamento português é um exemplo que deve correr mundo. Da UE, que Portugal é um caso de sucesso…


Quando se completam dois anos de intervenção da troika, será interessante pegar em dois ou três dos principais indicadores económicos e ver o que se passou, não esquecendo que nestes dois anos já se passou de tudo. Desde juras a pés juntos de Passos e Gaspar de que as metas seriam cumpridas, custasse o que custasse, ao nem mais dinheiro nem mais tempo. Desde o falhanço de todas as precisões de Gaspar, à revisão das metas em todos os anos!


No quadro abaixo faz-se esse exercício pegando nas metas para 2013 do Memorando assinado há dois anos, para o desemprego, o défice orçamental e a dívida pública, estes, um e outra, o alfa e o ómega do programa de ajustamento. E comparando-as com os últimos números do governo, mas também com os do Relatório da OCDE, ontem apresentado.


 


   Desemprego       Défice    Dívida 
         Pública
Memorando da Troika  13,5% 3,0% 114,9%
Última revisão (Março 2013) 17,7% 5,5% 123,0%
Relatório da OCDE (ontem) 18,2% 6,4% 132,0%
       
Variação  34,8% 113,3% 14,9%


E percebe-se, como todos sentimos, que nada está a correr bem. E percebe-se por que é que Gaspar, ao mesmo tempo que diz que, cumprida a fase da austeridade, chegou agora a altura do investimento, vai dizendo que se enganou uma vez ou outra – pedindo pelo meio que tenham pena dele por ser do Benfica - mas que o problema é do Memorando, que foi mal negociado. Exactamente o mesmo que PSD e CDS pediram, cuja negociação teve em Catroga o principal protagonista, que Passos anunciou como programa de governo e para além do qual juraram ir. Como se percebe, porque é um exercício de contorcionismo do mesmo grau de dificuldade, que diga que as diferenças entre as previsões da OCDE e do governo são umas pequenas décimas… Que se explicam por aquele organismo não ter levado em conta o recente Super Crédito Fiscal! 


O tal com que Gaspar quer convencer não sei quem que vêm aí charters de investidores nos próximos seis meses. Para instalar negócios e empresas, desenhar e arrancar com projectos de investimento num contra-relógio diabólico que lhes irá garantir um bom desconto no IRC que irão pagar, pelos lucros que haverão de vir, das vendas que irão fazer, num mercado que não existe. Claro, se todas as licenças e autorizações necessárias não demorarem dois, três, quatro, dez anos a emitir… 


Não se percebe é por que é que os senhores da UE dizem que o sucesso está a passar por aqui...

segunda-feira, 29 de maio de 2023

A (não) notícia da reeleição de Erdogan

Eleições na Turquia: Erdogan e Kiliçdaroglu votam e fazem apelos ao voto -  SIC Notícias


Recep Erdogan foi reeleito presidente da Turquia, com 52% dos votos na segunda volta das eleições, e está agora a caminho de ultrapassar 25 anos de poder, entre a chefia do governo, de 2003 a 2014, e a presidência da República, a partir daí e, agora, por mais cinco anos. 


A notícia não é, no entanto, a reeleição deste autocrata, que controla o poder com mão de ferro. Notícia é ter sido obrigado a disputar uma segunda volta, ter perdido claramente nas duas principais cidades, a capital Ankara e a histórica Istambul, e ter acabado com uma vitória de expressão mínima em eleições que não são nem livres, nem justas. 


Que não são livres demonstra-o a pressão sobre observadores internacionais da OSCE que, sob ameaça, tiveram de abandonar as assembleias de voto que observavam. Que não são justas prova-o uma entrevista de duas horas a Erdogan, na própria véspera das eleições, transmitida em simultâneo na generalidade (em oito dos principais) dos canais de televisão turcos, sem um minuto de antena, sequer, ao seu adversário, Kiliçdaroglu, que as sondagens davam como favorito.


Entretanto,  Marcelo já o felicitou pela vitória...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Já todos perdemos a capacidade de nos indignarmos com a desfaçatez dos políticos que nos governam. Com a falta de vergonha, com a falta de sentido do ridículo, com a aldrabice…


Só isso poderá explicar que Vítor Gaspar diga estas coisas sem que ninguém se importe. Ouvir nesta altura Gaspar dizer, com o ar mais sério deste mundo e a maior das convicções, que “o país está agora numa situação em que pode entrar numa nova fase da recuperação, menos baseada nas exportações”, e que depende agora mais “da dinâmica interna e do investimento produtivo”, dá voltas ao estômago de qualquer um.


Quando tudo falhou, quando até o comportamento estóico das exportações nacionais começa também a ceder, quando já não há tábua a que o náufrago se possa agarrar, Vítor Gaspar vem dar o dito por não dito, inverter o discurso, dizer que é bom o que antes era mau.


Fica provado que Vítor Gaspar tinha um rumo, só que nem ele nem ninguém alguma vez soube qual era. Limita-se a seguir um senhor numa cadeira de rodas, acreditando que ao seu lado, vá ele para onde for, vai bem!

domingo, 28 de maio de 2023

A vez de Mariana Mortágua

Mariana Mortágua é a nova coordenadora do Bloco de Esquerda:


Já se sabia que seria Mariana Mortágua a pegar no testemunho de Catarina Martins. Em convenção, Bloco de Esquerda confirmou-o!


Mariana Mortágua pegou no testemunho, e advinha-se a continuidade da linha política do Bloco dos últimos anos, mesmo que a personalidade seja diferente, bastante até. E sabe-se como os traços de personalidade, e especialmente o carisma e a empatia fazem, em política, a diferença que as opções estratégicas muitas vezes não fazem. 


 

Pódio histórico

 


Uma imagem para a história: João Almeida no pódio final do Giro'2023 -  Fotogalerias - Jornal Record


Terminou o Giro, com a etapa de consagração, em Roma, onde o veteraníssimo Cavendish, agora na Astana, foi o primeiro a cortar a meta, depois de um sprint preparado por ... Geraint Thomas, o seu velho amigo, da Ineos.


Raro, e bonito. É sempre bonito ver do que a amizade é capaz, mesmo nas competições desportivas ao mais alto nível. Talvez não houvesse forma mais bonita para fechar esta edição do Giro!


A classificação geral tinha ficado ontem definida, naquele extraordinário contra-relógio que deixou Roglic no primeiro lugar, com 14 segundos de vantagem sobre Thomas, e 1 minuto e 1 segundo sobre João Almeida. Que ganhou a classificação da juventude, e conquistou o seu primeiro pódio numa grande volta. E o segundo para o nosso país, 44 anos depois de Joaquim Agostinho o ter feito, pela primeira vez. Então na Volta a França, em 1979.


É um grande resultado do jovem ciclista das Caldas. E, aos 24 anos, a confirmação de que é já um dos grandes nomes do ciclismo mundial. E que tem tempo e condições para vir a ser ainda melhor entre os melhores!

Benfiiiiiica!

Sport Lisboa e Benfica - Home | Facebook


 


Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Jorge Jesus irá ocupar por estes dias o centro do debate destas coisas da bola.


Parece-me que o povo benfiquista é hoje, ao contrário de há dois dias atrás, maioritariamente pela saída do treinador. Não sei se o mesmo se passará na opinião publica(da) benfiquista, onde muita gente continua fiel a Jesus.


Não é esse o meu caso, como já manifestei. E não vou, nem repetir argumentos que já utilizei, nem aduzir muitos outros que ainda não apresentei. Vou antes deter-me sobre os argumentos que poderão pesar na sua continuidade.


Diz-se que o Benfica nunca facturou como com Jesus. Que nunca jogou um futebol tão atractivo. Que atingiu um patamar, nacional e internacionalmente, donde há muito estava afastado. Que valoriza jogadores como nunca se viu na Luz.


Tudo isso são verdades. Que não sendo escamoteáveis, cabem – quase todas - na grande questão das atribuições do treinador e da estrutura do negócio do futebol. Se tudo se deve a Jesus. Se o Benfica nada fez por isso, se Luís Filipe Vieira não só pactuou com o afastamento de Rui Costa, como assinou por baixo a entrega de toda a estratégia e de toda a operação do negócio a Jorge Jesus.


Pelo que é possível perceber, fica a ideia de que assim foi. Que LFV entregou tudo nas mãos do treinador que, saindo, tudo levará. Porque não se percebe - pela comunicação, verdadeiramente desastrada, pela (falta de) interacção com a equipa B, pela gestão de jogadores, com evidente tratamento diferenciado entre os contratados pelo treinador e os outros, que já estavam, de formação ou não - uma estrutura homogénea e coesa a funcionar em perfeita harmonia.


Só que Jorge Jesus partiu a corda da confiança que o ligava aos adeptos e, bem pior, a que o ligava ao balneário. A confiança dos adeptos poderia até ser recuperável, sabe-se como é curta a distância de besta a bestial: bastaria iniciar bem a próxima época. Mas, sem a confiança do balneário, perdido como é claro que está o balneário, isso é uma utopia…


Jesus não tem condições de ficar na Luz, como – creio – toda a gente percebe. Só que isso – é esse o drama - lança-o para os braços de Pinto da Costa, que esperou meticulosamente por este momento. Um momento de supremo de gozo! De tanto gozo que acabará por lhe turvar a racionalidade e a clarividência…


Que Jesus continue no Benfica, sem quaisquer condições de êxito, mas apenas para evitar isto, é que não faz sentido!

sábado, 27 de maio de 2023

CAMPEÕES

As primeiras palavras de Roger Schmidt após o título:


65 mil na Luz, para comemorar "in loco" a conquista do 38. Milhões por todo o mundo!


Antes, havia um jogo para ganhar. Não para jogar, apenas para disputar e ganhar. Tinha ontem dito algures que se amanhã o Benfica não desatasse a marcar golos cedo, o país corria o risco de um forte abalo sísmico, com um movimento tectónico capaz de deslocar a pacata cidade do Entroncamento 230 quilómetros para noroeste.


O Benfica marcou cedo, logo aos 7 minutos. Mas nem isso evitou que, no Dragão, o Porto começasse a jogar contra 10. Não sei - não vi, nem fui ainda procurara saber - se a expulsão do jogador do Guimarães, aos 2 minutos, foi justificada pela aplicação das leis do jogo. Sei é que uma expulsão aos 2 minutos é coisa estranha. Mas também sei que é mais frequente acontecerem coisas estranhas no Dragão que no Entroncamento. E tenho a certeza que nunca aconteceria com um jogador do Porto. 


Se esta coisa estranha aconteceu logo no arranque do jogo, imagine-se o que não teria acontecido se o Benfica não tivesse marcado logo no início do seu jogo. 


Na Luz sabia-se disso, e os jogadores entraram em campo para rapidamente marcar, e arrumar com os fenómenos. Do Entroncamento, ou do Dragão. Era um jogo para ganhar, e mais nada. 


Teria de assim ser, e foi assim. Na primeira parte o Benfica ganhou o jogo. Na segunda, esperou pela festa. O Santa Clara era, irreversivelmente, o último classificado do campeonato, com a descida de divisão confirmada. Há muitos fenómenos estranhos no futebol em Portugal, não ainda não há milagres. 


O Benfica entrou em campo com quatro alterações em relação ao último jogo, em Alvalade. Três pela entrada no onze de Morato, no lugar do castigado António Silva, Bah e Florentino. A quarta pelo regresso de Aursenes à sua posição natural. Que não se sabe bem qual é - porque ele é médio centro, é ala em qualquer dos lados, é segundo avançado, é tudo... - sabe-se é que não é defesa direito. Chiquinho ficou de fora. Dir-se-ia que naturalmente. Neres, também. Mas ao contrário do que seria natural. Talvez se justificasse mais que fosse João Mário a sair do onze, mas isso agora não interessa nada. 


O que interessa é que o Benfica entrou em campo para resolver o que havia para resolver - o campeonato. O 38. E não deixou hipóteses a fenómenos e a fantasmas. Gonçalo Ramos marcou logo aos 7 minutos, logo no primeiro remate à baliza, de cabeça, a corresponder ao excelente cruzamento de Bah, depois de mais uma jogada bem desenhada. Até aí tinha havido futebol envolvente, pressão alta e domínio absoluto do jogo. Remates, é que não, como até foi sendo habitual.


Depois do golo o Benfica abrandou o ritmo, e parecia até ter deixado adormecer o jogo quando, 20 minutos depois, João Mário e Rafa conduziram uma jogada de contra-ataque de compêndio - até pareceu que fora para isso que se deixara adormecer, para os jogadores do Santa Clara se aventurarem lá à frente -  que o último concluiu no segundo, deixando praticamente feito o que havia para fazer.


Depois foi dominar e controlar o jogo e, na segunda parte, esperar pela festa. Sem obsessões pelo golo. Nem que fosse para Gonçalo Ramos regressar ao primeiro lugar da lista de marcadores, donde saíra na última jornada por força dos penáltis de Taremi. De mais aqueles três de Famalicão.


Foi de tal forma evidente que Roger Schemidt não queria que essa obsessão perturbasse a equipa que até encarregou Grimaldo da marcação do penálti que fechou o resultado, quando havia ainda mais de meia hora para jogar. E como foi bonita a forma como o lateral esquerdo espanhol o usou para se despedir dos adeptos!


Começou aí a festa. Que ainda dura, bonita, na Catedral. Antes de seguir para o Marquês, para durar pela noite fora. 


O 38 tardou, mas chegou. Com todo o merecimento. Com o mérito de uma liderança desde a primeira jornada, e isolada desde a quarta. Com o melhor ataque (82 golos) e a melhor defesa (20)! 


 


 

Grande João Almeida!

Primeiros dias da Volta à Itália com João Almeida no pódio - Jornal das  Caldas


Não terminou, termima amanhã, mas decidiu-se o Giro. Na 20ª etapa, o extraordinário contra-relógio, o pódio anunciado, confirmou-se. Mas com reviravolta, e espectáculo.


João Almeida foi o primeiro dos do pódio a terminar o contra-relógio, e o primeiro a estabelecer então o melhor tempo. Um contra-relógio único, dividido entre uma primeira parte plana, e uma segunda de alta pendência, com 11% de média, mas muitos quilómetros acima dos 17%. E com mudança de bicicleta, a fazer lembrar as mudanças de pneus da fórmula 1. Aí, Roglic fez de Red Bull, e Thomas de Ferrari. Ou Mercedes. Pensou-se que Thomas - nas calmas, também mudou ainda de capacete - tivesse aí perdido o Giro.


Mas Roglic, praticamente a correr em casa - o contra-relógio decorreu na fronteira com a Eslovénia - que tinha estado sempre melhor, mais ou menos a meio da subida, viu a corrente saltar e teve de mudar de bicicleta. Teria então perdido a oportunidade de ganhar a corrida. Mas não. E ganhou o contra-relógio, e o Giro.


Os três primeiros foram, de longe, os melhores. E ficaram separados por segundos. João Almeida foi brilhante, a 2 segundos de Thomas, e a 40 de Roglic, no seu primeiro pódio numa das três grandes competições do ciclismo mundial. E é o mais novo, no seu último ano de "jovem", cuja classificação naturalmente ganhou, a garantir novos e grandes êxitos.


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Por mais de uma vez dei aqui nota da minha surpresa pela falta de debate em torno da co-adopção, chegando a adiantar algumas hipóteses – umas simpáticas, outras nem tanto - para isso.


Começa agora a perceber-se que a discussão que faltou antes não falta agora, depois de aprovada a lei. É mesmo o tema de hoje do Pós e Contras, o programa da RTP que, sem que perceba bem por quê, foi transformada no grande fórum de debate das grandes questões nacionais…


E já se percebeu por que é que o debate está agora lançado. É que, tal como há quinze anos atrás, no primeiro referendo à legalização do aborto, as contas saíram furadas. Na altura foi um dia de sol de finais de Junho que tornou a praia bem mais apelativa. Dando como certa a vitória do SIM, as pessoas preferiram a praia à Assembleia de Voto, mesmo não sendo incompatíveis. Agora, foi a liberdade de voto dada aos deputados do PSD que trocou as voltas aos que davam como certo o chumbo da proposta de lei do PS. A surpresa não foi muito diferente!


Os surpreendidos de então tiveram de esperar quase dez anos. A oportunidade para legalização do aborto chegaria só em 2007. Os surpreendidos agora não estão dispostos a esperar. Querem resolver isto já, mesmo que seja em Belém. E lançam agora o debate que não fizeram por serem favas contadas!

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Tudo à espera de amanhã

Se João der a sua 'Almeidada' pode conseguir” – Observador


João Almeida este muito bem, não se tendo ressentido do dia de ontem, na duríssima etapa de hoje do Giro. A penúltima, em plenos Dolomitas, e porventura a mais dura desta edição, com 184 quilómetros e seis contagens de montanha. Que só não foi espectacular porque a montanha (e em especial o mítico Passo Giao) pariu um rato. Tudo por causa da brutal crono-escalada de amanhã, que obrigou os favoritos a pouparem-se. Mesmo assim bastaram as últimas centenas de metros, antes da meta de Tre Cime de Lavaredo, lá no alto, para não lhe faltar emoção. 


A corrida não foi muito diferente do que se poderia esperar, com a Jumbo, de Roglic, sempre tranquila no meio do pelotão, e a Ineos, de Thomas, a controlá-la. Sem que ninguém quisesse atacá-la, nem quando mais uma grossa coluna de fugitivos chegou aos 10 minutos de vantagem, na frente. 


No fim, da fuga, apenas resistiram o colombiano Santiago Buitrago, o vencedor lá no alto, e o canadiano Derek Gee,  o eterno segundo deste Giro, cinco vezes segundo em etapas, segundo da classificação por pontos e segundo da montanha. O terceiro já foi Roglic.


O grupo dos favoritos chegou ao último quilómetro e meio reduzido a 8 ciclistas. João Almeida, há muito sem colegas de equipa no grupo - J Vine, claudicou ainda no Passo Giao, quando faltavam três contagens de montanha para o final - tomou a frente, e logo Roglic e Thomas lhe responderam. E contra-atacaram, deixando-o para trás. À campeão, João Almeida foi ainda buscá-los, ziguezagueando entre o público que tapava a estrada. Mas, ao contrário do esloveno, já não conseguiu responder ao ataque final do britânico, já em espaço vedado, nos últimos quatrocentos metros. Roglic, depois de inicialmente batido pelo ataque de Thomas, acabou por reagir e ultrapassá-lo em cima da linha de meta, arrecadando ainda os últimos três segundos da bonificação.


João Almeida acabou por perder 20 segundos, na linha do que ontem perdera, que no fim passaram a 23 para o esloveno. Mas a resposta que deu foi hoje melhor que a de ontem, mesmo que não tivesse conseguido evitar a ideia que os adversários estão mais fortes.


Ninguém sabe nada do que será o contra-relógio de amanhã, com uma subida de 7,5 quilómetros com 11% de pendente, depois dos 11 iniciais em plano. Sabe-se apenas que fará diferenças e que, quando os três primeiros cabem em menos de 1 minuto (59 segundos para Thomas e 33 para Roglic, é a desvantagem do João), decidirá o vencedor. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Fui sempre um crítico de Jorge Jesus, o que nunca me impediu de lhe reconhecer muitos dos seus indiscutíveis méritos. Mas não é sobre os seus méritos e deméritos que hoje pretendo aqui discorrer, sobre isso já muito escrevi. De só saber de futebol, de que resulta nem de futebol saber, da (in)capacidade de comunicação, da gestão do plantel, da capacidade de valorizar de jogadores, mas também de desvalorizar, das apostas bem sucedidas, mas também das que não passam de teimosia, da falta de senso e de equilíbrio – mais do que de humildade - que acaba em arrogância…


É para dizer que, ao contrário da grande maioria da opinião benfiquista, há muito que entendo que o seu contrato não deve ser renovado. Começo por dizer que, sendo incomum, não é absurdo que um treinador que ganha tão pouco como Jesus ganhou tenha contado, quatro anos depois, com um apoio tão esmagadoramente maioritário. Esse apoio justifica-se, antes de tudo, pela História recente, marcada pela hecatombe por que o clube passou nos consulados de Manuel Damásio e Vale e Azevedo, que hipotecou duas décadas da vida do Benfica. E, depois, porque foi Jesus que devolveu o bom futebol ao Benfica, e com ele a aproximação ao Porto e a capacidade de fazer sonhar os benfiquistas. A ilusão de que o sucesso está próximo, de que para o ano é que é, é maior que as desilusões destes últimos três anos, e por isso lhe perdoam os erros que estão por trás dos sucessivos inêxitos.


Estou em crer que a decisão da renovação de Jesus, se exclusivamente baseada em critérios de racionalidade, teria de passar pela resposta a uma questão central. Que é a de saber se o patamar que o futebol do Benfica atingiu com Jorge Jesus, o mesmo que o Porto há muito atingiu, é obra exclusiva de Jorge Jesus. Se tudo o que tem envolvido o futebol do Benfica está nas mãos do treinador ou se, pelo contrário, corresponde ao desenvolvimento de uma estrutura que acompanhou, mas não se deixou substituir, antes se afirmou com Jesus.


Parece que a resposta seria clara: se este patamar é obra do treinador, é a prova que é indispensável. É verdade que não ganhou, mas se sair tudo terá que ser recomeçado do zero e, em vez de poder ganhar já para o ano, vamos ter de voltar a esperar – algo que não aconteceu com o próprio Jesus, que apenas ganhou no primeiro ano, mas que é opinião respeitável. Ao invés, se a resposta fosse contrária, se a estrutura do Benfica é capaz de manter o futebol da equipa neste patamar, a função de Jesus estaria cumprida e seria hora de mudar de treinador.


Sucede que se a estrutura do futebol do Benfica nada tem a ver com o crescimento do futebol, se todos os méritos são de Jesus, só pode ser incompetente. Não há treinadores que cubram uma estrutura incompetente… e não é Ferguson quem quer!


Claro que, depois de perdida também a Taça, é mais fácil não renovar com Jorge Jesus, e a maioria que ontem reclamava a renovação do contrato será hoje uma imensa minoria. E no entanto a exibição e a derrota da final da Taça não trouxe nada de novo para cima da mesa. Nada do que se passou foi novo… Foi uma equipa imatura, que não sabe controlar um jogo. Que, se não tem condições para o jogar em alto ritmo, já não o sabe jogar. Uma equipa mentalmente destruída, sem motivação, sem querer e sem crer E esse é outro dos pontos fracos de Jesus: o trabalho mental e motivacional. Não aprendeu, já não aprende!


Jesus não tem condições para continuar. Perdendo como perdeu, perdeu autoridade de continuar a dizer qual é o caminho para o futebol do Benfica. Se não resultou, quem acredita que venha a resultar?


Quem também chegou ao fim da linha é Cardozo. Pelo episódio que protagonizou no Jamor mas, para além disso, porque condiciona em demasia o jogo da equipa. Prende a equipa, bloqueia-a e limita-a. E não é jogador para ser suplente, entrar e resolver um jogo.


Tal como a Jesus, estamos agradecidos pelos seus préstimos. Mas é hora de virar a página!

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Força, João Almeida. Força campeão!

João Almeida vence. Recorde a 16.ª etapa do Giro


Correu-se hoje a primeira das três últimas decisivas etapas do Giro, a 18ª, entre Oderzo e Val di Zoldo, na região de Veneto, num percurso de 161 km cheio de montanhas pelo caminho, que Tibault Pinault aproveitou para conquistar a camisola azul, da montanha. Entrou na fuga logo no início, porque nos primeiros 50 quilómetros já havia uma de primeira categoria, e foi acumulando minutos vantagem. Chegou a ter mais de mais de 6 minutos de vantagem, e até a entrar virtualmente no pódio, perante a passividade do pelotão, e das principais equipas. No fim, nem ganhou a etapa (batido sobre a meta pelo italiano Fillippo Zana), nem conseguiu melhor que entrar no "top ten" (em sétimo). Os pontos somados - não parou de os somar até ao fim - é que ninguém lhos tira. Nem o título de "rei da montanha" deste Giro.


Mas a história da etapa não se fica pela do veterano trepador francês, em ano de despedida. À medida que as subidas iam empinando, e as montanhas ficando para trás, o pelotão ia encurtando, com todas as equipas a perderem corredores. Todas menos a Jumbo, de Roglic. Que não se mexia, não saía do meio do pelotão, aí se mantendo compacta.


Se não se mexia era porque Roglic não estaria a passar bem, pensava-se. Se permitia ao numeroso grupo de Pinault ir ganhando tempo e ameaçando as posições dos seus ciclistas - e até a de Roglic chegou a estar tomada - só poderia querer dizer que o seu líder não estava em condições de responder ao endurecimento da corrida. 


Afinal não era nada disso. Era estratégia pura e, na última subida - na realidade a penúltima, já que os últimos três quilómetros para a meta eram ainda em subida, mas já não propriamente montanha -, no Coi, quando a inclinação chegou aos 20%, com a equipa completa à sua volta, Roglic atacou e arrasou com todos. Menos Geraint Thomas, que nunca o largou e daria até uma ajuda decisiva, na subida para a meta.


João Almeida cedeu, e perdeu de imediato alguns metros e mais de 20 segundos. Depois do impacto inicial recuperou, com a prestimosa ajuda do seu companheiro da equipa, J Vine, e chegou ao final da subida de Coi com os seus dois, e principais, adversários ali à frente, a apenas 7 segundos. Mas sem se lhes conseguir juntar.


Tudo indicava que o conseguiria fazer nos 2 quilómetros da descida. Só que, logo no início, J Vine não conseguiu fazer uma curva e saiu da estrada, arrastando-o na trajectória, obrigando-o a parar e deixando-o, depois, sozinho na perseguição. Na frente, e já no início da derradeira subida (2,7 quilómetros) para Val di Zoldo, onde estava a meta, Geraint Thomas, que até aí se limitara a seguir a roda de Roglic, vendo que o João não tinha chegado, passou a puxar com o esloveno, cavando uma diferença (21 segundos) que tonaria inglório o enorme esforço, e a alma, do campeão português.


Mais que pela surpresa - e pela matreirice de Roglic - João Almeida foi traído por um dia menos bom. E por aquela curva. Com os 21 segundos perdidos, perdeu também o segundo lugar, e está, agora, a 39 segundos do britânico, e a 10 do esloveno. Não terá perdido o sonho da vitória final, mas ficou - ficamos todos - a saber que Roglic está vivo, e em forma. Que não estava acabado quando anteontem lhe ganhou. E que, aos 37 anos, hoje cumpridos, Geraint Thomas responde sempre. Respondeu-lhe anteontem, e respondeu hoje a Roglic!


Amanhã corre-se a última etapa em linha de montanha. Duríssima, sem as elevadas inclinações de hoje, mas mais longa e com ainda mais subidas. Depois, no sábado, o contra-relógio de montanha. Uma crono-escalada fora do comum, de que ninguém sabe o que esperar.


João Almeida tem o pódio praticamente garantido, o quarto classificado já está a 3 minutos. Garantido, mesmo, é que é figura maior neste Giro. E que é um campeão. E um campeão nunca se verga!

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Um grande jogo, uma grande final!


Foi a primeira final alemã, a revelar o futebol alemão em todo o seu esplendor, a confirmar o início de uma nova era no futebol europeu, e talvez mundial. As meias-finais da Champions já tinham marcado esta passagem do testemunho, quando os dois primeiros classificados do campeonato alemão eliminaram os dois primeiros do campeonato espanhol. Esta final confirmou que a Alemanha domina o futebol na Europa como domina tudo o resto. Só que futebol é futebol, o domínio exerce-se de outra maneira: gera admiração e não revolta!


Foi uma daqueles jogos em que raramente um jogador perde a bola, é sempre o adversário que a ganha. Sempre disputado em alta intensidade, com níveis de exigência física e técnica absolutamente insuperáveis, entre duas equipas de excepção. Que, com plantéis de qualidade superlativa, fizeram (cada uma) a primeira substituição, em simultâneo, aos 90 minutos!


E o Bayern, com toda a justiça, ganhou. Quebrando o enguiço e ganhando o triplete - campeonato e taça da Alemanha e Champions – que, com o Benfica, com os resultados conhecidos, perseguia.


Benfica que não esgotava nessa hipótese de triplete os pontos de contacto com este Bayern, liderado por uma dos treinadores de mais má memória no Benfica. É que, para além de serem duas equipas que apresentam o futebol que mais se assemelha, são os que mais finais europeias perderam. Mas, acima de tudo e agora o mais importante, a vitória de hoje da equipa bávara garantiria, como garantiu, o Benfica no pote 1 do próximo sorteio da Champions!

Tina Tuner (1939-2023)

Tina Turner na capa da 'Vogue' - a Ferver - Vidas


Lenda e rainha do rock. "Simply de best". Mulher de uma voz enorme, de inesgotável energia e ... de grandes pernas. Tão grandes que faziam os vestidos parecer curtos.

Por isso ... Cavaco

O(s) acordo(s) PS / PSD…


PS e PSD dividiram o poder ao longo dos últimos (quase) 50 anos, naquilo que se poderá chamar de alternância preguiçosa. Nunca precisaram de fazer grande coisa para recuperar o poder perdido. Ele vinha-lhes sempre cair no colo!


Cada um fazia os seus disparates, à vez. Quando o "pagode" se cansava dos abusos e disparates de um, partia para o outro, já esquecido e perdoado. Assim se foi fazendo a democracia portuguesa, assim foi estagnando o país, alimentado a fundos europeus, e assim se foi afunilando o regime, transformado numa panela de pressão sem válvulas de escape.


PS e PSD deveriam, há muito, ter percebido para onde estavam a levar o regime e o país. Mas não, não perceberam, e agiram sempre como sempre, distribuindo poder e "tachos" pela clientela que alimentam, para que dela se alimentem, engrossada a cada fornada de "jotinhas" famintos e sequiosos. Está-lhes na massa do sangue. Está-lhes na génese.


O PSD sentiu-o - com o surgimento da IL, do lado de dentro do regime, e do Chega, do lado de fora, como abcesso - mas não o percebeu, achando que o desaparecimento do CDS não era problema seu. O PS, pelo contrário, não só não sentiu nada disso, como até se iludiu com a vantagem que daí retirava.


Por isso, o PS apenas continuou a fazer o que lhe está na massa do sangue. E chegou a este ponto, acabando por estourar uma maioria absoluta em menos de um ano. E por isso o PSD acha que voltou a chegar-lhe a vez. Sem voltar a precisar de fazer nada. Sem sequer ter a casa arrumada, e menos ainda quem seja capaz de a arrumar.


Por isso ... Cavaco. Quem melhor que Cavaco para fingir que está tudo na mesma?


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ontem vi a entrevista do Ministro da Economia à RTP - ao Vítor Gonçalves - onde Álvaro Santos Pereira teve momentos de meter dó, de quase não dizer coisa com coisa. Hoje esteve ao lado de Vítor Gaspar, e no meio de toda equipa das finanças, na apresentação do dito pacote de estímulos à economia, do super-crédito fiscal, como lhe chamam.


Fiquei com a ideia que, ontem à noite, terminada a entrevista, o Álvaro não fazia a mínima ideia que hoje estaria ali. E que nem lhe passava pela cabeça do que haveria para anunciar… Quer dizer, fiquei com a ideia que o Álvaro já não é ministro há muito tempo mas que ainda não o sabe. E que será sempre o tal, o último a saber!

terça-feira, 23 de maio de 2023

Uma grande notícia para o ciclismo português

FOTOS: O ataque, o sprint para a vitória, a euforia e a festa no pódio. As melhores imagens do triunfo de João Almeida


João Almeida ganhou a etapa de hoje do Giro de Itália, uma das mais difíceis decisivas da corrida, entre Sabbio Chiese e Monte Bondone, com cerca de 2200 metros de altitude, uma das montanhas do Trentino, em Trento, no norte de Itália. 


João Almeida, quarto na geral à partida, fez uma exibição de ataque. Primeiro foi a equipa a endurecer a corrida, depois, à entrada dos últimos oito quilómetros, e já sem companheiros de equipa, atacou no grupo dos favoritos, deixando todos os adversários para trás, numa altura da subida com pendentes acima dos 10%.  Geraint Thomas, o britânico vencedor do Tour em 2018, conseguiu depois recolar e foi a sua companhia nos últimos quilómetros, só não resistindo ao ataque do português na meta, para a vitória na etapa. A primeira numa grande 


Na classificação geral inverteram as posições na meta. O britânico reconquistou a "maglia rosa" e é agora primeiro, com 18 segundos de vantagem sobre João Almeida. E 29 sobre Roglic, à partida o principal candidato, e agora terceiro.


Os três primeiros cabem em 29 segundos e, se nada de anormal vier a acontecer, definem o pódio final. A partir daí as diferenças são já acentuadas.


A competição vai já  na terceira semana - termina no próximo domingo -  e tem este ano sido marcada pela chuva, e pelas muitas quedas que sempre provoca, a que o campeão português de fundo também não escapou, logo no início. É nesta fase da corrida, quando as forças começam a faltar a toda a gente, que João Almeida sempre aparece no seu melhor.


Falta ainda subir muita montanha, e um último contra-relógio. Mas, com uma equipa à altura, e sem as recorrentes indefinições na sua liderança, o ciclista português está, desta vez, em condições de lutar pela vitória. E esta é uma grande notícia para o ciclismo português!


 

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ao que se vai sabendo, à medida que o que se lá passou vai sendo trazido cá para fora – porque há gente que lá está que faz disso modo de vida -, a reunião do Conselho de Estado esteve quentinha, e não correu nada ao jeito do Presidente, que só estava interessado no pós-troika. Bom, convergência e consenso também davam jeito…


De resto, se percebemos muito bem por que Marques Mendes convocou o Conselho de Estado - obviamente para alimentar três ou quatro dos seus programas televisivos: um a anunciá-lo e dois ou três a chibar-se sobre o que lá se passou – ainda não conseguimos perceber por que é que Cavaco confirmou essa convocatória. Para pagar dívidas, provavelmente…


A coisa foi de tal ordem que só faltaram cadeiras pelo ar, porque de resto houve de tudo. Até um comunicado final imposto pelo Presidente, que nada tinha a ver com o que lá se passara. Bonito… Sem dúvida. E bem demonstrativo do Presidente que temos …


Houve naturalmente quem não gostasse e tivesse liderado uma rebelião. E o Comunicado esteve por um fio…até que lá veio Marcelo Rebelo de Sousa, sempre conciliador, a pôr água na fervura. E a cozinhar aquela coisa do “adequado equilíbrio entre disciplina financeira, solidariedade e estímulo à actividade económica”. Ou do “enfrentem, com êxito, o flagelo do desemprego que os atinge e reconquistem a confiança dos cidadãos”. Sem dizer nada do que lá se tivesse passado: isso ficaria para si próprio e para o seu colega de partido e de ofício…


Não tenho grandes dúvidas que, por muito que Marques Mendes insista, Cavaco não voltará tão depressa a convocar o Conselho de Estado. Tenho é dificuldade em perceber por que é que toda aquela gente se aguentou lá aquelas horas todas sem bater com a porta e deixar o Presidente a falar sozinho, mesmo que sozinho nunca ficasse: dois deles ficariam sempre até ao fim, para poder contar tudo…


Não fiquem já a pensar que foi isso que fez Mário Soares. Esse apenas tinha que se deitar cedo…


É também por isto que o regime virou palhaçada...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Pelo que vejo por esta blogosfera fora (aquiaqui e aqui, por exemplo, porque o tema está em todo lado e tratado de todas as formas) não percebo como é que o ministro Miguel Poiares Maduro não substituiu ainda o outro Miguel, empossado pelo anterior Miguel na pasta, pelo novo herói do empreendedorismo, o Martim. Se o outro, um espalha brasas a bater punho, é a cara do Relvas, do velho Miguel este, ainda mais jovem, sem olhos esbugalhados nem ar de esgazeado, e de voz suave, vai bem melhor com a imagem deste novo Miguel…


E se ambos têm o mesmo e infalível certificado de garantia do Prós e Contras, não é fácil de perceber por que é que o ministro Miguel Poiares Maduro não trocou já o embaixador do Impulso Jovem!

domingo, 21 de maio de 2023

Os benfiquistas mereciam mais


A uma jornada do fim de um campeonato que liderou desde a primeira jornada, que dominou em toda a linha, e em que tem indiscutivelmente sido a melhor equipa, o Benfica ainda não é campeão. Muito por culpa própria, mas muito, também, pelo que é o futebol em Portugal há 40 anos e que, pelos vistos, continuará a ser.


Ainda não foi desta que o 38 foi carimbado. Pelo que foi o jogo dos penáltis de ontem - apenas mais um - e pelo que foi o dérbi desta noite, que o Benfica teria de ganhar. O "match point" de hoje em Alvalade começou  a ser desperdiçado na preparação do jogo, falhada em toda a linha. Como havia sido falhada a do jogo da Luz, com o Porto.


A primeira parte do jogo de Alvalade chegou a parecer decalcada desse com o Porto, quando há perto de mês e meio o Benfica desperdiçou a oportunidade de acabar, bem cedo, com este campeonato. Os mesmos erros de estratégia, a mesma apatia, e a mesma resignação levaram a equipa a entregar ao adversário o mesmo domínio do jogo. 


O Benfica entrou em Alvalade como se este fosse apenas mais um jogo deste campeonato, e não o jogo que teria de ganhar para se fazer campeão.


O primeiro erro foi, com Bah recuperado e mais uma vez no banco, continuar a insistir em manter Aursenes como lateral direito. O seu rendimento na posição já é, em si mesmo, um problema. Problema maior é, no entanto, a falta que faz à equipa nas posições em que ele faz toda a diferença. Com o internacional norueguês nessa posição o Benfica não ganha um lateral direito e perde o seu mais influente jogador.


O segundo, e não menos decisivo, foi o défice de agressividade. Os jogos que têm de ser ganhos exigem entradas com os índices de agressividade no máximo. Não há outra forma. Mas a equipa não entrou claramente convencida disso, e começou a perder todos os duelos, todas as bolas divididas, todos os ressaltos... A agressividade e o querer dos jogadores do Sporting nunca encontraram resposta nos do Benfica. A atitude do árbitro João Pinheiro, ao deixar passar incólumes os excessos de agressividade leonina, em evidente dualidade de critérios, foi reforçando ainda mais a confiança dos jogadores do Sporting, cada vez mais contrastante com as do Benfica.


Nem a circunstância de na baliza adversária estar um guarda-redes com poucos jogos, e pouca experiência, pesou na estratégia para o jogo, também aí com tudo a ver com agressividade e atitude.  


E assim o Sporting foi crescendo. Em confiança e, a partir daí, em qualidade técnica e táctica. Até, a partir do meio da primeira parte, depois da primeira oportunidade de golo, desperdiçada pelo Pote, passar a dominar completamente o jogo. Vlachodimos ainda adiou o golo que se adivinhava, com uma grande defesa a remate do Esgaio. Apenas isso. Logo a seguir já não evitou o primeiro golo, todo ele a espelhar a permissividade e a apatia da equipa. António Silva falhou um corte fácil, o Trincão ficou a com a bola e rematou sobre o lado esquerdo,  já com pouco ângulo. Vlachodimos defendeu para a frente (ficando a ideia que poderia ter feito melhor), com toda a defesa a "dormir na forma", permitindo que o avançado do Sporting desse meia volta e voltasse a trás para a recuperar,  contornar o guarda-redes, e enviá-la tranquilamente para a baliza.


Cinco minutos depois, já em cima do intervalo, a mesma passividade e o mesmo adormecimento, daria novo golo.  Num canto, o Sporting voltou a marcar, com Diomandé a ganhar nas alturas a Grimaldo uma bola que deveria estar a disputar com Aursenes.


Em toda a primeira parte o melhor que o Benfica conseguiu foi uma única oportunidade de golo, ainda com o resultado em branco, num remate de cabeça do Rafa que saiu por cima da trave, por descoordenação no tempo de salto. E o 0-2 era até lisonjeiro!


Ao intervalo Roger Schemidt fez o que deveria ter feito antes do início do jogo. Em 10 minutos, fez o que não terá feito numa semana inteira. A equipa veio para a segunda parte com Bah (saiu João Mário, mais notado em Alvalade pelos assobios que por qualquer outra coisa) e Aursenes nos seus respectivos lugares, e com a mentalidade indispensável para discutir o jogo. Que mudou, por completo.


O Benfica tomou conta do jogo e só não marcou mais cedo porque o João Pinheiro não quis que o empurrão claro e ostensivo do Nuno Santos ao Gonçalo Ramos, dentro da grande área, fosse penálti. Mas é assim, este campeonato. Ontem, em Famalicão, foram quatro, e até acções com bola e jogadores fora do campo acabaram em penálti. No dérbi da Luz, o Paulinho mandou-se sozinho para o chão, e foi penálti. Este empurrão, não é nada. Siga...


Rúben Amorim percebeu que a sua equipa tinha gasto as baterias todas na primeira parte. Começou por fazer entrar Paulinho (troca com Edwards), para passar a jogar longo, para a frente. 


Benfica ia juntando oportunidades ao domínio do jogo, mas o golo ia tardando. Roger Schemidt voltou a mexer, trocando Rafa e Gonçalo Ramos por Guedes e Musa. Que, três minutos depois, com uma grande arrancada, só não marcou porque o jovem Israel desviou, com a ponta dos dedos, para o canto que João Pinheiro não assinalou. Foram precisos apenas mais dois minutos para, finalmente, o golo. Aursenes, depois de ter sido carregado dentro da grande-área, levantou-se a foi ainda a tempo de responder de cabeça ao cruzamento de Grimaldo (sim, jogou, e sim, vai deixar saudades!), que recuperara a bola, do outro lado.


Rúben Amorim respondeu ao golo com ... medo. E reforçou a defesa e o meio campo, para defender o resultado, tentando repor a agressividade perdida. Ia conseguindo.


O relógio ia avançando e o Benfica não saía de cima da área adversária. Entrou Florentino (para substituir Chiquinho, acabado de amarelar) e entrou bem. A ideia que ainda haveria tempo para, pelo menos, o golo do empate ia crescendo. Entrou ainda Ristic, provavelmente para anunciar a definitiva despedida de Grimaldo. 


Ia o tempo de compensação (8 minutos) a meio quando finalmente entrou a bola que não queria entrar. Rematada duas vezes pelo João neves. O menino que merecia que aquele seu primeiro golo pela equipa principal fosse o da vitória, e do título, e não apenas o do empate no dérbi. Que merecia, como mereciam os benfiquistas que estiveram no estádio - onde, mais uma vez, adeptos sportinguistas cantaram o nome do Benfica à moda do Dragão - uma abordagem ao jogo que garantisse a festa do 38. Hoje, em Alvalade!


 

sábado, 20 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não se percebe bem como, mas parece que é verdade: três anos depois, Portugal abandonou o clube da bancarrota.


A gente vê estas coisas e fica a achar que cada vez percebe menos disto...


O Presidente confirma a convocatória do Conselho de Estado oportunamente feita por  Marques Mendes, e anuncia que é para discutir o pós troika: agora já nem há que discutir. Foram sete horas de reunião - apenas duas para o Dr Soares que, naquela idade, tem de ir cedo para a cama - que, pela ausência de conclusões, deverão ter sido passadas a perceber como o Benfica perdeu o campeonato. Ou a arbitragem do jogo do Porto com o Paços ... 


A dívida não pára de subir, e a Alemanha empurra-nos com toda a força para os mercados - quer é ver-se livre de nós - onde iremos de bater de frente com taxas de juro insuportáveis, para que para eles sejam negativas. O défice é cada vez maior, o que significa mais dívida para cima da dívida. A recessão e o desemprego seguem em via verde, fazendo que mesmo a mesma dívida seja ainda mais dívida. Mas já é uma dívida sem risco. Está bem: quase não há risco... Estamos ali ombro a ombro com o Iraque, um rival de peso, como se percebe...

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Compete ao Conselho de Estado (artigo 145º da Constituição da República):



  1. Pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República e das Assembleias Legislativas das regiões autónomas;

  2. Pronunciar-se sobre a demissão do Governo, no caso previsto no n.º 2 do artigo 195.º;

  3. Pronunciar-se sobre a declaração da guerra e a feitura da paz;

  4. Pronunciar-se sobre os actos do Presidente da República interino referidos no artigo 139.º;

  5. Pronunciar-se nos demais casos previstos na Constituição e, em geral, aconselhar o Presidente da República no exercício das suas funções, quando este lho solicitar.


Ao abrigo desta última alínea: o pós-troika. Obviamente!


No pasa nada...


 

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O campeonato acabou hoje. Para mim acabara na semana passada…


Prematuramente?


Não! Para o Benfica é que acabara prematuramente, duas semanas antes, na Madeira. Vá lá saber-se porquê!


Parece-me que há uma jogada e um jogo que têm muito a ver com este insólito desfecho do campeonato. E nem o jogo é o do Estoril - nem o primeiro do campeonato, na Luz, com o Braga, do golo invalidado a Cardozo no último minuto, nem o de Coimbra dos tais dois penaltis, nem o do Nacional... - nem a jogada é aquela do Kelvin-Liedson-Kelvin…


A jogada é aquela obra de arte que culminou no 2-0 ao Sporting. Estranho?


Talvez, mas aquela fantástica jogada teve consequências muito para além do golo de Lima. Deu origem ao limpinho… limpinho, com tudo o que isso trouxe. E acabou por ter algo  de enganador, que maquilhou uma realidade que precisava de ser enfrentada. Porque é bom ganhar quando nem tudo está bem, mas não é bom não o perceber.


O jogo foi o da Madeira, com o Marítimo. Que, vá lá saber-se por quê, não foi encarado como mais um jogo que tinha de ser ganho, mas como o jogo que ganhava o campeonato…


Claro que, hoje, só Fátima poderia provocar outro desfecho na Mata Real mas, como se sabe, o plafond de milagres ficou esgotado com o fecho da sétima revisão da troika… Em vez disso houve passadeira vermelha, não estendida pelo adversário, como a da Madeira há duas semanas atrás, mas nem por isso menos estendida… Logo aos vinte minutos o árbitro resolve inventar um penalti. Com expulsão. E pronto…


Para o ano há mais. Que não seja do mesmo...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


- “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”.


- “Ainda está para nascer alguém mais sério que eu”


- “Eu avisei…”


Todos conhecemos o autor destas frases, e o culto do ego que está por trás delas. A todas estas acrescenta-se agora aquela que foi a frase da semana:


 “…uma inspiração do 13 de Maio, é o que a minha mulher diz”.


Frase que, lida em conjunto com a que a antecedeu – “foi tomada hoje uma decisão muito importante para o futuro…” – poderá não elevar o fecho da sétima avaliação da troika a acontecimento da semana, mas eleva o seu autor, na sua própria apreciação, mais do que à simples condição de salvador da pátria, a agente de intermediação divina!

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Lembro-me do debate da legalização do casamento entre homossexuais. Lembro-me que os que se lhe opunham acabavam por mitigar essa sua posição, relativizando a importância desse acto para enfatizar um outro, que estaria afinal por trás da legalização do casamento. Diziam que a seguir viria a adopção, e que esse sim, seria o problema…


Isto passou-se há pouco mais de três anos. Hoje, quando na Assembleia da República se votam dois projectos sobre a matéria, pelo que se vê, a co-adopção não levanta grandes fracturas na sociedade portuguesa. Nem entre os que há três anos atrás encontravam aí o grande problema do casamento que então se legalizava…


Quererá isto dizer que a sociedade portuguesa progrediu em três anos mais que anteriormente em décadas? Que atingiu a maturidade política e cívica das sociedades mais desenvolvidas, civilizadas e educadas?


Ou será que a crise também tem alguma coisa a ver com isto? 

terça-feira, 16 de maio de 2023

"Preconceito ideológico"

O que diz Pereira?


A expressão "preconceito  ideológico" é usada para "chutar para canto" o contraditório em qualquer  discussão. Atira-se com " isso é preconceito  ideológico" e arruma-se com a questão.


A direita e a esquerda têm preconceitos, mas se forem ideológicos,  aí, só há na esquerda. A direita, e em particular a direita liberal, rejeita "preconceitos  ideológicos", e consegue até fazer do  "preconceito  ideológico" uma espécie de pára-raios, onde acaba por se espetar tudo o que contrarie as suas teses. 


Era assim até ver escrito, na última edição do "Expresso", pelo seu director, que em Portugal não há investidores [capazes de deitar mãos à TAP] porque ...  "décadas e décadas de impregnação na política de teorias bacocas da esquerda anticapital ajudaram a diabolizar o empresário português e nunca permitiram a criação de uma classe empresarial forte e com capacidade de investir no que de melhor temos".


Confirmando no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o preconceito é uma ideia ou conceito formado antecipadamente, e sem fundamento sério ou imparcial. Mas também é uma opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos. Ou, ainda, crença em coisas fantásticas, sem relação racional entre causa e efeito.


É isso. O João Vieira Pereira acredita nessa coisa fantástica que os empresários portugueses não têm capital, nem capacidade de investir, porque são diabolizados pela "esquerda anticapital". 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não há vitórias morais. Mas… Viva o Benfica!


Não há sorte e azar. Mas há!


Não há bruxas. Mas até parece… O mesmo resultado, o golo no mesmo último minuto…


O Benfica foi superior ao Chelsea nesta final. Completamente: individual e colectivamente, técnica e tacticamente. Só não o foi no plano físico mas, mesmo aí e surpreendentemente – para quem tem visto os últimos jogos – o Benfica esteve bem. Não rebentou, embora a perspectiva do prolongamento fizesse temer o pior.


Jogou melhor, muito melhor que o Chelsea. Mas não chega. Para o Benfica nunca chega jogar melhor que os adversários. É sempre preciso qualquer coisa mais… Foi anulado um golo – que seria o primeiro do jogo – sem que ainda agora consiga perceber por quê. E sofreu logo a seguir um golo, que começa num lançamento longo do guarda-redes: nem devia valer!


O Benfica reagiu bem, não teve medo e continuou a ser melhor. Chegou rapidamente ao empate, e continuou por cima. Jorge Jesus tinha arriscado tudo, já jogava com Gaitan a lateral esquerdo. E perdeu Garay. Perdeu Garay, o melhor defesa, e com Enzo e Matic o melhor jogador em campo, e a oportunidade de mexer na equipa, esgotando aí as substituições!


Faltavam dois minutos para os 90 quando Lampard acerta no ferro da baliza de Artur. Era o sinal por que se esperava: tinha sido assim ao longo da competição, a seguir a uma bola no ferro o Benfica marcava. Voltou a ter oportunidade para isso, mas voltou a falhar, como tantas vezes tinha já falhado. E no último minuto… Se o primeiro nem devia valer, o segundo, então…


Nasce de um canto em que Jardel – que substituíra o Garay - é passarinho. Depois, continuou passarinho, a olhar para a bola, sem a atacar, deixando que o André Almeida deixasse sozinho o mais alto e melhor cabeceador do Chelsea, o sérvio Javanovic.


A bola foi ao centro, e Cardozo tem ainda mais uma oportunidade imensa de voltar a marcar. Não se percebe o que lhe aconteceu aos pés e voltou a falhar… É isso, nestas andanças não se pode falhar. A concentração competitiva e a força mental – que se trabalham, como a condição física e a qualificação técnica - são mais importantes que tudo o resto. Sem isso há sempre muito azar. É o nosso fado!


Claro que não há nada a apontar aos jogadores. Que, face ao que se passara no sábado, poucos esperariam que entrassem em campo como entraram. E que fizessem o jogo que fizeram. Claro que vamos ao aeroporto receber os jogadores em festa. Claro que no próximo domingo vamos encher a Luz, com aquela fé imensa, como os jogadores merecem. Mas estou farto do azar. Estou farto que, quando realmente importa, a sorte esteja sempre do outro lado…  

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Obrigado, Grimaldo. Mas não se compreende...


Foto: Bayer Leverkusen/Twitter


Há muito se sabia que Grimaldo não renovaria o contrato, e abandonaria o Benfica no final da temporada. Por mais juras de amor que fizesse ao clube que representou nos últimos 7 anos (e mais uns meses), sabia-se que esta seria a última página de um livro com histórias muito bonitas ... e outras que nem tanto.


Era legítimo o desejo do lateral esquerdo querer mais. Mais dinheiro porque, do resto, mesmo que igualmente legítimo, não será provável que venha a ter mais do que tinha. Como era legítima a decisão do Benfica de, nesta altura, não  lhe dar tanto dinheiro quanto ele pretendia. 


Grimaldo é um jogador de inegável qualidade. Não tanta que fizesse dele um jogador nas listas de cobiça dos grandes clubes  europeus. Surgindo sempre em cada final de época clubes interessados na sua contratação,  nunca esses interesses foram além de primeiras páginas dos jornais. Por isso aguardaria sempre pelo final do contrato, na mira do prémio de assinatura.


Ao Benfica, para a renovação, colocar-se-ia sempre a questão da rentabilização desse prémio. E a decisão teria  de resultar do confronto entre esse valor, somado ao do novo salário, e o do investimento numa nova contratação.  


"O Grimaldo desta época" faria inclinar a decisão a seu favor. O problema é  esse - "o Grimaldo desta época". É legítima a dúvida se "o Grimaldo desta época"  resulta da época do Benfica de Roger Schemidt; se de ter atingido a maturidade (na generalidade, os 27 anos correspondem ao ponto alto do "ciclo de vida" de um jogador de futebol); ou se da mera circunstância de, esta,  ser a última época do contrato. 


Há jogadores em que esta questão se não levanta. Não é, justa ou injustamente, o caso. Poderá até ser injusto mas, para grande parte dos benfiquistas, Grimaldo deixa a ideia de ter investido no último ano de contrato. E que, renovado o contrato, não dá garantias de se manter ao alto nível de desempenho desta época.


Aparentemente a direcção do Benfica pensou da mesma maneira. E, assim sendo, só há que agradecer ao Grimaldo, os 7 anos de manto sagrado. Em especial, este último. E que esperar da direcção a sua substituição por outro, ainda melhor.


O que não se admite, não se compreende, e não se desculpa, é que a notícia da sua contratação pelo Bayer Leverkusen tenha sido dada antes da confirmação da conquista do campeonato. Não se desculpa nem ao Grimaldo, nem aos responsáveis do Benfica.


Só se compreenderia se não tivessem visto nada do jogo de ontem no Dragão depois do intervalo. Se não tivessem visto a quase meia hora de intervalo (o que é que estiveram a fazer nos balneários aquele tempo todo?), a inclinação dada ao campo para a segunda parte, as faltas do Uribe e do Gruijc, as arruaças do costume, pelos arruaceiros do costume, e os festejos finais a celebrar não se percebe bem o quê.


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A exemplo do último sábado de má memória, o Benfica parte em desvantagem para a final de hoje em Amsterdão. Uma desvantagem que decorre, como na do jogo de sábado, da História, mas também da mesma simetria de comportamento competitivo nesta altura da época, com o Chelsea a abordar esta fase final das competições em clara curva ascendente, bem evidente na forma como fechou o terceiro lugar na Liga Inglesa, em aproximação rápida ao City e a despedir-se de Arsenal e Totteham, deixando-os ambos a contas com o quarto lugar que dá Champions. E Vilas Boas a disputar o seu verdadeiro campeonato, mercê do objectivo declarado para a época: ficar à frente do Arsenal. Parece que não o atinge!


Ao Benfica, o desgraçado resultado de sábado, apenas acentuou fase descendente em que já há alguns jogos entrara. E, evidentemente, bem abalou os índices de confiança que se pretendiam reforçados para esta final.


A História, que como então aqui disse, não ganha jogos mas mete fantasmas lá dentro, aqui é diferente. E aqui há duas Histórias – uma velha e longa, feita das oito finais europeias do Benfica, e outra nova e curta, feita apenas do ano passado. Em que o Benfica foi superior e superiormente prejudicado, mas que foi o Chelsea a ganhar, até chegar a campeão europeu.


Pouco diz, esta História recente. Até porque este Chelsea que hoje se vai apresentar na Arena de Amesterdão é – parece-me claro – bem melhor que o que conquistou o título máximo do futebol que ainda hoje ostenta (o Chelsea poderá, se vencer hoje, tornar-se no primeiro clube portador, em simultâneo, dos dois maiores títulos europeus). A outra sim. É pesada: nas oito finais já disputadas o Benfica apenas ganhou as primeiras duas. Com ou sem maldição de Guttman, é a História!


Mas, como os recordes são para abater, também a História é para ultrapassar. Para ficar para trás, não fosse a História feita disso.


As finais são para se ganhar! É uma frase feita, mas também o paradigma do espírito vencedor. Disputar uma final só pode servir para a ganhar, mesmo que percebamos que há quem nos queira fazer crer do dever cumprido pelo simples facto de lá chegar…

domingo, 14 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O CDS, este CDS/PP de Portas, tornou-se rapidamente no mais desprezível dos partidos. Representa hoje, como mais nenhum – o que com este PSD e este PS era francamente difícil – o pior do sistema partidário que seca o país e asfixia o regime.


É o que Portas vem fazendo. É o que Portas acabou de fazer, acabando por ser ele a passar a linha que não podia ser passada. É o que o seu estado-maior - incluindo pessoas que o país se habituara a respeitar, como por exemplo António Pires de Lima – está a fazer, com piruetas que nos enojam. Com a taxa sobre as pensões que só por cima do cadáver de Portas, mas que … nada. E nada se passa, que fica no papel, que é compromisso mas que não é para cumprir…


É o Nuno Melo, a estrela ascendente do partido, o valor seguro e credível. Que no fim da semana passada passeava a sua indignação pelas televisões sobre a possibilidade admitida pela Comissão Europeia dos depósitos superiores a 100 mil euros serem envolvidos nos resgates dos bancos. Quando, segundo contava o Expresso no último sábado, e como aqui é reproduzido, o tema anda há meses a ser discutido, com a proposta da Comissão Europeia sujeita a intensa negociação na comissão de assuntos económicos do Parlamento Europeu, de que o próprio é membro suplente. Onde têm sido apresentadas dezenas de propostas de modificação, incluindo do seu colega de partido, Diogo Feio, e das deputadas Elisa Ferreira e Marisa Matias, mas onde nunca a sua voz se fez ouvir. Nunca apresentou uma proposta, nunca participou na discussão. E no entanto veio para cá e encheu as televisões fazendo o show que fez!


Se este país ainda tiver algum juízo o CDS já nem ao táxi regressa. Basta-lhe a lambreta que o outro deixou de usar... Caiu na palhaçada, no descrédito total!

sábado, 13 de maio de 2023

Falta uma!


Era grande, e até desmedida, a expectativa criada para este jogo do Benfica, em Portimão.  Ouviu-se e leu-se de tudo, desde um ambiente terrível a aguardar a equipa, até à estapafúrdia possibilidade do Benfica lá se sagrar campeão ... desde que ganhasse, e o Porto perdesse o seu jogo, no Dragão, com o Casa Pia. Que acontece apenas amanhã, mais de 24 horas depois.


A relação -  invulgar e mesmo promiscua, mas não estranha à luz do que acontece no futebol cá do burgo - do Portimonense com o Porto é uma coisa. Projectar daí uma "cena" de ambiente terrível, quando os benfiquistas tinham, como sempre têm feito por este país fora desde que não lhes vedem o acesso aos estádios, esgotado a lotação do Municipal de Portimão, foi uma tentativa de criar fantasmas. Transformar a impossibilidade de festejar o título em Portimão numa possibilidade, foi só mais um dos disparates em que a nossa comunicação social desportiva é fértil.


A equipa, e os adeptos, do Benfica não se impressionaram com essas manobras. A equipa chegou  a Portimão com a única e clara ideia de mostrar que joga à campeão, para ser campeão. Os adeptos, para lhe dizerem que acreditam na equipa, e que não lhe regateiam apoio para lá chegar. E bem cedo disseram ao que vinham - os adeptos, com uma recepção extraordinária, logo à chegada ao Estádio; a equipa, com uma entrada em jogo demolidora. E, assim, acabaram com os fantasmas logo à partida. Com todos, incluindo o dos autocarros do Paulo Sérgio e o que se dá pelo nome de Soares Dias.


No primeiro minuto o Benfica criou logo a primeira clara para marcar, num remate ao poste do menino - homem. O menino João Neves. Tão homem que até foi o do jogo. E ao quarto já marcava. No primeiro quarto de hora do jogo o Benfica já tinha um golo, e outro anulado, duas bolas nos ferros, com mais um grande remate de Gonçalo Ramos à trave, e mais três outras grandes oportunidades. Tudo isto ao som da regressada orquestra de futebol que é este Benfica.


Só por volta de meio da primeira parte o Portimonense conseguiu respirar, e começar a ameaçar disputar o jogo. "Sol de pouca dura", e rapidamente o Benfica voltou a impor a força do seu futebol. E a criar e desperdiçar sucessivamente oportunidades de golo. O segundo chegou ainda antes da meia hora, num auto-golo que, a não o ter sido, teria sido de Rafa.


No primeiro remate à baliza, dez minutos depois do segundo do Benfica, o Portimonense marcou, na sequência de um livre lateral, mercê da passividade de Morato - claramente sem ritmo, e fora da nota dada pelo diapasão da equipa (é o preço a pagar pelas ideias fixas de Roger Schemidt - a única alteração na equipa, pelo castigo de Otamendi. E, aos 38 minutos, o que poderia ser um resultado de cinco ou seis, era um magro 2-1.


Nada de fantasmas, uma vez mais! E o Benfica respondeu de imediato, voltando a criar novas situações de golo. De novo desperdiçadas, à excepção, finalmente, do golo de Gonçalo Ramos. Um grande golo. De autor, com assinatura, já em cima do intervalo.


Na segunda parte o Benfica entrou com Florentino - e que bem jogou - no lugar de Chiquinho, já amarelado (no que parecia uma ameaça para chegar aos jogadores em risco para Alvalade, ameaça que Soares Dias não teve a mínima hipótese de concretizar), mas também no tom menos afinado. E voltou a entrar em força.


David Neres poderia ter marcado de imediato, e logo a seguir, numa jogada de esplendor na relva, Rafa marcou. E ao marcar, fez anular o golo. Não precisava de tocar na bola, que ia entrar, rematada por João Mário, e mal defendida pelo guarda-redes da casa. Tocou-lhe de raspão, estava em fora de jogo por ... 9 centímetros, e o VAR acabou por anular o que tinha sido festejado como o quarto golo.


Que nunca mais chegava, por mais oportunidades que se sucedessem. Nem de penálti, porque Soares Dias não o quis assinalar, quando o Sérgio Conceição (mais um, do clã) puxou Gonçalo Ramos dentro da área, impedindo-o de  cabecear em condições para a baliza (sim, os jogadores do Benfica não se mandam para chão, e  isso é motivo de orgulho). A fazer lembrar qualquer coisa - Chaves, lembram-se? - logo a seguir o Portimonense sai em contra-ataque, e é Aursenes quem consegue recuperar e anular o lance de perigo, cortando "in-extremis" para canto.


Contra os cânones, que dizem que não se fazem substituições antes da marcação dos cantos, Roger Shemidt fez duas, tirando Neres e Gonçalo Ramos, para entrarem Guedes e Musa. Só depois foi marcado o canto e, dele, saiu uma magistral jogada de contra-ataque, toda ela movimento, velocidade e arte. E toda ela Rafa, evidentemente, a cavalgar por ali fora, até deixar a bola à mercê da dança de Musa. Recebeu-a para lhe tocar pela primeira vez, ajeitou-a e dançou à frente dela, até deixar por terra um defesa e o guarda-redes adversários para, depois, a enviar para a baliza aberta. Finalmente, o quarto golo.


O quinto, de novo de Musa, chegaria dois minutos depois, a um dos 90, fechando o resultado num 5-1 que não tem nada a ver com o que se passou no campo. Se tivesse, teria que ser qualquer coisa parecida com aqueles 11-0 de há uns anitos, com o Nacional, de Costinha, na Luz.


Falta agora uma vitória para o 38. Mas não é só esperar por ela. É a jogar desta forma avassaladora, que não permite dúvidas. Nem fantasmas!


  


 


 


 


 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ouvi hoje numa estação de televisão e da boca do Arcebispo do Rio de Janeiro – que presidiu às cerimónias deste 13 de Maio, em Fátima - uma expressão a que não consegui ficar indiferente. Entre inúmeros encómios ao culto mariano, deixou escapar esta:”Maria deixou-se seduzir pelo Espírito Santo”!


Não sei se é próprio deste português açucarado dos brasileiros, se da sua forma mais enxuta de olhar para as coisas. O que sei é que, de repente, com este jeito de dizer, esta espécie de ménage à trois que envolve a concepção de Jesus, para mim, ganhou outra dimensão! 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ouve-se dizer por aí que o negócio vai mal para as farmácias – corre bem a quem? – que fecham todos os dias, numa escalada de falências. Não sei se é bem assim ou não, sei é que terão hoje um grande dia de negócios, de casa cheia, inundada de benfiquistas e portistas a esgotar stocks. Benfiquistas numa procura desenfreada de Kompensan e portistas a levarem até à última embalagem de Hirudoid… Uns à procura de tratar de um nó no estômago, bem pior do que se tivesse acabado de levar com um gancho certeiro do Cassius Clay dos bons velhos tempos. Outros com o corpo cheio de nódoas negras de, incrédulos, tanto se beliscarem. Para confirmar que estão bem acordados, que não foi um sonho, que aquilo aconteceu mesmo…


Naquele minuto 92, quando o Liedson (mas este tipo tem que nos perseguir até ao inferno?) recebe a bola e a coloca à frente do Kelvin, como em nenhum dos dias dos últimos três meses - à excepção destes últimos cinco - não havia portista que acreditasse que fosse possível ganhar este campeonato. Acho que era o Benfica que o mereceria ganhar, mas também acho que o Porto tem mérito.


Acho, como já escrevi, que não se pode resumir as coisas à sorte e ao azar, mas não acho que o mérito do Porto tenha sido o de acreditar. De acreditar sempre, como dizem. E como diz o Vítor Pereira… Não foi, até porque, como foi mais que evidente, ninguém acreditava. E a toalha foi atirada ao chão, toda a gente viu.


O mérito do Porto foi outro: ganhar todos os seus jogos durante estes dois ou três meses, não ceder num único jogo a partir do momento em que viu o Benfica fugir com uma vantagem de quatro pontos. E esse mérito é bem maior. Tudo é mais fácil quando se acredita, quando se persegue qualquer coisa. Difícil é não ceder quando em causa está apenas a obrigação de ganhar. Naturalmente, sem mais…


É isso que normalmente o Benfica não consegue fazer, e que simplesmente vem do hábito de ganhar!

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Imoralidade e pior que isso

Lucros de mais de 2.500 milhões de euros. Cinco maiores bancos tiveram ano  “fantástico”, à boleia dos juros do BCE – Observador


Quando se admitia que pudessem - já que, dever, deviam - baixar, o BCE voltou, na semana passada, a aumentar as taxas de juro. Um aumento em desaceleração (0.25 pontos percentuais, de 3.5 para 3.75%) mas, ainda assim, um aumento. E nem assim tão pequeno.


Diz a Srª Lagarde que tem que ser, para baixar a inflação. Continua a querer convencer-nos que esta é uma crise inflacionista comum, igual a todas as outras, provocada pela procura, quando todos sabemos que não é. Quando sabemos que esta inflação dos últimos anos tem apenas origem na oferta, que começou nos bens mais essenciais, e que, restringir a procura, é apenas privar deles milhões de pessoas.


Os bancos, como a generalidade dos sectores económicos, têm-se aproveitado imoralmente deste processo, para atingirem lucros históricos. "Excessivos", como não gostam que lhes chamem. E que Vítor Bento, líder da Associação que os representa, nem sabe o que são.


No ano passado somaram lucros de 2583 milhões de euros, um aumento de 71% face ao anterior.


As "pornográficas" margens financeiras da banca são apenas imorais. Tão imorais quanto as margens de tantas outras actividades que, as aumentaram a coberto da inflação. 


A imoralidade dos bancos é gritante, na medida em que reflectem as decisões (erradas) da política monetária nas taxas de juro que cobram, mas ignoram-nas nas que pagam. Cobram hoje juros quatro, cinco, ou seis vezes acima do que cobravam no passado, e pagam o mesmo que então pagavam - nada! A margem financeira dos bancos portugueses aumentou 9,5 vezes mais que a média europeia.


E ainda mantêm, e muitas vezes até agravaram, as comissões abusivas que lançaram a pretexto das baixas taxas de juro, e das baixas margens financeiras de então. É difícil admitir maior imoralidade!


A economia não funciona em bases morais. Mas a sociedade deve assentar precisamente nelas. E cabe aos poderes públicos velar por elas. 


A regulação, que cabe ao Banco de Portugal, pouco mais poderá fazer do que vagas recomendações para que os bancos remunerem os depósitos com taxas de juro compagináveis com as que cobram. Se os bancos - 75% do mercado está concentrado em cinco bancos - não têm falta de liquidez, não precisam de pagar melhor pela captação de recursos. Mas poderia certamente actuar sobre as comissões abusivas que já não têm qualquer justificação. 


A governação, com a regulação incluída, tem de ter em conta a imoralidade. Isso poderá não lhes importar, mas terão que se importar com os créditos que famílias e empresas hoje já não conseguem pagar, e com a onda de incumprimentos que aí vem. Que, para a ganância e para a imoralidade dos bancos são, hoje, "peanuts". E, amanhã, nada que todos nós não lhes resolvamos.


Outra vez!  

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Benfica perdeu mal este jogo e ainda pior este campeonato. O Porto foi feliz, teve a sorte do seu lado e aproveitou-a bem. Se vira abrirem-se-lhe as portas do campeonato quando já o dera por perdido, hoje viu cair-lhe o golo do céu quando já tudo voltara a estar perdido.


O Porto chegou ao empate num desvio do Maxi para a própria baliza. Teve mais bola – bastante mais – mas as poucas ocasiões de golo pertenceram ao Benfica. O Porto criou uma, que culminou num remate à base do poste, mas o James estava fora de jogo, num dos poucos erros do Pedro Proença. O Artur não fez uma única defesa difícil, ao contrário de Helton, na outra baliza, que já perto do fim negou o golo ao Cardozo. E marcou o golo que tudo decidiu já nos descontos, sem deixar qualquer hipótese de recuperação, quando o Benfica controlava confortavelmente os últimos segundos do jogo, na sequência de um alívio que leva a bola até Liedson que, na primeira vez que lhe toca, a deixa ao alcance de Kelvin que, na segunda vez que lhe toca, faz um remate sensacional. Ambos, mas especialmente Liedson, acabados de entrar no jogo em resultado da fé de Vítor Pereira. Tem fé e acredita em milagres, que afinal há!


É muita sorte? Evidentemente que sim… Para além de tudo, eles também têm sorte!


Pelo contrário, o Benfica também tem azar. Mas a incompetência é bem maior... Não há azar que possa explicar a forma como estes dois campeonatos foram perdidos. Nem para explicar que falhe quando não pode falhar. Nem para explicar que festeje quando nada há para festejar...

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


No país em que as duas primeiras figuras do Estado são pensionistas, preferem receber a pensão - ou as pensões - de reforma em vez de salário,  onde a segunda figura do Estado se reformou aos 40 anos, há um governo que, nas palavras da insuspeita Manuela Ferreira Leite, persegue e é cruel com os reformados. Como uns reformados!


O governo que corta e tributa pensões de reforma como se não houvesse amanhã, que confisca pensões a quem para elas contribuiu durante uma vida, nem que para isso passe por cima da Constituição, é o mesmo governo que recusou a proposta do FMI para limitar as pensões altas – aquelas que bem se sabe de onde vêm e para onde vão - a um tecto de 5.030 euros mensais. Que pouparia qualquer coisa como 200 milhões de euros. Mas que, mais que isso, pouparia o governo à vergonha que, de todo, não tem!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...