quarta-feira, 30 de abril de 2014

DEOs nos livre

Por Eduardo Louro


 


Percebia-se, pelos sucessivos adiamentos até mais não poder, que o famigerado Documento de Estratégia Orçamental (DEO, herdeiro do não menos famigerado PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento) seria mais uma brincadeira. Mais faz de conta do mesmo!


Afinal, os impostos que não aumentavam, aumentam. Aumentam o IVA e a TSU. Lembram-se dela, há ano e meio atrás? Diz que é para repor 20% das pensões e dos salários perdidos dos funcionários públicos. E para converter em ordinária a extraordinária CES.


Afinal continuam mentirosos. E a fazer contas que não batem certo…


Afinal não aprenderam nada. E continuam a fazer de conta, a empurrar com a barriga sem tocar em nada que altere estruturalmente o que quer que seja. Não tocam em nada de estrutural no cálculo de pensões. Em nada que mude estruturalmente a função pública e o que é a sua remuneração. Como não mexeram ao logo de três anos em nada que mexesse estruturalmente com a economia. E com o Estado.


Afinal continuam a apresentar documentos atabalhoados, sem credibilidade política e técnica, cheios de papas e bolos para enganar tolos

Estrelas cadentes

Por Eduardo Louro


 


Quando (quase) toda agente contava com a marcação para Lisboa de mais um duelo entre Mourinho e Guardiola, acontecerá, antes, mais que uma final inédita, uma final entre duas equipas da mesma cidade. Um derbi. Isso mesmo, a Catedral da Luz será palco de mais importante derbi madrileno da história!


Ontem, a equipa de Guardiola foi goleada pela mesma equipa do Real Madrid, desfalcada de Ozil e Khedira, que há um ano, pela mão de Mourinho, era goleada pelo Dortmund. Hoje, em Londres, sucedeu quase o mesmo ao Chelsea, de Mourinho.


Que parecia estar a pedi-las. Depois de uma larga série de exibições verdadeiramente lastimáveis, com muitos autocarros à mistura, Mourinho apresentou uma equipa com seis defesas: dois laterais – Azpilicueta e Cole – e quatro defesas centrais – Terry, Cahill, Ivanovic e David Luís. Independentemente das posições onde foram colocados, são sempre seis defesas. Restavam-lhe apenas quatro jogadores para cumprir os restantes momentos do jogo que não se fiquem pela destruição. Não dava!


Não admira que o Atlético de Madrid tenha sido sempre claramente superior, e que ao Chelsea não tenha bastado a sorte de marcar primeiro. Aos 36 minutos da primeira parte, quando a equipa espanhola já era melhor e tinha até já enviado uma bola á trave (e ao poste).


E no entanto sabe-se que Mourinho tem os jogadores que quiser, basta pedir ao tio Abrahomovic que ele dá. E que até o melhor guarda-redes dos seus quadros estava a defender (e como defendeu) a baliza adversária!

A Europa quer e o DEO aparece...

Por Eduardo Louro


 


Afinal o DEO não levou o sumiço do avião da Malaysia Airlines, e vai ser apresentado hoje, ao fim da tarde. Pode não ter estado tão desaparecido como esse avião, mas tem pelo menos estado tão escondido quanto o fugitivo de S. João da Pesqueira. Vale que tinha data limite para aparecer - era hoje, e de hoje a Europa não deixava passar. 


Como tudo é tão transparente, com este governo... E previsível. Basta a Europa querer... 


 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Que banho!

Por Eduardo Louro


 


Começou com um enorme banho táctico o baile de gala que o Real Madrid montou esta noite em Munique.


O Bayern de Pepe Guardiola foi goleado, em casa, por 4-0, pelo Real de Ancelotti. Com dois golos de Cristiano Ronaldo, que atirou para bem longe o fantasma da lesão – que o brasileiro Dante, em lance de expulsão, bem fez por fazer regressar – e estabeleceu um novo recorde, agora em 16 golos, numa edição da Champions.


A pouco mais de meio da primeira parte já o Real ganhava por três, e perdera mais duas grandes oportunidades. A segunda parte foi passada à espera do quarto, esperando-se que, não havendo duas sem três, surgisse do aproveitamento da posição do guarda-redes Neuer, obrigado a jogar quase sempre fora da área. Mas não. O quarto acabaria por surgir perto do fim, por obra e graça do génio do melhor do mundo e melhor português em campo.


Não que os outros oito tivessem estado mal, se bem que Pedro Proença tenha sido igual a ele próprio: vaidoso, pretendendo ser o mais importante em campo. Só assim se percebe que tenha sido tão expedito a mostrar o amarelo que tirou o Xabi Alonso da final de Lisboa, quando deixou passar impunemente inúmeras entradas bem mais graves de diversos jogadores da equipa alemã. Já para não falar das quezílias que, quase sempre de cabeça perdida, provocavam.


PS: Não pretendi entrar em pormenores do jogo à procura de razões para a superioridade da equipa madrilista. E ainda bem que não o fiz, que me limitei a referir o banho táctico de Ancelotti a Guardiola - claramente pressionado, pelo que se percebeu - porque acabei de ouvir um dos comentadores residentes da TVI dizer que tudo se deve a Mourinho. Explicava ele que o Bayern joga como o Barcelona, que Mourinho sabia como contrariar. E que hoje os seus antigos jogadores se limitaram a pôr em prática os seus ensinamentos... E esta, hem!

Respect

Por Eduardo Louro


 


Não sei o que irá acontecer na próxima quinta-feira em Turim, onde o Benfica retribui a visita da passada quinta-feira da Juventus, num jogo com vista para a final da Liga Europa. Literalmente, porque é mesmo ali, em Turim, no Del Alpi, que se irá realizar. Mas sei que o que já está a acontecer …


A Juventus de Platini, la vechia signora, que em português se traduziria por puta sabida, com uma história tão salpicada de glória quanto de batota, queixou-se à UEFA de Platini de uma atitude de Enzo Perez no jogo de Lisboa. Não se queixou da provocação do Chielini, que induziu o argentino do Benfica àquela reacção. Nem da arbitragem do senhor que veio da Turquia para, às ordens do Sr Platini, começar, logo na Luz, a afastar o Benfica da final.


A UEFA de Platini, contra todas as rotinas, antecipando-se a tudo o que é a sua prática corrente, antecipando a reunião de avaliação da queixa e deixando apenas 24 horas para o Benfica apresentar a defesa, tudo está a fazer para dar provimento à queixa italiana, e impedir a utilização do fundamental Enzo Perez.


Não sei o que irá acontecer. Mas sei que Platini teve a lata e o descaramento de anunciar publicamente que gostava de ver a equipa italiana na final. Que, se o Benfica atingir e ganhar a final, Portugal garante o terceiro lugar no ranking europeu, justamente por troca com a Itália. Que Platini tem atrás de si, em impunidade total, um largo rasto de batota. Que nem sequer esconde que usa arbitrária e mafiosamente o poder. Que as cúpulas dirigentes do futebol europeu e mundial há muito trocaram a independência e a transparência pelos interesses obscuros, pelo negócio torpe e pela corrupção. Que Platini e Blatter, como antes Avelange, são tudo menos gente respeitável...


Gente que, atrás de campanhas de fair play, repect ou no to racism, conspira permanentemente contra todos os valores da verdade. Gente que come a bananamas que lança a casca para o chão...


 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ao que isto chegou...

Por Eduardo Louro


 Diário Económico


Há muito que se sabe que a estratégia de comunicação em curso passa pelo sucessivo anúncio de más notícias para depois, do seu desmentido, fazer boas notícias.


Mas… ao que isto chegou... Fazer disso notícia de primeira página ultrapassa todos os limites!

“You´ll never walk alone”

Por Eduardo Louro


 


Se o futebol é fantástico, o futebol inglês é ainda mais fantástico. O Liverpool vivia o sonho de, 24 anos depois, voltar a ser campeão. Tinha tudo a seu favor: jogava o melhor futebol da Premier League, gozava até de forma evidente dos favores da arbitragem e, a exemplo do Sporting por cá, e da Roma em Itália, ficara de fora das competições europeias, e por isso com bem menos desgaste que a principal concorrência.


Hoje recebia em Anfield Road o Chelsea, um dos principais concorrentes, que a inesperada derrota na última jornada, em casa com o último, o Sunderland, praticamente deixara sem hipótese… Que está no meio da meia-final da Champions, com o Atlético de Madrid e que por isso surgia bastante desfalcado. Bastaria ao Liverpool empatar, para se manter como favorito maior, com o título praticamente à mão!


Mas perdeu. Perdeu com o Chelsea do autocarro. Porque é assim mesmo: um autocarro é um autocarro, seja quem for que se meta lá dentro. É pena, mas é assim. Di Matteo começou a construir o terminal rodoviário – depois de ter visto que o Mourinho tirara a carta em Milão, com o Inter – a que Rafa Benitez deu seguimento. Mourinho, ao que se diz o melhor do mundo, limita-se a puxar dos galões que trouxe do Inter para, com toda a perícia, estacionar bem todos autocarros que lhe deixaram na garagem.


Porque o futebol é mesmo fantástico tudo começou com um erro enorme do já mítico Gerrard, lenda e capitão do Liverpool, que entregou a bola ao desengonçado Demba Ba, sozinho à frente da baliza. Foi o jogador que mais queria – e mais merecia – ser campeão que, no tempo de compensação da primeira parte, deitou tudo a perder. O golpe final, o segundo do Chelsea, aconteceu nos últimos instantes do jogo. Com os reds desesperadamente à procura do empate, é o ex-Chelsea Sturridge quem entrega a bola ao brasileiro Willian, que fica apenas com a companhia do espanhol e ex-Liverpool Fernando Torres e com todo o campo vazio à sua frente, até à baliza, onde chegam ambos sozinhos, lado a lado…


E assim, o City, que ganhou tranquilamente ao Crystal Palace, e tem larga vantagem no factor de desempate – diferença entre golos marcados e sofridos – não depende se não de si próprio para voltar, dois anos depois, a conquistar o título.


E aquela massa espectacular que nos deixa arrepiados a ouvir o “You´ll never walk alone” vai ter de esperar mais um ano. Passarão a ser 25 anos, mas nem por isso o entusiasmo arrefece naquelas bancadas!


 

domingo, 27 de abril de 2014

A importância da Taça da Liga

Por Eduardo Louro


Benfica vence no Dragão e está na final outra vez


 


Jogar com 10 nem é grande problema. A equipa do Benfica até já está habituada, mas… com 9? Não será pedir de mais?


Acho até que o Cardozo deveria fazer uma daquelas declarações públicas que se vêem – ou viam – por aí, sobre dívidas. Se havia gente a declarar publicamente que não se responsabilizava pelas dívidas que um determinado fulano, ou fulana, fizesse, também deve haver coisa idêntica para se declarar que um sicrano qualquer não deve nada ao declarante. Do tipo: eu, Óscar Tacuara Cardozo declaro por minha honra que o Jorge Jesus não me deve nada!


Também pode ser na Benfica TV, não interessa. O que importa é que o Jesus fique a saber, de uma vez por todas, que não deve nada ao Cardozo. Que já está tudo pago, pronto!


Quando vi equipa inicial não estranhei. O Steven Vitória, pronto ... era o que se costuma dar de avanço, nada dizer. E o Cardozo, estava-se mesmo a ver. Era certo e sabido que à primeira oportunidade, por mais esfarrapada que fosse, aquele senhor Marco Ferreira, que nunca vê nada de mal nas entradas do Fernando, Mangala, Herrera, Jackson… encontraria uma razão para expulsar um jogador da defesa, e ele estava ali justaamente para ser o substituído. Como na Luz, há pouco mais de uma semana…


Não foi assim. Só o árbitro fez a sua parte, expulsando o Steven Vitória; o Jesus preferiu jogar com nove, e com nove é mais difícil ganhar ao Porto. E como, infelizmente para o Porto, os narradores e comentadores da televisão não marcam golos, não havia muito a fazer. Ainda se esperou com grande expectativa pelo minuto 92, mas nada. Não passou nada!


E lá se foi para os penaltis, como no ano passado, em Braga. Só que desta vez foi ao contrário, e lá chega o Benfica à sua segunda final da época. Desta vez a Taça da Liga, que estava finalmente a ficar importante...

Vasco Graça Moura (1942-2014)

Por Eduardo Louro


 


 


Morreu Vasco Graça Moura, um intelectual de enormíssima dimensão e um dos maiores vultos da cultura portuguesa. Poeta, ensaísta e seguramente o maior tradutor/poeta que o país conheceu.


Na política, raramente estive ao seu lado. Pelo contrário, estava quase sempre no lado oposto. Fazia-me impressão que um intelectual da sua dimensão, dono de uma inteligência verdadeiramente superior, pudesse ter opções políticas como as que expressava, particularmente quando no centro estava Cavaco Silva. Nunca consegui perceber como é que uma personalidade tão cheia se podia perder por outra tão vazia…Mas nem por isso lhe neguei, por uma vez que fosse, o enorme respeito que sempre achei dever-lhe.


A doença ganhou, uma vez mais. E levou ainda cedo, aos 72 anos, um dos nossos melhores!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O 25 de Abril dos outros

Por Eduardo Louro


cravos de Abril


 


Ao contrário do que se fez nesta vossa casa - que limitou a sua mensagem a uma, que foram duas, imagens - muito se escreveu na  blogosfera sobre o 25 de Abril. 


O Aventar foi, pelo que vi, quem mais tratou do tema. Convidou muita gente para escrever sobre o 25 de Abril, e o resultado foi excelente. Não faltaram textos interessantes, e foi Cavaco o tema dominante. Dentro do tema, o Milagre que a Teresa descreveu, e donde até os cravos da fotografia roubei,  é o meu preferido. Curto - e por isso aqui fica -, mas delicioso:


E depois de helicóptero ter passado pela Praça do Comércio e largado os cravos Cavaco vê Maria afastar-se de regaço cheio.
- Que levais aí, mulher?
- É pão, senhor, é pão. 


Imperdível é também o grande desfile do Rui Rocha, no Delito de Opinião...

25 de Abril

Por Eduardo Louro


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Que jogo intenso!

Por Eduardo Louro


 garay e tevez


 


Na primeira metade da primeira parte só deu Benfica. Depois começou a emergir a Juventus, mostrando aqui e ali que é uma grande equipa, recheada de jogadores de categoria extra. E o árbitro, mostrando o que é uma arbitragem habilidosa, perfeitamente identificada com as práticas uefeiras.


A segunda parte confirmou isso mesmo, com o árbitro a deixar por marcar um penalti claro sobre o Enzo Perez, ali mesmo nas suas barbas. Poderia ter sido ali o 2-0!


Não foi, e a Juventus começou a procurar o empate, enquanto o Benfica defendia a magra mas preciosa e justíssima vantagem conquistada logo no arranque do jogo. A espaços o jogo partia-se, sempre em altíssima intensidade, que o Benfica começava a acusar.


Faltava muito pouco para o jogo entrar no seu último quarto de hora quando Tevez, com um autopasse feliz, fez o golo do empate por que a Juve aspirava. Por isso, por ter alcançado o seu desiderato, mas porque tendo pouco corpo tinha ainda muita alma, o Benfica voltou a tomar conta do jogo. E com um belíssimo golo de Lima chegou à vitória. Curta – e temos de voltar a lembrar o penalti por assinalar, mas também as oportunidades de golo desperdiçadas, incluindo a última, de Markovic, logo depois do golo de Lima – mas mesmo assim importante. Pelo que tem de simbólico – a Juve, como de resto o Benfica, não tinha perdido qualquer jogo na Liga Europa – mas também porque uma vantagem é sempre uma vantagem.


Para a história fica o resultado, mas também um grande jogo de futebol, de grande riqueza táctica. Uma grande primeira parte do Benfica, e a forma como conseguiu evitar faltas naquelas zonas que Pirlo transforma em golo.


Já agora não posso deixar de dizer que tive pena de ver a Luz assobiar o jogador de futebol  que mais admiro. Mas Pirlo pôs-se a jeito e fez tudo para o merecer!

Notícia...

Por Eduardo Louro


 


Ficamos hoje a saber pelo jornal i que o Bernardo, o menino brasileiro de 11 anos, do Rio Grande do Sul, que na semana passada foi encontrado morto numa valeta, vinha sendo vítima de maus tratos e negligência por parte do pai, situação iniciada com o suicídio da sua mãe, em 2010, e agravada depois de ter arranjado nova namorada. Que a criança se tinha deslocado, em Janeiro, ao Ministério Público e que se queixava de tentativa de homicídio. E que o juiz decidira que o pai deveria manter a guarda da criança.


Nada a que infelizmente não estejamos habituados, em Portugal, no Brasil, ou em tantos outros países, mesmo dito desenvolvidos… Que já quase nem seja notícia.


Notícia é que o pai seja médico. Notícia é que estas bestas do mal habitem espaços que não os da miséria e da indigência. Notícia é que a miséria humana não escolha classes e que o ar mais respeitável possa esconder o rosto do monstro mais repugnante!  

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Comparações

Por Eduardo Louro


 


Jogou-se um grande jogo de futebol esta noite, em Madrid, entre as únicas equipas que disputam as meias-finais que se mostraram dignas de entrar no Estádio da Luz, daqui a um mês.


Um jogo de fazer corar de vergonha José Mourinho, se isso fosse coisa que lhe assistisse… Porque compara com o de ontem, e a única coisa que compara foi ter sido também disputado em Madrid. Porque temos bem fresquinho o autocarro que Mourinho estacionou no Vicente Calderon … Porque nos lembramos como o Real Madrid foi enxovalhado pelo Dortmund e pelo Bayern nas duas últimas meias-finais… Porque nos lembramos como o Chelsea, de Di Mateo, ganhou a Champions, há dois anos… Porque nos lembramos como o Chelsea, de Benitez, ganhou a Liga Europa, no ano passado… E porque este Chelsea de Mourinho foi igualzinho, em Madrid!


Hoje, o Real Madrid foi superior ao Bayern, que não deixa de ser a melhor equipa de futebol da actualidade. E ganhou bem! Criou mais oportunidades de golo – em boa verdade o colosso alemão apenas criou duas oportunidades, já nos últimos dez minutos – e foram as suas individualidades que brilharam no Santiago Barnabéu. Hoje as estrelas foram Modric – que encheu o campo –, Di Maria e Coentrão. Não foram Robben, Ribéry,  Goetze, Muller, Lahm, Alaba ou Schweinsteiger‎…

Uma saída cheia de graça

Por Eduardo Louro


 


Há muito que se anda a falar da saída do programa de assistência. Teve uma data, ainda antes das eleições – e até e um relógio em “count down” –, mas surgiu já outra data, lá para o fim dos festejos dos santos populares. Paulo Portas, o relojoeiro, já veio dizer que o relógio está certo: se é a 17 de Maio que se perfazem os três anos, e se o programa era para três anos, não há dúvida nenhuma. Há uma, mas insignificante, diz ele: 17 de Maio é sábado, as portas podem estar fechadas, e a saída poderá ter que passar para segunda-feira!


Não deixa de ter graça… Mas como se poderia achar muita graça a isto, nada melhor que arranjar umas coisas com mais graça ainda.


A saída era limpa, à irlandesa, como também se dizia mas se deixou de dizer. Saída directa para os mercados, sem programa cautelar, que ninguém sabe o que é masque a gente, cá deste lado, começa a perceber o que seja. Não é nada de linhas de crédito à cautela, de almofada, que nisso os finlandeses nem querem ouvir falar. É apenas e só um programa que garanta a continuação da austeridade – nem mais, nem menos!


E é por isso que já entrou no discurso de Paulo Portas – é sempre ele que fica nos cornos do boi, vá lá saber-se porquê – uma outra coisa ainda com mais graça: a saída, seja lá como for, é sempre limpa. Só um segundo resgate – ideia agora recuperada pela negativa, para logo dizer que, dado por certo há poucos meses, está agora completamente fora de cenário – seria saída suja. Como se com um novo resgate houvesse sequer saída!


Uma saída cheia de graça, é o que é!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Que se lixem as eleições

Por Eduardo Louro


 


Diz-se por aí que a troika iniciou hoje aquela que é a 12ª e última avaliação ao programa chamado de ajustamento. Não parece que seja exactamente assim, nem sequer parece que a troika ainda resista. Só há FMI, só o Sr Subir Lall fala, avisa, ameaça, incomoda… Só o Sr Subir quer descer. Salários e pensões! 


Para o lado europeu da troika já tudo acabou, e em bem, como há muito se percebe. Já está tudo mais que avaliado, e foi um sucesso. O sucesso que tinha de ser!


O sucesso anunciado e de data marcada, de Portas. Que responde ao Sr FMI, dizendo-nos que tem de encontrar maneira de o convencer que os salários já ajustaram. Que já não há anda mais para ajustar… e que ele tem de perceber isso!


Que chatice. Só o FMI é que não tem nada a ver com eleições. Que se lixem as eleições só vale mesmo para o FMI!


 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A cartilha

Por Eduardo Louro


 


 


Não fosse um senhor com um nome esquisito – Subir Lall é um nome esquisito, mas que vamos fixando – e este seria um dia marcado pela ressaca de dois acontecimentos que fazem seguramente bem à economia nacional: a Páscoa, que animou sector hoteleiro, em particular o do Algarve, e a conquista do título nacional pelo Benfica, que animou tudo em todo o lado. Nem é preciso explicar porquê!


Mas lá tinha de voltar esse senhor, para estragar a festa. Fica-se com a ideia que não gosta da nossa economia, e muito menos que ela cresça. E se calhar também não é do Benfica!


O Sr Subir Lall, o actual rosto do FMI na troika, veio hoje explicar a sua obsessão com a legislação laboral. Tem – explica ele - que se flexibilizar ainda mais a legislação laboral porque há um grande problema com a falta de mobilidade dos trabalhadores portugueses. Estão, coitados, muito agarrados ao seu posto de trabalho. São quase escravos, sem liberdade para se despedir e partir para outra!


É verdade. É isto que preocupa o FMI, e o Senhor Subir. Ou o senhor Lol, perdão Lall!


É preciso que os despedimentos sejam ainda mais facilitados porque isso liberta os portugueses para procurar trabalho onde o houver… Também dá uma ajudinha ao combate ao desemprego, se bem que a grande ajuda seja mesmo não mexer no salário mínimo, conforme aproveitou para esclarecer!


Esta é a cartilha do FMI, e não vale a pena que a realidade diga o contrário. Nem que o Benfica ganhe o campeonato!


 


 

domingo, 20 de abril de 2014

Uma chama imensa

Por Eduardo Louro


 


 


Não foi fácil. Nada é fácil para o Benfica, tudo tem de ser muito conquistado e assim é que é bonito.


O Olhanense dificultou, como lhe competia. Se jogasse sempre assim não ocuparia certamente a última posição e não estaria a caminho da II Liga. Mas dá vontade de dizer que, se todos jogassem sempre como sempre jogam contra o Benfica, ninguém descia de divisão. Teriam que se inventar novos regulamentos!


Para ganhar o Benfica teve de puxar do seu às de trunfo: as transições rápidas. Duas, praticamente seguidas, deram os dois golos. Antes – e também depois, se bem que menos – oportunidades de golo criadas de todas as maneiras e feitios, mas golos … Nada. A bola não entrava!


Entrou daquelas duas vezes, ainda nos primórdios da segunda parte, se bem que o jogo tenha terminado pouco depois. Depois dos golos só havia cabeça para a festa, olhos para a bancada e ouvidos para o apito do árbitro. Quando se ouviu pela última vez foi a explosão da festa. Na Luz e no resto do mundo!


É o 33º, que inexplicavelmente fugia há dois anos consecutivos, e a felicidade imensa. Como a chama, essa chama que nos envaidece e engrandece!

sábado, 19 de abril de 2014

Formosa Reserva

Por Eduardo 


 


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Na linda Santa Luzia (Tavira), também já está reservado o espaço para a festa, em plena Ria Formosa.   


 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pela vossa saúde!

Por Eduardo Louro


 


Sorteiam-se carros – anda hoje à roda – para que cada contribuinte seja também um polícia. Tributam-nos, forte e feio, os vícios. Mesmo os mais pequenos, que nem vícios sejam. Beber um copo, dar uma passa…


Agora são os doces, o sal, a manteiga… Amanhã será a água. Depois o próprio ar que respiremos… Sempre pela nossa saúde…


Pela vossa saúde: deixem-nos em paz! 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Uma história de campeões

Por Eduardo Louro


 


 


O Benfica está na final da Taça de Portugal, como não podia deixar de ser. Com tanta naturalidade que até pareceria que o jogo não teve história. E no entanto teve. Teve história e muitas estórias. De tal forma que só campeões, como inequivocamente são estes jogadores do Benfica, o poderiam ganhar da forma como o ganharam!


O Benfica foi sempre superior ao Porto. Foi melhor no pouco tempo – 25 minutos – em que pôde jogar com tantos jogadores como o adversário, e continuou a ser melhor nos restantes 65 minutos em que jogou com menos um. Começa aqui a primeira das muitas estórias do jogo, com a incrível expulsão do Siqueira.


Incrível porque o Pedro Proença lhe mostra o primeiro amarelo quando nem falta cometeu. E o segundo claramente a pedido, já fora de tempo. Mas mais incrível ainda porque um jogador profissional desta dimensão não pode, em circunstância nenhuma e muito menos com este árbitro, cometer a falta que lhe valeu, dois minutos depois, o segundo amarelo e a consequente expulsão.


A partir daí o Benfica não perdeu apenas um jogador. Perdeu o único lateral que lhe restava, quando já tinha entrado sem o Luisão, sem o Fejsa, sem o Ruben Amorim… Foi por ali, por aquele espaço, que entrou o Varela para fazer o também incrível golo do Porto – que lhe dava então o conforto do empate, e ao Benfica o pesadelo de, com menos um, ter de marcar mais dois golos sem sofrer nenhum – na única oportunidade em todo o jogo.


De expulsões se fazem também outras estórias. A de Quaresma, que a pediu durante quase todo o jogo, sem que Pedro Proença estivesse para aí virado. De tal forma que, quando aos 88 minutos o árbitro lhe fez finalmente a vontade, se mostrou reconhecidamente agradecido. E as dos dois treinadores, uma singularidade…


O resto é uma história fantástica de uma fantástica equipa de futebol, feita de verdadeiros campeões. Porque só campeões não virariam a cara àquele jogo. Só campeões lutavam daquela maneira contra a adversidade e se superiorizavam tão claramente a um adversário que fazia deste o jogo da época. Entre os quais André Gomes, o herói improvável mas o grande herói desta história. Aquele golo não vale apenas o apuramento para a final do Jamor, é o momento mágico desta história!


 

Está montada a feira

Por Eduardo Louro


 


O governo escolheu o dia de ontem para montar uma grande feira eleitoral. Como aqui foi ontem dito, começou pela propaganda do défice para este ano, passou pelo lançamento das expectativas sobre a reunião do conselho de ministros, e do foguetório que se lhe seguiu, e acabou naquela conversa de família (os mais velhos sabem o que é isto) – ou de amigos, como aqui também lhe chamei – do primeiro-ministro, à noite.


Ouvi ontem à noite alguém – a insuspeita Helena Garrido – dizer que de Passos Coelho está com estratégia de marketing mais sofisticada. Que já não é a de bacalhau a pataco, mas de leve dois e pague um


É verdade. E não é menos enganadora, é apenas mais eficaz!


E isso é que importa. O resto é conversa... Conversa para deixar passar os elefantes todos que aí andam, cheios de pressa!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Direito à privacidade

Por Eduardo Louro


 


Não tenho por hábito ouvir as conversas entre dois amigos. Acho que é feio, que não se faz. Que toda a gente tem direito à privacidade!


Não sei o que me deu, só sei que hoje, ao início da noite, dei por mim a ouvir com toda a atenção uma conversa entre dois amigos. Fiquei envergonhado e, claro, logo que me dei conta saí dali para fora, a resmungar, incapaz de me perdoar. Francamente... Para o que havia de me ter dado… Deve ser da idade!


 

Um montanha de parir ratos

Por Eduardo Louro


 


Foi criada e alimentada uma grande expectativa à volta do Conselho de Ministros de hoje. Os jornais anunciavam coisas mirabolantes, até que a meta para o défice deste ano iria ser reduzida para metade. Quer dizer, vejam lá como está tudo a correr tão bem que até o défice vai ser menos de metade dos 4% a que estávamos obrigados para este ano!


Já estamos habituados. Como já estamos habituados a estas conferências de imprensa que não dizem nada, em que nada fica claro e em que tudo é vago e nada é dito com o mínimo rigor. Mais um rato parido pela montanha!


O ministro Marques Guedes abriu com estrondo: "não vai haver aumentos de impostos"!


Ora aí está. A grande notícia é que não há mais aumentos de impostos... Era só o que faltava... Só faltava mesmo que achassem que ainda poderiam continuar a aumentar os impostos sobre o pagode!


Depois veio a ministra Albuquerque anunciar que algumas medidas de carácter extraordinário vão ser mantidas, mas “as medidas duradouras não se traduzem em sacrifícios adicionais para os contribuintes".  E por fim a notícia era um corte na despesa de 1.400 milhões de euros: 180 milhões na função pública, que acabou por confirmar incluir rescisões; 320 milhões com a redução de custos em consultorias, coisa que como se  sabe é simpática; 170 milhões no sector empresarial do Estado; e por fim os restantes 730 milhões em cortes na orgânica e funcionamento dos ministérios, sem que tenha levantado qualquer pontinha do véu. Sem avançar com uma única medida, sem um único exemplo... Nada, coisa nenhuma...


Só não é estranho porque nos lembramos do Guião do Paulo Portas. Que é a mesma coisa nenhuma. E se é assim naquela que é a maior fatia e a rubrica que o governo melhor domina, que - a par da dos cortes em consultores - depende só e apenas de si próprio, que é até a mais popular sem, portanto, nada a esconder... 


Se o governo fosse uma montanha era mesmo uma daquelas que só parem ratos. E não é porque, depois de tanto parir, já pare sem dor. Não, é que é mesmo assim: afinal isto são apenas as linhas gerais para a conclusão da décima primeira avaliação da troika. Que estava pendente, à espera disto, de mais um exercício de faz de conta!


 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Guião para o faz de conta (II)

Por Eduardo Louro


 


Mas é aquela coisa mal amanhada, que Portas ficou de apresentar até Fevereiro do ano passado, e que apresentou em Outubro passado chamando-lhe Guião para Reforma do Estado, que hoje andou a discutir com o partidos da oposição?


E é essa mesma coisa que Portas quer agora fechar nos próximos dias?


Ai é? Então isto está tudo mais maluco do que se podia imaginar...

Maldição

Por Eduardo Louro



 


Rezam as crónicas que o Benfica foi superior ao Barcelona (não vi o jogo), mas afinal a maldição de Bella Guttman também vale para os júniores... Caramba, nem mesmo com a estátua em plena Catedral!

domingo, 13 de abril de 2014

A festa é na Luz, exactamente onde deve ser...

Por Eduardo Louro


 


 


Da Luz não passa. Já brilha o fundo do túnel…


No jogo de hoje, em Aveiro – para onde o Arouca deslocou o jogo que lhe cabia em casa com o Benfica para realizar, num único jogo que é também um jogo único, uma receita superior a meio milhão de euros, um terço do orçamento da época –, o Benfica fez o que lhe competia: ganhou o jogo. Com brilho, com o brilho habitual, mais uma vez ofuscado por uma lesão.


Desta vez foi Oblak. Que não foi vítima de um choque, como por aí ouvi dizer. Foi vítima de uma entrada brutal e despropositada que passou impune!


Agora vamos lá à festa. Na Luz, que é onde deve ser. Sem pressas, tranquilamente, porque se não for na Páscoa será logo depois...


 

Danados para a brincadeira

Por Eduardo Louro


 


Afinal a troika diz que só irá embora a 29 de Junho. Percebe-se – foliões como são, tudo rapaziada danada para a brincadeira, querem aproveitar bem os santos populares, e só vão embora no fim, quando tudo acabar lá pelo S. Pedro…


O Paulo Portas, mesmo que também dado à brincadeira, é que não está a achar graça nenhuma: isto de lhe dar a volta aos fusos horários não é partida que se faça. Já não lhe bastava ficar com o relógio baralhado como ainda lhe dão cabo do 1640… É que assim já vai passar para 1641!


E por falar em Portas: afinal aquela estória do corte permanente das pensões, daquele Secretário de Estado que só queria ser fonte do Ministério das Finanças, sempre é mesmo assim. O costume, como toda a gente sabia!


 

sábado, 12 de abril de 2014

Arranque em força ou falsa partida?

Por Eduardo Louro


 


 


Decorreu ontem na Gulbenkian, com a participação do ainda presidente Cavaco Silva, de todo o governo e de seis comissários europeus, o comício de lançamento oficial da campanha de Durão Barroso às presidenciais. Na imagem, o momento simbólico da passagem de testemunho, justamente quando Cavaco, depois do elogio ao candidato, lhe cede o seu lugar.


Bem pode ter sido um arranque em força. Mas bem pode também ter sido uma falsa partida... Bonito é que não foi, foi assim bem mais para o vergonhoso!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A (falta de) habilidade para desinformar

Por Eduardo Louro


 


A estratégia de manipulação e desinformação deste governo, e desta maioria que o sustenta, tornou-se verdadeiramente intolerável. Agora é Aguiar Branco, o ministro da defesa, a propósito e no aproveitamento de mais umas aberrantes declarações da senhora que ocupa o segundo lugar na hierarquia do Estado.


Dizendo que não comenta "em concreto as declarações da presidente da Assembleia da República", não hesitou em manipular a realidade para criar um novo facto, inventando uma ameaça dos militares de Abril à Assembleia da República. Foi isso que fez, dizendo que "não é aceitável" fazer "ameaças" à Assembleia da República!


Na realidade as coisas são bem mais simples. A inconseguida senhora convidou os militares de Abril para a sessão oficial no Parlamento. Há já dois anos que, por entenderem que o poder instituído comemora o dia 25 de Abril sem que minimamente o respeite, decidiram deixar de participar na face oficial (e cinzenta, acrescento eu) das comemorações. Entenderam agora, e por isso, que não havia razão nenhuma, antes pelo contrário, para alterar essa posição. Que não havia qualquer justificação para retomarem o papel decorativo nestas comemorações oficiais. Coisa diferente, entenderam, seria se pudessem expressar-se, circunstância em que deixariam de ser mera peça decorativa.


Foi isso, e só isso, que disseram em resposta ao convite da senhora que ocupa o segundo lugar na hierarquia do Estado Português. Esta cada vez mais bizarra figura fez o convite mas não deu resposta à resposta que lhe foi dada. Entretanto os grupos parlamentares do PSD e CDS opuseram-se a qualquer intervenção dos militares na sessão oficial, e depois disso ser público, a senhora que nunca deu resposta à resposta ao convite que fizera diz, em registo barata tonta, que o problema é deles.


Na realidade o ministro Aguar Branco quis branquear o veto do PSD e do CDS e mais um disparate, de absoluta falta de sentido de Estado, da senhora presidente da AR. Como não tem escrúpulos, não se preocupou nada que tivesse sujado ainda mais!

Baratatontices

Por Eduardo Louro


 


Inconseguiram falarProblema deles…


 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Nas meias... Mais uma vez!

Por Eduardo Louro


 


 


O Benfica está de novo, e como se esperava, nas meias-finais da Liga Europa. Jogando suficientemente bem para ir ultrapassando os seus adversários com facilidade, gerindo a utilização dos jogadores e gerindo os jogos, e em especial o desgaste físico e mental durante os jogos.


O que infelizmente não é possível gerir é o infortúnio das lesões. No último jogo na Holanda o Benfica perdeu Ruben Amorim, numa lesão preocupante mas felizmente menos grave do que na altura se chegou a esperar. Hoje foi o Sílvio, outro jogador para quem a sorte é madrasta… O azar foi tanto que fracturou a perna a pontapear o joelho de um colega, Luisão. E vai ficar de fora do Mundial, ele que pelas mesmas razões já ficara de fora do último europeu. Ele que é a par de Cristiano Ronaldo – também em risco, ao que se diz – o mais indiscutível dos convocáveis para o Brasil!


A tristeza por Sílvio sobrepôs-se à alegria da vitória e da passagem às meias. Mas há sempre espaço para a esperança, como o Sálvio hoje confirmou. No dia da grave lesão do Sílvio, nada melhor que a primeira grande exibição do argentino, também ele regressado da grave lesão do início da época, que o afastara por seis meses. Digam isso ao Sílvio...


E pronto. Agora que venha a Juve. Ou o Sevilha… Ou o Valência, para quem dava preferência ao Basileia... Tanto faz! 


 

E se houvesse um pouco de decência?

Por Eduardo Louro


 


E se houvesse um pouco de decência? Só um bocadinho… Ó senhores, vá lá!

Quadratura do círculo

Por Eduardo Louro


 


A Quadratura do Círculo, que andava a ser fintada pelo futebol e empurrada para as duas da manhã, baixou linhas e passou a jogar em antecipação. Da quinta passou para a quarta, reocupando o seu lugar no horário normal…


E assim lá pudemos ontem voltar a ver uma das melhores interpretações na defesa do governo. No segmento de mercado que a Quadratura ocupa, como é óbvio. Começa a não haver palavras para o esforço – inglório, creio – do António Lobo Xavier. Quando não começa por dizer não para concluir a dizer sim, é porque começa por dizer sim para concluir a dizer não


Notável, sem dúvida. Ele é a própria quadratura do círculo!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Não falam, e não se fala mais nisso…

Por Eduardo Louro


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A presidente da Assembleia da República convidou os militares para a sessão comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril, no Parlamento. Os militares de Abril aceitaram o convite na condição de não serem uma mera jarra decorativa, mesmo que cheia de cravos, para dar um ar pitoresco à festa. Sim, mas com direito à palavra… A intervir … A dizer das suas, sem mordaças… Porque dessas trataram eles há 40 anos atrás!


Mas democracia é democracia, mesmo com mordaça. E nesta democracia logo a maioria do PSD e do CDS tratou de explicar que… era só o que faltava. Então mas nós, democratas da mais alta estirpe, voz do povo porque o povo assim quis, somos lá gente para estar aqui a ouvir desaforo?


Não falam, e não se fala mais nisso… Se querem vir que venham, mas caladinhos. Se não, mandamos evacuar as galerias e vai tudo corrido a bastão e pontapé!

Ler os outros ...

Por Eduardo Louro


 


Vale a pena ler o que o Tiago Martins escreveu no Bola na Rede. Mesmo que não seja benfiquista... é um hino à paixão. E à vida, que sem paixão não o é!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Directamente para o cesto dos papéis

Por Eduardo Louro


 


O Bloco de Esquerda apresentou no Parlamento uma proposta com vista a estabelecer um regime de exclusividade para os deputados. Quem for, e enquanto for, deputado terá de ser apenas deputado. Não poderá ser deputado e ao mesmo tempo advogado, consultor, administrador, empresário, ou banqueiro…


Parece-me que faz sentido. Que eventualmente passarão também por aí algumas das reformas indispensáveis à sobrevivência do regime, ferido de falta de transparência e credibilidade. Mas desconfio bem que vá parar ao cesto dos papéis, directamente atirada pelo arco dos interesses que é dono do regime...


Provavelmente com o velho argumento que isso afastará os melhores do Parlamento!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Venham as faixas. Reserve-se o Marquês...

Por Eduardo Louro


 Benfica-Rio Ave, 4-0 (crónica)


 


Por mim, acabaram-se as dúvidas. Com matemática ou sem matemática… o título já não foge!


Tive esta certeza quando hoje o Benfica fez o terceiro golo.


Não que esse golo tenha sido decisivo para um jogo que era dado por decisivo. Foi apenas o terceiro dos quatro com que ganhou este jogo ao Rio Ave, que era a ficha em que muita gente apostava. Era a equipa dos jogos fora, com registos até superiores aos dos grandes. Até com menos golos sofridos fora que o próprio Benfica…


Não porque tenha sido um golo fantástico, ou resultado de uma jogada brilhante. Isso tinha acontecido no primeiro, do Rodrigo – mais uma grande exibição – e fantástico fora o segundo, do extraordinário Gaitan, um fora de série em grande forma.


Foi simplesmente um golo de penalti. Um penalti cometido sobre o Maxi, no seguimento de mais uma grande jogada de futebol. Não porque tenha sido o golo de Cardozo, que há cinco meses lhe fugia...


Apenas e tão só pela forma como foi comemorado. Pelo Cardozo e pela equipa toda, incluindo suplentes. Um grupo que festeja assim um golo destes só pode ser campeão!


Podem pois encomendar-se as faixas, ou reservar o Marquês. Uma equipa que joga como hoje jogou, sem dar a mínima chance ao adversário, com uma qualidade só ao alcance das grandes equipas de futebol e com um mágico como Gaitan (com a criatividade habitual da imprensa desportiva já estou a ver os títulos de amanhã: “Eu show Nico”!) tem que ser campeã.


Mas isso já tinha que ser no ano passado. E no anterior… E só não foi porque lhe faltou aquilo que este golo mostrou!


A festa à volta de Cardozo – porque é o Cardozo, com tudo o que nesta época é e representa, e porque era, vinha sendo, o corpo estranho dentro da equipa que aqui tanta vez referi – mostra o espírito de grupo e a união de que se fazem os campeões. Um espírito a que Jorge Jesus, surpreendentemente na sua quinta – e eventualmente última – época no Benfica, conseguiu dar corpo. De repente, vindo não se sabe de onde, nasceu um novo Jesus que já não é o centro do mundo. Bastou-lhe isso, esse pequeno pormenor de passar a reconhecer o mérito dos jogadores, para acrescentar dinâmica relacional e qualidade mental à sua enorme capacidade de criar qualidade de jogo! 

Gente Extraordinária XLIV

Por Eduardo Louro


 


Foi ministro das finanças de Cavaco, onde deixou obra. Pena que a marca da passagem de tão iminente figura pela mais mítica pasta da governação em Portugal se tenha ficado pela retrete. Por uma retrete!


É figura proeminente do centrão dos privilégios, não havendo conselho que lhe escape. De administração ou geral, tanto faz. Muitos, têm é de ser muitos e bem pagos!


As reformas têm que ser cortadas, porque o país não as suporta. E a demografia, é uma chatice... As suas, é que não. Uma miséria dez mil de euros por mês, do Banco de Portugal, pois claro, e da sua actividade política... Não fossem os mais de 35 mil euros que os chineses da EDP lhe dão todos os meses, e estaria muito preocupado, como ainda há dias se queixava. Agora, em entrevista à TSF, a propósito dos 3 anos da assinatura do memorando, diz que não teve nada a ver com aquilo. "Que só esteve numa reunião com a "troika", antes de ser assinado o memorando e que gostava de ter tido mais, mas o programa foi o possível e estava em linha com as ideias fundamentais do PSD". Como se ninguém se lembrasse de nada. Como se a gente se pudesse esquecer...


Já disse tudo e o seu contrário. É costume dizer-se que é preciso lata... E lata, ao contrário de vergonha, é coisa que não falta a esta gente extraordinária. De que Eduardo Catroga é expoente máximo!

Requiem pelos Vivos

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


O “Requiem pelos Vivos” de Johannes Brahms, ou “Requiem Alemão op. 45”, foi o concerto escolhido para abertura da 10ª Edição do Festival “Terras Sem Sombra”, com o maestro Giovanni Andreoli, que dirigiu o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos. O Festival teve início no passado dia 29, em Almodôvar e vai decorrer até dia 5 de Julho, em mais seis localidades do Alentejo, sob a direcção artística de Paolo Pinamonti, que se despede de 40 anos de carreira nos palcos de todo o mundo. 


Passando dos factos às ideias, e à associação destas, destaco esta obra musical que, entre nós, não tem a divulgação do Requiem de Verdi ou do Requiem de Mozart, mas, para mim, tem a expressão artística do moribundo contexto político e social que nos foi deixado pela mediocridade dos sucessivos governos ao longo destes 40 anos de democracia.


Brahms, como protestante que era, direciona o seu Requiem aos vivos, pelo que podemos dedicá-lo à decadência dos vivos que perdem o emprego e o pão, que trocam a esperança pelo desespero, o sorriso pela tristeza, a paz pela violência, o lar pela rua. Os indicadores da desagregação social têm a interpretação mais diversa em função do espírito do intérprete. Paulo Portas, que antes do famoso “irrevogável” era crítico de algumas medidas de austeridade, agora, com o penacho de vice-primeiro ministro, passou a militante optimista, para o qual os indicadores de crise são promissores relativamente ao futuro, mascarando, com patética convicção, tudo o que seja indicador recessivo. Para Passos Coelho o país está melhor, naturalmente porque se aproximam eleições. Dados do INE e relatórios comunitários indicam que em 2012 o risco pobreza atingiu quase 2 milhões de pessoas (18.7 % da população), e cerca de 1.1 milhões estarão em pobreza severa. Mais de metade dos jovens até aos 30 anos não consegue ser independente. O número de pessoas a viver nas ruas terá duplicado ou triplicado nos últimos dois anos, segundo a percepção da União das Misericórdias Portuguesas. Portugal é o terceiro país da Europa onde o suicídio mais cresceu nos últimos 15 anos, mais de cinco pessoas por dia (relatório europeu).


O Requiem pelos Vivos, também chamado de Requiem Alemão, pode ainda ser uma alegoria à centralidade politica e económica da Alemanha, onde Passos Coelho passou a ir a despacho, para validar orientações e estratégias, trocando Bruxelas por Berlim. A Alemanha, isolada na liderança europeia, sem a parceria franco-alemã do tempo de Sarkozy, e que teve más experiências expansionistas nas guerras de 1914-1918 e 1939-1945, tem agora a oportunidade, pela via diplomática e económica, sem recorrer a baionetas, balas ou câmaras de gás, de impor a sua tutela, começando pelos desgovernados e marginalizados do poder decisório. Nesta guerra não há sangue e os Tribunais Internacionais não julgam estes crimes. As pessoas desistem de si, emigram, excluem-se, suicidam-se e as estatísticas não as registam com rigor, apenas tem a percepção da sua existência. 


O Requiem pelos Vivos é o Requiem pelos que morrem lentamente. Que morrem de si mesmo!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...