quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Operação Pretoriano

            Caricato: Madureira convidado para dissertar sobre valores no desporto |  RelvadoFernando Madureira promete a Pinto da Costa: «Para chegar até si terão de  nos matar a todos» - FC Porto - Jornal Record


Parece que "o macaco" foi preso, e os carros que ostentava apreendidos, tal como milhares de euros, droga, bilhetes - os famosos bilhetes - e umas armas. 


A operação tem nome - "pretoriano". Não está mal escolhido, numa alusão à guarda pretoriana de Pinto da Costa. Mas é pouco imaginativo, como decorre dos incidentes naquela igualmente famosa Assembleia Geral Extraordinária do Futebol Clube do Porto, bem se podia chamar-se "Al Capone".


O célebre mafioso americano só foi preso por evasão fiscal. Este Al Capone à moda do Porto nem por isso nunca seria detido. Acabou por ser por "violência doméstica".

Há 10 anos

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Aqui há muito tempo insurgi-me - e por isso recupero o título - com a prática de uma espécie de jogo que as televisões promoviam, e promovem. Jogos de sorte e azar, de apostas, de forma mais ou menos encapotada, mas também consultas de opinião. Tanto sorteiam bilhetes para este ou aquele espectáculo, camisolas, sei lá… como se limitam a pedir... uma opinião. Sempre com uma chamada de valor acrescentado por trás!


Questionava então a legalidade de tal coisa, certo no entanto da sua ilegitimidade, e não imaginaria o salto qualitativo que o negócio, que se está nas tintas para a legitimidade, já preparava. Pôr dinheiro em cima da mesa foi o passo seguinte das televisões!


Mas o pior nem foi isso. Nem sequer passar a usar as respectivas cabeças de cartaz na promoção do negócio. O pior mesmo foi passar a usá-las na pressão, na intolerável pressão, sobre o telespectador!


As três televsões generalistas - sim, a estação pública também lá está - passam perto de sete horas por dia, sete dias por semana, através das suas principais estrelas, e ídolos do grande público, a pressionar os telespectadores a ligarem para o 760 não sei quantos, a garantir-lhes, olhos bem nos olhos, que é a sua vez, que ali têm à mão os mundos e fundos que lhes irão permitir tudo o que sempre ambicionaram. É tão simples: é só ligar!  


É assim todos os dias, a todo o momento, entre as 10 da manhã e o fim da tarde. Durante a semana, e ao sábado, e ao domingo... Em estúdio ou nas praças das vilas e cidades do país, para onde as três vão, no Inverno passar o fim de semana e, no Verão, as férias. Pelo que presumo seja o target das audiências daquelas estações, naqueles horários, nãos será difícil perceber o sucesso do negócio. Naquele target só poucos, muito poucos, terão condições para resistir ao longo de horas a fio à pressão, olhos nos olhos, dos seus ídolos. Dos seus Gouchas, das suas Cristinas, das suas Júlias, ou das suas Sónias... Muitas vezes, quase sempre, com a cumplicidade dos seus interessantes convidados...


Aqui já não é apenas a legitimidade que está em causa. Nem sequer a ilegalidade: se não é ilegal, deverá ser; terá que passar a ser. Isto é simplesmente inaceitável!


Porque é um jogo de dinheiro. Porque recorre a publicidade ilegal - aquele tipo de comunicação, quando ganha a forma de publicidade, não pode ser legal. Porque é concorrência desleal com as entidades que exploram legalmente esses jogos. Mas, acima de tudo, porque assenta numa relação desigual. De um lado, a vender, está uma entidade poderosíssima, lançando mão a tudo, incluindo ao abuso de confiança, e do outro, consumidores indefesos, entregues às suas companhias de todos os dias. E com o telefone ali tão à mão...

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Uma coisa e a outra - parte II

Presidente da República recebeu Luís Montenegro


"É ou não a favor da marcação de eleições na Madeira"? - pergunta Anselmo Crespo a Luís Montenegro.


Resposta: "Acho que deve ser empossado um novo governo regional e, no dia 24 de Fevereiro, o Senhor Presidente da República avaliará a situação política na Madeira, e decidirá se marca ou não eleições."


Pois... Já se tinha percebido. Isso é o que PSD (Madeira e nacional) anda a dizer há dois ou três dias. Como não se percebe o interesse num novo governo para governar três semanas. Nem se percebe o que possa fazer um governo novo em três semanas, apenas sobra a ideia de "entalar" o Presidente da República. 


O resto é conversa treta - "uma coisa não tem a ver com a outra"!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Estou a ficar preocupado com os entraves que começam a ser levantados à transformação do antigo Cinema Londres em loja de chineses. Não é por nada, é que não me parece boa medida afrontar os coitados dos chineses, que compraram aquele espaço convencidíssimos de que eles é que mandam nisto, e que ninguém impediria a alteração da respectiva licença de utilização…


Não vão gostar… É certo que já não temos mais EDP´s nem REN´s para lhes vender mas ainda temos muitos vistos gold para lhes entregar. E não é com vinagre que se apanham moscas!


Quero crer que o governo está atento, e que tudo vai fazer para resolver isto...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Duas caras com as mesmas caras

Arthur Cabral deixa Reboleira 'a ver Estrelas' e Benfica recupera sorriso


Para a curta deslocação à Amadora Roger Schmidt repetiu as suas habituais opções na equipa. Repetiu de tal forma que até voltou a mudar na posição 9 entregando, desta vez, a titularidade a Arthur Cabral. E, com a mesma cara, o Benfica voltou a ser igual ao dos últimos jogos, alternando entre momentos depressivos e outros próximos da perfeição.


Na primeira meia hora andou sempre mais perto do seu registo exibicional mais negativo que doutra coisa. Baixa agressividade, baixa velocidade, e baixo ritmo. E, com tanta coisa em baixo, era difícil que o Estrela não fosse bem sucedido na sua estratégia, muito semelhante à da maioria das equipas que defrontam o Benfica, bem conhecedoras daquele modelo de jogo. A equipa da Amadora mostrou que estava preparada para explorar as dificuldades do Benfica em ataque continuado, mas também para contrariar o seu lado mais forte - as transições ofensivas. Defendeu em "bloco baixo", e quando subiu conseguiu fazê-lo sem deixar muito espaço nas costas mas, especialmente, a pressionar com grande agressividade quer o portador da bola quer os espaços.


Sem velocidade, e sem grande inspiração, os jogadores do Benfica não conseguiam romper a "teia" que os da Amadora iam, cada vez mais confortavelmente, tecendo. Não se pode dizer que o golo do Estrela fosse, naquela altura, à beira da meia hora de jogo, a coisa mais esperada deste mundo. Mas pode dizer-se que se adivinhava com alguma facilidade.


Nem isso despertou o Benfica, que continuou refém das opções mais discutíveis (e discutidas) de Schmidt, seja na ala esquerda, seja no meio campo. E o jogo encaminhava-se para o intervalo, a prometer mais uma noite de sofrimento. Valeu a qualidade dos jogadores, e uns momentos de inspiração para dar a volta ao resultado é à história que o jogo estava a escrever. 


Em dois minutos - o último antes dos 45, e o primeiro dos da compensação - Di Maria, Cabral e Rafa soltaram o génio e resolveram. Primeiro com uma espectacular "bicicleta" de Cabral a concluir um passe de génio de Di Maria. Depois, com Rafa, num remate de grande execução, a responder ao passe do brasileiro, novamente descoberto pelo rasgo do argentino.


O resultado ao intervalo, ainda assim justificado pelas oportunidades de cada equipa - o Estrela dispusera de duas e o Benfica de, pelo menos, quatro - não ajudou apenas a serenar o Benfica. Ajudou a galvanizar a equipa.


Ao intervalo Schmidt fez apenas uma substituição. E porque a ela foi obrigado pela lesão de Kokçu - a agressividade do Estrela foi muitas vezes muito mais do que isso, foi mesmo, e continuou a ser, dar no osso sem dó nem piedade - com a entrada de Florentino. Fez-se sentir: Kokçu não faz o mesmo, nem nada que se pareça. É um desperdício naquela zona do terreno, mas o treinador é que sabe.


Por força dessa alteração, ou não (custa a crer!), o Benfica passou para a segunda parte como da noite se passa para o dia. E, então sim, passou para uma exibição que passou por momentos de grande brilhantismo, ficando a dever ao marcador uma boa mão cheia de golos. 


Otamendi, em recarga a um remate ao poste de Cabral, fez o terceiro ainda dentro dos primeiros dez minutos, e o Benfica dominou por completo o jogo. Antes, mas também depois, de mais umas quantas oportunidades de golo. E o quarto, novamente de Marcos Leonardo, um quarto de hora depois de ter entrado, acabaria apenas por aparecer já no período de compensação. 


Não acabam aqui - na exibição da segunda parte e no golo que deu a mínima expressão ao reultado - as boas notícias desta noite. Houve mais: o regresso de Bah, a juntar ao de Neres (entraram ambos com Marcos Leonardo), e a estreia de Rollheiser, mesmo que apenas por cinco minutos. Má notícia é que Álvaro Fernández nem sequer tenha saído do banco.


O Estrela jogou os últimos vinte minutos com menos um jogador, o que terá sido o seu maior sucesso. Com tanto "pau que deu", chegar ao fim com apenas um jogador expulso bem podia ser uma das principais notícias do jogo.


 


 

Há 10 anos

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Já passaram dois dias e do Benfica ninguém desmentiu a venda dos direitos desportivos e económicos de André Gomes. Mesmo que, tanto quanto neste momento se sabe, a operação ainda não tenha sido comunicada à CMVM – nem esta entidade, ao contrário do habitual, tenha exigido qualquer esclarecimento – sou levado a dá-la por facto.


Não faço a mínima ideia se a venda do passe de André Gomes pelos propalados 15 milhões de euros, é bom ou mau negócio. Trata-se de um jovem que, apesar de deixar a ideia que é avesso a altas intensidades, já demonstrou com clareza que poderá vir a ser um jogador de primeira água, em que o Benfica, através deste seu treinador, pareceu apostar menos do que se justificaria. Logo, tanto poderá dizer-se que ainda não justificou tão elevado montante, como que tem potencial para a curto prazo valer mais do dobro. Não se pode por isso pôr em causa o valor da venda; apenas a sua oportunidade.


Mas nem mesmo isso é, do meu ponto de vista, o que mais importa. E assim sendo não é sequer a venda de André Gomes o que de mais importante tem a venda de André Gomes. O que de mais importante há para concluir desta operação é que o Benfica está sem estratégia, a navegar à vista e com muito pouca clareza, coisa de que há muito se desconfiava.


O presidente Luís Filipe Vieira começou a época, há apenas 5 meses, com aposta estratégica na Liga dos Campeões, razão pela qual recusou qualquer venda. O Benfica não estava obrigado a vender, e em ano de final na Luz justificava-se apostar tudo. Quatro meses depois, porque afastado desse sonho, o Benfica já era obrigado a vender. E por qualquer preço, como se começou a perceber… E sem nexo causal, as necessidades de encaixe já satisfeitas (40 milhões) não têm nada a ver com o prejuízo financeiro (10 milhões, no máximo) da saída da chamada liga milionária…


E muda de estratégia, que passa da aposta na Champions para a aposta no Seixal, na formação, o que, como se percebeu, abriu uma zona de conflito com o treinador. Para de imediato vender justamente o produto em curso em mais adiantado estado de acabamento.    


Estratégia é, por definição, um caminho claro e longo. Mudar de caminho ao sabor do que quer que seja pode ser muita coisa. Estratégia é que não!


Tudo isto é errático. E nada claro. O André Gomes não foi vendido a um clube, como é normal. Foi vendido a um empresário, coisa que LFV sempre disse não admitir no Benfica. Jorge Mendes irá agora cedê-lo a quem e nas condições que entender. Poderá até colocá-lo no Porto, que até acabou de deixar partir o Lucho Gonzalez…

sábado, 27 de janeiro de 2024

Há 10 anos

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Vejo a notícia da morte de Soares Carneiro e lembro-me das candidaturas presidenciais, das actuais e das do passado. Lembro-me das traquinices de Marcelo e da redundância de Durão Barroso. E da obstinação aventureirística de Soares. E até do aventureirismo incompetente de Nobre, que ameaça regressar.


Especialmente entre os mais novos, pouca gente saberá quem foi o general Soares Carneiro. Foi o candidato às presidenciais de 1980, que Sá Carneiro escolheu para lançar contra Eanes, e que já na altura também ninguém conhecia. Foi o candidato da direita que fez Eanes passar a ser o da esquerda. Que fez de Eanes o presidente eleito pela direita e reeleito pela esquerda, nas eleições que ficaram para sempre marcadas pelas mortes, nas vésperas, de Sá Carneiro e Amaro da Costa. Nas presidenciais que, a par das seguintes, com Mário Soares e Freitas do Amaral, seriam as mais radicalizadas e disputadas da história da democracia portuguesa… 


Foi a encarnação do sonho de uma maioria, um governo, um presidente. A ambição de Sá Carneiro que Sócrates, muitos anos depois, tornaria possível...

Há 10 anos

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Não é morte de ninguém. É apenas a morte de uma marca!


A TMN vai-se embora e não vai dizer até já. Desaparece como o fumo, e como fumo mistura-se no MEO. Desaparece uma marca com história, e com muitas histórias. Umas boas, outras más…


Nada muda, tudo fica na mesma. O marketing é isso mesmo!


 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Uma coisa e a outra

Uma das maiores operações logísticas de sempre da PJ (que envolveu até a  Força Aérea): 270 inspetores e peritos na Madeira | Novo Dia | TVI Player


A situação política na Madeira não tem nada a ver com a do país. Já percebemos que não. 


Percebemos que não quando Miguel Albuquerque, o primeiro a exigir publicamente a demissão de António Costa, há pouco mais de dois meses, recusou determinadamente demitir-se. Quando Luís Montenegro, o segundo a exigir a demissão de Costa, declarou manter a confiança política em Albuqerque. E percebemos quando, do chefe do governo regional da Madeira sabemos que é, para além de arguido, suspeito de identificados actos de corrupção; enquanto, do chefe do governo do país, continuamos sem saber de que é suspeito. São tão diferentes que até a Polícia Judiciária, que dá sempre nomes sonantes às operações, chamou "influencer" a uma e deixou a outra sem nome, apesar do aparato: um Hercules C-130 (da esquadra bisontes), a aterrar na Madeira com 300 pessoas a bordo, transbordadas directamente para autocarros estacionados na pista, com os parques de estacionamento com a lotação esgotada por carros alugados para a operação.


Como uma coisa não tem nada a ver com a outra, a antecipação de eleições, que no país foi a decisão correcta, é absurda e sem nexo na Madeira - dizem. A melhor justificação para não aplicar na Madeira o que foi decidido para o país, acabou de ser apresentada por Manuela Ferreira Leite: o governo do PS já tinha oito anos; o do PSD, na Madeira, tem apenas dois meses!


Palavras para quê? São artistas portugueses, como dizia o velho anúncio...


 


 

Há 10 anos

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Televisões e jornais andam numa roda-viva, empenhados em abrilhantar a festa que o poder decidiu abrir por esta altura, para promover o circo eleitoral que aqui se está a instalar para estes próximos dois anos. Fazem lembrar a orquestra do Titanic, não percebendo que o país se continua a afundar cada vez mais.


Nunca como agora sobraram tantas razões de crítica ao comportamento da comunicação social, e em especial das televisões. E nem sequer me estou a referir ao clássico capital de alienação e ao papel anestésico das programações das generalistas.


Repare-se como as televisões estão cheias, a toda a hora, de políticos no activo, ainda no poder ou com o lugar que lá deixaram ainda quente, sempre no mesmo registo, sempre com a mesma mensagem… Como são pagos – e alguns como verdadeiras estrelas – para alimentar as suas ambições e promover os seus projectos políticos pessoais. Não têm apenas acesso gratuito a estas poderosas máquinas de popularidade e de publicidade. Não, ainda por cima lhes pagam!


Marcelo Rebelo de Sousa anda há anos a construir nas televisões a sua candidatura presidencial. Chegou a hora certa e, como se viu há uma semana, não se preocupa nada com essas coisas da vergonha na cara. Não hesitou em aproveitar aquele tempo que lhe é pago para dar o golpe de misericórdia em tudo o que pudesse ser adversário potencial, reservando logo ali o seu lugar ao mesmo tempo que dava um simpático empurrão no calendário. Que, evidentemente, lhe permite prolongar o mais possível o seu espaço semanal de contacto com os portugueses. Líder de audiências!


Também Marques Mendes, ainda ontem, aproveitou o espaço televisivo que lhe pagam para usar, para exibir um documento que, supostamente, o defenderia da acusação de ter participado num negócio nada claro de venda de acções, que os jornais trouxeram a público no início da semana que hoje acaba. Como é evidente, e tenha ou não responsabilidades na operação – as menos graves das quais seriam sempre as fiscais – não há documento fiscal nenhum que o possa neste momento ilibar. No entanto, e mesmo sabendo que (quase) toda a gente percebia isso, não hesitou em usar aquele espaço para fazer aquele número.


Quando tanto se fala de indicadores, isto poderá não ser um indicador, mas é certamente um indicativo da decadência do regime. Do cheiro a fim de regime que sente por todo o lado!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Tudo a tremer

Atlas Quantum é condenada em novos processos judiciais


Ontem a Madeira tremeu. Na escala política, equivalente à de Richter, o terramoto passou do grau 9. Não caiu tudo porque os alicerces são bem fundos. São muitos anos daquilo, uma espécie de construção anti-sísmica com perto de 50 anos. 


Sabe-se que Miguel Albuquerque continua de pé, mas não firme. E sabe-se que, sabendo-se como as coisas foram acontecendo na Madeira nos reinados de Alberto João e Albuquerque, a terra alguma vez teria de tremer. Estranha-se é que tenha acontecido agora, e a partir de denúncias anónimas.


Cá pelo continente treme Luís Montenegro. Mas treme também o regime. Agora com mais violência.


E treme Sócrates, que já esfregava as mãos com a prescrição do pouco que o Juiz Ivo Rosa deixara sobrar. Três juízas da Relação "arrasaram" o Despacho de Instrução de Ivo Rosa, voltaram a confirmar as acusações e enterraram o fantasma de prescrição. Não sei se dá algum ânimo ao regime. Mas devia!

Há 10 anos

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O Benfica fechou hoje o já garantido apuramento – era a única equipa apurada logo à saída da segunda jornada – para as meias-finais da Taça da Liga, num jogo em que defrontou o Gil Vicente no Restelo, que teve de pedir emprestado porque o relvado da Luz está doente, tanta foi a chuva que apanhou logo à nascença.


Numa semana em que, a propósito e despropósito – mais a despropósito, parece-me – tanto se falou de formação, o Benfica apresentou uma equipa baseada na sua formação e sem qualquer titular habitual. E com sete portugueses (e dois sérvios, um brasileiro e um argentino) à entrada e nove à saída – os dois sérvios foram substituídos por dois putos-maravilha portugueses, o Bernardo Silva e o Hélder Costa!


Não se pode falar numa exibição de sonho, mas tem de se dizer que esta equipa do Benfica fez uma grande jogatana. Jogaram à bola como gente grande, com exibições notáveis do Rúben Amorim – cada vez que joga é show de bola garantido – Ivan Cavaleiro e André Gomes e com os três suplentes que entraram, os dois acima e João Cancelo, a deixarem-nos água na boca, num domínio nunca visto entre equipas da primeira divisão. Basta lembrar que o Gil não fez um único remate!


No final da primeira parte ainda se pensou que seria por jogar contra o vento. Sabe-se que no Restelo o vento só não é tão famoso com os velhos porque no tempo de Camões ainda não havia futebol. Mas não, não era do famoso vento do Restelo, porque na segunda parte, com ele pelas costas as coisas ainda pioraram.


Mas o Benfica apenas ganhou por um a zero?


Pois, é verdade. Mas há atenuantes!


Umas vezes porque os dez defesas do Gil conseguiam impedir os jogadores do Benfica de rematar. Às vezes em falta, e ás vezes dentro da área. O árbitro só uma vez marcou penalti, mas nem assim deu golo – o Funes Mori atirou contra o guarda-redes e a recarga foi disputada pelos dois sérvios, que tudo fizeram para se anular um ao outro. Talvez por isso o árbitro tivesse evitado assinalar todos os outros… E como a bola não queria entrar, como mais uma vez provou no único golo registado no marcador, quando entrou, o árbitro achou que era uma violência contrariá-la…


Correndo hoje a última jornada tudo teria de ficar decidido. E o Braga, com cinco a zero perante um miserável Belenenses – cada vez que me lembro que foi uma equipa destas que roubou dois pontos na Luz até me dá uma coisinha má – também acabou por garantir o apuramento que, pelo capricho do sorteio e pela classificações do último campeonato, com o Sporting lá para baixo, praticamente lhe garante a presença na final. Pelo segundo ano consecutivo!


Sporting e Porto disputavam a honra e o privilégio de receber o Benfica em sua casa. Era – e acabou por ser – uma questão de golos. Passaram a semana a anunciar golos e mais golos, mas depois foi o que se viu. Saiu premiado o Porto – e o termo é esse, a vitória caiu-lhe do céu – e de fora ficou a melhor equipa do grupo, o Marítimo. Que já fora muito melhor que o Sporting, mesmo perdendo por 3-0 em Alvalade. E que hoje foi imensamente melhor que o Porto. Esteve a perder, deu a volta ao resultado, esteve sempre mais perto de fazer o terceiro do que de sofrer o empate, mas acabou por sofrê-lo e voltar a perder ingloriamente no último minuto.


Agora digam que a Taça da Liga não conta... Conta, como se viu. Mas também contam os banhos de bola. E em apenas três jogos o Porto levou dois. Dos grandes! 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Faltou sorte. Mas também competência.


Esperava-se que Roger Schmidt fizesse alguma rotação neste jogo com o Estoril, o "outsider" destas meias finais da Taça da Liga, em Leiria. Mas não!


A única rotação que fez foi aquela que mais vezes faz: no ponta de lança. Desta vez com Petar Musa, que tem sido o descartado dos últimos jogos. A mostrar que não tem dúvidas no seu melhor "onze", mas que tem todas as dúvidas no ponta de lança. E, pelos vistos, tanto maiores quantos mais tem à disposição.


O Estoril, com todo o mérito nesta sua primeira presença nesta fase final, à custa do Porto, mesmo vindo de quatro derrotas consecutivas, sempre vergado à goleada, mostrou que Roger Schmidt teria razão em não "facilitar", se é que isso é insistir nos mesmos jogadores que sempre escolhe. 


Não "facilitou" na escolha da equipa inicial, mas ela facilitou. Falhou no que costuma falhar: no ataque organizado, mesmo que tenha criado nessa circunstância de jogo muito mais oportunidades que nos últimos jogos, e na concretização. E faltou-lhe o que não lhe costuma faltar: espaço e tempo para as transições rápidas, em boa verdade a circunstância de jogo que tem sustentado os êxitos da equipa durante toda esta época.  


O Estoril entrou bem no jogo, como que avisar ao que vinha. Teve aí, no primeiro quarto de hora, o seu melhor período, aquele em que realmente dividiu o jogo com o Benfica, disputando-o abertamente, em todo o campo. Fez então o seu único remate à baliza em todo o jogo e, nele, o golo. Obra de Rafik Guitane, um jogador que já por cá anda há uns anos, de que há muito aqui falo, e que provavelmente é demasiado barato para a política de contratações do Benfica. 


Se o "scouting" ainda não deu por ele, se não é suficientemente bom para despertar a atenção de Schmidt, é melhor pedirem a opinião a Mourato. Pode ser que ele os convença e - quem sabe? - até consiga explicar à Administração da SAD que, por poucos milhões, também se contratam bons jogadores. Que pagar quinze, vinte ou mais milhões não é condição necessária. E muito menos suficiente.


Apanhando-se a ganhar, o Estoril passou a alternar o "autocarro" com breves momentos de posse de bola. E começou logo a queimar tempo. A perder, o Benfica tomou definitivamente conta do jogo. Quatro minutos depois, a concluir um belo lance de  futebol - passe soberbo de Kokçu para Aursenes, e cruzamento milimétrico para a cara do guarda-redes  -  Rafa desperdiçava um golo cantado. Foi mais Rafa a acertar no Dani Figueira, que propriamente uma grande defesa. 


Entre esta primeira grandíssima oportunidade e a segunda, com Di Maria isolado, numa daquelas que nunca falha, a permitir a defesa do guarda-redes (novamente com mais demérito para o remate que mérito para a defesa) passaram 15 minutos, com três ocasiões de golo - António Silva e Musa, por duas vezes - pelo meio. Os restantes dez minutos, até ao intervalo, foram um misto de anti-jogo e daquelas pequenas coisas que os árbitros sabem fazer - cantos transformados em pontapés de baliza, faltas por assinalar, ou por punir disciplinarmente. Amarelos, só um para cada lado, "salomónico" quando a vítima tinha sido Kokçu.  E outro para Schmidt, por protestar os dois minutos - dois, depois da permanente "queima de tempo" nas reposições de bola nos pontapés de baliza, e das entradas em campo da equipa médica do Estoril - de compensação.


O Benfica entrou para a segunda parte com o mesmo onze, mas com mais velocidade e pressão. O jogo continuou com sentido único, com o Estoril a defender-se como podia e com a ajuda de todos os santos. Cantos e mais cantos, sempre depois de mais uma das vinte pernas do Estoril acabar com as sucessivas ondas de ataque benfiquista. Rafik Guitane é que, a cada vez que tocava na bola, continuava a dar cabo da cabeça a Morato. 


Depois do descrente Musa - ainda em campo - ter falhado mais uma oportunidade, logo a seguir abriu as pernas para que o cruzamento de João Mário chegasse a Otamendi (sim, em ataque continuado!) para, finalmente, rematar para o golo. Ainda se não tinha esgotado o primeiro quarto de hora, e o mais difícil estava feito - pensava-se. Aquele era só e apenas o primeiro golo.


Mas ... nada disso. O jogo continuou como se nada se tivesse passado. A mesma "queima de tempo" e as mesmas "pequenas coisas que os árbitros sabem fazer". João Mário protestou e viu o amarelo. Rafa voltou a falhar um golo cantado, e Schmidt começa finalmente a "mexer" na equipa.


Tirou Musa e Kokçu, para entrarem Marcos Leonardo e Tiago Gouveia. Que foram pouco depois intervenientes na melhor jogada do desafio, quando Tiago Gouveia avançou pela esquerda, deu na zona central para Rafa Silva, que combinou com Di María e assistiu Marcos Leonardo que, incrivelmente, e por muito pouco, não marcou. 


Tudo corria mal e, já certamente a pensar nos penáltis, Schmidt mantinha João Mário em campo ao lado de João Neves, depois da saída do médio turco. Ora, se João Mário não tem intensidade para aquela função, "amarelado", pior ainda. O Benfica sufocava o adversário, o coração ia mandando mais que a cabeça, e o golo não aparecia. Nem naquele remate espectacular de Di Maria, no último lance do jogo. Não foi sorte nem azar. Foi milagre. A defesa do Dani Figueira foi milagrosa. Sorte, ou azar, foi a bola sair a partir do poste.


E lá vieram os penáltis para desempatar o jogo. De um lado, um guarda-redes que tinha defendido (quase) tudo, e tinha até acabado de fazer um "milagre". Do outro, um guarda-redes que não tinha feito uma única defesa em todo o jogo. E que falhara na única oportunidade que teve para o fazer. Mas nem foi por aí, afinal cada um acabou por defender um. E sem grande mérito, apenas por demérito dos marcadores. Grande - enorme - de Marcos Leonardo, no segundo penálti. 


Bem maior do que o do Tomás Araújo - entrara nos últimos minutos, em simultâneo com a estreia de Álvaro Fernandez (Morato) a substituir Aursenes - que bateu bem, enganou o guarda-redes, e teve a infelicidade de a bola rasar o poste pelo lado de fora.


Tenho sempre alguma dificuldade em resumir o desfecho de um jogo de futebol a sorte e azar. Acho que há sempre mais qualquer coisa para explicar o resultado. E hoje, para além da sorte, faltou competência ao Benfica!

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O texto abaixo, que volta ao tema do referendo  aprovado há precisamente uma semana no parlamento, provocou muito mais reacções contrárias do que favoráveis, como se pode concluir por uma passagem pela caixa de comentários. Que pelo menos querem dizer, ao contrário do que chegou a parecer, que a questão da adopção e da co-adopção por casais do mesmo sexo está longe de ter sido incorporada na sociedade portuguesa. Mesmo que a maioria das manifestações misturem conceitos e preconceitos, confundam valores com tabus e ignorância com ideologia...


Na altura da discussão e da aprovação da lei que pretendem agora anular com o referendo, quando estranhamos a ausência de contestação, levantamos aqui essa questão. Por mais que uma vez, e com várias interpretações para isso. Mas logo de seguida começamos a perceber o que se tinha passado. Ao ponto de agora percebermos que a coisa tenha sido despachada pela Comissão Política Nacional do PSD logo em Outubro!


Porque, se outra gente, em idênticas circunstâncias (referendo sobre a IGV), soube guardar um conveniente e respeitador longo período de nojo - 10 anos - esta gente nem uma semana soube guardar de luto!

Que se lixe a "vergonha"

Intervenção de António Maló de Abreu no Plenário - YouTube  


Como é público e notório o Partido do André Ventura vai trepando pelas sondagens acima. Hoje é dada conta de uma que o aproxima já da AD, que curiosamente cai relativamente às intenções de votos no PSD em Dezembro. 


O previsível crescimento daquele partido nas próximas eleições, apontado pelas sondagens e diariamente alimentado nas televisões, abriu uma inusitada onda de casamentos por conveniência entre André Ventura e os muitos mancebos, e mancebas, que ficaram sem os lugares nas cadeiras que há anos (dezenas, nalguns casos) ocupam em S. Bento. A conveniência é óbvia: a André Ventura faltavam "nomes" para tantas cadeiras que lhe são atribuídas; aos "nomes" faltava-lhe a cadeira em que querem continuar sentados. E o casamento torna-se perfeito!


Só teria um problema, e não é de poligamia. Casar com tanta gente não é problema para André Ventura. Dá "facada" na "Família", mas ainda lhe sobra "Deus" e a "Pátria". O problema seria como é que ele "limpa o país" trazendo-se para si os que o "sujaram". Como é ele que acaba com esta "corja que vive à conta da política", "que nunca fez nada na vida", "casando" precisamente com eles. Não fosse ele o noivo, e isto seria uma "vergonha". A mesmíssima "vergonha" que é mono-tema no seu discurso  Mas, para que isso fosse "vergonha", e problema, era preciso que o André Ventura pudesse ser levado a sério. Como não pode, nem isso é problema para ninguém, e menos ainda para as televisões, o casamento é mesmo perfeito. De sonho, até!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Se vivêssemos num país normal, com o mínimo de sentido crítico e de mobilização cívica, que não estivesse completamente sedado, na passada sexta-feira teria acontecido na Assembleia da República um dos maiores golpes nesta democracia de faz de conta que nos vai corroendo.


A aprovação de um referendo sobre a adopção e a co-adopção por casais do mesmo sexo, por 93 deputados do PSD, é um golpe baixo, uma canalhice e um insulto à democracia.


Porque pretende levar a referendo aquilo que há pouco mais de seis meses a Assembleia da República decidiu, para cancelar o respectivo processo legislativo. Porque fá-lo atrás de um escudo: a JSD não é mais que um escudo, porque a proposta foi aprovada pela Comissão Política do PSD, e o próprio Passos Coelho teve já que vir dar-lhe cobertura. Porque, numa matéria de consciência, impõe a disciplina de voto, obrigando deputados que haviam votado a favor da lei a votar agora nesta trapaça, e a declarações de voto indignas e vergonhosas. Haverá maior atentado à dignidade, maior achincalhamento, que um deputado dizer, justamente em matéria de consciência, que foi obrigado a votar contra a sua própria consciência? E finalmente, no que ao domínio processual respeita, pela hipocrisia que veio da bancada do outro parceiro de maioria. Que, manifestando-se contra a iniciativa, mais por razões de oportunidade política e financeira do que outras, viria pela abstenção, seguramente que imposta pela direcção do grupo parlamentar, a viabilizá-la.


Se no plano processual e no dos princípios e valores políticos a afronta é grande, não é menor no dos valores da emancipação cívica e civilizacionais.


Porque não se sujeita a referendo o exercício de direitos humanos. Porque, ao contrário do que o primeiro-ministro teve o desplante de afirmar, não é democracia referendar direitos de minorias. É por isso que existe a democracia representativa, e é por isso que as grandes conquistas da civilização que decorrem dos direitos das minorias andam à frente da sociedade.


Se não fosse assim ainda hoje haveria escravatura, porque as sociedades continuariam esclavagistas. As mulheres ainda não votariam. O divórcio seria proibido. A igualdade de género não passaria de uma miragem…


Escrevi aqui em Maio, nesta mesma minha coluna, aquando da aprovação da lei, que não iria então manifestar a minha opinião sobre a questão em si. Não sei se alguém estará recordado, mas na ocasião pretendi reflectir sobre a forma pacífica como a questão tinha passado na opinião pública.


Hoje, não. Vou deixar claro que acho que é o interesse supremo da criança que tem sempre de prevalecer. Que acho que uma família é uma família, independentemente da orientação sexual dos seus membros. Que acho que um homossexual não tem menos capacidade de amar e cuidar. Que ser pai ou ser mãe vai além do acto de procriar. E que, em particular a co-adopção, é uma questão básica e fundamental de direito!


A esta gente que tomou conta do poder não basta empobrecermo-nos da forma brutal que tem feito. Não basta privatizar, e depois fazer a lei sobre o que é estratégico para o país, quando já nada mais há para privatizar. Não basta cortar na educação e na saúde públicas, para entregar depois a privados, com negociatas e escândalos sempre impunes. Como alguma comunicação social algumas vezes ousa denunciar, para logo ser abafado. Como sucedeu com uma estação de televisão, na denúncia de práticas e ligações de um grupo privado na Educação. Ou com outra, que denunciou os escândalos da facturação à ADSE - que já começamos a pagar, com o agravamento das nossas contribuições, que nos reduzem ainda mais os sucessivamente reduzidos salários – e outras práticas e ligações perigosas do grupo, que entretanto inundava jornais e televisões com publicidade…Não basta cortar ordenados e pensões, enquanto entrega por ajuste directo negócios a uns amigos, e encaminha outros para os melhores lugares internacionais.


Não lhes basta tudo isto. Querem ainda obrigar-nos ao retrocesso civilizacional e à barbárie do vale tudo!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

A pantominice como forma reconhecida de fazer política

Santana Lopes deixa Montenegro emocionado durante convenção da AD


Li e ouvi que, finalmente, Montenegro entusiasmou as hostes. E vi por todo o lado comentadores a salientarem a prestação discursiva do tipo a que faltava sempre o "click".


Notei tanto entusiasmo que, não tendo tido nem tempo nem paciência para assistir "à festa", fui procurar saber o que de tão relevante, inovador e mobilizador teria Montenegro dito para merecer tantos elogios. Até de muitos que nunca lhe tinham encontrado uma pontinha de virtude, sempre só, e apenas, defeitos.


Admito que não tenha procurado o suficiente. Mas até me cansar apenas encontrei a fórmula de André Ventura do "tudo para todos". Tudo para os jovens, tudo para os velhos, "vouchers" para a saúde, um décimo quinto mês - sem impostos, evidentemente - creches... Tudo para todos, como André Ventura. Mas sem as contas do outro à economia paralela e à corrupção, como milagre de financiamento. E, não fossem tomá-lo pelo mesmo, negando-o: "não vamos mesmo prometer tudo a todos ..."


- "As pessoas estão fartas de promessas não cumpridas. É preciso uma nova forma de fazer política" - rematou, a concluir. como se não andássemos a ouvir isto há 50 anos. 


Afinal o "tudo para todos", e a conversa fiada velha de 50 anos, bem embrulhadinho, continua a passar. E a pantominice continua a única forma de fazer política que esta gente aprecia. Também aprecia a palhaçada mas, sem pantominice, não!


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Já aqui escrevi várias vezes sobre o que considero a vergonhosa aprovação da proposta de referendo, na passada sexta-feira. Resisti sempre em escrever o que quer que fosse sobre a atitude da vice-presidente do PSD e do grupo parlamentar, a deputada Teresa Leal Coelho, que se ausentou do hemiciclo na altura da votação e, depois, apresentou a sua demissão da vice-presidência da bancada.


Não é figura por quem nutra especial admiração, já aqui foi de resto referida em circunstâncias pouco abonatórias, personalizando sempre o mais acéfalo seguidismo que a grande maioria dos deputados revela. Um cromo da política!


Fiquei por isso surpreendido. Nunca a imaginaria a desafiar o poder, não a julgava capaz daquela verticalidade que faria supor lealdade a princípios e valores de que a julgaria arredada.


Era no entanto tal a pedra no sapato que nem essa surpresa me levou, apesar da tentação – se há coisa que gosto é de corrigir as minhas próprias impressões quando reconheço que estão erradas –, a louvar a sua atitude e a revelá-la como o raio de luz que brilhou naquela tarde negra do parlamento. Não me arrependo: afinal, quer a proposta quer a fixação da disciplina de voto, tinham sido aprovadas por unanimidade pela Comissão Política Nacional, em 22 de Outubro. Afinal a senhora concordara com aquilo tudo e, vá lá saber-se porquê, mudou depois de ideias…


Está-se sempre a tempo de mudar. Não há mal nenhum nisso, especialmente se for para melhor. Mas um cromo é um cromo!

sábado, 20 de janeiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Vão-nos dizendo que os indicadores aí estão cheios de boas notícias. Que ainda não notamos nada, mas que é mesmo assim. Vai demorar algum tempo até que os indicadores se reflictam na realidade da vida de cada um, até que consigamos percepcionar, sentir mesmo, os resultados fantásticos que não têm qualquer dúvida em apontar...  


As taxas de juro caem todos os dias, já baixaram até dos 5%, a caminho dos mágicos 4,5% de Rui Machete. E a saída é à Irlandesa, já ninguém tem dúvidas…


No entanto olhamos à volta e sentimos o cheiro a fim de ciclo, aquela sensação de que a coisa está a cair de podre.


Ele é o Secretário de Estado Agostinho Branquinho, o tal que, deputado na anterior legislatura, numa comissão parlamentar de inquérito não sabia o que era a On Going, para onde seguiria, directamente da Assembleia da República, poucos dias depois. E donde rapidamente regressou, para integrar o actual governo. É a POP Saúde, a empresa do ex-presidente do INEM e da sua mulher, chefe de gabinete do Ministro da Administração Interna, constituída - com mil euros de capital - uma semana antes da assinatura do contrato. Nem o Marques Mendes escapa?

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Admito que Passos Coelhos saiba escolher os amigos, mas não sabe certamente escolher os inimigos. E isso não é menos importante!


 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Inquietação


Arranque da segunda volta do campeonato, e segundo jogo consecutivo na Luz, novamente perto de cheio (55 mil), mas ainda baixo da média da temporada. Com o Benfica a ter contas para ajustar com o Boavista, a única equipa com que perdeu nesta competição, logo na primeira jornada, e nas condições em que todos recordamos.


Já sem Petit - gratidão é coisa que não assiste no futebol, menos ainda em Portugal e, menos ainda no Boavista - a equipa axadrezada não foi muito diferente da de então. Muita força, muita entrega, marcação cerrada e, a espaços, alguns momentos de futebol. É uma daquelas equipas que obrigam o adversário a correr, e a lutar, tanto como eles. E o Benfica, já se sabe, não se sente muito confortável com essa obrigação. Acresce que o adversário moralizado pelos últimos dois jogos, com o empate com o Porto e a goleada em Vizela.


Tudo se conjugava para mais um jogo de elevado grau de dificuldade para o Benfica, o que se confirmou.


Na primeira parte o Boavista apenas defendeu. O que não quer dizer que o Benfica apenas tenha atacado, e menos ainda que tenha massacrado a defesa boavisteira. Isso não aconteceu porque ao Benfica faltou intensidade, faltou pressão alta consistente, e faltou ... João Neves. Mas também porque tem dificuldades no ataque continuado, e porque o árbitro Gustavo Correia é, com conhecida folha de serviço, mais do mesmo. Ignorou faltas sucessivas, muitas delas merecedoras de sanção disciplinar, e algumas dessas praticadas pelo mesmo jogador. O que quer dizer alguns deles, e descaradamente Salvador Agra e Luís Santos, poderiam e deveriam ter sido expulsos bem cedo no jogo.


A arbitragem deste senhor, que tem brilhado nos jogos do Porto,  saiu melhor que a encomenda, teve clara influência no desenrolar do jogo, e criou um ambiente de instabilidade nos jogadores e nervosismo nas bancadas. Basta dizer que o Boavista chegou ao intervalo com três faltas assinaladas. E o Benfica com 8. 


Com o Boavista só a defender (o seu melhor marcador, o internacional eslovaco Bozeník, foi mais um central), o Benfica chegou ao intervalo com muitos cantos, doze remates, e quatro oportunidades de golo, mas sem marcar... Podia - e deveria - ter feito mais e melhor. Mas tem de se reconhecer que, naquelas condições, isso também não era fácil.


A segunda parte começou com o golo de Di Maria. Finalmente. Que mudaria o jogo. Mas não. O VAR foi descobrir que no início da jogada a bola batera na mão de João Mário. Gustavo Correia foi ver as imagens e regressou todo satisfeito, para anular o golo.


Mas o jogo mudou, na mesma. O Boavista percebeu que nada de mal lhe poderia acontecer, passou a afoitar-se mais, e o jogo chegou mesmo "a partir". Bozeník já não era central e, num contra-ataque, surgiu na cara de Trubin. Que evitou o golo com uma grande defesa, complementada com o apoio de Morato, a impedir que a bola defendida chegasse, ainda assim, a entrar.


Foi a única oportunidade conseguida pelos boavisteiros em todo o jogo mas, naquela altura, por volta dos dez minutos da segunda parte, não se sabia. E a inquietação subia, logo a seguir quando, prosseguindo a sua escalada, o árbitro assinalou uma falta que Florentino não cometeu, e lhe mostrou o cartão amarelo. E a Rafa, por protestar a absurda decisão. Otamendi também já o tinha visto, minutos antes.


Vivia-se esta inquietação quando, à saída do primeiro quarto de hora, Di Maria marcou. Num centro-remate, depois de desmarcado pela diagonal de Kokçu, a bola acabou por entrar sem que nem, primeiro Cabral e depois João Mário, lhe tenham conseguido tocar. A demora a confirmar o golo indica que o VAR ainda vasculhou tudo à procura de qualquer coisa que aliviasse a dor do tal Gustavo.


Logo a seguir Rafa poderia ter marcado, e resolvido a inquietação. Mas o remate saiu rente ao poste, e o Boavista cresceu. O cartão amarelo "liquidara" Florentino. Deixou de existir, e a sua substituição era obrigatória. Mas tardou. E, quando foi feita, a 20 minutos dos 90, não correu muito bem: entrou Tomás Araújo para a direita (o Benfica ficava só com centrais no quarteto defensivo) e Aursenes derivou para o meio campo, donde pareceu já desabituado. Em simultâneo entrou - e essa correu bem - Marcos Leonardo para o lugar de Cabral.


Schemidt teve um quarto de hora para perceber que não correra bem, e emendou a mão com a entrada de João Neves (a carga de porrada que levou no jogo com o Rio Ave deixara-o sem poder treinar e, por isso, sem condições físicas para jogar), para o lugar de Kokçu, que acabara de, no seu primeiro remate à baliza, estar muito perto do golo. Faltavam mais de 10 minutos (com os descontos) para o fim, e o miúdo funcionou como um forte ansiolítico para a inquietação que reinava nas bancadas. E no relvado.


João Neves, recebido logo à porrada pelos adversários, pegou no jogo e não o largou mais. Mas o sofrimento apenas acabou mesmo já no período (seis minutos) de compensação, finalmente com o segundo golo. Mais uma vez numa jogada de ataque rápido, com um passe longo e preciso de Otamendi para Di Maria, que recebeu como só ele sabe e serviu de bandeja Marcos Leonardo. Que não falhou, e marcou também o seu segundo golo. No seu segundo jogo. Depois de vinte minutos em campo, que somam aos dezassete do primeiro.


O Benfica construiu dez oportunidades de golo. Criou 50 acções na área adversária mas, mais uma vez, só conseguiu marcar nas duas que resultaram de lances de ataque rápido. E esta não é uma boa notícia. Nem novidade!


Boas notícias são os sinais que Marcos Leonardo está a dar, e o regresso de Neres. Jogou só um minuto, mas é finalmente o regresso. Tão ansiado como o segundo golo, esta noite! 


 


 

Hoje*

Eu, Psicóloga | O que aprendi com a morte da minha mãe – LITORAL CENTRO –  COMUNICAÇÃO E IMAGEM


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


* Texto publicado todos os anos, neste dia 19. Em que a minha mãe partiu. Hoje passam quinze anos!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O Benfica confirmou o primeiro lugar, a que chegou na última jornada, com uma exibição tranquila perante o Marítimo, uma das boas equipas deste campeonato, que até lhe impusera a única derrota na competição, logo na primeira jornada. Não fora assim da última vez, que também fora a primeira da época e na companhia do Sporting, com aquele empate com o Arouca…


Percebeu-se desde o apito inicial do árbitro – mais uns errozitos, como alguns foras de jogo mal assinalados e um por assinalar, que por acaso até deu o segundo golo, tal como um penalti sobre o Markovic, que até veria amarelo – que o Benfica estava ali para ganhar o jogo. E que o Marítimo sabia jogar à bola, e que estava ali para isso!


Daí que, mesmo sem criar muitas ocasiões, fosse com naturalidade que surgiu o primeiro, de Rodrigo, tal como o segundo que, acima de tudo, resultou da forma como a equipa pressiona o adversário, logo na sua primeira fase de construção. Como, ao contrário do que sucedia com Artur, o Benfica tem agora um guarda-redes que é proactivo na defesa da sua baliza, não sofre golo de cada vez que o adversário cria uma oportunidade para isso.


Não seria preciso muito mais para ganhar este jogo, que na segunda parte só deu para treinar na defesa de bolas paradas, com muitos cantos e livres para defender. Que nos tempos de Artur tantos golos davam... 


O Matic? Hoje ninguém se lembrou dele!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A arbitragem de Artur Soares Dias no clássico do passado domingo foi completamente desastrada, em prejuízo nítido, claro e permanente do Benfica até ao segundo golo, aos 53 minutos de jogo, logo depois do mais inacreditável de todos os erros – o corte com a mão, de Mangala, bem dentro da área, à sua frente, bem à sua frente. A partir desse erro(?) capital, porque, como aqui escrevi depois do jogo, “viu que toda a gente viu que ele viu” o árbitro não resistiu à perturbação e, como também então escrevi, “desatou a fazer mal sem olhar a quem”, com uma incrível sucessão de decisões absurdas, em prejuízo de qualquer das duas equipas e do próprio jogo.


No final do jogo, curiosamente, ninguém se referiu à arbitragem verdadeiramente inaceitável de Artur Soares Dias, que Pinto da Costa quer agora transformar no Proença do Porto. Jorge Jesus porque, já se sabe, não sabe o que é comunicação nem faz ideia para que servem as conferências de imprensa, mas também porque ganhou, percebendo-se que, com o que para ele significava aquela vitória, não restasse espaço para mais nada -, e o Paulo Fonseca porque a vergonha pela exibição da sua equipa não lhe permitiu mais que dar graças a Deus por só ter levado dois, reconhecer a justeza da vitória do Benfica – o que para Pinto da Costa é apenas o maior dos pecados – e proclamar a sua confiança cega de que na última jornada será campeão.


Pinto da Costa, que sempre que não ganhou na Luz nunca deixou de vir a terreiro reclamar da arbitragem, estranhamente ficou calado.


Os comentadores portistas espalhados pelo universo mediático, que são normalmente parte integrante da máquina de comunicação azul e branca, potenciando os erros da arbitragem - que fazem como ninguém – reconheciam o mérito da vitória do Benfica. E unanimemente reconheceram que era a actuação da equipa, e não a arbitragem, que tinham de responsabilizar pela derrota. Porque Pinto da Costa apenas tem responsabilidade nas vitórias, fustigaram – alguns achincalharam, sem dó nem piedade - o treinador.


A meio da semana houve jogos da Taça da Liga. Jorge Jesus aproveitou para dar mais uns tiros no pé – não há volta a dar-lhe –, desta vez com as 10 vezes que preciso nascer para substituir o Matic, e o Paulo Fonseca muito satisfeito com a goleada ao Penafiel que lhe garantia a liderança no grupo. E Pinto da Costa aproveitou para elogiar a filha de Eusébio…


No final da semana tudo mudou. Pinto da Costa renovou a confiança no treinador – já agora um aviso, Paulo Fonseca: se a sua mulher lhe diz todos os dias que o ama, é melhor começar a desconfiar – e atirou-se ao árbitro com uma violência pouco vista. E obrigou-o a rectificar as declarações do final do jogo, e a fazer aquela triste figura de dizer que não falara da arbitragem propositadamente para testar os jornalistas. que só querem destabilizar o Porto.


Foi até desenterrar Calabote – coitado do Calabote, que foi irradiado por um único jogo, o último de um campeonato que o Porto até ganhou, em igualdade de pontos com o Benfica, que seria o último antes do apagão de 19 anos, ao pé dos Martins dos Santos, Calheiros, Augusto Duarte… - para acentuar a nova tese de que a derrota da Luz é da responsabilidade da arbitragem de Soares Dias. Não é Paulo Fonseca, porque é ele o responsável por esse erro de casting. Não é da equipa, porque é ele o responsável pelas contratações. E ele, como se sabe, não erra. Protagoniza a infalibilidade papal. Se não mesmo divina! 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Da Assembleia da República chegou-nos hoje, mais que mais um motivo de vergonha, a prova insofismável de que este regime, o regime destes partidos e desta gente destes partidos, atingiu a mais profunda e negra decadência. Está podre e a cheirar muito mal!


O referendo proposto pelos rapazolas da JSD, que as linhas com que se cozem os caducos partidos do sistema fazem que seja maioritária no grupo parlamentar, e aprovado por 103 deputados do PSD – e pela abstenção dos deputados do CDS, ao arrepio de tudo o que tinham declarado - que cumpriram a imposta disciplina de voto, revela bem o ponto a que esta partidocracia nos levou.


Onde não há respeito pela democracia nem pelo próprio parlamento, a sua dita casa. Levar a referendo uma matéria a que a Assembleia da República acabou de dar corpo de lei, é um golpe, não tem outro nome. Impor disciplina de voto numa matéria que é claramente do domínio da consciência individual é apenas reforçar o sinal do golpe.


Onde os deputados não são mais representantes de nada que não do aparelho que os comanda. São alforrecas, em vez de gente. Sem espinha que segure um corpo direito não há gente…


Onde não há futuro, porque são jovens, com a vida pela frente, os protagonistas desta pouca vergonha…


Que, evidentemente, não terá por onde passar no Tribunal Constitucional!

Coveiro de si próprio

Esta AD não é uma imitação". Luís Montenegro, Nuno Melo e Câmara Pereira  assinaram acordo | Jornal Nacional | TVI Player


O PSD ainda não percebeu que o André Ventura tem a boca aberta para o engolir.


Por isso continua, cantando e rindo, sem causas próprias, nem nada para propor ao país, afastado de toda a gente de valor que ainda tinha - a oportunidade desperdiçada de aproveitar a qualidade e o valor de Jorge Moreira da Silva é verdadeiramente chocante -, e a ressuscitar "velhas glórias" do passado, que são só velhas e passado,  agarrado à bóia que viu na velha "AD ", hoje uma marca sem "produto". 


Sem olhar para a "boca aberta" de Ventura,  e sem nada perceber do discurso de Pedro Nuno Santos, o PSD vai alegremente cavando a sua própria sepultura!


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Quando se esperaria que andasse tudo a protestar contra a hipótese de os americanos fazerem a transfega das armas químicas nos Açores, assiste-se ao contrário. Tem andado tudo, e nos Açores todos, desde o presidente da Junta de Freguesia ao do Governo, a pedir insistentemente: por favor, venham cá fazer isso!


Os americanos é que são pouco dados a sentimentalismos, e pura e simplesmente insistem em ignorar preces tão fervorosas. Isso das Lages foi chão que já deu uvas, esqueçam - querem eles dizer…


 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Mas é isto ...

A convenção "profissionalizada" do Chega quis ser igual às dos outros  partidos | Fotogaleria | PÚBLICO


Da convenção do partido do projecto pessoal de André Ventura, realizada este fim de semana em Viana do Castelo, ouvi falar de uma tentativa de moderação do discurso, e até do objectivo expresso de abandonar a imagem de "partido" de  protesto para passar a uma outra de "partido" de governação.


Na realidade já não ouvi falar de castração química, de pena de morte, de prisão perpétua, nem de ciganos. Mas não faltaram os factos alternativos do costume, como os imigrantes a viverem à custa da segurança social, com o deputado Filipe de Melo a afirmar que vivem do que nós, os nossos pais e os nossos avós com "tanto sacrifício descontaram", quando a realidade dos números é que os imigrantes a contribuíram com 968 milhões de euros em 2021, e com 1.604,2 milhões em 2022. E que essas contribuições são hoje decisivas para a sustentabilidade do sistema.


Nem as promessas de tudo para todos, sem uma única menção ao como e com quê.


Nem um congressista a dizer chamar-se Rui Cruz, ser "um homem", "pai de família", "avô" ... E "fascista". Disse ainda ter 65 anos e ter combatido na guerra. Feitas as contas, e tendo a guerra em que o país esteve envolvido terminado há 50 anos, o homem - "um português que não se resigna", como também se caracterizou - terá partido para a guerra, em África, e desatado a matar "terroristas pretos", logo que concluiu a quarta classe, pressupondo um bom aproveitamento escolar. 


Nem outro, esse ainda jovem, e bem posto, de fato e gravata, com todo o ar de português de bem, a afirmar convictamente que concordava em absoluto com as ideias do mestre"Quais"? - perguntou-lhe a repórter. "Sei lá, eu não consigo ler as ideias das pessoas" - respondeu. Com a mesma convicção!


É isto. Com tanta gente sem perceber o que isto é!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Acabado de chegar ao primeiro lugar, isolado no topo da classificação quando o campeonato dá a volta, o Benfica abre mão do seu mais influente jogador, considerado pela crítica o melhor jogador do último campeonato onde, entre outros, pontificavam valores como Moutinho, James, Jackson, Gaitan, Cardozo, Enzo Perez… E, diz-se – o que vale o que vale (que expressão irritante!), porque o que no Benfica nunca falta, com o mercado aberto ou fechado, tanto faz, é notícias de jogadores a chegar e a partir - na calha de saída estarão ainda Rodrigo, Garay e até Gaitan…


Não dá para entender!


Não dá para entender que, depois de um início de época traumatizante, mesmo miserável, quando a equipa atinge estabilidade emocional e competitiva, e chega ao primeiro lugar, de que durante tanto tempo esteve distante, se deite tudo abaixo. Não dá para entender que, quando se entra numa fase decisiva de um campeonato que não pode deixar de ser ganho, quando a equipa acaba de dar um golpe profundo nas aspirações do seu principal rival, deixando-o estendido no tapete, em vez de forçar o KO lhe vá entregar de bandeja os espinafres do Popey.


Não dá para entender que o melhor e o mais influente jogador da equipa seja vendido por metade da cláusula de rescisão. Embora se perceba que, quando o presidente do Benfica anuncia que precisa de vender, está exactamente a expor-se a isso mesmo: a vender em saldos. E então não daria para entender que um negociante experimentado e de sucesso, como é o presidente do Benfica, desse tal tiro no pé, que se expusesse da forma que o fez. Embora se perceba que o tenha feito para defender a pele. Quando LFV anunciou que teria de vender não ignorava que isso fragilizava a posição negocial do Benfica, simplesmente falou mais alto a necessidade de se proteger a si próprio!


E aqui está o grande problema do Benfica. Um problema de liderança, que não é de facto o ponto forte de LFV: um líder forte e consistente, sem flancos desprotegidos ou sem telhas de vidro, toma as decisões que tem de tomar, pondo as convicções em primeiro lugar, nunca outras preocupações. Se o Benfica tinha de vender jogadores para responder às suas responsabilidades financeiras, a LFV competia optimizar esses negócios, mesmo que em contra-mão com a popularidade. Só que, para isso, não poderia ter dito que não vendera no mercado do Verão para construir uma equipa capaz de ganhar tudo, e de sonhar com a final da Champions na Luz, quando era claro que, simplesmente, do mercado não chegara qualquer proposta minimamente aceitável para qualquer jogador.  


Como não pode dizer que a necessidade de vender decorre do afastamento do Champions que, mesmo desconhecendo o que representaria no budget para esta época, não poderá representar um prejuízo superior a 7 ou 8 milhões de euros. Que, como toda a gente percebe, nada têm a ver com, sequer, a venda de Matic.


É por tudo isto não dar para entender que dá para entender que todos os jornais façam hoje eco da mágoa de Vieria com Matic… Mesmo que, mais uma vez, não dê para entender que recorra à pressão do sérvio para justificar a sua venda. Nesta altura, por metade do valor da cláusula de rescisão contratualizada, pondo em risco a conquista do campeonato e correndo o risco de oferecer mais um tetra ao Porto. Pela primeira vez um tetra todo ele oferecido por LFV, laçarotes incluídos!

domingo, 14 de janeiro de 2024

Experiência nada recomendável


Não houve diabo, esta noite na Luz. Que não encheu, mas que estava bem composta, com perto de 55 mil adeptos nas bancadas. Mesmo que o primeiro remate, e a primeira oportunidade, tenha pertencido ao Benfica, logo no arranque do jogo  para, logo a seguir, no seu primeiro remate, o Rio Ave tenha marcado.


Ainda não tinha dado para perceber o que o jogo teria para dar e, aos nove minutos, o Rio Ave já ganhava. Percebeu-se logo a seguir, quando se começou a ver que que o Benfica não conseguia reagir ao golo sofrido, e que o Rio Ave punha e dispunha do jogo praticamente a seu belo prazer. Dominava o meio campo, onde os seus jogadores chegavam sempre primeiro à bola, e ganhavam todos os ressaltos, e impunha o ritmo do jogo.


Foi assim durante praticamente toda a primeira parte, com o Benfica apenas com um ou outro "salpico". Num deles, às portas da meia hora, numa transição de Rafa (tinha que ser!), ao segundo remate - foram vinte e três minutos sem rematar - e à segunda oportunidade, marcou. A assistência de Rafa foi primorosa para um grande golo de Di Maria, daqueles que só ele mesmo consegue marcar.  


Esperava-se que finalmente, e com o golo do empate, se invertesse definitivamente o rumo do jogo. Mas não. O Rio Ave continuou a ser melhor equipa, e o Benfica não conseguiu muito mais que mais dois ou três "salpicos" já com o intervalo à vista, com o guarda-redes vilacondense a evitar o golo com duas grandes defesas. Primeiro a João Mário, com um vistoso chapéu e, logo a seguir a Rafa. 


Esses cinco a dez minutos finais fizeram com que, ao intervalo, as estatísticas revelassem um equilíbrio, que na realidade era ilusório. Na posse de bola (52-48%), nos remates (4-5), com todos os do Benfica enquadrados, e apenas um do Rio Ave fora do alvo, e com dois cantos e três oportunidades de golo para cada lado. E fizeram, até porque as últimas imagens são sempre as que mais ficam, as bancadas - de onde tinham começado a sair os primeiros assobios - acreditar que o pior tinha passado, e que a segunda parte colocaria as coisas no devido sítio.


Foi no entanto mais uma ilusão. O recomeço da partida voltou a trazer um Rio Ave melhor, e dominador. Não havia diabo, mas ele estava lá, bem dentro da exibição do Benfica. Nos primeiros três minutos a bola foi parar duas vezes ao poste da baliza ... de Trubin. E o pesadelo (a lembrar aqueles 20 minutos com o Famalicão, no último jogo do ano) prolongou-se até ao fim do primeiro quarto de hora.


Nunca ninguém poderá garantir que, não tivesse sido a expulsão (dois amarelos em menos de dez minutos) do defesa do Rio Ave, dois minutos antes, o pesadelo tivesse acabado tão cedo. Mas que o jogo mudou aí, não há dúvida. E o Benfica tomou então, finalmente, o comando claro do jogo.


O livre resultante da falta (corte com a mão de uma jogada prometedora) que ditou o segundo amarelo ao defesa do Rio Ave, cobrado por Di Maria, acabou numa grande defesa do guarda-redes, para canto. Que repetiu para evitar o golo no canto directo do mágico argentino. Novo canto que acabou no golo da reviravolta, de António Silva.


Logo a seguir, na tripla substituição de Schmidt - que já estava programada - assistiu-se à estreia de Marcus Leonardo (entrou a substituir Arthur Cabral, como Florentino e Tiago Gouveia substituíram Kokçu e Di Maria), a primeira contratação de inverno. Que marcou aos 80 minutos, dezassete depois de ter entrado. Na estreia, a fazer lembrar Jonas. Que foi o que sabemos.


A partir do golo da reviravolta, então sim, foi um festival de oportunidades. E foram apenas mais dois golos (o último, de João Mário, em mais uma assistência espectacular, de trivela, de Rafa, no primeiro dos três minutos de compensação) porque quer Tiago Gouveia, que mexeu completamente com o jogo, quer o estreante Leonardo queriam muito marcar. E, de tanto quererem, e tanto tentarem, acabaram por eliminar as muitas ocasiões de que desfrutaram.


Com aquela meia hora final, o Benfica passou das 3 oportunidades de golo, ao intervalo, para 14; e o Rio Ave das mesmas três para cinco, com as tais duas bolas nos postes, nos primeiros três minutos da segunda parte. E, no fim, as estatísticas não foram mentirosas. O Benfica acabou por ganhar bem, mas lá que podia ter sido o diabo, podia.


Não se recomenda que se repita a experiência. É mesmo perigoso!


 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Nunca numa gala da FIFA tanto se falou português. Se calhar nunca se falou tanto em português numa gala internacional de dimensão planetária…


Cristiano Ronaldo conquistou a bola de ouro, foi declarado o melhor do mundo, como todos desejávamos. Mas não foi por isso que tanto se falou em português. Nem por isso nem por ele, até porque falou pouco: chorou mais do que falou. Nem por Eusébio, que a FIFA num acto falhado pretensamente homenageou: uma vergonha! Nem por Matic, que ainda joga no Benfica, ao serviço de quem marcou - ao Porto, pois claro – um dos três melhores golos do ano, ao lado dos golos de Neymar e Ibrahimovic (que, com o seu fabuloso pontapé de bicicleta, ganhou) pelas respectivas selecções. Nem pela bola de ouro de prestígio de Pelé, tipo prémio de carreira ou honoris causa, que falou em inglês.


Foi apenas pela mega promoção do mundial do Brasil em que a FIFA transformou aquela gala. Por isso por lá desfilaram muitos brasileiros e brasileiras que, ao contrário de Pelé, falaram em português!


Mas esta gala da FIFA não fica na minha memória apenas por se ter falado muito em português. Nem pela lástima que constituiu a suposta homenagem a Eusébio. Nem pela segunda bola de ouro do fenómeno português. Nem pela cara bonita da Irina, a contrastar com a do Cristiano lavada em lágrimas. Fica na minha memória porque disse que o melhor treinador do mundo é um tipo que, há pouco mais de uma dúzia de anos, achava que o João Pinto não era jogador da bola, que já não prestava para o Benfica…


O treinador que foi cúmplice de Vale e Azevedo é o melhor do mundo. Não me conformo com isso!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O minuto de silêncio foi estragado, a claque portista não respeitou a mais simples das homenagens a Eusébio. Como não respeitou a palavra do seu líder, que garantira antes do jogo respeitar o minuto de silêncio em memória de Eusébio. Ou como ele não respeitou a sua própria palavra!


Fora isso, o que não faltou foram homenagens a Eusébio. O jogo foi todo ele uma gigantesca homenagem à Pantera Negra. Foi o golo ao minuto 13, o número que celebrizou em Inglaterra, em 1966. Foi aquela fantástica arrancada no estilo inconfundível de Eusébio, com o número 50 na camisola, seguida de passe teleguiado para Eusébio que, já com o 19 nas costas, disparou de primeira como só Ele sabe. Foi aquela impetuosa cabeçada de Eusébio, então com o 24, mais alto e mais forte que quantos Mangala por aí andem…


Aconteceu hoje aquilo com que os benfiquistas sonham há muitos anos, e que muitos davam por impossível. Como hoje se viu era possível uma equipa de onze Eusébios e, como todos os benfiquistas sabiam, uma equipa dessas só pode ganhar. Ao Porto ou a quem quer que seja!


Eu sei que é difícil ver as faltas cometidas pela equipa do nosso coração. Eu sei que, para mim, muitas das faltas assinaladas contra o meu Benfica nunca existiram. Por isso, se fosse árbitro, não as assinalaria. Mas o Artur Soares Dias é!


Por isso não viu Jackson, em claríssimo fora de jogo, e que só não marcou porque não acertou com a baliza, naquele último lance da primeira parte… Não viu as inúmeras faltas de Lucho, Fernando e companhia. E às que viu não lhe viu gravidade para amarelar. Não viu o Mangala cortar a bola com a mão, dentro da área, mesmo à sua frente… Mas viu que toda gente viu que ele viu. E a partir daí…Não foi fazer bem sem olhar a quem. Foi fazer mal!


Eu compreendo, porque se fosse árbitro também não assinalaria nada contra o Benfica até perceber que tinha caído no exagero. A culpa não é dele. É de quem faz estas nomeações, que a toda gente pareceriam estranhas!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Por que será que os congressos partidários me acentuam a ideia de que os partidos estão cada vez mais transformados em associações de malfeitores?


São reuniões onde quem não é por mim é contra mim… Onde se distribuem lugares em jeito de premiar a lealdade mais canina… Onde no beija mão todos mostram o cu...


Onde no ar há fumo em vez de ideias… Como numa casa de putas, que é o que de mais parecido há com este CDS de Portas!


 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Abracemos Eriksson

O legado de Eriksson no Benfica


Sven-Göran Eriksson faz parte da História do Benfica. Chegou, em 1982, ainda jovem, com um surpreendente título europeu no currículo - ao serviço do desconhecido IFK Goteborg, onde ganhou tudo o que havia para ganhar na sua Suécia natal - para revolucionar o futebol em Portugal. Saiu dois anos depois, com o pleno de dois campeonatos - um bicampeonato que o Benfica já não conseguia desde 1975/76 -, uma Taça de Portugal e uma final europeia (Taça UEFA), que o Benfica já não atingia desde os tempos áureos de Eusébio e Cª. 


Regressou cinco anos depois, em 1989 para, três anos depois, regressar a Itália e partir para o mundo. Depois de conquistar mais um campeonato, e da última presença do Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus, perdida (por 0-1) para o então "dream team" do Milan. 


Mas não é apenas por tudo o que ganhou. Nem pelo revolucionou o futebol em Portugal. Nem pela simplicidade, nem pelo cavalheirismo e pelo desportivismo, num futebol que não sabe o que isso é (recordemos as "estórias" das Antas, do guarda Abel, da creolina nos balneários). É por tudo isso, e porque é, e será sempre, um dos nossos que, neste dia em que anunciou que lhe restam poucos meses de vida, nós, benfiquistas estamos obrigados a envolvê-lo num gigantesco abraço de carinho, conforto e gratidão. 


Se não for já possível dá-lo no sítio certo, temos de lho fazer chegar de todas as formas possíveis. O meu, por mais simples e insignificante que seja, fica aqui. Já. Mas ainda à espera que tudo seja feito para que seja possível dar-lho anonimamente, no meio da imensidão de braços abertos para o receber no Estádio da Luz, a dizer-lhe que é, e será sempre, um de nós!


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Afinal – e ficamos hoje a sabê-lo pela boca do próprio no Congresso do CDS – o famoso irrevogável de Paulo Portas foi mesmo teatro. Teatralizou mais uma vez, e desta porque, garantiu, não havia outra forma. Foi, como disse, a força do que tem que ser…


Se calhar não tinha muito mais por onde sair, mas a saída não é boa. Para ele tanto lhe faz: acha sempre que que toda a gente é de memória curta!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

O diabo ainda anda por aí ...


Tenho referido aqui que, nos últimos jogos do Benfica, "o diabo tinha deixado de estar sempre atrás da porta". E como isso ajudava... 


Hoje, com a Luz cheia, como é habitual, com perto de 60 mil nas bancadas, lá espreitou ele. Não sou supersticioso mas há coisas que não me trazem boas sensações. Uma delas é quando a águia Vitória se distrai, e não leva o seu papel muito a sério. Deve ter sido isso, deve ter sido a nossa Vitória a trazer o "diabo para trás da porta". É que o Benfica entrou bem no jogo mas, à primeira perda de bola (de Di Maria, que iniciou o jogo com passes de lés a lés), o primeiro remate do Braga (e também do jogo), a primeira defesa de Trubin, o primeiro canto ... e golo. Para que não ficassem dúvidas que aquilo era obra do diabo, Trubin enquadrou-se com a bola rematada por um tal Zalazar mas, à última hora, ela bateu em João Mário e desviou-se do caminho que levava, direitinha às mãos do guarda-redes do Benfica.


E rapidamente o Benfica se viu com trabalhos dobrados - dar a volta ao diabo e ao resultado. A tarefa não ia fácil. Aqui e ali com dificuldades na ligação do seu jogo, que o Braga complicava, tapando bem os caminhos para a sua baliza - e queimando tempo, desde muito cedo - o Benfica ia somando ... cantos. Ia a dizer que com cantos não se ganham jogos, mas o diabo diz-me que é melhor não...


Até que, já com o intervalo à vista, surgiu a expressão da dimensão do futebol do Benfica. João Neves a servir Kokçu que, de primeira, como sempre, lançou a bola por entre os centrais do Braga, a deixar Rafa, em desmarcação em excesso de velocidade (o VAR não tem os aparelhos da polícia) na cara do guarda-redes. Que saiu bem, exigindo-lhe uma grande execução para meter a bola na baliza. Dois minutos depois, o primeiro momento de Arthur Cabral, e reviravolta no marcador.


O lance é curioso, e merece ser descrito. Num lançamento de linha lateral, na esquerda e já perto da grande área, João Mário pegou na bola, para a devolver rapidamente ao terreno de jogo. Hesitou, e depois decidiu entregá-la a Morato. A ideia era óbvia - ele, João Mário, teria mais condições de a segurar no meio daquela gente toda do Braga. O Morato não esteve pelos ajustes e lançou-a para Cabral, já na quina da pequena área. Recebeu-a, rodou, ganhou a frente ao defesa que o marcava, e disparou de imediato. Aquela bola só teria que entrar, nem que fosse por entre as pernas do guarda-redes.


Daí até ser esgotado o período de compensação o Benfica procurou o terceiro. A maré era favorável, e era o que tinha de fazer. Poderia ter surgido, mas não aconteceu. Virado o resultado, ao intervalo o mais difícil estava feito. Pensava-se.


Só que o diabo continuava lá. E já tinha nome, mesmo que esquisito - chamava-se Zalazar. A abrir a segunda parte, no segundo canto do jogo, o diabo voltou a dar sinal de vida. Se no primeiro, mesmo com "canto trabalhado", foi o desvio em João Mário que encaminhou a bola para o golo, neste não houve nem jogada trabalhada, nem desvio em ninguém. Otamendi interceptou a bola, para a frente - é certo - mas para muito longe, para uma zona donde nunca se marcam golos. Mas o Zalazar não tinha apenas o diabo no corpo, era o próprio diabo. E dali uma bomba dos diabos, inacreditável. E indefensável!


Na realidade, em tempo de jogo, bastaram 5 minutos para três golos, e para o resultado voltar a ficar empatado.Nas outras duas vezes o jogo tinha estado empatado durante pouco tempo. Sete minutos, a zero, e apenas dois, a um. Desta vez durou bastante mais. Vinte e dois minutos - meia parte!


E não foi fácil para o Benfica essa meia parte. O Braga controlou sempre e, tem de dizer-se, jogou bem melhor. Não criou oportunidades de golo, é verdade. Mas jogou mais à bola, e tornou cada canto, e cada um dos muitos livres assinalados pelo Nuno Almeida (mais uma arbitragem habilidosa, com ponto alto naquela entrada de Abel Ruiz sobre João Neves, igualzinho - veja-se bem - , àquele em que, no ano passado, em Braga, nos quartos de final da Taça, Bah foi expulso; e teve ainda a lata de marcar falta a João Neves) em coisas do diabo. Nesse período o Benfica fez ... um remate!


Estava o jogo assim, sem se ver muito bem como o Benfica lhe poderia dar volta quando o segundo momento de Cabral o virou do avesso. Com um toque de calcanhar - é especialista, já se vê - deixou Aursenes pronto para o remate do 3-2 final. Então sim, a partir daí, desse minuto 70, o Benfica controlou em absoluto o jogo.


De tal modo que, nos restantes 25 minutos que o jogo durou, apenas dois merecem menção. E pelas melhores razões: os aplausos da Luz a Pizzi, quando entrou ao minuto 88; e, logo no minuto seguinte, a Arthur Cabral, quando saiu para a entrada de Musa.

Comunicação social - ninguém se importou!

Capa Diário de Notícias - 11 novembro 2018 - capasjornais.ptComunicado sobre a Direção Editorial da TSFEdição do Dia - Jornal de Notícias


"Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei


Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."


Bertolt Brecht (1898-1956)


Tudo o que está a acontecer na Global Notícias - ou lá como lhe chamam agora -, nos centenários Diário de Notícias e Jornal de Notícias, no mais novo e "arregimentado" O Jogo, e na TSF, que há perto de 40 anos revolucionou a rádio para dela se tornar referência, cabe, inteirinho, neste poema de Brecht.


É só escolher o sujeito! 

Há 10 anos

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José Luís Arnaut foi nomeado para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs.


Foi Secretário Geral do PSD, como Dias Loureiro... e Relvas. E ministro adjunto, como Relvas, o gémeo!


Tem dado uma mãozinha nas privatizações. Na privatização dos CTT, que foi parar à Goldman Sachs... E ele ao seu Conselho Consultivo...


Na privatização da REN... para os chineses. Foi parar ao Conselho de Adminsitração...


Privatização da EDP... chineses. A presidência da Mesa da Assembleia Geral ... foi para o seu sócio, Rui Pena...


Privatização da ANA... Representou a Vinci ... E preside à Mesa da Assembleia Geral...

Há 10 anos

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Se alguém ainda tem dúvidas que este regime está esgotado e que já só pode levar o país ao definhamento final, basta que olhe para o espectáculo dos inquéritos parlamentares: se a maioria parlamentar não está interessada em que se mexa no assunto, pura e simplesmente não há inquérito. Se há inquérito, a verdade apurada é invariavelmente a da maioria…


Ainda está quente o escandaloso relatório da senhora (ou será menina?) deputada que responde pelo apelido Marques Mendes, da Comissão Parlamentar de Inquérito aos Swaps, e já a maioria inviabiliza o inquérito aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.


Este não é apenas um problema da actual maioria, esta é simlesmente a mais despudorada de todas. É um problema que cada maioria repete. É um problema de respeitabilidade. De responsabilidade e de credibilidade. É um problema do regime!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...