sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A chegada do ano novo é sempre tempo de alinhavar novos projectos, de projectar sonhos e desejos. É tempo de esperanças, novas ou renovadas… É tempo de desejar a concretização de sonhos e projectos - novos ou adiados – ou simplesmente de ilusões, daquelas que sabemos que nunca passarão disso!


É tudo isso que estamos habituados a reflectir nas mensagens de ano novo que trocamos, com os votos de um bom, feliz e próspero ano novo!


Não é certamente o caso deste novo ano que nos preparamos para receber. Tendo como certo e adquirido que 2012 vai ser o nosso annus horrbilis, é de admitir que, bom mesmo, seria fazer deste ano o que as Ilhas Samoa fizeram desta sexta-feira, 30 de Dezembro, que a riscaram do calendário para directamente passarem para sábado, 31. Bom mesmo seria que, desta noite de 31 de Dezembro de 2011, passássemos para 1 de Janeiro de 2013. Ou de 2014. Ou de 2015!


Mas parece não ser possível dar esse salto no tempo. O que os samoenses fizeram com um dia não poderemos nós fazer com um ano. Daí que, em vez de desejarmos um bom ano uns aos outros, se justifique desejarmo-nos não apenas um mau ano mas o pior de todos os anos das nossas vidas. Se não conseguimos trocar as voltas este ano novo, se ele vai ser o que se anuncia - e já que, contra crenças, profecias e mitos, o mundo não irá acabar em 2012 - então que seja mesmo o pior. Que não voltemos a ter mais nenhum como este, que seja o da remissão definitiva dos nossos pecados, para que possamos voltar a ter a esperança de anos melhores para todos!


Por isso perdoem-me mas, desta vez, não vou apresentar votos de um bom, feliz e próspero ano novo. Vou precisamente desejar que este seja o pior ano das nossas vidas! E que passe depressa, logo este que, bissexto, ainda é maior!


Porque, contrariando Nostradamus, não será certamente o último... Valha-nos isso!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Tudo diferente, menos o que é sempre igual


 


É impossível não começar com uma palavra de enorme apreço para Nelson Veríssimo: estava com a equipa B na Feira, para disputar o jogo da Segunda Liga, com o Feirense, quando foi chamado a Lisboa para tomar conta da equipa principal. Na viagem recebeu a notícia da morte da mãe - e quem já perdeu a sua sabe o que é isso - foi dar o treino e apresentou-se hoje no Dragão, com uma equipa, uma verdadeira equipa, a discutir o jogo. 


É de um verdadeiro benfiquista. É de campeão!


Este jogo de hoje não teve nada em comum com o da semana passada. O que teve em comum é o que têm em comum todos os jogos com o Porto: uma arbitragem a influenciar o seu desfecho, sempre sob a pressão permanente, e a batota sistemática dos jogadores do Porto, em teatralização permanente, quer a simular faltas, quer a sua extensão. De resto, mais nada que fizesse lembrar o naufrágio da equipa da Benfica no jogo da Taça, faz hoje uma semana.


Nelson Veríssimo não revolucionou a equipa. Nem podia. Não houve tempo para fazer a revolução, e as opções disponíveis também não davam para muito. Mas acabou com os três centrais que Jesus inventara, e que limitavam o equilíbrio da equipa, e fez com que os mesmos jogadores parecessem outros. E o Benfica que entrou em campo foi uma equipa equilibrada e com jogadores empenhados, e dispostos a disputar todas as bolas com a mesma vontade dos seus adversários. 


Bastou isto para que entrasse em campo sem medo e, a partir daí, não só a discutir o jogo mas a superiorizar-se. E na verdade a primeira meia hora foi do Benfica. Quem, faz hoje uma semana, por esta hora, admitiria que isto fosse possível?


Aconteceu então o que é comum acontecer nestes jogos com o Porto. Aos 34 minutos. Pontapé longo do guarda-redes portista - logo depois de Yaremchuk, isolado, ter desperdiçado uma ocasião flagrante para marcar - que obrigou Vlachodimos a sair da área e a corta a bola pela lateral. Reposição rápida da bola (mérito ao apanha-bolas - não é caso único, e só é possível a jogar em casa), com o Fábio Vieira a dominá-la com o braço para, com a defesa do Benfica surpreendia com a rapidez com que a bola fora reposta, se isolar e marcar o golo, com a bola a passar entre as pernas do guarda-redes. 


Viu-se no lance corrido que o Fábio Vieira - já tão batoteiro como Octávio - ajeitou a bola com o braço. E que, sem esse gesto, não teria ficado com ela à frente. E nunca poderia ter marcado o golo. Esperava-se que o VAR o anulasse. Mas não. Nem o VAR o anulou, nem a Sport TV mostrou mais o lance. 


O Benfica sentiu o golo. E sentiu mais a injustiça, mais uma vez. E três minutos depois - aí sim. com a defesa aos papéis - sofreu o segundo. Dois golos em três minutos, e assunto resolvido. 


Nada disso. Em vez de o darem por resolvido, o treinador e os jogadores do Benfica sentiram que tinham ainda de fazer mais, e que se não deixariam abater. Voltaram ao domínio do jogo, mas o resultado não se alterou até ao intervalo.


A entrada na segunda parte foi de autêntico assalto à baliza portista, e o golo surgiu logo ao segundo minuto. Só que logo a seguir André Almeida foi expulso (adivinhava-se!). O Benfica ficava toda a segunda parte a jogar com menos um. Mas nem assim deixou de ser melhor, e de criar as melhores oportunidade para marcar. Mbemba evitou o golo de Gonçalo Ramos, que batera com categoria Diogo Costa, com bem mais trabalho que Vlachodimos. E Rafa, num grande remate, fez a bola passar a centímetros do ângulo esquerdo da baliza, com o guarda-redes portista batido.


A meio da segunda parte Nelson Veríssimo mexeu na equipa. Com a expulsão de André Almeida já tinha retirado Yaremchuc, que acabara de fazer o golo, para entrar Lázaro - e que bem jogou, não teve nada a ver com o que se tem visto - para lateral esquerdo. Provavelmente, pelo esforço despendido pelos jogadores, não poderia deixar de o fazer. Mas não correu bem .João Mário e Rafa, que estavam a fazer um grande jogo, deram o lugar a Pizzi e Taarabt. E Gonçalo Ramos, também em bom nível, a Seferovic.


É certo que os que entraram não estiveram ao nível dos substituídos. Mas decisivo, mesmo, foi que o terceiro golo do Porto aconteceu em simultâneo. Num lance infeliz, em que Gilberto (mais um, com um grande jogo) perde um ressalto para Vitinha, que isolou Taremi para marcar. De novo por entre as pernas de Vlachodimos.


Nem aí a equipa desistiu e, mesmo sem a qualidade que antes demonstrara, continuou a jogar, sem nunca se entregar.  E teve ainda mais uma ou outra oportunidade para marcar, mesmo que a mais flagrante tenha pertencido ao Porto, por Octávio. Mas já nos descontos, e com Morato (mais outro bravo) já sem poder correr.


O Benfica perdeu. E  está inevitavelmente arredado do título. E, no fim este, jogo serviu apenas para Nelson Veríssimo, e os jogadores, dizerem a Rui Costa quanto custou não ter decidido quando e como devia. 


Que o novo ano, que aí vem, seja melhor. Um bom ano para todos!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Continuamos na senda dos balanços e inventários de fim de ano, e ainda no mundo da blogosfera.


O portal Sapo dá conta que nos blogues aí alojados se escreveram 100 milhões de palavras. E elaborou uma lista das 100 cujo uso mais subiu em relação ao ano passado. Que ganharam em 2011 uma relevância que nunca tinham conhecido. No topo dessa lista, com um crescimento – imaginem – de 25038%, está a palavra troika. Nos dois lugares seguintes, mas a enormíssima distância, estão dois nomes: Mubarak e Kadhafi, respectivamente.


É natural. A troika não entrou apenas no nosso quotidiano, veio mexer com a nossa vida e acordar-nos no meio de um pesadelo. O problema é que o pesadelo não acabou com o esfregar dos olhos, acordamos e percebemos que estava a começar!


troika associamos outra palavra, também pouco usada antes: memorando. E Merkel, a senhora que aprendemos a odiar. Pois bem, se a primeira surge no sétimo lugar da lista, o nome de Merkl surge na 23ª posição, pouco atrás de FMI, no vigésimo lugar.


triângulo da troika aparece aqui com um só lado - o FMI. Mas entende-se, os restantes dois são, à nossa vista, apenas um: Merkel!


Não há Comissão Europeia, nem Banco Central Europeu: há Merkel. Ponto final.


 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Hugo Chavez não tem dúvidas que os Estados Unidos desenvolveram uma tecnologia para induzir individualmente o cancro. Só assim se explica – explica ele – a onda de neoplasias que tem recentemente atingido os líderes sul-americanos!


Por agora isto até poderá parecer estranho – concede – mas daqui por 50 anos ninguém terá dúvidas. Pronto! Até lá vamos todos ter que viver com uma grande dúvida: o que é que será mais difícil de explicar? A tecnologia americana ou mais uma das loucas teorias chavistas?

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

(In)capacidade de decisão

Rui Costa ganha importãncia com a chegada de Jorge Jesus | TerceiroAnel.blog


A notícia da demissão de Jorge Jesus surgiu logo pela manhã. Que o treino, o primeiro desde o jogo da última quinta-feira no Dragão, foi cancelado e que os jogadores regressaram às suas casas, não há dúvidas. As câmaras das televisões mostraram-no. Do resto, oficialmente, ainda nada se sabe. Sabe-se que Rui Costa chegou ao Seixal às 10 horas, o que, se não disser muito, diz que é tarde para o que se vive no Benfica.


E sabe-se que, se hoje é, finalmente, o dia do adeus definitivo de Jorge Jesus ao Benfica, é também o primeiro dia do resto da presidência de Rui Costa. É o dia em que - só não vê quem não quer ver, mais uma vez - Rui Costa deixa à mostra que não tem capacidade de liderança para ser Presidente do Benfica. Não há líder sem capacidade de decisão. Um líder pode não ter grandes competências, nunca pode é não ser capaz de decidir!


Rui Costa foi um dos maiores jogadores de futebol da História, com uma carreira ao mais alto nível. E está há uma dúzia de anos na estrutura directiva do Benfica, os últimos dos quais em declarada preparação para assumir a presidência natural do clube. Percebeu - tinha de perceber! -o rumo de destruição em que caiu futebol da equipa. E dispôs-se a simplesmente assistir.  Com toda a experiência de jogador e dirigente, e perante a realidade da equipa e do treinador, sabia, como todos sabíamos, que, se dependesse dos jogadores, Jorge Jesus já lá não estaria há muito. Ao permitir que estes dois jogos com o Porto do final de ano se transformassem na decisão do futuro do treinador, Rui Costa entregava nas mãos dos jogadores a decisão que só a ele cabia. Bastava-lhe jogar como jogaram o primeiro dos dois jogos no Dragão. E, se não bastasse o primeiro, haveria ainda um segundo para fazer o mesmo. Depois, ao não intervir no que se seguiu ao jogo de quinta-feira passada, deixou nas mãos de Jorge Jesus a decisão que nunca tomou.


Para um líder, uma não decisão é sempre muito pior que uma má decisão. A não decisão de Rui Costa resultou no achincalhamento do Benfica. No campo, na última quinta-feira no Dragão. E na praça pública, com um inacreditável encontro público do treinador com os dirigentes do Flamengo, a dois dias de um jogo decisivo. E com uma equipa toda uma semana sem treinar entre dois jogos que decidem uma época!


Disto, nunca mais Rui Costa se vai libertar. E o Benfica, sabe-se lá quando ... 


Os benfiquistas percebem que há muito não há um projecto para o futebol. E que esse projecto só é possível depois de uma completa vassourada nos técnicos, nos dirigentes e até no balneário. E que isso só se faz com capacidade de decisão e liderança indiscutível, atributos que Rui Costa acaba de mostrar que não possui.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Por todo o lado, os responsáveis mais próximos pelos desastres da sua governação foram afastados do poder, sendo já novas as caras que vieram dar a cara pelos sacrifícios exigidos pelos resgates. Por penalização eleitoral, como em Portugal ou em Espanha, ou por imposição externa, como em Itália ou na Grécia!


Por todo o lado excepto na Madeira. Aí é a mesma cara, uma cara sem espaço para a vergonha. Alberto João Jardim – mais uma vez igual a si próprio, sem vergonha na cara - apresentou a factura aos madeirenses como se nada tivesse a ver com aquilo. Com a impunidade de sempre, como ininputável. Como se não tivessem havido eleições há apenas dois meses, e como se, então, nada houvesse que julgar!


Parece-me que ninguém poderá dizer que a culpa seja só dos madeirenses. Há outros com culpas nesta singularidade insular!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Depressa e bem não há quem

Cerimónia demorou 90 segundos. Gouveia e Melo tomou posse como Chefe do  Estado-Maior da Armada - Renascença


Há um ano - faz hoje precisamente - iniciava-se o processo de vacinação contra a covid. A primeira vacina era administrada ao médico António Sarmento,  director do serviço de doenças infecciosas do Hospital de S. João, no Porto. Em Lisboa o processo arrancaria poucos minutos depois, com a vacina a ser administrada ao médico Fernando Nolasco, de medicina interna, do Hospital Curry Cabral.


Deste bem sucedido processo emergiria, logo em Fevereiro, o vice-almirante Gouveia e Melo, que passou do absoluto anonimato para figura nacional do ano para a generalidade da imprensa. Em poucos meses de missão - na realidade pouco mais de meio ano - granjeou fama e prestígio. Em menos, ainda, chegaram apenas dois meses, mostrou que, mais do que não saber o que fazer de tanto prestígio, não saber muito bem lidar com tanta fama. E, de não querer nada, passou a querer tudo. Da humildade do anti-herói à arrogância de super-estrela foi um passo curto. De anti-Messias a rei-Midas, foi só dobrar a esquina.


Hoje, o dia em que se assinala o primeiro ano da vacinação, ascendeu à mais alta patente da marinha e tomou posse como Chefe do Estado Maior da Armada. Não em apoteose, mas também não se pode dizer que tenha sido uma cerimónia discreta. Talvez apenas envergonhada. Onde entrou mudo e saiu calado, depois de tanto ter falado. Sem o primeiro-ministro, de férias. Sem o seu antecessor, desconsiderado. E sem que o Presidente da República, que tem sempre qualquer coisa a dizer sobre tudo e sobre nada, dissesse o que quer que fosse. Nem sequer por que eram agora inequívocos os equívoco há três meses.


E se hoje, neste dia de acerto de contas, puxarmos um bocadinho pela memória, seremos capazes de nos lembrar que o curto passo de Gouveia e Melo, com que dobrou a esquina, começou a ser dado a partir do fim de Setembro, logo a seguir aos equívocos anunciados por Marcelo. E lembrando-nos disso percebemos que Gouveia e Melo tinha pressa. Ora, "depressa e bem não há quem". Nem o vice-almirante, agora almirante!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Durante este ano, segundo o Secretário de Estado das Comunidades - José Cesário - terão emigrado entre 100 e 120 mil portugueses. Não se sabe ao certo nem, segundo diz, é possível sabê-lo. Por aqui se vê a falta que faz a tal agência de que falava o eurodeputado Paulo Rangel: enquanto ia empurrando os portugueses para a fronteira sempre os contava…


Mesmo sem saber exactamente quantos já tiveram que optar por abandonar o país ao longo deste ano, certo é que muita gente está a seguir o conselho do governo: emigrar!


Estranho é que, depois do topo da pirâmide do governo ter reforçado conselho do pioneiro Secretário de Estado da Juventude, venha agora o secretário de estado José Cesário, a propósito destes números, declarar-se preocupado: “…quando vejo emigrar jovens com grande preparação académica e científica, claro que fico preocupado”, referiu ao jornal i e à Antena 1. Como o ouvi ainda salientar que considera que o país está a perder “massa cinzenta”, indispensável aos desafios de crescimento e de internacionalização que se colocam à economia nacional.


Eu também acho! Mas não parece nada que estas preocupações sejam partilhadas por quem tem muito maiores responsabilidades no governo… Parece que a bota não bate com a perdigota

domingo, 26 de dezembro de 2021

Desmond Tutu (1931-2021)

Moral giant': How the world reacted to Desmond Tutu's death | News | Al  Jazeera


 


A Humanidade perdeu um dos maiores defensores dos valores que a devem reger. O Arcebispo Desmond Tutu não foi um Homem à frente do seu tempo. Foi um Homem que fez o tempo que muitos ainda não conseguem acompanhar.


Morreu um dos maiores seres humanos da História da Humanidade!


 


 


 


 


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Na sua mensagem de Natal o primeiro-ministro enfatizou duas ideias: reformas estruturais e confiança!


São – curiosamente, ou talvez não – dois dos grandes calcanhares de Aquiles que são apontados aos seus primeiros seis meses de governação. O governo tem sido acusado de procurar dinheiro e de cortar em tudo o que mexe, sem mexer em nada do que deveria cortar, sem tocar nos intocáveis – PPP, por exemplo – e sem limpar as famosas gorduras do Estado. Ainda recentemente, como aqui se deu nota, depois de criadas expectativas elevadas à volta daquele domingo de trabalho extraordinário, a montanha pariria mais um rato. E, de reformas, ficamos na mesma!


E de, com isso, dizimar a última gota de confiança que eventualmente pudesse resistir. Com isso e com um discurso realista, é certo, mas nada galvanizante, como a mais que badalada e recente tese da emigração. Em apenas seis meses o país passou de um primeiro-ministro que negava e escondia a dura realidade para inventar raios de sol e de esperança, que não olhava a meios para puxar pela auto-estima nacional, para um outro que, com uma narrativa de verdade, é certo, não encontrava outra cor que o preto carregado para pintar o seu discurso.


O país passou de um primeiro-ministro que puxava pelo país e o rebocava alegremente para o abismo, para outro que parecia nada mais  conseguir que observar, impotente, um país a desfazer-se em cacos pela ravina abaixo. A verdade que ambos minaram a confiança, a mola real do desenvolvimento. Um, porque não merecia o mínimo de crédito, nem sequer de respeito, e outro porque, apesar de respeitável, não dá mostras de um rasgo capaz de fazer alguém acreditar que encontre uma solução. Um, um líder desacreditado e ética e moralmente desautorizado. Outro, um líder respeitado mas sem espírito de liderança. Ambos a deixarem o país órfão de liderança. Ora, sem liderança não há confiança e, sem confiança, nem o mundo nem o país pula e avança!


 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

A prova do algodão


Se era preciso esperar por Dezembro, e por estas duas deslocações ao Dragão, para fazer o teste do algodão a esta equipa  de Jorge Jesus, bastou o primeiro dessas confrontos para confirmar que este Benfica não tem capacidade para se bater com os seus principais rivais em Portugal. Não foi capaz contra o Sporting, na Luz. E voltou a não ser esta noite, no Dragão. E sempre com banhos de bola e de estratégia de jogo.


E isso para os benfiquistas é inaceitável. Os adeptos sabem que o Benfica poderá não ganhar sempre, mas não podem aceitar que perca sempre. E que perca tão claramente como está a acontecer. 


Neste momento já não é só Jorge Jesus que há a responsabilizar, mesmo sendo ele o principal responsável pelo desastrado desempenho da equipa. Depois da equipa ter entrado como entrou no jogo com o Sporting, hoje a equipa conseguiu ainda fazer muito pior, contra um adversário que toda a gente sabe que faz da intensidade que coloca no jogo, na pressão e na luta pela disputa da bola a sua principal arma. Se, em vez de um jogo de futebol, fosse uma luta de cães, diríamos que em campo estavam 11 pitbulls de um lado e 11 caniches do outro.


Coube ao Benfica a saída de bola. E no entanto sofreu o primeiro golo aos 30 segundos, e num lançamento de linha lateral. Isto é, saiu com a bola, perdeu-a de imediato e cortou-a depois pela linha lateral. Lançamento com as mãos para a área, o lance mais fácil de defender em futebol, onde os jogadores do Porto ganharam todos os ressaltos até a enfiarem na baliza. Tudo em menos tempo do que demorou a descrever.


Pouco mais de 5 minutos depois mais do mesmo. Os do Porto ganharam todos os ressaltos, e o golo acabou por ser evitado pelo Helton Leite, com uma defesa - difícil - para canto. Do canto, de novo mais do mesmo. O mesmo Helton soca - mal - a bola, mas os pés chegar a bola para o segundo golo.


Dois a zero, aos 7 minutos!


Ninguém acredita que Jorge Jesus não tenha preparado os jogadores para o que iriam encontrar. Que não tenha avisado os jogadores disto. Mas, com tudo o que se tem passado, poucos acreditarão que os jogadores o tenham ouvido. È verdadeiramente bizarro que, num clube com a dimensão do Benfica, a dois dias do primeiro de dois jogos numa semana que decidem toda a época, o treinador ande a encontrar-se publicamente com dirigentes de um outro clube que o pretende contratar. 


Outro treinador, outra pessoa de outra dimensão, nunca o faria. Uma administração à altura da grandeza do Benfica nunca teria deixado chegar as coisas a este ponto. E era tão simples tirar o tapete a Jorge Jesus, impedindo-o de jogo baixo em dois tabuleiros...


Rui Costa é, por isso, hoje tão responsável quanto Jesus por esta derrota. Que é eliminação da Taça, mas é ainda mais, como se verá já de hoje a uma semana. 


O Benfica chegou ao 2-1, que poderia reabrir o jogo, e porventura alterar-lhe o destino. Mas o assistente do árbitro Tiago Martins não teve dúvidas em assinalar fora de jogo de 4 centímetros, e anular o golo de Darwin. No VAR, João Pinheiro colocou as linhas nos tais 4 centímetros. Não é isso que espanta, já vimos muito disso. O que espanta é que, no início da segunda parte, o mesmo assistente só tenha visto um fora de jogo do Porto de 4 metros, que por acaso não acabou em golo, quando os jogadores do Benfica já tinham passado do meio campo em contra-ataque. Então sim, reparou que lhe tinha escapado um fora de jogo de 4 metros, quando detectara o outro de 4 centímetros.


E aqui temos de voltar à estrutura do Benfica liderada por Rui Costa. Tiago Martins é um péssimo árbitro, com longo historial de perseguição ao Benfica. Esta noite permitiu tudo aos jogadores do Porto. Permitiu que Evanilson, que já tinha amarelo, pisasse perigosíssimamente Otamendi, em lance de vermelho directo, sem sequer assinalar falta. Para, logo a seguir mostrar amarelo ao mesmo Otamendi (que lhe valeria a expulsão, pelo segundo, já na parte final do jogo) num lance em que nem tocou no mesmo Evanilson. Permitiu que Octávio desse pancada, e simulasse faltas e agressões durante todo o jogo, amarelando-o apenas já perto do fim do jogo, e antes de ser substituído. Passou sem sequer amarelo a falta de Fábio Cardoso, à entrada da área, que lesionou gravemente Darwin, que saiu com o pé ensopado em sangue. E no entanto é o Porto que não comparece na conferência de imprensa, em protesto contra a arbitragem. Pela estrutura do Benfica Tiago Martins pode continuar o seu historial sem sequer um reparo.


Não valeu o golo de Darwin, e à meia hora de jogo, em mais um descalabro defensivo do Benfica, mais uma vez com André Almeida como réu maior, em contra-ataque o Porto marcava o terceiro, e fechava logo ali o resultado. A partir daí o Porto defendeu, e o Benfica fingiu que atacava. 


Aos 45 minutos, no fim da primeira parte, Evanilson foi expulso, com o segundo amarelo. então já muito atrasado, e o Benfica tinha toda a segunda parte para jogar com um jogador a mais. Não a jogou toda, porque Otamendi seria também expulso, mesmo que já perto do fim, para complicar ainda mais as coisas para o jogo do campeonato, de hoje a uma semana. Mas nem por isso o jogo mudou de cariz - o Porto a defender, e o Benfica a fazer que atacava, perdido em cruzamentos para a área que nunca davam em nada. A não ser no golo de Otamendi - e como o merecia! - também anulado por fora de jogo a Pizzi, entrado na segunda leva de substituições (entrou com o inexplicável Lázaro) depois de ao intervalo terem entrado Yaremchuk e Everton, e de Seferovic ter entrado para o lugar do lesionado Darwin. Substituições que, tal como o futebol que a equipa não tem, também não deram em nada.


E pronto - a Taça já lá vai. O campeonato, pelo que se vê, é já a seguir. E Jorge Jesus lá vai para o Flamengo  e com indemnização, que é tudo o que quer. 


PS: Peço desculpa, mas troquei o nome do árbitro:  é Fábio Veríssimo, e não Tiago Martins. Só muda o nome, são a mesma coisa. Mas têm nomes diferentes.

Testemunhos

Não é negacionismo científico. É pior! | Jornalistas Livres


Os relatos de pessoas infectadas com Covid que tinham recusado a vacina sucedem-se. Uns em discurso público, outros, muitos mais, em confidência ou em grito de desespero. Já todos, certamente, assistimos a uns e a outros. Médicos contam-nos de jovens internados que recusaram a vacina a implorarem-lha, como se naquela altura isso lhes resolvesse outras coisa que não o sentimento de culpa.


São relatos que calam os movimentos negacionistas, que em Portugal nunca tiveram grande expressão, onde as manifestações públicas da intolerância se resumiram àquele triste episódio protagonizado pelo inenarrável Fernando Nobre.


Mas não acontece assim noutras partes do mundo. E não acontece assim na Europa desenvolvida. Não acontece na Alemanha, onde um homem que há poucas semanas matou a mulher e as três filhas - por ter falsificado testes à Covid e temer as respectivas consequências criminais - passou a ser festejado como mártir pelos movimentos negacionistas organizados. Ou na Áustria, onde um mentor de um desses movimentos, Johann Biacsics, dando entrada, infectado, num hospital de Viena, recusou tratamento. Se era Covid - respondeu - não era grave, sabia como tratar. Morreu, poucos dias depois. Para o movimento que liderava, incluindo o próprio filho, não morreu de Covid, mas envenenado no hospital.


Neste segundo Natal que em dois anos de pandemia não temos...


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Banco Central Europeu não pôs as rotativas a trabalhar mas foi quase como se pusesse. Colocou uma pipa de massa ao dispor da banca, para injectar liquidez: uma boa notícia!


Os bancos, 522 bancos europeus, correram a esse dinheiro como lobos famintos atrás de um rebanho e sacaram quase 500 mil milhões de euros. Os mercados financeiros, em vez de se tranquilizarem com esta volumosa injecção de dinheiro no sistema, ficaram ainda mais nervosos: acharam que toda aquela fome de dinheiro era mau sinal. Resultado: os juros das dívidas soberanas dispararam e o risco de incumprimento subiu para uma série de países europeus, entre os quais já a Áustria e a França! E a taxa de juro para a Itália voltou para os 7%!


Vá lá a gente perceber isto… Preso por ter cão e preso por não ter!


O que restava da EDP nas mãos do Estado foi parar a mãos chinesas. Dizia-se por aí que seriam os alemães da E-ON, que Angela Merkl tinha dado a volta a Pedro Passos Coelho, o que nem sequer era muito difícil. Mas não, o governo privilegiou o encaixe em detrimento de opções mais naturais, como seriam a alemã ou a brasileira. Terá sido a melhor opção?


Há quem defenda que sim, que para além de receber já mais dinheiro, o governo, com esta opção, favorece as condições de financiamento da EDP. Mas também há quem veja esta opção como de curto prazo, e errada do ponto de vista estratégico. A China não vem acrescentar valor, nem traz quaisquer outros apports sinergéticos!


Mas vá lá a gente perceber isto: então privatizar não é, por definição, entregar a privados? Ora o governo vendeu ao Estado Chinês, a uma empresa pública chinesa! O maior accionista da EDP continua a ser o Estado. Só que o chinês!

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Passa por aí um spot publicitário a um determinado produto de um determinado banco, daqueles que não têm dinheiro para pagar a Mourinho ou a Cristiano Ronaldo e que, por isso, lançou mão de três ex-jogadores de futebol, um de cada um dos três grandes, como não podia deixar de ser.


O anúncio, apelando a um trocadilho entre o banco – o banco de suplentes – e o banco itself, assenta na narrativa da solução que está no banco: o jogador suplente que sai (ou salta) do banco para resolver a partida, ou mais do que isso…


É Jorge Couto, o antigo jogador do Porto que diz que, num jogo com o Salgueiros – já foi há muito tempo, ainda havia Salgueiros – saiu do banco e marcou dois golos decisivos. É Paulo Alves, enquanto jogador do Sporting, que diz que, num jogo com o seu Gil Vicente saiu do banco e fez também dois golos. E César Brito, do Benfica, que vai buscar à memória os dois golos que, também saído do banco, marcou ao Porto nas Antas.


Até aqui tudo bem. A narrativa dos três é a mesma, embora se possa questionar se é a mesma a importância dos dois golos de cada um, ou se a dimensão do feito, em razão do jogo e do adversário, é idêntica. Mas cada um só pode contar o que foram os seus feitos e não o que gostaria que tivessem sido!


O busílis da coisa surge na última frase de cada um deles, mesmo no fecho da mensagem. O Jorge Couto e o César Brito terminam – ambos – com  “ganhamos o jogo e … fomos campeões. Já o Paulo Alves termina com um épico “ganhamos por três a zero”!


Parece-me evidente que, mais do que promover o banco e o seu produto, esta criação publicitária tem como objectivo uma provocação ao Sporting. Não diria que pretenda propriamente achincalhar, mas não perdoa uma alfinetadazinha marota!


Logo que vi este anúncio pela primeira vez tive como certa a veemência do protesto sportinguista. A minha dúvida era se a reacção – certamente violenta – partiria do vice, Paulo Pereira Cristóvão, se de Godinho Lopes. Surpreendentemente … nada! Nem de nenhum dos diversos comentadores por aí espalhados pelos jornais, rádios e televisões, sempre tão prontos a denunciar coisas que nem nos passam pela cabeça…  


Ainda admiti que fosse uma questão de tempo. Que andassem tão ocupados a documentar a denúncia pública dos actos graves do presidente do Benfica, no final do último dérbi, que não lhes sobrasse tempo para reagir atempadamente a mais esta provocação.


Pelos vistos, não!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

O cheiro que enche o balão

39.º Congresso do PSD: o discurso de encerramento (as críticas, promessas e  recados) de Rui Rio - SIC Notícias


 


O PSD, dividido ao meio nas eleições internas de há duas semanas, depois de quatro anos com cada um para seu lado,  surgiu agora em Congresso unido como nunca. Já ninguém apoia ninguém que não seja Rui Rio.


É o que faz o cheiro a poder. Um cheiro que entrou intenso em Santa Maria da Feira, trazido pela aragem das sondagens. Essas mesmas,  as - há tão pouco tempo - malditas sondagens. E não qualquer outra coisa. 


Não uma mensagem forte, e muito menos propostas empolgantes. Nem outras, na verdade não surgiu uma única proposta para apresentar aos eleitores. Mas é assim a nossa democracia. Não precisamos de propostas, até porque não estamos habituados a que sejam levadas muito a sério. Basta-nos que o poder apodreça nas mãos de quem o tem, e que comece a espalhar mau cheiro. Que cheira ao mais requintado perfume a quem só está à espera que esse cheiro se aproxime.


Tem sido sempre assim. E assim vai continuar a ser a nossa alternância democrática. 


Quando o poder apodrece basta agarrá-lo, e o balão enche mesmo com qualquer coisa que não tenha sentido, como Costa ter de dizer se viabiliza um governo do PSD se não ganhar as eleições, quando já disse que se vai embora se não as ganhar.


E no entanto é esta a ideia mais forte que do Congresso saiu para fazer vida na campanha!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Depois da redução - há apenas três meses - da indemnização por despedimentode de 30 para 20 dias  por cada ano de trabalho, o governo apressa-se com uma nova redução: para qualquer coisa entre 12 e 8 dias.


Diz-se que é para aprovar até Março. O melhor mesmo é que aprovem isso depressa: pelo andar da carruagem, lá para Março, a proposta de indemnização andará aí por umas horas por cada ano de trabalho. Isto se não for o próprio trabalhador, no acto de despedimento, a ter que pagar indemnização ao empregador!


Diz-se que, afinal, isto já constava do memorando. Este memorando da troika tem mais suspense que os livros da Agatha Christie e mais mistérios que O Código Da Vinci!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Quer-me parecer que já percebe a trave mestra das reformas estruturais que esperavamos que o governo tivesse anuciado no domingo. Pelo que se ouve do governo não restam dúvidas que é a emigração a mãe de todas as reformas!


Ora aí está: manda-se a maioria dos portugueses, em especial os mais jovens, para fora e o país começa a ser outro. Os outros, os que ficam, irão desaparecendo aos poucos, de morte natural ou por suicídio.


E dentro de duas décadas aí está um país novo, sem défice, sem portugueses, sem nada. Sem nada não, porque ainda há a dívida. Mas, aí, completamente limpo de todos os males e livre do seu mais pesado fardo – os portugueses – os credores aceitam o país como dação em pagamento.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Morreu, aos 69 anos, Kim Jong-il, o filho do grande líder Kim Il Sung, que lhe sucedera. O regime faz questão de mostrar como a Coreia do Norte chora a morte do líder. Começou pela televisão - com a apresentadora a dar a notícia em choro convulsivo - e depressa alastrou indiscriminadamente pela nomenklatura fora, ninguém quis mostrar menos lágrimas derramadas que a senhora da televisão!


Falta saber se foi para prestar honras militares que, em vez de uma salva de morteiro, lançaram um míssil.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Bom ensaio


A águia Vitória não quis aterrar no seu poiso, e ficou-se ali por perto da grande área da baliza norte. Parecia mau agoiro para esta recepção ao Marítimo, agora de Vasco Seabra, o miúdo que na época passada fez a vida negra ao Benfica e que, por força da derrota imposta ao serviço do Boavista, que precipitou o desastre em que essa época se viria a tornar, e do empate, pouco depois, já ao serviço do Moreirense, apresentava um raro currículo de treinador imbatível frente às águias.


Por falar em treinador ... Jorge Jesus continuava fora do banco. Como acontecera no último jogo e voltará a acontecer no próximo, no Dragão, para a Taça. Mas não seria daí que viria o agoiro. Não era como o voo da águia Vitória...


O jogo começou como tantos outros - com o golo do Benfica. Logo aos 3 minutos: primeiro ataque, primeiro remate e primeiro golo. De Darwin, que o roubou ao Rafa. Bem roubado, de resto.


Como em tantos outros jogos, que começaram assim, também neste fez o adversário crescer. O Marítimo surgiu a pressionar no campo todo, e especialmente bem alto, logo em cima da área do Benfica, e com a isso a ganhar sucessivamente a bola. E a saber trocá-la. De tal forma que por volta do meio da primeira parte tinha  61% de posse de bola. Mas aí já o Benfica ganhava por 2-0, depois de Darwin ter bisado, agora de cabeça. Perfeito, o remate de cabeça. E já se percebia que Vasco Seabra tinha decidido imitar Carlos Carvalhal, vá lá perceber-se por quê ... Acredito que tenha sido por algum deslumbramento com os resultados desde que há um mês tomou conta da equipa - a substituir o espanhol Júlio Velasquez, que na época passada salvou a equipa da descida, para onde, nesta, estava a voltar a encaminhá-la - com duas vitórias e um empate, e um salto de gigante na tabela classificativa.


O Marítimo parecia o Braga de há umas semanas atrás. Quis discutir o jogo olhos nos olhos, e acabou da mesma forma, vergado ao peso dos golos e de um banho de bola. Não é novidade nenhuma. Em Portugal só os outros dois grandes conseguem discutir os jogos com o Benfica, e mesmo esses sempre a partir da exploração do lado estratégico do jogo, raramente apenas a mandarem-se para a frente. Como fizera o Braga, e fez hoje o Marítimo.


É certo que nem sempre, mas na maioria dos jogos em que encontram espaço para jogar, a qualidade dos jogadores do Benfica faz a diferença. Com o acumular dos golos, ao espaço junta-se a confiança. Com espaço, e com confiança, ninguém segura João Mário, Rafa, Darwin e a maior parte de todos os outros. Problema mesmo é quando não há espaço nem tempo. Os passes e as recepções falham, e a confiança vai pelo cano.


O festival de futebol começou a partir do meio da primeira parte. Pouco depois da meia hora Gilberto fazia o terceiro, e por aí ficou o resultado até ao intervalo. 


Para a segunda parte nada do jogo se alterou, e o festival de bola acentuou-se ainda mais, com os jogadores em permanente movimento por todos os espaços do campo. Logo a abrir mais um golo - o quarto, com Rafa a desmarcar-se a concluir, com classe, um passe de Yaremchuk. E depois o quinto, com os papeis invertidos e com o ucraniano a regressar ao golo, que perseguia já com evidente desconforto.


E a equipa relaxou, como se o golo de Yaremchuk tivesse sido o visto que faltava ao jogo. Até Otamendi teve direito a dar férias à concentração competitiva que nunca abandona. E o Marítimo marcou então o golo de honra, que parecia inatingível. Vieram então as substituições, com o condão de renovar a ambição. Todos quiseram mostrar serviço, e tinham razões para isso. Gonçalo ramos precisava do golo, e foi dele o sexto. Seferovic também, e marcou o sétimo. E por marcar ficaram mais três ou quatro ... Mas nem isso foi suficiente para beliscar a eficácia goleadora da equipa no jogo.


Ficou um excelente ensaio para este tremendo final de ano, com os dois consecutivos - e decisivos - jogos no Dragão. Um bom ensaio é sempre animador, mesmo que saibamos que nem sempre é garantia de boa estreia. 


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A reunião extraordinária (e informal) do conselho de ministros deste domingo faz lembrar as sucessivas cimeiras europeias.


Anunciada como a reunião onde o governo iria tratar (finalmente) das reformas estruturais que haveriam de tirar o país deste marasmo - desta paralisia sem luz ao fundo do túnel - e marcar uma nova época, e de um novo discurso donde, para dar lugar a esperança e rumo, seria definitivamente riscada a palavra austeridade, esta domingueira reunião extraordinária e sem gravata criou no país fortes expectativas. Exactamente como nas cimeiras da UE, sempre decisivas, sempre a última oportunidade que se não deixaria fugir!


Se havia semelhanças nas expectativas, para não as frustrar – as semelhanças, evidentemente – também as conclusões teriam de estar no tom. No mesmo tom! Que é como quem diz, zero. Nada. Nadinha!


Ouvimos o ministro Miguel Relvas dizer que “o governo fez a avaliação das reformas estruturais que Portugal necessita que sejam levadas a cabo para que possamos criar condições em termos de competitividade”. Ou ainda que é necessário reforçar a “articulação entre o Estado e a economia e a criação de mecanismos de confiança que permitam que a economia portuguesa cresça


Mas isto, e muito mais, todos sabemos que Miguel Relvas é capaz de dizer em qualquer momento, todos os dias ou mesmo todas as horas. Isto é nada, é o vazio do discurso político que estamos fartos de ouvir. Para dizer isto não era necessário estar o governo reunido 11 horas num domingo. Pode até dar jeito como instrumento de marketing – isto é que é um governo com vontade de trabalhar, ao domingo e tudo… - mas soa a falso. Porque, sendo estas as conclusões, ou não fizeram nenhum ou não fazem a mínima ideia do que estiveram a fazer, que dá no mesmo!


Não há ponta de substância. Como não a há quando diz que, com as reformas estruturais, “pensamos ser possível combater a maior praga com que a economia portuguesa está confrontada, que é o desemprego”. Mas pior: para que este ar de mangas arregaçadas tivesse uma sustentação mínima, alguma coisa teria que estar à vista através do Orçamento Geral do Estado recentemente aprovado.


E infelizmente não está! Lá apenas brilha a austeridade em todo o seu esplendor. Bom, há sempre a possibilidade das reformas estruturais estarem lá traduzidas por cortes. E da competitividade por redução de salários e aumento de dias e horas de trabalho…


Arregaçar as mangas para cruzar os braços, é o que é!

sábado, 18 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Pinto da Costa veio hoje pedir às televisões que passassem, sem comentários, não sei quantos penaltis que Duarte Gomes assinalou a favor do Benfica nos últimos anos e o que ontem não terá assinalado sobre o Belluschi, que não teve sequer qualquer influência no resultado. O Porto ganhou – contra dez, mas ganhou – por dois a zero!


Não tenho grandes dúvidas que, pelo menos a Sport TV - mas mesmo a RTP – lhe farão a vontade. Não será é sem comentários!


O que Pinto da Costa não coloca na encomenda é o penalti no Dragão assinalado ao Yebda, que decidiu a vitória do Porto e afastou o Benfica do título. Nem o da Figueira da Foz, no ano passado, que lhe deu a vitória e precioso amparo para o arranque da época, quando o Benfica era empurrado para longe por arbitragens escandalosas. Nem o de Guimarães, no jogo inaugural desta liga, para aproveitar do empate encarnado em Barcelos e repetir a época passada.


Isto sem o mínimo esforço de puxar pela memória, para não tornar este texto ilegível. De tão grande e monótono!


É estranho que Pinto da Costa – notável desta lista de gente extraordinária, onde já bisa – surja agora? Não, não surpreende ninguém. Ele sabe quando e como tem que aparecer. É cirúrgico!


Como também sabe fazê-las sem sequer aparecer. Alguém se lembra que, no mesmo dia do derby, um jornalista da TVI foi ameaçado e insultado por Pinto da Costa e agredido pelos seus capangas?


Provavelmente alguns lembram-se vagamente de qualquer coisa. Porque para comunicação social – e em particular para a desportiva – não se passou nada…


Num dos expoentes do corporativismo, nem mesmo quando a vítima é jornalista!


 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Queremos um país inviável?

Governo regulariza todos os imigrantes que tenham pedidos pendentes no SEF  - El Trapezio


Três agentes do SEF, nas instalações do aeroporto de Lisboa, espancaram até à morte um imigrante ucraniano, em Março do ano passado, num crime que, por omissão e conivência, envolveu ainda mais um conjunto de pessoas, entre seguranças privados e até um enfermeiro. Um dos participantes, orgulhoso do seu acto, disse que nesse dia já não precisava de ir ao ginásio... 


A cadeia de comando, até ao próprio ministério, tentou abafar tudo.


Há dois anos, mas só hoje chegando ao conhecimento público, sete militares da GNR do posto de Vila Nova de Mil Fontes, Odemira, espancaram, violentaram e humilharam vários imigrantes. Orgulhosos dos seus actos, filmaram-nos e divulgaram-nos por grupos privados nas redes sociais. Esses filmes foram então, em 2019, parar às mãos da Polícia Judiciária quando, para investigar actos idênticos ocorridos no ano anterior, apreendeu os telemóveis a cinco militares da GNR daquele posto. Identificou aí os sete, três dos quais reincidentes por terem já praticado os mesmos actos em 2018.


A cadeia de comando, incluindo o IGAI, tentou abafar tudo. Conhecidos os factos através de uma estação de televisão, a GNR veio hoje informar que dos sete militares acusados, dois tinham sido suspensos, e os restantes cinco se encontravam a trabalhar normalmente, quando à reportagem da televisão tinha dito que todos se encontravam suspensos.


Os mais altos comandos das forças de segurança em questão, e os mais altos responsáveis do país - Presidente da República e Primeiro-Ministro - dizem-noa que isto não fazem delas instituições racistas. Como o caso dos militares na República Centro Africana também não atingem a instituição militar. Mas fazem, todos, deste, o país que é!


Os imigrantes que sofreram a brutalidade daqueles militares da GNR são os mesmos trabalhadores das estufas de Odemira, com que há meses o país se chocou.


Há poucos dias, um Relatório de peritos da ONU dava conta da "dimensão da brutalidade policial sobre afro-descendentes", num "país que nega o racismo e romantiza o passado colonialista", e denunciava formas de racismo, discriminação racial, xenofobia ou outras intolerâncias.


Ontem foram divulgados pelo INE os números provisórios dos Censos de 202. Em Portugal residem 10.344.802 pessoas. Nos últimos dez anos, desde o últimos Censo (2011), Portugal perdeu 2.1% da população. Foi a primeira vez, desde 1970, que o número de habitantes caiu.


A quebra foi resultado de um saldo natural negativo (diferença entre nascimentos e óbitos), que se traduziu numa perda de 250.066 pessoas. Os estrangeiros são agora 555.299, 5% da população. Mais  41% que há 10 anos. O número de estrangeiros a entrar em Portugal não foi suficiente para o compensar. Mas não é só isso. É a falta de mão de obra. É o envelhecimento da população. É a sustentabilidade da segurança social. É a assimetria demográfica. É "só" a viabilidade de um país!


Um país que tem nas suas instituições pessoas que tratam assim as pessoas que o podem viabilizar é, por si mesmo inviável. Seria bom que pensássemos nisto!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Calou-se a voz da morna. Caiu a bandeira que Cabo Verde ostentava no seu mastro mais alto!


A lusofonia fica mais pobre…


Cize morreu em Mindelo - na nha terra de San Nicolau -  onde tinha nascido há 70 anos! Fica a sodade...


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Inferioridade numérica é uma das expressões mais interessantes e cuja origem não consigo encontrar noutro sítio que não seja a linguagem bélica que, como já aqui vimos em muitas outras oportunidades, é uma das principais fontes de inspiração do futebolês. Ou não seja grande a frequência com que se faz do futebol uma guerra!


Foi sempre em inferioridade numérica que conseguimos as mais épicas vitórias militares da nossa História. Foi assim em Aljubarrota, foi assim nas Linhas de Torres, e foi assim em tantas outras. E mesmo quando não foi assim, contaram-nos assim!


O futebolês tem no entanto uma particularidade: é que não há uma, há duas inferioridades numéricas. É verdade!


Há inferioridade numérica normal, aquela por que passam todos os adversários do Sporting – todinhos, ninguém escapa; desconfio que a coisa possa acabar lá para início do ano e fim da primeira volta, quando o Porto se deslocar a Alvalade – e há a inferioridade numérica nas diferentes zonas do campo.


Por exemplo, os avançados estão sempre em inferioridade numérica em relação aos defesas, o que é dado como uma situação normal de jogo. Por isso é que invariavelmente as defesas se superiorizam aos atacantes, que é a moral que mais vezes os narradores dos jogos tiram da história do jogo. Foi para contrariar este determinismo que se inventaram as transições rápidas e os contra-ataques!


São aspectos da dimensão táctica do jogo. Claro que ninguém gosta da inferioridade, é da vida. É por isso que os treinadores passam noites sem dormir à procura de soluções tácticas que invertam essa nevrálgica condição. Nem todos, bem entendido, o Domingos Paciência dorme descansado… Nota-se até no ar fresco com que aparece nas conferências de imprensa!


É dos livros da táctica que os jogos se decidem no meio campo, essa zona central do terreno onde, dizem, se começam a ganhar os jogos. Daí que se esteja já a ver qual é a chave táctica do jogo: isso mesmo, garantir a superioridade numérica no meio campo, que é a mesma coisa que empurrar o adversário para a inferioridade numérica nessa zona crucial do campo e dimensão vital do jogo.


A outra inferioridade numérica, a tal que não apoquenta o treinador do Sporting, é que já não tem nada a ver com táctica. Embora obrigue a revê-la, mesmo que não requeira grande imaginação: é só baixar o bloco, como agora se diz! Quer dizer, que se lixe o meio campo e o ataque, as coisas decidem-se é na defesa. Toca a defender, todos lá atrás! De tal forma que são muitos os treinadores que dizem ser mais difícil jogar contra dez do que contra onze. Dizem mas não praticam, porque muitas vezes preocupam-se mais em criar condições que levem à expulsão de um adversário do que em ganhar superioridade em certas zonas do campo. Vá lá a gente entendê-los…  


Por aqui se vê que a expulsão de um jogador, empurrando irreversivelmente uma equipa para a inferioridade numérica, não é a melhor das soluções.


Claro que há comportamentos de tal forma graves, ou de tão repetidos, que não podem permitir que o seu autor continue em campo. As circunstâncias que ditam a expulsão não são questionáveis, mas deveria ser permitida a substituição do jogador expulso, devendo a punição cingir-se à suspensão nos jogos seguintes. Uma suspensão agravada de acordo com a gravidade mas também em conformidade com a forma da expulsão: por vermelho directo ou por duplo amarelo.


Creio que esta alteração na dimensão disciplinar do jogo defendia o espectáculo – na vertente estética do jogo e na da ética e do fair play – mas também a chamada verdade desportiva. E, claro, contribuiria para a valorização profissional do Domingos. É que arrisca-se a que digam que só ganha porque joga sempre em superioridade numérica (e às vezes nem assim ganha) e isso penaliza-o, sem dúvida. E ele não merece! Parece-me que até sabe da poda e acho mesmo que, desde que corrija alguns vícios – como, por exemplo, o de olhar para o chão durante os jogos -, poderá - quem sabe, um dia ... - ser campeão nacional!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Hoje sim, houve nota artística. E golos! Golos como ainda se não tinha visto!


Jorge Jesus havia dito que a equipa estava próximo do óptimo. Quem ouviu e se lembrava das últimas exibições achou que era mais uma das suas… Mais uma tirada daquelas com que trava um duelo particular com o seu rival Vítor Pereira. Que, no campeonato da asneira em comunicação, ainda consegue levar-lhe uns bons pontos de avanço!


A verdade é que – sim senhor – isto hoje esteve mesmo próximo do óptimo. Logo agora, que aí esta originalidade do futebol português que são as férias de Natal. Uma espécie coitus interruptus!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Brilho? Só no golo que vale por três!


 


O Benfica assegurou a presença na final a quatro da Taça da Liga, a disputar em Leira no final do próximo mês de Janeiro. Depois de, em Guimarães, ter deixado fugir o pássaro que teve na mão, naquele empate a três daquele jogo que começou bem e acabou tão mal, ficava a tarefa de ganhar na Luz ao Covilhã, marcando pelo menos três golos e sofrendo, no máximo, um.


A missão não era impossível, nem sequer difícil. Ganhar por 3-1 ao 16º classificado da Segunda Liga só poderia ser tarefa complicada se o Benfica a complicasse. Por muito que o adversário conte, como conta sempre.


E o Covilhã contou. Mas contou mais o que o Benfica a complicou. Poderia dizer-se que começou por complicar com a escolha do onze inicial, sem qualquer dos habituais titulares. Mas foi por muito mais que simplesmente a escolha dos jogadores para desempenhar a tarefa. Começou pela opção pelos três centrais  Tomás Araújo, Ferro e Morato. Poderá Jorge Jesus - ausente do banco por mais uma das originalidades do futebol português, e como espécie de contra-peso para o castigo de Sérgio Conceição - (mandar) falar em ideia de jogo, mas ideias são uma coisa, e o jogo é outra. E o que o jogo mostrou foi três jogadores do Benfica para um do Covilhã naquela zona do terreno e, logo ali, criado um desequilíbrio numérico nas outras zonas do campo onde o Benfica teria de disputar a bola para poder chegar aos três golos da tarefa. Nas zonas de construção de jogo, o adversário tinha dois jogadores de vantagem. Que, depois, a passividade, a falta de dinâmica colectiva e os passes errados dos jogadores do Benfica faziam parecer muitos mais! 


Com mais jogadores para ocupar espaços onde a bola tinha de ser disputada, e com o miolo do campo entregue a Meité e Taarabt, a errarem passes e a perder a bola cada vez que lhe pegavam,  ela nunca chegava nem sequer a Pizzi, quanto mais a Seferovic e Gonçalo Ramos, a quem se exigiam golos, os tais três, mas que eram simples espectadores do jogo. Ia a primeira parte a chegar a meio quando surgiram o primeiro remate, a primeira oportunidade de golo e até o primeiro canto. Mas para o Covilhã!


E dois em um. Ao primeiro remate do jogo correspondeu Helton Leite com uma boa defesa, para canto. E do primeiro canto a segunda oportunidade para o Covilhã, com um remate à trave.


Valeu que pouco depois, à beira da meia hora de jogo, na marcação de um livre numa das raras chamadas jogadas de laboratório que temos visto neste segundo consulado de Jorge Jesus, mas também das mais bonitas que se podem ver, o Benfica chegou ao golo. Vale a pena recordar: livre sobre a esquerda, Taarabt pegou ba bola e, quando toda a gente esperava que dali saísse mais um remate desastrado, coloca-a em Pizzi, incorporado na barreira que, de calcanhar, isola Gonçalo Ramos que, por sua vez a coloca à frente de Seferovic para, já na cara do guarda-redes, a enfiar na baliza. À primeira oportunidade, o golo. O primeiro dos tais três que era preciso!


O golo teve o condão de salvar ... Taarabt. Que pouco depois, noutro belo passe, isolou Gonçalo Ramos, que não conseguiu bater o guarda-redes do Covilhã. E por aqui se ficava a primeira parte, com duas oportunidades de golo criadas. Por aqui e pela expulsão de um jogador do Covilhã, que partiria para a segunda parte com 10. Nada que se notasse, porque o Covilhã ainda ficava com um a mais, dada a tal vantagem que  mantinha com o tal um para três lá na frente.


Ao intervalo, as substituições. Sempre tarefa facilitada para o treinador, como aqui tenho dito. Entraram Rafa, Darwin e ... Paulo Bernardo, preterido na equipa inicial a ... Meité, que ninguém ainda percebeu como é jogador de futebol. Mas é, e é pago pelo Benfica!


A qualidade do jogo melhorou então um pouco, e o Covilhã foi encostado lá atrás. Mesmo assim, e com o 16º classificado da Segunda Liga a jogar com 10, o segundo golo apenas surgiu já a segunda parte ia a mais de metade. E de penalti, cometido sobre Rafa, e convertido por Darwin. E o terceiro, o tal que garantia o apuramento, cinco minutos depois, e já à beira do último quarto de hora. No bis de Darwin, mas também num frango monumental do guarda-redes covilhanense. 


E assim, sem brilho, ficou cumprida uma missão que nunca se tinha tido por exigente, mas que chegou a parecê-lo. Com um penalti e um frango, contra 10. Valha que o primeiro golo, contra 11, vale pelos três! 

Rio a meio da ponte

Rui Rio - Grande Entrevista - Informação - Entrevista e Debate - RTP


Depois da sua vitória eleitoral interna - não tanto pela expressão dessa vitória, que foi mesmo por poucochinho, mas por ter sido a terceira consecutiva - Rui Rio até poderá ter feito renascer a sua carreira política, e surgir finalmente aos olhos dos portugueses como potencial primeiro-ministro. Mas a verdade é que, mais uma vez, não está a saber capitalizar essa espécie de ressurreição e, em vez de se afirmar como alternativa credível para tomar em mãos os destinos do país, escolheu envolver-se em trapalhadas que, em vez de o credibilizarem como verdadeira alternativa, lhe engordam  a imagem de um certo populismo e emagrecem a da estadista.


As suas declarações sobre a detenção de Rendeiro, mas também as listas de candidatos a deputados, ambas virais no espaço mediático, são um manual de como desperdiçar capital político em dois tempos. Rui Rio recusou o debate com o seu adversário com o argumento que não queria perder com as eleições internas o tempo que tinha por precioso para tratar das do país. Em vez de o gastar a preparar debates com Paulo Rangel, preferia gastá-lo a preparar-se para as eleições de 30 de Janeiro. 


Passadas as eleições, e ganhas, esperava-se um Rui Rio cheio de propostas para o país, bem preparadas. Mas não, nem uma. Surgiu nas redes sociais a acusar a PJ e o seu director de foguetório ao serviço do PS, quando o país, as instituições e todos os restantes partidos enalteciam a detenção de Rendeiro. Na entrevista de ontem ao Vítor Gonçalves, na RTP,  acrescentou mais nós aos tinha dado no Twitter e apertados, depois, pela sua porta-voz para os assuntos da Justiça. Mas quando, sobre o anunciado propósito de António Costa num governo mais curto, foi questionado sobre o número de ministérios do seu governo se viesse a ganhar as eleições, respondeu que não se lembrava. Que tinha estudado isso há muito tempo, e já não se lembrava. Mas que seria mais ou menos os mesmos 16 de Costa.


Quis legitimar e reforçar a acusação ao Director da PJ de estar ao serviço do governo do PS com o facto de ser um cargo de nomeação governamental, sem perceber o que, à luz das justificações das suas escolhas para as listas de deputados, isso poderia dizer das sua próprias escolhas se, e quando, no governo. 


A bota do "anti-institucionalismo" de Rio não joga lá muito bem com a perdigota da alternativa que pretende, e lhe caberia, protagonizar,. O rio corre debaixo da ponte, mas este Rio está a ficar parado no meio da ponte. A ponte entre o populismo anti--regime e a alternância no regime. E, pior que estar no meio da ponte sem saber bem se voltar para trás ou prosseguir em frente, é estar no meio da mesma ponte cada vez mais despido, praticamente nu!


Bem sei, da estória do rei, que a multidão não vê. Mas bastou uma criança gritar que o rei ia nu...

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Um tipo qualquer, que parece que é vice-presidente da bancada parlamentar do PS, ameaça os nossos credores: os alemães que se ponham finos ou não pagamos a dívida!


Pagar a dívida é coisa de criança – disse o chefe mor – não pagamos é de adolescente!


O chefe – Zorrinho – deu-lhe cobertura, ajustando umas interpretações mal amanhadas. Estarmo-nos nas tintas para os credores é estamo-nos nas tintas para os credores, não é outra coisa. É exactamente Alberto João Jardim!


É já seguro que Seguro não segura este partido tão partido. E cheio de cabeças perdidas. E partidas!

Que se lixe a política!

Brasil. Prefeito e vereador resolvem desavenças em ringue de MMA


Numa cidade do Amazonas, Borba - mas sem vinho, que seria se tivesse? - o prefeito e um antigo vereador decidiram umas divergências políticas num combate. Em ringue próprio, e com lotação esgotada!


A luta durou três assaltos, e perante uma multidão em êxtase dividida no apoio às duas partes, a coisa resolveu-se em prejuízo do prefeito em funções. No fim, o vencedor afirmou que tinha sido uma excelente jornada de propaganda de MMA. 


Que se lixe a política. E o Brasil.


Bolsonaro não vai deixar de agarrar a ideia. Lula que se cuide!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Teixeira dos Santos, na sessão de abertura da “Conferência Portugal 2012: Os desafios do Orçamento de Estado”, reclamou mais poderes para o Ministério das Finanças.


Traumas do passado, certamente! Há por aí alguém que ache que o actual ministro das finanças, Vítor Gaspar, precise de mais poderes?

As barracas da UEFA

UEFA: SORTEIO DA 'CHAMPIONS' ANULADO E SERÁ REPETIDO | RÁDIO REGIONAL


 


O Benfica despachou o Real Madrid em menos de dois tempos. Jorge Jesus adivinhou: o sorteio para os oitavos de final da Champions deu-lhe o tubarão espanhol. E voltou a acertar, quando logo garantiu que passava. 


E não é que passou? Passou pois, passou ao lado, mas passou. Qual fanfarronice, qual quê!


Pois foi. A UEFA voltou a meter água e o sorteio inicial foi anulado e substituído por outro. Como se sabe, nos sorteios da UEFA, para além de bolas quentes também há condicionalismos. Dois: nesta fase não se podem cruzar nem equipas do mesmo país, nem equipas que se tenham defrontado na fase de grupos. E a UEFA falhou duas vezes. Na primeira, sorteou um jogo entre o Villareal e o Manchester United, que se tinham apurado no mesmo grupo. Deu pelo erro, voltou atrás e prosseguiu com o sorteio. Só que, tendo retirado a bola do United, não a voltou a colocar quando prosseguiu.


Parecia que toda a gente estava satisfeita. O Sporting, satisfeito com a Juventus. E o Real Madrid, que não ligou nada às profecias de Jesus, com o Benfica. O problema é que há um Bayern de Munique, e desse só o Benfica se livrava por ter acabado de levar com eles. Calhou ao Atlético de Madrid, que lá estava no lugar do Porto. Não achou graça e disse que não valia. Só não disse, mas podia ter dito, que se tudo batesse certo a bolinha do United sera deles. Mas bastou-lhes o que disse, e duas horas depois lá estava a UEFA a fazer novo sorteio e a dar-lhe a equipa de Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e Dallot.


Tinha razão, o Atlético de Madrid -  o United era mesmo deles. E lá despachou o Bayern para os vizinhos austríacos do Salsburgo. O Chelsea, campeão em título, e segundo classificado no apuramneto, atrás da Juventus, é que não abriu mão do brinde Tinha-lhe saído oo Lille - o primeiro classificado do apuramento que todos queriam - e com ele voltou a ficar. Foi o único emparceiramento que se repetiu.


O Sporting acabou por ficar com o mais excitante Manchester City. E o Benfica com o Ajax, de Erik ten Hag, que mesmo depois de despachar o Sporting com nove golos, e não dizendo nada de mais, não se livrou de parangonas com vontade de devorar o Benfica ....


O Real Madrid não achou muita graça ficar com o Paris Saint Germain. Mas deve ser apenas por ter sido o seu eterno rival de Madrid a levantar a lebre...


Temos de procurar alguma graça, nestas barracas da UEFA. E acabamos sempre por encontrar...


 


Oitavos-de-final da Champions League sorteados: Sporting-Man. City,  Benfica-Ajax | UEFA Champions League | UEFA.com


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O primeiro-ministro anunciou hoje que o défice deste ano ficará aquém dos 4,5% do PIB, muito abaixo dos 5,9% previstos e contratualizados com a troika. Colossal! Melhor só a Alemanha e a Finlândia!


Quer isto dizer que estamos todos de parabéns? Que os enormes sacrifícios a que estamos sujeitos estão a valer a pena e a produzir resultados? Que mudamos a agulha, e que já não se anunciam défices sucessivamente superiores aos previstos e, mesmo assim, corrigidos em alta dois e três anos depois?


Não! Não quer dizer exactamente isto!


Mas também não deixa de ter o seu quê de surpreendente!


É certo que a proeza se deve à transferência do fundo de pensões da banca, aquele bom negócio de que aqui se falava há uma ou duas semanas. Sem essa operação o défice ficaria nos insustentáveis 8%. É certo que isto é batota, porque é trocar receita para este ano por despesa para os próximos. Mas também por receita dos próximos vinte anos porque, neste bom negócio, a banca ganhou exactamente vinte anos de créditos fiscais!


Mas este é o nosso fado, o nosso património orçamental da humanidade. Todos os governos nas últimas décadas têm feito batota, fosse pela desorçamentação que arruinou as empresas públicas e inventou as PPP, pela transferência de outros fundos de pensões (CTT, PT, etc.) - igualmente bons negócios – ou pela venda de património para, a seguir, se tomar de arrendamento, a que a insuspeita Manuela Ferreira Leite, o moralista Bagão Félix ou o excomungado Teixeira dos Santos sucessivamente deitaram a mão.


Não é pois no recurso a esta batota que poderemos encontrar alguma surpresa. Surpresa será se a coisa se repetir nos próximos anos, porque já não se vê a que deitar mão: os anéis já se foram todos.


O que é verdadeiramente surpreendente é encontrar agora o tal desvio colossal que animou o final do Verão passado, que fez as delícias da discussão política e que deixou Vítor Gaspar ainda mais famoso, particularmente com aquela explicação que separava as palavras desvio e colossal. E que deu origem a uma réplica humorística num programa de TV que não resisto a trazer aqui. Mais ou menos isto: Da frase “ a Sónia Araújo, que é uma boa apresentadora, falava com um agricultor que lhe explicava como semeava o milho”, não se pode extrair que “a Sónia Araújo é boa como o milho”!


Pois é, o desvio colossal, três meses depois, deu à costa! Chegou de forma simples: 5,9 - 4,5! Desde sempre se soube que, para atingir o défice dos 5,9% previsto para este ano era necessário recorrer a este expediente. De tal forma que tinha sido a própria troika a autorizá-lo! E havia mesmo muito boa gente a achar que nem assim se lá chegaria.


Ora, o trapalhão desvio colossal foi o argumento para lançar o pacote de Verão (imposto sobre o subsídio de natal, agravamento do IVA da electricidade, etc.), indispensável para cumprir o défice imposto pela troika…


Pode ser que o ministro das finanças venha agora explicar que a frase que passou naquele conselho de ministros era, afinal, mais ou menos esta: contamos com um pequeno desvio da vossa atenção para deixarem passar uma aldrabice colossal!

domingo, 12 de dezembro de 2021

Montanha russa

Hat-trick de Darwin na goleada do Benfica em Famalicão


 


O Benfica saiu hoje de Famalicão com uma vitória convincente, por expressivos 4-1, construída em dois quartos de hora - os primeiros de cada uma das partes. Entrou bem no jogo, e entrou bem na segunda parte.


Quer isto dizer que a exibição não foi tão convincente quanto o resultado? 


Exactamente!


Mas não quer dizer que não tenha sido uma vitória merecida. Porque o foi, absolutamente. Mas não foi um jogo consistente, como não têm sido a maioria dos jogos do Benfica. Desta vez - do mal o menos - depois de perder o controlo do jogo logo que se esgotou o primeiro quarto de hora, e de ter rapidamente chegado ao 2-0, o Benfica conseguiu recuperar a superioridade sobre o adversário. E, verdade se diga, mesmo depois de a voltar a perder no fim do primeiro quarto de hora da segunda parte, nunca mais a perdeu de forma definitiva. Claro que, a isso, também o resultado ajudou. O 4-1 no fim desse quarto de hora já era decisivo para o comportamento das duas equipas.


O Benfica entrou muito bem no jogo, como de resto tem acontecido noutras ocasiões. E Darwin - com mais um hat-trick - até parecia confirmar o evolucionismo, teoria que o próprio parecia apostado em negar. O primeiro golo foi de perfeição técnica. Tudo - recepção, controlo e remate - foi de grande primor técnico. Que, não sendo exactamente o seu maior atributo, era também onde mais se notava a falta de evolução num jogador com as suas condições, incluindo a sua idade.  Esperemos que não haja regressão. 


Depois caiu, como tantas vezes acontece, e permitiu que o Famalicão fosse crescendo. E que tivesse relançado o jogo, e aberto o resultado, com o golo, ainda antes da meia hora. Só não foi pior porque Otamendi e Vlachodimos lá foram evitando males maiores. 


Ao intervalo, Jorge Jesus entrou no jogo das substituições. Mais uma vez não tinha por onde correr grandes riscos na escolha dos jogadores a tirar do campo. A probabilidade de acertar era muito grande. Escolheu Seferovic e Diogo Gonçalves, que eram mesmo os piores entre os piores. O problema costuma estar nos que entram. E se para o lugar do lateral direito não havia outra opção que Gilberto, ainda por cima moralizado pela exibição da passada quarta-feira, no jogo da Champions, a de Taarabt para substituir Seferovic deixava-nos os cabelos em pé.


Correu bem, desta vez. E o marroquino esteve nos dois golos do início da segunda parte - o terceiro, de Rafa e o quarto, do hat-trick. de de Darwin. Já a segunda vaga de substituições, ainda a 20 minutos do fim, teve por único objectivo resguardar os titulares - Rafa, Grimaldo e João Mário.  Pizzi, e não virar o jogo. As opções por Pizzi, Gil Dias e Paulo Bernardo poderiam ser as mais naturais, nessas circunstâncias. Pizzi e Paulo Bernardo porque são jogadores que têm de contar, e Gil Dias porque não há outro lateral esquerdo. Mas acabaram por acelerar a queda da equipa, e a voltar à fase descendente da montanha russa que é o futebol da equipa ao longo de um jogo. 


Nada de muito novo, portanto!

Golpe de teatro


Não aconteceu o que muitos antecipavam nesta última corrida do mundial de Fórmula 1, em Abu Dhabi. Mas nem por isso deixou de ser a mais insólita decisão de um campeonato do mundo de fórmula 1.


Chamo-lhe insólito para não recorrer à estafada expressão de vergonha. 


Vamos à estória: Max Verstappen e Lewis Hamilton estavam empatados em pontos à partida. O holandês conquistou a pole, mercê de mais um excelente jogo de equipa. Estratégia pura, em que a Red Bull foi sempre a melhor de todas as equipas do circo. Na circunstância lançou Sergio Perez para gerar o cone de aspiração que permitiria a Verstappen bater o tempo de Hamilton. Uma estratégia que implicaria também largar da pole com pneus macios, mais vantajosos para o arranque.


Onde, surpreendentemente, o inglês partiu muito melhor, e ficou na frente. Na segunda curva, Verstappen não perdeu tempo e fez o que se esperava que viesse afazer - jogo sujo. Atrasou a travagem, e com isso colocou-se ao lado de Hamilton e, uma vez ao lado, ocupou-lhe toda a pista. O hepta-campeão mundial ou batia ou saía de pista. Saiu de pista, seguiu pela escapatória e acabou até por ganhar alguns metros.


Mais uma vez, o crime não compensava. Bem tentou a Red Bull - agora que tudo em corrida é negociado com a direcção da prova - que a posição fosse devolvida ao holandês. Mas tinha ficada clara a manobra de Verstappen, e a direcção da corrida limitou-se a obrigar Hamilton a devolver os metros ganhos. Que lá seguiu, sempre na frente e sempre melhor.


Hamilton, com pneus médios, tinha teoricamente mais pneus que Verstappen, que partida com os macios ditados pela estratégia de ataque à pole position. Estranhamente mudaram de pneus na mesma volta, e a Red Bull voltou a dar baile em estratégia: deixou Sergio Perez em pista, para depois atrasar Hamilton e deixar Verstappen recuperar muito do atraso que já tinha para o inglês. Nesta altura tínhamos Hamilton 10 - Verstappen 0. Mas Red Bull 2 - Mercedes 0.


A meio da corrida entra o safety car virtual, e a Red Bull aproveita para mudar pneus nos dois carros. A Mercedes, com Hamilton na frente com mais de 8 segundos de vantagem, optou por mantê-lo em pista. Perdeu tempo. Tanto que, mesmo com a paragem de Verstappen a mudar de pneus, operação que custa sempre um pouco mais de 20 segundos, a vantagem acabou por se ficar nos 12 segundos.


Hamilton acabou por responder bem e, a quatro voltas do fim, conseguia ainda assim chegar à vantagem de 14 segundos, já depois de dobrar quatro carros que se encontravam a disputar lugares de classificação, que Verstappen ainda teria que dobrar . Só que Latifi bateu e entrou o safety car. O real. Tudo o que a corrida não precisava, e tudo o que Hamilton não merecia. Nesta altura Hamilton 15 - Vestappen 0. 


A Red Bull volta a chamar os seus dois carros à box. Vestappen para nova mudança de pneus. Perez, percebeu-se depois, para desistir. Em simultâneo pressiona a direcção da corrida para que o safety car abandonasse a pista na última volta, mas depois de ultrapassado pelos tais quatro carros que separavam os dois primeiros. Red Bul 15 - Mercedes 0!


E assim, em plena última volta, o safety car abandonou a pista com Verstappen colado a Hamilton, no seu cone de aspiração e com pneus novíssimos. Demasiado fácil para Verstappen, aos 24 anos, ganhar e conquistar o seu primeiro campeonato do mundo. Outros se seguirão, porque demonstrou que tem valor para isso. Mas, assim, não!


A Mercedes ganhou, por equipas. Mas apetece dizer que não mereceu. Foi sempre pior nas decisões que a Red Bull. Verstappen ganhou, sendo sempre primeiro, ou segundo, no pior. Mas isso são os resultados. Hamilton é, ainda, muito melhor. E só não ganhou, para além das decisões erradas da sua equipa, pela incrível decisão da direcção da corrida, ao decidir o que decidiu no final da corrida. Hamilton ia muito à frente, não teve nada a ver com o despiste da Latife. Por que razão Verstappen não teve de dobrar os quatro carros que Hamilton tivera de dobrar? 


Só porque a Red Bull grita mais alto? Porque Hamilton iria ganhar pela oitava vez? Porque é preciso manter o recorde de campeonatos? Porque isto é cada vez mais à americana, onde vale tudo?


Há um novo campeão do mundo. É certo (ou talvez não, ainda muita tinta vai correr), mas não houve verdade desportiva. Hamilton não merece perder desta forma. Mas é também demasiado grande para, agora, não merecer ganhar de qualquer outra!


Esperavam-se muitas manobras anti-desportivas da Red Bull. Esperava-se que Verstappen repetisse o que fez logo na segunda volta. Esperar-se-ia até que fosse Sergio Perez, quando ficou na frente para dificultar a vida a Hamilton - e como dificultou! - a desencadear uma qualquer manobra que o colocasse fora da corrida. Hamilton nunca sequer permitiu qualquer uma dessas hipóteses Em pista, fez tudo. Só nada poderia fazer contra aquela decisão da direcção da corrida!


 


 


 


 

sábado, 11 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Na cimeira europeia David Cameron defendeu os interesses britânicos. Angela Markel e os outros 22 defenderam os interesses alemães!


Conclusão 1: Na Europa só há interesses ingleses e alemães!


Conclusão 2: Nunca a Alemanha teve tanta gente a defender os seus interesses!


Conclusão 3: Não há interesses da União Europeia, logo a União Europeia não existe!

O último a rir...

João Rendeiro foi detido na África do Sul. Ex-banqueiro pode ser  extraditado - Nacional - MAGG


 


Gozou com todos nós. Riu de nós todos na nossa cara. De nós, que até dizemos que ri melhor quem ri por último. 


Nós ainda não estamos a rir, e poderemos até nem vir a rir. Mas a Polícia Judiciária ri que se farta. Ri por ela e por nós, valha-nos isso! 


Não sei, se na sua realidade paralela, João Rendeiro estará a perceber que as gargalhadas que ouve já não são as dele.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O clássico do futebol espanhol – agora com expressão mundial – teve no Barcelona um vencedor de mérito indiscutível, confirmando uma superioridade competitiva sobre o Real Madrid contra a qual Mourinho nada pode fazer, por mais voltas que dê. E que tem dado! Mourinho só se pode queixar da maldita sorte de apanhar com este Barcelona!


O Barcelona chegou ao jogo e, como gente fidalga e de boas maneiras, primeiro ofereceu a sua prenda (estamos no Natal) e só depois se apresentou. Deu um golo de avanço – aos 16 segundos, numa oferta do guarda redes Vítor Valdez - e depois, de imediato, partiu para ganhar o jogo.


handicap do Real Madrid face a este Barcelona não é de um só golo. É de muito mais!


Poderá Mourinho lamentar-se de falta de sorte, como de resto já o fez, à revelia – mesmo penalizando - da sua imagem de profissional ímpar, para quem nunca as coisas se resumirão a meros factores aleatórios de sorte e azar. O segundo golo do Barcelona, é certo, tem a marca da sorte: aquela bola quis entrar naquela baliza e nada havia que a pudesse contrariar, pegando na imagem feliz de Luís Freitas Lobo. Em circunstâncias idênticas houve uma bola que, ao contrário, não quis entrar na baliza à guarda de Valdez. Recusou-se! E por duas vezes Cristiano Ronaldo poderia ter marcado, falhando o que normalmente não falha!


E isto leva-nos mais uma vez ao confronto directo entre Messi e Ronaldo e ao peso que têm no jogo quando se defrontam. Sai sempre Messi a ganhar - não me lembro sequer de uma excepção – e é este o factor decisivo, muito mais que sorte e azar. Sendo jogadores completamente diferentes, nunca deixarão de ser o pêndulo da exibição das suas equipas. E a verdade é que a confiança que sempre se notou no argentino nunca passou perto do português. Messi nunca se escondeu – como nunca se esconde - do jogo, não deixa para os outros aquilo que lhe compete a ele, toma a iniciativa sem medo e não falha. Cristiano Ronaldo, não se podendo dizer se tenha escondido do jogo, foi muito menos interventivo e mal sucedido em todas as iniciativas mas, acima de tudo, e o que faz toda a diferença, falhou dois golos que não podia falhar. E porque normalmente não falha, não deixará de revelar o condicionamento psicológico que estes confrontos directos com Messi já produzem no CR7.


Ronaldo é certamente o melhor jogador do mundo – deste mundo - porque Messi, esse, é simplesmente um jogador do outro mundo. Mas a superioridade estrutural deste Barcelona nem sequer se esgota neste pormenor. Nem no seu inesgotável tiki taka. É feita de tudo isto mas é, fundamentalmente, feita de crença. Da confiança que um Puyol intransponível e que cresce à medida das exigências do jogo, transporta para toda a equipa. Bem visível na forma como, pouco depois dos 16 segundos de jogo, foi buscar a bola ao fundo das suas redes, pegou nos colegas e os empurrou para o jogo, enquanto Benzema festejava com colegas e adeptos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Mais que um tiro no pé

DGS não revela pareceres sobre vacinação de crianças, apenas nota técnica  que os resume | Coronavírus | PÚBLICO


Não faço ideia se faz ou não sentido vacinar as crianças. Pelo que é dado a conhecer, não são, nem de perto, o principal grupo de risco; mas são tão transmissores, ou mais, que qualquer outro. Se acrescentarmos o efeito da interrupção das aulas, e o verdadeiro drama social que isso possa representar para toda uma geração, teremos os pratos da balança verdadeiramente inclinados para a sua vacinação.


Mas isto é o ponto de vista simples de um leigo. 


Claro, mesmo para um leigo, é que não faz qualquer sentido que a DGS não divulgue os pareceres que sustentam a decisão de propôr a vacinação. Tanto mais que não a torna obrigatória!


Promover a vacinação das crianças, que não é obrigá-las a vacinarem-se mas, antes, convocar os pais para a sua vacinação, e simultaneamente comunicar que não divulga os estudos que a aconselham, não é apenas um tiro no pé. É um tiro certeiro no coração da credibilidade das autoridades de Saúde!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...