
Se era preciso esperar por Dezembro, e por estas duas deslocações ao Dragão, para fazer o teste do algodão a esta equipa de Jorge Jesus, bastou o primeiro dessas confrontos para confirmar que este Benfica não tem capacidade para se bater com os seus principais rivais em Portugal. Não foi capaz contra o Sporting, na Luz. E voltou a não ser esta noite, no Dragão. E sempre com banhos de bola e de estratégia de jogo.
E isso para os benfiquistas é inaceitável. Os adeptos sabem que o Benfica poderá não ganhar sempre, mas não podem aceitar que perca sempre. E que perca tão claramente como está a acontecer.
Neste momento já não é só Jorge Jesus que há a responsabilizar, mesmo sendo ele o principal responsável pelo desastrado desempenho da equipa. Depois da equipa ter entrado como entrou no jogo com o Sporting, hoje a equipa conseguiu ainda fazer muito pior, contra um adversário que toda a gente sabe que faz da intensidade que coloca no jogo, na pressão e na luta pela disputa da bola a sua principal arma. Se, em vez de um jogo de futebol, fosse uma luta de cães, diríamos que em campo estavam 11 pitbulls de um lado e 11 caniches do outro.
Coube ao Benfica a saída de bola. E no entanto sofreu o primeiro golo aos 30 segundos, e num lançamento de linha lateral. Isto é, saiu com a bola, perdeu-a de imediato e cortou-a depois pela linha lateral. Lançamento com as mãos para a área, o lance mais fácil de defender em futebol, onde os jogadores do Porto ganharam todos os ressaltos até a enfiarem na baliza. Tudo em menos tempo do que demorou a descrever.
Pouco mais de 5 minutos depois mais do mesmo. Os do Porto ganharam todos os ressaltos, e o golo acabou por ser evitado pelo Helton Leite, com uma defesa - difícil - para canto. Do canto, de novo mais do mesmo. O mesmo Helton soca - mal - a bola, mas os pés chegar a bola para o segundo golo.
Dois a zero, aos 7 minutos!
Ninguém acredita que Jorge Jesus não tenha preparado os jogadores para o que iriam encontrar. Que não tenha avisado os jogadores disto. Mas, com tudo o que se tem passado, poucos acreditarão que os jogadores o tenham ouvido. È verdadeiramente bizarro que, num clube com a dimensão do Benfica, a dois dias do primeiro de dois jogos numa semana que decidem toda a época, o treinador ande a encontrar-se publicamente com dirigentes de um outro clube que o pretende contratar.
Outro treinador, outra pessoa de outra dimensão, nunca o faria. Uma administração à altura da grandeza do Benfica nunca teria deixado chegar as coisas a este ponto. E era tão simples tirar o tapete a Jorge Jesus, impedindo-o de jogo baixo em dois tabuleiros...
Rui Costa é, por isso, hoje tão responsável quanto Jesus por esta derrota. Que é eliminação da Taça, mas é ainda mais, como se verá já de hoje a uma semana.
O Benfica chegou ao 2-1, que poderia reabrir o jogo, e porventura alterar-lhe o destino. Mas o assistente do árbitro Tiago Martins não teve dúvidas em assinalar fora de jogo de 4 centímetros, e anular o golo de Darwin. No VAR, João Pinheiro colocou as linhas nos tais 4 centímetros. Não é isso que espanta, já vimos muito disso. O que espanta é que, no início da segunda parte, o mesmo assistente só tenha visto um fora de jogo do Porto de 4 metros, que por acaso não acabou em golo, quando os jogadores do Benfica já tinham passado do meio campo em contra-ataque. Então sim, reparou que lhe tinha escapado um fora de jogo de 4 metros, quando detectara o outro de 4 centímetros.
E aqui temos de voltar à estrutura do Benfica liderada por Rui Costa. Tiago Martins é um péssimo árbitro, com longo historial de perseguição ao Benfica. Esta noite permitiu tudo aos jogadores do Porto. Permitiu que Evanilson, que já tinha amarelo, pisasse perigosíssimamente Otamendi, em lance de vermelho directo, sem sequer assinalar falta. Para, logo a seguir mostrar amarelo ao mesmo Otamendi (que lhe valeria a expulsão, pelo segundo, já na parte final do jogo) num lance em que nem tocou no mesmo Evanilson. Permitiu que Octávio desse pancada, e simulasse faltas e agressões durante todo o jogo, amarelando-o apenas já perto do fim do jogo, e antes de ser substituído. Passou sem sequer amarelo a falta de Fábio Cardoso, à entrada da área, que lesionou gravemente Darwin, que saiu com o pé ensopado em sangue. E no entanto é o Porto que não comparece na conferência de imprensa, em protesto contra a arbitragem. Pela estrutura do Benfica Tiago Martins pode continuar o seu historial sem sequer um reparo.
Não valeu o golo de Darwin, e à meia hora de jogo, em mais um descalabro defensivo do Benfica, mais uma vez com André Almeida como réu maior, em contra-ataque o Porto marcava o terceiro, e fechava logo ali o resultado. A partir daí o Porto defendeu, e o Benfica fingiu que atacava.
Aos 45 minutos, no fim da primeira parte, Evanilson foi expulso, com o segundo amarelo. então já muito atrasado, e o Benfica tinha toda a segunda parte para jogar com um jogador a mais. Não a jogou toda, porque Otamendi seria também expulso, mesmo que já perto do fim, para complicar ainda mais as coisas para o jogo do campeonato, de hoje a uma semana. Mas nem por isso o jogo mudou de cariz - o Porto a defender, e o Benfica a fazer que atacava, perdido em cruzamentos para a área que nunca davam em nada. A não ser no golo de Otamendi - e como o merecia! - também anulado por fora de jogo a Pizzi, entrado na segunda leva de substituições (entrou com o inexplicável Lázaro) depois de ao intervalo terem entrado Yaremchuk e Everton, e de Seferovic ter entrado para o lugar do lesionado Darwin. Substituições que, tal como o futebol que a equipa não tem, também não deram em nada.
E pronto - a Taça já lá vai. O campeonato, pelo que se vê, é já a seguir. E Jorge Jesus lá vai para o Flamengo e com indemnização, que é tudo o que quer.
PS: Peço desculpa, mas troquei o nome do árbitro: é Fábio Veríssimo, e não Tiago Martins. Só muda o nome, são a mesma coisa. Mas têm nomes diferentes.