sábado, 28 de fevereiro de 2015

Que bela prenda!

Por Eduardo Louro


 


 Em dia de aniversário, ao colo de 111 anos de glória, o Benfica brindou os adeptos do futebol com mais uma grande exibição. E o Estoril, o convidado para a festa, com seis golos sem resposta. Para já, a maior goleada da Liga.


Que bela prenda!


A primeira parte foi de altíssimo nível, do melhor que se tem visto. Como merecia a festa, e como merecia Gaitan, de regresso à equipa, quase dois meses, e sete jogos, depois. Nunca na sua ausência o Benfica tinha conseguido atingir patamares exibicionais de excelência, o que evidentemente diz tudo do argentino, há muito o melhor jogador de futebol a actuar em Portugal. A última grande exibição do Benfica tinha precisamente acontecido no seu último jogo, na goleada (4-0) dos Barreiros. A que nem sequer tinha dado grande contribuição, acabou por sair muito cedo, ainda antes do primeiro quarto de hora, com a lesão que o afastou por estes sete jogos onde, recorde-se, o Benfica perdeu tantos pontos como em toda a primeira volta.


Deu para quatro golos, e mais uma bola no ferro – não há jogo em que o Benfica não acerte no mais pequeno, mas também mais indesejado, espaço de baliza – e mais duas ou três oportunidades claras de golo. Todos de grande execução, mas aquele quarto golo, carimbado por Jonas, é um hino ao futebol… Uma das mais bonitas jogadas de futebol alguma vez vistas!


Na segunda parte -  com o Estoril a entrar muito bem - já não atingiu o mesmo nível, até porque a equipa, sem nunca se ter desligado do jogo, teve mais intermitências. Deu para mais dois golos, e deu para uma expulsão de um jogador do Estoril que desagradou profundamente aos benfiquistas.


Nunca a expulsão de um adversário na catedral Luz terá incomodado tanto. Porque, como diria o diácono Remédios, não havia nexexidade… O jogador do Estoril cortou a bola com a mão, a lei diz que isso deve ser penalizado com amarelo, que seria o segundo, mas o bom senso diria o contrário. E depois, com o Benfica já a ganhar por cinco a zero, com o domínio absoluto do jogo, e com pouco mais de um quarto de hora para jogar, esta é uma expulsão que apenas serve as estatísticas. Que um imenso exército, cirurgicamente distribuído pelo espaço mediático, depois manipula na inaceitável campanha, já em velocidade cruzeiro, que visa condicionar as arbitragens e fazê-las regressar ao passado que impeça o significante bi-campeonato para o Benfica!


Hoje não se festejou apenas mais um aniversário. Nem esta capicua de 111 anos de glória. Festejou-se também o regresso das grandes exibições. E sabe-se como isso conta. Como isso nos empolga, e como isso dói forte nos adversários!


 

A cara das coisas

Por Eduardo Louro


 


 


As notícias que ultimamente vieram a público envolvendo a ex-mulher de José Sócrates não são mais que a própria cara do ex-primeiro ministro. Nada que surpreenda por aí além. Ninguém fica muito admirado por ver a cara de Sócrates em actos que envolvem a mulher de quem há muito está divorciado... 


Repare-se: a sua ex-mulher vende um apartamento pelo dobro do valor de mercado a uma empresa do seu amigo, alegadamente para lhe pagar as obras que ele fez num outro. O mesmo amigo, o amigo comum, o amigo presente em toda a história… Passado algum tempo a empresa do amigo, entretanto em falência, vende-o por metade do valor por que comprou. Recebe o sinal e nunca mais faz a escritura para receber o resto. Pelo meio há uma procuração da vendedora para o comprador, que só é utilizada mais de um ano depois da data de emissão…


Mas também compra um monte no Alentejo, por uma pipa de massa financiada pelo BES, com a garantia de uma aplicação financeira no mesmo valor. Financiamento que é pago através de uma prestação mensal ao alcance de poucos, a rondar os 5 mil euros. Por acaso, o valor que recebe do amigo, sempre o mesmo amigo de ambos – claro que se os antigos cônjuges preservaram a amizade para que o amor provavelmente caiu, não há por que não preservar a amizade de terceiros – por uma avença mensal de serviços de consultoria urbanística. Coisa objectiva como bem se vê!


Há coisas que têm cara. E estas, de tanta trapalhada, são a cara chapada de Sócrates. Parece-me claro que só não a vê quem sofrer de sérios distúrbios oftalmológicos… Olhamos para elas e percebemos o direito na prisão preventiva, mesmo que as linhas possam estar todas tortas!


 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Não faltam só alternativas...

Por Eduardo Louro


 


 


A sondagem de hoje do Expresso dá empate técnico entre o PS (37,5%) e a actual maioria governamental (35%). Não é isso que surpreende, António Costa e o PS têm feito por isso… Esta foi até uma semana que serve de paradigma. Ou que serve o paradigma… Nem é preciso falar mais disso.


O que é verdadeiramente surpreendente, único na Europa, é que o eleitorado não vê razões para penalizar ninguém. A esmagadora maioria do eleitorado (72,5%) acha que Portugal tem sido bem governado, e que quem trouxe o país até aqui deve continuar a levá-lo pelo mesmo rumo. 


E isto, neste tempo e neste espaço, é verdadeiramente assombroso. Não se passa em mais lado nenhum. Não há Europa país que tenha passado por estes anos conturbados mantendo inalterável o seu tecido eleitoral. Antes pelo contrário, despareceram do mapa eleitoral muitas das forças políticas que fizeram a História da Europa no último século.  


Faltam alternativas credíveis? É claro que não abundam por aí alternativas sólidas. Faltam com certeza, mas também nas sondagens haveria forma de manifestar esse sentimento… Faltam certamente alternativas mas, mais que alternativas, faltam lucidez, inconformismo, maturidade democrática, activismo político, sentido crítico e de exigência, educação cívica… E sobram medo, conformismo, passividade, resistência à mudança, ignorância...


Parece-me a mim…

Foi Deus

Por Eduardo Louro


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Quando comecei a ouvir cantar – ou seria declamar? - os primeiros versos, não queria acreditar: “Não sei, não sabe ninguém”… E interroguei-me: o que é que este gajo quer daqui? Onde é que se está a meter?


Em poucos segundos deixei de ter qualquer dúvida. Estava a ouvir cantar: “Por que canto o fado”… Numa voz limpa e cristalina, sozinha… “Foi Deus, que deu luz aos olhos”… e passou a ter a companhia do contrabaixo do Ricardo Cruz, em acordes leves e espaçados. Baixinho, para não estragar nada!


“Eu sinto” – todos sentimos – “que a alma cá dentro se acalma nos versos” que ouvíamos cantar…


Quando, três, quatro ou cinco minutos depois – o tempo perdeu dimensão – se ouviu pela última vez “ai, e deuuuuuuuuuu-me esta voooooz a miiiiiiim” a sala cheia, esgotada, rebentou num aplauso arrepiante de uma plateia deslumbrada.


"Foi Deus" que ganhou outra dimensão. Não ficaria bem dizer que o António Zambujo deu outra dimensão a Deus...


Amália teria gostado de ouvir. Não tenho dúvida nenhuma!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Sexto sentido: o de oportunidade!

Por Eduardo Louro



 


É só para lembrar que, por causa disto, hoje ninguém fala daquilo. É bom lembrar que o sentido de oportunidade é o sexto, e se calhar o mais importante: a chinesice de António Costa tem uma semana, é precisamente de 19 de Fevereiro, o do dia de ano novo chinês. O do carneiro!


É esta a contextualização. Não vale a pena dar muitas mais voltas!


 

O buraco de António Costa

Por Eduardo Louro


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Este era o pior momento para António Costa entrar no buraco escuro em que se meteu. Não conseguiu resistir aos encontrões que foi levando de todo o lado, e acabou por se deixar cair num buraco donde dificilmente sairá.


A chinesice em que se embrulhou, e que enche hoje o espaço mediático, é apenas o exemplo mais acabado desse buraco negro onde António Costa anda às apalpadelas, cuja menor das consequências será certamente o abandono em estado envergonhado do histórico Alfredo Barroso, que há muito andava a bater com a porta.


A António Costa está a faltar estofo, e isso vai ser fatal. Já foi fatal para Seguro, mas agora vai ser fatal para o PS. Quando a falta de estofo vitimou Seguro ainda sobrava Costa, que ainda por cima parecia ter disso para dar e para vender. Agora não sobra ninguém!


As coisas já não estavam fáceis. As dificuldades do PS já seriam enormes, como se vê pelo que tem acontecido com os seus congéneres da Internacional Socialista, todos eleitoralmente dizimados pela sua conivência com os desastres neo-liberais. Com consciência disso, António Costa, em vez de assumir o quadrado ou o círculo, optou por tentar a quadratura do círculo. Não o conseguiu, como ninguém conseguiu, nem conseguirá!


Quando, na mesma semana, António Costa diz que não faz propostas porque tudo depende depois de Bruxelas e de Berlim, que o país está melhor ao fim destes quatro anos e elogia o investimento chinês, o paradigma da política de investimento deste governo, que se limitou a entregar ao estado chinês as maiores empresas monopolistas do nosso país e a vender casas a cidadãos chineses a troco de vistos e corrupção, não assinou apenas a sua sentença de morte política. Retirou também de vez a esperança a milhões de portugueses!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Afinal a lista é outra. Não é a do quadro de honra!

Por Eduardo Louro



 


Pelo que se tem visto são infrutíferas todas as tentativas de arrancar do governo uma palavra que seja sobre a decisão de Bruxelas colocar Portugal na lista de países com "desequilíbrios excessivos", submetendo o orçamento português a "vigilância permanente". Não admira. Quando estava tudo a correr tão bem, com o país no quadro de honra de Schauble, a dar lições à Grécia... Quando até o António Costa (onde é que este anda com a cabeça?), nem que fosse para chinês ver, já dizia que afinal isto está a correr bem, vir agora a Comissão Europeia dizer que nada disso, que o bom aluno não percebe nada disto e que está chumbado, é de deixar qualquer um sem fala.


Qualquer um, não. Ao contrário de Passos Coelho e de Pires de Lima, que mantiveram a boca fechada a sete chaves, Paulo Portas há-de ter uma resposta. Ele há-de voltar a falar da soberania recuperada, e há-de encontrar uma maneira de dizer que ter o orçamento na mira de Bruxelas não tem nada a ver com soberania. E muito menos com alguma coisa que não esteja a correr bem nesta história de sucesso que tem para contar aos eleitores.

Radicalismos

Por Eduardo Louro


 


 


A Grécia não sai das primeiras páginas. Agora é pelo futebol, que também não consegue fugir do perigoso radicalismo instalado no país.


Tudo começou com o antigo treinador do Porto que, para além de ser conhecido pela fluência do seu inglês, é também conhecido por ser homem dado a crenças. Se umas eram conhecidas, e nunca fizeram confusão a ninguém – cada um fecha na mão o que quer e beija os objectos que lhe apetecer – outras há que, pelos vistos, eram desconhecidas e desafiam os espíritos mais intolerantes.


No último domingo, no Panatinaikos – Olimpiakos, o Sporting – Benfica de Atenas, Vítor Pereira arrancou para tocar as redes das balizas, a tal crença escondida, que por cá nunca se tinha visto. Quando chegou à baliza em frente para a claque dos da casa, adversário, as coisas começaram a correr mal. Os adeptos do Panatinaikos, ou porque, sendo gregos, não estivessem com a melhor das impressões dos portugueses (o Fernando Santos já lá não está), ou porque sejam pouco dados a tolerar crenças alheias, ou ainda por, em vez de crença terem visto por ali mão provocadora, começaram por mimá-lo com tudo e mais alguma coisa e acabaram a invadir o campo. Diz-se que a correr atrás do homem, sabe-se lá com que ganas!


O que por cá – e provavelmente também por lá até há pouco tempo – daria lugar a uma série de inquéritos e contra-inquéritos para deixar tudo na mesma, por lá foi resolvido com a imediata suspensão de todas as competições internas. Por tempo indefinido. Assim mesmo, sem “mas” nem meios “mas”… Para que as Instituições não fiquem com dúvidas!


Para o nosso compatriota Vítor Pereira, para além do susto, que fique algum cuidado com as manifestações das suas crenças. Sejam elas quais forem!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Já só restam figuras menores...

Por Eduardo Louro


 


Foto "roubada" daqui


 


Isolado, e barricado no fanatismo austeritário com que espera a salvação eleitoral, o governo de Passos e Portas vê-se obrigado a entregar a defesa do indefensável a gente menor, com isso menorizando ainda mais os portugueses. Já sem gente de dimensão á sua volta, o governo entrega a sua defesa a figuras menores, bem próximas da indigência. É também uma questão de dignidade…


Ontem, no Prós & Contras da RTP – o formato até poderá responder aos quesitos de um bom programa de informação/espectáculo, mas uma apresentadora/moderadora cada vez mais incapaz de tratar qualquer tema que vá um bocadinho para além do mais básico dos básicos, deixa-o ao nível do lixo televisivo – foi mais uma vez evidente o nível a que baixou a defesa das posições com que a maioria conta para a campanha eleitoral em que se encontra. Foi entregue a uma figura dada a conhecer por Pedro Sampaio Nunes, empresário e residente em Bruxelas – circunstância que não se cansou de repetidamente referir – que foi simplesmente deprimente. Lugares comuns, frases feitas, ausência de qualquer raciocínio estruturado, ignorância e muitos tesourinhos deprimentes. Um deles é que a electricidade não é um bem transaccionável, não se pode exportar… A ponto de José Manuel Fernandes, o seu colega de pró, que não é exactamente homem de grande vergonha (lembramo-nos, por exemplo, das escutas de Belém), ruborizar levemente ali por cima da barba.


Foi certamente por isso que a sua apresentação se ficou pelo empresário residente em Bruxelas, escondendo que, afinal, tem ocupado inúmeros cargos (alguns ligados á energia) na esfera do poder laranja, entre os quais o de Secretário de Estado da Ciência e Inovação do governo de Pedro Santana Lopes!


 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Miopia, tacanhez e provincianismo

Por Eduardo Louro


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Soube-se hoje que Portugal não estará presente na Exposição Universal de Milão, na Expo 2015, sob o tema "Alimentar o Planeta, Energia para a Vida". Diz-se que para não gastar 8 milhões de euros!


O governo que gasta milhares de milhões nos BPN´s, nos BES e tuti quanti seja banca. O governo dos perdões fiscais dos milhões na Suíça. O governo que engorda o aparelho de Estado com boys e mais boys que custam aos milhões. E que anuncia que vai poupar centenas de milhões em juros, não tem 8 milhões de euros para participar num evento mundial, aqui ao lado, que contará com 20 milhões de visitantes e com a presença de 145 países.


Que no próximo dia 1 de Maio abre portas… Portas. Portas que tem a responsabilidade pela diplomacia económica. Portas que é responsável pela nomeação da ministra da agricultura, e das outras coisas todas, com os pelouros da temática da Expo, que ignorou. Portas demasiado ocupado com as eleições e com a propaganda, para se lembrar destas minudências, onde o mundo terá os olhos…


Também isto atenta contra a dignidade do país. Dificilmente encontraremos um governo onde tantos façam tanto mal ao país... Tão míope, tacanho e provinciano!


 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Vira(gem) do Minho

Por Eduardo Louro


 Moreirense-Benfica, 1-3 (crónica)


 


O Benfica tinha hoje um compromisso exigente com o Moreirense, naquela que era a terceira deslocação ao Minho. Logo por isso, por aquela velha máxima que diz que não há duas sem três: as duas primeiras tinham resultado nas únicas derrotas internas da época!


Não foi assim, há mesmo duas sem que tenha de haver três. E o Benfica ganhou bem… E de Minho só não ficamos conversados porque ainda há Barcelos, e depois Guimarães, já mesmo no fim…


Mas chegou a assustar. Que sirva de lição. O Benfica entrou meio amorfo, sem grande convicção e, pior ainda, sem a determinação que se exigia para resolver cedo o assunto, como era aconselhável. Foi assim toda a primeira parte, pôs-se a jeito, como se costuma dizer… E quando assim é as coisas correm mal. Até jogou mais que o adversário, até poderia ter marcado por duas ou três vezes – teve até uma das habituais bolas nos ferros da baliza adversária – mas expôs-se à inclemência do jogo. E numa das raríssimas oportunidades do Moreirense sofreu o golo, e saiu para o intervalo a perder. Um daqueles golos que não têm entrado nas contas dos campeões nacionais. Ninguém já se lembra de um golo assim, nem do Benfica dar ali espaços. Onde tinha que estar - e não estava - André Almeida!


Na segunda parte tudo foi diferente, os jogadores jogaram o que tinham a jogar, as oportunidades sucederam-se, e os golos apareceram – três, em cerca de quinze minutos.


O primeiro surgiu na sequência de um canto mal assinalado. Salvio caiu dentro da área, já perto da linha final, dando toda a ideia que teria sido tocado no pé pelo adversário. Para não assinalar penalti o árbitro teve de se convencer que o defesa do Moreirense tocou na bola. Que não tocou… E foi o diabo: assinalado e cobrado o canto, Luisão saltou mais alto e fez o golo do empate. Aqui d´el rei, que o Benfica está a ser levado ao colo!


Não importam as ocasiões de golo que o Benfica já criara. Nem as que depois continuou a criar, já com o adversário em inferioridade numérica. Importa que o árbitro se enganou, trocando um penalti por um canto. Então já décimo segundo... E que não haja uma lei que proíba expulsar jogadores adversários do Benfica. Um escândalo!


Haja decência!


 

Há gente capaz de tudo...

Por Eduardo Louro



 


Sempre na vanguarda, sempre na primeira linha, o Observador não perdoa nem esquece. E quer fazer crer que chegou a altura da vingança... E vingança que é vingança serve-se fria!


Quando se trata de justificar o injustificável, há gente capaz de tudo...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Rédea curta e nó apertado

Por Eduardo Louro



 


Já há acordo entre o Eurogrupo e a Grécia... Mas ... interino. Suficientemente provisório para que a corda desaperte ligeiramente. Mas só isso... A corda continua lá, bem apertadinha no mesmo sítio do pescoço...


Em vez dos seis meses de alívio, para respirar e recuperar algum fôlego, dão-lhe quatro. Porque não pode ser tudo como os gregos querem... Mas só se puserem tudo no papel até segunda-feira!


Rédea curta... Desconfio que vai ser assim, sempre com a corda muito curta e bem apertada ao pescoço, que a Grécia irá ter que viver até ás eleições em Espanha!


 


 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Irresponsabilidades

Por Eduardo Louro


 


 


Juncker diz - entre muitas outras coisas relevantes, como a necessidade de definir reformas estruturais - que a troika é ilegítima, que o que fez foi atentar contra a dignidade dos países intervencionados, e em especial da Grécia e de Portugal. O governo português (com medo de uma simples dedução: troika = governo, se troika ilegítima, então governo ilegítimo) diz que não, que isso é uma palermice, que em linguagem diplomática se diz infeliz.


O novo governo grego dá mais um passo, e apresenta mais uma proposta que evite o bloqueamento final do beco sem saída em que está metido. Satisfaz todas as exigências, mas para um prolongamento por seis meses do acordo de financiamento, que não do programa dito de ajustamento. A Comissão Europeia manifesta-lhe receptividade, mas o governo alemão diz logo que não. Que não é viável. Que aquilo ainda não é capitulação total que, com os governos de Portugal e de Espanha, pretende…


Ainda há poucas semanas o governo português era acusado de, com a saída da troika, ter perdido o ímpeto reformista, e a economia portuguesa objecto de outlook negativo, o que irritava de sobremaneira Passos Coelho e os seus ministros… Nem se falava em trocar qualquer financiamento obtido ao abrigo do programa da troika – esses grandes amigos que nos cobram juros no dobro do que já está disponível no mercado, durante o tempo que quiserem – por outro mais barato…


Na sexta-feira passada, ao mesmo tempo que encostavam os gregos á parede, autorizavam Portugal a antecipar o pagamento de metade do empréstimo ao FMI. Que propagandeavam como evidência do êxito dos seus postulados, e como prova de sucesso do bom aluno… Ontem, com o governo grego a anunciar mais um passo atrás na direcção da parede, Schaubler aproveita para exibir Maria Luís Albuquerque numa conferência… Como uma atracção de circo!


É assim que as coisas se estão a passar nesta Europa...  Como se, em vez de um projecto de vida colectivo para centenas de milhões de pessoas, se tratasse de um enredo de telenovela barata … Com total irresponsabilidade!

É uma questão de dignidade, sim senhor...

Por Eduardo Louro


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O governo português está chocado com as declarações de Juncker, que classifica de infelizes. “Nunca a dignidade de Portugal e dos portugueses foi beliscada quer pela troika quer por qualquer das suas instituições” – garantiu Marques Guedes, o porta-voz do governo português que quis ir para além da troika. Fica assim claro que, mais que a troika, é o governo de Passos Coelho que todos os dias ataca a dignidade de Portugal e dos portugueses. Empobrecendo-nos, primeiro, e humilhando-nos, depois!


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

São uns brincalhões...

Por Eduardo Louro



 


Vamos lá a ver se percebemos alguma coisa disto. Então o presidente da Comissão Europeia está agora a dizer, em pleno climax da crise grega, que pecaram contra a dignidade da Grécia, de Portugal e da Irlanda... Que a troika tem de acabar, porque não tem legitimidade democrática... 


"Eu era presidente do Eurogrupo, e pareço estúpido em dizer isto, mas há que retirar as lições da história e não repetir os mesmos erros", diz o tipo que tem nome de esquentador. 


Brincalhões... É o que são!


 


 

Vistas curtas

Por Eduardo Louro


 


 


Esta Europa de Schauble que entende que os gregos votaram mal, já não pretende apenas sujeitar a Grécia à lei do mais forte, impondo-lhe a capitulação total. Quer mais, quer sujeitá-la à mais completa humilhação, para que fique a lição. Para que ninguém mais na Europa ouse votar mal. Para que não passe mais pela cabeça de um único europeu a ideia de votar fora da box, um simples passo para que ninguém mais ouse sequer questionar o poder desta direita de vistas curtas que manda na Europa.


Que é a mesma que, em violação dos mais velhos, sagrados e elementares princípios da União, acolhe um país com um governo como o húngaro. E a mesma que foi meter o bedelho na Ucrânia, e destruir o equilíbrio democrático baseado na alternância pacífica das duas grandes linhas de força da realidade social do país. Com as consequências que já se conhecem, e com as que ainda estão para vir…


O ministro das finanças, Varousakis, escrevia ontem no New York Times, em jeito de grito de desespero que seja ouvido pelo mundo fora, que o governo grego tem como única opção “… apresentar honestamente os factos da economia social grega, apresentar as nossas propostas para que a Grécia volte a crescer, explicando os motivos pelos quais elas são do interesse da Europa, e revelar as linhas vermelhas que a lógica e o dever nos impedem de ultrapassar”. E que a grande diferença entre este governo grego e o anterior está na determinação para “combater interesses, para dar um novo impulso à Grécia e conquistar a confiança dos nossos parceiros” sem “ser tratados como uma colónia da dívida que deve sofrer aquilo que for necessário”.


Nesta sua nova cruzada, esta direita europeia de vistas curtas nega a este governo grego tempo – pouco, seis meses apenas – para implementar as reformas que está determinado a fazer para atacar os interesses instalados que há muito bloqueiam a sociedade grega. E que os governos que o antecederam – esses sim, bons, responsáveis e bem escolhidos, pelo que se percebe das palavras de Schauble – deixaram intocáveis, enquanto aplicavam as suas receitas. Que em vez de resolverem, agravaram. Que já levaram ao perdão metade de dívida… Mas que em nome de um radicalismo que cega quer perpetuar, indiferente às consequências. Sem preocupação com o que vem a seguir. Seja Aurora Dourada na Grécia, ou Frente Nacional em França!


 


 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A surpresa de não ser surpresa

Por Eduardo Louro


 


 


A surpresa na OPA dos espanhóis da CaixaBank sobre o BPI é ... não ser surpresa. A consolidação da banca ibérica, e até da europeia, é inevitável. E consolidação da banca ibérica quer simplesmente dizer que os bancos espanhóis vão comprar os portugueses… Como o CaixaBank detinha já 44,1%, há muito que o BPI está ali à mão... E está barato... E tem o Novo Banco á mão de semear...


O problema, como se percebe, não estará em chegar à simples maioria, que o banco espanhol define como fasqui de sucesso da OPA. Poderá estar em chegar á maioria qualificada que lhe permita desbloquear os Estatutos, que limitam o direito de voto a 20% do capital. É aí que Isabel dos Santos, o segundo maior accionista, com 18,6% do capital (o terceiro são os suíços do grupo Allianz, com 8,4%), vai contar à séria… E tem muito por onde escolher. Desde logo a operação angolana, que neste momento até nem é grande coisa para o BPI…


O que poderá surpreender é que esta OPA tenha sido anunciada logo no dia em que as nuvens estão mais carregadas nos céus da Europa!


 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Zangam-se as comadres...

Por Eduardo Louro


 


 


Numa altura em que a questão da Grécia divide – artificialmente, diria eu – a opinião pública europeia com, de um lado, os que perceberam e reconhecem que a política económica imposta pela Alemanha falhou em toda a linha e, do outro os que, tendo-o igualmente percebido, se recusam pelas mais diversas razões a reconhecê-lo, Vítor Bento, cavaquista inveterado e esteio ideológico do governo português, publicou no insuspeito Observador um interessante artigo que não poderia ser mais oportuno.


Vítor Bento foi sempre, mais que um apoiante desta política económica, uma espécie de reserva moral do governo (e do presidente da república). O homem que lhe emprestava alguma seriedade e alguma respeitabilidade, e com isso alguma autoridade. A Passos Coelho e Paulo Portas não é possível reconhecer grande competência. São – um mais que outro, mas para o caso pouco importa – de seriedade duvidosa, e sua respeitabilidade é engolida pela pantominice. São pessoas como Vítor Bento que vêm por trás disfarçar isso tudo…


É este mesmo Vítor Bento que vem agora explicar, como poucos ainda terão explicado, como tudo estava errado e como deu, como só poderia ter dado, errado. Analisou os últimos seis anos (2008 a 2014) em três blocos económicos distintos: Estados Unidos (EUA), União Económica e Monetária (UEM - zona Euro) e União Europeia sem euro (UE), para concluir que só na UEM o PIB caiu, que na UEM o desemprego cresceu cerca do dobro e que só as contas externas, mas na UEM à custa disso, tiveram idêntico desempenho. Sendo que a crise financeira teve um efeito mundial, e que nada neste três blocos os distingue mais que a receita seguida, os resultados não podem ter outra causa que justamente a política económica seguida. Detalhou a zona euro e dividindo-a entre países excedentários (Alemanha, Áustria, Bélgica, Luxemburgo, Holanda e Finlândia) e deficitários, concluiu que o que o ajustamento (desemprego, e quebra de salários para compensar o efeito cambial) retirou aos países deficitários entregou aos excedentários, que reforçaram a sua competitividade.


Conclui ainda Vítor Bento que “… a assimetria do ajustamento é o resultado da divergência entre as também assimétricas distribuições dos custos e do poder de decisão” e que “só reequilibrando a segunda se conseguirá reequilibrar a primeira”. Que de outra forma a zona euro continuará estagnada por muito mais tempo…E que o tratado orçamental é mais disto mesmo...


É também disto que os dois agitadores do governo grego começam a convencer cada vez mais gente. E que Merkel e Schauble não querem ouvir. Nem Rajoy, nem Passos Coelho… Mas desses já sabemos por quê!


Não deixa de ser estranho que Vítor Bento só agora tenha percebido tudo isto. Se calhar tem alguma coisa a ver com a sua passagem pelo BES… Quero eu dizer ... só depois de de lá sair é que ficou com algum tempo para estudar estas coisas! 


"Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades"? Não acredito... Isso são coisas do povo!


 


 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Tão igual, mas tão diferente...

Por Eduardo Louro


 


 


O Benfica voltou a ganhar ao Vitória de Setúbal, repetindo o resultado da última quarta-feira, repetindo o 2-0 ao intervalo e marcando apenas mais um na segunda. E voltando a deixar muitos golos por marcar, voltando a perder a oportunidade de mais uma goleada. E se a da passada quarta-feira era importante para marcar o jogo de hoje, como aqui então se disse, a de hoje era importante para o que falta do campeonato.


Ficam-se por aqui as comparações entre os dois jogos. O de hoje pouco teve realmente a ver com o apurou o Benfica para a sexta final da Taça da Liga. As próprias equipas foram substancialmente diferentes, e se o Benfica se apresentou com seis alterações, o Vitória apresentou-se hoje com oito jogadores diferentes. O Benfica entrou muito bem e jogou muito melhor, atingindo mesmo o brilhantismo em muitos momentos do jogo, em especial na primeira parte. E o Vitória foi ainda mais agressivo do que já fora, confirmando que esta mesma equipa, nas mãos do Bruno Ribeiro, não tem nada a ver com a que Domingos Paciência passeou pelos campos do país na primeira volta. Quem viu lembra-se, por exemplo, do jogo no Dragão…


O Benfica voltou ao modo rolo compressor, com um futebol de vertigem atacante comandado pela competência de passe, ora curto e em tabela, ora longo e a rasgar, de Pizzi – que grande exibição! - e alimentado por alas demolidoras. Na direita com Maxi igual a si próprio, sempre em alta voltagem, e Salvio agora a fazer, sempre e só, bem as coisas. E na esquerda com Eliseu finalmente em doseamento certo e com o Ola John sem medo, sempre a romper por ali fora. Tal como, depois, o miúdo Gonçalo Guedes. Com um único reparo: as simulações não cabem no seu futebol, como o árbitro lhe explicou penalizando-o, e bem, com um amarelo…


E por falar em árbitro – sim, já sabemos que hão-de arranjar sempre maneira descobrir que o Benfica foi beneficiado, mas que na verdade tudo permitiu aos sadinos (a única ocasião de golo do Setúbal foi num vólei com a mão, à vista de toda a gente menos da equipa de arbitragem) e por tudo penalizou os benfiquistas -  alguém me sabe dizer por que é que ultimamente, para o Benfica, só são  nomeados árbitros do Porto?

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Que dia parvo!

Por Eduardo Louro



 


Sempre achei um bocado parvo este dia de S. Valentin, transformado em dia dos namorados. Mais parvo ainda quando cai em pleno carnaval. Mas completamente parvo quando a besta, mesmo que por imitação, volta a matar... Desta vez em Copenhague!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"Obviamente demito-o"

Por Eduardo Louro



 


Há precisamente cinquenta anos, comemoram-se hoje, a mando de Salazar a PIDE assassinava cobardemente um dos últimos heróis nacionais, perto de Badajaz, para onde arrastara o General Humberto Delgado através de ardilosa cilada. 


O General Sem Medo, como ficou para a História pela maneira como enfrentou o regime criminoso de Salazar, com o qual há muito que rompera, ousara sete anos antes candidatar-se à Presidência da República. Fez de 1958 o ano de maior agitação política e de maior mobilização popular dos quase cinquenta da ditadura. E fez, como nunca antes, tremer o regime com a mais célebre a expressão da História Contemporânea de Portugal, quando então se referiu a Salazar com o "obviamente demito-o". 


A maior de todas as fraudes eleltorais de Salazar impediiria então Humberto Delgado de mudar o rumo da História. E Salazar não hesitou em recorrer ao provavelmente mais hediondo de todos os seus crimes para o eliminar!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ao que isto chegou...

Por Eduardo Louro



 


A União Europeia mediou o novo acordo de cessar fogo na Ucrãnia, acabado de assinar em MInsk. Com gente estranha. Desde logo com Putin, estranho representante dos rebeldes ucranianos...


Estranhos também os representantes da União Europeia. Que, pensava eu, que tinha orgãos legítimos de representação. Procurei por todo lado e não encontrei Angela Merkel em nenhum... Confesso que não fiz qulaquer pesquisa relativa ao cavalheiro que está com ela. Imagino que seja um assessor... Motorista não é certamente, e palhaço (apesar do ar) não é para ali chamado! 


Enfim, foi a isto que a União Europeia chegou... 

Uma vergonha!

Por Eduardo Louro



 


Passos Coelho não cumprimentou o seu homólogo grego na reunião de hoje do Conselho Europeu. Questionado - foi logo a primeira questão que lhe foi colocada na conferência de imprensa - a esse propósito, respondeu que foi por falta de oportunidade que o não cumprimentou, o que revela a sua enorme cara de pau. Depois disse que novas oportunidades para o cumprimentar não haverão de faltar e seguiu desenfreadamente para um discurso decalcado do de Cavaco Silva, ontem.


Uma vergonha! 

O comboio dos duros

Por Eduardo Louro



 


Portugal forma hoje com a Espanha e a Alemanha um autêntico comboio dos duros. O núcleo duro da União Europeia que defende a ortodoxia austeritária na Europa, e que sustenta a inflexibilidade e o radicalismo perante as posições da Grécia.


Quem diria? A Alemanha acompanhada precisamente por dois dos PIGS... Metade dos países do Sul aliados á Alemanha contra os países do Sul... 


Há aqui qualquer coisa que não bate certo!


A posição da Alemanha percebe-se: é mentor dessa política, e autor dos programas para a sua implementação, e tem por isso mais dificuldade em assumir o erro. Acresce que ganhou muito com o actual estado de coisas, e tem interesses de curto prazo no status quo!


As posições de Portugal e da Espanha só podem ser percebidas à luz dos interesses eleitorais dos partidos no poder. Não há, nem pode haver outros interesses. Têm ambos eleiçoes este ano e, em Portugal, Passos Coelho e Portas sabem que só podem aspirar a ganhá-las mantendo-se firmes na defesa de todo o mal que fizeram.  Para defender os seus interesses particulares não podem agora negar tudo o que fizeram durante estes quatro anos, e colocar-se ao lado do que são hoje os interesses do país e da Europa. Em Espanha a situação é ligeiramente diferente, se bem que resulte exactamente no mesmo. Em Espanha é a afinidade do Podemos - já á frente nas sondagens - com o Syriza que leva Rajoy a tudo fazer para empurrar a Grécia para fora do euro. Derrotando o governo grego, derrotando o Syriza, Rajoy acredita que derrota o Podemos e que mantém o poder!


Hoje, umas dezenas de personalidades, de todos  os quadrantes políticos, subscrevem uma carta aberta onde apelam a Passos Coelho que mude de posição. Cairá em saco roto, Passos não ouve nem vê para além do seu umbigo. A sua posição já mudou o que tinha a mudar: mudou da inicial história para crianças para o cinismo do recente queremos tudo o que for dado à Grécia. Não que pretenda seguir as posições do governo grego, mas apenas porque acredita que essa é a melhor forma de as inviabilizar, e de também ajudar a expulsar a Grécia da Europa.


Juntando-lhe as lamentáveis - para não dizer nojentas - declarações de ontem de Cavaco Silva. é caso para dizer que nunca tivemos tantas razões para ter vergonha de quem elegemos. Se este velho sonho da direita (uma maioria, um governo e um presidente) era para chegar a isto, bem podem limpar as mãos à parede!

Novidades*

Convidada: Clarisse Louro


 


De repente, dois homens ainda jovens e bem parecidos, de ar desempoeirado e sem gravata, irromperam por esta Europa fora. Contra todos os cânones da eurocracia de Bruxelas, foi vê-los em contra mão por Londres, Paris, Bruxelas, Berlim, Viena...


Não deixam ninguém indiferente, despertam ódios e paixões, mas acima de tudo surpresa e admiração. E inspiram medo, muito medo em muita gente. Mas também esperança, muita esperança em muita gente… É sempre assim quando alguém ousa dizer o contrário do que está estabelecido!


A novidade nem está tanto no que dizem. Desde logo porque eles próprios já o dizem há muito tempo, na Grécia e por onde têm passado. Como muitos outros, em muitos outros sítios. A novidade está na voz que agora lhe foi dada pelo povo grego, na legitimidade democrática que conquistaram.


A novidade não está em dizer que a austeridade falhou e que a estratégia está errada. Já há muito que isso é dito, e começa até a ser já consensual, mesmo que os que cegamente a defendem não o queiram admitir. A novidade está nos radicais, que não são uns, mas justamente os outros. A novidade está nas alternativas que afinal há, e se dizia não haver. Mas, acima de tudo, a novidade está em perceber que é possível um certo pensamento político chegar ao poder. Que há ideias e formas de acção política que já não cabem numa pequena caixinha com o rótulo de protesto. Que é possível saltar de um gueto estigmatizado para um projecto de poder. A novidade está no que possa ser uma onda que atravesse a Europa e arrase o velho, caduco e corrompido paradigma com que se tem feito política no sul da Europa. A novidade está na mensagem clara que é possível acabar com as velhas e esgotadas famílias políticas. Que é possível romper com os centrões dos interesses que se têm perpetuado no poder, prometendo sistematicamente na oposição o que sempre negam no governo. Acusando sempre o outro pelo passado que depois repetem.


É justamente isto que inspira medo a muita gente. Mal disfarçado aqui ao lado, em Espanha, e mais escondido atrás das mais patéticas afirmações, aqui entre nós.


Alexis Tsipras e Varoufakis não são apenas as duas novas estrelas da Europa, e muito menos figuras maiores do conto para crianças que Passos Coelho pretendeu prefaciar. Poderão ser uma lufada de ar fresco numa Europa esgotada e empenhada em despenhar-se no abismo para que corre em passo acelerado.


Não é certo, longe disso, que as coisas corram bem. É muita coisa a ter que correr bem. É necessário chegar a acordo com a Europa, sem troika. Que não seja um acordo a qualquer preço, que seja fiável e que não ponha em causa os compromissos eleitorais que lhes legitimam o poder. E sabe-se que não é fácil, que os campos estão hoje bem extremados, que há um enorme oceano a separar o radicalismo e a ortodoxia alemã das pretensões gregas. Mesmo que o surpreendente e recente apoio austríaco possa ser bom agoiro…


Mas é também necessário – e não menos difícil – que aquilo que depende apenas dos gregos corra bem. Que o combate às oligarquias, aos grupos de interesse, e à evasão fiscal, essas sim – e não os cortes cegos da receita alemã – as reformas estruturais que estão por fazer na Grécia, seja determinado e bem sucedido. E que deixe de fugir dinheiro dos bancos gregos… Se é que ainda por lá ficou algum!


 


* Publicado hoje no Diário de Leiria

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Sexta final. Em oito!

Por Eduardo Louro



 


O Benfica está na final da Taça da Liga. Pela sexta vez, em oito!


Era esperado o Sporting, mas quem apareceu foi o Vitória de Setúbal. Que apareceu bem, entrando bem no jogo. Melhor que a equipa que o Benfica apresentou, naturalmente menos rodada. E com Eliseu a continuar mal, Sílvio com pouco jogo e ainda menos confiança, e com o miúdo Gonçalo Guedes a não perceber que desta vez tinha entrado de início, e que não dispunha apenas dos habituais 3 ou 4 minutos para mostrar serviço.


Já a primeira parte ia a mais de meio quando o Benfica começou a jogar alguma coisa que se visse, e a ficar por cima do jogo. Mas só nos últimos 6 minutos chegaram os dois golos com que terminaria a primeira parte. Ambos de penalti, indiscutíveis. E o primeiro com direito a expulsão: igualmente indiscutível, o defesa do Vitória derrubou o Gonçalo Guedes que, depois de ter dominado a bola no peito, só tinha o guarda-redes pela frente.


Com 2-0  e a jogar contra 10, exigia-se que o Benfica projectasse a segunda parte à luz do jogo do próximo domingo, contra este mesmo adversário. Sabe-se com uma goleada pesa no jogo seguinte, e como pesa ainda mais quando o adversário é exactamente o mesmo. Mas foi o Vitória quem melhor percebeu isso, defendendo o 0-2 como se de um 0-0 se tratasse. 


Com os sadinos fechados lá atrás, com o regresso das bolas á trave - desta vez foram mais duas, uma das quais substituiu o que seria um grande golo do miúdo, que bem o merecia - e com mais um sem número de oportunidades desperdiçadas, o resultado acabou por ficar num 3-0 que não deixa marcas nenhumas para o importantíssimo jogo do próximo domingo.


Mas o objectivo era assegurar mais uma vez a presença na final da Taça da Liga. Festeje-se isso e o regresso de Rúben Amorim!


 

Coisas indignas... e que nos indignam

Por Eduardo Louro



 


Não tiro um cabelo de uma claque para pôr noutra. Sejam do Benfica, do Sporting, do Porto,ou de qualquer dos outros, são todas iguais. Todas adoptam o mesmo comportamento e nem sequer importa quem atira a primeira pedra.


Não há côr, não há cântico, não há coreografia, não há magia que apague cartazes e tarjas irresponsáveis, ofensivos, obscenos e incendiários. Tochas, petardos e foguetes. Ofensas e arruaça... São indesejáveis nos estádios e nas suas imediações!


Dito isto, é inaceitável que um presidente justifique o corte de relações do seu clube com o rival com base no comportamento inqualificável da claque do rival, ignorando o mesmíssimo comportamento inqualificável da do seu clube. Que até atirou a primeira pedra, o que não é desculpa para nada... 


Dirigentes responsáveis, e dignos dos cargos que ocupam e da História dos dois maiores clubes portugueses, teriam de imediato condenado as acções das respectivas claques. A seguir, ter-se-iam sentado á mesma mesa á procura de responsabilidades e soluções, e logo depois surgiriam juntos numa conferência de imprensa a dar conta da iniciativa  e das medidas tomadas, já com os provocadores identificados e punidos com a expulsão do clube. Depois chegaria a vez da Federação e da Liga fazerem o que têm a fazer, deixando de se fazer de mortas, limitadas á comoda cobrança de uns milhares de euros em multas...


Mas não foi nada disso que aconteceu. Um, fez de conta que não se tinha passado nada. E outro aproveitou para atacar de imediato mais um degrau do seu projecto de poder. Não é por Bruno de Carvalho vir das claques que tomou a decisão que tomou. Nem sequer, como tantos outros, por fazer delas a sua guarda pretoriana. É porque Bruno de Carvalho precisa de um permanente estado de guerra, com o máximo de frentes abertas para, sejam lá quais forem os seus fins, consolidar (perpeptuar?) o seu poder no Sporting!


Já não tem mais frentes para abrir, está a esgotar a estratégia. Ou fecha uma - quiçá a frente norte - para logo depois voltar a poder abri-la, ou fechada - mal fechada como se sabe - que está a frente interna, não admirará que reabra a guerra civil com o Marco Silva! 

A dívida, como a comunicação, gere-se...

Por Eduardo Louro


 


 


O governo português submeteu para aprovação de Bruxelas um plano de reembolso antecipado de 14 mil milhões de euros do empréstimo concedido pelo FMI, ao abrigo do programa de resgate assinado com a troika em 2011. A notícia não surpreende ninguém, e era esperada desde que o país se começou a financiar no mercado a taxas historicamente baixas, depois de, em 2013, o Banco Central Europeu ter decidido pôr ponto final nas circunstãncias que alimentvam a especulação á solta nos mercados.


O que surpreendeu foram as algumas reacções a essa notícia. Que a ministra das finanças deu com a naturalidade que ela tinha, sem qualquer manipulação nem números de circo. Que também não se viram em qualquer outro membro do governo ... Nem Paulo Portas, o menos escrupuloso dos propagandistas, mesmo puxando pelos galões da independência, para não deixar morrer o seu 1640, pisou o risco. E no entanto não faltou quem nas redes sociais, por fanatismo ou por ignorância, quisesse ser papista onde nem sequer existia papa, para fazer daquilo uma insofismável prova do sucesso do governo, lançando o fósforo depois de ter espalhado o pasto que alimentaria, como se de chamas se tratasse, a falsa ideia que se estaria a pagar antecipadamente a dívida. Que tudo estava tão bem, tudo era tão perfeito, que o país não só pagava o que devia como ainda estava em condições de pagar antes do devido!


Simplesmente, como ninguém sequer quis esconder, o governo, que agora tem acesso a financiamento em condições de prazo e de taxas de juro muito mais favoráveis que a do empréstimo do FMI, vai substituir essa dívida por outra igual, aproveitando essas melhores condições. É como alguém que, tendo num momento de crise e com a corda na garganta contraído um empréstimo tenha, algum tempo depois e acalmada a crise,  e passando a dispôr de um bom avalista, partido para a negociação de um novo empréstimo, em melhores condições, para pagar o antigo. Deixando o montante da dívida exactamente na mesma...


Tão simples quanto isto, e chama-se gerir a dívida. Os mercados não são mais que gente com dinheiro para emprestar. Que vive disso e para isso. Gente que, não querendo exactamente receber o seu dinheiro de volta – que existe para estar emprestado – não quer é suspeitar que não lho pagam. É por isso que, como uma vez disse Sócrates, desde Paris, e toda a gente lhe saltou em cima, "a dívida é para gerir, não é para pagar"!


Naquela altura – e hoje pior ainda – Sócrates (que como bem sabem os que por aqui passam não é propriamente pessoa bem acolhida nesta casa) não podia dizer uma coisa dessas (se calhar nem outra qualquer), e por isso foi tão atacado. Mas não disse mais que a verdade. A verdade que naquela mesma altura era chave mestra do problema!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Fracos e fortes

Por Eduardo Louro


 


 


O escândalo de lavagem de dinheiro e de evasão fiscal a que deu cobertura a delegação suíssa do gigante britânico da banca, que responde pelo nome BSCH, e agora divulgado por um consórcio de jornalistas como Swissleaks, já era conhecido desde 2008, altura em que a lista de nomes agora conhecida foi entregue à Senhora Lagarde, hoje presidente do FMI e na altura ministra das finanças no governo francês.


Consta que os diversos governos europeus começaram de imediato a actuar contra os respectivos cidadãos para recuperar os impostos desviados. E que foi assim que a Espanha recuperou 260 milhões de euros, a Itália 570 milhões e o Reino Unido 180 milhões em impostos.


De Portugal não se sabe nada. Sabe-se que Ricardo Salgado e José Sócrates – ou Carlos Santos Silva? – declararam valores ao abrigo de uma amnistia fiscal justamente criada por Sócrates. Mas nem um nem outro(s) constam da lista portuguesa agora conhecida onde, à excepção de Américo Amorim e de empresas do agora falido GES – que se calhar por isso mesmo desmentiram o indesmentível -, não há nomes de gente famosa ou simplesmente conhecida. Sabe-se que os pouco mais de 200 portugueses da lista com 611 nomes somam cerca de mil milhões de dólares... Mas que, desde 2005, Portugal amnistiou o correspondente a cinco vezes esse valor


Não é, por isso, nada difícil de concluir que o governo português, que foi tão implacável a cobrar aos portugueses impostos colossais, não mexeu uma palha para ir recuperar os impostos sobre estes 1000 milhões de dólares que de Portugal voaram para a Suíça. Antes pelo contrário, amnistiou toda a gente. Se calhar não é por acaso que ninguém conhece a cidadã de Vila Real que encabeça a lista... Nem o cidadão de Castelo Branco que vem a seguir!


Nem ninguém pergunta pela exemplar eficiência da máquina fiscal, essa autêntica máquina de extorsão, que nunca chega tão longe. Nem para tanto!  


Gente fraca, esta que é forte com os fracos ... E assim se faz fraco um forte povo!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Coisas do diabo

Por Eduardo Louro



 


Tudo o que tenha a ver com submarinos desaparece. Leva sumiço, e ao contrário dos próprios não volta a aparecer. Não emerge mais!


Agora até a petição para voltar a abrir o processo, agilmente arquivado, desapareceu... Há coisas do diabo!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Um derbi e umas bicadinhas

Por Eduardo Louro


 


 


Não foi um grande jogo, o derbi desta noite. Foi um jogo fechadinho, apertadinho, que só abriu – partiu-se, na gíria do futebolês – nos últimos 10 minutos. Não admira que tenha sido nesse período que surgiram os dois golos que deixaram o jogo empatado, repetindo o resultado da primeira volta, na Luz.


Sendo um jogo apertadinho, de muitas marcações foi, ao contrário do que seria de esperar, um jogo com poucas faltas. Praticamente só com as do Benfica, as que aconteceram e as que, não tendo acontecido, foram assinaladas. As do Sporting nunca contaram…  


O Sporting talvez tenha sido ligeiramente melhor, mas nada que por si só justificasse a vitória que esteve prestes a acontecer quando, a 3 minutos dos 90, o melhor jogador do Benfica neste derbi – Samaris – se lembrou de fazer um passe para trás que isolou o João Mário, que deu no golo que incendiou Alvalade. E foi ligeiramente melhor porque o Benfica, mais uma vez, chegou a um jogo importante e descaracterizou-se, não quis ser igual a si próprio. Não sei se são resquícios dos dois campeonatos – seguidinhos – perdidos, quando dava espectáculo pelos campos deste país, alguma lição que venha desses dois anos se, simplesmente, sem Gaitan e com Olá John desaparecido, de férias, como acontece em mas de 90% dos jogos em que é titular, Jesus acha que o melhor mesmo é fazer aos outros aquilo que geralmente lhe fazem a ele.


Foi um jogo muito equilibrado, com posse de bola repartida e apenas mais uns poucos remates para o lado do Sporting. Grande desequilíbrio só mesmo nos cantos (10 a 1) mas isso resulta de uma opção estratégica do Benfica. Da resposta que a equipa quis dar à miserável campanha da imprensa para destabilizar o guarda-redes Artur: cantos, muitos cantos para mostrar a essa gente a massa de que Artur é feito!


E serviu para o Sporting alcançar o notável e raro feito de uma época sem perder com o Benfica. Estava agendado um tira teimas para a próxima quarta-feira, na Luz, mas afinal é o Vitória de Setúbal que lá vai aparecer…

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Qual é o interesse?

Por Eduardo Louro


    

                                                                              


 


É inadmissível a pressão que a imprensa tem feito sobre o guarda-redes do Benfica. Se tudo o que os jornais têm dito e feito sobre o Artur não tem - evidentemente - interesse jornalístico há, mais que perguntar que interesse tem, que perguntar que interesses serve!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Ou antes pelo contrário...

Por Eduardo Louro


 


  


Deixei ontem aqui a ideia que, ao contrário do que muita gente pensa, o processo em curso que opõe a Grécia à ortodoxia alemã – as coisas são cada vez mais assim, não é a Europa que está de um lado e a Grécia do outro – não está bloqueado. Que, antes pelo contrário, está agora aberta a fase de negociação. E que, depois de reafirmadas as posições de cada uma das partes, se entrará num processo de cedências onde a semântica tratará de esbater muita da conflitualidade que hoje está á vista.


Não sei se será assim que as coisas se irão passar. Sei que é esse o meu desejo, e que seria assim que o bom senso mandaria. Mas também sei que, antes pelo contrário, o bom senso não abunda na Europa... E que os tratados pós Mastricht que a Alemanha impôs à volta do euro são irredutíveis, precisamente com o objectivo - antidemocrático, como todo o processo de construção do actual edifício europeu - de amarrar os governos á sua bíblia ideológica. Às escolhas que os cidadãos europeus façam pelo seu voto livre e democrático, sobrepõem-se sempre os compromissos impostos pelos tratados alemães, que os velhos centrões europeus correram a subscrever sempre à revelia do mandato popular, fugindo dos referendos como diabo da cruz. Não deixa de ser insólito que uma união que tinha justamente a democracia como condição sine qua non de acesso, tenha acabado na sua sistemática negação.


E, francamente, também sei que a falta de bom senso é ainda agravada pela falta de estatura e de visão política dessa gente que manda na Europa. Que é gente bem capaz de a deixar cair no abismo que está aí, mesmo à frente dos olhos…


 


 

Passo seguinte: negociação e semântica!

Por Eduardo Louro


 


 


O governo, e a opinião publicada que o sustenta, estão seriamente empenhados no falhanço do processo grego. Passos Coelho deu o mote, com a já famosa história para crianças, e a máquina não parou mais. E no entanto o interesse nacional aconselharia, se não um apoio entusiástico à causa grega, que isso seria pedir muito a um governo que tem a história – para crianças e adultos – que este tem, pelo menos que se mantivesse quedo e mudo. Na expectativa. Porque o país não tem nada a perder, ou melhor, o que tem a perder é imensamente menos do que o que tem a ganhar!


Mas, porque as eleições estão aí, o governo, e os poucos – estou em crer – que o apoiam, sobrepõem os seus interesses eleitorais particulares aos interesses do país, importa-lhes que a Europa bloqueie as pretensões do governo grego, obrigando-o a reconhecer a sua incapacidade e a capitular. Demitindo-se ou, e isso seria melhor ainda, traindo e negando as suas promessas e o seu eleitorado.


O que nesta altura ao governo de Passos e Portas mais importa é que não se confirme que há, e sempre houve, alternativas ao modelo que a Alemanha impôs, e que tão entusiasticamente abraçou. O que o governo não quer é pôr agora em causa a teoria da inevitabilidade em que fez assentar a sua governação. É justamente isso que sustenta a sua solidariedade com Merkel, que também tem na mesma TINA (there is no alternative) o seu ponto de não retorno.  


E no entanto o bloqueamento a que ontem se chegou, quando o périplo grego chocou de frente com Berlim, não é mais que aparente. Nem é a derrota da Grécia, como o governo de Passos e a sua gente pretenderiam, nem é a apregoada saída épica do governo grego que, entre a espada e a parede, teria heroicamente preferido a espada.


Creio que está agora oficialmente aberto o espaço de negociação. Ninguém poderia admitir que a Alemanha reconhecesse humildemente que falhara, que tudo o que impusera estava errado, e que bastaria aparecerem uns tipos desempoeirados e desengravatados para desdizer tudo o que disse. Também me parece que ninguém acreditaria que uns tipos tão desempoeirados não tivessem expressões mais suaves na gaveta para ir gradualmente substituindo as mais radicais. Como hair cut, por exemplo!


Varoufakis, o ministro das finanças grego, já pelo menos por duas vezes recorreu, em jeito de desculpa, aos erros de tradução. É aí, não em erros de tradução mas na semântica, que as coisas se vão passar a jogar. Deixará de se falar em perdão da dívida, ou hair cut, para se falar, por exemplo, em empréstimos perpétuos. As reformas que, como se sabe, para os alemães – e para o governo português, sempre em sintonia – querem dizer cortes de salários e de despesa social, substituirão a austeridade. E quererão dizer, para o governo grego, ataque às oligarquias, aos grupos de interesses organizados, à corrupção e à evasão fiscal (onde, por exemplo, seria bonito ver o governo português disponibilizar-se para dar uma ajuda).


A Grécia é um pequeno país, mas é um país muito importante. Para a Europa e para o Mundo. Por isso o BCE fechou, com estrondo, de um lado e abriu do outro. E assim irá continuar a ser nos próximos dias, até que todo o pó assente, e a dignidade regresse á Grécia. E à Europa!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

É a ideologia, estúpido...

Por Eduardo Louro



 


Paga mal e trata pior os médicos. Entrega-os a empresas de trabalho temporário, que lhes pagam como pagam a trabalhadores de limpeza, metendo o resto ao bolso. Empurra-os para a emigração, mas acha que o problema está na falta de médicos. Que há que formar mais médicos... Nas universidades privadas, evidentemente... Resolvem-se todos os problemas entregando ao ensino privado a formação de médicos!


Não se percebe? É a ideologia, estúpido...

Tecnocratas e arrogantes

Por Eduardo Louro


 


 


Temos visto de tudo, na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES. Declarações de todo o feitio – de amor e ódio, com a propósito e despropositadas, fidelidades e traições…


Ontem, João Moreira Rato, o antigo presidente do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) que acompanhou Vítor Bento na última administração do Banco, que foi surpreendida com a medida de resolução, foi uma novidade. Tido como um dos maiores especialistas do país nas coisas da banca, e com uma passagem tão curta e supostamente tão desprendida dos interesses que possam estar em confronto, acabou por mostrar que tecnocrata pode ainda ser pior que político ou banqueiro.


Com uma arrogância ainda não vista, adoptou uma postura que foi da simples recusa a responder, a respostas por sins e nãos ou pela sucessiva repetição das anteriores. Irritou toda a gente e acabou por forçar o presidente da comissão, Fernando Negrão, a um puxão de orelhas, visivelmente a contra-gosto. Coisa nunca vista, quando por lá já passou tudo o que de mais sensível havia para passar…


Temo bem que este seja o espelho de uma nova linhagem da tecnocracia: arrogante, acima de tudo e de todos e comprometida com o não comprometimento!


 


 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Mais uma entrevista

Por Eduardo Louro


 


 


Com a entrevista, chamemos-lhe assim, que a SIC ontem transmitiu, José Sócrates já vai na sexta. Negada autorização para a primeira, ao Expresso, Sócrates – e os respectivos órgãos de comunicação social – deixou de a solicitar e passou ao facto consumado. E o(s)  seu(s) advogado(s) também não pára(m). Não há semana em que não apareça(m) nas televisões e nos jornais!


O tom é sempre o mesmo e o objectivo é um e único: pôr em causa a Justiça e fragilizar a investigação. E se tem a vantagem de ir servindo de contraponto às notícias que vão saindo, todas – de forma manipulada, porque muitas não têm nada a ver com isso – dadas como fugas de informação em violação do segredo de justiça, tem a desvantagem de justificar um dos fundamentos – perturbação da investigação – da prisão preventiva, que legitimamente contesta. Se isto acontece com ele preso facilmente se imagina o que aconteceria com toda a liberdade de movimentos!


Porque nunca nada é esclarecido, há apenas a preocupação de lançar a confusão para esconder o que realmente são fortíssimas anormalidades. Sócrates nunca se preocupa em explicar como é que uma pessoa pede emprestado a outra, que empresta, volumes anormalmente elevados de dinheiro para manter padrões de vida – entre outros indicadores com motorista pessoal – para que não tem rendimentos. Nem em explicar como é que tenciona reembolsar montantes como os que estão em causa. Limita-se a dizer que isso não é crime.


De facto não é. Mas é inquestionável indício que esconde crimes que têm de ser investigados e provados!           

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Isolados e más companhias

Por Eduardo Louro



 


Merkel e Schauble não querem por nada encontrar-se com Tsipras e Varoufakis. Nem ouvir falar deles... Querem deixar a Grécia isolada ... 


Não fosse Passos Coelho e quem estaria já isolada era a Alemanha. Mas... mais vale só que mal acompanhada!

Comunicação por encomenda

Por Eduardo Louro


 


 


Uma das variantes por que a máquina portista – a célebre estrutura – é exaltada é pela comunicação. Desde o célebre e já decadente sarcasmo e a velha ironia dita arguta de Pinto da Costa, passando pelas mais variadas formas de pressão sobre a comunicação social, incluindo a agressão física, pela gestão dos tempos de comunicação, incluindo os famosos blackouts, até á distribuição e ocupação dos espaço mediático da opinião e do comentário.


Peça chave no processo é o famigerado Director de Comunicação, Rui Cerqueira, que é uma espécie de pau para toda a obra. Dá para tudo e presta-se a tudo, como se tem visto…


A conferência de imprensa de Lopetegui – a peça nova da máquina que chega a meter dó – no final do jogo de ontem com o Paços Ferreira veio mais uma vez mostrar como, por ali, se fazem as coisas. Não há limites e é pouco menos que assustador!


Tive o azar de a seguir através da RTP Informação que, espanto dos espantos, a transmitiu via Porto Canal. Exactamente, no canto superior do ecrã lá estava a identificação da estação que sem que o seja é o canal do clube – ou que nuns momentos é e noutros deixa de ser – e no rodapé lá informava da “transmissão em simultâneo com o Porto Canal”. Mas isso foi apenas o início do susto. Depois, deu para ver que o tal Rui Cerqueira chamava pelo nome próprio cada um dos interpelantes que, convidados dessa forma a colocar a sua questão, não precisavam de se identificar, ao contrário do é norma e uso em qualquer outro lado. E depois lá surgiam as pertinentes e objectivas questões dos jornalistas convidados. Perguntas - que não são perguntas - ora laudatórias ora encomendadas para respostas preparadas e postas na ponta da língua do treinador no papel de mete dó. Para não dizer outra coisa…


Se a pergunta – que não era pergunta – sobre o treinador que disse que os adversários têm de olhar para cima, para que fosse buscar as competições europeias, e o afastamento do Benfica, ainda tem alguma ponta por onde se pegue, já a pergunta – que não era pergunta – de um tal Miguel sobre uma antiga afirmação do treinador Manuel José, na qualidade de comentador, é verdadeiramente emblemática.


Há tempos, a propósito do plantel do Porto, o Manuel José disse que no ano passado, ao Paulo Fonseca tinha sido dado carapau e, este ano, ao Lopetegui tinha sido dada lagosta. Mais de três meses depois, o director de comunicação do Porto achou que devia encomendar esta pergunta para pôr Lopetegui, depois de trocar carapaus por tremoços, a bater no treinador agora comentador, falando de um campeonato, em 1995, em que Manuel José teria ficado a 25 pontos do Porto…


 

O copo cheio que tarda em transbordar

Por Eduardo Louro



 


Ricardo Salgado voltou a falar, na circunstância a escrever mais uma carta. Cavaco voltou a mentir, ao dizer que nunca falou do BES, e a omitir, porque é um túmulo, morre com ele o que a ele for dito... 


É apenas mais um episódio da promiscuidade que mina o regime e as suas élites. Quando foi pedir ajuda a Cavaco, a Passos, a Portas, a Carlos Moedas e a tutti quanti, Ricardo Salgado achava-se com legitimidade para isso. A legitimidade de quem cobra favores!


É mais uma gota de água num copo muito cheio. Tão cheio que levou António Barreto, um institucionalista que não é conhecido por ceder facilmente ao populismo ou de armar ao popularucho, a reclamar a prisão para uma certa "tropa fandanga" de “banqueiros, empresários, administradores de empresas, ex-ministros, ex-secretários de Estado, ex-diretores gerais”.


Só não se percebe é como o copo ainda não está a transbordar!


 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Boa sorte!

Por Eduardo Louro



 


Assistimos ontem - já hoje, em bom rigor - à despedida do Nuno Artur Silva do Eixo do Mal. Que concebeu e moderou até hoje, com a descrição e o brilhantismo que são a sua imagem de marca.


Surpreendentemente foi convidado para a nova administração da RTP. Não menos surpreendentemente aceitou!


Nem sempre mentes brilhantes e criativas dão executivos por aí além. Mas a verdade é que só donde há se pode tirar... E do Nuno Artur há muito para tirar. Desta vez as expectativas são altas! 


Boa sorte. Ele merece e a RTP precisa!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...