terça-feira, 30 de novembro de 2021

A cor do cartão

Pinto da Costa suspeito de desviar milhões em comissões há quase uma década  (com áudio) – O Jornal Económico


 


A operação "cartão azul" está a revelar indícios do rasto do dinheiro das comissões com as transferências de jogadores do Porto, que tem no centro Pinto da Costa e a sua vasta entourage. Trata-se basicamente de comissões largamente inflaccionadas em milhões de euros (20 milhões, subtraídos à SAD portista, segundo o Ministério Público) distribuídos por pessoas e entidades sem intervenção os respectivos negócios, que eram depois encaminhados para ... Pinto da Costa e a sua entourage. Directamente para contas dos próprios, mas também para um saco azul, alegadamente destinado a pagar contas da(s) mulher(es) de Pinto da Costa, bruxas e ... resultados desportivos.


Quando há pouco mais de três meses o cartão era vermelho, e Luís Filipe Vieira foi detido ninguém ficou surpreendido. Tudo aquilo que era objecto de suspeita, e que levou à detenção e à posterior abdicação do então Presidente do Benfica, era expectável. À luz da realidade das contas e à luz da realidade de Luís Filipe Vieira. Neste caso não é muito diferente. Ninguém terá ficado muito surpreendido, nem as virgens ofendidas que por aí aparecerão. Todas os indícios vindos a público eram igualmente expectáveis, incluindo as suspeitas de utilização de fundos das comissões para influenciar resultados desportivos. Surpresa só para quem achava que Pinto da Costa é muito mais esperto, e tem muito mais poder que Luís Filipe Vieira. E que por isso ninguém o apanhava. 


Mas só meia surpresa. É que na verdade não foi preso. Nem constituído arguido. Nem sequer apanhado e, que se saiba, nem foi dar uma volta a Vigo... 


Vamos a ver se a cor importa. E se este cartão azul não desbota para amarelo!

Mudar é preciso.

Táxis a mais, venda de licenças e queixas do serviço. Taxistas reconhecem  problemas - Renascença V+


 


Mudar, fazer diferente, é um imperativo normal de quem acaba de chegar a qualquer posto de poder, seja el qual for. Para deixar tudo na mesma não é preciso mudar, mesmo que muitas vezes seja preciso mudar para que tudo fique na mesma.


O que é preciso é fazer diferente, pensou também Carlos Moedas. Se calhar havia muita coisa por onde começar, de preferência uma das que não estivesse assim tão bem. Mas o novo Presidente da Câmara de Lisboa resolveu fazer diferente na primeira coisa que lhe chegou às mãos, sem se preocupar muito se, para fazer diferente, fazia pior. E logo na vacinação. E logo nesta altura, em que o alarme social volta a soar.


Não é fácil perceber que seja uma boa medida fechar dezenas de centros de vacinação espalhados pela cidade, e abrir um único numa ponta, olhe-se por que perspectiva se olhar. Mas é diferente, e isso é que importa a Carlos Moedas. E dinamiza uma das principais actividades da cidade, por acaso uma das que mais visivelmente tinha apoiado a sua candidatura, revoltada com as ciclovias - o táxi, pois claro. A Câmara paga, não se importem!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A entrevista do primeiro-ministro foi formalmente certinha. Pedro Passos Coelho é um entrevistado sereno e tranquilo. Transmite um ar de seriedade e de sinceridade que, conjuntamente com a serenidade, a tranquilidade e mesmo alguma simpatia em doses Q B, o coloca nas antípodas do tom arrogante e conflituoso de Sócrates, que em vez de responder às perguntas do entrevistador debitava apenas um discurso formatado e repetitivo e, também por isso, digno de pouco (ou nenhum) crédito. Pese embora a utilização de uma linguagem tecnocrática, que não ajudou na entrevista, Passos Coelho passa bem em televisão, como se sabe!


Deixando de lado a forma e virando-me para a substância diria que não houve novidades. É certo que pareceu indicar uma mudança de discurso quanto ao papel do BCE, que nesta altura do campeonato nem aquece nem arrefece. E que disse que havia um plano para a saída do euro, que não sei se será realismo se sinal descrença. Mas não teve medo de o afirmar, o que me parece reforçar os créditos da seriedade da sua comunicação!


Claro que com este cenário nem sequer vale a pena enfatizar o facto de, enquanto declarava que o orçamento hoje aprovado era o mais difícil de sempre, adiantar que mais e mais gravosas medidas de austeridade estarão a caminho… Quer dizer, o inferno que nos espera é bem pior do que aquele que se espreita a partir do orçamento!


Também não se fala de economia. Nem das inadiáveis reformas estruturais. Mas que importa tudo isso se nem sabemos se daqui por duas semanas ainda existe euro! Assim é conversa fiada…

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Frank Williams (1942-2021)

Faleceu Frank Williams (1942-2021) - Autoportal


 


É uma lenda da Fórmula 1. Foi mecânico e piloto, mas foi ao leme da escuderia que criou, como o seu próprio apelido, que a lenda cresceu. 


Da cadeira de rodas, a que ficou preso depois de um acidente de automóvel nos anos 80, comandou a equipa que dominou a fórmula 1 nas décadas de  80 e 90 do século passado, levando-a à conquista de 9 títulos mundiais de construtores e 7 de pilotos, todos diferentes. Ninguém repetiu. O primeiro campeão ao volante dos carros azuis da Wlliams foi o australiano Alan Jones, em 1980, em disputa acesa com Nelson Piquet, então na Brabham. Dois anos depois, em 1982, seria a vez do filandês Keke Roberg, o piloto que mais anos consecutivos (quatro) lá permaneceu. Em 1987 chegaria Nelson Piquet para ganhar, e alcançar na Williams o seu terceiro título mundial. Em 1992 seria o regresso de Nigel Mansel à equipa, para ser finalmente campeão do mundo. No ano seguinte seria  a vez de Alain Prost, no seu quarto e último título mundial, discutido com Senna (Mclaren), que logo a seguir, no fatídico ano de 1994, chegaria à equipa de Frank Williams para também atingir o seu quarto título, mas onde acabaria por encontrar a morte trágica. O penúltimo título de pilotos chegaria em 1996 através de Damon Hill, filho de outra lenda e bicampeão mundial, Graham Hill, em disputa com o seu colega de equipa Jacques Villeneuve - também filho de outra lenda, Gilles - que no ano seguinte fecharia a lista dos campeões no último título mundial de pilotos  e  o ciclo absolutamente dominador da mítica escuderia de Frank Williams.


Nestes 7 anos juntou o título de pilotos ao de construtores. Que conquistaria ainda em 1981, quando Piquet ganhou pela Brabham, e no trágico 1994, quando Michael Schumacher ganhou com a Benetton, com motores Ford (1980 e 81), Honda (1986 e 87) e Renault, com que dominou a fórmula 1 entre 1992 e 97, período em que só não ganhou em 1995, no segundo título de Schumacher e primeiro da Benetton, também com motor Renault.


 

O mais partido

É oficial: Rui Rio reeleito presidente do PSD com 52,43% dos votos


 


Rui Rio voltou a ganhar as eleições internas no PSD. Pela terceira vez consecutiva, e sempre, mais décima menos décima, dentro dos mesmos números. É quem mais vezes ganhou o Partido, mas sempre partido ao meio. 


Diz-se que á vitória do Povo do partido contra as élites, e talvez assim seja. Mas é aí que começa o problema do PSD. O povo, sem elites, tem um problema de projecto.. 


Mais que um problema de estratégia, Rui Rio terá um problema de quadros. Tem o povo do partido consigo, mas olha à volta e não vê quadros que lhe sustentem um credível projecto de poder. E por isso o projecto de Rui Rio terá alguma dificuldade em levantar voo. E mesmo que o consiga dificilmente dará para grandes voos. Mesmo que o poder dê asas...


O PSD já não é apenas o mais português Partido de Portugal. É o mais partido de Portugal!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Portugal não tem grandes tradições senatoriais. Desde logo porque não tem um Senado e, sem Senado, não há senadores… Mas, a exemplo de outros países que também não dispõem de uma câmara alta entre as suas instituições, há figuras que, pelo seu passado, adquirem um estatuto de grande peso específico na nossa sociedade.


Mário Soares, mas também Freitas do Amaral, serão provavelmente as figuras nacionais que mais atributos apresentam para reivindicar esse estatuto. É certo que não basta reivindicá-lo e que há quem trate melhor ou menos bem desse papel.


O atributo primeiro para garantir e sustentar esse papel é a autoridade, uma autoridade que decorre da própria história pessoal. Depois virá a independência. E depois mais uma série de outros, entre as quais uma adequada gestão do discurso e, especialmente, uma certa contenção.


Não vislumbrando muitas outras, também não me parece que as duas figuras que se digladiaram em 1986 sejam exactamente os melhores exemplos de gestão desse estatuto. Desbaratam frequentemente atributos, por actos, incongruências e, às vezes, por omissões. Por coincidência ou não, são ambos hoje notícia!


Freitas do Amaral pelas suas referências à ditadura europeiaa Europa é hoje um conjunto de democracias governada em ditadura – afirmou. Mário Soares, pelo seu apelo à revoluçãose a Europa não muda terá de haver uma revolução – expressou hoje em entrevista ao jornal i.


Uma matriz comum – a Europa – sobre o mesmo pano de fundo: o afundamento do projecto europeu. E uma linguagem também comum na falta de rigor e mesmo numa certa leviandade. É certo que no actual drama em que a Europa de transformou não será fácil encontrar um discurso lúcido e coerente. O desespero grassa em Portugal e por essa Europa fora, sem saídas à vista. Nem os mais optimistas conseguem vislumbrar outro cenário que não o fim deste projecto europeu, a implosão de um espaço que se tinha como adquirido de paz, progresso económico e social e de liberdade. Mas, daí até justificar tudo com as actuais lideranças alemã e francesa, ou encontrar a saída através de uma revolução – que teria de ser pan-europeia e que ninguém faz a mínima ideia do que poderia ser – vai uma grande distância. Que não está ao alcance de nenhum senador!  


O beco sem saída a que chegamos foi projectado há muito tempo. Pela mão de alguns dos que hoje, para estes senadores e não só, são os grandes impulsionadores do projecto europeu. Quando Helmut Khol e Miterrand resolveram que uma mão - a unificação alemã – lavava a outra - a moeda única -, e Jacques Delors decidiu dar gás a um euro artificial sem olhar aos cuidados que vozes avisadas lhe recomendavam. Nessa altura, quando, como sempre, em cima da mesa estavam os interesses alemães – com o mesmo miúdo atrás, como agora Freitas refere – ninguém falou em ditadura. Nem ninguém se lembrou da democracia, deixando estas coisas sempre à margem da consulta dos europeus que, então, não contavam para nada. A Europa tinha verdadeiros líderes, elites de grande craveira. Para quê a democracia?


E se alguém tivesse o arrojo de submeter as decisões democráticas do eixo franco-alemão – então constituído por gente de bem – ao veredicto popular já sabia que o teria de fazer tantas vezes quantas as necessárias para as sufragar. Nem que para isso fosse necessário lançar mão de chantagens de toda a ordem. Tudo muito democrático e sem necessidade de revolução nenhuma!


 

sábado, 27 de novembro de 2021

Vergonha e hipocrisia

B SAD e Benfica termina aos 48 minutos por falta de jogadores 'azuis'


Deu à costa no Jamor mais uma vergonha do futebol português, que será certamente notícia pelo mundo fora. O B SAD, atingido por uma severa vaga de Covid, entrou em campo com nove jogadores, e o Benfica com os 11 regulamentares. Na bola de saída aconteceu o primeiro golo do Benfica, aos 30 segundos. Marcado na própria baliza, por um defesa azul. Seguiram-se mais seis - três de Darwin, dois de Seferovic e um de Weigl -  até ao 7-0 e ao intervalo, No reatamento, e depois de longa espera, a B SAD surgiu com apenas 7 jogadores. Ao apito do árbitro para o reinício um deles sentou-se no relvado e cumpriu-se a condição regulamentar para terminar ali o jogo 


A vergonha deu à costa no Jamor, dessa forma. Mas não foi no relvado do Estádio Nacional que nasceu. Aí aconteceu a única coisa digna no meio desta vergonha, e foi protagonizada pelos jogadores do Benfica e do B SAD. Estes, porque enquanto estiveram em campo fizeram o que puderam, sempre com grande dignidade. Os do Benfica não foram menos dignos. Foram sérios, não foram sobranceiros, não brincaram com as fragilidades do adversário, e limitaram-se a jogar aquele jogo nas suas circunstâncias. Outra coisa não poderiam ter feito.


Os responsáveis pela vergonha são os senhores da FPF e da Liga e ... Rui Pedro Soares, o presidente da SAD que é em si mesma uma vergonha. Os dirigentes do futebol nacional porque permitem que estas coisas aconteçam, ao terem na época passada aberto os precedentes para o que hoje aconteceu. No período mais crítico da pandemia, há pouco menos de um ano, quando o Benfica teve 26 jogadores e técnicos infectados, Fernando Gomes e Pedro Proença entenderam que tinham interesses mais altos a defender, e que nada havia a fazer a não ser jogar os jogos que tinha que disputar. Antes, na época anterior, num jogo do Sporting em Setúbal, com o Vitória em idêntica situação, se bem que não em circunstâncias de Covid, que ainda não tinha surgido, permitira ao Sporting recusar o adiamento solicitado pelos setubalenses.


Rui Pedro Soares porque, depois de ter passado os últimos dias e horas a dizer que não pedira, nem pediria, o adiamento do jogo, apareceu depois do jogo a disparar para todos os lados por o jogo não ter sido adiado, como se ele próprio não tivesse nada a ver com o assunto. Ainda esta manhã dizia:


"Não pedimos o adiamento do jogo a ninguém. Nem ao Benfica nem à Liga, nem às autoridades de saúde. Até este momento isso não aconteceu nem vai acontecer. O Belenenses não vai pedir o adiamento do jogo. As únicas conversas que teriam validade para adiar o jogo seriam entre mim e Rui Costa. Estivemos em diálogo ontem e nunca a hipótese de adiar o jogo foi colocada por mim ao presidente do Benfica. Olhamos para o calendário e percebemos o constrangimento de um possível adiamento."


Para a história não fica apenas esta vergonha. Ficam os falsos moralistas e os oportunistas. E o mar de hipocrisia em que navega o futebol português. 


 

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Godinho Lopes, o presidente do Sporting, não sabe quem lançou o fogo à bancada da Luz. Como já o seu vice, estando lá – in loco – também não sabia. Mas sabe que vai pedir um inquérito à Liga, porque tem registos de ocorrências graves junto ao balneário que envolvem Luís Filipe Vieira, o presidente do Benfica.


No Dragão, o narrador da TVI em serviço – o jornalista Valdemar Duarte - foi insultado por Pinto da Costa, presidente do FC Porto, e agredido por um elemento do satf portista.


Os chamados comentadores, que representam os clubes nos painéis dos múltiplos programas que enchem o espaço mediático, não comentam nem esclarecem coisa nenhuma. São apenas caixas de ressonância de tudo isto, amplificando tudo o que de pior fazem e dizem os respectivos dirigentes, de quem são meras correias de transmissão!


Gosto muito de futebol Mas não tolero este futebol desta gente …

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Depois do flamenco e do tango é a vez do fado (Património Imaterial da Humanidade). Esta é também uma herança de Amália!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Poderá não ter sido um grande jogo, mas foi um jogo grande!


Como aqui tinha antecipado, o árbitro cumpriu a nova lei do futebol que proíbe os adversários do Sporting de jogar com 11. De resto, um grande ambiente! Nota alta para o Benfica, que ganhou um jogo tão difícil quanto importante. E nota também alta para a equipa do Sporting – que demonstrou claramente ter condições para disputar o título – e para os adeptos do Benfica e do Sporting que conviveram saudavelmente nas bancadas da Luz (á minha volta havia quase tantos sportinguistas – alguns deles conhecidas figuras públicas - como benfiquistas, desfrutamos juntos do jogo e das suas incidências e, no final, despedimo-nos com todo o fair play) a provar que, fora do enquadramento das direcções dos clubes e das claques, o ambiente que se vive no futebol chega até a ser afectuoso.


A nota negra viria – pois claro - das claques sportiguistas que resolveram, sob a passividade cúmplice das autoridades, incendiar toda a zona onde estavam instalados, precisamente a polémica zona de protecção agora criada. Uma zona de protecção que faz todo o sentido ( e é utilizada nos mais modernos estádios da Europa) quando se fala de grupos de adeptos organizados – sempre claques, como se sabe – e que os responsáveis do Sporting começaram por incendiar bem antes de aqueles energúmenos terem desatado a pegar fogo nas cadeiras, no final do jogo. Antes, bem antes do fim do jogo, já aquela gente havia partido tudo o que era vitrina naquela zona!


Antes, mais de três semanas antes do jogo, já os dirigentes sportinguistas começavam a criar matéria inflamável quando, de forma absolutamente gratuita e infundada, como se provaria com a devolução de bilhetes enviados pelo Benfica, reclamavam 10 mil ingressos, bem acima do que as regras da Liga prevêem e do que a história e o bom senso justificavam.


Mal está esta classe de dirigentes que pensa que pode viver disto… Estou certo que os sportinguistas que foram meus vizinhos de circunstância, e com quem tive o gosto de partilhar aquelas duas horas, ficaram envergonhados!

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Cada um tem a sorte que merece

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No "caminho" torto para o Mundial do Qatar a selecção nacional juntou-se às que, em teoria, eram a selecção mais forte e a mais fraca entre todas as que disputam este play-off. Acontece que a mais fácil, a Macedónia do Norte, calhou em sorte à mais forte, a Itália. Fácil, portanto, para os campeões europeus.


À selecção nacional não calhou a mais fácil. Saiu-lhe a Turquia. E depois, se tudo correr bem, lá decidirá o apuramento com a Itália. Pior era difícil, mas é assim ... a factura da miserável prestação da selecção de Fernando Santos na fase de apuramento teria de aparecer. E é esta!


Disputa os dois jogos em "casa", mas também foi em casa que perdeu o apuramento direcro, que lhe competia. Como as coisas estão, nem essa é uma vantagem que se possa levar em conta.


Já se sabia que o caminho era torto. Agora sabe-se que também é difícil. E se calhar o castigo merecido para esta selecção!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Com esta expressão de hoje – colado à linha – o futebolês regressa ao non sense. Ao indecifrável e ininteligível noutra linguagem!


Para complicar avancemos com o sinónimo: encostado à linha! Pois é: colado à linha encostado à linha é exactamente a mesma coisa!


Se a ideia de alguma coisa colada a uma linha ainda poderá fazer algum sentido, a de encostado à linha é que não tem ponta por onde se pegue. Ninguém se encosta a uma linha. É virtualmente impossível! Acresce que, colado ou encostado – que não são sequer coisas semelhantes, são a mesma – induzem uma ideia de estaticismo. De ausência completa de movimento: colado, está preso – incapaz de se movimentar – e, encostado, está parado – sem vontade nenhuma de se movimentar!


No entanto a expressão – uma ou outra, é indiferente porque são absolutamente sinónimas – aplica-se para identificar movimentos. Certamente a mais movimentada das movimentações dos jogadores. Há jogadores que desempenham as suas acções bem no meio do campo, mais atrás, mais à frente ou mesmo mais no meio, mas sempre na faixa central do terreno, como se diz em futebolês. Há outros que, como também se deve dizer, o fazem nas faixas laterais. São, na designação moderna, os alas - antigamente dizia-se que eram extremos, talvez menos apropriado ainda – ou os defesas laterais, cada vez menos defesas e cada vez mais laterais. Há alas que, jogando nas faixas laterais, flectem para o centro. Fazem as hoje tão faladas diagonais, saindo da linha para o centro, seja à procura de oportunidade de remate seja para desposicionar a defesa adversária. E há os que, nunca – bem, não exageremos, quase nunca – largam a linha lateral – à esquerda ou à direita - que assinala o comprimento (105 metros ) daquele rectângulo. Pois, são esses! São esses que correm que nem uns perdidos ao longo desses 105 metros de quem, no entanto, se diz estarem encostados ou colados à linha!


Classicamente - à maneira dos antigos extremos - os jogadores encostam-se à linha por estratégia de ataque. Para alargar mais o campo e correrem até à linha de fundo para, daí, colocarem a bola de frente para os seus colegas em movimento atacante. Eram jogadores que faziam poucos golos mas muitas assistências. Actualmente os treinadores colocam jogadores colados à linha mais por razões defensivas do que outras; mais com a ideia de impedir o avanço dos laterais contrários e de, assim, dificultar o alargamento circunstancial da capacidade ofensiva do adversário, do que por qualquer outra.


No derbi de logo à noite iremos certamente ver comportamentos distintos dos diferentes alas. No Benfica, os dois alas não jogam exactamente colados à linha. Gaitan e Bruno César – e o mesmo se passa com Nolito – nem se encostam nem se colam às linhas, partem da linha em diagonal para o centro, onde fazem o último passe ou mesmo o remate.


O Sporting joga apenas com um verdadeiro ala: Capel, à esquerda. Esse sim, sempre colado à linha. Como poucos e como já não se vê! É daqueles bem à antiga, que põem a cabeça em baixo, fecham os olhos e lá vão eles…a correr que nem doidos. Para nada, na grande maioria das vezes…Mas os adeptos do Sporting apreciam o estilo. Na direita não tem um ala puro, excepto quando coloca em jogo aquele miúdo peruano - Carrillo, se não estou em erro (não sou muito bom a fixar os nomes de alguns jogadores) – já naquela parte do jogo em que estão a jogar contra 10.


Espero bem que logo à noite na Luz não tenha sequer a oportunidade de ver o tal miúdo na ala direita. Sei bem que é difícil, porque dá-me a impressão que há um regulamento qualquer na Liga que impede o Sporting de jogar contra 11… Os árbitros apenas cumprem a lei. Nada mais!


E, claro, verei o Capel colado à linha… Mas sempre a correr atrás do Maxi Pereira!


Do outro lado Gaitan. Que não jogará colado à linha, mas que terá que se preocupar em escapar às pisadelas do outro Pereira. Pisadelas e não só, o rapaz tem um reportório inesgotável…

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Desnorte genuíno

Mal-entendimento". Temido diz ter sido mal interpretada quando falou de  resiliência dos médicos - Renascença


 


Os médicos abandonam funções de direcção clínica e operacional nos seus hospitais por falta de condições para o exercício dessas funções. Mas abandonam também os hospitais do SNS, que trocam pelo estrangeiro e pelo sector privado, igualmente por falta de condições para exercerem a sua profissão. Porque são mal "geridos", porque vivem em organizações disfuncionais, porque lhes faltam meios, porque não se sentem motivados, porque não sentem reconhecimento e  porque são mal pagos. Porque o sistema não premeia o mérito, e varre tudo pela mesma bitola. E certamente por mais uma dezena de razões que cabem no flagrante desinvestimento no SNS na última década, incluindo aquele que os dois últimos governos esconderam atrás das cativações com que fintaram os Orçamentos (e os que os ajudaram a aprovar) e o investimento público.


Confrontada na Comissão Parlamentar de Saúde com a demissão em massa de médicos em cada vez mais hospitais, Marta Temido resumiu o problema a falta de resiliência. Para a ministra da Saúde não importa resolver qualquer daqueles problemas. Tudo se resolve passando a recrutar médicos com capacidade para lhes resistir. É o "ai aguenta, aguenta" de há anos. É um estado de espírito!


Claro que hoje veio dizer que não disse o que dissera, dizendo exactamente o mesmo que dissera. E pedir desculpa: "Se causei uma má interpretação, peço desculpa por isso, genuinamente, do fundo do coração". Mas indignada: "Os profissionais de Saúde, os portugueses, o Serviço Nacional de Saúde conhecem-me, eu trabalho há muitos anos no setor da Saúde, trabalhei com muitos profissionais e fico muito - e genuinamente - indignada com essa receção, com esse mau entendimento".


Pediu desculpa, mas a indignada era ela própria. É "genuinamente" o desnorte!


 



 


 


 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

É assim

Hoje é notícia: 'Macaco' sabia de buscas; Rendeiro: "Não devo um cêntimo"


 


É sempre assim. São sempre avisados. Umas vezes vão até Vigo, e esperam por lá que passe. Desta vez eram buscas mais que anunciadas; ainda assim nada como uma última vista de olhos, não fosse qualquer coisa ter ficado esquecida em casa.


É assim, no Porto.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A greve geral deste dia 24, que acaba de chegar ao fim, não foi muito diferente das outras. A mesma data - 24 de Novembro – do ano passado. A mesma repetição, até à exaustão, da legitimidade do respectivo direito. Toda a gente acha que a greve é um direito indiscutível, inalienável e que tem que ser respeitado.


Toda a gente acha que a greve é um direito respeitável, mas… Pelo que se viu por aí fora há sempre um mas, toda a gente tem uma mas a acrescentar. Que, mais ou menos atabalhoado, mais ou menos engasgado, serve tão simplesmente para dizer que o direito à greve existe mas não devia existir! Tal e qual!


Verdadeira novidade foi a ausência da famosa e clássica guerra dos números. Já diz o povo: para teimar são precisos dois! Como para dançar o tango, como dizia o outro… Os sindicatos não deixaram os seus créditos por mãos alheias – as coisas também não estão para isso – e, sem abdicar do seu papel, partiram para a luta. E não fizeram a coisa por menos: mais de 90%! O governo ainda deu mostras de ir a jogo – logo pela manhã já estava de peio feito e de provocação em grande estilo a anunciar os seus 3,6% - mas, depois, o patrão Relvas deu meia volta e mandou recolher. Não entramos nessa guerra – sentenciou. E pronto, não há discussão, ninguém teima e não há guerra!


Não será certamente novidade que muita gente que achava que deveria ter feito greve tenha ido trabalhar. Como não é novidade nenhuma que a adesão à greve tenha sido grande no sector público e muito reduzida no sector privado. O que de algum modo terá suavizado os terríveis prejuízos para o país…


Se a mobilização para a greve advém das dificílimas condições de vida impostas aos portugueses – não importa se com ou sem alternativas, e nem sequer se com ou sem enquadramento no manifesto do Dr Soares – é claro que, da imensa e esmagadora maioria dos portugueses que vive os mais duros dias das suas vidas, grande parte estaria disponível para aderir à greve. Razões não lhes faltam! Muitos – muitos mesmo – não o fizeram porque não podem sequer prescindir do salário que perderiam. Outros não o fizeram por conflito de interesses. Pela consciência – particularmente no sector privado - de que o seu direito legítimo de fazer greve conflituava com o interesse da empresa que lhe garante o sustento ou - mesmo no sector público – de que o exercício desse seu direito prejudicava outros concidadãos.


É natural que a adesão se tenha concentrado no sector público. É historicamente assim. É aí que se concentram os trabalhadores – não digo os portugueses – mais penalizados e é aí, apesar de tudo e sem paradoxos, que ainda poderá residir alguma capacidade para perder um dia de salário. Vamos a ver se isto não dá mais umas ideias ao governo, acabando por descobrir que, afinal, ainda há lá mais uns trocos para sacar!


O resto são posições ideológicas. Os que são contra as greves. Porque sim! Os que as vêm como o remédio para todos os males. Ou os que as delas têm uma visão meramente instrumental. Os dos mas e até os que acham que a chinesa Dagong e a americana Fitch acabam de baixar o rating da República (mais um lixo) precisamente por causa da greve.


Há gente que não percebe que as sociedades precisam de válvulas de escape. E que, nas actuais circunstâncias, é fundamental que a mais que justificada indignação esteja institucionalmente enquadrada. Para que incidentes sem expressão - como simples actos de vandalismo em meia dúzia de locais (entre os quais algumas repartições de finanças) ou os incidentes do final do dia junto ao palácio de S. Bento – não venham abrir caminho a fenómenos de contestação difusos e inorgânicos, que facilmente degeneram em descontrolada violência social.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Um jogo que teve tudo - até golos que não teve!


 


Que grande jogo de futebol!


Teve tudo este jogo do Camp Nou. Não lhe faltou nada. Nem os golos, que não teve. Sim, para que não lhe faltasse nada, teve dois golos. Teve mais, teve quase três!


Este Benfica que esteve hoje em Camp Nou não terá sido um grande Benfica, ao nível do seu melhor. Mas foi seguramente um Benfica competente. Para ser um grande Benfica, faltou-lhe … Rafa. Com o melhor Rafa teria sido outro jogo. Para ser o mais competente dos últimos anos faltou um bocadinho de competência - e o mínimo de sorte - a Seferovic, no último minuto. Naquele golo que todos vimos e festejamos num sonho de que acordamos com a bola a acabar a fugir da baliza de Ter Stegen. Quando, um milésimo de segundo antes, a tínhamos já visto lá dentro. O tal quase terceiro golo do jogo. que os deuses da bola desviaram para o lado de fora do poste direito da baliza do alemão, prostrado no chão ainda a olhar para o chapéu que Seferovic lhe tinha oferecido.


Não há explicação para aquela bola não ter entrado. Como também não há explicação para a arbitragem russa ter anulado aquele golão de Otamendi, aos 36 minutos da primeira parte. Com o argumento que, no início da jogada, no canto de Everton, a bola teria descrito uma curva que ninguém viu, e que nenhuma imagem confirma, e passado uns momentos fora do campo. Era o primeiro golo do jogo, e marcado pelo melhor em campo. Por quem mais o mereceu. E para estas coisas não há VAR!


Já o segundo golo do jogo, festejado pelos jogadores e pelo público catalão, aos 83 minutos, só foi isso - festejado. O central uruguaio, Araújo, estava clara e indiscutivelmente fora de jogo.


E pronto, fica escrita a história dos golos que o jogo (não) teve. E nesses, o Benfica ganhou.


Mas o grande jogo desta noite em Barcelona não se resume aos golos que (não) teve e deveria ter tido. A primeira parte foi muito bem jogada, de parte a parte. O Barcelona de Xavi, agora a comandar de fora, começou por se superiorizar, e esteve por cima do jogo na meia hora inicial. Mas sem que o Benfica lhe consentisse qualquer oportunidade de golo. Essas foram do Benfica, que respondeu no último quarto de hora, em que foi melhor. E chegou ao golo - o tal que ainda não se percebe porque foi anulado. Paradoxalmente foi nesse período que o Barça criou a sua mais flagrante oportunidade de golo, num remate à barra, mesmo no ângulo com o poste direito da baliza de Vlachodimos, com mais uma grande exibição.


Ao intervalo ficava a ideia de um Benfica melhor. Que dividira a posse de bola com os campeões da posse, tivera mais remates enquadrados, mais cantos.


Na segunda parte o jogo cresceu em emoção, e chegou até a parecer partido em muitas ocasiões. Para isso muito contribuíram as substituições, abertas logo que se esgotou o primeiro quarto de hora. João Mário, o relógio, e Yaremchuk, muito preso lá na frente entre os centrais adversários, foram substituídos por Taarabt e Darwin. E isso mudava o futebol do Benfica, tirando-lhe calculismo e introduzindo-lhe agitação. Do outro lado, Xavi fez o mesmo, lançando o agitador Dembelé para o lugar de Demir, mais um craque chegado de La Masia. E como agitou, o francês!


Tanto que Jorge Jesus teve de mexer no lado esquerdo, colocando Lázaro no lugar de Grimaldo, há muito amarelado, que primeiro subiu no terreno para, pouco depois, dar lugar a Seferovic. A tempo de fazer o quase golo, o tal que ainda se não percebe como só foi isso, e que ficaria para contar outra história deste grande jogo.


Se tudo correr dentro da normalidade em curso neste grupo E da Champions, este resultado, que acabou por acontecer, não se ficará por ter garantido apenas o terceiro lugar, que remete a continuidade na Europa do futebol para a Liga Europa. Normal será que o Bayern ganhe ao Barcelona. E, normal ou não, o Benfica só tem que ganhar ao Dínamo de Kiev, que marcou hoje o seu primeiro golo na competição, ao perder com os alemães por 2-1, em Kiev.


É isso, há mesmo uma boa probabilidade do Benfica prosseguir para os oitavos da Champions. Hoje mostrou que o merece!

Portugal dos pequeninos

A Joana, a Clara e a Boneca na CNN Portugal


Primeiro foi o segredo bem anunciado e melhor guardado a levar expectativas céu acima. Depois a festa, a passadeira vermelha, por onde desfilou o poder mais alto de um país que também assim se vai fazendo pequenino. Presidente da República, primeiro-ministro, ministros... estavam lá todos. Era finalmente a verdade da notícia a chegar, tudo o que para trás ficara não passava de mentira. Era a revolução da verdade que viria mudar para sempre o panorama informativo deste país. Pequenino!


Finalmente o pano subiu. E o país pequenino abriu a boca de espanto. As caras eram velhas. Velhas conhecidas, bem entendido. De algumas já nem nos lembrávamos bem, vinham bem lá do fundo do baú.. Outras tínhamo-las visto há dez minutos, uma hora, dois ou três dias... O ritmo era o mesmo, como se não tivéssemos passado pelo countdown. Os mesmos formatos, com os mesmos participantes...


As notícias.... ah ... as notícias...  Essas, ou há ou não há. Havia?


 Não, não havia. Mas havia João Rendeiro para estender noite fora, esticando o espectáculo da notícia. Que afinal só precisa de ser espectáculo, isso da revolução e da verdade fica para os separadores promocionais. Tudo como a TVI já fazia sem ter de pagar royalties... Mas é a CNN Portugal. De Portugal dos pequeninos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

COI - Chinese Olympic Interest

ONU pede explicações sobre desaparecimento de tenista chinesa - SIC Notícias


 


A tenista chinesa Peng Shuai deixou de ser vista em público depois de ter detalhadamente publicado, no início do mês, na rede social Weibo, que tinha sido vítima de violação por parte do antigo vice-primeiro ministro, Zhang Gaoli. A publicação foi rapidadamente apagada, e desde então não mais se lhe conheceu o paradeiro.


Logo que começaram a surgir notícias do seu desaparecimento passaram a ser publicadas fotografias da tenista em convívio privado, e até um "mail" em que supostamente a própria desmentia a publicação que tinha feito. Nada a que não estejamos habituados nestas circunstâncias. Nem é fácil encontrar melhor prova para as suspeitas que recaíam sobre o envolvimento do regime chinês no seu desaparecimento. Uma denúncia destas, com uma atleta de enorme popularidade interna, pelo seu desempenho desportivo mas também pela sua própria história de superação, violentada na sua mais profunda dignidade por um predador do topo do aparelho de poder, não poderia ser tolerada por um regime da natureza do chinês.


Por isso o mundo não teve dúvidas que Peng Shuai, se estivesse viva, não estaria na posse da sua liberdade. Daí que que fossem diariamente crescendo os apelos das mais diversas organizações internacionais - da Amnistia Internacional  à WTA - para que o regime chinês revelasse o seu paradeiro. Sem sucesso, como é habitual. A China é demasiado poderosa para se vergar a apelos desta natureza.


E há sempre quem se venda por um prato de lentilhas. Em todas as áreas, mais ainda nas mais altas instâncias do desporto mundial, onde os valores das lentilhas se medem em largas centenas de milhões de dólares. É por isso que daqui a um ano há Mundial de futebol no Qatar.


É aqui que entra o Comité Olímpico Internacional (COI) ao divulgar, ontem, uma vídeo-chamada, de cerca de meia hora, com a tenista chinesa. Ninguém ficou a saber onde está Peng Shuai, mas ficou a saber-se que ela disse estar bem. E que pediu para que a sua privacidade fosse respeitada.


Do COI, para o mundo, Peng Shuai disse qualquer coisa como: "estou bem e deixem-me em paz". Tudo, nem mais nem menos, o que serve os olímpicos interesses do regime chinês!


E já agora fiquemos com a ficha técnica da realização:


Thomas Bach, o presidente do Comité Olímpico Internacional;


Emma Terho, a presidente da comissão de atletas olímpicos;


Li Lingwei, membro do Comité Olímpico Chinês. Naturalmente!.


 

domingo, 21 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Benfica já lá está. Nos oitavos de final da Champions, por onde não andava há uns tempos! Uma saudação aos oitavos vinda desde Manchester, a very british hello…


Foi sofrido, é certo, mas é assim que as coisas sabem sempre melhor. Não foi uma grande exibição mas foi um jogo bem conseguido que garantiu muitas coisas: o apuramento, que era o mais importante, e a invencibilidade na época, que é sempre notável. O Benfica continua sem perder qualquer jogo oficial, provavelmente a única na Europa a este nível de competição!


Mas nem tudo são rosas e há a lamentar a lesão de Luisão. Mais que qualquer outra coisa. Mais, muito mais, que o golo do empate dos ingleses, obtido em fora de jogo. Irregular, portanto!


E o Teatro dos Sonhos calou-se para ouvir cantar Benfica. Foi bonito!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Vasco Polido Valente, em entrevista ao Público:


 Foi Cavaco quem empurrou o carrinho pela encosta abaixo!


Nunca estive tão de acordo com VPV... Que faz hoje 70 anos. Parabéns, também por isso!

sábado, 20 de novembro de 2021

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Nada de novo


 


No regresso da pausa para as selecções, o calendário competitivo trazia hoje o Paços de Ferreira à Luz, para discutir o acesso aos oitavos de final da Taça de Portugal, a poucos dias da deslocação do Benfica a Barcelona, para tratar das contas do apuramento na Champions.


Estes jogos têm sempre alguns condicionalismos. Há jogadores que praticamente ainda não regressaram, especialmente os que se deslocam para o lado de lá do Atlântico, e os que ficaram cá por mais perto, mesmo que presentes parecem muitas vezes ausentes. É normal que os treinadores apostem nos que ficaram a trabalhar com eles, nos que não foram às selecções. Uns, porque nunca lá vão: outros, porque é o seu estado de forma que não dá para tanto. Isto tudo para dizer que não será exactamente a mais fina flor que fica a contar para estes jogos.


Como numa moeda, também aqui há duas faces. Podem não ser os melhores, nem estar no seu melhor. Mas podem entrar em campo com vontade e determinação em mostrar que são tão capazes como os outros. E isso às vezes resolve muita coisa.


Pois bem. Mas na equipa que Jorge Jesus escalou para este jogo - Helton Leite à parte pela tal rotação dos guarda-redes entre o campeonato e a Champions e as taças internas - não havia mais que três caras novas. E mesmo assim, duas delas - André Almeida e Radonjić que, como bem vimos e sentimos, até foi à sua selecção - não eram tão novas como isso. Apenas Gedson era mesmo novidade. O sérvio lesionou-se e arrumou com a questão. André Almeida jogou a central, no lugar de Luvas Veríssimo, hoje mesmo operado ao joelho, em Barcelona. E Gedson apresentou-se sem condição - nem física, nem mental. Nem motivação, já não acredita!


Mas vamos ao jogo. Que não foi muito diferente do que tem sido, mesmo que nunca tenha caído tão fundo como já vimos em tantos outros. Mas com os mesmos pecados capitais - pouca velocidade, pouca intensidade, pouca presença na área e … sem linha de fundo. Mesmo assim o Benfica criou três boas oportunidades para marcar - Everton e Darwin acertaram no guarda-redes e Rafa no poste. E lá se foram…


O Paços fez pouco. Mas no início da segunda parte, naquela do "quem não marca sofre", marcou. Por Nuno Santos, um miúdo do Seixal emprestado ao Paços, que na Taça pode jogar contra o "emprestador". E a coisa ficou preta.


Jorge Jesus reagiu depressa. Mas não parecia nada que bem. Fazia sentido tirar André Almeida, para passar a jogar com a defesa a quatro, e tirar Gedson era óbvio. Entraram Pizzi - e bem -e Taarabt. E parecia que mal. Antes, já tinha entrado Lázaro, que também não tinha entrado bem, para o lugar do lesionado Radonjić. Mas na frente continuava Darwin sozinho, e sem grande jeito para isso de estar sozinho na área. Ainda assim teve oportunidade de enviar uma bola à barra.


Os minutos passavam, o Paços lá ia levando a água ao seu moinho, e não se via muito bem como sair daquele rumo que não levava a lado nenhum. E lá entraram então Seferovic e Gonçalo Ramos, saindo Darwin e... Weigl. Faltava um quarto de hora, e finalmente havia condições para ter gente na área adversária, condição sine qua non para marcar golos a uma equipa que defendia toda em cima da sua grande área.


Três minutos depois apareceu finalmente o golo. E o empate, 23 minutos depois!


Ironicamente não teve nada a ver com as alterações. Na cobrança de um livre, na sequência da enésima falta sobre Rafa - sempre ele - Grimaldo foi simplesmente soberbo. Grande golo!


A partir daí foi outro jogo. E as bolas passaram a entrar. Três minutos depois, Seferovic fez o segundo, de cabeça, e o Paços já não tinha nada a fazer lá atrás. Avançou no campo, e o Benfica repetiu o que fizera ao Braga, há duas semanas. Já só houve tempo para mais dois golos - um a cada 5 minutos (Rafa e Everton).


Nada - portanto - de muito diferente do que se tem visto. Nem nada de novo. Na reviravolta do jogo, os rostos são velhos conhecidos. É por isso que vou cometer blasfémia: e se deixassem o empresário do Darwin fazer o negócio que anda para aí a dizer que tem em mãos?


Se calhar não é boa ideia esticar a corda com isso da cláusula de rescisão. Não parece que Jorge Jesus tire muito mais dali. Não se vê qualquer tipo de progressão. E pelo que vai vendo o Yaremchuk também podia ir para Milão. Neste caso não é a progressão que está em causa. É a regressão a que Jorge Jesus lhe está a impor!

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


É frequente encontrar expressões do futebolês exactamente iguais às do português corrente. Nunca querem dizer o mesmo, têm significados completamente distintos. Poderíamos dizer que são expressões homófonas, que é coisa que não existe mas poderia muito bem existir!


Grupo de trabalho é uma expressão frequente na linguagem portuguesa. Por tudo e por nada em Portugal se cria um grupo de trabalho. É, muitas vezes, o primeiro passo para se não fazer nada, mas isso são contas de outro rosário. Com pior fama só mesmo as comissões parlamentares de inquérito. Não sei se será por isso – por nem sempre dar os melhores resultados, como ainda esta semana foi o caso do do serviço público de rádio e televisão, ou simplesmente pela moda dos anglicismos - que se tenha começado a substituir o grupo de trabalho por task force!


O grupo de trabalho é, em linguagem corrente, marcado pelo circunstancialismo. Cria-se um grupo de trabalho para uma tarefa específica – daí que a expressão inglesa faça mesmo sentido – que se esgota com a própria tarefa. Já em futebolês o grupo de trabalho é permanente. Não é um grupo construído para desempenhar uma determinada tarefa, mas um conjunto de equipas multidisciplinares integradas numa organização com missão, objectivos e estratégia.


Em futebolês o grupo de trabalho integra os jogadores - o plantel - e as equipas técnica, médica e administrativa, donde emerge o treinador com uma liderança absoluta. Seja na estrutura inglesa, onde o treinador – coach - é substituído pelo manager (o líder da organização que integra grupo de trabalho – Mourinho, no Real Madrid, para atingir esse desiderato não descansou enquanto não afastou o director desportivo, Jorge Valdano) seja na estrutura à portuguesa, que espalhou directores desportivos por tudo o que é sítio, mas quem manda é o treinador.


Em qualquer circunstância é claro que plantel e treinador são as peças fundamentais e a chave do grupo de trabalho. O resto, quanto menor visibilidade melhor. Pede-se-lhe descrição e eficácia!


Vejamos o caso da selecção nacional. Porque está em alta, agora que tem na mão o guest card dos convidados de última hora para a festa de Junho na Polónia e na Ucrãnia, e porque, estando integrada numa organização de grande dimensão e dispondo de todas as estruturas, é actualmente um dos mais flagrantes exemplos do poder absoluto do treinador. No grupo de trabalho está lá tudo: um vice-presidente da Federação, um director desportivo, um departamento médico, etc.. Mas quem manda é o Paulo Bento! Para o bem e para o mal. Demasiadas vezes para o mal…e sempre em nome da defesa do grupo de trabalho! No futebol toda a gente põe a defesa do grupo de trabalho acima de tudo...


Para defender o grupo de trabalho foi inflexível com Ricardo Carvalho. Mas o grupo de trabalho é que deveria ter evitado o caso Ricardo Carvalho. Deveria haver lá gente que percebesse que a corda estava a esticar para intervir antes que ela partisse. Com Bosingwa deveria ter sucedido o mesmo. Logo que se percebeu que havia mosquitos por cordas alguém deveria ter actuado.


Quando, na terça-feira, Paulo Bento não resistiu ao inebriante odor do sucesso para desferir o golpe final nos dois proscritos, mostrou que não sabe liderar. Mostrou que poderá ser um bom sargentão, mas nunca um líder natural e, por muito que esta opinião vá contra a corrente, terá hipotecado um futuro de sucesso. Porque, hoje, a linha que separa a capacidade de liderança do autoritarismo gratuito é a mesma que separa o sucesso do insucesso.


plantel da selecção nacional é a única estrutura do grupo de trabalho que não pertence à Federação. Os jogadores não são propriedade da Federação, chegam lá por empréstimo. Mas constituem os principais activos de alguns dos maiores clubes do mundo. Ora, com a sua história no Sporting e com estas posições na selecção, que grande clube poderá estar interessado em lhe entregar a gestão dos seus principais activos?


Se o caso Ricardo Carvalho se precipitou rapidamente, deixando a Paulo Bento pouca margem de gestão, já no de Bosingwa teve todo o tempo e toda a tranquilidade. Tudo começa em Fevereiro. Há um mês Paulo Bento diz que tem dois laterais direitos melhores, sabendo que toda a gente percebia o tamanho da mentira. Logo depois comunica: com ele, Bosingwa nunca mais. Finalmente, já em festejos do apuramento, explica: porque simulou uma lesão para não jogar no particular com a Argentina, em Fevereiro. Depois do jogador provar, e do médico do grupo de trabalho ter confirmado, que nada lhe permitia concluir da simulação da lesão, de ter exigido um pedido de desculpas e de, por fim, dizer que com com este seleccionador não voltará a jogar na selecção, Paulo Bento tem a lata de dizer que, com esta declaração, o Bosingwa é que se afastou a ele próprio da selecção.


Paulo Bento transformou-se, dentro e fora do jogo, num novo Scolari. Duro que nem o sargentão, desenvolve uma estratégia de grupo baseada na cumplicidade alimentada a fidelidade canina. Teimoso e fechado que nem o sargentão, concentra-se nos jogadores em vez dos conceitos de jogo. Arregaça as mangas e, incapaz na planificação técnica e táctica aposta no conflito e nas emoções. Tal como no declínio de Scolari…


 

Ruído e ansiedade

Poluição Sonora Ansiedade Ruído - Gráfico vetorial grátis no Pixabay


A ansiedade está de regresso, de mão dada com o aumento dos números diários de novas infecções e de óbitos com Covid, e com a notícia que a quinta vaga está aí, a ensombrar mais um Natal, 


Sabemos que os números são o que são, mas não são os que eram. E sabemos que a ansiedade nunca é boa companheira. Sabendo estas duas coisas seria bom que soubéssemos três outras, bem simples: quem, como e onde. Quem é atingido pelas novas infecções, em que circunstâncias, e onde acontecem. E quem está a morrer - segmento etário,  e se há ou não outras co-morbilidades.


Despejar números sem os fazer acompanhar dessa informação complementar não me parece, nesta altura, grande coisa. Como não é grande coisa falar-se do regresso a medidas que bem conhecemos - mesmo que algumas delas nunca tenham exactamente deixado de ser generalizadamente usadas, como o uso de máscara na rua, por exemplo, e que por isso nem representem sequer um regresso - peditório a que o Presidente Marcelo é, como habitualmente, dos primeiros a chegar. 


E com tal assertividade que passa logo para o "estado de emergência". Acha que não precisará de o utilizar, mas lá vai dizendo que o pode fazer, e que nem a dissolução da Assembleia da República o impedirá, o que nem sequer será exactamente da mais óbvia constitucionalidade. 


O país, que deveria nesta altura estar orgulhoso dos seus 86% de vacinados, um exemplo na Europa e no mundo, precisa é de perceber por onde está agora a passar a pandemia. Não precisa de alarmismo nem de ansiedade. Precisa que a entrada de bares, discotecas,  espaços de eventos e espectáculos seja efectivamente vedada a quem não esteja vacinado, ou a testar negativo. Precisa que nas chegadas aos aeroportos haja controlo efectivo da situação da cada passageiro. E, francamente, falar de uso obrigatório de máscara na rua, quando a maioria das pessoas a continua a usar por sua própria iniciativa,  e nada dizer sobre o uso obrigatório - e em condições de eficácia, não como adereço de pescoço - nos estádios de futebol, como se viu ainda no jogo da selecção no Estádio da Luz, só serve para aumentar o ruído.


 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A troika é, como se sabe, uma emanação do FMI. A Comissão Europeia e o BCE não estão lá a fazer outra coisa que compor o ramalhete: não têm experiência nestas coisas, acabam agora de entrar nestas andanças!


Das ondas levantadas pela conferência de imprensa de anteontem – que Ulrich pretende agora proibir – e da entrevista do representante do FMI, o dinamarquês Paul Thomsen, à RTP, os media escolheram surfar a da redução de salários no sector privado. Viram ali a onda gigante da Nazaré, da semana passada!


O assunto não constava no texto oficial da troika, mas não foi poupado em tudo o que foi intervenção pública. Na conferência da CIP de ontem – onde tanta coisa importante foi dita, como, por exemplo, Belmiro de Azevedo a dizer que já não acredita neste governo nem neste presidente, ou Fernando Ulrich a dizer o que disse mas, mais importante, a dizer (o que não disse) que a economia não vai poder contar com crédito no próximo ano – aquela confederação patronal não se mostrou nada entusiasmada com o assunto. Importante, na sua perspectiva, é a flexibilidade de gestão do banco de horas resultante da meia hora diária de trabalho adicional. O primeiro-ministro, em Angola, chutou para canto. Oficialmente o assunto não existe! Os opinion maker oficiais do regime vêm a correr desvalorizar o assunto. Com duas correntes: uma que argumenta que isso já foi feito no sector privado e outra que garante não se justificar fazer o que os outros dizem que já foi feito, porque é o prémio de risco do sector. Quer dizer, os trabalhadores do sector privado pagam tudo com língua de palmo através do risco de desemprego. Os do sector público, imunes ao desemprego, é que têm de se contentar com a baixa de salários! Que, ainda por cima, é corte de despesa!


Não é, evidentemente, porque toda a gente esteja contra esta ideia de baixar salários no sector privado que a medida não tem pernas para andar. Ou que a troika não a inclua nos relatórios oficiais. É apenas porque, provocando quebras de receita (IRS e Segurança Social) cavaria mais fundo o buraco orçamental.


O FMI assenta a sua receita na desvalorização cambial. Sempre assim foi, e nunca, até agora, encontrara situações como esta. Não tem plano B! Por isso procura a competitividade nunca através da valorização do que quer que seja mas da desvalorização de tudo o que tenha à mão. E, à falta de moeda, lá vêm os salários em primeiro lugar!


Perguntar-se-á: então mas se, mesmo que funcionários de sétima linha - como o presidente do BPI lhes chama - estes técnicos da troika sabem que aumenta o défice, por que carga de água não resistem a insistir na redução dos salários do sector privado?


É que, como na parábola do escorpião, está-lhe na massa do sangue. A resposta é exactamente a mesma do escorpião para o sapo: porque sou um escorpião e essa é a minha natureza!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Acredito que o processo no Brasil, pelo assassínio da senhora Rosalina, tenha feito acelerar o processo BPN em Portugal que levou à detenção de Duarte Lima e do filho, Pedro Lima. Já agora, gostaria de acreditar que este processo permitisse acelerar tantos outros, fios do mesmo novelo.


A começar pelo BPN – já que está à mão – de que se não ouve falar há muito tempo. É que, se tempos houve em que ouvíamos dizer que o coitado do Oliveira e Costa iria pagar as favas sozinho, agora, que já saiu da prisão, já nada se ouve. O outro lá saiu do Conselho de Estado, mas só isso…


E pelo BPP. Mas também que alguém se lembre que o Isaltino continua a brincar aos recursos, já depois do Tribunal Constitucional vir dizer que já não há nada por onde recorrer. E que deixem de haver escutas invalidadas, buscas ilegais e tantas outras irregularidades formais destinadas a que nada disto dê em nada…


É que o país não está exactamente para isso… As coisas não estão muito a jeito de tudo isso continuar a dar em nada!  


O país exige, mais do que nunca, ética, vergonha na cara e respeito! Puxe-se o novelo, até ao fim!

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Vejam só onde isto chegou. Decididamente a banca portuguesa está farta da troika e já diz dela o que Maomé não diria do toucinho.


"Não estou para ouvir funcionários de 5ª, 6ª, 7ª ou 8ª linha dizer o que devemos fazer. Prefiro escutar a mensagem do primeiro-ministro Passos Coelho ou do seu ministro das Finanças". Estas palavras são do presidente do BPI, Fernando Ulrich.


Um dia destes estão a falar com o Otelo…

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A troika acaba de nos passar no segundo exame trimestral, fazendo uma avaliação positiva da implementação do programa de resgate financeiro e abrindo, assim, caminho a mais uma tranche de 8 mil milhões. Que há-de chegar lá para finais de Dezembro!


Na longa conferência de imprensa onde comunicou os resultados a troika fez alguns alertas. O principal terá sido que os resultados do programa estarão postos em causa se não houver crescimento económico. Como toda a gente percebe, apesar de não parecer!


Isto deixa de ser um simples alerta – um aviso à Cavaco, para depois vir dizer “eu bem avisei” – para passar a ser um sério aviso. E muito preocupante, porque não se vê como seja possível crescimento económico no meio deste mar de medidas recessivas. A não ser que acreditemos que o crescimento económico está assegurado pelas exportações que, de repente, crescem sem limite porque, com a baixa generalizada de salários, o país é acometido de um súbito surto de competitividade. E que acreditemos que há capacidade instalada para tal. E que os nossos mercados estão, também eles, a crescer desmesuradamente…

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Quando se nomeia um grupo de estudo sobre qualquer coisa é condição sine qua non que as pessoas escolhidas detenham conhecimentos profundos da coisa. Que sejam especialistas! Se não, não vale a pena!


Claro que ser especialista numa coisa – na circunstância em serviço público de rádio televisão – não implica abstenção ideológica. E as convicções ideológicas de cada um influenciam, naturalmente, a sua visão das coisas. Na razão inversa da sua especificidade técnica, é certo, mas nunca lhe ficando indiferente. Daí que a constituição de um grupo de trabalho deva incluir especialistas e, tanto quanto possível, de suficiente amplitude ideológica.


Ora, o que se passou com o Grupo de Estudo do Serviço Público de Rádio e Televisão, foi bem diferente. Apenas dois especialistas na matéria: um demitiu-se e o outro, reconhecendo-se-lhe competências, está mais virado para o conflito e para o ajuste de contas. Num grupo presidido por um Professor de Gestão mais conhecido pelo seu referencial ideológico que propriamente por outras razões, não admira que o Relatório final seja uma coisa pouco menos que ridícula.


Ninguém, seja qual for a sua posição perante a rádio e a televisão pública, reconheceu qualquer mérito àquele Relatório. Nenhuma ideia estruturante, apenas ideias preconceituosas. E disparates, muitos disparates!


Sou, como tenho por diversas vezes manifestado, favorável à privatização da RTP. E entendo que o serviço público – um serviço público a sério - deveria ser objecto de contratualização com os diferentes operadores como contrapartida da atribuição das respectivas licenças. Não sou um especialista e tenho esta posição apenas por razões pragmáticas, à cabeça das quais está logo a utilização da RTP como o covil de favores políticos, onde cabe sempre mais um.


Talvez por isso me sinta confortável na denúncia do embuste que é este Serviço Público de João Duque. Serviço Público e João Duque são, de resto, de convivência difícil!

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


E pronto lá vamos nós ao europeu do leste, na Polónia e na Ucrânia. Bem à portuguesa, bem sofrido, bem já no fim…


É a nossa sina, o que é que se há-de fazer?


O jogo de hoje, a última oportunidade que tínhamos de lá estar em Junho, permitiu-nos rever o filme de todo o apuramento: uma superioridade imensa que às vezes parecia não servir para nada, a troca das voltas da sorte e do azar, momentos de altíssima concentração logo seguidos de outros de completa descompressão, sempre penalizadores e, finalmente, golos, espectáculo e festa. Atravessamos ao longo deste jogo todos os momentos da fase de apuramento: o espectro do primeiro jogo – o inacreditável empate a 4 com o Chipre –, o azar do jogo na Noruega, a desconcentração dos dois últimos jogos - com a Islândia e com a Dinamarca – e o brilhantismo dos jogos caseiros com a Dinamarca e a Noruega.


Durante a maior parte do tempo a selecção jogou com 10. Jogar com 10 não ajuda, convém não esquecer. Paulo Bento insiste em jogar com dez. Coloca sistematicamente o número 23 na ficha de jogo, manda mesmo uma camisola com esse número para dentro do campo, mas … quem jogue à bola é que não!


Mas é nestas coisas que o futebol é o que é. Isto mesmo! À entrada do último quarto de hora toca pela primeira vez na bola e… golo. Pouco depois, na segunda vez que toca na bola, o segundo golo. Em paralelo com o adversário, que fez dois golos nas duas vezes que rematou à baliza. Mas que também não jogou nada. Não deu para perceber que equipa é esta da Bósnia, que nem de perto nem de longe, conseguiu justificar o receio que por aí se vendeu. Nem as estatísticas que ostentava! Nem as dificuldades que impusera à selecção francesa!


Ah! E um grande Cristiano Ronaldo. Hoje foi tudo nesta equipa…

domingo, 14 de novembro de 2021

Sem honra nem glória. Apenas vexame!


 


Já sabíamos que Fernando Santos acredita mais em milagres que na capacidade de um conjunto de jogadores que estão entre os melhores do mundo, e que integram as melhores equipas do planeta. O que é absolutamente inacreditável é que, agarrado ao milagre do título europeu, tenha transformado tão extraordinário lote de jogadores numa selecção mediocre.


Mais inacreditável ainda é que Fernando Santos ache que faz tudo bem. Os jogadores, é que não. Os jogadores é que não conseguem. Aqueles jogadores não conseguem ligar o jogo, garante. Não conseguem ter bola. Diz e repete, como se nos quisesse convencer que jogadores que são dos melhores que há, e que jogam nas melhores equipas mundiais e que disputam as mais exigentes competições do futebol mundial, não sabem jogar à bola. 


A selecção nacional tinha a obrigação de ter garantido o apuramento para o malfadado mundial do Qatar bem antes de chegar a este jogo decisivo, em casa, em que lhe bastava um empate. Mesmo que aquele golo na Sérvia - já agora onde a selecção teve em metade do jogo, na primeira parte, a única prestação minimamente condizente com a qualidade dos jogadores -, que não contou, tivesse desde logo empurrado a decisão para este último jogo. Porque, em boa verdade, já foi por Fernando Santos ser o que é que a selecção empatou um jogo que ganhava por 2-0 ao intervalo, depois de exibir uma enorme superioridade sobre a equipa sérvia.


A Sérvia é uma selecção de terceira linha do futebol europeu, mas os outros adversários eram ainda muito mais fracos. Por isso, a partir desse jogo na Sérvia, o mais normal seria que as duas equipas ganhassem todos os jogos. A Sèrvia foi infeliz na Irlanda, e empatou esse jogo. Onde a seleccão portuguesa foi incompetente, e também empatou ... mas com muita sorte. Num jogo miserável que marcou, e muito, o de hoje.


Hoje bastava o empate para conseguir o apuramento. Era Fernando Santos nas suas sete quintas e, com jogadores de topo mundial, armou uma equipa para não perder com um adversário de terceira categoria, dentro da sua estratégia de eleição. Com a sorte de marcar no primeiro minuto, o que podia ser o melhor, foi o pior. A partir daí só uma equipa jogou à bola.  A Sérvia empatou pouco depois da meia hora (num frango monumental, para acentuar o vexame), e depois de já ter tido uma bola de golo no poste. Na segunda parte Fernando Santos jogou com três trincos - Danilo (é incrível como foi titular), Palhinha e Ruben Neves!


A Sérvia marcou o golo da vitória que lhe deu o apuramento ao minuto 90. Nada mais que o merecido castigo. Acreditar agora que no play-off é que vai ser, é pouco menos que acreditar em milagres. Fernando Santos acredita. Mas já ninguém acredita nele. Os senhores da Federação Portuguesa de Futebol podem estar-se nas tintas para os adeptos, mas convinha que não se esquecessem que nesse "ninguém" se incluem os jogadores. 


Há mais de 11 anos, Cristiano Ronaldo abriu a porta da rua a Carlos Queirós com uma frase: "assim não, Carlos, assim não". Se quer estar no seu último mundial é hora de se lembrar disso.


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


É frequente associar a criminalidade à crise. Há aqui um certo dedo ideológico, que tende a apontar no sentido de que as pessoas, uma vez penalizadas pelas agruras da crise – o desemprego, a redução dos apoios sociais, etc. – procuram satisfazer as suas necessidades básicas através de actividades criminosas. De criminalidade violenta!


Vejo este título do Público e não consigo fugir a uma breve reflexão sobre o assunto. Se é certo que esta ideia de associar a criminalidade à crise tem o seu quê de ideológico, não o é menos que uma certa ideia de facilitismo – no sentido de encontrar respostas fáceis, um tanto ou quanto primárias - instalada na sociedade portuguesa favorece esta interpretação.


A ideia de que o crime aumenta à medida que aumentam as dificuldades da vida não é aceitável. No entanto ela está instalada, e é dada como certa em determinadas realidades.


É frequente ouvirmos técnicos de Serviços Sociais deixarem-nos uma ideia de que há subsídios que têm de ser mantidos para comprar certas condições de convivência que nos garantam a paz e a tranquilidade que asseguram a nossa vida social. Não sei de onde veio essa ideia, mas sei que essa é uma forma de nos convencer a todos de que esse dinheiro é bem empregue. Que não é um dinheiro destinado a financiar modos de vida marginais mas um dinheiro destinado a pagar um direito como os outros. Como pagamos o direito à saúde ou á educação, pagamos o direito à segurança, só que por duas vias: pela da política activa de segurança  e pela da subsidiação social. Nessa medida isso é como que um imposto que organizações criminosas implantam nos territórios que dominam.


Evidentemente que, nestas circunstâncias, o aumento da criminalidade não tem nada a ver com a crise. A criminalidade está lá, latente, e nós apenas a contemos enquanto tivermos condições para pagar o tributo - a chantagem. Aqueles que a crise violenta, os mais pobres e os desempregados que todos os dias engrossam a fila dos deserdados do sistema, não têm nada a ver com o aumento da criminalidade. São gente séria que não merece o que lhe está acontecer, quanto mais ser ainda vítima destes anátemas!


O crime não tem ideologia!

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Um jogo não é rasgado - ou rasgadinho como também se diz em futebolês – quando se rasga o que quer que seja: camisolas, calções ou qualquer outra parte do equipamento.


O que não quer dizer que não se rasguem camisolas na sequência de jogos rasgadinhos. Ainda nos lembramos de um célebre jogo em Alvalade em que a camisola do Rui Jorge – hoje seleccionador nacional da equipa de sub 21 (acredito que se tenha deixado de lhe chamar esperanças por disso haver cada vez menos) – foi rasgada precisamente depois de um jogo rasgadinho entre o Sporting e o Porto. Coisas de outros tempos, que não exactamente de outro Mourinho, e muito menos de um outro Porto…


Começa-se a perceber que um jogo é rasgadinho quando é muito disputado, quando se luta palmo a palmo pela posse da bola, quando o empenhamento dos jogadores é máximo, sem regatear esforço nem suor. Quando comem a relva, que é mais uma expressão de futebolês. Pois, mas não chega. Para jogo rasgadinho falta ainda qualquer coisa. Falta entrar com tudo – outra – que quer dizer entrar à bola e/ou ao adversário – e mais outra – naquela zona de red line que fica entre o excesso de dureza (também chamada virilidade, que é coisa que não se percebe bem, até porque, ao contrário do que se diz, o futebol já não é só um jogo de homens) e a violência. Faltam picardias e jogo maldoso, ainda e mais uma expressão de futebolês.


Um jogo rasgadinho é pois muito mais que um jogo de futebol. É um jogo de futebol mas com ingredientes complementares: pancadaria, grosseria, ausência completa de respeito pelo que seja e por quem quer que seja. É o jogo rasteiro e cheio de truques baixos onde o fair play nem sequer é uma treta


Quer dizer, é o pior do que de pior o futebol tem. E, no entanto, em vez de se chamar isso mesmo – o pior do que de pior o futebol tem – chama-se-lhe rasgadinho. Assim mesmo, com diminutivo carinhoso e tudo!


Já há muito que estamos habituados aos famosos jogos rasgadinhos entre Porto e Benfica. Aqui ou ali também alguma coisa rasgadinha nos jogos entre o Benfica e o Sporting ou entre o Porto e o Sporting. Rasgadinhos pela certa eram os Porto-Benfica, assim mesmo, os jogos nas Antas ou no Dragão, que se não ficavam, nem se continuam a ficar, pelo espaço limitado pelas quatro linhas. Lembramos do Paulinho Santos (o que sofreu o coitado do João Pinto), do Jorge Costa (parece que não conseguiu perder esses hábitos e agora, lá pela Roménia, quem paga é a mulher) ou, mais recentemente, do Bruno Alves, do Fucile, e sei lá mais quem…


De repente, de há três ou quatro anos para cá, surgiu o mais rasgadinho dos rasgadinhos. É já um clássico! É o Braga-Benfica, como já perceberam. Braga era, e não vejo por que tenha deixado de ser, uma região de forte implantação benfiquista. O Sporting de Braga era um clube que, como a generalidade dos restantes, mantinha boas relações com o Benfica: recebia bem – lembro-me da festa do título de 1994, no antigo Estádio 1º de Maio , que quase parecia a Luz – e era tradicionalmente um dos seus principais clubes fornecedores. E o Benfica foi sempre o seu principal cliente.


Era uma situação que não interessava às ambições hegemónicas de Pinto da Costa, que não descansou enquanto não tratou de inverter, exportando para Braga toda a tecnologia e o  know how dos jogos rasgadinhos, para transformar a Pedreira num inferno alimentado pelo fogo do Dragão. Em poucos anos o recinto dos bracarenses transformou-se no mais hostil – e aqui a hostilidade é mero eufemismo de terror - dos ambientes que o Benfica visita, e os jogos passaram a ser os mais condicionados de todos os que o Benfica tem de disputar.


Este último, do passado domingo, foi apenas mais um. Onde se viu o que nunca tinha sido visto: três cortes de energia - que levaram uma primeira parte digna de Guiness, de quase noventa minutos jogados em suaves prestações - mais uma arbitragem deplorável, corte de água quente nos balneários… a culminar numa absurda, extemporânea e inacreditável tentativa de acusação de Alan – um especialista, com tirocínio tirado no Dragão - de racismo a Javi Garcia. Tudo sem o mínimo sinal de interesse da Liga!


Sei que alguns poderão argumentar foi a partir desta metamorfose que o Braga se guindou a um novo patamar competitivo. Como, se assim fosse, os fins justificassem os meios!


Mas nem sequer é bem assim. Apenas nas duas últimas épocas o Braga teve desempenhos acima do que serão as suas prestações normais em função das condições de que dispõe: na última por força da verdadeiramente excepcional presença na final da Liga Europa e, na anterior, por força de um também excepcional segundo lugar na liga. Ambos circunstancias e dificilmente repetíveis!


O que é claro e visível é a satelização face ao Porto. Sem qualquer dimensão comercial – o Braga entretanto deixou cair a formação e, sem jogadores para vender, tornou-se não num entreposto mas num laboratório de ensaios de treinadores e de dirigentes para o Porto - e com óbvia submissão competitiva nos jogos entre si.


 


PS: Escrevo antes do jogo da selecção nacional na Bósnia. Pelo que se tem visto – desde a imposição de um campo inacreditável para este nível de competição, à perseguição aos jogadores portugueses, em particular Cristiano Ronaldo - espera-se também um jogo rasgadinho.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Fugir do amarelo para cair no vermelho


 


Mais uma miserável exibição da selecção portuguesa, esta noite, em Dublin. Tão má que terá mesmo sido a pior da já longa era de Fernando Santos que, como se sabe, não é um treinador muito dado a grandes exibições.


A selecção da República da Irlanda é uma das mais fracas da Europa, nesta altura. E no entanto foi, com aquele futebol vigoroso, bem britânico do antigamente, feito de querer e determinação, sempre melhor que a portuguesa. Já o jogo de há uns meses, da primeira volta, no Algarve, tinha sido muito complicado, com a vitória a surgir de um autêntico milagre, com aqueles dois golos do Cristiano Ronaldo, mesmo - mesmo - no fim. E no fim, nestes dois confrontos com os irlandeses, salvou-se o resultado. Hoje o empate até valia a mesma coisa que a vitória. Não acrescentava nem retirava nada ao jogo do próximo domingo, com a Sérvia,. Com a vitória, ou com este empate, sairia deste jogo sempre na frente do grupo, e a basar-lhe não perder para garantir o apuramento para esse estranho mundial do Qatar, no Natal do próximo ano.


Mas, como ensaio para esse jogo decisivo, foi mau de mais. E nessa medida não permite alimentar as melhores expectativas. Mas … já se sabe, cada jogo é um jogo. E este estava marcado pelos amarelos. Pelo grande número de jogadores em risco de ficarem fora do jogo decisivo. Fernando Santos optou por prescindir de todos eles - todos, não; manteve Palhinha, que esse, como se sabe, mesmo que seja amarelado nunca é excluído - incluindo os que, à partida, nunca seriam titulares nesse próximo jogo. E acabou por ficar sem o que, provavelmente, menos quereria perder: Pepe, pois claro. Igual a si próprio, e por isso expulso.


É como o escorpião - está-lhe na massa do sangue. É da sua natureza! Que, pela protecção que goza em Portugal - das arbitragens e da própria imprensa - não tem necessidade de reprimir. Com a bola controlada, sem qualquer adversário por perto e com tempo para tudo, resolveu metre-se em problemas, até se ver apertado. E logo que se viu apertado, já com um amarelo (mas até vermelho directo justificaria), decidiu eliminar o adversário à cotovelada, deixando a equipa exposta, com menos um jogador, e galvanizando, ainda mais, o adversário e o público que o empurrava para a vitória.


 

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Os nossos banqueiros fizeram tudo e mais alguma coisa para impedir o apoio do Estado à recapitalização dos seus bancos. Tudo menos o que deveriam fazer: procurarem eles próprios, e junto dos seus accionistas, os capitais de que necessitam. Até chegaram ao ponto de dizer que não precisavam …


Agora vão pôr o Estado em tribunal!


Ainda todos nos lembramos que foram eles – os mesmíssimos banqueiros – que encostaram o Sócrates à parede e o obrigaram a não adiar mais o pedido de resgate. Foram eles quem, objectivamente, mandou vir a troika: à noite disseram que tinha que ser e, de manhã, cá estavam eles! Agora põem o Estado em tribunal por cumprir aquilo a que está obrigado por força do mesmíssimo acordo de resgate que eles próprios reclamaram…  


Ironias!

"Não passar cavaco às tropas"

AOFA acusa ministro da Defesa de “abrir linhas de guerra” com declarações  “ofensivas” – Observador


 


Este governo tem problemas em muitos ministros. Às vezes, muito raramente mesmo assim, pode resolvê-los mudando de ministro. Com o ministro da defesa é que nem assim, muda de ministro e o problema mantém-se exactamente na mesma - não informa ninguém!


O anterior ministro, sabia do roubo das armas de Tancos, mas não informou ninguém. O actual, sabia dos crimes de tráfico com os militares na República Centro Africana ... e fez o mesmo. Não informou ninguém. Ninguém de quem tinha que informar, ninguém a quem deve o dever de informar. O anterior, Azeredo Lopes, que por isso deixou de ser ministro. E o actual, João Gomes Cravinho, que por isso tem de deixar de ser ministro!


Caso estranho, este. Nos dois mais graves problemas com as tropas, os ministros que sucessivamente as tutelas têm o mesmo problema: "não passam cavaco às tropas"!


Marcelo, que para além de primeira figura do Estado, é o comandante suprema das Forças Armadas, não foi informado. Não gostou, e disse-o, dizendo que não fora informado pelo primeiro-minsitro. Que logo disse que não tinha informado, porque também não estava informado.


Há poucas semanas, o ministro esquecera-se de o informar que tinha demitido o Chefe do Estado-Maior da Armada. Mas aí Marcelo tinha a última palavra. Teve-a, e no fim resumiu tudo a "equívocos". Esclarecidos, por isso. 


Agora tudo é diferente. Não há equívocos para esclarecer.


 

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Há muito que se ouve falar na Europa a duas velocidades. Ou, numa linguagem ciclística, no pelotão da frente, deixando perceber que para trás vão ficando outros.  


Sempre percebemos que era assim, que havia uma Europa rica, uma outra assim-assim, e a pobre. Onde sempre soubemos que estávamos e de onde chegamos a pensar que iríamos sair, não por qualquer esforço de recolagem mas porque, aquando do alargamento a leste, olhámos para trás e vimos que estava achegar um novo pelotão que nos deixava aquele conforto ilusório de não ser último. Mas, sem pernas para aquela pedalada, limitamo-nos a, um a um, vê-los passar todos.


Com a chegada do euro, e com o estatuto de fundador, voltamos a encher o peito e a sentirmo-nos lá à frente. Essa poderia até ter sido uma boa oportunidade para um último esforço de recolagem, como acontece àqueles ciclistas que, de repente e depois de uma curva, avistam o pelotão da frente e, indo buscar forças onde nem imaginam que existam, se lançam num esforço gigantesco para se lhes juntar. Mas não a aproveitamos! Em vez disso relaxamos ainda mais, convencidos que seriam eles a esperar por nós para depois nos rebocarem.


Esta situação de corrida deixou agora de ser circunstancial para passar a ser irreversível. Merkel e Sarkozy – e acredito mesmo que mais Sarkozy, preocupado que está em manter o periclitante triple A da França, vital para as suas aspirações eleitorais – estão a preparar-se para se livrarem dos grupos atrasados, restringindo o euro ao pelotão da frente, para o qual convidarão um restrito grupo dos seus melhores aguadeiros. Nove ao todo, onde parece que a Espanha será o único corpo estranho. Talvez pelo peso do seu ciclismo, quem sabe?


É sintomático que sejam os responsáveis institucionais da Europa – os presidentes da comissão (Barroso), do eurogrupo (Junker, que ainda ontem cá em Lisboa jurava que o euro não existia sem Portugal) e do conselho (Von Rompuy) – a negar a constituição deste clube do euro. Logo eles que foram os primeiros a ser engolidos pela dupla que veio para a frente tomar conta da corrida…

Miríade

Operação Miríade. “É muito mau e lastimo muito isto”, diz Fuzeta da Ponte -  Renascença


A corrupção e a criminalidade dentro das forças militares e de segurança tinham um padrão: as multas de trânsito, que muitas vezes acabavam a descambar em autênticos processos de extorsão, nas forças policiais e em especial na GNR, e os aprovisionamentos, nos quartéis militares.  Pequena criminalidade, muitas vezes dentro do socialmente aceitável num país de brandos costumes, que facilmente tolera, e até enaltece, o espertismo. Depois, mais tarde, começaram a surgir, aqui e ali, notícias do envolvimento no tráfico de drogas, subindo a parada para outros patamares menos aceitáveis.


A notícia de ontem, do envolvimento de militares portugueses em missão da ONU na República Centro Africana no tráfico de ouro, diamantes e droga, pela dimensão, pela grau de sofisticação das práticas criminosas, e acima de tudo pelo contexto, é outra coisa. Atinge o patamar do crime organizado à mais alta escala da miséria ética e moral.


Militares, e ao que se sabe, jovens formados nas tropas especiais, e alguns já, depois, integrados nas forças de segurança do país, em representação de Portugal numa missão da ONU no terceiro mais pobre país do mundo, onde lidavam quotidanamente com a fome, a guerra, e a mais vil exploração, movidos por uma inqualificável ganância sem limites, usaram o ouro e os diamantes de sangue arrancados por crianças de tenra idade e subnutridas enfiadas em buracos de lama, para alimentar o luxo a milhares de quilómetros de distância, e com ele a sua própria ganância.


Estavam ali, e sabiam porque estavam ali. Viram com os seus próprios olhos, não precisaram que ninguém lhes contasse toda aquela miséria. E sabiam que estavam ali num esforço nacional e internacional para a combater, E ainda assim, escolheram fazer o que são acusados de terem feito.


Estes crimes não ferem apenas a instituição militar que prometeram honrar, e o país que juraram defender. Matam a sangue frio a honra, a esperança e o futuro!


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...