segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ENSINO PÚBLICO OU PRIVADO?

Por Eduardo Louro


 


 


A questão à volta do ensino privado agitou o país durante toda a semana passada – havia já invadido a campanha eleitoral, mais com o objectivo de apanhar a boleia mediática do que qualquer outro –, com acções de rua que colocariam o assunto no topo da agenda mediática.


Não é, no entanto, sobre a justeza das posições em confronto, nem sequer sobre as formas de protesto encontradas, que me vou pronunciar. Tudo isso é, evidentemente, importante. Como importante será o debate em torno da que é talvez a mais antiga parceria público-privada (PPP) do regime!


O que me surpreende e cativa neste tema é a falta de objectividade na abordagem. Não vejo qualquer abordagem que não esteja ferida de enquadramento ideológico.


Reconhecendo a forma como a esquerda e a direita se entrincheiram neste conflito – numa altura em que se saúda a recuperação do debate ideológico, que durante algum tempo parecia esbatido – é a direita que, nesta questão, me surge mais claramente no papel de refém. Refém de uma ideologia ou refém de interesses? Pois, essa é a minha dúvida!


A esquerda entende que o Estado se deve limitar a financiar o ensino privado nas circunstâncias em que não esteja em condições de assegurar o ensino público: ou seja, quando existam populações que não estejam cobertas pela rede pública de ensino. Parece-me uma ideia razoável! Não sei se tem grande carga ideológica e é alheia a interesses!


Entende que o Estado não pode cortar no financiamento da escola pública para financiar escolas privadas que promovem a distinção social e um conjunto de actividades extra curriculares normalmente tidas por elitistas. Pois, aí já vejo pura demagogia: essas actividades têm outro financiamento, não é o que está em causa. Não é nem poderia ser o Estado a pagar isso…


A direita entende que o Estado, ao reduzir o financiamento ao ensino privado, está a limitar a liberdade de escolha. Não tem nada a ver uma coisa com a outra! Nem parece argumento muito sério. Quem pode escolher escolhe na mesma. Quem não pode … não tem escolha. É a vida… É como na saúde: pode-se escolher o médico no sistema privado – pagando, é claro!


Entende que empurra os pobres para fora do ensino privado que, assim, fica exclusivamente ao alcance dos mais ricos. E daí? Mas também todos os pobres têm acesso a este tipo de ensino?


São preocupações de fraca sustentação ideológica: desde logo porque representam um inequívoco apelo ao Estado. Quem reclama menos Estado não pode agora pedir mais Estado. 


E chama a este ensino privado uma forma de ensino público, ou a forma mais eficaz do ensino público. Até poderá ser que sim. Mas ao Estado compete é fazer na escola pública um ensino público eficaz… Não é fazer isso no ensino privado!


Se não encontro aqui uma sustentação ideológica tão óbvia terei que admitir que esta seja a posição da direita em razão dos interesses. Que a direita esteja refém de interesses nesta matéria!


Matéria em que a religião – leia-se Igreja Católica – consegue como ninguém traçar a bissectriz entre ideologia e interesses!


 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

QUEM PARTE E REPARTE...

Por Eduardo Louro


 


 O CDS apresentou esta semana uma proposta dita de regulação dos vencimentos no sector público.


O princípio, se bem percebi, resumia-se em dois pontos:


i) O vencimento de qualquer cargo do sector público estaria limitado ao do titular do órgão nomeador;


ii) Nenhum cargo poderia ter um vencimento acima do do Presidente da República.


Parecia claro e simples: quem nomeia sabe qual o seu vencimento, logo… Sem nenhuma dúvida, ninguém poderia ganhar mais que Presidente do República!


Logo no dia seguinte surgia uma notícia a que não foi atribuída importância nenhuma: Cavaco Silva optou por manter as suas duas reformas e recusar o vencimento de Presidente da República!


Não é o que está em causa mas, evidentemente, o novo/velho Presidente apenas exerceu esta opção porque, só agora – depois de todos os pacotes de austeridade –, os titulares de cargos públicos são obrigados a abdicar da acumulação dos múltiplos vencimentos que açambarcavam. Agora já só podem acumular pensões: pensões como as do Banco de Portugal – uma das que agora ajudam Cavaco a sustentar a sua pobre mulher – com pensões como as do exercício das múltiplas funções políticas – deputado, autarca, coordenador de uma coisa qualquer – cujo direito, como todos sabemos, foi adquirido após toda uma vida de trabalho, como a da senhora que agora, coitada, vive à custa do marido. Depois de uma vida inteira a trabalhar aquém e além-mar!


Às vezes bastou ser nomeado para, automaticamente, se adquirir o direito a uma pensão, mas não é disso que estamos a falar. Como diria a outra, isso agora não interessa para nada!


Voltando ao ponto: Cavaco estilhaçou a proposta do CDS!


Como é que o vencimento do Presidente da República pode servir de tecto se é logo o próprio a ganhar mais que ele?


É que Cavaco, e com toda a naturalidade – está mais que provado que sabe fazer contas, ou não fosse ele Professor de Economia – escolheu a fatia maior. Já que a tanto foi obrigado, escolheu ganhar mais que o Presidente da República!


Agora estão a ver: como é que a proposta do CDS pode chegar a algum lado quando é logo o Presidente da República a ganhar mais que o Presidente da República?


Não resisto a citar Medeiros Ferreira: “Há algo de errado nisto. Mas o quê?”


 

Futebolês #61 CORTE

Por Eduardo Louro              


 


Corte de cabelo. Corte e costura. O corte do fato, que não é a mesma coisa do corte na casaca. Se não somos grandes cabeleireiros, por muito que isso custe à imprensa cor-de-rosa, já no corte e costura é diferente: vão surgindo alguns estilistas que começam a dar nas vistas nesse dito exigente mundo da moda. Não é que eu perceba alguma coisa da matéria, mas é o que vou ouvindo! Mas bons, bons a sério, somo-lo nessa outra especialidade do corte na casaca. Raramente cortamos a direito mas, quando se trata de corte na casaca, cortamos a torto e a direito…. Sem dó nem piedade!


O corte que hoje temos pela frente é no entanto outro. É o do futebolês, também conhecido por intercepção. Que, embora parecido, não é a mesma coisa de desarme que, por sua vez, nada tem a ver com despojar de arma. Desarmar o adversário não é retirar-lhe a arma: apenas retirar-lhe a bola que, ao contrário da cantiga, nunca conseguiu ser uma arma. Esteve quase: numa famosa final da Taça de Portugal, em 1969, entre o Benfica e a Académica!


Pode retirar-se a bola ao adversário através do desarme – quando um opositor a leva bem coladinha ao pé, quando a transporta, sabe-se lá com que intenções – ou quando se interrompe a sua trajectória de uma viagem com ponto de partida num qualquer jogador do adversário. Apesar de o resultado ser o mesmo, o desarme, também conhecido por roubo de bola, nunca será um corte!


Há jogadores especializados nestas tarefas tidas como destruidoras. Já aqui falamos deles e do peso com que têm que arcar toda a vida – até houve quem lhes chamasse carregadores de piano, numa metáfora que contrapõe estas tarefas menos nobres à arte superior do pianista – sempre na sombra das luzes da ribalta projectadas sobre os artistas, aqueles a quem os deuses (e os treinadores…) destinam o brilho próprio das verdadeiras estrelas.


Mas há outros que conseguem dar a volta às ingratas funções que lhes são destinadas. Há os que investidos de funções destruidoras logo encontram artes (e quantas vezes manhas) de fugir ao destino da penumbra. Destroem, sim senhor! Mas tanto são autênticas armas de destruição massiva como logo a seguir se viram para o piano e executam, logo ali, o mais belo improviso ("o futebol, se fosse música, seria jazz"- já o diz Luís de Freitas Lobo, citando não sei quem) capaz de deslumbrar o mais adormecido dos nossos sentimentos!


Lembramo-nos de alguns destes seres raros. Lembramo-nos, os mais velhos, de Beckenbauer! E lembramo-nos, quando pensamos nesta metamorfose súbita do destruidor no mais fantástico construtor, de David Luiz. Sim, desse que está para ir embora! Ou pensavam que, se não fosse para falar disso, me tinha dado a todo este trabalho?


Perdeu uns anos com a estapafúrdia ideia de fazer de um central de elite um vulgar lateral esquerdo. Foi Quique Flores quem usou e abusou desse crime/pecado! Mas também Jorge Jesus, com quem se apresentaria ao mundo, teve algumas tentações. Sempre mal sucedidas porque, agora, o menino tinha já decidido não dar mais para aquele peditório.


Atingiu o Olimpo com a estreia na maior montra do futebol mundial. Que, ao contrário do que muito boa gente possa pensar, não é a Champions mas a selecção do Brasil! E o seu destino ficou traçado para bem longe da Luz…


Recusaram-se as ofertas do defeso passado: era a cláusula de rescisão! A aposta era evidente, mas o equívoco também: uma boa campanha na Champions ajudaria a que as ofertas se aproximassem da dita!


A campanha europeia foi uma lástima, o arranque interno ainda pior, e a única coisa que aumentou foi a diferença para a dita cláusula de rescisão. Também aqui vale a lógica do momento: vão-se os anéis e fiquemos com os dedos!


Despediu-se anteontem de nós, no jogo dos quartos de final da taça de Portugal com o Rio Ave. Uma despedida a deixar-nos já cheios de saudades, com deliciosos solos de piano. Quis transformar um dos muitos penalties num encore, para se despedir com um golo: falhou, como mais outros dois haviam falhado. Mas aquele penalti da glória falhado assim, daquela maneira, com o corpo todo inclinado para trás enquanto a bola seguia para as nuvens, deixa-nos a imagem de um David Luiz há muito no Chelsea. Ou num Manchester, ou no Milan ou no Real Madrid…


 


 


PS: Já depois da publicação deste post foi noticiado que as negociações com o Chelsea falharam. Nada muda. Se falharam essas outras serão retomadas. E concluídas até ao fim da próxima segunda-feira. Com quem quer que seja, mesmo com o mesmíssimo Chelsea!

Delito de Opinião

Por Eduardo Louro


 


 


O Quinta Emenda passou hoje pela passadeira vermelha do Delito de Opinião!


Vale a pena ir lá dar uma espreitadela.


 


 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

QUESTÕES DE FUNDO(S)

Por Eduardo Louro


  


Por questões de fundos Sócrates anda aí pelo mundo fora a oferecer tudo e mais uma botas. Esperemos que seja contido - coisa que, como bem sabemos, não lhe é fácil!


Pensávamos que as bolsas dos nossos credores não tinham fundo. Que aquilo eram verdadeiros poços (de dinheiro) sem fundo! E, ainda por cima, barato! Daí que gastássemos cada vez mais, cavando buracos cada vez mais fundo.


Até eles começarem a perceber que dificilmente voltariam a ver a cor do dinheiro. Desse dinheiro sumido nesses buracos sem fundo! E deixaram de querer continuar a emprestar-nos, pelo menos com boa-vontade.


Deixaram-nos à beira de um ataque de nervos, desesperadamente à procura de fundos para um novo buraco sem fundo: agora a própria dívida! Fundos que – não, obrigado! – recusamos aceitar de dois Fundos: do Monetário Internacional e do de Estabilização Europeu!


À espera de uma luz no fundo do túnel – que é como quem diz, à espera das eleições na Alemanha e que, depois delas, a Srª Merkel (sem tarefa fácil, agora que os alemães começam a perceber que já se podem voltar a virar para a sua História, de que tiveram de andar décadas a fugir, e, quem sabe, vingar a subalternidade que lhe quiseram destinar no concerto europeu) possa então pensar em resolver algumas coisas da União – ao governo, agora, pouco mais restaria que esperar. Esperar que os mercados financeiros parem um bocadinho para respirar fundo. E para olhar para outro lado!


O problema é que não dá para esperar: nem pela luz lá ao fundo! Tem que se arranjar fundos praticamente todos os dias. E a única forma de fugir ao pedido de ajuda àqueles dois Fundos indesejados é procurar fundos noutros Fundos: os Fundos Soberanos de gente menos recomendável. Porque – à excepção da Noruega – são os únicos que têm fundos!


Percebemos que a China já deu uma mão. E que estará interessada no porto de Sines e num ou noutro banco. Pelo menos para já: para as primeiras impressões!


E percebemos que, na viagem da passada semana ao Golfo, supostamente destinada a desenvolver oportunidades de negócio para aquela região, a questão de fundo não foi essa. A questão de fundo foi captar os fundos dos Fundos Soberanos do Qatar e do Abu Dhabi. E deu ainda para perceber que as contrapartidas entram a fundo nas próximas privatizações: EDP, TAP, GALP, CTT…


Mais uma questão de fundo levantada por esta questão dos Fundos: a economia portuguesa precisa de crescer e só o pode fazer através das exportações; o governo parte mundo fora para dar uma mãozinha. Mas, logo que pisa terra, ainda no aeroporto, troca os objectivos. E em vez de lhes vender produtos e serviços, os tais bens transaccionáveis que alguns portugueses ainda vão conseguindo produzir com muita qualidade e capacidade competitiva, vende-lhe empresas. Não dessas empresas que, à custa do empenho e capacidade de empresários e trabalhadores, produzem bens que competem no mercado mundial. Mas das outras, das que operam em regime de absurda protecção, em autêntico monopólio, que vivem de bens e serviços essenciais à comunidade. Que nós cidadãos, sem alternativa, pagamos aos preços que eles que se limitam a impor. E que, por isso, dão os lucros que quiserem…


Sem ir ao fundo da questão, esta é a questão de fundo nestas questões dos fundos!


 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

EUSÉBIO

Por Eduardo Louro


 


 


Faz hoje 69 anos o mais brilhante e mítico jogador do futebol nacional. E comemoram-se hoje os 50 anos da sua chegada a Portugal e ao Benfica!


Foi em 1961 que chegou ao Benfica para marcar uma época única de glória do futebol português e do Benfica. Um Benfica a chegar, também neste ano de 61 e neste início de uma década de ouro, à alta-roda do futebol, com a primeira vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Um Benfica que se confunde com Eusébio, onde é difícil perceber onde acaba um e começa o outro.


O Benfica já era grande antes de Eusébio. E continuou grande depois de Eusébio. Mas, e disso ninguém tem dúvidas, nunca havia sido tão grande. Nem nunca mais viria a ser tão grande!


Parabéns Eusébio! Obrigado Eusébio!


 


 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pronto. Já votamos!

Por Eduardo Louro


  


 A maioria de uma parte, de menos de metade, dos portugueses reelegeu, como se sabia e conforme sempre aconteceu com os seus antecessores em democracia, Cavaco Silva.


A maioria, uma maioria cada vez mais clara, dos portugueses deixou de se interessar por estas coisas. Não é exactamente uma novidade, mas é uma realidade cada vez mais preocupante!


O resultado de Cavaco nem é a vitória esmagadora que alguns esperavam – nunca o poderia ser, mesmo que fosse bastante mais expressiva, face aos números da abstenção que não surpreendem ninguém – nem exactamente um flop que lhe belisque qualquer legitimidade!


O resultado de Manuel Alegre também não é surpreendente: o seu passado mais recente, os mixed feelings da anacrónica coligação partidária de suporte da candidatura e o seu desempenho em campanha não legitimavam aspirações mais ambiciosas.


Surpreendentes, ou pelo menos de surpresa relativa, são os resultados mais identificáveis com o voto de protesto – as candidaturas de José Manuel Coelho e de Fernando Nobre!


O atípico candidato madeirense, com um resultado nacional acima dos 4%, mas com mais de 37% na Madeira (ai se isto fosse transponível para as eleições regionais…), representa não o anedotário com que facilmente se poderia rotular, mas o puro protesto. Parece-me que nas próximas legislativas poderá até chegar ao parlamento. O que, a suceder e ao contrário do que se possa esperar, não é lisonjeiro para o sistema!


O resultado de Fernando Nobre, acima dos 14%, tem, na minha modesta opinião, um significado muito importante. Manifestei-me aqui como um dos muitos decepcionados com a sua candidatura, uma decepção que provinha do cruzamento da enorme esperança numa candidatura vinda de fora do sistema, da mais despretensiosa e genuína cidadania, com o desencanto de uma campanha absolutamente frustrante.


Não acredito que a maioria dos portugueses que decide não ir votar o faça apenas por comodismo e por desinteresse. Acredito que isso se aplique a uma boa parte deles, em resultado da vil tristeza em que a nossa democracia caiu. Mas não tenho grandes dúvidas que a outra boa parte o faz porque não se reconhece em qualquer projecto político do cardápio que lhe é apresentado e, mais ainda, porque não reconhece credibilidade a nenhum dos protagonistas que lhe aparecem à frente!


Este resultado de Fernando Nobre abre uma janela de esperança: se com uma campanha já de si fraca e ainda escandalosamente "esquecida" pelos media, e com um candidato que, ao contrário do que muitos esperavam, não soube (ou não pôde) fazer o melhor para potenciar as raízes de uma candidatura civil desta natureza, se chegou até aqui, onde é que não chegaria noutras condições?


Pois é! Este resultado de Fernando Nobre pode levar-nos a admitir que é possível recuperar muita dessa gente que já desistiu de acreditar e, com eles, começar mudar a face deste país. Começando logo por demonstrar que não há fatalidades. Que não é fatal que tenhamos de nos resignar àquilo que, sem alternativa, nos impingem!

sábado, 22 de janeiro de 2011

A NOVA MINISTRA

Por Eduardo Louro


  


 


Os funcionários públicos já começaram a receber os seus novos vencimentos. Bem, o vencimento é o velho, está lá é uma taxa nova!


Já percebem o que a crise dói! E logo no fim-de-semana das eleições…


À medida que vão começando a saber quantificar o sacrifício, quanto é que lhes toca em rifa, vão também sabendo que há quem fique de fora. Uns porque foram aumentados no último mês do ano passado. E com retroactivos desde o início do ano: passou-se com os quadros superiores da Segurança Social e veio ao conhecimento público há duas ou três semanas!


Outros porque foram aumentados ao abrigo de um acordo de empresa: veio hoje a público e passa-se na EPAL!


Dos primeiros, na Segurança Social, não tivemos mais notícias. O assunto morreu! Os aumentos é que não. Esses mantêm-se bem vivos!


Já os revelados hoje, na EPAL, morreram mesmo. Porque, ao contrário da Segurança Social, apenas tocavam a trabalhadores? Não. Nada disso…


Apenas porque hoje conhecemos um novo ministro, na circunstância ministra, e logo daquelas que não brinca em serviço: “mandei regredir essa medida”! Alto e para o baile!


Vejam bem: foi preciso aumentar o vencimento de uma ou duas dúzias de trabalhadores da EPAL para ficarmos a saber que o governo tem uma Ministra do Ambiente. Chama-se Dulce Pássaro e deu-se finalmente a conhecer: tem 57 anos, é casada e mãe de dois filhos!


Bem vinda Senhora Ministra!


 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Futebolês #60 CHICOTADA PSICOLÓGICA

Por Eduardo Louro


 


Embora às vezes possa parecer, isto não tem nada a ver com tortura. Nem com nada de psicológico!


Não significa isto que, para o chicoteado, a coisa não represente um castigo sério. Mas nada que se compare com coisas que ainda se vêem por esse mundo fora, ainda cheio de chicotes e de chicoteadas. Ou mesmo com o que se passa para aí com uns jogos meio esquisitos ligados a um tal Marquês de Sade!


Chicotada psicológica é a expressão que o futebolês encontrou e consagrou para se referir ao despedimento – que, curiosamente, também prefere chamar de afastamento: no futebol as pessoas não são despedidas, são afastadas como se sofressem de um mal altamente contagioso – do treinador. Quando os resultados não aparecem, seja lá pelo que for, quem paga é o treinador. Torna-se rapidamente numa figura peçonhenta que há que afastar quanto antes, na esperança de que chegue outro que vire tudo de pernas para o ar. Que ponha os jogadores a correr, que transforme jogadores medíocres em grandes craques e derrotas em vitórias. Como se fosse o rei Midas!


Às vezes até resulta. Mas só raras vezes!   


Tratando-se de um despedimento, mesmo que tratado por afastamento, e sendo o treinador o sujeito passivo, evidentemente que quem despede – o sujeito activo – é o patrão. Seja lá quem for!


É o presidente – não o que se vai agora eleger – o do clube! Mas também pode ser o patrão da equipa. Quantas vezes são os jogadores – este ou aquele – a afastar o treinador. Ou os adeptos que, apesar de se limitarem a pagar uma quota que não dá nem para pagar a água do duche dos jogadores no fim de cada jogo, se acham sempre os donos do clube. E, portanto, o patrão que pode despedir.


Tem-se visto de tudo: quando o Luís Filipe Vieira afastou Fernando Santos, não foi ele. Foram os adeptos do Benfica que, apesar de benfiquista, nunca lhe perdoaram que antes tivesse andado pelo inimigo. Pelo Porto, onde atingiria o cognome de engenheiro do penta, e pelo Sporting, onde teve a sorte de quase todos os outros. Achavam que o Camacho era o D. Sebastião e deu no que deu…


Aprendeu o presidente do Benfica. Ao ponto deste ano ter sabido segurar o Jesus!


No Porto … bem, no Porto manda Pinto da Costa e pronto! Manda e manda-os embora quando lhe apetece. Aqui há uns anitos foram três numa só época. Depois veio o Jesualdo e, por muito que o pessoal não gostasse dele, lá o aguentou uns 4 anos. Enquanto ganhou, claro. Logo que, pela primeira vez, não ganhou…


Mas onde a chicotada psicológica atinge o rubro – ironia das ironias: atinge o rubro atingindo o verde – é no Sporting. E aí não há dúvidas: desde Sousa Sintra que, esse sim, não deixava os seus créditos por mãos alheias (foi Robson, Carlos Queirós, então ainda dentro do prazo de validade, e sei lá mais quem), que quem manda são os adeptos. É um clube diferente, como bem sabemos!


Bem diferente: umas vezes é a malta mais nova da Juve Leo a fazer o trabalho. Outras é o pessoal mais maduro! Por isso é que as coisas dão para o torto: às vezes uns afastam o que outros querem manter para sempre: forever!


Mas a provar que diferente mais diferente não há, aí está a chicotada no próprio presidente. Pois é, agora afastaram o José Eduardo Bettencourt. Que não só não resistiu à sua falta de jeito para estas coisas da bola – três treinadores e cinco responsáveis pelo futebol em apenas ano e meio, transformou o melhor jogador dos últimos (largos) anos numa maçã podre e, depois, num profissional muito competente e multiplicou os tiros no pé – mas, principalmente, não resistiu à vocação de presidente adepto.


Muito adepto e pouco presidente!

Desencantos

Por Eduardo Louro


  


 


Há um ano atrás, em Fevereiro de 2010, por altura da apresentação da candidatura de Fernando Nobre, escrevi isto e isto!


Para quem não leu, nem esteja disposto a perder tempo a fazê-lo agora, direi apenas classifiquei então a notícia da candidatura de Fernando Nobre de uma excelente notícia. Excelente notícia por duas razões fundamentais: pela esperança na regeneração da política, ou na forma de fazer política, e pela contribuição para o exercício da cidadania!


Numa vida política excessivamente partidarizada, diria mesmo que sufocada pelos partidos que vivem de e para clientelas, surgir um homem com o prestígio pessoal de Fernando Nobre à margem dos partidos e mesmo contra eles, disponível para mostrar que ainda há cidadãos dispostos a dedicar-se à causa pública por exclusiva responsabilidade de cidadania, não podia deixar de ser uma excelente notícia.


Passado todo este tempo, e passada esta campanha eleitoral, tenho que declarar o meu desencanto. Sou dos que ficaram absolutamente desapontados com o desempenho do candidato Fernando Nobre, como se tem podido nas Frases de Campanha que por aqui tenho trazido.


Não está em causa a sua seriedade, evidentemente. Nem o seu empenho. Apenas juntou à falta de capacidade (e de um mínimo jeito que seja) para a intervenção política os piores tiques dos políticos profissionais. À falta de clarividência e de clareza política os equívocos do jogo político convencional. À confusão nas ideias a intermitência no discurso. E à falta de naturalidade e de presença um quixotismo muitas vezes bacoco!


Foi mau de mais para que fosse possível confirmar aquela excelente notícia. Afinal há sempre notícias que não se confirmam. Mas quando isso acontece com as boas … temos mais pena!


 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

BALANÇO DA CAMPANHA

Por Eduardo Louro


  


A campanha eleitoral está a chegar ao fim. Ou ao intervalo, quem sabe?


Pela minha parte creio mesmo que está a chegar ao fim… Não há volta a dar-lhe!


É um destino há muito traçado!


Traçado pela História e traçado por todos nós, que fazemos a História. Ou que a não sabemos desfazer…


Esta, como de resto vem sendo comum a todas as campanhas eleitorais – provando, também elas, que a nossa democracia se afunda mais depressa que o submarino do Coelho Tiririca – uma campanha em que toda a gente bateu. Porque grande é o deserto de ideias. E pequeno o respeito pela sanidade mental dos cidadãos eleitores, sempre vistos (se calhar com alguma razão!!!) como atrasados mentais. Porque muita é a demagogia e pouca a importância dada a tudo o que importa. E por mais uma catrefada de coisas sem jeito nenhum e uma ninharia de coisas com pouco jeito, como as Frases da Campanha, por exemplo, ilustram.


Tenho por isso que reduzir o balanço da campanha ao seu único mérito: conseguiu explicar-me uma coisa que eu – deficiência minha, reconheço – por mais voltas que desse, não conseguia entender.


Eu não conseguia perceber o que é que o Presidente Cavaco tinha andado a fazer estes anos todos do seu primeiro mandato. Tinha dado por ele duas vezes: sempre no início do Verão – não, não foi quando ele “carregava o jipe” com os diplomas todos que levava para férias! Foi quando se lhe deparou um grande problema nos Açores, verdadeiramente o maior problema nacional destes últimos cinco anos; e, logo no Verão seguinte, quando teve de enfrentar a mais vil campanha de espionagem de que há memória, desencadeada pelo governo inimigo da sua República, que pôs em causa a segurança do seu computador e a própria independência nacional.


Agora, que estou a avivar a memória, a relembrar estes dois mega acontecimentos históricos que marcarão para sempre o legado de Cavaco, acabo por me ver obrigado a reconhecer que dei por ele poucas vezes – é certo – mas, caramba, o que importa é a qualidade. Não é a quantidade!


Mas mesmo assim, e até admitindo que pudesse haver aqui um pouco de má vontade da minha parte, eu continuava com grande dificuldade em perceber muito bem o que ele tinha andado a fazer. As poucas, mesmo que boas, a mim não me chegavam! Não fosse esta campanha eleitoral e aí ficaria eu para sempre devedor (de reconhecimento, claro) do nosso Presidente. Sentir-me-ia um ingrato para o resto da vida!


Mas também não há nisto nada de surpreendente. Afinal uma campanha para uma reeleição serve mesmo para isso! Para avaliar o desempenho e, depois nas eleições, premiá-lo ou penalizá-lo. Básico em democracia, mesmo em Portugal!


Como Cavaco não se tem cansado de nos avisar, o país está á beira da explosão. Portugal é hoje um autêntico barril de pólvora que se não pode dar ao luxo de dispensar a experiência, o conhecimento, a credibilidade, o equilíbrio e o bom senso de que é ele o único fiel depositário. Numa situação destas não se pode arriscar no desconhecido. Não é tempo para fazer experiências. Belém não pode ser um laboratório cheio de tubos de ensaio mas um banco de conhecimento maduro e testado. Onde ninguém se engane e onde não hajam dúvidas!


E foi aí que percebi que Cavaco, afinal, não se limitou no seu mandato àqueles dois fogachos. Não. Foi todo um trabalho diário incansavelmente desenvolvido ao longo de todos estes cinco anos para, precisamente, chegarmos a este ponto.


Pois é! Cavaco empenhou-se em permitir que o governo conduzisse o país até aqui, à beira da explosão – nas suas próprias palavras – para que, agora e aqui chegados, não nos baste elegê-lo. Seja necessário aclamá-lo para aí com 70% dos votos!


Enfim… mas eu que tenho cá esta irreprimível má vontade, fico a pensar que ainda bem que só há dois mandatos… Mas por que é que não há apenas um?


 

Frases da campanha #5

Por Eduardo Louro 


 


     “Só um tiro na cabeça me impede de chegar à Presidência”.


   


Fernando Nobre, ontem, algures.


 


 


    “Os portugueses conhecem-me há 30 anos e sabem que eu não diria aquilo se não tivesse razões” 


 


Fernando Nobre, hoje, algures: esclarecendo que essas razões são telefonemas anónimos!


 


 e, já que se fala em telefonemas, vai daí:


 


    “Senhor Professor Cavaco Silva, daqui é o Senhor Professor Fernando Nobre …”


 


Fernando Nobre, hoje, algures, a avisar Cavaco que irá ter de se ver com ele na segunda volta.


 


 


 


mais três semanas de campanha … e acaba-se o crédito às empresas e às famílias...


 


Cavaco a fazer pela vida … e a fazer a vida num inferno à segunda volta!


 


 


Enquanto isto Alegre vai dizendo que estas eleições recordam as de Humberto Delgado!


 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Hoje

Por Eduardo Louro


  


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


 

Frases da campanha #4

Por Eduardo Louro 


 


     “Desafio daqui Manuel Alegre, olhos nos olhos, a dizer que abdica da segunda volta a meu favor…”


   


Fernando Nobre, no Porto, dizendo não se sabe bem o quê!


 


Então mas abdica-se da segunda volta? Mas a segunda volta não é disputada entre os dois candidatos mais votados desde que nenhum obtenha a maioria dos votos?


Então quem é que abdica de quê?


 


 


“Na situação económica e financeira em que se encontra, Portugal não aguenta mais umas semanas de campanha eleitoral”.


 


Cavaco Silva, em Coimbra, apelando à vitória à primeira!


 


E por que não acabar com eleições? Assim já não é preciso qualquer campanha eleitoral!


Isto também é demagogia. Ou será outra coisa, ainda pior?


 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Frases da campanha #3

Por Eduardo Louro 


 


     “O nosso país não precisa só de doutores, engenheiros, arquitectos ou advogados. Precisa das peixeiras, dos pescadores e dos canalizadores”.


 


Fernando Nobre, hoje no Porto, no Bolhão.


 


Muito profundo! Alto conteúdo político! Isto sim, são ideias novas e uma maneira diferente de fazer política!


 


 


  “Ele não tem perfil. Não é pessoa fina!”


 


José Manuel Coelho, hoje em Gondomar sobre ele próprio.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Frases da campanha #2

Por Eduardo Louro 


 


 O governo tirou as ambulâncias aos pobres …”


 


Idosa em Sines, na campanha de Francisco Lopes


 


“Aqui foi onde tive o meu banho de multidão!”


 


José Manuel Coelho, em Viana do Castelo


 


  “O Dr Defensor de Moura é o representante do socialismo cristão, contra Manuel Alegre, representante do socialismo radical”


 


Militante socialista apoiante da candidatura de Defensor de Moura

Frases da campanha #1

Por Eduardo Louro 


 


     “A minha mulher tem um casaco de cortiça e uma mala de cortiça e sente-se muito bem com estas peças de vestuário de senhora feitos em cortiça”.


   


Muito profundo! Alto conteúdo: cortiça! Adivinhem quem a proferiu?


     


     “Os políticos são como as fraldas: de vez em quando têm de se mudar!”


 


 E esta, de quem é, de quem é?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Futebolês #59 TROCA POR TROCA

Por Eduardo Louro


 


O futebolês de hoje não poderia passar ao lado do acontecimento da semana: a aclamação de Mourinho como melhor treinador do Mundo em 2010!


Por isso, e porque o futebolês, ao contrário do que é regra, também tem expressões estapafúrdias, verdadeiramente ininteligíveis, escolhi precisamente para hoje uma delas: a troca por troca!


É utilizada para uma substituição de um jogador por outro que ocupe precisamente a mesma posição. Como se percebe não faz sentido nenhum, por isso vamos ao que interessa!


A FIFA, que até aqui premiava apenas jogadores, instituiu pela primeira vez um troféu destinado a distinguir um treinador. Logo no primeiro ano em que a candidatura de José Mourinho assumia aspectos arrasadores. Em 2010 Mourinho arrasou!


Ganhou tudo o que havia para ganhar e com uma autoridade inquestionável. Que lhe advém de o fazer à frente de uma equipa – o Inter de Milão – que, indiscutivelmente, não integrava o primeiro lote das grandes equipas europeias como, de resto, a sua campanha na presente época demonstra. Mas também porque ganhou o principal e mais decisivo título – a Champions League, perseguido há 45 anos – à custa da melhor equipa (Barcelona) e do melhor plantel (Chelsea) da Europa e, no caso por inerência, do mundo. Não foi um percurso feito entre alas abertas mas sim enfrentando directamente os adversários mais poderosos.


Um prémio indiscutivelmente atribuído com toda a justiça! E recebido em Portugal com grande euforia, a provar que a sua personalidade irremediavelmente polémica não divide já os portugueses. É hoje uma figura consensual no nosso país. Pela sua enorme qualidade profissional – que naturalmente se impõe –, acredito que também pelo recente episódio em torno da selecção mas, sem qualquer dúvida – porque a clubite faz parte da idiossincrasia portuguesa – porque está já há muito tempo afastado de Portugal.


Pelas mesmas razões Mourinho nunca será consensual em mais nenhuma parte do mundo e em especial no espaço geográfico onde trabalhe. Porque tem uma vocação irreprimível para a confrontação, porque precisa de manter permanentemente abertas várias frentes de guerra. Porque, mais do que de adversários, ele precisa de inimigos para manter os altíssimos padrões de competitividade que imprime à sua actividade!


Mourinho é um autêntico predador de títulos. Alimenta-se de vitórias. De resultados. De ultrapassar objectivos e derrubar recordes!


Não é um eminente estratega do futebol. Não tem um modelo de jogo e raramente as suas equipas se preocupam em encantar a plateia. Nunca iremos provavelmente lembrar qualquer equipa de Mourinho como lembraremos o actual Barcelona, ou lembramos o Ajax dos anos 70, ou as selecções da Holanda do mesmo período, da Hungria dos anos 50, do Brasil do México 70 ou da Espanha 82, ou a Espanha da actualidade – campeã europeia e mundial!


Mas iremos sempre lembrar as vitórias de Mourinho. Que constrói as equipas à luz de ritmos competitivos inigualáveis, à custa de uma capacidade única de retirar de cada jogador o máximo que ele tem para dar. Que, pragmático como ninguém, ajusta o modelo de jogo a cada nova realidade e, em particular, às características dos jogadores.


Creio que esteja precisamente aqui o factor crítico do êxito de Mourinho. É que, desta forma, valoriza como poucos os seus jogadores. Mas, mais do que isso: conquista os jogadores como ninguém e transforma-se no mais poderoso gestor de recursos humanos.


É por isso que jogadores desconhecidos passam, nas suas mãos, a estrelas de primeira grandeza. Que não há um único jogador que não o defenda, mesmo os que não conseguiram vingar. E é por isso que, apesar de o ser, foi votado como o melhor do mundo: é que foi a votação reservada aos jogadores que o determinou. Pelos votos de treinadores e jornalistas não seria ele o eleito!


São muitos os que nunca lhe perdoam o carácter conflituoso, o clima de guerrilha que permanentemente alimenta e arrogância que cultiva como poucos. Será persona non grata para muitos, que nunca lhe reconhecerão o estatuto que destinam a treinadores que não fazem da controvérsia um modo de vida.


Será que o seu talento implica esta, chamemos-lhe assim e apenas para simplificar, sua arrogância? Será que num outro registo – mais cordato, simpático e cavalheiro – conseguiria manter a mesma competitividade e a mesma eficácia? Ou será que esta é uma imagem de marca solidamente implantada de que a marca Mourinho, sob pena de desvalorizar, se não pode afastar?


Parece-me que aqui não haveria troca por troca!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Correu bem?

Por Eduardo Louro


   


 


Ainda sob o efeito Mourinho fomos ao mercado. E correu bem, dizem…


Bom, dizem alguns. Se calhar não correu assim tão bem!


É o tal copo meio cheio ou meio vazio, pensaria alguém que acabasse de aqui cair, vindo de um qualquer planeta longínquo.


Não. Não é nada disso. Até porque o copo está vazio, completamente vazio!


Vamos por partes. Correu bem, tão bem que trouxe de volta um Sócrates pateticamente exuberante. Que vê o que mais ninguém consegue sequer imaginar: “… um sucesso sob todos os parâmetros – procura e preço”! E “os mercados a recompensar o nosso país”!


Basta isto para que tenha corrido mal. Bastou isto para nos reavivar a memória de um primeiro-ministro descomprometido com o sentido de responsabilidade, habilidoso e de costas voltadas para a realidade. Bastou isto para que, se dúvidas houvessem, ficássemos com a certeza que não é possível sairmos deste buraco com este governo!


Ninguém acha que haveria condições para que a operação de hoje pudesse ser outra. Que fosse legítimo esperar melhores taxas de juro, ou mais procura – apesar de ser um “parâmetro” que vale o que vale. Pouco! Ninguém tem dúvidas que, nas actuais circunstâncias e apesar de tudo, há na operação de hoje mais motivos de regozijo que de consternação. E que Sócrates não pode nem deve fazer outra coisa que não seja puxar a moral para cima!


Mas … francamente! Assim não! Assim vira as coisas ao contrário… não é credível. E perde a confiança: a nossa e a dos mercados!


 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Efeito Mourinho?

Por Eduardo Louro


   


 


O Banco de Portugal apresentou hoje o Boletim de Inverno, onde prevê uma contracção da economia portuguesa em 1,3% para este ano. Para o próximo prevê que cresça 0,6%!


Curiosamente revê o crescimento de 2010 e aponta agora para 1,3%. Se não há aqui nenhuma simpatia especial pelo 1,3 ficamos a saber que a nossa riqueza no final deste ano ficará ao nível de 2009. O que não deixará de ser surpreendente, poderia ser bem pior!


Não fosse o habitual discurso do primeiro-ministro, e do ministro das finanças – já não há como separá-los –, e diríamos que, na actual conjuntura – que nos obriga a todos a correr para a porta para não deixar entra o FMI –, fez muito bem em salientar o crescimento de 2010 e em virar a cara para o lado com a retracção da economia para este ano. Uma recessão que toda a gente sabia inevitável mas que o governo preferiu fantasiar e que põe já em causa a execução orçamental – essa sim, a verdadeira barricada à entrada do FMI. As exportações iriam safar o crescimento, diziam!


E aproveitou ainda para encostar mais uma tranca (pequenina mas enfim!) à porta ao afirmar que o défice de 2010 será inferior aos já proclamados 7,3%. Vindo daquela boca nunca sabemos, mas amanhã é dia de voltar ao mercado e, pelo menos, resolve aquele pequeno problema aritmético aqui notado num destes dias: ganhos na receita fiscal, ganhos na despesa e ainda o fundo de pensões da PT, tudo isto a somar e mantinha-se o défice? Não batia mesmo certo!


Uma coisa é certa: a sessão da Bolsa de hoje já fechou positiva! Ah! E a taxa de juro a 10 anos também já está um bocadinho abaixo dos 7%!


Se Cavaco Silva nem passou cartão à desabrida proposta de Alegre isto só pode ser … Mourinho! Bastou que nos puxasse o ego um bocadinho para cima: virou logo a Bolsa, baixaram os juros e as contas até já parece que começam a bater certas.


Por isso é que já vi hoje uma recomendação: imitar o Gilberto Madaíl e pedir ao Florentino Perez que o empreste por dois ou três meses para governar o país!


 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O mito da infalibilidade

 Por Eduardo Louro


    


De repente dei por mim envolvido numa teia de pensamentos à volta do tema central da campanha eleitoral em curso. Não direi que me tirou o sono ou que acordava a meio da noite às voltas na cama …. Mas lá que me custava a sair da cabeça custava!


Por que é que um homem inteligente e o mais experiente político em funções – é curioso como Cavaco Silva renega a sua condição de político mas, em simultâneo, gosta de ser o político mais experiente (e mais sério e mais tudo…) – se deixa envolver no incontornável caso chamado BPN?


Passei o fim-de-semana sem que isto me saísse da cabeça. E sem resposta!


Quando se predispôs ao negócio das acções da SLN não percebeu que os seus amigos Oliveira e Costa e Dias Loureiro pretendiam apenas temperar a caldeirada accionista com um pouco de credibilidade? Assim como quem pede um bocadinho de salsa emprestada à vizinha para acabar os pastéis de bacalhau: Do tipo: “Ó vizinho, empreste-me aí o seu nome para acabar a caldeirada que estou ali a preparar!”


Acredito que nessa altura não tenha percebido. Mas acredito mesmo, a sério. Só depois, já quando o cheirinho da caldeirada andava por aí a entrar por todos os narizes é que se apercebeu. Se foi antes ou depois de a salsa lhe ser devolvida, não sei. Mas também não é importante: ninguém lhe levava a mal ter emprestado a salsa, nem ninguém o condenaria por, afinal, ter saído caldeirada em vez de pastéis de bacalhau!


Então por que é não percebeu isto e, quando lho perguntaram, não explicou? E por que é não percebeu que, fechando-se em copas, a coisa mais tarde ou mais cedo rebentaria?


Dei voltas e voltas: Porque é tão sério que não deve explicações a ninguém? Por mera falta de visão? Porque que acreditaria na fraca memória dos portugueses? Porque acharia que lhe bastaria dizer que fossem ao site da Presidência – é curioso como é possível misturar uma matéria tão pessoal quanto esta com a mais alta função de Estado, não era o Presidente da República a estar em causa, apenas o cidadão – para encerrar o caso? Porque acharia que lhe bastaria a sua postura de superioridade e de arrogância ética para reduzir tudo aquilo a uma simples campanha suja?


Estava eu nisto quando se me fez luz: tinha encontrado a resposta e não quis deixar de a partilhar convosco!


Cavaco percebera tudo logo que lhe chegou o cheiro da caldeirada. E disse para os seus botões: Enganaste-te Aníbal!


Aqui está a chave do mistério: o Aníbal que se enganara era o mesmo que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”. Era o fim do mito da infalibilidade de Cavaco. E, isso é que nunca! Antes fazer as mais tristes figuras. Antes pôr todos os apoiantes a desfiar os mais ridículos disparates. Admitir o erro, o engano, o equívoco ou a dúvida é que não! Isso são fraquezas dos simples mortais. Nunca de um homem providencial!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Factos e interpretações

Por Eduardo Louro


   


Os nossos amigos e vizinhos assinam a requisição da encomenda dos serviços do FMI: hoje, o Der Spiegel e o El Mundo apontam-nos o caminho do fundo de estabilização europeu e do FMI. Assinam a requisição que há muito tempo está em cima da mesa!


A revista Der Spiegel, porque é alemã, diz que essa é a opinião dos chefes – da França e da Alemanha! O El Mundo, porque os espanhóis estão a sofer as consequências do fogo ao pé da porta, limita-se a dar-nos esse conselho!


Um facto e as suas interpretações. O facto: Portugal voltou a estender a mão esta semana – 500 milhões, apenas 500 milhões de dívida pública a seis meses colocada esta semana a uma taxa acima dos 3,6%, seis vezes a taxa de há apenas um ano (0,59%). E, no mercado secundário, a taxa a 10 anos a bater recordes, acima dos 7%. As interpretações: para o governo português … correu bem! Para o governo português a despesa desceu, a receita fiscal aumentou e o objectivo do deficit para 2010 foi alcançado.


Qualquer um vê que nada correu bem: paga-se o sêxtuplo dos juros de há um ano e a tal barreira dos 7% definida há dois meses por Teixeira dos Santos já lá vai. E alguma coisa está errada quando a despesa diminui, a receita fiscal aumenta (pudera: depois do agravamento de impostos com os sucessivos PEC´s), ainda se inventam receitas extraordinárias - 3,2 mil milhões do fundo de pensões da PT -, e o défice se mantém.


Mas o primeiro-ministro diz que está a passar um sinal de credibilidade e confiança aos mercados.


Pois... Vê-se!     


 


PS: Parabéns à SIC Notícias pelo 10º aniversário e as melhoras para Alberto João Jardim. Às vezes há males que vêm por bem, são apenas bons conselhos que devemos levar em conta: aproveite e vá descansar!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Futebolês #58 BANCO

Por Eduardo Louro


 


Banco? Bom, se fosse há uns tempos, responder-se-ia: banco é Caixa. Nos tempos que vão correndo é BPN. Ou mesmo BPP, hoje trazido para a berlinda!


Mas também aqui? Mau…mas isto não é o Futebolês?


Claro que sim: é o futebolês, sim senhor!


Não há bancos só na política. Nem só no mundo das finanças, nas maiores praças financeiras, daqueles que nos puseram todos a fazer contas à vida. Nem só nos mais nobres cantos de todas as nossas cidades. Também há bancos no futebol: logo, há banco no futebolês!


Não é exactamente um sítio onde notas e moedas convivam com letras e livranças, embora muitos deles valham uma enorme pipa de massa: incomparavelmente mais dinheiro que o depositado na maioria dos bancos! Como os outros, são, nuns momentos fonte de felicidade, noutros de dores de cabeça. Fazem a felicidade de muitos treinadores, quando as coisas não estão a correr bem lá no rectângulo verde (não, não é uma nota de dólar) e há que tomar decisões. Mas também, exactamente nas mesmas circunstâncias, levam outros ao desespero.


O banco faz passar o treinador exactamente pela condição comum de qualquer cidadão. Há os que perante um qualquer contratempo vão ao banco e resolvem o problema, e os que nem lhes vale a pena pensar em lá ir – não têm lá nada! Como há os que do banco só lhe vêm problemas!


Mas também os jogadores têm uma relação com o banco com algum paralelo com a que nós, cidadãos comuns, temos. Não gostamos muito de ir ao banco e, hoje, com isto do home banking que a Internet nos permite, vamos lá o menos possível. E, se lá vamos, se lá temos que ir, não gostamos nada de lá ficar a secar. O mesmo se passa com os jogadores: não gostam muito de ir ao banco. E não gostam mesmo é de ficar no banco, por muito confortáveis que já sejam, de marca e tudo. Mesmo por muito confortáveis que sejam as suas contas nos bancos, nos outros. São muitos os casos conhecidos de jogadores que, muito confortáveis nas suas contas no banco, não escondem o desconforto do banco!


Conforto é coisa que, como se sabe, não falta aos jogadores de futebol. Aos de elite, bem entendido! Nem pode faltar. Ninguém quer que lhes falte nada… nem sequer umas mantinhas para cobrirem as penas quando estão no sofá … perdão, no banco; a fazer lembrar as esplanadas dos bares de Oslo que tentam fazer com que o prazer (ou do vício) do cigarro se não divorcie do prazer do copo nas noites gélidas daquelas paragens.


O banco presta-se ainda a muitas e singulares expressões. “A solução estava no banco”, “saltou do banco para resolver o jogo” ou “o trunfo que veio do banco” são expressões utilizadas quando o jogo foi resolvido por um jogador que entrou a substituir um colega. Ou seja, o problema nunca está no banco: é sempre a solução. Bem gostaríamos que nos outros fosse sempre assim!


São expressões como estas que nos remetem para a original designação da coisa: banco de suplentes. E para a sua dimensão dramática!


Independentemente de lá se sentarem treinadores e outros membros daquilo que hoje e em futebolês se chama grupo de trabalho, o banco é dos jogadores suplentes. Um simples e velho banco corrido ou um moderno conjunto de poltronas aquecidas não deixará de ser um local de frustração e de lamentações. Onde se sentam as segundas escolhas, mas também as terceiras, as quartas …e os que nunca o chegarão a ser. Onde germina e cresce, como na relva à sua volta, uma sensação de abandono que cedo se transforma numa semente de revolta que não vai acabar bem.


Estranha forma de vida esta a de jogador de banco. Há excepções, há jogadores que convivem bem com a sua condição de suplente: são os que têm o condão de transformar um onze num catorze. São os que sabem que lhes está destinada uma missão, em tempo parcial mas nem por isso, menos importante. Alguns têm mesmo um estatuto especial: chamam-lhes arma secreta. Estatuto que, como está bem de ver, não é muito duradouro: se outras razões não houver porque deixa de ser secreta!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Na mouche:7,3%

Por Eduardo Louro


   


Aí está: o défice de 2010 já está apurado. É mesmo 7,3%, como anunciado e, já agora, como convém!


Bom, se não aparecer por aí nenhuma surpresa. Sim, porque isto de acreditarmos num défice anunciado logo ao sexto dia do novo ano, tem alguma coisa que se diga. Ou alguma coisa que o Ministério da Saúde diga…


Bem sabemos que era importante anunciar isto aos mercados. Tranquilizá-los! Que, afinal, as contas de 2010 não andavam assim tão descontroladas. Nada que o fundo de pensões da PT não resolvesse!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Caça ao Cavaco

Por Eduardo Louro


   


O tema é-me sugerido, com a devida vénia e em jeito de comentário, por este post de Rui Rocha no Delito de Opinião.


Concordo em absoluto que o caso BPN esteja a secundarizar ou mesmo eliminar tudo o que seja relevante discutir nesta campanha, seja no que respeita ao passado, de avaliação do desempenho presidencial do candidato à reeleição, seja no que se projecte no futuro, de avaliação das propostas dos candidatos.


Mas não concordo nada com a tese de que tudo o que tenha a ver com avaliações de carácter não deve caber nesta campanha. O carácter é o primeiro e mais decisivo factor de avaliação da pessoa, de qualquer pessoa, indissociável da avaliação quer do seu desempenho e da sua história quer das suas potenciais capacidades de desempenho futuro.


O que neste caso, ou neste particular do chamado caso BPN, está em causa, não é qualquer relação do negócio de Cavaco com a ruína do BPN. Nem é um negócio particular realizado 6 anos antes do estoiro. Nem a gestão do BPN, antes e depois. Nem o regulador.


Tudo isso é importante! Mas não é, neste particular, o que conta. O que conta, o que está aqui em causa, é que o negócio deve ser esclarecido.


Esta é uma exigência incontornável perante a qual toda a gente assobiou para o lado. O Expresso que, de resto e tanto quanto sei, foi quem trouxe o negócio a público, tentou, aqui há uns anos, obter esse esclarecimento junto de Cavaco Silva. Em vão: Cavaco não deu cavaco! E o Expresso meteu a viola no saco


O assunto apenas regressaria pela mão de Defensor de Moura no debate televisivo com Cavaco Silva. E o que fez a Comunicação Social? Tratou-o como se de um terrorista se tratasse e anunciou aos sete ventos que não era por aí … Que não era pela via do carácter e da honorabilidade de Cavaco que se poderia entrar. Isso era inexpugnável e acima de toda e qualquer suspeita.


E o que fez Cavaco? Pura e simplesmente disse que “era preciso nascer duas vezes para ser mais honesto que ele”!


Mas esclarecer é que nada!


Surge então o debate entre Cavaco e Alegre, na passada semana, dia 30. Foi com evidente medo – sim, medo – que Alegre tocou ao de leve no assunto. Afinal os media já tinham dito de que lado estavam e Alegre não quis correr riscos.


Que fez agora Cavaco? Atacou a gestão CGD do BPN, meteu os pés pelas mãos com os exemplos dos bancos ingleses, e voltou a mandar o pessoal para a Internet!


E a Comunicação Social, que fez agora? Parece-me que também não quis correr riscos…


É a partir deste tiro de aviso e amedrontado que acaba por abrir a caça ao Cavaco. Acredito que por uma razão: porque aos media pareceu que, depois de Alegre ter dado o tiro – já não era um dos candidatos de segunda – se estava perante um caçador e não um aprendiz de terrorista. E, claro, amplificou o tiro a medo de Alegre que, depois disso, e vendo que já não corria qualquer risco, correu a casa a pegar na espingarda e nunca mais parou de atirar.


Evidentemente que abriu a caça a Cavaco. Mas só isso: ele continuará a esquivar-se dos chumbos e será reeleito nas calmas. Nada será esclarecido, a imprensa – especialmente aquela onde os tentáculos do monstro estão, ou chegam mais facilmente – vai branqueando como já se vê por aí, e mais ninguém voltará a tocar no assunto. E alguns (poucos) portugueses continuarão a ter dúvidas sobre um negócio de que apenas sabemos que vendeu acções. Nunca saberemos o que comprou!


 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

E...tanto automóvel novo!

Por Eduardo Louro


   


Há dois sectores da actividade económica que se não podem queixar de 2010, esse ano maravilha que todos temos fresquinho: o exportador, com um crescimento a dois dígitos, e a venda de automóveis. Vá lá, nem tudo foi mau nem foi mau para todos!


O crescimento das exportações não só empurrou com a barriga a recessão económica como ainda permitiu ao governo dizer sem se rir que a economia cresceria neste ano em que, quando levarmos a mão ao bolso para comprar o que quer que seja, percebemos invariavelmente que o governo foi lá antes.


As vendas de automóveis cresceram, no ano de todos os PEC`s, hora H da crise e da depressão social, perto de 40% – 38,8% segundo o JN.


Paradoxal?


Não, apenas uma particularidade bem portuguesa: uma maneira bem portuguesa de enfrentar as dificuldades. Os gurus dos novos tempos não se cansam de apregoar as oportunidades que a crise apenas esconde e de, na pele de vendedores da banha da cobra armados em especialistas de auto-ajuda, mobilizar o pessoal para dar a volta e transformar as ameaças em oportunidades.


Eis a demonstração inequívoca de que os portugueses aprendem depressa. E de que são próactivos como poucos!


A crise, no seu esplendor, aumenta o IVA, o imposto sobre veículos (ISV) e o imposto único de circulação (IUC). E extingue o programa de incentivos ao abate de veículos em fim de vida.


Pronto, aí estava a ameaça. Bora lá à oportunidade: comprar automóveis – já e como se não houvesse amanhã!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...