sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Desencantos

Por Eduardo Louro


  


 


Há um ano atrás, em Fevereiro de 2010, por altura da apresentação da candidatura de Fernando Nobre, escrevi isto e isto!


Para quem não leu, nem esteja disposto a perder tempo a fazê-lo agora, direi apenas classifiquei então a notícia da candidatura de Fernando Nobre de uma excelente notícia. Excelente notícia por duas razões fundamentais: pela esperança na regeneração da política, ou na forma de fazer política, e pela contribuição para o exercício da cidadania!


Numa vida política excessivamente partidarizada, diria mesmo que sufocada pelos partidos que vivem de e para clientelas, surgir um homem com o prestígio pessoal de Fernando Nobre à margem dos partidos e mesmo contra eles, disponível para mostrar que ainda há cidadãos dispostos a dedicar-se à causa pública por exclusiva responsabilidade de cidadania, não podia deixar de ser uma excelente notícia.


Passado todo este tempo, e passada esta campanha eleitoral, tenho que declarar o meu desencanto. Sou dos que ficaram absolutamente desapontados com o desempenho do candidato Fernando Nobre, como se tem podido nas Frases de Campanha que por aqui tenho trazido.


Não está em causa a sua seriedade, evidentemente. Nem o seu empenho. Apenas juntou à falta de capacidade (e de um mínimo jeito que seja) para a intervenção política os piores tiques dos políticos profissionais. À falta de clarividência e de clareza política os equívocos do jogo político convencional. À confusão nas ideias a intermitência no discurso. E à falta de naturalidade e de presença um quixotismo muitas vezes bacoco!


Foi mau de mais para que fosse possível confirmar aquela excelente notícia. Afinal há sempre notícias que não se confirmam. Mas quando isso acontece com as boas … temos mais pena!


 

2 comentários:

  1. Genericamente seria uma boa notícia para a democracia, mas talvez por cepticismo quase crónico nunca me chegou a entusiasmar. É quase assustador ter um activista como Comandante Supremo das Forças Armadas, que durante a campanha nunca disse uma palavra sobre o que pensa sobre a NATO e sobre as ameaças da actualidade. Mais nenhum o fez, mas pelo enquadramento partidário sabemos o que todos eles pensam sobre isso.

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    1. Um abraço Paulo! Hoje já é dia de reflexão... Não percebo porquê, mas há tantas coisas que não percebo...
      Mas também foi pelo que diz (e por muito mais) que eu achei que devia fazer o meu acto de contrição pela "excelente notícia" que, na altura, eu quis partilhar no "nosso" Vila Forte!

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