quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Política a diesel*

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O ministro do ambiente deixou o sector automóvel de cabelos em pé quando, um destes dias, disse preto no branco aos portugueses para não comprarem carros a diesel, que daqui a quatro anos ninguém daria nada por eles.


Com estas declarações, sensatas e avisadas, para uns, e completamente disparatadas, para outros, o ministro não fez mais que confirmar um momento político adverso ao diesel, que não nasceu agora. Nasceu quando, há 3 ou 4 anos, rebentou o chamado “escândalo Volkswagen”, quando o mundo ficou a conhecer que o gigante construtor alemão, e depois todos os outros grandes construtores, tinham desenvolvido sofisticados softwares para esconder os dados reais das emissões dos seus motores.


A partir daí o problema dos motores de combustão, e dos diesel em especial, passou a ter uma dimensão política. Por isso entrou no discurso político, e por isso foi agora verbalizado desta forma pelo ministro Matos Fernandes. Como, antes, já a comissária europeia para a indústria dele tinha dito o que Maomé não diria do toucinho.


Carlos Tavares, provavelmente o português de maior prestígio profissional na indústria automóvel, CEO do grupo francês PSA, dono de marcas como a Peugeot, a Citroen, a DS ou a Opel, foi dos primeiros a perceber essa dimensão política, e a dar por perdida essa batalha que o diesel tinha pela frente, quando afirmou – e explicou - que o mundo estava doido, mas que não havia volta a dar. Se “estavam a ser obrigados, pelo poder político, a produzir veículos eléctricos, seria isso mesmo que iriam fazer”!


Entretanto a Volkswagen, como se não fosse nada com eles, já anunciou que deixará de produzir carros a Diesel em 2026. A Volvo garantiu que fabricaria o último já no próximo Verão, e a Toyota já deixou de os produzir para o transporte particular…


Os ministros das finanças, e especialmente o português, que têm nos automóveis, e nos combustíveis fosseis que eles consomem, os seus maiores amigos, não se incomodam muito com isso. À medida que a transferência se vá fazendo, vão acabando com os benefícios que a empurram...


O que vai acabar em mais um singular enviesamento da política fiscal. Enquanto os carros eléctricos estão a preços apenas acessíveis aos mais endinheirados, o fisco isenta-os de todos os impostos que compõem a pesada factura fiscal do automóvel. Quando a produção se massificar, e o carro eléctrico chegar à generalidade das pessoas, já trará a velha factura agarrada… Com todos os impostos recuperados, se a imaginação a mais os não ajudar.


É a vida… E a política! 


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Keizer que se cuide...

Capa Jornal A Bola


 


Às vezes cabe tanta coisa numa capa de jornal...


Em cima, à direita, Domingos Soares de Oliveira diz que Bruno Lage "é homem para ficar muitos anos". No lado inverso, em baixo, à esquerda, "Jorge Jesus rescinde com o AL Hilal". Com o "dragão a lamber as feridas", o Sporting parado no "sinal vermelho", e Bruno Lage bem seguro pelos adeptos, de repente o mundo ficou virado ao contrário. Keizer que se cuide...

A ignorância assusta, o ridículo mata!

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Trump aproveitou as terríveis temperaturas que estão a atingir o Midwest americano - ontem, -28º em Chicago, e diz-se que hoje será ainda pior -, capazes de, em apenas cinco minutos de exposição ao ar livre, congelar e a seguir queimar todas as extremidades do corpo, para, mais que voltar a negar o aquecimento global, ridicularizar a ciência que o demonstra.


Trump nunca é mais que um ignorante quando nega as alterações climáticas, mas transforma-se num perigoso demagogo quando ridiculariza a verdade. Como só ele sabe fazer. No twitter, evidentemente ... 


 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Coisas ...do coiso

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Há cerca de quinze meses um juiz desembargador resolveu trocar o réu num julgamento de violência doméstica e, em vez de condenar o agressor, humilhou a vítima, a mulher, que teria cometido adultério. Invocou a Bíblia e o Código Penal de 1886, e até civilizações que punem o adultério com pena de morte, num acórdão também assinado por uma juíza, também desembargadora.


Na altura chamei-lhe aqui "o coiso". Dei nota do faz que anda mas não anda do Conselho Superior da Magistratura sobre tão abjecto acórdão, e da expectativa com que ficaríamos a aguardar o resultado do, finalmente, anunciado inquérito.


Ontem, mais de quinze meses depois (!!!) ficamos a conhecer que o Conselho Superior da Magistratura considera que as expressões e juízos utilizados constituem infracção disciplinar,  e que por isso rejeitou o projecto de arquivamento e determinou a mudança de relator.


Não ficamos ainda a conhecer - provavelmente quinze meses não chegam - a punição pela infracção. Mas como a votação da decisão foi tão renhida (oito contra sete), o mais certo é que venha a limitar-se a uma mera e inconsequente repreensão. Eventualmente com sete declarações de voto ... de louvor. 


 


 


 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Não há jogos perfeitos. Mas alguns estão lá perto!


 


Regresso à Luz, mais de três semanas depois, já bem dentro do tal ciclo infernal. O dia e a hora não eram os melhores para mais uma grande casa, e o tempo também não ajudava. Mesmo assim, quarenta e dois mil a apoiar a equipa!


Sim, a apoiar. Pecebeu-se isso logo no início do jogo, quando o Gabriel, displicentemente ou por erro de cálculo, ainda dentro da área, ao tentar jogar com o guarda-redes, entregou a bola a um jogador do Boavista que fez aquilo que, de propósito, dificilmente faria: acertou no poste. Havia sete minutos de jogo, o Benfica ainda não tinha pegado na partida e, em vez de protestos e assobios, das bancadas vieram aplausos de incentivo.


E a equipa respondeu à altura. A prioridade tantas vezes anunciada pelo Bruno Lage - a reconquista ... dos adeptos - está a dar resultados. A partir daí o Benfica desatou a jogar à bola, e não mais parou.


O primeiro surgiu quase de imediato, num livre batido por Pizzi e concluído de cabeça, em grande estilo, pelo puto-maravilha.


O jogo não saía da área dos axadrezados, era ali que tudo se passava. Cada perda de bola, tinha por certa a recuperação imediata. E mais cantos ... E mais uma oportunidade de golo, e outra, e outra... 


Golos, é que ... só um. Ainda antes da meia hora, por Pizzi. A bola não quis entrar mais nenhuma vez naquela baliza. Havia sempre mais uma perna, e quando não havia perna, havia um guarda-redes que até tem nome de guarda-redes. E quando já não havia tudo isso, estava lá o ferro da baliza...


O intervalo não chegaria sem que o incrível acontecesse. Num canto, o primeiro para o Boavista, mesmo à beirinha dos 45 minutos, um ressalto e ... bola dentro da baliza de Odysseas. Não é a primeira vez que isto acontece. Nem será a última!


No regresso para a segunda parte parecia que as duas equipas tinham sentido aquele golo. O Boavista apresentou-se mais subido, e quando parecia que o Benfica iria conhecer algumas dificuldades, o João Félix arrancou por ali fora e deu para o Seferovic fazer o terceiro golo. A reacção axadrezada morreu logo ali, e os dados da primeira parte foram de imediato repostos.


Seferovic voltaria a bisar, desta vez na recarga a um remate de Pizzi e, a cinco minutos do fim, a obra prima do jogo: Gedson, que substituira o Pizzi, à entrada da área desenvencilha-se de dois adversários e enterga a bola a Grimaldo na esquina da área. De primeira, num remate fabuloso, o lateral esquerdo colocou a bola em curva e em arco, tudo ao mesmo tempo, no àngulo superior esquerdo da baliza do guarda-redes do Bessa.


Para tudo ser perfeito e acabar em beleza, ao minuto 90 o Samaris imitou o portista Oliver e o árbitro, Rui Costa, assinalou penalti. Bem marcado pelo veterano Mateus, com a bola rasteira e completamente puxada ao poste direito do Odysseas. Que numa incrível e espectacular estirada defende, para canto.

Descentralização do Estado

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O Estado é omnipresente, está em todo lado. Gosta mais do centro, é no centro, no Terreiro do Paço ou lá onde for, que brilha com mais esplendor. E é também aí que aquece mais. 


Como tem que estar em todo o lado, mas não quer sair do centro, depois de muito pensar, o Estado encontrou uma saída. Chamou-lhe descentralização!


Daí que descentralizar, ao contrário  do que a expressão encontrada poderá enganosamente sugerir, não seja exactamente sair ou abandonar o centro. É espalhar-se a partir do centro, é abrir os braços para chegar a todo os sítios. Mas funciona, a expressão, claro...


E funciona tão bem que está sempre na ordem do dia, sempre à mão para resolver uma reivindicação aqui, pagar aquele favor ali, apagar um conflito acolá... Até para acordos de regime dá, veja-se bem.


O Estado tem, em Portugal, vários mecanismos de descentralização. E só não tem mais porque há vinte anos, feitos há pouco, em referendo (ora aqui está o que ainda é o melhor exemplo de matéria referendável), os portugueses disseram não à regionalização, e evitaram que se criassem mais umas tantas de estruturas de poder, e de fontes de burocracia, para alimentar mais umas centenas de exemplares das insaciáveis clientelas partidárias.


Com a organizaçao admnistrativa do Estado a contemplar as duas regiões autónomas que a geografia do país justifica, tenho sempre grande dificuldade em encontrar justificação para dividir em regiões administrativas um território com menos 90 mil quilómetros quadrados, de um país com as mais antigas fronteiras da Europa, que é o paradigma do Estado-Nação.


Para além do poder central, e dos poderes regionais nos dois arquipélagos atlânticos, o Estado dispõe de órgãos de poder local, as autarquias distribuídas pelos actuais 308 concelhos, praticamente o mesmo número que Passos Manuel deixou, em 1836, e 3091 freguesias, as que acabaram a pagar as favas, bem cozinhadas pelos partidos do poder, da suposta reforma admnistrativa de 2013, para troika ver ... Mais um faz de conta, de braço dado com o engana-me que eu gosto, o par que a cada pé de passada encontramos em cada esquina do país.


O Estado central não olha nos olhos o poder local; é sempre de cima para baixo. Usa e deita fora, conforme lhe dá jeito. E no entanto é no poder local que o Estado realiza boa parte das suas funções... Como é no poder local que se revela o que de melhor os cidadãos têm a dar à sua comunidade ... Mas também o pior do lado mais feio do poder, e da mais abusiva manipulação da democracia, em flagrante violação dos seus  mais elementares princípios e na subversão das suas mais inquestionáveis e fundamentais regras.


 


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Ultimato: última oportunidade perdida

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Já só faltam dois dias para expirar o prazo dado pela União Europeia, com o apoio expresso de Portugal, a Nicolas Maduro para marcar eleições. O mais provável é que o prazo se esgote perante a indiferença do tresloucado presidente venezuelano.


Sem surpresa. Sem surpresa de Maduro, mas também sem surpresa da União Europeia, que perdeu por completo qualquer capacidade de intervenção na ordem mundial. Quando mais necessária era a sua intervenção, quando mais importante era ter voz...


Em vez de se perfilar com a autoridade moral de um grande espaço de democracia, com a autoridade histórica de uma civilização decisiva na construção do mundo actual, com a independência de quem não está prisioneiro de interesses escondidos, e com a clarividência política de quem já percebeu que só deste forma pode ser respeitado no actual contexto mundial, a União Europeia (e Portugal, e Espanha) optou pela arrogância do ultimato.


E assim se pôs de fora de qualquer intermediação,  dinamitou o espaço de negociação que se exigia que abrisse, e desperdiçou mais uma oportunidade de sair da irrelevância internacional a que se condenou. E, no fim, nem sequer pode lavar as mãos... sujas do sangue que se exigia ter-se esforçado que evitasse.


Que a solução só pode estar em eleições, não há dúvida. Que a melhor forma de a matar é impô-las por ultimato, também não!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Exame decisivo

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Arranca hoje a fase de instrução do Processo Marquês, porventura o mais decisivo processo judicial da História da democracia portuguesa. Se alguém tem alguma dúvida disso, da transcendência deste processo na acreditação da nossa democracia, que olhe para todas as estratégias de defesa.


Dos 19, num total de 28, acusados que pediram a instrução, nInguém está muito preocupado com a factualidade. Nenhum dos seus advogados perde muito tempo a negar os factos, todos investem tudo nos mecanismos da formalidade, com o objectivo declarado de tornar inválidas as provas recolhidas.  


Isso será por certo processualmente relevante e, acreditam evidentemente os advogados, factor crítico de sucesso judicial. Mas não ajuda em nada a democracia portuguesa!


Reconhece-se evidentemente a complexidade do que está em causa, e a enorme dificuldade em tantas vezes provar o óbvio. Não basta que as coisas que nos entrem pelos olhos dentro, é preciso encontrar prova indestrutível. Mas se, ao fim de todos estes anos de investigação, o Ministério Público não tiver sido bem sucedido, por maiores que sejam as dificuldades, e grande parte da acusação cair por terra, ninguém - nem a Justiça, nem a Democracia - se irá recompor nos tempos mais próximos!

domingo, 27 de janeiro de 2019

Habemus presidente

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Marcelo quebrou o tabu, e anunciou no Panamá a sua recandidatura, a mais de um ano de distância do que, pela sua própria boca, se esperava. A razão de o ter feito agora não se conhece, poderá até - sabe-se lá - ter a ver com os mecanismos da lógica ... da batata. Ficou a conhecer-se o mais importante - a razão da decisão. E essa não podia ser mais forte: quer receber o Papa Francisco em Lisboa, em 2022!


 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Estado: o tamanho importa!

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Um dos grandes temas de discussão do Estado tem a ver com as medidas que lhe marcam as dimensões. Sim, o tamanho importa!


Quando se trata de se lhe discutir o tamanho, os campos dividem-se entre os que defendem um Estado grande, capaz de marcar presença em tudo, ou quase tudo, e os que defendem um Estado pequenino, mínimo, que se limite a ver passar os comboios. Aos primeiros chamam-lhes, na melhor das hipóteses - porque há mesmo quem lhes chame nomes mais feios - keynesianos; aos segundos, liberais, inspirados no velhinho "laissez faire, laissez passer", com os devidos upgrades que lhes acrescentou o prefixo neo no rótulo. 


Os neo-liberais pretendem que o Estado lhes deixe fazer tudo o que lhes apetece. Que os deixem fazer mas, acima de tudo, que os deixem passar. Por cima de tudo, à vontade... À vontadinha. Que nunca lhes atrapalhe a vidinha!


Um Estado pequenino, maneirinho?


Nada disso, por muito que garantam que é isso mesmo. Pequenino, só para os outros. Para eles querem-nos bem grande e, mais do que grande, bem musculado. Para que mantenha bem limpo o caminho por onde querem passar sem qualquer tipo de dificuldade. E se para isso for preciso bater, é bom que tenha bons músculos...


Em tudo o que passe disso, acham que o Estado só atrapalha. Que é um monstro insaciável, que mais nada faz que consumir os recursos da economia, capaz de destruir a riqueza que só eles produzem, sem precisar de mais ninguém. E que ninguém melhor que eles sabe distribuir... Por isso é que há offshores. E por isso é que mudam as sedes das suas empresas para Estados que atrapalhem menos.


Os keynesianos dizem...olhe que não...olhe que não. Há coisas em que se não devem meter... O Estado tem que regular a vossa vidinha, e tem que intervir na economia. Quanto mais não seja para investir quando vocês não estão para aí virados, para que não entre tudo em parafuso. 


E para isso o Estado não pode ser uma coisa estrelicadinha. Nem tem que se preocupar com os estereotipados 80x60x80, até porque precisa de mamas grandes. Que vocês também não largam ... Uma delas chama-se Estado Social, e tem que estar sempre bem aviada, o que vos dá também muito jeito. Enquanto deitar, ninguém vos atrapalha a vidinha!


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Vandalismos*

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O país vem assistindo nos últimos dias – melhor, nas últimas noites - na região da grande Lisboa, a uma daquelas vagas de desordem urbana que fura a muito fina membrana que muitas vezes separa o protesto da delinquência.


Em ambientes de grande complexidade social como é o dos bairros degradados, as pequenas coisas, muitas vezes apenas visíveis à lupa, ganham rapidamente forma em episódios de rara violência. É curta a distância entre o gesto mais simples e a desordem, logo transformada em caos, como curta fica a distância para o vandalismo e para o crime.


Tudo começou no bairro da Jamaica, um espaço altamente degradado, de prédios inacabados desde há 50 anos, na margem sul do Tejo, no Seixal, onde está em curso uma operação de reinstalação, iniciada há cerca de um mês na sequência de um notável trabalho jornalístico, um dos poucos que ainda se fazem em Portugal. E numa desavença entre duas mulheres, com o irmão de uma delas a correr a envolver-se, deixando pelo caminho uma bofetada em cara alheia… Chamada a polícia, a coisa não correu nada bem…


Receber à pedrada não será forma de dar boas vindas. E ser recebido à pedrada não ajuda nada à tolerância…


A partir daí alastrou, como fogo a que não falta pasto. O Bairro da Jamaica saiu de boca de cena, e entraram outros, igualmente ditos problemáticos, com novos palcos e velhas razões. E o mesmo vandalismo de sempre, que acaba como sal em cima das feridas que se não querem, ou se não sabem, fechar.


E não me refiro apenas ao vandalismo que tem por objecto carros, caixotes do lixo e outro tipo de infra-estruturas urbanas. Não. Refiro-me também ao que vandaliza espíritos e consciências, ao vandalismo da ignorância e ao vandalismo verbal que desfila pelas redes sociais e pelos directos das televisões.  


 


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Danado para a brincadeira


 


O Presidente Marcelo é mesmo danado para a brincadeira. Vejam bem do que haveria agora de se lembrar... Só faltava esta: João Miguel Tavares presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho!


A coisa começa a ficar grave, Sr Presidente...

(O) cair de Maduro

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De maduro, Maduro está a cair!


Se Hugo Chavez já tinha feito grande parte do caminho de destruição da Venezuela, Nicolas Maduro fez o resto. Mas em ritmo muito mais acelerado, e ninguém terá muitas dúvidas que chegou ao fim. Que Maduro está a cair!


Ainda não se ouviu estrondo... Mesmo a cair de maduro, pode ser bem grande o estrondo da queda. E acrescentar mais dramatismo à dramática situação política e social da Venezuela! 


 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Estado de graça

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Tem graça... Se há alguma coisa que não é de graça é o Estado. Nem sequer barato, é bem caro, por sinal. 


O estado de graça é um estádio do exercício do poder. No Estado e em todos os estados dentro do Estado.  O estado de graça não é o estado da piada, porque não é com piadas que se chega ao poder, mesmo que lá cheguem muitos palhaços. Como o Tiririca, mas isso é no Brasil onde o Estado até tem muitos Estados, e por isso é federal. Que não tem nada a ver com o feder, que por lá fede nos últimos tempos... Também não é o estado em que se encontrava Maria, quando um anjo lhe anunciou o estado interessante em que o Espírito Santo a deixara, antes de ser nome de banco e de nos ter feito a todos o que  teria então ficado por fazer. Esse estado de graça, sem pecado nem mácula, não dá para chegar ao poder. Alma limpa não dá para agarrar as tarefas do Estado, mas é preciso um estado de alma que não valorize o que a suja. Todas as manchas sujas têm de estar todas bem escondidinhas ... nem que seja umas atrás das outras. 


O estado de graça também não é por isso um estado da alma, por muitos estados de alma que possa deixar em estado de sítio. O estado de sítio é que não tem graça nenhuma, nem mesmo quando é declarado em estado de graça, o que às vezes, em estado de emergência, até acontece.


Mas o que é, afinal, o estado de graça? 


O estado de graça é, como comecei por dizer, um estado no exercício do poder. Por isso um bom estado, um estado interessante, sem que seja o tal estado. É temporário, como tudo, afinal - não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe... Nem no Estado. É um período de benevolência, aquele espaço de tempo em que tudo o que está mal, foi feito pelos outros, e em que, mesmo sem fazer nada, tudo tem graça. 


No exercíco do poder, especialmente quando conquistado no tal regime que é o pior, à excepção de todos os outros, saber gerir o estado de graça é mais que uma arte. Há gente capaz de o fazer magistralmente, guardando essa competência como verdadeiro segredo de Estado, porque é em cima do estado de graça que se constrói o verdadeiro poder, aquele que domina sobre a estrutura e que agarra numa só mão o aparelho de Estado, nome por que invariavelmente é conhecida a sala das máquinas do Estado. Quanto mais se prolongar o estado de graça, maior é o tempo de aconchego no poder. Sim, porque isto de chegar ao poder tem muito que se lhe diga. Não é chegar, sentar e ficar confortavelmente instalado, com tudo no seu sítio, ajustado à medida. Nada disso...


Repare-se como até para o próprio Estado Novo que, como se sabe, era um de todos os outros regimes da excepção que Churchill deixou famosa, foi importante o estado de graça. Na altura chamou-se-lhe Primavera, nome que estaria então certamente na moda... Que vinha, como continua a vir, de Paris, mas também de Praga. E durou pouco, depressa se voltou a fazer inverno. Daí que que a sala das máquinas tenha começado a deixar entrar água até rebentar, e cair de podre naquela madrugada de Abril!


 


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Sabemos e não podemos ignorar

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Surpreendentemente, o Relatório da auditoria da Ernst & Young à gestão da CGD nos primeiros 15 anos deste século acabou nos jornais. Por obra e graça da Joana Amaral Dias, que começou por divulgá-lo no domingo à noite na televisão que lhe paga, antes de o entregar aos jornais.


Apesar de todas as enormidades reveladas, da dimensão pornográfica do buraco, e da chocante revelação que mais de mil milhões de euros foram derretidos em crédito concedido contra a opinião das comissões de avaliação de risco do crédito, nada disto é grande novidade. Já toda a gente sabia que tinha sido assim, e nem os nomes na lista dos maiores "caloteiros" são novidade. Toda a gente já tinha falado deles!


A única coisa nova é a própria divulgação pública deste Relatório. Se não tivesse sido divulgado tudo ficaria na mesma, como sempre ficou no passado. É que, com esta divulgação pública, sabemos, e  não podemos ignorar!


Sabemos, e não podemos ignorar, quem foi quem. Quem foi que roubou ao país milhares de milhões de euros em proveito próprio. Quem foi que se locupletou com prémios de gestão por resultados falsificados por crédito irrecuperável. Quem foi que durante mais de 10 anos deixou passar isto na auditoria às contas. Sabemos, e não podemos ignorar, que eles andam aí... E eles sabem, e não podem ignorar, que nós sabemos!

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

(V)AR da sua graça

Polémica no Benfica-FC Porto: Pizzi empatou mas golo foi anulado por fora de jogo


 


Foi um grande jgo de futebol, este clássico em versão meias finais da Taça da Liga. E, se não foi uma grande exibição do Benfica, também não andou lá muito longe. 


Não lhe valeu de muito, porque não evitou a derrota, a primeira de Bruno Lage. Injusta, e tão mais injusta por ter sido ditada pela inaceitável anulação do segundo golo do Benfica, por um fora de jogo inexistente que o árbitro assistente assinalou sem qualquer motivo, e que o VAR não quis contrariar. Vá lá saber-se por quê.


Estava então a primeira parte no fim, e o jogo teria ido para intervalo empatado a dois golos. Que seria o resultado justo para uma primeira parte jogada a alto nível, com uma intensidade rara no futebol que se joga em Portugal, se outras anormalidades não tivessem acontecido.


Não foi assim, e a segunda parte iniciou-se mesmo com o Porto a ganhar. Nada que levasse os jogadores do Benfica a desistir de ganhar o jogo. Logo no arranque Seferovic, isolado e com o guarda-redes do Porto batido, podia ter refeito o empate, mas a bola acabou por sair a milímetros do poste direito. Pouco depois seria João Félix a fazer o mesmo, ainda dentro dos primeiros cinco minutos da segunda parte.


Não foi por falta de oportunidades de golo que o Benfica não ganhou o jogo. Na segunda parte esteve sempre por cima do Porto, que passou largos períodos em cima da sua área, onde aglomerou todos os seus jogadores. Depois, nos minutos finais, quando o Bruno Lage apostou tudo, porque não tinha outra coisa a fazer, uma perda de bola resultou num lançamento, ainda no meio campo do Porto, que permitiria ao recem entrado Fernando correr sozinho até à baliza de Svilar e fechar o resultado num mentiroso 1-3.


Mentiroso pelo jogo jogado e mentiroso porque a arbitragem lhe roubou a verdade. Carlos Xistra é já um clássico. E o VAR, que se estreou nesta competição com muito ar da sua graça fez o resto: tentou levar Carlos Xistra a anular o primeiro o golo do Benfica, vendo o que se não via, e não o contrariou na anulação do segundo, sem ter visto qualquer razão para o fora de jogo (porque ningué vê), nem conseguiu ver as faltas (no primeiro, falta clara de Oliver sobre Gabriel e, no segundo, de Marega sobre Grimaldo) que precederam os dois golos do Porto. 


Foi pena que alguns benfiquistas tenham abandonado a Pedreira antes do fim do jogo, porque os jogadores mereciam os aplausos de todos, e não apenas dos que ficaram. Porque este jogo não deixou razão nenhuma para abalar o trajecto que está a ser feito. Este resultado, e as suas circunstâncias, não podem pôr nada em causa! 


 

Formalidades


(Foto AFP/Getty Images)


Está cumprida a formalidade. Cristiano Ronaldo entrou no tribunal pela porta da frente, como o meritíssimo decidiu, e não pela garagem, como pretendia. Sentou-se no banco, coisa que não aprecia particularmente, e declarou-se culpado, como se tivesse acabado de sofrer uma entrada por trás, sem bola,  e se tivesse de levantar a pedir desculpa ao adversário... E saiu, poucos minutos depois, pela mesma porta da frente, com o mesmo bom ar com que entrara, porque a formalidade também tem cara ...


Entregues os 18,8 milhões de euros, já só dois anos de prisão de pena suspensa ligam Cristiano Ronaldo a Espanha. Vão ter muitas saudades dele... Muitos, já têm!


 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

RASURANDO

Rasurando


 


Acaba de nascer na blogosfera um novo projecto, no qual tenho o prazer de participar. Chama-se Rasurando, e nasce da vontade de um conjunto de mulheres (sempre em maioria, não há volta a dar...) e homens que se conhecem apenas deste espaço aberto que é o mundo dos blogues (Gaffe, Júlio FarinhaMami, Naomedeemouvidos, Pedro VorphSarin e eu próprio) que decidiram-se reunir-se no Opus Grei para discutir, e convidar à discussão, o Estado e a Cidadania.


Passem por lá. Garanto que não se vão arrepender ... E... não. Ninguém pensa que vai mudar o mundo. Nem ninguém quer, por muito que quisesse ...


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Insustentável!

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Aí está o novo Relatório da Oxfam a confirmar que o capitalismo e a globalização não arrepiam caminho, e que continua a aumentar abissalmente a diferença entre ricos e pobres no mundo. Já não são precisos mais que 26, entre os mais ricos do planeta, para terem tanto dinheiro como as 3,8 mil milhões de pessoas da metade mais pobre deste nosso rico planeta. E isto é insustentável!


O assunto chega a Davos, todos os anos. Mas fica sempre à porta...

sábado, 19 de janeiro de 2019

Hoje

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Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


Hoje, é assim há dez anos... Já partiste há dez anos, mãe. Há já dez anos que esta saudade cresce. Sem fim!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

E no fim... uma delícia!

V. Guimarães-Benfica, 0-1 (crónica)


 


Foi bem difícil este segundo jogo de Guimarães em três dias. Como se esperava mas, se calhar, diferente do que se esperava. Até porque o jogo foi completamente diferente do que selara a passagem do Benfica às meias-finais da Taça, há apenas três dias.


Ambas as equipas mudaram alguns jogadores, mas por razões perfeitamente inversas. O Vitória porque recuperou lesionados (André André) e castigados (Tozé), o Benfica porque perdeu, por lesão, Fejsa e, por castigo, Rúben Dias. Às balizas de ambas as equipas regressaram os habituais titulares no campeonato e, ao Benfica, regressou (?) Castillo, a preencher a quota de surpresas que Bruno Lage tem reservado para cada jogo, para o lugar de Seferovic. 


O Vitória apostou numa equipa mais subida e na dimensão física do jogo, muito forte nos duelos individuais e muita rasgada na disputa de todas as bolas. E com isso criou bastantes dificuldades ao Benfica durante muitas partes do jogo, especialmente na segunda parte. Mesmo assim, e passados os primeiros dez minutos, na primeira parte o Benfica foi quase sempre melhor, com mais bola e mais remates, sete contra quatro, mesmo sem grandes oportunidades claras de golo.


Na segunda parte o Vitória reforçou a agressividade e a pressão alta, e na verdade esteve mais por cima do jogo. Essa dinâmica entusiasmou os jogadores vitorianos, e criou-lhes a sensação de que poderiam ganhar o jogo. Acabaria por lhes ser fatal. Bruno Lage mexeu bem na equipa, lançando Seferovic e o regressado Rafa, e começou a aproveitar o espaço que a equipa vimaranense deixava nas costas da sua defesa, virando decisivamente os dados do jogo.


Quando aos 80 minutos Seferovic fez o golo, numa belíssima jogada de futebol que passou por um passe sensacional de Gabriel, já o Benfica tinha deixado sérios avisos do que estava para vir, incluindo duas jogadas de golo erradamente anuladas pela equipa de arbitragem por foras de jogo inexistentes. O Vitória sentiu o golo e, em vez de uma equipa de futebol, pouco mais foi que onze jogadores de cabeça perdida. Onze, porque o árbitro Tiago Martins, também ele, e apesar da juventude, um velho conhecido, permitiu que André André permanecesse em campo depois de, consecutivamente, na mesma jogada, completamente de cabeça perdida, se ter aplicado os pitons nos pés e nas pernas de João Felix e André Almeida. Foi ao minuto 84, e se na primeira entrada sobre o miúdo nada assinalou quando, no segundo seguinte, atingiu André Almeida, mostrou amarelo a ambos!


Teve que ser Luís Castro a fazer o que Tiago Martins devia ter feito, tirando-o do jogo logo a seguir. Mas fazendo entrar outro, naturalmente.


Fica mais uma vitória a alimentar a crença, e a certeza que há treinador. Esta é uma vitória com muito dedo de Bruno Lage. Na estratégia (Castillo não decidiu, mas cumpriu com as tarefas que lhe destinou), na forma como especialmente Gabriel, mas também Samaris, foram importantes no jogo, na forma como corrigiu os jogadores ao longo do jogo e, finalmente, nas substituições. Decisivas!


E, depois, no fim, é uma delícia ouvi-lo falar do jogo. Sem rodriguinhos nem frases feitas, apenas a explicar aquilo que aconteceu. E o que todos vimos!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Exageros*

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Esta semana fomos surpreendidos com a notícia que a China já plantava algodão na Lua.


Assim. Sem mais nem menos. Depois de na semana passada termos tido a notícia que a China tinha chegado ao outro lado da lua, ao seu lado escuro, cuja existência dávamos por adquirida há quase 50 anos, desde que os Pink Floyd nos mostraram pela primeira vez, em Março de 1973, esse soberbo “dark side of the moon”. Que provavelmente descobriram logo a seguir à épica viagem inaugural de Amstrong e Aldrin, em 20 de Julho de 1969.


Não sei se isto tem a ver com alguma atracção chinesa pelo escuro – não é por acaso que não há sombras mais famosas que as chinesas – mas seria bom que não. É que são eles os donos da nossa luz, só por isso…


Mas é provável que tenha. Eles nunca iriam fazer aquilo à vista de toda a gente… Gostam de ver, mas não gostam de mostrar…


Mas vamos lá à notícia. Ou às notícias, já que estamos com a mão na massa, mas também porque andam de mãos dadas. Logo ao terceiro dia do ano uma nave espacial chinesa pousou na Lua, no tal lado oculto, soube-se a semana passada. Soube-se agora que levava sementes de algodão, colza, batata, ovos de mosca da fruta e algumas leveduras, tudo estranhamente muito bem acondicionado, num cilindro de alumínio com 18 centímetros de altura e 16 de diâmetro, que custou 1,3 milhões de euros. Estranhamente, porque com temperaturas de 100 graus Celsius durante o dia, e dos mesmos 100, mas negativos, à noite, tudo passa o dia a ferver e a noite congelado, sem hipótese de se estragar…


Não há notícias dos outros habitantes do pequeno cilindro, mas – e esta é a segunda notícia, a desta semana - uma semente de algodão já está a brotar. E com ela brotou a notícia que a China se preparava para plantar algodão na Lua.


Já me deu vontade de contactar o cientista chinês responsável pelo projecto, para lhe perguntar por que é que não mandaram, também, uns exageros de fabricantes de notícias, para se saber como é que se davam por lá. Mas logo percebi que essas sementes não caberiam num cilindro de 18 centímetros de altura por 16 de diâmetro, e que o chefe do projecto o deu por encerrado, pela simples, mas escondida razão, que a mais famosa semente de algodão rapidamente deixou de brotar…


Nem sei por que é que isto me faz lembrar o Pantufa (1). Se calhar não faz… Se calhar é só porque também ele deixou de brotar… e partiu para o “dark side” que se mantém desconhecido. Que descanse em paz!   


 


(1) O Luís Cândido, o Pantufa, como era conhecido, desapareceu ontem e era, sem "exageros", uma figura incontornável de Alcobaça dos últimos 40 ou 50 anos, e porventura o mais emblemático boémio alcobacense da minha geração.  


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

A lógica do tubérculo

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Parece-me muito discutível a convocação de um Conselho de Estado para analisar o Brexit. Não parece nada que seja matéria de Presidente da República, e menos ainda da mais alta estrutura institucional da magistratura presidencial. Mas ... convidar o FMI?


Convidar a Drª Cristina Lagarde para a reunião do Conselho de Estado, porquê? Para quê? Por que "carga de água"?


Não vejo outra justificação que não mais um dos excessos em que o presidente Marcelo vem sendo pródigo nos últimos tempos. Os excessos presidenciais são pecadilhos a que, em regra, nenhum presidente tem conseguido escapar. Uns com mais estardalhaço que outros, mas todos percorreram esses corredores mais extravagantes. Todos, no entanto, o fizeram sempre no segundo mandato.


A regra tem sido um primeiro mandato tranquilo e cordato, para garantir a reeleição, ficando o segundo para partir a loiça toda, quando daí já não lhe venha mal nenhum. Parece que Marcelo está a entrar nesses corredores à entrada da segunda metade do seu primeiro mandato pelo que, se a lógica não for uma batata, está desfeito o tabu da sua candidatura para um segundo mandato.


Se a lógica não fosse uma batata, pela primeira vez um presidente iria abdicar de um segundo mandato. Coisa que, com o mais popular de todos, faria da lógica precisamente uma batata. A não ser que a noticiada quebra de popularidade de Marcelo nos últimos meses ("quanto mais alto se sobe maior é a queda") empurre o tubérculo para fora da lógica...


 

Sem vergonha

capa Correio da Manhã


 


A falta de vergonha dá nisto. Andaram meses a fio a publicar e a explorar dados e informação privados, que sabiam obtidos de forma não só ilegítima como criminosa. Durante todo esse tempo tudo ia bem, o que difundiam era insuspeito e a fonte era inatacável. Hoje, o que era informação insuspeita é um "assalto", e a fonte é o "pirata dos mails". Hoje, o que difundiram é um crime, e a fonte um criminoso. Como se nada se tivesse passado. Sem um acto de contrição. Sem uma desculpa. Sem vergonha!


 


capa Jornal de Notícias


 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

O último fôlego

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Quando a política se reduz a uma questão sobrevivência dos seus protagonistas, acaba nisto. Theresa May não tem feito mais que procurar adiar o seu último fôlego, focando-se desesperadamente na sua sobrevivência política a qualquer custo. E nem se pode dizer que não tenha sido bem sucedida: chegou aqui humilhada, mas viva. Aqui, ao caos que poucos imaginariam possível na velha Albion.


Na pragmática e astuta velha Albion...

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Mixed feelings

Benfica 'compra bilhete' para as meias-finais da Taça de Portugal em Guimarães


 


O Benfica iniciou hoje com sucesso, em Guimarães nos quartos-de-final da Taça de Portugal, aquele ciclo diabólico que estava reservado como presente de boas-vindas ao seu novo treinador. Nada mais, nada menos, que dois jogos consecutivos no berço da nacionalidade, com o Vitória Sport Club, outro com o Porto, em Braga nas meias-finais da Taça da Liga e, logo depois, a visita a Alvalade. Pelo meio, o jogo com o Boavista, na Luz, que é sempre duro…


Uma espécie de baptismo, com fogo em vez de água!


Já que coloco Bruno Lage no centro desta abertura, para caracterizar este jogo, recorro a um termo que já se percebeu que o treinador do Benfica usa com frequência: feelings. O terceiro jogo de Bruno Lage deixa-nos uma sensação de mixed feelings.


Não era, nem foi, um jogo fácil. E talvez isso talvez justifique esses sentimentos, mas o jogo mostrou-nos, na primeira meia hora, o Benfica de Bruno Lage, na segunda – abrangendo o último quarto de hora da primeira parte e o primeiro da segunda -, um Benfica híbrido, sem a exuberância do melhor que se lhe vira nos dois jogos anteriores, mas com a segurança aí revelada. Na terceira e última meia hora, o jogo acabou a mostrar um Benfica pouco distinto dos últimos jogos com Rui Vitória.


Valeu que a insegurança defensiva, que tanto tinha assustado no primeiro jogo de Bruno Lage, com o Rio Ave, esteve sempre afastada do jogo. Ou que a qualidade de jogo do Vitória tenha sido traída pela qualidade dos jogadores vitorianos…  


Repetindo, com alguma surpresa, a equipa dos Açores (de novo apenas Svilar, o dono da baliza na Taça), na primeira meia hora o Benfica jogou muito bem, com João Félix endiabrado, e todos os restantes jogadores em bom nível, mesmo com Seferovic uns furos abaixo. Ainda com Fejsa em campo a qualidade do jogo começou a cair mas, com a sua substituição por Samaris (um regresso que se saúda, mas não está, nem poderia estar, em condições de fazer melhor) ao intervalo, o Benfica foi perdendo progressivamente o controlo do jogo.


É certo que a vitória e o apuramento para as meias-finais nunca pareceram seriamente ameaçados. O Vitória não dispôs de uma única oportunidade de golo, mas na última meia hora mandou na partida e produziu muita quantidade de jogo. Com outra qualidade, as coisas ter-se-iam complicado!


Bruno Lage usou as substituições para poupar jogadores (Fejsa e Zivkovic) para a réplica de sexta-feira, e ficou apenas com uma para interferir no jogo. E foi já tarde, nos últimos 10 minutos, que a utilizou. Gedson (para o lugar de Pizzi) deveria ter entrado bem mais cedo!

A praia de Montenegro

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Ver Luís Montenegro a dirigir-se aos microfones no Palácio de Belém, com a porta lá ao fundo a acabar de se fechar, é confrangedor e diz muito sobre o ponto de não retorno a que chegou o presidente Marcelo. Ouvi-lo no que se apressou a dizer, no que é ou não é a sua praia, sem perceber qual é o jogo nem quem tem as cartas, e admitir a mera hipótese de um dia poder vir a ser chefe do governo de Portugal, é de pasmar!


Digo eu, que não já nem tenho idade para me surpreender com estas coisas. E que nos anos que já cá levo já vi de tudo em S. Bento...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Resumo dos últimos episódios

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Não vai mal a novela da guerra civil no PSD... No "resumo dos últimos episódios" pudemos ver como Pinto Balsemão limpou o pó à velha arma que lá tinha esquecida, e desatou aos tiros que nem um veterano de guerra na direcção de Montenegro, recebendo logo reforços das linhas de retaguarda da frente europeia, capitaneadas por Paulo Rangel, e a resposta da frente feminina "coelho-montenegrina", com as brigadas de Paula Teixeira da Cruz, logo seguidas das de Maria Luís Albuquerque. O curador mor do reino laranja, o comen(t)dador Marques Mendes, não permite vacilações no equilíbrio que o mantém de pé - tem a vantagem de um baixo centro de gravidade - e declara que no reino tudo vai bem, com ambos os contendores no lado certo, a fazer bem e a ganhar. Não passaram imagens do Rei -  se não fica de fora de uma guerra de audiências, como poderia ficar fora de uma guerra civil na família? - mas dá para entender que está a dizer exactamente o mesmo a cada uma das partes - que foram muito bem, que fizeram o que tinham a fazer... Mas que agora já chega... Quietinhos, e portem-se bem !


 


 

domingo, 13 de janeiro de 2019

Um mimo de notícia

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Ao noticiar a explosão de gás numa padaria em Paris, o jornalista João Adelino Faria, no telejornal, referiu que "da explosão resultaram três mortos, a maioria bombeiros" (não acrescento SIC porque foi na RTP).


Um mimo de rigor e expressão!


E não, não tem nada a ver com terem sido quatro as vítimas mortais. Já com a polémica com Maria Elisa... Não sei, não...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Estranho, só o resultado...


 


No segundo jogo da era Bruno Lage - durante quanto mais tempo os jornalistas continuarão a perguntar-lhe se é o último jogo? - os jogadores do Benfica voltaram a mostrar como Rui Vitória tinha chegado ao fim da linha.


Depois da surpresa do afastamento de Ferreyra do lote dos convocados, o novo treinador do Benfica guardava mais uma supresa para o onze inicial, com duas alterações em relação ao jogo do passado domingo, com o Rio Ave, saindo os dois alas argentinos - Cervi e Salvio - e entrando, sem surpresa, Zivkovic e, surpreendentemente, o brasileiro Gabriel. Que conseguiu aproveitar para, finalmente, apresentar alguma coisa que justificasse a contratação!


Viu-se que os jogadores estão mais bem distribuídos em campo, e confirmou-se a pressão alta e a intensidade posta na disputa da bola. Para isso, Gabriel contou. E muito. E contou Fejsa, finalmente a abandonar a cadeira lá atrás, onde passava os jogos sentado, e a subir à grande área adversária para aí entrar nas tarefas de recuperação da bola.


Bastou isto, e Zivkovic e Pizzi nas alas, para que a equipa passasse a ter jogo interior, deixasse de chutar a bola para a frente e deixasse de passar por sobressaltos, como sempre passava contra este tipo de adversários. Depois, para o resto,  lá estão João Felix, Grimaldo e Seferovic.


Hoje em Ponta Delgada foi de tal forma assim, foi de tal forma gritante a superioridade do Benfica, que a única coisa que se não percebe é o resultado. É inacreditável como um jogo destes acaba com um simples 2-0!


O Benfica criou bem mais de uma dezena de oportunidades de golo, daquelas em que simplesmente a bola não quer entrar. Todas através de jogadas de encher o olho, que bem podiam caber em números de Circo.


Mas não se pode dizer que o Benfica tenha feito uma grande exibição, sem ponta de mácula. É bom que os jogadores percebam isso, e vão perceber. Percebemos que o Bruno Lage percebeu isso bem, e não vai deixar de lhes explicar que o circo não é actividade de estádio, normalmente decorre numa tenda. 


Se em vez do espectáculo de circo, na segunda parte os jogadores se tivessem dedicado apenas ao futebol, tinham feito uma grande exibição e teriam saído dos Açores com um resultado que constiuiria um recorde imbatível!


 

Quem primeiro alça...

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A História do PSD não foge disto: ou está confortavelmente sentado à mesa do poder, e vive na paz dos anjos, com toda a gente feliz e contente como uma família em completa harmonia  (a excepção de Pacheco Pereira é só para confirmar a regra); ou, caso contrário, se tem que cheirar de longe a mesa ocupada pelo rival, revela-se no saco de gatos que nunca deixou de ser.


Sem poder, não há líder que resista, venha de onde vier, acabando todos a provar do seu próprio veneno. Rui Rio esperou anos a fio para lá chegar, numa sólida estratégia de conquista do poder. Começou por criar uma aura messiânica para, a partir dela, construir pacientemente, gerindo aproximações e afastamentos, o mito do desejado que, numa qualquer manhã de nevoeiro, lhe haveria de garantir a unanimidade, dentro e fora do partido. E manhãs de nevoeiro, sabia bem, não faltam neste nosso cantinho... Mas nem assim resultou!


E lá está de novo o PSD em guerra civil, na sua História de autofagia onde tudo faz lembrar o Sporting... Até a convocação de um Conselho Nacional destitutivo, no primeiro passo de Luís Montenegro, o rosto do intocável aparelho do sportinguista Miguel Relvas. Porque nestas histórias "quem primeiro alça, primeiro calça"!


Como Frederico Varandas mostrou, há poucos meses ...


 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Tanta doçura ainda vai amargar

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Arranca hoje essa plataforma da direita, não por acaso de nome doce - MEL, de não menos doce Movimento Europa e Liberdade. Uma doçura - esta também chamada Aula Magna da direita - bem amarga para o PSD de Rui Rio...E para o próprio, que já viu Luís Montenegro aproveitar para dar o passo em frente no processo de autofagia em que o partido caiu.


Quem à última hora se pôs de fora foi Francisco Assis. Tanto quanto por aí corre a marcha-atrás não lhe terá valido de grande coisa, dizem as más línguas que está fora da lista para as europeias de Maio. Parece-me bem. Sempre que Roma não paga a traidores, acho que faz bem!


 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mais uns embustes


 


Aí está o "Portela+1", agora anunciado como "novo aeroporto". Este será provavelmente o primeiro de, pelo menos, quatro embustes espalhados pelo anúncio do acordo assinado entre o Estado e a ANA, presidida pelo conhecido José Luís Arnaut, bem sorridente na foto.


O segundo é, obviamente, o estudo de impacto ambiental que, na boa tradição portuguesa, está para os negócios como na gíria popular o carro está para os bois. O embuste da mera formalidade de colocar um carimbo no carro que vai à frente dos bois.


O terceiro é o da decisão: "custos de não decisão" ou "decisão com 50 anos de atraso", é o embuste de "o que tem que ser tem muita força". Que nem se pode esperar mais, nem já há alternativa. Não, a verdade é que esta é a única alternativa aceite pelos franceses da Vinci, a quem Passos Coelho, entregando a ANA, entregou sem restrições o monopólio dos aeroportos em Portugal.


O quarto é o de que não nos custa nada. Que os 520 milhões de investimento no Montijo, mais os 650 milhões na Portela e mais os 160 milhões de compensação à Força Aérea, são exclusivamente financiados pela ANA. Custa, e até já custou, nas taxas aeroportuárias cobradas por um monopólio sem regulador.


É bem possível que haja um quinto: o embuste eleitoral. Mas antes fosse só esse... 


 


 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Presidente "pimba"

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Quando aqui há dias me referia à falta de sentido de Estado do Presidente Marcelo estava longe de imaginar que, poucos dias depois, entraria em directo num programa "pimba" de televisão a dizer que tinha interrompido uma reunião para desejar felicidades à apresentadora. 


Já não é só falta de sentido de Estado. É pena que Marcelo tenha confundido popularidade com populismo, e se esteja a transformar num presidente "pimba"!

O umbigo do Expresso

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Para o "Expresso", aos quarenta e seis anos de idade (parabéns pelo aniversário!), o que de mais importante aconteceu no país foi passar a ser distribuído dentro de um saco de papel.


Já conhecíamos a importância do saco no Expresso, desde que um seu antigo e conhecido director o apresentou como ideia genial. Como a sua impressão digital na grande revolução no negócio e na arte de fazer jornais, como uma descoberta só ao nível da de Gutenberg.


Agora, com o plástico a passar o testemunho ao papel, a actual direcção do jornal não fez menos. Foram duas semanas em que não falou de outra coisa. Duvido até que, lá para o final do ano, não venha a ser eleito pela Redacção como "acontecimento nacional do ano"...


 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Sinais de vida nova num grande jogo de futebol

Bruno Lage:


 


Era grande a expectativa para este primeiro jogo pós Rui Vitória, na primeira apresentação de Bruno Lage. A convocatória tinha revelado algumas surpresas, o que aumentava as expectativas sobre as opções de Bruno Lage para o onze inicial.


Com poucas surpresas, no entanto. Com Jonas castigado, teria de entrar Seferovic, mesmo com Ferreyra e Castillo na convocatória. Gedson, muito mal nos últimos jogos, também não foi surpresa que ficasse de fora, ao contrário do que aconteceu com Zivkovic, substituído pelo inconsequente Salvio. 


Novidade, talvez nem tanto surpreza, foi o 4-4-2, que levou João Félix para a sua posição natural pela primeira vez, ao lado de Seferovic. Que grande exibição fizeram ambos! Repartiram os quatro golos da equipa, todos de grande qualidade, mas fizeram muito mais.


Quando o árbitro Luís Godinho - de muito pouca qualidade e especialmente vocacionado para fazer maldades ao Benfica, vocação que voltaria a confirmar - apitou para iniciar a partida percebeu-se logo que o Rio Ave, também a estrear treinador (Daniel Ramos), vinha disposto a dar sequência ao bom futebol que tem apresentado, jogando com a qualidade que se lhe vira em Braga e no Dragão - onde, então com o José Gomes no banco, foram melhores que os adversários - mas com mais intensidade e maior agressividade na disputa da bola.


O Benfica também entrava muito melhor, especialmente na intensidade que colocava no jogo e na entrega dos jogadores. Estava até a fazer algo que há muito não se via, pressionando alto e sufocando o adversário quando, à entrada para o segundo quarto de hora, ao primeiro remate, o Rio Ave chegou ao golo.


O Benfica sentiu o golo, perdeu o tino e, ao segundo remate, 3 minutos depois, o Rio Ave fez o segundo golo, gelando os 50 mil que estavam na Luz. Curiosamente pareceu que a equipa sentiu mais o primeiro que o segundo golo. Este foi apenas o toque a reunir!


Se em três minutos sofreu dois golos, em quatro marcou outros tantos, e à entrada do último quarto de hora da primeira parte o jogo ficava empatado, e o público da Luz ao lado da equipa.


A segunda parte arranca com uma jogada sensacional de Grimaldo que passou em drible por cinco jogadores do Rio Ave dentro da área, acabando com o poste a cometer um crime de lesa futebol. Depois seguiu-se um período em que o Rio Ave parecia querer adormecer o jogo, para melhor surpreender o Benfica. Mas foi sol de pouca dura, com o terceiro golo do Benfica (João Félix) depressa voltaram a acelerar... E nem o quarto lhes tirou o ânimo e a vontade de discutir o jogo palmo a palmo.


No fim ficou um grande jogo de futebol, com muita qualidade, emoção e golos. E duas certezas: uma é que os jogadores não estavam, de todo, com Rui Vitória. A outra é que é urgente trabalhar a forma como a equipa (não) defende. É por demais - e há muito - evidente que o Benfica não sabe defender. Hoje, muita coisa mudou só porque mudou o treinador. Mas a equipa não passa a defender bem só porque mudou o treinador!


Para Bruno Lage, só isto: que saudades eu tinha de ouvir um treinador do Benfica a saber o que está e o que tem a dizer! 

O tudo ou nada

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Não estou certo que dê certo. Tenho mesmo muitas dúvidas, mas há grandes probabilidades de Mourinho vir a ser, no início da próxima época, o novo treinador do Benfica.


Há muito pouco tempo, quem ousasse pensar uma coisa destas só poderia não estar bom da cabeça. Hoje, é a coisa mais natural deste mundo!


Se José Mourinho, enquanto treinador de top mundial, não bateu no fundo, não anda lá muito longe. Tem, nesta fase da sua carreira, duas opções. Nem mais uma: ou desiste, e começa a viver a sua reforma dourada; ou vai à procura do relançar a carreira!


Se pensarmos um bocadinho concluimos facilmente da baixa probabilidade da primeira hipótese, e rapidamente somos levados a concluir que a única opção de Mourinho é, agora, relançar a carreira. Não é começar tudo de novo, mas é recomeçar para voltar ao lugar de topo que ocupou, e tornar-se ainda maior que os maiores por lá ter estado em tempos históricos diferentes. E provar que é tão "special" que até contraria a própria natureza!


O Benfica serve estes propósitos. Tem grandeza e tem condições que lhe permitem voltar a ganhar. Está também perto do fundo e só pode subir, minimizado-lhe todos os riscos. 


É a tábua de salvação para a reeleição de Luís Filipe Vieira que - lembram-se? - há muito tem na mão uma cenoura bem viçosa a que chama ganhar na Europa. Quer isto dizer que Vieira, ao contrário do que sucedeu nos últimos três anos, não vai olhar a meios para fazer investimentos na equipa de futebol. Não faltarão jogadores para satisfazer as exigências de Mourinho, nem dinheiro para lhe pagar um vencimento bem chorudo e confortável. Longe, em qualquer das circunstâncias, daquilo a que está habituado, mas nada que envergonhe ninguém...


Acabo como comecei: não estou certo que dê certo. Por certo tenho apenas que, neste cenário há pouco inimaginável, José Mourinho e Benfica correm diferentes graus de risco.  São mínimos os riscos que Mourinho corre nesta oportunidade. São muito grandes, enormes, os do Benfica. Como sempre acontece quando se chega ao desespero do "tudo ou nada"! 

sábado, 5 de janeiro de 2019

11 Eusébios ... e mais qualquer coisa

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Há cinco anos perdemos o maior símbolo do Benfica. Há cinco anos o Benfica jogou com 11 Eusébios e, no arranque de 2014, virou o campeonato, derrotando o Porto sem apelo nem agravo. Depois de uma época dramática, onde perdera tudo nos últimos minutos dos últimos jogos, e de um arranque pouco menos que penoso, foi aquele jogo com 11 Eusébios nas camisolas, o jogo de arranque para o primeiro de quatro títulos consecutivos. Foi o jogo mãe do tetra, que só não foi do penta e do hexa porque entretanto alguém traiu Eusébio.


O momento actual é porventura mais dramático. Amanhã, com Bruno Lage ao comando, por que não, como há cinco anos, para acreditarmos - agora, sim - na retoma, um Benfica com 11 Eusébios?  


Com 11 Eusébios no campo, e alguém no leme sem complexos nem condicionamentos para dizer "basta" aos escândalos do VAR que se repetem em todos os jogos, ainda vamos a tempo!


Mas se calhar é pedir muito...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Falta sempre qualquer coisa*

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Quando começamos a ouvir os números do balanço da GNR à sua operação de Natal – este ano chamada de “Natal tranquilo” – começamos a achar estranho. Tínhamos dado por garantido que acidentes e mortes na estrada, sendo inevitáveis, eram praga sob controlo e cada vez mais residual, e por isso soava-nos a estranho que as estatísticas tivessem disparado.


Quando constatamos a mesma coisa na Operação Ano Novo, percebemos que estávamos perante uma tendência, e não apenas a chocar de frente com qualquer coisa de circunstancial.


Olhamos para os dados anuais e, com alguma estupefacção, confirmamos isso mesmo. A sinistralidade nas estradas portuguesas, e a sua consequência mais drástica – a morte (513 mortes no ano que acaba de se despedir) – cresceu em 2018, em relação a 2017, quando já tinha também crescido relativamente ao ano anterior. São dois anos a inverter uma tendência que vinha já dos anos 90, com mais de vinte anos.


Os acidentes de automóvel e as mortes na estrada são dos mais fortes indicadores de desenvolvimento. São uma chaga, uma catástrofe nos países subdesenvolvidos, e praticamente marginais nos países mais desenvolvidos.


Percebe-se por quê. Melhores estradas, melhores carros, melhor educação... Aí está!


Temos por cá boas estradas, mas na sua maioria caras, o que empurra a maioria do trânsito para as que têm menos condições e mais perigos. Não podemos dizer que sejamos um país equilibrado na distribuição da frota automóvel, mas também não é nos automóveis que mais nos afastamos da média europeia. Deixamos de ver, com a frequência que víamos, a mais surreal agressividade que há uns anos víamos nas nossas estradas, em que o mais pacato cidadão se transformava num terrorista logo que se sentava ao seu volante. Mas estamos ainda longe de cumprir com a maioria dos requisitos cívicos da cidadania.


Que não são, de resto, especialmente induzidos pelo Estado quando, em vez de canalizar os seus recursos para enfrentar a guerra nas estradas, prefere utilizá-los na caça à multa.


Parece que é isso. Que temos tudo para ser um país desenvolvido, mas falta sempre qualquer coisa.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Sentido de regime e sentido de Estado

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Mesmo discordando da presença do Presidente da República na tomada de posse de Bolsonaro, dei-lhe o benefício da dúvida. Não pelos argumentos que Marcelo apresentou, exclusivamente centrados na CPLP, essa coisa que não passa de uma central de negócios falhados pouco dada à vergonha, a que só em Portugal é dada alguma importância. Mas porque ainda admitia alguma lógica de interesses de Estado entre dois países que a História fatalmente juntou, que resistem ao fatalismo das costas voltadas a essa fatalidade...


Hoje não tenho dúvidas que esta visita de Marcelo não o prestigiou nem prestigiou o país. Marcelo voltou, em Brasília, a pôr-se de cócoras e a dar do país uma imagem de servilismo que o empequenece. Falou - melhor, procurou falar - com sotaque, adicionando açúcar do Brasil à língua que trazia de Portugal, como se fosse café que trouxera de Angola. E perante a pouca importância que lhe foi dada por Bolsonaro, obviamente medida pelo pouco tempo da audiência concedida, a melhor saída que encontrou foi que os irmãos precisam de pouco tempo para comunicar.


Decididamente, Marcelo é um bom Presidente da República. Mas não é um estadista. Nele é maior o sentido de regime que o sentido de Estado!


 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Nada mais a dizer: mete dó!


 


Nada a dizer sobre este jogo em Portimão, com mais uma derrota. A primeira vitória sobre o Benfica, em toda a História do Portimonense Na última semana, na Vila das Aves, já toda a gente tinha ficado a perceber que aquele jogo, e aquela exibição, com o Braga tinha sido acidental. Que nada mudara, que não havia retoma nenhuma.


Já tudo foi dito sobre este Benfica de Rui Vitória e de Luís Filipe Vieira. Presta-se a tudo, agora os adversários já nem precisam de marcar, os centrais do Benfica encarregam-se disso.


Mete dó! 

As coisas são o que são!

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Todos os que, brasileiros ou não, defendiam que, uma vez eleito, Bolsonaro adquiriria uma postura mais institucional, deixando cair muitas das suas monstruosidades, podem já começar a tirar o cavalinho da chuva.


O sermão da tomada de posse deixou claro que a criatura não tem uma ideia estruturada na cabeça, nem consegue alinhar meia dúzia de palavras que façam sentido. Por isso repetiu - e continuará a repetir - os sloganes e as frases simples e gastas da campanha, mas sempre carregadas de forte simbolismo ideológico. Por isso se esconde atrás de Deus, que invoca (em vão, e por isso em pecado mortal) a todo o momento, e que convoca para tudo e para nada.


Não. Bolsonaro não vai ser diferente do que se anunciou, como se viu nos abraços de Benjamin Netanyahu e Viktor Orban, na primeira fila, ou no twitter de Trump... As coisas são o que são!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...