terça-feira, 31 de outubro de 2023

Vitamina


Debaixo de fogo, Roger Schemidt mudou. O jogo desta noite, em Arouca, na estreia da equipa na Taça da Liga desta época, era mais que um jogo praticamente decisivo nas contas do apuramento para a "final four" de Leiria, lá para o início do ano. Era um jogo que o Benfica teria forçosamente de ganhar para interromper estes dois últimos desaires consecutivos. 


Era isso que era exigido - a inversão dos resultados. Já que - sabe-se -a inversão da qualidade exibicional não é coisa tão imediata. Não basta esfregar a lâmpada para que o génio se solte. É preciso, primeiro, ganhar. Jogos e confiança!


Por isso, Schemidt mudou. Começou a mudar não comparecendo na conferência de imprensa de ante-visão do jogo. Fez bem. Fez bem porque o discurso não lhe está a sair bem. E porque, sabia que não seria da ante-visão do jogo de Arouca que o quereriam ouvir. Dar-lhe-iam nós cegos, uns atrás dos outros. E ele não tem rins para tanto. 


Depois, para o jogo, mudou tudo. Mudou jogadores, mudou a táctica, e mudou até os jogadores que não mudou. No onze inicial entraram Morato, Gonçalo Guedes e Di Maria. Na táctica, mudou para três centrais, num 3x4x3. Com o trio da frente móvel - Di Maria, Rafa e Guedes - sem qualquer ponta de lança. E nos jogadores que não mudou, à excepção natural de Trubin, baralhou-os todos: Aursenes regressou à função que lhe é natural (mas pronto, lá teve que acabar a lateral direito, depois da entrada de Bernat), na ala esquerda. Donde saiu João Mário, para jogar a médio centro, ao lado de Florentino. Donde saiu João Neves, para jogar na ala direita. 


As coisas acabaram por correr como tinham de correr mas, francamente, não é experiência para repetir. Não que a opção dos três centrais não possa ser uma ideia a desenvolver. Tem é que ser bem trabalhada, porque o que se viu foi António Silva (parabéns pelos 20 aninhos) um bocado atrapalhado com aquilo. Tanto que até assistiu um tal Trezza para a única oportunidade de golo do Arouca na primeira parte. Há muitos treinadores que não prescindem dela. E outros que a ela recorrem em função das circunstâncias. Não se perceberam bem as de Schemidt, hoje.


A aposta mais bem sucedida foi João Mário. Não tem grande voltagem, como sabemos, mas tem visão de jogo e qualidade de passe para a função. Só que, com isso, perdeu precisamente a energia que João Neves dá àquela posição. O miúdo não sabe jogar mal, e dá sempre tudo. E sabe-se como é imenso o "tudo" dele. Mas isso não faz dele um ala. Não é justo. Nem ele merece.


A opção por um trio de ataque móvel cabe também nas ideias de muitos treinadores. Mais pelas circunstâncias que por opção estrutural. E mais ainda quando a circunstância é ... não haver ponta de lança. Não era hoje o caso. A circunstância é que Cabral e Tengstedt não dão garantias ao treinador. 


A ideia já tinha sido posta em prática na primeira parte do jogo da Supertaça, com o Porto. Não tinha resultado como experiência, mas acabou bem ... depois de abandonada. Hoje voltou a acabar bem, e voltou a ser abandonada, mesmo que em circunstâncias completamente diferentes.


Da outra vez tinha sido abandonada para mudar o jogo. E para o ganhar. Hoje foi abandonada quando a equipa estava por cima do jogo, e já ganhava. Curiosamente aconteceu quando o Benfica acabava de marcar o segundo golo. Que afinal não foi, porque o VAR aproveitou um fora de jogo a de Di Maria, que ninguém viu, para anular o golo de João Mário. Ninguém viu mesmo e, meia hora depois, lá mostraram umas linhas tão manhosas que o fora de jogo até já sobrava para Guedes...


Com aquele trio móvel na frente o Benfica, apesar da baralhação que se percebia, teve muita bola, e criou bastantes situações de golo. A primeira logo no primeiro minuto, na classe de Di Maria, com a bola a sair a rasar o ângulo superior esquerdo da baliza do Arouca. E mais duas (Guedes e Aursenes) ainda dentro dos primeiros 10 minutos. Mas a verdade é que, à baliza, durante todo esse tempo só no livre do mestre Di Maria que abriu o marcador, a pouco mais de meio da primeira parte. E no tal golo anulado ao João Mário, no preciso momento (55 minutos) em que o trio foi desfeito, com as entradas de Cabral, Tengstedt e Tiago Gouveia.


O golo anulado deu alma ao Arouca. É o costume: com o resultado em aberto o adversário acredita. E o Arouca acreditou um bocadinho. O suficiente para num momento se adiantar no campo, e deixar o Arthur Cabral partir de trás da linha de meio campo, correr isolado até à baliza para, já acossado por dois adversários que entretanto conseguiram chegar, picar a bola sobre o guarda-redes a selar finalmente, 20 minutos depois, o segundo golo. Como estava ainda no seu meio campo o senhor do VAR teve que se conformar.


Este sim, foi um golo à Cabral. Disto já tínhamos visto na Fiorentina. Mas disto há pouco nos jogos que o Benfica tem para disputar. 


O que tem que haver muito nos jogos que o Benfica tem para disputar é Tiago Gouveia. Se Schemidt não o sabia não pode, a partir de hoje, fingir que não sabe. Tem tudo o que o Benfica precisa neste momento. A começar no benfiquismo. E a acabar na velocidade, na capacidade técnica e na resistência física!


Tiago Gouveia é a vitamina que falta ao Benfica. Como há seis meses foi João Neves!


 

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O Tesouro americano diz que é a Alemanha a culpada de tudo o que se está a passar no sul da Europa. Que, para acumular excedentes, não hesitou em impor as políticas austeritárias que destruíram as economias portuguesa, espanhola e italiana.


Álvaro Santos Pereira, recuperando o pio diz, agora já do lado de fora, que a austeridade pode levar ao surgimento de ditaduras na Europa e que a dívida portuguesa só poderá ser paga se renegociada para prazos de pagamento de 40 ou 50 anos.


Mas na Assembleia da República, no dia 1 da discussão do Orçamento, a ministra das finanças diz que está tudo bem. Que tudo estava certo, que tudo correu bem, e que só há que apertar mais um bocadinho. Que já só falta um último esforço, que estamos lá, na praia. Até já ela fala em baixar impostos, para não deixar Paulo Portas a falar sozinho… Porque 2015 está já aí!


Por isso aí está uma gigantesca onda de optimismo que sai da maioria e do governo como se fossem o canhão da Nazaré. Que estamos a sair da recessão e que o desemprego está baixar, dizem eles, sem cuidar de perceber que alguma vez a economia teria de parar de cair, que há sempre um fundo, por mais fundo que seja. E escondendo que o desemprego continua a subir e não a descer. Que descem apenas os números – e muito pouco - porque Portugal atingiu os mais altos níveis de emigração dos últimos 40 anos. Chamam-lhe até milagre, mas as pessoas não estão a sair do desemprego, estão a abandonar o país que as abandonou!


E esta não tem nada a ver com aquela emigração analfabeta e desqualificada das décadas de 60 e 70 do século passado, que não perdia os laços com o país, e de que a economia e as finanças do país tanto beneficiaram. Esta é uma emigração que deixa o país muito mais pobre e ineficiente. Agora sai gente em cuja educação o país investiu muito. Gente – e veja-se o absurdo – que o país impede de retribuir o que lhe deu, e que prefere entregar de bandeja aos outros.


Dos que cá ficam, uns morrem; outros não podem ter muitos filhos e outros não podem sequer ter filhos… Portugal perdeu o ano passado mais de 55 mil habitantes, vai continuar assim, a perder-se…


Mas ninguém se importa. Há ainda muita gente a achar melodiosa e a deliciar-se com a música que a orquestra continua a tocar… 

Irrelevância(s)

Ursula von der Leyen e Josep Borrell reúnem-se amanhã com Zelensky


A União Europeia, o antigo "gigante económico e anão político", vem encolhendo a passos largos na última década. De "gigante económico", passou a um ser da estatura média. E, de anão político, passou a microscópico.  E a velha, poderosa e grande Europa passou a irrelevante no actual xadrez mundial, como se viu na Ucrânia, e se vê no Médio Oriente.


Tão irrelevante que não dá sequer para se lhe ver o ridículo do paradoxo que são as posições políticas das suas duas mais importantes lideranças - a Presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, e o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, a que antes se chamava Sr PESC, Josep Borrel - relativamente ao que está a acontecer em Israel e na Palestina.


A Srª Van der Leyen apressou-se a correr para Israel, sem nada que se visse que não a subserviência em forma de espiral irrelevância. O Sr Josep Borrel lembra que a Europa defende há 30 anos a solução de dois Estados, e que o “conflito obriga-nos a comprometermo-nos politicamente com a solução, para a tornar real”. Que a UE  passou 30 anos “a dizer que esta é a solução, mas a fazer muito pouco ou nada” para a alcançar. E que os territórios ocupados por Israel “estão, de acordo com o direito internacional, tão ocupados como os territórios ucranianos invadidos pela Rússia”. Que o território ocupado por Israel “se multiplicou por quatro” enquanto o palestiniano “tem vindo a encolher e a dividir-se em áreas desconexas”.


A irrelevância é tanta que ainda ninguém se irritou com o irrelevante responsável pela política externa europeia. Depois de, por muito menos, Cosgrave ter sido atirado pela janela e afundado a Web Summit. E de Guterres ter sido enterrado vivo nos destroços da ONU.   


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Mas foi por isto que esperamos este tempo todo? Foi esta mão cheia de nada que foi tantas vezes anunciada e outras tantas adiada?


Não. Este é apenas mais um episódio da guerra na coligação… Há um ano falava-se de refundação – de repente tudo se refundava, fosse lá isso o que fosse. Havia um corte de 4 mil milhões a fazer e nada como refundar o Estado para resolver o problema… E Passos passou a batata quente para as mãos de Portas.


A tarefa era de monta. E de montra, coisa que ele sempre procura. Só depois percebeu que a bata queimava mesmo, e passou a fugir com o rabo à seringa. Foi fugindo até Passos o encurralar e, bem encostado à parede, saiu-se com isto. Isto a que todos os partidos reagiram menos justamente o PSD! 

domingo, 29 de outubro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Se não bastasse a sucessão de disparates, sem sequer intervalo, deste governo aí teríamos as jornadas parlamentares da maioria a provar que isto não tem mesmo cura. E se não bastassem as jornadas parlamentares, aí estaria o regresso em grande da ministra Assunção Cristas.


Como se nada mais preocupasse o país, como se de um país sem qualquer problema se tratasse, a ministra chega de licença de parto e entende que tem que se meter com os animais que as pessoas têm em casa


Este é, decididamente, um governo de loucos. Um governo que diz querer tirar o Estado de tudo, mas depois põe o Estado a meter o nariz em tudo. Na véspera - será que é desta? - da apresentação do guião da reforma do Estado - que o chefe da ministra está para apresentar desde Fevereiro - nada melhor...

sábado, 28 de outubro de 2023

A época compactada num só jogo


Os adeptos benfiquistas estão desiludidos, assobiam e puxam dos lenços brancos. Ainda assim, dizem presente. Sempre. Voltou a ser assim, hoje, na Luz, não a festejar, mas a celebrar os 20 anos, cumpridos na passada quarta-feira. Casa cheia ... praticamente.


E voltaram a sair desiludidos. Voltaram a assobiar a equipa, e voltaram a mostrar lenços brancos a Roger Schemidt, depois de um jogo que foi um compacto do que tem sido esta época do Benfica. Se quiséssemos juntar num vídeo de 90 minutos o que tem sido esta época não seria preciso trabalho de edição. Não era necessário fazer recortes e colagens, bastaria pegar neste jogo de hoje com o Casa Pia.


Começamos por ver uma equipa nervosa, incapaz de tomar conta do jogo e de se impor à estratégia que o treinador do Casa Pia trazia para o início do jogo. Que não é nada de novo. É um clássico dos  jogos do Benfica nesta época. Todos os treinadores adversários perceberam o incómodo que a pressão alta causa aos jogadores do Benfica. E todos têm invariavelmente iniciado os jogos desta forma.


Dura o que dura. Umas vezes mais tempo, outras menos. Quase sempre por limitações próprias - aquilo obriga a muito desgaste. Raramente por imposição do Benfica. Voltou a ser assim. Foi assim a primeira metade da primeira parte.


Quando, mais tarde ou mais cedo, o adversário começa a baixar, com duas linhas de cinco muito juntas e encostadas à sua grande área, o Benfica passa a trocar a bola, a rodar o jogo de um lado para o outro, para trás e para o lado. Os jogadores tentam então até a exaustão furar por onde nem uma agulha cabe, convencidos que essa é a solução para entrar com a bola pela baliza dentro. Não há remates. Quando abrem jogo pelas laterais, falta presença na área. E os cruzamentos acabam invariavelmente nos pés e nas cabeças dos defesas adversários. Que não raras vezes saem com bola em contra-ataque porque, ao contrário da época passada, os avançados do Benfica nada fazem para lhes bloquear a saída. Porque o meio campo não abafa os espaços e não ganha segundas bolas. Apenas corre para trás. Quando (alguns) correm.


 A qualidade técnica e a inspiração de um outro jogador é, às vezes, suficiente para fazer provocar um ou outro desequilíbrio na muralha defensiva adversária, e acabar por criar e transformar uma ou outra oportunidade em golo. 


É assim. E foi assim na segunda metade da primeira parte. A inspiração do momento veio de João Mário, já às portas do intervalo.


Quando chega ao golo a equipa descansa no resultado. Como que se o golo lhe tivesse dado tanto trabalho que precisa de descansar. Domina o jogo, tem bola. Mas nas calmas, que a vida não está para correrias. A intensidade é baixa, mas vai sempre caindo. O adversário sente o resultado em aberto. Vai ganhando vida, pouco a pouco. Quando dão por isso os jogadores do Benfica passam a ficar inquietos, e a equipa volta ao nervoso do início do jogo. 


Tem sido assim, e assim voltou a ser. Ainda o Casa Pia não começara propriamente a ganhar vida quando surgiu a oportunidade clara de empatar o jogo, num precipitado penálti de Florentino, de regresso à equipa. A falta de ritmo tem consequências destas. 


Trubin defendeu (pela segunda vez, depois de Portimão), a Luz suspirou de alívio, e a equipa pareceu ter percebido que teria de acordar. Di Maria entrou para substituir Neres. E Jurásek para o de Bernat, substituição que só se percebe por Shemidt entender que precisa de dois jogadores para ter um lateral esquerdo. Mas nem dos dois consegue fazer um. Depois entrou Tengstedt, para o lugar da contínua nulidade de Cabral. Aí, na posição 9, nem de três consegue fazer um.


Deu em pouco esse espécie de reacção ao penálti defendido por Trubin. Bem espremido, deu num golo anulado a António Silva, e num único remate, o de Di Maria logo após a entrada, para a defesa da noite do guarda-redes do Casa Pia. Que, a 10 minutos do fim, empatou. Com um golo inacreditável, num remate sem qualquer espécie de ângulo com Trubin, depois de herói, a passar a réu, com a bola a passar-lhe entre as pernas.


Aí o Benfica acordou. E no que restou do jogo - um quarto de hora, com a compensação - voltou ao nível do último quarto de hora da primeira parte. Mas faltou-lhe a sorte - duas bolas nos ferros, de Florentino (na trave, com a bola a ressaltar para as costas do guarda-redes, o que dá sempre golo, e a sair pela linha de fundo) e António Silva (ao poste) - que a equipa, em boa verdade, não fez por merecer. 


Também a (falta de) sorte entra neste compacto que demonstra a irregularidade do Benfica desta época. Mas não a explica. E o que se está a passar no Benfica precisa de explicação. 


É preciso, por exemplo, perceber se o que está acontecer, depois do que aconteceu na última época, tem algum paralelo  com o que aconteceu há três anos com Bruno Lage. A ideia que se vai formando é que é decalcado a papel químico, se ainda alguém se lembra do que isso é.


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Dia de emoções fortes na Nazaré. Porque as ondas não faltaram ao encontro. Porque o surfista brasileiro Carlos Burle poderá ter batido hoje o recorde de Garrett Mcnamara. Mas, acima de tudo porque, antes, salvou a compatriota Maya Gabeira (na foto) da morte...


A jovem brasileira caiu quando, pouco de pois das 7 da manhã, surfava uma onda gigante. Foi recuperada das águas, inconsciente, a partir da intervenção corajosa e arriscada do seu colega. Partiu um tornoselo, nada mais. Felizmente!


Mcnamara não foi à àgua - vai estar por cá ainda todo o próximo mês - e percebe-se que está aberta a caça ao seu recorde. Se não caiu irá certamente cair, batido por um ou por outro. Ou por ele próprio!

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

O veto de Marcelo e as ponderações de Costa

Marcelo veta decreto de privatização da TAP, Presidente quer mais  "transparência" - Expresso


O Presidente Marcelo vetou e devolveu ao Parlamento o diploma da privatização da TAP. António Costa respondeu que tomou boa nota das preocupações do Presidente, que serão ponderadas.


Tem sido assim muitas vezes. Marcelo tem vetado muita coisa; e António Costa tem sempre registado. Na maioria das vezes muda qualquer coisa para que tudo fique na mesma. Raramente não muda nada para que tudo fique na mesma. No primeiro caso - frequente -, Marcelo fica satisfeito. No segundo - raro - fica furioso.


Tudo indica que volte a ser assim, mesmo quando parecia que, desta vez, não poderia ser assim.


O que António Costa quer deste diploma é que tudo fique em aberto para tudo negociar no processo de privatização. Quer, por isso, que as regras sejam estabelecidas no caderno de encargos. O que o primeiro-ministro quer é que as regras para a privatização sejam as que vierem a ser negociadas. Ao referir-se à transparência, Marcelo quer dizer que as regras devem ser estabelecidas à partida, para que sejam iguais para todos.


Estas duas posições, mais que inconciliáveis, são antagónicas. Nessa medida não seria possível a António Costa mudar qualquer coisa para tudo ficar na mesma. Mas como Marcelo resolveu não ser claro, e transformar a questão fundamental da transparência em apenas uma de três - "pedindo clarificação sobre a intervenção do Estado, a alienação ou aquisição de activos e a transparência da operação" - lá volta a ser possível o que parecia impossível.


Outra vez!


 

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Como tudo era diferente há um ano...


O Benfica fechou a primeira volta da fase de grupos da Champions esta noite na Luz, com os espanhóis da Real Sociedad. Nem tão cheia como se dizia, nem tão cheia, nem vibrante como é habitual.


Que não havia realmente muitos motivos para grandes entusiasmos provou-o o jogo praticamente desde o apito inicial. Quando, há boa maneira portuguesa, depois do desastre na primeira jornada com o Salzburgo, e daquela segunda parte em Milão, alguns diziam que a chave do apuramento estava na dupla jornada com a equipa basca, e na possibilidade de aí somar os 6 pontos em discussão, entrava-se no domínio do sonho.


Quem minimamente acompanhe, e aprecie, o futebol percebia que esta Real Sociedade é a melhor equipa do grupo. A que tem melhor qualidade de jogo, a que joga mais e melhor, a que tem mais automatismos instalados na equipa e, a par da do Inter, a que melhor sabe controlar os ritmos do jogo. E percebia que os seis pontos não estavam ao alcance deste Benfica, desta época.


O que a equipa basca mostrou esta noite na Luz não surpreendeu ninguém. A surpresa é que tenha surpreendido  os jogadores e a equipa técnica do Benfica. A não ser que Roger Schemidt não tenha sido surpreendido, mas apenas incompetente.


O Benfica do ano passado tinha condições para discutir o jogo de igual para igual com este adversário. Este, não!


Quando uma equipa não tem argumentos para discutir o jogo com a adversário na mesma toada de resposta, tem de encontrar uma estratégica para contrariar essa inferioridade. Para isso, primeiro, tem de haver a humildade de a reconhecer. Depois, tem de encontrar outros argumentos que anulem, ou compensem, aquilo em que o adversário é melhor. Chama-se "organização". Às vezes, e nem sequer é assim tão raro, com uma boa organização, que contrarie os pontos fortes do adversário, acaba até por ser melhor quem não é o melhor.


A ideia que ficamos deste jogo é que, em vez de procurar contrariar aquilo em que o adversário era melhor, Roger Schemidt preferiu simplesmente ignorar que o adversário era melhor. Chama-se a isto enfiar a cabeça na areia. E começa a ser demasiado frequente não ver a cabeça de Schemidt. 


O resultado não poderia ser outro que não o "banho de bola" da Real Sociedade. E o Benfica não poderia ser outra coisa que não uma equipa desorganizada, com os jogadores perdidos em campo a correrem atrás da bola.


Apenas episodicamente assim não aconteceu. Mas foram simples e momentãneos episódios, nunca uma estratégia de abordagem ao jogo. O mais duradouro foi naqueles cerca de 10 minutos, depois dos 5 iniciais, em que o Benfica marcou um golo - anulado por fora de jogo milimétrico de Rafa no arranque da jogada - e construiu uma única oportunidade, que Musa não soube aproveitar, com um remate por alto. Os outros - poucos - aconteceram pelo inconformismo, pela vitalidade - e diria até pelo benfiquismo - de Tiago Gouveia, que entrou a 20 minutos do fim, a substituir Neres.


Três jogos, três derrotas. Zero pontos e nem um golo marcado. Tudo isso com dois jogos em casa, e apenas um fora. Os oitavos da Champions nem miragem já são. E, muito provavelmente, nem para o play-off de acesso à Liga Europa já vai dar. 


Como tudo era diferente há um ano. Sim, há um ano havia Enzo, Grimaldo e Gonçalo Ramos. Mas explica tudo?


Não. Há certamente outras explicações. 


 


 


 


 

Há 10 anos

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Um orgulho igual à chama: enorme. A Bela, com o grande se não de apenas dois campeonatos...


À atenção de quem de direito: cuidado, a Catedral anda a ficar muito despida. Para 10 anos não é muito aconselhável e, com o inverno à porta, pode dar em gripe, se não mesmo em pneumonia.

Está visto: há coisas que não se podem dizer ...

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres


Paddy Cosgrave ("war crimes are war crimes even when committed by allies,”) já foi ... 


Guterres (é "importante reconhecer" que os ataques do grupo islamita Hamas "não aconteceram do nada"; e "o povo palestiniano foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante"que se cuide... Nem sei com o que mais se deve preocupar: se com a exigência de demissão do embaixador de Israel nas Nações Unidas; se com a sobranceira pergunta (“em que mundo vive"?) do seu MNE.

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Perto de três semanas depois a equipa do Benfica continua sem melhoras. Há problemas que só o tempo resolve, não adianta procurar soluções. E há outros que o tempo pode não resolver, mas ajuda.


Não são desses, ao contrário do que muita gente pretendia convencer, os problemas do Benfica. O tempo não os resolve nem sequer os ajuda a resolver, pelo contrário: agrava-os!


Por isso, três semanas depois, o Benfica apresenta os mesmos problemas: não tem futebol, não pressiona, não tem capacidade física nem anímica, não crê nem quer.


Não é de tempo o problema do Benfica, mesmo que tenha sido o tempo a resolver hoje as coisas. Mas outro tempo, o temporal que se abateu sobre Lisboa. O tempo e um guarda-redes de outro tempo…


Não fora o tempo que impediu que se jogasse futebol no relvado da Luz durante praticamente toda a segunda parte, e o facto de o guarda-redes Roberto estar agora do outro lado – mau seria que quem tanto prejudicou não encontrasse forma de minimamente se redimir – e o Benfica não teria evitado mais uma derrota que comprometeria decisivamente a continuidade na Champions.


Sim, porque enquanto foi possível jogar a bola o Olimpiakos foi sempre superior. Sim, porque este jogo era mesmo decisivo, como o treinador espanhol (Mitchel) da equipa grega bem salientou.


Este jogo era decisivo, e como ficou empatado, o próximo, em Atenas, também o é. Como o seguinte, em Bruxelas… 


Só não o era, e compreende-se que o não fosse, para o treinador do Benfica: Jesus nunca ganha os jogos decisivos, por isso trata de os desvalorizar. O problema é que agora já nem sequer ganha os que o não são.


Como problema é que, agora, desvaloriza jogadores a um ritmo superior ao que antes valorizava. Problemas que o tempo não resolve. Agrava!

domingo, 22 de outubro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Muito e diversificado foi o que se escreveu sobre a entrevista de José Sócrates ao Expresso. Escreveu-se, como sempre, contra e a favor de Sócrates. Escreveu-se em função dos pontos de partida (e de chegada) de cada um perante uma das mais controversas figuras da vida política nacional.


Escreveu-se sobre a hipocrisia política, em que é mestre. Sobre a habilidade para contornar o que incomoda, e até para mentir, no que não fica atrás. Mas, mais que tudo, sobre uma imprevisível e irreconhecível linguagem, bem mais que informal, a sugerir a descolagem de uma imagem pública desgastada por uma figura política odiada, para abrir espaço a uma personagem distendida, que lhe abra umas frestas por onde entrem alguns raios de popularidade, indispensáveis mesmo a quem diz não pretender voltar aos favores do povo.


Mas pouco ou nada se escreveu sobre o trabalho jornalístico de excelência da Clara Ferreira Alves, um incontornável trabalho de referência na especialidade. Quando em qualquer escola de jornalismo se ensinar entrevista na variante de peça escrita, mesmo que muitos possam achar que contrarie e fira princípios de isenção e de imparcialidade jornalística, este trabalho terá que lá estar.


É verdade - não é neutro, nem sequer isento. É mesmo empenhado, é envolvido, e às vezes quase militante, sem nunca o chegar a ser…


Mas, para apesar de tudo isso ser um grande trabalho, tem mesmo que ser um enorme trabalho!

Sim, Verstappen voltou a ganhar. Mas ...

F1: Verstappen vence o GP dos Estados Unidos; Hamilton é P2 e vê vantagem  de Perez diminuir - Notícia de F1


Verstappen - já com o título campeão no bolso, assegurado no Catar há duas semanas, a cinco corridas do final - ganhou o Grande Prémio das Américas, em Austin, no Texas. Como já ontem ganhara a corrida sprint.


A novidade não é, pois, a vitória de Versttapen - a 15ª da temporada, igualando desde já esse recorde estabelecido na época passada, dez delas consecutivas. A novidade - e grande! - é que não foi o holandês que ganhou esta corrida, mas a Mercedes que a perdeu.


Foi um grande espectáculo de Fórmula 1, e uma das mais disputadas corridas da época. Quatro carros diferentes (um Red Bull, um Mercedes, um Mclaren e um Ferrari) nos quatro primeiros lugares. E já havia sido assim na corrida sprint, a confirmar que as principais equipas se estão finalmente a aproximar da Red Bull. E a confirmar o regresso da Mclaren ao pelotão da frente, passando de surpresa a certeza nesta segunda metade do campeonato, mesmo que ainda não tenha superado (nem na classificação de pilotos, nem na de construtores) a surpresa Aston Martin na primeira.


A Mercedes demonstrou ao longo do fim-de-semana capacidade para discutir a corrida com a Red Bull (e com a Mclaren e a Ferrari, na primeira linha da grelha de partida, com Leclerc na pole, e Norris ao lado, mas logo na frente na partida). Hamilton, que já fora segundo na corrida sprint, saiu no terceiro lugar. Partiu mal, ficou logo atrás do Mclaren de Norris e dos dois Ferraris, e até poderia ter corrido mesmo muito mal se este Verstappen (levantou o pé) fosse o de há três ou quatro anos. Mas, a partir daí fez sempre uma corrida a grande ritmo, limpa e equilibrada.


Fez o suficiente para ganhar, ele que já vai para dois anos sem ganhar uma corrida. Faltou à equipa corresponder ao desempenho do carro e de Hamilton. Pareceu que tinha partido com uma estratégica de uma única paragem para mudança de pneus, que a corrida mostrou ser de todo inviável, e adiou a primeira paragem. 


Com isso, com o erro de timing para a paragem, e com a própria operação - que tão bem correu com Russel, e que foi quase desastrada com Hamilton (3,3 segundos a mudar pneus quando todos os adversários, e o próprio colega de equipa, o faziam na casa dos 2 segundos, bem próximo dos fantásticos 1,8 segundos da Mclaren no Catar) - o hepta-campeão perdeu 13 a 14 segundos para Verstappen. E deixou de o ter atrás, para passar a tê-lo à sua frente.


Em corrida, o Mercedes e Hamilton, estiveram sempre melhor que o campeão holandês. Acabou a pressionar Verstappen, e terminou a 2 segundos - chegando até a aproximar-se da diferença do segundo, que lhe daria a possibilidade de utilizar o DRS.


Claro que  ninguém poderá garantir que, sem os erros da primeira troca de pneus, Hamilton ganharia. Mas quando se acaba a 2 segundos, e se desperdiçaram 14, é difícil deixar de concluir que foi a equipa da Mercedes que perdeu esta corrida. Muito antes de Verstappen a ganhar!


PS: Soube-se, já no dia seguinte ao da corrida, que Leclerc e Hamilton foram desqualificados porque os blocos de derrapagem, que se situam por debaixo dos carros dos dois pilotos, não estavam de acordo com os requerimentos. Não altera nada do que foi a corrida. Altera, e muito, as classificações. E deixa mais difícil o "assalto" de Hamilton ao segundo lugar da classificação do mundial de pilotos, que parecia ter tudo para ser bem sucedido.


 


 

Bobby Charlton (1937-2023)

Deus Salve o Rei, Bobby Charlton


Sir Boby Charlton. No tempo em que o futebol ainda era um jogo de cavalheiros...

sábado, 21 de outubro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


António Pires de Lima, actual ministro da economia e ex-ministro da economia do novo ciclo, do CDS, anunciou em Londres que Portugal está a preparar o programa cautelar para começar a negociar no início de 2014.


Moreira da Silva, actual ministro do ambiente, da ordenação do território e da energia, e ex-Marco António Costa do PSD, diz que sabe o que é um programa de resgate, que é aquilo a que Portugal está sujeito até Julho do próximo ano, mas que não sabe o que é um programa cautelar. E reforça:  "Essa notícia deve ser clarificada. Programa cautelar é uma definição que ainda não existe no espaço público e por isso não me quero pronunciar".


Quer dizer: o programa cautelar - que Moreira da Silva nem sabe o que é - existe no governo, não existe é no espaço público. E quando vier a existir, Moreira da SIlva diz que não será o CDS a dar-lhe existência. Continua bem a coligação. De boa saúde, recomenda-se...


Entretanto, à cautela, Carlos Moedas reforça a equipa de "acompanhamento da execução de medidas do memorando". Com dois especialistas, de 21 e 22 anos, de "excelentes currículos académicos" e vasta experiência profissional:um estágio profissional de 3 meses no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego!


Não há programa cautelar que nos resgate a esta gente!

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Enquanto a selecção nacional devia procurar alcançar a qualificação directa para o Brasil, a mensagem era que não havia problema nenhum, que o segundo lugar também dava… Keep calm, no pasa nada...


Lá chegados, começaram os problemas. Começou afinal a perceber-se que não era bem assim, que chegar ao play-off não significava mais que disputar com um adversário o direito a chegar ao Brasil. E foi essa ideia – disputar com um adversário – que levou a consciencializar que já não havia Bósnias, o sparring partner das últimas qualificações. E mais: que não havia Bósnia porque já lá estava, no Brasil. Porque, depois de anos a ficar de fora, percebeu que chegar ao play-off não era chegar aos palcos das fases finais. E por isso tratou de ganhar o seu grupo, deixando à selecção da Grécia – de Fernando Santos – as preocupações com o apuramento fora de horas.


A França é que não – dizia Cristiano Ronaldo e diziam todos. Portugal, não – diziam alguns dos franceses, que não Ribery. Depois de três vezes despachada – uma por Platini e duas por Zidane - achava-se que a selecção portuguesa evitaria por isso mesmo a equipa francesa, graças ao mesmo mas agora outro Platini.


A Islândia é que dava jeito, dizia-se. Era a prenda no bolo onde a fava, contando com a mãozinha do francês que manda na UEFA e quer mandar na FIFA, era agora a Suécia. De Ibrahimovich, o cada vez mais especialista em golos incrivelmente espectaculares!


E foi mesmo, para que ninguém mais se esqueça que o play-off é um caminho suplementar para o Brasil e não um simples carimbo para retardatários.


Ah… o brinde – a Islândia – saiu à Croácia. A França também se não pode queixar – calhou-lhe em sorte a Ucrânia. O resto fica por conta da Grécia e da Roménia! 

Boa(s) estreia(s)


A estreia do Benfica na Taça foi um jogo de estreias. E de inéditos.


A equipa chegou à Terceira já no próprio dia do jogo, o que, se não é inédito no futebol de alta competição, andará lá perto. E a horas impróprias, já depois da uma da manhã. Valeu que não houve mais incidentes. E que também o jogo não foi acidentado, apesar de ter sido disputado debaixo de uma tempestade, que tornou o estado do terreno muito propício a lesões e pouco a bom futebol.


Foi ainda assim "Taça", a festa do futebol. Com o Estádio João Paulo II esgotado, como sempre acontece onde o Benfica vai jogar. 


Do jogo há a destacar a boa prestação do Lusitânia dos Açores, uma equipa do Campeonato de Portugal, o quarto escalão do futebol nacional, que joga futebol. Claro que defendeu muito, mas viu-se que quis e soube jogar sempre que teve oportunidade de ter a bola. 


Do lado do Benfica, que jogou o que se esperaria que jogasse - nestes jogos "da festa da Taça", sabendo-se que a motivação está sempre do lado dos Davids, os Golias têm essencialmente que ser sérios e profissionais - há que destacar as estreias, na estreia. E não foram poucas.


João Mário estreou-se a marcar esta época, depois de ter sido goleador na anterior (praticamente toda a época a par de Gonçalo Ramos, no cimo da lista dos melhores marcadores). E com que classe estreou também o placard...


Arthur Cabral estreou-se - finalmente! - a marcar pelo Benfica. Já desesperava. Foi o terceiro, quando no marcador resistia o 1-2 que vinha do intervalo. Depois do penálti (outro assinalado a Aursenes, de novo na sequência de um canto, e de novo ao elevar-se para disputar a bola; daqueles que só são mesmo marcados contra o Benfica) com que o Lusitânia reduzira a desvantagem de dois golos, atingida com o golo de Rafa. Também de classe. 


Tiago Gouveia teve duas estreias. Estreou-se na equipa principal em competições nacionais (apenas tinha jogado sete minutos naquela malfadada noite de estreia na Champions, com o Salzburgo, na Luz); e estreou-se também a marcar. Foi dele, apesar de João Mário e Rafa terem colocado a fasquia bem alta, o golo da noite. Afinal bastaram-lhe 20 minutos (7 no jogo da Champions e 13, hoje) para marcar o seu primeiro golo no Benfica.


E Gonçalo Guedes estreou-se nesta época. E a forma como se estreou deixa a ideia que vem aí um grande reforço, capaz de dar ao jogo coisas que faltam ao futebol do Benfica. Desde logo, remate. Mas também pressão alta. Marcou dois golos, mas nenhum foi validado. No primeiro, a concluir a melhor jogada colectiva do Benfica, acabou por se perceber que Juracék, no início da jogada, estava em fora de jogo. O segundo não deu para perceber. Melhor, deu para perceber que o Gonçalo não empurrou ninguém ao saltar à bola, e que o defesa adversário, para não saltar com ele, decidiu fingir-se de empurrado.


Boa(s) estreia(s), portanto!

Há 10 anos

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Procuramos incluir o mínimo de questões com polémica” – diz Passos Coelho. Sempre bem sucedido, sempre a atingir objectivos…


E convencido: “está convencido que as soluções que encontrou são soluções que estão de acordo com a nossa prática constitucional”. Naturalmente: a sua prática constitucional é ignorar a Constituição!


Tudo isto no Panamá, ao lado do presidente que ia dizendo que fiscalização preventiva do orçamento é que não. Não foi assim o ano passado, não será assim este ano.


Ah! E sobre aquele funcionário da Comissão Europeia nem uma palavra... Não tem importância nenhuma!


 

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Fazer política, IUC e "chico-espertismo"

Justiça social justifica subida do IUC e descida do IRS - Política -  Correio da Manhã


Nas contas do "chico-espertismo" da dupla Costa/Medina não entrava a turbulência política criada pelo agravamento do IUC para os veículos matriculados depois de 2007.


Já circula por aí um "abaixo assinado" com perto de 300 mil assinaturas contra a medida que, obviamente, penaliza os mais desfavorecidos. O assunto é tema de "foruns" nas rádios, e foi tema também no debate quinzenal de ontem na Assembleia da República - "crueldade fiscal", chamou-lhe o líder do IL -, obrigando António Costa a mais um número de "chico-espertismo" mal amanhado. Primeiro, questionando-o: "Fazer política implica fazer escolhas. O senhor deputado tem que escolher, prefere mais 25 euros de IUC ou menos 874 euros de IRS?". Depois, dando ele próprio a resposta: [a escolha] "é muito simples". "É que eu quero baixar os impostos sobre os rendimentos do trabalho e sobre os rendimentos dos pensionistas porque quero maior justiça social em Portugal". E, depois ainda, tirando da cartola a questão ambiental: [a oposição] "tem que decidir se a emergência climática é todos os dias ou é só à segunda, quarta e sexta-feira, e já não é às terças, quintas, sábados e domingos".


Como se uma coisa fosse outra coisa...


"Fazer política é fazer escolhas". Para António Costa, "fazer política", muito mais que fazer escolhas, é fazer números destes. 


Claro que não são questões ambientais e, muito menos - evidentemente pelo contrário - de justiça social, que estão por trás desta medida da Proposta de Orçamento que, manda o bom senso (que deveria fazer parte de "fazer política") deva cair na aprovação final. 


Por trás estão as contas da "chico-espertice" de baixar as portagens das ex-SCUTS à custa dos que nem têm transportes públicos para se deslocar, nem dinheiro para trocar o "chasso" velho em que terão de continuar a deslocar-se. 


"Contas certas" - como é seu timbre. De superavit, como o governo gosta: os 84 milhões de euros do agravamento do IUC nesses carros, superam em 12 milhões os 72 milhões de euros gastos na redução das portagens em algumas autoestradas do Interior e do Algarve!


Por trás, está ainda outro "chico-espertismo". Porquê 2007?


Porque foi em 2007 que o IUC foi criado. Até aí pagava-se o imposto de circulação, aquele selo (na altura começava a não haver vidro para tanto selo) que se colava no pára-brisas, por baixo ou por cima do do seguro e do da inspecção. E pagava-se a totalidade do ISV (imposto sobre a venda de veículos, que se mantém para os não eléctricos, como se mantém a ilegal dupla tributação com o IVA) no acto da compra, ou mais propriamente da matrícula. A partir daí passou a chamar-se IUC - o imposto único de circulação. Que não era nada único: juntava ao anterior imposto de circulação uma parte retirada ao ISV para "suavizar" o momento da compra. 


Os proprietários dos carros comprados até 2007, com esta medida penalizados com subidas do imposto que podem chegar aos 400%, vão na realidade voltar a pagar um imposto o que já tinha sido pago quando o compraram. É tripla tributação!


O "chico-espertismo" está também aqui. É que a grande - imensa - maioria dos proprietários destes carros já não são os que os adquiriram em novos. A grande - imensa - maioria destes carros estão em segunda, terceira ou quarta mão. E esses não sabem nada dessa tripla tributação. Sabem apenas que o IUC que o irmão, o primo ou amigo pagam pelo "chasso" igual, com 16 anos, apenas um ano mais velho que o seu, e que até não se nota nada, é o quadruplo, o quíntuplo ou ou sêxtuplo do IUC que pagam. 


Por isso Fernando Medina achou que eles não se importavam nada com isso. E se calhar não importavam... Mas há quem se importe. E isso também é "fazer política"!


 


 

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Há 10 anos

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… Vá-se às PPP rodoviárias!


Dito por um banqueiro é outra coisa. Como diria alguém que já cá não está: E esta hein


 

"A primeira vítima da guerra é a verdade"

Crime de guerra.″ Ataque a hospital em Gaza terá feito pelo menos 500 mortos


O ataque de ontem ao Hospital Batista Al-Ahli, em Gaza, roubando de imediato a vida a cerca de quinhentas pessoas, é a perversão da guerra. É ultrapassar os limites da estupidez, da brutalidade e a hipocrisia na guerra.


Não é novidade que nas maiores monstruosidades da(s) guerra(s) as partes se acusem reciprocamente, como o fazem o governo de Netanyahu e os terroristas do Hamas. É assim há muito tempo, e é assim em todas as guerras. Vem nos manuais.


O que talvez seja novidade é a forma como a água e o azeite se misturam desta vez. Sabe-se que a verdade se comportará sempre como o azeite. Por mais que agitem a mistura, como parece que Biden ajudou hoje de fazer na sua visita a Israel.


Ésquilo, há milhares de anos, na antiga Grécia, também deu uma ajuda ao declarar  a verdade como a primeira vítima da guerra. 


 


 


 


 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Há 10 anos

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A Comissão Europeia advertiu o Tribunal Constitucional que “esta não é a altura certa para se envolver em activismos políticos”. É a Comissão Europeia, o órgão mais ilegítimo e anti-democrático da União Europeia, a imiscuir-se na política interna de um país membro, a violar um dos princípios da sua própria constituição e a promover a violação do princípio da separação de poderes num Estado de Direito, justamente o primeiro e fundamental requisito para a adesão.


Mas a Comissão Europeia tem rosto, e estes são rostos portugueses!


São cidadãos portugueses que estão – não sei se em vão – a usar o nome da Comissão Europeia para ilegitimamente e de forma absolutamente intolerável pressionar o Tribunal Constitucional. Durão Barroso deu o exemplo, a ajudar-nos a lembrar da importância de ter um português ano topo da União Europeia. Como o exemplo veio de cima, os funcionários correm a imitá-lo.


Este podia chamar-se Miguel Vasconcelos, mas chama-se Luiz Pessoa e é o chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal. E deveria evitar aproximar-se das janelas...

Há 10 anos

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Mário Soares segue e soma, sem sequer uma pausa para descanso. Não fosse isso, a deixar a ideia que dispara em todas as direcções e sobre tudo o que mexa, e seria bem maior o peso daquilo que diz.


Não fosse isso – isso e alguns flancos pouco protegidos que fazem com que se multipliquem os anticorpos – e o regime abanaria quando diz que os membros do governo são delinquentes, e que devem ser julgados. Não fosse isso e, como escreve hoje Fernando Dacosta no i, Mário Soares seria o líder da oposição que falta ao país. Não fosse isso, isso e o capital político que desperdiçou nas lutas eleitorais em que, fora de tempo e de nexo, se envolveu depois do seu último mandato presidencial, e seria a voz da ressonância do protesto português.


Não fosse isso e o eco da sua pergunta de hoje - “Porque é que o Presidente da República não é julgado pelo BPN?” - seria equivalente ao estrondo da própria pergunta...


É certamente inédito que, dentro do mesmo regime, um ex-presidente da república chame delinquentes aos membros do governo, reclame o seu julgamento e sugira que há também razões para levar a julgamento o presidente da república em exercício.


Se da parte do governo não veio qualquer reacção, já Cavaco reagiu de imediato, reiterando  “que a única relação que teve com o BPN foi a de depositante”. Mas acrescentando mais uma razão para ser levado a julgamento: por mentir e enganar os portugueses que, como se sabe, não é em Portugal razão para tanto.


Porque, como está farto de saber que nós sabemos, ele não foi um simples depositante. Foi accionista, teve acções, por convite e sem preço de referência da Sociedade Lusa de Negócios, não cotada em bolsa. Lucrou - o lucro não é condenável, mas o lucro anormal é suspeito – em muito com isso. Porque, como ele está farto de saber que nós sabemos, Oliveira e Costa e Dias Loureiro quando fundaram aquela associação criminosa com nome de banco já não eram, como ele diz, ministros dos seus governos. Mas foi à sombra dos seus governos, do partido que liderava e contando com a sua protecção – como ficou mais que evidente na forma como aguentou Dias Loureiro no Conselho de Estado – que o fizeram. As acções que lhe foram parar às mãos reflectem isso mesmo: a sua sombra protectora!

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Talento à solta

Um resultado tão desnivelado ao intervalo? Jogo na Bósnia é histórico para  Portugal :: zerozero.pt


Garantido o apuramento na sexta-feira, hoje, na Bósnia, a selecção portuguesa de futebol assegurou o primeiro lugar na classificação do grupo de apuramento para o Euro 2024, na Alemanha, com uma goleada (5-0) a confirmar a inédita sequência de oito vitórias consecutivas.


Diz-se, em futebolês, que uma equipa joga o que a outra deixa. Se assim é, na primeira parte - período em que se construiu o resultado - a Bósnia deixou muito; e Portugal jogou muito. Tanto que foi um regalo para a vista. Tanto que até fez esquecer as muitas coisas que tanto fazem para afastar o público do futebol da selecção nacional. 


Sim, a selecção tem, e tem tido, público. Mas é o seu público. Não é exactamente o mesmo!


Nesta primeira parte, com quatro mudanças (com as entradas de Gonçalo Inácio, Danilo, Octávio e João Félix, e as saídas de António Silva, Palhinha, Bernardo Silva e Gonçalo Ramos) na equipa, relativamente ao último jogo, com a Eslováquia, a selecção aproveitou o que a Bósnia deixou jogar para soltar o talento que lá tem dentro, tantas vezes reprimido. E dar espectáculo. Talvez tenha sido a fanfarronice dos bósnios antes do jogo - que nem é novidade, já no passado tinha sido assim, e Dzeko é até repetente - a explicar o que se passou na primeira parte. À meia hora já contavam com quatro. Ao intervalo já eram cinco, sem os bósnios terem sequer oportunidade de cheirarem a bola.


A segunda parte acabou por ser uma mera formalidade. O seleccionador bósnio, com a humildade que não tivera antes, reforçou o sector defensivo, com a única preocupação de não sofrer mais golos. E passou a deixar jogar menos, quem já não precisava de jogar mais, mas apenas de cumprir o tempo de jogo.


Foi isso a segunda parte. A formalidade para o jogo ficar completo. E altura para Roberto Martinez voltar a testar os três centrais. Ah! E para estrear na selecção um menino de 19 aninhos, acabados de cumprir. 


Foi a primeira vez do talento de João Neves. E a primeira vez é sempre a primeira vez!

Há 10 anos

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A ministra das finanças apresentou ontem uma coisa a fingir de proposta de orçamento para 2014. É tudo a fazer de conta, até ela fez de conta que apresentou!


Não vale a pena perguntar pelo novo ciclo. Não vale a pena perguntar pelo Paulo Portas, que ainda há duas semanas dizia que não vinha aí mais austeridade. Nem pelo Pires de Lima, agora reduzido a simples soldado disciplinado. Nem pedir a Maria Luís Albuquerque que explique lá essa da fase de ajustamento das famílias já ter passado, e que agora é o Estado. O Estado por cuja reforma também não vale a pena perguntar-lhe. A reforma que já vem do programa da troika e que ainda não vem no relatório que Paulo Portas ficou de entregar em Fevereiro!


Não vale a pena perguntar pelo corte das subvenções vitalícias dos políticos. Nem por que é que os automóveis são tão diabolizados nas empresas e tão deificados no Estado, e no governo em particular.


Mas vale a pena dizer que o que fizeram com o enorme aumento de impostos deste ano é o mesmo que vão fazer com o enorme corte de salários e pensões do próximo. Nada!


Nada que não seja destruir ainda mais o que resta da economia e lançar ainda mais os portugueses na miséria. O défice parece mais teimoso que o governo e a troika, não baixa. Este ano fica exactamente igual ao do ano passado, depois de nos ter devorado o enorme aumento de impostos. É maquilhado para os 5,5%, mas apenas isso. Como pensam que será o do próximo ano. E do outro… e do outro…


Os enormes sacrifícios que andamos há três anos a fazer são todos engolidos pela recessão, pela simples razão que apenas provocam empobrecimento. É isto a espiral recessiva, que ainda há pouco tempo o presidente denunciava, mas que agora cala, esconde e protege.


Já não há dúvida: ou o governo e todos os seus aliados internacionais conseguem mesmo intimidar o Tribunal Constitucional, ou este governo acabou de vez. Queira Cavaco ou não queira!


Este, não podendo repetir o enorme aumento de impostos, não é só o orçamento do enorme corte de salários e pensões. Não é sequer um orçamento, é uma enorme fraude!

domingo, 15 de outubro de 2023

Há 10 anos

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O governo despediu – muito gosta de despedimentos, este governo – aquele tipo que o Miguel Relvas tinha escolhido no YouTube para embaixador do Impulso Jovem. O Miguel Gonçalves, “a pessoa certa na hora certa”, nas últimas palavras públicas de Miguel Relvas enquanto ministro e doutor – sairia do governo dois dias depois -, foi despedido logo um mês depois. Mas continua sem saber!


"Ninguém me disse nada", garantiu ao i. "A mim não me foi comunicado isso, ninguém me disse nada", refere o jovem Miguel, uma das mais intensas estrelas do empreendedorismo nacional.


Fonte oficial da Presidência do Conselho de Ministros admite que a decisão não terá passado do gabinete ministerial. Porque não foi possível contactá-lo, e como o cargo era simbólico… e como não houve nomeação…


Isto não acrescenta muito à desorientação, ao improviso e à incompetência do governo. Mas acrescenta bastante a este exemplar empreendedor e especialista na arte de bater punho. Às razões com que justifica o desemprego, acrescenta-lhe mais uma. Dizia ele, se bem se recordam, que "muitos dos que estão desempregados estão desempregados porque: ponto número um, não querem trabalhar e, ponto número dois, são maus a fazê-lo". Acrescenta-lhe agora o ponto número três: porque não sabem, nem deram por isso!

sábado, 14 de outubro de 2023

Há 10 anos

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No discurso sobre o estado da Nação, hoje, na Assembleia Nacional de Angola, José Eduardo dos Santos declarou o fim da parceria estratégica com Portugal - seja lá isso o que for - cuja consequência imediata e óbvia é o cancelamento da cimeira agendada para o próximo mês de Fevereiro, em Luanda.


Não há qualquer surpresa nesta posição. Quem viesse acompanhando nos últimos dias a escalada de violência editorial do Jornal de Angola, depois de conhecidas as absurdas, insensatas e estúpidas declarações do ministro Rui Machete à Rádio Nacional de Angola, percebia que isto estava prestes a suceder.


Isto, seja lá o que for, é para levar a crédito deste incrível ministro dos negócios estrangeiros. Que, pelo que afirmou, Passos Coelho mantinha no governo para não prejudicar as relações com Angola. Pois!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Paulo Portas regressou ontem à noite a palco para mais umas patifarias, ladeado - não se sabe se para compor o ramalhete, se como troféus - pelo secretário de estado Carlos Moedas e pela ministra das finanças, já incapaz de esconder o incómodo pelo papel.


Para falar do corte nas pensões de sobrevivência falou da falta de escrúpulos dos outros, e dos seus queridos idosos. Que gente sem escrúpulos alarmou e aterrorizou - salientou!


Lata e falta de vergonha são atributos que, como bem sabemos, lhe não faltam. Nem, nele, conhecem limites… Então quem é que tinha dado vida às pensões de sobrevivência, uma semana antes? Quem é que passou toda a semana a alimentar fugas cirúrgicas de informação?


Para ser minimamente decente Paulo Portas diria quem é que teve a ideia de criar e quantificar este corte sem que fizesse a mínima ideia de como lá chegar. Porque deixou bem claro que, primeiro, mandaram a medida cá para fora, e só depois foram à procura da maneira de a operacionalizar. Explicaria por que razão é que, apenas a dois dias da data de entrega do orçamento, e depois de mais de 10 horas de reunião do governo, vem esclarecer isto. E apenas isto, que apenas representa 2% do total de cortes. Ou diria mesmo que já lhe tinham faltado escrúpulos e seriedade quando, dez dias antes, com a mesma senhora ao lado, anunciara ao país que não vinha aí mais austeridade…


 


PS: Peço desculpa pelo lapso: o segundo acompanhante era o ministro Mota Soares, e não o Secretário de Estado Carlos Moedas.

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Apuramento para o Euro 2024


A selecção nacional de futebol garantiu hoje a presença na fase final do Campeonato da Europa de 2024, na Alemanha. A notícia não é o apuramento. A selecção portuguesa é já um cliente habitual das fases finais das maiores competições de futebol, e leva já 13 apuramentos consecutivos, entre mundiais e europeus. A notícia é tê-lo conseguido a três jornadas do fim, com o pleno (sete) de vitórias.


Nunca tinha conseguido um apuramento tão tranquilo, e bem nos lembramos como tantas vezes só foi atingido em última instância. Nos chamados "play offs", como no último Mundial. 


O "feito" é naturalmente consequência da valia dos jogadores portugueses. São poucas as selecções com tanto talento disponível, mesmo faltando-lhe ainda o de mais alguns indisponíveis, pelas razões conhecidas. Mas também de um grupo de apuramento sem grandes dificuldades, mesmo o mais fácil dos últimos largos anos. Basta recordar que a Eslováquia, o adversário desta noite, no Dragão, é claramente o mais forte. E que disputa agora o apuramento com o Luxemburgo, a quem a selecção nacional marcou 15 golos no duplo confronto. Nos cinco jogos com os restantes adversários, o Luxemburgo sofreu dois golos. E a Eslováquia, um!


O outro "feito" que a selecção procurava era o apuramento sem golos sofridos. Não o conseguiu porque sofreu hoje dois golos, os primeiros, numa vitória tangencial por 3-2. Como tangencial tinha sido o 1-0 da vitória em Bratislava. Igual ao de Helsínquia.


O resultado de hoje tem mais de mentira do que de verdade.


A selecção jogou, criou e rematou para marcar muito mais que três golos. Para além de uma bola (Gonçalo Ramos) no poste, de meia dúzia de grandes defesas de Dúbravka, o guarda-redes do Newcastle, houve ainda uma série de oportunidades claras de golo desperdiçadas. 


Teve períodos do jogo brilhantes, e exibições individuais ao nível da sua qualidade e talento, num 4x4x2 inédito na era Roberto Martinez. Cristiano Ronaldo (dois golos, os últimos dois, o primeiro dos quais de penálti) - já se sabe - tem lugar cativo durante 90 minutos. Mas é assim ... E Rafael Leão, o primeiro a ser substituído (por João Félix, renascido em Barcelona), pareceu sempre pouco ligado com a equipa. Os restantes estiveram a bom nível ... até poderem. Até o desgaste físico - agravado pelas condições do campo, dada a chuva forte que caiu durante todo o jogo - e a reacção dos jogadores eslovacos, fisicamente mais fortes, lho permitirem.


O que tem de verdade são os dois golos marcados pela Eslováquia em quatro remates. E o susto que chegou a provocar. Com os golos, o primeiro a reduzir o curtíssimo 2-0 da primeira parte para 2-1, e o segundo a praticamente anular a rápida reacção portuguesa com o terceiro, três minutos depois. E a quebra do meio campo português na segunda parte, quando o Palhinha deixou de ser suficiente para sozinho o segurar, e os eslovacos passaram a ganhar os duelos e as segundas bolas que antes perdiam. Com Roberto Martinez simplesmente a assistir ...


E, espera-se, a aprender alguma coisa com o que via. O talento, sozinho, ganha os jogos com estes adversários. Para outros é preciso muito mais. É preciso ordem e rigor. Sem cedências ...


 

Israel: legitimidade na democracia?

Apoio árabe à causa palestina cresce após ataque do Hamas contra Israel -  10.10.2023, Sputnik Brasil


O conflito Israel-Palestina entrou decisivamente na sua fase mais brutal e constitui, hoje, apesar da guerra na Ucrânia - entretanto já em segundo plano -, a maior ameaça para o Mundo.


Sobre o ataque terrorista do Hamas desencadeado há uma semana - completa-se precisamente amanhã - já aqui escrevi, condenando-o sem reservas. Mas relevando também a responsabilidade israelita, e particularmente a do tenebroso Netanyahu na formação do Hamas e do Hezbollah, com o objectivo central de aniquilar toda e qualquer contra-parte de diálogo (acabando com a laica e moderada OLP) e para um conflito que é um somatório de 78 anos de guerras, massacres e atentados ao Direito Internacional.


Todas as guerras tem as suas narrativas, e a sua História é sempre escrita pelos vencedores. Integra a narrativa actual que Israel é a única democracia daquela região, e o único regime em que é possível viver à luz dos valores civilizacionais de um mundo decente, como se isso bastasse para legitimar uma História de 78 anos de atropelos a grande parte desses valores.


Foi por deliberação da ONU que, em 1948, foi criado o Estado de Israel, ocupando praticamente 80% do território da Palestina, até aí ocupado praticamente apenas por palestinianos. 78 anos depois, contrariando todas as deliberações da Organização que o criou, todas as resoluções do Conselho de Segurança, o Estado de Israel ocupa 90% desse mesmo território, depois de ocupar com colonos ilegais a Cisjordânia, e reduzir a população palestiniana a 21%, fechada e cercada por um muro na faixa de Gaza, a que agora acaba de de cortar a água, a alimentação, a electricidade e a energia a mais de 2 milhões de civis. E ocupou totalmente Jerusalém, de que fez capital. 


Onde está a legitimidade?


E a democracia? 


É certo que que há eleições, tantas vezes quantas as necessárias para manter Netanyahu no poder, apesar de tão cercado de crimes e corrupção, como cercados estão os palestinianos na prisão de Gaza. É certo que é permitida (até quando?) voz aos poucos israelitas que se opõem aos crimes do Estado. É certo que Michael Sfard ainda não está preso. Mas não é menos certo que o aumento sucessivo da influência dos ortodoxos, e a liderança política de Netanyahu, hoje pouco distingue o fanatismo religioso do poder israelita do dos radicais islâmicos.


Como pouco distingue a "democracia" de Netanyahu e a do seu aliado Putin!


 

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não é apenas nas suas condições económicas e sociais que o país atingiu a degradação máxima. A situação calamitosa do país mede-se ainda, e provavelmente com mais precisão, pela degradação moral e ética a que chegou.


A perda de soberania que o resgate arrastou não explica tudo, nem nada que se pareça. Perder soberania não tem que implicar a perda de dignidade. Nem sequer do direito ao respeito!


Infelizmente somos governados por gente que não percebe ou não quis perceber isto, gente que em vez do tronco direito e cabeça bem levantada prefere a posição de cócoras. Gente que irá morrer sem perceber que, quanto mais servis, mais desprezados. Como se tem visto de Bruxelas e Berlim e como entra agora pelos olhos dentro em relação a Angola!


Quando se perde o respeito, perdem-se todos os valores de referência moral e ética e é a demagogia e a hipocrisia que passam a dominar as relações sociais e políticas.


Para fazermos uma ideia da hipocrisia instalada no país peguemos apenas em dois dos casos mais relevantes da semana que hoje termina: chamemos-lhe o caso Rui Machete e a subvenção vitalícia dos políticos ou, com mais rigor, dos que exerceram cargos políticos de poder.


Não é para voltar a referir incorrecções factuais, nem sequer eventuais comportamentos criminosos do incrivelmente ainda ministro dos negócios estrangeiros. É apenas para dar nota da ausência do PCP nas críticas ao escabroso pedido de desculpas diplomáticas a Angola. Toda a oposição condenou – e atacou fortemente - o ministro. À excepção do PCP!


Na penosa audição da passada terça-feira o PCP conseguiu a proeza de interrogar o ministro sem uma única pergunta sobre o caso angolano. Em semana de prémios Nobel, este seria um sério candidato ao prémio Nobel da hipocrisia!


Deve dizer-se em abono da verdade que o PCP não esteve sozinho nesta sua atitude. Também Maria de Belém achou que deveria aproveitar a presença do ministro, não para o questionar sobre o que ali o trazia, mas sim sobre a lei orgânica do ministério…


Depois da hiper-hipocrisia de Paulo Portas no final da semana anterior, quando ao lado de Maria Luís Albuquerque garantia que não havia mais austeridade nenhuma, o PSD deixou o CDS sozinho a falar do corte das pensões de sobrevivência, já conhecido pela TSU das viúvas onde, de resto, hipocrisia e demagogia foram coisas que não faltaram, com Paulo Portas a dar exemplos de pensões de 4 mil euros e Motas Soares a subir ainda a mais a parada, para 5 mil euros. Logo que deu por isso, que ficava com a cara colada àquele corte, o CDS tira da manga o corte nas subvenções vitalícias dos políticos.


Estas subvenções, que nada de contributivo têm, vão parar aos bolsos de toda a gente que desempenhou cargos políticos, que acumulam com os seus vencimentos de banqueiros, de presidentes de empresas públicas, ou de administradores das principais empresas privadas que, por via das PPP ou das rendas negociadas com o Estado, têm lugar á mesa do orçamento. E, naturalmente, só tinham que ter sido integralmente cortadas antes do primeiro corte nas pensões!


O CDS, logo seguido do PSD - que agora está de olho bem aberto para não se deixar comer pelo parceiro de coligação – sugeriu um corte de 15%, se bem que logo tenha avançado que, correcto mesmo, seria cortá-lo na totalidade. Repare-se que se trata de CDS e PSD, nada de governo, do governo que entretanto ia alimentando as fugas de informação que importavam.


Entretanto, o PS que nunca está de acordo com nada do que venha daqueles lados, veio logo a correr dizer que achava muito bem, que era justo … o corte de 15%. Antes que a ideia de acabar com esta marmelada avance, vamos já segurar isto por aqui!


Manuel Alegre saiu de imediato para o campo de batalha: era o que faltava, isto é um hediondo ataque aos políticos. E, também aqui, o PCP se lhe junta…  


Não há dúvida: estamos entregues à bicharada. Quer dizer, à hipocrisia.


Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não há dúvida que o governo só conhece uma receita. Tem sempre um único caminho, nunca tem - nem precisa - de plano B. Seja qual for o problema o governo resolve-o sempre da mesma e da única maneira que conhece: indo ao bolso dos cidadãos!


Anda há este tempo todo às voltas com a RTP: ora se privatiza, ora se cede exploração, ora se fecham não sei quantos canais… Ora sai mais uma comissão para estudar o serviço público, ora sai mais um plano de reestruturação…


No fim, com Relvas ou com Maduro, tudo se resolve como sempre tudo se resolve: aumenta-se a taxa audiovisual e pronto, não se fala mais nisso!

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Pipis e betinhos

OE 2024 é "pipi" e "betinho" considera Luis Montenegro


Anteontem a TVI/CNNP concedeu a Luís Montenegro o mesmo espaço que, na semana passada, tinha oferecido a António Costa. No mesmo espaço, na Biblioteca do ("meu") ISEG, e no mesmo formato. 


Montenegro nem esteve mal, e o produto televisivo que daí resultou até foi bem menos enfadonho do que o do primeiro-ministro. Jornalistas e comentadores - mais ou menos afectos à sua área política, e mais ou menos ligados ao espaço da sua entourage - elogiaram o seu desempenho televisivo. Tinha sido pouco menos que brilhante, com um se não: o timing. Dizia, boa parte deles, que tinha sido a única coisa a correr menos bem. Que, sendo o Orçamento apresentado no dia seguinte, ele deveria ter adiado a entrevista para depois. Para, então, conhecido o Orçamento, abrilhantar o seu desempenho com críticas objectivas. Que, certamente, com a sua argúcia e o seu estruturado pensamento político, teria então oportunidade de ganhar de goleada a Costa.


Não sei se se prestaram a esse papel por ingenuidade, se por excesso de voluntarismo ou se por incompetência. Talvez por de tudo isso um pouco. Ou muito, mesmo. 


É que, do Orçamento, ontem apresentado a tempo e horas, como há muito não se via, já se sabia o suficiente para concluir que não serve para mais nada do que para comer o espaço político deste PSD, de Montenegro. Que, em vez de lhe dar gás, lhe retira oxigénio. Tanto que, do Orçamento, Montenegro só conseguiu falar de "pipis" e "betinhos"!


 

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Há 10 anos

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Ou este negócio das sondagens é uma grande aldrabice ou ninguém percebe este país. Bem sei que não é fácil de perceber um país como este, onde cada governo faz impunemente pior que o anterior, onde uma democracia mal amanhada se esgota numas urnas de quatro em quatro anos, que premeia a mentira em vez de a castigar.


Em que de aldrabão a messias vai um passo de anão, com um primeiro-ministro com tiques de ditador que, em vez de dizer que foi eleito à custa da promessa vã e da mentira, diz-se providencialmente escolhido: "Fui escolhido talvez na época mais difícil para Portugal desde 1974". Que depois de arruinar o país se reclama redentor, quiçá enviado divino: "Se eu falhar a minha missão é o país que falha".


Bem sei disto tudo, e bem sei quão difícil é perceber um país que isto tudo permite. Mas ninguém me consegue convencer que estas sondagens, efectuadas logo a seguir às autárquicas, não passam de mais uma escandalosa aldrabice!

Há 10 anos

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Ontem a notícia era mais um corte de 5% nos salários dos funcionários públicos. Hoje, é notícia que o corte é do dobro: é de 10%!


É a estratégia que ainda anteontem aqui se denunciava. É o choque de expectativas, o novo eufemismo de Passos Coelho?


Não, isto não nenhum choque de expectativas, isto é terrorismo! 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Não querer saber (da) História

Entenda a guerra em Israel, que começou com o maior ataque do Hamas e tem  contraofensiva intensa na Faixa de Gaza


O dia 7 de Outubro de 2023 constituir-se-á certamente como uma data Histórica. Na História "já escrita" do século XXI só terá paralelo no 11 de Setembro, de 2001.


ataque do Hamas a Israel, numa das datas mais importantes para Israel - dia do 50º aniversário da guerra do Yom Kippur, dia do Shabbat e do feriado religioso mais importante do país - o maior, e mais mortal, de sempre por parte dos palestinianos, surpreendeu o mundo. Mas na realidade não tem muito de surpreendente.


Bem mais surpreendente que o ataque - "um ataque terrorista comandado e planeado como uma operação militar", como bem o descreve a Clara Ferreira Alves, no Expresso - é que os hiper-qualificados e insuperáveis serviços secretos israelitas tenham sido apanhados de surpresa. Isso, sim, é verdadeiramente surpreendente. E, já agora, isso sim, é que pode verdadeiramente correr mal a Netanyahu.


Tudo o resto, incluindo a dimensão da brutalidade terrorista que vimos nas imagens que correm mundo - e, também já agora, que não devem ser muito diferentes das que não vimos no passado, nem veremos, da parte de Israel - era, não só previsível, como o desfecho lógico do que Netanyahu vem fazendo há muitos anos.


O Hamas é uma criação de Netanyahu. É o "monstro" - como diz o Daniel Oliveira - que criou para acabar com as forças palestinianas moderadas e empenhadas durante décadas na negociação da paz e da convivência entre israelitas e palestinianos. Para minar por dentro a nação palestina, e acabar de vez com a sua aspiração ao legítimo direito a ter um Estado.


Primeiro, Netanyahu criou o Hamas. Depois avançou pelo território palestino dentro, até confinar mais de dois  milhões de pessoas numa pequena e isolada faixa de com pouco mais de 300 quilómetros quadrados, fechada a arame farpado e electrificado, entregue aos terroristas do Hamas e do Hezbollah  que formou e financiou a partir do Líbano.


Não é a primeira vez que acontece na História. Nem será a última. O "monstro" talibã instalado no Afeganistão é apenas um dos últimos exemplos... 


Mas o mundo está entregue a quem não quer saber nada de História!


 

Há 10 anos

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Vivemos num regime que se alimenta de génios, e em particular de génios da economia e das finanças. E o seu mais básico instituto de sobrevivência leva-o a apostar na sua produção intensiva o que, não se tratando de bens transaccionáveis, não deixa de se contraproducente. É que não servem para nada, ninguém os quer em lado nenhum, servem apenas para consumo interno.


Tinha a impressão que Daniel Bessa era um desses génios da nossa produção intensiva. Agora tenho a certeza!

domingo, 8 de outubro de 2023

Há 10 anos

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Primeiro, no final da semana passada, foi ele próprio, Paulo Portas, a fazer o número. Que não há novas medidas de austeridade, as linhas vermelhas, o novo ciclo … E umas boas notícias, soltas, suficientemente vagas para não serem sequer reconhecidas e escaparem ao teste do algodão…Tudo para deixar bem escondidas as medidas que já estão no armazém, prontas a sair, ou outras ainda em laboratório de ensaio!


Depois, ao ritmo cadenciado de uma por dia, as medidas escondidas começam a ser postas na imprensa. Por cada uma, e em cada dia, lá vem um ou dois ministros, um sempre mais vago e mais atabalhoado que o outro, mas todos sempre nos píncaros da demagogia, bem para lá da fronteira do reprovável, já em pleno reino do escandalosamente chocante.


Algumas serão barro atirado à parede, a ver se pega. Outras serão lançadas para preparar o ambiente, para desgastar… Para esbater os efeitos na opinião pública. Outras ainda para esgotar todas as reacções, combatidas desde o primeiro minuto pelos mais demagógicos argumentos e pelos mais escandalosos exemplos.


Vai ser assim até daqui a uma semana, quando o orçamento for finalmente apresentado no Parlamento. É isto o novo ciclo. É este o dedo de Paulo Portas!


Passos Coelho chama-lhe choque de expectativas. Sabe que precisa da sua máquina de propaganda em pleno, e lança-lhe por isso um desesperado apelo...


Hoje, em Portugal, governa-se assim! 

sábado, 7 de outubro de 2023

Aos trambolhões

António Silva salva Benfica na Amoreira e águias dormem no primeiro lugar


A inconsistência do futebol do Benfica nesta época é já indesmentível. Raros têm sido os jogos que domina ou controla de princípio a fim. Perde frequentemente o controlo dos jogos, e tem geralmente comportamentos distintos - muitas vezes até antagónicos - em cada parte do jogo. Se na primeira atinge um bom nível, ou mesmo apenas aceitável, na segunda cai. Quando a primeira parte fica aquém do aceitável, na segunda cresce, e chega lá.


Ao intervalo deste jogo da oitava jornada, no Estoril, a maior dúvida que se levantava era se aquilo que se vira era o melhor, ou o pior, que equipa tinha para apresentar hoje. 


Roger Schemidt abordou o jogo com o último classificado com seis alterações (mesmo que com apenas cinco jogadores novo, relativamente ao último jogo, em Milão. Quer dizer, mudou mais de metade da equipa. Para, de quem se diz que nunca muda a equipa, não é pouco. Saíram Bah e Di Maria, ambos lesionados. Morato, porque António Silva estava de volta. Bernat, porque mostrara em Turim que não está pronto. E Kokçu (nem estava entre os convocados) e João Neves, não se sabe por quê. Sabe-se apenas que o internacional turco esteve suficientemente mal em Milão, o que já não é pouco. E que, se calhar, o treinador do Benfica quis poupar o miúdo para a selecção, agora que foi convocado. 


Se todas as saídas tem explicação, o mesmo não acontece com as entradas. Percebem-se as entradas de António Silva e de Jurásek. O António por ser quem é, e o checo por não haver outro para substituir o lateral espanhol. Percebe-se que, não jogando Di Maria e com Aursenes de regresso a pau para toda a obra, João Mário tenha lugar no onze inicial. Não se percebe tão bem a de Chiquinho. Mas a verdade é que foi o melhor jogador do Benfica, esta noite (António Silva é que resolveu tudo, é claro, mas que jogou mais foi mesmo o patinho feio). E quando o Chiquinho é o melhor jogador, alguma coisa não bate certo. Que Tengstedt já tenha ultrapassado Cabral, custa a aceitar (são mais de 20 milhões, caramba!) mas já se percebe. Mas também Musa? 


Definitivamente: alguma coisa não bate certo!


Na primeira metade da primeira parte o Benfica jogou pouco. Muito pouco. Teve bola, muita bola, mais uma vez, mas não teve mais nada. Na segunda metade melhorou. O suficiente para criar então cinco - 5 - oportunidades de golo. Mesmo que apenas com um remate enquadrado - de Neres - com uma grande defesa do guarda-redes do Estoril, que no entanto deixou a bola à mercê de Jurásek, que transformou uma recarga fácil para golo num pontapé para fora do Estádio. 


A maioria dessas oportunidades foi sistematicamente desperdiçada pelo Tengstedt, sempre com um toque a mais, para acabar a rematar já de ângulo impossível. Invariavelmente para fora. Nesse que acabaria por ser o melhor período do Benfica, em boas condições para rematar de cabeça para a baliza, preferiu um passe para o Neres. Na altura ficara a ideia que não tinha tido possibilidade de rematar à baliza por ter sido carregado pelas costas. Que foi, e que em qualquer outro jogo de um dos rivais (tal qual como aquele corte com o braço de um defesa estorilista dentro da área), seria suficiente para assinalar penálti. Que foi. Percebeu-se, na repetição, que não foi pela carga, que existiu, que não rematou. Que foi mesmo opção de não rematar, e de assistir de cabeça o pequenino Neres no meio dos outros dois centrais adversários.


A dúvida ao intervalo era mesmo legítima. Se aquela primeira parte fosse a face boa da moeda, dificilmente o Benfica ganharia aquele jogo. Se fosse a má, com cinco oportunidades de golo criadas, na segunda criaria muitas mais e, por muito mal que ande a eficácia goleadora, o Benfica acabaria por resolver as coisas na segunda parte.


Como já deixei perceber aquela primeira parte era o melhor que o Benfica tinha para o jogo de hoje. A segunda foi bem pior, e chegou a ser assustadora. Guitane, o 10 do Estoril - na minha opinião o melhor em campo - foi um terror para o meio campo benfiquista, e as coisas só não tomaram outras proporções porque o poste esquerdo da baliza de Trubin evitou o golo da equipa da Linha, ainda os 10 minutos iniciais se não tinham esgotado.


À entrada do segundo quarto de hora o árbitro André Narciso assinalou penálti, que parecia indiscutível. Rui Costa, no VAR, não achou o mesmo. Teve razão, há uma imagem que mostra que o defesa do Estoril tocou na bola, e que foi o peito do pé do Chiquinho, no remate, a bater na sola do adversário. Noutros jogos, como se sabe, este tipo de imagens nunca aparecem.


O lance pareceu espevitar um bocadinho os jogadores do Benfica. Mas pouco. Era preciso pressionar, encostar o adversário lá atrás, e procurar o golo de toda a maneira e feitio. Mas não. Nada disso a equipa conseguia fazer. 


Faltavam 20 minutos para os 90 quando Roger Schemidt percebe finalmente o erro de casting de Tengstedt, e o troca por Musa. Em simultâneo com Florentino (pouco menos que desastrado no passe) por João Neves. Menos de 10 minutos depois trocou Jurásek, precisamente quando estava no seu melhor momento do jogo, por Bernat. Mas nada continuava a sair bem. E só já perto dos 90 minutos retirou João Mário, que nunca aparecera na segunda parte, para que entrasse Gonçalo Guedes. Que, se estava no banco, estaria evidentemente em condições de jogar.


Para trás ficava a única oportunidade de golo criada na segunda parte, desperdiçada por Musa. A segunda surgiria logo a seguir, com Otamendi a falhar o golo à frente da baliza.


No terceiro dos 8 minutos de compensação, depois de tantos cantos sempre marcados da mesma forma exasperante, Neres bateu finalmente a bola para a pequena área. Musa ganhou nas alturas e o António Silva mergulhou para o golo. Finalmente.


Faltavam ainda 5 minutos, que viriam a ser 6, pela compensação prevista por cada golo. E as últimas imagens - que são sempre as que ficam - não foram do mesmo tom dos anteriores cinco. Nessas, surge o Estoril à procura do golo, e o António a negá-lo no último lance. Surge o Estoril todo em cima da área do Benfica, e os jogadores a despacharem a bola para a frente, de toda a maneira e feitio. Submissos, quando tinham tudo para a aproveitar para sair a jogar. E para, com o meio campo do Estoril completamente deserto, voltarem a marcar.


Seria isso o que o Benfica do ano passado faria. Este está cada vez mais longe. Tanto que nos parangonas dos jornais surge Roger Schemidt a dizer que a época passada é irrepetível. 


Não era isso que seria suposto!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...