quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Claro que não se percebe que a época de transferências feche quando todas as competições nacionais, e mesmo europeias, estão em curso. Percebe-se que isso interesse aos (poucos) endinheirados, aos compradores, mas, quando tanto se fala de fair play financeiro, deixa de se perceber que isso se perceba!


Mas nestas coisas de transferências o problema é mesmo esse: perceber. Perceber o que quer que seja!


Perceber que o destino de Hulk passasse por uma violenta disputa entre Manchester United, City, Chelsea e Tottenham e acabasse nuns russos a dizer que não vale mais que uns míseros 30 milhões, por muito que isso irrite Pinto da Costa. Perceber que João Moutinho, quando o mesmo Pinto da Costa já só via ali forma de arranjar algum dinheiro e o Sporting já esfregava as mãos, tenha roído a corda, impedindo ambos de meterem a mão na fruta. Mesmo que maçã podre.


No entanto as portas do mercado ainda não fecharam em França e na Rússia… Se em França só o PSG compra, e não se vê que mais possa querer comprar, da Rússia ainda poderá vir alguém à procura de saldos!


Mas o que mais me custa perceber sãos as transferências – feitas e por fazer – no meu Benfica. Não é que não perceba por que é que a velhinha e badalada transferência Gaitan para o United se não concretizou: essa eu percebo, e percebem todos os que o têm visto jogar nos últimos seis meses. Poderei não perceber que Mourinho tenha preferido Essien a Witsel, mas isso não me preocupa nada. Antes pelo contrário: que fique com o Essien, porque o Witsel fica cá muito bem!


Também percebo que o Manchester City tenha querido levar-nos o Javi. E que o espanhol, ao que se diz com 5 milhões líquidos de vencimento anual, quisesse ir a correr. Já não percebo é essa dos 20 milhões de euros. E menos ainda que venham explicar que o Benfica estava obrigado a vender e que não poderia recusar um encaixe desta ordem.


Então como é que não se pode deixar de vender um jogador nuclear para receber 20 milhões e se pôde gastar bem mais do que isso em dois jogadores para as posições menos carenciadas da equipa, como Olá John e Sálvio, a acrescentar aos sete ou oito alas do plantel?


Ou o Benfica gastou, então, o que não podia gastar. Ou vende agora um jogador fundamental na equipa e sem substituto, para pagar parte do que foi gasto em jogadores de que a equipa não necessitava. Não percebo nem uma nem outra!


E claro, não percebo como é que a equipa continua sem defesa esquerdo. Depois Rojo – que até é central, como há muito aqui se tem enfatizado -, depois de Eliseu e de, mesmo na últimas horas, Sílvio. E como é que haverei de perceber que, não tendo havido dinheiro para contratar um defesa esquerdo – só pode ser essa a justificação -, já o tenha havido para, mesmo no limite, contratar Lima – bom jogador, sem dúvida, mas que, aos 29 anos (praticamente da idade de Saviola), não será certamente um investimento de mercado – para um lugar onde Nelson Oliveira não cabia e onde há Rodrigo e Cardoso (e Kardec, enfim...). Irá Lima tirar o lugar a Cardozo? Ou a Rodrigo? Ou a ambos?


Como não percebo como é que, há dois ou três dias, era anunciada a rotura na negociação da transferência de Saviola para o Málaga – e em termos que indiciavam um forte murro na mesa – para, no dia seguinte, ser negociada (?) a desvinculação com o próprio jogador, a fim de seguir de imediato para … Málaga!


Com franqueza: disto de transferências a única coisa que percebo é que interessam muito a muita gente!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Com a troika por aí sem que se ouça falar nela – compreende-se, como as coisas estão recomenda-se algum recato -, com os números do desemprego na sua marcha imparável – 15,7%, sem abrandar o passo porque é preciso não deixar fugir mais a Grécia (23,1%) e a Espanha (25,1) –, com o primeiro-ministro e o ministro das finanças desaparecidos, o ministro Relvas em Timor, empenhado na refinaria da língua portuguesa, e o governo entregue a António Borges, não admira que seja o futebol a dominar a actualidade.


É verdade que não é preciso muito para que isso aconteça. Nem sequer que falte tanta coisa de um lado e sobre outra tanta do outro!


Como seja o caso de Portugal ter, pela primeira vez, todos os clubes apurados para as fases de grupos das competições europeias. Todinhos, seis: três na Champions e outros tantos na Liga Europa!


Como se isso não bastasse, hoje é o último dia para fazer negócios. Mesmo que, pelo que se vai percebendo, o mercado esteja flat, não faltará matéria para transformar este último dia de Agosto no mais quente deste Verão, num palpitante dia D.


Mesmo assim, muitas das Bolsas mundiais não desdenhariam o volume de transacções que o mercado da bola poderá atingir hoje!


Muitos serão os jogadores que hoje partirão. Mais serão as cabeças que ficarão perdidas no vazio durante umas boas semanas: as de todos aqueles que ficam às voltas com os milhões que sonharam durante três meses. Não é Hulk?

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Excessos


O Benfica é líder isolado do campeonato, depois de ter vencido o Paços de Ferreira, esta noite, na Luz, no jogo que pertencia à terceira jornada, que havia sido adiado por cair no meio dos dois jogos do play off de apuramento para a Champions.


O jogo desta noite tinha a particularidade de confrontar a equipa que ainda não tinha sofrido golos com a que ainda não tinha marcado. À partida, dentro das lógicas destas coisas da bola, seria de prever que ambas se mantivessem nessa mesma condição.


Mas num jogo de futebol nem sempre funciona a lógica, e esse é talvez o seu maior aliciante. E a equipa que ainda não tinha marcado, marcou dois golos ... em três remates ...


Tinha ainda a particularidade de ser arbitrado por Soares Dias que, sabe-se e está por demais demonstrado, tem o condão irritar, perturbar e prejudicar o Benfica. Há dois ou três dias, num comentário das redes sociais, um amigo tinha referido sobre este jogo que o adversário seria Soares Dias. Na altura respondi que o adversário iria entrar com tudo.


Assim foi. Mais que o Paços, Soares Dias entrou com tudo. E acabou por acontecer o que frequentemente sucede com as equipas que entram com sofreguidão - acabam por se esgotar. 


Entrou com tudo, irritou as bancadas da Luz e e atingiu os jogadores, no relvado. No final da primeira parte já estava esgotado. E por isso assinalou o penálti que consumou a viragem do resultado ainda antes do intervalo, que nos minutos anteriores, antes de esgotar todos os créditos, certamente não assinalaria. Não estou a dizer que não foi penálti, estou a dizer que o Soares Dias nunca o assinalaria. E não tinha medo de ninguém!


Também o Paços de Ferreira, de César Peixoto, entrou com tudo. E pertenceu-lhe mesmo a primeira jogada de perigo, desfeita por Grimaldo, já muito perto da linha de golo. Mas também cedo se esgotou, muito mais cedo que o outro adversário. A partir daí defendeu com tudo. E com todos, com dois autocarros de cinco à frente da baliza.


O Benfica ia instalando o seu futebol habitual, mas o ritmo não era o mesmo, e não havia forma de criar reais oportunidades de golo. A bola acabava invariavelmente numa perna, num pé, nas costas ou na barriga de um dos 10 jogadores pacences plantados à frente da baliza. Isso, o tempo a passar e o inevitável Soares Dias, iam dando cabo da cabeça dos benfiquistas. Jogadores e público.


Na única vez em que a bola entrou na baliza, numa espectacular jogada trabalhada a partir de um canto, não contou. Rafa estava em fora de jogo.


Um mal nunca só e, a cinco minutos do intervalo, na sequência de um canto numa das já raras saídas em contra-ataque do Paços, a bola sobra para o velho pé esquerdo o velho Antunes que, a meio do meio campo, dispara uma bomba que acabou levar a bola a bater na cabeça de Koffy, o único jogador pacense que até nem estava para lá da defesa, desviando-a para dentro da baliza. Estava feito o primeiro golo do jogo, o primeiro marcado pelo Paços e o primeiro sofrido pelo Benfica.


A tempestade perfeita!


Valeu que a equipa não afundou, e empatou menos de dois minutos depois. Obra de Neres e do guarda-redes adversário, que não foi lá muito feliz. 


Seguiram-se minutos de avalanche sobre a baliza do Paços, e uma larga série de grandes oportunidades para dar a volta ao marcador. Até surgir o penálti, quando o Soares Dias já tinha esgotado a sua entrada de rompante, já à entrada do último minuto da compensação da primeira parte, cobrado na perfeição por João Mário.


Foi um alívio. O Benfica já tinha entrado em modo rolo compressor!


Manteve-o a seguir ao intervalo, e o resultado eram oportunidades de golo, umas atrás das outras. Invariavelmente desperdiçadas. Sucediam-se jogadas de grande nível. As melhores tinham o condão de acabar em golos anulados por fora de jogo. Salvou-se a que deu o terceiro golo, de Gonçalo Ramos, ainda bem cedo, 10 minutos depois do intervalo.


A partir daí o Benfica relaxou. Mais que relaxar, mais ainda que "as favas contadas" passou para excessos. Excessos de falhas na concretização, excessos de confiança, aqui e ali excessos até de vedetismo, e ainda excessos de circulação naquela de "descansar com bola". Descansar é no intervalo, e no fim do jogo. Durante o jogo não há por onde descansar!


Estes excessos que trouxeram de volta o Paços e ... Soares Dias. E o jogo complicou-se definitivamente com o segundo golo de Koffy. Do Paços e na baliza de Vlachodimos, no campeonato. Faltavam 10 minutos para os 90. E um quarto de hora para o fim do jogo.


Tempo para o Benfica desperdiçar mais umas quantas jogadas de golo feito. Mas também para, no último minuto, o Paços poder ter marcado. A jogada teve tudo para isso, só não teve remate. 


Não havia necessidade... Mas sofreu-se na Luz.


Festeja-se a chegada ao primeiro lugar. Festeja-se a grande qualidade do futebol da equipa, e que hoje voltou a apresentar. Mas desconfio que hoje houve muitos adeptos que pela primeira vez não gostaram da equipa.


Eu não gostei nada daqueles excessos. Acredito que Roger Schemidt também não tenha gostado, e que tenha percebido que terá de tratar com que não se repitam. 


 


 


 

Mikhail Gorbachev (1931-2022)

Mikhail Gorbachev, o homem que acabou com a Guerra Fria


 


Mudou a História do século XX. A partir dele tudo mudou. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não admira que Real Madrid e Barcelona consigam transformar um simples jogo de futebol num acontecimento mundial!


Chegam e partem árabes e russos, a despejar milhões por todos os cantos. A Espanha afunda-se na sua e nossa crise mas, indiferentes a tudo isso, estes dois colossos tomam conta do mundo!


Ainda se não tinham atingido os 30 minutos deste acontecimento e os nossos olhos viam um Barcelona à beira do KO e um Real Madrid a mandar a crise para as ortigas, disposto à vingança final: ganhava por dois a zero, Valdez tinha evitado outros três golos e Adriano – já com a cabeça em água e a jogar no lugar de Dani Alves – tinha evitado outro, derrubando Ronaldo, que seguia isolado para o golo. Expulso, o Barça ficava com 10. À meia hora, naquele filme de imensa superioridade madrilista, e com mais um em campo, a coisa só podia acabar mal para os blau grana


Esquecemo-nos que quem joga com Messi nunca joga em inferioridade numérica, como já nos tínhamos esquecido que quem tem jogadores como aqueles que jogam de branco nunca pode estar em crise. Que quem tem Messi, e Iniesta, e Xavi, e Pedro ... nunca cai sem se levantar!


Ao minuto 45 Messi avivou-nos a memória: livre à entrada da área, barreira bem colocada, mas a bola saída dos seus pés resolve ir dar uma curva e aproveitar para entrar na baliza de Casillas. Sem qualquer hipótese…


Nos dois minutos de compensação dados pelo árbitro foi ainda Cristiano Ronaldo – que fizera no seu golo, o segundo, aquilo com que eu sonhava todas as noites quando jogava à bola (bem, na verdade, no meu sonho, o meu remate era imediato, sem deixar a bola cair depois daquele calcanhar) – a querer lembrar a Messi que também lá estava, como se ele não o soubesse bem. Um remate fabuloso, com a bola a bater nos painéis publicitários e a regressar ao campo, dando a ideia de ter sido devolvida pelo poste direito. E Di Maria, também próximo do golo.


A segunda parte veio quando já toda a gente pelo mundo fora percebera que nem havia crise nenhuma no Real Madrid nem o Barcelona estava de joelhos, quanto mais prostrado no chão. E se não começou tão intensa como a primeira, acabou por não lhe ficar atrás à medida que o tempo corria: sempre espectacular.


Até com inversão de papéis. À entrada do segundo quarto de hora, o Barcelona, joga à Real Madrid, - Mascherano, cá de trás, como Pepe e Sérgio Ramos haviam feito nos golos de Higuain e Ronaldo, isola Pedro – e quase empata. Defendeu Casillas!


Poucos minutos depois é o Real que joga à Barcelona: Khedira faz de Messi (ou de Iniesta, ou de Pedro…) e vai por ali fora e área dentro. É Valdez que salva mais uma vez o terceiro!


E os últimos dez minutos foram de cortar a respiração, com oportunidades sucessivas numa e noutra baliza.


A supertaça ficou em Madrid (pelo golo fora marcado a mais), mas isso, lá como cá, como o próprio Mourinho fez questão de salientar, é o que menos interessa. O que conta é que foi o acontecimento mundial do dia!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não sendo muito frequente também não é raro que equipas portuguesas, de selecção ou de clubes, se superiorizem, no chamado jogo jogado, às italianas. O que é raro é que se superiorizem no resultado!


Também é raro que, quando as coisas têm que se decidir nos penaltis, as equipas portuguesas sejam bem sucedidas. A excepção – a selecção nacional quando o adversário é a inglesa – é mesmo excepção, que apenas serve para confirmar a regra.


Pois, no play off de acesso à fase de grupos da Champions, o Braga conseguiu tudo o que é raro o futebol português conseguir: foi muito superior aos italianos da Udinesse – superior em Braga e muito superior em Udine – e, não conseguindo materializar essa superioridade em golos ao longo de 210 minutos nos dois jogos, confirmou-a no desempate através dos penaltis.


E no entanto o Braga teve tudo em seu desfavor. Desde logo o adversário jogava com o seu tipo de jogo preferido. E, dada a dialéctica de um jogo de futebol, as duas equipas dificilmente podem jogar o mesmo tipo de jogo. Depois, a Udinesse esteve sempre à frente, no marcador e na eliminatória, o que os empurrou sempre para a sua zona de desconforto: a obrigação de assumir o jogo.


Mérito de toda a estrutura bracarense. Muito mérito dos jogadores, em especial para o guarda redes Beto que, numa eliminatória em que a equipa foi tão superior, porque as equipas italianas são mesmo assim, foi ele que teve que fazer a diferença. E nem sequer entra em conta o penalti que defendeu e que ditou o sucesso porque, aí, maior que o seu mérito foi o demérito do jogador brasileiro que ainda não percebeu que não é Panenka quem quer...


Neste jogo fez poucas defesas, mas todas decisivas e de altíssima exigência. E muito mérito de José Peseiro, um homem que há muito conheço de outras lides – raramente a expressão vem tão a propósito – e um treinador que há uma década considero do melhor que há em Portugal, e cujo regresso se saúda. Competente no discurso, excelente na condução da equipa e soberbo nas substituições!


 

Enterrar os mortos ...


Realizaram-se finalmente as cerimónias fúnebres de José Eduardo dos Santos, no dia do seu 80º aniversário, e quatro dias após as eleições, que mantiveram a maioria absoluta do MPLA - mas agora mais escassa, com pouco mais dos 50% -  com resultados contestados pela UNITA, claramente vencedora em Luanda.


A presença nas cerimónias de Adalberto Costa Júnior, o líder da UNITA  é, neste contexto, um bom sinal. Como referiu Marcelo, inevitavelmente presente, chamando-lhe o primado do interesse nacional. Não ter armas também ajuda!


Enterrar os mortos é muitas vezes momento de paz. De vez em quando enterram-se também conflitos... 


 


 


 

domingo, 28 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


São muitas as formas que um anúncio de recrutamento – oferta de emprego – pode assumir. Mais ou menos apelativo, mais fechado ou mais aberto nas condições de acesso, com mais ou menos exigências…


Há mesmo ofertas de emprego desenhadas à medida: os requisitos são tão fechados, tão ajustados, que se percebe de imediato que já há galo para aquele poleiro.


O que ainda se não tinha visto era uma oferta de emprego tão específica … tão específica … que já inclui o nome a pessoa a recrutar. Disto é que ainda se não tinha visto. Mas viu-se hoje e, pasme-se, publicado pelo IEFP!


Poderia fazer parte do perfil requerido. Por exemplo: licenciatura em educação de infância, 24 anos de idade, olhos azuis – que deve sempre dar mais jeito para os miúdos – cabelos louros, porque assim é que deve ser – olhos azuis/cabelos louros –, e de nome Vera – porque os miúdos já estão habituados ao nome – e apelido Pereira, que é para facilitar o processo de aprendizagem da botânica. Mas não. O anúncio exigia conhecimentos profissionais inerentes à profissão – nada mais claro nem menos lapalissiano – e nos outros conhecimentos requeridos é que surgia o nome: Vera Pereira!


Valham-nos os estímulos. E as medidas de estímulo…

sábado, 27 de agosto de 2022

Mais um teste passado com distinção


O Benfica surgiu no Bessa para disputar este complicado jogo da quarta jornada com duas novidades, ambas consequência da falta de Otamendi, ausente por castigo, depois daquela expulsão em Leiria, no jogo com o Casa Pia: António Silva, o miúdo de 18 anos, no lado direito do centro da defesa; e a braçadeira de capitão em João Mário.


A segunda estranha-se, depois entranha-se. E finalmente percebe-se. A primeira aplaude-se. Pela exibição do miúdo, mesmo amarelado logo no início, mas mais ainda pela lucidez da opção de Roger Schemidt. A alternativa era o já descartado Vertonghen. Negar-lhe esta oportunidade seria dar-lhe um péssimo sinal e correr o risco de o começar a perder.


Às duas novidades no Benfica juntou o jogo outra novidade: um Boavista sem pontas de lança, e apostado em pressionar no campo todo. Não é novidade, antes pelo contrário, e mais ainda com Petit, a pressão que os jogadores do Boavista exercem sobre os adversários, e agressividade que colocam na disputa da bola. Novidade era fazerem-no campo todo, logo em cima da grande área adversária, colocando dificuldades à saída de bola do Benfica.


Na realidade o Boavista quis tornar-se no primeiro adversário a colocar o Benfica desconfortável no seu padrão de jogo. E se este era mais um teste à capacidade desta equipa do Benfica, o resultado não poderia ser melhor. O Benfica passou com distinção!


A equipa respondeu à agressividade do adversário na mesma moeda. Os jogadores não recearam o confronto, disputaram cada lance com a mesma intensidade, correram e lutaram como os do Boavista. E depois disso, como são muito melhores e têm o modelo de jogo assimilado, jogaram o seu futebol, e mantiveram-se confortáveis nas dinâmicas instaladas na equipa.


Foi de tal forma assim que quem estava com atenção ao jogo - e deve dizer-se que foi um grande jogo, muito valorizado pela atitude da equipa do Boavista - percebia que o Benfica estava a dar a resposta certa às dificuldades colocadas, e que, mais tarde ou mais cedo, acabaria por impor a sua superioridade.


À saída do primeiro quarto de hora começou a ficar claro que essa superioridade estava instalada. Com Enzo e Florentino em grande, e a dominarem o meio campo, os centrais António Silva e Morato imperiais, e Rafa e João Mário decisivos na construção, o habitual futebol do Benfica fluía na relva.


É verdade que até ao primeiro golo, em cima da meia hora, não tinham abundado remates, nem oportunidades de golo. Surgiu de um canto, mais uma vez. Desta com a bola direitinha do quarto de círculo para a cabeça do Morato, e dela para dentro da baliza.


Não mudou nada com o golo. O Benfica continuou a exibir o seu futebol,  e passou a construir incomparavelmente mais situações de finalização. O Boavista mantinha a mesma atitude, disputava à mesma a bola no campo todo, mas ela acabava sempre nos pés dos jogadores do Benfica. 


Em cima do intervalo João Mário desperdiçou a mais clara situação de golo, de forma verdadeiramente inacreditável, deixando o resultado ao intervalo bem longe de reflectir a superioridade no jogo. 


Deixou no entanto o aviso para a segunda parte. O jogo não se alterou muito, a superioridade do Benfica, sim. Tornou-se ainda maior. E mais ainda depois de iniciadas as substituições, à hora habitual. 


Neres, Gonçalo Ramos e Gilberto, com rendimento realmente abaixo dos restantes, foram substituídos por Diogo Gonçalves, Musa e Bah, e todos acabaram por acrescentar dinâmica e qualidade à exibição. João Mário passou da esquerda (onde se ficou Diogo Gonçalves) para a direita (de onde saíra Neres), e passou a homem-golo.


O primeiro, e segundo do jogo, logo depois das substituições, com assistência de Musa. E o segundo, e último, de penálti, essa raridade da realidade benfiquista. O árbitro - João Pinheiro, que fez mais uma das suas arbitragens habilidosas, e particularmente condicionante no período inicial do jogo, quando era mais repartido, ao ponto de, coisa nunca vista, o Benfica acabar com mais faltas (14) que o Boavista (12) - não viu o penálti sobre Musa. Tão evidente que o VAR não teve como não intervir.


O resto foram sucessivas oportunidades de golo, que fazem deste claro 3-0 um resultado afinal bem escasso para o que foi a realidade do jogo. O Boavista fez 4 remates, sem um único na direcção da baliza de Vlachodimos, que se limitou a dois sustos em outros tantos atrasos que saíram desnecessariamente mais apertados. 


E ainda mais duas estreias - Mihailo Ristić, para o lugar de Grimaldo, e o recém contratado Fredrik Aursnes, para o aplauso a Enzo (a contratação do norueguês só pode significar que nem esta época concluirá com a camisola do Benfica) a par de Florentino, mais uma vez o melhor em campo (mesmo que esse prémio tenha sido entregue a João Mário).


Tudo isto em mais um teste do algodão a este futebol cada vez mais entusiasmante do Benfica de Roger Schemidt. Mas também à incúria da Liga, que continua a permitir a extorsão dos adeptos do Benfica pelas bilheteiras  dos adversários que visitam. Depois falem em centralização dos direitos televisivos!


 


 

Vuelta 2022 - II


Correu-se hoje, nas Astúrias, a oitava etapa da Vuelta, entre Pola de Laviana  e Yernes y Tameza, corrida em montanha, e com a meta a coinicidir com uma contagem de 1ª categoria. 


Jay Vine voltou a ganhar em montanha, como há dois dias, a confirmar que é um grande trepador, e o dos que atravessam o melhor momento de forma. O ciclista australiano pertence a uma nova geração de ciclistas que vem do Zwifit, uma plataforma que se transformou numa verdadeira academia de ciclismo.


Voltou a dar espectáculo, e ganhou lá em cima, á frente de todos os que o acompanharam na fuga que desde cedo se desenhou, entre os quais gente de respeito como Soler (companheiro de João Almeida, que quebrara o jejum espanhol, a voltar a confirmar que quipa é coisa que não lhe assiste) que acabou segundo, Taramae (3ª), Pinot (4ª) ou Landa, que já não resistiu à perseguição final do grupo dos principais protagonistas.


João Almeida fez a sua corrida, de trás para a frente, como já vem sendo hábito nas mais difíceis etapas de montanha. E sempre sozinho, sem equipa. Mesmo quando alcancou o miúdo Juan Ayuso, seu colega de equipa, teve que ser ele a fazer a despesa. Acabou por perder mais alguns segundos para os três da frente - onde  Evenepoel, como aqui se previa, já não é um portador transitório da roja e que, com Mas e Roglic, começam a desenhar o pódio - mas também acabou a subir dois lugares, fixando-se agora no oitavo posto da geral.


Vai bonita, esta Vuelta. Beneficia de ser a última oportunidade para a redenção da época, tornando-se numa competição mais aberta, e do facto de ter menos estrelas do sprint, o que faz com que as etapas sejam menos controladas pelas respectivas equipas.  


E tudo isto a torna na mais aberta, e muitas vezes na mais espectacular - mesmo que, neste ano, o Tour tenha sido insuperável - das três grandes voltas do calendário internacional!


 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


António Borges, o chefe de vendas que Passos Coelho contratou para vender Portugal, e que vai assumindo sem qualquer constrangimento o papel de maior odioso de todos os agentes políticos do poder, lançou o tema da semana.


Quando se pensava que na agenda política sobressairiam os dados económicos do primeiro semestre divulgados pelo INE - que não só comprovam a falência total do programa da troika e da acção deste governo que, nascido da esperança, acaba por confirmar a de todo improvável proeza de ser ainda pior que o anterior – e a confirmação final do adeus ao cumprimento do défice, por alma de quem se enterrou a economia portuguesa e se destruiu a classe média, eis que surge a privatização da RTP a dominar as primeiras páginas e a tomar conta dos comentários nas televisões.


Quando o tal senhor, que não sendo ministro mas que é o executivo mor do governo, revelou aquilo a que chamou solução atraente – eu diria mais, é uma solução muito mais que atraente: é um negócio sem risco para o investidor, como foi o da EDP e como são todos os que este senhor engendrar, porque ele não existe para outra coisa – pensei que aquilo não passaria de uma brincadeira para que se não falasse daqueles resultados. Pensei que o governo tinha todo o interesse em tapar aqueles resultados e entreter a opinião pública com outras coisas, até porque a troika chega já amanhã e haverá de servir de amortecedor.


Em alternativa poderia ser que se tratasse de um balão de ensaio: um tipo que não tem nada a perder – creio que na consideração e no respeito dos portugueses já perdeu tudo o que tinha para perder – lança o barro à parede e logo se vê como corre. Porque, evidentemente, ninguém acredita que uma coisa destas fosse lançada por António Borges sem que estivesse cozinhada no governo!


Sou a favor da privatização da RTP, como já aqui manifestei em várias ocasiões. Que não a favor da erradicação do serviço público de rádio e televisão – que poderia ser incluído nos contratos de concessão de licenças - como igualmente aqui tenha defendido. Não é que seja, em tese, contra a existência de rádio e televisão públicas. Antes pelo contrário! Sou é contra uma estação pública de rádio e televisão em Portugal, neste país concreto governado por esta gente concreta. Que a usa para nela interferir e para nela despudoradamente acoitar clientelas à custa do nosso dinheiro!


Por isso apoiei a intenção de privatizar a RTP, logo que Passos Coelho a anunciou na campanha eleitoral. Ora, privatizar não é nada disto. Depois de comissões e mais comissões a estudar o assunto, de milhões e milhões gastos em consultores, e de um ano de voltas e reviravoltas no processo, vêm dizer-nos que há uma solução atraente: entregar a exploração da RTP a privados (e vamos a ver quem são - já todos desconfiamos!) continuando nós a pagar!


Esta gente anda mesmo a brincar connosco!

Kika e mais dez

Benfica conquista Supertaça feminina pela segunda vez em jogo eletrizante com Sporting


Grande jogo de futebol em Leiria, esta noite. No feminino, na final da Supertaça. Sim, na Supertaça do futebol feminino os finalistas apuram-se num torneio a quatro. É uma final, ao contrário do que acontece no futebol masculino. Aí chamam-lhe final, porque querem... 


Teve tudo o que um jogo de futebol pode ter. Emoção, golos, espectáculo e intensidade, tudo embrulhado em futebol do bom. E, como por cá não pode deixar de ser, muitos casos de arbitragem. Mas também muito fair-play, dentro e fora do relvado.


Só ficou decidido no prolongamento, para onde foi empurrado pela arbitragem e, tem de dizer-se também, pela guarda-redes do Sporting. Não sei se não será melhor que o Adan, mas é muito melhor que o Porro.


As jogadoras do Benfica fizeram tudo para resolver as coisas nos 90 minutos, mas foram obrigadas a meia hora extraordinária. Estiveram sempre por cima do jogo, mas viram-se a perder com um penálti mais que caricato descoberto - melhor, inventado - pelo VAR. A partir daí sufocaram as adversárias, fizeram brilhar a extraordinária guarda-redes do Sporting, chegaram ao empate numa grande jogada de futebol e desperdiçaram uma mão cheia de oportunidades para marcar. Para compor o ramalhete, a 3 minutos dos 90 o VAR convenceu a árbitra a reverter o único verdadeiro penálti dos 90 minutos do jogo. Não admirou, até porque, no outro, já no prolongamento, numa mão na grande área que toda a gente viu, o VAR também teve dúvidas. 


No prolongamento começou tudo finalmente a resolver-se. O Benfica marcou três golos, chegou ao 4-1, e podia ter marcado mais do dobro. Pelo que se viu em campo, se calhar três ou quatro jogadoras davam jeito a Roger Schemidt. Bom, no caso da Kika Nazaré, dá vontade de dizer que seria a Kika e mais dez! 


Não sei se o José António Saraiva viu este jogo. Não viu, provavelmente...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Dois dias depois do assassínio de Lance, morreu o terceiro mais dos mais famosos Amstrongs: Neil. Que ganhou o direito à fama precisamente dois antes de morrer o mais famoso deles: Louis (1971)!


Transportou a humanidade para a Lua, cumprindo um velho sonho a bordo da Apolo 11, na companhia de Buzz Aldrin e Michael Collins. Foi o primeiro a pisar solo lunar e também o primeiro dos três a partir!


“Um pequeno passo para o Homem, um salto gigantesco para a Humanidade” foi a expressão que então usou. Mesmo que, quarenta anos depois, para a Humanidade pouco mais tenha sobrado que aquele pequeno passo, a frase ficou mítica.


Mas os mitos são isso mesmo!

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Vuelta 2022 -I

UAE Emirates e Espanha tiveram o grande dia ao Sol(er), Rudy Molard ganha  liderança a Roglic na quinta etapa da Vuelta – Observador


A Vuelta chegou à sexta etapa, com a chegada, hoje, ao Pico Jano, na Cantábria. Foi a primeira etapa de verdadeira montanha, com a meta a coincidir com uma contagem de primeira categoria, e começou a definir a relação de forças dentro da corrida.


Até aqui a camisola "roja" tem saltado todos os dias de um para outro - seis etapas e seis líderes diferentes. Ontem, na chegada a Bilbao, registara-se a primeira fuga bem sucedida, com Marc Soler, colega de  equipa de João Almeida na Emirates a ganhar - a primeira vitória espanhola numa das grandes voltas em dois anos, 121 etapas depois -  4 segundos à frente de dez ciclistas, mas 5 minutos à frente do pelotão principal. O que levou Roglic a entregar a "roja", que acabara de vestir, ao francês Rudy Molard. Que ficou com ela pendurada por 2 segundos para um companheiro de fuga, mas segura por mais de 4 minutos para as figuras importantes da competição.


Afinal bem mais pequenos que os 2 segundos neste primeiro teste de montanha. Nem os mais de 4 minutos foram suficientes para evitar que a camisola vermelha voltasse a não parar mais que um dia no mesmo corpo.


A partir de hoje vai certamente ser diferente. O australiano Jay Vine ganhou em Bilbao, com 15 segundos de vantagem sobre o belga Evenepoel, que passou a ser o novo líder, batendo claramente todas as grandes figuras da prova, e deixando claro que agora é para segurar. Pelo menos por mais uns dias!


João Almeida chegou em nono, com Roglic, perdendo ambos 1minuto e 22 segundos para Evenepoel e Enrique Mas, e entrou no top 10, já quase a 2 minutos da liderança, e mantendo os 53 segundos de desvantagem para Roglic, agora 4º classificado. Mas com evidentes dificuldades em manter o estatuto de chefe de fila da Emirates que, de resto, parece não passar do papel.


Na realidade não se percebe esse estatuto no comportamento da equipa. Ontem tinha sido o seu colega Soler a atacar. No fim, ganhou a etapa, e isso desculpa tudo. Só que hoje repetiu-se, desta vez com outro espanhol, Ayuso, um miúdo de 19 anos. Não ganhou, foi quarto na etapa para, no fim, acabar por ganhar 40 segundos ao português. E já não desculpa nada. Apenas demonstra que João Almeida foi novo abandonado pela equipa. E que o putativo estatuto de líder da equipa é para ser disputado.


E neste momento João Almeida tem que contar que entre os seus principais adversários - Evenepoel, Mas, Roglic, TJ Hart, Hindley ou Simon Yates - está também o seu companheiro de equipa, o miúdo de 19 anos, no quinto lugar da geral a pouco mais de 1minuto da liderança, encostado a Roglic e a meio minutos de Enric Mas.


Para se ter uma ideia de como está esta Vuelta, e de como valorizar o desempenho de João Almeida até ao momento, e nestas condições, Carapaz é 19º, a 3 minutos. Rigoberto Uran e Pozzovivo, estão mais para baixo, a 4. Mikel Landa, ainda mais para baixo, a 7 minutos. Pinot, Nibali e Allaphilippe mais ainda, já entre os 15 e os 20 minutos. Froome é 150º, a 1 hora.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


David Blanco será o vencedor da Volta a Portugal, pela quinta vez. Feito único na História, e previsível!


Depois da Serra da Estrela, com os dez primeiros separados por pouco mais de um minuto, e com David Blanco e Hugo Sabido, os dois primeiros, separados por oito segundos – ditados pela bonificação de 10 segundos do espanhol mais português do pelotão pela sua vitória na etapa de ontem - seria o contra-relógio de hoje a fazer a diferença. E fez: os dez primeiros são os mesmos que já o eram, mas o décimo ficou já a bem mais de 3 minutos do primeiro. E Davido Blanco, que foi hoje o quarto em Leiria – ganhou o espanhol Alejandro Marque, do Tavira que, perdendo o azarado Ricardo Mestre, vencedor do ano passado e dado como o mais forte adversário para Blanco, obteve a sua primeira vitória nesta Volta – ganhou 14 segundos a Sabido, ficando agora com 22 de vantagem.


Também o pódio ficou definido e como estava, com Rui Sousa a conseguir defender o terceiro lugar que trazia da Serra, onde já garantira a título de melhor trepador. Bem como o Prémio da Juventude, confirmado hoje pelo espanhol David de la Cruz.


Para definir na etapa de consagração de amanhã ficou a camisola dos pontos, que de Sérgio Ribeiro roubara ontem ao sul-africano Van Rensbur (segundo no contra-relógio) para lha devolver hoje.


E pronto. Cai amanhã o pano sobre esta 74ª Volta a Portugal: uma volta a Portugal de D. Afonso Henriques, que não chegou a ser rei de Portugal e dos Algarves, que assim explica porque é que há uma Volta ao Algarve e uma Volta ao Alentejo: porque a Volta a Portugal não chega lá!


Uma última nota marginal mas que me impressiona particularmente e que, de alguma forma, dá conta de um Portugal que é muito diferente do de há alguns anos. Refiro-me à facilidade de expressão dos ciclistas portugueses, na generalidade!


Nas sucessivas entrevistas exprimem-se com grande à vontade, num português escorreito e, com grande lucidez, dizem coisas. Não falam, não soltam banalidades e lugares comuns: dizem! Pronunciam-se sobre fisiologia, sobre os incidentes da corrida, sobre os aspectos técnicos, tudo com a propósito. Tudo com boa fluência, sem pontapés na gramática e com um vocabulário digno!


Como é diferente do futebol… Os jogadores de futebol, que ganham milhões, deveriam pôr os olhos (e os ouvidos) nestes atletas!


Finalmente, e porque vem a propósito – também a carapuça serve aos jogadores de futebol -, quero salientar o esforço dos ciclistas espanhóis em expressarem-se em português. É corrente, e praticamente geral, nos ciclistas que integram equipas portuguesas, mas mesmo nos que representam formações espanholas. Notável!


Mais notável só a parolice dos entrevistadores da televisão portuguesa, que os entrevistam em portunhol. Mais caricato que às perguntas em portunhol eles responderem em português, é - como ainda hoje se verificou na transmissão em directo do contra-relógio – o pivô da emissão, no caso o simpático João Pedro Mendonça, proceder à dobragem. Por cima, traduzir para português a pergunta em portunhol e a resposta do ciclista espanhol ... em português. Com sotaque espanhol, mas em português puro e claro!


Enfim: às vezes parece que há uns portugueses que querem andar para a frente enquanto outros insistem em não sair do mesmo sítio. O grave é que estes sejam os que têm mais responsabilidades!

Seis meses de guerra

Ucrânia: seis meses depois, a guerra continua, sem fim à vista


Para Putin era uma espécie de passeio de fim de semana, tipo vou ali "desnazificar" e já volto. Uma simples "operação especial", de dois ou três dias. 


Não era, nem foi. Era, foi e é a invasão de um país soberano, com um povo determinado em resistir, e que não desiste de lutar pela sua sobrevivência enquanto tal. 


Passam hoje seis meses sobre a invasão. Hoje, no dia em que os ucranianos celebram a independência. Não se sabe quantos mais se virão a passar. Mas sabe-se que a História diz que quem não desiste não perde!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A Serra da Estrela, o alto da Torre, confirmou a Senhora da Graça. E a superioridade de David Blanco e da sua equipa!


Já sem Ricardo Mestre, que nova, decisiva e espectacular queda - e foram quatro - atirou para fora da corrida precisamente na véspera, o que a subida à Serra tinha para decidir era entre os corredores da Efapel e o camisola amarela desde a Senhora da Graça: Hugo Sabido.


David Blanco (na fotografia, no momento em que cortava a meta) ganhou, Rui Sousa foi segundo e Sérgio Ribeiro foi quarto: três nos quatro primeiros. É obra!


E no entanto nada ficou resolvido. Os dez primeiros na Torre ficaram separados por segundos. Hugo Sabido, o décimo na etapa, perdeu menos de um minuto para David Blanco. O suficiente para, por 8 segundos, perder a amarela para o galego!


E os dez primeiros na classificação geral, na antevéspera do final da prova – onde se arrumam quatro (com três nos quatro primeiros) corredores da equipa que domina a Volta – cabem no espaço de pouco mais de um minuto. O décimo – Virgílio Santos, o companheiro de equipa de Hugo Sabido, que hoje o rebocou serra acima, numa corrida espectacular – está a minuto e meio da amarela…


Quer isto dizer que será o contra-relógio de amanhã, em Leiria, a decidir tudo. Que, em teoria, qualquer um dos actuais dez primeiros poderá ganhar a volta. Mas a verdade é que David Blanco é também – em teoria – o mais forte a correr sozinho contra o cronómetro, não surpreendendo nada que os actuais dois primeiros assim continuem amanhã. E que aos dois se juntará Sérgio Ribeiro – actual quarto classificado mas que provavelmente trocará amanhã com o seu colega Rui Sousa -  no pódio, no domingo em Lisboa.

Suspeições à la carte

Brasil e Angola buscam reaproximar relações econômicas – CEIRI NEWS –  Jornal de Relações Internacionais


Vão a votos os dois maiores países da língua portuguesa. Angola, já hoje, e o Brasil, daqui a pouco mais de um mês.


Não se esgotam nestas particularidades da dimensão, da língua comum e do calendário, os paralelismos entre os dois actos eleitorais nestes países irmãos. Há mais!


Para além da língua têm em comum a debilidade da democracia e das instituições. Um enorme potencial de riqueza sucessivamente desbaratado, e uma insustentável desigualdade que desemboca na pobreza pornográfica da imensa maioria dos seus povos.


Têm ainda em comum neste processo eleitoral algo de macabro. Para Angola seguiu, daqui ao lado, o cadáver do anterior presidente e obreiro-mor do país e do regime, mais de dois meses depois da sua morte, e de despudorada disputa dos seus restos mortais. E para o Brasil seguiu, a partir do Porto, conservado em formol e formalidades bacocas, o coração do longínquo obreiro da independência, há 200 anos.


E têm ainda em comum nestas eleições o clima de suspeição sobre os resultados eleitorais que já está instalado nos dois países, e à forte probabilidade de não virem a ser aceites pelos perdedores. Não é exactamente uma novidade, e é o reflexo da debilidade da democracia nestas duas paragens da língua de Camões e Pessoa.


Há, porém, diferenças fundamentais neste comum clima de suspeição. Em Angola é levantado pela oposição e, pela História, com provável sustentação. E, acima de tudo, por quem não tem o poder das armas, o que faz toda a diferença nas suas consequências. No Brasil, ao contrário, é levantado por Bolsonaro, no poder. E com o poder das armas. E não só o das forças armadas institucionais, há ainda um Brasil armado que vai para além delas atrás de Bolsonaro.


No Brasil, Bolsonaro replica Trump, seguindo-lhe a cartilha à risca. Mas num país em que as instituições são bem menos consolidadas que as americanas.


São, por isso, bem menos aceitáveis, e muito mais preocupantes, as suspeições "à la carte" de Bolsonaro que as da oposição em Angola.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Nunca fui muito dado a heróis. Tinha-os em miúdo, como todos. Mas à medida que a infância foi ficando para trás habituei-me a relativizar as coisas, e a procurar referências no quotidiano anónimo, naqueles que não chegam às primeiras páginas dos jornais e que nunca chegarão a ter os tais cinco minutos de fama!


Mas este esteve perto de me fazer regressar à infância. Este admirei com um respeito imenso!


Nem quero acreditar, não deixo que me roubem essa viagem de regresso ao encanto!

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Carimbar em fato de gala


A Luz encheu-se e engalanou-se para se tornar no palco da certificação da entrada do Benfica na Champions. E a equipa retribuiu com uma exibição de gala, a melhor deste início da época.


E comecemos por aí, pela qualidade da exibição do Benfica desta noite. Não só a mais espectacular até ao momento, mas também a mais consistente. De jogo inteiro, sem quebras. Sem descansos, nem facilitismos. Sempre a sério, sempre a alto ritmo, e sempre com qualidade, mesmo depois das substituições.


É certo que o resultado acabou fechado ao intervalo, como na partida de Lodz, há uma semana. Mas não foi por a equipa ter desistido de procurar o golo, e de criar situações para o atingir.


A primeira nota alta para o jogo surgiu ainda antes do seu início, com a calorosa recepção que a Luz fez ao Dínamo de Kiev. Merecida, pelo que a equipa ucraniana fez ao longo desta fase de apuramento mas, evidentemente, pela mensagem de apoio à equipa da capital da Ucrânia, na véspera dos seis meses sobre a invasão russa.


Depois, logo que a bola começou a rolar, começou o espectáculo. Aos três minutos já a Luz vibrava com uma grande jogada de futebol a anunciar o golo. Depois ... foi seguir. Pela esquerda, pela direita, pelo meio. Com Rafa e Neres a pintarem a manta, mas com todos os jogadores em alto nível. Todos, os mesmo onze habituais, sem excepção.


Tanto futebol, e de tanta qualidade, não desaguava no entanto no golo. O adversário jogava "à portuguesa", muito fechado lá atrás, e toda aquela avalanche de futebol acabava em cantos. Até um deles, bem trabalhado, acabar finalmente no golo - de Otamendi -, ainda antes da meia hora, e depois de Grimaldo já ter rematado ao poste, e de Neres ter executado uma notável bicicleta que só por acaso acabou com a bola a sair na direcção do guarda-redes.


O golo não mudou nada. Nem a equipa ucraniana saiu lá de trás, nem os jogadores do Benfica desligaram. Fizeram, isso sim, por puxar os adversários mais para frente. Isso, e não a gestão cómoda do jogo.


E foi nesse registo que fabricou os dois restantes golos. O segundo, treze minutos depois do de Otamendi, por Rafa, na intercepção de um passe para o guarda-redes. E o terceiro, passados apenas mais três minutos, e a outros tantos do intervalo, talvez na mais esplendorosa jogada de toda a partida, toda construída ao primeiro toque, de uma baliza à outra, e concluída na perfeição por Neres.


Tinha caído o pano sobre o resultado, mas o espectáculo tinha ainda mais 45 minutos. A segunda parte arrancou mesmo a garanti-lo, e nem o arrepiante choque entre Rafa e Gonçalo Ramos em que acabou mais uma empolgante jogada daqueles minutos iniciais - e tinham passado apenas três - que chegou a fazer temer pelo estado de ambos, o colocaria em causa.


Rafa acabou por recuperar, e só Gonçalo Ramos teve de sair. Surpreendentemente substituído por Muza, que ainda não tínhamos visto jogar. E que, sem surpresa, e apesar da qualidade global da exibição da equipa, não convenceu quem nunca tinha estado convencido do mérito da sua contratação. Foram-lhe servidas três oportunidades para marcar, não aproveitou nenhuma. As duas primeiras foram mesmo desastradamente desaproveitadas. Só na última, já no primeiro minuto dos 3 de compensação - o árbitro entendeu, e bem, não prolongar o sofrimento da equipa ucraniana - acabou num remate defendido pelo guarda-redes, já com pouco ângulo e quando a decisão deveria ter sido outra.


O minuto 69 foi o das ovações. Merecidas, para Rafa, Neres e Florentino, substituídos por Henrique Araújo, Diogo Gonçalves e Weigl. Mudaram os jogadores, mas não mudou o jogo.


E o espectáculo prosseguiu, agora com estes. Mesmo sem os golos que João Mário, Enzo (ambos por duas vezes) e Musa tiveram nos pés. Com que os jogadores ucranianos, com apenas dois remates (um deles completamente desconchavado, a "quilómetros" do enquadramento da baliza), nem poderiam sonhar. Mesmo que um deles o tenha sonhado, naquele chapéu do meio campo que passou por cima da barra, com Vlachodimos, já na sua posição, a controlar o destino da bola.


Não foi com mangas de alpaca que o Benfica carimbou o passaporte para a fase de grupos da Champion. Foi com fato de gala. Como o Quinito se apresentou no Jamor, há mais de 30 anos, para disputar uma final da Taça de Portugal.


Para isto, para acabar assim, até dá vontade de dizer que o terceiro lugar da desgraçada época passada foi melhor que o segundo, que esteve sempre longe.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A sucessão da liderança do Bloco de Esquerda não só tem animado o debate político - também ele de férias – como tomou mesmo conta dele. Talvez por isso – porque não gosta de ficar para trás, apesar da tese, velha e esfarrapada mas sempre actual, de que a sua sobrevivência política depende sempre da criação de inimigos externos – o Alberto João tenha sentido a necessidade de se intrometer, com um referendo que não o é nem pode ser. Por sorte sua, digo eu!


Bem trabalhadinha a pergunta a referendar, e lançado um verdadeiro referendo nacional, provavelmente arranjaria lenha para se aquecer!


Deixo por isso de férias a fuga para a frente – que não o leva a lado nenhum - de Jardim e trago ao activo a sucessão no Bloco.


Goste-se ou não, é indiscutível que Louçã é dos políticos mais influentes da vida política nacional da última década, pelo menos. Que é dos mais bem preparados e dos melhores tribunos, também não oferece grandes dúvidas. Tem defeitos. Obviamente que sim. Quem os não tem? E quando se fala de políticos…


Resvala facilmente para algum populismo e, ironicamente, é na popularidade que encontra o seu maior handicap. Não chega facilmente ao povo, não se sente muito à vontade no contacto com as massas e não consegue transmitir aquela carga de afectividade indispensável a qualquer político que aspire ao poder.


Tão indiscutível quanto a sua influência, a sua preparação e a sua capacidade oratória, é a sua inteligência. Creio que todos o reconhecerão!


É precisamente em nome desse reconhecimento que mais terá custado a entender a sua exposição ao maior dos pecados de um líder, em democracia, bem entendido: intervir activamente e condicionar a sua própria sucessão. Que abriu o debate e a discussão pública, levando-os para fronteiras bem mais vastas que as da mera sucessão num pequeno partido.


Não creio, ao contrário do que muita gente diz, que Louçã esteja a revelar qualquer costela estalinista – que, de resto, sempre rejeitou – ou alguns genes mais avessos à democracia. Também não me parece que a sua indicação no sentido de uma liderança bicéfala – Catarina Mendes e João Semedo, ao que se diz – tenha alguma coisa a ver com uma estratégia de dividir para reinar, de disseminar o poder para o manter informalmente. Resta então uma terceira via – há sempre uma terceira via – que muitos defendem: com esta indicação pretende apenas proteger o partido. Evitar que se reacendam as lutas internas tendo como protagonistas as forças políticas que estão na génese da sua fundação, e em especial a UDP, de Luís Fazenda, actual líder parlamentar.


Tendo a validar esta tese. Mas, validar esta tese, significaria que Louçã tem consciência que nem tudo correu bem nesta história de sucesso. Significaria que, em quase vinte bem sucedidos anos, o Bloco foi capaz de se afirmar para o exterior mas incapaz de o fazer internamente. Que não foi capaz de conviver com as diferenças e de esbater os pontos de partida. E que os muitos quadros – e muitos de grande valia – que já nasceram no partido, ou que o partido entretanto angariou, são reféns da nomenclatura fundadora.  


Não seria isto que estava na cabeça de Miguel Portas quando, logo em cima do desaire eleitoral do ano passado, propunha o abandono dos fundadores do partido. Estou certo que ele conhecia bem os novos valores do Bloco, e que acreditava que eles têm todas as condições para romper quer com a história quer com a estratégia do partido.


Rompimento que passa fundamentalmente pela radical alteração do posicionamento de poder: ser um partido de contrapoder ou um partido com vocação de poder. Ser um partido capaz de abrangências, consensos e de pontes, ou manter-se como partido de protesto!


É isto que está em causa nesta passagem de testemunho. É isto que terá de ser clarificado para garantir a sobrevivência do partido. E isto só poderá ser feito através de um grande debate interno mobilizado pelos candidatos à liderança. Nunca o será através de qualquer solução de mera continuidade, seja ela monocéfala, bicéfala, ou tricéfala!


Creio que Louçã teria cumprido o seu papel se, em vez de pretender tapar o sol com a peneira - com a tal solução do século XXI -, se retirasse deixando esse debate bem aberto. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


- Todos para a receção!


- Na recessão estamos todos há muito. Nós queremos é sair!


 

domingo, 21 de agosto de 2022

Campeões Intercontinentais sub 20


Foram brilhantes campeões europeus. Hoje foram valentes campeões intercontinentais! 


Foi isso. Treinadores e jogadores perceberam que hoje pedia-se que fossem valentes. Destemidos e corajosos. Que este jogo no Centenário de Montevideu, casa do adversário - também histórico - um estádio à antiga, daqueles que já só em saudade se vêm, nunca poderia jogado noutra base. No fim, também nós acabamos a perceber isso!


Bastou um golo, o golo de Luís Semedo aos 69 minutos, para que o Benfica ganhasse ao Peñarol e juntasse à primeira Youth League a primeira Intercontinental.

sábado, 20 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Começo por dizer que não acredito em maldições, perante as quais tenho uma posição semelhante à que os espanhóis têm das bruxas:”pero que las hay las hay”!


É conhecida a mais velha maldição que recai sobre o Benfica: lançada por Bela Guttman, em 1962. Sem ele o Benfica não voltaria a ser campeão europeu!


À luz do que se ouve hoje dos treinadores de futebol – e especialmente deste que por cá mora, vai para quatro anos – a expressão de Bela Guttman seria pouco menos que inócua. Diz(em) tanto disparate de auto-promoção e sobrevaloriza(m)-se de tal modo que ninguém lhe(s) pode dar ouvidos. Nem levar a sério …


A verdade é que a declaração daquele velho austro-húngaro que levou o glorioso à condição de bicampeão europeu foi produzida noutro contexto. Eram não só outros os tempos, era ele próprio bastante mais que um simples vendedor de banha da cobra, e era um Benfica bem diferente. Que dominava o futebol na Europa, com uma equipa de sonho, com Eusébio, e com sucessivas presenças na final da maior competição de clubes em todo o mundo.


Mas a verdade é que, mesmo somando presenças consecutivas na final da então chamada Taça dos Campeões Europeus, e contra todas as leis das probabilidades, o Benfica não voltaria a ser campeão europeu. Fosse nos restantes anos da gloriosa década de sessenta fosse, anos mais tarde, no final da de oitenta e no início da de noventa. A verdade é que, sendo um dos clubes com mais presenças na final da mais prestigiada competição internacional de clubes, é, a par da Juventus, o que mais títulos de vice-campeão apresenta.


Se isto não é maldição não sei o que o possa ser!


Entretanto, esbatidos os efeitos da maldição de Guttman, mais pela realidade competitiva instalada na Europa do que propriamente pelo inexorável efeito do tempo, uma nova maldição assombrou o Benfica: chamo-lhe a maldição do título!


Com as desgraças que têm fustigado o glorioso, empurrando-o para as trevas dos últimos vinte anos, os títulos que faziam parte do quotidiano dos benfiquistas passaram à mais rara das raridades. Passamos onze anos de jejum, quando nunca tínhamos passado mais de três, chegamos mesmo a um sexto lugar no campeonato, quando o pior que conhecíamos era o terceiro, e em 2005 lá quebramos o enguiço. Num campeonato sofrido, contra tudo e contra todos, lá conseguimos ganhar onze anos depois!


Festejamos rijamente, claro. Mas aquele título desde cedo começou a ser contestado – e não me refiro aos nossos vizinhos da segunda circular, que ainda hoje confundem a falta de jeito de Ricardo com uma falta de Luisão – dentro e fora da esfera do glorioso. Que tinha sido cedo, que o Benfica ainda não estava estruturado para ser campeão, que era enganoso, que desfocara o clube do seu principal objectivo: a consolidação de uma estrutura ganhadora. Que José Veiga…


Um título maldição, já se vê!


Esperamos mais cinco anos. E lá veio Jorge Jesus, que boa parte dos benfiquistas – entre os quais me incluo – olhava com desconfiança. Não era treinador para o Benfica!


Mas a equipa jogou bem, do melhor futebol que viu, e ganhou bem. Jesus confirmou a sua promessa: a equipa vai jogar o dobro. E jogou!


O presidente anunciou uma mudança no ciclo de hegemonia do futebol cá do burgo e nós acreditamos. Tudo parecia que assim seria: finalmente uma boa equipa, um modelo de jogo fascinante e empolgante que vinha para ficar!


Não foi assim. O treinador insuflou, inchou que nem um casco vazio há um ror de anos e, de tão insuflado, começou a levantar voo e a perder o contacto dos pés com a terra. E começamos a perceber que aquele título também estava amaldiçoado. Desta vez tinha chegado cedo … para o treinador. Desta vez era ele que não estava preparado!


Ficou mais três anos, anos a mais. Logo no primeiro, completamente inchado, tratou de trocar o guarda-redes Quim pelo desastre Roberto, descurou a supertaça que recarregaria as baterias do Porto, pôs-se a jeito para a reacção do sistema, com aquelas arbitragens das primeiras quatro jornadas, e insistiu em Roberto. Quando conseguiu estabilizar a equipa era tarde, e cedo a espremeu, até a esgotar e ficar sem soluções para a parte final da época. Sálvio e Gaitan, os dois únicos alas, rebentaram e a equipa ficou sem ataque enquanto, lá atrás, Roberto se ia encarregando de ir agravando o suplício. No seguinte, resolvido o problema Roberto e o da sua própria situação contratual, transformado no mais bem pago treinador nacional e num dos mais bem pagos da Europa, com a saída de Coentrão nascia o do lado esquerdo da defesa. O Benfica iria buscar o titular da selecção campeã do Mundo e da Europa mas, sem o aval do treinador, era uma carta fora do baralho. No qual introduziu um novo Roberto: Emerson. Para completar o ramalhete correu com o Carlos Martins, primeiro, e com Rúben Amorim, depois. Mesmo assim teve o campeonato na mão, mais parecendo ter pretendido deitá-lo fora para o entregar ao Porto!


Sem nada que o justificasse, a não ser a absurda renovação do contrato do ano anterior, negociada em ambiente de chantagem com a bem orquestrada insinuação do interesse de Pinto da Costa, acabamos de entrar na quarta época de Jesus, com tudo a apontar para a repetição da anterior. Despacha o Capdevilla – a quem nunca deu oportunidade – e descarta o Emerson, como se nele nunca tivesse apostado. Mais birras, mais alas – sete, ou oito se incluirmos a vítima Melgarejo, para dois lugares – mais erros tácticos impróprios de um catedrático, mais problemas de discurso e de comportamento e a mesma incapacidade de gestão motivacional de um grupo. A mesma incapacidade de resolver o problema do lado esquerdo, insistindo na destruição do miúdo paraguaio de inegável potencial. Para trás ficou a novela de Rojo, que veio para Lisboa mas afinal para o Sporting. E que é central – e dos bons, pelo que se está a ver – mas que também faz o lado esquerdo, como se viu na selecção argentina. E com tantos e tão bons alas, e à falta de melhor, que jeito daria um defesa que sabe pisar o lado esquerdo.


De novo, de realmente novo, apenas o lifting à cara. As rugas ficam para nós!


Ora digam lá se não temos uma nova maldição?

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Enquanto o primeiro-ministro - repetindo outras figuras, igualmente dadas à graçola, do governo anterior, e dando uma rara oportunidade ao ministro Álvaro Santos Pereira para dizer alguma coisa de jeito - anunciava o fim da crise já para o próximo ano, e alguns dos fazedores de opinião favorável ao governo vêem praias apinhadas de veraneantes endinheirados e restaurantes a abarrotar e cheios de filas à porta, como garante o historiador Rui Ramos (com esta visão da actualidade legitima as dúvidas, hoje tão actuais, que se levantam quanto à que tem da História!) no Expresso deste fim-de-semana, alguns economistas empenhados na mesma tarefa cantam épicos ajustamentos na nossa economia.


O mais glorioso desses ajustamentos tem por centro o histórico equilíbrio do défice externo: algo que apenas por uma vez tinha ocorrido em Portugal, no longínquo ano de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, à custa da guerra e do volfrâmio. Assim, à primeira vista e sem mais, até parece um estrondoso êxito, mais que um sucesso ímpar, um verdadeiro acontecimento histórico.


Mas não é. Isto resulta apenas da queda a pique do investimento e do consumo. Quer dizer: do estrangulamento completo e total da economia. Do agravamento da recessão, a passar a fronteira para a maior depressão do último século!


Não é nada que tenha ver com qualquer ajustamento na economia portuguesa. Não tem nada a ver com qualquer alteração estrutural capaz de inverter o mais crónico dos défices da nossa economia, nem tal seria possível nas actuais circunstâncias. Isso podia e devia ter acontecido ao durante o longo consolado de Cavaco Silva, quando desaguavam em Portugal rios de dinheiro. Que podiam e deviam ter sido utilizados exactamente para isso: para qualificar a economia, qualificando o investimento e os recursos humanos. Para a dotar da competitividade que lhe permitisse exportar mais e melhor e importar menos!


Acontece que esses rios de dinheiro serviram exactamente para o contrário. Serviram para Cavaco Silva destruir em vez de construir, para acabar com as pescas e a agricultura e aumentar o nosso défice alimentar. Para acabar com a indústria, em vez de a modernizar e de lhe dar competitividade, e acentuar a nossa dependência externa. Para pactuar com a utilização fraudulenta de grande parte desse caudal financeiro que inundava o país, instalando e alimentando o facilitismo que tomou conta do país e o afastou ainda mais dos padrões de rigor e de exigência que são a âncora da produtividade!


Perdida essa oportunidade histórica, a economia portuguesa não conseguirá, nas décadas mais próximas, inverter o seu crónico défice externo. Não conseguirá levar a cabo esse ajustamento fundamental. Que nesta altura não existe, ao contrário do que nos estão a pretender fazer crer.


Nesta altura apenas atravessamos uma situação conjuntural, meramente circunstancial, apesar de se continuar a manter durante o próximo ano, em que, sem investimento e sem consumo, as importações caem significativamente, para valores abaixo das exportações. Que lá vão resistindo e, ao que vai sabendo, ajudadas por exportações de ouro. De ouro usado, daquele que as famílias vendem ao desbarato. Com a corda na garganta, enquanto se não vão os dedos…


Quando, por obra e graça vá lá saber-se de quê, a depressão for ultrapassada – e terá de o ser, a actual situação social do país é insustentável - tudo rapidamente voltará ao normal. Que é termos de importar a maior parte do que consumimos e investimos…


 

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Antes havia mulheres de fazer parar o trânsito. Agora vão para o trânsito. E ficam também lá paradas…

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Estava prometido para este fim-de-semana o primeiro ponto alto desta Volta a Portugal, no Monte Farinha, lá bem no alto da Senhora da Graça. E assim foi!


E, depois de dois sul-africanos de amarelo, chegou a vez de um português: Hugo Sabido, que cheirava a amarela desde o primeiro dia e hoje quinto na etapa, que tem agora escassos 8 segundos de vantagem para o segundo, que já o era, César Fonte, da EFAPEL – a equipa de David Blanco - que fez primeiro (Rui Sousa), segundo (Sérgio Ribeiro) e terceiro (David Blanco) nesta etapa mítica da Senhora da Graça. Um resultado anormal, demolidor para toda a concorrência, e demonstrador da enorme superioridade da equipa!


Diz-se que a Senhora da Graça pode não determinar quem ganha a Volta, mas decide quem a não poderá ganhar. E se, no início, as apostas apontavam para David Blanco (regressado á procura do penta) e Ricardo Mestre (o número 1, de vencedor da última edição), a Senhora da Graça decidiu que dificilmente o português conseguirá repetir o êxito do ano passado. Hoje, quando voltou a ser vítima de queda, a terceira em três dias consecutivos, perdeu cerca de um minuto para o galego. Não é que seja muito tempo, só que aconteceu precisamente nos únicos terrenos em que lhe poderia ganhar!


Acresce que a EFAPEL não tem apenas David Blanco, como se viu na etapa. Tem mais três ou quatro que poderão ganhar a Volta, como mostra já hoje a tabela classificativa, com quatro corredores nos cinco primeiros. E que os recursos de que dispõe lhe permitem uma estratégia de corrida deveras singular: colocar sempre corredores nas fugas para evitar qualquer desgaste em perseguições. Integrando permanentemente as fugas, as despesas de perseguição ficam a cargo das equipas adversárias, poupando os seus corredores, que chegam fresquinhos ao momento da decisão da etapa.


Hoje a estratégia voltou a repetir-se e resultou em pleno, como se viu. A vítima foi a equipa de Ricardo Mestre (Prio Tavira) que foi obrigada a controlar toda a corrida, para nos últimos dois ou três quilómetros se afundar, sem condições para acompanhar praticamente toda a equipa adversária!


A Senhora da Graça não disse que será David Blanco a ganhar esta Volta. Mas apenas porque não gosta de dizer quem ganha. Mas lá que disse que se não for ele será certamente um qualquer outro colega de equipa, disse!

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Antes, os cidadãos de um país chamado Egipto eram os egípcios. Que são agora cidadãos do Egito, sem que se tenham passado a chamar egícios…


Coisas da primavera árabe. Que não começa em março e acaba em junho!

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Aí está o campeonato. Já arrancou e, para não fugir à regra, o Benfica não ganhou o primeiro jogo. É assim há oito anos consecutivos!


Ao longo destes oito anos cada um desses primeiros jogos teve a sua história. Este de hoje, como não podia deixar de ser, também tem a sua. Que pouco tem a ver com o facto do Benfica nunca se ter verdadeira e consistentemente superiorizado ao Braga, nem em superioridade numérica. Ou com o árbitro Soares Dias, que esteve longe de fazer um trabalho aceitável – expulsou, por segundo amarelo, o defesa do Braga (Douglão) quando a falta (penalti) foi cometida por outro jogador (Custódio), anulou mal um golo ao Benfica, terá deixado por marcar um penalti sobre Rodrigo, mas, acima de tudo, foi somando pequenos erros e perdendo o controlo do jogo - com erros a mais, é certo, mas que não podem passar para o tema central da história. Ou mesmo com os dois golos sofridos: um auto golo e uma oferta do pobre do Melgarejo!


A história deste jogo tem Jorge Jesus como tema e personagem central. E não é por nunca ter conseguido deixar perceber que estava a entender o jogo, nem por ter falhado rotundamente nas substituições, retirando da equipa o melhor jogador em campo (Rodrigo). É porque este jogo mostrou que o treinador não aprendeu nada ao longo dos três anos, e que continua a confundir birras com afirmação pessoal, e esta com convicções.


Se a contratação de Sálvio foi difícil de entender, não o é mais fácil que o tenha escalado para jogar de início, (o golo que marcou é circunstancial, não pode nem deve justificar o que quer que seja) sem um único jogo de preparação. Apenas e só mais uma das suas birras, das mesmas que nos obrigavam a ver a jogar – e como jogou! – Ruben Amorim do outro lado.


A solução Melgarejo é a reedição da solução Roberto. Com uma diferença: é que está a destruir um bom jogador, como se está a perceber.


Poderei estar enganado, mas parece-me que, com a estória deste jogo, se começou a escrever a do Jesus. É que vêm aí as eleições…


E, perdoando-lhe todas as calinadas, talvez sejam já poucos a perdoá-lo quando diz que o Soares Dias esteve muito bem. Ou quando justifica o resultado e a exibição limitando-se a dizer que o Braga é uma grande equipa!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


De fato, o fato dá-lhe um ar executivo!


Melhor seria que o terno lhe desse um ar terno…

A Champions está perto. Mas há coisas que se querem longe!


Esta noite, em Polza, na Polónia - casa emprestada ao Dínamo de Kiev, em função da situação de guerra em que vive o país - o Benfica regressou ás boas exibições, interrompidas no último jogo, em Leira, com o Casa Pia. E deixou dito que esse jogo foi mesmo uma excepção no nível exibicional da equipa neste início de época, justificada pelo que é o campeonato nacional ... e o estado do(s) relvado(s) do Municipal de Leiria.


Ganhar fora por 2-0 é sempre um bom resultado. Quando acontece no "play off" para a Champions, só pode ser ainda melhor, mesmo quando o resultado foi provavelmente o pior que saiu deste jogo.


Com o onze preferencial de Roger Schemidt, agora com Neres recuperado, depois de ter falhado os últimos jogos, o Benfica dominou completamente o jogo, e exibiu uma superioridade sobre o adversário bem maior do que aquela que já era esperada. Com o habitual bom futebol, bem desenhado e cheio de movimento, e com a habitual pressão alta.


Se bem que já uma pressão alta diferente, eventualmente menos notória, mas mais inteligente. Mais posicional, mais estratégica e menos enérgica. O que não é uma má notícia, porque, desta forma, é bem menor os desgaste exigido aos jogadores, e por isso mais consistente e mais coerente. E isso é evolução e progresso!


A primeira parte foi uma bela demonstração de tudo isso, com um Benfica absolutamente dominador, sempre em crescendo, acabando com a equipa ucraniana do experimentado e astuto Lucescu literalmente encostado às cordas.


Na altura em que, em Munique, Pichardo saltava para a medalha de ouro europeia, os seus colegas de clube, do futebol, asfixiavam a briosa e competente equipa ucraniana.


O primeiro golo, mais um de Gilberto, chegou cedo, aos 9 minutos. A partir daí foi sempre em crescendo, e esperava-se o segundo, o terceiro, e até que não parasse por aí. Só deu para mais um - também mais um de Gonçalo ramos - já aos 37 minutos. Mas, antes e depois, bem mais poderiam ter surgido.


A equipa dominava o jogo a seu belo prazer, criava oportunidades e deliciava os espectadores, especialmente os benfiquistas, como é natural. O seu futebol enchia o campo e, desta vez, eram Florentino e João Mário a brilhar com mais intensidade, com Neres a deixar o perfume do seu futebol, e mostrar que, com ele em campo, tudo fica melhor.


A segunda parte não teve nem a mesma intensidade, nem a mesma qualidade. E houve momentos em que a equipa se desligou o que, não sucedendo pela primeira vez, terá de merecer mais atenção a Roger Schemidt.


É certo que, em termos absolutos, e como comecei por dizer, o resultado era bom. E quando assim é há a tendência para trocar a intensidade e a velocidade pela contenção e controlo do jogo. Nada a opor, desde que a concentração competitiva não seja negligenciada. E houve momentos em que foi. Valeu então Vlachodimos, para que um belo jogo não tivesse acabado por descambar para um resultado nada condizente.


Com a clássica metamorfose para o 4x4x2, na última meia hora, com a entrada da dupla Yaremchuk/Henrique Araújo, e com o jogador ucraniano - que certamente desejaria fazer bem melhor num jogo como este - a continuar a não ser capaz de nos entusiasmar, a qualidade do futebol também caiu, e acabou por contaminar o desempenho global da equipa. Mesmo assim, com uma segunda parte bem abaixo do nível da primeira, não faltaram oportunidades para mais dois ou três golos.


No fim fica um bom resultado, que praticamente garante a imprescindível entrada na Champions. Mas fica também, e continua, o alerta para a tendência da equipa facilitar e cair em momentos de desconcentração. Hoje por hoje, o maior reparo que se pode fazer à equipa.


Até porque não se sabe o que acontecerá ao primeiro resultado negativo. Sabe-se é o que tem acontecido nos últimos anos. E isso não se pode repetir!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Vêm aí mais impostos! Pedro Passos Coelho – lui même – prepara-se para anunciar novidades, entre elas a forma como nos irá sacar o 13º mês.


Isto depois de nos ter acabado de dizer que para o ano a economia dava a volta. No mesmo preciso dia em que o INE revelava que a recessão se agravava – queda de 3,3% do PIB no segundo trimestre, para o período homólogo - e o desemprego (oficial) batia a barreira dos 15%.


Quando a recessão corre que nem um jamaicano em direcção à maior depressão do último século, o primeiro-ministro diz que estamos a um ano de sair da crise. Para, dois dias depois, vir o ministro da economia – o Álvaro, que já não quer fazer mais de bobo… do governo – dizer que não é bem assim. Que sempre ensinou aos seus alunos que “previsões macro económicas são previsões macro económicas”! Que “há sempre imponderáveis


Quer dizer: o primeiro-ministro diz que está a luz está lá, no fundo do túnel, e o ministro da economia diz que, se lá está, não a vê. E que, se lá está, pode apagar-se!


Entretanto a troika está a chegar e, claro, vai servir de pano de fundo para o anúncio de mais impostos. Há sempre imponderáveis: apenas a morte e os impostos são certos. Cá, mais certos que em qualquer outro lugar do mundo!

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Alto e para o baile: uma ordem clara para parar, acrescida de outra, não menos imperativa, para seguir para o baile. Provavelmente com falta de clientes!


Antes desta invenção, alto e pára o baile, era mais que uma ordem. Era um murro na mesa, que punha fim a um regabofe qualquer!


 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Está na estrada – mais tarde que o habitual, para não ser canibalizada pelos Jogos Olímpicos - a 74ª Volta a Portugal em bicicleta. Este ano com naming: “Liberty Seguros”!


As primeiras pedaladas foram dadas ontem, com o prólogo. Que, como em todas as provas, para mais não serve que escalonar a primeira classificação numa tabela separada por décimos de segundo – 2,2 quilómetros não dão para muito mais - e atribuir a primeira camisola da prova, que não tem nada que andar no corpo do último vencedor. Vestiu-a um desconhecido sul-africano – Van Rensburg – pela primeira vez em Portugal!


Tem como novidade o regresso do galego mais português do pelotão ciclista, David Blanco, depois da ausência do ano passado que, se lhe não permitiu confirmar aspirações em provas mais exigentes, permitiu a vitória de um ciclista português – Ricardo Mestre -, coisa que há muito não acontecia.


É de resto à volta deste português da Galiza que gira o maior ponto de interesse desta Volta. Detentor, com Marco Chagas, do maior número de vitórias na Volta – quatro – o interesse maior está em saber se chega ao penta, feito difícil de alcançar na Volta portuguesa. Será também essa a motivação que o levou ao regresso e a adiar por mais um ano a decisão de arrumar a bicicleta!


A competição terá os seus pontos altos – mesmo no sentido literal – na Senhora da Graça, já no sábado, e na Torre, lá no cimo da Serra da Estrela, na próxima semana. O que esses dois dias não resolverem ficará adiado para o penúltimo dia, no contra-relógio de Leiria.


Ao logo destes dez dias iremos dar conta do que de mais relevante se venha a passar.

A Volta ... do ano passado

Uruguaio Mauricio Moreira conquista 83.ª edição da Volta a Portugal


Conforme se esperava, e ontem aqui tinha ficado dito, Maurício Moreira ganhou a Volta a Portugal em bicicleta, a 83ª da História, vencendo o contra-relógio de hoje, de pouco mais de 18 quilómetros, entre o Porto e Gaia, ali à volta da foz do Duro. Curto, mas de grande exigência!


Os 7 segundos de desvantagem para Frederico Figueiredo foram rapidamente anulados, logo nas primeiras pedaladas. No fim, com o sétimo lugar na etapa, o ciclista português, que partira para o contra-relógio com a camisola amarela vestida e com a da montanha emprestada ao uruguaio, acabou a perder 1`e 26". E ficou com o segundo lugar na geral, e apenas com a camisola da montanha. Que só vestiu no pódio final!


A Glassdrive acabou por ficar com todos os lugares do pódio, porque António Carvalho, porventura o melhor ciclista desta Volta teve, também ele, um desempenho extraordinário no contra-relógio, logo atrás de Maurício Moreira - e à frente Alejandro Marque, com uma despedida ao nível da sua notável carreira em Portugal - e ultrapassou largamente os 29 segundos que trouxera de desvantagem para Luís Fernandes, nas condições aqui ontem descritas.


Voltando a elas, e à espécie de batotice com que as designara, saliento duas declarações. Em primeiro lugar as de Ruben Pereira, director desportivo da Glassdrive que, antes do contra-relógio, afirmou não ter nada a ver com aquilo, que nem tinha preferências, nem nunca tinha imposto o reboque ao uruguaio. Depois, no final do contra-relógio, as de Frederico Figueiredo, quando disse que Maurício Moreira tinha merecido ganhar a Volta ... pelo que fizera no ano passado.


Todos percebemos onde estava a verdade. Maurício Moreira tinha merecido ganhar a Volta que no ano passado dramaticamente perdeu. Esta, foi a direcção da equipa que decidiu dar-lhe a ganhar. Pode ser um gesto de gratidão apreciável, mas fere a verdade desportiva. Essa teria de ter sido deixar ganhar o melhor deste ano. E deixar que fossem Frederico Figueiredo e António Carvalho a decidir quem era o melhor.


A clara vitória de Maurício Moreira neste contra-relógio de hoje, e a sua própria honestidade no final, não esconde que esta tenha sido uma Volta ganha com mérito diferido. 


Claro que não tem comparação com as outras batotas. Nem nada tem a ver com a simples batota de uma equipa ter um nome quando ganhava com batota, e passar a ter outro quando a batota foi descoberta. A Glassdrive fez isto porque podia. Porque, como se viu, só ela tinha corredores para poderem ganhar. 


Podia. Mas não devia ter escolhido quem queria para ganhar. Como ficou claro para toda a gente. Até para o honesto Maurício Moreira!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Inicio hoje um espaço dedicado ao acordo ortográfico (AO) que, como se sabe, o Quinta Emenda abomina e renega. Virei aqui cada vez que tropeçar numa das inúmeras aberrações deste Aborto Ortográfico.


Abre com um dos acentos circunflexos que cai com estrondo.


Antes desta invenção, pelo sim e pelo não, expressava basicamente um sentimento de prudência: à cautela


Com o AO tanto pode ser isso como uma depilação intermitente. Ou alternada: pelo sim e pelo não!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Foi dado o pontapé de saída na rentré política: aconteceu na (ainda) capital de Verão do país e esteve a cargo de Passos Coelho. Não já no pinhal, nem no calçadão, mas numa sala fechada da mesma Quarteira, porque os protestos impõem um certo resguardo ao primeiro-ministro. Resguardo e segurança – muita segurança, como se vê em Manta Rota!


E do Pontal que já não é no Pontal, e do discurso que já não é para o povão laranja mas para o povão verde e vermelho, nada sobre o Orçamento que aí vem e que, não fossem as férias, estaria a deixar o país em suspenso. Isso era o que exigiam os media, mas o discurso tem o povão como destinatário. Como exigem os seus ideólogos!


Se para o orçamento ainda não há solução, para a crise já há: 2013 será o ano da inversão. A tal que ainda há pouco o ministro das finanças garantia para este ano!


É uma das novidades do discurso: não é lá grande coisa, mas é uma novidade!


A outra é que afinal Passos Coelho já não quer que se lixem as eleições, como bem desconfiávamos. Só quer que se lixem as próximas autárquicas. E as europeias. Porque, as legislativas, quer ganhá-las! Quer continuar a obra - que diz já estar a meio quando ainda só cumpriu um quarto do mandato - para além destes quatro anos.


Mas, com tamanha produtividade, não se percebe bem a necessidade de mais quatro anos!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...