domingo, 30 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Faltou um bocadinho assim – lembrando um anúncio a um iogurte que por aí andava. O Real Madrid esteve perto de dar a volta à eliminatória perdida… há uma semana em Dortmund. Faltou um golo. O tal bocadinho assim!


Mais que esse bocadinho assim, faltou Cristiano Ronaldo. Não fosse isso e o bocadinho que faltou não teria faltado.


A equipa de Mourinho fez 15 minutos do outro mundo – o primeiro quarto de hora foi espectacular, de uma intensidade fantástica e, evidentemente, impossível de sustentar por muito mais tempo – e dez fantásticos: os últimos dez minutos do jogo. No primeiro quarto de hora criou quatro oportunidades claras de golo. Mas não fez nenhum. Nos últimos dez minutos fez dois, e bem podia ter feito outro. O tal!


Pelo meio a equipa alemã foi sempre superior, como já havia sido na Alemanha. O que quer dizer que a equipa de Cristiano, Coentrão – ambos em campo – Pepe e Ricardo Carvalho – ambos de fora – cedo esgotou as pilhas. Duraram quinze minutos, porque naqueles últimos dez já não foram pilhas a movimentar a equipa: foi o golo. Foi aquele golo aos 82 minutos que fez ressuscitar a equipa para os dez minutos finais. O outro, logo a seguir, apenas prendeu toda a gente ao jogo até ao apito final do Sr Howard Webb, cinco minutos depois dos 90!

sábado, 29 de abril de 2023

Prometedor

Benfica vence em Barcelos com dois golos na reta final


Sabe-se que, chegados aqui, nesta ponta final do campeonato todos os jogos são difíceis. O desta noite, em Barcelos, era, já por isso, difícil. Acrescia que o Minho, esta época, se tinha transformado em maldição. A qualidade do Gil Vicente e, hoje mais ainda, a motivação dos seus jogadores para este jogo.


Aqui chegados, sem margem de erro, o Benfica tem de entrar nestes jogos para os resolver o mais cedo possível, de forma a evitar que a ansiedade tome conta dos jogadores (e dos adeptos), e alimente ainda mais a motivação dos adversários. E começou logo por dar sinais dessa vontade, impondo o seu habitual plano de futebol. O tal para que Roger Schemidt não tem alternativa. O tal plano B que não tem.


As coisas saíam bem, a bola circulava certinha, e ia ficando a ideia que tendo, a bola, e tratando-a tão bem, tudo se encaminhava para que o jogo se começasse a resolver cedo, como era imperativo. Percebeu-se que não era bem isso que estava a acontecer quando, aos 10 minutos, o Gil Vicente fez o primeiro remate do jogo. E depois fez o segundo, e o terceiro...


Chegou a primeira parte a meio, e o Benfica sem conseguir rematar à baliza. Havia sempre mais uma perna à frente da bola, sempre mais um corte no limite, na hora de rematar. E assim não se resolvem jogos. 


A partir daí, do meio da primeira parte, começou então a surgir um ou outro remate. E a bola até começou a entrar na baliza do Andrew, o tal guarda-redes que o Porto pretende a todo custo contratar. Ou pretendia, até hoje...


Só que sem contar, em ambas as vezes por fora de jogo, bem assinalados. De resto essa foi uma das habilidades de Fábio Veríssimo, e da sua equipa. Se o fora de jogo não lhes deixava dúvidas, deixavam concluir a jogada, e assinalavam-no depois, cumprindo a lei. Se lhes deixava dúvidas - já para não dizer que tinham a certeza que não existia - assinalavam de imediato. Incumprindo a lei, e matando a jogada à nascença, não fosse ela acabar em golo, que o VAR teria de validar.


E começaram finalmente a surgir oportunidades de golo. Umas falhadas - Neres, João Mário e Grimaldo, finalmente alguém a perceber que também se pode rematar fora da área  -, outras anuladas por defesas do guarda-redes gilista, capazes de deixar o Diogo Costa com insónias. Só no mesmo minuto (44) tirou o golo a Florentino e a Neres, com duas grandes defesas.


A velocidade do jogo do Benfica não era a maior, nem a última decisão a melhor, mas o Benfica dominava claramente o jogo. Mas não tinha o adversário dominado, que alternava a defesa porfiada com toda a gente lá atrás, com uma pressão alta eficaz e perturbadora, cada vez mais confiante, e capaz de espalhar o sofrimento pelos adeptos do Benfica, que voltaram a dizer presente, esgotando o Cidade de Barcelos.


Esperavam-se alterações para a segunda parte, mas Roger Schemidt voltou a não ter pressa, e deixou a equipa na mesma. O primeiro quarto de hora foi uma cópia da primeira parte, com as mesmas virtudes e defeitos. E terminou com mais um remate de meia distância de Tiba, para uma boa defesa de Odysseas e, finalmente, o cartão amarelo para Carraça que, invariavelmente - até porque não tinha grande apoio na sua faixa -, recorria à falta para travar Grimaldo e quem mais lhe aparecesse pela frente.


À entrada para a última meia hora do jogo Schemidt mexeu finalmente na equipa, com a entrada de Gilberto e Gonçalo Guedes, para as saídas de Neres e João Mário. Neres tinha perdido algum fulgor, e  João Mário, decididamente longe da forma com que nos surpreendeu na maior parte da época, nunca o tinha chegado a ter. Gonçalo Guedes tinha de entrar, e substituía bem qualquer dos dois. Gilberto ... é que não lembrava ao diabo. 


Dá o que pode. Mas pode pouco. A verdade é que Aursenes, mesmo sendo pau para toda a obra, não é grande coisa como lateral direito. E não o estava a ser. Passou para o lugar de Neres, na direita, e nem foi preciso exigir mais a Gilberto do que o que ele pode, para resultar. 


Dez minutos depois, nova dupla mexida: saíram Gonçalo Ramos (o mais penalizado pela quebra da pressão alta que a equipa antes fazia, e já não faz) e Florentino. Entraram o inevitável Musa e ... Chiquinho. Voltava a não lembrar ao diabo... Só que resultou, e de imediato!


A primeira vez que tocou na bola foi para responder, com um grande remate de cabeça, na zona da marca de penálti, ao cruzamento de Aursenes, da direita. E assim marcar o golo que fez explodir de alegria o Cidade de Barcelos, repleto de benfiquistas. Outros, mais energúmenos que benfiquistas, fizeram explodir outras coisas, que certamente vão custar caro.


A 20 minutos do fim a bola entrara, finalmente. O mais difícil estava feito. O Benfica acentuou ainda mais o seu domínio, e aproximou-se do nível exibicional capaz de devolver aos jogadores a confiança de que precisam para as últimas batalhas. 


Nunca faltou tranquilidade à equipa, e o segundo golo, a cinco minutos dos 90, acabou com as dúvidas. E voltou a obrigar-nos a olhar para Fábio Veríssimo, que assinalou o penálti que Grimaldo converteu no 2-0 final. Há dois penáltis consecutivos, mas o árbitro não viu nenhum. Foi chamado pelo VAR, e acabou por marcar o segundo, por mão de um defesa do Gil, na disputa da bola com Musa. Quando, antes, o Carraça puxara o braço a Otamendi, impedindo-o de rematar para golo. E teria de ter sido esse a ser assinalado, com a consequente expulsão do jogador do Porto emprestado ao Gil Vicente.


Poderia e deveria ter sido outro o resultado, tantas as oportunidades de golo criadas e desperdiçadas. Na última, tudo foi feito como devia ter sido, mas o toque de classe de Musa acabou com a bola na barra. E na recarga Rafa - está a regressar, lenta mas seguramente - voltou a falhar. Da exibição, mais do que aquilo que na realidade foi, fica o que de prometedora teve.

"Estava mesmo a pedi-las" ...

António Costa determinou que João Galamba teria de verificar todas as  faturas da Endesa a ser pagas pelo Estado? - Polígrafo


"Se queres conhecer alguém, dá-lhe poder"...


Esta afirmação, que há mais de um século é utilizada pelo mundo fora, e nos mais diversos palcos, atribuída a Abraham Lincoln,  16º Presidente dos Estados Unidos - entre 1861 e 1865, quando foi assassinado, fez há poucos dias 168 anos -, foi recentemente desmentida pelos "fact check" da actualidade.


Dizem que não há prova que alguma vez tenha sido proferida pelo mítico presidente americano, mas será sempre mais uma, das muitas que lhe são atribuídas como legado, e que eventualmente não tenham ainda passado por este crivo dos polígrafos, que a contemporaneidade das redes sociais vem impondo à comunicação.


Com ou sem a "marca registada" de Lincoln, fez carreira e ganhou vida. E veio-me à memória propósito dos últimos e escaldantes episódios da já eternizada rábula da TAP,  agora com João Galamba no papel principal de "enterrar" o governo ainda mais fundo. 


Se já se conhecia do que era João Galamba capaz, apenas com o poder do Sócrates, por que raio terá António Costa decidido dar-lhe poder em nome próprio?


"Estava mesmo a pedi-las". Agora aguente-se ... cada vez mais enchafurdado.


 

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Foi uma semana dominada pelo consenso.


O presidente apelou ao consenso, mas parece que pouco mais faz que quebrá-lo. Ou que avisar… Bem avisar!


O governo quer estender para fora o consenso que não existe lá dentro. Nos conselhos de ministros parece que já pouco falta para andar tudo à batatada… Até Vítor Gaspar apela ao consenso, e chama-lhe agora consenso esclarecido, quando o único consenso é correr com ele. Se forem capazes…


Consenso, consenso é no PS. O congresso deste fim-de-semana foi mesmo para mostrar ao Presidente e ao Governo que consenso é com eles. António José Seguro é ele próprio o consenso, eleito com mais de 96% dos votos. Na nova Comissão Política não podia haver mais consenso…


É até consensual que Seguro aplaudiu o discurso de Cavaco. Não aplaudiu de pé, é certo. Foi apenas sentado, o que - é consensual - faz toda a diferença. E não põe em causa o consenso no PS contra o discurso de facção do presidente…


 

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


São ambos colombianos, ambos os nomes começam por J e ambos bem anglófonos, com apelidos bem latinos. Se ambos falham os penaltis que generosamente têm para marcar, por que é que um é “Rames” e o outro não é “Rackson”?

terça-feira, 25 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Neste 25 de Abril, Cavaco  explicou o que ainda alguns ainda não tinham percebido. Havia gente não tinha percebido o velho desejo de Sá Carneiro: uma maioria, um governo, um presidente... Era isto. Não sei é se seria para isto!


Diz que até os cravos caíram...

Os cravos, mais uma vez...

Marcelo fala em “esperança na mudança”, Santos Silva e PS na “estabilidade”  | Revolução dos Cravos | PÚBLICO


Tudo correu como esperado. Lula foi recebido no dia 25 de Abril na Assembleia da República, mas não esteve no 25 de Abril da Assembleia da República. Bem pensado por Augusto Santos Silva, dizia Marcelo, ainda a caminho.


A Iniciativa Liberal representou-se apenas pelo seu líder, o Ventura fez o seu número, e Augusto Santos Silva voltou a "dar-lhe", com força - "chega de envergonhar Portugal" - e pediu desculpa pela vergonha. Aplaudido por todas as restantes bancadas, menos uma. A do PCP. O que se repetiria no discurso de Lula ... quando condenou a Rússia pela invasão da Ucrânia.


Lula aprende, sem surpreender. O PCP não. Nunca aprende, nem nunca surpreende.


Lá se foi Lula, a tempo de ir almoçar a Madrid, e de se iniciar a sessão oficial das comemorações, deixando tranquilos todos os que achavam indigna a sua participação. Os cravos já lá estavam, no seu sítio. E no peito da maior parte dos presentes, incluindo no de Lula.


Os cravos, sempre os cravos a dividir uns dos outros. E lá estavam os militares de Abril, os que sobram. Dos antigos Presidentes da República, nem isso. Apenas Ramalho Eanes. Os outros já partiram, e Cavaco voltou a mostrar que ... não faz falta. E que porventura nem é digno de o ter sido.


E começaram os discursos. A propósito, e com propósito, com maior ou menor inspiração, mais ou menos arrebatadores. Bem construído o de Rui Tavares, e bem articulado com a exaltação da obra de Chico Buarque - que ontem recebeu, finalmente, o Prémio Camões de 2019, cuja entrega havia sido sucessivamente boicotada por Bolsonaro -, e bem lido, ou bem representado, o de Catarina Martins.


Todos de cravo, à excepção de Rui Rocha. Que fez mal em deixar-se ficar sozinho ("o outro" não conta). Até porque nem Joaquim Miranda Sarmento o negou, mesmo quando todos os deputados do grupo parlamentar que lidera os deixavam inertes na bancada, à sua frente.


Para Marcelo, já se sabe, cravo só na mão. Não discretamente na mão, porque Marcelo num é discreto. Mas ambiguamente na mão, na permanente obsessão de agradar a todos.


Chegada a hora dos discursos dos mais altos magistrados do Estado, Augusto Santos Silva optou por recados ao Presidente Marcelo. Criou uma figura - o "tempo democrático" - para encaminhar o discurso para a estabilidade da legislatura, para lhe dizer que páre lá com a conversa da dissolução do parlamento. Que é "tempo democrático" que dita a duração das maiorias e não a sofreguidão do poder.


Marcelo não surpreendeu ao responder, sem responder, que é o povo o "efectivo garante da estabilidade", e que em democracia "há sempre a possibilidade de se criar caminhos diversos". Também não surpreendeu ao defender a presença de Lula, explicando-a mais em jeito de se desculpar pelo o imbróglio que ele próprio criou, e que alastrou para polémica, do que de outra coisa. Onde surpreendeu foi na forma como explicou muitas coisas ao Chega. Como se fossem muito burros...


Que não são. Pelo menos, ele, "o outro", não é. É muito esperto a explorar a "burrice" dos outros!


 


 

Sempre!

Associação 25 de Abril – Associação 25 de Abril

segunda-feira, 24 de abril de 2023

E eles ... pimba!

Ativistas mostram rabo ao primeiro-ministro no aniversário do PS


O PS fez 50 anos, uma idade bonita, mas que não podia ter caído em pior altura. Todos os dias são bons para fazer anos, mas, e logo no cinquentenário, estes, que correm, não correm nada bem.


Mesmo assim António Costa fez-se à festa, como se não fosse nada com ele. Como é costume...


Não foi bonita a festa, pá. Começou com uma sessão de rabinhos ao léu, passou por mais um número de Costa, a tirar da cartola uma maioria absoluta ... em eleições europeias, e acabou com Quim Barreiros. A dar o "bacalhau a cheirar", porque já chega de "mamar nos peitos da cabritinha".


A poucos dias do 49 anos do 25 de Abril, os 50 do PS mereciam outra coisa. O PS dos cinquenta é que não merece muito mais. Nem já dá para mais que isto! 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O governo olhou finalmente para a economia. Depois de mais uma maratona de conselho de ministros, lá surgiu mais um pacote de estímulo à economia... Que só olha para um lado: o da oferta!


O governo tem este problema congénito: só consegue olhar para um lado... Nunca consegue olhar para mais que um lado!


Acha que para estimular a economia basta incentivar a oferta. Acha que os empresários, só porque têm acesso a crédito ou IRC mais baixo, vão desatar a investir e a criar postos de trabalho.


Do lado da procura... nada! Nem mesmo estando obrigado ao pagamento do subsídio de férias dos funcionários públicos, que ora é de férias ora de natal...  Sem procura, investir para quê?


Ah! Para exportação. Também me parecia!


Não vale a pena: esta gente não vai lá...

domingo, 23 de abril de 2023

Um jogo com caderno de encargos


Os adeptos benfiquistas não desistem, nem abandonam a equipa, por piores que sejam os momentos por que passe. Hoje, neste fim de tarde, voltaram a encher a Luz, a apoiar a equipa, e a ajudá-la a levantar-se, depois de quatro jogos seguidos sem ganhar, com três derrotas consecutivas, que fizeram desaparecer 6 dos 10 pontos de vantagem com que o Benfica tinha chegado a esta ponta final do campeonato.


Os adeptos fizeram a sua parte, e a equipa confirmou a vontade de dar a volta a esta surpreendente quebra, de que já tinha dado mostra em Milão, na passada quarta-feira.


Roger Schemidt também fez a sua parte, mesmo que possa apenas ter feito parte da parte que lhe cabia. Mudou algumas peças na equipa, porventura menos do que devia, mas sabe-se quanto isso lhe custa. E fez as substituições em tempo útil, e acertadas.


Sem Bah, tirou Gilberto da equipa, repetindo a experiência da segunda parte de Milão, entregando a Aursenes o lado direito da defesa. E resultou. O internacional norueguês não sabe jogar mal, jogue onde jogar. Deu a titularidade a Neres, que há muito a justificava, e também resultou. Nesta altura a equipa não tem quem tenha maior capacidade para criar desequilíbrios nos adversários, e confirmou-o no jogo. E, pela primeira vez, a João Neves. Em vez de Florentino. E voltou a resultar. 


Nos poucos minutos que Schemidt lhe tinha dado, o miúdo tinha sempre aproveitado para mostrar que contava. Joga à bola como poucos. Não dá ao jogo o que dava Enzo, mas dá muita coisa boa à equipa. Na saída de bola, no transporte, e até na frente. Hoje confirmou tudo isso, e foi dos melhores. Ao seu nível apenas Neres.


A tarefa para hoje, frente ao Estoril, era mais que ganhar. Ganhar era imperativo, mas não era menos importante mostrar saúde física e mental para reverter a situação em que a equipa tinha caído, e dar garantias de ter condições para enfrentar os desafios que tem pela frente. Ganhar de goleada, e com uma exibição ao nível daquelas a que a equipa nos habituara, seria a cereja no topo do bolo, e porventura o empurrão decisivo que faltava para recuperar a embalagem perdida.


Cumprido o jogo, e à luz deste caderno de encargos, os adeptos saíram da Luz com "mixed feelings". O jogo foi ganho, mas pelo magro 1-0. A exibição teve bons momentos, especialmente na primeira parte, e foi suficiente para um resultado dilatado, para uma vitória expressiva. Mas não foi suficientemente robusta para afastar fantasmas. Especialmente tendo em conta que, na teoria, este seria à partida o "mais fácil" dos seis jogos que faltavam quando se iniciou.


Poderia este jogo cumprir todo o caderno de encargos que lhe estava destinado?


Dificilmente, nesta altura. Até porque se a equipa revelou melhorias, o jogo mostrou que a estrelinha anda distante, e que as arbitragens "não dormem".  Noutro contexto as oportunidades de golo teriam tido outro aproveitamento. Os penáltis que nos jogos dos outros estão sempre ali, prontos a desbloqueá-los, nos do Benfica nem a ferros. E quando, a ferros do VAR, lá saiu um, João Mário voltou a falhar. 


O Benfica poderia ter resolvido o jogo na primeira parte, quando conseguiu impor um ritmo alto e muitas vezes sufocar a equipa do Estoril, exclusivamente dedicada a tapar os caminhos da sua baliza, defendendo com todos os jogadores em cima da sua grande área. Ocasiões de golo não faltaram para isso. 


Só num espaço de 10 minutos, entre os 13 e os 22, João Neves, Gonçalo Ramos e Rafa desperdiçaram três, antes de Rui Costa fazer vista grossa a um penálti cometido sobre Aursenes. Voltaria a fazê-la 10 minutos depois, valendo desta vez o VAR. Mas nem de  penálti, mais uma vez, e o golo apenas surgiria já perto do intervalo, à quinta oportunidade, pela magia nos pés de Neres, e pela cabeça de Otamendi.


Pensou-se que o mais difícil estava feito e que, como a equipa estava a jogar, e com a tranquilidade que o golo traria, o resultado iria crescer na segunda parte. Mas não. O jogo continuou a ter a baliza de Dani Figueira como sentido único, mas sem oportunidades de golo.


Roger Schemidt mexeu na equipa logo no início do segundo quarto de hora, substituindo bem Chiquinho e Gonçalo Ramos por Florentino e Musa. A equipa aumentou o ritmo e voltou então a criar novas oportunidades para marcar. Marcaria mesmo, pelo internacional croata, a finalizar, com classe, a melhor jogada da segunda parte. Mas não valeu. No início da jogada Aursenes recebera a bola quando estava a recuperar de posição adiantada, e o VAR anulou - bem - o golo.


O relógio avançava, e nas bancadas temia-se o magro 1-0. Chegou a fazer-se silêncio, mas durou pouco. O Benfica mantinha firme o controlo do jogo, ninguém tremia, e isso fez regressar o apoio dos adeptos.


Gonçalo Guedes, então sim, tardiamente, ainda entrou. Ter-se-ia justificado entrar mais cedo, e para o lugar de Rafa. Como já foi tarde (a 4 minutos dos 90), serviu para os - merecidos - aplausos a Neres.  


O árbitro Rui Costa, para além de ser peça do sistema, é péssimo. Quando um árbitro é mau, e quer fazer mal, penáltis só obrigado. Queimar tempo, é à vontade. E qualquer disputa de bola é falta. Rui Costa, o árbitro, foi isto. E isto é o que nos espera até ao fim do campeonato!


Aos outros, voltamos ontem a ver com o que contam: amarelos a todos os adversários, expulsões bem cedo, penáltis, uns atrás dos outros, e impunidade total em todas as zonas do campo, e especialmente dentro da sua área.


 


 


 

sábado, 22 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Há seis meses, com o governo a acabar de refinanciar a banca, em plena lua-de-mel, a austeridade não era problema. Interrogando-se se o país aguentaria mais austeridade, os banqueiros não hesitavam na resposta: "ai aguenta, aguenta" - dizia Ulrich, sem complacências.


Na semana passada, no entanto, os banqueiros já vinham a terreiro, por Ricardo Salgado, dizer que não. Que o país já não aguenta mais austeridade!


Poderá o leitor achar que é normal. Foi descoberto o tal erro na folha de Excel de que Vítor Gaspar tinha feito o (in)devido uso, e finalmente está toda a gente, António Borges incluído, convencida que a insistência na austeridade não leva a outro lado que não o aprofundar da espiral recessiva. Até Durão Barroso já descolou da austeridade, e fez já mea culpa.


Até poderá ser que assim seja, que os banqueiros tenham visto passar esta carruagem e decidido embarcar nela. Para não perder este comboio. Mas fico com a ideia que não foi esta a carruagem que avistaram, nem era este o comboio que não queriam perder.


Sabe-se como se trata de gente que cheira, melhor que ninguém, o apodrecimento do poder. E que perante esse cheiro é ágil e rápida em tudo o que possa precipitar os acontecimentos. Bem nos lembramos que Sócrates atirou a toalha ao chão precisamente depois de os ter recebido na véspera!


Claro que o governo, sempre pouco hábil nestas coisas, deu um bom pretexto quando decidiu incluir a banca, logo a seguir ao Tribunal Constitucional, no lote dos responsáveis sobre quem sacode a água do capote. Passos Coelho – mais uma vez bem acolitado por António Borges, que tomou para si, veja-se bem, as dores do ataque à banca - pretende que o governo tudo faz para que a economia cresça, só que a banca, fechando-se ao crédito, não deixa. E de tudo tem feito para pressionar os bancos a abrir os cordões à bolsa, esquecendo-se que o poderia ter feito sem se expor a este ridículo se tivesse incluído nos contratos de recapitalização qualquer coisa a esse respeito.


Toda a gente percebe que não há crescimento porque não há investimento. Nem consumo. E não porque não haja crédito. Crédito para quê?


É evidente que nas condições actuais da nossa economia as empresas não precisam de crédito para fazer crescer o seu volume de negócios. Precisarão dele eventualmente para financiar prejuízos e fundo de maneio, penalizado pela degradação das suas próprias cobranças, para se aguentarem, para não fechar portas… Ora, o crédito bancário – que procuram nessas circunstâncias já depois, como bem se sabe, de ter esgotado o dos seus fornecedores e de lhe ter agravado também as dificuldades – não deve servir para isso. É que isso chama mais por capital  que por crédito... E é bem compreensível que, depois de tudo o que se passou, a banca não pretenda entrar por aí…


O resto é demagogia. E o governo – e António Borges (tem sempre que se falar assim, porque ele é governo sem ser do governo) – faria bem melhor se, em vez de se perder em demagogias e à procura de desculpas, fosse directo ao assunto. E ir directo ao assunto é, nesta matéria, pôr rapidamente o Estado a pagar as suas dívidas. É fazer com que o Estado deixe de ser o maior caloteiro do país, e passe a pagar a tempo e horas. Depois, bem … depois é traçar uma política de crescimento económico porque, de austeridade, o país não precisa mais. O Estado precisa, o país não!


Nem é preciso nenhum estudo especial. Basta olhar para a política fiscal: está lá quase tudo!

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


No final da semana passada os jornais anunciavam um buraco de milhões no sector público de transportes, em consequência da negociação de contratos financeiros de alto risco. Em pleno fim-de-semana foram demitidos dois Secretários de Estado, ambos com responsabilidades anteriores no Metro do Porto, onde terão sido responsáveis por contratos desse tipo. E dois outros foram mantidos no governo, entre os quais Maria Luís Albuquerque, a poderosa Secretária de Estado do Tesouro, que enquanto Directora Financeira da Refer terá sido também responsável pelo mesmo tipo de contratos, conhecidos pela designação de Swaps.


Ao contrário do anunciado pelos jornais os contratos Swap não são contratos de alto risco. São, antes, contratos que têm por objectivo baixar o risco das operações financeiras, incindindo neste caso sobre os juros. Outros há para cobrir riscos de câmbio. São instrumentos através dos quais, em determinado momento da vida de um financiamento, se transforma em fixa a sua taxa de juro variável, pagando por isso, naturalmente, uma determinada comissão. Exemplificando: uma empresa tem um contrato de financiamento negociado à taxa euribor com um spread de 0,5 pontos percentuais; a taxa euribor era, à data, de 2,5%, o que dava uma taxa de juro efectiva de 3%. Em determinada altura, e perante a perspectiva de subida da taxa euribor, é negociado o contrato de Swap que fixa essa taxa de juro – 3% - perante o pagamento de uma comissão de 0,60 pontos percentuais. Ou seja, assegura uma taxa de juro de 3,6% para todo o empréstimo, independentemente do comportamento da taxa euribor. Trata-se pois, como se percebe, de uma prudente decisão de gestão. Que passa a irrepreensível quando tomada no timing certo e, evidentemente, quando os custos financeiros que dela decorrem são perfeitamente acomodados na conta de exploração!


Em 2007, por exemplo, as perspectivas eram de subida da taxa euribor. Estas operações faziam todo o sentido e podiam ter sido bem negociadas. No entanto, com a crise económica e financeira de 2008, e para lhe fazer face, o BCE começou a baixar sucessivamente as taxas de juros, mantendo-as em mínimos históricos ao longo destes últimos cinco anos. Bem abaixo das estabelecidas naqueles contratos, resultando em perdas potenciais. Em prejuízos virtuais!


Mas não é disto que os jornais falam. Falam de prejuízos reais, e isso é estranho. Mais estranho é que, por isto, dois Secretários de Estado tenham sido demitidos. Mais ainda é que a Secretária de Estado do Tesouro, ao que corre, não o tenha também sido apenas porque, no caso da Refer que lhe é imputado, impacto financeiro ser menor.


Não faz sentido que isto não seja explicado. Não faz sentido lançar neste momento achas despropositadas para a fogueira que consome este governo. Não faz sentido minar ainda mais a capacidade e a credibilidade deste governo!


A não ser que tudo isto não passe de poeira atirada aos nossos olhos para esconder outras coisas. E para isso os Swaps podem dar jeito. Servem bem para aquela política do cogumelo de que aqui já falei há uns tempos

Do "regular funcionamento das instituições" à "salvaguarda do interesse público"

TAP: Medina diz que conclusões que vai retirar da IGF são para "assegurar a  legalidade" - Expresso


Poderia ser mais uma trapalhada, mas é bem mais que isso. É mais um carimbo de descrédito num governo de aldrabões.


Apertados nas trapalhadas, logos os trapalhões criaram a aldrabice do parecer jurídico que garantia robustez à prova de bala à decisão de demitir, com justa causa, a CEO da TAP. Instigados a apresentá-lo na Comissão Parlamentar de Inquérito, fingiram que não percebiam.


Pressionado, e ameaçado de crime de desobediência, em Nota Oficial da ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, o governo alega "a salvaguarda do interesse público" e acrescenta que "o parecer em causa não cabe no âmbito da comissão parlamentar de inquérito" e que "a sua divulgação envolve riscos na defesa jurídica da posição do Estado".


Se não fosse insistir na aldrabice, seria insistir na trapalhada. Admitir haver riscos na sua divulgação, era negar a sua própria robustez. Se só poderia piorar, piorou, com Fernando Medina a confirmar a mentira, com a maior desfaçatez: "Não há nenhum parecer"!


Como já se adivinhava que não havia, mesmo sem se imaginar que os aldrabões pudessem chegar a tanto. A  partir deste episódio já se pode deixar de carregar na tecla do "regular funcionamento das instituições" e passar para a da "salvaguarda do interesse público". 


Depois de despedir a francesa, o governo está a despedir-se à francesa. De fininho, deixando a conta para trás...


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não fosse o espectacular segundo golo do jogo e a fantástica jogada que o pariu, e poderíamos estar agora a dizer que o Benfica teria feito hoje frente ao Sporting um dos piores jogos da época. Como essa jogada - e esse golo - valem por todo um jogo, não se poderá dizer isso, e teremos apenas de falar de um jogo bem ganho e fortemente determinado pela evolução do marcador!


Exactamente assim: com um golo no último quarto de hora da primeira parte e outro – esse tal fantástico, nascido da magia de Gaitan e da arte de Lima – à entrada do último do jogo, o Benfica geriu o jogo a partir do resultado.


O Sporting chegou a este jogo numa situação inédita numa centena de derbis já disputados: a uma distância do seu maior – diria que único – rival nunca vista. Em pontos, com menos de metade dos pontos do Benfica, em golos, e em qualidade de jogo. Mas com um élan especial: uma onda de motivação lançada a partir do banco pelo novo e populista presidente e por uma sequência, inédita nesta época, de três vitórias consecutivas e de quatro jogos sem derrotas, construída a partir de golos no último minuto do tempo de compensação. Com alguma expectativa e muita ilusão, ao que se foi ouvindo ao longo da semana!


Foi, por isso e pela forma como o Benfica abordou e ganhou o jogo, difícil ao Sporting – e ao Porto, como certamente se irá ver - digerir esta derrota. E fácil transformá-la numa vitória moral: “o Sporting foi melhor”, dizem. E o árbitro deixou por marcar tantos penaltis a seu favor quantos cada um quer… Para Jesualdo Ferreira, um. Para outros dois, ou mesmo três. Para os portistas - aí está, isto era mais que um derbi - a coisa não se faz por menos de quatro penaltis. E duas expulsões!


Não importa nada que o Sporting não tenha construído uma única oportunidade de golo… 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

O regular funcionamento das instituições

Presidente diz que casos no Governo não afetam regular funcionamento das  instituições


Marcelo voltou a não promulgar a lei sobre a eutanásia. Não a voltou a enviar para o Tribunal Constitucional, devolveu-a ao Parlamento. Pela quarta vez!


Numa altura em que tanto se fala do "regular funcionamento das instituições", invocado como razão forte para dissolver o Parlamento e pôr fim a esta maioria que, na realidade, não se cansa de o pôr em causa, há aqui coincidências curiosas.


O Tribunal Constitucional, instituição última no que ao "regular funcionamento das instituições" diz respeito, viveu mais de um ano na irregularidade, com juízes a permanecerem em funções muito para além do seu mandato. O mandato do vice-presidente Pedro Machete terminara em 2021. No ano passado mais dois conselheiros viram o seu mandato chegar ao fim: João Caupers, o presidente, e o juiz conselheiro Lino Ribeiro.


Na instituição que é o último garante da Constituição, um quarto dos seus membros permaneceu em funções muito depois de terminado o seu mandato de nove anos ... determinado pela Constituição (Artigo 222º). 


Se isto não põe em causa o regular funcionamento das instituições, nada o pode fazer mais gritantemente.


Para o Presidente Marcelo, a quem, constitucionalmente, compete zelar pelo "regular funcionamento das instituições", a aberração maior no "regular funcionamento das instituições" nunca foi problema. 


Esta aberração começou a ser finalmente corrigida há menos de uma semana, com os 10 juízes eleitos pela Assembleia da República a escolherem Carlos Carvalho, Rui Guerra da Fonseca e João Carlos Loureiro para sucederem aos que já tinham terminado o mandato. Falta ainda escolher o novo Presidente, pelo que o processo não está concluído.


Talvez não seja coincidência que os três juízes cujos mandatos foram prolongados tenham, todos, votado pela inconstitucionalidade da lei. Como a votação foi de 7-6, é fácil de concluir que, com "o regular funcionamento da instituição" a votação foi de 6-4, a favor da constitucionalidade. E que foi o 3-0 dos irregulares, a decidir da inconstitucionalidade.


E se essa não é uma coincidência, dificilmente também o não será que, agora, Marcelo não tenha enviado a lei, cuidadosamente preparada para sanar quaisquer laivos de inconstitucionalidade, para o Tribunal Constitucional na sua nova constituição, e tenha usado a veto político.


Quando o Presidente é um taticista o "regular funcionamento das instituições" ... tem dias. E quando um presidente não corta a direito, mas ao sabor das suas tácticas, é a própria Instituição Presidência em funcionamento irregular.


PS: Nada do que ficou escrito tem, evidentemente, o que quer que seja a ver com a lei em causa. Apenas, e só, com o "regular funcionamento das instituições".


 


 

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Foram os anéis, salvaram-se os dedos!


Não era realisticamente expectável que o Benfica pudesse virar o resultado da eliminatória hoje em Milão. Não o era pelo que tínhamos visto do Inter, uma equipa de grande maturidade táctica, constituída por jogadores de grande valia individual; e não o era pelo que tem sido o Benfica das últimas semanas, num ciclo profundamente negativo, com uma sucessão de três derrotas.


Nestas circunstâncias, ultrapassar a diferença de dois golos que o Inter trouxera da Luz, se era o objectivo, era inatingível. O jogo confirmou isso mesmo, em nenhum momento o Benfica mostrou que poderia dar corpo à ideia perdida de chegar às meias-finais desta Champions.


Os objectivos para este jogo teriam de ser - e provavelmente seriam mesmo - estancar a série de derrotas e realizar uma exibição a que a equipa, e os adeptos, se possam agarrar para inverter a fase negativa que atravessa, matar a descrença, e afastar fantasmas.


À luz desses objectivos, o jogo foi interessante, e até empolgante. A perspectiva de ir além deles morreu cedo, logo aos 13 minutos. Quando, no primeiro remate do jogo, Barella marcou e deixou o Inter ainda mais confortável na eliminatória. E quando ficou claro que os argumentos que, em Lisboa, tinham sobrado à equipa italiana e faltado ao Benfica, voltavam a decidir este jogo de Milão. 


Esse golo evidenciou logo que o Inter continuava a ganhar todos os duelos. E que o Benfica mantinha no défice de agressividade o sua principal dificuldade para ultrapassar estes jogos de maior exigência. 


Foi nos duelos que os jogadores do Benfica perderam que perderam esta eliminatória. 


O Benfica só conseguiu o primeiro remate à meia hora de jogo. Mas, para isso, foi preciso um livre. De Grimaldo, que até poderia ter acabado em golo, não fosse a boa defesa de Onana. E chegou ao empate oito minutos depois, no segundo remate, na primeira boa movimentação colectiva da equipa, iniciada com um passe de grande visão de Florentino, continuada na movimentação de Gonçalo Ramos e de Grimaldo, a obrigar o muro italiano a abrir, no  cruzamento preciso de Rafa, e na excelente conclusão de cabeça de Aursenes.


O resto foi controlo do jogo por parte do Inter e, ao intervalo, mesmo com o empate, garantido só estava o desfecho da eliminatória. Os outros objectivos realistas do Benfica ainda não.


O Benfica entrou com Neres para a segunda parte. Entrou bem o brasileiro, e entrou bem a equipa. Desta vez não saiu Florentino. Saiu Gilberto, que nunca se tinha entendido em campo, com Aursenes a preencher a sua posição. Uma novidade, mas ainda haveremos de o ver na baliza. 


O Benfica entrou bem mas, mais uma vez, um erro de arbitragem para "enfeitar" esta eliminatória, depois dos da Luz. Carlos del Cerro Grande, o árbitro espanhol que no passado domingo protagonizou em Valência (no jogo com o Sevilha) uma das mais inacreditáveis arbitragens da era do VAR, não assinalou um penálti claro de Lautaro sobre Aursenes. O Benfica tinha a bola, e jogava no meio campo do Inter, que fechava todos os caminhos para a sua baliza, e parecia que estava a atingir os tais objectivos realistas.


Só que o Inter saía em contra-ataque sempre que podia. Na primeira vez que o pôde, ia a segunda parte a meio, Lautaro Martinez marcou o segundo, com uma grande execução, saindo pouco depois, substituído pelo compatriota Corrêa. Que, dois minutos depois de ter entrado, marcou o terceiro, em novo contra-ataque, e novamente num golo de grande execução. 


Em comum, nestes contra-ataques bem sucedidos, a exploração do flanco direito e da falta de rotina de Aursenes, e a falta de agressividade, passividade mesmo, no centro da defesa do Benfica. 


Faltava um quarto de hora para o fim, e o cenário mais provável era, então, de mais uma derrota. Ou até de um enxovalho capaz de afundar a equipa ainda mais.


Os jogadores sentiram isso, e e não deixaram que isso pudesse acontecer. E, ao que, não direi de bom, mas de razoável tinham feito, acrescentaram querer. E alguma agressividade, nunca antes vista. Gonçalo Guedes, que substituíra Ramos pouco antes do terceiro golo, mas especialmente Musa e João Neves, que entraram a substituir Rafa e Chiquinho logo a seguir, muito contribuíram para isso.  


E nesse quarto de hora só deu Benfica. Neres rematou ao poste. Três minutos depois António Silva reduziu, respondendo de cabeça a um livre de Grimaldo. Um dos raros golos de bola parada dos últimos jogos, curiosamente no jogo em que, mesmo sem que se tenham visto lances trabalhados, finalmente acabaram aqueles cantos curtos para trás que já só irritavam.


Nove minutos depois, já sob o cair do pano, Musa, com a presença na área que Ramos nunca conseguira, empatou o jogo, e confirmou os objectivos que, na realidade, havia para atingir.


O Inter foi melhor no conjunto da eliminatória. Foi tacticamente superior e tem inquestionavelmente melhores jogadores. Mas, no futebol, ser melhor num jogo, ou numa eliminatória, nem sempre decorre de ter melhores jogadores e até melhor táctica. É frequente que haja circunstâncias do jogo a contribuir para que uma se superiorize, e outra se inferiorize. 


Mesmo com o actual Benfica longe da "performance" anterior, a verdade é que, na Luz, há uma semana, ficaram dois penáltis por assinalar a favor do Benfica. Hoje, ficou outro. No jogo da semana passado, diz-se que por o VAR ser holandês, e estar interessado na posição da Holanda no "ranking" da UEFA. No de hoje, não sei qual seja a razão, mesmo que o Valência-Sevilha do passado domingo diga muito sobre este árbitro espanhol. 


De que não há dúvida é que, se estes três penáltis tivessem sido assinalados, tudo teria sido diferente. E, se não é líquido que o Inter tivesse sido melhor, é evidente que o resultado final da eliminatória teria sido outro.


Assim, não foi. Mas, assim, com o que foi, não há razão para não acreditarmos todos que este ciclo tenebroso se fechou hoje em Milão. Mas é preciso manter a revolta patente no último quarto hora deste jogo, sem adormecimentos. 


 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O tema é velho mas acaba de voltar à ribalta: a Alemanha nunca pagou à Grécia a dívida resultante da ocupação nazi!


As contas foram agora feitas, e é a própria Der Spiegel que dá conta da investigação que levou ao apuramento do valor dessa dívida. Que ascende a 162 mil milhões de euros, o equivalente a 80% do PIB grego. Simples: a Alemanha paga o que deve e estão resolvidos os problemas das finanças gregas!


O ministro das finanças alemão – esse mesmo, o Schauble – apressou-se a dizer que os gregos devem preocupar-se com a reforma da sua economia. Que as reparações de guerra já prescreveram, são assunto há muito enterrado…


Se fosse por cá, Passos & Gaspar estariam a acenar com a cabeça, que sim. Que disparate estar agora a desenterrar essas coisas… O ministro dos negócios estrangeiros grego – Dimitris Avramapoulos – lembra que há leis internacionais para resolver isso.


Claro que há, sr Schauble!

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Acabamos de saber que o Tribunal Cível do Porto decidiu que Luís Filipe Meneses não poderá candidatar-se à Câmara Municipal do Porto. Em Lisboa tinha já sucedido algo de idêntico à candidatura de Fernando Seara.


Sendo estes os dois casos mais mediáticos, não se esgota neles a lista de candidaturas autárquicas que pretendem fintar a lei. E que levou à emergência de um movimento cívico – Movimento Revolução Branca – que em boa hora decidiu apresentar providências cautelares nos concelhos onde essas candidaturas surgiram.


Tenho por certas duas coisas: que nem em todos os concelhos as decisões dos tribunais serão conformes com as de Lisboa e Porto, isto é, que nem todos os tribunais farão a mesma - correcta, a meu ver, como há muito aqui expressei - interpretação da lei; e que estas decisões sobre as duas mais importantes câmaras do país, como de outras no mesmo sentido, serão objecto de recurso e acabarão eventualmente por não vingar. Mas isso não me impede de saudar a iniciativa cívica deste movimento e de desejar – desejar profundamente – que crie raízes de cidadania de que a sociedade portuguesa é tão carenciada.


Esta lei da limitação de mandatos, e o que dela está a classe política a fazer, é o espelho fiel do funcionamento da estrutura política em Portugal: uma lei que surge de um espírito claro – impedir que se perpetuem pessoas e interesses no poder -, que depois é redigida de forma dúbia para, como todas, ser discutível e, por fim, aprisionável por interesses. Na circunstância, os dos partidos!


Partidos que, em vez de evitar apresentar candidaturas que chocassem com a lei, decidem antes ignorá-la, bem como ao seu espírito. Como ignoram o estado a que chegaram e a que fizeram chegar o país… E desataram a apresentar candidaturas à revelia da lei só porque favoreciam os seus projectos de poder. Não se julgue que há algum tipo de questões ideológicas, ou qualquer traço de direita ou esquerda a balizar a atitude de cada partido. Nada disso. É por acaso que os maus da fita neste filme são o PSD e o PCP: o mero e simples acaso de circunstancialmente serem eles a tirar proveito da situação.


Tudo isto se passaria – como sempre tudo se passou – sem grandes ondas, se ninguém ousasse levantar questões.


Levantadas, surgiria o lado hilariante, sempre parte integrante da política que por cá se faz. Da Presidência da República vinha a descoberta da pólvora: o problema era o da contracção. Se para Shakespeare o dilema era to be or not to be, aqui era de ou da!


De nada valeu que deputados legisladores de então confirmassem o espírito da lei. Logo surgia um iluminado a contraditá-lo, a trocar o de por da.


A Assembleia da República acabaria por fugir do problema, entender que não lhe cabia explicitar a interpretação da lei. Que isso caberia aos tribunais – em Portugal tudo se chuta para os tribunais - se alguém se desse a tal…


Paradigmático. É isto a política em Portugal e é disto que por cá se faz a governação…E é por aqui que deviam começar as famosas reformas estruturais. Mas como isso já não cabe à troika…

Em bicos de pés

Lula diz que EUA e Europa prolongam guerra na Ucrânia | Ucrânia e Rússia |  G1


A presença de Lula na Assembleia da Pepública no 25 de Abril já era suficientemente polémica. Por tudo e mais alguma coisa, a começar no "pecado original" de Marcelo, que abriu a "caixa de trapalhadas" que se seguiu.


Agora, com Lula em bicos de pés na cena internacional, aumentou. Sempre que Lula se põe em bicos de pés, as coisas tendem a correr mal. Não é de agora, nem será por ser baixinho.


Ou talvez seja!


 


 

domingo, 16 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Temos por aí um dia agitado, com o PS e Seguro transformados no centro da crise, no alfa e no ómega do beco sem saída em que nos meteram.


As reuniões de hoje, primeiro com Passos Coelho, logo pela manhã – em resposta afirmativa à carta de ontem – e depois com a troika, no Rato, a que chegou já atrasado depois de sair de S. Bento, que lançaram Seguro numa roda-viva, são uma e a mesma coisa. E têm os mesmos protagonistas!


Foi a troika que as marcou, a ambas. A do início desta tarde, directamente. A desta manhã, por entreposto Pedro Passos Coelho!


Toda a gente percebe que não era agora que o primeiro-ministro, que continua convencido que lhe basta a maioria que por enquanto o suporta no parlamento, e tão obcecado e cego que nem se apercebe que ela já está desfeita, iria de mão estendida pedir o braço de Seguro. Toda a gente percebe que foi a troika que o obrigou a isso!


Chegados aqui, depois de dois anos de sacrifícios e de empobrecimento para nada, de completo e total falhanço das soluções da troika entusiasticamente abraçadas por Passos & Gaspar, é preciso mais!


Mesmo que esse mais acabe de vez com a democracia!


A troika exige que as suas soluções prevaleçam sobre a vontade dos portugueses. Que, votem como votarem, não as possam colocar em causa. É isso que neste momento está em causa. Nada mais!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Quando se julgava que as cartas eram já espécie extinta, ei-las na primeira fila da política portuguesa.


Primeiro foi a carta de António José Seguro – chamar-lhe-ia a carta da tranquilização - à troika, que andou semanas nas primeiras páginas dos jornais. Aquela que foi a primeira vedeta em forma de epístola, acabaria carta de corpo inteiro apenas no próprio dia da moção de censura. Só então levou a data que fez dela uma carta inteira. Nem a falta de data lhe impediu a fama!


Compreende-se. É que data era mesmo o que já faltava à mãe: a moção de censura, quando foi anunciada. 


Provavelmente com inveja do sucesso da carta de Seguro, Passos Coelho, que não é de se ficar, não faz a coisa por menos e lança mão da resposta. Não uma, mas duas. Duas cartas, que não sendo de resposta à outra, seriam a resposta à altura…


Uma para a troika. Também. Não podia deixar de ser!


Foi hoje conhecida e já é famosa. É a tal que diz à troika onde vai fazer os cortes, os tais que haverão de compensar as maldades do Tribunal Constitucional. E que os parceiros sociais quiseram conhecer hoje na reunião do Conselho Económico e Social. Mas dela nem sombra, nem a ministra Assunção Cristas a conhecia. Ouvira falar dela, não mais que isso!


Outra ao próprio Seguro, a marcar uma reunião para amanhã. Quer voltar a poder contar com o seu ombro amigo…


Francamente… No tempo dos telemóveis de enésima geração, dos sms ou dos mails, uma carta a pedir uma reunião para amanhã... Está-se mesmo a ver que o Seguro vai responder já com outra carta. Mesmo que para dizer apenas que amanhã não pode, que já tem a troika. Ou que até gostaria, mas que o Mário Soares não deixa!


Só para deixar a coisa empatada. São danados estes dois. Até às cartas gostam de jogar, mesmo que já não tenham trunfos.

sábado, 15 de abril de 2023

Foi assim ...

Benfica sofre em Chaves a terceira derrota seguida e pode ver FC Porto ficar a quatro pontos


Era como uma final para o Benfica, este jogo de Chaves. Depois de duas derrotas consecutivas, qual delas a mais confrangedora, esta deslocação a Chaves era decisiva. Era uma final!


E, das finais, diz-se que se ganham, não se jogam. Para ganhar, ou antes, para se dizer que se está ali para ganhar, é preciso entrar com tudo. O Benfica só tinha que fazer isso. Mas não o fez.


Pareceu até que não entrou com isso bem metido na cabeça. Sabe-se que os momentos maus não acabam de um momento para o outro, e sabia-se, por isso, que o Benfica não poderia chegar a Chaves e impor o seu futebol, perdido. Mas também não poderia entrar em campo como se nada estivesse a acontecer ao seu futebol. E foi isso que fez.


Entrou como se tudo estivesse a decorrer normalmente, sem sentir a necessidade de recorrer a outros argumentos. Os jogadores não procuraram na determinação, e na vontade de ganhar, compensar a criatividade perdida. Apenas Neres - com a reclamada condição de titular, que animou os media  nos últimos dias, promovida pela ausência de Florentino, que fez deslocar Aursenes para o lado de Chiquinho - trazia ao jogo alguma criatividade. E assim correu toda a primeira parte. Com o Benfica por cima do jogo, tendo mais bola, mas nunca sem aquela pressão sobre o adversário - sempre cómodo na sua tarefa de fechar todos os caminhos para a baliza -  de quem tem que ganhar o jogo. E depressa.  


Bem espremida, a primeira parte deu um remate de Rafa (que continua completamente desinspirado, como os outros, mas nele nota-se mais), aos 19 minutos, que nem deu para assustar o guarda-redes flaviense, e uma jogada para golo, que António Silva desperdiçou com um remate por cima, com a baliza escancarada ali à frente. E deu, nos minutos finais, para, então sim, o sufoco. Um assalto à baliza de Paulo Vítor de que, no entanto, não resultou uma verdadeira oportunidade de golo. Tudo morria na muralha defensiva que os dez jogadores do Chaves construíram à frente do seu guarda-redes.


Mas deu o mote para a segunda parte. Que começou logo com uma grande oportunidade de golo - duas, no mesmo lance - de João Mário. Primeiro foi o defesa Bruno Langa a afastar a bola de cima da linha; na recarga, foi o guarda-redes a fazer o mesmo. Precisamente 5 minutos depois, um contra-ataque rápido do Chaves acabou com o veloz Juninho na cara de Odysseas. Que na única defesa em todo o jogo, acabou a impedir o golo. 


O Benfica continuou a mandar no jogo. Com mais assertividade, e mais consistência, que na primeira parte. Mas com o mesmo resultado - muitos cantos, 19 ao todo, todos marcados da mesma maneira, sempre curta e inconsequente. E pouco mais.


Roger Schemidt voltou a tardar com as substituições. Começou por lançar Gonçalo Guedes, a 20 minutos do fim, por troca com Neres, desaparecido do jogo na segunda parte. Dez minutos depois, lançou Tengsted e João Neves, para saírem João Mário e Gonçalo Ramos, ambos muito apagados, mas os melhores marcadores do campeonato. E só a 2 minutos dos noventa algo arrojado - troca de Gilberto por Musa. Só que, nessa altura do jogo, é difícil falar de arrojo.


O Benfica voltara ao sufoco, para os minutos finais. O árbitro, João Pinheiro, deu 5 minutos de compensação e, ao terceiro, nova situação de golo eminente, depois de mais uma defesa milagre do Paulo Vítor a um remate de cabeça de Otamendi. Que se preparava para a recarga, na pequena área, quando o João Pedro, que entrara ao 78 minutos e logo viu um amarelo por "placar" Gonçalo Guedes, que saía disparado para a área flaviense - com João Pinheiro a parar o lance e a interromper um ataque prometedor, quando devia deixar prosseguir a jogada, e exibir o amarelo na primeira oportunidade -, o atinge, de pitons, na canela. 


João Pinheiro assinalou falta ... de Otamendi. O Paulo Vítor ficou deitado no relvado, e a sua equipa médica entrou em campo. O VAR, com todo o tempo para ver e rever o lance, obedeceu a Vítor Baía. O guarda-redes do Chaves está bem - nunca tinha deixado de estar -, e cobra o livre, com pontapé para a frente. Otamendi está sozinho, sem ninguém à volta, com a bola na sua direcção. Pode dominá-la no peito. Ou devolvê-la de primeira para o ataque. Não faz uma coisa, nem outra. Recebe-a com o pé, e ela foge-lhe. Escorrega e, de trás, surge a correr um tal Abass, entrado há pouco para reforçar o lado direito da defesa, com a bola ali à frente. Otamendi ainda poderia ter tentado a falta. Sabendo que seria expulso, deixou-o seguir, acreditando num milagre de Odysseas. Não houve milagre,  e o Chaves ganhou o jogo, no último minuto.


Foi assim, esta final. Foi assim que o Benfica perdeu o jogo que não podia perder. Foi assim, não fazendo um grande jogo, mas fazendo mais do que o suficiente para o ganhar. Foi assim, com João Pinheiro (e o VAR) a trocarem, no momento certo, um penálti, e uma expulsão (segundo amarelo), por uma falta ao contrário. E transformarem uma (provável) vitória numa derrota. Antes já tinham feito vista grossa a um outro penálti, sobre João Mário. Sim, tem que ser penálti. Porque é igualzinho a um que, no Dragão, uma hora depois, desbloquearia o nulo. E contribuiria para mais uma vitória pelos mínimos (2-1 ao Santa Clara, o último). Só com uma diferença: João Mário não se mandou para o chão antes de rematar, completamente desequilibrado; Toni Martínez atirou-se de imediato ao chão!


Por ter sido assim perdido, o jogo que não se poderia perder, acredito que a revolta se instale no Benfica. E que será suficientemente forte para que não volte perder um ponto, que seja, que não possa ser perdido. 


 

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Nicolás Maduro venceu as eleições na Venezuela, com 50,6% dos votos. Contra 49% de Capriles, que não reconhece os resultados e pede recontagem dos votos!


José Sócrates era um dos observadores internacionais das eleições. Para chegar a tempo do seu comentário na RTP veio mais cedo. Não ficou até ao fim e deu nisto!


De cá ainda disse que tudo tinha corrido bem, mas o Capriles não acredita. Consta que, em privado, diz que há ali mão de Sócrates. E que não é só pelos Magalhães… Se numa das últimas campanhas Chavez recorreu mesmo a imagens do então primeiro-ministro e agora comentador, desta vez diz-se que Maduro plagiou a promessa dos 150 mil empregos de Sócrates para prometer o aumento 45% no salário mínimo!

Mary Quant (1930-2023)

Swinging Sixties fashion designer Mary Quant dies aged 93


Criou a mini-saia, e fez ela muito bem. A História também passou por cortar um palmo - às vezes dois - a uma saia. As grandes causas fazem-se de pequenas coisas. E a revolução também se fez com saias curtas!

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ao contrário do que o seu parceiro de coligação exigia, Passos Coelho não remodelou o governo. Quis prestar um último tributo a Relvas, mantendo-o demissionário durante uma semana – coisa inédita – e deixando bem claro que entende que ele vale por dois.


Não remodelou coisa nenhuma, limitando-se a substituir Relvas. Por… dois ministros, deixando o CDS a falar sozinho. Mas a falar!


E Portas nem compareceu na cerimónia de tomada de posse dos dois novos ministros e respectivos secretários de Estado… Diz que já esclareceu o primeiro-ministro sobre a sua ausência. Também me parece!


Entretanto Seguro foi reeleito na liderança do PS. Com 97% dos votos, não ficou certamente a falar sozinho!


Já nem sei como se chama a estes resultados eleitorais. Mas sei que nunca são bom pronúncio...

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Circunstâncias, não atenuantes!

25


Ainda não refeito, volto ao jogo de ontem, com o Inter.


No enquadramento aqui desenhado ontem, dificilmente o jogo seria diferente do que realmente foi. Dificilmente poderia fugir às circunstâncias que marcam o actual momento do futebol do Benfica, do mesmo modo que o da segunda mão, em Milão, não poderá fugir ao que este jogo foi.


Ao contrário das expectativas geradas com o sorteio, em muito alimentadas pelo espaço mediático que marca o futebol em Portugal, o Inter não era o melhor adversário para o Benfica. Nunca o seria, nem mesmo à data do sorteio, quando o futebol encarnado era todo "cor de rosa". Para o Benfica seria sempre mais cómodo um adversário que jogasse futebol, o jogo pelo jogo.


Não é o caso deste Inter, seguramente a "mais italiana" das principais equipas italianas. A mais matreira, a mais "cínica" e fiel à velha escola transalpina. E, ainda por cima, servida por jogadores tecnicamente de primeiríssimo plano, e maduros. Com experiência para dar e para vender, que lhes dá o "calo" que lhes permite exponenciar a matreirice. 


O Inter soube garantir a superioridade numérica em praticamente todas as zonas do campo. Dos três centrais fortes, e "batidos", libertava Bastoni para subir e criar desequilíbrios complementando, sempre um pouco mais por dentro, as tarefas do lateral esquerdo Di Marco, já que o do outro lado, Dumfries fazia tudo sozinho. No meio campo,  Brozovic, Barella e Mkhitaryan - todos jogadores de alto nível - eram de mais para apenas Chiquinho e Florentino. Na frente, Dzeko e Lautaro ficavam em igualdade numérica com os centrais do Benfica. E, depois, havia ainda o próprio guarda-redes Onana a criar mais desequilíbrios. Que é o que fazem os grandes guarda-redes, quando sabem jogar com os pés. Ora na construção, ora a lançar directamente os atacantes.


Daqui não resulta um grande futebol, que o Inter decididamente não tem. E como não o tem, não é uma grande equipa. Mas tem grandes jogadores para interpretar a estratégia de não deixar jogar. 


Era necessário um grande Benfica para contrariar aquelas dificuldades. Só que esse não é o Benfica desta altura. Este Benfica só deu para momentos, sempre esporádicos e breves. Nesses deu para ver que, com a consistência de há um mês, poderia justificar a euforia à data do sorteio. 


Depois, as circunstâncias do jogo não ajudaram. Nem só um bocadinho. O Inter marcou logo no arranque da segunda parte, quando o Benfica até passava por um daqueles momentos, e na primeira vez que chegou á baliza do triste Vlachodimos. E, na reacção ao golo, o Benfica não foi feliz, naquele lance em que a bola não quis entrar. Nem no primeiro remate de Grimaldo, nem no segundo de Rafa, nem na tentativa final de Gonçalo Ramos, onde até sofreu falta para penálti. A arbitragem foi outras dessas circunstâncias.


As decisões da equipa de Michael Oliver tombaram sempre para o lado italiano. Nas pequenas e nas grandes coisas. Nas pequenas foi até confrangedora a actuação do árbitro assistente do lado dos bancos. Nas grandes, sobressai o penálti assinalado a partir do VAR, com que Lukaku fecharia o resultado, a 10 minutos do fim. Ao contrário, nunca teria sido assinalado. O VAR viu penálti naquela intervenção do João Mário, mas não o viu  quando Darmian desviou com a mão da bola, disputa com Grimaldo na sua grande área. Nem quando Acerbi deu forte e feio em Gonçalo Ramos, no tal lance aos 55 minutos em que a bola não quis entrar.


Até no tempo de compensação. Quatro minutos perdeu ele para confirmar a grande penalidade, a maioria à espera que as imagens lhe chegassem ao monitor. Depois houve as cinco substituições do Inter. E a única de Schemidt, talvez para poupar tempo. E ainda os largos minutos queimados pelos italianos, de todas as maneiras e feitios. Algumas escandalosas, como nos festejos dos golos, onde permitiu que todos os jogadores do banco invadissem o relvado. Ou como Onana sempre ultrapassou todos os limites. Não com a tradicional demora na reposição da bola, que os árbitros sancionam com amarelo, normalmente já no fim do jogo. Mas com a bola na mão, ou debaixo do corpo, ultrapassando claramente os limites de tempo estabelecidos pelas leis do jogo, e puníveis com livre indirecto.


São circunstâncias, mas os jogos também são feitos delas. Se os jogos da Champions se decidem em pormenores, estas circunstâncias são mais que isso. Mas não são atenuantes. E não se podem esquecer os "pormaiores". 


E o actual momento da equipa, e porventura o seu esgotamento, é mesmo o "pormaior" decisivo deste jogo. E desta eliminatória.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Benfica está, pela décima terceira vez, nas meias-finais de uma competição europeia, Pela primeira vez à custa de uma equipa inglesa!


É verdade: sempre que disputara com uma equipa inglesa o acesso a esta fase das competições, o Benfica fora mal sucedido. A última vez foi há um ano, quando foi o Chelsea – já agora, adversário a evitar no sorteio de amanhã - a seguir para as meias-finais da champions, que viria a ganhar. Tão imerecidamente quanto esse apuramento, em que o Benfica fora claramente superior…


Hoje o Benfica matou esse borrego, mais um registo para Jorge Jesus. Que anunciara já ser esta uma época de sonho, coisa que a dada altura do jogo terá sido lembrada por muitos benfiquistas. Sim, porque quando precisamente ao minuto 70 – timing que o treinador inglês definira como ideal para marcar o primeiro golo – o Newcastle marcou, numa oferta inacreditável de Matic, temeu-se o pior. Para trás tinham ficado umas quantas oportunidades de golo desperdiçadas pelos jogadores do Benfica, com realce para Gaitan, numa manifestação clara de que a eficácia que a equipa tem patenteado não tinha seguido na bagagem para Inglaterra. E, quando assim é, quando sucessivamente se enjeitam oportunidades de acabar com o jogo e com a eliminatória, é frequente que as coisas venham a correr mal.


Não restavam dúvidas sobre a superioridade do Benfica mas, com o golo na melhor altura – ainda por cima oferecido - a equipa inglesa galvanizou-se e sabe-se como é: tudo começa a sair bem. E, a um só golo do apuramento, a motivação não conhece limites!


Valeu que Gaitan, depois de voltar a falhar mais um golo feito, já em tempo de compensação, entrou mais uma vez por aquela defesa dentro e assistiu Sálvio para o golo do empate. E da justiça, e do alívio final…


A época de sonho segue dentro de momentos! 

terça-feira, 11 de abril de 2023

Desilusão


Mais uma vez a Luz cheia, que nem um ovo, de benfiquistas crentes. Um Estádio que começou a cantar o seu amor ao Benfica, para acabar em assobios.


As meias-finais da Champions que há três ou quatro semanas era dada por adquirida, é hoje uma miragem. A esperança cedeu à desilusão. O futebol entusiasmante de há três ou quatro semanas cedeu ao esgotamento. O interruptor caiu para off, e ninguém mais o conseguiu levantar. 


Ouve-se por aí que os adversários já descobriram o antídoto para o futebol de Roger Schemidt. É fácil encontrar o antídoto quando os automatismos começam a falhar. Quando os jogadores quebram física e mentalmente, perdem a confiança, e passam a falhar o que nunca falhavam. Os passes deixam de levar a direcção certa porque o movimento colectivo deixou de funcionar. O que era automático, e fluente, emperra e os espaços, e as linhas de passe que antes se abriam facilmente, são agora facilmente tapados.


Não foi o Porto de Sérgio Conceição que descobriu a pólvora. Nem hoje o Inter de Inzaghi que aproveitou para o copiar. É Roger Schemidt que não percebe que a forma individual e colectiva da equipa caiu e, com ela, a dinâmica da sua ideia de futebol, e confiança dos jogadores.


Não é essa ideia que está errada no treinador do Benfica. São outras coisas. O que está errado é que Schemidt não tenha uma ideia de gestão dos jogadores e do plantel. Que não tenha percebido que os momentos de forma se esgotam. Que há lesões, e castigos. E que por isso não pode contar apenas com onze jogadores. Tem que contar com muitos mais e, para isso, têm que jogar. E que não pode deixar de ter um plano B para aquele seu futebol. 


Ao jogo, e à derrota de hoje, a segunda em quatro dias, haverei de voltar daqui a umas horas. Depois de refeito, se é que isso é possível!

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Siga a dança

Costa afasta para já queda da CEO da TAP


António Costa veio a terreiro dizer que o e-mail que o ex-secretário de Estado Hugo Mendes enviou à presidente executiva da TAP sobre o chefe de Estado "é gravíssimo do ponto de vista da relação institucional com o Presidente da República e inadmissível no relacionamento que o Governo deve manter com as empresas públicas".


E é, de facto!


Já sobre tudo o resto que se tem sabido, pelos vistos, nada mais "gravíssimo". Nem sequer grave.


Afirmou ainda que teria obrigado à sua demissão na hora.


E teria de ter!


Mas não teve. Porque António Costa nunca sabe de nada. Nunca tem nada a ver com nada. E é rapidíssimo a demitir quem já foi demitido!


E siga a dança ...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Vítor Bento, o conselheiro de Estado, do presidente  e do governo, que hoje voltou a tomar conta do espaço mediático a pretexto, desta vez, do lançamento do seu novo livro - Euro forte, euro fraco -, considerou hoje que, perante a decisão do Tribunal Constitucional (TC), será mais difícil a Portugal renegociar com a troika as maturidades dos empréstimo. Hoje, exactamente o mesmo dia, sabe-se através da Reuters que a troika admite dar mais sete anos a Portugal e à Irlanda para pagar os empréstimos. Não é mais um ano ou dois: é mais sete!


Será que dá para acabar com a dramatização? E se passassem todos a ser um bocadinho mais sérios?

domingo, 9 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Tem-se feito aqui eco da dificuldade em perceber a posição do Presidente da República em toda esta situação – como em tantas outras – que envolve a fiscalização do orçamento pelo Tribunal Constitucional. No último texto passava-se mesmo a barreira da dificuldade para a da impossibilidade: quer dizer, não era difícil, era impossível perceber como é que o presidente, evidentemente porque tinha dúvidas sobre a constitucionalidade, pede a fiscalização do orçamento e, vendo o Tribunal Constitucional confirmar as suas (parte das suas, como adiante se verá) e as dúvidas de muitos outros, num ambiente de claro esgotamento do governo, opta pela cumplicidade em vez de procurar uma solução que permitisse começar a juntar os cacos.


Esta perplexidade levou-me a esta teoria da conspiração, que não quis deixar de partilhar convosco. Conta-se em poucas palavras:



  • Com dúvidas sérias sobre a constitucionalidade de algumas normas do orçamento, o presidente poderia (e deveria) ter pedido a fiscalização preventiva. Teria assim resolvido, em tempo, o problema;

  • Não o fez, e optou pela fiscalização sucessiva. Que se arrastou – como sempre se arrastaria - até aqui, a este preciso momento que, como é sabido, coincide com o do apuramento da execução orçamental no primeiro trimestre;

  • Execução orçamental que, e disso ninguém tem dúvidas, só pode correr mal. A alternativa a correr mal é correr muito mal, o que significa mais um momento de rotundo falhanço do governo e em especial da dupla Passos/Gaspar. Que, e como já se viu com o discurso de Passos Coelho – era inevitável -, é completamente escondido por trás da decisão do Tribunal Constitucional. A partir de agora tudo o que falha é consequência daquela decisão, nunca de um orçamento falhado, sem pés nem cabeça, obviamente inexecutável porque todas as premissas e previsões em que assentou são erradas ou falsas;

  • A cereja no topo do bolo não foi posta pelo presidente, foi o líder (?) do PS quem lá a colocou, com aquela desastrada moção de censura. A declaração da inconstitucionalidade do orçamento já não fragiliza o governo, reforçado na véspera com a derrota de uma moção de censura. Um bónus, a provar que há apostas que valem a pena;

  • Como não há teoria da conspiração sem uma maldadezinha, lembraria que uma das normas que o presidente enviou para o Tribunal Constitucional (TC) – e que foi o único a fazê-lo – é a que fixa a sobretaxa de solidariedade de 3,5%. Que toca directamente nas suas reformas, as tais que, apesar de lhe não darem para pagar as despesas, trocou pelo seu vencimento de Presidente da República. E que, afinal, foi considerada constitucional, deitando por terra uma (outra) teoria que alguns por aí faziam circular segundo a qual o TC estaria ao serviço de um tal Filipe Pinhal...


É conspirativo. Mas, a haver explicação, não encontro outra!

sábado, 8 de abril de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Era grande – enorme mesmo - a dificuldade em perceber a atitude do presidente. Depois da comunicação do primeiro-ministro deixou de ser apenas dificuldade: é uma impossibilidade!


Passos Coelho deixou claro que não quer ou não sabe fazer de outra forma. Quando era preciso começar a apanhar os cacos, Cavaco dá cobertura a mais do mesmo… Mesmo quando foi também ele a pedir a fiscalização constitucional do orçamento. Não se entende!

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Eclipse total


Casa cheia na Luz para o clássico, à 27ª jornada. E cheia de crença, com mais de 60 mil a vibrar nas bancadas, convencidos que o 38 estava já ali, ao virar da esquina.


O jogo da passada semana em Vila do Conde não deixara de mostrar que a forma da equipa não era a mesma de há semanas atrás, antes da paragem para as selecções. Sempre de má memória nesta época de exibições empolgantes. Mas, na Luz, a memória que contava era a das últimas exibições que lá se tinham visto. E essas justificavam todo aquele entusiasmo, que desde bem cedo se sentia ao redor do Estádio. É que, antes de o encherem, os benfiquistas encheram tudo ali à volta.


Frente a frente estavam um Benfica demolidor, e um Porto titubeante, separados por 10 pontos na classificação. Um Benfica convincente, afirmativo e exuberante, e um Porto que vinha de exibições fraquinhas e resultados apertados, frequentemente melhores que as prestações dentro de campo. Mas um Porto que à custa da crença e do querer, mas também de estratégia competitiva, consegue quase sempre atingir níveis de extras de competitividade nos clássicos, e em especial nos jogos com o Benfica.


E, no apito, o inevitável Artur Soares Dias. Invariavelmente habilidoso, cedo incendiou a Luz. Começou logo aos 2 minutos, quando António Silva, depois de ser assistido após um "chapadão" de Taremi, teve de sair do campo e de esperar "uma eternidade" pela autorização para reentrar, enquanto o Porto ia construindo sucessivas jogadas de ataque. Depois foi o amarelo a Florentino, logo a seguir, condicionando-o logo de início.


O Porto entrou pressionante. Ao contrário, o Benfica abdicou da pressão e da decisão de mandar no jogo, para se deixar ficar a ver. E marcou na primeira vez que chegou à baliza de Diogo Costa,logo aos 9 minutos. Mas nem o golo - de Gonçalo Ramos, que acabou até creditado como auto-golo, porque a bola acabou de seguir da barra para dentro da baliza depois de bater na nuca do guarda-redes portista - disfarçou as primeiras indicações que o jogo ia dando. Na Luz, o golo era de Gonçalo Ramos, e catapultava-o para liderança dos marcadores. E era a confirmação de todo aquele ambiente de festa. O resto não interessava para nada.


Mas interessava. A jogar daquela forma, falhando nas decisões e falhando passes ia entregando o jogo ao Porto. Ao jogar daquela forma, com a desinspiração generalizada, mas mais acentuada ainda em Rafa e Grimaldo, e com Gonçalo Ramos muitas vezes atrás da linha da defesa adversária, a impedir melhores decisões ao portador da bola, a equipa não tinha dinâmica, empastava o jogo e permitia que facilmente os jogadores do Porto cortassem as linhas de passe. Como se tudo isso não fosse suficientemente mau, os jogadores faltavam aos duelos, e deixavam o Porto ganhar as todas as segundas bolas.


E foi assim ... Foi assim que o Porto chegou ao empate no golo de Uribe, em cima do minuto 45.  E que só não passou para a frente ainda antes do intervalo porque, nos últimos dos seis minutos de compensação da primeira parte, o golo foi anulado a Galeno por fora de jogo. De 6 centímetros. 


Não podia ser assim a segunda parte. Mas foi. E quando o Porto fez o que o Benfica havia feito na primeira parte, marcando no mesmo minuto 9 - numa jogada em que toda a defesa falhou, incluindo Odysseas que, apesar do remate de Taremi ter saído muito chegado ao seu poste direito,  pareceu que poderia ter feito melhor - percebeu-se que o Benfica de hoje não dava para ganhar ao Porto.


Poderia não haver muito a fazer para alterar esse cenário. Quem ainda não tinha percebido percebeu que o plantel não tem profundidade para alterações desse tipo. Mas na verdade Roger Schemidt também não fez nada para o alterar, e afundou-se com a equipa. 


Logo a seguir ao golo, trocou Florentino por Neres. Que começou por trazer alguma coisa ao jogo, mas pouco. Depressa foi engolido pela espiral de desacerto de toda a equipa. E só voltou a mexer muito tarde, aos 87 minutos, para trocar Rafa por Musa, para uns minutos finais de, finalmente, alguma agressividade. Que não deram para nada, a não ser para deixar a ideia que, se pelo menos essa intensidade final tivesse chegado bem mais cedo, o jogo poderia ser bem diferente. 


Quando as coisas não correm bem há que querer. Que lutar. Hoje, sem a qualidade e os automatismos de há poucas semanas, o Benfica - jogadores e treinador - conformou-se e abdicou de outras as armas para lutar pelo resultado. 


Não é fácil que esta derrota - e esta paupérrima exibição, ao nível, se não mesmo pior, da de Braga - não deixem marcas. Para já, para o jogo com o Inter. Se este eclipse não se der por "extinto" na próxima terça-feira, para que a equipa retome os padrões da época, tudo se pode complicar.


É que a margem de 7 pontos esgota-se numa derrota e dois empates. Bastam dois ou três jogos a este nível para se repetir a história que já conhecemos por duas vezes nos últimos anos.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O presidente – este presidente, o político que não é político mesmo sendo o mais antigo político em funções, o reckordista de tempo de poder no regime e já não muito longe do reckord absoluto de Salazar – estava metido nesta caldeirada até ao pescoço. Agora está lá completamente enterrado!


Vítor Gaspar quer ir embora, e não lhe resta outra saída. Passos Coelho nunca foi, e sem Realvas e Gaspar, já era... Mas o presidente reforça a confiança no governo e esconde-se, quietinho, à espera que passe!


 

quinta-feira, 6 de abril de 2023

O dominó Medina

Governo afasta CEO e presidente da TAP após detetar "deficiências graves"  na relação com o Estado - Expresso


As coisas não correm bem a António Costa há muito. Afinal nem mesmo o que parecia não poder correr melhor, correu bem. Até aquele volte-face nos últimos dias do mês de Janeiro do ano passado acabou por não correr bem. E o sonho da maioria absoluta acabou em pesadelo.  


Dizia-se antigamente - agora estas coisas já não se podem dizer - que "quando as coisas correm mal até os filhos são dos outros". Não é muito diferente o que tem acontecido a António Costa neste último ano e picos. Queria ter o seu mais que tudo - Medina - no governo, e em posição de forte destaque. Por ser o "mais que tudo", por lá ter que ter o Pedro Nuno, e por lá querer ter tudo o que mexesse em termos de ambições sucessórias.


Então e não é que é precisamente Medina a peça do dominó a deitar tudo abaixo?


Já eram muitas as trapalhadas em que se tinha metido. Mas esta da TAP, com o que a CPI vai destapando,  é o golpe final. E tudo começou em Medina, com aquela escolha da Alexandra Reis para Secretária de Estado do Tesouro. Não tivesse sido escolha, e nada se saberia. Nada de todos os escândalos que se vão conhecendo teria "existido".


A TAP até já dava lucros. Hoje ninguém saberia sequer que esses lucros são apenas impostos que nós pagamos, e salários que os seus trabalhadores não receberam. A CEO era o supra-sumo, e não embirrava com nada, nem com ninguém. Já ninguém se lembrava dos BMW´s, e ninguém saberia que tinha encharcado as direcções da companhia de franceses. Nem que gostava de fazer uns negócios com o marido. Ninguém saberia que o governo exercia a tutela sobre a TAP por Watsapp. A privatização fluía, e já ninguém se lembrava dos 3.2 mil milhões de euros lá enfiados. Não se saberia que o governo lhe metia cunhas para mimar o Presidente da República, para o manter como maior aliado, sem se tornar no maior pesadelo


Pedro Nuno Santos poderia continuar a dar ordens por Watsapp, e esquecido delas. E continuar a brincar aos aviões e aos aeroportos. João Galamba continuaria Secretário de Estado, e não se dava tanto pelas suas garotices. Nem pelas do outro, o Hugo, capaz de escrever aquelas coisas...   


Pois é, António Costa. Como todos seríamos tão mais felizes se não fosse o Medina...


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...