sábado, 30 de novembro de 2013

“Os tempos de soberania limitada acabaram na Europa”

Por Eduardo Louro


 Durão Barroso recusa interferência russa no acordo com a Ucrânia




 (Foto daqui)


 


Durão Barroso não poupou em veemência ao declarar que “os tempos de soberania limitada acabaram na Europa”. Foi com grande convicção, e com a autoridade digna do que se diria ser um verdadeiro líder europeu, que Durão Barroso vincou a superioridade civilizacional da Europa e do seu projecto.


Mas – atenção – estava a falar da Ucrânia. Nada de precipitações!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

No ponto

Por Eduardo Louro


 "NY Times" compara situação do burro mirandês à dos portugueses


 


Este governo está um mimo, exactamente no ponto.


Paulo Portas vai efabulando à volta das exportações – “uns dedicam-se às exportações e outros a manifestar-se” e outros, acrescentaria eu, a dizer e fazer disparates - sem sequer perceber que não somos produtores de petróleo.


Nuno Crato anda eufórico com os 40 mil professores já inscritos para o exame. Que ainda não perceberam que entretanto já não são professores. Que, ao inscreverem-se para o exame, deixaram de ser professores para passarem a ser candidatos a professores. E muito menos perceberam que, para o ministro Crato, deixaram de ser uma dor de cabeça – um exército de contratados excedentários – para passarem a ser uma excitante e grata surpresa. É que o ministro Nuno Crato não conseguiu esconder a surpresa pela afluência ao exame que, no seu entender, quer apenas dizer que há muita gente, jovens e menos jovens, que quer ser professor e dignificar a profissão. Gente que gosta da profissão, e isso é o primeiro passo para serem bons professores… Notável!


Notável é ainda o ministro Aguiar Branco, que garante toda a transparência no processo de reprivatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, ao mesmo tempo que diz aos trabalhadores que recebem agora as suas indemnizações mas que em Janeiro estarão de volta ao seu trabalho nos Estaleiros. Porque só eles têm qualificação para isso!


Melhor só o burro mirandês que hoje faz capa (e chacota) no International New York Times…

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Apelos (de uns e de outros)

Por Eduardo Louro


 


Há para aí pessoal que anda excitadíssimo de indignação com os apelos à violência de Mário Soares, Pacheco Pereira, Helena Roseta ou Vasco Lourenço.


Já este caso não excita ninguém, e até porque não é mais que  um remake de Mário Soares  - o próprio provérbio à parte, nunca presunção e água benta estiveram tão próximas -  não contém apelo nenhum. Também Belmiro de Azevedo não apela a coisa nenhuma. Quanto muito estará a apelar aos responsáveis pelas suas lojas... para que se não esqueçam de manterem actualizados os seguros contra roubo!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ridículo?

Por Eduardo Louro


 


Provavelmente o Benfica está afastado da Champions e a caminho da pouco prestigiada, mas nem por isso menos desgastante, Liga Europa. São reduzidíssimas as probabilidades de ser de outra forma: não há milagres, que era o que se pediria para que um resultado positivo na Luz frente ao PSG convergisse com um resultado negativo dos gregos do Olympiakos, em Atenas, frente ao Anderlecht, a mais fraca equipa do grupo, onde irreversivelmente ocupa o último lugar da classificação.


É lamentável que assim seja, porque o Benfica tem muito mais qualidade que a equipa grega e tinha a obrigação e a responsabilidade de se classificar num dos dois primeiros lugares do grupo que, como cabeça de série, encabeçava. Mas também porque, afinal, esta sorte acabou por ser ditada no melhor jogo que fez, não só na competição, mas em toda a época. Não fora essa derrota de Atenas – com tanto de injusta quanto de injustificável – e o apuramento estaria hoje garantido.


Hoje, depois da vitória em Bruxelas – a primeira do Benfica, mas também a primeira de uma equipa portuguesa – num jogo que nada teve a ver com o de Atenas, a confirmar que o nível de desempenho da equipa, se fosse traduzido para um gráfico, mais pareceria um electrocardiograma de alguém com graves problemas cardíacos. Em que se voltou a salvar o resultado por obra e graça - de Rodrigo, que entrara 3 minutos antes, pensaria o leitor se não estivesse rotundamente enganado – de … Jorge Jesus. Sim – explicou ele no final do jogo – foi naquele momento em estava para entrar o Ivan Cavaleiro que, num golpe de génio, só possível por inspiração divina, decidiu que não iria defender o empate que lhe garantia a presença na Liga Europa mas, antes, ganhar o jogo que lhe permitiria não levar de imediato com a porta da Champions na cara…


Um visionário, um homem de rasgo... A inteligência, a humildade, a coragem e o arrojo em forma de treinador.


Ridículo? Não. É assim mesmo!

Business as usual...

Por Eduardo Louro


 


O governo confirma as suas invulgares aptidões para o negócio. Nunca será de mais relevar a invulgar mestria deste governo na arte de bem vender a coisa pública, uma mestria forjada nas artes do talhante. Desta vez são os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, onde o governo voltou a fazer tudo como bem sabe: pegou na peça, abriu-a e separou carne para um lado e ossos para o outro. Pegou na carne e entregou-a a um grupo privado; os ossos - já se sabe - ficam para nós!


Business as usual…

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Rituais

Por Eduardo Louro


 


Com a aprovação na especialidade do Orçamento para o próximo ano cumpriu-se mais um ritual. A maioria aprovou o que o governo quis que fosse aprovado e, quando o presidente insiste no seu esgotado ritual de apelo ao consenso, não se limitou a ignorar as propostas da oposição. Foi mais longe e sentenciou que, consensos, só com outra liderança na oposição… Quer dizer, a maioria já não quer apenas limitar-se a determinar a governação, acha que deve ainda determinar a oposição. Do tipo: esta oposição não serve, queremos outra para brincar aos consensos!


E pronto já só falta o ritual de suspense do Tribunal Constitucional. E, claro, o dos sucessivos orçamentos rectificativos, porque este, mais ainda que todos os que ficaram para trás, não é para cumprir. O que não significa que não faça mal: não vai ser cumprido, mas faz todo o “mal” que tem a fazer. Sem que atinja nenhum do “bem” que apregoa!


Não faltou também o ritual de contestação, um pouco por todo o país, mas especialmente à frente do Parlamento, onde desta vez ninguém subiu as escadas. E, lá dentro, à hora da intervenção final da ministra Albuquerque, gritou-se demissão - um clássico seguido do ritual de evacuação das galerias!


Pelo sim e pelo não, não passem as coisas para lá dos rituais, Passos Coelho cancelou a viagem à Lituânia marcada para quinta e sexta-feira...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Homenagem a Ramalho Eanes

Por Eduardo Louro


 


 


Talvez uma boa maneira de assinalar mais um aniversário do 25 de Novembro seja homenagear Ramalho Eanes. Já o inverso é mais discutível, homenagear Ramalho Eanes para comemorar o 25 de Novembro poderá não ser uma grande ideia.


Eanes é, indiscutivelmente, uma das principais figuras da História da democracia. Mais, na minha opinião, por ter estado à hora certa no sítio certo do que por qualquer outro motivo. A História é assim mesmo, e quando é feita de sucessivas enxurradas de acontecimentos, incontrolados e incontroláveis como aconteceu em Portugal, é pródiga em heróis mais ou menos acidentais.


Do 25 de Abril ao 25 de Novembro e daí à Presidência da República foi uma enxurrada. Os 10 anos de Presidência não fogem muito disso, ou não tivesse sido eleito pela direita e reeleito pela esquerda. E apesar disso, e do  elevado grau de dificuldade dos dois mandatos, em especial do primeiro, foram cumpridos quase que em regime de serviços mínimos, a coberto de um ar esfíngico tornado cortina impenetrável. Para além da esfinge nada se via, nada se percebia…


Não me esqueço da sensação estranha que me provocou a entrevista de despedida de Belém, nos primeiros dias de 1986, nas vésperas da passagem do testemunho a Mário Soares. Não me recordo de muitos pormenores, nem sequer do entrevistador, mas tenho tão presente como se fosse hoje aquela minha sensação de incredibilidade: mas foi esta personagem que ocupou o lugar mais alto do Estado durante dez anos? Como foi possível esconder tanto vazio durante tanto tempo?  


Nessa altura, se bem nos lembramos, já tinha inspirado um partido político que se tornara, de imediato, na terceira força política e na grande pedrada no charco da política portuguesa. Ouvi-o hoje comentar as indefinições e indecisões que marcaram (e mataram) o PRD com a linear explicação de que não tinha condições para liderar um partido político. Não tinha de facto, como bem tínhamos percebido naquela entrevista em que, pela primeira vez, deixara cair a cortina por de trás da esfinge…   


Ramalho Eanes percebeu isso ainda a tempo de aproveitar em pleno a sua condição de ex-presidente para se valorizar. E a verdade é que ganhou a substância que não tinha, e conquistou como ex-presidente a relevância nacional que não tivera como presidente. Que hoje gere com a mesma eficácia com que no passado geriu a sua esfinge de presidente. Mas sem cortina! 

A onda

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Há muito que somos arrastados, dia após dia, numa onda de decadência que nos leva as expectativas e a confiança na governação do país. Levámos mais de quatro décadas de ditadura a fortalecer a esperança que um dia o estado tirano seria substituído por um estado garante da uma cidadania activa, com livre iniciativa económica e cultural, integrante de uma sociedade mais justa e próspera. Mas também já levamos quase quatro décadas a destruir a esperança, pela corrosão do tecido social e do aparelho produtivo, destruindo a classe média e agravando assimetrias entre estratos económicos e sociais.


É reconhecido que o sistema político e da justiça está refém do sistema financeiro. Alguns, de forma mais dura e contundente, lamentam ver a democracia a ser inquinada pela cleptocracia. Igualmente, lamenta-se ver que muitos dos arautos da liberdade e defensores dos valores democratas, são os mesmos que manipulam a sociedade e a destroem.


Também a história nos ensina que os períodos de enorme perturbação social: com fome, desemprego, injustiças sociais, desilusão política, são propícios ao renascimento de movimentos redentores, capazes de motivar descontentes e indignados, mas que os poderão levar para caminhos indesejáveis. 


A nossa habitual passividade e a emigração - outrora de esfomeados e pouco instruídos, mas agora de jovens com elevado nível de instrução - ajudam a reduzir o potencial detonador de rebeldias, mas o agravar do descontentamento não afasta, de todo, a conflitualidade capaz de libertar os gritos violentos que andam abafados.  


Tal como o surfista não resiste à onda porque o apelo supera a vontade, os oprimidos, sem acesso aos bens essenciais e à dignidade, não resistirão ao apelo de ordem superior que lhes dê autoestima e um sentido para a vida. Se alguém vier com um discurso político impregnado de um ideal, de uma causa maior que resgate os oprimidos de tiranias, oferecendo-lhes o pão e um sentido de vida que se perdeu ou nunca se teve, poderá agigantar uma onda de mobilizados por um ideal de superioridade, mesmo que a razão se aniquile, e os pensadores da razão deixem de pensar, como fez Heidegger ao pactuar com o nazismo.


Hitler encontrou no seu mentor, Dietrich Eckart, a base ideológica capaz de arrebatar milhões de alemães para um movimento purificador e construtor de uma sociedade nova, à custa dos maiores crimes contra a humanidade.


Sabemos, também, o poder das marcas que ficam no crescimento e na formação do ser humano. Os órfãos de guerra, que crescem com as feridas dolorosas de assistirem ao genocídio que lhes levou os pais ou irmãos, poderão ser potenciais terroristas. Os órfãos de pátria, sem valores de referência, sem emprego, sem objectivos, são facilmente manipuláveis se alguém lhes oferece uma causa, uma ideologia, um sentido de utilidade, mas também a unidade e o colectivo como força.


Numa sociedade em desagregação, aqui e na Europa: os ricos crescem em número e riqueza e poderão ter armas para sua defesa; os pobres cada vez mais pobres e em maior número terão cada vez mais ódio. “Nunca se sabe o que uma multidão com fome pode fazer” – Nuno Júdice, in “A Implosão”, edição D. Quixote.


A Onda” é um filme que relata um caso verídico passado numa escola com um professor que durante uma semana dirige, na sua turma, um exercício de autocracia, experimentando, ele próprio, a transformação num líder e deste num ditador, enquanto os seus alunos são facilmente manipulados numa onda de cariz fascista da qual ele perde o controlo. É um filme para ver e reflectir à luz dos problemas actuais de deterioração dos ideais democráticos e do fortalecimento de movimentos radicais de direita, por vezes com incursões no racismo e na violência, num contexto de falência dos estados provocada pela globalização.


 


Nota: O filme “A Onda” passou em Lisboa há anos, encontra-se agora nos clubes de vídeo, mas também é possível ver pesquisando sem sair de casa. 

domingo, 24 de novembro de 2013

Neste país não há vergonha!

Por Eduardo Louro


 


 


Confesso que depois das escutas do apito dourado, que reduziram a criatura que escrevia em jornais, e se dizia por isso jornalista, a mero escroque, não mais ouvi falar do personagem. Pensava eu que alguma vergonha e o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas o teriam mandado para outras paragens e dedicar-se a outras lides!


Mas não, ontem reapareceu na RTP Informação. Isso: na estação pública que todos pagamos, como comentador de futebol em mais um dos inúmeros programas que o canal dedica à discussão enviesada das coisas da bola.


António Tavares Teles está de volta, pela mão da RTP e dos mesmos do costume. Reabilitado, como se nunca nada tivesse acontecido. E isso quer dizer muita coisa... E não apenas que neste país não há vergonha!

sábado, 23 de novembro de 2013

Fantasmas e maldições

Por Eduardo Louro


 Benfica desinspirado vence Sporting de Braga trabalhador


 


O Benfica regressou hoje às exibições que têm sido regra esta época, regredindo claramente em relação ao jogo de Atenas e ficando muito aquém do último jogo, com o Sporting, para a Taça.


É inadmissível que, com um treinador que já vai na quinta época, e mais uma série de novos em cima dos mesmos jogadores da época passada, o objectivo seja atingir o nível exibicional da última época. E não é inadmissível apenas por esse tal nível não ter chegado para ganhar nada, é porque, à quinta época e com mais – muito mais – meios ao treinador tem que se exigir ir além do que já foi. Ficar no mesmo sítio não faz sentido, ficar aquém – e tão aquém, como é o caso – é simplesmente absurdo!


Ganhou – e aproveitou do empate do Porto – porque, ao contrário da equipa, o Matic já está ao nível da época passada, mas não mereceu ganhar. Nunca conseguiu superiorizar-se claramente a um Braga que, ao contrário do que se diz, não vinha de quatro derrotas consecutivas - porque houve uma interrupção nas competições e porque no último jogo, para a Taça, ganhara em Olhão -, mas não está propriamente em alta. E nem se pode dizer que tenha apresentado na Luz uma estratégia do arco-da-velha. Fez aquilo, mas em bem feito, que faz grande parte das equipas quando jogam com o Benfica - bloco baixo, linhas juntas, espaços tapados e transições rápidas - cujo antídoto, como se sabe, passa por uma mistura de mobilidade, velocidade, intensidade, qualidade de passe e de desmarcação. Que faltou claramente ao Benfica, porque parece que há jogadores que sabem mas não querem, outros que querem mas não sabem e ainda outros que querem mas não podem!


E porque há até jogadores que o não são. Desapareceram e deles restam apenas os seus fantasmas. O Rodrigo teve o seu Alcácer Quibir há dois anos atrás, em S. Petersburgo, às mãos – mãos, pés, joelhos… - do Bruno Alves, e não há manhã de nevoeiro que o devolva. O Lima foi César quando chegou o ano passado à Luz: chegou, viu e venceu, tornou-se na sensação da época e marcou (na Liga) mais golos que o Cardozo, dando muitas mais soluções à equipa. Desapareceu no final da época, foi de férias e não mais regressou...


E porque há as lesões. Não há um único jogo sem que jogadores se lesionem. No último foi Rúben Amorim, que estava a parecer ser a chave de alguns problemas; hoje foi Siqueira, que estava a ser um problema, confirmando que a coisa não se fica apenas por fantasmas. Há ainda maldições, e a maldição do defesa esquerdo continua aí.


Tão penoso quanto ver hoje o Lima e o Rodrigo é o discurso de Paulo Fonseca. Agora até de medicina põem o homem a falar… É por isso que não diz coisa com coisa (essa do Nacional ser a besta negra do Porto é digna de compêndio), que a maldição aperta (não há maior maldição que aquela  assobiadela final), e que já há fantasmas à solta. O que logo em Setembro era um tetra dado por adquirido já só vale um pontinho. Não vai correr bem, não vai não!

Rolar de cabeças

Por Eduardo Louro


 



 


Dizem os jornais que o ministro Miguel Macedo exigiu que rolassem cabeças na Polícia mas, pelos vistos, teria preferido que tivessem rolado no governo.


Só assim se percebe que, perante a recusa do até aqui Director Nacional de PSP – Paulo Valente Gomes – em fazer sangue, demitindo-se, o ministro tenha nomeado para o substituir precisamente – e na circunstância - a primeira cabeça a exigir. É que novo Director Nacional de PSP, Luís Peça Farinha, era o comandante da Unidade Especial de Polícia…

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Foi há 50 anos...

Por Eduardo Louro





Nunca saberemos se o mundo teria sido muito diferente, se há precisamente 50 anos o tal Lee Oswald - ou fosse lá quem fosse - tivesse falhado o alvo. Sabemos é que o mundo teria perdido um mito...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O povo é sereno... mesmo revoltado.

Por Eduardo Louro


 


 


Não houve desta vez secos e molhados, e os (10 mil?) polícias manifestantes rebentaram com o cordão policial. E irromperam pelas escadarias de S. Bento, mas foi Mário Soares, mais acima, na Aula Magna, quem rebentou com as portas...

Ai aguenta...aguenta...

Por Eduardo Louro


 


As nomeações da rapaziada continuam. Técnico especialista ou assessor, não há dia sem novidades!


Desta vez é o Despacho nº 14730/2013 do Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Paulo Lopes da Silva Monteiro, publicado no Diário da República do passado dia 4: “designo como técnico - especialista João Melo de Castro Ulrich para realizar estudos e trabalhos técnicos no âmbito das respectivas habilitações e qualificações profissionaisno meu gabinete”.


Claro que os termos do despacho chamam a atenção: o Secretário de Estado designa  o rapaz “técnico especialista". Para quê? Pois, "para realizar estudos e trabalhos técnicos no âmbito das respectivas habilitações e qualificações profissionais”. Para que não haja, nem nunca possa haver, a mínima desadequação entre as qualificações e o posto de trabalho. No tacho é normalmente assim... Dá sempre com o testo! Acrescento que o rapaz é jurista, pelo que a sua função será a de realizar estudos e trabalhos jurídicos…


Mas o nome do rapaz não lhe fica atrás!


Desconfio que o papá Fernando passará agora a sujeitar-se a alguma continência verbal. De outra forma melhor seria que tivesse arranjado um lugar para o menino lá no BPI… 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Um fado com final feliz

Por Eduardo Louro


 


 


A selecção nacional está apurada para o Brasil. Tarde, mais tarde do que a sua valia colectiva merecia, mas dentro daquilo que é o nosso fado. Um fado onde cabem velhas crenças, mas também velhas estórias. Uma delas é a do cântaro, da fonte, e da asa que alguma vez lá haverá de ficar…


Não foi ainda desta vez que lá ficou. Não poderia mesmo ser desta vez: porque não há asa que se quebre quando no cântaro está um génio; e porque a selecção da Suécia vale bem menos do que o que se anunciava, e bem menos do que se temia.


No cântaro, como se fosse lâmpada, estava o génio de Cristiano Ronaldo. Que fez, de longe, o melhor jogo de sempre pela selecção nacional e certamente um dos melhores jogos da sua já longa e sempre brilhante carreira. Hoje em dia só não é o melhor do mundo porque não é deste mundo!


Defendi frequentemente no passado que Cristiano Ronaldo era o melhor jogador do mundo. Que Messi não era deste mundo, e não era por isso comparável. Hoje é claramente o português que não é deste mundo, e é injusta para Messi e Ribery a discussão que por aí corre, como desigual e injusto foi o duelo para que convocaram Ibrahimovic, apesar da forma digna e capaz com que hoje, na segunda parte, se apresentou. A mostrar claramente que a selecção sueca é ele próprio, que para além dele é o deserto.


Por isso se percebeu hoje que o jogo retraído e ultra defensivo de Lisboa não fora estratégia. Que é mesmo assim, que pura e simplesmente a selecção sueca não tem mais (futebol) para dar.


É certo que chegou a assustar, quando a vinte minutos do fim estava a um golo do apuramento e galvanizada pela reviravolta no resultado. Sol de pouca dura, porque neste jogo de grande emoção e muito bem disputado, a selecção nacional foi tudo o que foi nesta fase de apuramento. E sendo tudo isso, já fora até aquela altura tudo o que de mau tinha sido!


A selecção nacional parece ter querido fazer deste decisivo jogo do play-off um espelho do seu desempenho durante o torneio de apuramento. Começou o jogo com a displicência e a falta de dinâmica dos jogos em casa com a Irlanda e com Israel, numa apatia confrangedora que aquele episódio de Pepe parado, com a bola também parada durante largos segundos, tão bem ilustra. Depois de perceber que o adversário estava ali apenas para defender, passou a jogar à bola e a dominar de forma inconsequente o jogo, como fizera em Moscovo, no único jogo que perdeu. No início da segunda parte fez o golo e logo se acomodou, como fizera nos jogos com Israel, com idêntico resultado. Viu-se de repente na eminência de perder o apuramento, com toda a pressão do jogo. E aí, quando tudo aperta, ressurgiu no seu maior esplendor. E não foi só com Cristiano Ronaldo, embora tenha sido ele o comandante. Foi com muitos outros e com muito Moutinho...


Gostamos disto. Gostamos de sofrer até ao fim, achamos que a vitória assim tem mais sabor. Não é estratégia, não é o nosso modelo, a nossa maneira de fazer as coisas. É o nosso fado!

Jornalismo desportivo

Por Eduardo Louro


 


Um jornalista (?) questionou ontem Paulo Bento, em Estocolmo, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo de hoje, sobre o estado de saúde de Pinto da Costa. Não sei quem é o jornalista - já só apanhei a resposta do seleccionador nacional - mas seja lá quem for, de jornalista terá certamente muito pouco. Nada que nos surpreenda no panorama da imprensa desportiva do país, onde vemos de tudo menos qualquer coisa a que se possa chamar jornalismo.


Por muito que o estado de saúde de Pinto da Costa o possa preocupar, a preocupação do tal jornalista naquele momento não era essa. Era simplesmente - ali, na véspera do mais decisivo dos jogos da selecção nacional, onde o tema não poderia ser outro que a selecção - introduzir um objecto cortante com grande capacidade de fazer sangue


Se a sua preocupação fosse com o estado de saúde de Pinto da Costa não era aquele o local adequado para disso indagar. Era o hospital. Ou a estrutura de comunicação da SAD portista. Mas, acima de tudo, não poderia ter Paulo Bento como destinatário da pergunta!


É infelizmente com gente desta que se faz jornalismo desportivo em Portugal. Gente que não sabe nem o que é ética nem o que é vergonha, mas que sabe que tem a protecção que lhe garante a impunidade!


Não honram, antes conspurcam,  a memória dos grandes jornalistas do passado. É por isso que, tendo aprendido a ler - e a escrever - com esses grandes monstros do passado, há muito que deixei de ler jornais desportivos. 

Quando não se sabe para onde vai qualquer caminho serve

Por Eduardo Louro


 


Depois de a Irlanda anunciar que sairia do programa da troika sem mas nem meio mas, directinha para os mercados por sua conta e risco, começou a ouvir-se da parte do governo português semelhante intenção. Ouvir tal coisa a Paulo Portas até poderia não surpreender - há muito que perdeu a capacidade de nos surpreender -, mas ser Passos Coelho a pretender que levemos a sério essa hipótese ultrapassa a nossa capacidade de entendimento do que se esteja a passar.


E não é apenas por a nossa situação económica estar bem longe da irlandesa. Nem por as causas dos problemas da Irlanda (eminentemente financeiros, do próprio sistema financeiro) e de Portugal (fundamentalmente económicos) serem completamente diferentes. Nem sequer por estarmos com resultados piores do que os levaram ao resgate. É porque ainda há pouco mais de um mês o primeiro-ministro ameaçava com o segundo resgate, e há apenas duas semanas o ministro da economia informava em versão lapso que o governo estava a preparar um programa cautelar!


Ou nada disto passa de um jogo de póquer, onde a vida dos portugueses se joga como fichas de casino ou – o que não dá em nada de muito diferente -, como não sabe para onde vai, para o primeiro-ministro qualquer caminho serve…  

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Tanto para aturar...

Por Eduardo Louro


 


Enquanto a população sofre cada vez mais as agruras da crise, disparam os números da emigração e o país perde os mais novos e mais capazes, os boys vão-se instalando, aconchegando e acomodando.


Em Maio, como então aqui foi dada nota, já o governo tinha nomeado mais de 4 mil – 4463, com precisão. Dos motoristas – só o primeiro-ministro tem onze por sua conta –, com vencimentos superiores a médicos, soube-se até de um caso em que, à data da nomeação em Diário da República, o motorista nem sequer tinha ainda carta de condução.


Há três semanas atrás, como também aqui se deu conta, era o Secretário de Estado Carlos Moedas que nomeava dois jovens de 21 e 22 anos, acabados de sair da escola, mas especialistas. Desta feita, como conta o João Garcia no Expresso deste fim de semana, foi Jorge Barreto Xavier, o Secretário de Estado da Cultura, área que não tem orçamento para coisa nenhuma e onde o governo vai cortar 15 milhões de euros em despesas com pessoal, que recrutou para o seu gabinete um rapaz de 24 anos cuja qualificação é ser boy do PSD. O seu currículo não engana, e lá constam três workshops no Centro de Formação de Jornalistas (Cenjor) e um estágio de seis meses na Renascença, onde se seguiram oito meses de trabalho, antes de transitar para consultor de comunicação do PSD, onde permaneceu os cinco meses que antecederam esta nomeação. Que deixa este Secretário de Estado, como refere Henrique Monteiro hoje na edição digital do Expresso, com quatro adjuntos, sete técnicos especialistas, duas secretárias pessoais, um chefe de gabinete, dez técnicos administrativos, três técnicos auxiliares e, evidentemente, três motoristas.


Este boy tem um vencimento superior a 3 mil euros. Tanto quanto – conforme também João Garcia escrevia no Expresso – um médico chefe de serviço hospitalar sem exclusividade, mais do que um juiz de primeira instância e o dobro de um professor efectivo em início de carreira!


Esta gente não tem vergonha, nem por onde ela passe…


E lembrarmo-nos nós que ainda temos de aturar o discurso das Margarida Rebelo Pinto e dos João César das Neves

sábado, 16 de novembro de 2013

Duelos do play-off

Por Eduardo Louro


 


No anunciado e badalado duelo, Cristiano Ronaldo esmagou Ibrahimovic. E no ar ficou a ideia que não tem rival à altura, nem com a ajuda do frio sueco...


Já Ribery não fora desafiado para qualquer duelo, não tinha do outro lado estrela à sua altura, mas ficou a ver o Brasil mais longe. A não ser que se repitam as coisas esquisitas que nestas ocasiões sucedem em Paris... 


Com Messi fora de jogo - dizem as más línguas que estas lesões do argentino têm origem em Neymar - sobe a expectativa na escolha do Bola d`Ouro deste ano.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

À cautela, o melhor é ir andando...

Por Eduardo Louro


 


A Irlanda conclui o seu programa de resgate a 15 de Dezembro e já comunicou que conclui mesmo, sem sofismas. Acabou. Ponto final!


Quer isso dizer que o célebre Programa Cautelar não é para lá chamado, com muita pena do governo português. Os irlandeses – e não me refiro ao governo, refiro-me à opinião pública – sabiam bem que era essa a única saída, que Programa Cautelar ou Segundo Resgate são uma e a mesma coisa. As pequenas nuances que os podem separar não alteram em nada a submissão e o garrote!


A Irlanda partiu de base diferente, os seus problemas eram diferentes – o seu problema era o sistema financeiro, enquanto o nosso, começando na economia, rapidamente passou também para o sistema financeiro - mas também fez diferente e esteve sempre mais bem colocada ao longo do programa. A economia irlandesa goza de uma série especificidades que fazem uma grande diferença para a economia portuguesa, mas que, comparadas com as de que Portugal poderia potencialmente dispor são pouco mais que irrelevantes. Simplesmente a Irlanda usa as vantagens comparativas de que dispõe, enquanto Portugal mantém virtuais as suas vantagens potenciais.


A Irlanda não tem os problemas do seu sistema financeiro resolvidos, coisa que os testes de stress que se avizinham virão demonstrar. Mantém um défice orçamental altíssimo, muito acima do português, e “apenas” – é isso o fundamental – leva vantagem nas actuais taxas de juro do mercado, pouco acima dos 3%, contra a nossa pouco abaixo dos 6%.


A Irlanda percebeu que o melhor programa cautelar era pôr ponto final nisto. Que, á cautela, o melhor era ir andando...


Entretanto nós por cá vêmo-nos cada vez mais gregos!

Volto já!

Por Eduardo Louro


 


Contrariada, a rabujar e achando-se mesmo injustiçada – afinal 0,2% não é nada –, a recessão vai-se embora. Mas promete voltar, quem conviveu com esta extraordinária gente que somos todos nós durante tanto tempo - nunca nenhuma outra tinha desfrutado tanto do país - não consegue viver muito tempo longe de nós. É o que faz sermos hospitaleiros...


Não é um adeus. Na maçaneta da porta deixou um Volto Já


É uma mera pausa para o Inverno. Lá para o início da Primavera voltará a dar notícias. Parece-me mesmo que é capaz de dar notícias já no final do ano, só que os dois trimestres consecutivos, que fazem parte do seu ADN, impedem-na de aparecer de corpo inteiro e rosto destapado antes da Primavera.


Como eu gostaria de estar enganado, e poder dizer a esta velha rabugenta que estamos fartos dela, que vá para bem longe e não nos volte a aparecer por perto…


 

Teorias do empobrecimento

 Convidada: Clarisse Louro *


 


Começamos por ouvir dizer que, com a globalização, iríamos ter que nos habituar a empobrecer um bocadinho. A sociedade de bem-estar do norte teria que abrir mão de um bocadinho desse conforto, para retirar da miséria e da fome a maior parte da humanidade que ainda vive em condições infra-humanas.


Quando as empresas, depois da queda do muro de Berlim, agora a fazer 24 anos, começaram a deslocar as indústrias para a Ásia sabíamos que iam à procura de mão-de-obra barata, de mais baixos custos de produção. Mas acreditávamos também que esse era um fenómeno que viria a melhorar as condições de vida a largos milhões de pessoas, para quem aqueles salários, para nós miseráveis, eram a chave que lhes abria a porta, se não do desenvolvimento, pelo menos de qualquer coisa melhor.


A adesão da China à Organização Mundial de Comércio, apesar das muitas voltas trocadas, tem ainda um pouco desse princípio, até porque ninguém ignorava que, nas suas condições económicas, políticas e sociais, a China era um concorrente forte, mas também fortemente desleal. A opinião pública ocidental estava disponível para perder alguma coisa para garantir o acesso a padrões mínimos de consumo a largas centenas de milhões de chineses…


Hoje olhamos para o mundo e conseguimos notar alguns desses efeitos. Quando há países emergentes com crescimentos anuais de dois dígitos alguma coisa por lá há-de ficar melhor, mesmo que, Brasil e China á parte, cada caso com a sua realidade e com os seus problemas, o balanço do desenvolvimento social não seja particularmente brilhante.


Também cá em Portugal, ao longo de todos estes anos de crise, fomo-nos habituando à ideia de que tínhamos que empobrecer. Esta teoria do empobrecimento era-nos sistematicamente martelada de forma a entrar pelas nossas cabeças dentro, fosse lá da forma que fosse.


Enquanto na teoria anterior era deixado perceber que havia ali vasos comunicantes, nós empobreceríamos para que outros pudessem ter qualquer coisinha, nesta não tínhamos nada assim de tão claro. Temos de empobrecer, mas para onde é que vai? Quem é que ganha com isso?


Aqui não havia vasos comunicantes, tínhamos de empobrecer pela simples razão de que tínhamos vivido acima das nossas possibilidades. Esta não era uma teoria, era um axioma. E foi como tal que fez carreira ao longo destes anos - o axioma do empobrecimento!


Começamos agora a perceber que não seria bem assim. Começamos a perceber que, quando nós empobrecemos, o país empobrece também. Mas que não empobrecemos todos: um Relatório da UBS – o Relatório de Ultra-Riqueza no Mundo – diz que em 2013 há em Portugal mais 85 multimilionários, passando para 870, cujas fortunas cresceram mais de 11%. Mesmo assim menos que na Grécia onde, pasme-se, a fortuna dos mais ricos cresceu 20%! 


E começamos a perceber que quanto mais pobres estão os países do sul da União mais ricos estão os do Norte. E que a Alemanha atingiu excedentes comercias inaceitáveis. Tão inaceitáveis que já nem Durão Barroso consegue ignorar!


O que sai de um lado entra noutro qualquer. Quando isso é rendimento, chama-se distribuição e é o maior instrumento político para a construção de sociedades justas, desenvolvidas, estruturadas e equilibradas.


 E a distribuição de rendimento não está a correr da melhor maneira. O mundo está cada vez mais desigual!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Não há 1640 nenhum

Por Eduardo Louro


 


Já estávamos habituados. Num relatório o FMI condenava a austeridade que prescrevera para Portugal, como se não tivesse nada a ver com aquilo. Noutro criticava a Alemanha, e chegava até a acusá-la de fazer excedentes à custa da austeridade que impõe aos outros.


No entanto, como parte da troika, nunca teve dúvidas. Nunca houve a mínima rotura, nenhuma quebra de coesão dentro da troika no que á imposição da austeridade respeitava. A imagem de alguma complacência e abertura do FMI, tantas vezes apregoada por muitos observadores, nunca resultou de outra coisa que não dos tais relatórios inconsequentes e contrastantes.


Poderia não se entender - e não se entendia mesmo - esta dualidade, mas era possível especular que uma coisa seria uma convicção serôdia e, outra, uma posição repartida num caminho que estava em curso, que não poderia ser unilateralmente alterada. O que não se entende é que, agora que do pós-troika apenas sabemos o que Pires de Lima e Rui Machete deixam cair, sem que da troika se saiba o que quer que seja, aí esteja mais um relatório do FMI, precisamente a continuar a carregar na austeridade atéao fim das nossas vidas!


O problema já não é um FMI bipolar. O problema é que eles continuam por aí. Continuam a mandar, seja lá como for: chamem-lhe segundo resgate, programa cautelar ou o que quiserem. Não há 1640 nenhum, pois não Paulo Portas?

Ler os outros

Por Eduardo Louro


 


A China está a dar mais um passo, e o Daniel Oliveira dá-nos, e muito bem, conta disso no Expresso e no Arrastão. Vale a pena ler!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O paradoxo do downsizing no reino do leão

Por Eduardo Louro


 


O Sporting, com o presidente Bruno de Carvalho à cabeça e com os recursos que lhe advém da condição de membro do triunvirato dos grandes, lançou uma campanha a que dificilmente posso deixar de chamar terrorista. Reclamar de decisões da arbitragem em que se sente prejudicado, sem qualquer tipo de distinção entre eles, metendo tudo no mesmo saco, é uma coisa. Eliminar, riscar ou omitir outras tantas em que foi beneficiado, é outra. Juntar esta berraria ao silêncio dos jogos a fio em que beneficiaram de penaltis e de sucessivos golos em fora de jogo, de que o jogo com o Benfica em Alvalade é apenas um exemplo, é ainda outra. Todas juntas são qualquer coisa muito perto de um terrorismo inaceitável que, como já pôde comprovar, também alguns sportinguistas repudiam.


A manipulação e a distorção da realidade, o espalhafato, a gritaria e os berros não são, ao contrário do que alguns possam julgar, sinónimo de liderança. São frágeis as lideranças que não encontram outras formas de se afirmar. Mas sabemos que povo da bola é, nesta matéria, pouco exigente, e facilmente embarca neste tipo de liderança bacoca e populista, do tipo agora é que eles vão ver de que massa somos feitos.


Não sei se Bruno de Carvalho é outro Vale e Azevedo. São muitos os traços em comum, tantos quantas as diferenças nas circunstâncias, pelo que diferentes poderão ser também os pontos de chegada.


Encetou no Sporting um processo meritório, que o mundo da bola generalizadamente aplaudiu. Toda a gente, e não só os simpatizantes do Sporting, apreciou a forma como o futebol do Sporting se virou para a sua academia, construindo a sua equipa de futebol na base dos seus jovens em formação, em detrimento das contratações que não estava mais em condições de prosseguir (as que apesar de tudo insistiu em fazer, correram mal). Toda a gente apreciou o processo de emagrecimento que instalou no Sporting, bem embrulhado num falso – mas eficazmente popular – afrontamento à banca. Era o exemplo para o futebol em Portugal, era este o caminho a seguir, mais cedo ou mais tarde todos os clubes aí terão de chegar, disse-se por todo o lado...


O problema – percebe-se agora – é que Bruno de Carvalho é o caso típico do actor que não joga com a personagem. E, porque assim é, criou aquilo a que chamaria o paradoxo do downsizing!


Bruno de Carvalho não tem uma estratégia de downsizing desenhada para salvar e recuperar o Sporting. Não está a dar dois passos atrás para depois dar um em frente (dar apenas um atrás na expectativa de, depois, dois em frente já não é coisa que se aplique ao futebol em Portugal). Esta não é a estratégia de qualquer adepto, e este presidente do Sporting quer fazer-se passar apenas por adepto. Esta é a estratégia que a banca impôs ao Sporting, que só pode ser levada a cabo por um presidente, nunca por um adepto.


É este o paradoxo. É por isso, por este paradoxo, que todos, no Sporting de Bruno de Carvalho, se acham capazes de ganhar tudo, deixando o treinador a falar sozinho. É por isso que, quando naturalmente não ganham, têm que criar factos atrás dos quais se possam esconder. É por isso que inventam fantasmas para tudo. Até para alianças… É por isso que vai correr mal!

"Eles são todos iguais"

Por Eduardo Louro


 


"Tenho a esperança que o desemprego em 2014 seja abaixo do que o governo prevê no orçamento e isso deve alegrar todos"...


Peço-vos que voltem a ler, que avaliem o peso desta frase e mergulhem na sua substância.


Já está?


Se disser que foi proferida esta manhã na Assembelia da República, acharão que é o normal. Se disser que é da autoria do ministro da economia, voltarão a não perceber onde é que está a surpresa, que esta frase é a cara chapada do Álvaro. 


Pois, e agora chegou a minha vez de lembrar que já não é o Álvaro o ministro da economia. É Pires de Lima, e juro que, se alguma vez lhe dissessem que iria largar o conforto e o dinheiro das cervejas para dizer coisas destas, o míinimo que diria seria: nunca. Impensável!


Eu também achava impensável... mas aí está, à vista de todos, o que é fazer política em Portugal.


E depois não gostam do "eles são todos iguais"... 

domingo, 10 de novembro de 2013

Corrida ao Guiness

Por Eduardo Louro


 


 


Rui Machete corre desesperadamente atrás de um lugar no Guiness. A concorrência é forte, mas começa a ser difícil roubarem-lhe o recorde do mais incompetente ministro de um governo.


Já assegurada está a incrição no famoso livro como o ministro que mais disparates diz, graças ao joker que a qualidade de Ministro dos Negócios Estrangeiros lhe garante...

Por favor: contem-lhes a história do Pedro e do Lobo!

Por Eduardo Louro


 


Não foi um mau jogo, mas também não foi o jogo que os sete golos possam sugerir. Houve emoção, mas não tanta incerteza no resultado quanto o 4-3 possa dar a entender.


O Benfica – Sporting de ontem foi acima de tudo um derby, foi muito mais um grande derby que um grande jogo de futebol. Na verdade os maiores temperos do jogo vieram do picante do derby!  


Sempre que o jogo se resumiu a jogar à bola – às vezes num jogo de futebol joga-se à bola - a superioridade do Benfica foi notória, e o resultado desequilibrou-se. Os equilíbrios no jogo só surgiram quando vieram ao de cima outras dimensões do jogo. Já o equilibro no resultado teve pouco a ver com o equilíbrio que aqui e ali o jogo conheceu e muito, para não dizer tudo, com a casa arrombada em que esta equipa do Benfica se transformou nos momentos das bolas paradas, de que tanto aqui tenho falado. O problema da defesa à zona não é ter deixado de surpreender os adversários - como Jorge Jesus veio dizer - é ter passado a surpreender os jogadores do Benfica. A marcação à zona nas bolas paradas assenta em duas condições básicas: ocupação estratégica de toda a grande área e determinação no ataque à bola. A estratégia de ocupação dos espaços tem por objectivo posicionar os jogadores para que nunca tenham mais espaço a percorrer até ao encontro com a bola que o adversário para, no ataque à bola, chegar primeiro. O problema é que não é da marcação à zona, o problema é da sua interpretação…


O Sporting apenas cresceu no jogo a partir do momento em que, num canto com tanto de esporádico quanto de desnecessário, o defesa central brasileiro do Sporting, sempre sozinho, correu, preparou o salto, saltou e cabeceou - exactamente como quatro dias antes, em Atenas – para o golo que fez o 3-2. Um resultado que caía do céu e que trouxe o Sporting de volta ao jogo, e o jogo de volta às suas outras dimensões.


O Benfica não escondia o terror das bolas paradas e o Sporting não escondia que era por aí que pretendia ir.


Até que, em mais um minuto 92, num livre lateral resultante de falta nenhuma, era estabelecido o resultado que levaria o jogo para um prolongamento que, por todas as razões – entre as quais o jogo da champions (e que jogo!) a meio da semana e os factores emocionais deste próprio (de mais para menos, a deixar fugir uma vantagem confortável)  – se desenhava penoso para o Benfica.


Mas é realmente tão grande a diferença entre as duas equipas que isso não foi suficiente para sequer equilibrar o jogo durante o prolongamento que, para o Benfica, acabou apenas por ser o castigo pela sua inaceitável prestação nas bolas paradas. Como alguém dizia ao meu lado: “não aconteceu Taça”!


Três jogadores do Benfica merecem especial destaque: Cardozo, pelo hat-trick e porque mantém o pânico em Alvalade e André Almeida exactamente pelo oposto. Esteve na origem dos três golos sofridos (no último teve a colaboração do árbitro, mas ele tinha de perceber que bastaria ao jogador do Sporting sentir-lhe o bafo para se mandar para o chão), fez um penalti estúpido, de principiante, que o árbitro não viu e, quando tudo o que a equipa não precisava era de cantos, parecia que o único destino que tinha para dar à bola era a linha final. O terceiro não jogou: chama-se Oblak e era o guarda-redes para a Taça. Só tinha que ter jogado, e isso só Jorge Jesus não percebe…


Sempre foi um pouco assim, mas creio que nunca foi tanto como ultimamente. Refiro-me à arbitragem, e ao que é a reacção sportinguista às derrotas com o Benfica. Bem o treinador podia dizer que não falava de arbitragens… Não falava enquanto o Montero ia marcando uns golos fora de jogo… Não percebem que assim nunca ninguém os leva a sério: alguém tem que lhes contar a história infantil do Pedro e do lobo!


O Benfica foi superior em tudo: marcou mais um golo, teve mais uma bola nos ferros e teve mais penaltis por marcar. O árbitro não assinalou um penalti contra o Benfica – na já referida mão do André Almeida - mas não assinalou três contra o Sporting, um dos quais no lance que resultou no quarto golo do Benfica, e que teria evitado o frango do Rui Patrício. O golo do empate resulta de uma falta inexistente mas, para o Sporting, foi o árbitro...


A arbitragem de Duarte Gomes teve muitos erros, uns mais desculpáveis que outros. Não foi, evidentemente, a grande arbitragem que Jesus, do alto da sua inépcia, referiu. Mas nem de perto nem de longe foi o que Bruno de Carvalho e sus muchachos, inacreditavelmente, querem fazer crer que foi!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...