quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Gente de fé em gente trapaceira

Por Eduardo Louro


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No PSD já há quem o compare a Cavaco, e veja as portas a abrirem-se para mais um reinado de vinte anos. Um verdadeiro artista da cassete pirata, este Pedro... Agora até arranjou um terço, disfarçado de trampolim para mais uns votos, aquele plus que, tem fé, o pode projectar para a maioria. Absoluta, impronunciavelmente absoluta. Não larga o crucifixo e manipula a fé.


Não importa que fé seja, importa que o ouçam falar nela. Nem que seja para dizer que tem fé que as pessoas tenham fé nele... Pobre país. Pobre gente que, empobrecida e indefesa, à mercê de gente trapaceira, tamanha cruz tem de carregar... 

Vitória vitória

Por Eduardo Louro


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Grande Vitória vitória (não é gafe, nem  tem nada a ver com um jogador que anda por aí, que está na moda, é mesmo grande a vitória, e o Vitória) do Benfica no Vincente Calderon, perante o Atlético de Madrid de Simeone que, reza a história, nunca aí tinha perdido em jogos europeus. Onde levava oito jogos sem sofrer golos...


Abri assim, com este toque meio épico, porque, para além da exibição, salpicada de classe e de personalidade - até as transições rápidas regressaram em todo o esplendor -,  hoje foi dia de enterrar todos os fantasmas. 


Os profectas do Benfica calamitoso que só ganhava em casa, que fora de portas tinha sempre a derrota como certa e inevitável, para quem nada de casuístico havia na derrota inaugural com o Sporting, no regresso de uma endinheirada mas desastrosa digressão de pré-temporada. Nem na estúpida derrota com o Arouca, onde trinta remates à baliza não deram para um só golo. Nem na do Porto, depois de uma exibição que nada teve a ver com aquilo que era habitual ir lá fazer, ficaram hoje sem argumentos. Já podem meter a viola no saco...


Mas a pedra de toneladas que hoje foi colocada sobre o túmulo de todos os fantasmas foi carregada pelos miúdos Nelson Semedo e Gonçalo Guedes, ambos sensacionais, ao nível dos suspeitos do costume, os enormes  Gaitan e Jonas. E dos também enormes Luisão e Jardel. O epitáfio é simples, e está na tabela classificativa: Champions - dois jogos seis pontos!


Não sabíamos o que era isso. Sabíamos - e vimos confirmar-se - é que os imbecis das tochas continuam por aí, à solta e impunes. Eles e quem os protege. Até quando?

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Escondidos da campanha

Por Eduardo Louro


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A gente olha e vê que a festa é feita pelo Pedro, pelo Paulo, pela Cristas e pela Maria Luís. Eles lançam os foguetes e apanham as canas, fazem números atrás de números e, cada um à sua maneira, mas sempre em grande estilo, garantem que a festa é animada. A moldura à sua volta não é só feita de figurantes, é também de figurões que tratam de velar para que tudo corra bem. Para que senhoras de cor de rosa não incomodem com perguntas ou desabafos embaraçantes. 


Nada pode estragar a festa. E a festa poderá ficar estragada se alguém aparecer a falar de programas ou de promessas antigas. Mas fica completamente estragada é se alguém falar do governo e destes seus quatro anos. Isso é que é tabu. Aí é que está a única linha vermelha que Portas e Passos conhecem...


Querem que ninguém se lembre que houve um governo nestes mais de quatro anos que fez o que fez, que deixou o país como deixou, e os portugueses como estão. Não é por isso de estranhar que na festa não apareçam ministros que eles nem querem que se saiba que existem. Não é de estranhar que ninguém veja o ministro Crato. Nem aquele senhor de idade - Rui Machete, ou lá como se chama - que é ministro dos negócios estrangeiros. Nem aquela senhora de ar estranho, que parece ter chegado de Marte - que agora está na moda, até há lá água salgada e tudo - para substituir aquele senhor que deixou de ser ministro da administração interna para passar a arguído, naquela cena dos vistos gold, que eram o orgulho de Portas. De Paula Teixeira da Cruz, nem sombra...


Se alguém perguntar por esses ministros Passos, como sempre, desvalorizará e não hesitará em responder qualquer coisa como: "não podem andar todos aqui, alguém tem de ficar a governar"... 


Mas falar de ausências é falar do Marco António, de Gaia. É a mais notada de todas: por onde andará o Marco António Costa?


Não aparece, ninguém o vê... Não é ministro. É mais que isso, e mais que aos ministros, ninguém quer que seja visto por aí. Por que será?

Volkswagenizar

Por Eduardo Louro



 


Nasceu uma nova palavra. É germanófila, e não fazia falta nenhuma, porque já cá tínhamos de mais. Se há coisa que não falta na língua portuguesa é riqueza de expressões ajustadas ao acto de enganar, ludibriar, iludir, surrupiar, lixar, mentir dolosamente ou simplesmente mentir com simples dolo. Mesmo assim, aí está: Volkswagenizar!


Toda a gente volkswageniza e nesta altura, mais, ainda. Passos e Portas volkswagenizam  em grande, à Passat ou Phaeton, volkswagenizam como se não houvesse amanhã.


Maria Luís é também viciada em Volkswagens. Segue-as à risca, tim tim por tim tim


 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Entre a coisa e o símbolo (ou outra maneira de olhar para as eleições na Catalunha)

Por Eduardo Louro



 


Elegendo mais deputados, os partidos independentistas da Catalunha não obtiveram mais votos, trazendo à evidência uma possibilidade que por cá se tem posto.


Mau grado as paralelas que a História tantas vezes traçou entre Portugal e a Catalunha isso não tem importância nenhuma. Importante - seja para lado for - é que ainda não foi desta que a questão da independência foi resolvida. Por muito que os independentistas - o Juntos pelo Sim, de Artur Mas e da Candidatura de Unidade Popular (CUP) - possam dizer que é um resultado que lhes permita avançar para a independência de forma unilateral, a verdade é que, na maior participação eleitoral dos últimos anos, que mobilizou o voto de perto de 80% dos catalães, a maioria dos votos expressos – 51,94% - foi para partidos que não defendem esse caminho.


Há precisamente uma semana, num programa de uma rádio, onde falava de coisas à volta do futebol, para exemplificar a ligação entre futebol e política, referi o Barça como bandeira do nacionalismo catalão, para perspectivar o paradoxo dessa ligação nas eleições de ontem. Ao anunciar que não aceitaria a inscrição de clubes estrangeiros, a posição da Federação Espanhola de Futebol estava a deixar claro que, numa Catalunha independente, o Barcelona ficaria impedido de competir na Liga espanhola,  e assim imediatamente ameaçado no seu estatuto de uma das maiores potências do futebol mundial e, consequentemente, morto como bandeira da nacionalidade.


Não sei se alguém dedicará algum tempo a investigar a influência deste paradoxo nos resultados eleitorais de ontem. O meu palpite é que, tendo que escolher entre a coisa e o seu símbolo, os catalães  preferem o símbolo.

domingo, 27 de setembro de 2015

Mistérios

Por Eduardo Louro


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Numa Assembleia Geral marcada para um domingo à tarde, com uma participação que, pelo que se pôde ver nas televisões, não ultrapassaria a centena sócios, Bruno de Carvalho esclareceu o seu projecto pessoal para o Sporting: "...  protejam-me, se não dão cabo de mim...".


Aí está. Teria de chegar aqui. Também terá dito: "Depois não digam que eu não avisei". Era o que eu tinha para dizer...


É que só no mistério da Santíssima Trindade, Jesus é Deus. Mas esse é o mais velho mistério do mundo!

sábado, 26 de setembro de 2015

Golos com história

Por Eduardo Louro


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Sabendo, pela experiência dos jogos que tem feito em casa neste início de época, que o primeiro golo é a chave do sucesso, o Benfica entrou a todo o gás no jogo de hoje com o Paços, com o objectivo bem nítido de encontrar essa chave bem cedo.


Só que foi sol de pouca dura. À passagem do primeiro quarto de hora já parecia que tinha desistido… Não terá sido por opção própria que abandonou aquele ritmo asfixiante dos primeiros quinzes minutos de jogo, até porque – bem o sabemos – não é fácil manter estes ritmos diabólicos por muito tempo. Mas não foi só isso!


O Paços teve culpas. E grandes… Resistiu como pôde a esses 15 minutos avassaladores, com faltas de toda a maneira e feitio, e algumas bem feinhas, chutando para onde estavam virados e cedendo cantos uns atrás dos outros. Mas depois conseguiu começar a respirar, organizou-se e começou a subir no terreno. A subir muito, a pressionar a saída da bola do Benfica, onde quer que fosse, e a complicar o jogo ao Benfica.


O antídoto para o tipo de jogo que o Paços impunha em campo passa por aquilo que tinha sido a imagem de marca do futebol do Benfica nos últimos anos, aquilo que em futebolês se chamam transições rápidas. E que se percebe que perdeu. Não sei se é uma ideia abandonada, assim como quem atira fora uma ferramenta que acha que já não precisa. Mas sei, porque se vê, que falta a muitos jogadores a velocidade de execução e a qualidade do passe e de recepção, que são o factor crítico de sucesso das transições rápidas.


Sem este antídoto – em todo o jogo o Benfica conseguiu por uma única vez uma transição ofensiva capaz de fazer lembrar o ano passado, e foi desperdiçada por Mitroglou, que ao contornar o guarda-redes permitiu-lhe desviar a bola do golo – valeu mais uma vez a classe dos dois mais categorizados jogadores da equipa. Primeiro, Jonas, a fazer do golo uma obra de arte. Sublime, pouco passava da meia hora de jogo, a fazer o resultado ao intervalo. Porque, pouco depois num remate com a mesma espantosa execução, a bola não quis voltar a entrar.


A segunda parte - pese sempre o grande desequilíbrio na posse de bola (75% para o Benfica na primeira parte) -  não foi muito diferente. Até ao segundo golo, o primeiro de Gonçalo Guedes na equipa principal do Benfica, a meio da segunda parte.


Um golo que matou de facto o jogo e que tem história: porque resulta de uma nouance táctica (Gonçalo Guedes a jogar mais por dentro, com a ala toda entregue ao outro miúdo, Nelson Semedo) e porque surge em circunstâncias anteriormente ensaiadas, sempre com o remate do miúdo a bater numa das muitas pernas que ocupavam aquela zona central da entrada da área. Voltou a bater numa dessas pernas, só que desta vez, ao contrário de todas as outras, seguiu o caminho da baliza.


Curiosamente também o terceiro golo, de novo de Jonas, sete minutos depois, foi uma jogada (Gaitan-Guedes-Jonas) a papel químico de uma outra poucos minutos antes.


No fim ficou um jogo que, apesar da boa imagem que o futebol do Paços deixou, bem poderia ter registado mais uma das goleadas da Catedral. Oportunidades não faltaram!


Diz que os outros dois empataram… Fizeram eles bem!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Danados para a brincadeira

Por Eduardo Louro



 


Esta noite decidi dedicar-me ao zaping, e passei boa parte dela a vaguear de antena para antena, para ouvir o que os especialistas do comentário político tinham para dizer sobre as sondagens. As do empate técnico e as que põem a coligação às portas da maioria absoluta. 


E ouvi coisas tão ou mais desconcertantes que as próprias sondagens. Também poderia dizer disparatadas, mas fico-me pelo desconcertante. Ouvi, por exemplo, na TVI 24, um senhor que foi director do maior e mais influente semanário nacional, e que passava de uma estação para outra quase tão depressa como eu com o comando do meu televisor, dizer que os portugueses constituem hoje um eleitorado de grande literacia, para quem a política e a economia não têm segredos. Capazes de distinguir propostas alternativas e distintas, e até de avaliar comportamentos e expectativas, sem nada deixar passar. Gente que já ninguém consegue enganar...


Estava eu a assimilar o que acabava de ouvir, e a tentar advinhar de que planeta teria acabado de cair, já a personagem dizia que os eleitores não percebem, nem querem saber da política para nada. Não entendem o discurso político, nem o discurso dos políticos, querem é saber do que irá ser da sua vida. Que agora estão preocupados com os manuais escolares, coisa com a que o discurso político não liga patavina...


Claro que personagem com tão amplo conhecimento do eleitorado português tem que ter nome. Chama-se Henrique Monteiro. Mas como às vezes também passa por Comendador - não confundir com comentador - e como minutos antes o tinha visto na SIC Notícias, aquele era mesmo o Comendador Marques de Correia. Danado para a brincadeira, como sempre!


 

Palavras para quê?

Por Eduardo Louro


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Cavaco - anuncia hoje o SOL - já não exige maioria para dar posse ao novo governo. Não sendo frequente que mude de opinião - há mesmo quem diga que é um incorrigível teimoso, que raramente tem dúvidas e que nunca se engana - o que é que o terá feito mudar de ideias?


O que é mudou?


Não estou bem a ver... Estão aqui a dizer-me que o que mudou foram as perspectivas eleitorais da coligação. Não. Não pode ser, não estou a ver que um presidente da República, possa ser tão parcial. Isso seria batota...


Mas já que estão a falar nisso... Então, quando toda a gente pensava que o PS ia ganhar as eleições, Cavaco avisava que só os deixaria governar se tivessem maioria. Porque o país precisa de estabilidade, o que a vitória sem maioria de António Costa não garantia, ainda que tivesse, á esquerda, todo um largo espectro de hipóteses de construir consenos, pontuais ou mais estruturais. Agora, que as sondagens apontam para a vitória da sua coligação, que sem maioria não tem por onde nunca lá chegar, Cavaco vem dizer que afinal pensou melhor, e que não é preciso maioria nenhuma. Nem estabilidade, o que é mesmo preciso é que esta sua gente continue a tomar conta disto tudo...


Como dizia o velho anúncio:"palavras para quê"?


 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Um défice invejoso

Por Eduardo Louro


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Enquanto o jovem défice de 2014 é objecto da maior campanha de lavagem que algum défice alguma vez conheceu, o de 2015 segue-lhe apressadamente os passos.


Um invejoso, este défice de 2015. Ao ver a benção europeia ao seu irmão mais novo, logo quis ser grande como ele... A mãe é que não lhe despensa os mesmos mimos, e garante que não o deixa crescer. Ninguém acredita que seja capaz de o contrariar, desconfia-se é que o abandone. Ou que até lhe dê outro pai...


 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O défice que não conta para nada

Por Eduardo Louro


 


 


Antes de rumar a Bruxelas para a reunião do Conselho Europeu – que voltou a aplicar, agora para os refugiados, a única receita que a Europa conhece: mandar dinheiro para cima dos problemas, fingindo com isso resolvê-los – Passos Coelho que, já no início da semana da semana, com aquela sua enorme facilidade de deixar fugir a boca para a mentira, trocava o pagamento de obrigações do tesouro de dez anos com a antecipação de pagamentos ao FMI, veio dizer-nos que essa coisa do défice não conta para nada. O défice do ano passado fica nos 7,2%, mas isso é um simples episódio estatístico, garantiu sem pingo de vergonha.


Quer dizer, e como salienta o Pedro Santos Guerreiro, “… andamos há anos a penar, a pagar e a minguar pelo défice orçamental…”. Por ele passamos pelo aumento colossal de impostos e de lá nunca mais saímos. Por ele cortaram despesa na Saúde, na Educação, na Cultura. Cortaram salários. Cortaram pensões. E cortaram tudo o que era prestação social... Mas depois, e afinal de contas, o défice é passado, é só contabilidade, coisa de estatística e nada mais. Que para nada releva e que não tem importância nenhuma…


E é um primeiro-ministro destes que vai ser reeleito?


Não acredito. Sinceramente que não!


Mesmo que o challenger continue sem acertar o passo, e a fazer (quase) tudo ao contrário… Foi mais uma vez o Bloco de Esquerda, e Catarina Martins, a mostrar como se faz: “ a campanha eleitoral da direita morreu hoje”. Assim, simples e directo!


O que fez António Costa? Dirigiu-se a Portas, e falou dos défices dos governos do PS. Era possível fazer pior? Tenho dúvidas…

Notícias que vão para além da notícia

Por Eduardo Louro


Capa do Correio da Manhã


 


Confesso-me cada vez mais impressionado com o que acontece neste país que é o nosso. Dois ou três chicos espertos - meia dúzia, vá lá - conseguem fazer com que se passem meses de campanha eleitoral sem uma palavra sobre o vendaval de destruição que passou pelo país nestes quatro anos de governação. E sem que  nInguém discuta uma única linha do seu programa para os próximo quatro, porque simplesmente não há, nem ninguém se preocupa nada com isso.


Hoje, mais uma notícia impressionante: está na capa do Correio da Manhã, mas é da OCDE - 485 mil portugueses tiveram de emigrar nestes quatro anos. O número impressiona, como impressiona a confirmação que Portugal é, de todos os que integram aquela Organização, o que mais gente obriga a emigrar. Não tínhamos notícias oficiais destes números, apenas algumas referências da oposição. E o que verdadeiramente espanta é que o número que tínhamos ouvido à oposição se ficasse pelos 300 mil.


O espanto perde gás quando percebemos que tem de ser uma Organização internacional a fornecer estes números, que as estatísticas internas deixam esquecidos. Porque isso já não espanta, esta gente já nos habituou a essas coisas, a esconder tudo o que atrapalha a realidade virtual que impõe ao país...


Há notícias que vão para além da notícia. Esta vai muito para lá de dar um número a um fenómeno que toda a gente conhece e sente. Explica as inexplicáveis sondagens que todos os dias nos avisam para o que aí vem. E explica por que - como comecei - meia dúzia de chico espertos conseguem meter no bolso todo um país! 


Só não explica é por é que havemos de deixar que as coisas sejam assim...

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Aí está o Outono, que não o equinócio...

Por Eduardo Louro


 


 


Hoje acaba o Verão, mas o equinócio só vai acontecer no sábado. Parece que está cansado, e que tem pressa em pôr-se ao fresco. Não está disposto em esperar pelo equinócio que se deixou atrasar… Não se sabe bem se seduzido pela noite, ou se traído por ela.


Sabe-se que a culpa é da noite, disso não há dúvidas. Só no sábado é que vai chegar ao encontro marcado com o dia para meio do caminho que ambos têm pela frente. E como se sabe o equinócio só nasce mesmo desse encontro que não tolera descriminações: dia e noite têm que ser exactamente iguais!


Hoje o sol vai nascer às 7:25, e vai pôr-se às 19:33. Só no sábado, nascendo às 7:28 e pondo-se às 19:28, o dia será igual à noite. Hoje o dia vai ser ainda maior que a noite em 8 minutos, mas o Outono começa à mesma. Porque o Verão quer ir descansar, para regressar lá para Junho do próximo ano, para alegria de todos os gostam de sol, de praia e de corpos um pouco mais desnudados…


 

Portugal não é a Grécia

Por Eduardo Louro


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Não é, não. Na Grécia, um primeiro-ministro demitiu-se, o governo caiu, marcaram-se novas eleições... Fez-se a campanha eleitoral, e fizeram-se as eleições. No domingo. Ontem foi empossado o primeiro-ministro e hoje já há governo. Tudo isto com Portugal em romaria, de norte a sul, do litoral ao interior.  Estávamos em campanha eleitoral quando Tsypras se demitiu, e continuamos em campanha eleitoral - pasme-se, ainda e apenas no terceiro dia de campanha oficial - quando o novo governo toma posse. À espera das eleições, daqui por duas semanas...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sem travões nem tino

Por Eduardo Louro


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Embalado pela demagogia pela rua da aldrabice abaixo, Passos não pára. Não consegue travar e, claro, dá em espalhanço. Dá malho, e dos grandes!


Mas Passos é isto, plástico. Oco. Um primeiro-ministro não pode desconhecer o que tem a pagar a quem. Não pode confundir uma obrigação de pagamento, na data de vencimento, com uma antecipação de um pagamento. Não pode achar que tudo o que o país deve, deve ao FMI, a quem tudo o que paga é antecipação... 


A um primeiro-ministro exige-se mais que simplesmente aproveitar tudo para se lançar rua abaixo, sem travões nem tino!


 

Sem novidades

Por Eduardo Louro


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Na Grécia, tudo na mesma... Tsypras voltou a ganhar, e vai voltar a formar governo com os mesmos gregos independentes. Tudo na mesma: o Syriza, a direita da Nova Democracia, a extrema direita da Aurora Dourada, os socialistas do PASOK, tudo como em Janeiro, mais voto menos voto. Tudo na mesma, com a realidade a trocar as voltas às sondagens. Como tem acontecido por todo o lado, e vai inevitavelmente acontecer também por cá, onde já não há pingo de vergonha, com resultados por encomenda, à vontade do freguês.


E, com tudo na mesma, vamos começar a voltar a ouvir falar da Grécia. Até porque já anda tudo farto de refugiados, o tema já começa a estar gasto e é preciso mudar de assunto. Mesmo sem novidades! 

domingo, 20 de setembro de 2015

Os "ses" do clássico

Por Eduardo Louro


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O Dragão pôde assistir, na primeira parte, ao melhor Benfica da sua história. Não me lembro, nesta dúzia de anos que o Dragão leva de vida, de um Benfica tão afirmativo, tão assertivo e tão mandão como foi hoje durante 35 minutos.


À excepção dos primeiros 5 minutos e dos últimos cinco da primeira parte, o que se viu foi o Benfica a mandar no jogo e a criar ocasiões de golo. Ia ainda a primeira metade do jogo a meio e já o Benfica criara três grandes oportunidades de golo. Duas negadas por Casillas, com enorme classe.


Os jogadores do Porto não sabiam para onde é que se deviam virar. E quando assim é viram sempre para o mesmo lado, para a quezília e o conflito. A primeira acabaria com Maicon – que já tinha ensinado ao Maxi como se faz – no ponto mais alto (literalmente) desse ambiente intimidativo que faz da agressão (Jonas foi um mártir) um modo de vida. Ou de jogo. Aproveitou o facto do árbitro já ter apitado para o fim da primeira parte mas, provou-o a segunda, não tinha necessidade disso.


Logo aos 5 minutos o Maxi – que bom aluno que é! – demonstrou que não havia nada a recear, que podiam repetir-se os golpes de karaté do mestre Maicon que o árbitro Soares Dias não se importava.


Poderá não ter sido por isso – mas também poderá ter sido – mas a segunda parte foi outra coisa. O Benfica não repetiu, nem de perto nem de longe o que de bom tinha feito, foi caindo fisicamente e à entrada do último quarto de hora do jogo o Porto passou a mandar claramente no jogo. Chegou ao golo já perto dos 90, numa jogada de contra-ataque que se percebeu logo que iria acabar em golo, tão flagrante que era a superioridade numérica criada.


E pronto, Lopetegui lá conseguiu ganhar um jogo ao Benfica… Um jogo que não foi só de Maicons e Maxis. Teve também coisas bonitas: o abraço de Aboubakar a Júlio César, depois de um choque entre ambos, ou a atitude de Gaitan, a dar a protecção a Maxi que, percebemos depois, ele afinal não precisava. Terá sido por isso, por saber que não precisava, que nem ficou agradecido. E teve uma verdadeira curiosidade: qual é jogador – qual é ele – que pode chegar a esta altura da época sem ter competido num único jogo e dar confiança a um treinador para um jogo desta importância?


Claro: é André Almeida! Nenhum outro jogador é capaz de tal coisa. E de jogar bem… até poder. Porque não há milagres.


Não há clássico sem ses. E este tem dois: se o melhor Benfica tivesse podido contar com o melhor Gaitan, tudo teria sido diferente. E se o árbitro do Porto tivesse expulso – como não poderia deixar de fazer – o Maicon, no final da primeira parte e o Maxi, aos 5 minutos da segunda, como é que teria sido?


Ah… E o André André é um grande jogador, e está em grande forma Parece-me que há ali dedo do Rui Vitória… Ou não?

sábado, 19 de setembro de 2015

Por que é que as pessoas votam na continuação desta governação?

Por Eduardo Louro


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 Nos meus tempos do liceu o sumário de cada aula era escrito no quadro. Às vezes lá aparecia: “Continuação da aula anterior”. Nas campanhas eleitorais, os partidos apresentam programas – ninguém lhes liga muito, é verdade, mas apresentam. Comos os professores apresentavam os sumários. A coligação não apresenta programa, o sumário é: continuação da governação anterior.


Chegados aqui parece que é fácil perceber o que está em causa nestas eleições. O eleitorado só teria que dizer se quer a continuação da aula anterior, ou se quer matéria nova. Se quer manter a governação destes últimos quatro anos e tal – o tal é o que Cavaco quis acrescentar ao mandato – ou se quer outra coisa. Postas as coisas nestes termos, e sabendo – como se sabe pelos estudos de opinião, independentemente dos resultados das sondagens para todos os gostos que todos os dias nos chegam – que mais de 70% dos portugueses está contra este governo e esta governação, admitir que a coligação possa ganhar as eleições não poderia passar de uma aberração. Não faria sentido nenhum, não teria ponta por onde lhe pegar…  


Como bem sabemos não é nada disso que se passa. Não é nada disso, e a coligação poderá até não ganhar as eleições, mas neste momento ninguém tem dúvidas que a coisa está muito apertada.


Por várias razões, certamente. Mas por duas, fundamentais. A primeira porque, em Portugal, muita gente – alguns milhões de pessoas – entende os partidos políticos como um clube. Ligam-se a um partido como se ligam a um clube, de futebol ou de outro domínio qualquer. Projectam num partido os seus sentimentos de pertença e as suas necessidades de integração e interacção. E, como se sabe, muda de tudo mas nunca se muda de clube…Quando se diz que o Partido Comunista é o que melhor fixa o seu eleitorado, é disto que se fala. Mas este é um fenómeno que em Portugal é transversal a todos os partidos, e quando chega a hora de depositar o voto muita gente fá-lo no seu partido do coração. Podem estar até revoltadas com o governo, mas quando vão votar é o seu partido que está ali no boletim, não é o governo onde o seu partido lhe fez todas as malfeitorias.


A segunda é de outra ordem, e tem a ver com a formatação de um pensamento único que não admite alternativas. Veio da Europa. Embrionado na moeda – também – única, cresceu com a crise do euro e das dívidas soberanas, e tornou-se soberano com o Tratado Orçamental. Ao assinarem o Tratado Orçamental os partidos social-democratas assinaram a sua certidão de óbito, e todos foram desaparecendo do mapa político do poder na Europa.


O PS – que tão apressadamente tratou, pela mão de Seguro, de assinar aquele Tratado – não consegue fugir deste cerco. Tem, como os outros, a sua base eleitoral, os simpatizantes com e sem cartão de sócio, mas esses nunca chegam para ninguém ganhar eleições. E aos outros é difícil convencer que sejam alternativa. Asseguram alternância. Do mal, o menos, em democracia... Mas nem sempre chega. E quanto maiores forem os medos e as ameaças, maior é a probabilidade de não chegar…


Entre a cópia e o original, as pessoas tendem a escolher o original. E quando António Costa diz que devolve em dois anos o que Passos diz devolver em quatro, só está a dizer que não é alternativa nenhuma. É, como me dizia um amigo (do PSD) com quem discutia o tema, como duas pessoas que se oferecem para, no seu carro, levar alguém ao mesmo sítio e uma diz que vai a 180 e a outra diz que vai a 120.


Pode haver quem ache mais excitante ir a 180. Ou quem valorize chegar lá um bocadinho mais cedo. Mas há certamente muita gente que acha que não vale a pena correr todos os riscos de ir a 180. Que é mais tranquilo e mais seguro fazer a viagem a 120!


Pois é…Não há leituras inteligentes dos tratados!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

As tretas da campanha e a campanha das tretas

Por Eduardo Louro


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Prometi voltar à tretacomo lhe chamei – quem chamou a troika porque me parece que transporta o verdadeiro paradigma da actual campanha eleitoral. Por isso cá está!


Se bem nos lembramos veremos que tudo começou numa daquelas frases feitas, chame-se-lhe sound byte ou o que se quiser, de que se faz a política: ir para além da troika. António Costa, a páginas tantas do seu debate televisivo com Passos, acusou-o de ter sido um entusiasta do programa da troika, ao ponto de se ter anunciado disposto a ir mais longe: para além da troika.


Passos Coelho, que a última coisa que quer é falar destes quatro anos de governação, e a primeira é (ou era) falar de Sócrates, fez o seu papel, respondendo de imediato que não fora ele, mas o PS, a chamar a troika.


E a coisa ficou por aqui. Seguiu para bingo, e ninguém viu António Costa acusar Passos de ter sido ele a chamar a troika, para que o debate passasse a ficar marcado por esta polémica que nunca existiu. Mas alguém quis que existisse. Alguém tratou de a deixar no centro do debate, assim como se lá tivesse sido deixada por esquecimento. E como se sempre lá tivesse estado.


Não sei quem foi, mas sei que há gente que se dedica a isso. E que faz isso muito bem, para rapidamente inundar todo o espaço mediático, cada vez mais cheio de gente que faz, sem se preocupar muito por que faz.


E de repente, o mais importante na campanha era mesmo apurar quem tinha chamado a troika, como se não estivéssemos perante um acontecimento com apenas quatro anos, presente na memória de toda a gente. Como se não estivéssemos todos fartos de saber quem chamou a troika, por que chamou a troika, e quem queria e quem não queria chamar a troika.


Como se não soubéssemos que naquela altura, já então eminente figura do aparelho, Marco António Costa decidira que era hora de pôr a mão no pote, e fizera a Passos um aviso solene: “se o país não fosse a votos, teria que ir o partido”!


Como se não estivéssemos todos fartos de saber que o país, todo o país à excepção de Sócrates e a sua reduzida corte, não via já qualquer alternativa. Como se não soubéssemos todos que muitos dos portugueses viram então a chegada da troika como motivo de esperança. Não para os castigar, mas para castigar uma classe política e um regime esgotados, esses sim, habituados a viver acima das possibilidades. Convencidos que vinha aí quem os obrigasse a fazer o que por iniciativa própria nunca tinham querido fazer.


Podemos não estar fartos de saber, mas temos a obrigação de saber, que o regime não tem, como continua a não ter, mais que uma alternativa. E que, naquelas circunstâncias, em que o mais importante era o país libertar-se do socratismo e de tudo o que ele representava, a alternativa era Passos Coelho. Nem precisaria de fazer as promessas para não cumpriu, bastava-lhe cavalgar a onda…


A questão não é, como nunca foi, quem chamou a troika. A verdadeira questão é o que Passos e Gaspar, e depois Portas, fizeram com um programa que os portugueses tinham visto como redentor. O problema é que executaram o programa sem nunca atingir nenhum dos seus objectivos, falhando-os todos, ao ponto de Gaspar fazer as malas e partir para o FMI. O problema é que nenhuma das reformas que a intervenção externa anunciara, e que os portugueses esperavam, foi executada. Em vez de cortar nas gorduras anunciadas que entupiam veias e artérias que deviam alimentar o desenvolvimento, cortaram a eito na economia e nos rendimentos dos portugueses.


O problema é que Passos, Gaspar e Portas agarraram no programa e viraram-no do avesso, para que assentasse que nem uma luva na matriz ideológica que pretendiam instalar na sociedade portuguesa. Não para fazer de Portugal um país para os portugueses, mas para fazer de Portugal uma coutada dos interesses mais poderosos. À custa de todos os outros.


O problema é que Gaspar já cá não está para responder por nada disso. Mas Passos e Portas estão. E não estão nada interessados em que nada disso seja discutido. E para que não se fale em nada disso lá estão os spin doctors sempre a arranjar umas tretas para incorporar no espectáculo mediático em que transformam as campanhas eleitorais.


 


 

Está na hora de olhar para o outro lado...

Por Eduardo Louro


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Abriu-se ontem a primeira brecha entre Jorge Jesus e Bruno de Carvalho, agora é só esperar pelo que sempre foi esperado... 


Impedido pelo presidente da utilizar Carrillo, o treinador, e até ontem dono daquilo tudo, respondeu deixando de fora Naldo e mandando para o jogo Tobias Figueiredo, um completo desastre. Mas também Slimani e Bryan Ruiz, quando já estava impedido, pela via disciplinar da UEFA, de utilizar João Mário. Não é grande novidade, Jesus já tinha feito destas noutras ocasiões.


Mas não se ficou por aqui. Foi mais longe e atacou Bruno de Carvalho, um ataque que as suas dificuldades de expressão esconderam atrás daquilo que fez passar por defesa: "Carrillo foi opção técnica, como Slimani e Bryan Ruiz" - sem nunca falar em Naldo -, "mas não vale a pena escamotear"... Assim, sem mais nem menos. E deixou um aviso: foi a última vez!


Foi o primeiro embate público de um violento choque frontal tido por inevitável. E nem se pode dizer que tenha sido mais cedo que o esperado... Estava na hora!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Não ou(vi). É só pelo que se diz...

Por Eduardo Louro


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Não vi o debate de que se fala, que de resto era mais para ser ouvido. Dizem por aí que desta vez Passos saiu por cima. Um bocadinho por cima, dizem uns. Suficientemente por cima para ganhar novo ânimo, dizem outros.


Passos continou a sua saga de mentira, dizem alguns. Os entrevistadores facilitaram-lhe a vida, dizem de outro lado. Parece que, sem programa da coligação para discutir, Costa se viu obrigado a responder sobre o seu programa, ficando Passos sempre livre para apenas atacar o seu adversário.


E parece que arranjaram um novo tema para os próximos tempos, provavelmente até ao fim da campanha. Se do último debate saiu para a ribalta a treta de quem é que chamou a troika - a que aqui se voltará em breve, porque vale a pena falar mais um bocadinho disso - desta, vai sair o tema dos sistemas não contributivos da segurança social, onde - dizem - Costa se engasgou.


Mas é o que dizem. Não ouvi, nem vi nada. Mas sei bem o que é que se diz... E sei bem quem diz o quê... E sei que alguns não têm vergonha nenhuma para dizer o que dizem! 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A descoberta que faltava

Por Eduardo Louro


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E andamos nós tantos anos a dizer que o problema era a inteligência não se poder comprar na farmácia... Não faço ideia como se venda, mas há por aí gente que nem à tonelada resolve o problema!


Mas se alguém espera ver filas à porta das farmácias desengane-se. Quem lá for comprar esconde-se mais do que para comprar Viagra. É que, se há muitos que não se importam de se queixar da necessidade do famoso comprimido azul, ainda não vi ninguém queixar-se de falta de inteligência. E não é coisa nova: já disso dava conta Hans Christian Andersen - a que volto -, há quase dois séculos, quando nos contou a história do rei que ia nu.


Pois é. A ideia é boa, é bem capz de ser a maior descoberta da humanidade, mas não vai ser grande negócio. A não ser que as farmácias se transformem em clubes nocturnos, só com umas luzinhas encarnadas...

Uma história (de encantar) para crianças

Por Eduardo Louro


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Já podemos contar a história de crianças do Novo Banco, o banco bom. Como a fada boa, que também há a má, ou a madrinha e a madrasta, mas que afinal é como o lobo, que só há o mau. Não há história de lobo bom...


É a história de uma bela donzela lançada num baile de debutantes, a quem se anunciava uma fila de pretendentes babados sem fim, que acaba o baile sozinha, sem noivo e sem ninguém por perto. Objecto de desdém e até de chacota!


Sabe-se quem levou a donzela ao baile, mas não se sabe ao certo quem os mandou. O que se sabe é que em vez da fila imensa de pretendentes vindos do mais ricos e nobres castelos das redondezas, apareceram apenas três rapazolas novos ricos, que olharam de alto a baixo com desdém e, sem papas na língua, acabaram a dizer que a mim não me convém. Não me convém!!!


De volta a casa, a madrinha, enfurecida, diz que o acompanhante a devia ter deixado com um dos rapazolas, custasse o que custasse. Porque, mesmo custando o que custasse, com a sua varinha mágica isso não custaria nada a ninguém. O pai, esse diz que não há pressa. Sem conseguir evitar que a boca lhe volte a fugir para a mentira inocente diz mesmo que nunca houve. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quase perfeito

 Por Eduardo Louro


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Foi dia de abertura de Champions na Catedral. Que não feche tão cedo, é o que se deseja.


As coisas até nem começaram nada mal com duas preciosidades logo a abrir. Primeiro Gaitan, como que a avisar ao que vinha, e logo depois o puto Nelson. Só que depois percebeu-se que a equipa estava amarrada e que, ao contrário dos ponteiros do relógio que não paravam, tardava em soltar-se. Não acelerava o jogo nem lhe trazia intensidade. As oportunidades de golo não surgiam - daquelas flagrantes, apenas duas -, a equipa casaque começava a parecer confortável naquele jogo, e o próprio árbitro, naquilo que dependia dele, só atrapalhava, ignorando por exemplo um penalti sobre o Nelson Semedo.  


A esperança começou a voltar-se para a segunda parte. Tinha que ser - só podia ser - melhor. Só que logo que chegou assustou. E a sério: aquele primeiro minuto foi deveras assustador. 


Foi aterrador, mas foi só um minuto. Até porque pouco depois Gaitan, numa fabulosa jogada individual, inventou o golo que só ele podia inventar. Depois, já se sabe... Depois do primeiro golo solta-se o futebol de Vitória. E veio logo o segundo, então já numa fantástica jogada colectiva. E mais e mais oportunidades, muitas, até a equipa decidir repousar o jogo. E repousar no jogo.


Bem sei que vão dizer que era o Astana, muito bons nas bicilcetas mas fraquinhos de bola. Claro que é a equipa teoricamente mais fraca do grupo. Mas se ganhar é sempre bom, na Champions é ainda melhor. E ganhar com exibições fantásticas como a de Gaitan - mas também de Samaris - está perto da perfeição. Quase perfeito!


 


 

Em estado de negação

Por Eduardo Louro


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Hoje não poderia escrever sobre o debate de ontem entre António Costa e Catarina Martins. Porque não o vi. Também, e pela mesma razão, não poderia escrever sobre o mal amanhado Pós e Contras de ontem. Mas poderia escrever sobre o insólito de um programa destes, nesta altura. E poderia escrever sobre o que se está a passar na estação pública de televisão, que nos traz à memória tempos recentes. Ou como esta gente rapidamente chegou ao pior de Sócrates...


Também poderia escrever sobre como foram enchendo o balão da polémica artificial sobre quem chamou a troika. Mas até Jerónimo de Sousa já dá para esse peditório. E não faria melhor que o Pedro Santos Guerreiro: o PSD quis a troika, mas não a chamou, e o PS não a queria, mas chamou-a...


Poderia até escrever sobe a mão estendida de Portas para Passos: se vier a ser necessário ele assina a subscrição pública logo a seguir... Ou sobre o novo sound byte que foi introduzido no programa que faz Passos Coelho fingir de morto: “Prefiro perder as eleições do que ganhar de qualquer maneira e depois passar uma fatura demasiado cara aos portugueses”. Só não é brilhante porque o "que se lixem as eleições" devorou esse espaço todo. Não sobra mais. E é por isso que se nota a falta de imaginação.


Mas, pronto. Não escrevo sobre nada disso!   


 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Isso era há muito tempo, dr Portas...

Por Eduardo Louro


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Um fim de semana em cheio. Depois de fugir e de se esconder, em Braga, Portas descobriu a mulher, em Vagos.


Calma, não se apressem. Portas não descobriu uma mulher, não encontrou a cara metade para lhe "organizar a casa, pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos". Portas não descobriu mulher nenhuma, aproveitou apenas terreno fértil para recriar a mulher do doutor Salazar, como ele gosta de respeitosamente pronunciar!


Olhe, doutor Portas, caso não tenha reparado, isso já não se usa. Quero dizer-lhe, agora eu muito respeitosamente, que o doutor Salazar pensava assim, mas já foi há muito tempo...

domingo, 13 de setembro de 2015

Desigualdades e solidariedade

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


O estudo da organização não-governamental Oxfam, divulgado no passado dia 9, em Madrid, intitulado “Europa para a maioria, não para as elites”, vem revelar que a Europa está a registar níveis “inaceitáveis” de desigualdade em 2015, com um quarto da população da União Europeia (UE) a viver em risco de pobreza e de exclusão social. De 2009 a 2013 houve um aumento de 7,5 milhões de pessoas na UE em situação de pobreza extrema. Nesse mesmo período, o número de bilionários aumentou de 145 para 222, e continuou a crescer até hoje, para os 342. Já em Janeiro de 2014, a Oxfam divulgava um relatório que mostrava que o património das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale às posses de metade da população mundial. Curiosamente, na mesma altura, a Universidade Católica Portuguesa e o Instituto Luso-Ilírico para o Desenvolvimento Humano, apresentaram um estudo que revela que os portugueses com mais habilitações e mais rendimentos são os que dão menos importância à solidariedade, à justiça e aos valores democráticos, comportamento que atinge 46.7% entre os que ganham mais de 4 mil euros por mês.


Na génese do agravamento das desigualdades está a perda de postos de trabalho, corte de salários e serviços públicos em vários países, como Portugal. O aumento de pobres e também dos bilionários é o resultado que o estudo da Oxfam classifica de “injustiça inaceitável”. O estudo denunciou ainda a “excessiva influência” que exercem os grandes grupos económicos e de interesse no seio da UE. Em 2014, 82% dos participantes dos grupos de peritos em matéria fiscal da Comissão Europeia representavam interesses privados ou comerciais.


Alberto Castro, num artigo de opinião no JN, em 07.10.2014, aborda a desigualdade na distribuição da riqueza, com base nas análises do economista francês Thomas Piketty, no seu livro “ O capital no século XXI”, onde este constata que o movimento de concentração da riqueza tende a acentuar-se, face ao actual quadro de globalização, sistemas de financiamento e poder nas empresas. A questão da (des)igualdade é polémica e muitos consideram que tudo se centra no objectivo mítico da igualdade de oportunidades. “Mas a desigualdade é, no essencial, uma questão moral e política, e que a partir de um patamar, se torna igualmente uma questão económica, o que é reconhecido por instituições insuspeitas de serem de esquerda como, por exemplo, pelo FMI ”. Justificam-se, assim, as políticas de apoio aos mais carenciados ao nível do emprego, da educação, mas também do seu rendimento, nomeadamente através do aumento do salário mínimo.


À escala global, recordo Franco Cazzola (in “O Que Resta da Esquerda”, 2011), sobre a falência dos partidos de esquerda, perante a falta de intervenção mais determinante no combate às desigualdades sociais, citando como exemplo o desequilibro remuneratório nas empresas: “Há 30 anos o gestor americano mais bem pago ganhava 90 vezes o salário do funcionário médio. Hoje ganha 400 a 600 vezes mais”.


Por cá, a coligação no governo tem dado uma ajuda ao agravamento das desigualdades com as políticas de austeridade, por vezes, além da troika. Ao nível da política externa, a recente abolição do poder judicial pelo presidente Obiang na Guiné Equatorial, país acabado de entrar na CPLP, com a condescendência dos nossos representantes, Passos Coelho e Cavaco Silva, é, também, de alguma forma, exemplo da fraqueza do nosso governo em matéria de combate às tiranias económicas e às desumanidades de alguns estados.


No actual quadro das migrações, a solidariedade à integração dos refugiados de zonas de guerra, é um imperativo, mas um esforço que o nosso governo timidamente se prestou a dar, mas que agora amplia, porque a sensatez e os exemplos de Angela Merkel e do Papa terão condicionado o desnorte de Bruxelas, que finalmente começa agora a concertar uma intervenção de apoio aos refugiados.


No combate às desigualdades e á exclusão social, a solidariedade dos contribuintes é possível, como diz a experiência, desde que estes percebam como, e em que são gastos os seus impostos, sendo dispensáveis os argumentos malabaristas, como os utilizados por Passos Coelho no passado debate com António Costa, a propósito do descalabro do BES e o consequente esforço financeiro a exigir dos contribuintes. Como alguém diz: “Na política pública, a transparência é essencial”


 

sábado, 12 de setembro de 2015

Passos é isto!

Por Eduardo Louro


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Perante as dificuldades, frente aos problemas, gente que é grande, gente à séria - e séria - não foge. Nem se esconde. Mostra-se, enfrenta, resolve...


À primeira dificuldade, Paulo Portas, primeiro, fugiu e logo a seguir escondeu-se. Dois em um, pior não era possível. Passos não fugiu, borrou-se todo mas não fugiu, nem se escondeu. Foi simplesmente igual a ele próprio:"Se não tem dinheiro para ir lá [tribunal] eu organizarei uma subscrição pública para os ajudar a recorrer ao tribunal",


Sem cassete, sem barreiras de protecção, sem a máquina à frente para o esconder, Passos é isto. Só isto e não mais que isto!

A excitante Vuelta

Por Eduardo Louro


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Termina amanhã, em Madrid, a excitante edição deste ano daquela que vem sendo a mais competitiva e espectacular das três maiores competições mundiais de ciclismo. Hoje ficou tudo resolvido: como é norma, estas provas não fazem horas extraordinárias, nem sequer deixam tudo para o fim. Tudo fica resolvido de véspera.


E que véspera foi esta! Desta vez foi tudo decidido no fim, mesmo que o fim seja de véspera. Só que esta Vuelta não valeu apenas pelo fim, valeu pelo todo. Desde o início.


Quando há precisamente uma semana aqui trouxe a Vuelta tinha brilhado Nelson Oliveira, e estava o italiano Fabio Aru em primeiro, seguido do espanhol Rodriguez, com o surpreendente holandês Dumoulin em terceiro. Hoje brilhou outro português, o José Gonçalves, mesmo que não tenha ganho - foi segundo na etapa, atrás de Rúben Plaza (que já correu no Benfica, e é colega de equipa do Nelson Oliveira e do Rui Costa, tudo nomes com cheiro a glorioso), que fez sozinho mais de 100 quilómetros, com duas montanhas de primeira categoria pelo meio. E os dois primeiros, depois de muitas voltas e reviravoltas, são exactamente os mesmos.


Depois dessa etapa que terminou em Tarrazona seguiam-se, no sábado, no domingo e na segunda, três etapas de alta montanha durante as quais Aru e Rodriguez alternaram na frente separados, vejam bem, por 1 segundo. Na penúltima dessas três estava Aru à frente, com o tal segundo de vantagem. Da última saiu o espanhol com a vermelha vestida ... com 1 segundo de vantagem. O holandês, que ninguém tinha por trepador mas que se sabia ser um grande contra-relogista, tinha-se aguentado e estava a menos - pouco menos - de 2 minutos. 


Depois veio o contra-relógio - onde mais uma vez os portugueses, e especialmente Nelson Oliveira (quinto ou sexto), estiveram a excelente nível - que Dumoulin ganhou categoricamente (Valverde foi segundo, a mais de 1 minuto). O italiano foi décimo e perdeu quase dois minutos, e el purito Rodriguez afundou-se, a perto de 4 minutos. Dos nomes mais importantes, para além do já referido Valverde, também o colombiano Nairo Quintana e o polaco Rafal Mjka tiveram bons desempenhos, não ficando de todo afastados das grandes decisões. No fim Dumoulin voltou a vestir a roja, pela terceira vez. Aru logo a seguir ... a 1 segundo, também de novo. E Rodriguez caiu para terceiro, a perto de 2 minutos...


Nas duas etapas que se seguiram o italiano fez tudo para passar para a frente. A estrada empinava e Aru atacava, afinal era só 1 segundo. Mas o holandês respondia sempre, com todo o à vontade, e ontem acabou mesmo por lhe ganhar mais 5 segundos. Hoje, com duas contagens de montanha de primeira categoria, tudo voltava a estar em aberto.


E a Astana - sim, o mesmo do adversário do Benfica na Champions, já na próxima terça-feira -, a equipa de Aru (e de Nibali, que havia sido desclassificado), jogou tudo. E bem. A Giant, a equipa de Dumoulin, não jogou nada. E quando deu por ela já o pobre do holandês estava sozinho, incapaz de responder aos ataques de Aru e dos seus teammates


Foi digno, foi valente. Mas nada disso o livrou de cair de primeiro para sexto, num trambolhão que se não é inédito anda lá perto. Mas até nisso, ou até por isso, esta penúltma etapa da Vuelta ficará na história como uma das mais espectaculares de sempre. Tudo até ao sexto lugar da classificação esteve em discussão até ser cortada a meta em Cercedilla. No fim, Aru ganha, Rodriguez é segundo a 1 minuto e 17 segundos, e Rafal Mjka terceiro com apenas mais 12 segundos. 


 


 


 


 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Assim, sim!

Por Eduardo Louro


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Noite de gala na Catedral. Já tínhamos saudades...


Ia  a primeira parte a meio quando dei comigo a pensar que desta vez o Benfica tinha trocado as voltas ao jogo. Que tinha trazido para os primeiros vinte minutos os últimos vinte minutos dos jogos anteriores. 


Aos poucos percebi que não era assim, que alguma coisa tinha mudado e que o espectáculo era para continuar. Então recostei-me melhor e deixei-me ir, deliciado e muitas vezes extaseado pela magia de Gaitan e pela arte de Jonas que um espantoso concerto colectivo não conseguia ofuscar.  


Um concerto que consertou de vez - espera-se - a máquina de Rui Vitória. Agora não pode haver mais espaço para dúvidas. Sabe-se que não vai ser sempre assim, que hão-de vir dias em que nem tudo corre assim bem. Mas não se pode andar para trás, este tem que ser o ponto de partida, nunca o ponto de chegada. 


A equipa pode não atingir sempre este altíssimo patamar exibicional, mas fica obrigada a entregar-se ao jogo da mesma forma, a pressionar da mesma maneira, a atacar a bola e o adversário com o mesmo entusiasmo, a mesma convicção e a mesma energia. Porque só assim pode marcar golos e sabe-se, já se sabia, que o Benfica é outro logo que marca o primeiro.


A chave do futebol deste Benfica de Rui Vitória está no primeiro golo. Por isso não há segredos: é entrar para marcar cedo, em vez de entrar à espera do que o jogo possa dar. É isso que se espera daqui para frente. Não se pede mais que isso. 


É que assim é mais fácil repetir noites de gala como esta. De vez em quando, também não se pode exigir isto todos os dias...

Ler os outros

Por Eduardo Louro


 


Vou correr um risco, mas não resisto: Fernanda Câncio como nunca ninguém a viu. Mas não é só por isso que vale a pena ler...

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Estava tudo a correr tão bem...

Por Eduardo Louro



 


Estava tudo a correr tão bem... De peito cheio, embalado pela a prestação de ontem frente ao rival, Costa estava imparável. A entrevista corria às mil maravilhas, sem dificudades de qualquer ordem, sem percalços nem obstáculos... Só que de repente, sem que ninguém conseguisse perceber por quê, perante uma pergunta mais áspera, António Costa abana.


Treme, mas espera-se que se recomponha. Com a confiança em alta, traquejado, outra coisa não é de esperar, mesmo que o Vítor Gonçalves avance com uma ou outra eventualmente mais tendenciosa. Ficaremos sempre sem saber se foi aquele abanão que encorajou o entevistador da RTP a avançar, ou se aquela era a inabalável sequência  que tinha preparada para a entrevista. O que sabemos é que acto contínuo Costa caiu mesmo. Mais que perder o controlo, perdeu as estribeiras!


Deitou tudo a perder, e de repente perdeu a crista da onda para nela se embrulhar sem mais vir à superfície... Poderá porventura ter perdido quase tudo o que ontem ganhara, e só não foi pior porque o Vítor Gonçalves até não é mau rapaz. Recuou, não quis fazer sangue. Mas podia ter feito!

Rescaldo

Por Eduardo Louro


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Para os comentadores da coligação, e são tantos e tão espalhados - agora até Miguel Relvas (a TVI não deixa os seus créditos por mãos alheias: depois de contratar Rendeiro para comentar o BES e o Novo Banco, nada melhor que Relvas para comentar o debate político) -, o debate deu empate. Também para as Helenas - Garrido e Matos -, que são a mesma coisa. Não que sejam as duas a mesma coisa - não são! Mas são ambas, indisfarçavelmente, a mesma coisa que comentadores da coligação.


Dando coça (Ferreira Fernandes), sendo mais eficaz (Económico), ou simplesmente ganhando depois de sempre a perder (Pedro Santos Guerreiro), Costa, para quem tem a lapela livre, ganhou.


Os socialistas? Nem é preciso ouvi-los, basta olhar para a cara deles...


 


 


 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Resposta ou reacção para fazer de conta?*

Convidada: Clarisse Louro


 


Volto ao meu último tema, infelizmente mais actual que nunca, e ao “drama dos refugiados … e da Europa” para dizer que há finalmente alguma reacção. Que não exactamente europeia, mas na Europa.


Foi preciso que a onda de refugiados se tornasse num tsunami avassalador, que o drama atingisse a sua mais chocante dimensão… Foi necessário que as estruturas de acolhimento na Grécia e na Itália implodissem… Tivemos de ver um país da União Europeia construir um muro para impedir que refugiados desesperados pudessem entrar. Não para lá ficar, apenas para o atravessar com outros destinos. E de perceber como é lesta esta Europa a ameaçar os que não cumpram o seu ditact orçamental e passiva e branda para quem tão ostensivamente atenta contra a democracia e os direitos humanos.


Foi preciso uma fotografia de uma criança de três anos, igualzinha a qualquer outra criança ocidental, igualzinha aos nossos filhos e aos nossos netos. Foi preciso que uma fotografia da morte, de bruços, banhada pelas ondas, abanasse e acordasse consciências de sono leve. Foi preciso que um pai gritasse que não foi capaz de resistir à força da morte a arrancar-lhe das mãos as mãos dos seus filhos. E que gritasse que já nada quer do mundo que lhe roubou a mulher e os filhos, tudo o que tinha e que já nenhum passaporte lhe devolve.


Foi preciso tudo isto para que se surgissem quotas de acolhimento, que o voluntarismo do oportunismo político logo tratou de duplicar e até de triplicar. Para que Merkel passasse para a linha da frente da solidariedade internacional, e os alemães comovessem o mundo a receber em palmas refugiados. Para que Cameron se visse isolado, acima de tudo pelos seus próprios eleitores. E para que surpreendentemente Hollande anunciasse que vai declarar guerra á guerra na Síria…


Foi preciso isto para que a Europa deixasse de fazer conta que não tinha nada a ver com o que está a acontecer há já quatro anos. Resta agora a saber se não está apenas a fazer de conta que deixou de fazer de conta. Que neste aparente deixar de fazer de conta há todo um tratado de oportunismo político, não parece suscitar muitas dúvidas, mesmo que, evidentemente, todos tenhamos consciência que esta é, por agora, matéria de urgência. E que a urgência de resolver os dramas destas centenas de milhar de homens, mulheres e crianças se sobrepõe a qualquer outra coisa por mais importante que seja.


Mas a verdade é que esta não é uma resposta da Europa. É simplesmente uma reacção, e que nem sequer é da Europa. É uma reacção de Merkel, e da Alemanha, que precisa de dar de si uma nova imagem, depois do desgaste provocado pela (falta de) resposta que deu à crise europeia, pela intransigência na prossecução da política de austeridade que falhou em toda a linha, e pelo aproveitamento unilateral da política monetária europeia. Mas uma reacção que não deixa também de ter os seus interesses sociais e económicos…


E é uma reacção de Hollande, que procura recuperar pela via internacional a popularidade que internamente perdeu por completo. E que procura, no plano militar que na Europa simplesmente não existe, a importância que a França já não tem.


Claro que (também) uma resposta militar é indispensável. E por isso este primeiro passo de Hollande terá grande significado. Mas não é preciso ser especialista em estratégia militar para perceber que, com bombardeamentos aéreos, sem lá pôr o pé… é também fazer de conta.


 


*Publicado hoje no Jornal de Leiria

Qual empate, qual carapuça...

Por Eduardo Louro


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Por muito que muitos digam que deu empate, Costa ganhou. Não faço ideia se ganhou hoje as eleições, mas não tenho dúvidas que, mesmo sem ser particularmente brilhante e mesmo sem killer instinct - ficou-se pelo programa VEM, o que foi muito pouco para tanto por onde entrar a matar -  ganhou o debate. O que, pelo que lhe andavamos a ver fazer nos últimos tempos, é absolutamente surpreendente!

É simples. Não sei se é barato. E dá milhões...

Por Eduardo Louro


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A estratégia que os marketeers (brasileiros, como sempre) desenharam para a coligação é simples: esconder Passos Coelho, mantê-lo afastado do debate - mas sempre com ar muito atarefado, num corrupio de funções de Estado - para que nem preste contas sobre os quatro anos de governo que ficaram para trás, nem apresente as contas para os quatro anos de governo que quer pela frente.


O resto é com as televisões, mandando todos os debates – de que Passos se dispensa – para o cabo, e batendo recordes de shares em canal aberto com as suas telenovelas. E com dois ou três sound bytes, sempre com a Grécia como o papão. E com as redes sociais minadas de perfis falsos a fazer o trabalho mais sujo...


É simples e resulta. Está a resultar!


 

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Por Eduardo Louro


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 (Foto do Expresso)


 


Vale sempre a pena ler Ferreira Fernandes, não é só hoje. Porque um mestre é um mestre... E um taxista é um taxista. Sempre!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Oliveira da Figueira

Por Eduardo Louro


 


 


Não foi desinteressante, este debate entre Portas e Catarina Martins. Paulo Portas mostrou logo ao que vinha, e confirmou que o cardápio argumentativo da coligação não tem surpresas. Não perdeu tempo a mostrar que a cartilha é limitada: bancarrota e a Grécia.


Não há volta a dar: a coligação rendeu-se à cassete. Ou ao disco riscado – não sai dali: “o país estava na bancarrota” e “olhem para a Grécia”. Quando isso se torna no argumento único, pronto a saltar a propósito de tudo e de nada, torna-se enfadonho. E perde evidentemente efeito.  


Não posso dizer que a porta-voz do Bloco de Esquerda me tenha surpreendido. Mas posso dizer que surpreendeu o número dois da coligação, que não conseguiu sequer chegar ao seu nível habitual de vendedor de banha da cobra – ou de Oliveira da Figueira, o Paulo Portas que Hergé antecipou.


Não está em grande forma, não senhor. Se calhar é por ter sido mandado para a segunda divisão!


 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O engenheiro da estrelinha

Por Eduardo Louro



 


Fernando Santos tem mesmo estrelinha. Não é só porque se repetiu Copenhague. Se ganhar uma partida nos descontos, no último dos suspiros do jogo, é pouco comum, ganhar dois, e logo os dois mais importantes e decisivos do apuramento, é absolutamente extraordinário. Não é só porque a selecção fez isto tudo sem nunca fazer um grande jogo, nem é só porque, como na Dinamarca, o golo vem de um canto cobrado pelo Quaresma, desta vez com o remate feliz a sair da mais improvável das cabeças - a do Miguel, que não quer ser Veloso.


É estrelinha quando o golo é marcado por um jogador que há muito estava afastado da selecção, e que Fernando Santos ainda não tinha chamado. Tudo isso é estrelinha.  Mas estrelinha mesmo é quando Quaresma - a mais falhada das substituições, que entrara para substituir o melhor jogador em campo, e que na meia hora que estivera em campo não acertara uma - é decisivo no golo da vitória.  


Esta selecção de Fernando Santos não fez grandes exibições, é certo. Mas a qualificação está claramente assegurada, em claro contraste com o que vinha acontecendo em todos os últimos apuramentos.


Há quem lhe chame estrelinha. Outros gostam de chamar-lhe pragamatismo. Por mim, mais que estrelinha, acho simplesmente que Fernando Santos está a fazer render o grande investimento de especialização que fez na Grécia!


 

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Por Eduardo Louro


 


Cá trago mais uma vez o Sérgio de Almeida Corria, no Delito de Opinião. É leitura recomendada: Um dia isto muda. Não se está a ver é quando...

Uma questão de estatuto

Por Eduardo Louro


 


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A semana passada ficou marcada por duas fotografias: uma de dimensão planetária, que chocou o mundo, inquietou consciências e agitou indiferenças; outra à escala doméstica, que não agitou coisa nenhuma, não inquietou ninguém, mas que nem por isso deixou de estar nas bocas do mundo.


Refiro-me, como já terão entendido, à gravidez nua – apenas assim, sem qualquer qualificação, o que não quer dizer que a fotografia seja inqualificável, bem antes pelo contrário – da ex-deputada, e de novo candidata a deputada, Joana Amaral Dias, exibida na capa de uma revista se não desconhecida, pelo menos de trazer por casa.


Cada um, e cada uma, mostra-se como e onde quiser. Despido ou vestido, na pose que quiser, exibindo tudo o que quiser e tiver para exibir. Cada um expõe-se como entender. Mas se o faz enquanto se apresenta ao escrutínio, pelo voto, para o exercício de funções públicas, não pode vir queixar-se de preconceitos. E muito menos dizer que naquela capa não é ela que está nua, são os preconceitos das pessoas.


Mas não há aqui nada de novo. Se andou de partido em partido até ter um só para si, não surpreende que reivindique agora um estatuto também único para si. Único e irrepetível, à medida… Costumizado. Um estatuto que lhe permita convocar uma conferência de imprensa para anunciar a gravidez…e uma capa de revista para a pôr a nu.


Como diz o seu antigo camarada Daniel Oliveira – “Quem se deixa embebedar pela fama, acaba como qualquer bêbado: a fazer figuras tristes”!

sábado, 5 de setembro de 2015

Não vai correr bem

Por Eduardo Louro



 


 


Seria desejável que a alteração do estatuto presidiário de José Sócrates fosse só isso, e não mais que isso. Mas não vai ser só isso, porque Sócrates dispõe agora de muitos mais instrumentos, que não vai deixar de usar para ter interferência directa na campanha eleitoral. 


NInguém o vai conseguir manter calado - os próprios advogados já anunciaram que ninguém o calará -, e não haverá ninguém que não o queira ouvir. E o ruído que vai introduzir será tal que António Costa, a falar por cima, terá grande dificuldade em fazer-se ouvir. Não vai haver media que não dê preferência a Sócrates (veja-se a inenarrável cena do rapaz da pizza). Nem vai haver ninguém que, depois, queira de Costa outra coisa que não a reacção ao político preso (parece que há quem não tenha dado conta que continua preso).


Como aqui tenho dito em várias ocasiões, António Costa não é - pelo menos não está a ser - um tipo com sorte. Como também lhe estão a faltar muitos de outros imprescindíveis e menos voláteis atributos, é muito difícil que as coisas lhe corram bem! 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A "Vuelta" de Nelson Oliveira

Por Eduardo Louro



 


Ainda aqui não tinha trazido a Vuelta, e já vai a mais de meio. Até a etapa rainha já ficou para trás, na passada terça-feira, em Andorra, que fez com que o holandês Tom Dumoulin - a grande surpresa da prova - tivesse de entregar a camisola vermelha - em Espanha é vermelha, a camisola que é amarela em todo o lado e rosa em Itália - ao italiano Fabio Aru, companheiro de equipa do seu compatriota Nibali, que foi expulso logo à terceira etapa. E a hora de todas as decisões ainda não chegou a esta que completa o restrito lote das três maiores competições do mundo: tudo está por decidir nos próximos três dias de alta montanha pelos Picos da Europa.


Trago hoje aqui a Vuelta porque hoje, em Tarazona, foi o dia do Nelson Oliveira. Ganhou brilhantemente esta que era etapa 13, da sorte, para quem tudo tem feito para a merecer. E se os espanhóis são useiros e vezeiros em ganhar em Portugal, o inverso é raro. E é por isso um grande feito: tanto que esta foi apenas a décima vitória portuguesa. Tanto que a última já tinha nove anos, e fora obra do Sérgio Paulinho. E que, antes, temos de recuar mais de trinta anos, para encontrar três vitórias do inigualável Agostinho!


Para além excelente prestação do Nelson Oliveira, que pôde abandonar por uns tempos a personagem de lugar tenente de Rui Costa, ausente da prova, também o José Gonçalves, que tão bem esteve na Volta a Portugal, tem dado nas vistas.


Dos craques, depois da saída de Nibali pela porta pequena, de Froome ter sido totalmente destroçado na tal etapa rainha de Andorra, e com Nairo Quintana enterrado na classificação geral, fora do top ten e praticamente fora da discussão da corrida, apenas Valverde está vivo. Mesmo sem ter feito grandes provas de vida é sexto na classificação geral, a apenas 2 minutos do líder italiano.


Tudo aponta para que as coisas se decidam entre Aru, o eterno Rodiguez, el purito, a apenas 27 segundos, e o surpreendente Tom Dumoulin, o anterior camisola vermelha, a 30 segundos. Mesmo que o miúdo polaco - Majka Rafal - e o colombiano Chaves Rubio, um dos três a vestir a roja, e quem até agora mais tempo a usou, estejam logo ali, apenas com mais um minuto.

Sempre a mesma história? Não é bem assim!

Por Eduardo Louro


Ronaldo em ação com Evra


(Foto de A Bola)


 


Cada jogo de futebol entre Portugal e França arrasta-me sempre para a nostalgia da juventude perdida. É que a última vez que uma selecção portuguesa ganhou aconteceu no preciso dia em que fiz 20 anos... 


Hoje repetiu-se apenas o que invariavelmente tem acontecido ao logo destes tantos anos que me levaram da juventude e me deixaram às portas da velhice: perdemos, voltamos a perder. Nem o facto de defrontarmos uma França que vinha de uma invulgar e verdadeiramente extraordinária série de três derrotas consecutivas, serviu para inverter esta história negra da selecção nacional.


E se esta história negra é feita de alguns jogos quase míticos, como aquele de 1984, em Marselha que, no prolongamento, levou a França de Platini para a final - e a vitória - do Campeonato da Europa, afastando de forma absolutamente injusta a nossa selecção de Néné, Chalana e Jordão. Ou como aquele de Roterdão, no europeu de 2000, onde o drama se voltou a repetir, com a França de Zidane, então campeã mundial em título, a afastar injustamente da final, e do título, também no prolongamento e desta vez através do golo de ouro, num penalti discutido e discutível, a selecção de João Pinto, Rui Costa, Figo e companhia. Ou mesmo como aquele do mundial de 2006 da Alemanha, em que mais uma arbitragem manhosa nos afastou da final do mundial.


É também feita de jogos como este, com indiscutível superioridade dos franceses perante uma equipa nacional medíocre, que só não foi uma equipa 11 Éders porque lá estiveram o Rui Patrício - que depois de três ou quatro boas defesas não merecia ter sofrido o golo como sofreu, a que não faltou muito para ser um dos seus habituais frangos - e o Pepe, o melhor da equipa. De resto, tudo Éders, com Nani ainda mais Éder que o próprio!


Um único remate à baliza em todo o jogo. Mas, para isso, foi preciso que a bola estivesse paradinha, sem ninguém à volta a mais de 9 metros . Quando os franceses estiveram em idêntica circunstância fizeram o golo...  


Ah... as camisolas até não são feias. Mas são pretas, como a exibição!


 

My friend David

 


Por Eduardo Louro


             Capa do Jornal Negócios                                      Capa do Público


Há visitas mais oportunas... Mon ami Cameron - perdão, my friend David - podia ter escolhido melhor a data. Ou então teve azar...


Nada que não se resolva: passa a correr!


 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Onde é que este homem anda com a cabeça?

Por Eduardo Louro


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É claro que não será fácil sentir o bafo da coligação nas costas. Não conseguir descolar, e sentir bem real a possibilidade de não ter sequer mais um voto, quando se atirou ao partido nas circunstãncias que são conhecidas, só pode não deixar António Costa dormir. Mas daí a só dar asneira, dá que pensar...


Podemos dar de barato que há coisas que são da responsabilidade do director de campanha. Até esse já mudou... Mas confundir refugiados com imigrantes, e achar que é muito bom recebê-los para os mandar limpar florestas?


Onde é que este homem anda com a cabeça?


 

Há passos e Passos...

Por Eduardo Louro


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Entre passos atrás e passos á frente, e às vezes passos para o lado, com a sempre adiada vaga de fundo cada vez mais virada para vistas do Guincho,  Rui Rio lá vai construindo a história da sua candidatura a Belém. Sem dúvida, uma história de passos...


Que a Passos dava jeito, e que por isso sempre alimentou... Mas que a Rio só dava jeito em função do destino de Passos. Deu passos atrás e à frente, deu passos para entrar e para logo sair, para estar sem estar e sair sem sair ... de cena. Finalmente a revelação: será candidato se a coligação ganhar! E já está tudo combinado com Passos...


Que surpresa! 


A Passos interessa ter tudo combinado com Rio, mesmo que, se perder, isso lhe valha de pouco. Rio está interessado em dar passos em direcção á cadeira de Passos. Se ele de lá não for obrigado a levantar o rabinho, não há nada a fazer... Sem nada a fazer, e para nada fazer, não há melhor que Belém. E sempre pode ser que os passos do Passos o ajudem no passo maior que a perna que terá que dar para defrontar o Marcelo.


Bom mesmo era que a coligação perdesse, não era Rui? Eu também acho... É que há passos e Passos, e uns são mais seguros que outros. Não precisave era de chamar para aqui os interesses do país, que não têm nada ver com os passos que quer dar!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A surpresa de surpreender sem surpresa

Por Eduardo Louro


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No último dos jonais de ontem - melhor, no primeiro de hoje - da RTP Informação demos por Paulo Portas, depois de uma interminável sequência propagandística da coligação em que alternava com Passos, num jantar debate com a Confederação do Turismo. 


A peça seguia-se, no alinhamento do bloco de notícias, a outra de apresentação dos candidatos por Lisboa. O costume, pensei de imediato: participações em actos da governação a confundirem-se com participações em actos de campanha eleitoral.


Estava eu a deixar-me tomar por esta sensação promíscua quando reparo que Portas estava a tentar responder a uma questão colocada pela audiência, a propósito do plano estratégico para o sector. E de imediato percebo que o número dois do governo estava a fazer uma figura igualzinha à que, há dias, víramos a ministra da administração interna fazer a propósito do estatuto da GNR. Nem mais nem menos, exactamente a mesma, o que é de todo surpreendente num dos maiores génios do verbo fácil.


Mas a verdade é que o homem não saía dali, não arrumava uma ideia, não articulava palavra, gaguejava e portantava sem cessar... Só que, com mais sorte que a sua colega de governo, tinha ali ao lado o secretário de estado. E, depois de tanto patinar, lá acabou por endossar o assunto "ao senhor secretário de estado" que, esse sim, trataria de dar a informação que continuava a faltar dar.


A peça já não transmitiu mais que a imagem de Adolfo Mesquita Nunes, feito anjo da guarda, a pegar no microfone sem esconder um sorriso aberto. Não ficamos a saber o que respondeu. Mas ficamos a saber que Paulo Portas não faz a mínima ideia do que seja isso de plano estratégico para o turismo.


Convenhamos que, depois do brilhante trabalho que apresentou para a reforma do Estado, não é surpresa nenhuma. Surpesa mesmo é que o mestre da pantominice tenha ficado sem pio! 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Transparência

Por Eduardo Louro


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Era dado como certo que os chineses da Anbang lideravam a tabela classificativa das propostas de compra do Novo Banco. Que em segundo lugar se encontravam os americanos da Apollo, e por último os outros chineses, da Fosum, de Guo Guangchang, que já têm a Espírito Santo Saúde e a Fidelidade.


Falhadas as negociações, ontem, a notícia era que o Banco de Portugal passaria a negociar com quem apresentara a segunda melhor proposta, com os americanos. Ao final do dia soube-se que, afinal, as negociações decorriam com os chineses. Os outros, mas também chineses. Os da terceira melhor proposta, que era a pior...    


Chama-se a isto transparência. Que começa logo quando se pega num (mau) regulador e se quer fazer dele um vendedor. Quando se é mau naquilo para que se está vocacionado e estruturado, como se poderá não ser se não pior naquilo em que se não tem nem experiência nem know how?


 


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Também fechou... mas abre-se outro!

Por Eduardo Louro


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Também à meia noite fechava o mercado para a colocação do Novo Banco, uma espécie de Rolando que o governo tinha nas mãos do Banco de Portugal, uma espécie de Jorge Mendes, mas com bem menos jeito para o negócio. 


Como no outro mercado, também aqui há uns que fecham mais tarde. E ao contrário do outro, há ainda os que, depois de fechados, reabrem. Sabe-se lá com que custos... Até porque aquilo está a sair pior que com o Ola John: então não é que, no último dia, no verdadeiro dia D, quando, a apresentar alguma coisa teria de ser de arromba, tipo fintas e mais fintas, remates e golos, não encontram melhor para apresentar que 252 milhões de prejuízo no primeiro semestre?


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...