sexta-feira, 31 de maio de 2019

28 de Maio*

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Termina hoje o mês de Maio. Há três dias o calendário assinalava terça, 28. Haverá provavelmente muita gente, especialmente aos mais novos, a quem esta data não diga grande coisa, mas é uma data marcante da História Contemporânea de Portugal. Houve um 28 de Maio e chamaram-lhe até revolução. Aconteceu em 1926 e foi o golpe de Estado que deu o golpe de misericórdia na I República, e abriu o caminho à ditadura de Salazar, que tomou conta do pais durante 48 anos.


E tomou conta de tal forma que o país e  a sociedade portuguesa mantém ainda hoje, 45 anos passados, nos seus traços mais marcantes, vestígios claros dessa que foi a mais longa ditadura da Europa.


Não sei se nesta terça-feira, neste 28 de Maio, assistimos apenas à explosão de mais um desses vestígios, se à evocação, e comemoração a preceito, dessa data histórica.


No norte do país as Finanças e a GNR montaram uma operação na estrada em que os senhores agentes mandavam parar os carros, identificavam as pessoas e comunicavam os respectivos dados a funcionários fiscais que, instalados em tendas ali ao lado, iam verificar a situação tributária de cada um. Confirmando-se alguma dívida fiscal, o cidadão era sumariamente convidado a pagá-la. Caso não o fizesse a viatura era penhorada, e imediatamente carregada para um reboque, ali à mão.


Assim, sem mais, nem menos. E sem lei, sem respeito, sem decoro… Como na mais ignóbil ditadura do mais recôndito e atrasado país do mundo.


Por volta da hora de almoço, o Secretário de Estado competente mandou parar com aquela barbárie. Mas o que estava feito, feito estava… Ia aquele dia 28 a meio.


Havia mais 28 de Maio pela frente, e da Assembleia da República soube-se que o Banco de Portugal, que tudo fizera para não cumprir a lei que obrigava os bancos que usaram os 25 mil milhões de euros que tivemos que lhes entergar a tornar pública a lista dos devedores que sorveram tal dinheiro, acabara por entregar qualquer coisa mas não permitia a divulgação de coisa nenhuma.


Segredo bancário - essa alma do negócio - diz o Banco de Portugal. O mesmo, o mesmíssimo, que põe numa lista, e a divulga por todo o lado, quem passar um cheque de meia dúzia de euros sem provisão, quem se atrasa um mês no pagamento de uma prestação do empréstimo da casa, do carro ou do frigorífico, ou mesmo uma comissão que o banco tenha abusivamente debitado. Aí não há segredo, nem dados pessoais, nem raio nenhum que os parta... Divulgar ao país quem lhe roubou dezenas de milhares de milhões de euros, é que não pode ser...


Exactamente, afinal,  como uma Autoridade Fiscal que não consegue seguir o rasto do dinheiro nas grandes fraudes fiscais, mas que vai para a estrada assaltar pobres cidadãos indefesos.


Não. Não se trata de um Estado com dois pesos e duas medidas. Trata-se de um tributo ao 28 de Maio que até aos seus autores envergonharia.


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Está tudo a correr tão bem, não estava?

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(Foto retirada do Observador)


 


Pode ser que me engane, mas desconfio que esta "Operação Teia", que tem o centro no Norte, e lá dentro mais uma história de terror feita de corrupção, de manipulação, de tráfico de influências e de caciquismo, ainda vai trazer dores de cabeça a António Costa.


Normalmente é assim. Ou tem sido sempre assim: quando tudo parece estar a correr-lhe tão bem, surge sempre um contratempo qualquer, frequentemente uma desgraça não anunciada. Hoje uma sondagem dá-lhe 40%, e 22 ao PSD... 


As eleições europeias foram o que foram e, agora, três dias dias depois, uma diferença de 18 pontos... Está tudo a correr tão bem, não estava?


 


 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Coisas estranhas

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É estranho que, quando tanto há para dizer, a oposição não tenha tido uma única palavra sobre a insólita "Acção sobre rodas" do fisco e da GNR de ontem, no norte do país. Percebe-se o mau estado em que ficou depois do que lhe aconteceu no domingo... Percebe-se que não queiram ver nada nem ninguém, e que só queiram que os deixem em paz, mas... caramba... um elefante destes a passar à frente dos olhos e nem um movimentozinho?


Estranho já não é que mais um responsável por mais umas centenas de milhões de euros de calote tenha ido à Comissão de Inquérito à Caixa dizer que não deve nada. Agora já sabemos que é assim: quem do lado da Caixa concedeu o crédito  "não se lembra", quem, do outro lado, o recebeu, "pessoalmente não deve nada". E já não se estranha.


Estranha-se é que Tomás Correia lá tenha ido dizer, sem se rir, que se demitiu da Administração justamente incomodado com a imprudência da política de crédito...


 


 


 


 

Ler os outros: "Poderia ter sido um bom tema para a campanha eleitoral das europeias 2019"

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Estava para escrever sobre isto, sobre a brusca percepção que os consumidores - os utilizadores de equipamentos Huawei - já tiveram da vulnerabilidade deste nosso novo modo de vida. Sobre a forma como quem manda nas novas tecnologias manda no mundo. E do perigoso que é gente perigosa a mandar em quem manda nas tecnologias. 


Estava para escrever sobre isto, como comecei por dizer. Depois vi que estava tudo aqui, e que não tinha nada a acrescentar. Vale a pena ler o que sobre isto escreve hoje o J. Manuel Cordeiro, no Aventar.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Deitar foguetes ... e apanhar as canas!

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Não foi preciso passar muito tempo para perceber aquela que, para muita gente, é a mais relevante consequência para a política interna das europeias de domingo. Quando andávamos todos preocupados com a abstenção, rapidamente nos convencemos que... nada... Quando, em menos de 24 horas começamos a perceber que a projecção destes resultados para as legislativas dava para emitir a certidão de óbito da geringonça. Bastará ao PS acenar ao PAN para, sem mais incómodos, assegurar a sua solução governativa.


E a euforia foi geral. A começar naturalmente pelo PAN que, pouco incomodado com as classificações de Miguel Sousa Tavares ("urbano-depressivos que comem alfaces"), já faz lembrar a fábula do sapo e do boi. A passar por António Costa, que já se vê a resolver, sem grandes problemas, todos os seus problemas. Nem sequer terá de acabar com as touradas, e de se preocupar com Manuel Alegre, basta-lhe aquela solução da capa de velcro para as bandarilhas serem coladas, em vez de espetadas no lombo do animal... E, com os partidos da direita em modo de touro no fim da lide, sem tempo para mais nada que as próprias feridas, a acabar na imprensa entusiasmadíssima a deitar foguetes. E a apanhar as canas...


 


 

domingo, 26 de maio de 2019

Tudo muito pouco, excepto a abstenção

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Chegamos a um ponto, 45 anos depois de termos conquistado o direito de votar em eleições democráticas e livres, por que muitos lutaram com sacrifício da própria vida, em que apenas muito pouco mais de 30% de nós - cidadãos portugueses com mais de 18 anos inscritos nos cadernos eleitorais - usa esse direito para cumprir o seu dever de voto.


E isso, por mais voltas que se dêem, é o que mais ressalta - e que mais preocupa - destas eleições europeias. Tudo o resto é verdadeiramente marginal. Até porque, como na campanha, também na noite eleitoral tudo continua na mesma - ninguém perdeu. O PSD não perdeu. O CDS, quase apanhado pelo PAN, não perdeu. Nem o novo Aliança perdeu... Mesmo que o PCP tenha final e surpreendentemente perdido.


E porque os que ganharam, ganharam pouco com isso. O PAN, ganhando muito em expressão eleitoral, com 5% dos votos ganhou apenas um deputado. O Bloco de Esquerda, com 10% dos votos, passou a terceira força política e duplicou a sua representação, mas ganhou apenas mais um deputado. Ao invés, ganhando por pouco,  apenas poucochinho mais que o poucochinho de há 5 anos, o PS ganhou muito. Porque foi quem mais deputados acrescentou à sua representação mas, acima de tudo, o governo saiu reforçado pela derrota em toda a linha da oposição. E renovou as energias para as legislativas que aí vêm.


Talvez por isso o Pedro Marques tenha chamado uma vitória estrondosa a uma vitória por poucos.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Vá lá... Vamos lá votar!*

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Estamos a dois dias das eleições europeias do próximo domingo. Hoje é o último dia de campanha, à meia-noite acaba esta lufa-lufa das últimas semanas, que trouxe os partidos e as suas caras mais conhecidas para a rua, para fazerem o mesmo de sempre, da maneira que sempre fizeram. Como se o tempo, que corre vertiginosamente, estivesse afinal há décadas parado. 


Amanhã é dia de reflexão. Como se do que para trás ficou sobrasse alguma coisa que mereça reflexão, em mais um sinal da forma como o tempo parou em todo o nosso sistema político. Não só nada ficou para reflectir, como nada nos tempos de hoje impede a difusão do que quer que seja. Os jornais antecipam as suas edições para tratar do tema eleitoral como entendem. Os semanários que saem ao sábado, saem hoje. E não consta que à meia-noite sejamos obrigados a destrui-los. Nem que as páginas da internet se apaguem. Nem que das redes sociais desapareça tudo o que lá foi deixado… Para não falar dos cartazes, que se perpetuam.


No domingo, depois de tudo reflectido, vamos votar. Alguns de nós. Poucos, como se sabe. E se lamenta. Mas só isso, apenas se lamenta. Porque, pelo que atrás acabou de ser dito, parece que não se faz muito para que seja de outra maneira. Posso estar enganado, mas não me parece que o combate à abstenção se faça continuando a fazer tudo na mesma, como se tudo estivesse exactamente na mesma.


Com todo este imobilismo é difícil contrariar esta tendência galopante de abstenção.


Só que – e é esse verdadeiramente o drama – não é abstendo-nos da nossa participação cívica e democrática que mudamos nada disso. Quantos mais nos abstivermos menos são os que podem inverter a degradação do sistema de representação democrática. E, não tenhamos dúvidas, quando este sistema se esgotar, não restam boas alternativas. Tudo o que há disponível é muito pior!


E na Europa, que é o que desta vez está em causa, e onde esta é a única oportunidade de eleitoralmente nos expressarmos, esse pior é ainda pior.


Por isso, importa mesmo votar. Primeiro votemos, e depois exijamos. Como referiu Bruno Lage com aquela autêntica pedrada no charco em plena festa do título do Benfica no passado fim-de-semana. Depois sejamos exigentes. Com tudo e sempre!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Nos limites do paradoxo

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Hoje, no último dia do prazo, o Banco de Portugal entrega finalmente na Assembleia da República a lista dos grandes devedores da banca, depois de, em Janeiro passado, ter sido aprovada a lei que obriga as instituições de crédito a divulgar informação sobre os créditos que provocaram as perdas que as  conduziram ao pedido de auxílio do Estado.


Depois de tanta resistência em fornecer esta informação, levantando sempre os maiores problemas, sempre perdidos nos excessos das tecnicalidades apenas acessíveis aos seus altos quadros, o Banco de Portugal acabou por fazer chegar ao Parlamento não uma, mas duas listas: uma para os deputados, e outra para divulgação pública.


É sempre assim, cada vez que falamos de transparência...


Amanhã, os alunos das escolas portuguesas, depois de em Março terem aderido ao grande protesto mundial dos estudantes ("não há planeta B"), vão participar numa greve climática para desenvolver acções de protesto pelas agressões ambientais em 34 cidades.


Mas há testes marcados para esse dia. E os alunos vão ter falta injustificada, justificada por todos os directores escolares, mesmo pelos que saúdam o seu abraço à causa, e juram encontrar toda a justificação para o protesto. 


Somos assim, sempre nos limites do paradoxo! 

É difícil, mas pode sempre fazer-se pior...

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Fica-me clara, a mim e à generalidade dos portugueses, a avaliar pelos resultados das sondagens, a ideia que dificilmente o PSD poderia fazer pior nas últimas semanas desta campanha eleitoral. Só assim se percebe que no início oficial da campanha tenha estado empatado com o seu principal adversário e que agora o veja a fugir, e já à distância de 10 pontos. Mesmo que não seja apenas por isso que o partido no governo vá ganhar umas eleições que invariavelmente penalizam quem está no poder...


Assistimos neste momento final da campanha eleitoral à maior desorientação por que que já se viu passar um partido de poder. Ontem, depois de Passos e de Ferreira Leite nas vésperas, foi a vez de surgir Luís Filipe Meneses. E que veio ele acrescentar?


Serviu para introduzir o tema das desavenças com as anteriores lideranças, lançando o mote para Paulo Rangel lançar o sound byte do PS unipessoal. Logo ele, de quem Rui Rio fugiu o tempo todo para que em nenhuma circunstância se pudessem sequer cruzar...


Rui Rio que já diz que tudo o que seja acima dos 20% (desmontando os resultados da coligação, e atribuindo ao CDS um valor eleitoral de 7%) de Passos Coelho de há cinco anos, é um bom resultado. É crescer!


Hoje chega Francisco Pinto Balsemão. Não vem a tempo de pôr ordem em coisa nenhuma... Mas pode sempre piorar.


 


 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Ai as sondagens...

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A três dias do fim, a campanha eleitoral para as eleições europeias do próximo domingo vai de vento em popa. Quer dizer, sem nada de novo, sempre na mesma coisa, como se o tempo, que se desloca a velocidades vertiginosas, estivesse parado. No mesmo sítio, há dezenas de anos!


Indiferentes aos ânimos e desânimos que das sondagens vão chegando, os principais partidos seguem imperturbáveis nas suas estratégias, e fiéis os guiões que seguem à risca. 


Por exemplo, o PS esconde Pedro Silva Pereira. Ninguém o vê em lado nenhum, nada dele se vai sabendo. Apenas se sabe que é o terceiro da lista, nada mais. Já o PSD, pelo contrário, mostra mesmo o que nem tinha de mostrar. Primeiro veio Passos. Depois Ferreira Leite. A seguir virá provavelmente Maria Luís Albuquerque, e desconfio bem que não acabará sem Relvas... E nem me admiraria muito que Cavaco ainda viesse fazer uma perninha.


Depois admiram-se com os resultados das sondagens...

terça-feira, 21 de maio de 2019

Niki Lauda (1949-2019)

 


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Partiu um grande campeão, e uma das  maiores lendas da fórmula 1. Campeão mundial em 1975, veria o "bi" desfazer-se no meio das chamas que consumiam o seu corpo e o Ferrari que conduzia em Nurenberga, em Agosto de 1976. Renasceu das cinzas e foi ainda discutir o título desse ano, que só perderia na última corrida, no Grande Prémio do Japão, para voltar a ser campeão no ano seguinte, em 1977, ainda na Ferrari.


Depois afastou-se das corridas por alguns anos. Até ser desafiado pela Mclaren a regressar, para fechar o seu "tri" em 1984, em competição frenética com o seu colega de equipa Alain Prost, outro grande campeão, fadado para ter nos colegas de equipa os seus maiores adversários. Senna estava a chegar... 


Adeus campeão!


 


 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Obrigado. E parabéns!

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Maior que a alegria pelo 37 é o orgulho pela festa do título. Nada do que se tem visto por outros lados. Nada de arruaça, apenas benfiquismo. Nenhuma provocação a qualquer adversário, apenas festa. E depois ... um treinador que começa por pedir à multidão que à retirada deixe o Marquês limpo, e segue a dizer que há coisas muito mais importantes que o futebol, que temos de reconhecer o mérito aos nossos adversários quando ganham e que não podemos ser apenas exigentes no futebol, que essa exigência é muito mais útil ao país se transportada para o nosso quotidiano de cidadãos, enche a enorme alma benfiquista de cada um de nós. 


A minha está cheia. Obrigado, Bruno Lage. Parabéns!

sábado, 18 de maio de 2019

Benficaaaaa.... O Benfica deu-me o 37!

Benfica Campeão Nacional


 


18 de Maio de 2019 - o dia V, de vermelho. De Benfica. De 37. De reconquista. De reconquista de um título mal perdido há um ano. Mas, acima de tudo, de reconquista de título que há cinco meses estava de novo perdido.


Começou a pintar-se de vermelho no Jamor, com uma conquista nova - a Taça de Portugal, pela equipa feminina de futebol, em ano de estreia. Na segunda divisão, por onde começou, com um desempenho 100% vitorioso. Perdeu um único jogo em toda a época, nas meias finais desta Taça, com o campeão nacional, o Sporting de Braga. Em casa, porque em Braga goleou o campeão e virou a eliminatória, garantindo a presença na final de hoje com o primodividonário Valadares, de Gaia. Hoje goleado no Jamor (4-0), na festa da Taça!


E continuou logo a seguir, na Luz. Esgotadíssima, com 65 mil nas bancadas, para a final desta Liga 18/19. A última de 18 finais que o Benfica em Janeiro tinha pela frente. Com 7 pontos de desvantagem, no quarto lugar da tabela classificativa da prova.


O opositor vinha dos Açores,visitava pela primeira vez a Catedral, a nova Luz, e trazia na bagagem uma bonita história competitiva e a melhor pontuação da sua história da Primeira Liga. E muita ambição. Tudo bem embrulhado num rótulo de futebol de grande qualidade. Melhor, bem melhor do que a sua excelente prestação pontual. Como de resto se vira em Alvalade e no Dragão onde, perdendo sempre por 0-1, foi sempre bem melhor que os adversários.    


Não se poderia desejar melhor para uma final. Para a última final.


E o jogo não desiludiu. Menos ainda o Santa Clara, que justificou tudo o que trazia na bagagem. E, passados que foram os primeiros instantes que se sucederam à bola de saída, em que o Benfica parecia que iria tomar conta do jogo, começou a impôr o seu futebol e a ser a melhor equipa sobre o relvado. Pertenceu-lhe por inteiro o primeiro quarto de hora do jogo, mesmo que não tivesse criado qualquer oportunidade de golo. 


Só que, e não foi a primeira vez que isto sucedeu, no primeiro remate, ao minuto 16, o Benfica fez golo. E que golo. Abertura brilhante de Samaris, grande desmarcação de Seferovic, fantástica recepção e belo remate em rotação. Golo 100 do Benfica no campeonato, e 22 de Seferovic, a garantir-lhe desde logo o título de melhor marcador da competição.


E, como em tantas outras vezes, a equipa soltou-se. Passou a pressionar bem melhor, o carrocel começou a funcionar, o bom futebol que a equipa sabe produzir passou a fluir e o excelente Santa Clara começou a passar por dificuldades. Como se tudo isto não fosse suficente, o Benfica saltou para níveis de eficácia pouco comuns. Sete minutos depois chegou o 2-0, em mais um monumento ao futebol: recuperação de bola de Rafa seguida de bailado dentro da área e entrega da bola para trabalho sublime de João Félix, a sentar um adversário e a rematar sem defesa. O terceiro tardou mais quinze minutos, e chegou ao minuto 38, com uma abertura de 30 metros de João Félix, cruzamento perfeito de André Almeida para Seferovic, e a bola a sobrar para Rafa fusilar. 


Quatro oportunidades de golo criadas, quatro remates e ... três golos. Nesta altura o 37 já não fugia, não tinha por onde. E eu dizia para quem estava ao meu lado que era uma pena que os jogos tivessem intervalo. Não me lembro de alguma vez ter desejado tanto que um jogo não fosse interrompido. Estava tudo a correr tão bem, tão perfeito, que era uma pena que o intervalo acabasse com aquele espectáculo. Não era simplesmente possível retomar o jogo àquele nível... 


E não foi. A segunda parte continuou a ser um bom espectáculo de futebol, que voltou a contar com a participação da qualidade da equipa açoreana. Os jogadores do Benfica começaram a procurar a exuberância e o jogo ficou mais dividido. O quarto golo, e segundo de Seferovic, a confirmar a liderança da tabela de marcadores, e a igualar o recorde de 103 golos num campeonato, estabelecido pelo Benfica de Eusébio na época 1963/64, surgiu com naturalidade e, de novo, com elevada nota de classe: uma finalização, de primeira, de um excelente cruzamento de Grimaldo.


Aos 54 minutos o marcador acusava nova goleada, e a partir daí, já com Jonas, nitidamente de despedida, a entrar em lágrimas, a equipa - e o próprio - não fez outra coisa que procurar oferecer-lhe o golo. Que acabou por não surgir, acabando por acontecer o golo de honra do Santa Clara, que em boa verdade fez amplamente por merecer.


Depois, depois foi a festa. Linda e inesquecível, que nem uns incidentes fora do Estádio com a polícia, sempre indesejáveis e lamentáveis, conseguem manchar. 


E agora, vamos para o Marquês. Para a maior festa do futebol em Portugal. Que tudo seja festa. E apenas festa!


 


 


 


 


 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Indignação*

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Faz hoje precisamente uma semana que o país se escandalizou com o descaramento - para me ficar pelos mínimos – de Joe Berardo perante os deputados na Nação, na Assembleia da República.


A indignação tomou rapidamente conta do país, tão rapidamente como o tema das comendas tomou conta da semana mediática. E o país passou a exigir que lhe fossem retiradas as condecorações atribuídas pelos presidentes Ramalho Eanes, em 1985, e Jorge Sampaio, em 2004. Boa parte da vasta comunidade de comendadores correu para os baús a confirmar se a medalha e a ordem honorífica conferiam com as do "babe" e, enquanto uns respiravam de alívio, outros ameaçavam publicamente devolvê-las. E hoje até reúne extraordinariamente o Conselho das Ordens Nacionais, presidido por Manuela Ferreira Leite, justamente para encontrar uma resposta (que) conforme a opinião pública.


Perante tanta indignação inclino-me mais para me indignar com o país indignado.


Berardo não foi na Assembleia da República nada diferente do que sempre foi. A mesma impreparação, a mesma desarticulação de ideias e palavras, os mesmos valores, a mesma ética. Em suma, a mesma respeitabilidade nula e a mesma seriedade zero.


Não é agora que as comendas lhe assentam mal, como dizem agora as elites que lhas atribuíram. Nem é agora que mancha o tecido empresarial português, como a elite da CIP sugere sem rodeios. Não é agora que se revela um simples especulador financeiro, arredado da ética e avesso às boas práticas empresariais. Foi sempre assim. E, tendo sido sempre assim, temos que nos indignar é contra o país pacóvio e bacoco que se deixou deslumbrar por um chico-esperto sem escrúpulos, assessorado por bons, e certamente caros, advogados do mesmo quilate, que lhe gizavam os golpes perfeitos.   


Não, no Parlamento o Sr Berardo não gozou com todos nós. Gozou com os deputados! Quem gozou connosco foram as elites - essa "elite medíocre e parasitária" retratada no riso de Berardo, na certeira expressão da Marisa Matias, algures nesta semana - a quem entregamos este país, que tudo lhe permitiram nestes 40 anos … E a tantos outros, sempre no mesmo caldo. 


Resta-nos agora seguir o exemplo daquela garrafeira do Bairro Alto, e deixá-lo sozinho a beber o seu próprio vinho. Que nem dele é, afinal…


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM


 


 

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Coisas extraordinárias

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Ainda não retiraram as comendas ao Berardo e já estão a levar o Santana Lopes de helicóptero... Este país não dá descanso a esta gente!


 


 

terça-feira, 14 de maio de 2019

A casa aos da casa

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Depois de tanto tempo e tanta coisa dita e escrita, a renovação de Samaris, um dos grandes símbolos deste Benfica, e claramente um dos nossos, foi a melhor forma de comemorar os 25 anos daquele memorável jogo de Alvalade.


Basta lembrarmo-nos do que foi esta época. Tiraram-lhe o número, o 7 que lhe pertencia, para o entregar a um jogador que acabava de chegar, por empréstimo. Antes, já tinha sido preterido em favor de jogadores como Filipe Augusto, por exemplo. Depois, continuou a sê-lo, por jogadores como Alfa Semedo.


Nunca desistiu e continuou a trabalhar com total empenho e profissionalismo. Até que chegou Bruno Lage. Estava pronto. Preparado e em perfeitas condições para, ao lado dos miúdos de Lage, ser figura central da extraordinária recuperação da equipa, sem a qual a "reconquista" não seria mais que mais um slogan falhado. 


Está e fica em casa. Na nossa casa! 


 

Singularidades

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Não sei se é singularidade nacional, mas sei que temos uma grande propensão para criar grandes questões à volta de pequenas coisas. De fazer de coisas que não acrescentam nada, o "alfa" e o "ómega" da nossa sobrevivência.


Vem isto a propósito das chamadas passadeiras LGBTI. Todos percebemos que, a partir do momento em que alguém na freguesia de Arroios avançou com a ideia de pintar as passadeiras de peões com as cores do arco-íris, a coisa não ficaria por ali. Vinha aí assunto importante para tratar. 


Ao que se diz, a ideia partiu de alguém do CDS,  que súbita e inesperadamente quis agarrar a frente da causa. Em Arroios a ideia acabou por morrer na casca, com a agremiação de Cristas tão partida como a casca do ovo donde se preparava para sair, mas logo renasceu em Campolide, uma freguesia mais ocidental.


Inevitavelmente!


Em Campolide, ou noutra freguesia qualquer, as passadeiras de Arroios teriam mesmo de ressuscitar. Uma passadeira pintada com as cores do arco-íris era assunto demasiado importante para que se deixasse morrer. Tão importante que teria inevitavelmente de suscitar imediatamente questões de vida ou de morte ao secretário geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa, o conhecido José Manuel Trigoso, provavelmente pouco dado a dar para aquele peditório - as passadeiras só são passadeiras com as cores da zebra. Ponto final, e nada de modernices...


Alguém que seja atropelado numa passadeira com cores mais vivas não é atropelado numa passadeira. É na estrada, diz o responsável pela moral rodoviária. 


E lá está. Nem ninguém percebe o que é que uma passadeira com as cores do arco-iris acrescenta à causa gay e lésbica. Pelo contrário, é mais provável que leve a uma maior radicalização, que muita gente se recuse mesmo a utilizá-la, ou que passe a destinar-se a uso exclusivo dos activistas da causa, com todos os riscos que se adivinham. Mais ainda se, como defende o Sr Trigoso, aquilo passar a ser simples estrada...


Mesmo que, também, ninguém perceba porque deixaria de ser passadeira!

domingo, 12 de maio de 2019

Título à vista


 


Sabia-se da importância e do grau de dificuldade desta penúltima final, em Vila do Conde. Não era uma final mais importante que as anteriores, mas as outras já faziam parte do passado, e esta ainda estava por disputar. Era a seguinte, e a seguinte é sempre a mais importante. Como agora é a próxima, a grande final. A que é finalmente decisiva!


A cada final ultrapassada  não aumentava apenas a importância da seguinte, aumentava também o grau de dificuldade. Porque a pressão sobre os jogadores, e a ansiedade, aumentavam, mas também a pressão sobre tudo o que é a envolvente do jogo, mesmo daquilo que nunca o deveria envolver.


A entrada do Benfica no jogo teve o seu quê de regresso ao passado - a um passado recente, é certo, mas passado - com o golo a surgir logo no arranque, ao contrário do que vinha sucedendo nos últimos jogos, em que  Benfica começou sempre menos bem, tendo mesmo de proceder a sucessivas reviravoltas no marcador. Logo aos três minutos, naturalmente na primeira oportunidade do jogo, Rafa marcou.


Para confirmar que as primeiras partes mais tremidas faziam parte do passado, que não deste jogo, regressando à pressão alta e às asfixia do adversário logo junto à sua área, o Benfica tomou conta do jogo. O Rio Ave não conseguia se não cheirar a bola, e correr atrás dela. Só que isto durou quinze minutos e ... acabou-se.


Quando o Benfica, por estratégia ou por qualquer outra despercebida razão começou a levantar o pé, o Rio Ave começou a crescer e a dividir o jogo, levantando de novo a dialéctica da bola que aqui tenho trazido nas últimas semanas - "uma equipa joga aquilo que a outra deixa". A verdade é que nunca mais o Benfica se sentiu confortável no jogo, mesmo que as poucas oportunidades de golo do jogo lhe tenham sempre pertencido, e nunca ao Rio Ave.


Em cima do intervalo -. é sempre boa altura para marcar, mas esta é normalmente tida por uma das melhores - o Benfica chega ao segundo, por João Félix, numa jogada muito reclamada pelo Rio Ave (e mais ainda por outros). A história conta-se em poucas palavras: Florentino em carga de ombro fora da área desequilibrou o adversário com quem disputava a bola, acabando por lhe tocar nas costas, então já dentro da grande área e quando ele ia já em queda. Não lhe provocou a queda com a mão nas costas pela simples razão que ele já estava claramente em queda e, a partir daí, não há qualquer falta, como - bem - ajuizaram árbitro e VAR. Dessa recuperação de bola surgiria a jogada que acabou nesse segundo golo do Benfica.


A segunda parte foi lançada em bases muito semelhantes às da última meia hora da primeira metade, com o Benfica longe da atitude do início do jogo, e o Rio Ave chegou ao golo, logo aos 5 minutos. Aí, sim, o Benfica apressou-se a regressar à pressão sobre o adversário e a tomar conta do jogo. E a criar sucessivas oportunidades de golo, até chegar ao terceiro, em mais uma bela jogada de futebol, concluída com um excelente remate de Pizzi.


Com a vantagem de novo em dois golos, e mesmo por cima por do jogo, nem assim o Benfica podia descansar. O Rio Ave não deixava... E acabou por voltar a marcar, a seis minutos do 90, deixando no ar a ameaça de repetir o que fizera há duas semanas, com o Porto, quando chegou ao empate nos últimos 5 minutos. 


Apesar disso, e do sofrimento de jogadores e adeptos, foi ao Benfica que couberam as duas melhores oportunidades até ao fim do jogo. Recebido naturalmente em festa!


Mesmo que a festa, a grande festa, esteja agora, com o título à vista,  marcada para o próximo fim de semana. Que nada a possa estragar!


Foto de A Bola.

sábado, 11 de maio de 2019

Sem vergonha!

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A provocação e o desplante do comendador Berardo, ontem na na Assembleia da República, mostra como este país fechou as fronteiras à vergonha, e nunca lhe permitiu que cá pusesse os pés. 


Dá vergonha, este país sem vergonha!


 

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Que tristeza...*

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O passado fim-de-semana não foi apenas marcado por uma crise política muito particular, que mais não fez que voltar a mostrar a verdadeira face da política portuguesa. Foi também o fim-de-semana da abertura das queimas das fitas, provavelmente mais excitantes que as piruetas e os saltos mortais à retaguarda dos nossos líderes políticos.


Mas não mais dignas. Nem mais motivadoras, nem maior motivo de esperança. Antes pelo contrário…


Em Coimbra, a capital do acontecimento, um grupo de estudantes entendeu apresentar-se num carro alegórico que designou de "Alcoholocausto", com desenhos a preceito. Parece que a comunidade académica, e em especial os professores, reagiu e o carro dos meninos acabou por desfilar sem o nome e sem os desenhos alusivos ao holocausto, substituídos por outros, alusivos à censura e à falta de liberdade.


Aludir à censura e à falta de liberdade, quando a pressão social “impede” uns meninos de brincar com os mais hediondos crimes da humanidade, poderia ser desconhecimento e ignorância. Ignorar que a censura e a falta de liberdade são próprias do mesmo regime criminoso do holocausto e dos que o defenderam, poderia até ser relevado aos mais distraídos jovens de hoje a concluírem os seus cursos de multimédia, de engenharia alimentar (nada contra estes cursos, é de estudantes de não de cursos que estou a falar) ou outros identicamente afastados daqueles conteúdos. Mas, não é o caso. Estes protagonistas são os fitados de História. Isso mesmo, são finalistas da licenciatura em História que se consideram vítimas de censura porque a pressão social lhes impede de banalizarem e branquearem a maior tragédia criminosa da humanidade.


Já no Porto a queima é mais álcool e sexo. Ainda mais… Mas a mesma indignidade. Vídeos de actos sexuais exibidos nas redes sociais, frases sexistas nas barracas, e álcool. Muito álcool. Um dos jornais conta que, numa destas madrugadas, uma jovem foi encontrada seminua e inconsciente no queimódromo. Outro, explica que chegou a tal estado tirando peças de roupa que trocava por bebidas…  


E lembrar-mo-nos nós que, há precisamente 50 anos, em Coimbra, os estudantes cancelaram a queima das fitas por estarem em luta contra um regime que lhes roubava a liberdade e os mandava matar e morrer em África, num dos mais marcantes momentos da História do movimento estudantil no nosso país...


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

UEFA PREMIER LEAGUE

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Pela primeira vez as finais das duas competições europeias de futebol vão ser disputadas por equipas do mesmo país. Acontecendo nesta altura, só podiam ser do país da melhor, mais competitiva e mais espectacular liga do mundo: a premier league - evidentemente - com quatro dos seus cinco primeiros classificados.Três delas de Londres!


Na final da Champions, em Madrid, estarão Liverpool e Tottenham, depois de duas sensacionais reviravoltas na segunda mão das meias finais. Em Baku, a final da Liga Europa terá um derbi londrino, entre Arsenal e Chelsea. O primeiro depois de evidenciar clara superioridade sobre o Valência. O Chelsea, mesmo sem se ter conseguido superiorizar ao adversário - a equipa alemã do Eintracht, que afastara o Benfica nas condições conhecidas -, acabou apurado nos penaltis, depois do Gonçalo Paciência ter falhado o decisivo, e o último que cabia à sua equipa.


 


 

Dia da Europa

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Comemora-se hoje o dia da Europa, lembrando a "Declaração de Schuman" de 9 de Maio de 1950, hoje praticamente tido por acto fundador da União Europeia. Onde Robert Schuman, então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo francês, cinco anos depois do fim da guerra, dando corpo a uma ideia particularmente acarinhada por Churchill, propôs a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.


Foi há 69 anos, e hoje sabemos que a ideia, "a melhor que alguma vez tivemos",  como dizem os 21 presidentes das repúblicas da União Europeia, num apelo ao voto nas eleições do próximo dia 26 assinado em conjunto e hoje difundido (percebe-se que o Reino Unido tenha ficado de fora, mas porquê também as restantes seis monarquias?), já viveu melhores dias. 


Toda a gente tem consciência disso. A própria campanha (excelente, diga-se) do Parlamento Europeu de sensibilização para o próximo acto eleitoral, é disso sinal: "desta vez eu voto". Mas não deveria haver quem não morresse de vergonha por ter falhado a melhor ideia dos europeus e o maior projecto político da Humanidade. Provavelmente não haverá quem lhes perdoe...


 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Dia de números

Capa Jornal de Negócios


 


Ontem foi dia de divulgação de resultados, tendências e previsões, com a publicação de Relatórios da Comissão Europeia, Boletim Económico do Banco de Portugal e dados do INE. 


A Comissão Europeia mantém as previsões de crescimento para a nossa economia nos 1,7%, mantendo as duas décimas abaixo dos 1.9% do governo, em qualquer dos casos acima do crescimento que prevê para a UE e para a Zona Euro, de 1,4% para este ano e 1,6% para o próximo.


Ou seja, a economia portuguesa vai, pelo quinto ano consecutivo, manter-se no caminho da convergência com a Europa. O que não impede a verdade trazida à estampa na capa do Jornal de Negócios: "Portugal está mais pobre face à Europa do que antes do Euro".


Mas também pelo quinto ano consecutivo, segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal também ontem publicado, a  produtividade baixou no nosso país. No ano passado voltou a cair, baixando em 0,6% face ao ano anterior.


Segundo os dados ainda também ontem publicados pelo INE, quase 1,8 milhões de portugueses está em risco de pobreza. 17,3% da população vive com menos de 467 euros por mês, mesmo que desde 2014 estes números estejam a descer. Pelo quinto ano consecutivo, também.


Números são números. E diz-se geralmente que não mentem. E os números deste dia particularmente cheio deles dizem três coisas. 


A primeira já a conhecíamos de há muito. É que a adesão de Portugal ao Euro foi uma aventura. Poderia ter sido um desafio, um enorme desafio às nossas capacidades, como muitos de nós o vimos, mas acabou por ser uma apenas aventura que pagamos caro. Duas décadas depois são os números a dar razão aos poucos que sempre acharam que não tínhamos pedalada para o desafio, e aos mais -  bem mais - que se sustentavam em razões ideológicas. 


A segunda confirma que estamos cada vez mais longe de agarrar o desafio que se transformou nesta aventura. Sem moeda para desvalorizar para adquirir competitividade, e com a produtividade a cair em vez de aumentar, são os salários que continuarão a pagar a factura


E a terceira é que estas primeiras duas décadas do século se dividem em três partes: uma primeira, de uma década inteira perdida, em que toda a gente tratou da sua vidinha sem que ninguém ligasse nada ao país; uma segunda, na primeira metade da segunda década, a lamber umas feridas e a aprofundar outras, e a terceira e última nos últimos 5 anos. Sim, são os números que falam nos últimos cinco anos!


 

terça-feira, 7 de maio de 2019

Há-de haver explicação...

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O país está perplexo, e não é razão para menos: então não é que o Presidente Marcelo ainda não teve uma palavra sobre a "crise política do fim-de-semana"?


É realmente estranho que um presidente omnipresente e praticamente incontinente verbal deixe passar em branco o mais marcante tema de actualidade política do ano. Não se percebe como Marcelo está a passar ao lado desta oportunidade, mas há-de haver uma explicação. 


 

domingo, 5 de maio de 2019

Manual de política portuguesa

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Este fim de semana constitui um manual teórico-prático da forma de fazer política em Portugal.


António Costa percebeu depressa que a atitude suicidária do PSD e do CDS, na aprovação do projecto de contagem do tempo total dos professores, lhe abria uma oportunidade única de inverter toda uma situação adversa, onde tanta coisa estava a correr tão mal. Ainda na sexta-feira, como era de esperar, carregou nas cores do dramatismo, foi de urgência a Belém e, cavalgando a irresponsabilidade da oposição à direita, ameaçou com a demissão.


 PSD e CDS saltaram a acusar António Costa de chantagem, gritando aos sete ventos que não havia impacto orçamental. Que nem um cêntimo a mais representava. Só no sábado os dois partidos cairam em si, e perceberam o impacto do seu tiro no pé. E no domingo apareceram a roer a corda: Cristas, primeiro, e Rui Rio, depois, e depois 48 horas "desaparecido em combate". Ambos com o mesmo e fantástico argumento. Ambos dizendo agora que não aprovarão a lei na generalidade se nela não constarem condições de sustentabilidade e de salvaguarda do equilíbrio financeiro, que impeçam qualquer impacto orçamental. 


Que não existem no documento que aprovaram. Mas, pior, que ainda no dia anterior davam por absolutamente desnecessário. Se o que aprovaram não acrescentava um cêntimo à despesa, para quê condições de salvaguarda do equilíbrio financeiro? Não se restringe o que não existe!


Está aqui tudo o que é a política portuguesa: oportunismo, mentira, demagogia, farsa e falta de vergonha!

sábado, 4 de maio de 2019

Não havia necessidade... Não há necessidade!

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Socorro-me do velho diácono Remédios para deixar uma mensagem aos jogadores do Benfica: "meus amigozz, não habia nexexidade"...


Não havia necessidade nenhuma de fazerem sofrer os 60.667 que estivemos na Luz durante tanto tempo. O Port(o)imonense tinha avisado ao que vinha, e portanto só havia que começar o jogo da forma com que o acabaram. Mesmo que - lá está, outra vez - uma equipa jogue o que a outra deixa!


A equipa algarvia nem sequer se apresentou na Luz com autocarro, mesmo que tenha alinhado com uma defesa de cinco unidades. Não, foi uma equipa super defensiva, fechada lá atrás. Tapou todos os espaços, é certo, mas nunca foi com autocarros. Foi simplesmente pressionando os adversários e tapando linhas de passe, que a fraca mobilidade dos jogadores do Benfica lhes permitia adivinhar.


Foi a passividade e a falta de dinâmica com que o Benfica entrou em jogo que permitiu aos jogadores do Portimonense adivinhar os lances e ganhar sistematicamente a bola. Depois, com bola e sem pressão adversária, como são jogadores que a sabem tratar, começaram a criar dúvidas nos jogadores do Benfica. E logo a seguir nervosismo. Muito nervosismo, que rapidamente começou a passar para as bancadas.


A primeira parte foi exactamente isto, com o Benfica a perder sucessivamente a bola, incapaz de mais de dois passes seguidos, e o Portimonense a trocá-la com propósito e a criar desconforto em cada vez que saía para o ataque. 


Tudo poderia ter sido diferente se Seferovic tem marcado logo aos 8 minutos quando, isolado frente ao guarda-redes, lhe entregou a bola num chapéu que ficou curto. Só por mais duas vezes o Benfica criou alguma coisa a que se pudesse chamar oportunidade para marcar, tantas quantas logrou a equipa de Portimão, só que bem mais claras, bem mais oportunidades de golo.


Esperava-se um Benfica diferente para a segunda parte, ainda com as memórias de Braga bem frescas. Esperava-se que Bruno Lage fizesse do intervalo uma cura de sono, e que a equipa invertesse os dados do jogo, que eram claramente favoráveis ao adversário.


Mas... nada disso, e a segunda parte arrancou como se não tivesse havido intervalo. Um livre de Samaris logo no arranque deu apenas numa grande defesa do guarda-redes, e logo a seguir o Portimonense voltou a ameaçar. E pouco depois marcou mesmo, gelando a Luz.


Os jogadores do Benfica correram de imediato a colocar a bola no centro do terreno, como que a dizer que tinha chegado a altura de dar a volta aos acontecimentos. O árbitro Soares Dias ainda aguardava notícias do VAR, mas os jogadores nem quiseram saber disso, queriam era partir depressa para corrigir tudo o que de mau tinham feito até ali. O público estava com eles. Nervoso, mas estava com a equipa, a dizer-lhes que não seria por falta de apoio que a reviravolta não aconteceria, mesmo com novo calafrio logo a seguir.


Mas também logo a seguir, aos 61 minutos, já com Jonas (saída de Samaris - péssima a gestão da renovação do seu contrato, diga-se de passagem) em campo, Rafa, "à Rafa" fez o empate. E no minuto seguinte a bola foi à barra e andou ali segundos em cima da linha de golo. Não quis entrar, mas, com a Luz transformada no velho inferno, percebeu-se que o Benfica iria ganhar o jogo. Cinco minutos depois, novamente Rafa consumaria a reviravolta, que um grande corte de Jardel, longos dez minutos depois, consolidaria definitivamente.


A partir desse que foi o momento do jogo, só deu Benfica e, com Seferovic (parabéns, de novo!) a fazer finalmente as pazes com o golo, por duas vezes, e Jonas, por fim, o resultado subiu para uns impensáveis 5-1. Um resultado muito melhor que o jogo, um resultado mentiroso como tantos outros, mas desta vez a mentir a favor do Benfica.


Acabou em festa, mas atenção: O Benfica não pode continuar a dar metade dos jogos ao adversário. "Tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia lá deixa a asa"!


E foi de coração cheio que saí da Luz, a correr, para completar um fim-de-semana de música com goleada do Benfica pelo meio. Que tinha começado em grande, na sexta feira, com os Gift, a jogarem em casa, perante os seus, na Primavera, a apresentarem o Verão. E acabaria já hoje, também em casa, no Pedra Rock, no regresso dos Sidewalkers. Grandes! De rock puro e duro. Como a pedra!

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Momento crítico

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Sinceramente. Acho que António Costa está neste momento mais preocupado em encontrar a melhor forma de rentabilização política do comportamento suicida do PSD e do CDS do que com a demissão do governo. Podem é coincidir. António Costa pode muito bem concluir que é na demissão que está o ganho!


Ah... E a geringonça morreu. Com ou sem demissão do governo. E com ela muitas das válvulas de escape do regime... 


 

Não é futebol*

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Apesar da minha conhecida paixão pelo futebol, nunca o trago aqui, a este espaço. E se alguma vez o trouxe, ou vier a trazer, nunca foi, nem será, por ele próprio, mas sempre por qualquer coisa para além dele.


Aconteceu aqui há umas semanas, quando falei da Catarina Lopes, a treinadora do Beneditense, para falar de igualdade de género, que não de futebol. Como voltaria a acontecer hoje, se aqui desse conta do “balde de água fria” que é a notícia que a mesma Catarina e uma sua colega de equipa, Maria Malta, se encontra castigada com 30 dias de suspensão por insultos racistas a uma jogadora adversária, em que falaria de decência e bom porte.


Ou como acontece mesmo hoje, quando falo de Casillas e da onda de solidariedade que à sua volta se estabeleceu, na sequência do acidente cardíaco de que foi vítima, felizmente, e ao que parece, sem consequências irreparáveis para o fundamental da sua vida pessoal.


Não. Não é de futebol que falo quando, de repente, no meio da loucura fanática que atingiu o mundo da bola, e dos obscenos painéis de comentadores que por essas televisões fora envenenam uma rivalidade que deveria ser saudável e urbana, as tribos do futebol se unem à volta do infortúnio de um homem, que por acaso é jogador de futebol para, esquecendo-se das acusações, dos penaltis, do ódio e da violência de que todos os dias se alimentam, lembrar os seus feitos, celebrar a sua glória e enaltecer a sua dimensão humana e desportiva.


Não é de futebol que se trata. Como não é também de futebol que tratam esses energúmenos de fato e gravata que, por um bom punhado de milhares de euros, colocam a sua imensa ignorância e os seus parcos recursos éticos ao serviço de guerras de audiências sem escrúpulos.


 


*A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Notícias (d)e tempo

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"Durão Barroso goza férias milionárias".


"Porshe comprou a SIVA por 1 euro".


São duas notícias. A primeira data de 2003. A segunda, de hoje mesmo. Há 16 anos a separá-las...


16 anos é muito tempo... Às vezes, nem isso. É apenas muito dinheiro!


Há 16 anos Durão Barroso e a família iam passar férias com um amigo, que se deslocava num Falcon, que tinha uma ilha no Brasil, e que na Argentina tinha uma fazenda com a àrea do Alentejo. Hoje, o negócio que lhe alimentava a fortuna, que se limitava a importar, e distribuir através de uma rede de concessionários, por todo o país, apetecíveis automóveis das marcas Volkswagen, Audi, e Skoda, foi entregue aos alemães da Porshe, também donos das fábricas que produzem os automóveis que o negócio importa. E que para o negócio importam. Por 1 euro, mas porque os bancos perdoaram, para já e para as primeira impressões, 116 milhões de euros. Mas perdoarão mais, se for necessário...Trocos, pouco mais que isso, se comparado à banhada de Berardo. Nove vezes mais dinheiro. Mas muito menos tempo!


Da ilha no Brasil, e da fazenda do tamanho do Alentejo, na Argentina, não há notícias... E o Falcon já deve ter encontrado destino há algum tempo...

Entretanto, na Venezuela...

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Francamente. Não sei se os acontecimentos dos últimos dias na Venezuela foram mais uma machadada no regime de Maduro se a primeira na aventura de Guaidó. Tudo falhou na estratégia do presidente interino e dos seus aliados internacionais. Falharam-lhes os apoios institucionais e falhou-lhe o apoio popular. Ambos pela mesma razão: porque o regime, fazendo dos militares uma das mais privilegiadas elites, continua a tê-los na mão. 


E contra os militares, nada a fazer... Nem o povo sai de casa - as imagens dos blindados da polícia sobre as pessoas na rua mostram que a repressão não tem contemplações.


Depois de dois dias de desinformação e contra-informação,  e de se concluir que a "Operação Liberdade" de Juan Gaidó acabou por se saldar na libertação de Leopoldo Lopez, percebeu-se que foi Diosdado Cabello, o presidente da Assembleia Constituinte investida por Maduro, e figura maior do narcopoder instalado, quem verdadeiramente ficou a mandar em Caracas. E que esta é uma mudança para ainda pior.


É que, se Maduro poderia facilmente salvar a pele, Diosdado Cabello é alvo de suficientes mandatos de captura internacionais para se barricar na Venezuela até às últimas consequências.


 


 

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Desportivismo

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No dia em que passam 25 anos sobre o desaparecimento de um mais míticos desportistas da História, e do mais extraordinário piloto da fórmula 1, apraz-me registar as generalizadas manifestações de solidariedade com Casillas, e em particular a do meu Benfica. 


Aqui deixo também o meu regozijo pelo sucesso da rápida intervenção médica que, ao que tudo indica, permite que este grave incidente lhe não deixe marcas e limitações irreversíveis. E os meus votos para o seu rápido e pleno regresso ao futebol, em cuja História ocupa uma das mais brilhantes páginas.

O 1º de Maio já não é o que era

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O 1º de Maio já não é o que era. As televisões já nem abrem os noticiários com filas de gente ao murro e ao pontapé a entrar no Pingo Doce... 


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...