quarta-feira, 30 de junho de 2021

Corrente de ar

As condecorações mais polémicas de Portugal - Portugal - SÁBADO


 


Não sabemos no que vai dar, mas a detenção de Joe Berardo e do seu advogado surge como uma lufada de ar que entra por uma janela que se entreabre numa sala congestionada de ar absolutamente irrespirável.


Depois dos desfiles pelas comissões parlamentares de inquérito, e das respectivas prestações televisivas, de tantas figuras de proa dos negócios em Portugal, iniciados até pelo próprio Berardo, o que mais faltava era que nada se passasse. Que ninguém, para além de nós todos, pudesse achar que não teria de haver alguma coisa a fazer.


Berardo é apenas o mais tóxico mito de um país saloio, de deslumbramento fácil. Recebeu comendas das mãos de insuspeitos e respeitados Presidentes da República, encheu horas de televisão e páginas de jornais e revistas. Fez os negócios que quis, como quis. Os bancos puseram-lhe nas mãos o dinheiro que quis, sem garantias. 


Comprava acções com dinheiro dos bancos, garantidos por essas acções. Garantia o risco com o próprio risco, e os bancos achavam graça. De longe acenava-lhes com a famosa coleção de arte, mas só para a verem em exposição. E ria-se. Ria-se muito... E dizia "babe"... E que não devia nada... Que não tinha nada, nem medo de ninguém...


Claro que tudo isso já se passou há muito tempo. O tempo não volta para trás, passa pelas coisas e elas prescrevem. Não há meios ... 


Mas há mais comendadores. E mais chicos-espertos que parecem parvos, e só por acaso não são comendadores.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Programa de Governo hoje dado a conhecer empurra a privatização da RTP lá mais para a frente. Para segundas núpcias!


Ouvimos o presidente não executivo da TVI – o regressado Pais do Amaral – dizer que não. Que não se pode privatizar a RTP porque – pasme-se – isso iria fazer baixar a qualidade das televisões. E ouvimos, logo a seguir, Pinto Balsemão dizer esta coisa fantástica: “… a defesa da concorrência em excesso prejudica a concorrência…” Isto porque, justificava,” …nos últimos 10 anos a publicidade baixou muito em Portugal e não haverá mercado para mais um player nesta área da televisão aberta…”


Ora bem, não é de agora que todos sabemos que os empresários em Portugal substituem muito facilmente os princípios da liberdade económica e da livre concorrência pelos seus muito particulares interesses. O que não ficamos a saber – e é mau – é em que medida é que estas veementes posições dos dois players são causa ou consequência da decisão do governo. Porque, evidentemente, é muito difícil de aceitar que esta tenha sido uma mera vitória de Paulo Portas, opositor declarado – vá lá perceber-se porquê – da inabalável decisão de Passos Coelho sufragada pelo eleitorado.


É bom que se perceba que a RTP é a empresa pública que mais dinheiro – entre dotações de capital, subsídios, indemnizações compensatórias e a taxa do audiovisual que toda a gente é obrigada a pagar na factura da electricidade - tem levado aos contribuintes.


É bom que se perceba que, quando o actual Presidente do Conselho de Administração vem – também ele, pudera – dizer que agora é que se não justifica privatizá-la porque deu, pela primeira vez, lucro, que esse facto não altera em nada o seu estatuto do mais pesado fardo do sector público empresarial que o contribuinte carrega. Até aqui, e apesar de tudo o que os contribuintes para lá carregavam, ainda conseguia acumular prejuízos que exigiam mais e mais dotações de capital.


É bom que se perceba que a RTP tem sido sempre usada como instrumento de propaganda dos poderes instituídos – de todos – e objecto de permanentes estratégias de controlo e de nomeações de comissários políticos, fazendo dela um dos principais covis de boys.


É bom que se perceba que o que os contribuintes financiam na RTP não é o serviço público de televisão – o verdadeiro serviço público poderia facilmente ser negociado e contratualizado com os operadores privados no âmbito do contrato de concessão – mas sim um enorme e desajustado quadro de recursos humanos com cerca de duas mil pessoas, muitas delas boys e outros instalados principescamente pagos.


É que, percebendo-se isto, não se percebe de que é que se está à espera para privatizar a RTP. A não ser que seja para fazer a vontade ao Dr Pinto Balsemão! E ao Dr Pais do Amaral!


 

terça-feira, 29 de junho de 2021

Euro 2020 - E tudo os oitavos levaram

Inglaterra vence Alemanha e está nos 'quartos' do Euro2020


Caiu o pano sobre os oitavos de final do Euro, em palcos britânicos. Em Wembley a Inglaterra eliminou a Alemanha. Mas a norte, em Hampden Park, a Ucrânia fez o mesmo à Suécia.


Agora vêm aí os quartos de final, onde não chegou ninguém do chamado grupo da morte. o tal que juntava os dois últimos campeões do mundo e o campeão europeu. E o único que não tem representação nos quartos de final, todos os restantes, fraquinhos, lá têm alguém. E alguns até têm dois, como são os casos da Bélgica e da Dinamarca, e da Inglaterra e da Chéquia, como agora se chama a pátria dos checos.


Dos três campeões do grupo da morte nenhum se ficou a rir, foram todos para casa à primeira. E não ganharam mais que um único jogo cada um.


O jogo na Escócia foi pouco, ou mesmo nada, interessante. Suécia e Ucrãnia deram um pobre espectáculo. E ainda por cima se arrastou por mais 30 e muitos minutos - tantas paragens teve - de prolongamento. O resultado (1-1) no final dos 90 minutos veio da primeira parte. Marcou primeiro a Ucrânia, por Zinchenco, pouco depois do meio da primeira parte, um tanto ou quanto contra a corrente do jogo. Empatou a Suécia, já em cima do intervalo, por Forseberg, o médio goleador dos escandinavos.


A segunda parte só teve uns breves minutos de algum frisson, ali por volta do meio, com três bolas nos ferros, uma para a Ucrânia, primeiro, e logo depois duas para a Suécia, pelo inevitável Forsberg. E mais uma boa oportunidade pelo fantástico, mas intermitente, Isak. Tudo o resto foi um arrastar do jogo para o prolongamento, e deste para os penaltis.


Aos 7 minutos do prolongamento a Suécia ficou reduzida a 10, por expulsão (vermelho directo, após intervenção do VAR) do central Danielson. A Ucrânia não tirou grande proveito disso, até porque praticamente não houve jogo durante o penoso prolongamento. Pareceu até que que os jogadores só pensaram em jogar alguma coisa quando acreditaram que já nada impediria o recurso aos penaltis. O que viria a ser fatal para os suecos, já que no período de compensação - 4 minutos, mas não haveria minutos que compensassem todas as paragens - permitiram que a bola fosse jogada, e chegasse à cabeça Dovbyk, para marcar no coração da área.


E lá está a Ucrânia nos quartos de final, para surpresa de toda a gente. Até deles próprios.


Bem diferente foi o jogo de Wembley. Um grande jogo, muito agradável à vista, e de uma riqueza e de uma espectacularidade táctica fora do comum. Ingleses e alemães mostraram muito do que raramente se vê nos jogos de futebol.


A primeira parte foi bastante equilibrada, com o jogo muito dividido, mas também muito disputado. E sempre tacticamente muito bem jogado. A Alemanha superiorizou-se na segunda parte, com o seu futebol de régua e esquadro, e de gestão de espaços - ora procurando-os, ora ocupando-os. Só que a Alemanha tem quase tudo, mas não tem Sterling. Nem Harry Kane, que pode andar um jogo todo desaparecido, mas sempre aparece.


Aos 70 minutos Southgate lançou Jack Grealish, e mudou o jogo. Cinco minutos depois esteve na excelente jogada em que Shaw assistiu Sterling para o 1-0. Dez minutos depois, numa cópia perfeita da anterior, assistiu Kane, para uma grande execução de cabeça. Pelo meio, Muller falhou um golo cantado, que daria o empate. Mas não deu, e a Alemanha, a quem Fernando Santos tinha garantido vencer na final, também caiu à primeira.

Diálogos Curtos

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- Já viste a notícia?  O Comendador Berardo foi preso!


- Como? Mas ele não tem advogados?


- Tem, mas também foi preso.


- Ah... Então é isso!

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Euro 2020 -Emoção, golos e "adieu": o futebol é isto!

Campeã do mundo eliminada: Suíça afasta França nos penáltis em (mais um) hino ao futebol no Euro2020


O terceiro dia dos oitavos foi memorável, com dois grandes jogos. Com tudo o que de melhor há a esperar de um espectáculo de futebol. Com muitos golos, que é aquilo que sempre mais se espera de um grande jogo, com reviravoltas no marcador, e muitas surpresas. A maior, claro, a eliminação do campeão do mundo, a super-favorita França..


A jornada começou em Copenhaga, no Parken Stadium, com um emocionante Croácia - Espanha com oito golos. A história deste jogo começa aos 20 minutos, quando o miúdo Pedri, aos 18 anos um craque da cabeça aos pés, atrasou a bola para o seu guarda-redes que ... deixou-a passar por baixo do pé para dentro da baliza.


Foi o primeiro grão de areia na engrenagem da máquina do futebol espanhol, uma máquina muito nova, pela primeira vez sem uma peça do Real Madrid, mas que não engana. É fiável, como já são as máquinas espanholas. Talvez pela juventude, a equipa ressentiu-se, e andou um bocadinho por ali atrapalhada. Demorou 20 minutos a chegar ao empate, por Sarabia, com que terminou a primeira parte.


Cedo, ainda antes de se esgotar o primeiro quarto de hora da segunda parte, passou para a frente, com um belo golo de Azpilicueta. Em desvantagem, os croatas vestiram de espanhóis e, armados da fúria espanhola, passaram a discutir o jogo e o resultado palmo a palmo. Estavam por cima do jogo quando, já dentro do último quarto de hora, Ferran Torres fez o terceiro da Espanha.


Um rude golpe, uma machadada, nas aspirações croatas? Qual quê. Nem pensar!


Menos de dez minutos depois reduziram, num golo de Orisic em que a bola se fartou de ser pontapeada até entrar. E entrou mesmo, disse a tecnologia de baliza, porque a olho nu não ficava fácil de ver. Faltavam 5 minutos para os 90, e o seleccionador croata meteu o que tinha e o que não tinha dentro da área dos espanhóis, impedindo-os de se espraiarem pelo campo, e de "matarem" as suas jogadas à nascença. E ao segundo minuto dos 4 ou 5 da compensação, empataram o jogo com um golo de Pasalic (só nomes desconhecidos), e mandaram-no para prolongamento.


Era já uma surpresa, e não apenas uma meia surpresa. O prolongamento permitiu à maquina espanhola retomar, se não o seu normal funcionamento, pelo menos a sua matriz operacional. E ainda na primeira parte do prolongamento, em três minutos fizeram dois golos - aos 100, Morata (finalmente; e que execução!) e aos 103, Oyarzabal, fecharam o resultado de um jogo louco. 


E lá está a Espanha, à espera da ... Suíça!


Que noutro jogo fantástico, em Bucareste, com o mesmo resultado - e até com a mesma evolução do marcador - no final dos 90 minutos, e certamente na surpresa maior deste Europeu, eliminou a França.


A Suíça começou bem cedo a surpreender, ao impor-se à super-favorita selecção francesa. Chegou ao golo, por Sefevorivic, numa excelente execução de cabeça, aos 15 minutos, e nunca se deixou inferiorizar no jogo. Ao intervalo vencia, justamente.


Nos 10 minutos iniciais da segunda parte o jogo manteve as mesmas características, não obstante as alterações que Deschamps introduziu na equipa. Sem lateais esquerdos, com Hernandez e Digne lesionados, tinha optado, sem sucesso, pela moda dos três centrais, e na segunda parte achou por bem regressar à defesa a quatro, recuando Rabiot e fazendo entrar Coman. 


A melhor oportunidade de golo tinha já pertencido aos helvéticos quando, precisamente aos 10 minutos, Pavard faz penalti. Rodriguez marcou fraco e permitiu a defesa a Lloris, e o que poderia ter sido o 2-0 da machadada final nos campeões do mundo, acabou por virar o jogo. Empolgou os franceses e destruiu a moral e a organização dos suíços. Nos 3 minutos seguintes a França criou a sua melhor oportunidade de golo (Mbappé) e marcoiu dois golos por Benzema.


Estava dada a volta ao marcador, a equipa suíça estava destroçada, e pensava-se que só poderia acontecer o que era inevitável. Mais ainda quando precisamente à entrada do último quarto de hora Pogba fez um dos melhores golos deste Europeu.


Nada disso. A Suíça renasceu das cinzas e, a menos de 10 minutos dos 90, Seferovic voltou a marcar mais um belo golo, de cabeça. Para aos 90, Gavranovic empatar o jogo.


Para que a emoção fosse ainda maior, na compensação Coman atirou à trave, o prolongamento não deu em nada e vieram os penaltis. Ninguém falhou até ao último penalti. O décimo, que Mbappé - veja-se bem - não concretizou, permitindo a defesa de Sommer.


O futebol é isto. Não é aquilo

Charlatanices

Euro2020. Fernando Santos divulga convocados na quinta-feira


Levou cigarros para um mês. Depois do enxovalho dos alemães, em Munique, apressou-se a dizer que iríamos ganhar na final com a Alemanha. Disse e redisse que era muito difícil a qualquer selecção ganhar a Portugal; em quatro jogos disputados, perdeu dois - metade, nem mais, nem menos. Que era muito difícil marcar golos à selecção portuguesa; em quatro jogos sofreu 7 - quase dois de média por jogo. Só um adversário, apenas a Hungria, não conseguiu marcar; 75% dos adversários marcaram golos. 


 “Agora é olhar para a frente e ganhar o Mundial” - proclamou ontem Fernando Santos na conferência de imprensa, depois da vitória moral que inventou.


É demasiada charlatanice. Fernando Santos, um homem antes respeitado, está transformado num charlatão. E ninguém está a dar por isso!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O governo acaba agora de ser concluído, com a tomada de posse dos 35 secretários de Estado. Ainda está novo: novinho em folha!


E no entanto já começaram a ser visíveis os ataques. Ainda não estava completo e já se começava a perceber por onde iria começar a ser alvejado: pelo ministro da economia, parece-me evidente!


Porque é muito académico. Porque não tem experiência política. Porque é um super ministério e ele muito longe de ser um super ministro. Porque não vivia no país. Porque veio dizer que era Álvaro, que isso do professor doutor não faz parte do nome. Enfim, porque já toda a gente já começa a achar que ele não percebe nada disto…


Mas agora vêm os secretários de estado e eis que surge um Secretário de Estado do Empreendedorismo. E já se começam a ouvir as vozes da maledicência: o que é que faz um secretário de estado do empreededorismo? O tipo é mesmo um desajeitado teórico e um académico desligado da realidade…  


Bom, a secretaria de estado chama-se do empreendedorismo, competitividade e inovação. Coisas em que, não é demais referi-lo, somos altamente deficitários. E sem o que, como já toda a gente percebeu, não vale a pena pensar em crescimento. Nem em aumento das exportações!


O Secretário de Estado – o jovem Carlos Nuno Oliveira – pode ser pouco conhecido. Mas não pode ser acusado de não ter dado provas de empreededorismo, de competitividade e de capacidade de inovação: começou por criar a MobiComp (aplicações para smartphones e telemóveis) que depois vendeu à Microsoft por uma pipa de massa, tendo-se mantido ligado ao maior investimento deste gigante da nova economia no nosso país até há bem pouco tempo. Paralelamente foi-se mantendo ligado a projectos inovadores na área das tecnologias de informação e é director do Centro de Excelência em Desmaterialização de Transacções (CEDT), uma espécie de rede de competências de empresas e de entidades científicas e tecnológicas empenhada em desenvolver a desmaterialização de transacções.


Pois é! Se escolheram o Ministro da Economia para elo mais fraco e começar por aí a minar o governo tudo bem. É a vida, como diria o outro! Mas haja juízo: pegar por esta secretaria de estado é gato escondido com rabo de fora. E bem à vista!


Se não há dúvida que esta secretaria de estado se justifica – o empreendedorismo poderá não se ensinar e ser atributo exclusivo da sociedade civil, mas o governo pode e deve criar as melhores condições para o seu desenvolvimento – também poucas haverá que a pasta está bem entregue…


Outra coisa bem diferente é um ministro da economia a dizer aos investidores onde devem investir. Ou mesmo a ideia de um Portugal à imagem da Florida…

domingo, 27 de junho de 2021

Euro 2020 - O adeus português, no jogo de xadrez


 


Acabou-se o Euro 2020 para a selecção de Portugal!

 

Em Sevilha, onde era para nos deslocarmos em massa, a despedida portuguesa fez-se de dois jogos O primeiro, nos primeiros 45 minutos, foi de xadrez, tão ao gosto de Fernando Santos. O jogo de xadrez foi muito pouco interessante, aquilo foi pouco mais que trocar peões por peões, sem atar nem desatar. Até que quando aquilo já estava a ser demasiado maçador, a ver-se que não se saía dali, em cima do final veio o cheque-mate da Bélgica.

 

Terminado o jogo de xadrez teria que se passar ao jogo da bola. Perdido o jogo de xadrez, tinha de se ganhar o jogo da bola. Não seria fácil, até porque dizem os donos do jogo que a selecção belga é a melhor, a número um. 

 

Foi mais interessante o joga da bola que o de xadrez. Mas não foi bem jogado. A selecção nacional está muito virada para o xadrez, e tem alguma dificuldade em jogar à bola, mesmo tendo muita a gente a saber fazê-lo bem. Mas é assim, e já há muito que sabemos que é assim.

 

Claro que se poderá dizer que não merecíamos ter perdido o jogo de xadrez, e que merecíamos  ter ganho o da bola. Naquilo que são as estatísticas demos uma cabazada à Bélgica. Em remates, em remates enquadrados, em cantos… Até em posse de bola. A Bélgica fez apenas um remate à baliza - por acaso, ou talvez não, quando a selecção portuguesa jogava xadrez -, e Portugal até teve um remate ao poste. O que, como se sabe, é muito bom para a catarse nacional - foi azar. Ou, na melhor das hipóteses, foi uma questão de eficácia.

 

Talvez não tenha sido assim. Talvez tenha sido o castigo merecido para quem prefere o jogo de xadrez ao da bola. Quem aposta tudo no xadrez depois não consegue jogar à bola. Os jogadores desgastam-se a jogar xadrez, e quando querem jogar à bola já não conseguem.

 

Não. Portugal não jogou bem. Dos 24 remates (Fernando Santos já diz que foram 29) apenas três são dignos desse nome. E jogadas bem construídas, realmente passíveis de acabar em golo … não me lembro. Mas deve ser da minha memória.

 

Nem vale a pena falar das opções de Fernando Santos. Nem perguntar se João Cancelo não poderia até estar já hoje em condições de jogar, sem termos de levar com o Dalot. Vale a pena é perguntar por quanto mais tempo se vai continuar a desperdiçar o talento da actual geração de jogadores portugueses.

 

"Isto é futebol", diz Fernando Santos. Não é, não!

Euro 2020 - A última gota de uma laranja sem pingo de sumo

Tomas Holes comemora seu gol pela República Checa na Eurocopa


Neste terceiro jogo dos oitavos de final, não foi só Budapeste que se despediu do Euro. Quando se diz que a Europa se deveria despedir da Hungria, é a Holanda - pronto, os Países Baixos - que se junta a Budapeste - que foi a casa da selecção portuguesa, onde até nem se deu nada mal - na despedida do Euro. Prematuramente, aos olhos de muita gente.


Não me incluo no grupo daqueles que ficaram surpreendidos com a eliminação dos neerlandeses - pois, já não são holandeses, e paísesbaixeses não dava muito jeito - pois, como tenho repetido desde o seu primeiro jogo, esta laranja nem é mecânica nem sumarenta.


Nunca se saberá até que ponto essa eliminação possa ter decorrido da expulsão de De Light, logo aos 10 minutos da segunda parte. O contra-factual não existe. Alguma influência terá tido, até porque Frank de Boer decidiu não recompor a defesa (a três, como está na moda), que ficou presa fácil para o ataque checo. O que se sabe é que, no que foi o jogo, a República Checa, que parece que não quer ficar atrás e também mudou o seu nome para Chéquia, ganhou. Sem espinhas!


Foi sem qualquer surpresa que, aos 68 minutos, Tomás Holes fez o primeiro golo, o primeiro golo da equipa que não foi marcado por Schick. Esperava.se, era apenas uma questão de tempo. E o segundo, 12 minutos depois, mais esperado ainda. Até porque não há vitórias da selecção checos sem golos de Patrik Schick.


Normal, portanto, este afastamento dos neerlandeses. Só não o era para as casas de apostas. Mas por alguma razão é esse o negócio deles.

sábado, 26 de junho de 2021

Euro 2020 - Aí estão os oitavos

Euro2020: Itália elimina Áustria e pode encontrar Portugal nos 'quartos'


Em Amesterdão o País de Gales até entrou bem no jogo, e foi melhor nos primeiros 15 a 20 minutos do jogo, com Bale a assumir o protagonismo. Pertenceram-lhe então uma série de remates, mesmo que só um deles com alguma probabilidade de sucesso, bem executado, com a bola a sair ligeiramente ao lado, com Schemeichel batido. Foi á beira do quarto de hora de jogo, e ficou como a única oportunidade galesa em todo o encontro.

 

Depois a Dinamarca mostrou como estabilizou com a goleada sobre a Rússia, que lhe garantiu o apuramento, e começou a espalhar pelo relvado o seu futebol, que tinha começado a mostrar no primeiro jogo, há precisamente duas semanas, o do grave acidente cardíaco de Eriksen, que retomou, ainda que sob alguma instabilidade emocional, com a Bélgica, e que estabilizou finalmente no jogo com a Rússia. 

 

Marcou aos 27 minutos, por Dolberg, que substituía Poulsen, o avançado de serviço, lesionado, e a partir desse golo não mais permitiu qualquer veleidade aos galeses, engolidos pelo futebol dos vikings. Logo no arranque da segunda parte o mesmo Dolberg voltou a marcar, e percebeu-se que a questão já apenas seria por quantos a Dinamarca iria ganhar. 

 

Maehle, o lateral esquerdo que acabou de chegar da selecção sub-21e que, como já aqui referi, é um dos melhores, se não mesmo o melhor deste Europeu, e  Braithwaite deram a resposta, já nos minutos finais ~ 4-0!

 

Em Wembley Itália e Áustria proporcionaram um grande jogo de futebol, emotivo e muito disputado. 

 

Ao intervalo parecia que seria uma cópia decalcada do outro. Surpreendentemente os austríacos entraram a todo o vapor, primeiro a pegar e pois a mandar no jogo. Aos 10 minutos de jogo tinham 73% de posse de bola. Impensável!

 

Quando se esgotava o primeiro quarto de hora já os italianos tinham as peças da sua máquina de futebol afinadas, e no fim da primeira parte já dominava em todas as variáveis do jogo, e acumulava oportunidades de golo que faziam do 0-0 um resultado lisonjeiro para os austríacos. Só que a segunda parte não confirmou o ascendente italiano, pelo contrário. A Áustria voltou a entrar por cima do jogo, que não mais evoluiria como na primeira parte. 

 

Os austríacos foram até melhores. Valeu então o VAR aos italianos, a quem a arbitragem dentro campo também ia favorecendo. Em pequenas coisas, é certo, mas daquelas que se sabe que pesam no jogo. Dois foras de jogo de VAR anularam um golo e evitaram um penalti aos austríacos, numa segunda parte em que os italianos não lograram uma única oportunidade clara para marcar. 

 

E a surpresa aí estava. Bastou à Áustria levar o jogo para prolongamento para consumar a primeira grande surpresa dos oitavos de final.

 

Se os recursos que a Itália dispunha em campo já eram muito superiores aos da Áustria, a diferença no banco era ainda maior. E então sim, no prolongamento essa diferença notou-se. Não terá sido simples coincidência que os golos italianos, Chiesa (grande execução) no primeiro, e Pessina, no segundo, tenham vindo do banco. Mas a selecção austríaca não queria sair da competição sem mostrar a fibra de que é feita. E nem com dois golos sofridos no prolongamento perdeu a alma. E quando se começava a pensar que a questão já não era quem conseguiria ganhar à Itália, mas quem lhe conseguiria marcar um golo, a Áustria deu a resposta Donaruma adiou o golo, com uma defesa espantosa. Mas não conseguiu impedi-lo, a seis minutos do fim do prolongamento, e levando o sofrimentos italiano até ao último segundo.

 

Parabéns ao Sr Foda, e aos seus jogadores - grande lição deixou a Áustria ao regressar a casa. A Itália não deixou de ser a equipa do melhor futebol que se tem visto, apenas permitiu que mais uma vez se confirmasse que o futebol não é ciência. E espera agora por nós. Esperamos nós, que não gostamos de deixar que a esperança morra!

 

 

 

 

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O prometido é devido e, antes que se faça tarde, vamos ao sistema. Como já avisei não é nada fácil de definir: desde logo porque muitos dizem que o sistema não existe! Para se perceber bem a dificuldade basta dizer que enquanto uns negam a sua existência – e ninguém consegue definir uma coisa que nem sequer existe – outros, os que garantem que existe, que está vivo e bem vivo e que até sabem bem o que é, quando chega a hora de o identificar – que é como quem diz, de o definir – nada! É o sistema, é o sistema mas não saem dali!


Quem foi mais longe nesta difícil tarefa de definir o sistema foi Dias da Cunha, o antepenúltimo presidente do Sporting (antepenúltimo porque o actual é o actual, não é o último presidente do Sporting). Mesmo com esse mérito não conseguiu mais que apresentar duas caras: as caras do sistema, disse com todas as letras, “são Pinto da Costa e Valentim Loureiro”!


Repare-se: ele não disse que o sistema era Pinto da Costa e Valentim Loureiro, disse que estes eram os rostos do sistema. Podem portanto tirar o cavalinho da chuva: também não irei ser eu a defini-lo!


Se ninguém o conseguiu por que haveria de ser eu a fazê-lo? A modéstia é como o cuidado e os caldos de galinha: não faz mal a ninguém!


Mas há aqueles dois nomes que Dias da Cunha mandou para esta fogueira. O que é lhes haveremos de fazer?


Claro que deles ouvimos muitas estórias. Umas contadas por aqui e por ali, outras escutadas mesmo. E que acabamos todos por ouvir: uns - onde me incluo – por não resistirem à chamada espreitadela pelo buraco da fechadura (expressão que usam, para tentar tapar o sol com a peneira, aqueles que gostariam que fossemos todos iguaizinhos aos que absolvem tudo e todos e aos que programam uns fins-de-semana fora, ali mesmo na Galiza,), outros porque foram as escutas que se lhes atravessaram à frente. Dizem eles, que não são nem coscuvilheiros nem de intrigas!


Fosse o Octávio Machado e diria: “vocês sabem do que é que (de quem) estou a falar”!


Da mesma forma que não há fumo sem fogo também, havendo as caras do sistema, não pode deixar de haver sistema. Seja lá o que for: seja impor os titulares dos órgãos que decidem, nomeiam ou influenciam, seja ocupar lugares e funções estratégicos, seja mandar na arbitragem ou tão simplesmente tratar bem os homens do apito, com fruta ou com viagens. Ou dispor de um exército de jogadores e distribuí-los pelas mais variadas equipas que disputam a mesma competição. Ou assinalar treinadores e colocá-los em equipas amigas, como naquelas mesas de restaurante com a sinalética de reservada!


Seja ou não uma combinação de habilidades e espertices com algumas (muitas) pulhices, umas toleradas pelo chico-espertismo nacional e outras protegidas pela negligência e pela corrupção.


Se o sistema é isto as caras do sistema já não são o que eram: Valentim Loureiro praticamente desapareceu de cena, obrigado a abandonar a Liga, e com o Boavista, já depois da sucessão dinástica que havia promovido, atirado para fora dos escalões do futebol profissional. Já Pinto da Costa, ressuscitado por uma Justiça suspeita que não aceitou provas que toda a gente percebeu que provavam tudo, regressa ao seu melhor nível, como se viu no arranque da época passada e como se confirmou esta semana, a provar que, para além de cara do sistema é o melhor gestor do futebol em Portugal.


Não sei se foi ou não apanhado de surpresa ou enganado pelo André Villas-Boas. O que sei é que convenceu toda a gente do contrário, que a troca do Porto pelo Chelsea pelo treinador tão portista quanto ele era coisa que previa já há um mês. E que por isso já tinha tudo tratado com o anterior adjunto, a ponto de o confirmar como treinador principal logo que do banco lhe confirmaram os 15 milhões da cláusula de rescisão. Pode não ter sido assim, mas convenceu toda a gente que foi assim!


E transformou uma ameaça – todos os comentadores eram unânimes em declarar um Pinto da Costa de calças na mão – numa oportunidade. Na oportunidade de reafirmar a sua capacidade de gestão e de marcar a diferença para a concorrência. Surpreendeu ao apostar no treinador adjunto, coisa que em Portugal e em particular nos grandes não é comum e, com isso, resolveu de imediato o problema como se há muito estivesse previsto.


Não faço ideia se o ex-adjunto Vítor Pereira é treinador para o Porto: não o conheço de lado nenhum! Mas Pinto da Costa conhece-o: já o conhecia de uma anterior passagem pelos juniores, ao ponto de o fazer incluir na equipa de Villas-Boas, e acompanhou o seu trabalho no último ano. Reconhece-lhe certamente competência, que é o essencial. O resto é com ele! E com o sistema


Para já, sem o treinador maravilha e sem os dois ou três jogadores que o homem que abandonou a cadeira de sonho vai levar, fica com os cofres a abarrotar!

Depois chamem-lhe perseguição ...

Ferro Rodrigues espera "que os portugueses se desloquem de forma massiva" a  Sevilha para apoiar a Seleção Nacional


Calado, Ferro Rodrigues é um poeta. Ao abrir a boca só dá ... asneira. Na véspera de novas medidas de marcha atrás, daquelas que o Presidente Marcelo dissera que "jamais", o que é que lhe havia de sair pela boca fora?


Um apelo à invasão de Sevilha. Não, não é uma declaração de guerra, é apenas uma declaração parva, como tantas outras que destrambelhadamente recita. Depois chamem-lhe perseguição...


 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Euro 2020 - Lá vamos para os oitavos


Uf… Acabou!

 

E acabou até da forma mais expectável, com a selecção nacional a apurar-se no terceiro lugar do grupo F, que por pouco não foi H, de Hungria.

 

Durante o jogo, ao longo dos 90 minutos, a selecção passou por todos os lugares da tabela. Foi primeiro, foi segundo, foi terceiro e foi último. O "uf" veio daí. A emoção veio deste carrossel, muito mais do que do jogo. Que nem foi um grande jogo. 

 

Os primeiros 10 minutos do jogo foram uma espécie de pacto de não agressão. Como os últimos 10, com o cessar fogo a ser violado por Koman, a acabar numa coisa muito mais parecida com um penalti (Bruno Fernandes) do que aquele assinalado a Nelson Semedo, sobre Mbappé. 

 

Só a partir desses 10 minutos iniciais o jogo começou verdadeiramente. Com a selecção portuguesa, sem William e sem Bruno Fernandes, e com João Moutinho e Renato Sanches, naquele registo habitual de Fernando Santos, a tentar segurar a bola e fugir com o rabo à seringa da França. Depois veio o penalti, naquela saída a soco de Lloris à cabeça de Danilo, e o golo de Cristiano Ronaldo.

 

Portugal estava outra vez a ganhar, como tinha acontecido na Alemanha, estava na frente do grupo, e estava confortável naquele registo de Fernando Santos. O golo caiu mal aos franceses, andaram por ali meio perdidos e começaram a acumular amarelos. Outra ambição e outro futebol teriam tirado proveito da situação, mas não é esse o padrão, e o jogo português não encostou os franceses às cordas.

 

Já em período de descontos para o intervalo veio o tal penalti que não foi assim tão penalti, e a França empatou. E logo no início da segunda parte Benzema, que marcara o penalti, bisou. Parecia um daqueles foras de jogo, de tal forma que o "liner" até o assinalou. O VAR não, e lá estávamos outra vez a perder. E, com o que se passava em Munique, em último lugar. 

 

Ao fechar o primeiro quarto de hora lá caiu do céu mais um penalti, para novo golo de Cristiano Ronaldo a fechar o resultado. E a deixar a selecção portuguesa no segundo lugar, de que sairia já perto do fim, quando em Munique copiaram o resultado de Budapeste.

 

O empate e o apuramento para os oitavos de final são boas notícias. Mas tudo o resto são más. A equipa continua a jogar muito pouco, e não criou - nem digo uma oportunidade de golo, nem sequer pregou um susto aos franceses - uma jogada com princípio, meio e fim. E, nos minutos finais, quando empatar ou perder ia dar no mesmo, mas ganhar era em tudo diferente, foi confrangedor ver a equipa a abdicar dessa ambição.

 

Cristiano Ronaldo chegou àquilo que procurava, os 109 golos do tal iraniano. E aos 5 na competição. Mas fez o pior dos três jogos. E em boa verdade só a exibição de Renato Sanches sobressaiu. Rui Patrício salvou o empate com duas grandes defesas. Aquela ao remate de Pogba entra para o topo do álbum das melhores defesas deste Europeu. Os centrais estiveram bem, mesmo que cada um com uma falha comprometedora. Primeiro de Pepe, logo aos 13 minutos de jogo, com Rui Patrício a defender o remate de Mbappé. Depois, Rúben Dias, no golo da reviravolta de Benzema. 

 

Mas o problema não são as individualidades. Bem Fernando Santos pode mudar, como fez hoje, com uma larga série de estreias. Estreias a titular de João Moutinho e de Renato Sanches. E absolutas de Palhinha, Rúben Neves, Sérgio Oliveira e Dallot. O problema é mesmo a falta de qualidade de jogo.

 

E pronto, agora vem a Bélgica. E poderia ser a Suíça, que certamente deixaria melhores perspectivas. Mas essa fica para a França!

Euro 2020 - Grupo E, de Espanha

A Espanha venceu esta quarta-feira


E do grupo E veio a última ajuda à selecção portuguesa, pouco antes de iniciar o seu jogo com a França ... A Espanha, que tanta dificuldade tinha em marcar golos, despachou a Eslováquia com a maior goleada da competição, e a Suécia, ganhando, impediu a Polónia de Paulo Sousa de sair do último lugar.

 

Não há fome que não dê em fartura, mas as coisas chegaram a estar feias para a Espanha, em Sevilha. Falhou mais um penalti, com Morata a permitir a defesa de Dubravka, e não havia meios de a bola entrar. Passava já da meia-hora de jogo quando tudo se precipitou: um defesa eslovaco, ao sair com a bola entregou-a a Sarabia que rematou de imediato. A bola foi à trave e subiu na vertical. Ao descer, sem que nada o fizesse prever, Dubravka, o melhor guarda-redes do Europeu até àquele momento, deu-lhe uma palmada para dentro da baliza.

 

Foi assim que se desbloqueou um jogo que estava a ser complicado, onde só a vitória permitiria o apuramento da Espanha, em último lugar no grupo. No período de compensação da primeira parte, na última jogada, chegaria o segundo, pela cabeça do defesa Lapporte, o primeiro do francês cooptado pela selecção espanhola. E finalmente a Espanha descansou.

 

E acalmou definitivamente dez minutos depois do reinício, com o terceiro, de Sarabia. Depois tudo passou a correr bem - Ferran Torres entrou (para o lugar de Morata, que saiu entre assobios e aplausos) e na primeira vez que tocou na bola - e que toque! - fez o quarto. Nem precisou de marcar o quinto, Kucka, o defesa eslovaco, encarregou-se disso, passando a Eslováquia a dividir com Portugal o recorde deste europeu de dois auto-golos num jogo. 

 

Ah! E Busquets foi o homem do jogo. E nós, que nunca percebemos bem o que se passou com Cancelo, perguntamos: qual foi a pressa? Qual foi a pressa de o mandar para casa?

 

Em S. Petersburgo a Suécia ganhou à Polónia, por 3-2. Os suecos, que tinham apenas um golo marcado, mas eram a única selecção do grupo com o apuramento garantido, marcou logo no arranque da partida, acrescentando tranquilidade à tranquilidade que já tinha.  À beira do fim do primeiro quarto de hora da segunda parte chegou ao 2--0. No minuto seguinte Lewandowsky reduziu, e a seis dos 90 empatou, virando o jogo do avesso.

 

Quando parecia que poderia ainda ganhar o jogo, e apurar-se, ultrapassando a própria Suécia, aconteceu precisamente o contrário. E, surpreendentemente, os suecos ganharam o grupo!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Pedro Passos Coelho vai partir para Bruxelas - no que constituirá o seu primeiro acto externo como primeiro-ministro - para a reunião do conselho europeu: a tal que era importante não falhar e à qual, porventura, deveremos grande parte da celeridade e da eficácia em todo o processo de constituição do governo!


A comitiva governamental liderada por Passos Coelho não se irá deslocar no Falcon. Nem sequer voará em executiva: vai mesmo voar em económica!


Isto não é demagogia. Nem populismo. Isto também é mudança!


São também estas coisas que ajudam a melhorar a qualidade do ar que se vai respirando em Portugal nas últimas duas semanas!


 

terça-feira, 22 de junho de 2021

Euro 2020 - Grupo D, de Croácia

Modric celebra o golo do apuramento da Croácia. Foto: Petr Josek/Pool/EPA


Hoje foi a vez de se fechar o Grupo D desta fase do Europeu, onde a Inglaterra e a República Checa, que se defrontavam em Wembley, com o apuramento garantido, já que se sabia que os 4 pontos, que ambas tinham conquistado nos dois jogos, garantiam sempre o apuramento.

 

No outro jogo, em Glasgow, defrontavam-se a Escócia e a Croácia, ambas com apenas um ponto. Um empate entre ambas seria, ao terceiro dia desta última jornada, o jackpot para a selecção portuguesa. À luz do que tinha sido o desempenho das duas selecções no seu último jogo nem era uma hipótese assim tão disparatada.

 

Mas cada jogo é um jogo e as  suas circunstâncias, e o futebol, como se sabe, não é uma ciência. E muito menos exacta.

 

O futebol da Escócia, ainda o mais britânico do futebol britânico, revelou-se presa fácil do jogo rendilhado, de posse e circulação da Croácia, que parecia andar um pouco afastado das últimas partidas, mas que hoje regressou em Hampden Park. Com os jogadores escoceses a estenderem-se pelo campo todo o que não faltou foi espaço para os croatas espalharem o seu futebol pelo relvado, sempre sob a batuta do maestro Modric, também ele hoje regressado àquilo que dele sempre se espera.

 

Com posse de bola acima dos 70%, e controlo quase absoluto do jogo, a Croácia marcou cedo, quando acabara de se esgotar o primeiro quarto de hora. E assim continuou, dando a sensação que tinha o jogo controlado, e que em qualquer altura poderia voltar a marcar. Porém a Escócia não precisa de muito para se galvanizar, e bastaram duas ou três cavalgadas até à área do adversário para se catapultar para o seu jogo físico, de bola para a frente para ser disputada à primeira, à segunda, à terceira. Tantas vezes quantas necessárias.

 

E quando assim é, o golo pode sempre surgir. E surgiu, já próximo do intervalo, dando nova vida àquela hipótese do empate, que continha o voucher de férias para as duas equipas.

 

Mas a segunda parte arrancou como arrancara a primeira. Tão igual que no mesmo minuto 17 a Croácia voltou a marcar, e a desfazer de vez - nunca sobraram dúvidas - o empate. E que golo!

 

A circulação de bola, por dentro, para fora, para a frente e para trás dos croatas baralhou de tal forma os escoceses que nem repararam que Modric aparecia sozinho ali à entrada da área. Depois foi uma trivela a preceito e um golo monumental. Mas um, neste Europeu de grandes golos.

 

Os escoceses reagiram, não se pode dizer o contrário, mas já não foi com a mesma impetuosidade da primeira parte. Modrid continuava a manter a orquestra afinada, e acima de tudo tranquila, e volvido outro quarto de hora, tira a bola do quarto de círculo para que a cabeça de Perisic a pusesse dentro da baliza, com os jogadores escoceses perdidos na marcação homem a homem que já não se usa. 

 

Adeus empate, adeus terceiro lugar. Com aquela golo a Croácia garantia o segundo lugar no grupo, afinal aquele que lhe pertencia. Por história, mas agora também por direito. Um direito conquistado com uma exibição à medida dos seus pergaminhos. É caso para ar as boas vindas à Croácia, e de saudar o seu regresso ao palco principal do futebol europeu.

 

Bem menos interessante foi o jogo de Wembley, fosse porque ambas as selecções estavam já apuradas, fosse por falta de engenho e arte. Que, particularmente no que respeita à equipa inglesa, é deveras estranho.

 

Do jogo salvou-se o primeiro quarto de hora. Pouco mais. A Inglaterra entrou forte, Sterling atirou ao poste logo aos 3 minutos, e marcou aos 12. E pronto. Ou perto.

 

A segunda parte foi mesmo enfadonha, uma real chatice, com os ingleses a limitarem-se a especular com o jogo, e os checos a participar na farsa. Patrick Shck, que tanto tinha impressionado, e que continua no grupo dos melhores marcadores, praticamente não se viu.

 

Já perto do final do jogo, a dois ou três minutos do fim, a bola ainda entrou na baliza dos checos. O golo foi anulado pelo fiscal de linha do Artur da pastelaria, que apitou o seu segundo jogo, por fora de jogo. Mas devia mesmo ser anulado por não preencher os mínimos para um golo a sério.

 

Deixa-nos uma sensação estranha, esta selecção inglesa. Faz 7 pontos com apenas dois golos marcados, ambos por Sterling. É hoje um candidato que não convence, e não é por falta de jogadores. Está repleta de jovens, de muito bons jogadores, de muitos jogadores bons, e de bons jogadores, às vezes. Os mesmo muito bons são também muito jovens. A excepção é Harry Cane que sendo muito bom, não o está a ser. E como hoje não jogou Phil Foden as sensações estranhas são mais fortes.

 

Pelo que fizeram neste jogo os checos deixariam a ideia que não terão muito mais caminho para caminhar. Mas nunca se sabe, até porque caíram para o terceiro lugar que, como nos lembramos, às vezes é melhor que o primeiro e o segundo.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Sobre a eleição de Assunção Esteves para presidente da Assembleia da República já tudo foi dito. Tudo ficou de resto dito com o clima de aclamação que rodeou a sua eleição: da direita à esquerda do hemiciclo não houve quem lhe regateasse elogios. Na opinião publicada fez o pleno!


A mim resta-me apenas dizer que foi o corolário da vitória de Pedro Passos Coelho no dossiê Fernando Nobre que, depois de haver cometido suicídio, foi ontem a enterrar. Um enterro político em plena Assembleia da República!


Foi, para Passos Coelho, a cereja no topo do bolo: depois de tratar de Fernando Nobre teve ainda tempo de tratar dos baronatos insulares. Sem sequer ninguém espernear!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Manifestei-me aqui, já há muito tempo, contra a forma pouco democrática como em Portugal se chega a primeiro-ministro. Dito assim - sem mais nem menos – isto parece uma inaceitável blasfémia.


Mas não é! Tudo tem a ver com a forma como são eleitos os líderes partidários – do PS e PSD, os únicos que continuam a candidatar primeiros-ministros, por muito que isso custe a Paulo Portas! Como então dizia são umas escassas dezenas de pessoas que decidem quem é o líder de cada um desses partidos e, automaticamente, candidatos a primeiro-ministro. Depois, em eleições legislativas, a democracia limita-se a sufragar o nome escolhido por pouco mais de uma dúzia de pessoas.


É assim para todos os órgãos de poder democraticamente eleitos: deputados da nação ou autarcas.


Sempre me pareceu que isto representava um condicionalismo muito sério das democracias europeias e em particular da nossa. É que, afinal, e salvaguardando todas as distâncias e todas as restantes variáveis da democracia, pouca diferença há entre ir buscar um professor a Coimbra para tomar conta do país ou esperar que outro vá fazer a rodagem a um carro a um sítio qualquer onde se decida quem vai tomar conta desse mesmo país. A diferença é que um ficou por 40 anos, sem nunca mais perguntar nada a ninguém e, o outro, ficando por pouco menos tempo, sempre foi perguntando se o queríamos manter por lá. Bom, mas agora já não é assim: já não basta ir dar um passeio de fim-de-semana! Agora há, no PS e no PSD, eleições directas!


É aqui que quero chegar: não há diferença nenhuma! As eleições directas nestes partidos são decididas pelas mesmas escassas dezenas ou centenas de pessoas. Se na eleição em congresso ainda havia lugar a alguma espontaneidade, a alguma mudança de sentido de voto provocada por algum discurso mais arrabatado, em eleições directas ganha-as quem dominar a máquina do partido. Qualquer que ele seja!


Foi assim com Passos Coelho, há pouco mais de um ano. E é assim, agora no PS, com António José Seguro!


Por isso sou levado a aplaudir, de pé e com ambas as mãos, a proposta de Francisco Assis de introduzir no PS a escolha dos candidatos a primeiro-ministro, deputados e autarcas através de eleições primárias abertas a todos os cidadãos que o pretendam, independentemente das suas opções partidárias. Seria como as primárias que conhecemos do sistema americano: muito mais democrático, sem dúvida!


Claro que tenho dúvidas – mas apenas isso – sobre a eficácia do sistema no nosso país. Num país com os níveis de abstenção e de participação cívica que conhecemos dificilmente teríamos um nível de participação que nos afastasse todas as dúvidas de legitimação democrática. Quem sabe mesmo se não promoveria outros tipos de caciquismo… Mas lá que é um risco que vale a pena correr, disso não tenho dúvidas!


Tenho algumas é que se fosse Assis, e não Seguro, a dominar o aparelho, ele defenderia esta proposta: nada me legitima esta dúvida, mas…

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Euro 2020 - Dia de Dinamarca


Foi dia de fechar os grupos B e C, e o que se pode desde já dizer é que foi um bom dia para a selecção portuguesa. Melhor seria difícil e Fernando Santos deve estar a festejar - agora pode jogar com a França como gosta, para perder por poucos. Para já, o que fica do dia, é que pode até perder por dois golos de diferença. Pode até repetir a tristeza de Munique, que mesmo assim não vem já para casa. 


No grupo B, a Holanda, outra das selecções que disputou todos os jogos em casa, em Amsterdão ganhou por 3-0 à Macedónia, com um golo de Depay, e dois de Wiynaldum. Num jogo sem grande história, para além da réplica digna dos macedónios, que até marcaram primeiro (golo incrivelmente anulado por um desses foras de jogo), e remataram ao poste, tudo ainda com o marcador por abrir. E da despedida de Panev, o melhor jogador da sua História, aos 37 anos. 


Perderam os três jogos, mas marcaram dois golos. Mais não se poderia pedir a uma selecção que teve o mérito do seu surpreendente apuramento para esta fase final. E que até já ganhou à Alemanha, há poucos meses, num jogo de apurammento para o Mundial do próximo ano.  


A Holanda fez o pleno de vitórias, como a Itália já tinha feito. Mas sem o mesmo brilho, nem perto disso.


No outro jogo, em Bucareste, a Ucrânia perdeu com a Áustria, e confirmou-se como a grande decepção deste grupo. Os austríacos foram sempre melhores, estiveram melhor em todos os capítulos do jogo, e mereceram o apuramento, com 6 pontos. Multiplicaram por quatro os remates do adversário. Remataram 4 vezes mais, e acertaram 4 vezes mais remates à baliza. O que nem foi muito difícil porque os ucranianos apenas por uma vez acertaram na direcção da baliza. Têm melhores jogadores, mas não conseguiram ser melhor equipa. E em querer e competitividade a diferença foi ainda maior do que o 1-0 do marcador.


A Ucrânia, que nos empurrou no apuramento para este grupo da morte, ironia do destino, com 3 pontos e um golo de diferença negativa, deu-nos agora um bom empurrão para dele nos ajudar a sair vivos. 


Do grupo C veio a outra ajuda. E veio de onde menos se esperava, da Dinamarca. Outra das selecções com o benefício de jogar em casa, com a Rússia a ficar com a fava, e a ter de abandonar S. Petersburgo para jogar em Copenhague, no Parken Arena.


A Dinamarca, no que tinha podido mostrar, já tinha mostrado que era uma boa equipa. Partia para este último jogo no último lugar, só com derrotas. A primeira, nas condições que se conhecem; e a segunda ... com a Bélgica. Com a Bélgica, mas também com alguns "mas"... Não merecia ter perdido!


Foi emocionante e espectacular, o jogo da Dinamarca. Começou com um grande golo - mais um neste torneio - de Daamsgard, um fantástico miúdo de 20 anos, já o jogo levava 38 minutos de supremacia e muito maior competência dinamarquesa. O jogo estava em aberto, e como a Finlândia ia segurando o empate com a Bélgica, em S. Petersburgo, a melhor perspectiva para os dinamarqueses era o terceiro lugar. 


Mais um golo vinha a calhar, mas não estava fácil até a Rússia resolver cometer suicídio, quando se atingia o primeiro quarto de hora da segunda parte. A habitual desconcentração russa, e um atraso para o guarda-redes a colocar a bola nos pés de Poulsen, para fazer o segundo golo do jogo, e o seu segundo na prova.


A partir daí a Dinamarca tinha um cadáver por adversário. Ainda caiu do céu um penalti para os russos, que aproveitaram para reduzir. Podia parecer exagerada a notícia da morte da equipa, e que afinal em vez da morgue tinha ido parar aos cuidados intensivos. Terá sido isso que o seleccionador russo pensou, ao mexer na equipa. Mas o que fez foi devolver a equipa à morgue. E definitivamente os dinamarqueses passaram a bater em mortos.


Christensen fez o terceiro, e Joakin Mahele, provavelmente - recuperando o slogan de um anúncio da mais famosa cerveja dinamarquesa - o mais entusiasmante lateral esquerdo deste Euro até agora (e bem sei que o que Gosens nos fez, e o que tem feito Spinazzola) - coroou a sua excelente exibição com o quarto. Quatro golos, e todos espectaculares!


E a Dinamarca, com toda a justiça, saltava para o segundo lugar da classificação, e garantia o apuramento, sem mais esperas, numa enorme prenda ao infeliz, mas hoje certamente feliz, Eriksen.


Porque, em S. Petersburgo, a Finlândia cedia final, e naturalmente, perante a Bélgica, que dominava por completo o jogo, mas não marcava. Porque mais um daqueles foras de jogo anulou o golo de Lukaku, e porque Hradecky defendia tudo. Até ver uma bola rematada ao ferros da sua baliza bater-lhe e entrar, num lance em que o remate merecia golo, e o guarda-redes finlandês não merecia sofrê-lo assim. 


Nem a perder a Finlândia conseguiu alterar a sua postura em campo, e Lukaku viria a marcar o seu terceiro golo na competição, fechando um resultado muito curto para espelhar a superioridade belga.


A Bélgica fez também o pleno e, como aqui tinha previsto,  todos os adversários ficaram com os mesmo 3 pontos. A Rússia, com uma diferença negativa de 5 golos, em último, e a Finlândia, com a diferença negativa de 2 golos, em terceiro. E com a Ucrânia, nesta altura, os dois piores terceiros.


Mas pode ainda não ficar assim. E pode até acontecer que se safem ambas. Esperemos é que não seja à custa da nossa selecção. Isso seria incrível!


 


 


 


 

Não parece, mas é Verão!


Aí está o maior dia do ano, trazido pelo solstício, que chegou bem cedo, às 3 horas e 32 minutos. E que traz o Verão, envergonhado e deprimido, como nós, que cá vamos andando a ver as coisas a andar para trás..


Que a variante delta, ou indiana, ou lá o que é, passe a imitar os dias, a partir de agora sempre a diminuírem. E que a vacinação continue a acompanhar a marcha dos dias, sem ligar ao ponto de inversão há pouco marcado pelo sol. 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A bomba armadilhada – a imagem que há dias aqui trouxe para caracterizar o sarilho em que Pedro Passos Coelho se meteu com aquele convite a Fernando Nobre – acabou por explodir em ambiente de explosão controlada às mãos da nova Assembleia da República, para o efeito transformada numa espécie de brigada de minas e armadilhas.


Chamo-lhe explosão porque a bomba existia, estava lá, e explodiu mesmo. Não há dúvida que o que parece é – esta é uma velha verdade da política – e a humilhação – as coisas têm de ser chamadas pelos nomes – a que Fernando Nobre se sujeitou, com duas tentativas derrotadas de eleição, é uma derrota política de Pedro Passos Coelho, mais do que do PSD que, como ficou demonstrado, não estava absoluta e totalmente entusiasmado com o compromisso público do seu líder. Mas esta era uma explosão anunciada que, como todas as explosões anunciadas, permite limitar os danos: a derrota, afinal, existe pelas simples razão de parecer que existe!


Na realidade não há sequer derrota nenhuma de Pedros Passos Coelho. Neste episódio, apesar da opinião contrária de todos os analistas oficiais e comentadores do regime, Passos ganhou em toda a linha. Porque, conforme já aqui perspectivava na semana passada, teve oportunidade de aparecer aos olhos dos portugueses como um homem sério e cumpridor. Em quem se pode confiar porque não trai os seus compromissos. Mas também mostrou que não é oportunista, nem daqueles que não olham a meios para atingir fins.


E isto sempre foi muito valorizado no processo de avaliação política. Mas hoje é-o mais ainda: nesta altura, em que acabamos de chegar de um trajecto de seis anos com um primeiro-ministro que lidou muito mal com todos estes fundamentais traços de carácter, e em que a credibilidade e a confiança nos políticos bateu no fundo, os portugueses valorizam-no ainda mais.


Tudo isto credibiliza ainda aquela ideia de mudança que Pedro Passos Coelho quer associar a si próprio. A mudança em que os portugueses têm de acreditar para poderem estar com o governo nestes, pelo menos, dois anos dramáticos que aí vêm. Mas também a mudança na forma de fazer política, de comunicar e de se relacionar com os eleitores.


Ora o que é isto se não uma vitória?


Mas poderemos ainda, embora já claramente no domínio especulativo, admitir que Passos Coelho estava, neste processo, refém da sua palavra e claramente consciente do sarilho em que, fosse por que razão fosse, bem cedo se meteu. Que tinha já nítida a noção que o exercício da presidência do parlamento poderia tornar Fernando Nobre em alguém, a prazo, muito incómodo para si, para o partido e até mesmo para o país.


Fernando Nobre, ao recusar abrir uma escapatória para Passos e insistir em levar a sua odisseia até ao fim, cometeu suicídio político. Ora, à luz daquela tese, isto é não ou não é uma vitória?


Quando as coisas correm bem correm mesmo bem. E esta foi uma explosão que correu bem!


O estado de graça – que os analistas encartados dizem que este governo não irá ter – faz-se também deste tipo de coisas…

domingo, 20 de junho de 2021

Euro 2020 - Grupo A, de Itália

Vídeo: O resumo do triunfo italiano sobre o País de Gales


 


Hoje fechou-se o grupo A. Com a Itália já com o apuramento garantido, só com vitórias, e a Turquia só com derrotas, Suíça e País de Gales disputavam o segundo lugar no grupo, que garantia também e desde logo o acesso aos oitavos de final da prova.

 

Curiosamente usufruíam ambas de vantagens do calendário. Os galeses porque, jogando com a Itália já apurada, defrontariam um adversário em poupança, que daria descanso às suas principais individualidades, e portanto teoricamente menos difícil. Os helvéticos porque encontrariam um adversário desmotivado, que falhara em toda a linha as expectativas que trouxera para esta competição, numa dinâmica de derrota que, especialmente em torneios deste género, muito curtos, é muito difícil de inverter.

 

Nestas circunstâncias a vantagem da Suíça pareceria mais interessante. Mas no fim foi a selecção do País de Gales quem saiu a ganhar. Não tanto que a sua vantagem tivesse sido mais evidente, mas pelas próprias circunstâncias do jogo.

 

Em Roma, fazendo o pleno dos jogos de apuramento em casa, a Itália, mesmo com uma equipa de segundas linhas, com oito alterações na equipa, manteve o seu futebol, do melhor e do mais excitante deste Europeu. Com os mais utilizados, ou com os outros, as mesmas dinâmicas e a mesma qualidade.

 

Porque o jogo de ontem da selecção portuguesa ainda é actualidade, abro um parênteses para lançar um pequeno desafio: quantos jogadores da selecção italiana, posição por posição - e tiremos os guarda-redes, cujo contributo para a qualidade do futebol é pouco relevante - , são claramente melhores que os portugueses?

 

Não é preciso ir consultar o "Tranfermarket", mas se o fizermos a resposta não será provavelmente muito diferente: um. Jorginho. A selecção de Fernando Santos não tem um centrocampista como ele. O que mais se aproxima das características do italo-brasileiro é Rúben Neves. Mas não calça. Nem a equipa está rotinada para o seu futebol.

 

É isso. O melhor futebol desta primeira fase do Europeu é apresentado por uma equipa que, individualmente, não tem mais que um jogador superior aos portugueses.

 

Fechado o parênteses, a Itália voltou a ganhar, num jogo bem disputado e interessante de seguir, e fechou o apuramento com o pleno de vitórias e sem sofrer golos. Com a mesma qualidade, e ainda com a oportunidade de mostrar serviço nas bolas paradas. Foi num dos chamados lances estudados que fez o golo (por Pessina, alguém já ouviu falar?), que foi único porque assim calhou. E assim calhou porque, noutra demonstração do trabalho de laboratório a bola esbarrou no poste. 

 

Os galeses sabiam que, se escapassem à chapa 3, ficariam em boas condições de segurar o segundo lugar, mas isso não os impediu de disputar o jogo no campo todo. Foram uma equipa completa (mais um exemplo: têm três jogadores de elevado nível - Ramsey, James e Bale - mas os outros são jogadores das divisões secundárias do futebol inglês), com identidade, e que nunca se deixou atropelar pelo futebol italiano. Nem mesmo jogando em inferioridade numérica desde os 10 minutos da segunda parte. 

 

Em Baku, num Estádio que destoa neste Euro, antigo e à antiga, que a Turquia feito sua casa, o jogo valeu pelos golos. Quatro, todos excelentes. Mas com dois verdadeiramente fantásticos -o segundo da Suíça, e primeiro de Shaqiri, e o único dos turcos na prova, de Kahveci.

 

A Turquia não conseguiu resistir à dinâmica de derrota, e falhou rotundamente em especial na transição defensiva. A Suíça, com Seferovic a fazer um bom jogo (marcou o primeiro golo -bem cedo, na primeira vez em que a equipa chegou à baliza turca, e esteve soberbo no passe para o segundo, o tal primeiro de Shaqiri),  aos 26 minutos já ganhava por 2-0. Mas foi o seu guarda-redes quem mais, e mais difícil, trabalho teve em toda a primeira parte, com três defesas que eram de golo. 

 

Na segunda parte foi o inverso, aí foi o guarda-redes turco a ficar com esse papel. E Sommer não teve praticamente nada para fazer. Porque nada tinha a fazer no extraordinário golo dos turcos. 

 

Shaqiri foi, com dois golos e uma exibição fantástica, o homem do jogo. Como é diferente ser a estrela da companhia!

 

Não foi este jogo que afastou a Suíça do segundo lugar. Foi o 0-3 da Itália que lhe deu os dois golos de diferença para os galeses que os empurrou para o terceiro lugar, e os deixa de credo na boca até quarta-feira. Os 4 pontos podem não ser suficientes para fugir aos dois terceiros que vão ficar de fora. Mesmo que Portugal até possa dar uma ajuda…

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Diz-se que o Chelsea de Abramovich convenceu o André Villas-Boas a seguir as pisadas de Mourinho. Parece que terá bastado oferecer-lhe um salário anual de 5 milhões de euros para ele se dispusesse a levar a cadeira de sonho do Dragão para Stamford Bridge. Sem dela se levantar...


Pinto da Costa é que garante que a cadeira vale 15 milhões: em euros, bem menos em libras!


O Porto de Pinto da Costa agora até já em cadeiras faz milhões.


Mas nem sempre tudo lhe corre bem: agora tem 15 milhões mas não tem treinador.


Desta vez errou quando não acreditou suficientemente em Domingos! Houve ali um tempito, quando o calendário vira e se começa a ser tempo de mexer nas pedras que vão fazer a nova época, em que as coisas não lhe estavam a correr muito bem. Pinto da Costa deixou-o então cair – o Braga até desinvestiu na sua equipa cedendo um conjunto de jogadores – e convenceu o seu amigo Salvador que o Leonardo Jardim é que era.


Recordo o que aqui escrevi em Fevereiro passado, a propósito da demissão de Leonardo Jardim do Beira-Mar:


No final da passada semana começaram a surgir notícias que davam conta do envolvimento do FC Porto. Que Pinto da Costa, bem à sua maneira, classificava de imbecilidades.


Dizia-se que, também bem à sua maneira, o teria contratado já para a eventualidade do André Vilas Boas sair. Para a hipótese de chegar uma proposta do estrangeiro que o levasse da sua tal cadeira de sonho. Com um plano B, bem à Pinto da Costa: se o rapaz não fosse levado a deixar a sua cadeira de sonho, o destino temporário do madeirense seria Braga.


Uma viagem de Aveiro ao Porto com escala em Braga!”


Ao abandonar Domingos Paciência enganou-se - ele também se engana, não as acerta todas – e mandou-o para os braços do Sporting. Dois meses depois, em Abril, como aqui também então dei nota, já o tinha percebido.


Agora Pinto da Costa vai ter que chatear o António Salvador, sem que se livre de lhe ter de entregar umas migalhitas do que vai receber do Chelsea. A contragosto, porque não era isso que estava no guião! No guião, o madeirense faria o tirocínio em Braga e chegaria ao Dragão já sem cueiros, porque a massa não é a mesma do Villas-Boas!


Aqui há uns cinco anos aconteceu qualquer coisa de semelhante com o Boavista e um tal de Jesualdo Ferreira, que este mesmo António Salvador tinha despachado de Braga. No meio de tudo isto quem tem mesmo azar é Domingos. Ai se ele pudesse voltar atrás…

sábado, 19 de junho de 2021

Euro 2020 - Atropelados pela Alemanha (outra vez)


Foi sob forte sufoco que a selecção nacional iniciou o seu segundo jogo neste Europeu, em Munique. De novo em casa do adversário a Alemanham que frequentemente nos atropela. 


Foram quinze minutos iniciais de grande sufoco, com a Alemanha a chegar ao golo logos aos cinco minutos, num movimento da direita para a esquerda, que repetiu durante todo o jogo. Todo, não. Até aos 61 minutos, quando Joachim Lowe tirou Gosens do campo. Valeu o VAR, a anular o golo por fora de jogo de Gnabry, que não interveio no golo, mas fez-se à jogada.


Esses 15 minutos acabaram com o golo português, na primeira vez em que os jogadores portugueses conseguiram chegar à baliza de Neuer. Canto a favor da Alemanha, ainda bem dentro do sufoco, corte de Cristiano Ronaldo na área, bola para Bernardo, que invade o meio campo alemão e faz um passe soberbo para Diogo Jota, na esquerda, que recebe a bola já dentro da área alemã, para a ceder a Cristiano, que lá tinha chegado, e fez o golo. Fez o percurso de uma área à outra, e teve ainda tempo de se colocar, primeiro, em fora de jogo, pormenor fundamental para baralhar as marcações dos alemães. Foi a única coisa de jeito que a selecção fez em toda a primeira parte, mesmo que nesse segundo quarto de hora a equipa nos tenha permitido sonhar.


Mas depois veio o atropelo, e em três ou quatro minutos a Alemanha virou o resultado. Ainda por cima com dois auto-golos, de Rúben Dias e Raphael Guerreiro. 


E o atropelamento durou enquanto a Alemanha quis. O que, com os jogadores de que a selecção dispõe,  é fatal para Fernando Santos. Continua a ter boa imprensa, continua com as costas bem guardadas, mas ... francamente.


De jogadores do que há de melhor, o seleccionador português consegue fazer uma equipa mais que banal, muito fraca. E apresentar uma qualidade de jogo das mais fracas do que se tem visto nesta competição. Porque não escolhe os melhores, nem os que estão em melhores condições. Mas também porque tem uma visão do futebol que já não se usa.


O meio campo, com Danilo e William sem ritmo, sem condição física, sem mais coisa nenhuma,  é - e foi - um autêntico passador. Bruno Fernandes está esgotado, não pode com uma gata pelo rabo. Bernardo pouco menos e, por força da estratégia (?) de Fernando Santos, é obrigado a gastar as poucas energias que tem em tarefas que apenas o desgastam ainda mais, sem dar nada ao jogo.


O atropleamento alemão tem a ver com a ausência do meio campo português, e consumou-se sempre com o mesmo camião, nas mesmas manobras e no mesmo sítio. Os laterais - Nelson Semedo e Raphael Guerreiro - tinham ordens para fechar no centro da defesa, Os alemães atacavam pela direita, e Nelson Semedo era obrigado a fechar no centro, deixando Gosens sozinho na esquerda do ataque, onde invariavelmente a bola ia parar para ele assistir ou finalizar, como aconteceu no quarto golo.


Foi assim durante 61 minutos, tantos quantos esteve em campo. E o atropelamento só acabou porque o seleccionador alemão o quis poupar para o que aí vem. Deu cinco golos - aos 4 minutos, o tal anulado, aos 35, aos 39, aos 50 e aos 60 - mais dois ou três que Rui Patrício safou, e três ou quatro finalizações que não acertaram na baliza. 


Fernando Santos, que teve a lata de dizer que tudo tinha sido visto, e tudo tinha sido estudado sobre a 'Mannschaft', não viu isto na preparação do jogo, nem o viu no seu decurso. Teve de ser o seu colega a alemão a dizer que já chegava, que não queria bater mais, para que a selecção portuguesa pudesse suavizar o resultado, com o golo de Diogo Jota, agora assistido por Cristiano Ronaldo. E enviar uma bola ao poste, num grande remate de Renato Sanches (que o seleccionador nacional continua a deixar fora da equipa principal, preferindo ter William Carvalho a passear no campo) que dá para os mais conformados evocarem em vão a palavra azar.


Estar grato a Fernando Santos pela conquista de há cinco anos, não pode impedir de o acusar de estar a comete um autêntico crime de lesa futebol, que é o que está a acontecer. Como já aconteceu em 2018, no Mundial da Rússia!


E pronto, lá estão as coisas complicadas, mais uma vez. Nesta altura, e porque surpreendentemente a Hungria empatou (1-1) com a França (que poderia ter goleado), a selecção nacional tem como melhor dos destinos o terceiro lugar no grupo. Que dará, ou não, hipótese de apuramento.


 Foi com um jogo do Grupo E, o último do dia, que se fechou a segunda ronda desta fase de grupos. Em Sevilha,  Espanha e Polónia, de Paulo Sousa, empataram a um golo,  A Espanha, mesmo sempre a jogar em casa, continua sem ganhar, e com grandes dificuldades para marcar. Hoje até um penalti falhou. Gerard Moreno rematou ao poste, e Morata, que tinha finalmente marcado, num golo invalidado pelo árbitro e depois revertido pelo VAR, falhou a recarga. Foi um bom jogo, intenso e muito disputado, com a Polónia a marcar pelo "melhor do mundo" e também com um remate ao poste, com a recarga de Lewandosvky a acertar no guarda-redes espanhol.


Amanhã inicia-se a última jornada, que acabará por arrumar as contas finais para os oitavos de final que aí vêm. Para alguns.


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Os comentadores oficiais do regime falam frequentemente de renovação política. Da necessidade de renovar a classe política, de refrescar o ambiente político, da abertura à sociedade civil e até da crise de vocações para a política que, por sua vez, faz pouco para cativar gente nova.


No entanto, sempre que alguém chega a vida política vindo directamente da chamada sociedade civil e respondendo afirmativamente ao apelo da cidadania, a coisa muda de figura. São normalmente mal recebidos, mesmo com alguma hostilidade. E quanto mais fugirem aos estereótipos instituídos mais hostilizados são.


Recordo-me da forma como, por exemplo, esta classe altamente influente, recebeu a candidatura de Fernando Nobre à presidência da República. É certo que, como eu próprio oportunamente aqui reconheci, a realidade viria mais tarde a dar-lhes alguma razão: a campanha de Fernando Nobre viria a confirmar a sua inaptidão política mas, mais importante que isso, viria a revelar grande falta de substância e a provocar o desapontamento de muitos cidadãos. Mas a verdade é que os comentadores oficiais chumbaram-no muito antes de prestar provas por fugir ao estereotipo, ou por preconceito!


Está a acontecer o mesmo com o novo governo: aí estão eles - que vivem paredes meias com a classe política que tem segurado o poder nas últimas décadas (mais parece, muitas vezes, viverem dela para ela) – a acusar a maioria dos novos ministros de falta de experiencia política. Não lhes importa muito se é gente que tem uma carreira e uma profissão, se é gente tecnicamente competente e profissionalmente capaz. Não lhes importa muito se é gente com condições para fazer a renovação de uma classe política desacreditada, uma lufada de ar fresco numa cena política bafienta. Não, o que para esta gente importa é a sua falta de experiência política!


Ainda bem que lhes falta experiência, porque dos que têm muita experiência estamos todos fartos. Menos os comentadores do regime, a maioria deles com muita experiência política! De mais!

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Euro 2020 - A rivalidade ainda é o que era


No dia em que se completou a primeira semana de competição aconteceu o primeiro jogo sem golos. Mas nem por isso menos interessante, pelo contrário. Não foi só o melhor jogo dos três do dia, foi mesmo dos mais intensos e espectaculares da prova até ao momento, ou não fosse um clássico - o mais antigo confronto entre selecções da História do futebol.


Disputou-se em Wembley, entre a Inglaterra, claro, sempre a jogar em casa e a Escócia, que também joga em casa, mas não o poderia jogar sempre. Neste testamento de Platini há vários grupos com duas com selecções a jogar em casa, pelo que só uma poderá fazê-lo sempre em casa. A Inglaterra é uma delas, e a mais descarada, porque poderá fazê-los todas em que participar. E os escoceses, derrotados no primeiro jogo, em casa, do tal golo de Patrick Shick, do meio campo, mostraram que a rivalidade ainda é o que era. Continua a ser o sal maior de um jogo de futebol.


E nem sequer se pode dizer que foi um jogo tipicamente britânico, do velho kik and rush, feito de querer e raça. Não, teve isso tudo, e até chuva, mas foi bem jogado. E a Escócia nunca foi inferior à Inglaterra, servida de jogadores incomparavelmente melhores, e foi até quem mais rematou. Não houve golos, e dificilmente poderia haver, até porque cada uma das equipas apenas por uma vez acertou um remate com a baliza. Mas até isso os escoceses fizeram melhor, só não deu golo porque Pickfor, o guarda-redes inglês, fez uma defesa enorme. Daquelas ditas impossíveis (na foto).


O outro jogo deste grupo D jogou-se, claro, em Hampden Park, em Glagow e, ao contrário, foi absolutamente desinteressante. A República Checa entrou com o conforto da vitória no primeiro jogo, e caberia à Croácia, por força da derrota no primeiro jogo, e da responsabilidade que tem como vice-campeã mundial, fazer pela vida.


Não fez muito por isso. Nem pela vida, nem pela responsabilidade histórica que já tem no futebol europeu. Depois da brilhante campanha do Mundial de 2018, na Rússia, o desempenho de Modric e companheiros tem sido sempre a descer. 


A selecção checa chegou ao golo aos 37 minutos da primeira parte, em que foi a menos má das duas equipas, pelo mesmo Patrick Shick, na conversão de um penalti, que é agora, com três golos, o melhor marcador do torneio. Depois da bola ao centro os croatas lograram a primeira oportunidade para marcar, desperdiçada com um remate disparatado de Rebic, o avançado do Milan, em evidente falta de classe. E mais não fez a Croácia em toda a primeira parte.


Logo no arranque da segunda parte os croatas empatarm. Não porque tivesse uma entrada de rompante e dominadora. Apenas porque aproveitou a cobrança rápida de uma falta, com os checos desprevenidos, para colocar a bola em Perisic que, ao contrário de Rebic, tem categoria suficiente para fazer o que fez - um bom golo!


Mesmo sem nunca atingir um nível exibicional sequer aceitável para o seu estatuto, e mesmo sem nunca se ter superiorizado ao adversário, a Croácia poderia até ter acabado por ganhar o jogo. Conseguiu, mesmo assim, criar mais duas ocasiões para marcar. Não marcou, e se estão a pensar que com a Escócia são favas contadas, a jogar assim, não serão.


E no meio disto tudo, se a Republica Checa não perder com a Inglaterra ganha o grupo e troca-lhe por completo as as voltas às contas que já se estão a fazer.


Depois de ter jogado em Sevilha, a Suécia disputou o hoje em S. Petersburgo o segundo jogo no grupo E, com a Eslováquia. Ganhou, com o resultado feito através de mais um golo de penalti, à entrada do último quarto de hora. A segunda parte dos suecos acaba por justificar a vitória, num jogo em que estiveram em campo os dois melhores guarda-redes da competição. Poderão não ser os dois melhores, mas o eslovaco Dúbravka e o sueco Olsen são, até agora, os que melhores desempenhos tiveram. Hoje voltaram a ser assombrosos.


Só mesmo de penalti poderiam ser batidos. Mas só houve um, e a fava calhou a Dúbravka. E, com quatro pontos, a Suécia está obviamente apurada para os oitavos de final.


 


 

Palavras à toa

Oh Marcelo, meu amor, és o maior”. Cinco anos depois, Marcelo voltou ao  Bairro do Cerco, no Porto - Atualidade - SAPO 24


 


Palavras:


- "Não há volta a trás no desconfinamento".


- "Ninguém pode garantir que não se volta atrás no desconfinamento".


- "Por definição, o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro"


Factos:


Face aos valores em crescendo da incidência pandémica na capital e nalguns concelhos limítrofes, e ouvindo a pressão de muitos especialistas para se decretarem de imediato medidas de retrocesso no desconfinamento, o Executivo impõe uma espécie de cerca sanitária a Lisboa aos fins de semana, que começa já hoje, às 15:30, e se prolonga até às 6:00 horas de segunda feira 


Conclusão:


Quando se fala à toa o problema não é ser desautorizado pelo primeiro-ministro, é sê-lo pelos factos.


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Mística – que aqui veio à baila no último número - é, talvez a par de sistema – que por aqui aparecerá numa das próximas edições - um dos conceitos do futebolês mais difícil de definir. Mas comecemos por tentar!


E comecemos por esclarecer que é uma palavra do género feminino: nada a ver, portanto, com místico. Não tem nada a ver com o sobrenatural, com qualquer aproximação a Deus. Embora tenha tudo a ver com aproximação, talvez o primeiro ponto de partida para perceber a mística. Também nada tem a ver com o sentido de fusão da alma com Deus, bem caro ao misticismo. Embora também tenha tudo a ver com fusão. Também e ainda nada tem a ver com a comunhão, esse ritual católico também envolto de misticismo. Embora também tenha tudo a ver com comunhão!


A mística é pois aproximação: aproximação a um ideal e a uma representação. E fusão: fusão de vontades e sentimentos. E comunhão de interesses, de objectivos, de sonhos e de ideais. É uma chama que alimenta paixões e se transforma numa força colectiva capaz de vencer dificuldades e barreiras. É um dínamo que carrega vontades e liberta sinergias capazes de fazer das fraquezas forças! A mística é a força que vem não se sabe bem de onde mas que enfrenta a adversidade com tal determinação que tudo supera. É uma cultura e uma crença, ou se calhar uma cultura de crença!


mística amamenta vitórias - e por isso é tão reclamada – mas também se alimenta delas. Sem vitórias morre!


Foi o que aconteceu no Benfica (salvou-se o nome, aproveitado para uma linda revista) - a casa onde nasceu e que fez sua durante décadas – e pluribuns unum – desapareceu! Não que tenha morrido, mas vegeta em estado de coma há longos anos! Alguns dizem que desde aquela fatídica e longínqua assembleia-geral que pôs fim ao exclusivo lusitano na equipa.


Todos percebemos hoje que aquela decisão de abrir a equipa a estrangeiros seria incontornável. Naquela altura ou alguns (poucos) anos depois, mas ainda bem antes da chamada lei Bosman dos anos noventa. Mas lembrarmo-nos hoje que o primeiro estrangeiro do Benfica, logo a seguir a essa assembleia-geral, foi um tal Jorge Gomes – um brasileiro que jogava no Boavista – ajuda-nos a perceber a realidade actual do Benfica, que apresenta, com cada vez mais frequência, equipas sem um único português. E, logicamente, sem um único representante na selecção nacional!


mística cultiva-se e passa de geração em geração, pela mão dos mais velhos e dos mais carismáticos, como o facho olímpico. No Benfica teima-se em não preservar gente para transportar a mística, para a levar, como o facho olímpico, até à mão seguinte como numa estafeta. Sem jogadores portugueses não há quem a transporte. Com as dezenas de jogadores estrangeiros que todos os anos chegam ao Benfica não há sequer quem a receba!


É neste quadro que assistimos a este degradante episódio do Nuno Gomes: o jogador que ainda segurava um facho - já com pouca chama, é certo – um dos poucos portugueses, com 12 anos de casa e o último jogador símbolo do Benfica. Que entende que tem condições para, aos 35 anos, jogar mais uma época, o que gostaria de fazer na equipa do clube da sua vida. E que - números são números – nas escassas oportunidades que Jorge Jesus lhe deu na época passada foi o mais produtivo jogador da equipa!


É grave que o treinador do Benfica não faça ideia do que é isso da mística e que, por essa ignorância, nem se farte de trazer dezenas de sul-americanos e espanhóis nem se incomode em expulsar Nuno Gomes do Benfica. Mais grave é que o deixem fazer isso, que alinhem nessa loucura de alimentar as filas de chegadas ao aeroporto (agora alguns até ficam detidos no SEF) e que, já que não o possam obrigar a incluir Nuno Gomes no plantel, não saibam tratar do assunto com a dignidade e o profissionalismo exigíveis. A gestão do Benfica não só não soube contrariar a insensata decisão do seu treinador como não soube geri-la. E, com isso, deu o último golpe na moribunda mística benfiquista. A mensagem que ficou para todos os jogadores foi clara: vejam o exemplo do Nuno, o capitão com 12 anos a viver, a sentir e a comungar e partilhar os sonhos e os ideais do Benfica, vejam o que lhe fizemos. É isso que vos está reservado!


Depois admiram-se de haver jogadores que preferem outro destino. E fecham os olhos e tapam os ouvidos quando jogadores que saíram desse outro e outrora destino falam da mística que por lá reina!


Mas isso da mística não interessa nada. O que importa é Artur Morais, Daniel Wass, Leo Kanu, Enzo Perez, Nemanja Matic, Bruno César, Nuno Coelho, Nolito, Rodrigo Mora, Tiago Terroso, André Almeida, Urretavizcaya, Miguel Rosa, Nelson Oliveira, David Simão, Rodrigo, Garay, Dedé, Ansaldi, Lorenzo Melgarejo (o tal que ficou retido no SEF, porque pensava que vinha de férias, e que diz que vem substituir Cardoso, que não sabe que vai embora), Danilo... Ufa!


É isto que, pelos vistos, faz a felicidade de Jesus. Espero que o fantasma de Nuno Gomes não o persiga toda a época… Se der para tanto!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...