
Foi dia de fechar os grupos B e C, e o que se pode desde já dizer é que foi um bom dia para a selecção portuguesa. Melhor seria difícil e Fernando Santos deve estar a festejar - agora pode jogar com a França como gosta, para perder por poucos. Para já, o que fica do dia, é que pode até perder por dois golos de diferença. Pode até repetir a tristeza de Munique, que mesmo assim não vem já para casa.
No grupo B, a Holanda, outra das selecções que disputou todos os jogos em casa, em Amsterdão ganhou por 3-0 à Macedónia, com um golo de Depay, e dois de Wiynaldum. Num jogo sem grande história, para além da réplica digna dos macedónios, que até marcaram primeiro (golo incrivelmente anulado por um desses foras de jogo), e remataram ao poste, tudo ainda com o marcador por abrir. E da despedida de Panev, o melhor jogador da sua História, aos 37 anos.
Perderam os três jogos, mas marcaram dois golos. Mais não se poderia pedir a uma selecção que teve o mérito do seu surpreendente apuramento para esta fase final. E que até já ganhou à Alemanha, há poucos meses, num jogo de apurammento para o Mundial do próximo ano.
A Holanda fez o pleno de vitórias, como a Itália já tinha feito. Mas sem o mesmo brilho, nem perto disso.
No outro jogo, em Bucareste, a Ucrânia perdeu com a Áustria, e confirmou-se como a grande decepção deste grupo. Os austríacos foram sempre melhores, estiveram melhor em todos os capítulos do jogo, e mereceram o apuramento, com 6 pontos. Multiplicaram por quatro os remates do adversário. Remataram 4 vezes mais, e acertaram 4 vezes mais remates à baliza. O que nem foi muito difícil porque os ucranianos apenas por uma vez acertaram na direcção da baliza. Têm melhores jogadores, mas não conseguiram ser melhor equipa. E em querer e competitividade a diferença foi ainda maior do que o 1-0 do marcador.
A Ucrânia, que nos empurrou no apuramento para este grupo da morte, ironia do destino, com 3 pontos e um golo de diferença negativa, deu-nos agora um bom empurrão para dele nos ajudar a sair vivos.
Do grupo C veio a outra ajuda. E veio de onde menos se esperava, da Dinamarca. Outra das selecções com o benefício de jogar em casa, com a Rússia a ficar com a fava, e a ter de abandonar S. Petersburgo para jogar em Copenhague, no Parken Arena.
A Dinamarca, no que tinha podido mostrar, já tinha mostrado que era uma boa equipa. Partia para este último jogo no último lugar, só com derrotas. A primeira, nas condições que se conhecem; e a segunda ... com a Bélgica. Com a Bélgica, mas também com alguns "mas"... Não merecia ter perdido!
Foi emocionante e espectacular, o jogo da Dinamarca. Começou com um grande golo - mais um neste torneio - de Daamsgard, um fantástico miúdo de 20 anos, já o jogo levava 38 minutos de supremacia e muito maior competência dinamarquesa. O jogo estava em aberto, e como a Finlândia ia segurando o empate com a Bélgica, em S. Petersburgo, a melhor perspectiva para os dinamarqueses era o terceiro lugar.
Mais um golo vinha a calhar, mas não estava fácil até a Rússia resolver cometer suicídio, quando se atingia o primeiro quarto de hora da segunda parte. A habitual desconcentração russa, e um atraso para o guarda-redes a colocar a bola nos pés de Poulsen, para fazer o segundo golo do jogo, e o seu segundo na prova.
A partir daí a Dinamarca tinha um cadáver por adversário. Ainda caiu do céu um penalti para os russos, que aproveitaram para reduzir. Podia parecer exagerada a notícia da morte da equipa, e que afinal em vez da morgue tinha ido parar aos cuidados intensivos. Terá sido isso que o seleccionador russo pensou, ao mexer na equipa. Mas o que fez foi devolver a equipa à morgue. E definitivamente os dinamarqueses passaram a bater em mortos.
Christensen fez o terceiro, e Joakin Mahele, provavelmente - recuperando o slogan de um anúncio da mais famosa cerveja dinamarquesa - o mais entusiasmante lateral esquerdo deste Euro até agora (e bem sei que o que Gosens nos fez, e o que tem feito Spinazzola) - coroou a sua excelente exibição com o quarto. Quatro golos, e todos espectaculares!
E a Dinamarca, com toda a justiça, saltava para o segundo lugar da classificação, e garantia o apuramento, sem mais esperas, numa enorme prenda ao infeliz, mas hoje certamente feliz, Eriksen.
Porque, em S. Petersburgo, a Finlândia cedia final, e naturalmente, perante a Bélgica, que dominava por completo o jogo, mas não marcava. Porque mais um daqueles foras de jogo anulou o golo de Lukaku, e porque Hradecky defendia tudo. Até ver uma bola rematada ao ferros da sua baliza bater-lhe e entrar, num lance em que o remate merecia golo, e o guarda-redes finlandês não merecia sofrê-lo assim.
Nem a perder a Finlândia conseguiu alterar a sua postura em campo, e Lukaku viria a marcar o seu terceiro golo na competição, fechando um resultado muito curto para espelhar a superioridade belga.
A Bélgica fez também o pleno e, como aqui tinha previsto, todos os adversários ficaram com os mesmo 3 pontos. A Rússia, com uma diferença negativa de 5 golos, em último, e a Finlândia, com a diferença negativa de 2 golos, em terceiro. E com a Ucrânia, nesta altura, os dois piores terceiros.
Mas pode ainda não ficar assim. E pode até acontecer que se safem ambas. Esperemos é que não seja à custa da nossa selecção. Isso seria incrível!