domingo, 30 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Saiu-se bem, o Benfica, desta visita a Braga, onde se começava a construir uma História preocupante, que se acentuara justamente nos seis anos da última dinastia.


O jogo foi interessante, e foi acima de tudo muito competitivo. Com muita intensidade, duro, mesmo. É certo que, ao contrário do que tem sido habitual nestes últimos anos que construiram um novo clássico, desta vez o Benfica teve a sorte que sempre lhe fugiu. Teve acima de tudo a sorte de resolver o jogo antes que o árbitro - o velho conhecido, Hugo Miguel, que já só não é o último moicano porque já  começam a surgir mais novos moicanos - o conseguisse fazer.


Depois, num jogo que teve momentos em que o Braga pressionou o Benfica como nunca tinha acontecido, há espaço para algumas notas. A primeira é que se confirma que o Rui Vitória gosta de jogar  apenas com um ponta de lança, numa linha de 3. Não se sabe é se é Jonas - entenda-se a qualidade extra do jogador, daqueles que têm de jogar sempre - ou alguém de fora que o impede de colcar a equipa a jogar no seu sistema. A segunda é que o miúdo, o Renato Sanches, já mexe com a equipa: ao vê-lo correr como corre, os outros começaram também a correr. Traz outra dinâmica à equipa, é impossível não o perceber. Quem mais foi contagiado - e é esta a terceira nota - foi Pizzi, que hoje até já pareceu que pode muito bem jogar no Benfica.


Mais uma vez não foi assinalado um penalti a favor do Benfica. Já se lhe perde a conta. Mas não admira, o Sporting tem o monopólio desse produto. Em casa ou fora, sempre que não haja outra forma...

Nacional 1 - Benfica 2

Nacional-Benfica-36


Na Choupana o Benfica enfrenta sempre dois adversários: a equipa do Nacional e o nevoeiro.


O horário do jogo, invariavelmente marcado para o final da tarde, agrava sempre o risco de nevoeiro. Com as consequentes interrupções, com o jogo em pára-arranca, com a suspensão, até chutar o resto do jogo para nova data. Invariavelmente para a mesma hora. Tem frequentemente sido assim. Ontem não foi. Ontem na Choupana o adversário foi apenas o Nacional, o nevoeiro não compareceu a jogo.


E, para adversidade, bastou. O Benfica não precisava de mais adversários, bastou-lhe o auto-carro que este Nacional de Tiago Margarido estacionou à frente da baliza, os truques do anti-jogo, e as picardias constantes para assegurar que os nervos estejam sempre à flor da pele.


Não é, como bem se sabe, um exclusivo deste Tiago Margarido. No campeonato português os "Tiagos Margaridos" são à dúzia! 


Perante este adversário, e esta adversidade, o Benfica apresentou-se dentro do registo habitual. No onze inicial, já a habituar-se à falta de Lukebakio, faltava Rios, que aproveitara para limpar amarelos antes do dérbi. No seu lugar, que não na sua posição no campo, mas precisamente na do extremo belga, surgiu Rodrigo Rego. Que na posição de Rios jogou Aursenes. 


Sem perder o tempo o Benfica atirou-se ao jogo. Atacou-o, de princípio a fim. Sem fazer uma exibição deslumbrante, que isso está completamente fora das capacidades actuais da equipa, mas de forma competente e empenhada. Atacou sem desfalecimentos, e rematou. Rematou muito. 31 vezes, o novo recorde do campeonato!


Não criou enormidades de oportunidades de golo, porque nunca foi fácil desmontar o auto-carro nacionalista, mas as suficientes para resolver o jogo ainda na primeira parte. Para a segunda parte aumentaram a intensidade do jogo, as picardias e o anti-jogo. E tudo isso aumentou ainda mais depois do golo do Nacional, quando se expirava o primeiro quarto de hora.


Nesse primeiro quarto de hora o protagonista foi Barreiro. Primeiro, dividindo o protagonismo com o árbitro Iancu Vasilica, que não assinalou o penálti - claríssimo - que sofreu, quando foi empurrado e impedido de disputar a bola no cruzamento do Rodrigo Rego. Curiosamente, o árbitro que neste lance, a dois metros e com a vista desimpedida esteve mal, esteve bem num outro lance, um pouco antes, ao não assinalar uma mão na bola de um defesa nacionalista dentro da sua área. É que a bola ressaltou-lhe da barriga para a mão, exactamente como acontecera no último jogo jogo da Luz, com o Casa Pia, que o lagarto Gustavo Correia transformou em penálti, encaminhando os dois pontos para destino incerto. Depois, ao falhar escandalosamente um golo de baliza aberta.


Se o resultado já vinha ferido de injustiça da primeira parte para, ao fim do primeiro quarto de hora da segunda, se tornar num crime lesa futebol, só faltava o golo do Nacional, e as suas circunstâncias. Numa saída de bola Otamendi, sem sequer estar sob pressão, entregou-a directamente a um adversário. Bastou ao Nacional o mérito de ter mais dois jogadores fora do auto-carro, e bem posicionados para dar forma de golo àquela asneira do capitão.


Com a vantagem de um golo caído do céu os jogadores do Nacional refinaram os processos. Tombados no chão a cada minuto e provocações a cada segundo. O resto ficava no auto-carro.


Mourinho mexeu na equipa. Fez apenas três substituições, mas resultaram todas. Prestiani e Schjelderup melhoraram significativamente o jogo nas alas, e foram os rostos da reviravolta. E Ivanovic também entrou bem, reforçando a presença na área e mexendo com as peças do auto-carro. As oportunidades para marcar sucediam-se, mas a bola não entrava. Ou passava uns centímetros ao lado, ou outros por cima, ou era o guarda-redes Kaique a esticar-se e a defender.


Prestiani quebrou o enguiço e fez o empate, num remate espectacular, pouco depois de ter passado por mais uma provocação, que lhe valeu um amarelo. Faltava um minuto para os 90, mas faltariam 10 para o fim do jogo. Não foi preciso tanto, bastaram mais cinco minutos. Desta vez foi Schjelderup a desmontar aquela barreira que parecia intransponível. Primeiro numa tabela espectacular com Otamendi. Depois, em menos espaço que o de uma cabine telefónica, a sentar dois adversários e a levar bola pela linha de fundo até a deixar em Pavlidis, ali a um metro da linha de golo, de frente para ela, no meio de mais três ou quatro defesas adversários.


Foi bonita a festa, pá ... Depois da tormenta vem a bonança. Esperemos que sim. Que não tenha sido apenas uma reviravolta no resultado, mas a reviravolta nos mal-fadados minutos de compensação.

sábado, 29 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O povo... Sempre o povo, em nome do povo e da sua vontade. Soberano, coitado... Não é só invocar o nome de Deus em vão que deve ser pecado. O invocar o nome do povo em vão também deveria ser pecado. Não diria mortal, daqueles que se resolvem numa confissão com meia dúzia de padres nossos, mas pecado político, cuja absolvição substituisse uns padres nossos e umas avé-Marias por uma penitência de prolongada abstinência de candidaturas eleitorais.


Foi talvez a pensar nisso que os mestres da demagogia política criaram a célebre retórica interrogativa: "Se isto não é o povo, onde é que está o povo"?. 


A questão desarma qualquer um, e encontra sempre um povo à mão para tudo o que der jeito. Lembrei-me disto tudo ao ouvir Paulo Portas dizer que só sabe que não foi pela vontade do povo que "Assunção Cristas, ontem, era ministra da Agricultura e hoje é deputada da oposição, eu ontem era vice-primeiro-ministro e hoje sou deputado da oposição". 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Hoje foi dia de o mundo dizer ao mundo que não há Plano B. Que não há Planeta B. Que só há este, e que temos de parar de o destruir...


Por todo o mundo. Mesmo em Paris, onde já não é proibido proibir, e a partir de amanhã se reúnem os que nele mandam para, sob as mais espectaculares medidas de segurança, fazerem o que sempre têm feito: declarações que nunca passam disso. Assobiar para o lado!

Presidenciais 2026 - Voto útil

Calendário dos debates das presidenciais de 2026: todos os confrontos ...


A tendência, em eleições disputadas a duas voltas, é que, na primeira, os eleitores votem afirmativamente, em conformidade com o seu posicionamento político. Com as suas convicções, com os seus sentimentos. Depois, na segunda volta, votam pela negativa. Votam contra o que o seu posicionamento político rejeita. Para impedir a vitória de quem mais se opõe às suas convicções.


O voto útil é coisa de eleições a uma só volta. Substitui-se o "voto de coração" pelo voto na opção mais bem colocada nas sondagens - ou noutras percepções - para derrotar a que mais se opõe às suas convicções. 


Em eleições a duas voltas não há voto útil. Na segunda volta ninguém está a substituir o voto, está a votar no que há disponível.


Não há qualquer dúvida que, com mais de meia dúzia de candidatos, as presidenciais de 18 de Janeiro vão ter uma segunda volta. Mas também não há dúvida nenhuma que a questão do voto útil se coloca, já na primeira volta, a grandes fatias do eleitorado. À direita, mas ainda com mais premência à esquerda.


Por várias razões, mas esta é decisiva: a taxa de rejeição de André Ventura.


As sondagens, todas as conhecidas até ao momento, dão André Ventura por garantido na segunda volta. A maioria dá-lhe até a vitória na primeira volta. Ao mesmo tempo, as mesmas todas, mostram que Ventura esgota aí o seu potencial eleitoral, que não acrescenta um voto na segunda volta. E que,  na segunda volta, perde contra quem quer que seja o adversário.


Ou seja, quem passar à segunda volta com Ventura será virtualmente o Presidente da República. Por isso esta é uma primeira volta atípica. E, ao contrário do que seria normal, vai ser marcada pelo fenómeno do voto útil como nenhuma outra eleição em Portugal.


Grande parte destas candidaturas todas já percebeu isto. Não dizem - nem fazem - nada, mas já perceberam!


 

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Será certamente insólito. É estranho, e estranha-se. Não sei se chegará a entranhar-se... Se funcionar, se resultar acabará, como tudo o que resulta, por entranhar-se...  


Saturado, e farto de sucessivas ditaduras das maiorias absolutas, da tal estabilidade política que não me parece que nos tenha levado a lado nenhum, acho interessante esta coisa nova, insólita até, de um governo a discutir todas as semanas no Parlamento as leis que tem para aprovar. À sexta-feira, no dia a seguir às convencionais reuniões de conselho de ministros, todas as semanas, o governo vai discutir e negociar com os seus aliados da esquerda aquilo de que se faz a governação.


Toda a gente irá dizer que não resulta. Sei que é romantismo - não tenho dúvida nenhuma -, mas gostaria que resultasse. E que depois de se estranhar se entranhasse. É que a democracia é isto. Não é a ditadura da maioria!

Campeões do mundo

A festa do golo de Anísio Cabral (Portugal) na final do Mundial sub-17 - Foto: FPF


E pronto. Os miúdos - da selecção nacional sub 17 - são campeões do Mundo de futebol!


Acabaram de ganhar (1-0 , golo de Anísio Cabral, o ponta de lança do Benfica), no Catar, à Áustria (perdeu apenas o jogo da final, tinha ganhado todos os jogos da competição) e sagraram-se campeões do mundo, naquele que é apenas o terceiro campeonato do mundo da categoria.


Não foi fácil, mas também não se pode dizer que tenha sido uma grande surpresa. Esta é, afinal, a mesma equipa que, em Junho, há menos de 6 meses, se sagrou campeã da Europa, na Albânia, derrotando então a França.


Parabéns miúdos. E muita sorte para o futuro. Que, como se sabe, bem precisam para seguir em frente.

Sócrates e as notícias

"Tenho orgulho em enfrentar a batalha sozinho e os abusos do Estado ...


Sócrates voltou ontem à televisão. Foi numa entrevista à CNN, ao que pude perceber por ter um novo advogado. 


Se Sócrates é sempre notícia, um novo advogado de Sócrates ... é notícia. Que o novo advogado tenha pedido mais um adiamento, mais cinco meses e meio para estudar o processo, já não é sequer notícia. Tudo vale a Sócrates para chutar para o pinhal ... lá para o fundo da prescrição. Até mudar de advogado. Nem Sócrates quer que seja notícia...


Por isso, na notícia que Sócrates sempre é, Sócrates escolheu a comissão (de combate à fraude no SNS) do juiz Carlos Alexandre para notícia do dia, enquanto anunciava o seu apoio a Gouveia e Melo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Como diz a canção, hoje é o primeiro dia do resto da vida ... deste que é o XXI primeiro governo constitucional. Um governo que o Presidente não queria por nada, tudo fazendo para começar a desgastar ainda antes de empossar.


Cada um dos inúmeros episódios destes últimos 50 dias, naquilo que aqui fomos chamando de processo de encanar a perna à rã, não teve outro objectivo que desgastar e desacreditar a solução de governo que resultou das eleições de 4 de Outubro. As ameaças que ontem, no acto de posse do governo, Cavaco deixou no ar não são outra coisa.


Nas poucas semanas que lhe restam em Belém, Cavaco vai continuar a fazer a mesma coisa. Não vai demitir o governo, mesmo tendo esse poder. Mas vai, tanto quanto puder, fazer-lhe a vida negra!


Valha-nos que, mesmo com os poderes intactos - e legitimados pelo voto directo e universal, como fez questão de acentuar - pode pouco. Porque, mesmo que formalmente a mantenha, há muito que perdeu de facto essa legitimição. E hoje não é mesmo mais que o último reduto da direita mais ressabiada e míope.


Já bastam as dificuldades de toda a ordem que este governo vai ter pela frente. Já bastam os equilíbrios de sustentação que tem que gerir, os alçapões da governação destes últimos quatro anos e meio - e até a minagem deste últimos meses - e as enormes dificuldades estruturais que o país tem para vencer. Para ter vida difícil o governo não precisa nada das rasteiras do presidente.


Pelo contrário, ao dedicar-se a fazer a vida negra ao governo em vez de tranquilamente fazer as malas e a limpar as prateleiras, Cavaco só reforçará e prolongará a vida ao governo que detesta!


 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Foi um Benfica muito igual ao que tem sido, aquele que hoje empatou em Astana, no longínquo e asiático Cazaquistão. Sem chama e sem soluções, como tem sido hábito.


De tal forma que o adversário, que entrara encolhido e a deixar a impressão de ser ainda inferior ao que havia mostrado em Lisboa, depressa percebeu que, do temível Benfica, só lá estavam as camisolas. O medo com que entraram só durou um quarto de hora, o tempo suficiente para este Benfica mostrasse que não estava ali para fazer mal a ninguém.


A partir daí, perdido o medo, os jogadores do Astana passaram a correr mais - muito mais - que os do Benfica ( só o miúdo, o Renato Sanches, é que corria, mais ninguém) e, nada a que não estejamos já habituados, a chegarem sempre primeiro às bolas e a ganharem todos os ressaltos. Bastaram-lhe dois ou trê minutos para chegarem pela primeira vez com perigo à baliza de Júlio César. Na segunda, logo a seguir, fizeram o primeiro golo.


E assim continuaram: sempre mais rápidos, sempre a chegarem primeiro. O segundo golo, dez minutos depois, não foi surpresa nenhuma. Não foi surpresa mas foi irregular, num fora de jogo que a péssima arbitragem da equipa francesa, que tinha deixado por assinalar um penalti sobre o Lizandro Lopez, deixou passar em claro. 


E com apenas meia hora de jogo, e com apenas 10 minutos de alguma iniciativa do adversário, o Benfica perdia por dois com a equipa mais fraca do grupo. Que não ganhara a ninguém, e que provavelmente não irá ganhar a ninguém. Quando se temia o pior, o Benfia reagiu e partiu para 10 minutos de bom nível, criando três excelentes oportunidades de golo. À terceira marcou, e reduziu a desvantagem. Faltavam 5 minutos para o fim da primeira parte, e os jogadores deixavam a sensação que queriam empatar ainda antes do intervalo. 


Mas não. E na segunda parte nunca mais repetiu aqueles 10 minutos. E quando o empate chegou, no bis de Jimenez, a 20 minutos do fim, o jogo acabou. Ambas as equipas tinham o que afinal queriam do jogo: o Astana, já sem nada a ganhar, só queria concluir a campanha sem perder em casa; o Benfica, confiando que o empate chegaria - como chegou - para chegar aos desejados oitavos, satisfazia-se com o facto de os adversários também não terem feito melhor.


Fica o apuramento, importantíssimo. Mas fica mais uma exibição lastimável. Colectiva e individualmente muito frouxa, onde apenas o Renato - o miúdo esteve mesmo fantástico - e o Jimenez, com dois golos e muito trabalho, estiveram em bom plano. Mau sinal é que já nem Gonçalo Guedes e Samaris, que têm sido dos melhores, escapem à mediocridade geral.

Ajax 0 - Benfica 2

Champions 2025/26: Ajax-Benfica


Esta tarde/noite, em Amesterdão, alguma destas duas velhas figuras de proa da História do futebol europeu iria decidir que não era a pior desta Champions. Parece irónico, mas não é!


O Benfica entrou bem no jogo, decidido a mostrar ao mundo do futebol que a tabela classificativa é mentirosa, que não é, nem quer ser, a pior equipa da Champions. Tão bem que o golo de Dahl, logo aos cinco minutos, não surpreendeu ninguém. Aos cinco minutos, um golo surgir como natural, é sintomático!


Depois, no resto da primeira parte, ao Benfica faltou sempre qualquer coisa. Começou a faltar qualquer coisa para marcar o segundo golo. E passou a faltar qualquer coisa para deixar o Ajax KO. Ficou a sensação que foi meia hora em que faltou sempre qualquer coisa: a combinação certa, a decisão perfeita, o toque final. Não foi sempre a mesma coisa, foi sempre mais outra coisa. Faltou sempre qualquer coisa para que o Benfica materializasse a superioridade que se sentia e, assim, confirmar-se como muito melhor que o Ajax, e credor de lugares mais altos na tabela classificativa.


Depois dessa meia hora - desperdiçada essa meia hora para o Benfica se confirmar muito melhor que o Ajax - passou a faltar outra coisa. Essa já bem concreta e definida: passou a faltar ganhar os duelos, que antes ganhara com grande facilidade. 


E foi por passar a ser o Ajax a ganhar os duelos, e a chegar primeiro à bola, que o Benfica deixou ser a equipa impositiva, que foi para, primeiro, permitir que o jogo partisse e, depois, passar a jogar na expectativa, recuada, à espera. À espera do adversário, e à espera do erro.


O intervalo não funciona aqui como marco. Parece até que não existiu. A segunda parte prosseguiu naturalmente, como se nem interrupção tivesse havido. Esta transição do jogo surgiu em sequência natural.


Mesmo recuado, e na expectativa, o Benfica foi melhor que o Ajax. Talvez não tão melhor quanto o golo de Barreiro, a cinco minutos do fim, faça o resultado sugerir. Mas, ainda assim, melhor para justificar passar-lhe a lanterna vermelha. 


Para que o futebol do Benfica levante voo é preciso que lhe deixem de faltar as muitas "qualquer coisa". Enquanto continuarem a faltar, se é que alguma vez deixarão de faltar, que a equipa seja compacta, e que os jogadores sejam solidários e concentrados, como hoje foram. 


Não são apenas estas - e a primeira vitória - as boas notícias que hoje chegaram de Amesterdão: o regresso de Manu, mesmo que por escassos 5 minutos, é outra. 


 


 


 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


 


Aí está o XXI governo. Novinho, pronto a entrar em funções logo que Cavaco entenda que ... pronto; acabou-se!


Não fossem Augusto Santos Silva e Capoulas Santos e diríamos que sim. Que era um governo capaz de não defraudar as expectativas. Assim, é mais difícil... São nomes que, por tão perto do pior que o PS lembra, deixam desde logo o PS muito longe do melhor a que está agora obrigado.


Relembrando o diácono Remédios: "não havia necessidade"..

Jimmy Cliff (1944-2025)

DancehallMag - Reggae & Dancehall News Magazine


Jimmy Cliff, o nome que James Chambers escolheu para levar o reggae e a cultura jamaicana pelo mundo fora. Tarefa que dividiu com Bob Marley, a quem sobreviveu por muitos (não sei se bons) anos, com enorme sucesso.

domingo, 23 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Cavaco deixou finalmente a rã descansada e indigitou António Costa que, sem resposta do tempo ao tempo que o tempo tem, se entretivera a fazer um governo. É por isso que já há ministros, e que está agora praticamente garantido que, dois meses depois das eleições, o país terá um governo.


No tempo que Cavaco quis. Porque a data das eleições foi a que Cavaco quis que fosse. E porque, depois, mesmo com todos os cenários bem definidos na cabeça, e mesmo com um recatado 5 de Outubro para reflectir sobre o que tinha claro, em vez de agir o presidente preferiu fazer de conta que agia, consumindo 50 dias na árdua e espinhosa missão de encanar a perna à rã.


Coisa que, como se sabe, permitiu ao governo relâmpago de Passos e Portas acabar algumas coisas que tinha deixado começadas como, por exemplo, assinar o acordo de privatização da TAP. Para, como só alguns sabiam e é agora público, dar aos bancos a garantia do Estado pelo pagamento da dívida da companhia que vendeu. Por 10 milhões de euros!


Exactamente assim: foi preciso que o governo de Passos e Portas se aguentasse o tempo necessário para consumar a venda da TAP, por 10 milhões de euros, a um grupo fantoche (fantoche porque tudo é ao contrário do que parece, a começar numa minoria de capital que detém 95% do poder), assumindo a responsabilidade por 770 milhões de euros de dívida!


É também por isso que já ninguém estranha que, no dia em que é notícia a indigitação do novo primeiro-ministro, com o consequente adeus de Passos e Portas, seja também notícia que os novos donos da TAP vão vender os terrenos e a sede junto ao aeroporto…


Pois é... o tempo urge!  

sábado, 22 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


As questões que Cavaco decidiu colocar a António Costa sobre os "documentos" "distintos e assimétricos", não passam de mais um episódio da sua obstinação de encanar a perna à rã.


São o que são, e merecem a resposta que têm. Nenhuma!


E servem apenas para confirmar aquilo que há muito aqui tinha sido dito: não podendo fazer nada para impedir a posse deste governo, Cavaco aposta em, primeiro, fritá-lo em lume (pouco) brando. No seu desígnio de lhe minar o futuro...

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Nas suas homilias dominicais na SIC Marques Mendes, no rasto de Marcelo, fala de tudo. “Do leitão às tácticas do futebol” como, com graça, a Marisa Matias se referiu a Marcelo neste fim-de-semana.


Por isso Marques Mendes não podia, como todas as televisões tinham feito, passar ao lado da notícia da semana. A curiosidade era grande: não podia ignorar o tema, que não atingia apenas o seu amigo e sócio Miguel Macedo. Atingia-o também a ele!


Falou da pouca-vergonha da devolução da sobretaxa, mesmo que habilidosamente. Falou de Cavaco, que sem surpresa voltou a defender. Comparou o incomparável, com Jorge Sampaio. E anunciou para amanhã a decisão do presidente, a decisão inevitável, como se esforçou por explicar. Com muitos pedidos de esclarecimento e mais ainda de garantias.


Disse que Elisa Ferreira não aceitou ser ministra do novo governo e, antes de fechar em apoteose com o patético almoço de Sócrates, no alinhamento combinado, lá saiu o tema dos vistos gold e o nome de Miguel Macedo da boca do pivot.                         Verdadeiramente incomodado, mas deixando evidente que não podia deixar de ser assim, Marques Mendes entrou pelo assunto dentro como se de uma penitência se tratasse. Como se a acusação fosse já bem mais que isso, ao ponto de não ter mais por onde se esconder que na exaltação do Estado de Direito... Quando pensávamos que fosse por ali fora e chegar ao seu próprio nome, também envolvido, o pivot tratou do assunto. Parou-o logo ali, lançando-lhe a bóia – “ainda não foi julgado, até lá é inocente” – que Marques Mendes aproveitou para, sem mais – nem mais uma palavrinha – encerrar o assunto. E passar rapidamente para o tema Sócrates…


Marques Mendes – e a SIC – entenderam fazer aquele número. Mais valia que tivessem passado ao lado do assunto. Teria sido mais sério: assim estão apenas a tratar-nos por parvos!


 

Atlético 0 - Benfica 2

Atlético-Benfica: 4.ª eliminatória da Taça de Portugal 2025/26


Dérbi, dos antigos. Com o velhinho e histórico Atlético Club de Portugal, da castiça Alcântara. Não aconteceu no velhinho Estádio da Tapadinha - coisas da televisão, acredito - mas no bonito, e também histórico, e altaneiro Restelo.


Um jogo carregado de História, este da quarta eliminatória da Taça de Portugal. Não será ela - a História - a justificar as dificuldades que o Benfica encontrou. São outras coisas, também já quase históricas.


José Mourinho experimentou um novo modelo, e apresentou-se a jogo com três centrais. Uma novidade ... 


Para um jogo de Taça, a quatro dias do de Amesterdão, para a Champions, onde se vai bater com o parceiro de tabela no último lugar - Ajax e Benfica, dois históricos, são as únicas equipas sem qualquer ponto na classificação - com um adversário da Liga 3, esperavam-se mais caras novas na equipa. Mas não. Retirando o Samuel Soares, o guarda-redes da Taça, novidade mesmo apenas o Ricardo Rego, lançado para a ala esquerda. O outro Rego, o João, já é conhecido. Todos os outros oito jogadores fazem parte da elite do plantel.


À medida que o tempo decorria percebia-se que, se era por ali que pretendia resolver as coisas - as dificuldades estruturais  do jogo do Benfica -, bem podia limpar as mãos à parede. Se era pelo sistema, podia começar a pensar noutro. O que fosse.


Mourinho percebeu isso. E bem mais que isso. 


Mourinho é isto. Pode não conseguir pôr os jogadores a jogar à bola, e pode - até - ver ruir pela base todo o seu edifício: os jogadores que não acreditam nele pioram, ficam piores que quando chegaram; os que acreditam atingem níveis que nunca sonharam. Nessa medida, o que parece, é que não há quem acredite.  


Mas vê o mesmo jogo que o adepto vê. E não lhes atira areia para os olhos!


Os três centrais não conseguiam estabelecer ligação com Barrenechea, emperrando logo ali todo o jogo do Benfica. Dedic ainda conseguia, aqui e ali, arrancar boas combinações com Aursnes sobre a direita. Na ala contrária, Rodrigo Rêgo ainda conseguia aparecer, a espaços, a dar alguma profundidade ao futebol do Benfica. No meio ...era um verdadeiro desastre. E o Atlético recuperava bolas atrás de bolas, numas vezes só para a afastar, noutras, para se desdobrar o ataque, e lançar frequentemente o pânico na defesa do Benfica.


Foi assim durante toda a primeira parte.


Quando, ao intervalo, faz quatro substituições (saíram Tomás Araújo, João Rego, Barrenechea e Ivanovic, e entraram Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Richard Ríos e Schjelderup) não muda apenas o sistema. Muda jogadores, quatro Porque não podia mudar mais. 


Foi então um novo jogo. Não porque mudou o sistema, porque mudou a atitude dos jogadores. O Benfica não passou a jogar um grande futebol, não passou para uma exibição que enchesse os olhos e os corações dos benfiquistas. Nada disso, mas assumiu verdadeiramente o domínio e o controlo do jogo. E isso foi suficiente para ganhar, e merecer ganhar, o jogo.


Ainda assim com dois golos de bola parada. O primeiro, de canto, já bem perto da entrada para o último quarto de hora seria, finalmente, o primeiro de Richard Ríos no Benfica. O segundo, logo a seguir, de penálti, por Pavlidis. Quase defendido pelo guarda-redes do Atlético, Rodrigo Dias. Que no último minuto, já depois de o avançado grego ter sido substituído por Henrique Araújo, defenderia mesmo um penálti, esse cobrado por Otamendi.


Pois ... não está nada fácil. E hoje ficamos finalmente a saber que Mourinho não conta com este plantel. E que tem razões para isso, caibam as culpas a quem couberem! 


 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Rui Vitória até poderá ter algum jeito para treinar equipas do meio da tabela, para falar é que não tem nenhum. Não diz coisa com coisa, e quando quer falar grosso até a voz grossa - que jura ter - lhe sai fininha, efeminada. Em completo acto falhado, a espirrar na bola em vez de lhe acertar em cheio, ou como aquele aperto de mão convicto em que, depois, a mão se fica pelos dedos.


Com esta terceira derrota com o Sporting, quase à média de uma por mês, Rui Vitória esgotou os últimos cêntimos do plafond de crédito que os adeptos lhe tinham atribuído. Ao sentar-se na primeira fila das conferências de imprensa depois das derrotas, Luís Filipe Vieira não é um avalista pessoal a correr para lhe reforçar o crédito. Está apenas a a sacudir a água do seu capote directamente para a cara do treinador. Que é para isso que lá está! 


Não quer ser comido de cebolada, mas ainda sobram mil maneiras de o comer...


 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Já se sabe - foi a própria Maria Luís Albuquerque a afirmá-lo - que a devolução da sobretaxa de IRS, anunciada em jeito de leilão, a subir a cada dia que se aproximava o 4 de Outubro, até com um simulador logo disponível no site das Finanças, não deu em nada. Não há afinal nada para devolver! 


 há muito que se sabia disso, que tudo não passava de mais um embuste eleitoral. A esquerda fartou-se então de avisar que o governo estava a reter indevidamente os reembolsos de IVA às empresas para ficticiamente aumentar a receita da cobrança de impostos, e assim alimentar a burla eleitoral da devolução da sobretaxa, coisa sempre prontamente desmentida pela coligação e o pelo governo. Burla agravada, portanto.


Tão agravada e sem atenuantes quanto Passos, Portas e Maria Luís não vêm dar qualquer explicação para o facto de, de repente, logo a seguir às eleições, a suposta devolução da sobretaxa cair de 35% para 0%. Para nada. A ministra das finanças limitou-se a comunicar que não há nada para devolver. Sem mais nada, como se nada se tivesse passado... Como se não tivesse importância nenhuma.


Depois das mentiras na campanha eleitoral de 2011, Passos Coelho decidiu continuar a mentir em 2015. Mas com maior dolo, fazendo passar a mentira por uma suposta sofisticação técnica, que lhe mascarava dolosamente o ar de lixo tóxico eleitoral, dando-lhe o ar sério que nunca teve.  O próprio suposto enquadramento técnico era fraudulento e sem nexo: remetia para o orçamento de 2016 o que era  do orçamento de 2015.


No meio de tudo isto, entolado até ao pescoço em burlas e fraude eleitorais, é Passos Coelho - pasme-se - quem tem o desplante de dizer que o putativo governo do PS, mais que ilegítimo, é uma fraude eleitoral.


Triste país, se o que merece é gente desta!


 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Na passada sexta-feira, à entrada de um fim-de-semana que será recordado como um dos mais trágicos das últimas décadas, enquanto uma parte do mundo adormecia em sobressalto, outra voltava a acordar para a violência e o terror de gente que, de gente, não tem nada.


Mascarado de fanatismo islâmico, o terrorismo voltou a entrar-nos violentamente pela porta dentro, arrombando-nos a casa, destroçando-nos a intimidade e estilhaçando-nos até as entranhas. Numa sexta-feira feira à noite, depois de uma semana de trabalho, com um fim-de-semana pela frente, numa cidade que chamam do amor, onde tudo pode acontecer…


Fim-de-semana, restaurantes, bares, uma sala de espectáculos, um concerto, um estádio de futebol, um jogo de futebol… Bem ou mal, pouco interessa, é o nosso modo de vida. É a forma como vivemos. Como gostamos de viver, e como temos o direito de poder viver. Livres, sem medo…


É do medo que vivem, é no medo que assentam toda as estruturas de terror que os mantém activos. Por isso não lhes basta matar, às dezenas, às centenas, aos milhares. Mais que violar e matar inocentes eles querem matar-nos a todos, matando a maneira como vivemos.


E lembrarmo-nos como tudo isto começou. Lembrarmo-nos como há quase quarenta anos os Estado Unidos armaram os talibãs, porque do outro lado estavam os soviéticos. Lembrarmo-nos como, atraídos pelo cheiro do petróleo, Bush e Blair, com Asnar e Durão Barroso como acólitos, destruíram um Estado – uma ditadura, sim, uma ditadura como todas as outras da região – e o entregaram, em mão, a estes bandos de terroristas, nascidos no Afeganistão e criados pela ditadura saudita. Essa boa, porque amiga. Lembrarmo-nos como há apenas três anos, os mesmos, sempre os mesmos, como se não tivessem memória, armaram mais e mais terroristas para destruir a Líbia e executar barbaramente Kadhafi. Pouco antes, um amigo, como já fora Sadam… E, como se tudo isto não bastasse, lembrarmo-nos de Assad, na Síria, hoje pátria do terrorismo internacional e sede do poder do auto denominado Estado Islâmico, o mais sanguinário e bárbaro eixo do fundamentalismo islâmico que a monarquia saudita, incólume na sua redoma de petróleo, financia e alimenta ao longo das últimas décadas.


Choramos hoje Paris. Como amanhã choraremos uma outra das nossas cidades que amamos. Choremos os mortos. Choremos os feridos e espoliados. Choremos as famílias desfeitas. Choremos a hipocrisia…

Lamentável

Cristiano Ronaldo and Donald Trump snubbed by 'crazy dude' Elon Musk in ...


Não sei se, a esta hora, Cristiano Ronaldo já disse a "uma das pessoas de que gosta mesmo porque acha que ele consegue fazer as coisas acontecer e gosta de pessoas assim" essa "coisa que ambos partilham".


Também não sei que coisa é essa. Desconfio que não seja o quarto segredo de Fátima. Poderia desconfiar de qualquer coisa que tivesse a ver com alguma Kathryn Mayorga. Haverá por aí muitas coisas que ambos partilhem. Mas não posso. Porque serei de imediato acusado de inveja, azia ou até anti-patriota.


Claro que não vou ser invejoso a ponto de lhe apontar a falta de escrúpulo na companhia que escolheu. Afinal ele só escolheu a companhia de um ditador, e assassino, para aproveitar a boleia diplomática que o safasse da tal Kathryn Mayorga.


 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Quando - vai para trinta anos - a troco de um prato de lentilhas, Cavaco mandou destruir a frota pesqueira nacional, não estava a cometer um crime contra a economia nacional. Estava apenas a revelar uma rara visão de longo prazo, só ao alcance dos eleitos, de homens providenciais. Dos verdadeiros visionários!


Demoramos anos - quase trinta, vejam bem o avanço que nos dá -  a percebê-lo. Perdão, demorou anos a explicar-nos, mas finalmente explicou-o hoje, em plena Pérola do Atlântico, onde cumpria a sua missão de encanar a perna à rã, agora na fase a que pomposamente chamou Roteiro para uma Economia Dinâmica. Um Roteiro que se esgotou nas inaugurações de um centro de design, uma adega e um hotel. E numa visita a uma empresa de piscicultura.


Aí está. Quer dizer, foi aí. Justamente aí, que Cavaco explicou a revelação que o futuro lhe fizera há quase trinta anos atrás. A única forma - revelou hoje - de Portugal, enquanto grande consumidor de peixe, resolver o problema das suas contas externas é " produzir peixe nestas quintas de peixe, fish farms como os ingleses lhe chamam"!


Gostando os portugueses, como gostam, do seu peixinho para que é que o país queria uma frota pesqueira?


Para pescar, responderia o comum dos mortais. Para pescar o peixe de que os portugueses tanto gostam. Para nada, respondeu há trinta anos Cavaco. É que não só não são preciso barcos para apanhar o peixe na farm - talvez fisgas bastem - como essa é a ùnica forma de, por força dessa mania de comermos peixe acima das nossas possibilidades, resolver o problema das nossas contas externas.


E, com os cofres cheios e o problema das contas externas resolvido, qual crise, qual carapuça?


Orçamento? Para quê?


Governo de gestão? Qual é o problema?


Cada tiro - perdão: cada fisgada - cada melro!

domingo, 16 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Cavaco, pelos vistos divertidíssimo, continua a brincar com coisas sérias, dando sinais de irresponsabilidade pouco apropriados à função que ocupa no topo da hierarquia do Estado.


Entretidíssimo a encanar a perna a rã, e sem noção do ridículo a que se expõe, vem dizer que ele próprio esteve em gestão durante cinco meses. Percebe-se a intenção: se eu – ele, evidentemente – que sou eu, estive em gestão…


Não admira, sabe-se que se tem em boa conta. Nós, é que não. Já não conseguimos tê-lo em grande conta. Para encanar a perna á rã já não lhe bastava ir para a Madeira. Nem dizer que ainda lhe falta ouvir muita gente, para "recolher o máximo de informação junto daqueles que conhecem bem a realidade social, económica e financeira" do país. Faltava-lhe ainda comparar as circunstâncias de um governo em gestão, em 1987, entre Abril e Agosto – também não são exactamente cinco meses, como 2009 também não é 2011, mas a isso já nem ligamos – a meio da legislatura e no meio do ano, com o orçamento aprovado e em execução, com as da actualidade: com o país acabadinho de sair de eleições, às portas do fim do ano, sem orçamento e com as cadeiras donde a gente da troika levantou o rabo ainda quentes.


Alguém que lhe diga que já não há paciência…Que já não é um presidente - é uma afronta!

sábado, 15 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Ontem à noite, no meio de uns zapings, dei com um desses programas de futebol falado, na RTP. Na 3, como agora se chama à que dantes se chamava Informação, depois de já ter sido N, mais de Norte que de Notícias...


Achei estranho que, em cima dos acontecimentos de Paris, com o mundo em choque, e num fim de semana que, de futebol, apenas tinha tido o jogo da selecção - como se sabe coisa pouco dada a este tipo de programas, que vivem da exploração da ignorância e da exacerbação da clubite - a direcção de programas da RTP achasse aceitável colocar em campo o seu Trio de Ataque. Passados que foram os primeiros instantes em declarações de circunstância á volta dos acontecimentos de Paris, o pivot apressou-se a abrir as hostilidades: Carrillo, era o tema!


E lá se mandaram aquelas três alminhas ao ataque, que nem gatos a bofes. Envolvido numa leitura, não ouvi uma única palavra do que disseram. Mas, ainda com as primeiras páginas dos jornais desportivos de véspera na cabeça, não queria deixar de ver até onde haveria de chegar a coragem de prolongar uma coisa daquelas.  


Não chegou longe. Pouco tempo depois alguém se lembrou de os mandar calar, e de repente aquilo acabou, com o pivot, contrariadíssimo e perante o espanto do trio de atacantes, em especial do que desloca de Lisboa e pernoita no Porto, a dizer que os acontecimentos justificavam que se ficasse por ali.


E foi então que resolvi revisitar, e olhar com mais atenção, aquelas primeiras páginas dos jornais desportivos de sábado. Sugiro-lhe, caro leitor, que faça o mesmo, na mesma fonte, mas agora fixando-se apenas nos nossos.


Havia ali qualquer coisa a dizer-me que "isto anda tudo ligado": a verdade é que no programa interrompido só se falava de Carrillo!


E quando me aprestava para a aplaudir a decisão - mesmo que tardia e a más horas - de alguém que mande na estação pública, lá tive eu de voltar atrás para reconhecer que, em comunicação, o Sporting de Bruno de Carvalho não brinca...

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não foi preciso mais que uma semana para perceber por que, numa altura em que, mais do que nunca, o país precisa de rapidez na decisão e na acção, Cavaco decidiu dedicar-se à infrutífera tarefa de encanar a perna à rã.


Se dúvidas houvesse, o novo (velho) pregador das noites de domingo, encarregou-se de acabar com elas. Marques Mendes acabou de fechar a semana ao jeito dos desígnios de Cavaco, enquanto a rã teima em não põr a perna a jeito. Segue-se ainda mais uma semana, agora com mote dado pela batuta do pequeno maestro.


"O acordo é um queijo suíço", cheio de buracos por todos os lados. Não garante estabilidade nemhuma, e é mesmo uma "provocação ao Presidente da República". E continuam a chamar-lhe coligação, para embrulhar melhor a prenda


 Foi exactamente para isto, para que este tipo de discurso comecasse a ganhar forma, e a engrossar ao ritmo de uma bola de neve, que Cavaco decidiu gastar tempo a ouvir as confederações empresariais do comércio, da agricultura, da indústria, e do turismo, mas também as associações empresariais de tudo e mais umas botas, incluindo a das empresas familiares. E ainda aplicar mais uns dias numa visita às tagarras que há uns anos deixara para trás, e cujas pernas não têm nada a ver com as da rã.


Tem ainda mais uma semana. Esta que vai entrar, já com o discurso devidamente estabilizado e em velocidade cruzeiro para, a 25 de Novembro, como fez questão, anunciar ao país a sua decisão. Uma decisão que, como é já habitual, não terá muito - ou mesmo nada - a ver com o interesse nacional que tanto gosta de apregoar. Apenas com os seus, normalmente mesquinhos. Inviabilizar o governo de António Costa com apoio maioritário na Assembleia da República é o desígnio de Cavaco para este fim de mandato. Um desígnio que parte de uma missão impossível - encanar a perna à rã -, passa por outra de algum grau de dificuldade - não é fácil deixar de dar posse a esse governo - para se concretizar em toda a plenitude na missão de o matar à nasecença. Mais do que empossar ou não o governo de António Costa, o desígnio de Cavaco é minar-lhe o futuro. Para que seja curto e duro!


 

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Pode uma selecção cujos pontas de lança jogam na segunda divisão inglesa dizer-se candidata a ganhar o europeu de França, do próximo ano?


Pode. Não pode é ser levada a sério. Mesmo que a Senhora do Caravagio de Fernando Santos seja a maior que por lá passou...


Do jogo que hoje perdeu (0-1), com a Rússia, uma única boa notícia: depois da estreia do Nelson Semedo ter atirado o miúdo do Benfica para meses de estaleiro, e interrompido o campeonato brillhante que estava a fazer, hoje, na estreia, o Gonçalo Guedes escapou são e salvo. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O terror voltou a Paris. Poucos meses depois, mais assassino ainda... com seis ataques terroristas em simultâneo a levarem a vida a largas dezenas de pessoas. Como nós, impotentes perante um inimigo sem rosto nem alma. Simplesmente terrorista... Num restaurante, num espaço de espectáculos, num jogo de futebol...


Je suis parisien. Nous sommes parisiens!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Desautorizado, tão desautorizado que está rejeitado pelo Parlamento, o governo acaba de assinar o contrato de privatização da TAP. À pressa, a correr... À noite, mais ou menos às escondidas, como sempre fez, deixando escuro o que tinha de estar claro... Contra tudo e contra todos e contra a vontade da maioria representada na Assembleia da República...


Fica à vista o que seria - ou será? - manter esta gente em governo de gestão: um confronto permanente com a legalidade. Em permanente provocação. A construir inevitabilidades para enfiar o país em pontos sem retorno. Foi assim que fez, é assim que faz, e é assim que quer continuar a fazer...

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não sei por quê - não é verdade, até sei, mas gosto sempre de deixar algumas reservas - mas gostei de ouvir (entrevista à RTP 3) o provável próximo ministro das finanças. Se, evidentemente, o nosso senhor Presidente da República não decidir passar os próximos três meses a ouvir as tais personalidades, ou - quem sabe? - prolongar a sua estadia na Madeira com uma visita às suas cagarras, certamente carregadas de saudades...


Gostei do tom, contrastante com o que estamos habituados. E gostei do ar, despretensioso. Depois, gostei ainda de não ouvir basófias.  Nem asneiras... Nem certezas absolutas de quem é dono da verdade. Estávamos um bocado fartos disso. Alguns, claro! 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Chama-se a isto encanar a perna á rã. Não bastou que, na hora de marcar a data das eleições, não se tivesse preocupado minimamente com o orçamento, mas apenas com os seus interesses eleitorais. Ou os dos seus... Não bastou que no o actual quadro político tenha já queimado um mês. É ainda preciso ouvir sabe-se lá quem e sabe-se lá para quê...


O actual Presidente da República é muito selectivo na urgência e na necesssidade do Orçamento. Agora não tem pressa nenhuma, nem que de Bruxelas clamem por um papelito que seja, mas nem sempre foi assim. Houve tempos de muita pressa, em que não se podia perder tempo com minudências. Prescindiu sempre de exercer o dever de fiscalizar as sucessivas inconstitucionalidades nos sucessivos orçamentos de Passos e Portas, para não perder tempo. Para que o país não corresse nunca o risco de ficar sem orçamento... 


 

domingo, 9 de novembro de 2025

Benfica 2 - Casa Pia 2

Pavlidis fez o segundo golo do Benfica, de penálti


A jornada de benfiquismo de ontem teve hoje por prémio um clássico na Luz. Os mais de 56 mil nas bancadas - pois é, a fasquia começa a baixar dos 60 mil -, os 94 mil que ontem votaram, e os outros milhões de benfiquistas espalhados pelo país e pelo mundo que fazem do Sport Lisboa e Benfica um dos maiores clubes do universo merecem, e exigem, RESPEITO.  


O jogo desta noite, na Luz, da 11ª jornada, com o Casa Pia, é todo um clássico.


O adversário estacionou o autocarro à frente da sua baliza. Duas linhas de cinco, juntinhas, entre as linhas que marcam as duas áreas, a grande e a pequena. Clássico!


O Benfica entrou bem no jogo, chega à vantagem, e começou a baixar a intensidade. Clássico!


Com a passagem dos minutos, à medida que o jogo caminha para o fim, os jogadores começam a perder concentração. As decisões dos árbitros complicam-se, e a perda de concentração vai-se agravando, atingindo o climax já depois do minuto 90, e a vantagem esvai-se no período de compensação. Clássico!


Esta noite, na Luz, o Benfica começou a desmontar o autocarro do Casa Pia relativamente cedo. Aos 16 minutos marcou, depois de Rios já ter enviado um remate ao poste. Num golo com assistência (Plavidis) e finalização (Sudakov) espectaculares, trabalhadas dentro da cabine do autocarro. O Benfica ultrapassava os 80% de posse de bola, e o Casa Pia não ligava dois passes seguidos. A excepção aconteceu durante três ou quatro minutos, ali por volta da meia hora.


O Benfica que, como sempre, tinha entrado com um onze muito perto do habitual - com Otamendi de fora, a cumprir castigo pelo quinto amarelo (Palhinha só há um!) pedido em Guimarães (como Rios hoje o pediu, também para limpar antes do jogo com o Sporting), substituído por António Silva e, com Dedic regressado de lesão, com Aursenes na ala esquerda - entrou para a segunda parte com Prestiani a entrar precisamente para o lugar do norueguês, transferido para o lugar de Enzo, que tinha durante a primeira parte dado indicações de não estar em condições para prosseguir no jogo. 


Se a ideia era voltar a espevitar o jogo, não resultou. De resto, Prestiani não está a resultar. É cada vez mais parra, e cada vez menos uva. Ainda assim não demorou mais a marcar que na primeira parte. Antes de expirar o primeiro quarto de hora, de penálti, Pavlidis marcou o segundo. O chamado golo da tranquilidade.


Que seria, não tivesse o árbitro, o lagarto Gustavo Correia, cinco minutos depois, inventado um penálti. Inacreditável. Tão inventado, e tão inacreditável que, na Luz - e por todo o lado - se tinha por inevitável a intervenção do VAR, a corrigir o destempero  do lagarto. Mais inacreditável ainda: do VAR, nem sinal de vida!


Cartões amarelos, distribuídos a torto e a direito, reforçaram a instabilidade. E tranquilidade do segundo golo desaparecia de repente, como fumo.


Lembramos-nos então que, ontem, o Sporting trouxera três pontos dos Açores, graças a um golo no último minuto dos descontos, depois de o árbitro ter transformado um pontapé de baliza, a favor do Santa Clara, num canto a favor do Sporting. O árbitro João Gonçalves, e o assistente Ângelo Pinheiro, não viram o que toda a gente viu. Que o Quenda rematou a bola para fora, sem que ela tocasse em quem quer que fosse.


E veio-nos à memória que o campeonato da época passada foi precisamente decidido no dia 12 de Abril quando, nos Açores, numa das mais escandalosas arbitragens da época, o árbitro Cláudio Pereira oferecia os três pontos ao Sporting. E, exactamente como hoje, no dia seguinte na Luz, o árbitro António Nobre assinalava um penálti (com que o Arouca empatava 2-2, ironicamente o mesmo resultado de hoje), tão inacreditável como o de hoje, então por Otamendi "ter rasteirado o adversário com a cabeça". Também um clássico!


O VAR, que ontem nos Açores não pôde dizer ao João Gonçalves que o golo não poderia ser validado. Que há sete meses não quis dizer ao António Nobre que ninguém consegue rasteirar ninguém com a cabeça, como hoje não quis dizer ao Gustavo Correia que a bola bateu na barriga do António Silva, caiu-lhe para a coxa, e que daí ressaltou para lhe tocar na mão, não é um instrumento ao serviço da verdade desportiva. É simplesmente um instrumento ao serviço da manipulação de resultados! 


Trubin defendeu o penálti, mas não havia maneira de escrever direito por linhas tortas: inacreditavelmente, Tomás Araújo, o primeiro a chegar à bola excelentemente defendida pelo guarda-redes do Benfica, ao tentar enviá-la pela linha de fundo chutou-a com força para dentro da baliza. 


O terceiro golo até acabaria por chegar, por Barreiro, depois um minuto em campo. Foi celebrado nas bancadas como a circunstância merecia. Foi anulado, por fora de jogo, e a tranquilidade não voltou.


Era quase inevitável que um erro qualquer desencadeasse uma sucessão de outros, como num dominó. Aconteceu a meio do meio campo, no primeiro dos quatro minutos de compensação, e foi obra de Richard Rios, já depois de se ter feito ao tal amarelo. A cadeia propagou-se para dentro da área benfiquista, e tocou a todos. Trubin incluído.


No primeiro dia da nova presidência de Rui Costa, o Sporting é presenteado com três pontos nos Açores, o Porto com colinho em Famalicão, e o Benfica é decidamente atirado para fora da estrada do título. 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não faço a mínima ideia se as coisas vão correr bem. Não estou certo que não surjam pontos de ruptura entre forças políticas que, mais que estarem distantes, não estão habituadas a estar juntas. Não tenho grandes dúvidas que de todos os lados será lançada gasolina logo que se veja o menor indício de combustão. 


Há possibilidade de correr bem e de enterrar de vez a TINA. De mostrar que em democracia há sempre alternativa política. Se isso acontecer, o regime mudou. E se há coisa que o país precisa é de mudar um regime que se esgotou...


Mas, se nada disso acontecer, se tudo correr mal e neste jogo viciado voltarmos à casa de partida, ainda assim, este não foi um tempo perdido. Tanto mais que permitiu ao país perceber - a quem quis ver, há sempre quem não consiga ou simplesmente não queira ver - a comunicação social que tem, as televisões que vê e os jornais que lê. Como orientam e manipulam a informação e como, dessa forma, manipulam e formatam a opinião pública. Permitiu ver como jornalistas que todos apreciavamos pela competência, profissionalismo e isenção são afinal apenas profissionais diligentes nas tarefas que lhe destinam. 


Porque, do resto, já toda a gente sabia. Blogues à medida e perfis falsos do facebook para manipular e  desinformar já eram, há muito, coisa conhecida.

Boa sorte Rui Costa

Benfica: em ano de eleições, já há quem se faça à pista - Tribuna


Afinal a fasquia ficou ainda mais alta: 93.891 sócios do Sport Lisboa e Benfica reconduziram Rui Costa, de forma expressiva, com 66% dos votos. 


Não quer dizer que toda essa imensa massa de benfiquistas esteja feliz com o desempenho de Rui Costa neste seu primeiro mandato, acabado de terminar. Que dizer que uma grande maioria dos benfiquistas tem carinho pelo Rui Costa, pelo que foi, e pela pessoa que é. Quer dizer que uma grande maioria dos benfiquistas acredita que ele aprendeu com os erros e fracassos, e que vai fazer muito melhor. E quer dizer que a  alternativa que lhe foi apresentada não era credível. 


João Noronha Lopes foi só uma enorme decepção! 


Agora, venha  a paz. E venham as vitórias e os troféus. Que já se faz tarde!

sábado, 8 de novembro de 2025

E isso me envaidece ...

Eleições do Benfica: siga tudo em direto - Eleições Benfica - Jornal Record


93081! É recorde mundial, mas não é o que importa. É um número gigante, mas o que importa é que confirma a grandeza única do glorioso Sport Lisboa e Benfica.


Há quinze dias, 85710 - o recorde dos recordes -, decidimos que decidiríamos hoje entre Rui Costa e João Noronha Lopes. Hoje fomos ainda mais - muitos mais! - a decidir ... decididamente. 


Hoje fomos 93081. E isso me envaidece!


 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O jogo desta tarde na Luz teve o seu quê de crueldade para os adeptos do Benfica. Perante um Boavista que tem História de primeira, mas não tem futebol nem jogadores para isso, o Benfica foi mau de mais; sem velocidade, apático, sem movimento, e sem dinâmica nem rotinas. Nem o resultado - vitória por 2-0 - nem as três vezes que a bola bateu nos ferros, iludem esta realidade que vai dando cabo do colinho.


Hoje não destoou muito daquilo que têm sido a maioria dos jogos nesta época. Só foi mais evidente porque o adversário era muito fraco, fraco de mais para o que deveria ser exigível no primeiro escalão do futebol nacional. Se o adversário se fecha lá atrás - se se apresenta com o bloco baixo, como dizem os entendidos - o Benfica não entra. Se, pelo contrário, o adversário ocupa o campo todo e pressiona na frente, o Benfica não sai. Cruel é que isto tenha ficado evidente perante este Boavistazinho... Cruel é que o Boavista tenha criado dificuldades quando jogou fechado lá atrás na primeira parte, e tivesse sido incómodo quando subiu no terreno, na segunda.


Podem sempre compreender-se as dificuldades de entrar numa defesa muito reforçada e muito fechada. Mais difícil é compreender as dificuldades em sair da pressão. Mas, que uma equipa como o Benfica, que fazia das transições rápidas a sua principal estratégia de jogo, não consiga, depois de ultrapassada a primeira linha de pressão e já com campo aberto pela frente, ligar com sucesso uma única jogada para aproveitar o adiantamento do adversário, é que já não se consegue compreender.


Ou talvez se consiga: uma equipa que falha passes atrás de passes - chega a falhar passes a 5 metros - sem movimentos trabalhados, que não tem dinâmicas de desmarcação, não consegue sair em transição se não em jogadas individuais. Com os jogadores marcados pelos passes errados, sem ninguém a abrir linhas de passe sem risco, só lhes resta correrem com a bola cinquenta ou sessenta metros, permitindo a recuperação dos adversários, que correm sem bola e sem outra preocupação (de posicionamento ou de marcação) que não seja caçar a presa fácil que é o portador da bola. 


Hoje o Benfica foi isto. E, repito, não foi muito diferente do que tem sido. Sem Jonas - que não tem nada a ver com o jogador que foi a época passada - resta apenas a Gaitan e Gonçalo Guedes o papel de presas mais difíceis. Mas na maior parte das vezes não deixam de ser também presas! 


Valha que o Carcela voltou a jogar mais 10 minutos. E valha que isso tem sido tempo suficiente para marcar. E vão três... Sem festejos


 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O Bloco já anunciou que está fechado. Durante o dia de hoje, o mais tardar até amanhã, deverá - terá de - ficar também fechado o acordo com PC. Sem que ponham pés no governo, o que para uns, é bom; para outros, é mau.


É mau para quem tem dúvidas sobre a solidez dos acordos, para quem desconfia das boas intenções da esquerda a que as vozes do regime chamam de extrema: estar na margem não é a mesma coisa que estar no barco, como escreve hoje a Fernanda Câncio num texto tão imperdível quanto romântico. É bom, nem poderia ser de outra maneira, para quem acha que a esquerda tem peçonha.


Como Jorge Coelho, que acha que não pode haver misturas, e que isto só é bom se servir bóia para voltar a trazer o PS á tona, para depois voltar a apanhar a crista da onda. Há gente no PS que ainda não percebeu o que aconteceu!


Há gente que não consegue descortinar estes "tão prometedores dias" que vivemos... Não são amanhãs que cantam, são apenas dias de esperança. De esperança que isto não seja apenas o que tem que ser, por já não poder ser outra coisa. Por simplesmente tudo ter chegado ao ponto de não retorno. Por ninguém poder já recuar...


Que seja finalmente mudança, porque é preciso que alguma coisa mude... Para que nem tudo fique na mesma!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Ricardo Salgado com pensão de 90 mil por mês! Assim... Sem mais nem menos!


Sobem-lhe a pensão e descem-lhe a caução. Rima e dá raiva... 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Benfica 0 - Bayer Leverkusen 1

Liga dos Campeões: Benfica-Bayer Leverkusen (MIGUEL A. LOPES/LUSA)


Está amaldiçoada, a participação do Benfica nesta Champions, marcada pelo pecado original da desastrosa derrota no arranque, com o Qarabag, há quase dois meses.


Esta noite era decisiva para a inversão dessa maldição. Todos os sentiam. Mourinho também, e pedira aos adeptos uma presença em força. Que jogassem também. Os adeptos nunca falham, e lá  estivemos 58 mil, a acreditar. Enquanto foi possível. Mas nunca exactamente a jogar. Na verdade nunca saíram das bancadas grandes empurrões ... 


O Benfica entrou em campo com o onze habitual, sendo que a variabilidade na ala esquerda é já habitual. A novidade foi Barreiro, à frente do meio campo, aquele que, para Mourinho, é o seu lugar. A pressionar, e a dar profundidade, no que Sudakov, hoje de novo deslocado para a ala esquerda, não tem respondido.


E entrou a jogar bem, dando continuidade à melhoria que tinha mostrado na segunda parte de Guimarães. Não sendo exuberante, não atingindo grande brilhantismo colectivo nem que, para além da de Rios (finalmente a confirmar-se), tenha havido grandes exibições individuais. Mas dominando claramente o jogo e criando muitas oportunidades para marcar.


O Bayer Leverkusen, confirmou ser uma equipa que troca bem a bola (sob a batuta do nosso Grimaldo, o capitão, mas também o patrão) e rápida e assertiva a desdobrar-se para o ataque, sem confirmar as fragilidades defensivas que lhe eram apontadas. E deixou claro desde o primeiro minuto que vinha à procura do empate. Era tudo o queria levar do jogo.


A primeira parte acabou por ser um confronto entre uma equipa virada para a frente, a querer ganhar, e com dinâmica de vitória - o Benfica -, e outra a virada para si própria, a segurar a bola, e a adormecer o jogo - o Bayer. Só o Benfica procurou o golo, que poderia ter encontrado por quatro ou cinco vezes. Rematou 11 vezes, quatro delas na baliza, e duas na barra. A equipa alemã apenas por uma vez conseguiu chegar à área de Trubin, num lance criado e finalizado pelo velocíssimo Poku, com um remate ao lado da baliza.


Não fosse esta uma Champions amaldiçoada e Benfica teria saído para o intervalo a ganhar por números que garantiriam desde logo uma vitória irreversível.


A segunda parte arrancou no mesmo ritmo, mas mais amaldiçoada ainda. Nos primeiros dez minutos Pavlidis falhou três golos cantados. Na primeira vez, logo aos 2 minutos, não foi só maldição. A tentação para fintar o guarda-redes, e entrar com a bola pela baliza dentro, em vez de a rematar de imediato para a baliza, não é maldição. É pecado capital!


A maldição ficaria completa em poucos minutos. Esgotavam-se os primeiros 10 minutos da segunda parte quando, finalmente, desta vez depois de virar o Barreiro, o árbitro italiano se dignou a puxar do amarelo para Tapsoba, antigo jogador vimaranense. Que, no minuto seguinte, voltou a abalroar o cabo-verdiano do Benfica, desta com o cotovelo e dentro da área (na imagem). Penálti, e expulsão - não poderia ser de outra maneira. Mas pôde - árbitro e VAR fizeram que não viram nada. Logo a seguir, num raro contra-ataque, Patrick Schick, que acabara de entrar, recebeu a bola à entrada da área, sobre a esquerda, e chutou, para o primeiro remate à baliza da equipa alemã, obrigando Trubin a uma grande defesa. A bola sobrou para a frente de Dahl que, pressionado pelo lateral direito contrário, Arthur, não teve discernimento para mais que, de cabeça, devolver a bola ao avançado do Bayer, numa assistência primorosa para o golo do checo.


Faltava meia hora para o fim do jogo. Mas maldição é assim. E porque o Benfica a sentiu, mas também porque o árbitro italiano permitiu que a equipa alemã impedisse que continuasse a haver jogo, foi como se tivesse acabado ali, ao 65 minutos.


No fim, fica mais uma derrota. A mais injusta de todas. E o fim das aspirações europeias para esta época.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Diz o povo que "o que nasce torto, tarde, ou nunca, se endireita". Não se sabe ainda se chegará a nascer - parece que sim, que acabará por nascer - mas este acordo de sustentação política da maioria de esquerda no Parlamento está com um parto tão difícil que é grande a probabilidade de nascer torto.


O momento histórico da declaração de intenções tarda em confirmar-se na substância do acordo. Ou dos acordos, e aqui a primeira dificuldade: uma maioria não é apenas a soma maior das partes. Construir uma maioria através de acordos separados com o Bloco e com o PCP, mais que enviezado, é torto. Negociar separadamente, sem que todos se envolvam e empenhem nas soluções comuns, é fazer com que o quer que nasça, nasça torto. 


A segunda grande dificuldade está no timing do parto. Sabe-se que todo o parto tem o momento certo: antes, dá prematuro; depois, pode provocar traumas irreparáveis. Se poderá de alguma forma compreender-se que fosse difícil apresentar o acordo - enfim, os acordos - ao Presidente da República antes da indigitação de Passos Coelho, já não é aceitável que se esteja ainda a negociar como se o timing certo seja o da apresentação do programa do governo. 


Neste momento o(s) acordo(s) teria(m) de estar concluído(s) - dando de barato que pudesse(m) não ser público(s) - e os seus subscritores tranquilamente à espera do momento de apresentar a sua moção de rejeição ao programa do governo. Mas não, não é nada disso que estamos a ver. Estamos a ver que o bluff continua no ar, como no ar está ainda a caricata decisão de cada um apresentar a sua própria moção.


Nos últimos dias, apenas uma boa notícia: a Catarina Martins calou-se. De resto, tudo más notícias: o PCP está em claro recuo, e António Costa, com a iniciativa de Assis, cada vez com menos espaço.


Termino como comecei: tem tudo para correr mal, um verdadeiro desafio à lei de Murphy. Se calhar, por isso, Passos também já revogou a sua decisão de não chefiar qualquer governo de gestão!


 

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Acontece ...

Dever ético após morte de grávida e bebé: presidente da ULS Amadora ...


Estamos nos últimos tempos a ser diariamente bombardeados com acontecimentos que nos anunciam a derrocada da nossa democracia.


Basta juntar as peças.


André Ventura permanentemente nas televisões, e agora até a abandonar os estúdios. 


No meio da agonia do SNS, uma grávida e o seu bebé morreram. Para a ministra Ana Paula Martins houve uma falha grave - foi mal informada. E agiu em conformidade: aceitou a demissão do administrador do hospital que lhe deu a informação errada. Para ela, a falha grave não foi ter morrido uma grávida e o bebé; foi o administrador tê-a tê-la informado erroneamente sobre a vítima. Para a ministra, a grávida que acabou de morrer, como todas as grávidas que têm os seus partos em todos os locais e circunstâncias possíveis, menos numa sala de partos, são mulheres "recém-chegadas a Portugal, com gravidezes adiantadas, que não têm dinheiro para ir ao privado. Grávidas que algumas vezes nem falam português, que não foram preparadas para chamar socorro, por vezes nem telemóvel têm.” São pobres, e morrem porque são pobres. E vêm para Portugal para aproveitar as borlas do SNS.


Já tínhamos ouvido isto. Sabemos onde. Agora alguém achou que era a hora de o governo incorporar este discurso.


Dois dias depois de ter tomado posse, um deputado municipal de Setúbal, do Partido Socialista, foi detido e constituído arguido pelo crime de roubo. Ao que dizem as notícias por assalto a menores na via pública, para financiar o seu consumo de drogas.


Até aqui, histórias destas, aconteciam no Chega. Não quer dizer que não sejam muitas - e velhas - as histórias de criminosos nos partidos centrais do regime. São conhecidas, e nem têm nada a ver com estas histórias de "pilha galinhas" que só conhecíamos no Chega. São de outra dimensão. Estas histórias têm a ver com outra coisa - a dificuldade de recrutamento dos partidos políticos em crise. 


Viu-se nestas autárquicas, um pouco por todo o país, mas claramente nas áreas onde a perda de influência é mais gritante, a falta de exigência que o PS colocou na escolha dos candidatos. Sem campo de recrutamento, para participar, o PS aproveitou tudo o que veio à rede.


Os acontecimentos destes dias não são apenas o Chega a alargar os limites, que não tem. São também os partidos do regime a  incorporar, um, as suas ideias; o outro, as suas práticas.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Assistimos esta noite na Luz a uma das maiores injustiças alguma vez vistas num estádio de futebol quando, a dez minutos do fim, o árbitro expulsou Gaitan do jogo. Mandar sair do jogo quem estava a fazer aquilo que o génio argentino estava a fazer, deslumbrando o mundo com uma exibição que só muito raramente o mundo pode ver, é inscrever na História do futebol uma das suas maiores aberrações.


Roubar ao jogo o seu maior artista é matá-lo. E matar é crime. Sempre!


Acresce que, da maneira que aconteceu, é crime agravado. Com o dolo todo, com todas as agravantes que se quiser. Já que é impossível contar tudo o que de fantástico Gaitan fez neste jogo com os turcos do Galatasaray, vale a pena contar o que o árbitro fez: estava o jogo a aproximar-se do intervalo quando um avançado turco, poucos minutos depois de ter visto um amarelo por ter armado confusão, joga a bola com a mão em clara tentativa de enganar o árbitro. Pelas leis do jogo teria de lhe mostrar o amarelo, que seria o segundo.  Não o fez, em vez disso mostrou-o a Gaitan,  por protestar a sua decisão. Muitos minutos depois, faltavam então 10 para ofim do jogo, o argentino desenha no relvado mais uma jogada do outro mundo, porventura a mais portentosa, deixando de calcanhar para que o Jimenez permitisse uma defesa assombrosa - para canto - ao guarda-redes uruguaio da equipa turca. Da marcação do canto a bola sobra para um adversário, que parte para o contra ataque. Gaitan perseguiu-o, tentou o corte, mas fez falta. Para amarelo. O segundo. Que, para o crime ser hediondo, desta vez o árbitro não poupou.  


Depois disto nada mais do jogo tem qualquer interesse, mesmo com o que vale esta vitória do Benfica. E vale muito. Nem mesmo que o Luisão tenha estado nos três golos, e que tenha exigido respeito!

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


As inundações deste fim de semana no Algarve determinaram o primeiro acto público do novo governo em trânsito, que revelou ao país um dos seus novos ministros.


Não se pode bem dizer que era de todo um desconhecido. Logo que foi anunciado ficamos a saber que era o ministro que simplesmente não poderia ser ministro. Era já uma questão fé, de crença no Espírito Santo. Na primeira oportunidade, na primeira aparição pública, o ministro tratou de esclarecer que aquele pormenor, que alguns pretenderam transformar em impedimento, não é mesmo nada mais que apenas um lado do triângulo da sua fé de homem da Católica. 


Quando o novo ministro da Administração Interna atribuiu as inundações à “fúria demoníaca da natureza” percebemos o holismo da sua crença e a dimensão da sua fé. Quando João Calvão da Silva acrescentou que " a fúria da natureza não foi nossa amiga", que "Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação" percebemos-lhe a veia pregadora. Mas quando o ouvimos dizer que "em Albufeira a força da natureza na fúria demoníaca, embora os ingleses digam que é um ato de Deus, um act of God, nós temos que traduzir de outra maneira”; ou, sobre a morte que há lamentar, que "era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher, Fátima, ele que era um homem de apelido Viana. Ele entregou-se a Deus, e Deus certamente que lhe reserva um lugar adequado. A família também está determinada em continuar..." ficamos inundados de dúvidas sobre muitas coisas muito sérias. E com uma única certeza: com todo o seu campo político esgotado, a Passos Coelho tudo serviu para ministro!


Deus nos valha...

domingo, 2 de novembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Consta que o deputado do PSD, Miguel Santos, quando circulava de moto na madrugada de domingo, às 5 da manhã, em circunstâncias que terão chamado a atenção das autoridades, foi objecto de controlo policial. Pedida a identificação, o deputado não tinha à mão outro documento que não o cartão de deputado da Assembleia da República, coisa que temos de considerar conveniente para aquela hora da madrugada, mas que não foi suficiente para dissipar o bafo de álcool que acompanhava cada palavra do deputado, nem para impedir o agente de confirmar aquele odor etílico através  do corriqueiro teste de alcoolemia.


Era o que faltava. Um deputado da nação sujeito a soprar no balão às 5 da manhã? Nem pensar. Afinal para que serve a imunidade parlamentar?


Nem mais. O senhor deputado pôs o motor da moto a trabalhar e arrancou. Não há notícias se direitinho se aos ésses...


O deputado Miguel Santos não é muito conhecido, por isso tem de se identificar. E para isso não tem melhor que o cartão de deputado.


Será um entre aquelas centenas de deputados que ninguém sabe quem são nem o que fazem? Daqueles que só lá estão para fazer número, para levantar, sentar e bater palmas?


Seria exactamente um desses, se não o tivessemos ficado a conhecer aqui há uns meses, quando se discutia aquele medicamento para Hepatite C que só passou a estar disponível depois de, na Assembleia da República, um jovem ter ameaçado que alguém seria responsabilizado pela morte da mãe, e quando na mesma sala, e nas mesmas circunstâncias, um doente em risco de vida, à espera pelo medicamento há um ano, perguntou ao ministro pelas respostas ás cartas que lhe tinha enviado. É então que se resolve o problema do medicamento, mas é também então que o deputado Miguel Santos passa a ficar a conhecido, quando pede para retirar da sala todos os doentes, que aquilo era um circo...  


Foi este pequeno gesto que o deixou famoso, ao ponto de, aguçada a curiosidade sobre tão nobre personalidade, se ficar a saber que era vice de Luís Montenegro, com quem partilhava a irmandade maçónica na famosa loja Mozart.


Agora que já é conhecido, não razão nenhuma para pôr em causa a sua reação, tão natural e tão acima de qualquer suspeita: 


"Mostrei a única coisa que tinha comigo, que era o cartão de deputado. O agente achou que eu estava de má vontade. Mostrei-me disponível para apresentar os documentos numa esquadra e, como é meu direito, fui-me embora. Eu não tinha bebido álcool, aliás, nem bebo".

sábado, 1 de novembro de 2025

Vitória SC 0 - Benfica 3

Benfica derrota Vitória SC com golos de Tomás Araújo, Samuel Dahl e João Rêgo


Vamos passar por cima da primeira parte deste jogo de Guimarães. Não tanto por ter sido má porque, não tendo sido propriamente boa, também não foi pior que a maioria das últimas. Mas porque nos enganou a todos. Quando chegou ao fim estávamos mais convencidos que este Benfica e as suas circunstâncias, não dá para mais, como ando aqui a dizer há algum tempo.


Estávamos enganados. Afinal dá para mais, para muito mais.


Ao intervalo, Mourinho, que tinha iniciado o jogo com o seu onze base dos últimos jogos, que já inclui o Tomás Araújo em vez do António Silva, decidiu trocar Sudakov por Barreiro e Prestiani por Schjelderup. O jovem argentino tinha sido o jogador mais em evidência no Benfica, e também o mais rematador. Foi isso tudo, mas na realidade não foi eficaz. Sudakov, se bem que na senda das suas últimas exibições, sempre a deixar a deixar a ideia que está em retrocesso ou, no mesmo sentido e na terminologia de José Mourinho, a deixar a ideia que será neste momento um dos que não acreditam, tinha protagonizado a única sensação de golo de toda a primeira parte.


No último minuto da primeira parte, ao tentar recuperar uma bola perdida numa recepção imperfeita, incompatível com a sua qualidade, Sudakov pisou um adversário, Samu, e foi (bem) punido por João Pinheiro com o cartão amarelo. Para pressionar o vermelho, o  jogador vimaranense teatralizou e os colegas armaram um sururu donde saíram amarelados Prestiani, e o lateral direito adversário, Maga, há muito enrolados


Se sem qualquer condicionalismo Sudakov não é um jogador intenso, amarelado seria pouco mais que inútil. Já Prestiani, sempre sujeito a grande  provocação por Maga e Telmo Arcanjo, com aquele sangue argentino que ferve em pouca água, amarelado, passaria a ser o mais sério candidato ao cartão vermelho.


Creio que Mourinho terá pensado mais nisto que propriamente em revolucionar o jogo com Barreiro e Schjelderup. Mas o futebol tem destas coisas, e os dois transformaram o futebol do Benfica. E viraram o jogo do avesso!


Barreiro, que não é, nem nunca será Sudakov, mostrou-lhe o que ele precisa de fazer para ser o craque que se apregoa. E Schjelderup, porventura revoltado por Prestiani lhe ter passado à frente, fez pela vida. O resto da equipa veio atrás, e foi demolidora. Com 10 minutos do melhor futebol que se tem visto, e que se julgava fora do alcance deste Benfica, nas suas circunstâncias. E as oportunidades de golo passaram a suceder-se a um ritmo avassalador.


À quarta oportunidade em sete ou oito minutos, Tomás Araújo marcou. Finalmente. Respondendo na perfeição, de cabeça, a um canto cobrado por Lukebakio, que tivera origem em mais uma defesa milagrosa do guarda-redes colombiano do Vitória, Castillho. Na circunstância a um remate de excelência do extremo belga, numa soberba cobrança de um livre.


Dois ou três minutos depois o Vitória ficou reduzido a 10, por expulsão de Fábio Blanco, numa entrada violenta sobre Barreiro. Se para os vimaranenses tudo estava difícil, pior ficou. É verdade que o tempo perdido com a expulsão - o guarda-redes simulou uma lesão (já era tempo de alguém se preocupar com estas coisas) para que o treinador reunisse com os jogadores e estudasse as substituições a fazer, durante mais de 5 minutos - quebrou grande parte do ritmo demolidor que o Benfica tinha imprimido à partida.


Ainda assim, sem atingir o brilho dos 10 minutos iniciais, a exibição prosseguiu com nota alta. Altíssima!


Só deu para mais dois golos, um de Dahl, à entrada do segundo quarto de hora, e outro de João Rego, acabado de entrar para substituir Lukebaku, a 5 minutos do fim. Mas poderia ter dado para muitos mais. O Benfica fez por isso. E a melhor exibição da era Mourinho, mas também dos últimos meses, merecia um resultado ainda mais condizente.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...