Dérbi, dos antigos. Com o velhinho e histórico Atlético Club de Portugal, da castiça Alcântara. Não aconteceu no velhinho Estádio da Tapadinha - coisas da televisão, acredito - mas no bonito, e também histórico, e altaneiro Restelo.
Um jogo carregado de História, este da quarta eliminatória da Taça de Portugal. Não será ela - a História - a justificar as dificuldades que o Benfica encontrou. São outras coisas, também já quase históricas.
José Mourinho experimentou um novo modelo, e apresentou-se a jogo com três centrais. Uma novidade ...
Para um jogo de Taça, a quatro dias do de Amesterdão, para a Champions, onde se vai bater com o parceiro de tabela no último lugar - Ajax e Benfica, dois históricos, são as únicas equipas sem qualquer ponto na classificação - com um adversário da Liga 3, esperavam-se mais caras novas na equipa. Mas não. Retirando o Samuel Soares, o guarda-redes da Taça, novidade mesmo apenas o Ricardo Rego, lançado para a ala esquerda. O outro Rego, o João, já é conhecido. Todos os outros oito jogadores fazem parte da elite do plantel.
À medida que o tempo decorria percebia-se que, se era por ali que pretendia resolver as coisas - as dificuldades estruturais do jogo do Benfica -, bem podia limpar as mãos à parede. Se era pelo sistema, podia começar a pensar noutro. O que fosse.
Mourinho percebeu isso. E bem mais que isso.
Mourinho é isto. Pode não conseguir pôr os jogadores a jogar à bola, e pode - até - ver ruir pela base todo o seu edifício: os jogadores que não acreditam nele pioram, ficam piores que quando chegaram; os que acreditam atingem níveis que nunca sonharam. Nessa medida, o que parece, é que não há quem acredite.
Mas vê o mesmo jogo que o adepto vê. E não lhes atira areia para os olhos!
Os três centrais não conseguiam estabelecer ligação com Barrenechea, emperrando logo ali todo o jogo do Benfica. Dedic ainda conseguia, aqui e ali, arrancar boas combinações com Aursnes sobre a direita. Na ala contrária, Rodrigo Rêgo ainda conseguia aparecer, a espaços, a dar alguma profundidade ao futebol do Benfica. No meio ...era um verdadeiro desastre. E o Atlético recuperava bolas atrás de bolas, numas vezes só para a afastar, noutras, para se desdobrar o ataque, e lançar frequentemente o pânico na defesa do Benfica.
Foi assim durante toda a primeira parte.
Quando, ao intervalo, faz quatro substituições (saíram Tomás Araújo, João Rego, Barrenechea e Ivanovic, e entraram Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Richard Ríos e Schjelderup) não muda apenas o sistema. Muda jogadores, quatro Porque não podia mudar mais.
Foi então um novo jogo. Não porque mudou o sistema, porque mudou a atitude dos jogadores. O Benfica não passou a jogar um grande futebol, não passou para uma exibição que enchesse os olhos e os corações dos benfiquistas. Nada disso, mas assumiu verdadeiramente o domínio e o controlo do jogo. E isso foi suficiente para ganhar, e merecer ganhar, o jogo.
Ainda assim com dois golos de bola parada. O primeiro, de canto, já bem perto da entrada para o último quarto de hora seria, finalmente, o primeiro de Richard Ríos no Benfica. O segundo, logo a seguir, de penálti, por Pavlidis. Quase defendido pelo guarda-redes do Atlético, Rodrigo Dias. Que no último minuto, já depois de o avançado grego ter sido substituído por Henrique Araújo, defenderia mesmo um penálti, esse cobrado por Otamendi.
Pois ... não está nada fácil. E hoje ficamos finalmente a saber que Mourinho não conta com este plantel. E que tem razões para isso, caibam as culpas a quem couberem!
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