domingo, 30 de setembro de 2018

Já não é o primeiro milho...

Sporting de Braga vence Belenenses e sobe à liderança da I Liga


 


Costuma dizer-se que o "primeiro milho é para os pardais". Não é o caso do Braga, que já tem tudo para ser levado a sério.


A sexta jornada do campeonato, em que o Benfica caiu para o terceiro lugar, deixou o Braga isolado no primeiro lugar. Com a particularidade de ter ganho presisamente os quatro pontos que o Benfica já perdeu, ganhando em casa ao Sporting e, fora, ao Chaves. Jogos em que o Benfica foi demasiado perdulário, e o Braga particularmente eficaz.


Está a ser um caso sério, e tem a vantagem de não ter mais nada com que se preocupar que com as competições nacionais, com a obrigação de disputar apenas um jogo por semana. E está com estrelinha, que nunca é coisa de desprezar!


Que foi especialmente evidente no jogo de Chaves (1-0), onde foi claramente inferior ao adversário. E, de novo, hoje, mesmo que acabando com um resultado claro (3-0), mas onde contou com a sorte do jogo, e com asneiras invulgares do Belenenses. 


Antes de começarem os disparates do seu guarda-redes, determinantes nos três golos, o Belenenses desperdiçou três grandes oportunidades de golo, com duas bolas nos ferros.


Para além das circunstâncias de cada jogo, e é bom recordar que apenas perdeu pontos num jogo (nos Açores, com o Santa Clara, na segunda jornada) em que esteve a ganhar por 3-0, o que nunca se poderá considerar normal, o Braga está a demonstrar uma eficácia, um rigor competitivo e uma ambição que legitimam uma séria candidatura ao título nacional.


 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Tema da semana*

 


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Num país em que tanta coisa estranha acontece, o roubo de armas de Tancos não é apenas mais uma. Mais que coisa estranha, é um fenómeno, ou não ficasse Tancos ali para os lados do Entroncamento. De resto, nestas coisas militares, Portugal é todo um imenso Entroncamento. Bem nos lembramos dos submarinos, e de como toda a documentação desapareceu tão misteriosamente como as armas de Tancos. Só que com esse ninguém se preocupou…


Mas voltemos a Tancos, e ao seu fenómeno. Tudo começa em Junho do ano passado, quando alguém consegue assaltar uns paióis que, no mínimo, todos julgaríamos tão inexpugnáveis quanto os cofres-fortes do Banco de Portugal. E roubar armas de guerra, que não dávamos por menos controladas que as notas fabricadas na Casa da Moeda.


Primeira estranheza: nada, de nada disso. A protecção é em rede e arame farpado, e logo vimos o buraco por onde nos quiseram fazer crer que as armas tinham saído. E não estavam sujeitas a controlo nenhum, não havia registos de inventário e a sua custódia era garantida por umas rondas feitas de vez em quando. Quando calhava. E nem sequer se sabia quando teriam sido roubadas…


A partir daí não mais deixamos de ser surpreendidos por coisas cada vez mais estranhas. O fenómeno é tal que, a página tantas, já o próprio ministro dizia que, se calhar, nem tinha havido roubo nenhum. Pelo meio o Chefe do Estado-maior do Exército entretinha-se a demitir oficiais e a readmiti-los logo de seguida. O fenómeno atinge os limites da estranheza quando, 4 meses depois, as armas foram devolvidas – melhor, deixadas ali perto, a 20 quilómetros, com um suposto telefonema de aviso para que as fossem buscar – e toda a gente, militares, ministro e governo, a testar os nossos limites de tolerância, deu o caso por encerrado. E bem resolvido, tão bem que até tinham devolvido material a mais! 


Há dois ou três dias, a cereja no topo do bolo: estava descoberta a “estória” da entrega das armas. A do roubo, é que continua por descobrir… sem que, mais uma vez estranhamente, ninguém se preocupe muito com isso. E não se passou nada. Nada mais que uma disputa entre Polícias Judiciárias, com a da Justiça a ganhar por 8-0 à Militar.


Por favor… levem isto a sério!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Seferovic? Para jogar bem, há melhor!


 


Não é normal jogar-se à quinta-feira para a Liga, em Portugal. Aconteceu ao Benfica, em Chaves, no arranque da sexta jornada, mas teve para não acontecer: a chuva diluviana que caiu em Trás-os Montes durante a tarde e o início da noite deixou, à hora marcada para o início do jogo, o relvado completamente alagado.


Tudo se resolveu numa hora, e pouco depois das nove e um quarto da noite já a bola rolava. E três minutos depois já descansava bem encostada às redes do Chaves, num belo golo de Rafa, a concluir uma espectacular jogada de contra-ataque: Sefereovic numa abertura espectacular para Cervi que, de pé no fundo, foi por ali fora até cruzar para a entrada de Rafa. 


E o jogo mudava, logo quando acabava de começar. O Chaves teve de procurar assumir o jogo, e o Benfica parecia gostar das novas permissas. Só que as coisas complicaram-se com a lesão de Jardel, ainda mais porque Conti, que o substituiu, entrou mal no jogo. E acabou por sair pior...


Não foram no entanto muito mais que cinco minutos complicados, entre os 15 e os 20 minutos, quando Rafa atirou ao poste, e o Benfica voltou ao seu registo de superioridade sobre o adversário. Entretanto, e com alguma surpresa, o relvado aguentava-se e permitia um jogo interessante.


A segunda parte arrancou em bases bem diferentes das da primeira, e o Benfica voltou àquilo que têm sido os últimos jogos. Domínio claro do jogo, e sucessivas oportunidades de golo: quatro, só no primeiro quarto de hora.


Todas desperdiçadas, com especial destaque para Seferovic. Que até está a jogar bem, e que até foi decisivo nos dois golos da equipa. O problema é que para jogar bem, o Benfica tem muitos outros jogadores, e até melhores. Precisa dele é para marcar golos, e isso, ele não faz.


Quando assim é, quando se desperdiçam sucessivas oportunidades e se deixa o jogo em aberto, correm-se sérios riscos e permite-se que o adversário, a cada oportunidade perdida ganhe novo fôlego.


E o inevitável acabou mesmo por acontecer, da forma mais inacreditável. Não se percebe o que terá passado pela cabeça do guarda-redes do Benfica quando, num livre a 29 metros da baliza, prescinde de barreira - sim, colocar lá dois jogadores, não é barreira nenhuma - e permite um golo de todo inaceitável. A um quarto de hora do fim... 


O Benfica já tinha perdido Gabriel, de novo por lesão. Abriu a nova época da lesão na Luz: quatro nos dois últimos jogos. Entrou Gedson, e como na primeira substituição, também não entrou bem. 


Com o empate, Rui Vitória lançou Jonas.  Mas voltou a ser Rafa, hoje de longe o melhor e finalmente com golo, a voltar a colocar o Benfica por cima no resultado. Faltavam seis minutos para os noventa, e não passava pela cabeça de ninguém que o Benfica não ganhasse o jogo.


Só que, três minutos depois, o árbitro João Capela, que já nos minutos finais da primeria parte transformara um penalti a favor do Benfica num livre fora da área, cobrado disparatadamente pelo Grimaldo, decidiu expulsar o central Conti. Com 10, e com a instabilidade emocional que uma expulsão sempre acarreta nesta fase do jogo, o Benfica permitiu o empate - de novo pelo arménio Ghazaryan (dois remates, dois golos), e de novo com a passadeira estendida, desta vez a partir dos espaços onde já não estava Conti - no último dos 5 minutos de compensação. O segundo em apenas seis jornadas que faz com que, muito provavelmente, chegue ao clássico, na próxima jornada, já atrás do Porto. Com muitas culpas próprias, mais ainda que as do inacreditável João Capela!


 

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Mais estranhezas...

 


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Cavaco Silva, juntando-se ao coro de carpideiras por Jona Marques Vidal, classificou de "algo estranhíssimo a sua não recondução".


É estranho que ache estranhíssima a não recondução da ainda Procuradora Geral da República, sem achar estranhíssimo que continuem à solta todos os seus amigos do BPN. Sem achar estranhíssimo que a comissão de honra da sua segunda candidatura à presidência da República mais parecesse o quadro de honra da criminalidade financeira em Portugal. Sem achar estranhíssimo ter até feito deles Conselheiros de Estado. Sem achar estranhíssimo que, como Presidente da República, tenha exortado os portugueses a comprar acções de um banco falido, sem achar estranhíssimo que esse banco tivesse sido o maior e principal financiador da sua campanha. Sem achar estranhíssimo que tenha condecorado todos os que, é hoje claro e indesmentível, mais roubaram e mais destruiram neste país. Todos. sem lhe escapar um ( a excepção de Sócrates, só confirma a regra) ... 


O que não é estranho é que o político (que mais poder teve no país), que não era político, não tenha vergonha na cara. Nem que esteja ainda convencido que o que diz tem alguma importância...

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Estranhezas

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Do aparecimento das armas de Tancos, já se conhece a história. Do desaparecimento é que não!


Mas isso - esse estranho chegar ao fim sem passar pelo princípio - já nem sequer é o mais estranho da mais estranha da estórias deste país de coisas estranhas... 

Oportunidade de baliza aberta

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Em comunicação, como infelizmente em tantas outras coisas na vida, o crime compensa. Sempre foi fácil fazer do boato notícia, hoje em dia é ainda mais fácil. Pelos interesses em causa, mas também por miséria jornalística. Nada se investiga, nada se confirma, tudo se copia e tudo se cola, acriticamente e sem qualquer preocupação com a ética e a deontologia jornalistícas. 


A campanha que comunicação do FCP lançou com os e-mails do Benfica - já se sabe do quadro criminal em que foram obtidos, mas nem isso importa agora para o caso - é um exemplo flagrante da facilidade em usar a comunicação para fins de autêntico terrorismo. Durante mais de um ano, a comunicação do Porto, divulgou, manipolou e truncou a seu belo prazer os mails que lhe apeteceu, causando no Benfica vultuosos danos, muitos deles irreparáveis. Toda a comunicação social seguiu e amplificou essa campanha, sem qualquer critério jornalístico e sem validação de coisa nenhuma.


Indpendentemente do que, no mesmo terreno, na comunicação, fez de mal - e fez muita coisa mal feita e pouca, ou nenhuma, bem - ao Benfica competia recorrer aos instrumentos do Estado de Direito para se defender do autêntico ataque terrorista de que estava a ser alvo. Começou por requerer aos tribunais a proibição da continuação da divulgação, apresentou queixa no orgão de regulação da comunicação social, a ERC, e terá naturalmente apresentado à Justiça as competentes acções de natureza criminal e indemnizatória.


Na primeira iniciativa apenas viria a lograr vencimento em segunda instância, a 21 de Fervereiro do corrente, oito meses mais tarde. Mais oito meses de mais mails, usados da mesma forma e com os mesmos fins. De nada lhe valeu.


A segunda resultaria numa deliberação da ERC - tornada pública em 18 de Junho passado, quase um ano depois, e há mais de três meses - que passou despercebida na opinião pública, já que na Comunicação Social não mereceu mais que umas simples notas de rodapé, dando conta que a ERC tinha dado razão ao Benfica no processo dos e-mails. Nada mais do que isso. Nada que levasse quem quer que fosse, a retirar o que quer que fosse ao que fora dito e propagandeado ao longo de horas e horas de televisão, e de páginas e páginas de jornais.  


E no entanto, na sua deliberação (ponto IX, pag.30) a ERC diz que "o modelo folhetinesco semanalmente levado a cabo pelo serviço de programas “Porto Canal” sob a aparência de um trabalho de investigação jornalística e que, a pretexto de um interesse público associado a uma denominada “verdade desportiva”... se traduz afinal num exercício inconsequente, e em cujo âmbito são ignoradas elementares exigências aplicáveis à actividade jornalística"; confirma a violação reiterada da Lei (da Televisão por parte do Porto Canal, e do Estatuto do Jornalista, em particular por Francisco J Marques e por Júlio Magalhães); reprova veementemente a sua conduta, "da qual esteve ausente qualquer propósito sério de informar" com "evidente e porventura irreparável afectação do bom nome e reputação da Queixosa e de terceiros; concluindo, naturalmente, "que pertence ao foro judicial o apuramento de eventuais ilícitos de natureza cível ou criminal que possam resultar do presente caso".


O Relatório que integra a deliberação (aqui integralmente disponível), e que resulta do procedimento de inquérito, refere claramente (ponto 100, pag.24) que Francisco José Marques "fez uma utilização selectiva e descontextualizada "da documentação que apresentou, desprovida de objectividade, e "eivada de propósitos sensacionalistas". Que (ponto 105 e 106) dela fez uma "leitura criteriosamente truncada e interpretação descontextualizada", omitindo "deliberadamente frases inteiras e segmentos de frases" – como o próprio confessa – para levar a "uma interpretação diferente e mesmo diametralmente oposta" ao conteúdo expresso. 


As conclusões do Relatório não deixam dúvidas:



  • Devassa de comunicações (ou de supostas comunicações) privadas, cujo teor e sentido foi ... deliberadamente distorcido, por forma a servir uma narrativa pré-concebida, traduzida num conjunto de afirmações, insinuações e acusações de enorme gravidade, e da qual se encontrava arredado qualquer propósito sério de informar (ou de salvaguarda de uma denominada “verdade desportiva”). (ponto 108);

  • Busca de sensacionalismo concretizada ... por via de uma prática folhetinesca assente na divulgação reiterada, parcial e seriada de documentação privada, acompanhada da promessa de “novas revelações”, e que, através de interpretação não neutra, introduz uma sua leitura interpretativa, junto dos telespectadores, susceptível de insinuação criminal. (ponto 112);

  • Inobservância de um assinalável espectro de deveres aplicáveis à prática jornalística (ponto 113), com o fim de acarretar evidente (e porventura irreparável) afectação do bom nome e reputação da Queixosa, junto da comunidade desportiva em geral e dos adeptos e simpatizantes da instituição SL Benfica em particular, e, porventura, dos seus patrocinadores e outros parceiros institucionais.(ponto 114). 


Tudo isto é dito e escrito por um instituto do Estado de Direito, pelo regulador da Comunicação Social, a actividade tida por pilar do regime democrático. E é tudo isto que a mesma comunicação social olimpicamente despreza e ignora. Como se nada se tivesse passado, e tudo tivesse de seguir para bingo...


Mas, e ainda mais surpreendente, é também sobre tudo isto que a própria comunicação do Benfica passa, como se tivesse mais alguma coisa à mão na única esfera da defesa ao seu alcance. É como, depois de ter desperdiçado todas as pequenas oportunidades de golo, falhar escandalosamente a mais flagrante de todas, de baliza aberta. Imperdoável!


Não há grandes dúvidas, como de resto a própria ERC sinaliza, que abunda matéria a reclamar Justiça. Mas, se agora nada foi feito para resgatar publicamente a honra e o bom nome do Benfica, não será daqui a não sei quantos anos que isso irá acontecer. Com mais ou menos indemnizações, que nunca indemnizarão nada.


 


 

Obrigado, capitão!

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O meu obrigado ao Sr Anderson Luís da Silva. Obrigado, capitão!


Quinze anos, e 522 jogos oficiais (mais, só Nené, com 578) de manto sagrado. Seis campeonatos, três taças de Portugal, sete taças da Liga e quatro supertaças: 20 títulos. Ninguém fez mais!


 


 

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O melhor do mundo

Prémios 'The Best': Luka Modric é o Melhor Jogador do Mundo da FIFA


 


Depois de, surpreendente e injustificadamente, ter sido declarado o melhor para a UEFA, era inevitável que Modric sucedesse hoje a Cristiano Ronaldo como o melhor do mundo, para a FIFA. Ainda assim, pelo que fez no campeonato do mundo, faz mais sentido este prémio que o da UEFA. Isso parece claro.


Como parece claro que é o fim da longa dinastia Messi/Ronaldo que, na maior injustiça do futebol neste século, impediu Iniesta de receber, por uma vez que fosse, o prémio que em tantas ocasiões mereceu. Não tivesse o prémio deste ano tanto de Real Madrid, e diria até que este prémio a Modric ... é também o prémio que faltou a Iniesta. Assim, não posso dizer nada disso.


Posso é dizer que, uma vez mais, Cristiano Ronaldo ficou mal na fotografia. Para além de falta fair paly, e mesmo de falta de respeito pelos seus colegas, a ideia que deixa é a de quem cospe no prato onde comeu... O que, para além de não ser bonito, é bem capaz de não ser o melhor para a fase actual da sua carreira.


E o que será agora do seleccionador nacional, dos jogadores que chegam à selecção, e dos narradores e comentadores que, a propósito e a despropósito de tudo e de nada, andavam sempre com "o melhor do mundo" na boca?  


Não vai ser fácil!

Reacções

A primeira página do Expresso


 


A nomeação da PGR e a decisão de não reconduzir Joana Marques Vidal, ganhou durante o fim-de-semana o espaço mediático que porventura lhe terá faltado de imediato, como na altura aqui referi, com Passos Coelho a falar sozinho. Não quer dizer que tenha sido o único a verdadeiramente contar com aquilo, quer dizer é que, para poder estar na linha da frente, já tinha a carta escrita.


A maior responsabilidade por essa surpresa, e pela falta de reacção imediata, é bem capaz de caber ao Expresso, com aquela primeira página no fim-de-semana anterior, que dava por certa a recondução de Marques Vidal. Da mesma forma que lhe cabe também, e ao grupo de comunicação que integra, a maior fatia de culpa pelo pique mediático do tema no fim-de-semana, todo ele passado a limpar o espalhanço completo daquela primeira página no fim-de-semana anterior.  

domingo, 23 de setembro de 2018

Esquisito?


 


 


 


No fim ficou a ideia que este Benfica -  Aves, da quinta jornada da Liga, foi um jogo esquisito. Teve de tudo um pouco, e um resultado muito pouco. Exactamente igual ao que acontecera ontem em Setúbal, quando o jogo, e principalmente o desempenho das equipas, não teve nada a ver.


Com a Luz, de novo, quase cheia, o Benfica não entrou apenas bem. Entrou também com muitas novidades. E estreias. Desde logo com João Félix de início, no lugar de Cervi. Mas também Gabriel, no de Gedson. E com Jonas, finalmente de regresso, no banco. 


Os primeiros três minutos do jogo foram uma coisa raramente vista, com duas oportunidades de golo, daquelas claras, e um golo. Anulado - e bem - mas contingencialmente. E deram o mote para uma primeira parte de excelente nível, com inúmeras oportunidades de golo. Mas um único golo como, de resto, vem sendo hábito.


Um único golo porque, com a equipa do Aves toda metida na área, havia sempre mais uma perna à  frente da bola, mais um desvio, mais uma defesa do guarda-redes, ou até os ferros, a evitar que a bola entrasse finalmente na baliza. O que, diga-se, nem quer dizer que tudo se resuma a uma pura questão de azar. Nem nada que se pareça, como o João Felix superiormente demonstrou. É que, quando os caminhos para a baliza está tão tapados, é preciso mais engenho e arte, só ao alcance dos foras de série. 


E como as coisas estavam, só com classe, com muita classe, o Benfica conseguiria marcar. Até porque, à floresta de pernas dos jogadores do Aves, juntava-se uma arbitragem ... que ... também não surpreendia. Rui Costa não engana, e de VAR estamos conversados...


O VAR não altera em nada de decisivo o que era a arbitragem. Por exemplo, no fora de jogo, antes, as regras diziam que, na dúvida, deveria beneficiar-se o atacante. A questão era a dúvida: num fora de jogo de quilómetros, o fiscal de linha podia sempre refugiar-se na dúvida. "Tive dúvidas"... Na anulação de um golo com o marcador "em linha", não tinha tido dúvidas. Com o VAR passa-se o mesmo. Na anulação do golo contra o Porto, ontem, não teve dúvidas. Na "trancada" do Felipe, ontem, ou no penalti, hoje, sobre o João  Félix, teve dúvidas. E com dúvidas não pode intervir...  E está tudo na mesma, como já todos percebemos!


Com tudo isso, chegando ao intervalo a perder apenas por um golo, os jogadores de José Mota vieram para a segunda parte com o sentimento que estavam dentro do jogo. E que, se tinham saído vivos da primeira parte, podiam tentar mais qualquer coisa na segunda. Desde que, ter-lhes-á dito o seu treinador, aplicassem dureza máxima em cada disputa de bola. Assim fizeram, chegando mesmo a ter alguma dificuldade em escapar à violência. 


Estava-se nisto quando surge a lesão - grave, ao que parece - de João Félix, que continuava a espalhar classe pelo relvado. E, mais tarde, a de Grimaldo. Pelo meio, o Benfica continuava a desperdiçar oportunidades de golo, com nota para uma extraordinária execução de Salvio (ora aí está, a classe) com os ferros da baliza, mais uma vez, a negarem-lhe o golo. E pelo meio o Benfica fez mesmo o segundo golo, por Cervi, que entrara a substituir o lesionado João Félix, e entrou Jonas, finalmente de regresso. Faltavam cerca de 20 minutos para o fim, e só se esperava que marcasse. 


É esquisito que o Jonas jogue, e não marque. Nestes jogos, claro. Mas, mais esquisito ainda, é que o Aves tenha obrigado o guarda-redes do Benfica a três grandes defesas. Também já não estávamos habituados a isso. Se calhar, se o Vlachodimos tem chegado em Janeiro, quando já estava contratado, a época passada teria acabado de outra forma...


 


 


 

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João Querido Manha: " Só falta o dinheiro para o árbitro". Imperdível. Porque... é isto!


 

sábado, 22 de setembro de 2018

Mentirosos

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Resultados mentirosos sempre houve, no futebol. Mas este de hoje, em Setúbal, é daqueles que mentem com os dentes todos.


E que também se explica por, de um lado, ter estado um guarda-redes que defendeu tudo e, do outro, um que não defendeu nada. Mas também por (mais) uma arbitragem das antigas, daquelas que não enganam.


Quem não viu, poderá não acreditar. Mas o Porto rematou à baliza duas vezes, e fez dois golos. Na segunda parte, a ganhar por 1-0, estacionou o autocarro à frente de Casillas, que passou o jogo todo a queimar tempo (e só levou amarelo aos 83 minutos) e não teve outro futebol que não fosse pontapé para a frente. Quando defendia o 1-0 com unhas, dentes, e muito anti-jogo, o guarda-redes do Vitória conseguiu deixar entrar na baliza uma bola  rematada de um livre a 40 metros da baliza. 


E quem ouviu o Sérgio Conceição, também não. A culpa foi do relvado e, a arbitragem, que ainda a primeira parte não ia a meio não expulsou o impune Felipe (pontapé por trás no Heriberto, isolado, a entrar na área, direitinho à baliza e com a bola controlada) e, entre outras pequenas coisas, anulou ao Vitória o golo que seria do empate, foi excelente.  


Nem sei quem foi mais mentiroso: se o resultado, se o treinador do Porto.


 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Ca(u)sa perdida

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Acabada a última aula, o professor regressou presidente para acabar de vez com a novela da recondução de Joana Marques Vidal. Explicou que era do entendimento que o mandato do Procurador Geral da República deveria ser único, como, de resto, era mais ou menos consensual no meio, e nomeou Lucília Gago, em contra-mão com o CDS e com o PSD, ou com o que dele resta, já que para o seu líder tudo o que viesse estaria bem.


Ora aqui está uma derrota política da direita, sem qualquer sombra de dúvida. Nunca percebi por que é que a continuidade de Joana Marques Vidal era uma questão de direita e esquerda. Continuo convencido que não é, mas a verdade é que a direita fez dela  a sua casa. E tendo chamado a si a causa, perdendo-a, perdeu.


Mas não perdeu apenas aí. Perdeu, e aí com estrondo, quando apostou tudo nesta carta para abrir fracturas no entendimento reinante entre o primeiro-ministro e o presidente da república. E perdeu, finalmente e com não menos estrondo, quando, hoje, a única reacção negativa à nomeação é assinada por Passos Coelho, numa carta de despedida à ainda PGR publicada no Observador. Se calhar, quem menos se deveria ter metido nisso...  

Bonecos fora do armário*

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Com cada vez mais gente a assumir a sua homossexualidade, “ a sair do armário”, como se diz, sucedem-se revelações cada vez mais pitorescas. Agora, até bonecos e fantoches “saem do armário”… Ou tiram-nos de lá!


Foi o que aconteceu com o Egas e o Becas, duas das personagens mais conhecidas da “Rua Sésamo”, o programa infantil que fez as delícias dos mais novos nos anos 90.


Diz-se que já há anos que corriam uns rumores que aqueles dois… Bem, confesso que nunca tinha ouvido nada, mas também não sou de andar por aí a dar ouvidos a essas coisas. A vida é de cada um, e cada um faz com ela o que muito bem entender…


Mas… também os bonecos e os fantoches? Também os bonecos e os fantoches fazem com ela o que entenderem? – bem entendido…


Pois. É isso!


Parece que ao “sair do armário”, um dos guionistas do programa trouxe consigo o Egas e o Becas. E garante que eles tinham mesmo um relacionamento homossexual. Que partilhavam a mesma casa já se sabia, mas, caramba, podiam ser apenas amigos…


Não, jura agora o guionista, cujo nome para aqui não interessa nada. Eram mesmo namorados, como ele e o seu próprio namorado, um editor de cinema entretanto já falecido. E os traços de carácter aplicados a cada um dos fantoches eram os dele próprio e os do seu companheiro. E a conflitualidade dos bonecos não era mais que o espelho da sua relação com o seu namorado.


Os produtores do programa, sob a própria marca “Rua Sésamo”, não gostaram muito da ideia e vieram a correr dizer que "o Egas e o Becas são melhores amigos". E apenas duas personagens criadas para mostrar que duas pessoas muito diferentes, podem ser bons amigos. Mas depois também concluíram que são apenas fantoches, e que os fantoches não têm uma orientação sexual, projectando-se para um mar de acusações de homofobia, de onde não mais conseguiram sair.


Claro que esta polémica é um sinal dos tempos. Mas também me parece que estes tempos dispensariam bem que se fosse tão ao fundo do baú. Ou do armário. Valha-nos que já não está entre nós ninguém que possa vir agora dizer que o Pluto não era apenas mascote do Mickey, ou que aquilo entre a Minnie e a Margarida era muito mais que amizade, e daí o mau feitio do Donald…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Heresia na Catedral

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Não estive ontem na Luz. E porque ainda estou às voltas com o gato que a Sport TV me mandou lá para casa, não vi o jogo. Assim, de repente, não me lembro da última vez que não tenha visto (ou televisto) um jogo oficial do Benfica. Até aquela coisa do ano passado em Basileia eu vi, mesmo a largos milhares de quilómetros de cá, no outro hemisfério e noutro fuso horário...


Imaginam por isso a minha decepção por não ter ontem visto a Catedral, cheia e linda, como sempre, a aplaudir o golo do Renato Sanches. O que não conseguem imaginar é o meu desapontamento, hoje, com a notícia de um concerto no Estádio da Luz


Podem achar uma palermice. Mas fiquei em choque. Acho normal que se façam concertos em todos os estádios do país e do mundo. Eu próprio já fui a concertos a Alvalade (no velho) e, que me lembre, um dos maiores concertos de todos os tempos até aconteceu em Wembley (no velho). Mas, na Catedral, não gosto!


A Catedral não nasceu para isso. Nasceu para aplaudir golos, mesmo os dos outros ... quando são marcados pelos nossos. Que lá jogue a seleção nacional sempre que está à rasca, ainda vá que não vá. Mas ... concertos, é heresia!


 


PS: Vá lá. Confessem. Pelo título e pela foto, esperavam que a heresia fosse outra...


 


 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Gato por lebre

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Cheguei a casa de peito feito para assistir ao grande jogo do dia: o Liverpool/PSG, na estreia da Champions. Na Sport TV, as usual...


Incrédulo, dou-me com o Sporting - Marítimo, do passado domingo, para a Taça da Liga. Sigo o comando e surge-me um jogo na China, depois, mais uma repetição de um jogo da Liga Inglesa, um jogo de vólei e, finalmente, uma partida de padel... Era isto que a Sport TV tinha para me oferecer, no serviço que pago pelo preço que até aqui me garantia a certeza de me regalar no tal Liverpool/PSG. Comprei lebre, a Sport TV vende-me gato...


Acabei na TVI, com o Schalke/Porto, mas o pior ainda estava para vir. Como um mal nunca vem só, em vez dos antes excelentes resumos e comentários que a RTP oferecia, tínhamos agora na TVI 24 uma interminável palhaçada. Não tem outro nome!


 

É mais ou menos isto, não é?

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Num caso alguém entrou abusiva e criminosamente no sistema informático de um terceiro. No outro, exactamente o mesmo. Num caso, o autor do crime está identificado, acusado e preso a aguardar julgamento. No outro, está identificado mas em fuga - "agarrem-me se puderem" - em parte incerta. Num caso, os supostos utilizadores da informação roubada estão acusados. No outro, apenas um dos comprovados utilizadores da informação roubada, é arguido. Num caso, os supostos utilizadores da informação roubada, estão acusados de terem oferecido ao intruso informático camisolas e bilhetes para uns jogos de futebol. No outro, os confirmados utilizadores da informação roubada, sem que inguém lho tivesse perguntado, dizem que não lhe pagaram nada...


Mais crime, menos crime, nesta altura do campeonato, é mais ou menos isto, não é?

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Irritante

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Nem sempre é preciso que estejam mesmo arriadas para se ser apanhado de calças na mão. Aconteceu ao primeiro-ministro, mesmo com as calças no sítio... E, pelo que se vê por aí, ninguém lhe perdoou a informalidade. 


Mais um irritante, mesmo que irritante seja quem se irrita com tudo...

Furacões

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No fim-de-semana de todos os  furacões, tornados e tempestades, em que Cristiano Ronaldo marcou (e logo em dose dupla) finalmente com a sua nova maglia, e em que os U2 regressaram a Portugal, oito anos depois e pela sexta vez, agora na digressão “Experience + Innocence Tour” (mais Experiência, a Inocência há muito que foi perdida) e com Bono já com a voz de volta, é capaz de nem se ter dado muito pela passagem do décimo aniversário da falência do Lehman Brothers. O tal "too big to fail" de triple A de rating, que faliu mesmo... tornando-se no maior furacão de todos os tempos, arrastando, arrasando e destruindo tudo, por todo o lado. 


O mundo, hoje, não é mais do que aquilo que se ergueu desses destroços. E, pelo que se vai vendo, são muitos os interesses que não querem mesmo que o mundo seja mais que isso, com o JP Morgan já a fazer novas ameaças para o próximo ano.

sábado, 15 de setembro de 2018

Vuelta 2018

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Termina hoje, em Madrid, a 73ª edição da Vuelta, com a vitória de Simon Yates. Voltou a ser inglês o vencedor da última grande prova do ano: Froome, ganhou o Giro, Thomas, o Tour, ambos da Sky, e agora Yates, da australiana Mitchelton-Scott.


É um justo vencedor, Simon Yates. Foi quem mais tempo andou de vermelho (a amarela da Vuelta), nunca se limitou a defender-se, atacou na alta montanha - e muita montanha, e da boa, teve esta Vuelta - e superiorizou-se quase sempre, e foi ainda o melhor dos da frente no contra-relógio. E nem sequer tinha a melhor equipa - muito longe disso - valendo-lhe apenas o seu irmão gémeo, Adam.


Todas estas grandes competições têm o seu lado dramático. No Giro, o drama foi até protagonizado pelo próprio Simon Yates, ao perder mais de meia hora numa das últimas etapas, quando seguia na frente (de rosa, a amarela na volta italiana) e apontado já como vencedor. Nesta Vuelta o protagonista é Alejandro Valverde, o veterano ciclista da Movistar (38 anos) que herdou a popularidade de Alberto Contador e a esperança dos espanhóis.


Chegou a Málaga, há três semanas e três mil e quinhentos quilómetros atrás, como segunda figura da equipa, com a liderança entregue ao colombiano Nairo Quintana, a grande desilusão da prova, mas revelou sempre grande consistênca. Serviu Quintana e teve ainda tempo para afirmar a sua própria candidatura, ganhando etapas, assegurando rapidamente a liderança da classificação por pontos, a camisola verde, que nunca mais largou, e permanecendo sempre nos lugares cimeiros da classifcação.


Quando finalmente Quintana ficou afastado da possibilidade de ganhar, há apenas quatro dias, logo na etapa (de montanha, de novo) a seguir ao contra-relógio (onde, como se esperava, perdera muito tempo) não só não recuperou como perdeu ainda mais tempo, Valverde era segundo. E, então sim, a grande aposta da Movistar para atacar Yates nas duas decisivas etapas de alta montanha em Andorra, e ganhar a Vuelta, pela segunda vez, seis anos depois. 


Pois, na primeira, na sexta-feira, não conseguiu responder ao ataque de Yates e perdeu por completo a hipótese do primeiro lugar, que o britânico logo assegurou. E na segunda, ontem, no Coll de la Gallina, caiu do segundo para quinto da geral. Foi dramático ver, como viu, fugir o colombiano Miguel Angel Lopez; depois Enrique Mas - que se revelou a nova coqueluche do ciclismo espanhol -; depois o próprio Yates e, depois ainda, o holandês Steven Kruijswijk, que era terceiro, atrás de si. E, finalmente, como não conseguiu sequer responder ao apoio de Quintana, que o rebocou até à meta. Onde, ainda assim, chegou em 10º lugar. Mas com de mais de 3 minutos de atraso (perdidos em 4 quilómetros) - uma eternidade no ciclismo actual -, a valer-lhe um trambolhão do segundo para o quinto lugar da classificação geral. Longe do pódio e de um lugar consentãneo com o protagonismo que teve nesta Vuelta. 


Se foi, e terá provavelmente sido, a sua despedida da alta competição, ficou bem longe do que fora, no ano passado, a de Alberto Contador. Essa sim, brilhante, e a deixar saudade. Valverde não merecia sair com esta última imagem...


 

Quando se tira tudo, não fica lá mais nada para tirar

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Muito tempo depois, o Benfica regressou aos jogos da Taça da Liga. Nunca o interregno tinha sido tão grande.


Anunciavam-se muitas estreias e um ou outro regresso. Mas nem foi tanto assim, tal como o futebol apresentado não diferiu muito daquilo que se tem visto até aqui. Com as mesmas virtudes e os mesmos defeitos. E, na mesma, muito desperdício: desperdício de muitas oportunidades de golo, mas desperdício também de muitas ocasiões para definir melhor. Daí que tenha ficado na diferença mínima mais um jogo que poderia ter acabado em goleada.


O 2-1 final é um resultado apertado, mas nunca o jogo esteve apertado. O Rio Ave fez o golo aos 60 minutos, no primeiro remate à baliza de Svilar, na jogada seguinte a mais um desperdício flagrante do Benfica, no caso de Seferovic. E, com mais meia hora para jogar, regressado ao jogo, como se diz na gíria, fez apenas mais outro remate à baliza e teve, então sim, uma oportunidade de golo ao minuto 89. 


Mais nada, num jogo com uma arbitragem péssima, uma verdadeira lástima. E com uma moral, como as histórias: quando se lhe tira tudo, ninguém fica com nada para dar. 


E a Samaris até o número da camisola tiraram... Claro que não tem lá nada para dar!


 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Gente (é como quem diz) que mete medo*

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Já conhecíamos a Sophie, da Websummit do ano passado, e agora de uns anúncios, em que começou a contracenar com o Cristiano Ronaldo para acabar, por enquanto, com o Mário Crespo, reformado dos écrans, mas activo nos écrans…


Menos conhecido do grande público é o Hal, mais novo. Criado à imagem de uma criança, simula expressões faciais e estados emocionais, tem tudo a que tem direito - olhos interactivos, coração, sons pulmonares e intestinais, dedos capazes de sangrar e até pulsação – e é o novo amigo dos médicos no treino da prática clínica em crianças.


Ou a Vera (na foto), em tudo parecida com a Sophie, uma espécie de prima afastada, que acabou de chegar ao negócio do recrutamento de recursos humanos, ao headhunting. Isso mesmo, um robot naquilo que se pensaria ser a última fronteira da actividade humana – só um humano poderia contratar um humano. A verdade é que a Vera está já ao serviço de grandes empresas nessas tarefas de entrevistar e a avaliar gente para preencherem os seus quadros com as pessoas certas.


Isto é, os robôs já não ameaçam só substituírem-nos nos nossos empregos. Ficam-nos com os empregos e vão ainda decidir se servimos para mais alguma coisa. Assustador!


Já não é da Sophia que temos medo. Medo, a sério, é da Vera!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

É preciso ter lata...

Sábado


 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O PCP e a geografia

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O PCP votou contra a sanção à Hungria que o Parlamento Europeu aprovou esta quarta-feira, numa medida inédita e tida por indispensável para travar o desrespeito de Orban, e do seu governo, pelas regras da UE sobre democracia, direitos civis e corrupção.


Fica-nos a ideia que, perdido na História, o PCP se agarra à Geografia. É capaz de ter razão, o mais conservador dos partidos políticos em Portugal. Bem vistas as coisas, só a geografia não muda. O leste é sempre leste!


  

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Taxa Robles: uma lição de política

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Sabemos que a política é feita da espuma dos dias e de sound bytes. Só isso conta, porque é assim que se comunica e é disso que se faz a comunicação. Nada disso seria grave se isso nunca subvertesse a realidade e se, no fim, não tivesse por objectivo esconder o essencial, ou matar à nascença qualquer ideia que possa pôr em causa os interesses instalados.


Peguemos no exemplo mais recente de que assim é. De como isto funciona.


Em sede de discussão das propostas para o Orçamento de Estado que aí vem, e de que o mainstream quer fazer um bicho de sete cabeças (é desta que a geringonça se vai, a quem ineteressa e a quem não interessa eleições antecipadas, etc. etc.) o Bloco propõs ao ministério das finanças, em Maio, uma alteração à tributação das mais valias imobiliárias, a incidir na rotatividade das transacções, isto é, a distinguir a venda de um imóvel 20 ou 30 anos depois da sua aquisição, da de uma outra, 6 meses depois da transacção anterior. Ou, como se diz na gíria, com o objectivo de distinguir o tratamento fiscal entre normais operações do mercado e especulação imobiliária. 


No sábado, o Expresso publicava uma pequena notícia com o título: “BE quer tributar alta rotatividade na venda de imobiliário”. No domingo, o Diário de Notícias (DN) fez da pequena notícia do Expresso, manchete. E o tema ganhou asas. Logo que o CDS o viu no ar correu a agarrá-lo, e tratou de encontrar o motor que fizesse dele uma imparável ideia política ao serviço dos seus interesses. Isso mesmo, um nome, o sound byte perfeito: taxa Robles!


Equipado com esse potente motor o assunto disparou, sem que mais ninguém tivesse mão nele. Ontem, de manhã, o DN fazia notícia da garantida disponibilidade do governo para viabilizar essa proposta mas, à tarde, já Carlos César a rejeitava completamente, e António Costa dizia até que nem nunca tinha ouvido falar nisso. E Rui Rio, que dissera que a ideia fazia sentido, era à noite trocidado nas televisões e nas redes socias. 


E pronto: assunto morto e enterrado!


Eu próprio me sinto dividido. Por um lado, acho que é boa, esta ideia do Bloco, anterior ao episódio Robles que o desgraçou, de tributar de forma diferente transacções correntes e transacções especulativas. Mas não consigo deixar de apreciar a habilidade política da máquina da Drª Cristas!


 


 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Dá a democracia nozes a quem não tem dentes?

Capa Público


 


 


Apesar de tudo - das nossas queixas, de atropelos vários, dos políticos serem isto e aquilo, etc. - segundo o Relatório da Democracia de 20108, do Projecto Variedades da Democracia (V-Dem), desenvolvido por uma rede global de investigadores e peritos com sede na Universidade de Gotemburgo, Portugal é o décimo país mais democrático do mundo, como noticia o Público


À nossa frente, num dos rankings que mais conta, ou que mais nos deve importar, só países com lugar cativo na vanguarda da democracia e da decência: Noruega, Suécia (sim, também já a contas com a extrema direita, como se viu nas eleições do fim-de-semana), Suíça, Dinamarca e Finlândia; a Estónia e a surpreendente (pelo menos para mim) Costa Rica; e as longínquas mas saudáveis Austrália e Nova Zelândia.


Curioso, e sem dúvida decepcionante, é que a este 10º lugar na geral - digamos assim -, e mesmo ao 11º na análise sectorial que recorre aos indicadores eleitoral, de liberdades e de igualdades sociais, corresponda um 38º lugar quando se chega a indicadores de participação politica. Não me quero precipitar, mas desconfio que isto quer dizer que a democracia de que desfrutamos, e com a qual somos tão críticos, nos dá as nozes. Nós é que não temos os dentes. Se calhar gastamo-los a dizer mal...


 


 

domingo, 9 de setembro de 2018

Uma vedeta em Nova Iorque

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Chegou ao fim, em Nova Iorque, o último dos torneios do Grand Slam do ano, que trouxe Novak Djokovic de volta à sua condição natual de um dos melhores tenistas de sempre. Onde João Sousa fez história, ao passar da primeira semana e chegar aos oitavos de final...


Nada que fosse suficiente para fazer do melhor tenista nacional a estrela poruguesa no US Open. Os olhos do mundo acabaram postos num desconhecido Carlos Ramos, o árbitro português que Serena Williams transformaria em vedeta maior do espectáculo. E a final feminina no centro do fim-de-semana, com a vencedora - a nipónica Naomi Osaka, de apenas 20 anos, que foi sempre superior à americana - a pedir desculpa por ter ganho!


 


 


 

O mérito de conhecer o dono

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Pode não ser um caso sério de inteligência. Nem um grande exemplo de honestidade intelectual. Mas ninguém pode acusar Marques Mendes de "cão que não conhece o dono"!

sábado, 8 de setembro de 2018

Luke Shaw

Luke Shaw em estado grave após choque de cabeça com Carvajal


 


As selecções de futebol da Espanha e da Inglaterra defrontaram-se esta noite em Wembley no jogo de abertura do grupo 4 da nova Liga das Nações. Foi um belo jogo de futebol, com a selecção inglesa dentro daquilo que fez no Mundial, onde chegou às meias finais, acabando no quarto lugar. E a espanhola, ao invés, bem diferente do que então fizera que, como se sabe, não foi brilhante. 


A Espanha, agora de Luís Henrique, teve mesmo pouco a ver com a que Lopetegui foi obrigado a entregar a Hierro. Ganhou baliza e perdeu previsbilidade, o que não é pouco. E alguns jogadores até parece que ganharam inteligência táctica, como especialmente Rodrigo e Thiago Alcântara mostraram exuberantemente.


À parte disso, o jogo prendeu-me pelo os laterais esquerdos das duas equipas, ambos a jogar na Premier League, despertaram nas minhas memórias.


Na Espanha, Marcos Alonso - filho e neto de velhas glórias do futebol espanhol das décadas de 80 e 70 -, a alinhar no Chelsea, por uma questão de esquecimento. E não foi apenas por ter feito esquecer Jordi Alba, o jogador do Barcelona que era o dono do lugar. Foi por mostrar que Luís Henrique não se esqueceu dele desde o tempo que treinou em Camp Nou. E para lembrar que não se esqueceu, esqueceu-se de o convocar ... O que serve para lembrar aos jogadores de futebol que não é boa ideia entrar em conflito com o treinador. Nunca se sabe quando ele volta a surgir numa curva qualquer da vida...


Na Inglaterra, Luke Show. Um dos mais promissores jogadores de futebol de sempre naquela posição. Nasceu para o futebol no Southampton, onde se estreou na equipa principal em 2012, aos 18 anos, para substituir Gareth Bale, outro produto da formação deste clube do sul de Inglaterra, de saída para o Tottenham (é verdade, Bale, o jogador que mais semelhanças tem com Cristiano Ronaldo, jogava a lateral esquerdo quando saiu para Londres). E logo mostrou que não ficava nada a dever ao seu antecessor. 


A sorte não o ajudou, e cedo iniciou o seu Calvário de lesões. Nada que impedisse Alex Gerguson de o contratar para o Manchester United, em 2014, onde a sorte não mudou. Em Setembro de 2015, no início da sua segunda época, num jogo da Champions com o PSV, numa disputa de bola com o mexicano Hector Moreno, sofreu dupla fractura na perna. Seguiram-se mais de 2 anos de cirurgias e problemas, Confessou há dias, já regressado aos dias de felicidade, que durante esse período lhe chegou a ser dito que seria necessário amputarem-lhe a perna.


Resistiu a perna e resistiu ele. Na época passada começou a voltar a jogar, mas as coisas não saíam bem. Mas não desistiu, nem José Mourinho desistiu dele, e neste início de época começava a voltar ao nível de Southampton, fixando-se como indiscutível na equipa do United e chegando naturalmente à titularidade na selecção.


Estreou-se hoje, e estava a ser, a longa distância, o melhor jogador inglês. Foi dele a assistência para o golo inglês, o primeiro do jogo. No primeiro minuto da segunda parte, chocou com Carvajal e caiu inanimado. Saiu em maca, com respiração assistida, sem sentidos...


Na bancada, o rosto de Mourinho, que antes irradiava felicidade - ele que nem anda em maré de grandes momentos desses - fechou-se.


O resultado nem interessa muito. Mas ganhou a Espanha (2-1)...


 

Sábado de tiros

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Rui Rio teve um sábado de valentes tiros nos pés. Cristas, que se fosse rainha ficaria na História com o cognome de Pantomineira, despejou-lhe a cartucheira nas asas.


Fica difícil até caminhar, quanto mais voar... 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Pragmatismo Chocante*

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A notícia surgiu no início da semana, e contava que na Alemanha, em tempo de afirmação da extrema-direita, com grandes colunas de militantes nazis a apossarem-se da rua, uma mulher acabara de criar um partido político de esquerda que se colocava ao lado dos nazis, contra a imigração.


Assim, sem mais nem menos. Mesmo para chocar, como hoje se fazem as notícias.


Fui procurar-lhe os contornos e descobri que a senhora, Sahra Wagenknecht, era deputada do partido de esquerda "Die Linke" (que quer exactamente dizer “A Esquerda”), que fundara com o seu marido, Oscar Lafontaine, depois deste ter abandonado o Partido Social-Democrata (SPD) em 2007, em rotura com Gerhard Schröder, e que, na verdade, não tinham formado outro partido.


Mantêm-se no partido, e formaram sim um movimento, a que chamaram "Aufstehen"  (“Levantar-se”, em português), tão ou mais à esquerda que o seu partido – revelam mesmo como referência o “Podemos”, de Espanha, ou  “A França Insubmissa”, de Jean-Luc Mélenchon – mas defendendo uma política mais dura contra os imigrantes, em oposição às fronteiras abertas e ao acesso ilimitado de imigrantes ao mercado de trabalho alemão. E explicam que é uma reação à “emigração” dos eleitores do seu partido (o tal “A Esquerda”) para o partido de extrema-direita, o AfD. Que nas últimas eleições parlamentares lhes teria roubado pelo menos 400 mil eleitores!


Como notícia, poderá até ficar menos chocante. Chocante, mais chocante mesmo, é este pragmatismo!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

Deprimente!

 


 


 


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As televisões - todas em geral, porque seguem-se umas às outras, em carneirada, atrás das audiências - tiveram a evidente preocupação de lançar a confusão à volta desta acusação do Minsitério Público no processo e-toupeira, potenciando o clima de guerra instalado que, de resto, elas próprias criaram e alimentaram. Para isso começaram por encher os seus espaços de antena com gente que, não percebendo patavina de direito, fossem garantidamente incendiários especializados.


Depois de tudo devidamente incendiado, já hoje, e com o tema ainda filão de audiências, começaram a ouvir especialistas em Direito, na expecativa que confirmassem as teses que já tinham lançado e propagandeado. E, quando gente que sabe do que está a falar, começou a dizer que é inaceitável que o MInistério Público tenha tornado pública a acusação, antes de a comunicar aos interessados; que a constituição como arguída da Benfica SAD, à margem da forma como é legalmente representada, não tem pés nem cabeça; ou que simplesmente não há factos nem nexos de causalidade que permitam sequer falar em punicões desportivas, que não existem em Direito Penal, os entrevistadores em estúdio não querem crer em nada daquilo, e seguem em frente na sua cruzada como se nada tivesse sido dito. Sem a mínima noção do ridículo. Deprimente!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Toupeiras e neurónios

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Na acusação do Ministério Público no chamado caso e-toupeira, diz-se que a SAD do Benfica tirou proveito (também desportivo, mas isso é a brincar às acusações) da informação sobre os inquéritos em curso, que lhe permitiu antecipar-se às operações judiciais desenvolvidas. Que me lembre, em todas as buscas efectuadas, os fotógrafos, as câmaras e os repórteres do Correio da Manhã e da SIC chegaram sempre primeiro que a polícia.


Das três, uma: ou foi o Benfica a avisá-los da busca e, assim, a desbroncar-se; ou eram as mesmas toupeiras a dar-lhes a mesma informação; ou, finalmente, as toupeiras são como os chapéus. Há muitas! 


Se não é preciso ser-se muito dotado de neurónios para aferir da baixa probabilidade das duas primeiras, resta a terceira. Como estamos fartos de saber e, há muito tempo, o Correio da Manhã é a própria prova. 


Precisamos é de mais uns milhões de neurónios para perceber por que é que o Ministério Público nunca se preocupou com todas essas muitas toupeiras...  

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Toupeiras imaginativas

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É a notícia do dia: o Ministério Público procedeu à acusação dos arguídos (a Benfica SAD e um seu acessor jurídico, Paulo Gonçalves, e dois funcionários judiciais) no caso e-toupeira!


Segundo a acusação do Ministério Público, há fortes indícios que aqueles funcionários judiciais, a troco de favores no acesso aos jogos do Benfica (bilhetes VIP e estacionamento) tenham fraudulentamente violado o Citius (plataforma informática do Minsitério da Justiça) para obter, e fornecer ao acessor da Benfica SAD, informação sobre o estado de certos e determinados processos judiciais em curso. Daqui decorre - segmentando o que os jornais e as televisões dizem da notícia do dia - para os funcionários judiciais, a acusação da prática dos crimes de violação do segredo de justiça, violação de segredo por funcionário, peculato, acesso indevido e violação do dever de sigilo, recebimento indevido de vantagem, peculato, falsidade informática e corrupção passiva. Para Paulo Gonçalves, a acusação de oferta indevida de vantagem, favorecimento pessoal e corrupção activa. Presume-se, porque nenhuma das notícias que li ou ouvi o explicitava, que as acusações a Paulo Gonçalves sejam comuns à Benfica SAD, por sua entreposta pessoa. 


A acusação é o que é, o processo segue para julgamento e as condenações serão as que forem. Antes de tudo isso, nada disto é bonito. Mas isso são outros quinhentos...


O que me surpreende - na verdade já nada me surpreende, quando aquele senhor do IPDJ dizia em 2017 que não havia qualquer problema com as claques do Benfica, e hoje diz, também nos jornais, que o senhor que agora lhe sucedeu é que reteve a punição que ele tornou pública depois de demitido, só há que esperar tudo, de tudo o que gira à volta da bola - é que os jornais e as televisões introduzam dois pormenores na notícia que não decorrem da acusação, a saber:



  1. Os crimes aconteceram nas épocas de 2016/17 e 2017/18;

  2. A Benfica SAD teve benefícios desportivos com a informação obtida, pelo que lhe acrescentam o crime de corrupção desportiva, que leva o Ministério Público a pedir a suspenção do Benfica em todas as competições entre seis meses a três anos.


É que eu não fazia ideia que, como na caça, nas diferentes modalidades desportivas, ou nas touradas, também há época de crime. Claro que não há. Claro que a referência à época serve apenas para introduzir a variável desportiva, que ninguém consegue descortinar nos crimes em acusação, mas que dá jeito para concluir que o Benfica beneficiou desportivamente com a informação obtida.


Por mais que recorra à minha imaginação - e tenho a impressão que não sou dos menos imaginativos - não consigo ver que raio de informação possa haver num processo judicial que vá influenciar o resultado desportivo de um jogo. Na época 2016/17, 2017/18 ou noutra qualquer... Sei - e vejo, continuo a ver todos os dias - do que se passa num jogo de futebol para influenciar o seu resultado. Já num processo judicial... Não consigo...


 


 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

A justiça deles

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Terminou ontem o prazo para os arguídos - e são muitos: José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, só para referir os mais relevantes - no Processo Marquês  requererem a abertura da instrução.


Tanto quanto se sabe, nenhum o fez. Nenhum dos referidos, nem nenhum dos outros. Tanto quanto se sabe, todos vão fazê-lo!


Confuso? 


Não vale a pena. É assim a Justiça que nos desenharam. O prazo terminou ontem mas, com multa, pode entregar-se o requerimento de abertura da instrução mais tarde. E, claro, multa não é problema... E para esta gente, menos problema é ainda. E ganham-se mais uns dias, rumo à prescrição que todos procuram!


Quando contestamos a morosidade da Justiça em Portugal, e os sucessivos recursos ao alcance de quem tem dinheiro, que invariavelmente levam à prescrição dos crimes, somos confrontados com questões garantísticas. Quando vox populi diz que as leis são feitas por eles para se protegerem a eles próprios, lá vêm os bem pensantes do politicamente correcto dizer que não, nada disso - somos um Estado de Direito, que não pode cortar nas garantias de defesa do cidadão.


Valha-nos que há sempre gente como José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, e tantos outros, capazes de nos mostrarem como as coisas funcionam... E para nos explicarem, como se fossemos muito burros, que o legislador se lembrou de introduzir umas multas para comprar mais uns dias de uns prazos quaisquer, justamente a pensar nas garantias de defesa do cidadão comum. Pelo Estado de Direito, como se está a ver.


 


 


 


 

Ora toma...

 


capa Jornal de Negócios


 


Há notícias estranhas, não há?


E fazem manchete e tudo...

domingo, 2 de setembro de 2018

Ciclo fechado. Com distinção!


 


O Benfica encerrou hoje o primeiro ciclo da época, um ciclo decisivo com oito jogos de alta exigência - distribuídos em partes iguais entre o objectivo inegociável do apuramento para a Champions e objectivo central de não deixar fugir qualquer dos adversários no campeonato - em pleno centro do furacão do mercado de transferências. Sabendo que este era um ciclo decisivo, os do costume não pouparam nas encomendas para fazer dele um inferno.


Hoje, na Choupana, o Benfica deu a última resposta que, com brilhantismo, fechou este ciclo. Uma resposta à altura, "dado o contexto", para recuperar a frase da moda num dos rivais, que vai vivendo precisamente de um contexto que já é mais pouca vergonha que outra coisa qualquer.


E o contexto do Benfica são 8 jogos em pouco mais de três semanas, com os mesmos jogadores, e todos eles em ambiente de grande responsabilidade e intensidade, exibindo em todos eles uma superioridade tão flagante quanto o desperdício de golos. Dentro deste contexto, dois fazedores de golos - um deles mesmo mestre dos golos - lesionados e um terceiro equivocado.


Passados que foram os primeiros minutos, com os jogadores do Nacional a correr e a discutir cada bola como se não houvesse amanhã, o Benfica tomou conta do jogo e desatou a criar oportunidades de golo. Tantas que, quando Seferovic - que já parece a grande contratação do fecho do mercado - com grande mérito, assistido por Salvio, fez o primeiro golo, e foi ainda antes da meia hora de jogo, já se dizia mal da vida. E de Seferovic. E da aposta de Rui Vitória, outra vez!


E quando, às portas do intervalo, Salvio, assistido por Seferovic, fez o segundo já o Benfica devia ao jogo cinco ou seis golos.


O Benfica entrou para a segunda parte com a mesma disposição, criando fácil e rapidamente mais oportunidades de golo. Depois terá pensado que era tempo de abrandar e descansar um pouco, que a vida não tinha sido fácil. O Nacional teve então oportunidade de pôr no campo aquele seu futebol de segunda divisão, que tentara logo à entrada do jogo. E durante cerca de 10 minutos, ali à volta da hora de jogo, viu-se a equipa madeirense por cima, com o Benfica, sem Fejsa, que saira lesionado logo na altura do primeiro golo e que faz sempre muitas falta, e mais ainda naquele contexto de jogo, a dar a ideia que aquilo estava a acontecer porque grande parte dos jogadores tinha rebentado. E Rui Vitória estava a atrasar as duas substituições disponíveis... 


Bastou uma substituição (Cervi, claramente esgotado física e mentalmente, por Rafa), aos 70 minutos, para acabar com aqueles 10 minutos pouco brilhantes do Benfica. Até porque Salvio, que parecia já não poder mais, ressurgiu e retomou o brilhantismo da sua fantástica exibição de hoje. E Grimaldo resolveu vingar-se das duas ou três rabetas do 7 do Nacional para retomar o nível, e fechar no terceiro golo uma estupenda jogada de futebol que ele próprio iniciara.


E foram afinal os jogadores do Nacional que acabaram por rebentar naqueles 10 minutos em que a equipa do Funchal levantou a cabeça. E a parte final do jogo deu para mais uns minutos a João Felix. E para o excelente golo do Rafa, a fixar o resultado na chapa 4, pela segunda vez na semana...


E no fim pode dizer-se que Seferovic é uma aposta ganha por Rui Vitória. Não sei é se se pode dizer o mesmo do modelo de jogo que lhe dá razão. Mas isso ver-se-á lá mais para frente. Noutros ciclos, que este está ganho. Com distinção!

sábado, 1 de setembro de 2018

Um problema de coluna


 


Fechou o mercado de transferências do futebol, e com isso a torneira mais apreciada pela nova maneira de fazer notícias numa das mais apetecidas valências do jornalismo actual.


O último dia do mercado é normalmente vivido em ambiente de alta histeria, com o climax no count down final, segundo a segundo até ao último da meia noite. Ás vezes, esses segundos não chegam, como acontecera há um ano com Adrien. E Bruno de Carvalho, inevitavelmente...


Tudo estava preparado para que desta vez tudo se repetisse. Mas falhou. Faltou mercado, ou faltaram loucuras. Pelo que deu para ver só a RTP percebeu isso, e desligou por completo, poupando-se àquela 24ª hora de encher chouriços em chorrilhos de patetices. Nenhuma das outras televisões resistiu ao engodo, e lá ficaram a contar os segundos penosamente.


Valeu-lhes ... Fábio Coentrão. Isso mesmo, foi ele a estrela da noite  com a sua sensacional transferência do Real Madrid para ... o Rio Ave. E com o último suspiro do seu choro comovente: "Depois do que fiz, nem uma chamada do Sporting"!


Como se a sua conduta moral, o seu carácter e a sua escala de valores e princípios não tivessem nada a ver com o destino que a vida lhe traçou... Diz-se nestas circunstâncias que é um problema de cabeça. A cabeça dos jogadores de futebol tem frequentemente as costas largas. Fábio Coentrão não terá a melhor das cabeças -  percebeu-se isso vezes de mais - mas não é de cabeça o seu principal problema. É de coluna!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...