quarta-feira, 31 de julho de 2019

Revisitando a Rã de La Fontaine

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A sondagem da Multidados para a TVI, ontem divulgada e por isso a mais recente actualmente disponível, contraria a possibilidade de maioria absoluta do PS, que vinha ganhando forma nas últimas semanas, confirma a tendência de subida do BE e, e esta a grande novidade, aponta o PAN como quarta força política nacional, deixando para trás CDU e CDS.


É relevante o afastamento definitivo da possibilidade de maioria absoluta do PS nas legislativas de Outubro, a que os mais recentes acontecimentos, e as mais recentes trapalhadas, provavelmente darão normalidade. É também relevante o crescimento do PAN mas, numa espécie de espiral populista urbana, pouco surpreendente. Ainda por cima, a forte concentração do voto nas duas grande metrópoles do país potencia sempre grandes resultados na hora de eleger deputados. Relevante e surpreendente é o afundamento do CDS!


Os resultados das sucessivas sondagens confirmam que a história de Assunção Cristas candidata a primeira-ministra não passa de um episódio da Rã de La Fontaine. "Presunção e água benta, cada um toma a que quer" - diz o ditado. E sabe-se como Cristas não é muito comedida em presunção, e aprecia água benta...


Mas nada disto seria tão relevante se não se começasse a perceber em Assunção Cristas uma espécie de fuga para a frente, direitinha à sinalização mais marcante da extrema-direita. Se não se  começasse a perceber a introdução de alguns ódios e fobias no seu discurso. E isso nota-se nas posições assumidas sobre o acesso à universidade. Ou à saúde...

terça-feira, 30 de julho de 2019

Golas e outros fenómenos


 


Não fosse o caso das "golas" ir crescendo todos os dias, e ter já atingido uma dimensão que tapa quase tudo, e hoje seria dia de falar de aeroportos. Do do Montijo, porque foi ontem conhecido o respectivo estudo de impacto ambiental, que vai estar em consulta pública até 19 de Setembro e que, como de costume, nos deu a conhecer mais umas tantas aves desconhecidas que fazem a sua vida no estuário do Tejo. E que vão sofrer com aquilo... Do de Beja, porque o avião que transportou o Benfica desde Boston foi obrigado a permanecer durante 45 minutos - tem lógica, uma parte do jogo - de portas fechadas na pista, sem ninguém de lá sair. Disse-se que o pessoal do SEF, que naturalmente só se desloca para o aeroporto quando é avisado que "vem aí avião", chegou atrasado. Mas do SEF dizem que não... também sem surpresa. Ou do de Faro, que se não fosse em Portugal, onde tudo é possível, dir-se-ia que era do Entroncamento. Que também é Portugal, mas é onde acontece tudo o que é ainda mais inacreditável.


E que tal, caro leitor, se acabasse de aterrar num destino turístico, precisamente num aeroporto que serve o turismo desse destino, que sem ele não existiria - em Portugal até poderia existir, afinal existe Beja -, e se deparasse com um anúncio que, em vez de lhe dar as boas vindas, lhe dizia que estava equivocado, que ali nem pensar em descansar, e que o melhor mesmo seria voltar para trás e procurar uma coisa mais calma?


Pois... No aeroporto de Faro, até ontem, encontrava mesmo isto: "foge da confusão algarvia e descansa em França", em português, inglês e espanhol, promovendo o destino Marselha.


Mas com as "golas" - no fundo com o seu quê de semelhanças com este fenómeno no Algarve -  a cavarem cada vez mais fundo e a deixar ainda mais à mostra as misérias das estruturas partidárias no poder, vai lá falar-se de aeroportos. Vai é falar-se do líder do PS de Arouca que, de padeiro em Gaia, passou para adjunto do Secretário de Estado da Protecção Civil, por sua vez o último presidente da Câmara de Arouca, logo feito Secretário de Estado assim que esgotou todos os mandatos na presidência da Câmara, em 2017, justamente em Outubro, por ocasião da segunda vaga dos mais mortíferos incêndios no país. Que apresentou a demissão, dizendo-se o responsável pela selecção do fornecedor das golas, por acaso uma empresa do marido de uma autarca do partido, em Guimarães. E, como estas coisas são como as conversas, que são como as cerejas, já se diz que o filho do Secretário de Estado já vai nuns milhões de euros de negócios com o Estado nos últimos dois anos. E que, por via disso - que "evidentemente" desconhecia -, à luz da lei, deverá ser exonerado. O Secretário de Estado, claro...


 


 

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Brincar com o fogo

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Não é por Marques Mendes, na sua homilia dominical da SIC, ter declarado desastrosa a sua actuação que a semana do ministro da Administração Interna foi um desastre. Para ele, para o primeiro-ministro António Costa e, pior que isso, para o país. 


O desastre é que na política portuguesa, em vez de se escolherem para ministros pessoas profissionalmente competentes, eticamente inatacáveis, e capazes de assumir as suas responsabilidades, se escolham pessoas pelo dito peso político. Mais a mais quando esse é um peso avaliado numa balança que, em vez de pesar, mede fidelidades.


Em vez de peso pesado da política, Eduardo Cabrita revelou-se apenas um rapazinho de 10 quilos a "brincar com o fogo". Que sempre se disse aos miúdos que dava mau resultado!


 


 

sábado, 27 de julho de 2019

Tour de France 2019 III

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Au revoir Alpes. Bonjour Paris!


Acabaram as últimas pedaladas nos Alpes, amanhã serão as últimas deste Tour, em direcção à consagração final em Paris. À consagração do jovem  Egan Bernal, com apenas 22 anos, da Ineos. O primeiro colombiano a ganhar o Tour!


Foram três dias em que aconteceu de tudo, nos Alpes. Tínhamos despedido dos Pirinéus, se bem se lembram, com Pinault como grande vencedor, e Quintana e Bardet como grandes vencidos. Pois... Logo no primeiro dia de Alpes, na quinta-feira, na 18ª etapa, a corrida foi deles. E não fizeram pouco: Quintana ganhou, depois de uma subida extraordinária, em que chegou a alcançar a liderança virtual. E Bardet foi segundo e conquistou a camisola da montanha, que conseguiu segurar e levar até Paris. E no dia seguinte, ontem, Pinault foi obrigado a abandonar, por lesão, depois de ter batido com o joelho ... no guiador. Veja-se bem.


O primeiro dia de Alpes teve uma corrida de loucos, cheia de golpes de teatro. Comecemos pelo fantástico ataque de Quintana que, como já referido, lhe chegou a dar virtualmente a amarela. E foi neste cenário que surpreendentemente vimos a sua equipa, a Movistar, na cabeça do pelotão a comandar a perseguição e a contribuir decisivamente para desfazer essa classificação virtual.


Nos Pirinéus tínhamos visto a Movistar a fazer um trabalho fantástico e Quintana  a ficar para trás. Deixamos então aqui uma forte crítica ao corredor colombiano por ter tornado inglório esse esforço. Admitia que, se Quintana não estava em condições de tirar proveito desse trabalho, deveria disso ter informado a equipa. Foi essa a percepção daquele momento. Com o que se viu na quinta-feira, essa percepção foi completamente invertida. A ideia que ficou foi que Quintana e a equipa fizeram a corrida ao avesso, deixando-o para trás quando ele precisava de apoio, e perseguindo-o quando ele precisava  que ela o deixasse em paz!


Mas não foi apenas na Movistar que se viram coisas ao contrário. Também na Ineos se viu disso quando, na parte final da etapa, Bernal atacou logo ali a camisola amarela de Alaphilippe e e foi Geraint Thomas, que nunca fez mais nada que ir com os outros da frente, quem assumiu a perseguição. Dir-se-á que também os galês tinha legítimas aspirações a vencer, mas... não foi bonito.


Bonito também não foi, ainda nessa mesma etapa, no sopé de La Sentinelle, ver o alemão Toni Martin, da Jumbo, antigo campeão do mundo, abalroar o britânico Rowe, da Ineos, que respondeu a soco. Foram ambos expulsos da corrida. E bem!


A etapa de ontem não foi apenas a decisiva. Foi a mais insólita, com um final de todo incomum. E com Pinault a despedir-se, em lágrimas.


Bernal, que na véspera tinha dito ao que vinha, roubando o segundo lugar ao seu colega Thomas e deixando a amarela de Alaphilippe presa por minuto e meio, tomou conta das ocorrências e subiu ao Col d’Iseran, a quase 2700 metros de altitude, a dizer que queria trocar a camisola branca, que vestira à 10ª etapa, pela amarela. Quem mais perto dele se chegou foi Simon Yates. Todos ficaram para trás, e muito para trás, num esforço dramático, mas também heróico, ficava Alaphilippe, na despedida da amarela. 


No cume do Col d’Iseran faltavam 40 quilómetros para a meta, feitos de uma longa descida e, no fim, mais uma parede de 14 quilómetros para trepar. Só que uns quilómetos mais à frente, lá em baixo, em vez de estrada havia um mar de lama, gelo e pedras deixado por derrocadas provocadas pela intempérie. E aos poucos lá foi chegando a informação  aos corredores que a corrida tinha acabado mesmo lá na meta de montanha. Sem vencedor e com os tempos aí registados. Que valeriam a amarela a Bernal, e ainda o segundo lugar a Alaphilippe, provavelmente impossível noutras circunstâncias. Mas também a da montanha a Bardet.


Também a etapa de hoje sofreu com as condições climatéricas, e acabou encurtada de 130 para apenas 59 quilómetros, provavelmente a mais curta etapa em linha do Tour. A diferença é que era do conhecimento de toda a gente, logo à partida.


Foi mesmo assim uma grande corrida. E o ponto final na bonita aventura de Alaphilippe, que perdeu perto de 4 minutos para os da frente (da etapa e da geral) e caiu para o quinto lugar. Ganhou Nibali que, mesmo que muito inconstante, teve bons momentos ao logo da prova. Hoje foi só o melhor!


Dos portugueses ... tudo na mesma. Hoje Rui Costa integrou mais uma vez, em vão, uma fuga. Ainda deu para que a TV lhe desse o nome a um grupo: "group Costa"!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Boca do Inferno*

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Quando o inferno dos incêndios voltou a instalar-se entre nós, trazendo consigo tudo o que já sabemos que sempre traz – intermináveis debates nas televisões, sempre com gente muito conhecedora do fenómeno em todos os seus ângulos, entrecortados por intermináveis directos de fazer arrepiar – tivemos a notícia da greve dos motoristas, que se iniciará dentro de pouco mais de duas semanas.


O ministro já nos aconselhou a encher os depósitos dos automóveis, coisa que certamente a maioria de nós fará e que bem poderá fazer com que as bombas de gasolina fiquem esgotadas logo no início da greve, em vez de nos habituais dois ou três dias seguintes. Mas enfim…


Para além de combustíveis nos depósitos podem faltar também alimentos nos supermercados e medicamentos nas farmácias, mas aí já não chegaram os conselhos do ministro…


É, em pleno pique das férias, o inferno a estender-se para o litoral, lançando o caos nos hotéis, nas praias, nos restaurantes, nas cidades. É definitivamente tornar a vida dos portugueses num inferno: à maioria estragando-lhes as férias, aos outros, o trabalho. A todos, um país já tão estragado.


Parece que a ideia desta greve é também tornar as eleições num inferno para o governo, ao que consta de uns relatos que por aí andaram. Mas começa também a ficar a ideia que o governo está a levar isso muito a sério.


Para inferno, já lhe chega o que está a arder. E bem pode encontrar um coelho qualquer para, à boca do inferno, tirar de uma qualquer cartola...


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*Aminha crónica de hoje na Cister FM

Cheia de sumo

capa Jornal i


 


Não é a primeira vez que aqui trago capas do i, que é, para mim, sem qualquer dúvida, o líder destacado do campeonato das primeiras páginas dos jornais portugueses. Hoje, esta das laranjas, mesmo com muitas muito azedas, é deliciosa!


Os valores recorde da produção de laranjas podem nem casar muito bem com a agitação laranja que por aí anda, e que, pelo menos até à próxima terça-feira, vai continuar a dar mais batatada que laranjada. Mas que é uma capa cheia de sumo, lá isso é!

terça-feira, 23 de julho de 2019

O que aí estará para vir...

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(Tirado daqui)


Boris Johnson - ou apenas Johnson, como agora pretende na esperança que isso lhe acentue o look de prime minister - vai entrar hoje em Buckingham Palace, para de lá sair empossado chefe do governo de Sua Majestade. Pela própria, Herself!


A partir de agora não temos apenas dois loiros, mesmo que um mais laranja e mais penteadinho que o outro, no eixo Londres - Washington. Temos, mais que dois amigos, dois amigos da mentira descarada e da aldrabice manhosa no centro do mundo. E inimigos de tudo o resto. 


Há 40 anos passamos também por esta forte sintonia entre estes dois lados do Atlântico. Tornou-se no mais determinante período histórico do pós-guerra, e foi aí que foi forjado o mundo que temos hoje. Se então, com Regan e Thatcher - que ao pé destes dois até pareceriam grandes estadistas - deu no que deu, imagine-se no que poderá vir a dar desta vez...

Negócios

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Já sabíamos que as velhas Finanças, hoje Autoridade Tributária, se transformaram numa máquina de cobranças coercivas, numa empresa de cobranças do tipo Cobradores do Fraque. Mas sem fraque e sem maneiras...


Não sabíamos é que o negócio está a correr tão bem. Cresce tanto que já representa 11% de toda a sua actividade.


O combate à grande fraude é que deixou praticamente de existir. Se calhar entregaram essa área aos grandes gabinetes de advogados... Eles tratam bem dessas coisas. E doutras, porque no primeiro semestre os gastos do Estado em advogados aumentou em 80%. Por ajuste directo, para ser mais bonito! 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Outra vez!

 


             Capa Correio da ManhãCapa Diário de NotíciasCapa Público


 


Os incêndios regressaram, e com eles se encheram as primeiras páginas de todos os jornais de hoje, como se abriram os noticiários da rádio e da televisão de um fim-de-semana de aflição. 


Incêndios, outra vez! E outra vez nos mesmos sítios, nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas de há dois anos. E de sempre: Vila de Rei, Mação, Sertã... Falta Oleiros. Que se passará com Oleiros?


Outra vez falta de meios. Outra vez descoordenação. Outra vez as mesmas palavras de sempre. Outra vez criminosos à solta. Porventura os mesmos, outra vez.


Sem políticos no terreno, a atrapalhar e a meterem os pés pelas mãos. Desta vez. 


 

domingo, 21 de julho de 2019

Tour de France 2019 II

Foto 72799


 


Volto ao Tour, como prometido, agora no final da segunda das três semanas da prova. E no final da passagem pelos Pirinéus que, se não decide tudo, deixa sempre muito para contar.


Mas a história desta segunda semana do Tour não se esgota nestes dois dias de Pirinéus, ontem e hoje. Antes pelo contrário, foi uma semana cheia.


Tida à partida como uma etapa sem História, na véspera do dia descanso, a décima etapa, entre Saint-Flour e Albi, de 218 km, acabou por se transformar numa das estapas decisivas deste ano, graças ao vento, aos famosos ventos laterais, que sempre fazem estragos. Mais uma vez muitos foram os que ficaram desde logo irremediavelmente atrasados, ou os que, não tendo sido o caso, foram fortemente penalizados, como Thibaut Pinot (Groupama FDJ), Richie Porte (Trek-Segafredo), Rigoberto Uran (EF Education First) e Jakob Fuglsang (Astana), gente com fortes aspirações que logo ali perderam quase dois minutos, que não é coisa pouca na hora das decisões finais. 


Depois veio o único contra-relógio individual da prova, em Pau, ali na base dos Pirinèus, onde todos perspectivavam que Julian Alaphilippe fosse obrigado a entregar a camisola. Nada disso, e o francês não se limitou a resistir. Ganhou mesmo, foi surpreendentemente o melhor, numa especialidade que não era tida pelo seu ponto forte. Ganhou em toda a linha, e reforçou a liderança, aumentando bem para lá dos dois minutos a diferença para Geraint Thomas, o principal favorito.


E depois vieram os Pirinèus, com a subida ao Tourmalet logo no primeiro dia, ontem, com Alaphilippe a resistir e a acabar mesmo, com o segundo lugar na etapa, atrás de Pinault, o vencedor - dobradinha francesa - a voltar a reforçar a diferença para o britânico, ganhando-lhe mais 30 segundos, e ganhando-lhe claramente o duelo.


Mesmo sem o mítico Tourmalet, a etapa de hoje, a décima quarta, não era menos difícil. E se não teve uma história completamente diferente - já lá vamos - foi diferente o destino do duelo entre os ainda dois primeiros, já que o francês, que no final do dia de ontem era já apontado como o vencedor deste ano, talvez levado por essa onda, cometeu um erro grave: esqueceu-se que Thomas era ainda o principal adversário e, já sem protecção da equipa, repondeu a ataques a que não podia responder. Acabou por pagar a imprudência e perdeu tudo o que ganhara ao britânico nas duas vezes em que o batera, no contra-relógio e no Tourmalet, e por deixar tudo em aberto.


O vencedor dos Pirinéus, onde chegou em sétimo, a mais de 3 minutos, e donde parte no quarto lugar, mas a poucos segundos do sóbrio kruijswijk, o holandês da Jumbo-visma, terceiro, e de Thomas (Ineos), segundo, e como forte candidato ao triunfo em Paris, foi claramente Pinault, primeiro no Tourmalet e segundo hoje, em Foix Prat D’Albis, atrás de Simon Yates.


Os vencidos são muitos, especialmente o francês Romain Bardet (Ag2r-La Mondiale), um habitué do pódio, e quase dramaticamente o colombiano Nairo Quintana (Movistar), depois do notável trabalho que a sua equipa  desenvolveu nos Pirinéus em seu proveito. Na etapa de ontem o colombiano falhou rotundamente, depois da sua equipa ter destruído praticamente todo o pelotão, num esforço inglório que Quintana não soube respeitar (exigia-se, no mínimo, que informasse a equipa que não estava em condições de corresponder a todo aquele esforço dos colegas). Na de hoje ficou no grupo da frente, com o apoio de mais dois colegas de equipa, numa fuga que o chegou a deixar como líder virtual, e acabou em vigésimo, a 3 minutos de Simon Yates. Entrou nos Pirinéus como favorito, até porque, à excepção do contra-relógio, sempre o seu calcanhar de Aquiles, tudo lhe tinha corrido bem. E saiu na 13ª posição, a oito minutos e meio de Alaphilippe.


Dos portugueses não reza a História deste Tour. Nem tanto pela classificação geral: Rui Costa (UAE - Emirates) em 57º, Nelson Oliveira (Movistar) em 96º e José Gonçalves (Katusha) em 127º. Mas porque não têm feito nada que valha história. Rui Costa o melhor que fez foi o oitavo lugar na 12ª etapa, depois de finalmente conseguir entrar numa fuga (numerosa) mas de não acompanhar os que de lá sairam para a meta. Já o melhor de Nelson Oliveira foi o 11º lugar no contra-relógio, a sua especialidade, 13ª etapa.


Amanhã é dia de descanso. O segundo e último. Seguem-se duas etapas para roladores e sprinters e, depois, os Alpes, em três dias que tudo se decide. Se nada de anormal acontecer entre Pinault, kruijswijk, Thomas e Alaphilippe.


Há dois franceses que podem chegar a Paris de amarelo. Há muitos anos, mais de trinta, que os franceses não vêm uma coisa dessas! 


 

sábado, 20 de julho de 2019

Foi há 50 anos!

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"Um pequeno passo para o Homem, um grande salto para a Humanidade". Visto daqui, à distância de 50 anos, não se vê bem o salto. Por maior que tenha sido...


Culpa do vento e da chuva que, enquanto lá tudo deixam na mesma, por aqui tudo apagam. Ou até da História...


 

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Momento de comédia*


(Foto daqui)


Esta semana o Banco de Portugal presenteou-nos com mais um dos seus “tesourinhos deprimentes”, a lembrar-nos as rábulas do(s) saudoso(s) Gato Fedorento. Depois de ter finalmente entregado a lista com as 128 entidades incumpridoras, que nos obrigaram a sair em resgate dos bancos, uma mão cheia de nada que nos deu a saber coisa nenhuma, o Banco de Portugal montou um espectáculo de stand up comedy .


Mais ou menos assim:


- Então é esta a lista dos caloteiros, quer dizer, dos grandes devedores da banca?


- Sim, mas sem nomes. Os nomes são sigilosos.


- É possível, mesmo assim, fazer alguma leitura dos números?


- É. Mas é preciso muito cuidado, porque são coisas muito complexas!


- Mas … os dados revelados, ao menos estão certos?


- Sim, mas se não estiverem a responsabilidade é dos bancos, deles próprios.


- E a informação divulgada, é suficiente?


- Quem definiu o que devia ser divulgado foi o Parlamento.


- Então, e para terminar, agora que ninguém nos ouve: o Berardo não deve nada, ou é o 12 e deve aquilo tudo?


- Essa é uma das coisas muito complexas…


- Percebemos. Obrigado! Estamos agradecidos e esclarecidos…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Só podia dar nisto...

Centeno apontado para liderar o FMI


 


A notícia que dá Centeno na short list donde sairá o novo nº1 do FMI - sucedendo à Senhora Lagarde, que sai pela porta grande para entrar no BCE, que sucedera a Strauss-Kan, que saíra pela porta pequena por entrar por onde não devia - não surpreende muito os portugueses. Que se dividem entre os que o dividem entre herói (mais um português num alto cargo internacional) e vilão (um desertor que se passou para o inimigo, e logo para tomar conta  dele). Mas que não têm dúvidas que, depois destes quatro anos, só podia dar nisto. O homem teria que ir parar ao FMI!


 

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Lista de devedores do Banco de Portugal - venha "cuscar"!

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Finalmente, depois de negas e mais negas, que até obrigaram a fazer leis para o efeito, depois do consentimento final e, depois disso e disso tudo, depois mais fintas e jogadas de cintura, em mais meses de espera, o Banco de Portugal lá entregou no Parlamento a lista dos grandes devedores à banca. A lista daqueles que nos obrigaram a trabalhar uma década inteira para os bancos, e que temos o direito de saber quem são.


Ficamos finalmente a conhecê-los, um a um. E não deixamos de ficar surpreendidos. Por exemplo, falava-se do malandro do Berardo quando, na verdade, como o próprio garantira na Assembleia da República, ele não deve nada. E o maior devedor da CGD é afinal o 012, esse sem vergonha.


Do 086 e do 029 já há muito que se desconfiava. Aqueles iates ... não podia ser... Mas, francamente, quem diria que o 040 não era de boas contas? 


 

terça-feira, 16 de julho de 2019

Palavras excessivamente cruzadas

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Os exercícios de palavras cruzadas, um passatempo irremediavelmente em vias de extinção, não constituem exemplos de erudição, nem propriamente referências de imaginação. Mas também não imaginávamos que pudessem constituir focos de contestação, e já verificamos que sim. Que podem.


"Ensinam quando não estão em greve" foi a expressão que no Expresso escolheram para sugerir a resposta "professores" no seu exercício de palavras cruzadas deste fim de semana. Não é um exemplo de erudição, nem de grande imaginação. E é de inegável mau gosto... Mas, se calhar, também não será motivo para que o Carmo e a Trindade estejam a cair... 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Um artista

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Trump vem a Portugal. Só não tem ainda data marcada, diz o presidente Marcelo. É o que se chama matar o assunto à nascença. Não tem importância nenhuma. Pronto, não se fala mais nisso.


Entretanto vai a  Paris e canta a marselhesa ao lado de Macron, na parada militar do dia da tomada da Bastilha... Como se não estivesse a cantar o hino oficial de um país estrangeiro, no seu dia nacional...


Um artista!

domingo, 14 de julho de 2019

O campeão voltou

Girão à frente do 'castelo' e ...  Portugal é campeão do Mundo de hóquei em patins


 


Desasseis anos depois - uma eternidade à luz da História de Portugal na modalidade - a selecção nacional de hóquei em patins voltou hoje, em Barcelona, a conquistar o título mundial. Vinte e seis anos depois da última vez que o fizera em território estrangeiro, então em Itália, o que dá bem a ideia de como perdeu a hegemonia mundial de que desfrutou no passado.


Hegemonia que passou claramente para os nossos vizinhos espanhóis, que ganharam sete dos últimos oito campeonatos do mundo disputados desde a última vitória portuguesa. Apenas a Argentina evitou o pleno espanhol.


Poderá dizer-se que esta vitória portuguesa neste campeonato mundial de Espanha é inteiramente justa e merecida à luz do esforço que lhe foi exigido, já que teve de eliminar a Itália, nos quartos de final, e a Espanha, nas meias finais, depois de ter empatado na fase de grupos com a Argentina, o adversário desta final, que ganhou o grupo por diferenca global de golos. O que, caprichos do sorteio, lhe facilitou a vida no caminho para a final.


Hoje, num jogo que terminou sem golos - nos 50 minutos regulamentares e nos 10 do prolonagamento, coisa pouco habitual na modalidade - até nem terá sido melhor que o adversário. Mas foi melhor no desempate pelas grandes penalidades (2-1), como já havia sido no outro jogo, em que igualmente venceu da mesma forma, mesmo que dessa vez, como se percebe do que foi dito atrás, não lhe tivesse valido de nada.Tratava-se então, e apenas, de uma medida preventiva para o  desempate na classificação, na eventualidade de o empate se manter depois de esgotados os restantes critérios de desempate. 


Já o apuramento frente à Itália tinha sido conseguido pela mesma via o que, e se outros méritos não tivesse tido - e teve, ainda hoje defendeu cinco grandes penalidades durante todo o jogo -, faz do guarda-redes Girão o grande herói deste título.

sábado, 13 de julho de 2019

Tour de France 2019 I

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Com a chegada hoje a Saint Étienne cumpriu-se hoje a primeira semana desta edição do Tour. Para trás tinham ficado sete etapas, as três primeiras corridas em solo belga, entre as quais um contra-relógio por equipas, na segunda, onde a principal novidade terá sido o fraco desempenho da Movistar, fora das 10 primeiras, que só não penalizou Nairo Quintana, ainda e sempre na lista dos favoritos, bem como Mikel Landa, também um nome a ter em conta, porque as diferenças em apenas 30 quilómetros não dão para fazer grande diferença.


O primeiro cheirinho a montanha chegou na etapa 6, anteontem e, se não deu para "cavar" grandes diferenças, deu para afastar logo alguns nomes sonantes como Adam Yates e Dan Martin, que aí perderam mais de 14 minutos. Deu também para a amarela saltar do francês Julien Alaphillippe, a nova coqueluche dos gauleses, que hoje a reconquistaria em Saint Étienne, para o italiano Giulio Ciccone.


Sem Froome, vitima de queda e obrigado a uma intervenção cirúrgica a poucos dias do início da competição, o favoritismo cai todo, de novo, no seu colega e compatriota Geraint Thomas, o vencedor do ano passado, agora, que a poderosa Sky abandonou o ciclismo, na nova e igualmente poderosa Team Ineo. Mesmo que sejam enormes as expectativas que caem sobre a nova estrela espanhola, o jovem Enric Mas, da Deceuninck-QuickStep!


Vamos ver o que aí vem. E cá voltaremos para contar como foi, como habitualmente.


 


 

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Sinais dos tempos*

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Nos últimos tempos tem-se falado muito do surgimento de uma nova ordem sindical, em ruptura com o velho establishment herdado do século XX, baseado em estruturas orgânicas e ideológicas bem definidas.


Muitos dizem que há um confronto entre as velhas respostas do sindicalismo orgânico e a nova realidade do mundo do trabalho ou, mais pragmaticamente, que os velhos sindicatos já não representam os novos trabalhadores. O financiamento das greves através da novidade do crowdfunding, em vez dos velhos, curtos e limitados fundos de greve do início do século passado, não é mais que a ponta do iceberg.


Todos os movimentos sociais estão sujeitos a dinâmicas próprias que, uma vez em movimento, são difíceis de parar. É o que poderá estar a acontecer com estes novos modelos sindicais, provavelmente condenados a crescer em direcção à substituição da velha ordem sindical, numa dinâmica que poderá estar a revelar-se muita atractiva para muitos e diversos interesses, eventualmente pouco convergentes com os que se propõem representar.


Exemplos dessa perversidade começam a andar por aí, e a surgir a descoberto.


No sindicato dos motoristas de matérias perigosas, que paralisou o país há um par de meses e que já pediu desculpa por se preparar para o voltar a fazer já no próximo mês, o líder e mentor é conhecido pelo “advogado do Maserati”, por se fazer deslocar num automóvel desta prestigiada marca. Tão estranho como um sindicalista de Maserati, é um advogado associado de um sindicato de motoristas. Mas o sucesso salta barreiras e, segundo as notícias, estará já a ser requisitado para alargar a sua intervenção a novos domínios sindicais. É até possível que esteja a pensar em franchisar a ideia. Um franchising de Sindicatos… é capaz até de ter futuro.


Não menos preocupante, antes pelo contrário, é o que se passa com os novos sindicatos da polícia, que se multiplicaram como cogumelos. São já 17, os sindicatos que se propõem representar os polícias portugueses - um record na administração pública portuguesa. Em muitos são mais os dirigentes que os sindicalizados. E como cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês, a que se junta mais 12 horas para os delegados, as folgas já se traduzem em perto de 40 mil dias.


Há cera de dois meses tivemos oportunidade de constatar que boa parte dessas folgas era canalizada para a actividade política, quando os vimos nas listas de um partido de extrema-direita, que por aí anda à procura de um lugar ao sol. Esta semana ficamos a conhecer outros aproveitamentos dessas folgas, com a notícia da detenção de outro polícia sindicalista, com 125 quilos de droga. Dizem os jornais que aproveitava as folgas para ir a Espanha buscar a droga que traficava por cá… E que não escondia nada dos sinais de fortuna que o negócio lhe garantia...


Não. Este não é um novo paradigma do sindicalismo. Apenas sinais dos tempos… Destes tempos!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 11 de julho de 2019

O estado do retrato

Capa Diário de Notícias


É no mínimo interessante, esta capa de hoje do DN - que não está nas bancas - na rara e feliz oportunidade de cruzar o "Estado da Nação" com o "retrato do país". 


O último debate da actual legislatura na Assembleia da República mostrou uma "Nação" em "estado" de eleições, com muito pouco a ver com o país retratado nos dados estatísticos que a Pordata hoje revela. Na última década - um pouco mais, entre 2007 e 2018 - a população diminuiu e ficou mais velha. Os portugueses casam menos e têm menos filhos. Estão mais letrados e mais formados, mas igualmente pobres.


Tudo mudou nesta última dúzia de anos, só a pobreza ficou. Inalterada e inamovível, como "o Estado da Nação"!

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Obrigado, Jonas. Já estamos cheios de saudades...

Benfica perde com Anderlecht no jogo de apresentação aos sócios


 


O Benfica disse hoje olá à nova época e adeus a Jonas, porventura o seu melhor e mais influente jogador deste século, razões suficientes para levar à Luz quase 60 mil adeptos. 


O jogo é que não foi grande coisa, ainda para mais ensombrado com uma derrota, que apesar de tudo bem poderia ter sido evitada, mesmo que o Anderlecht - o convidado para a festa e agora treinado por esse grande jogador, que Vincent Company ainda é - tenha em muitos momentos do jogo sido superior. Mas, nas contas finais do jogo, o Benfica acabou por criar mais oportunidades de golo, bem suficientes para ter construído outro resultado que não a derrota (1-2). E nestas contas entra também o árbitro, Fábio Veríssimo, um velho amigo da casa, que nem em jogos destes deixa os seus créditos por mãos alheias. Desta vez fez vista grossa a dois penaltis, que deixou por assinalar a favor do seu ódio de estimação. O primeiro ainda sobre Jonas, que saiu, para os aplausos, ao minuto 10, e que bem poderia ter saído com um golo na despedida. 


 Bruno Lage fez alinhar 30 (!) jogadores - apresentação é apresentação! - e logo por aí se vê que o jogo não poderia dar para muito mais que mostrá-los. Poucos foram os que aproveitaram para isso mesmo, para mostrar qualidades e deixar água na boca dos adeptos. Dos novos, Chiquinho, que marcou o golo, foi o mais feliz. E Cadiz o mais azarado - saiu com uma lesão muscular logo depois de ter entrado. Raúl De Tomás (RDT, como usa no manto sagrado), soube a pouco, parecendo ainda desligado da equipa, mesmo que se tenha de reconhecer que, no período em que esteve em campo, toda a primeira parte, houve pouco de equipa. Dos que já cá estavam, mesmo no pouco tempo tiveram, mostraram-se a esperança Jota e o consagrado Pizzi.   


Pior que a manta de retalhos que foram as três equipas que o Benfica apresentou estava o relvado. O novo relvado está uma lástima, ficou muito mal na apresentação e terá ainda de melhorar mais que a equipa. 


 


 

A última fronteira?

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Disputou-se no passado domingo a final do Campeonato do Mundo de futebol feminino, que decorreu em França, ganha pela selecção dos Estado Unidos (2-0 à surpreendente Holanda), a mais titulada da modalidade. No final do jogo as bancadas irromperam num cântico que rapidamente saiu do Estádio e e rompeu fronteiras: "Equal pay! Equal pay! Equal pay!"


Pouco antes do início do campeonato do mundo, as jogadoras da selecção alemã, a mais titulada na Europa, tinham já lançado o movimento, com um vídeo que se tornou viral. E que a as jogadoras americanas acabaram de replicar, já depois do jogo decisivo e da erupção nas bancadas de há três dias.


Depois de conquistarem o direito a jogar à bola como os rapazes, de superarem o estereotipo das "gajas não sabem" nem têm condições para jogar à bola e, por fim, de demonstrarem, como fizeram em especial neste Mundial de França, que são capazes de produzir um jogo tão competitivo e tão espectacular como os homens, as mulheres do futebol, que há poucas semanas exigiam apenas reconhecimento - evidente no vídeo das jogadoras alemãs -, exigem agora "equal pay". 


Não que lhes paguem salários iguais aos de Messi e Ronaldo, mas que paguem o jogo, que paguem o espectáculo, como pagam no futebol masculino para, depois sim, pagar às Messis e Ronaldas que por aí há, ou que por aí acabarão por surgir.  


A História aqui não difere muito da do resto das actividades. Apenas andou mais depressa. Talvez por ser a última fronteira ...


 


 

terça-feira, 9 de julho de 2019

Espetam-nos com cada uma...

capa Jornal i


 


Aumentaram os espetadores a cavalo? Ou terão aumentado os que espetam a pé? 


Bom, se calhar aumentou tudo o que espeta.


E os espetados? Aumentaram ou mantêm-se?


Valha-nos o arresto. Ou a bóia...

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Palavras proibidas

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Em entrevista à Rádio Renascença, citada pelo Público, o primeiro-ministro garante que nunca fará “chantagem aos portugueses”, e que nunca dirá que "que só governo nesta ou naquela condição.”


Ou António Costa tem um grande, um enormíssimo sentido de humor, ou acha que anda tudo muito, muito distraído! 


Certas palavras, em certas bocas, são pouco certas...


 

Impressionante


A Senhora Historiadora Fátima Bonifácio gosta de mandar umas atoardas que deixem muita gente impressionada. Se acaba a impressionar o próprio director do jornal que lhe cede o espaço onde as escreve tanto melhor. Mais gente acaba ainda a impressionar...


Morreu João Gilberto, o pai da bossa nova e, se calhar, o baiano que inventou o Brasil. A sua morte, chorada em todo o mundo e “uma perda para o património cultural” na declaração da UNESCO foi,  para Bolsonaro, simplesmente a morte uma pessoa conhecida.


Se a História fosse escrita por Bolsonaros, as Fátimas Bonifácios teriam provavelmente pouca dificuldade em explicá-la. 

sábado, 6 de julho de 2019

O epílogo é lixado


 


Para tentar disfarçar os fracassos da época de transferências Pinto da Costa não arranjou melhor que engalanar a contratação do japonês Nakajima como um profundo golpe no Benfica. E não conseguiu mais que 40% do passe, o que faria se tivesse ficado com tudo...


É que toda a gente sabe que na Luz não se suspirava por outra coisa...


O epílogo é lixado!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

NIBOR*

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Depois de, em Maio, ter introduzido novas e mais agravadas tarifas sobre a utilização e manutenção das contas de Depósito à Ordem, a Caixa Geral de Depósitos, o banco público, acabou de informar os seus clientes de ter cortado em 70% as taxas de juro dos depósitos a prazo (a taxa de juro das diferentes contas poupança passa a ser de 0,015%), e que vai deixar de pagar juros abaixo de 1 euro.


Quer isto dizer que os titulares de depósitos a prazo com menos de 7 mil euros deixarão de usufruir de qualquer rendimento sobre o seu dinheiro. E que, ao invés, aos proveitos que acrescenta sobre as contas à ordem destes seus largos milhares de clientes, a Caixa vai somar mais uns milhões de euros de juros que unilateralmente decidiu deixar de pagar.


Quer isto ainda dizer que, a centenas de milhares de pequenos depositantes, a Caixa corta-lhe os rendimentos e aumenta-lhe os custos. Talvez isto até não chocasse muito se não estivéssemos precisamente a acompanhar os trabalhos da Comissão Parlamentar Inquérito que, com os resultados que se conhecem, anda à procura dos 4 mil milhões de euros - que todos tivemos já de repor - que um bando de inimputáveis malfeitores fez desaparecer do banco público nos últimos anos. Ou se não estivéssemos a saber que acabam de ser aprovados os prémios à Administração pelos resultados de 2017, os primeiros desses mesmos últimos anos que se não escreveram a vermelho!  


Mas, assim, choca um bocadinho… É o ROBIN (dos Bosques) ao avesso. Que dá NIBOR, e até parece um indexante de taxa de juro à espera do spread


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Mais uma vez...

capa Jornal Marca


 


Benfica e Atlético de Madrid oficializaram finalmente a transferência de João Félix, logo depois de, em Portugal e em Espanha, os jornais terem dado conta que os madrilenos estavam a perder a paciência.


Num dia, o Atlético de Madrid ameaça perder a paciência; no outro, está tudo tratado. Pode ser mera coincidência mas, à luz de tudo o que foi o processo, não parece.


Bem sei que nos dias que correm não fica bem questionar o que quer que seja deste negócio, sabendo-se que quem o faça corre o risco de ser até acusado de estar ao serviço do outro. Mas não posso deixar de notar que, mais uma vez, o Atlético de Madrid não faltou apenas ao respeito ao Benfica, achincalhou mesmo.


Teria apenas faltado ao respeito se se tivesse ficado pela abordagem ao jogador sem passar cavaco a ninguém. Ou pela pressão nos jornais, à revelia ou não dos canais de comunicação entre as partes. Mas, ao mostrar publicamente, precisamente no mesmo dia, o que é accionar uma cláusula de rescisão (nesta mesma capa da Marca: "Rodrigo paga su cláusula para irse al City"), o Atlético de Madrid achincalhou e deixou, mais uma vez, Luís Filipe Vieira muito mal na fotografia.


Por muito que muitos não queiram ver...

quarta-feira, 3 de julho de 2019

O peso das coisas

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Agora, que, uns jornais dizem que a solidariedade dos portugueses já arranjou os dois milhões de euros, que uns dizem não servir de nada, e outros já não serem precisos para nada, não pergunto por que não se entendem. Pergunto apenas se, vender um medicamento por dois milhões de euros, pode alguma vez ser aceitável?


Parece que sim. Mas eu não acho...


 

terça-feira, 2 de julho de 2019

... E no fim ganha a Alemanha

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Em Bruxelas resolveu-se finalmente o jogo dos cargos para as instituições europeias. E nem se pode dizer que o resultado tenha sido surpresa: no fim ganhou a Alemanha. Como no futebol, também nestas coisas da União Europeia ganha sempre a Alemanha.


Mesmo com Merkel a tremer. Figurativa, mas também literalmente...


O jogo? Deplorável, uma vez mais!

Na América ...

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Desta vez o insólito vem do Alabama, um dos Estados do Sul dos Estados Unidos da América, onde o direito à posse e uso de armas está acima de qualquer direito da mulher, especialmente de for negra.  


Os factos ocorreram já em Dezembro passado, mas a notícia é fresquinha, e vem da acusação, agora conhecida, de uma mulher grávida pelo homicídio do seu filho. Pela prática de aborto, pensará certamente o leitor... Num Estado em que o aborto é o mais grave dos crimes, será normal...


Nada disso. O feto que esta mulher de 27 anos trazia na barriga perdeu a vida porque, no meio de uma discussão (sobre o pai da criança) com outra mulher, de 23, à porta de um bazar, a grávida foi atingida com um tiro que, em vez de a matar - e por consequência igualmente o feto -, deixando-a ferida, matou apenas o futuro bebé. A acusação tem por base a convicção absoluta, a crença inatacável, que a mulher tem por função procriar e por obrigação parir filhos fortes e saudáveis, constituindo acto criminoso tudo o que o impeça.


Tendo sido ela a iniciar a discussão, ou no mínimo não a tendo evitado, cometeu um crime, claramente culpada de ter levado um tiro que provocou a morte do feto. Nesta mesma lógica do caldo de cultura da América profunda, a mulher que disparou apenas o fez em legítima defesa. No uso do legítimo e superior direito a usar armas!


O New York Times tomou a iniciativa de efectuar um inquérito à população sobre esta sentença. Os resultados foram esmagadores: a vítima é mesmo  culpada!


É assim... na América...


 


 


 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Caldeirada a 28

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Os 28 - sim, o Reino Unido também conta - não se entendem com a caldeirada de poder na União Europeia. Quem diria que seria assim tão difícil substituir gente como Durão Barroso e Juncker? 


A verdade é que nunca se discutiu tanto para escolher os que mandam na União Europeia. Quem manda nos que mandam na União Europeia é que não tem discussão...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...