sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Às vezes está tudo a correr bem, mas lá vem uma vez em que as coisas correm mal. As coisas não estão bem, longe disso. Mas nem sempre correm mal. Foi hoje o caso: as coisas não estão bem, mas hoje correram bem. Nem tudo, é certo. Mas o essencial!


Veja-se: Talisca lá esteve os 90 minutos - as coisas não estão bem. Mas não correu mal: não jogou mas não fez falta. Carcela jogou mais um bocadinho, e bem, como tem sido norma: correu bem. Mas não está bem: para além de jogar bem fez um excelente golo, que quase não festejou. Um jogador que joga poucas vezes, que joga bem e que marca um golo daqueles tem de festejar. Nem que seja de raiva!


As coisas não estão bem, mas continuam a aparecer uns rapazes novos que nos deixam água na boca. Hoje foi o Clésio, que é avançado e jogou num dos mais halloweenizados lugares da equipa: isso... defesa lateral. E logo a titular. E mostrou, até durar, que é jogador, que tem ambição e personalidade. Durou 65 minutos e ninguém podia exigir-lhe que durasse mais... E foi o Renato Sanches, que no Porto teria entrado de início, para que se estabelecesse um recorde. Mas ainda está a tempo de se tornar no mais jovem titular do Benfica... Encheu-nos os olhos e os corações, mesmo que - dizem - não seja assim que se ganham campeonatos. E, claro, o grande golo - são três grandes golos, poder-se-ia até dizer que são quatro grandes golos, porque o segundo, o autogolo, é também ele de uma execução notável - do Gonçalo Guedes é a cereja. 


Claro que já perceberam: é da vitória gorda do Benfica sobre o Tondela, hoje em Aveiro, que se tem estado a falar. Na ressaca do desastre de domingo e na antecâmara da esperada confirmação do sucesso na campanha europeia, sintomaticamente interrompida na desgraçada semana passada.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Benfica 3 - Tondela 0

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Mais de 50 mil na Luz, a uma quarta-feira e a horário impróprio, para um Benfica - Tondela da primeira ronda da Taça da Liga, que agora é também os quarto de final, que apuram os quatro grandes para a as meias finais, também chamadas de final a quatro, quando não "final four".


Que comparam com os quatro o cinco mil da Pedreira (onde o Braga despachou o Santa Clara por 5-0), e com os 20 mil de Alvalade, em tempo de Sporting gordo que, com uma equipa de segundas linhas e muita rapaziada nova, despachou o Alverca por 5-1. Nisto o Benfica é de outro campeonato, ninguém tem dúvidas.


Nisto de comparações é, no entanto, quase impossível fugir a uma outra, já com mais a ver com o que se joga dentro das quatro linhas do campo. É que no passado domingo, há três dias apenas, houve que tivesse visto o Sporting jogar com este Tondela, lá pela zona de Lafões. Eu vi. Não era este mesmo Tondela, porque Ivo Vieira, o treinador madeirense agora em terras da Beira, mudou 10 jogadores. Não terá utilizado agora os melhores, mas também não fez grande diferença. Grande diferença houve mas foi naquilo a que o adversário o obrigou. 


José Mourinho não brincou em serviço, e poucas alterações fez àquilo a que já se pode chamar o seu onze. Mudou o guarda-redes, mas isso é já da praxe. E não seria Samuel Soares a fazer qualquer diferença. E trocou Rios por Leandro Barreiro, e Pavlidis por Ivanovic. Com Dedic ainda de fora, lesionado, nem sequer dispensou Aursenes da função de lateral direito. Por isso utilizou Schjelderup na esquerda, sem que se pudesse ainda dizer - agora parece que sim - em vez de Prestiani.


Mas nem assim a equipa conseguiu entusiasmar ninguém, e repetiu-se o que se tem visto: equipa sem dinâmica ofensiva, sem velocidade, sem intensidade, sem rematar, e a deixar passar o tempo, à espera que seja ele, e não eles, a resolver as coisas. Em contraste flagrante com o que vemos nos nossos rivais.


Já com o intervalo à espreita, o - a, no caso, Cláudia Ribeiro - VAR descortinou um penálti, que os jogadores do Benfica reclamavam, e que o árbitro, Carlos Macedo, confirmou depois de observar as imagens, desbloqueando-se assim o que a equipa não conseguia desbloquear. Fosse por ser dia de celebração (250 jogos pelo Benfica) de Otamendi, fosse pelo exemplo que é - que Mourinho tinha voltado a enfatizar -, fosse mais um sinal para Ivanovic, a responsabilidade da conversão foi entregue ao capitão, que resolveu com mestria.


Pareceu que o intervalo tinha servido para Mourinho espevitar aquela gente, e a verdade é que o início da segunda parte parecia prometer outra coisa, melhor que o que se tinha visto. Parecia, porque logo a abrir, numa jogada como até então ainda se não tinha visto - excelente recuperação de bola de Schjelderup, que entregou a Barreiro, deste para Lukebakio que, num espectacular toque de calcanhar, assistiu Sudakov para um remate extraordinário de força e colocação - o Benfica fez o segundo golo.


Aconteceu então algo de verdadeiramente insólito. Durante mais de 5 minutos o jogo esteve parado à procura de qualquer coisa de que ninguém se tinha apercebido. Ninguém nas bancadas, e ninguém no relvado. Nem árbitro, nem assistentes, nem jogadores ... No fim, do VAR, veio a inacreditável notícia de fora de jogo de Lukebakio. Minutos depois, viriam as imagens a revelar ... fora de jogo por 1 centímetro!


Não é o ridículo do centímetro único. É a falta de vergonha, já que na própria imagem se vê Lukebakio atrás da linha, e atrás do defesa adversário, por quem está até completa e totalmente coberto.


Durante toda aquela espera os jogadores devem ter-se esquecido do que ouviram ao intervalo, e regressaram à toada da primeira parte. Obviamente com os mesmos resultados. 


Então o tempo passava sem resolver nada mais que não fosse lembrar às bancadas Santa Clara e Rio Ave. Às bancadas e a José Mourinho, que por isso achou melhor lançar Pavlidis (saiu Ivanovic), Prestiani (saiu Schjelderup) e Rios (saiu Sudakov). 


Pouco depois de ter entrado Rios tirou da cartola um coelho como ainda se lhe não tinha visto e, de bandeja, ofereceu o golo a Lukebakio. Faltavam 10 minutos, e era finalmente a tranquilidade. Já dentro dos 6 minutos de compensação Pavlidis fecharia o marcador. Ironicamente numa expressão exactamente igual à do tal jogo do passado domingo, em Tondela. O da comparação!


Tinha dito aqui, a propósito da exibição no último jogo, com o Arouca, que tínhamos de nos conformar, que não dava para esperar muito mais e que se vira "provavelmente o melhor que o futebol de Mourinho tem para nos dar". Quatro dias depois, este jogo confirma-o!


Como aqui referia no momento da sua contratação, não esperava de Mourinho "um futebol empolgante" ... "uma equipa demolidora, capaz de arrasar todos os adversários, goleadora, a espalhar perfume pelos relvados". Esperava "uma equipa rigorosa e competente, com jogadores empenhados, e capaz de, a bem ou a mal, ganhar". E tinha a certeza da mais valia da comunicação de José Mourinho. 


Mourinho não está a desiludir. Pelo contrário, confirma tudo isso. E mesmo quando não se confirma  o rigor e o empenho dos jogadores, ele próprio o denuncia. Não é como tantos - diria mesmo, todos - treinadores que vêm jogos que ninguém vê. Não, ele vê o mesmo jogo que nós. E isso é o seu grande capital.


Vemos - claramente visto - que os jogadores vêm, cada vez mais, parecendo piores do que quando chegaram. Já vinha de Bruno Lage. Temos que fazer um grande exercício de memória e de análise para nos lembrarmos de um jogador que Bruno Lage tivesse claramente valorizado. Olhamos para Rios, Enzo, Sudakov, e Ivanovic e não temos grande dúvida em afirmar que parecem hoje piores que quando, há três ou quatro meses, chegaram. Dos mais de 100 milhões de euros acabados de investir em meia dúzia de contratações, ao dia de hoje, somos capazes de achar que se salvam Dedic e Lukebakio. Este ainda com o peso de fazer esquecer Di Maria.


Pois. Até neste quadro desolador o carácter de Mourinho nos deixou ontem ver uma luz no fundo do túnel. Disse ele, na conferência de imprensa, isto, sem tirar, nem pôr: "Aqueles que acreditam na minha filosofia, no meu método, na minha liderança, no meu trabalho, melhoram. E melhoram para níveis que tinham por inatingíveis. Os outros, pioram".


Nesta declaração, nesta precisa altura, está tudo o que é preciso. É qualquer coisa de fantástica. É Mourinho!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A poucos dias das eleições, o governo renovou o fracassado mandato do governador do Banco de Portugal. Fracasso acentuado na missão falhada de vender o Novo Banco. Fracasso pessoal, agora confirmado pelo próprio, ao endossar a missão a um terceiro, confessando e assumindo a sua incapacidade.


Nas vésperas da tomada de posse de um novo governo, de um governo que - sabe-se - não durará mais que uma semana, duas no máximo, é escolhido para a missão um secretário de Estado do governo em funções. Polémico, metido em trapalhadas até ao pescoço, ele próprio responsável por decisões teimosas de última hora da governação, muitas delas já anunciadas por revertíveis pelo eventual próximo futuro governo.  


Podia perceber-se a ideia de Carlos Costa (ou de um último favor ao governo - tudo se paga): Sérgio Monteiro (ven)deu tudo o que havia para vender. Percebe-se a admiração de alguém que não conseguiu vender a única coisa que tinha para vender. Não se percebe é que nem o tenha deixado sair do governo.


Não, não é um ex-secretário de Estado. Mas é mais uma pouca vergonha!

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


 


"Bancos aceitam governo de esquerda desde que não seja hostil à banca privada"?


Bancos aceitam... desde que? Mas o que é isto? Onde é que chegamos?


E se os bancos não aceitarem? Como é que vai ser?


As coisas chegaram a um ponto que já ninguém tem vergonha. Já nem se preocupam em disfarçar... Já não lhes basta serem resgatados com o dinheiro dos contribuintes, já não lhes chega serem os únicos agentes económicos com o direito - eventualmente divino - a serem salvos pelos cidadãos, já não se satisafazem com o estatuto único de negócio onde só ganham, quando dá para o torto perdem os outros, como está por demais provado... Não, não lhes basta tudo isso. Eles têm ainda, por direito certamente divino, o poder de aceitar ou rejeitar governos eleitos democraticamente por todos nós! 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Explorar os limites ao limite

"Isto não é o Bangladesh": Ventura recusa retirar cartazes e diz que é ...


 


Quando André Ventura diz que Portugal precisa de três Salazares fá-lo por provocação, de que se alimenta. Para nunca sair do topo da agenda mediática, que é o seu suplemento vitamínico.


Mas também por conhecer o seu público. Ele sabe que é isso que os seus seguidores querem ouvir. Sabe que a sua plateia não sabe, nem quer saber, quem foi Salazar. Ele próprio não sabe, nem quer saber: quem evoca três Salazares para acabar com a corrupção não pode saber o que foi Salazar, nem a História nem, se calhar, o que é corrupção. Sabe que os seus seguidores querem ouvir coisas assim, que indignam uns, mas que são aplaudidas por muitos outros. E sabe que assim introduz na agenda mediática os temas que quer pôr o país a discutir. Que assim o país discute o que ele manda discutir. Que é assim que se normaliza o que nunca seria normal, e que se deslocam os limites na sua direcção. 


Quando espalha pelo país que "isto não é o Bangladesh" André Ventura dá mais um passo na provocação, numa espécie de tentativa de apurar a dose. Ele sabe - um saber de experiência feito - que a cada escalada, a cada incremento de provocação, os limites cedem. E ele sabe que (e como) cresce a cada cedência. 


Cabe neste caso ao Ministério Público não ceder em mais um limite. Mas também isso coube em diversas ocasiões ao Tribunal Constitucional...


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Alvo de críticas de todo o lado, interna e externamente - especialmente aí, arrasado pela imprensa internacional, que chega até a recuperar a imagem da Península Ibérica das ditaduras de Salazer e Franco -, isolado e renegado até pelos mais fiéis seguidores, Cavaco vem dizer que não se arrepende "de uma única linha do que disse". 


Não deixa ninguém surpreendido. Toda a gente sabe que não se arrepende de coisa nenhuma, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, como é próprio dos homens providenciais que sempre quis fazer crer que era.


Mas quando diz que "Como sabem nunca tive nem tenho qualquer interesse pessoal, desde o primeiro dia do meu mandato, até ao último dia do meu mandato guiar-me-ei sempre, sempre, sempre pelo superior interesse nacional", fica imperdoável.


Não que a narrativa tenha alguma novidade, é velha de mais e é a cara do sujeito. Estamos todos carecas de saber que, sempre escondido atrás do interesse nacional, não dá um único passo sem saber se é bom ou mau para o seu umbigo. Estamos todos fartinhos de saber que o político no activo que mais tempo de vida política leva, que há trinta e tal anos não faz outra coisa que não carreira política, não é político. Mas está acima deles, e abomina-os. Sabemos todos muito bem que ainda está para nascer alguém mais sério, mesmo que do seu lastro tenham saído muitos dos intérpretes dos maiores crimes de colarinho branco que o país conheceu. Todos - repito, todos - impunes!


Apenas porque quer fazer de nós testemunhas forçadas da sua narrativa. Já não se limita a repeti-la até á exaustão, vai mais longe. Já passou a fase da mentira que por tão repetida passa a verdade. Depois de tão repetida, a sua narrativa já não é apenas verdadeira, é indesmentível, sobejamente confirmada, e amplamente testemunhada.  "Como sabem". Como sabemos...


 

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Dos resultados das eleições no Benfica

 


Lista Votantes % Votos % Votos por
            Votante
  DIRECÇÃO
B Martim Mayer 1 480 1,73% 37 071 2,10% 25,0
C João Diogo Manteigas 12 259 14,30% 202 989 11,48% 16,6
D Cristóvão Carvalho 148 0,17% 3 146 0,18% 21,3
E Luís Filipe Vieira 11 816 13,79% 244 997 13,86% 20,7
F João Noronha Lopes 27 109 31,63% 534 818 30,26% 19,7
G Rui Costa 32 898 38,38% 744 655 42,13% 22,6
  Total 85 710 100,00% 1 767 676 100,00% 20,6
  Mesa da Assembleia Geral
A João Leite 9 798 11,80% 187 067 10,89% 19,1
B José Malaquias 2 856 3,44% 56 350 3,28% 19,7
E João Correia 10 893 13,11% 224 575 13,07% 20,6
F Gonçalo Ribeiro 26 482 31,88% 510 955 29,75% 19,3
G José Costa 33 035 39,77% 738 664 43,01% 22,4
  Total 83 064 100,00% 1 717 611 100,00% 20,7
Conselho Fiscal
B Carlos Moura 2 243 2,67% 48 017 2,77% 21,4
C Luís Alves 9 544 11,36% 155 459 8,96% 16,3
E João Pratas 9 981 11,88% 201 994 11,64% 20,2
F António Bagão Félix 32 716 38,93% 658 159 37,94% 20,1
G Raúl Martins 29 562 35,17% 671 204 38,69% 22,7
  Total 84 046 100,00% 1 734 833 100,00% 20,6
Comissão de Remunerações
B Manuel Boto 5 584 6,76% 120 698 7,06% 21,6
E Pedro Conde 11 146 13,49% 220 793 12,92% 19,8
F João Rato 31 391 37,98% 595 271 34,84% 19,0
G Eduardo Cunha 34 527 41,78% 771 657 45,17% 22,3
  Total 82 648 100,00% 1 708 419 100,00% 20,7

 


Algumas curiosidades - outras poderão ainda ser retiradas do quadro acima - sobre os resultados eleitorais do Benfica:


1) A diferente capacidade eleitoral entre os sócios do Benfica, que muitos enviesadamente acusam de falsear a democracia (a regra 1 pessoa = 1 voto, sendo fundamental em democracia, não é imperativa para todas as realidades, em especial nas do associativismo, com especificidades muito próprias), não produziu alterações significativas nos resultados;


2) Os dois candidatos mais votados - com mais votos - são também os com mais votantes. Apenas a diferença entre ambos seria encurtada (de um pouco mais de 11 pontos percentuais para um pouco menos de 7). Apenas o terceiro e o quarto lugares seriam trocados: João Diogo Manteigas (JDM) e Luís Filipe Vieira (LFV) teriam invertido as posições, com JDM em terceiro, à frente de LFV;


3) A ideia de que os sócios com mais votos serão os mais conservadores - entendendo a votação em Rui Costa (RC) e LFV como conservadora, e as restantes como de mudança - é contrariada nos resultados da Lista B, de Martim Mayer (MM). É certo que o universo dos seus votantes é muito reduzido (apenas 1480, o que não deixa de ser uma surpresa), mas cada votante valia em média 25 votos, bem à frente dos 22,6 dos votantes em RC;


4) Não deixará de ser curioso que os votantes em LFV sejam apenas os quarto mais valiosos em votos. Que tenham menos votos que os de MM, os de RC e até que os dos 148 sócios que votaram em Cristóvão Carvalho. Sem querer abusar da especulação, seria capaz de arriscar que LFV não andou apenas a inscrever sócios para criar a lista para o Conselho Fiscal;


5) Curioso é, também que a lista de RC para a AG tenha tido mais votantes que a da Direcção. João Costa teve mais gente a votar nele que RC, mas menos votos. E ainda assim maior percentagem, em votos e em votantes;


6) Dos candidatos ao Conselho Fiscal, Bagão Félix, nas listas de JNL, foi quem reuniu mais votantes. Mas não mais votos. 

domingo, 26 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


"A vitória já aconteceu"!


Sem dúvida, Luaty. Nada será o mesmo daqui para a frente... A vitória aconteceu também na tua decisão: os heróis mortos servem de exemplo, pela memória; os heróis vivos são o exemplo. Os heróis vivos, mais que exemplo, são líderes naturais das causas. Que não se perdem. E tu és um herói, por mais anti-herói que sejas!


"A vitória já aconteceu"... Como escreve na carta onde anuncia o fim da greve de fome, dirigida aos companheiros de prisão: " Tive a oportunidade de me aperceber do que nos espera lá fora e queria partilhar convosco o que vi: Vi pessoas da nossa sociedade, que lutaram pelo nosso país e viveram o que estamos a viver, a saírem da sombra e a comprometerem-se em nossa defesa, para que a História não se repita. Vi pessoas de várias partes do mundo, organizações de cariz civil, personalidades, desconhecidos com experiências de luta na primeira pessoa que, sozinhos ou em grupo, se aglomeram no pedido da nossa libertação. Já o sentíamos antes, mas não com esta dimensão”.


Nada vai continuar como dantes!


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O "golpe de estado" que ontem (o)correu no país do Twitter, a lembrar a mítica transmissão radiofónica de Orson Wells da "Guerra dos Mundos", é bem capaz de, pelo excesso próprio deste tempo mediático e das redes sociais, ter acabado no efeito contrário, eventualmente diamentralmente oposto, ao pretendido.


É que provavelmente cirunscreve o "golpe de estado" de Cavaco a um simples fait divers e remete-o para o caixote dos likes e dos lol.


Provavelmente fica muito do espectáculo e muito pouco do que lhe deu origem. Da substância. Do que no Daily Telegraph se ecreveu: “pela primeira vez, desde a criação da união monetária europeia, um Estado-membro tomou a iniciativa explícita de proibir os partidos eurocépticos”. Que um italiano qualquer aproveitou para linkar, ironizando que a União Europeia declarara a suspensão da democracia em Portugal, obrigando os portugueses a continuar a votar até que o resultado fosse o pretendido.


É que é de um golpe de estado que se trata - sem aspas -, como escreve Ferreira Fernandes na sua crónica de hoje.

sábado, 25 de outubro de 2025

Benfica 5 - Arouca 0

9.ª J: Benfica-Arouca 2025/26


O jogo da nona jornada, com o Arouca, fechava na Luz um dia cheio de Benfica.


Poderia esperar-se uma noite quente, com o fervor que arrastou mais de 85 mil benfiquistas - 85.422, mais precisamente, e novo recorde mundial - para as secções de voto, a transferir-se para as bancadas da Luz. Mas não foi bem assim, e nem o mais expressivo resultado da época conseguiu que os mais de 60 mil nas bancadas exorbitassem em festa. Sinal dos tempos!


Depois do descalabro de Newcastle José Mourinho apresentou uma única novidade no onze. Obrigatória, de resto, pela lesão de  Dedic. Sem que Aursenes naquele lugar fosse novidade, como novidade também não seria que não houvesse da formação algum lateral direito, chame-se Leandro ou outra coisa qualquer, a novidade foi Prestiani, acabado de chegar do mundial de sub-20. 


A reacção ao anúncio do seu nome pela instalação sonora deu logo para perceber que Prestiani iria mexer com a bancada. E mexeu mesmo. Mexeu sempre que mexeu com o jogo, sempre que o agitou, e mexeu na altura em que saiu, aos 64 minutos, substituído por Schjelderup, no momento alto da noite da Luz. 


O jogo foi de domínio e controlo claro do Benfica. Em parte por méritos próprios, em parte por manifesta incapacidade do Arouca. Teve cinco golos, três de penálti, o que, se não é inédito em jogos do Benfica, andará perto por lá. Dois - os dois primeiros, e também os dois primeiros golos, convertidos por Pavlidis - arrancados a ferro pelo VAR já que, pelo o nosso conhecido Hélder Carvalho, não haveria nenhum deles. O terceiro, já na compensação, como já não aquecia nem arrefecia, já não lhe custou nada ser ele próprio a assinalá-lo. Nos dois restantes, o terceiro veio de um canto, no período de compensação da primeira parte, pela cabeça de Otamendi que, desta vez, ao contrário do jogo da época passada, apenas derrubou a bola para dentro da baliza. E só o quarto, logo no início da segunda parte, em lance de bola corrida.


Mas não galvanizou as bancadas, que viram neste jogo mais razões para se conformarem que para se entusiasmarem. O que hoje se viu na Luz é provavelmente o melhor que futebol de Mourinho tem para nos dar. Na perspectiva resultadista é excelente. Ficamos todos contentes com goleadas de 5-0.


Mas quando na Luz, numa noite dos 5-0, e ao adversário que na época passada nos roubou o campeonato, o que mais nos faz vibrar é a ovação ao Prestiani, percebe-se que os benfiquistas estão conformados. Não lhe peçam é que se entusiasmem!

Festa benfiquista

Benfica a votos. Águias escolhem presidente de entre seis candidatos ...


É dia de festa benfiquista. Vê-se e sente-se benfiquismo por todo os lados - e são muitos, a bem da democracia e do Benfica - onde se vota. Até agora, tudo corre da melhor das formas. Grande participação eleitoral, a maior de sempre, tudo excelentemente organizado, alegria e benfiquismo nas filas de espera, que nem parecem filas. Menos ainda de espera!

 

Votei em Alcobaça - podendo votar em casa não votaria noutro local - bem cedo, e  já a fila era longa. A esta hora - a hora do depois de almoço, que é bem mais que uma hora - é bem mais comprida, a ilustrar bem a maior afluência de sempre - e não apenas no Benfica, a maior em qualquer clube do mundo, superando largamente o recorde do Barcelona - mas também às mais disputadas eleições da História do Glorioso.

 

Nunca houve tantas candidaturas - seis! 

 

Nem assim para todos os gostos. Nunca se cobrem todos os gostos, a exigência dos benfiquistas é grande, e há sempre que tomar opções. E fazer concessões. 

 

Não será certamente conhecido hoje o próximo Presidente do Benfica. Isso ficará certamente para uma segunda volta. Mas, por tudo o que hoje já aconteceu, será um dia histórico para o Benfica! 

 

 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


São precisas poucas palavras para falar deste jogo. Desilusão e orgulho, bastam!


Desilusão pela exibição do Benfica, pela forma como os jogadores - e treinador, pareceu-me - se deixaram afundar pelo infortúnio do primeiro golo, logo aos 9 minutos. E orgulho no benfiquismo, pela extraordinária atitude dos adeptos do meu clube que encheram a Luz no seu 12º aniversário.


Não precisaria de dizer mais nada, que teria dito tudo o que vai na alma...


Mas sempre direi que o Benfica até entrou bem no jogo - como se diz em futebolês - transmitindo uma imagem de confiança. Sem medo, e com ambição, mesmo que nem tudo estivesse a sair bem. Foi por pouco tempo, porque a sorte do jogo sorriu ao Sporting, com três golos em outras tantas aproximações à baliza de Júlio César, sempre na sequência de erros dos jogadores do Benfica, mas sempre - é bom dizer-se - erros provocados pela estratégia do Sporting.


O Benfica desapareceu, e se, pelo peso dos golos, isso se poderia compreender na primeira parte, já deixou de ser compreensível na segunda. Mesmo sem ter voltado a marcar - e o mais próximo que esteve disso até foi naquela tentativa de Luisão - a superioridade do Sporting foi mais flagrante ainda na segunda parte.


Num jogo destes, depois das exibições de cada uma das equipas, não me ficaria bem falar do árbitro. Mas que há muito para dizer da arbitragem do sportinguista Carlos Xistra, lá isso há. O problema não é ser sportinguista, nem o seu histórico nos jogos com o Benfica. O problema é que não tem categoria para arbitrar seja lá o que for... Que teve influência no decorrer do jogo, teve. E muita. Tanta que o jogo poderia ter sido outro. Mas não foi. E no jogo que acabou por acontecer o Sporting foi muito, mas muito melhor!


 

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Ainda em ressaca do mais lamentável discurso alguma vez ouvido a um chefe de Estado democraticamente eleito, que doravante deve ilustrar tudo o que um Presidente da República não pode ser nem representar, dei comigo a pensar quem é que Passos e Portas conseguirão recrutar para o novo governo.


Sabe-se que para, além de ambos, se manteria a Maria Luís. E que os do CDS, à excepção do Pires de Lima, seriam também para manter, até porque o resto do pessoal já está todo empregado, pelas notícias que se têm visto no Diàrio da República. O da lambreta tratou disso tudo, e deixa perceber que se manterá, no governo e na pasta. A Cristas deverá mudar de pasta, mas permance de pedra e cal no governo preso por arames.


O problema é que para o poder de sedução que Cavaco pede ao novo governo é preciso gente nova e.... sedutora. Estava a imaginar por aí uns figurões disponíveis a fazer uma perninha para a fotografia: aquilo era só um instante, era mesmo só pousar para a fotografia. Depois, logo a seguir, voltariam aos seus gabinetes de advogados... Aos conselhos de administração seria mais difícil, por isso por aí o campo de recrutamento seria sempre mais limitado. Mas a ameaça que Cavaco deixou, de manter o governo mesmo que chumbado na Assembleia da República, baralha-lhes as contas.


Contas podemos nós fazer. Basta esperar pelos nomes: se lá estiverem alguns dos mais sonantes - a sério, não é dos da treta - é certo que o passo seguinte não será manter o governo em gestão!

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Cavaco podia, eventualmente até devia, tomar a decisão que tomou. Cavaco não podia, e muito menos devia, utilizar a linguagem que usou. Não podia usar a linguagem trauliteira que utilizou, não podia agitar o fantasma dos mercados, e muito menos convocá-los, chamá-los a participar na guerra que desencadeou. E não podia, de todo, apelar à sublevação dos deputados do PS.


É Cavaco a fechar o seu mandato como merece. Não merece mais que isto, encurralado no beco em que se enfiou!

Francisco Pinto Balsemão (1937-2025)

University of Coimbra Prize awarded to Francisco Pinto Balsemão


Claro que foi um homem muito importante, a quem a democracia, e Portugal, muito devem. Clara e indiscutivelmente!

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Depois de ter ganhado em Madrid, não fazia muito sentido perder em Istambul, com o Galatasaray. Depois do jogo de Istambul, percebe-se que não faz sentido nenhum tê-lo perdido.


Porque o Benfica começou o jogo a ganhar - em mais uma obra prima de Gatan, que continua a espalhar classe por esses estádios fora - e acabou-o em cima da baliza dos turcos, deixando clara a ideia que aquele era um jogo a ganhar. 


Mas perdeu-o. E perdeu porque, na primeira parte, durante perto de meia hora, permitiu que o adversário, embalado por um público fan(t)á(s)tico, fosse ganhando motivação. Porque permitiu um penalti, tão estúpido quanto bem assinalado, ainda a primeira parte não ia a meio. Que transportou a equipa turca para o patamar da crença a que nunca poderia ter chegado. Porque, lançado o jogo nesse tabuleiro, não foi capaz de o arrefecer para escapar ao erro, que deu no segundo golo que acabaria por fazer o resultado.


De pouco conta que a segunda parte tenha sido diferente. Que o Benfica tenha dominado as estatatísticas porque, em boa verdade, não criou mais nem melhores oportunidades que o adversário, mesmo subordinado. Foi tardia, a substituição do Gonçalo Guedes, em noite de menor rendimento. No  pouco tempo que esteve em campo o Victor Andrade mexeu com o jogo, travado apenas em sucessivas faltas perigosas, deixando a ideia que, entrando mais cedo, as coisas poderiam ter tomado outro caminho.


Há também um penalti por assinalar a favor do Benfica, mas isso faz parte das contingências do jogo que se não podem controlar. As outras sim, as outras contingências do jogo é que poderiam e deveriam ter sido controladas!


  

Newcastle 3 - Benfica 0

José Mourinho sente falta de ex-Benfica: «Era uma situação impossível para o Benfica de controlar»


As últimas imagens são sempre as que ficam. E as que ficaram do Benfica no Saint James Park, em Newcastle, são da mais dramática decepção.


Na verdade o Benfica acabou o jogo a transformar o Newcastle, o 14º classificado da Premiere League, numa potência da élite do futebol mundial!


O Benfica até entrou bem no jogo, mas já se percebeu que isso não é sinal de coisa nenhuma. O Benfica vem entrando bem nos jogos todos, o pior é o que vem a seguir. O que começou a vir logo a partir dos primeiros dez minutos, quando se começou a perceber que a ideia de pôr o Tomás Araújo no lado esquerdo da defesa, não era grande coisa. Com Aursenes à frente, aquele lado esquerdo não dava para atacar e, a defender, era uma auto-estrada aberta a Murphy e Trippier. Ou que o Dedic, sozinho na direita, nunca daria conta do Gordon, o seu adversário directo e o melhor em campo.


Mesmo assim, depois de ter deixado bem à mostra estes pecados, o Benfica ainda conseguiu dar a ideia que podia discutir o jogo e o resultado. Desequilibrado, a coxear, mas sim ... Poderia ser que sim. Era tudo à conta de Lukébakio, mas chegou a parecer possível que ele conseguisse arrastar o resto da equipa. 


O belga esteve por duas vezes muito perto do golo. À segunda, a meio da primeira parte, quando a bola partiu do seu pé esquerdo já toda a gente a via dentro da baliza. Naqueles décimos de segundo que demorou a percorrer a distância para a baliza vimo-la sempre colada às redes, mas no último momento acabou no poste, e a afastar-se definitivamente do rumo que lhe tinha sido traçado.


Estava já a partida num intrincado jogo de equilíbrios e desequilíbrios quando o desequilibrado lado esquerdo do Benfica cedeu. Numa saída de bola, Tomás Araújo entregou a bola ao entalado Aursenes, que logo tentou desfazer-se dela, de primeira. À toa. Foi facilmente interceptada, e foi parar ao pior sítio - os pés (e os olhos) do Bruno Guimarães. A partir daí, com a equipa descompensada, foi ... limpar o rabinho a meninos


Até ao intervalo Lukébakio ainda voltou a pôr-nos a sonhar com o golo do empate mas, depois do golo, o Newcastle nunca deixou de estar por cima do jogo.


Essa sensação manteve-se depois do intervalo. Durante um pouco mais de metade da segunda parte o Benfica ia entretendo um jogo - ganhando uns cantos, e tal ... - que o Newcastle ia dominando.


Até que com a equipa no ataque, numa segunda bola de um canto, Lukébakio (em ataque posicional é outro jogador, nem comparação tem!) quase quis desfazer-se da bola, cruzando-a directamente para as mãos de Nick Pope, o guarda-redes que já lhe negara um ou dois golos. Que, com as mesmas mãos, a lançou para o recém-entrado Harvey Barnes correr por ali fora até, no meio de quatro (!) defesas do Benfica, bater Trubin.


A partir daí o Benfica afundou. E os 20 minutos que se jogaram até ao apito final do árbitro polaco - que até aí errara sempre em prejuízo do Benfica, fosse a beneficiar o infractor, fosse a trocar faltas, e até amarelos, mas que nesses minutos negros até foi amigo - foram um dos maiores pesadelos dos últimos tempos. 


Só deu para mais um golo, com Barnes a bisar, em mais um erro tremendo de uma equipa desnorteada. Mas bem poderia ter acabado num resultado ainda muito mais pesado. Valeu Trubin, com um punhado de boas defesas.


Apenas ele e Lukébakio escaparam ao desastre de Saint James Park. Mourinho afundou-se com a equipa. Na abordagem ao jogo, no onze inicial, nas substituições que não fez (apenas Dedic, lesionado, foi substituído por Ivanovic, para jogar na ala esquerda, de onde saiu Aursenes para jogar a lateral direito), na persistente incapacidade de virar o que quer que seja.


Zero pontos à terceira jornada, é péssimo. Pior, ainda, é a equipa completamente de rastos, humilhada, que sai deste terceiro jogo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Percebo que para o negócio, nuns casos, jogo ou entretenimento, noutros, do comentário e da análise política dê muito jeito extrapolar e especular à volta do voto expresso por cada um dos portugueses. Nestas como em quaisquer outras eleições.


O espectáculo precisa disso, e o showbiz montado à sua volta mais, ainda. Por isso está praticamente institucionalizada a ideia de uma entidade colectiva chamada eleitorado, dotada de personalidade e vontade própria. Que, parece-me, mais não faz que procurar legitimar um imenso cardápio de especulações ilegítimas.


Tenho por indiscutível que cada voto tem uma motivação própria, e que os resultados eleitorais resultam de uma única conta: a soma de todos esses votos individuais. Ao expressar o seu voto cada eleitor espera com ele contribuir para o sucesso da sua própria motivação.


Dizer-se, por exemplo, que os portugueses quiseram que o governo se mantivesse em funções mas sob controlo, sem rédea solta, parece-me tão ilegítimo quanto disparatado. Os portugueses que se manifestaram pela continuação do governo foram os que votaram na coligação, não foram os outros. Disso não pode haver dúvidas. Como dúvidas não pode haver que esses, os que votaram na coligação, não pretendiam introduzir nenhum tipo de limitação à sua acção governativa. Pelo contrário, com o seu voto não pretendiam outra coisa se não a maioria absoluta!


Quem votou no PS não o fez para que o governo se mantivesse, mas agora sem maioria. Fê-lo para que o PS fosse governo. Como quem votou na CDU ou no Bloco de Esquerda não o fez por vontade em manter a governação do PSD e CDS.


Parece-me claro! Como é claro e fica por evidente que, mais que ilegítimo, é abusivo e intelectualmente desonesto, pretender que a vontade do todo seja exactamente o contrário da vontade de cada uma das partes.


A leitura séria e legítima dos resultados eleitorais – sejam eles quais forem – não se faz de interpretações subjectivas e de especulações oportunistas. Faz-se, em primeira análise, do xadrez de representação que produziram. E, depois, da concertação política que dessa representação resulte.


Tudo o resto, que diariamente vamos vendo, ouvindo e lendo, é democraticamente inaceitável, e deixa bem à vista um regime a apodrecer numa democracia de faz de conta: faz de conta que conta, mas não conta com todos, nem conta para todos. E nem todos contam…


Pelas contas de quem acredita que a democracia é a única forma de legitimar o poder, 40 anos teriam de ser tempo suficiente para amadurecer e apurar o regime democrático. Não foram!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A transparência, a credibilidade e a seriedade política não são apenas estilhaçadas com falsas promessas, demagogia, trapalhadas e mentiras nas campanhas eleitorais. São-no também - e muitas vez mais - com as caras que se escondem.


Quando a poderosa máquina de propaganda da coligação escondeu Marco António Costa da campanha sabia o que estava a fazer. Quando a primeira cara da vitória na noite eleitoral é exactamente a que a propaganda escondeu durante a campanha, percebe-se a transparência e a credibildiade da campanha que fizeram.


E quando, quer no folclore  das visitas e recepções supostamente negociais, quer do vai-vem a Belém, a cara mais vista pelas câmaras fotográficas e das televisões é justamente a de Marco António Costa, percebe-se seriedade política de Passos Coelho.


Estranhamente, isto não se discute. Discute-se quem trai quem, discute-se o que seria a verdadeira vontade deste e daquele eleitorado (a propósito, imperdível a crónica de hoje do mestre Ferreira Fernandes), discute-se o que foi e o que não foi dito em campanha. Mas a autêntica vigarice que é este tira e põe, esta maneira de apagar o mago das finanças de Gaia da fotografia da campanha, para logo o recuperar  para a foto do poder, passa como se nada se passasse...

domingo, 19 de outubro de 2025

A narrativa do absurdo

Os imigrantes à luz do direito brasileiro


Nunca o mundo nunca foi tão global, nunca as culturas mais se cruzaram. Deslocamos-nos como nunca entre todas as partes do mundo. Viajamos como nunca, a negociar, ou a experimentar cheiros e sabores antes distantes e inacessíveis. Estamos ligados uns aos outros por todo o planeta, à distância de um clique.


Pois ... O absurdo tem destas coisas. Quando mais próximos estamos uns dos outros mais barreiras colocamos a esse encontro. Mais rejeitamos o outro, com outra cor de pele, com outra religião, com outra história, com outra cultura. 


Na verdade já não rejeitam apenas. Odeiam numa repugnante purga de ódio! 


Não lhes importa que os imigrantes venham para, mal pagos e mal tratados, cumprir tarefas a que os portugueses não querem meter mãos. Não lhes importa que sejam eles a aguentar o país. Que, sem essa mão de obra, simplesmente não pudesse haver crescimento económico. Não lhes importa que os números confirmem, de forma indesmentível, como contribuem para a sustentação da Segurança Social. E para o pagamento das actuais pensões, mas também das futuras. Não lhes importa que, sem quem venha de fora, e se fixe, a população portuguesa caia para 6 milhões de criaturas no espaço de um século. Mais de 40%! 


Na verdade não lhes importa a viabilidade económica e demográfica do país. Importa-lhes espalhar ódio, como se viu nesta semana que está a acabar.


presidente da República promulgou a nova lei  de estrangeiros, da iniciativa do Chega que o governo agarrou. Propagandeando que é para regular, para acabar com "as portas abertas", e para dar condições e dignidade. 


Não. Não é para regular. É para surfar a onda das percepções que, à revelia dos dados oficiais, é lançada por André Ventura ... e Passos Coelho. Que, também esta semana, fez da apresentação de um livro palco para, em nova aparição no nevoeiro,  voltar a falar dos imigrantes como a grande ameaça aos portugueses.


A lei de caça à burca, logo a seguir, é apenas a cereja no topo. Ninguém em Portugal conhece ninguém que use burca. Não é um problema porque simplesmente não existe. Mas foi tratado com a urgência, a pompa e a circunstância de um grande problema. É uma lei feita à medida, que não serve para nada que não seja dar fogo à peça. À narrativa do absurdo!

Desta vez não é ficção

Louvre fecha portas temporariamente por aumento de batedores de carteiras


A ficção virou realidade e o Louvre foi assaltado em 4 minutos, dizem uns. Ou 7, dizem outros.  


Desta vez a Mona Lisa foi deixada em paz, e nem sequer deu por nada. Foi lá mais acima, da galeria Apolo, que em pouco menos de um fósforo voaram jóias de "valor inestimável" da colecção de Napoleão III. Os ladrões, que entraram a partir de uma plataforma elevatória instalada num camião, fugiram de mota. O que é desde já um poderoso álibi para Monsieur Arsène Lupin!


 

sábado, 18 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A estrondosa acusação de Manuela Ferreira Leite -  "o que António Costa estar a fazer é um verdadeiro golpe de estado" - produzida no seu espaço de comentário na TVI, não encaixa com nada do que há três ou quatro anos lá anda a dizer. Mas encaixa no seu próprio voto - ela sim, poderá agora dizer que não teria votado no PS, nem que seja a pensar que fica perdoada - e encaixa na perfeição na sua escala de valores, com a fidelidade bem destacado no topo, muito acima de todos os outros.


Não é o mais nobre dos valores... De tal forma que, para adquirir alguma nobreza, tem de chamar-se lealdade. Que já é outra coisa...


 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Chaves 0 - Benfica 2

Taça de Portugal 25/26: GD Chaves-Benfica


Não foi de oito e oitenta a exibição do Benfica, esta noite, em Chaves onde, no regresso das selecções, se deslocou para este primeiro jogo da Taça, nesta época. Na última foi fatídica, como bem lembrou Mourinho no pré-match, a lembrar também que faz mais pelo Benfica numa única frase, em um ou dois segundos, que a Direcção de Comunicação em quatro anos.


Mas foi aos oito, e aos oitenta que, com dois fantásticos golos, Pavlidis fez o resultado de um jogo em que o Benfica esteve muitas vezes próximo do oito, sem nunca chegar ao oitenta. Nem lá perto!


José Mourinho não mexeu muito na equipa base, no onze que vem regularmente apresentando. O Samuel apareceu na baliza, dentro da normalidade da troca de guarda-redes na Taça. Ainda não tinha sido primeiro opção do treinador, ao contrário do que sucedera com Lage, e era esta a oportunidade. Tomás Araújo estreou-se no centro da defesa, na vez - que não no lugar, aí jogou o António Silva - de Otamendi, poupado. No meio campo a poupança foi Rios, entrando João Rego na sua vez. Também não para o seu lugar, esse foi ocupado por Aursenes, mas jogar na ala esquerda, onde ainda não o tínhamos visto.


Se descontarmos o específico lugar do guarda-redes, na verdade apenas duas mudanças nos nomes. E novidade, mesmo, apenas uma - o jovem João Rego.


Se era um sinal de respeito pelo adversário, que de resto Mourinho não se cansara de elogiar, foi dado bem a tempo. Mas também bem cedo desrespeitado, ainda antes de se chegar a meio da primeira parte. É que com o golo - e que golo! - ao minuto 8, no primeiro remate do jogo, e mais as duas ou três claras oportunidades que se lhe seguiram nos 10 minutos seguintes, os jogadores do Benfica começaram a desligar-se do jogo. Não sei se foi falta de respeito, ou se simplesmente pensaram que Mourinho era um exagerado, e que aquilo era fácil. Fosse pelo que fosse a equipa desligou-se, perdeu a pouca intensidade que tinha, voltou à sua dependência daquele futebol para trás e para o lado, e em pouco tempo deixou de mandar no jogo.


O Chaves crescia, e acreditava. Samuel, na baliza, dava mostras de alguma perturbação e chegou a temer-se que a equipa se começasse a afundar. O intervalo veio então em boa hora. Não que a equipa tivesse estado à beira do KO, mas andava perto do 8, e começava a rebobinar-se a fita do jogo com o Gil Vicente. 


O intervalo foi bom conselheiro, e o Benfica regressou para a segunda parte, já com  Schjelderup no lugar do "amarelado" João Rego, mais perto dos primeiros minutos do jogo. Longe do 80, mas também do oito. Ao Chaves foi valendo o guarda-redes sérvio, Gudzulic que, à defesa da primeira parte que negara o golo a Lukebakio acrescentou, na segunda, mais três ou quatro que evitaram outros tantos golos. Foi valendo a intensidade, e até os excessos, dos seus jogadores. E foi valendo um árbitro - David Silva, do Porto, como não pode deixar de ser, esse velho conhecido destas coisas da Taça - que sempre pactuou com esses excessos, e que, sem VAR, deixou dois penáltis por assinalar. O primeiro quando uma mão de um defesa da equipa flaviense desviou a bola de Aursenes; o segundo quando António Silva, numa disputa de bola na área adversária, foi pisado ali mesmo à frente dos olhos do tal David Silva.


Os minutos iam passando, o resultado tangencial mantinha-se, o Benfica corria o risco de ficar à mercê de um qualquer incidente de jogo. Como poderia ter acontecido naquele contra-ataque que, ao não assinalar o penálti, o árbitro permitiu, com toda a gente a reclamar o penálti, e António Silva caído na área contrária a torcer-se com dores. Mas o pior período do Benfica tinha já ficado para trás.


E lá se chegou ao oitenta. Ao minuto em que Pavlidis - que sairia logo a seguir para dar lugar a Ivanovic - rematou o resultado, voltando a bater o guarda-redes sérvio que parecia imbatível. Em fim de festa ainda houve tempo para João Veloso substituir Sudakov, e para a estreia absoluta de Ivan Lima (a substituir Aursenes), um miúdo de quem muito se espera. E o sexto miúdo da formação com a camisola do Benfica vestida que passou pelo relvado de Chaves. Houve mais um: chama-se Henrique Pereira, mas jogou pelo Chaves, emprestado pelo Santa Clara.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Maria Luís Albuqerque já veio dizer que a situação das finanças "é absolutamente transparente".  E que não há razão para alarme.


Depois do que disse sobre os swaps, do que disse sobre o BES e o Novo Banco e do que se soube que mandou fazer à Parvalorem sobre as contas do BPN, só podemos ficar descansados.


Até porque desta vez foi em Comunicado. É coisa mais séria. E com dois Comunicados - o PSD sentiu necessidade de emitir ainda outro Comunicado, a complementar o primeiro, em nome pessoal da ministra das finanças do governo ainda em funções, e já escolhida o que aí vem - mais sério ainda será. 


Bem podemos, pois, ficar descansados!

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

O (mau) exemplo da televisão pública

RTP recua na contratação de comentador Gonçalo Sousa após polémica | A Bola


Andamos todos - todos os que se preocupam com isso, bem entendido, porque para a maioria no pasa nada - preocupados com a degradação do espaço público da notícia e do comentário quando, na reformulação do espaço de notícia e comentário da estação pública de televisão, o novo director de informação, escolhido pelo governo de Luís Montenegro, escolhe dar palco e luz ao mais refinado produto das redes sociais.


Dando nomes ao bois, na reestruturação (refundação?) da RTP 3, rebaptizada de RTP Notícias -"Todos; Pela Verdade dos Factos" (assim, à antiga e tudo, como deve ser) - Vítor Gonçalves, o director de Informação powered by Montenegro, decidiu recrutar uma espécie de estrela porno da comunicação das redes sociais, chamado Gonçalo Sousa.


O que tínhamos por informação séria e jornalismo já não vai apenas atrás do lixo produzido nas redes sociais, abdicando da confirmação de fontes, do fact check, do tratamento e da edição. Já se manda de cabeça a recrutar os que produzem o próprio lixo.


Só depois de ter contratado influencer, depois de o ter anunciado num vídeo promocional, e depois de o Conselho de Redacção lhe ter manifestado "preocupação com o impacto ... na credibilidade e na percepção pública do novo canal de informação", é que Vítor Gonçalves deu conta que não tinha sido boa ideia


Pode dar o dito por não dito, mas não apaga nada. Pelo contrário, abre ao “macho tóxico” as portas das outras televisões. Que, agora com o currículo enriquecido por uma contratação seguida de despedimento na RTP, chamam-lhe um figo.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O governo ainda em funções, e a coligação que reclama lá continuar, está a esconder informação muito grave sobre sobre a situação do país - quem o garante é António Costa, em entrevista à TVI.


Não me parece que muita gente possa duvidar da seriedade destas palavras. Ninguém fica sequer muito surpreendido, sabido que é que o país não tem nada a ver com as cores com que Passos e Portas o pintaram. E que algumas das coisas escondidas já começaram a pôr a cabeça de fora, como por aqui se tem dado conta.


António Costa - eventualmente bem - não quis destapar a notícia. Mas é mais ou menos público que há graves problemas escondidos no sistema financeiro. Que o Novo Banco já é uma tragédia e que o Banif também está longe de ter resolvido os seus problemas. Que há problemas no financiamento da TAP, que ainda por cá canta. E conta... E que o défice já ninguém agarra...


O problema é que nada disso é problema. Problema mesmo é que a esquerda possa meter o nariz no governo do país. O problema é quebrar-se uma tradição de 40 anos. E a NATO, nada preocupa tanto os portugueses como a NATO...

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Aconteça o que acontecer, e até pode acontecer o que se julgava que não pudesse acontecer, nada muda o que já mudou.


E o cenário político em Portugal mudou completamente com as eleições de 4 de Outubro, mesmo que de início tudo parecesse ter ficado na mesma. A coligação no poder tinha ganho as eleições. Sem maioria, mas o arco da governação aí estava, intacto e pronto a continuar a funcionar, como vem acontecendo há 40 anos.


António Costa “manifestamente” não se demitia e preparava-se para viabilizar a continuidade do governo da coligação, mesmo que com mais uma machadada no sistema. Já não era apenas no governo, agora também na oposição, os partidos do sistema não tinham qualquer problema em ir ao contrário dos compromissos eleitorais.


Só que alguém abriu a porta do quarto fechado há 40 anos. Quando o PCP, contra tudo, contra todos, e muito provavelmente contra si próprio, declarou apoio ao PS para formar governo dinamitou a estrutura do arco da governação. Com declarações mais ou menos sonoras do Bloco de Esquerda, com ou sem bluff de uns e de outros, tudo mudou naquele momento. E o PS vê-se obrigado a também abrir uma caixinha bem fechada que guardava no baú.


Acabam-se as tendências que tudo escondiam. Não há seguristas – acredito que há socratistas, mas isso é outra coisa – nem há costistas. Há gente da esquerda, que acha que é por ai que o partido deve seguir, num novo rumo. E da direita, que vivia muito bem nas meias tintas mas, obrigada a optar, acha que se deve agarrar ao status quo.


O PS, desde que em 1977 Mário Soares meteu o socialismo na gaveta, sempre viveu do cimento do poder, sem grandes crises existenciais de natureza ideológica. O cheiro discreto do poder limava todas as arestas, e em nome dos superiores interesses do sistema, o partido era de esquerda na oposição e de direita no governo.


Foi assim, e especialmente assim nos últimos 20 anos, quando na Europa se esvaziava o espaço político que lhe servia de referência. Desde a queda do muro e mais acentuadamente a partir de Blair.


A crise financeira de 2008, e as crises soberanas europeias que se lhe seguiram, trataram do resto, e apagaram a social-democracia do mapa político europeu. Escrevia há dias Vasco Polido Valente, com o seu estatuto de “adiantado mental”, sempre muito á frente de todos, que a social-democracia europeia tinha morrido em 1970. Não terá sido tanto assim. A democracia cristã e a social-democracia, pilares sobre os quais a Europa se ergueu das destroços da guerra para se transformar na vanguarda mundial da justiça, da paz e da qualidade de vida, acabaram devorados pela globalização e pela financeirização (passe o neologismo) da economia, primeiro, e de toda a sociedade, depois.


O PS perdeu um milhão de votos na última década. E não foi por acaso: foi porque a forma que encontrou de resistir à erosão do seu espaço político foi apressar-se a acabar com ele. E tem agora que procurar traços de identidade a que se possa agarrar para sobreviver. Não é fácil!


A porta do quarto fechado abriu-se. De lá têm estado a sair muitos fantasmas, mas não são mais que os que lá estão a meter. Compreende-se o estado de choque de toda a gente que dava por certo e adquirido um certo território político. Que achava que havia quem tivesse de se resignar a um permanente papel de figurante. Mas sente-se que o ar pode circular melhor e tornar-se mais respirável, mesmo com as descargas tóxicas que se vão observando. É que em democracia todos contam. E tem de contar com todos!


 

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


É espantoso como a coligação de Passos e Portas, cujo único programa era o de ataque ao programa do adversário, de repente fica disponível para governar com esse programa.


Porque não apresentaram programa nenhum, até se poderia ser levado a pensar que estariam legitimados para governar com qualquer um. O problema é que o único elo que a coligação criou com os seus eleitores foi o da rejeição desse programa. 


Sem mais nada para dizer, a coligação limitou-se a repetir-nos que aquelas medidas eram o regresso ao passado, o despesismo, a bancarrota... Adeus aos compromissos europeus, adeus mercados... O apocalipse. Todos os sacrifícios que fizemos teriam sido em vão.


Mas afinal não era nada disso. Era tudo a brincar, agora não faz mal nenhum e Passos e Portas dizem - repito, dizem - que todas essas medidas são muito bem vindas ao programa do governo que por nada querem largar.


Não vou dizer que nunca ninguém em Portugal chegou tão longe em matéria de traição ao voto. Até porque nem me parece que isso seja coisa que preocupe muita gente, que já provou que convive bem com isso. Mas tenho que dizer Passos e Portas perderam toda a legitimidade política que ainda pudessem ter!


E pode ser que assim a sua máquina de propaganda comece a abrandar...

Show Trump

Gaza IL TESTO integrale del piano di pace firmato a Sharm el-Sheikh da ...


Donald Trump amanheceu ontem em Israel para, no Knesset (Parlamento), anunciar uma nova alvorada para o Médio Oriente - ”o sol nasce numa terra sagrada que está finalmente em paz” -, e declarar o fim da guerra - "o fim de uma guerra, o fim de uma era de terror e morte, o início de uma era de fé, esperança e Deus".


Daí seguiu para o Egipto para reunir em Sharm el-Sheikh, numa cimeira organizada à pressa com o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi para - sem governantes israelitas (claro que Trump convidou Netanyahu, foi Erdogan, e não o feriado do último dia da Festa dos Tabernáculos, que impediu a sua presença), nem dirigentes do Hamas, as partes actualmente em conflito - juntar mais de 20 líderes mundiais (entre os quais Guterres e António Costa) para ratificarem o "seu" plano de paz.


Que tem o mérito - que não é pouco, nesta altura - do cessar fogo, de interromper a chacina, da libertação dos reféns israelitas, e dos prisioneiros palestinianos, e de abrir as portas de Gaza à ajuda humanitária internacional. Mas que está muito longe de ser "o fim de uma era de terror e morte". Mesmo de uma nova alvorada para o Médio Oriente. E, apostaria até, de valer de alguma coisa daqui por um ano, quando for anunciado o novo Nobel da Paz.


Oxalá esteja enganado!


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Com a manifesta disponibilidade da esquerda para encontrar uma solução de governo -  não, não é uma mais uma Primavera qualquer, até porque de Primaveras está o Inverno cheio - passamos a percepcionar novas realidades. E a surpreender-nos com elas.


Surpreendemo-nos com gente que anda por aí há décadas a apregoar a democracia, a fazer passar-se por democratas respeitados, e respeitáveis, sem que afinal saibam muito bem o que é isso. Surpreendemo-nos com o singular pluralismo pouco plural.


E supreendemo-nos com a comunicação social que encontramos a cada virar de página. Caiu a máscara da independência e da pluralidade das televisões e dos jornais. Caiu a máscara da imparcialidade dos comentadores, tudo gente muito cheia de conhecimento, muito objectiva... Mas afinal com agenda escondida, agora escancarada.


Surpreende-nos que a pluralidade da opinião tivesse a singularidade de um reduto, de uma outra trincheira. Surpreende-nos que uma opinião que tínhamos por livre e desengajada seja afinal uma opinião servil e entrincheirada.


E supreende-nos como, afinal, tanta gente convive tão bem com a democracia da parte, onde uns cabem e outros não. Mesmo que sejam muitos! 


Não fosse isto, esta realidade agora aberta, e muitos de nós continuaríamos sem perceber como o sétimo mandamento do triunfo dos porcos* se tornou no primeiro da nossa democracia... 


* Animal Farm, de Orwell, (alguns mais iguais que outros, incluído no título)

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

E só um perdeu ...

Eleições Autárquicas 2025 - Portal Institucional


As voltas que a vida dá. Dantes, era o PCP (a CDU) que ganhava sempre. Nas autárquicas de ontem só o PCP (a CDU) é que não ganhou. Todos os outros ganharam!


Parece até que os comunistas portugueses cumpriram o que há muito se anunciava: de vitória em vitória até à derrota final. Resta agora saber quem lhe seguirá o destino. Candidatos não faltam!


O taberneiro - com a devida vénia ao ex-deputado, e ex-futuro vereador da CM de Pombal, Mithá Ribeiro - garantiu partir para estas autárquicas para conquistar 60 presidências de câmara. Ficou-se por três - vai liderar o executivo municipal em S. Vicente, na Madeira, no Entroncamento, a terra dos fenómenos, e em Albufeira, na capital do turismo. Cumpriu 5% do objectivo. Falhou 95%. Mas ganhou!


 A Iniciativa Liberal obteve dois 2 mandatos (um deles o anterior líder, Rui Rocha, eleito vereador em Braga) em todo o país, nos seus 87.809 votos obtidos. Pouco mais de 25%  do resultado eleitoral de Rui Rocha, em Maio, quando se demitiu por ter ficado aquém dos objectivos. Pois ... com um quarto dos insuficientes votos de há quatro meses, Mariana Leitão ganhou!


O CDS manteve as seis câmaras que liderava e perdeu 2 mandatos, passando de 30 para 28. Mas, mais do que ganhar, nas palavras de Nuno Melo obteve uma vitória estrondosa!


 O BE não conseguiu qualquer mandato onde concorreu sozinho. Nem foi bem sucedido em qualquer das coligações que integrou.  Não, a Mariana Mortágua não disse que ganhou, mas o BE “esteve à altura da responsabilidade do momento”.


O PS perdeu mais de duas dezenas de câmaras e, com isso, perdeu a maioria e a Associação Nacional de Municípios, não conseguiu ganhar em Lisboa, e no Porto, e perdeu Sintra e Gaia - os quatro maiores municípios. Mas fez uma festa. Acordou do pesadelo de Maio, e "está de volta". Ganhou, pois claro!


Mas mesmo na derrota histórica - porque é a primeira vez que é assumida - da CDU há um sinal de resistência!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O Senhor Barroso conhece um a um os portugueses que votarm no PS. E por isso está em condições de garantir o fim último de cada voto... Não sabe apenas isso, sabe ainda que toda a gente sabe a razão de ser de cada voto no PS.


O Senhor Barroso sabe o que é um acordo parlamentar e o que é uma coligação de governo. Mas faz que não sabe... 


O Senhor Barroso deveria estar envergonhado com a dramática condição de milhões de refugiados, por que é também responsável. E muito. Mas o Senhor Barroso não tem vergonha... E por isso ameaça com a Europa, onde felizmente já não está, mesmo que ainda não tenha percebido.


Apetece-me chamar um nome feio ao Senhor Barroso. Mas não encontra nenhum á altura...

domingo, 12 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


"O governo de Passos e Portas acabou hoje". Atrevido, não se sabe se tanto quanto prometera, Passos logo anunciou que tinha 20 medidas para oferecer ao PS. Chamou-lhe facilitador porque, para dificultar, já bastava que continuasse sem enviar números.


Da espuma do dia fica muita agitação. Da Conferência Episcopal, do desautorizado secretário geral da UGT, e das televisões em geral, que não se cansam de procurar fantasmas. Como não os encontraram nos juros foram procrá-los no PSI 20...

sábado, 11 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Mesmo com uma quase segunda equipa, a selecção nacional de futebol ganhou hoje, em Belgrado, à Sérvia. Fechou a prova de qualificação para o Europeu com sete vitórias, marca que fixa um novo recorde em jogos oficiais: nunca a selecão atingira sete vitórias consecutivas.


Quer isto dizer que depois do "escândalo" que foi a derrota no primeiro jogo, em Aveiro, com a Albânia  - que hoje fechou o seu surpreendente apuramento para França -, do afastamento de Paulo Bento e da entrada de Fernando Santos, e com ele do regresso de alguns veteranos proscritos, foi sempre a ganhar.


Invariavelmente por 1-0, ou 2-1. Sempre por um simples golito e raramente com exibições convincentes. E quase sempre com a sorte como aliada. Como hoje, num jogo em que, à excepção do guarda-redes, posição por posição e até perderem a cabeça, todos os jogadores sérvios foram melhores que os portugueses. Individual e colectivamente.


É incrível como um treinador que era um pé frio, dado como o tipo que até conseguia pôr as equipas a jogar bom futebol mas que perdia sempre, depois de uma longa passagem pela Grécia, regressa completamente virado do avesso.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

E o Nobel da paz vai para ...

Nobel da Paz: um prémio politizado


Corina Machado é Nobel da paz, distinção que era obsessão de um gajo que molda a guerra a olhar para o seu umbigo, e que ejacula planos de paz à medida dos seus sonhos húmidos. 


O Comité Norueguês anunciou ao final da manhã a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Corina Machado, rosto da oposição venezuelana a Nicolás Maduro, "pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela". 


Esta seria sempre uma boa notícia, não estivéssemos nós em tempos em que não há boas notícias. Não estivéssemos nós em tempos em que não seja possível premiar a oposição a Nicolás Maduro sem dar créditos ao mesmo Trump, a Abascal, Orbán, ou Marine Le Pen.


Trump não ganhou, porque já não foi a tempo de ganhar. Mas já ganhou para continuar a semear instabilidade por todo o globo, para continuar a afundar barcos a seu bel-prazer no Mar das Caraíbas com o pretexto da luta contra o tráfico de droga, para continuar a afrontar as instituições, nacionais e internacionais, e para continuar prender aleatoriamente pessoas no seu país.


 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O líder da força política mais votada deve formar e chefiar o governo. Não está escrito em lado nenhum, mas também não precisa de estar. Quem ganha as eleições deve governar!


É senso comum, é evidência natural que entra pelos olhos dentro...


Pois, uma coisa é o senso comum. Outra, bem diferente, é o funcionamento da democracia e das suas instituições. É aí que começam os problemas, quando afinal a democracia é mais qualquer coisa que votar de quatro em quatro anos ... nos mesmos. Parece que ninguém contava com isso, que tudo se resumia a ganhar as eleições e prontos. Ganhar as eleições também não tem nada que saber - é ter mais votos e prontos!


A Constituição diz que o presidente da República indigita o primeiro ministro depois de ouvidos os partidos políticos e tendo em consideração os resultados eleitorais. Suponhamos que o presidente ouviu a PàF, naturalmente, dizer que ganhou as eleições e quer formar governo, coisa que também ele quer. E que são todos gente muito dialogante, capazes de no parlamento negociar tudo com todos. E ouviu, suponhamos também, PS, Bloco e PC - e já agora o PAN - dizerem que têm uma solução mairitária e estável de governo, e que não há diálogo possível com aquela gente da coligação, que conhecem de gingeira.


Depois de ouvidas as forças políticas, de ouvir isto, tendo  em consideração os resultados eleitorais, o presidente só tem obviamente um caminho. Tudo o que faça fora desse caminho é inconstitucional. E consequentemente anti-democrático!


Ora bem, é a esse único caminho político, a essa única saída constitucional, a esse exercício democrático de solução exacta e única, que vemos toda a direita chamar nomes como golpe de estado, PRECização, aberração e uma infinidade de coisas afins...


Ou, como alguém escreveu num conhecido jornal digital de direita, imediatamente partilhado por uma entusiástica multidão nas redes sociais: "Colocar esse cenário configura uma deturpação de toda a prática política passada que nunca foi questionada em sete das dez eleições legislativas que tivemos nos últimos 30 anos". Como se alguma vez, alguma vez mesmo, e não só nos últimos 30 anos, ou nos que quiserem, tivesse existido em Portugal um cenário, não digo só como o actual, mas como o que nesta actualidade se poderá vir a configurar.


Toda a gente tem legitimidade para defender a sua dama.  Não é legítimo é que subvertam os princípios democráticos, nem que pretendam impôr um entendimento da democracia à exclusiva medida dos seus próprios interesses. 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...