quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Um retrato a cores*

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Parece uma história de crianças, mas é simplesmente a história de dois cadernos para crianças, entre os 4 e os 6 anos, publicados pela Porto Editora: um para meninos, azul, e outro para meninas, cor-de-rosa. Os cadernos de exercícios, ou blocos de actividades como gostam mais de lhes chamar, não têm nada a ver com livros escolares e estavam no mercado já há um ano, coisa que na história é omissa.


Começou a ser mal contada pelo Público, passou para as chamadas redes sociais, e pronto… A onda estava lançada e ninguém mais a parava. Como é costume, ninguém olhou para os ditos blocos, nem ninguém parou para pensar. Houve até uma senhora, investigadora e especialista na matéria, que, embora não poupando no choque nem na estupefacção, referiu que só tinha visto duas páginas. Que lhe bastaram para formular a grande preocupação sobre a representação social trazida para aqueles blocos.  


E, claro, a coisa teria de ir para à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Que foi lesta a, evocando a recomendação do ministro, solicitar à Editora que retirasse os blocos do mercado. Que foi ainda mais lesta a cumprir a ordem. Ou o pedido.


Tudo sem que ninguém parasse um minuto à procura do bom senso, e para reparar que o preconceito não morava nos ditos blocos de actividades, mas apenas num certo jornalismo militante de uma imprensa especializada em manipular a realidade, e em instituições acéfalas e sem qualquer espécie de pudor em seguir a manada nas redes sociais. 


Esta história é um retrato a cores do Portugal de hoje. Mesmo que a azul e rosa. É uma pena, mas é assim: um país com a agenda nas redes sociais, uma imprensa igualmente inorgânica, e empresas sempre a abanar o rabo ao Estado.     


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Piu, piu...

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Cavaco reapareceu. Desta vez trouxe pius, talvez ainda os das cagarras. Passos ouviu-o piar, estarrecido. Marcelo agradece-lhe o piu: às vezes até podemos começar a ficar cansados dele, mas basta Cavaco piar para esquecermos o cansaço. A cada piu mais gostamos do nosso Marcelo. Não queremos outra coisa!

Uma greve difícil de perceber. Ou talvez não...

 



 


A Autoeuropa está parada. Os trabalhadores estão em greve.


A Autoeuropa é uma parte significativa da economia nacional. O novo modelo que vai produzir - lembram-se do que foi feito para assegurar a sua produção na fábrica portuguesa? - representa 24% das exportações de um ano.


Tivéssemos no país 10 "Autoeuropas" e Portugal seria uma das grandes economias mundiais e uma das mais competitivas. Mas seria também um país mais desenvolvido, e uma sociedade mais equilibrada. A Autoeuropa promove mais riqueza, mais competitividade e melhor emprego. Emprego de qualidade.


Imagino que trabalhar na Autoeuropa seja um motivo de orgulho para os seus trabalhadores. Foi sempre essa a ideia que o carismático líder da Comissão de Trabalhadores da empresa, António Chora, nos deixou. Os trabalhadores gostam de ser reconhecidos, mas também gostam de ser produtivos, e de perceber a dimensão da sua participação no colectivo que somos. 


Não quer isto dizer que a Autoeuropa seja imune a qualquer espécie de conflitualidade laboral. Houve dificuldades em muitas ocasiões, mas nunca deixou de ser um exemplo de paz laboral e diálogo social.


Não percebo esta greve. Não fosse ela acontecer logo depois da saída para a reforma do presidente da Comissão de Trabalhadores, não fosse ela surgir num contexto de alteração da relação de poder entre os sindicatos e aquele orgão de representação dos trabalhadores, diria que é imitação minha. Assim,  talvez não...  

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Coisas da paternidade

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Kim Jong-Un, o líder norte-coreano, foi pai. Pela terceira vez, dizem as notícias


O nascimento de um filho festeja-se com o poucas outras coisas. Uns embebedam-se com os amigos, outros deitam foguetes. E outros lançam mísseis...


Não há nada a temer. Keep calm, Trump: isto é só para festejar o nascimento de um filho...


E os outros também. Atrasaram-se um bocado, porque ainda estavam sob encomenda quando nasceram os dois primeiros. E o extremoso e babado pai não fazia ideia que aqueles brinquedos pudessem ter prazos de entrega tão grandes...


 

"É o costume"

 


 


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Os resultados das eleições em Angola na semana passada estão a ser contestados pelas forças políticas da oposição. Dir-se-á, e di-lo à boa cheia o MPLA, que é o costume. Que, se sempre assim foi, por que é que não seria assim agora?


É verdade que sempre assim foi, como é verdade que sempre existiram razões para que assim fosse. É se calhar por isso que também desta vez não tenham faltado razões para desconfiar dos resultados.


Os resultados conhecidos são ainda hoje provisórios e, mesmo com menos votos e menos deputados, deixam o MPLA com 150 deputados, dentro dos seus oblectivos eleitorais da maioria de 2/3. Os mesmos resultados  que, logo no dia seguinte, o porta voz do MPLA anunciara. Pouco depois confirmados pelo porta-voz Comissão Nacional de Eleições (CNE), ainda sem estar na posse dos resultados do escrutínio. De que se demarcaram os comissários nacionais da CNE, em conferência de imprensa que as televisões do regime pura e simplesmente ignoraram. 


Se isto não são razões para desconfiar dos resultados divulgados, e já assumidos pela imprensa portuguesa, e pelo próprio Presidente da Repíblica, como assunto arrumado, imitam-nas muito bem.


A diferença é que agora é bem capaz de haver condições para passar da suspeita para o apuramento da verdade. É que, ao que se diz, há fotografias dos resultados da contagem de votos afixados em cada uma das mais de 12 mil mesas de voto. Contar os votos a partir dessas fotografia é capaz de ser coisa demorada, e não será fácil dar-lhe eficácia administrativa e processual. Mas, quem quiser conhecê-la, ficará a conhecer a verdade dos resultados destas eleições. 


E dizer "que é o costume" será então dizer mais qualquer coisa ...

sábado, 26 de agosto de 2017

Eclipse (quase) total


 


O Benfica perdeu hoje em Vila do Conde os primeiros pontos no campeonato, na pior exibição da época.


O jogo correu mal, e começou muito cedo a correr mal, com a lesão de Jardel logo no início da partida. É mais uma lesão e, pior, é mais uma lesão do azarado central do Benfica, agora que era evidente o seu regresso à normalidade. À condição de grande esteio da defesa.


O Rio Ave jogou bem e criou muitas dificuldades, com que o Benfica nunca soube lidar. Muito interessante o jogo dos vilacondenses, a sair a construir muito de trás, muitas vezes correndo riscos que os tetracampeões, estranhamente, não souberam aproveitar.


Comecemos por aí. O Benfica, que está rotinado a fazer pressão sobre o adversário logo à saída da área, falhou sempre essa pressão. Quando o fez, fê-lo de forma desgarrada, com os dois avançados a chegarem sempre tarde à bola, e os outros sempre muito atrás, a permitirem a superioridade numérica dos jogadores do Rio Ave, que lhes permitia trocar a bola lá atrás e sair com todo o à vontade. Até parecia o Barcelona!


A partir daí, da primeira fase de construção, o Rio Ave partia para um posicionamento muito subido que lhe permitia encurtar o campo, e reduzir o espaço de disputa da bola. Aí, nessa estreita faixa do campo para onde o Rio Ave levou o jogo, sobressaiu a maior agressividade dos seus jogadores e, surpreendentemente, a sua capacidade técnica. Mérito, muito mérito dos jogadores e do desconhecido treinador do Rio Ave.


A primeira parte foi sempre assim, e o Rio Ave foi quase sempre melhor, empurrando o Benfica para a sua pior exibição da época. Eliseu, acusando a pressão a que esteve sujeito ao longo de toda a semana, jogava sobre brasas. Pizzi, não dispunha nem de tempo nem de espaço para pegar no jogo. Rafa, estava lá, no lugar de Salvio, mas não se via. E Cervi não fazia melhor. Seferovic, quando aparecia, estava em fora de jogo. Só Jonas, mas Jonas não joga sozinho.


A segunda parte tinha de ser diferente. As coisas não poderiam continuar assim.


E foi. Foi diferente, mas não tão diferente quanto era necessário que tivesse sido. Quando se começava a ver que o jogo já tinha mais campo, e que o Benfica estava melhor, surgiu o golo do Rio Ave, numa jogada muito bem desenhada, como tantas outras, mas de pura infelicidade para a defesa benfiquista: cruzamento para a área, a bola enrolou nas pernas de Luisão e dificultou o que seria uma recolha fácil de Varela, que a soltou para bater nas pernas de Lisandro e tomar o caminho da baliza.


Não durou muito a vantagem do Rio Ave. Seis minutos depois, o vídeo-árbitro viu finalmente um penalti a favor do Benfica, provavelmente o menos vísível de tantos que nunca tinha visto, e Jonas empatou o jogo. Faltava meia hora, e acreditava-se na reviravolta. Que não aconteceu - já não me lembro do último jogo que o Benfica tenha ganho depois estar a perder, deve ter sido há muito tempo - porque o guarda-redes do Rio Ave é um C(l)ássi(c)o milagreiro. Das quatro ou cinco oportunidades que o Benfica criou na última meia-hora, Cássio anulou três quando já se gritava golo.


Mesmo assim não me parece que o pior do jogo tenha sido o resultado. Houve coisas bem piores. Como a lesão de Jardel e a flagrante incapacidade da equipa na primeira parte. Ou a fraca resposta dos alas, os tais do excesso que até dá para deitar fora. Sem Salvio, Cervi apagou-se. E no lugar do lesionado argentino não resultaram nem Rafa, nem Zivkovic.   

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Redundâncias

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Na ordem do dia está a notícia que o governo aprovou, ontem, as novas regras de reforma antecipada, que permitem que os trabalhadores com longas carreiras contributivas possam ter acesso à reforma sem qualquer penalização. As condições, pelo que percebi, são simples: mínimo de 60 anos de idade  e de 46 de contribuições.


Na RTP, as condições passaram a três:



  • "60 ou mais anos de idade";

  • "Mínimo de 46 anos de carreira contributiva";

  • "Ter começado a trabalhar com menos de 14 anos".


Surpreendidos? 


Não é caso para isso. Há redundâncias para todos os gostos. E não é só na sealy season...

A pouca sorte do rigor

 


Benfica, FC Porto e Sporting já conhecem rivais na Champions


 


 


"Sorte diferente para as equipas portuguesas no sorteio da Champions" - lê-se e ouve-se na comunicação social desportiva, comparando os adversários de Benfica, Porto e Sporting, deixando no ar que o Sporting teve azar, e Benfica e Porto, sorte. Esquecem-se que se estão a esquecer do pequeno pormenor que, no sorteio, o Sporting estava pote 4, o último, o dos menos credenciados. E que o Benfica estava no primeiro e o Porto no segundo, os dois potes com as mais fortes equipas europeias. Esquecem-se sempre de alguma coisa. Normalmente daquilo que é fundamental.


No pote 4, o Sporting nunca poderia evitar duas das melhores equipas europeias, uma do pote 1 e outra do 2. No pote 4, a sorte ou o azar do Sporting apenas poderia ser comparada no que respeita ao adversário saído do pote 3, o único que continha potenciais adversários comuns às três equipas portuguesas. Pois bem, desse pote 3, saíram, para o Benfica, o Basileia, para o Porto, o Besiktas, e para o Sporting, o Olimpiakos. Será que foi o Sporting o mais azarado? NInguém o dirá.


Ao Benfica, do pote 2, calhou o Manchester United. Ao Sporting o Barcelona. Para o Porto, do pote 1, saiu o Mónaco, o melhor que lá havia. Se pudesse, não escolheria melhor. Para o Sporting saiu a Juventus.


No pote 4, das equipas mais fracas, a sorte não foi madrinha nem para o Benfica nem para o Porto: respectivamente CSKA, da longínqua e fria Moscovo, e Leipzig, a surpresa da Budesliga na época passada.


Diz-se que a sorte dá muito trabalho. O rigor também. Se calhar dá mais...


 


 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Marketing, xenofobia e racismo

Supermercado elimina produtos estrangeiros e dá 'lição' aos clientes


 


Um supermercado em Hamburgo, da cadeia alemã de supermercados Edekana, tomou a iniciativa de, por um dia, colocar nas prateleiras apenas produtos alemães.


Os seus clientes foram surpreendidos com prateleiras, quando não vazias, despidas da variedade a que estão habituados. No lugar em que faltavam os produtos que procuravam, encontravam muitas vezes frases alusivas à circunstância: "tão vazia fica uma prateleira sem estrangeiros"; ou "a nossa seleção conhece fronteiras hoje".


A notável iniciativa deste supermercado não tem apenas o mérito de confrontar os seus clientes com o racismo e a xenofobia. Mostra como estes preconceitos são absurdos, e contrários ao nosso próprio modo de vida. Mostra, de uma forma simples, como o racismo e a xenofobia não cabem no tempo que vivemos. 


 


 

Dia de Angola

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Hoje é dia de eleições em Angola. Só por isso já seria um dia histórico, não há eleições em Angola todos os anos. Nem todas as décadas... É mesmo coisa rara.


Aconteça o que acontecer nas eleições e nos seus resultados, hoje é um dia de mudança. Mesmo que, como tudo indica, ganhe o candidato do regime, o poder continue nas mãos do MPLA, e Eduardo dos Santos continue com os cordelinhos do poder, hoje muita coisa mudará.


Mesmo que escolhido pelo presidente que há quase 40 anos - a História tem destas ironias: um jovem que chegou ao poder como solução transitória, até que as grandes figuras do MPLA se entendessem na sucessão de Agostinho Neto, acaba por se tornar no mais estruturado e mais duradouro caso de poder - João Lourenço não é Eduardo dos Santos. E tem ao lado - há até quem diga à frente - uma mulher que é simplesmente uma das mais bem preparadas personalidades angolanas. A experiência política, diplomática e e executiva de Ana Lourenço fazem dela muito mais que a primeira dama que Angola nunca teve. E podem fazer dela um verdadeiro agente de mudança, que vá muito para além do simples  mudar, para que tudo fique na mesma.


A crise que se agravou nos últimos três anos, depois da queda dos preços do petróleo, deixou a economia e as finanças angolanas, e em particular  o sistema financeiro, em muito mau estado. É muito provável que o país tenha de recorrer a ajuda internacional, através do FMI, e sabe-se o que esse tipo de intervenções traz agarrado.


Não será nesta altura muito provável que os angolanos suportem os sacrifícios que lhes vão ser exigidos se não perceberem que o regime esteja a mudar. E isso será tão mais improvável quanto mais apertada for a vitória do candidato do MPLA... Num quadro de eleições livres e justas, como evidentemente se deseja. De outra forma, as dificuldades serão ainda maiores.


Por isso, hoje é um dia histórico para Angola.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Os deveres de Estado e o estado dos deveres

 


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O presidente Marcelo foi a Barcelona sem autorização do Parlamento (sim, o Presidente da República precisa de autorização parlamentar para se ausentar do país). O primeiro-ministro também foi, mas esse pode sair quando quiser. 


Participaram ambos na missa na  espantosa catedral da Sagrada Família, de homenagem às vítimas do atentado nas Ramblas. Não terá sido a primeira vez que António Cosa tenha ido à missa. Nem a última, certamente...

domingo, 20 de agosto de 2017

Entregues à desgraça

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O país continua entregue à desgraça. Arde por todo o lado, arde o que ainda estava por arder, e arde até o que já tinha ardido.


Não é esta a única desgraça em que o país se consome. Há mais, ou não seja este um país atreito à fatalidade desgraçada.


António Costa, numa longa entrevista ao Expresso publicada neste fim de semana, falou na necessidade de consensos para o programa de investimentos em infra-estruturas a contemplar no próximo quadro comunitário. O actual quadro comunitário - Portugal 2020 - acaba justamente em 2020 e, para evitar o que sempre aconteceu no passado - o hiato entre um programa e o seguinte, com graves consequências no investimento - o próximo terá de começar a ser preparado em 2018, para estar consensualizado, concluído e ser apresentado em Bruxelas, em 2019. Para que esteja aprovado em 2020, e entrar em vigor em 2021.


Quanto a calendário, ficamos entendidos: não há grandes dúvidas que este é o momento próprio para falar do assunto. Depois das eleições, porque em tempo de eleições não dá para tratar de assuntos sérios... Depois das autárquicas, naturalmente.


O país não pode dar-se ao luxo de programar a utilização dos fundos europeus em cima do joelho, à medida de interesses imobiliários, ou de objectivos políticos de curto prazo. Já todos percebemos no que isso deu. No aeroporto de Lisboa, nas vias férreas, nos terminais de contentores... O país não pode definir e inverter rumos ao ritmo de cada maioria circunstancial.


Faz por isso todo o sentido estabelecer consensos nesta matéria. Não só faz sentido, como é imperativo, que se constituam sólidas bases de sustentação política das grandes opções de investimento. A maioria de dois terços é o limite inferior dessa plataforma de sustentação política e, por força do que é a representação democrática do país, esse limiar não é possível sem os dois grande partidos do sistema político português. 


Pela reacção imediata de Hugo Soares se percebe a sua dimensão política. Quando o líder parlamentar do PSD não pára um simples segundo para pensar, e perante matéria desta importância acha que a prioridade é dizer o primeiro disparate que lhe vem à cabeça, percebemos melhor a desgraça.


 


 

sábado, 19 de agosto de 2017

Futebol gourmet

 


 


Jogo fantástico na Luz, com mais de 60 mil, sempre em festa. Mais um grande jogo do Benfica!


Poderia dizer-se que com os cinco golos macados, e todos fantásticos, mais quatro bolas nos postes (Jonas - deveria ser crime, aquela bola não acabar bem anichadinha nas redes -, Luisão, Cervi e Jimenez)  mais três ou quatro grandes defesas do guarda-redes do Belenenses, e ainda mais outros tantos lances de golo em que a bola não quis entrar, estava tudo dito. Mas não está. Longe disso!


Há muito mais para dizer deste jogo fantástico a que hoje assistimos na Luz. Porque o futebol apresentado pelo Benfica foi de alto requinte. Se há futebol gourmet, é este. Juntar uma grande exibição colectiva  a 11 extraordinárias exibições individuais, não é coisa a que estejamos habituados. E só pode ser gourmet


E hoje tem que se falar de exibições individuais. Não para falar de Jonas ou de Pizzi, porque esses já não são capazes de nos surpreender. Deles esperamos sempre o melhor, e eles nunca nos desiludem: dão-nos sempre o melhor. Nem de Salvio, em grande. Não é justo que a lesão de hoje venha interromper este grande momento que atravessa. Nem de Cervi. Nem de Luisão, o capitão que está sempre lá. Que não envelhece, apenas amadurece. E que apresenta hoje uma qualidade nunca antes vista. É para falar de Jardel, que já não deixa dúvidas que regressou ao que era há dois anos. De Varela, que fez muito bem o pouco que teve para fazer, e que faz de Ederson cada vez melhor. E sabe-se como isso é importante. E de Filipe Augusto, que hoje se estreou como titular, em substituição do insubstituível Fejsa, e fez simplesmente um jogão.


Poderá sempre dizer-se que o Benfica marcou no primeiro minuto, e que fez o segundo golo na segunda oportunidade. Claro que dá mais tranquilidade à equipa marcar primeiro e desperdiçar depois, como foi hoje o caso. Aconteceu o contrário no último jogo, em Chaves, onde foi de desperdício em desperdício até marcar, já no fim. E no entanto também já aí a qualidade da exibição foi bem alta. 


É isso. A qualidade do futebol que o Benfica apresenta vai muito para além desses circunstancialismos. O futebol gourmet, o futebol perfumado - como se dizia antigamente - faz parte do genes deste Benfica.


 


 


 


 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Resultado pequeno em vitória grande

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Curta, mas grande, esta vitória do Benfica em Chaves. E limpa e justíssima, em mais uma boa exibição. Muito boa, mesmo!


Na primeira parte foi um grande jogo, intenso e bem jogado, com o Chaves a dar a sua contribuição para um espectáculo de grande nível. A equipa agora orientada por Luís Castro soube sempre responder à boia exibição do campeão, com uma boa organização defensiva e sempre pronta a sair para o contra-ataque com grande velocidade e excelente movimentação, com rápidas e bem trabalhadas trocas de bola. Foi bonito de ver.


O Benfica fez o que lhe competia fazer – tomar conta do jogo, mandar nele, impondo um ritmo elevado e apresentando o seu futebol, sempre muito variado na procura de soluções. Criou três boas oportunidades para marcar, mas o golo nunca apareceu. Numa, a bola ficou-se pelo poste, noutra foi o Nuno André Coelho – grande exibição na primeira parte – a sacudi-la em carrinho quando ia mesmo a entrar, e noutra foi o guarda-redes Ricardo, regressado ao activo e a confirmar a sua especial apetência para brilhar nos jogos com o Benfica, a negar o golo.


A segunda parte foi bem diferente. O Chaves abdicou de jogar à bola, e optou declaradamente pelo anti-jogo, apenas preocupado em quebrar o ritmo do jogo, com a complacência – mais do que isso, com o momento que escolheu para voltar a interromper o jogo para que os jogadores se refrescassem – do árbitro Jorge de Sousa. Os jogadores do Chaves, que tão bem tinham mostrado que sabiam jogar à bola, preocupavam-se apenas com chutão para o ar. A relva só lhes servia para se deitarem.


O Benfica procurava o golo de todas as maneiras, mas havia sempre mais uma perna a pôr-se á frente da bola. E quando conseguia desenvencilhar-se das vinte pernas que estavam ali à frente da baliza, lá estava o Ricardo. E assim se foram passando os minutos perante o desespero dos adeptos, que nunca passou para os jogadores. Esgotados os noventa, Jorge de Sousa deu 6 minutos de compensação. Coisa pouca para cinco substituições, para a tal paragem para refrescamento e para as assistências médicas aos jogadores do Chaves, mas suficiente para o Benfica chegar finalmente ao golo, numa jogada que é a prova provada que a equipa não estava desesperada. Em vez de bombear bolas para a área adversária o Benfica continuava a desenvolver o seu futebol de variação de soluções. E foi assim que, aos 92 minutos, Rafa foi à linha pegar a bola para a cruzar, de primeira, rasteiro, para Sferovic fazer o golo com um desvio subtil, em antecipação ao guarda-redes, vinte e tal remates e para aí uma dezena de oportunidades depois.


Curiosamente, nesta segunda jornada, o Benfica repetiu o resultado dos outros dois candidatos. Só que sem peripécias, para não lhes chamar outras coisas.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Campeão à campeão

 



 


Estádio da Luz cheio que nem um ovo, como já é costume. Colo, colinho, muito colinho no arranque de mais um campeonato, que poderá ser o 37. O penta, que hoje começou a nascer no imaginário benfiquista.


Festa na Catedral, de novo. Uma festa que os benfiquistas não querem largar. A supertaça ainda nem pó apanhou, e a pré-época já lá vai. Já ninguém se lembra dela, nem das nuvens que pareciam ameaçadoras.


O adversário era de respeito, e tinha feito voz grossa, de ameaça, talvez para disfarçar o medo. O Braga, mesmo sem ganhar na Luz (para o campeonato) há largas dezenas de anos, é sempre um adversário complicado para o Benfica. E o primeiro jogo é sempre especial, tem sempre qualquer coisa de incerteza e, muitas vezes, alguns fantasmas.


Na primeira parte houve algumas semelhanças com o jogo da supertaça de sábado passado, com o Vitória de Guimarães. Também dois golos, também pela dupla Sferovic/Jonas, e também praticamente nas duas primeiras oportunidades. Desta vez mais espaçados, e mais tardios. O primeiro, pelo avançado suíço, ao findar o primeiro quarto de hora, e o segundo, por Jonas, que igualou Magnusson, com 87 golos, à meia hora de jogo. Para que as semelhanças não ficassem por aqui, o Braga reduziu para 2-1 mesmo em cima do intervalo, na segunda vez que chegou à baliza do Benfica.


O mesmo de sempre. Um golo naquelas condições, mesmo à saída para as cabinas, mais do que deixar o resultado em aberto, deixa sempre no ar a possibilidade de uma reviravolta no jogo. E essa ameaça até chegou por momentos a ganhar forma, quando o Braga introduziu a bola pela segunda vez na baliza de Varela. Mas em fora de jogo, não contou. Confirmou o vídeo-árbitro, que só não confirma os penaltis a favor do Benfica. Ficou mais um por marcar…


Mas o que se viu foi outra coisa. O que se viu foi um Benfica ainda melhor, com períodos de grande brilhantismo, com suculentos nacos de bom futebol entremeados numa fantástica dinâmica de controlo do jogo. O que se viu foi que o campeão voltou, mesmo sem nunca ter ido embora. O 3-1 – Salvio fez o terceiro a mais de meia hora do final - soube a pouco para tanto futebol.


Os jogadores do Braga correram muito, especialmente atrás da bola. E das canelas – canelas, calcanhares, pernas e até cabeças – dos jogadores do Benfica. Que o digam Cervi, Sferovic, Jonas ou Eliseu. A correr assim – e sabemos que assim não será – o Braga vai dificultar muito a vida aos adversários. Mas, a bater assim, contra outros adversários, corre sérios riscos de nunca acabar com 11 jogadores em campo. É que, o que lhes perdoam contra o Benfica, não lhe perdoam em nenhum outro jogo.


No fim fica a festa, que seria ainda maior se o miúdo Diogo Gonçalves, que entrara para substituir o Cervi a dez minutos do fim, tem feito aquele quarto golo que teve nos pés. E a certeza que o campeão está vivo!

sábado, 5 de agosto de 2017

Supertaça: o XX do capitão


 


Aí está de volta o futebol de competição. E aí está o Benfica de volta às conquistas, parece que agora de pazes feitas com a Supertaça.


A primeira resposta que se esperava deste jogo em Aveiro tinha exactamente a ver com a imagem que o Benfica trazia da pré-época que, como se sabe, deixava algumas preocupações. Começando por aí, deve dizer-se que a resposta não foi categórica e inequívoca. O jogo não disse que o Benfica da pré-época não passou de uma núvem passageira, mas também não disse, nem ninguém esperaria que o dissesse, que a equipa tem todos os problemas resolvidos.


Na primeira parte até chegou a parecer que sim. Aos dez minutos o já Benfica tinha marcado por duas vezes - Jonas e Sferovic, nas duas únicas oportunidades, é certo - e tinha o adversário completamente subjugado. O Vitória estava no tapete, e toda a gente se lembrava daquele jogo do título, daqueles 5-0 da Luz.


Já quase ninguém se lembrava de Nelson Semedo nem de LIndelof. E até o Varela fazia questão de jogar à Ederson, quase sempre bem sucedido. Só que as oportunidades de golo, tão soberbamente aproveitadas nos primeiros dez minutos, passaram a ser esbanjadas, algumas por excesso de arte, e lá vem aquela velha máxima do futebol: "quem não marca, sofre". E à beira do intervalo, num lance esquisito, caído do céu mas em que estiveram bem presentes os tais problemas na defesa, o Vitória fez o golo. E saiu para o intervalo com um resultado notoriamente lisongeiro.


Admitia-se que aquele golo, ressuscitando a equipa vimaranense, e trazendo-a de novo para a discussão do resultado, fosseum tónico para a segunda parte. Se os primeiros dez minutos - outra vez os  os primeiros dez minutos - pareciam desmentir essa tese, com o Benfica a voltar a desperdiçar duas claras oportundades de golo, a partir daí confirmou-se em absoluto. Os últimos 5 minutos do primeiro quarto de hora, e todo o segundo, foram de clara supremacia vitoriana. O Benfica quebrou fisicamente, e os jogadores de Guimarães ganhavam todas as bolas divididas, todos os ressaltos e chegavam sempre primeiro. E o empate esteve à vista, em uma ou duas ocasiões.


No último quarto de hora o Benfica voltou a ficar por cima e fechou o jogo com o terceiro golo, agora por Jimenz, acabado de entrar para render o tantástico, mas já esgotado, Jonas. Antes, tinham entrado Filipe Augusto, que continua a não convencer, mas que permitiu outra liberdade a Pizzi, o melhor da época passada e, para não deixar dúvidas, o melhor da Supertaça. E Eliseu, para substituir Grimaldo, de novo lesionado.


Merecem ainda referência os adeptos, e os de Guimarães voltaram a ser fantásticos, e o velho Luisão. A partir de hoje o jogador do Benfica com mais troféus. À capitão. À grande capitão!


 


 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Boa de contas

Resultado de imagem para maria luis albuquerque à beira de perder o mandato


 


Parece que a deputada Maria Luís Albuquerque falta que se farta. Não admira, tem mais que fazer... Tem mais coisas para fazer, e mais importantes.


Ficou a uma falta de perder o mandato. O que, ao contrário do que muitos por aí diziam, prova que a anterior ministra das finanças sabe fazer contas. Bem certinhas, e com grande rigor: nem mais uma. Nem menos!

Loucuras

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O PSG paga ao Barcelona 222 milhões de euros por Neymar. Mourinho diz que é barato. A Liga Espanhola recusa-se a receber o cheque...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Notícia e não notícia

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Na sequência da fantochada eleitoral de domingo na Venezuela, foi notícia que a administração americana congelou todos os bens de Maduro nos Estados Unidos. 


Não me parece que seja notícia. Notícia é Maduro ter bens e contas na América. Porque, para a esconder, Maduro fazer que "no pasa nada", fazendo-se de parvo e de ainda mais ignorante do que é, também já não é notícia.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...