quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Partiu hoje o brasileiro mais português de Portugal, como gostava de se identificar. Duda Guennes era o estrangeiro (mas pouco) que durante mais tempo manteve uma coluna regular na imprensa nacional.


Assinava, desde 1980, uma coluna – Meu Brasil brasileiro, que viria a editar em livro – em A Bola onde, todos os sábados e durante mais de 30 anos, me deliciava com as venturas e desventuras de um dos povos que mais estórias tem para contar, contadas como só ele sabia.


Por razões que aqui confidenciei deixei há cerca de um ano de ser leitor habitual de A Bola. Confesso que só ao sábado era tentado por um certo arrependimento, quando me lembrava das suas crónicas e sentia a sua falta.


Acabaram as razões que me poderiam alguma vez levar a quebrar aquele compromisso!

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

BENFIIIICAAAA!


Grande jogo, grande exibição e uma vitória enormíssima. Foi isto que o Benfica logrou esta noite, numa das maiores quartas-feiras europeias da Luz. Como há muito se não via. Como muitos benfiquistas talvez nunca tivessem visto.


Deste jogo só fica um sabor amargo, mas esse não tem nada a ver com o que aconteceu esta noite na Luz. Tem a ver com o que aconteceu há duas semanas, em Kiev. O sabor amargo que veio do jogo na Ucrânia cruza-se com o doce hoje. Com os três pontos incompreensivelmente não soube trazer do jogo com o Dínamo, o Benfica teria nesta altura 6 pontos, e estaria muito provavelmente a quatro do apuramento. No máximo, e em quatro jogos!


Não ofusca, evidentemente, o brilho desta vitória sobre o Barcelona. Como a não menoriza tudo o que se quiser dizer, exactamente com esse objectivo, sobre o momento actual do gigante catalão. Portanto, sem espinhas, uma grande vitória!


O Benfica não poderia ter entrado melhor no jogo, com cinco minutos infernais, e com o golo de Darwin logo aos dois minutos. Um golo madrugador, mas não acidental. Resultou da atitude da equipa, da confiança com que entrou na partida, e da estratégia adoptada para o jogo. Como se viria a ver depois, o ataque àquela posição defensiva do Barcelona era estratégico, e repetiu-se várias vezes ao longo do jogo. Com Darwin, mas também com Yaremchuck.


A partir dos 10 minutos o Barcelona conseguiu começar a equilibrar o jogo e a impor o seu futebol, à sombra do invisível  Busqets, mas sob a batuta do regressado Pedri. E como ele faz a diferença. Com ele em campo, o Barcelona é outra equipa. Com a subida de produção da equipa catalã veio ao de cima a superior organização defensiva do Benfica. E a categoria e a entrega de todos os jogadores, sem excepção.


O jogo entrou em ritmos altíssimos, com o Benfica sempre a responder, sem constrangimentos nem medos. Disputando todos os duelos e ganhando-os praticamente todos, e com Rafa a lançar o pânico sobre o meio campo do Barcelona. À meia hora o jogo poderia ter ficado logo sentenciado, com dois erros graves do árbitro seguidos, na mesma jogada, ao perdoar a expulsão a Piquet e um penalti sobre Darwin, ostensiva e claramente empurrado dentro da área.


Ao árbitro teria cabido assinalar o penalti, e advertir o defesa catalão com o segundo amarelo, pela entrada sobre Rafa em que, bem, tinha aplicado a lei da vantagem. Em vez disso amarelou Otamendi, por veemente protesto. Logo que o jogo foi interrompido Ronald Koeman fez o que o árbitro não fizera, mas que tudo apontava para que tivesse de vir a fazer, e tirou ele próprio Piquet do jogo, substituindo-o por Gavi, outra estrela em ascensão da formação blau grana.


O Barcelona beneficiou muito com esta substituição, já que recuou Frenkie de Jong para central, e isso fez toda a diferença no início da construção. Pela qualidade do internacional holandês, e pelo que isso baralhou a pressão alta do Benfica, e daí que o últimos dez minutos da primeira parte tenham acabado por ser o melhor período do Barcelona, e quando mais e maiores dificuldades colocou ao Benfica. 


Já em cima do intervalo, Valentino - finalmente, embalado pela exibição de toda a equipa, a a convencer os adeptos - lesionou-se e foi substituído por Gilberto, que acabou por fazer o aquecimento ao intervalo.


Na segunda parte o Benfica voltou a entrar bem, ficou por cima do jogo e nunca mais de lá saiu. Poderia ter chegado ao segundo golo tão cedo como na primeira, naquela bola ao poste do Darwin. Chegaria 20 minutos depois, depois de mais uma brilhante jogada de futebol, culminada numa triangulação entre Yaremchuk e João Mário dentro da área, e com a recarga fulminante, e de classe, de Rafa à sacudidela de Ter Stegen.


Então sim, aí o Barcelona caiu a pique e, já sem Busquets (também amarelado) e Pedri, exausto, mas con Ansu Fati, regressado no passado domingo com 10 minutos de sonho, passou a ser pouco mais que uma equipa banal. Dez minutos depois o Benfica marcaria o terceiro, num penalti que toda a gente viu menos, mais uma vez, o árbitro. Só que desta não havia como fugir ao VAR. Foi ver as imagens e apontou para a marca, para Darwin converter com classe, e tornar-se no homem do jogo.


Estava escrito que o Barcelona não acabaria o jogo com onze, por muito que Koeman fosse substituindo os jogadores amarelados. Mas eram tantos, tantas foram as faltas que tiveram de fazer, e ainda só há cinco substituições... E já bem perto do minuto 90, com a equipa completamente derrotada, calhou ao central Eric Garcia.


E foi assim, com um Barcelona destroçado pela exibição do Benfica, que se fez História na  Luz, esta noite. Só por uma vez havia ganho ao Barcelona. Tinha acontecido há 60 anos, em Berna. Na primeira Taça dos Campeões Europeus do Benfica!

Mais um passo, apenas mais um!

João Rendeiro justifica fuga para fora do país como


Depois de não ter pago a quem devia, o banqueiro João Rendeiro não vai também pagar pelos crimes que cometeu, e por que foi condenado. E continua a ser - depois de condenado a dez anos de prisão que deveria começar a cumprir a partir de amanhã, acabou ontem de ser condenado, pela terceira vez, a outra pena de três anos e meio...


Fugiu - em legítima defesa, diz ele. Não há fugas legítimas, mas há fugas permitidas. Esta foi uma delas, curiosamente dada a conhecer no dia em que voltava a ser condenado a mais uma pena de prisão efectiva. Ainda não é desta que um banqueiro é preso em Portugal, depois de tudo o que se tem visto que tantos fizeram. 


O mais chocante é que se trata uma fuga anunciada. E pelo próprio. Mas nem isso levou a Justiça portuguesa a achá-la provável, e a determinar medidas para a evitar. E para evitar mais um passo gigante na sua própria descredibilização. Mais um, apenas mais um!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O INE divulgou hoje as contas do primeiro semestre, com o défice a cifrar-se nos 8,3% do PIB, longe, bem longe, dos 5,9 a que estamos obrigados e que o governo jura cumprir. Preocupante? Acho que sim!


Mas também não deixa de ser divertido. Para a maioria aqui está a pesada herança, a tal que jamais seria evocada, em carne e osso. Para o PS aqui está a Madeira e os desvarios de Jardim! Não é uma herança, é um dote!

terça-feira, 28 de setembro de 2021

No adeus de Merkel ...

Merkel deixará comando da Alemanha após eleição de 2021; entenda quem pode  ser o novo líder | Mundo | G1


O passado domingo ficou marcado pela eleições na Alemanha, ganhas pelo SPD, com 25,7% dos votos, o melhor resultado desde de Gerard Schroder, em 1998; um pouco acima dos 24,1% (o pior resultado de sempre no pós-guerra) da CDU-CSU, orfã de Merkel, que caiu quase 10 pontos, relativamente às últimas eleições, de 2017.


Para governar vai ser necessária uma coligação de pelo menos três partidos, pelo que tudo está em aberto. Tão em aberto que Olaf Scholz (SPD) e Armin Laschet (CDU) reclamam, ambos, a liderança do futuro governo, que negoceiam com os Verdes (14,8% dos votos) e com os liberais do FDP (11,5%). Negociar acordos de governação é habitual na Alemanha; negociar a chefia do governo é que não.


Daí que a despedida de Merkel só deva acontecer já no próximo ano, e que o tão pesaroso adeus, ao fim de 16 anos, não seja tão imediato quanto seria suposto. O que em nada altera o fim do ciclo Merkel, nem a imagem que dele - e dela própria - fica.


Passados aqueles anos da troika, em que gerou ódios em Portugal, Merkel foi reabilitada em 2015, com a crise dos refugiados, e deixa a liderança - alemã e europeia - com a sua popularidade em alta. Em Portugal tornou-se quase unânime. A esquerda perdoou-lhe e, de Hitler de saias, passou a farol da democracia e dos direitos humanos na Europa, deixando a direita a chorar de rir.


Diz-se hoje que Merkel ficará para sempre na História da União Europeia. Certamente que sim, mas não creio que fique como a grande líder europeia - que dificilmente alguma vez haverá - que dela querem fazer. E menos ainda pelo seu legado à Europa.


Nestes 16 anos a Europa correu vertiginosamente para a irrelevância. Sem política externa, e sem política defesa, outra coisa não poderia acontecer. Aconchegou-se debaixo da protecção militar americana, tomou por sua a agenda externa de Washington, foi pagando para que lhe resolvessem os problemas e foi fazendo negócios com a China. Foi mais ou menos isto. O resto foi o brexit, que fez o resto ... Até à actual completa irrelevância no contexto global.


Se é verdade que nem tudo é responsabilidade da Srª Merkel, até porque boa parte disto tem raízes históricas mais profundas, também nada disto pode ser ignorado. E não o sendo, será mais fácil à História encontrar em Merkel um marco do declínio europeu que propriamente uma referência de liderança europeia. Mesmo que ela não tenha culpa nenhuma que no seu tempo não tenha surgido melhor!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Dizia-se que o Ministro da Economia andava desaparecido. E ouvia-se responder que estava a trabalhar. A trabalhar muito, sem abandonar o ministério, à procura de soluções para a nossa pobre economia, presume-se.


Entretanto, por necessidade ou por disponibilidade – vá lá saber-se –, o ministro apareceu. Como apareceu com programas e projectos para tanta coisa podemos concluir que aquele recolhimento deu os seus frutos, e que apareceu agora para os comunicar.


Tenho algumas dúvidas que assim tenha sido. Não é por nada, é apenas porque ele apareceu a dizer o que todos os seus antecessores disseram. E como é fácil de ver, para descobrir o que os outros já tinham descoberto, não era preciso tanto recolhimento. E depois, logo a seguir, percebemos que tanto recolhimento afastou-o da realidade. Esqueceu-se que não há dinheiro!


Mas, como os seus antecessores, veio anunciar dinheiro e mais dinheiro para cima dos problemas. São 100 milhões para um programa para desempregados há mais de seis meses, são apoios à internacionalização das empresas e são alterações ao capital de risco público para financiar isto tudo. E são duas linhas de velocidade alta para levar daqui os nossos produtos, de comboio, depressa e bem. Quantos milhões? Não se sabe, mas talvez os mesmos do TGV, ou por aí perto…


Eu bem desconfiava que naquela conversa de Madrid, quando ele disse que a decisão sobre o TGV seria anunciada em Setembro, havia gato escondido com rabo de fora. Os dinheiros de Bruxelas vêm à mesma, seja para TGV ou para outra coisa. Desde que meta carris, e os comboios que lá têm para nos vender, o dinheiro vem à mesma. E a parte que nos toca logo se vê. Até porque havia muitas indemnizações para pagar…


E anunciou um grande investimento de uma das grandes multinacionais. Mas nada mais disse, é segredo. E há afinal muita gente interessada em investir em Portugal… Já não vêm é a tempo de nos ajudar a resistir ao agravamento da depressão no próximo ano!

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Surpresa: desta vez ganhou mesmo quem perdeu!

Autárquicas: saiba quem ganhou na sua terra | TVI24


Foi uma noite eleitoral de surpresas. A primeira é que foi longa, justamente pela surpresa maior - Lisboa. A segunda é que, quando sempre todos ganham, desta vez houve quem não ganhasse. Nesta surpresa, outra - o PC, verdadeiro especialista na viragem de resultados nas noites eleitorais, desta vez foi directo ao assunto e não lhe deu a volta. Jerónimo de Sousa bem cedo declarou a derrota - cedo demais, mas Almada bateu com força - e foi único não ganhador.


De resto todos ganharam, mas isso não é surpresa. Transformar derrotas eleitorais em vitórias é a nossa especialidade política. Só que, e para continuar no domínio da surpresa, desta vez ganhou mesmo quem perdeu. E perdeu quem ganhou.


O PS ganhou estas eleições autárquicas, sem nenhuma dúvida. E nem sequer ganhou por poucochinho, mas essa vitória não lhe vale nada mais que as presidências das Associações Nacionais de Municípios e de Freguesias. Perdendo Lisboa e Coimbra, e mais nove capitais de distrito, perderia sempre estas eleições. Claro que não perdeu o Porto, mas também não o ganhou, nem isso seria possível. E a cor do mapa das principais cidades do país deixou de ser rosa. Lisboa foi a grande surpresa. Nenhuma sondagem alguma vez apontara para a vitória de Moedas, em que nem ele próprio acreditava. Ganhar ou perder Lisboa, é sempre mais que simplesmente ganhar ou perder. O futuro de Medina e de Moedas vai passar por esta noite.


O PS, e pelo envolvimento que nelas teve, António Costa, ganhou estas eleições autárquicas, mas perdeu-as. O PSD, e muito em particular Rui Rio, perdeu estas eleições, mas ganhou-as. Desde logo porque ganhou tudo o que o PS perdeu, que apenas ganhou o que a CDU perdeu. Mas ganhou também porque, com elas, ganhou o fôlego que necessitava para em Janeiro próximo manter a concorrência à distância.


As lideranças partidárias estavam também em jogo nestas eleições, e nesse aspecto as do PSD e do CDS, podem respirar de alívio. Para já, para o futuro é outra coisa, e lá vêm Medina e Moedas... Em sentidos opostos, evidentemente.


 

domingo, 26 de setembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Parece que ainda ninguém sabe onde acabou por cair o satélite da NASA, de 6 toneladas, e que responde pelo nome de UARS.


Fazia-me alguma confusão - mesmo alguns arrepios - pensar num monstro de 6 toneladas a cair algures, fosse lá onde fosse. Seria um azar do caraças se aquilo caísse num qualquer aglomerado populacional, mas nunca se sabe. Depois lembrei-me que poderia cair numa ilha, e isso é que seria um buraco… Ou ilha ao fundo!  


Primeiro ouviu-se dizer que teria caído algures em África. Boato! Garantem agora que caiu lá para os lados do Pacífico, e que algumas peças terão atingido o Canadá.


Foi um alívio. Só de pensar o que seria daquelas vaquinhas que riem, todas atrás umas das outras a fazer as delícias do nosso presidente, se tivesse caído no meio do Atlântico… Ou das obras que seriam destruídas ainda por inaugurar. Que buraco!


Ah! E sabem o que é que o UARS andou a fazer lá por cima antes de se estatelar? Andou por lá uns 20 anos a medir a química da parte superior da atmosfera e serviu para medir um buraco. O do ozono, claro!


Vamos a ver se o outro, por cá, será medido em menos tempo. Já percebemos é que não o será até ao próximo dia 9 

sábado, 25 de setembro de 2021

Dificuldades, facilidades e surpresas


O Benfica passou - não se pode dizer exactamente que tenha sido com distinção, como se verá - o teste de Guimarães, que continua a ser sempre apresentado como um dos mais difíceis da prova que é o campeonato nacional.


Comecemos por aí: o Vitória apresenta-se normalmente com boas equipas, para aquele que é o padrão nacional, normalmente com bons treinadores, e a maior parte das vezes a jogar um futebol interessante. Tem uma massa associativa que é provavelmente a maior, a seguir aos três grandes, que cria no seu Estádio um ambiente pouco menos que infernal. É o único Estádio do país, sem contar com Alvalade e o Dragão onde, em condições normais de acesso de público ao futebol, o Benfica não consegue contar com a maioria de adeptos na bancada. E no entanto não haverá muitas deslocações onde o Benfica seja mais bem sucedido.


Os resultados tendem a demonstrar que a deslocação a Guimarães não é, bem pelo contrário, das mais difíceis. Mas a verdade é que o padrão - qualidade da equipa, do treinador e peso dos adeptos - faz com que todos os anos esta deslocação seja considerada de alto risco. Hoje voltou a correr bem, mas na próxima,  já daqui a um mês, para a Taça da Liga, voltará a ser uma deslocação difícil. Por acaso a mais difícil, porque é a única.


No imaginário benfiquista será sempre assim. Difíceis são todos os jogos, a equipa é que tem que os fazer fáceis, e o primeiro passo é antevê-los sempre com elevado grau de dificuldade. Nessa medida é óptimo considerar a deslocação a Guimarães no patamar mais alto de dificuldade, e talvez até seja por aí que comece esta história de sucesso.


Hoje em Guimarães o Benfica atingiu, na primeira parte, o seu melhor nível desta época. Com velocidade, intensidade e qualidade, em vez do passe para trás e para o lado, como ainda se não tinha visto. O Vitória cometeu alguns erros, é certo, de posicionamento no meio campo, mas também na defesa. Mas, a meu ver, foi da dinâmica do futebol do Benfica a maior responsabilidade por esses erros. 


O jogo foi então sempre disputado com grande competitividade, sempre rasgadinho. Nunca os jogadores vimaranenses, a não ser nos últimos cinco minutos, depois do segundo golo do Benfica, e de Yaremchuk, em que  só queriam que o árbitro apitasse para o intervalo, baixaram os braços e viraram a cara à luta. Nesses cinco minutos, sim. A equipa esteve perdida, e o Benfica poderia ter marcado três ou quatro golos, e dado uma expressão escandalosa ao resultado. Se às oportunidades de golo desse período juntarmos as que antecederam o primeiro (grande execução do avançado ucraniano), aos 30 minutos, percebemos que o que de melhor o Vitória tirou dessa primeira parte foi mesmo o resultado.


Na segunda parte, mesmo mantendo os mesmos 11 jogadores na reentrada, o Vitória melhorou o posicionamento do seu meio campo. E o Benfica também não poderia manter o mesmo ritmo, e a mesma pressão, da primeira parte. A conjugação destas duas circunstâncias deram ao jogo um rumo completamente diferente do do primeiro tempo, e trouxeram-lhe um equilíbrio que seria inimaginável ao intervalo. Nada no entanto que alguma vez fizesse o Benfica perder o controlo do jogo. Retirou-lhe bola, mas isso até poderia nem ser mau. Percebeu-se que o treinador do Benfica contava contava com isso, e apostava na exploração do espaço que o adversário deixaria nas costas, como tanto gosta. 


E foi com naturalidade que chegou ao terceiro, por João Mário, a mais de 20 minutos do fim. Nessa altura só não tinha feito mais porque Darwin estava pouco menos que desastrado, o que lhe valeu a repreensão do treinador, que não deixou sem resposta. 


As coisas mudaram foi quando Weigl e João Mário foram poupados, e substituídos por Meité e Gedson. A equipa deixou de controlar o jogo, e permitiu o golo, num penalti surgido de mais um erro de  Lucas Veríssimo. Nada que, no entanto, alguma vez colocasse a vitória em causa.


Uma referência a Lucas Veríssimo, a quem não tenho poupado elogios. Hoje esteve francamente mal. Esteve mal sempre que teve de enfrentar Markus Edwrards - um jogador de fogachos, sempre guardados para os jogos com o Benfica -, e esteve muito mal no penalti. E outra para Jorge Jesus, a quem não tenho poupado críticas. Hoje esteve bem. E, surpreendentemente, este muito bem no "quid pro quo" com Darwin. Quando toda a gente, incluindo o próprio jogador, pensava na substituição/retaliação, o substituído foi Yaremchuk. E para Darwin, em vez da crítica "arrazadora", um reforço. Afinal Jorge Jesus é capaz de surpreender!


 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Quando a Madeira já chegou à Madeira discute-se a falta de uma disposição de limitação de mandatos. Houvesse limitação de mandatos e há muito que Jardim teria deixado de brincar connosco, diz-se. Ou teria ido pregar para uma outra qualquer freguesia, eventualmente com muito menos brinquedos!  


Num país que foi outrora pátria de amanhãs que cantam há uma democracia com limitação de mandatos. A presidência daquela República está limitada a dois mandatos de quatro anos, como mandam as boas regras da democracia!


Alguém neste país terá provavelmente entendido que os mandatos eram curtos, que quatro anos é pouco tempo para executar obra e construir a felicidade do povo. Foi decidido aumentá-los para seis anos, a nova periodicidade do próximo mandato. É aceitável e já assim é nalguns países, que não são menos democráticos por isso.


Este país de que vos falo é, como já terá dado para perceber, a Rússia. Que vai a eleições presidenciais em Março do próximo ano, que também já foi o país dos czares, e que, desde a queda do império soviético, descobriu uma democracia muito particular: a czardemocracia!


É simples: o czar é primeiro entronado e depois eleito. A seguir escolhe um secretário e, como bom czar que é, nomeia-o primeiro-ministro. Esgota os seus mandatos e troca com o secretário: passa ele a primeiro-ministro e manda votar no secretário para a presidência que, esgotados os dois mandatos, lhe devolve de novo a presidência, entretanto com mandatos constitucionalmente mais alargados. Tudo constitucional. Tudo democrático, tudo decidido pelo povo eleitor!


Houvesse limitação de mandatos nas regiões autónomas e teria sido o Alberto João a descobrir esta fórmula mágica da democracia, roubando a patente a Putin. O Mr Dupont e o Mr Dupond seriam Vladimir Alberto João Putin e Dimitri Jaime Ramos Medvedev!


Quando as coisas são como são e o povo é como é, isso da limitação de mandatos, como diria a outra, não interessa nada!

"As águas paradas do Lena e do Lis" - o título é roubado, o resto não!

Leiria @ Lendas de Portugal - A Lenda do Rio Lis e Lena - As coisas de que  eu gosto! e as outras...


Não conheço o Pedro Miguel Santos. Sei, porque fui depois deste encontro imediato investigar, que é natural da Corredoura, do meu colégio, do saudoso Dr Manuel Perpétua, e porta de entrada em Porto de Mós. E que é jornalista. 


Deparei-me com um seu texto cujo título de imediato me captou a atenção: "As águas paradas do Lena e do Lis". O título "trazia àgua no bico". Não é todos os dias que vemos alguém escrever sobre o rio que empresta o seu nome para cognome da capital do distrito, e sobre o seu afluente, que nasce mais a sul, em terras de Porto de Mós, e cruza as da Batalha antes de se entregar nos braços do seu destino, justamente à entrada das de Leiria.


Fui lê-lo, e trago-o aqui. Não que lhe aumente a audiência. Nem ele precisaria disso. Apenas porque vale a pena lê-lo: porque está bem escrito e porque fala de águas que bem conhecemos.


Para quem não se quiser dar ao trabalho de seguir o link acima, aqui fica a transcrição, com a vantagem de estar limpa de publicidade:


"A sabedoria popular está pejada de provérbios e ladainhas usadas para explicar o mundo de maneira simples. Longe de serem leis universais ou universalizáveis contêm, ainda assim, algum fundo de verdade. Tenho um especial carinho por estes ditos, metáforas da experiência humana, passadas de geração em geração quando a realidade se explicava e aprendia boca a boca.



Atentem neste: “A mesma água nunca passa duas vezes por debaixo da mesma ponte”. Remete-nos para a ideia de continuidade da vida, da alteração constante das circunstâncias e dos elementos que a compõem e influenciam. De evolução. Dá-se o caso de não ser verdadeira. Pelo menos na região banhada pelo meu rio Lena até se encontrar com o seu rio Lis, há água que teima em querer fluir vezes e vezes debaixo das mesmas pontes. Falo-vos de autarcas, moléculas fundamentais do Poder democrático Local. Este domingo, voltamos a votos para Câmaras, Assembleias Municipais e Juntas de Freguesia e alguns candidatos são, para desespero de tanta gente, águas passadas. Ainda assim, insistem – direito legal e legítimo, que fique claro – ser as únicas nascentes de força criativa e dinamismo, mesmo que tenham passado parte da vida nesse papel.


À boleia dos nossos rios, sigamos o curso do Lena, que nasce em Porto de Mós, percorre a Batalha e se junta ao Lis, em Leiria. Em Porto de Mós, João Salgueiro é o candidato do Partido Socialista (PS) e quer recuperar o lugar que deixou há quatro anos, de onde foi obrigado a sair pela lei de limitação de mandatos, depois de uma dúzia a governar. Nesta campanha, tem-se apresentado como a solução milagrosa para os problemas do concelho; diz que as pessoas lhe pediam para voltar – qual Messias –; que tudo parou, está estagnado e é ele a solução para a Vila Forte sair do marasmo. Ora, Salgueiro, que até tem nome de nobre árvore ribeirinha, está mais perto de ser jacinto-de-água, invasora que tudo abafa e domina, que uma qualquer espécie do género Salix, usadas para estabilizar terrenos, combater a erosão, fazer cestaria ou marcenaria e de cuja casca se retira a salicina, origem do mais famoso analgésico, antipirético e anti-inflamatório do mundo, a aspirina. Foi presidente da autarquia, pelo PS, entre 2005-2017. Mas, antes disso, entre 1993-2005, foi vice-presidente da câmara, com o importante pelouro das Obras Particulares (Urbanismo) de executivos do Partido Social Democrata (PSD). Em 2005, deu uma “facada nas costas” ao seu anterior número um, José Ferreira, e, nessa altura, fazia já de conta que nada do que havia a criticar em Porto de Mós tinha que ver com ele. O facto é que, desde 1986, Salgueiro ocupa cargos políticos no município, tendo sido deputado da Assembleia Municipal e vereador. Sempre com as cores laranjas. Até virar rosa. 


Em 2021, passados quatro anos de interregno, vem à luta do que acha seu por direito, a Presidência. O PS apoia-o, porque quer reconquistar uma autarquia que só foi rosa enquanto Salgueiro foi chefe. E no horizonte planeia-se a sucessão dinástica. Um dos seus filhos, David, é candidato a presidente da Freguesia portomosense das Pedreiras (onde o clã Salgueiro habita), presidente da concelhia do PS e, em 2019, foi o 1.º suplente na lista dos socialistas do distrito de Leiria para as eleições legislativas. O caminho, comentado nos cafés locais mais à boca aberta que fechada, será o de garantir que, mais tarde ou mais cedo, o filho suceda ao pai, caso este regresse à autarquia. Veremos como a coisa corre, mas as ambições políticas de David Salgueiro são evidentes. E tem apoios de peso. António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde (número três por Leiria, eleito como deputado nas Legislativas de 2019, repescado para o Governo em setembro do ano passado) dá a cara pelo candidato e garante que os cidadãos teriam “um grande presidente de junta" e “melhor qualidade de vida”. Na última votação para o Parlamento, Salgueiro filho fez campanha ativa por Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria, que abandonou o cargo a meio do mandato – sendo substituído pelo vice-presidente, Gonçalo Lopes – para concorrer à Assembleia da República como cabeça de lista dos socialistas do distrito.


A história de Raul Miguel Castro começa a montante da cidade do Lis, na vizinha vila da Batalha, que o Lena também atravessa, já mais caudaloso, contudo também mais indolente. Raul Castro foi presidente desta autarquia, pelo Centro Democrático e Social/Partido Popular (CDS/PP), entre 1989 e 1997. O substituto, nos 16 anos seguintes, foi o seu antigo vereador, vice-presidente e braço-direito António Lucas, aí, já pelas cores laranjas. Em 2009, Castro – que é natural de Abrantes e vive no concelho da Batalha – sentindo o apelo do Poder, atirou-se a outras correntes. Todo o pequeno rio vai crescendo, ganhando espaço e torrente e, mesmo sendo afluente, um dia torna-se grande, curso principal. O Lena já não bastava, era preciso dominar o Lis. Concorreu a Leiria como “independente pelo PS” e conquistou a capital de distrito ao PSD. Teve uma vitória histórica e por lá ficou, até 2019. A meio desse derradeiro mandato, quis fluir ainda mais. Deixou a Câmara, concorreu ao Parlamento e novamente triunfou. Mas, ou a vida não lhe corre bem ou os ares da capital não lhe agradam, Castro quer regressar a margens mais familiares. Talvez as correntes do Tejo sejam mais turbulentas que as do modesto Lena. Nestas eleições, nem pelo CDS/PP, nem pelo PS: apresenta-se, sim, como número um do grupo de cidadãos eleitores “Batalha é de Todos”, no qual o seu eterno braço-direito, António Lucas, é o mandatário da campanha. A justificação da candidatura é parecida com a do "camarada" de partido, em Porto de Mós: o povo pediu, os empresários clamaram, as forças vivas desejam o seu regresso. Ah, o seu grupo de “independentes” tem o apoio do PS, que não apresentou lista própria à Batalha. Se ganhar, Castro deixa de vez o Parlamento (algo que esta candidatura mostra é que já não está lá, de facto) e assume os destinos da autarquia. Mas, se perder, a cadeira em São Bento continua sua: já disse que não assumirá o lugar de vereador porque não lhe entregarão pelouros. Quase aposto que João Salgueiro, em Porto de Mós, fará o mesmo.


Aqui chegados, está bom de ver que algumas águas do Poder Local não só passam uma vez debaixo da ponte, como querem continuar a passar sempre, num sistema hidráulico fechado, que lhes garanta a ocupação permanente do leito democrático e cidadão. Este domingo, Portomosenses e Batalhenses farão as suas escolhas. E o que me ocorre, à laia de dito popular, é isto: “Água de lagoa nunca é boa”.
Há alternativas."



 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O jogo joga-se, evidentemente. Enquanto se joga vai-se construindo o resultado do jogo e, no fim, lá estará o resultado final. Dito assim, jogar para o resultado parece não fazer muito sentido. Ou é um pleonasmo ou um absoluto non sense 


Mas, como por aqui se tem abundantemente demonstrado, o futebolês tem esta particular vocação de dar sentido ao que não parece tê-lo e de deixar claro o que parece ininteligível.


A essa coisa de o jogo se ir jogando e no final lá estar o resultado, o futebolês também dá nome: chama-lhe jogar o jogo pelo jogo. Não fosse em futebolês e aí estaria mais um non sense!


 Do que ficou dito se percebe que jogar o jogo pelo jogo é uma coisa. Outra é jogar para o resultadoJogar o jogo pelo jogo não significa desprezar o resultado porque esse, evidentemente, é sempre e incondicionalmente o mais importante do jogo. Ninguém se importa muito se a sua equipa jogou bem – embora seja naturalmente sempre preferível a jogar mal –; importa é ganhar! Daí que jogar o jogo pelo jogo seja uma expressão rara na linguagem dos adeptos e frequente na dos treinadores … Mais frequente quando perdem. Quando dizem que viemos jogar o jogo pelo jogo, sem nada a perder é porque … perderam! Se ganharam não vieram jogar o jogo pelo jogo, vieram com ambição de ganhar!


Por isso, e sem tretas, toda a gente joga para o resultado. Com as armas que cada um tem, como é natural. Uns jogam para o resultado com anti-jogo, com matreirice e a chutar a bola para onde estão virados. Outros com nota artística, como Jorge Jesus gosta de dizer.


Foi, de resto, o que fez neste jogo do Dragão com o Porto. Jogou para o resultado – e nem sempre com nota artística -, jogou claramente para o empate quando, com outra postura e nas actuais circunstâncias deveria ter jogado para ganhar.


O que o Benfica fez é aquilo que, em futebolês, uns dizem correr atrás do prejuízo e, outros, correr atrás do resultado. A perder, o Benfica tomou a iniciativa de jogo – mais uma expressão futebolesa - e correu à procura do golo. Não se julgue que esta afirmação decorre apenas da reacção aos golos marcados, naquela atitude típica de recuar a equipa depois de marcar. Se na primeira vez que chegou ao empate não houve sequer tempo para perceber a reacção táctica – o Porto regressou à vantagem dois minutos depois – já após a marcação do segundo golo se percebeu uma atitude de recuo, bem expressa com a entrada de Matic para a saída de Cardozo, num momento do jogo em que o Benfica estava claramente por cima. Competia-lhe a ambição de acentuar essa conjuntura de superioridade. Como lhe teria competido entrar de outra maneira no jogo e não ter permitido que o Porto dominasse como dominou a primeira parte. Não que tivesse entrado com medo – não se percebeu isso, como se percebeu noutras ocasiões – mas porque ficou claro que, querendo, poderia estar por cima do jogo. Poderia ter mandado claramente no jogo em vez de, simplesmente, o pretender controlar. Lá atrás!


Mas este foi um jogo bem diferente dos dos últimos anos. Bem diferente dos do ano passado, com bolas de golfe, pedras e isqueiros a voar para o relvado. Foi anunciado que estaria por lá gente da UEFA. A observar o árbitro, mas, já que lá estavam, observariam o que lhes fosse dado a observar…


Esperemos que não tenha sido por isso que este tenha sido um jogo normal, sem incidentes e bem longe do clima de terror que tem marcado os últimos jogos do Benfica no Dragão. Gostaria de acreditar que tenha sido porque as coisas mudaram mesmo, mas as declarações do treinador e dos jogadores do Porto no final do jogo não mo permitem. Até pela forma como se viu terem sido ensaiadas!


Quando o Fucile passou todo o jogo a teatralizar simulando agressões, aproveitar uma dessas ocasiões - que o árbitro, por ser já a terceira ou quarta, puniria com um amarelo – para reclamar da arbitragem e do resultado não passa de mais um dos habituais incêndios em que alicerça a sua estratégia de jogar para o resultado! Ou de construir resultados…

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Para além da retórica trapalhona

Costa e “as asneiras” da Galp ao fechar refinaria. Como uma decisão com  nove meses inflamou a campanha – Observador


O país parou, estupefacto, com as declarações de António Costa num comício em Matosinhos contra a GALP, a propósito do encerramento da sua Refinaria naquele concelho, e a campanha eleitoral inflamou-se, como se aquelas centenas de hectares de depósitos de combustíveis se tivessem transformado numa gigantesca bola de fogo.


Independentemente daquela declaração de guerra à petrolífera nacional, com a ameaça de "uma lição" e tudo, ser parte dos excessos inflamados das campanhas eleitorais, que normalmente os agentes políticos esperam que sejam rapidamente esquecidos, o tom utilizado pelo primeiro-ministro não pode deixar de causar impressão. Se fosse apenas o líder do PS, e nada tivesse a ver com aquilo, era uma coisa. Assim, é outra.


E não há textos publicados - ou a publicar - nos jornais que mitiguem a óbvia duplicidade de António Costa: os mesmos acontecimentos provocam, ao primeiro-ministro, uma impávida indiferença - e há até quem diga que aplausos - ; mas, ao líder partidário em campanha eleitoral, uma revolta violenta.


Perguntar-se-á: onde está a estranheza? Não é António Costa - e, em boa verdade, praticamente todos os que o antecederam e, arriscaria, praticamente todos os que lhe venham a suceder, pelo menos nas décadas mais próximas - useiro e vezeiro nestas coisas?


É. E daí que não me pareça que seja isso o que de mais importante tenhamos a reter deste episódio. Mais importante que estas trapalhadas de campanha eleitoral, em que toda a gente perde o tino, é a ideia que foi passada que o encerramento da Refinaria de Matosinhos é um passo na transição energética.


E essa ideia não foi passada pela GALP, embora a tenha aproveitado para se esconder atrás dela. Foi, e continua a ser, passada pelo primeiro-ministro, António Costa, no exercício da governação do país, quando se sabe que a GALP simplesmente desactivou aquela unidade de produção por de lá não retirar a rentabilidade pretendida. Não tem nada a ver com a missão da descarbonização da economia. É, antes, mais um cemitério onde vai a enterrar a indústria do país.


É mais uma mistificação das muitas da nossa economia, mais um passo atrás dado como se fosse para a frente. Mais do "faz de conta", o buraco nacional que há mais de 30 anos engole os milhões que vêm da Europa. Substituir uma indústria poluente por uma verde, é uma coisa. Outra é assistir à morte da velha indústria, e fazer do funeral uma festa. 


E isto é bem mais preocupante que retórica trapalhona em campanha eleitoral.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Ontem, numa prisão do estado americano da Georgia, foi executado o cidadão norte-americano Troy Davis que, durante os mais de vinte anos que passou no corredor da morte, jurou a sua inocência na morte de um polícia à paisana, em 1989, de que era acusado. Sucederam-se os recursos, os apelos e as petições, e as provas irrefutáveis nunca apareceram – arma do crime, que nunca foi encontrada, impressões digitais, etc. –; mas a sentença permaneceu, implacável, até à sua execução. Ontem!


É chocante. Porque a pena de morte choca e porque choca ainda mais numa sociedade como a americana, esse farol da liberdade e da democracia apontado ao mundo e paradigma de civilização e do desenvolvimento. Mas também pela frieza de uma pena de morte aplicada numa condenação sem objectivas e irrefutáveis provas de culpa.


Várias foram as personalidades que pediram clemência e reclamaram o indulto desta pena: actores e actrizes de HollWood, o ex-presidente Jimmy Carter e até o papa Bento XVI. O presidente Obama, chamado a intervir, fez como Pilatos. Que não tinham nada a ver com aquilo, que era assunto do Estado da Georgia e não da competência do seu poder federal!


Não sei quantas pessoas terão sido executadas durante o mandato de Obama, mas sei que a esperança que o mundo depositou em Obama não encaixa nesta indiferença. Sei que o Obama que lava as mãos desta maneira nãos a pode voltar a mostrar ao mundo. Porque estão sujas!


Hoje, na assembleia-geral da ONU, a Palestina pede o reconhecimento do seu Estado como o 194º membro da Organização. É minha convicção que, no actual momento histórico e sem me deter em argumentações que seriam fáceis de encontrar, porque esse não é agora o objectivo,  seria fácil votar este pedido de adesão, um dos maiores, se não os maior, contributos para a solução do eterno problema do médio oriente que, como todos já percebemos, há muito que deixou de se limitar àquela zona do globo.


Mas os EUA não o permitem e Obama veio explicar que é preciso negociar primeiro. Não diz é o que é há a negociar quando, como todos sabemos, o que está em causa são os colonatos que Israel instalou e que continua a instalar. E que, enquanto contar, como conta, com a protecção americana, continuará a expandir sem nada negociar.


Quando Obama anuncia o veto e diz que preciso, primeiro, negociar, está a lavar as mãos, exactamente como fez perante a execução de Troy Davis! E, como aí, a trair a esperança dos que vibraram com a sua vitória eleitoral há apenas três anos!


Há três anos o mundo elegeu Obama. Pode ser que daqui por pouco mais de um ano os americanos o reelejam!

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Ainda bem


 


Miguel Sousa Tavares anunciou há dias, numa entrevista à Visão, que iria abandonar o jornalismo.


Não li na altura essa entrevista, nem nunca senti, mais tarde, qualquer curiosidade em lê-la. Mas vi a capa, que a revista escolheu para encher com a sua fotografia, ilustrada com o título "Nunca mais faço uma entrevista", como acima se reproduz. Dela não se percebia o abandono da actividade jornalística, mas apenas que deixaria de fazer entrevistas. Desabafei para os meus botões: "faz bem; é um um bom serviço que presta ao jornalismo"! Na maior parte das vezes não eram entrevistas o que fazia, eram simplesmente debates de que retirava a vantagem de ser entrevistador, e onde o rigor era substituído pelo "achismo" e pelo preconceito, como há poucos dias aqui dei um exemplo.


Mas li a sua coluna semanal no Expresso, na edição deste último fim de semana, toda ela à volta dessa entrevista, e da sua decisão. E aí fiquei a saber que a decisão não se limitava a deixar de fazer entrevistas, e muito menos que essa decisão tivesse sido marcada por qualquer processo de auto-crítica. Não, era mesmo a de entregar a carteira de jornalista. E não resultava de qualquer introspecção crítica, mas antes de um dos seus habituais processos de auto-vitimação. Sente-se simplesmente perseguido e injustiçado, e por isso, quanto a jornais, vai ficar-se por aquela sua coluna semanal no Expresso. Não o disse, mas deverá também manter a de "A Bola", se é que ainda se mantém, porque há já mais de 10 anos que, justamente por causa dela, deixei de ler esse jornal desportivo. Porque para isso não precisa de carteira de jornalista.


Nesse roteiro de vitimização passou pela "entrevista" ao primeiro-ministro, António Costa, na TVI, para trazer o caso do "tal jovem que ganha 2.700 euros" e tem de entregar bem mais de metade ao Estado. Para chegar a esta conclusão MST faz uma coisa simples, como sempre: vai à taxa de incidência de IRS e vê lá 45%, e depois soma-lhe os 11% da Segurança Social. Mas não diz o que faz, precipita-se pela conclusão que lhe dá jeito à narrativa. Nem imagina - porque é sempre assim: pelo que acha, pelo que melhor se adapta ao seu preconceito, e pelo que é mais fácil e dá menos trabalho - que aquela é uma taxa marginal, e não é nem uma taxa média e, muito menos, absoluta.


Não há muitas coisas em que estejamos todos de acordo. Mas há algumas. Uma delas é que os impostos são altos, e que o IRS mete fundo demais a mão no nosso bolso. Outra será que jornalistas que fazem as coisas assim talvez não façam grande falta!


Ainda bem. É mesmo melhor ir escrever romances. Isso faz bem. E a gente gosta de ler!


 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Para o ano há mais...

Principais doenças do verão | IMTEP | Saúde Empresas IMTEP | Saúde Empresas


 


Hoje, o Verão vai-se embora. Haverá de regressar para o ano, se tudo correr bem... 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Gostei de ouvir o primeiro-ministro, quero dizer, gostei da maior parte do que ouvi. Há muitas coisas que não ouvi e que gostaria de ter ouvido. Mas como não ouvi…


Gostei de ouvir o que disse sobre Alberto João Jardim e a Madeira, gostei de ouvir o que disse do TGV e gostei de ouvir o que disse da TSU, aqui sim, uma novidade. Já não gostei de ouvir o que disse da RTP, nem das restantes privatizações, embora nada do que disse tenha sido novidade.


Sobre a Madeira foi claro, claro como nunca ninguém havia sido. Também nunca se tinha chegado tão longe, é verdade. Mas, em perfeita igualdade de circunstâncias, compare-se com o Presidente...


Acabou com as dúvidas que o ministro da economia tinha permitido sobre o TGV. Percebemos que está ali uma solução que não é tão radical como se anunciara, que há ali pontes para unir interesses. De cá, de Madrid e de Bruxelas… Não há TGV mas também não acabou esse mundo!


Não há a redução da TSU que o memorando da troika previa, com compensação fiscal através dos aumentos do IVA, como muito boa gente vinha defendendo e que me causava verdadeiros arrepios. Mas há – poderá haver – redução da TSU para as empresas que criem emprego. Isso sim, faz sentido!


Justificou a privatização da RTP com o colossal volume de despesa da estação pública, mas avança com uma opção de privatização que não faz sentido: privatiza o que gera receitas para manter a despesa em poder do Estado. Mantém a despesa e mantém uma estrutura assente no compadrio partidário!


É certo que não esperava novidades sobre o calendário de privatizações já tornado público. Mas não me parece bem que se avance com a privatização das principais participações do Estado nesta conjuntura altamente negativa e complexa. Não é esta a altura para vender posições como as da Galp ou da EDP. Ou para vender empresas como a REN, a TAP e a ANA. Parece-me mal a anunciada receita esperada de 7 mil milhões de euros. Mal por ser anunciada e mal, muito mal, por ser escassa. Dá para pagar uns juros, nada mais. Lembramo-nos bem que esse foi o valor por que a PT vendeu a sua posição na VIVO à Telefonica. É pouco, não é?


Evidentemente que não me surpreendo com a possibilidade de ter que voltar a negociar com a troika. O primeiro-ministro é realista ao prevê-lo e é sério ao admiti-lo já. Mas não o devia dizer!


 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A "estória" do grande jogo


 


Não foi muito diferente de quase todos os jogos com o Boavista, este desta noite, na Luz. Como também não foi muito diferente o futebol do Benfica do destes últimos jogos.

 

À excepção da primeira meia hora, quando só quis defender, o Boavista discutiu sempre o jogo e foi o adversário incómodo de sempre, mesmo que nesse período o Benfica tenha criado muito poucas ocasiões. Duas, pouco mais. A primeira aos 9 minutos, e a segunda a resultar no primeiro golo, ambas com a conclusão de Darwin. 

 

Daí que o Boavista tenha sido o adversário incómodo do costume, e que o futebol do Benfica tenha sido também o do costume, com muita parra para pouca uva

 

À meia hora, na primeira vez que se mostrou, o Boavista ameaçou. E dois minutos depois, marcou, e empatou o jogo. Num grande golo, é certo, mas no aproveitamento de um erro na defesa do Benfica, em que é fácil responsabilizar Weigl, que perdeu a bola onde não pode ser perdida, à saída da área. 

 

Com o tal futebol de muita parra e pouca uva, com a história dos jogos com o Boavista, e aquele fantasma da época passada,  à mesma sexta jornada, depois das mesmas cinco vitórias consecutivas, e até com o mesmo Hugo Miguel no apito, o golo do empate era uma péssima notícia. Valeu que apenas dois minutos depois Weigl redimiu-se do seu erro, e repôs a vantagem. Que durou até ao intervalo, sem grandes sobressaltos, mas no mesmo registo de baixa produção. Basta ver que ao intervalo o Boavista tinha os mesmos remates do adversário, e o Odysseas fizera duas ou três defesas quando, do outro lado, o Bracali ... nem uma.

 

Mais uma vez o treinador do Benfica viu uma grande primeira parte. Um grande jogo na primeira parte, garante!

 

A segunda parte não começou bem. O Diogo Gonçalves, mais uma vez lesionado, ficou na cabina e entrou novamente o Lázaro, que voltou a não convencer. Mas nem foi tanto por aí que não começou bem, foi mesmo por culpa do Boavista, que surgiu com mais atrevimento, com a equipa mais adiantada e mais rematadora.

 

Mas claro, com esse adiantamento o Boavista deixava mais espaço lá atrás, e abria novas perspectivas ao Benfica. Aquele jogo de muita parra e pouca uva de Kiev, e da primeira parte, que o treinador classifica de grande qualidade, passava a ser outro, mais parecido com o dos Açores, na semana passada. Com espaço nas costas da defesa adversária não é preciso inventá-lo.

 

E sem submeter o adversário, e até mesmo aqui e ali com dificuldade em manter o jogo controlado, o Benfica criou então sucessivas oportunidades de golo, e o guarda-redes Bracali teve então oportunidade de brilhar com pelo menos três defesas de enorme qualidade, daquelas que evitam golos certos. Darwin bisou aos 61 minutos, já à terceira oportunidade de golo criada. E depois do terceiro golo ainda houve tempo para mais três. 

 

Pouco importa se o treinador diga que a equipa joga bem quando tem 70% de posse bola, com ela a circular para o lado e para trás, e sem criar espaços para chegar à baliza e para rematar. O que importa, e preocupa, é que enquanto os adversários não abrirem, a equipa tem muita bola mas não faz muito com ela. E na maior parte dos jogos os adversários apenas abrem depois de sofrer o golo. E se se aguentarem até ao fim pode acontecer como em Kiev… Ou pior.

 

Mas pode ser que Jorge Jesus diga estas coisas só por dizer, e que tenha perfeitamente percebido que, para que aquilo seja de grande qualidade, tem de ter mais velocidade, mais criatividade e mais intensidade. Se não for assim, o melhor é pensar em estratégias de engodo para tirar os adversários lá de trás.

"Chico Esperto"


 


As campanhas eleitorais tendem a aprofundar o que de mais deprimente existe naquilo a que alguns chamam política. 


Ontem, no seu "Isto é gozar com quem trabalha", Ricardo Araújo Pereira caricaturou-nos um primeiro-ministro, na qualidade de líder do seu partido, ao nível do mais rasca vendedor da banha da cobra. Nada a que não estejamos habituados, nele e noutros. 


Não é bonito, nem é digno. Mas de alguma forma já incorporamos estes estereótipos eleitorais. Pode estranhar-se que se transformem campanhas eleitorais em feiras onde aos berros se vende tudo, mas a verdade é que as coisas funcionam assim. Entre umas promessas que nunca são para cumprir, umas aldrabices mais ou menos intencionais, umas sandes de porco assado, umas minis e o barulho de música mal amanhada lá se vão conquistando uns votos.


Não é assim que se faz política. Nem deveria ser assim que se fizessem campanhas eleitorais. Mas quando vimos os candidatos do Chega às Câmaras da Covilhã e de S. Braz de Alportel que o "Isto é gozar com quem trabalha" nos mostrou, perdoamos tudo.


Tínhamos percebido que o André Ventura apostara nestas autárquicas para cobrir todo o território nacional, com vista a somar totais nacionais que lhe sirvam o objectivo primeiro de se encostar o PSD à parede. Tudo o que era preciso era distribuir candidatos pelo país, não importava como nem quem, porque o resto era resolvido com a cara de Ventura em todos os cartazes. Todos serviam - alucinados, idiotas, chalupas, indigentes. Tudo servia como, apesar de tudo o que têm procurado esconder, se tem visto.


O Chega é isto, não é outra coisa. É um "chico-esperto" que aproveita todas as oportunidades do jogo democrático para acabar com a democracia. Mas nem nisso inova. Todos no passado fizeram assim!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Enquanto o Tribunal de Contas descobria mais um buraco de 220 milhões na Madeira – o verdadeiro buraco apenas será conhecido no pós Jardim, seja lá isso quando for – o Presidente da República reuniu-se ontem com o Primeiro-ministro. Para falar da Madeira, como foi anunciado e como não poderia deixar de ser!


Nada se soube. Já tínhamos ouvido o chefe do governo sobre a matéria - ainda esperamos para ver o que se irá passar na campanha eleitoral – mas do Presidente não tínhamos ouvido uma palavra. E continuamos sem ouvir…


É bem capaz de aproveitar a visita a algumas ilhas dos Açores para, agitando bem, misturando e embrulhando e voltando a embrulhar, se referir ao assunto. Mas fica tarde! E trapalhão!


Estranho silêncio este. É o Presidente regressado ao Sr Silva…

domingo, 19 de setembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Fernando Gomes é candidato à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). É Pinto da Costa no seu melhor!


Enquanto Godinho Lopes – o Sporting também no seu melhor – para se negar a apoiar o seu antecessor Filipe Soares Franco anunciava o apoio a quem nem sequer candidato era, com Luís Filipe Vieira atado a um pseudo-calculista Fernando Seara, que não ata nem desata e que anda sempre atrás dos acontecimentos, Pinto da Costa, enquanto ia dizendo que não tinha nem queria ter nada a ver com isso, arregimentava as tropas para estenderem a passadeira ao seu óbvio candidato. De passadeira estendida, Fernando Gomes limita-se a pisá-la...


Diziam que, como sempre no passado, Pinto da Costa “apenas” estaria interessado na comissão de arbitragem e na comissão disciplinar… Não, não ele quer tudo. A melhor maneira de mandar naqueles dois órgãos vitais é mesmo mandar em tudo! É que agora as coisas são ligeiramente diferentes, e só Fernando Gomes lhe garante o pleno.


Isto não é para amadores!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Alberto João Jardim poderá vir a ser processado criminalmente. Quem o diz é Marcelo Rebelo de Sousa!


Eu também acho e acho mais: acho que deve, e que teria que ser! Mas também sei que não vai passar-se nada… Tão certo como ele voltar a ganhar as eleições com uma maioria ainda maior!


Estou é com uma curiosidade do tamanho do buraco para ver quem é que vai aparecer na campanha eleitoral ao lado dele. É que o Passos Coelho está anunciado… Mas amanhã vai falar com o Presidente…

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Um dia histórico e uma frase histórica

Marcelo espera esclarecimentos "sem drama e com serenidade" na reunião do  Infarmed — DNOTICIAS.PT


A aguardada sessão de ontem no INFARMED transformou-se numa espécie de "dia da libertação". Por muito que "apenas" se tenha "fechado uma página", como disse o Presidente Marcelo, e que não tenham faltado avisos sobre os riscos que ainda permanecem, ontem foi mesmo o dia em que "ganhamos a guerra", na expressão de Gouveia e Melo, o herói maior entre os muitos heróis que a pandemia deu ao país.


Ontem foi pois um dia histórico. A História faz-se destes dias, e das palavras que destes dias ficam. Das de ontem, de Marcelo, estas não poderão deixar de ficar para a História:


"O povo português votou, e uma forma de voto foi vacinar-se, e aqui votou com uma maioria que até agora nenhuma eleição deu a ninguém. E é bom que isso seja retido".


Associar a resposta nacional à vacinação - que orgulho no Portugal campeão mundial da vacina contra o covid, com 85% da população vacinada! -  à de uma expressão eleitoral, a dimensão cívica à democrática, é a mais inteligente resposta aos movimentos negacionistas, obscurantistas, e reaccionários que nos últimos tempos têm engrossando a conspiração contra os valores da democracia.


É mostrar como são inexpressivos na sociedade portuguesa.  E, mais ainda que isso, é mostrar que esses movimentos não representam nada mais que a oportunista exploração dos desencantos que atingem boa parte da sociedade portuguesa na sua expressão eleitoral democrática. 


Mas esse é outro problema. Que, mais do que nunca, terá de ser decididamente enfrentado!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Vagabundo é alguém que não leva uma vida certinha claramente sedeada e centrada na sua casa. É alguém que vagueia de rua em rua ou de lugar em lugar. Um nómada, sem casa e sem abrigo, que vive de pequenos trabalhos que encontra. Ou de esmolas, variante então conhecida por mendigo, mais fixo e menos itinerante.


Pelo que se vê a condição de vagabundo não será das mais lisonjeiras. Mas piora bastante quando se passa da dimensão mais ou menos objectiva do dicionário para uma dimensão conceptual mais alargada. Aí o termo ganha contornos de verdadeiro insulto, atingindo o seu apogeu no Brasil, onde vagabundo é mesmo do piorio!


Por cá, mesmo não sendo tão chocante, não é epíteto recomendável: não deixa de ser um vadio que passa pelo lado de fora da sociedade, um marginal! Nem mesmo indo procurar um sentido romântico – o gosto pela aventura, pelo risco e por experiências novas ou a ânsia de viajar e conhecer mundo – se consegue esconder, ou mesmo disfarçar, o lado sombrio do vagabundo. Sempre ligado à exclusão e à pobreza muito antes de lhe descobrir qualquer lado romântico!


Precisamente o inverso do que acontece no futebolês, onde os vagabundos são normalmente os mais fascinantes, os mais interessantes, os mais românticos e até os mais ricos. Quase sempre ricos, eventualmente bonitos e, sempre, grandes jogadoresprecisamente os atributos que Cristiano Ronaldo reivindicou para si próprio esta semana, dentro da sua já habitual modéstia.


Uma equipa de futebol obedece, cada vez mais, a uma forte cadeia de comando assente numa disciplina forte, mesmo espartana. Os treinadores exigem que os jogadores cumpram as instruções que lhes fornecem, aquilo a que gostam de chamar disciplina táctica. Não se cansam de exaltar a disciplina da equipa e de invariavelmente lhe atribuir os louros do sucesso. Não admira, porque com isso estão a valorizar-se a si próprios. Ninguém está disposto a deixar os seus créditos por mãos alheias, a deixar para os outros aquilo que quer fazer seu, e os treinadores não fogem a essa regra. Se os objectivos foram atingidos o mérito é seu: os jogadores cumpriram à risca as instruções que levaram para dentro do campo - dizem invariavelmente! Ou fomos rigorosos e disciplinados.


Esta disciplina corresponde à antítese do vagabundo.  Agarra o jogador à sua casa, na circunstância a sua casa táctica, o espaço natural onde o treinador o obriga a viver. Mas há sempre espaço para o vagabundo, o jogador que tem um estatuto que obriga o treinador a libertar-lhe as amarras. O jogador que não quer nem precisa de casa, de que conhece apenas a porta de saída!


A condição de vagabundo é genética, e a mais apetecida. Nasce com o jogador, quando se vê jogador já se sente vagabundo. Depois há os que justificam essa condição e a impõem a quem quer que seja e os que, pelo contrário, se querem vingar naquela vida têm que abandonar aquele lado rebelde e tornarem-se autênticos meninos de coro. Nem pensar em xixi fora do penico!


Mesmo assim ainda são muitos os que ousam explorar os caminhos da rebeldia – a maioria das vezes mal sucedidos - e poucos os verdadeiros e consequentes vagabundos. As grandes equipas têm naturalmente lugar para um vagabundo, daqueles mesmo à séria. As médias, mais porque querem imitar as grandes que por outra razão, entregam esse estatuto a um ou outro mais rebelde. Só as pequenas, os mais humildes, é que, ironicamente, não têm vagabundos: não se podem dar a esses luxos, ali é mesmo para cada um cumprir rigorosamente o que lhe está destinado pelo treinador.


Rebeldes, ou simples atrevidos, há muitos. Vagabundos é que não! Vemos um em Barcelona – Messi, pois claro – que até parece rodeado de alguns rebeldes. Pura ilusão, apenas habitam casas maiores. Não saem de casa, não senhor! E vemos outro em Manchester, Rooney, que acaba precisamente de conquistar esse estatuto. E está a levar isso tão a sério que até já tem cabelo, pronto a crescer para lhe dar style! Em Madrid, onde ainda há poucos anos morava um dos maiores (Zidane, evidentemente), Cristiano Ronaldo não é exactamente um vagabundo, não que alguém lhe negue esse estatuto. É mesmo ele que, de tão disciplinado que é, tem dificuldade em adaptar-se ao papel.


A verdade é que estas são as três melhores equipas do mundo. E teremos muita dificuldade em encontrar mais vagabundos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A discussão sobre as eurobonds já vai longa, tão longa que vai chegar atrasada, apesar de o nosso primeiro-ministro, ao ensaiar a explicação do inexplicável, afirmar categoricamente que a questão não é para se colocar agora.


As chamadas eurobonds – dívida europeia, títulos do tesouro comuns, em substituição da dívida de cada um dos países membros - que cada vez mais gente defende como a única forma de começar a atacar o problema do financiamento das economias da união e de salvação do euro, interessam, em primeira análise, aos países que estão com problemas com as respectivas dívidas soberanas – que são cada vez mais, como se vem vendo – e não interessam aos que (ainda) não têm dificuldades de financiamento. Uma dívida comum misturaria bons, médios e maus devedores, isto é, misturaria os triple A das notações de risco, com os doble A e os lixos, como é o nosso caso. A taxa de juro resultaria disto mesmo, beneficiando largamente Portugal e penalizando a Alemanha. E a Suécia, e a Finlândia…


O recurso a esta solução há um ano atrás, por exemplo, - e já nem seria pedir muito em termos de liderança e de capacidade de antecipar os acontecimentos, pois teria já sido depois da falência da Grécia – teria sido muito eficaz e evitado muitos problemas. O primeiro, como é bom de ver, seria o das taxas de juro. Que seriam bem mais leves, penalizando bem menos, também, os países mais fortes. O que quer dizer que as suas opiniões públicas não ofereceriam, nem de perto nem de longe, a mesma resistência à sua implementação. Hoje, como é igualmente bom de ver, com a degradação deste último ano – Grécia, Irlanda e Portugal intervencionados, Espanha e Itália lá bem perto, e mais uns tantos com as barbas de molho – as taxas de juros serão já bem menos interessantes. Foi mau para todos, para os que têm problemas porque ganham bem menos com a solução e para os que os não têm porque perdem bem mais!


Tarde, e a más horas, mas a questão continua em cima da mesa, não se vendo qualquer alternativa. As barricadas erguidas de um lado e de outro da discussão não se podem resumir às que resultam dos interesses mais primários de cada uma das partes: alemães e nórdicos porque perdem e os outros porque ganham. Há uma outra barricada onde todos cabem: é onde estão os que querem defender a União e a sua moeda, os que acreditam que este continente não tem futuro – nem sequer paz – se retroceder no processo de integração. Os que entendem que esta é a altura de avançar e não de recuar e que percebem agora que há que avançar a todo o vapor para a união política!


Nesta última barricada é que está o velho problema da construção europeia. As elites sabem que é ali que terão de estar, mas não sabem como convencer disso os seus eleitorados! Faltam lideres que não fiquem reféns dos resultados das próximas eleições, que não despegam umas das outras pelo calendário fora.


Finalmente a Comissão Europeia percebeu isto e acaba de afirmar, alto e em bom som, que é para avançar com as eurobonds. Durão Barroso anunciou-o no Parlamento Europeu e o aplauso geral dos deputados permitiu-nos medir a sua aceitação.


Merkel continua intransigente, com medo das eleições. Achamos que não está à altura das responsabilidades, mas percebemo-la.


O nosso governo, uma das partes mais interessadas, estava naturalmente a favor do recurso às eurobonds. Paulo Portas chegou até a manifestar-se de uma forma deveras peculiar:"eu, como português, obviamente estou interessado na ideia dos Eurobonds. Admito que se fosse alemão teria algumas dúvidas". Passos Coelho, contudo, mudaria de opinião logo que chegou a Berlim para se avistar com a chancelerina. Ninguém percebe como é que o chefe do governo de Portugal poderá estar contra e, por mais voltas que dermos, não conseguimos encontrar outra explicação que um grave problema de coluna vertebral. Questionado no parlamento, a resposta sairia atabalhoada e sem convicção. Própria de quem tem problemas de coluna!


O que lhe vale é que o Durão Barroso sabe bem o que isso é. Por isso desculpa-o, não tenho dúvidas!

Gostava de ter escrito isto

Como escrever bem: 39 dicas que você não pode ignorar!


Gostava de ter escrito isto:


"Depois de ser condenado em primeira instância, o Tribunal da Relação confirmou o que já todos suspeitávamos: André Ventura é um criminoso. E o criminoso bem pode ficar incrédulo e desiludido, e fazer o seu teatro calimerico, mas qualquer ser unicelular percebia o óbvio: não podes chamar “bandido” a pessoas que nunca cometeram um crime, entre as quais se incluía uma criança pequena, em prime time e perante uma audiência de milhões, usando essas pessoas como arma de arremesso num debate político. Agora, o arrogante é presunçoso Ventura, mais o seu partido de extrema-direita, terão que pedir desculpa à família Coxi. E o não cumprimento da sentença dará origem a uma multa de 500€ por dia de atraso. E cada reincidência terá o custo de 5000€. Portanto ou pedem desculpa, ou vão à falência, ou fazem como os outros neofascistas europeus e pedem ao tio Putin ou ao tio Bannon para bancar.


O ódio e o extremismo perderam, a democracia e o Estado de Direito ganharam. Venham mais dias assim."


 


João Mendes - Aventar

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Banco de Portugal e o INE revelaram um buraco superior a mil e cem milhões de euros nas contas da Madeira, que o Jardim andava a esconder desde 2008.


notícia está a correr mundo que, enquanto pergunta como é possível, apresenta um Alberto João Jardim como um rebelde que brinca com o seu partido e com os portugueses. Como é possível - agora pergunto eu - que um tipo destes goze (é o termo exacto, ele goza com todos nós) com todos nós durante tantos e tantos anos?


buraco da Madeira, descoberto nos últimos dias, já vai em mil e seiscentos milhões de euros. Isto é, depois do que todos anos extorquiu (é também o termo certo) do orçamento nacional, e depois de um dívida que ninguém quer quantificar - o próprio Jardim diz que não sabe nem quer saber, e a maioria parlamentar recusou um pedido de auditoria externa - mas que se diz ultrapassar os 8 mil milhões de euros, aparecem agora mais 1,6 milhões para pagar. É esta a factura do regabofe de Jardim nos últimos quase 40 anos!


Perante isto Jardim faz de tolo. Não há problema nenhum, o problema é que há eleições, diz com a irresponsabilidade que lhe alimentaram. Passos Coelho limita-se a dizer que é grave mas que é um problema do PSD Madeira, do governo regional e dos madeirenses. Que não é um problema do governo nacional! Nem do PSD nacional! O Presidente da República – o Sr Silva, lembram-se? - diz que é um problema que o governo está a tratar. Sem mais!


Isto está bonito…

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Grande noite na Luz. O regresso do Benfica à alta roda do futebol europeu teve de tudo – ou quase – para ser também o regresso das grandes noites europeias à Luz. Um adversário de grande categoria, um jogo bem jogado, com bom futebol por todos os lados, dois grandes golos e público e entusiasmo de braço dado. Como é bonito o Estádio da Luz cheio!


O resultado? Não foi mau, mas foi o pior de tudo… Um empate com o todo-poderoso Manchester United não é, nesta fase da prova, um mau resultado. Mas o jogo poderia ter dado mais ao Benfica!

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Champions? Mais do mesmo ...


 


Sem brilho, e com muita angústia, esta a estreia do Benfica na fase de grupos da Champions, em Kiev.

 

Quase que dá para dizer que, não fosse o hino que se ouviu no início, este mais pareceu um jogo da liga nacional. Já cá vimos muito do que hoje se viu no Olímpico de Kiev, com o Benfica instalado no meio campo do adversário, com este a esperar por um contra-ataque, ou por um erro qualquer que lhe permitisse chegar à baliza de Vlachodimos. Com muita circulação de bola, muita posse, mas poucos lances realmente bem construídos, e poucas oportunidades claras para marcar. Muita parra, para pouca uva!

 

A primeira parte foi isso, a segunda foi ... pior. 

 

Na primeira parte faltou agressividade, assertividade, velocidade e intensidade ao Benfica. O resto esteve lá, mas o resto é muito pouco. E para a Champions é nada. Sobrou um jogo entretido, como lhe chamaria o Quinito, onde Weigl e João Mário mostravam a sua capacidade de recuperação e de circulação, a defesa cumpria, Grimaldo e Rafa faziam por provocar desequilíbrios na organização defensiva da equipa ucraniana, e Everton e Yaremchuk … andavam por lá.

 

O Benfica tinha o adversário - o mais fraco do grupo, como bem se sabe - à mercê, e uma oportunidade única de ganhar um jogo ... que só tinha que ganhar. Mas não soube, nem revelou competência para o ganhar.

 

Depois veio a segunda parte, que até começou exactamente no mesmo registo. Só que, se as coisas não estavam bem, com as substituições que o treinador promoveu, logo ao fim do primeiro quarto de hora, pioraram. A superioridade do Benfica, mesmo que estéril, esfumou-se e o Dínamo de Kiev,  mesmo que apenas com um terço de posse de bola final, passou a dividir e a discutir o jogo em pé de igualdade.

 

Quando Jorge Jesus retirou do campo Everton e Yaremchuk apenas fez o que tinha de ser feito. Já a ideia de retirar o Gilberto não ficava lá muito fácil de entender, mas ele é que sabe… O problema foi os que escolheu para entrarem: Darwin e Radonjic - uma estreia na equipa - não eram para "aquele" jogo. E, no que mostrou na estreia nos Açores, e voltou hoje a mostrar, Valentino Lázaro, não é, por muito que seja difícil de acreditar, melhor que Gilberto.

 

Com um jogo em que o adversário defendia em bloco baixo, sem dar condições para o Benfica explorar a profundidade, Darwin e Radonjic, que vivem disso, ficaram sem ar para respirar. E, sem condições para ajudar a resolver os problemas que a equipa tinha pela frente fizeram, ambos e qualquer um deles, bem pior que o pouco que tinham feito os que saíram. 

 

Aquela ideia que, com paciência, aquele tipo de futebol da primeira hora do jogo poderia dar num golo morreu. A partir daí só um golpe de fortuna o poderia dar. A qualidade de jogo, não. 

 

As últimas substituições aconteceram já no final do jogo. Primeiro, a 5 minutos dos 90, mais um disparate (João Mário por Taarabt) e, depois, já mesmo aos 90, entrou Pizzi, por lesão de Rafa, um autêntico saco de pancada, perante a condescendência do inglês Anthony Taylor. Que deu apenas 3 minutos de tempo extra, consumidos na assistência ao Rafa, num jogo com as 10 substituições regulamentares.

 

O que nos parecia pouco rapidamente se tornou numa eternidade. Os ucranianos tinham afinal decidido apostar tudo nesse período de compensação, e os 3 minutos foram mais que suficientes. Um sufoco, aqueles três minutos. Duas bolas nos ferros (no mesmo lance, com um remate à trave e, no ressalto, o corte de um defesa do Benfica para o poste), três grandes defesas do Vlachodimos, e … um golo.

 

Valeu o VAR - porque a equipa de arbitragem em campo tinha-o validado - para impedir uma injustiça daquelas em que o futebol é fértil. Mas nem sempre o futebol é assim tão injusto quanto o pintam. Às vezes há injustiças que são apenas a justiça de penalizar quem, no fim de tudo, até merece ser penalizado.

 

O treinador do Benfica dissera, antes do jogo, que era para ganhar. Ao Dínamo de Kiev, ao Bayern e ao Barcelona, que são todos iguais. No fim, disse que o Benfica tinha feito um grande jogo…

Portugueses que não merecem os portugueses

Visão | Ferro Rodrigues sobre os ataques de negacionistas: “Trata-se de um  crime público. Espero que a PGR cumpra o seu dever"


Portugal é hoje um dos mais bem sucedidos países - porventura o de maior caso de sucesso no mundo - no processo da vacinação contra o covid-19. Por duas razões fundamentais: porque a campanha de vacinação foi bem planeada e melhor executada; e porque os portugueses aderiram em bloco!


Planeamento e rigor de execução não são atributos que geralmente nos sejam creditados, mas cá estiveram, neste processo. Também não somos especialmente conhecidos pelo empenho em causas, mas a verdade é que a História regista momentos vários de galvanização e mobilização nacional à volta de muitas e grandes causas. 


Na resposta à pandemia, na medida como acatamos as restrições a que nos tivemos de sujeitar, ou até na forma como tantas vezes antecipamos espontaneamente medidas desse género, fomos, em geral, de um notável comportamento cívico. E na adesão à vacinação, em todos os escalões etários, demos uma lição ao mundo.


Claro que há sempre alguma gente desprovida dos mínimos exigíveis de sanidade mental capazes de alinhar em teorias malucas, de negar as evidências, por mais que há muito estejam demonstradas, capazes de fugir aos mais estabelecidos padrões cívicos, e disponíveis para seguir agendas dos mais deploráveis propósitos de gente de poucos escrúpulos. E que, em sociedades abertas e democráticas, como felizmente é a nossa, têm direito a manifestar-se. 


São, felizmente, em Portugal meia dúzia de pessoas. Quando violam o Direito Democrático só têm que ficar sujeitas à lei, naturalmente. É a essa lei que têm de se submeter gente como esse senhor que por aí anda e se diz juiz, os que fizeram aquela espera, em Odivelas, ao almirante Gouveia e Melo, ou, e são evidentemente os mesmos, os que se juntaram à porta do restaurante onde almoçava Ferro Rodrigues, para o insultar e ameaçar.


É preciso que a Procuradoria Geral da República e o Ministério Público, nessa como em todas as matérias, cumpram o seu dever e activem o Código Penal. Mas é preciso mais: é preciso que a sociedade desincentive esses comportamentos, porque esses grupelhos inorgânicos ao serviço de gente perversa, de objectivos bem definidos, sabe usar os instrumentos de comunicação para os potenciar. E aí surgem outras responsabilidades, que não aquelas que a lei pode, e deve, sancionar.


Já bastam as redes sociais, desreguladas e incontroláveis, para lhes dar projecção de que se alimentam. Mas ainda têm as televisões para os fazer engordar.


Aquilo que vimos com Gouveia e Melo, com o dito juiz perante os agentes da PSP, e com Ferro Rodrigues é notícia?


É, mas poderia certamente ser dada de outra forma. E mais um pormenor: na "espera" a Gouveia e Melo, na sua visita a um centro de vacinação em Odivelas, poderia esperar-se cobertura televisiva; no deplorável confronto do tal juiz com os agentes da PSP,  cujo acontecimento era a sua audição no Conselho Superior de Magistratura, já essa cobertura é mais difícil de perceber; e na "visita" ao almoço de Ferro Rodrigues com a mulher, no fim de semana, é de todo incompreensível. Simplesmente não havia acontecimento para cobrir!


E é aqui que surge o mais rocambolesco e chocante: o jornalismo justifica o "acontecimento" na presença do médico Fernando Nobre, o ex-candidato à Presidência da República e histórico da AMI, para discursar nessa manifestação


Esse mesmo. Quem por aqui acompanha as memórias de "10 anos" tem podido revisitar a personagem, presença frequente nessa altura destas páginas. Sem qualquer tipo de surpresa, este episódio mostra ao que pode chegar uma criatura que um dia se apresentou como exemplo e personificação da cidadania.


Há portugueses que não merecem os portugueses que têm como concidadãos!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Andávamos nós ainda todos entretidos a discutir a bondade da redução da Taxa Social Única (TSU), já com toda a gente convencida, incluindo o ministro das finanças, que não é grande ideia quando, de repente, vem o FMI dizer que é para reduzir em oito pontos percentuais. Ponto final. Para que não haja dúvidas!


E dentro de dias terão cá uma equipa para cuidar que a medida fique mesmo no orçamento - que nos vêm ajudar a fazer - a apresentar em Outubro, para que não subsista qualquer dúvida sobre quem manda.


Mas mandam mal, como está mais que provado. Quando se andam anos e anos a mandar mal sujeitamo-nos a isto: a ser mandados de fora. Mal, à mesma, mas de fora. E sem piar!


Esta medida, que a troika aponta como a chave da competitividade da nossa economia, não resolve coisa nenhuma. Porque não tem expressão enquanto factor de redução de custos de produção.


É para aplicar à totalidade das empresas e não apenas às exportadoras. É para aplicar ao sector da distribuição e a todas as empresas que vivem à sombra da enorme bananeira que é o Estado, que as ajudam a fixar os preços dos bens e serviços, que exploram em regime de monopólio, como bem querem e lhes apetece.


Isto deverá retirar aos fundos da segurança social qualquer coisa como 3,2 mil milhões euros por ano, que terão que ser compensados de alguma forma. Diz-se que é no IVA. Cada ponto percentual de corte na TSU obriga a um acréscimo do dobro na taxa de IVA. Dois pontos percentuais,  dezasseis!


Agora imagine-se o que isso representa para a economia e na sociedade. No consumo. Na recessão. Na economia paralela. Na quebra de receita fiscal e no agravamento do défice. Que depois vão pretender compensar com mais impostos, voltando tudo ao início. Ao círculo vicioso!


Sei bem que virão uns entendidos dizer que é bom, porque reduz as importações. E com as exportações a aumentar ficamos com o défice externo resolvido. Coitados…


Bom, coitados é de nós!


 

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Dignidade

Homenagem a Jorge Sampaio nos Jerónimos antecede funeral


Não consigo ver beleza em cerimónias fúnebres, mas também não é isso que nelas procuro. Essa do "um funeral tão bonito" provoca-me até algum choque... 


Este tipo de cerimonial tem de primar acima de tudo a dignidade. Desde que haja dignidade está lá tudo o que é preciso que esteja. Se não houver, pode lá estar tudo, que não estará lá nada.


O funeral de Estado de Jorge Sampaio, o segundo do regime, depois do de Mário Soares, foi um acto de notável dignidade. E tendo dignidade teve tudo: solenidade,  reserva e serenidade. Tudo, como merecia!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Nunca liguei muito a concursos de Miss. De Portugal lembro-me apenas de um nome: Ana Maria Lucas. Desculpem, lembrei-me de outro: Ana Wilson, em 1982.


Da primeira, em 1970, lembro-me porque sim. Se calhar por na altura ter sido um acontecimento e, por isso e pela minha idade, ter capturado a minha atenção. Porque pouco depois casou com o Carlos Mendes, e eu achei que ele era um felizardo. Casar com uma miss não era para todos… E, sem dúvida porque, sem que nunca tenha percebido por que carga de água, ainda hoje não se fala de Miss Portugal sem falar de Ana Maria Lucas. Da segunda, da Ana Wilson, lembro-me porque é filha do velho capitão Mário Wilson – personalidade cara a qualquer benfiquista como eu – irmã do Pedro, que havia sido meu colega na faculdade e sobrinha do Guilherme, do Dr Guilherme Wilson, um amigo e colega de sardinhada, infelizmente já desaparecido. E sei que foi miss em 1982 porque foi quando nasceu a minha filha mais nova!


De Miss Universo é que não conheço qualquer nome. Tenho apenas a ideia – que nem sequer sei se tem assim tanta aderência à realidade – que a Miss Universo é, quase que invariavelmente, venezuelana. Mesmo sem ir fazer qualquer pesquisa – que poderia até contrariar esta minha tese, e depois era uma chatice - diria que a Venezuela lidera destacada o ranking de produtores de Miss Universo. Desconfio que tenha sido por isso que, ao que soube, Portugal tenha este ano concorrido precisamente com uma venezuelana. Não acredito que nós mandemos para lá Magalhães para que eles nos mandem beldades para cá. Nos negócios com exterior ficamos sempre mal, não era agora com o Chavez que mudávamos isso!


Vem tudo isto a propósito de a nova Miss Universo falar português e ser angolana – Leila Lopes, de 25 anos. Não sei se o Hugo Chavez terá passado o segredo para José Eduardo dos Santos – eles que têm tanto em comum … como petróleo, por exemplo – mas, francamente, eu não imaginava uma Miss Universo angolana. Não porque não haja mulheres bonitas em Angola, mas porque sempre me pareceu que para atingir essa qualificação ser bonita é apenas uma de muitas condições… Que pensava não existirem em Angola!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...