
A aguardada sessão de ontem no INFARMED transformou-se numa espécie de "dia da libertação". Por muito que "apenas" se tenha "fechado uma página", como disse o Presidente Marcelo, e que não tenham faltado avisos sobre os riscos que ainda permanecem, ontem foi mesmo o dia em que "ganhamos a guerra", na expressão de Gouveia e Melo, o herói maior entre os muitos heróis que a pandemia deu ao país.
Ontem foi pois um dia histórico. A História faz-se destes dias, e das palavras que destes dias ficam. Das de ontem, de Marcelo, estas não poderão deixar de ficar para a História:
"O povo português votou, e uma forma de voto foi vacinar-se, e aqui votou com uma maioria que até agora nenhuma eleição deu a ninguém. E é bom que isso seja retido".
Associar a resposta nacional à vacinação - que orgulho no Portugal campeão mundial da vacina contra o covid, com 85% da população vacinada! - à de uma expressão eleitoral, a dimensão cívica à democrática, é a mais inteligente resposta aos movimentos negacionistas, obscurantistas, e reaccionários que nos últimos tempos têm engrossando a conspiração contra os valores da democracia.
É mostrar como são inexpressivos na sociedade portuguesa. E, mais ainda que isso, é mostrar que esses movimentos não representam nada mais que a oportunista exploração dos desencantos que atingem boa parte da sociedade portuguesa na sua expressão eleitoral democrática.
Mas esse é outro problema. Que, mais do que nunca, terá de ser decididamente enfrentado!
As estatísticas são engraçadas, como alguém disse, torturem os números que eles confessam.
ResponderEliminarSomos os primeiros na vacinação.
Oito milhões e meio de portugueses vacinados em nove meses. A Alemanha vacinou 72 milhões de alemães no mesmo período.
Comparando às eleições.
Um milhão e quinhentos mil portugueses são uma minoria, mas qual é o partido que tem este número nos seus militantes?
O que é preocupante é que em vez de se tentar perceber o aumento da contestação e haver um debate sério, não, manipulam os dados, discriminam as pessoas, introduzem a censura, e aumentam a repressão.
Está a ser um sucesso, não há dúvida.
nao conhecia a frase de Marcelo, mesmo que a tenha ouvido em noticias, nao (nada) fica, nao é retida, como quando é lida, e pode ser relida.
ResponderEliminarTambem nao sei de comentarios a essa frase. Mas, sem mais, é admirável, aceito que tipo aqueles marcos que os descobridores erguiam em cada terra conquistada.
Que sao inexpressivos ( e oportunistas) ninguém tem duvidas. A verdade é que desde o 25 abril se constituiram partidos anti democracia, ainda que formalmente conforme a lei, mas todos percebiam, e tiveram em dacadas os resultados eleitorais que se foi vendo: zero. .
Pelo que nao entendi a que problema se refere quando diz que tem de ser enfrentado.
rir é bom, e o seu comentário um achado util.
ResponderEliminarOxalá o seu penultimo paragrafo seja lido pelos comicos e teatreiros , pois vai ser um sucesso
A ideia que dá é que á força de desejar essa repressao exista, consegue ve-la. Fantastico.
Nao sei se o SNS tem especialidade que possa liberta-lo.
O (outro) problema que tem de ser enfrentado está lá escrito: os "desencantos que atingem boa parte da sociedade portuguesa na sua expressão eleitoral democrática". Isto é - sem que lá esteja escrito, porque para escrever não é preciso (nem possível) escrever tudo - a imagem e a credibilidade dos agentes políticos, a transparência nas decisões, a seriedade e a objectividade no debate político, etc. E as consequências de tudo isso na abstenção eleitoral, e nos padrões de cidadania. Porque é disso que se alimentam esses movimentos.
ResponderEliminarSe um milhão é quinhentos mil portugueses - percebo a conta que faz, não percebo é a legitimidade da conclusão em colocar o número todo no mesmo saco - não é uma minoria, não sei o que o que seja uma minoria. De resto é curioso como reparar como sabe fazer contas através de percentagens para chegar ao milhão e meio, e depois usa números absolutos para a comparação com a Alemanha.
ResponderEliminarTalvez seja por aí que você pretenda iniciar o "debate sério".
Naturalmente quis escrever e e não é: "um milhão e quinhentos mil portugueses"; e não "um milhão é quinhentos mil portugueses",
ResponderEliminarO debate sério é que um milhão é um milhão não são quinhentos mil.
ResponderEliminarSe quer saber como lá cheguei, é simples.
Fui buscar o número ao universo de votantes que são mais de nove milhões, juntei o escalão etário dos doze aos dezoito anos, e tirei 15%.
É simples, mas já vi que a matemática não é o seu forte.
O comentário saiu anónimo mas é meu.
ResponderEliminarNão sei se reparou mas eu respondi a corrigir o "é". Saiu "é" mas queria escrever, e corrigi, para "e". De resto com "é" a minha resposta não fazia sentido. Mas nem por isso faço referência ao português não ser o seu forte.
ResponderEliminarRealmente é verdade, não faz referência ao português, mas faz referência à falta de seriedade, o que vai dar no mesmo.
ResponderEliminarApesar do comentário ser irónico, os números estão certos. E como diz o Almirante está na altura de pensarmos pela nossa cabeça.