sábado, 31 de janeiro de 2015

Paços foi acidente. Só isso!

Por Eduardo Louro


 


 


Entrando no jogo sem Talisca - dir-se-ia que poupado a um eventual amarelo que o pudesse retirar do jogo de Alvalade, não fosse ter entrado para jogar a última meia hora - e com Pizzi, cada vez mais em fase pirilampo, no seu lugar, o Benfica começou por não esconder a frustração e a inquietação da inesperada derrota de Paços de Ferreira. Que as sucessivas ocasiões de golo acabariam por mitigar e que, mais tarde, os dois primeiros golos acabariam por decidamente enterrar.


Ficou clara a sensação que Paços não passou de um acidente, com o Benfica, na despedida de Janeiro, a regressar às exibições de ... Janeiro. Jogadas de bom recorte, jogadores sempre em movimento, muita bola, muitas ocasiões, e apenas poucos golos. Muito poucos golos para tantas ocasiões criadas. Apenas três, dois na primeira parte e outro logo a abrir a segunda, na conversão de um penalti assinalado para punir uma falta sobre o Samaris cometida ainda fora da área. Que não compensou nada dois outros que o árbitro Hugo MIguel - mais um mau árbitro - deixou por marcar por faltas sobre o Lima!


Tivesse o Benfica aproveitado um terço das ocasiões criadas e estaríamos perante uma goleda das antigas. O Boavista fez dois remates. Ambos ao minuto 69: o primeiro, à baliza - com grande defesa de Júlio César - e o segundo, na sequência do canto consequente a essa defesa, muito por cima da trave. 


Fica um amargo de boca, e não é pela oportunidade falhada de uma goleada histórica. É pela estúpida lesão muscular de Júlio César, que o afastará, para já, de Alvalade. Lesionou-se a correr para uma bola que ia sair pela linha de fundo, junto à lateral. Não, não foi para evitar um canto. Para evitar um pontapé de baliza...


E já agora outro lamento: por que é não está já resolvida a situação do Maxi Pereira? Não é que se note em campo. É precisamente por isso!

O chefe do estado a que isto chegou

Por Eduardo Louro



 


"Os portugueses podem confiar no BES" - em que parte do mundo é que isto é tranquilizar alguém sobre o BES?


O homem estava apenas a referir-se ao Banco de Portugal. Nada mais... Para serem mais honestos que ele têm que nascer duas vezes. Está tudo dito, não há nada a esclarecer, o presidente da República não deve explicações a ninguém...


Palavras para quê? É o chefe do estado a que isto chegou!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O roto

Por Eduardo Louro



 


Quando aqui comentei pela primeira vez a vitória eleitoral do Syriza na Grécia, a propósito dos assustados, referi que Rajoy já tinha dado conta do seu pânico, mas que por cá ainda se não tinha visto qualquer reacção. Não tinha, na altura... Mas chegou, tarde como é costume, mas chegou pouco depois a reacção do governo. É certo que não revelou o pânico de Rajoy, porque por cá não há Podemos. Nem juntos, nem separados. Simplesmente não há...


Mas não foi menos gravosa, antes pelo contrário. Rajoy revelou medo, e foi acintoso e inapropriado na reacção. Indelicado. Foi uma reacção a um resultado eleitoral, onde se não deveria meter, é certo, mas foi isso. Foi indelicado para com um partido que acabara de ganhar as eleições no seu país. Passos Coelho, com toda a sua inépcia e a arrogância dos impreparados, reagiu mais tarde e quando o fez atingiu um governo democraticamente eleito num país afim. Não foi apenas inapropriado e acintoso, entrou na esfera do conflito diplomático!


Passos Coelho, e este governo - das formiguinhas - não é apenas incompetente e inapto. Não é apenas o último suporte do radicalismo alemão, cujos interesses sobrepõe aos nacionais. É também ridículo, o roto que aponta ao nu! 


 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

E passou a haver outras coisas para contar XIII

Por Eduardo Louro



 


Em carta enviada - mais uma - à Comissão de Inquérito Parlamentar do BES, Ricardo Salagado veio agora informar que, para além dos pedidos de apoio escondidos mas já conhecidos, também bateu á porta do Presidente da República e do vice-primeiro ministro, Paulo Portas. Em Maio, poucos dias antes do aumento de capital!


Quer isto muito simplesmente dizer que, somando estes dois contactos aos outros já conhecidos e igualmente ocorridos em Maio, que antes do aumento de capital, tiveram conhecimento das dificuldades do BES e do GES, através do pedido de apoio que Ricardo Salgado - que pelos vistos todos lhe negaram -, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro ministro, Passos Coelho, o vice-primeiro ministro, Paulo Portas, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque o secretário de estado Carlos Moedas, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. 


Com o chico-espertismo que caracteriza Paulo Portas, o CDS emitiu um comunicado pretendendo matar a notícia com a simples nota que não tinha dado provimento às pretensões do líder do BES. Todos os restantes - à excepção de Cavaco, que esse acha que não deve explicações a ninguém -, depois de conhecidos esses encontros disseram, exactamente o mesmo. Ele veio pedir ajuda, mas nós negamo-la. Não nos envolvemos com interesses privados, disseram em coro!


Não é evidentemente isso que está em causa. Em causa está simpelsmente que, curiosamente ao contrário de todos os administradores do BES já ouvidos na Comissão de Inquérito, toda a gente, do governo ao presidente da República, passando por Durão Barroso, conhecia as dificuldades do grupo e do banco. E todos eles, com Cavaco em primeira linha e, manhoso, escudando-se em informações recebidas do governo e do governador do Banco de Portugal, proclamaram a saúde financeira do banco, e as almofadas financeiras para fazer face à exposição ao grupo. O que quer rigorosamente dizer que foram coniventes com a gigantesca burla que foi o aumento de capital do BES, em que cairam milhares de pequenos aforradores. E não só, embora os outros tenham tido tempo e informação para virar a agulha e minimizar perdas! 


Note-se que, ao contrário do que Cavaco já quis fazer crer, é completamente irrelevante que as declarações tenham sido proferidas antes ou depois do aumento de capital. O que releva é que essas afirmações foram feitas por quem conhecia os problemas do banco e do grupo. Que os conhecia e que sabia que não tinham solução. De outra forma não se perceberia a recusa de qualquer tipo de ajuda ...


A Comissão de Inquérito quer agora chamar Paulo Portas e Cavaco, sendo que ao Presidente da República assiste o direito - de que, sendo quem é, evidentemente não abdicará - de não comparecer, e responder por escrito. Saberá certamente encontrar mais uma boa desculpa, mas já não encontrará certamente quem o desculpe. Está em todas!

Figo vai ser presidente da FIFA!

Por Eduardo Louro



 


Surpreendentemente e à última hora, Luís Figo apresentou a sua candidatura à presidência da FIFA. E fê-lo na CNN, o que não é de desprezar e poderá querer dizer muita coisa. Desde logo ambição!


Platini, mesmo que institucionalmente a UEFA não apoie qualquer candidatura, já veio dizer que Figo é o melhor candidato. E é unânime que é tempo de pôr fim a uma FIFA velha e cheias de infecções. Opaca e corrupta que Blatter, como no passado Havelange, corporiza!


Não ficam agora dúvidas que Figo, mesmo que não seja um modelo de comunicação, irá ser presidente da FIFA. Se não for já - é difícil que seja - será da próxima!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Equívocos (ou contradições insanáveis?) nas reformas estruturais

Por Eduardo Louro


 


 


Não sei se, para a Europa e para o discurso político em geral, as reformas estruturais são uma panaceia se uma obsessão.


Pouco mais de seis meses depois da saída da troika de Portugal, a Comissão Europeia manifestou a sua desilusão com a capacidade reformista do governo. E no entanto tinha dado o programa português por concluído!


Ainda agora, na Grécia, quando se esperava que na sequência da vitória do Syriza – em consonância aliás com toda a pressão, e até chantagem, a que a União Europeia recorreu antes das eleições – a Europa desatasse a levantar reservas e obstáculos, apenas se ouviu falar de reformas estruturais. Não há problema nenhum desde que o novo governo grego avance com as reformas estruturais, foi o que de Bruxelas se ouviu.


Por cá, o governo afirma-se como campeão das reformas… Mesmo que na principal, na mãe de todas as reformas, a reforma do Estado, se tenha ficado por aquelas inacreditáveis e inconsequentes duas páginas que Portas, depois de mais de um ano de incumbência na tarefa, apresentou e chamou Guião.


Toda a gente fala de reformas estruturais, mas nem todos querem dizer o mesmo. Para uns são uma coisa, para outros são outra. Coisas completamente diferentes, e muitas vezes opostas!


Para a União Europeia germanizada, e para aplicar nos países do Sul, reformas estruturais são cortes. Cortes de salários e cortes de despesa social. Para o governo de Passos Coelho, sempre afinado pelo diapasão germânico, é exactamente o mesmo, e por isso não há nada a reformar – no Estado, na Justiça, na Educação, na Economia… – que não seja cortar salários e recursos. O governo cortou salários aos funcionários públicos e fez a reforma da função pública. Cortou salários a médicos e enfermeiros e cortou nos quadros de pessoal, e fez a reforma da saúde. E o mesmo na Educação e na Justiça… Com isto destroçou o mercado interno, fecharam milhares de empresas e foram para o desemprego centenas de milhares de pessoas. Resistiram as exportadoras e, sem consumo nem investimento, equilibram-se as contas externas pela quebra nas importações. E aí está a maior reforma de sempre na economia portuguesa, complementada depois com a sucessiva, imparável e insaciável reforma da legislação laboral...


Isto não é reforma estrutural nenhuma. Isto é austeridade!


Vem isto a propósito do que está para acontecer na Grécia. O Syriza declarou de imediato o fim da austeridade, e a União Europeia respondeu logo que não havia problema nenhum desde que se fizessem as reformas estruturais. Que podem acabar com a austeridade desde que continuem com a austeridade!


Entretanto hoje, na primeira reunião do conselho de ministros, o novo governo grego parou com todas as privatizações que estavam em curso. Isto é, tocou justamente na outra face da moeda das reformas estruturais que a União Europeia tem para o Sul. Nem mais, reformas estruturais são austeridade e privatizações!


O sucesso do Syriza passa fundamentalmente pela resolução destes equívocos. Ou destas contradições, numa linguagem mais própria... É tarefa para Hércules. Ou para Herácles, com mais propriedade!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uma nova maldição

Por Eduardo Louro


 


 


O Benfica perdeu ontem mais que um jogo, em Paços de Ferreira, como aqui disse logo após o jogo. Perdeu um jogo que não poderia perder, e não é a primeira vez que isso acontece. Um jogo que marcava o início da segunda volta, que lhe permitia alargar para 9 pontos a vantagem para o segundo, e que acabaria com todas as pretensões dos adversários.


Mas perdeu muito mais. Interrompeu uma série de 90 jogos, e perto de 3 anos, para o campeonato, sem marcar. E marcar é meio caminho andado para ganhar… E interrompeu uma série de 9 jogos sem sofrer golos. E não sofrendo golos não se perde…


E com tudo isto partiu-se uma gigantesca onda de entusiasmo vermelho que varria o país e empurrava a equipa a equipa para a frente, como ainda ontem viu, até adormecimento colectivo a meio da primeira parte. Perdeu-se um estado de alma, e uma soberba vantagem psicológica de consequências imprevisíveis. Ao mesmo tempo ressuscitou-se psicologicamente o principal adversário, que já estava de rastos.


E ganhou-se uma nova maldição. Depois da maldição de Bella Gutman, surge agora a maldição dos Barreiros. Ganhar ao Marítimo nos Barreiros dá azar, paga-se logo a seguir. Foi assim que o Benfica perdeu o campeonato há dois anos. Tida então como a última grande dificuldade do campeonato, ganhar esse jogo significaria ganhar o campeonato. O Benfica ganhou, o Marquês foi reservado… e depois foi o que se sabe, com o Estoril, na Luz. E o tal minuto 92, no Dragão… Desta vez era a última jornada da primeira volta, e ganhar representaria virar a página do campeonato com 6 pontos de vantagem. Ganhar da forma categórica, como ganhou, com uma exibição daquelas, onde uma semana depois baquearia o principal adversário, era a passadeira para o título…


Na época passada o Benfica deslocou-se aos Barreiros logo na primeira jornada, com tudo em branco. Perdeu. Mal, mas perdeu e foi o que se viu: o Benfica ganhou tudo o que por cá havia para ganhar… Não há dúvida, aí está uma nova maldição!


Poderia ainda falar de outra maldição. Mas não se trata disso, trata-se de outra coisa qualquer. Refiro-me ao décimo aniversário da morte de Feher, completamente ignorado, tanto quanto me apercebi, por toda a gente, de dirigentes a adeptos. Não há almas penadas, mas parece-me sintomático que já tenha sido esquecido um acontecimento que tanto marcou os benfiquistas!


 

In memorium

Por Eduardo Louro



 


Comemoram-se hoje os 70 anos da libertação de Auschwitz, a maior vergonha da humanidade. Em 27 de Janeiro de 1945 as tropas soviéticas chegavam ao maior campo de concentração e extermínio de Hitler, onde encontraram ainda cerca de 7 mil sobreviventes... Construído em 1940 para acabar com as raças impuras, naquilo a que o regime nazi chamou solução final, ali morreu milhão e meio de pessoas em apenas quatro anos.


Que nunca desapareça da nossa memória!


 


 


 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Adormecer dá nisto. Já deviam saber!

Por Eduardo Louro


 


 


O Benfica perdeu. Três meses depois, em condições bastante diferentes.


Perdeu, interrompeu uma longuíssima série de 9 jogos sem sofrer golos e perdeu a oportunidade de dar a machadada final no campeonato, com consequências que estão para ver. Perdeu muito, como se vê. Perdeu mais que um jogo!


Não importa que a derrota se tenha revestido de uma injustiça tremenda, até porque isso é normal. Raramente as melhores equipas portuguesas perdem com as pequenas por serem inferiores no jogo jogado, como se diz. Não importam as três bolas nos ferros, até porque também isso é habitual no Benfica. Jogo com menos de três no ferro não é jogo para o Benfica!


O que importa é saber por que é que, tendo entrado bem no jogo e encostado a equipa do Paços de Ferreira lá atrás, com duas bolas nos ferros, uma delas no penalti falhado de Lima, a partir de meados da primeira parte, o Benfica deixou que o adversário adormecesse o jogo. Adormecido o jogo, adormeceram os jogadores, adormeceram os adeptos… Com tudo a dormir, o Paços foi deixando o tempo passar, queimando-o a torto e a direito, para agarrar o pontinho… No fim saiu-lhe a taluda, num penalti caído não se sabe de onde, mesmo que o Eliseu seja useiro e vezeiro em disparates.


Saber por que é que o miúdo Gonçalo Guedes entrou a meio do tempo de compensação, não importa nada. É simples curiosidade!


Não tenho dúvida nenhuma que, sem se deixar adormecer, o Benfica teria ganho, e mais uma vez por muitos, este jogo de hoje. Mas tenho uma dúvida. A minha dúvida é se o Benfica se deixou adormecer pelo Paços ou se se terá deixado adormecer por outras coisas. Perigoso é que tenha sido por outras coisas...


 


 


 

E houve um grego que se calou...

Por Eduardo Louro



 


Morreu ontem, aos 69 anos, Demis Roussos, a voz grega que, longe da consensualidade, animou a minha juventude. Que pena... Ontem não era dia para ninguém morrer na Grécia!

E os gregos falaram...

Por Eduardo Louro



 


... De democracia sabem eles, foi lá que nasceu, há muitos, muitos séculos. E por isso valeu a pena ouvi-los, afinal o impossível é possível, o irremediável pode ser remediado, e o inevitável pode ser evitado. 


Há gente assustada por esta Europa fora. Por cá ainda não se notou muito mas, em Espanha, Rajoy está cheio de medo. Eles lá sabem por quê... Não será certamente por se falar em fim da austeridade, porque já toda a gente percebeu que esse caminho é errado. Nem por se falar em renegociar a dívida, porque toda a gente está farta de saber que uma dívida como a grega (também a portuguesa, mas é da Grécia que estamos a falar) que representa180% do PIB não é pagável. Esteja ela nas mãos de quem estiver...


E, agora que os gregos falaram, sem medo das muitas pressões e chantagens que sobre eles quiseram exercer, a expectativa é grande. Porque não basta ter alternativas, é preciso implementá-las e executá-las.


Para já, o Syriza foi rápido na resposta ao desafio de formar governo, apresentando em poucas horas uma solução de governo. A dois deputados da maioria absoluta, Alexis Tsipras conseguiu em poucas horas construir com um partido de direita, nacionalista e eurocéptico - os Gregos Independentes (ANEL), que elegeu 13 deputados - uma improvável (ou talvez não) solução de governo. 


O próximo desafio é contrariar a ideia que a esquerda moderada instituiu por todo o lado segundo a qual, chegada ao poder lhe, um banho de realidade impede o avanço das suas propostas eleitorais e ideológicas. Se o Syriza for bem sucedido acabará de vez com o alibi da tradicional esquerda de poder, obrigando-a a escolher entre a reconversão e o desaparecimento!


 


 

domingo, 25 de janeiro de 2015

sábado, 24 de janeiro de 2015

Pantomineiros excêntricos

Por Eduardo Louro



 


Quando aqui me referi ao programa do BCE conhecido por QE (Quantitative Easing), chamando-lhe euromilhões, deixava em nota de graça - não era das notas de graça que o BCE vai imprimir -  um alerta para as condições de rating que eram exigidas para acesso ao programa.


São tantas as pantominices que ouvimos do lado da propaganda oficial do governo, a começar na patética pirueta de Passos Coelho, e passando pelos saltos mortais de Portas e pelos passes de mágica de deputados, comunicadores e opinadores que constituem o spin governamental, que não poderia deixar de regressar a essa peqeuenina nota.


Uns dizem que isto só é possível pelos sacrifícios todos por que passamos, e que esta é a recompensa por esse esforço. Outros, que é possível porque reconquistamos a credibilidade externa. Outros ainda porque já cá não está a troika. Há ainda os que vêm dizer que só é possível porque atingimos um défice de 3%, o que nem sequer é verdade. Esse é o objectivo para este ano, não está atingido.


Pantominices à parte, Portugal só não ficou de fora deste programa do BCE porque há uma agência de rating, a canadiana DBRS que, ao contrário de todas as outras que contam (Fitch, Moddy´s, Standard & Poors...) classifica o rating da República Portuguesa acima de lixo, condição de acesso ao programa. Diz-se por aí que este rating desta agência canadiana já tem uns anos, e nunca foi mexido. Que é até anterior à tomada de posse deste governo!


Já eram pantomineiros. Agora ainda são excêntricos...


 


 

Winston Churchill

Por Eduardo Louro



 


Passam hoje 50 anos sobre a morte do que terá provavelmente sido um último grande Estadista da Europa. Um grande estadista surge quando um grande pensador, bem agarrado a valores de que nunca se despede, decide dedicar-se à mais nobre das causas...


50 anos depois da sua morte, olhamos para trás e vemos pouco disso. Olhamos á volta e não vemos nada!


 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Apanhado pelo clima

 Por Eduardo Louro



 


Que me tenha apercebido, a primeira reacção de um membro do governo às decisões do dia de ontem veio de Pires de Lima, em Davos.  O que não admira. Para Passos Coelho, a intervenção do BCE na compra de dívida era um disparate, e o governo não tem nada a ver com o que se passa na PT.


Como não podia deixar de ser Pires de Lima aplaudiu entusiasticamente a medida do BCE, o que não deverá causar grandes embaraços a Passos Coelho. E não foi menos entusiasmada a reacção que dispensou à decisão da assembleia Geral da PT, exaltando até o valor da oferta da Altice - por acaso inferior ao da venda que a mesma PT fez à Telefonica, aqui há anos, no verdadeiro ínício do fim, de uma simples participação na Vivo - e aproveitando para voltar a dar nas orelhas da anterior gestão da empresa.


Até aí tudo bem, até porque só se perdem as que cairem no chão... Só que fez isso através do elogio precoce, infundado e suspeito à futura gestão francesa da PT. Que, e aí está a estocada, não vem para cá para fazer investimentos no futebol...


Não faço ideia do que tenha sido o retorno do investimento da PT no futebol. Sei, mesmo que daí nada releve, que foi o seu principal concorrente quem, cá no país, abriu a entrada no futebol. Sei também, e mesmo que também daí nada volte a relevar, que muitas congéneres pelo mundo fora investiram no futebol. E sei, e isso sim é o que releva, que ele próprio, no seu anterior emprego, decidiu também investir no futebol. E só não terá investido tanto como a PT, que sponsorizou os três grandes, porque se ficou pelos dois mais pequenos dos três. Não sei se o que parece, é. Mas um é o seu e o outro é da área da sede da empresa que lhe entregaram para gerir. Com ou sem investimentos em futebol!


É de todo evidente que deveria ter batido com outro instrumento, mas há muito que percebemos que há um certo clima que insiste em atingir sucessivamente os nossos ministros da economia. Apesar de tudo, e da boa imprensa em particular, Pires de Lima não deixa de ser mais um apanhado pelo clima. E não é por andar a dizer que ja se podem baixar impostos...

Day after

Por Eduardo Louro



Ontem foi dia de grandes decisões.


Em Frankfurt, Draghi anunciou o euromilhões, a basuca ou, mais prosaicamente, simplesmente lançou mão da última arma de estímulo monetário. Tarde, depois de já não ter por onde mexer nas taxas de juro, mas também superando as expectativas, anunciou um programa de compra mensal de 60 mil milhões de euros de dívida soberana (88%) e privada (12%), durante, pelo menos, 19 meses. 


Em Lisboa, a Oi (e os outros grandes accionistas) levou a melhor sobre o país, os pequenos accionistas e até o Presidente da Assembleia Geral, na decisão de vender a PT à Altice.


Hoje sentem-se as primeiras consequências. Que não deixam de ser curiosas: as acções da PT valorizaram mais 20% (40% em dois dias) e, a contar já com a desvalorização do euro, anunciam-se aumentos dos combustíveis já para a próxima segunda-feira!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Mudar a Champions para Janeiro

Por Eduardo Louro


 


Tenho insistentemente aqui trazido a tese, já suficientemente demonstrada, que o Benfica de Jorge Jesus – e de Luís Filipe Vieira, não só porque já começam a estar umbilicalmente ligados, mas pelo autêntico ciclo vicioso criado pelo presidente (compra – vende para financiar o que compra – compra para substituir o que vendeu) – só começa a funcionar em Janeiro.


Está mais que provado que é assim, e dificilmente poderá ser de outra maneira. A história repete-se anualmente, quando a equipa deveria estar a preparar a época, faltam jogadores, invariavelmente com férias desencontradas pelo envolvimento nas diferentes selecções, e a pré-época é sempre feita com jogadores que acabam por nunca chegar à competição. Uns porque vão embora, outros porque nunca lhes será dada oportunidade para isso. A época de transferências fecha a 31 de Agosto, já com todas as competições em andamento e, por estratégia ou por falta dela, acaba por sempre nessa altura que se dão as saídas. Quando já se percebe que o que se comprou não serve e já não há tempo de corrigir, mesmo que nesta época, de forma verdadeiramente excepcional e irrepetível, tenha surgido esse verdadeiro achado que é Jonas, já após o encerramento do período de transferências – apenas e só possível por estar desempregado – e até das inscrições para a Champions.


Que é assim, não há dúvidas. Que as incidências de cada início de época condicionam, também não. Difícil de explicar é que, acontecendo em Dezembro muitas das mais deprimentes exibições como, por exemplo, há um mês o jogo da Luz com o Gil Vicente ou, há um ano e um mês, o jogo com o Arouca, o Benfica surja sempre a este alto nível logo em Janeiro. Ainda por cima quando, também invariavelmente, perde sempre um dos seus jogadores tidos por fundamentais. Se alguém tiver uma explicação, e evidentemente esteja na disposição de ma dar, ficarei imensamente agradecido… Não se esqueçam é que, dizer que os jogadores que saem em Janeiro, em boa verdade, já tinham saído em Agosto, só explica que essas saídas não sejam sentidas. Não explicam o resto!


Ao queimar desta forma a primeira metade da época, o Benfica tem sistematicamente deitado fora o apuramento para os oitavos de final da Champions. Esta época o prejuízo foi bem maior, e este determinismo custou ainda o afastamento da Taça de Portugal e da Liga Europa, onde o Benfica de Janeiro era sempre um crónico favorito.


Como me parece que nada de significativo se altere no Benfica, o melhor seria mesmo alterar a Champions e abrir a competição apenas em Janeiro!

Hoje é dia de euromilhões

Por Eduardo Louro



 


É quinta-feira, não é nem terça nem sexta, mas hoje é que verdadeiramnete é dia de euromilhões. Excêntricos há muitos, o problema é se há ratings que vão deixar muitos prémios por levantar... 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Que jogador!

Por Eduardo Louro


 


 


Aí está Janeiro em todo o seu esplendor. Com uns ou com outros, na Liga ou na Taça da Liga, nada muda: o mesmo controlo do jogo, a mesma asfixia ao adversário… Não a mesma nota artística, naturalmente, mas na mesma nota artística alta. É este o Benfica que, ano após ano, nasce em Janeiro!


O Benfica discutia hoje em Moreira de Cónegos o apuramento para as meias-finais da Taça da Liga. O Moreirense teve o privilégio de jogar em casa este jogo decisivo, que teria de ganhar. E que naturalmente queria ganhar, mesmo que raramente o tivesse parecido. Durante os primeiros 15 a 20 minutos ainda pareceu que iria tentar discutir o jogo, a partir daí o Benfica tomou conta do jogo, encostou o adversário lá atrás e foi criando oportunidades de golo, umas atrás das outras, como vem sendo hábito.


Deu apenas para dois golos (ficou um penalti por marcar) - o segundo, em mais uma maldade da Sport TV, a ser roubado ao Derlei - para a continuar sem sofrer golos e para mais um show de Jonas. Que jogador!


Um dia destes temos aí o Peter Lim, com o Rodrigo pela mão e mais uns trocos, para o levar de volta para Valência…


 

Coisas estranhas (II)

Por Eduardo Louro



 


Confesso que não sei o que acho mais estranho: se a ostensiva vontade comum de António Costa e Rui Rio exibirem as suas convergências; se a própria convergência de ambos na oportunidade e na importância de ressuscitar agora a regionalização?


Não faço ideia do que passará pela cabeça de ambos. Poderei até perceber que Costa pretenda continuar a fazer de morto - mesmo que para isso tenha de me esquecer que foi por aí que morreu António José Seguro - adiando, se calhar para sempre, qualquer posição sobre os verdadeiros e gravíssimos problemas do país. Não aceito, mas não me surpreende... E que por isso, em vez de falar do tempo ou do Benfica, venha falar de regionalização ... E, tratando-se de uma deixa de Rui Rio...


Poderei até perceber que, nesta altura, para Rui Rio não haja até melhor tema que a regionalização. É também a maneira de não dizer nada sem estar calado, e muita da sua gente gosta do tema...


Mas o que eu gostaria mesmo de entender é por que é que eles fazem isto assim ... 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

E passou a haver outras coisas para contar XII

Por Eduardo Louro



 


É sabido que Ricardo Salgado bateu às portas todas: Passos Coelho, Durão Barroso, Carlos Moedas, Cavaco... Quando surgiu a notícia que José Luís Arnault entalou os patrões, ficou a saber-se que afinal só se conheciam as portas que se não abriram. As que se tinham aberto mantinham-se mais ou menos econdidas... 


Só que, lendo melhor a notícia, Ricardo Salgado nem sequer teve que bater á porta de Arnault. Foi o próprio que se ofereceu para dar uma mãozinha, enquanto proclamava aos sete ventos que "o BES era um banco profundamente estável" e que Salgado, que tinha anunciado a demissão dias antes, "tinha deixado um banco robusto com capital e credibilidade".


Qualquer um, que em qualquer sítio do mundo tivesse lesado desta forma a empresa que lhe paga, ficaria em muitos maus lençóis. Mas Arnault não é qualquer um, é alguém que é pago por e para ter relações com poder... E quando assim é estas coisas de centenas de milhões de euros não passam de pequenos acidentes de percurso, coisas sem importância... Que já passaram!


Umas passaram tão depressa que ainda deram para vender as acções do BES a tempo, dando para perceber a ponta do iceberg chamado inside trading que logo aqui foi levantada.


 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Obscenidades

Por Eduardo Louro



 


Os 80 mais ricos detém tanta riqueza quanto metade da população mundial... Chegamos aqui em quatro anos, entre 2010 e 2014. No próximo ano, 1% da população deterá 99% da riqueza mundial...


É a globalização? É o neo-liberalismo? Foi Regan? Foi Thatcher? 


Seja lá o que for, e fosse lá o tivesse sido, isto é obsceno. E dificilmente poderá dar bom resultado!


 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Hoje

Por Eduardo Louro


  


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”

Resposta de elevada nota artística

Por Eduardo Louro


 


 


Resposta categórica e inequívoca do Benfica à incrível campanha que por aí anda. É assim, dentro de campo, que se dá a resposta que é devida… 


Como vem sendo habitual, o Benfica asfixiou durante a primeira parte, mas marcou apenas um golo, deixando por marcar mais três ou quatro. Na segunda parte, com o jogo ligeiramente mais repartido, surgiram os golos que acabam por dar ao resultado uma expressão mais condizente como que se passou.


O Benfica ganhou por 4-0, o que é sempre um grande resultado, mas bem podia ter duplicado o score. O Marítimo fez o primeiro remate aos 60 minutos, já lá iam dois terços do jogo e já perdia por três a zero. Acresce que, para além de ser o primeiro, foi o único remate intencional e com verdadeiro perigo, que Júlio César defendeu para a barra. E bloqueou completamente o Marítimo – como Jorge Jesus bem referiu na flash interview, a propósito dos famosos bloqueios que o treinador dos madeirenses, sem preocupações de originalidade, decidiu também agora recuperar – afogado num imenso banho de bola...Com a nota artística que Janeiro sempre resgata!


Tudo foi bonito, a equipa voltou a não sofrer golos, Luisão atingiu os 440 jogos e a marca de Eusébio, e quase tudo correu bem – até a expulsão de Talisca, sempre muito desejada pelos comentadores da Sport TV. Mas nem tudo correu bem: Gaitan, o artista mor da companhia, lesionou-se logo nos primeiros minutos. Esperemos que não seja nada de grave, e que para delícia dos nossos olhos possa regressar depressa…

Novo capítulo ou último capítulo?

Por Eduardo Louro



 


Já se percebeu que, perante as hesitações de Guterres - é genético, não há muito a fazer -, António Costa e o PS se viraram para António Vitorino que, dizem as sondagens, tem idêntico potencial eleitoral.


O que não se percebe é isso. O que não se percebe é o que é faz de Vitorino um eterno desejado... O que não se percebem é os encantos eleitorais de alguém sem qualquer encanto especial... Embora se perceba que queira sempre estar na crista de todas as ondas e que aprecie especialmente o papel que reservou para si próprio... Porque se percebe que é também disso que se alimentam os seus negócios de influência, que nunca trocará  por nada... Até um dia, mais tarde, lá para a velhice...


Às vezes a velhice chega quando menos se espera, sem darmos por ela... Poderá ser agora o caso!

sábado, 17 de janeiro de 2015

Lá vamos, cantando e rindo ... às vezes tristes...

Por Eduardo Louro


 


 


O Porto ganhou (3-1) em Penafiel. Com dois golos irregulares e com um penalti contra por marcar. Pelas contas que por aí se fazem, a verdade do resultado seria 2-1 a favor do Penafiel... E menos 3 pontos para o Porto!


Mas está tudo bem: o árbitro Soares Dias não viu e Lopetegui também não. Nem a Sport TV, sem linhas para o fora o jogo, e com o lance do penalti bem escondido no fundo de uma gaveta, não fosse alguém ver...


Ninguém perguntou a Lopetegui se estava triste com a arbitragem. E, como já se sabia, também ninguém se preocupou com Quiñones...

Tudo com dantes... E o quartel general?

Por Eduardo Louro



 


Com a desvantagem de 6 pontos para o Benfica a manterem-se teimosamente desde que, há 4 jornadas atrás, os campeões nacionais foram ganhar categoricamente ao Dragão, o Porto decidiu fazer ressuscitar Pedroto e renascer Pinto da Costa. 


Pretendendo fazer ignorar que esses seis pontos de diferença se devem à claríssima vitória do Benfica no Dragão, que não fosse esse resultado e ambos estariam com os mesmíssimos pontos, na contingência de não conseguir por si só evitar o bi-campeonato do rival, a estrutura do Porto volta-se para os jogos de bastidores da arbitragem, donde verdadeiramente nunca saiu. Tudo como dantes... 


O aniversário do falecimento de Pedroto, o mentor da estratégia, já lá vão quase 40 anos, e o regresso de um dos seus agentes comunicacionais a um programa televisivo ao serviço da causa, foram a alavanca deste regresso em força aos velhos métodos. Lopetegui, que tanto demorou a entender o futebol de cá, e que tanto tempo perdeu em experiências com  jogadores que tinha obrigação de conhecer bem foi, desta vez, muito rápido a perceber a coisa. Não diz palavra (em) que não (se) meta árbitros!


Há quatro anos atrás, a última vez que o bi-campeonato poderia ser hipótese, trataram de tudo logo no início, e á quarta jornada já levavam 9 pontos de vantagem... No ano seguinte deixaram para mais tarde, e a coisa começou a dar resultados em Coimbra, com Carlos Xistra - justamente o árbitro para este jogo do Benfica no Funchal, o último da primeira volta - para acabar em beleza com o inevitável Pedro Proença no jogo do título, na Luz. E há dois anos foi já mesmo no fim, com Paulo Batista - por mera coincidência o árbitro do penúltimo jogo, em Penafiel (e, já agora, Rui Costa, do Porto, foi o árbitro escolhido para o último jogo, com o Guimarães). No ano passado aquilo foi tudo tão mau que não havia nada a fazer!


Com o campeonato a virar para a segunda volta e com o calendário do Benfica a apertar, numa sequência que começou em Penafiel para prosseguir, na Luz, com o terceiro classificado, na Madeira, com o Marítimo, em Paços de Ferreira e com Alvalade já aí, quando o Benfica exibe níveis exibicionais e de confiança em ascensão, este é o momento escolhido para este ano. 


Faixas, atrasos a ocupar as bancadas, repetir incessantemente benefícios alheios e prejuízos próprios em jornais e televisões até que passem a verdades, tudo vale para condicionar arbitragens e respectivas nomeações. Nada portanto de novo nesta estratégia portista. Sempre assim foi, quando não foi muito pior, como todos nos lembramos e o "apito dourado" haverá de guardar para a posteridade.


Poderia até pensar-se que entretanto muita coisa mudou, que a máquina portista está velha e gasta, e que no quartel general há gente séria, sem medo e imune a pressões. Mas aí está Carlos Xistra, já amanhã...  Com quem o Benfica, sempre com erros grosseiros, conquistou apenas 17 pontos (perdeu 10) nos 9 jogos que disputou, e com quem o Porto conquistou 36 nos (perdeu 6) nos 14 jogos que lhe arbitrou ...


E Artur Soares Dias em Penafiel, onde o emprestado Quiñones não jogará. Sem ponta de polémica, evidentemente... 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O país de Pires de Lima e de Sérgio Monteiro

Por Eduardo Louro



 


O ministro, o agora truculento Pires de Lima, entende que os trabalhadores da TAP se dividem entre os que pertencem ao sindicatos que chegaram a acordo com o governo e os outros. E que os outros podem ser despedidos, ao contrário dos sindicalizados nos tais sindicatos, a quem o governo garante protecção enquanto o Estado se mantiver no capital da companhia.


O Secretário de Estado, Sérgio Monteiro, já um ex-libris deste governo, não se limitou a acenar que sim com a cabeça. Repetiu a ideia até à exaustão, ia já alta a noite e lá continuava ele com toda a convicção a pregá-la. A difundi-la ao mundo... Nem ele nem o ministro tinham ainda reparado que não podia ser assim... Que estas coisas da Democracia e do Estado de Direito, por muito que lhes custe, não permitem ao governo tratar diferenciadamente os cidadãos, premiando os que o apoiam e penalizando os outros...


Terá já sido durante o sono que Pires de Lima acordou para a realidade, a tempo de pedir ao primeiro-ministro que, assim que chegasse ao hemiciclo para o debate quinzenal, desmentisse aquilo da melhor forma que entendesse. Isto a acreditar em Passos Coelho, que não é coisa que ele mereça. Se não o fizermos lá teremos que admitir que Pires de Lima e Sérgio Monteiro ainda agora estão convencidos que têm um país só para eles, e que Passos é que lá teve que lhes tirar o tapete para, mais uma vez, tentar minimizar prejuízos...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Hipocrisia e fraude

Por Eduardo Louro



 


 


Não deixa de ser notável a forma como a imprensa, e a comunicação social em geral, compactua com mais uma cínica demonstração de hipocrisia da política europeia, e ocidental. Viu-se como jornais e televisões difundiram a fotografia (em cima) com aqueles hipócritas todas supostamente a encabeçar a mega manifestação de Paris. Nenhum dos inúmeros correspondentes presentes em Paris fez o menor reparo à cabeça da manifestação. Nenhum manifestou o menor indício de não ter visto ninguém daquela gente na manifestação; o máximo que se soube foi que os chefes de estado e de governo presentes, entre eles como se sabe Passos Coelho, cuja ausência da primeira fila foi objecto dos mais diversos comentários, por razões de segurança, teriam apenas percorrido 200 metros na manifestação. Nada mais!


Sabe-se agora, porque alguém no Le Monde - o proprietário da fotografia oficial que todo o mundo "comeu" - resolveu pôr cá fora a outra fotografia (em baixo), a que não mente, que os sérios e respeitáveis chefes de estado e de governo que se juntaram a Hollande (e a Merkel) participaram, não na manifestação, mas numa encenação. Que se limitaram a fechar uma rua para dela fazerem estúdio fotográfico...


Não fosse a dimensão da  fraude e disser-se-ia que o fotoshop faria a mesma coisa por muito menos dinheiro. Que aquela é uma fotografia que sai bem cara aos contribuintes. Mas com fraudes não se deve brincar. Nem o Charlie o faria... Já a Marine Le Pen, mesmo perdida a rir, não deixará de levar isto bem a sério!


 


 


 politicos marcha franca 1

O que mudou nestes quatro anos (I)

Por Eduardo Louro


 

Começaram por mandar os jovens emigrar, praticamente uma ordem de expulsão embrulhada numa embalagem com um rótulo paternalista que lhes ordenava que saíssem da sua zona de conforto e procurassem trabalho lá fora.


Começaram por dizer aos jovens que, viver num país que era o seu, era um luxo, e que a vida e o país não estava para luxos. Viver no seu país, na sua terra, com a sua família era um luxo a que se não podiam dar. Era viver acima das suas possibilidades!


Não restaram alternativas, e os jovens, a geração mais formada que o país alguma vez conhecera, começaram a sair. Às dezenas de milhar, ano após ano, sem que os que os mandavam embora percebessem, por mais que fossem os avisos, que estavam a mandar fora dinheiro, muito dinheiro que o país gastara na sua formação. Que estavam a gerar fortes desequilíbrios demográficos, e a pôr em causa a própria segurança social. Sem que percebessem que, assim, não eram só os jovens que não tinham futuro. Era também o país!


Foi por aqui que se iniciou o processo de destruição do país iniciado há quatro anos, numa política de terra queimada que queria fazer crer que, depois, sobre as cinzas, haveria de nascer um país novo, pujante, viçoso... Destruíram-se centenas de milhar de postos de trabalho, mandaram-se para a falência milhares de empresas e para o estrangeiro centenas de milhares de jovens. Venderam-se ao desbarato as melhores empresas nacionais, estratégicas e monopolistas, e empobreceu-se o país e os portugueses, que passaram a ganhar menos e a pagar mais. Mais impostos e mais pelas funções sociais do Estado, cada vez mais degradadas…


Propositadamente, confundiram-se reformas com cortes. Cortou-se indiscriminadamente em todas as funções do Estado, até as deixar inoperacionais. Por incompetência, na maior parte das vezes, mas também para as esvaziar e mais facilmente transferir para o domínio privado.


O que se passa na Saúde – e note-se que se fala do que dizem ser o mais competente dos ministros – é sintomático. Doentes morrem em macas dos bombeiros, á espera de atendimento nos corredores dos hospitais, sem camas. Nem médicos, numa roda-viva sem saber onde acudir, expostos à ira – e quantas vezes às agressões – de doentes e familiares, abandonados e mal pagos mas, acima de tudo desrespeitados por quem, criando o caos, se presta depois à calúnia, à demagogia e à mentira manipuladora.


E por isso médicos e enfermeiros de todas as idades juntam-se aos jovens e saem também do país. Já não são apenas jovens, e já não são apenas jovens enfermeiros acabados de formar. São médicos especializados, alguns deles já entre os 55 e os 65 anos. São famílias completas – pais e filhos – que, mais que sair, desistem do país. Trocam-no por outros, onde vão encontrar as condições de trabalho e de vida que cá lhe negam e a dignidade que por cá lhe roubaram. Vão ganhar cinco vezes mais, em França, no Reino Unido, na Bélgica ou na Alemanha. Sim, na União Europeia, onde evidentemente há países com visão estratégica, desejosos por receber quadros que lhes poupem 10,15, 20 ou mais anos em formação. Por cá nenhum valor é atribuído a todos esses anos de formação. Nem a esses nem a outros, porque o abandono de médicos especializados irá ainda fazer-se sentir na capacidade de formar os mais novos. Que por cá ainda ficarem…


Engana-se quem ache que nada mudou ao longo destes quatro anos. Mudou, mudou muita coisa. Tantas que ainda não demos por muitas delas…


 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Um jogo que deu para tudo...

Por Eduardo Louro



 


Deu para tudo, este segundo jogo do Benfica na Taça da Liga, com o Arouca. Deu para goleada (4-0), e deu para bons bocados de excelente futebol, a deixar-nos sem dúvidas nenhumas que é mesmo Janeiro. Com os outros, ou com estes, regressou o tempo da nota artística... Deu - meio jogo, mas mesmo assim... - para Rui Fonte (pouco intenso, mas vem de uma lesão) e Gonçalo Guedes (a mostrar muito, mas também muita ânsia de mostrar)... Deu para mais duas baixas nas baixas, depois dos regressos de Salvio e Eliseu, hoje foi a vez de Sílvio e Sulejmani regressarem. E de que maneira...Deu também para mais uma lesão, em mais um central. Agora foi o César, que já estava a carburar...


E deu para uma grande exibição do Pizzi, de novo no papel de clone de Enzo, a deixar a ideia - já percebida na despedida da Champions, há um mês atrás - que, dentro do plantel, é quem melhor substitui o argentino. Se conseguir manter o nível desta noite, não restarão muitas dúvidas! 

O cobrador do fraque

Por Eduardo Louro



 


A Autoridade Fiscal e Aduaneira, as Finanças, como a conhecemos, foi-se transformando numa máquina de cobranças coercivas, num autêntico terror para os cidadãos agora vistos apenas como contribuintes. 


A fama correu rápida, e não tardou que toda a gente passasse a querer recorrer aos seus serviços para cobrar dívidas. Primeiro foi o Estado. Ninguém se indignou muito, afinal era o Estado, o mesmo Estado todo poderoso, tudo contas da mesma casa. Não era bem assim, cobravam-se como impostos tudo o que fossem dívidas de que o Estado se lembrasse...


Depois, os privados abençoados pelo Estado lembraram-se que, melhor que seguros de crédito, factoring ou um simples departamento de cobranças, era mesmo recorrer a essa súper máquina de cobranças que o Estado detém. Os parceiros privados entenderam que o parceiro Estado também tinha a obrigação de lhe fazer as cobranças, e toca de cobrar dívidas das taxas moderadoras da saúde e das portagens...


Mesmo que alguma coisa comece a não correr bem, não me admiraria muito que, a curto prazo, a coisa extravase as PPP e passe a uma nova área negócio, com a oferta generalizada de serviços de cobrança. Que Autoridade Fiscal e Aduaneira, as Finanças, se transforme rapidamente num novo cobrador do fraque. Só que muito mais eficiente!


 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Patetices... Mais patetices...

Por Eduardo Louro



 


O preço do petróleo continua em baixa e Angola vai passar por dificuldades. As empresas portuguesas vão ter que se preparar para alguns atrasos nos pagamentos, avisou Rui Machete. Que, como se sabe, com um microfone á frente e a cabeça um bocado oca, depois de tomar balanço ninguém mais pára... Daí que, logo de enfiada e sem tomar fôlego, tenha tratado de sossegar toda a gente. Em especial os angolanos, com a imediata iniciativa de ajuda. Não temais, Portugal vai ajudar. Desde logo com a receita mágica: austeridade


Não há volta a dar, angolanos. Agora terão de ser pelo menos dois anos de austeridade. E nisso, já sabem: podem contar com Portugal, de austeridade sabemos nós. Nisso, Portugal tem uma larga experiência e inestimável Know How. Os amigos são para as ocasiões, e Angola tem a sorte de ter em Portugal um amigo dos velhos, e que sabe de austeridade como ninguém...


E a gente a pensar que Angola teria de deixar de ser simplesmente uma petro-economia, que teria de acelerar estratégias de diversificação da sua economia, e de acrescentar valor à imensidão dos seus recursos naturais...


Que imbecis que somos. Então não se está mesmo a ver que austeridade é que é a solução? 


Não fora esta mente brilhante, este verdadeiro pateta visionário a quem Passos Coelho, em boa hora, entregou a condução da política externa portuguesa, e ninguém teria visto aquilo que está mesmo à frente dos olhos. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Parabéns Cristiano!

Por Eduardo Louro 



 


Critiano Ronaldo volta a ser o melhor do mundo. Melhor: continua o melhor do mundo... No ano passado ganhou, apesar de Blatter. Este ano continuou a ganhar, apesar de Platini!


É a terceira, igualando o francês. Que - recorde-se - conquistou três bolas de ouro sem nunca ter sido campeão do mundo, como agora defendia...


 


PS: A referência às três bolas de ouro de Platini esgota-se no protagonismo que atingiu na sua cruzada contra o português. Porque nada há em comum entre as três bolas de ouro de um e de outro, a começar no pequeno pormenor de, ao tempo do francês, o troféu distinguir apenas jogadores europeus. E é bom recordar que, ao tempo de Platini, espalhava classe e magia pelos relvados europeus e mundiais um tipo chamado Maradona. Que, por ser argentino, ficou sempre de fora...

domingo, 11 de janeiro de 2015

Gigantesco grito de Liberdade

Por Eduardo Louro



 


Impressinante a resposta que, hoje, em Paris, o mundo está a dar ao terrorismo. Sabemos que o terrorismo não se comove com estas nem com outras coisas, mas esta é também uma forma de lutar contra contra este inimigo escondido, cobarde e sem cara. Outra é cuidarmos da nossa própria civilização... É não deixarmos que se continue a perder, é recuperar os valores que fizeram dela o melhor habitat que a humanidade conheceu...

sábado, 10 de janeiro de 2015

Boas notícias: é Janeiro!

Por Eduardo Louro


 


 


Estamos em Janeiro. A 10 de Janeiro, e a tradição ainda é o que era… Tem invariavelmente sido assim: em Dezembro as coisas correm mal, mesmo com exibições medonhas, Depois vem Janeiro, saem até jogadores fundamentais e de repente o Benfica de Jesus começa a jogar bem, e de titubeante passa a demolidor.


Era justamente por isso que aqui vinha suplicando por Janeiro…


Sob o comando de um deslumbrante Gaitan, hoje capitão, o Benfica fez uma primeira parte brilhante, a roçar a perfeição podendo ter chegado aos cinco ou seis golos. Na segunda parte, sem nunca ter perdido o domínio e o controlo total do jogo, mau grado algumas falhas de concentração na parte final, a exibição do Benfica não teve o mesmo brilho. Mas teve mais golos!


Nunca pelos benfiquistas – jogadores e adeptos – passou qualquer tipo de ansiedade. O jogo teve um único momento em que alguma dúvida, ou mesmo alguma inquietação, se possa ter apoderado de alguns. Certamente que ao minuto 35 da primeira parte, quando a bola, desta vez rematada por Jonas, bateu pela terceira vez nos ferros, alguns dos muitos adeptos que acreditam em bruxas, terão receado que alguma coisa pudesse vir a correr mal!


Não correu, e o azar ficou-se pelas três vezes em que a bola foi rechaçada pelos ferros, quando bem poderia ter ficado anichada nas redes do Vitória de Guimarães. O árbitro, Rui Costa – mais um árbitro do Porto, têm sido todos de enfiada – também ainda fez alguma coisa para que houvesse bruxas, mas nem isso resultou. Porque jogar bem é sempre o caminho mais fácil para o sucesso, contra o que quer que seja!


Janeiro chegou quando tinha que chegar, quando o calendário o assinala. E aí está, com a equipa sem sofrer golos e com os jogadores lesionados a começarem a regressar. Hoje foram o Eliseu (e logo a tempo inteiro) e o Salvio. Para além do Sílvio que, se já é convocado, é porque já está recuperado.


E o Gaitan atravessa apenas o melhor momento da carreira. Está verdadeiramente fantástico...


Só boas notícias!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Irmãos Kouachi preferem morrer como "mártires"

Por Eduardo Louro



 


Lemos isto e soa-nos a estranho. Pretender que isto seja notícia ...não bate certo. Mártires?


Podem querer morrer como mártires mas, morram como morrerem, não deixarão de morrer como abomináveis terroristas!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Seis jazidas de petróleo, mais de mil milhões de barris...

Por Eduardo Louro



 


... E a gente aqui sem saber de nada...


Agora, que os saldos também chegaram ao do petróleo, é que dizem?


Já se vê, com esta é que Passos Coelho não contava. Já sabia há um ano, mas quis também guardar o petróleo para as eleições... Não imaginaria é que estivesse agora ao preço da uva mijona... Mas nada de desanimar, daqui até às eleições os preços ainda podem subir. Ou podem até os ingleses decidir-se a dizer onde é que está mesmo esse petróleo todo!  


 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Corrupção: a palavra do ano!*

 Convidada: Clarisse Louro


Pelo sexto ano consecutivo a Porto Editora convidou os portugueses a escolher a palavra do ano. Tudo começou em 2009, quando a escolha recaiu em esmiuçar, traduzindo o sucesso dos Gato Fedorento, que então esmiuçaram muita coisa, e acima de tudo as eleições desse ano. Em 2010, a escolha foi determinada pelo campeonato do mundo de futebol da África do Sul, com os portugueses, impressionados com aquelas gaitas insuportavelmente ruidosas que marcam o colorido que os africanos dão ao futebol, a escolherem vuvuzela.


A partir daí a vida dos portugueses mudou, e com cada vez maiores dificuldades, as palavras mudaram de tom. E em 2011, para palavra do ano os portugueses escolheram austeridade, provavelmente bem longe de pensarem que austeridade era coisa que não os largaria em todos os anos seguintes. Perceberam isso – que a austeridade viera para ficar – logo no ano seguinte, e por isso inventaram uma palavra que traduzisse o que se sentiam: entroikado. Era isso, os portugueses sentiam-se entroikados!


Em 2013, com um Verão trágico em áreas ardidas e vidas perdidas em incêndios, dificilmente os portugueses escolheriam outra palavra que bombeiro. Como, para o ano que acaba de se despedir, dificilmente poderiam deixar de escolher corrupção.


Em 2014 foram conhecidas as condenações do processo Face Oculta, que ainda antes, e para além da condenação à prisão de ex-ministros e de mais gente ligada ao poder, provocou uma série de graves efeitos colaterais, os menores dos quais não terão certamente sido os envolvimentos das estruturas de topo do aparelho judicial nos episódios de destruição das escutas telefónicas que envolviam José Sócrates. Foi conhecida a condenação de Duarte Lima, por enquanto ainda naquilo que poderá apenas ser a ponta do iceberg que será a actividade escura do antigo líder parlamentar de Cavaco silva. Descobriram-se as burlas, as comissões e os prémios dos Espírito Santo, num pântano de corrupção e vigarice. Foram presos altos funcionários do Estado e da Polícia, envolvidos numa teia de corrupção potenciada pela autêntica via verde que o governo abriu com os vistos gold. Foi pela primeira vez preso um ex-primeiro ministro, suspeito de crimes vários, entre os quais avulta justamente a corrupção, com base em factos que, podendo vir a ser difíceis de provar, são ainda mais difíceis de justificar. E foi vergonhosamente arquivado, ao fim de oito anos de investigação, o processo da compra dos submarinos, mesmo sabendo que na Alemanha os corruptores activos foram condenados e presos, e que confessadamente jorraram milhões de euros pela administração do Grupo Espírito Santo. Entre os quais largos milhões destinados uma determinada pessoa, num determinado dia, num determinado local, que nenhum interesse suscitou à investigação do Ministério Público. Que no despacho de arquivamento não fez sequer qualquer esforço para esconder a negligência, chamemos-lhe assim, e lavou as mãos, dizendo que nem sequer era muito importante apurar os crimes, porque, a terem ocorrido, já teriam prescrito.


Depois de todos estes anos de sacrifícios – para nada, ao contrário do discurso oficial –, do empobrecimento brutal, e do dramático alargamento das assimetrias sociais, só faltava esta percepção de corrupção para rebentar uma tempestade perfeita na sociedade portuguesa!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Conversa fiada

Convidado: Luís Fialho de Almeida


O primeiro programa “Quadratura do Círculo” da SIC, de 2015, contou com a presença habitual de Jorge Coelho, Pacheco Pereira e do convidado Eugénio Fonseca, presidente Cáritas Portuguesa, que trouxe ao programa a experiência e a visão sobre a problemática do combate à pobreza, à exclusão social, a que, presentemente, se associa a doença silenciosa do “medo”.


Sobre os desequilíbrios sociais acentuados pela austeridade, Eugénio Fonseca deu o seu testemunho da adversidade dos nossos parceiros europeus representados na Tróica, particularmente do representante do BCE, quando este afirmou da inevitabilidade dos maiores sacrifícios recaírem sobre a instável classe média a desaparecer, porque, disse: “os ricos não querem dar e os pobres não têm para dar”.


No final do programa, Jorge Coelho terminava a sua intervenção de forma magistral: “…desafio a sociedade civil para criar condições para lutar para que em Portugal haja uma sociedade decente e uma vida com a dignidade que o ser humano merece ter”. Ou seja, conversa fiada!


Não resisti a vir aqui comentar porque não devemos silenciar. Este é o tipo de político que tem para as circunstâncias o discurso versátil, mas que não se envolve. Tem o treino do pântano de Guterres e a escola da promiscuidade entre Estado e negócios privados. Seria mais sério evocar a sua posição estratégica no PS - partido do arco da governabilidade - para se comprometer a diligenciar políticas de combate à exclusão e à pobreza, em vez de evocar essa entidade difusa e imaterial que é a sociedade civil, quando se sabe que a sociedade só tem intervenção real na governação através dos partidos.


A sociedade civil tem de facto de acordar e pressionar a regeneração dos partidos. Mas sempre que aparece qualquer movimento nesse sentido, os partidos existentes sentem-se ameaçados, porque sabem que as estruturas partidárias constituem-se como plataformas de assalto à mesa do orçamento e, nesta mesa, não há lugar para todos.


Para Jorge Coelho, entre o “Ser” e o “Não Ser” segue uma terceira via – a da “aparência” – estratégia tipo Lili Caneças. É melhor manter as aparências louvando o papel da Caritas Portuguesa e propondo um desafio patético de que nada serve. A existência de organizações humanitárias que se dedicam ao combate dos males da sociedade dá mesmo jeito a este tipo de políticos, que no fundo dos seus pensamentos e para os seus botões, dirão antes o poema fracturante de Golgona Anghel:


“É urgente matar toda a gente que tem fome”!

Ataque terrorista ao Charlie Hebdo, em Paris: 11 mortos!

Por Eduardo Louro



 


A besta voltou a atacar... Não toleram a liberdade, qualquer que seja a sua expressão!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Só faltava esta: "Sócrates tem direito a violar a lei para se defender"!

Por Eduardo Louro


 


 


Sabíamos que Sócrates não se pouparia ao que fosse para virar as coisas a seu favor. Não olharia agora, como de resto nunca olhou, a meios para atingir os seus fins. Há quem chame a isto determinação, mas eu prefiro chamar-lhe falta de vergonha!


O que não sabíamos é que, para além da conhecida guarda pretoriana de Sócrates, dos Santos Silvas deste mundo (aproveito para tirar o chapéu a Pedro Silva Pereira, a quem, depois de, de imediato, expressar o seu “sentimento de profunda tristeza”, não se ouviu nem mais uma palavra) seriam tantos a integrar-se nas suas fileiras, com a mesma – e talvez mesmo maior – falta de vergonha. Mário Soares já passou todos os limites, incluindo o da inimputabilidade. A Mário Soares tudo se desculpava, e nos últimos tempos ainda mais se desculpava, porque a idade, ao contrário de nós, comuns mortais, não perdoa. Só que as chocantes figuras a que se tem prestado, completamente despojadas de equilíbrio e senso, remetem-no para o domínio do absurdo – ou mesmo da insanidade mental – e do total descrédito, como acontece com um das seus últimos escritos, ontem no Jornal de Notícias: “Não há justiça em Portugal infelizmente e o Presidente da República, que devia ser responsável por Portugal, nunca ter dito uma palavra sobre o caso Sócrates…”


Agora foi a vez de Vera jardim juntar mais uns disparates, daqueles que chocam qualquer um, ao rol imenso que por aí anda. Diz, alguém que já foi Ministro da Justiça, que "Sócrates tem direito a violar a lei para se defender".


Só faltava esta?


Se calhar não. Se calhar ainda falta aparecer um figurão qualquer a dizer que Sócrates tem não só o direito de violar a lei, como ainda o de nos obrigar a acreditar no inverosímil. Que, por exemplo, tem um amigo que lhe empresta sucessivamente dinheiro, aos milhões, para fazer face a uma vida que não pode sustentar. Que isso não seja crime, acreditamos. No que não acreditamos, se a isso não formos obrigados, é que haja amigos desses...


 


 


 


 


 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

TGV - Tudo Gastou à Vontade

Por Eduardo Louro



 


Sabíamos que pôr fim á aventura do TGV, que não chegou a sair do papel nem da cabeça de alguns iluminados, comportaria alguns custos. Que seria grande a probabilidade de choverem pedidos de indeminização... O que se não imaginaria é que tinham sido gastos 153 milhões de euros... E ainda sem indeminização nenhuma!


 

Eusébio, um ano depois...

Por Eduardo Louro



 


Eusébio partiu há um ano. Faz hoje... Ninguém o esqueceu, os fumos negros nos braços das camisolas encarnadas lembraram-no durante todo um ano. Ainda ontem lá andavam, mesmo que ontem as camisolas fossem também elas pretas...


E a partir de hoje tem o seu nome numa avenida de Lisboa, ali mesmo à beirinha do Estádio da Luz, a sua casa eterna.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Pragmatismo e nota artística

Por Eduardo Louro


 


 


Esperávamos ansiosamente por Janeiro, como aqui tenho repetidamente dito. Não por eventuais aquisições, muito menos pelas saídas esperadas (Enzo, que já lá está, feliz, como se vê, e até já jogou e ganhou ao Real Madrid) ou inesperadas (a saída de Gaitan é uma ameaça constante até ao final do mês), mas porque é a altura da época em que, já com os motores bem aquecidos, o Benfica de Jorge Jesus tem disparado para as grandes exibições.


Afinal, desta vez, com a chegada de Janeiro veio o primeiro balde de água fria. Gelada. Não, não foi o jogo de hoje, com o Penafiel. Foi a declaração do presidente Luís Filipe Vieira, numa entrevista a um jornal desportivo, segundo a qual, a partir de agora ... acabou-se a nota artística… Que o Benfica vai ter que ganhar, mas sem nota artística!


Foi a olhar para estes dois extremos opostos – a fé no boom de Janeiro, e o cair na real do presidente – que hoje olhamos para o jogo do Benfica, hoje em Penafiel. E na maior parte do jogo o que vimos foi mesmo o Benfica anunciado pelo presidente a que, depois, ouvimos chamar pragmático. Um estranho pragmatismo, quando pela frente estava uma das muitas fracas equipas deste nosso campeonato…


Depois, nos últimos 25 minutos, já se viram algumas coisas dignas de alguma nota artística. O Benfica dominou e controlou o jogo em absoluto e acrescentou mais dois golos ao resultado. Mas aí já o Penafiel estava a jogar com menos um, por expulsão de um jogador tão conhecido por deixar a pele em campo como por arrancar a dos adversários.


Com mais ou menos nota artística, com mais ou menos pragmatismo, o Benfica ganhou bem um jogo que, mais golo menos golo, não poderia ter outro desfecho. O Penafiel fez dois remates em todo o jogo!


E como o Benfica já não está na Taça, o capitão Maxi lá levou com o quinto amarelo. E, ao contrário do Nani, lá se foi o pragmatismo e escapou ao vermelho… para ficar de fora no próximo jogo. Que é com o terceiro, o Guimarães!

Tudo às avessas, em Alvalade...

Por Eduardo Louro



 


Ontem Alvalade voltou a encher-se de emoções. Num banco, um treinador que queria ser presidente. No outro, um presidente que quer ser treinador... Tudo trocado, tudo às avessas.


E Couceiro, de adversário passou a melhor amigo de Bruno de Carvalho. Ou de Marco Silva?


Com um Estoril tão macio, foi Couceiro que fez o que afinal o Zé Eduardo queria fazer. Deu para tudo, até para a expulsão de Nani... Injusta, pareceu-me. Justíssima, dizem de Alvalade!


Tudo trocado, tudo às avessas em Alvalade... O tom tinha sido dado por Bruno de Carvalho, poucas horas antes do início do jogo... Porque já sabia que iria encontrar as bancadas às avessas. Como a Assembleia Geral, que já não lhe serve para nada!

sábado, 3 de janeiro de 2015

O tabuleiro de Sócrates

Por Eduardo Louro



 


Entendo a prisão preventiva como um instrumento a que o sistema judicial deverá recorrer em circunstâncias excepcionais e apropriadas. De resto previstas na lei. Deploro o recurso indiscriminado á prisão preventiva, e acho ainda mais deplorável que isso seja feito à custa de uma leitura aligeirada dos respectivos requisitos legais. Recorrer á prisão preventiva para, depois de concluída a investigação, construir a acusação, é uma coisa. Para simplesmente prosseguir a investigação, é outra. Inaceitável num verdadeiro Estado de Direito... Um sistema judicial que nuns casos prende para investigar, quando manda arquivar outros que deixou prescrever sem sequer conseguir investigar, não é próprio de um Estado de Direito!


Um sistema judicial que permite - se não mesmo favorece - a utilização de matéria processual pela comunicação social não prestigia a Justiça. Pior que isso, limita-a. Peia-a!


Como se percebe, tudo isto está a acontecer com José Sócrates. E como se percebe, embora se esconda, tudo isto favorece Sócrates, peando a Justiça. Porque facilita a estratégia do ex-primeiro ministro de transformar tudo isto num processo político, em esvaziar a esfera da Justiça para encher a da Política. É neste tabuleiro que Sócrates se mexe com á vontade e mestria, e por isso tudo faz para tudo colocar nesse espaço. Sem olhar a meios, ora remetendo manuscritos directamente para os jornais, por onde começou, ora contando com a cumplicidade de Mário Soares para fazer publicar na imprensa a troca de correspondência entre ambos, por acaso exclusivamente dedicada à sua estratégia pessoal.


A estratégia está a funcionar de tal maneira bem, que a entrevista por escrito com que a TVI - e Sócrates - conseguiu tornear o sistema, e que ontem fez chegar ao público, começa a pretender instalar na opinião pública a ideia de que se trata finalmente da utilização do direito de resposta, do direito de contraditório, sempre negado a Sócrates. Muitos, e muitos deles verdadeiramente insuspeitos de integrarem a guarda pretoriana de Sócrates, estão agora a saudar esta entrevista como forma da reposição da legalidade democrática, como o legítimo direito de defesa.


Contrariando os propósitos da actual direcção do PS, e em especial de António Costa (não foi por acaso que resistiu até ao limite à peregrinação do partido a Évora), Sócrates tudo faz, e tudo continuará a fazer, para reduzir um complexo processo jurídico recheado de suspeitas de múltiplos crimes a um processo político. À Política o que é da Política e á Justiça o que é da Justiça, não é mais que um jargão. A que António Costa lançou mão, mas que não serve a Sócrates!


Não sei se Sócrates é culpado ou inocente nos crimes de que ainda é mero suspeito. Não sei sequer se virá a ser acusado. Sei tão bem da dificuldade de fazer prova dos factos que lhe são imputados, quanto da fragilidade dos argumentos de defesa que apresenta. E sei bem que, passar para as páginas dos jornais aquilo que se deve apenas passar nas salas dos tribunais, serve só alguns, sempre aos mais poderosos. É por isso anti-democrático, e é a negação da própria Justiça!


 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A praia de Cavaco

Por Eduardo Louro



 


Cavaco voltou apareceu-nos com a sua penúltima mensagem de ano novo. É verdade, ainda teremos de lhe aturar mais outra... 


Ninguém esperaria o que quer que fosse de novo. Porque dele nada de novo se pode esperar, é tudo velho, mesmo que em ano novo. Tudo o que diga cheira a bafio. Ele próprio cheira a bafio...


Confirmou toda a parcialidade que tem feito questão de ostentar, acritica e militantemente colado às posições do governo. Toma partido, sempre o mesmo, sempre partido pelo partido... Em ano de eleições, mas também o do seu último mandato, é simplesmente Cavaco na sua praia.


E do nada, e a completo despropósito, falar de corrupção, não passa de mais uma pequena vingança com destinatário conhecido. Imprópria de um Presidente da República, mas natural em Cavaco. A praia de Cavaco...


Esperar tantos anos pelo velho sonho de uma maioria, um presidente e um governo para, depois, não ter mais que isto para apresentar, é certamente uma das maiores desilusões na desilusão que é política portuguesa!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano bom... Novo ano!

Por Eduardo Louro



 


financeirização tomou conta de tudo. Até dos anos... Há o ano mau e o ano bom... E até o novo ano!


O 2014, não há dúvida, foi o ano mau. Muito mau, mesmo. Mas não está fácil de acreditar que o novo ano seja o bom!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...