quinta-feira, 31 de julho de 2025

Saborosa Supertaça

Benfica vence Sporting com golo de Pavlidis e conquista a Supertaça de Portugal


Valeu pelo troféu, pela Supertaça, a vitória no dérbi desta noite, no Algarve. Mas valeu, mais ainda, por ter acabado com esta mala-pata dos jogos com o Sporting. Já era muito tempo, muitos jogos sem ganhar ao eterno rival. Não importa como o Benfica não ganhou muitos desses jogos. Importa que não ganhou, mesmo sem esquecer como não ganhou. Valeu porque ganhar ao Sporting vale sempre muito.


Na realidade não foi um grande jogo. O Benfica têm de jogar muito mais. O Sporting ... pouco me importa. Até porque, para o seu treinador, o Sporting jogou muito bem, e foi muito superior ao Benfica. Portanto não precisa de mais.


O Benfica precisa. O da primeira parte precisa mesmo de muito mais. Na segunda melhorou o suficiente para, ao contrário do que viu o treinador do Sporting, ser bastante melhor.


 Precisa de automatismos, que não tem. E que fazem ainda mais falta quando lhe falta criatividade. Não tem na equipa jogadores criativos, que peguem na bola e resolvam as situações mais complicadas. Que disfarcem a as deficiências do processo.


Com Barreiro - a surpresa de Bruno Lage para hoje - Enzo, Aursenes e Rios no meio campo, se não houver rotinas muito afinadas, e nesta altura seria difícil haver, o jogo empapa. Equilibravam a equipa sem bola, mas quando era preciso atacar, faltava tudo. Como Rios e Barreiro ocupavam as mesmas zonas do campo, ainda mais complicado ficou. E fez Rios complicar e, provavelmente com a melhor das intenções, começar a inventar. 


Lá na frente, Akturkoglu joga na verticalidade, não é propriamente jogador para conduzir a bola, e lá fica Pavlidis, sozinho, para juntar as peças e ainda marcar golos. Faz o que pode, e faz muito, mas é pedir de mais ao grego.


Sem mudar de jogadores, mantendo os mesmos onze, o Benfica veio para a segunda parte com novas ideias. Rios deixou de pisar os mesmos terrenos de Leandro Barreiro, passando a posicionar-se mais à frente, e bastou isso para passar a jogar mais simples, crescer no jogo e tornar-se influente. Resultou praticamente de imediato, no golo, logo aos 5 minutos. 


Num ápice Rios desenvencilhou-se de dois adversários e colocou a bola na esquerda, em Pavlidis (tinha de ser!), que de primeira deixou em Dahl, dentro da área. O golo deveria ter surgido do seu passe de morte para a finalização de Akturkoglu, porque era o que a jogada merecia. Mas não, a bola foi ainda interceptada para regressar a Pavlidis, que a rematou de primeira para o fundo da baliza.


Pode dizer-se que Benfica tinha então tomado conta do jogo. E poderia até ter feito mais dois golos (logo a seguir Rui Silva, que pareceu mal batido no golo, redimiu-se ao negar novo êxito a Pavlidis) antes de permitir qualquer reacção ao adversário. Que apenas surgiu nos minutos finais, e não se traduziu numa defesa de Trubin, a um remate de Trincão, de fora da área; e num corte de António Silva a um centro de Luis Suárez, o novo Gyokeres.


Por isso o Benfica ganhou bem. Fábio Veríssimo até "se aguentou", e o VAR até tirou o fora de jogo para anular o golo que Pote chegou a marcar, logo aos 6 minutos da fraquinha primeira parte.


 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Tour de France 2025 de A a Z

Os melhores da Volta a França 2025


A - Almeida - Apanhado na traição das quedas, e obrigado a desistir muito cedo, no fim da primeira semana, João Almeida fez muita falta a este Tour. Pela condição que revelava, e pelo que se viu dos adversários, teria muito provavelmente um lugar reservado no pódio, em Paris. Com ele, nem a corrida não teria sido a mesma, nem Pogaçar, que tantas vezes o lembrou, teria uma passagem tão discreta pelos Alpes. E tão distante de tudo o que prometera anteriormente.


B - BenHealy - O irlandês da EF Education-EasyPost foi um dos maiores animadores da corrida. Foi-lhe por isso atribuído o prémio de super-combativo. Ganhou uma etapa, a sexta, a segunda mais longa, ente Bayeux - Vire Normandía 201 km. Foi terceiro na décima, quando no dia da festa nacional francesa vestiu pela primeira vez a camisola amarela. Que seguraria por mais dois dias. Voltou a atacá-la dois dias depois de a perder, na etapa 14, nos Pirenéus. E mais dois dias depois, na 16, do Mont Ventoux, onde foi segundo, com o mesmo tempo do francês Paret Peintre (Soudal-Quick Step).


C - ConsonniPorque dos últimos também reza a História. Este italiano, da Lidl-Treck, foi o último classificado, na 160ª posição, a quase 6 horas de Pogaçar. Alguém teria de ser!


D - De LieNão cometeu grandes feitos, o jovem belga Arnaut de Lie, da Lotto. Mas é dado como um bom corredor de equipa. Foi também ele um animador de várias fugas. É apontado como bom finalizador, mas o melhor que conseguiu foi um terceiro lugar, dois quartos e um quinto. Foi ainda sétimo na meta nos Campos Elísios.


E - Evenepoel - Remco Evanpoel, o terceiro do ano passado, e ali a meio termo entre os galácticos e os humanos, falhou em toda a linha neste seu segundo Tour. Ganhou o contra-relógio, fazendo jus à sua condição de campeão do mundo, mas nunca mais esteve à altura do estatuto que já tem. Acabou por abandonar, claramente derrotado.


F - Florian LipowitzO alemão da Red Bull-Bora conquistou o terceiro lugar final, esteve no pódio, e foi o vencedor do prémio da juventude. Revelou-se um ciclista completo: com grande capacidade na alta montanha e  bom contra-relogista. E não tem medo de arriscar. Herdou a liderança da equipa. Roglic mostrou desde muito cedo que é mais passado que presente, e mais ainda que futuro. Esse pertence a este jovem alemão. 


G - Gall - O quinto lugar na geral é um bom resultado para Felix Gall. O austríaco da Decathlon não fez uma corrida conservadora. Correu riscos, e atacou, aqui e ali. Não deu para muito, mas deu para deixar uma boa imagem.


H - HautacamFoi a subida ao Hautacam, nos Pirenéus, ali próximo de Lourdes, que fez a diferença neste Tour. Esta subida entrou pela primeira vez no Tour apenas há 31 anos, e não tem tido uma presença constante. Esta foi apenas a sétima vez que foi escalada. Também não impressiona em altitude como tantas outras montanhas, especialmente nos Alpes. Mas, depois dos 12 quilómetros do Col du Soulor, e dos mais de 3 do Col des Bordéres, aqueles 14 quilómetros com 8% de pendente média, são decisivos.


Foi aí que Pogaçar arrumou verdadeiramente com Vingegaard, ganhando-lhe mais de 2 minutos. O cheque mate viria logo no dia seguinte, na crono-escalada de Peyragudes.


I - Ion IzaguirreO velho trepador espanhol, agora ao serviço da Cofidis, passou pelo Tour sem deixar qualquer marca. Sem honra, nem glória. O melhor que conseguiu foi um 42º segundo lugar, na 13ª etapa, a dos 11 quilómetros da crono-escalada de Peyragudes. No fim, foi 69º, a mais de 3 horas e meia.


J - Jordan JegatEste francês, da francesa TotalEnergies fechou, a quase 33 minutos, o top ten da classificação geral do Tour, o quadro de honra onde todos querem caber. E onde apenas dois franceses couberam. Às vezes não é preciso fazer muito para ficar no quadro de honra. A corrida de Jegat é disso um bom exemplo: apenas por duas vezes fez top ten na etapa - oitavo lugar na 15ª, a de Carcassone, e sétimo na 20ª, a penúltima, em Pontarlier.


K - Kevin VauquelinNa fase inicial do Tour, o jovem francês da Arkea, que tem vindo a alimentar os sonhos dos franceses (andam nisto há 40 anos), ainda chegou a parecer capaz de discutir um lugar entre os cinco primeiros e, principalmente, o primeiro lugar da juventude. Com a chegada à lata montanha rapidamente se percebeu que Vauquelin não conseguiria confirmar as prestações iniciais. Onde, em boa verdade, nunca fez mais que permanecer resguardado na roda dos da frente. Foi sétimo na geral. E compara bem com o seu compatriota no top ten: apenas por uma vez, na etapa 12, no Hautacam, fez melhor que a classificação final - foi sexto.


L - Luka MezgecNem só de Pogaçar e Roglic se faz o ciclismo esloveno. Também se faz de Mezgec, já um veterano, que chegou bem antes deles - já vai para 10 anos na australiana Jayco AlUla. Foi o 152º, a mais de 5 horas e 40 minutos.


M - MilanO italiano Jonathan Milan, da Lidl-Trek, conquistou o segundo mais importante classificação de uma grande corrida - a dos pontos, da camisola verde. E a única que escapou - ainda que por pouco, e apesar das etapas de montanha valerem bem menos pontos que as planas - a Pogaçar. Bastaram-lhe as duas etapas que venceu, mais os dois segundos lugares, e mais alguns sprints intermédios, num Tour corrido a grande velocidade, com muitas fugas e, por isso, pouco favorável aos sprinters.


N - Nelson OliveiraO segundo corredor português em competição teve uma participação discreta. Tentou integrar uma ou outra fuga, entrou numa, chegou então a andar na frente, mas não resultou. A sua equipa, a Movistar, também não esteve melhor. Nem o seu líder, Enric Mas. Que abandonou, também sem honra nem glória.


O - Oscar OnleyOnley é uma das maiores revelações neste Tour 2025. Este britânico de 22 anos, da Picnic PostNL, revelou uma regularidade e uma força mental fora do comum. Foi quarto classificado, ficou à porta do pódio. Por 1 minuto e 12 não chegou ao terceiro lugar, nem foi o primeiro da juventude. E confirmou que está já no patamar mais alto do ciclismo mundial.


P - Pogaçar - Foi o ciclista mais forte e regular do Tour. Alcançou a quarta vitória e, a nada de anormal acontecer na sua carreira, fica em condições de superar as míticas cinco vitórias de Anquetil, Merckx, Hinault e Induráin. Nos Pirenéus parecia que bateria todos os recordes de vitórias neste Tour. Fosse por fadiga, fosse por alguma questão de saúde, ou fosse porque lhe faltou equipa, quando já lhe faltava João Almeida, não o pôde confirmar nos Alpes. Mas ganhar como ganhou (sempre) a Jonas Vingegaard. Ganhar com diferenças de tempo nada  habituais. Ganhar ainda classificação da montanha, e ganhar quatro etapas, não deixa margem para qualquer tipo de especulação sobre uma eventual quebra na terceira semana do Tour.


Q - Quinn SimmonsO campeão americano de estrada, que representa a Trek, foi dos corredores que mais deram nas vistas no Tour. Não sei se houve alguma fuga onde ele não aparecesse. Se há ciclistas cuja função principal é mostrar as camisolas, com os patrocínios, este seria um dos mais eficazes. A que mostrou, mostrava a bandeira americana. Talvez fosse essa a ideia, porque ele também é conhecido por ideias ... menos simpáticas. Mas ... que foi valente, foi. Como foi incansável no apoio a Milan. Tudo isso valeu-lhe o prémio de melhor équipier do Tour.


R - RoglicChegou a parecer que a maldição do Tour seria este ano ainda mais penosa para Primoz Roglic. Quando parecia afundar-se, encontrou ânimo, força e motivação para resistir, acabando por salvar a segunda metade da prova. Acabou em oitavo, a 25 minutos e meio do seu compatriota. Mas é indiscutível que Roglic está decididamente na fase descendente da carreira. Que, depois de tantos anos no nível mais alto do ciclismo mundial, vai acabar sem uma vitória na sua competição mais importante.


S - Sepp KussAos 31 anos o americano da Visma foi uma sombra do grande ciclista que foi. Aquele que era considerado o melhor braço direito do mundo, o corredor que qualquer líder queria na equipa, foi dos mais discretos do Tour. Nem foi para ele, nem para Vingegaard, a quem nunca serviu ... de nada. Foi 17º na geral, a mais de 1 hora e vinte minutos, mas falhou sempre.


T - Thymen ArensmanÉ grande, gigante este neerlandês da INEOS. Mas é também um enorme corredor de bicicleta. Perdeu logo no início a hipótese de lutar por um dos lugares mais altos da geral, e acabou por se ficar pelo 12º lugar, a quase 53 minutos de Pogaçar. Mas fez um grande Tour, venceu duas etapas de grau de dificuldade extremo: Superbagnéres e La Pagne, ambas à frente dos dois do costume. E foi segundo noutra, no Mont-Dore. Se não tivesse perdido tanto tempo nas etapas iniciais ...


U - UAE - Mais uma vez, a maior e mais poderosa equipa de ciclismo do mundo, não esteve à altura dessa condição. Os erros, que terão porventura começado no escalonamento dos corredores, ficaram mais à vista com a queda e o abandono de João Almeida. Pogaçar raramente precisou de equipa, mas quando precisou, não teve! 


V - Vingegaard - O dinamarquês da Visma chegou ao Tour disposto a conquistar o seu terceiro título, e igualar o seu rival, e único verdadeiro adversário, mas rapidamente Pogacar, muitas vezes até de forma impiedosa, lhe deixou claro que isso era ambição em excesso. Vingegaard foi o segundo melhor ciclista do Tour, e nem foi preciso esperar pelos seus piores dias (no contra-relógio de Caen e na subida de Hautacam) para perceber que não conseguia ser melhor que Pogaçar. Acabou o Tour ao mesmo nível do esloveno, não tanto pelo que tenha melhorado, mas talvez mais pelo que tenha Pogaçar piorado. Continua a demonstrar uma consistência impressionante: foi segundo em quatro etapas e terceiro em outras quatro, e subiu ao pódio de Paris pelo quinto ano consecutivo. 


W - Woot Van Aert - O extraordinário corredor belga da Visma não teve neste Tour a influência que costuma ter nas competições em que participa. Como tinha acabado de ter no Giro. Ainda assim não passou ao lado, não é corredor para isso. Ganhou, brilhantemente - o único a derrotar Pogaçar - a última etapa, nos Campos Elísios. 


X - Xandro Meurisse - Este belga, da também belga Alpecin, é mais um exemplo de um gregário, que trabalha no pelotão para os objectivos da equipa. Que, no caso desta equipa belga, é ganhar etapas. O que não é pouco. E ganhou três, por Philipsen, o seu principal sprinter e a primeira vítima das primeiras quedas, logo na primeira etapa. Pelo extraordinário Mathieu Van der Poel, a figura maior da primeira parte do Tour, até ter sido obrigado a desistir, vítima de pneumonia, que ganhou a segunda. E ainda pelo australiano Kaden Groves, que ganhou a 20ª, em Pontarlier, isolado. 


Y - Yates - São dois, são gémeos, estavam em lados opostos, ao serviço dos dois monstros do Tour,  e são dois grandes corredores. Mas os manos britânicos não estiveram ao seu nível, ambos. Simon, da Visma, que vinha de ganhar (surpreendentemente) o Giro Adam, ainda assim esteve melhor. Foi 15º na geral, ganhou uma etapa, no Mont-Dore, e viu-se ainda ser muito útil a Vingegaard. Adam, da UAE, foi 24º e raramente foi útil a Pogaçar.


Z - Zimmermann - Ao francês da Intermarché pedia-se que ajudasse Girmay a repetir a camisola verde do ano passado. Mas o corredor da Eritreia, desde cedo diminuído pelas quedas, não teve possibilidade de discutir essa classificação. Resistiu, quase que heroicamente, para terminar o Tour. Acabou na 132ª posição da geral, a 5 horas e um quarto. Georg Zimmermann, esse acabou fora de estrada, à 10ª etapa.


 


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Acho que ninguém em Portugal tem dúvidas sobre o interesse do país em manter um grande banco público. Pode até haver quem se esteja a chegar à frente e a levantar o dedo, mas isso isso é apenas um impulso irreflectido de mentes liberais mais empedernidas. Depois de tudo por que temos passado, e com o BES bem fresquinho na memória - tão fresquinho que até já andamos todos a fazer contas a quanto é que desta vez nos vai tocar (agora sim, é que se justificaria o tal simulador, que há uma semana tiveram tanta pressa em disponibilizar no site das finanças) -, não há alminha que, por mais enraizada que estivesse a ideia na sua cabeça, ache que a Caixa Geral de Depósitos deva ser privada.


E no entanto, mesmo assim, o primeiro-ministro não pensa noutra coisa. Sabemos que é uma ideia antiga, e sabemos que é um sujeito teimoso.


Por isso anda preocupado com a Caixa


Argumenta - não argumenta, evidentemente, põe o seu exército de escribas e pensadores a intoxicar a opinião pública, porque é essa a receita de sempre - que os bancos privados, ao contrário do banco público, já devolveram, em parte ou na totalidade, os montantes da ajuda financeira que receberam através daquelas obrigações com aquele nome meio mal cheiroso, as CoCo bonds. Mas não diz, nem diz para dizerem, que o banco público não está em atraso com nenhum reembolso. Nem que a banca privada procedeu aumentos de capital para efectuar esses reembolsos, isto é, teve acesso a capital não remunerado para substituir capital altamente remunerado. Coisa para que o accionista da Caixa, que o sujeito precisamente representa, não está disponível. Nem diz que, assim, sem acesso a capital accionista, aqueles 900 milhões de euros das CoCo bonds são importantes para os rácios de capital da Caixa. E que, se calhar, é por isso e não por qualquer problema de liquidez, que a Caixa não procedeu ao reembolso antecipado, com fizeram ou estão a fazer os banco privados.


Esteja descansado senhor primeiro-ministro. Não tem mais motivos de preocupação com a Caixa do que com os outros bancos. Tem razões para se preocupar com o sistema financeiro, tem sim senhor. Mas isso é outra coisa. Disso o senhor não fala... 


O senhor quer apenas aproveitar todo e qualquer pretexto para chegar ao seu porto de abrigo. E neste caso é - ou era? - apenas a mais apetecida das privatizações!


A gente sabe do que é que está a falar...


 

Só a comiseração faz a diferença

Ministra da Administração Interna diz que é irrelevante número de meios ...


O país arde, como sempre, mais ou menos por esta altura.


O/a ministro/a da tutela, da Administração Interna, como sempre que o país arde, estatela-se ao comprido na comunicação. 


É sempre assim, governo após governo. Governo do PSD após governo do PS. 


Ao contrário do apregoado, nada nunca está melhor. Está sempre tudo na mesma. Tão na mesma que quando a ministra Maria Lúcia Amaral se estatela não tem diferença nenhuma de quando se estatelavam Constança Urbano de Sousa, Eduardo Cabrita ou Margarida Blasco. A única diferença está na comiseração que cada um nos poderia suscitar... 


De 0 a 10, do zero de Cabrita ao 10 de Constança. Com Maria Lúcia Amaral a resvalar para bem mais perto do primeiro que da segunda.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A coligação no poder apresentou ontem o programa eleitoral. Com pompa, muita pompa... Dada a circunstância - em cima das férias, fora de tempo de discussão - nada mais prentendia que pompa.


Podia, mesmo assim, a coligação ser mais comedida na charlatanice


Recorro ao velho slogan publicitário: Poder, podia... Mas não era a mesma coisa!


No meio de tanta aldrabice, a sem vergonha tinha ainda de chegar à ameaça com as agências de rating


Tinha. Porque é aí, já em pleno território do absurdo, na fronteira com a loucura, que a charlatanice atinge o climax da conclusão no tal slogan publicitário.


Era o que faltava... Era o que faltava no discurso charlatão. Já não falta!


O que falta - e a falta que lhes faz - é que as agências de rating assinem por baixo o discurso dos milagres dos charlatães. Não assinam por baixo, não caucionam e mantêm o país no lixo, donde não não saiu como ainda se atascou mais...  


É tal a vertigem que ja nem conseguem parar, para pensar. E acabam por se espetar, com estrondo: para ameaçarem com o papão das agências de rating não conseguem esconder que afinal  o país é - continua - lixo, sem nada a ver com o que apregoam.


 

Provocação e abuso de poder

O histórico (e a polémica) de Fábio Veríssimo em jogos do Sporting


A nomeação de Fábio Veríssimo - vulgo Verdíssimo - para arbitrar o jogo da Supertaça, na próxima quinta-feira, foi a forma mais eloquente que o Conselho de Arbitragem, e a FPF, encontraram para o arranque da nova época de futebol.


Já não bastava a marcação da data do jogo, face à participação do Benfica no campeonato do mundo de clubes, e à disputa das pré-eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Já não bastava a despenalização de Quenda e Debast. Era ainda preciso ser mais provocador, e nomear o mais ligado dos árbitros ligados ao Sporting.


Será este o sinal que os poderes do futebol, depois de tudo o que aconteceu na época passada, e em especial na sua parte final, têm para dar logo na abertura das competições da nova temporada?


Ou será apenas o Sporting a não querer perder a primeira oportunidade para a primeira demonstração de força? Para mostrar que tem o poder, e que nada, nem ninguém, lho tira?


Por outro lado, do do Benfica, apenas a mesma resignação, sem sequer estrebuchar. Sempre pronto a oferecer a outra face ... À espera que as mesmas coisas, nas mesmas circunstâncias, produzam resultados diferentes.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Maior, muito maior, que as estruturais diferenças entre Portugal e os Estados unidos, é a conjuntural diferença entre os seus Chefes de Estado...


Ouvir o discurso de Obama em África - e a propósito de África - só dá outra dimensão á tormenta da nossa triste sina. Pôr o dedo na ferida, chamar as coisas pelos nomes, apontar sem ambiguidades, sem rodeios nem receios, com a autoridade de quem diz vir da mesma tribo, é de Homem grande. Que torna liliputiano quem perante Obiang mete o rabinho entre as pernas ... e sai de mansinho...


Não! Não é porque Obama é presidente dos Estados Unidos e Cavaco de Portugal. Não é pela dimensão de cada um dos países, é mesmo pela dimensão de cada uma das pessoas. Pela dimensão que uns têm e outros nunca terão!

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Tarifas, humilhação, pequeno almoço e populismo

Von der Leyen à Trump : « Nous ne punissons pas nos voisins


Ursula von der Leyen assinou ontem, com Trump, o humilhante acordo comercial EUA-UE, em total cedência e submisão aos caprichos do extravagante inquilino da Casa Branca.


Trump impôs tarifas de 15% sobre as importações da Europa, e de 0% para as exportações americanas para a UE. Impôs a Ursula von der Leyen que garantisse a compra, em largas centenas de milhões de euros, de material militar, em linha com a imposição dos 5% do PIB para os orçamentos de defesa, a compra de produtos energéticos no valor de 750 mil milhões de dólares, e o aumento do investimento europeu nos Estados Unidos em 600 mil milhões de dólares.


No fim, a presidente da Comissão Europeia veio dizer que "foi difícil, mas, no final, fomos bem-sucedidos". António Costa, presidente do Conselho Europeu, que "é um acordo que prioriza a cooperação, protege os interesses fundamentais da União Europeia, e oferece às empresas a certeza de que precisam". Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, que "é um acordo que permite evitar uma escalada desnecessária nas relações comerciais transatlânticas". E Victor Órban, simplesmente que "Donald Trump comeu Von der Leyen ao pequeno almoço"


É também isto que faz a diferença que engorda o populismo. Um "establishment" envolvido em tretas, a mandar areia para os olhos, serve-se de "pequeno almoço" ao populismo.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Toda a gente sabe que o acordo imposto à Grécia pelo Eurogrupo não resolve coisa nenhuma. Nem à Grécia nem à União Europeia, daqui por (poucos) meses tudo volta á mesma!


Tsipras disse-o desde logo: “assino, mas não concordo” – mais ou menos isso – e por todo o lado, gente de todos os quadrantes afirmou e reafirmou que nada tinha ficado resolvido, tudo tinha sido adiado, empurrado para a frente. Muitos salientaram ainda os riscos da humilhação. A História está farta de os mostrar, e se alguma coisa emerge deste acordo a que a Grécia foi forçada é justamente a humilhação a que foi sujeita.


Vem isto a propósito da onda de indignação que por aí anda por parte da mais cega ortodoxia da direita a propósito de um eventual plano secreto do governo grego para abandonar o euro, confirmado até num suposto vídeo de Varoufakis. A Grécia é – dizem – o cavalo de Tróia do euro!


Sendo evidente para toda a gente que se a União Europeia não mudar – e não só não se vê como possa mudar, como essa mesma ortodoxia de direita e germanófila não quer que mude – a Grécia não cabe no euro (nem, nessas condições, Portugal, mas isso eles não percebem), normal é que o governo grego esteja a trabalhar num plano de regresso à sua moeda. A não ser que fosse ainda mais incompetente e irresponsável do que o que o pintam. O governo grego só não saiu – nem teve condições de ameaçar fazê-lo, e daí ter de se sujeitar à humilhação – pelo seu próprio pé porque não estava em circunstâncias de o poder fazer. Por razões (menores, apesar de tudo) conjunturais de política interna – os gregos queriam manter-se no euro – mas acima de tudo – que não é pouco, é mesmo tudo – porque não teve apoio externo. Nem Rússia, nem Estados Unidos, nem China, e sem reservas de divisas para pagar importações, nunca podia adoptar uma moeda própria …


Antes de acusar o governo grego de cavalo de Tróia, haveria que acusar a União Europeia de fazer da Grécia um bombista suicida. Se o governo grego estiver a preparar a sua saída está apenas a fazer o que a realidade lhe impõe. O que lhe compete. O que a lucidez aconselha.


Que no meio disso tudo recuse apertar os explosivos à cintura é o que nós devemos ardentemente desejar!

domingo, 27 de julho de 2025

Tour de France 2025 (VIII)

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A Volta a França chegou hoje ao fim, em Paris, e nos Campos Elíseos, como vem sucedendo há 50 anos, tradição apenas quebrada no ano passado, por força dos Jogos Olímpicos.


Com uma novidade, no entanto: o circuito de Paris, que tradicionalmente fecha a última etapa, contou com a passagem por Montmartre. Que fez toda a diferença, roubando a etapa final aos sprinters. O que era um circuito em pelotão compacto, e uma chegada disputada ao sprint, porque nas três voltas ao circuitos corredores tiveram de passar por três vezes na subida para Montmartre (1,1 quilómetros, com uma inclinação média de 5,9%) passou a ser um circuito corrido aos grupos, com uma chegada isolada à meta.


Pogaçar, que depois dos Pirenéus não voltou a ganhar, nestas circunstâncias, quis ganhar em Paris. Fez por isso mas, o que é louvável. Mas já não está tão forte (os Alpes deixaram isso evidente) como já esteve. Afinal também ele é humano!


A Visma meteu dois corredores (em apenas seis) no grupo de Pogaçar, que atacou a frente da corrida nos últimos 30 quilómetros: Matteo Jorgenson e Wout van Art. E fez muito bem o jogo de equipa, com o americano a fazer o trabalho de desgaste para o belga desferir o ataque final na última passagem pela subida. Ainda assim, e pese a enorme categoria de Wout van Art, não foi sem surpresa que o vimos atacar e voar para a meta, isolado, de baixo de chuva copiosa, deixar Pogaçar irremediavelmente para trás, e alcançar a vitória que sempre lhe fugira neste Tour.


Com a chuva, a organização decidiu congelar os tempos a 50 quilómetros da meta, pelo que as assinaláveis diferenças de tempo na meta já não contaram para a classificação geral. Por isso, o ataque ao último lugar do pódio, e à camisola branca que, nas condições da etapa, ainda estariam em aberto, não chegou a acontecer.


E a quarta vitória de Pogaçar no Tour acabou por ser a mais clara de todas. Vingegaard foi um digno vencido, a 4,5 minutos. Lipowitz fechou o pódio, a 11 minutos, e foi o primeiro da classificação da juventude.


 

De volta à Catedral

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Com fome de Catedral cheguei à Luz bem cedo. E não correu bem!


Aquela ideia do autocarro entrar com os jogadores pela Praça do Centenário até é capaz de fazer sentido. Mas, com as portas do Estádio fechadas, quem andava ali descansado pela Fun Zone, de repente, ficou completamente bloqueado por um mar de gente que se apinhava à espera dos jogadores ... apenas avistados por quem estivesse encostado às baias. Desconfortável, o suficiente para quebrar a boa disposição.


Ultrapassada a indisposição, e bem cedo sentado no lugar - desta vez com a pouco habitual companhia da companheira de vida - deu então para matar a fome. Quando se trata disto, de matar a fome, e nesta altura do calendário a que chamam pré-época, o jogo em si, com as suas nouances, estratégias, tácticas e opções passa para segundo plano. Prioritário é, na circunstância, celebrar Eusébio - "tu és o nosso rei, descansa eternamente" -, depois sentir o bater da Catedral, depois, ainda, sentir as caras novas. Só no fim vem o jogo.


Eusébio esteve lá. Esteve lá sempre, do início ao fim. A Catedral bateu com mais de 55 mil a vibrar, e uns quantos, poucos, a fazer tristes figuras: um petardo (insistem, não vale a pena avisar, nem se importam com as penalizações ao clube que dizem amar) e uns assobios, em determinada fase do jogo ao Samuel, só porque dois lançamentos longos - que faz como poucos (lembram-se do Ederson?) e que víramos treinar com 100% de sucesso ao intervalo, antes de entrar - não correram bem. As caras novas ficaram bem na fotografia: Richard Rios é craque, e não é preciso dizer mais; Enzo Barrenechea equilibra (o maior elogio que se lhe pode fazer é dizer que se sentiu bem a sua falta na fase mais complicada da segunda parte); e Dedic encheu-me a alma.


Faz lembrar Carreras, de que já sentimos saudades. Na forma como sai com a bola, na facilidade em atacar em slaloms difíceis de parar, na intensidade, na disponibilidade para o jogo, sem medo.


Das caras novas do Seixal o destaque vai para João Veloso, o miúdo de Albufeira que se estreou no onze titular. Não será um portento de técnica mas é lutador, faz lembrar Gonçalo Ramos na forma como pressiona a defesa adversária, e revela já uma visão de jogo acima da média, bem visível na forma como descobriu Pavlidis, no início da jogada do segundo golo.


Gonçalo Oliveira e Joshua Wynder, baixo mas, sem dúvida, um enorme centralão a curto prazo, que até entraram no período mais difícil do jogo, logo a seguir ao Fenerbaçe ter empatado, formam uma dupla de centrais respeitável.


Henrique Araújo (será que ainda vai a tempo?) teve um regresso feliz à sua casa, com dois golos plenos de oportunidade, se bem que só um deles tenha contado. Foi o miúdo que conhecemos do Benfica, e da selecção nacional de sub 21, e não o que nos mostraram de Famalicão, e de Arouca.


O jogo mostrou-nos um Fernerbaçe mais adiantado na preparação, muito competitivo, e extraordinariamente agressivo (perante a complacência de mais uma lamentável arbitragem, desta vez do conhecido Hélder Carvalho) com os jogadores sistematicamente a baterem forte e feio, especialmente em Richard Rios. Mas também com muitos bons jogadores, de renome mundial. E com duas caras tácticas, bem à imagem de Mourinho. 


Um jogo que o Benfica dominou na primeira parte, com espaços de bom futebol que, mesmo sem criar uma enormidade de ocasiões para marcar, poderia ter terminado com uma vantagem bem mais alargada que o 2-1 ao intervalo. Com o golo da equipa de Mourinho, logo a seguir ao 2-0 (Akturkoglu, aos 38 minutos, e autogolo de Archie Brown aos 42 minutos, depois de Livakovic ter negado o golo de estreia a Richard Rios), e mesmo em cima do intervalo, a surgir na sequência de uma perda de bola de Enzo Barrenechea, na fase inicial de construção, que permitiu a Kahveci o remate certeiro à entrada da grande área.


O Benfica voltaria a entrar bem na segunda parte, com duas boas oportunidades por Akturkoglu, mas foi sol de pouca dura. Não durou mais de 5 ou 6 minutos até o vice-campeão turco tomar conta do jogo. Chegou ao empate - golo de Youssef En-Nesyri, o internacional marroquino que assinou a eliminação da selecção portuguesa no último mundial - no final do primeiro quarto de hora quando, tal foi o seu domínio naqueles 10 minutos, já o justificava.


Imediatamente a seguir - não foi reacção ao golo, já estavam preparadas - Bruno Lage, que ao intervalo já tinha trocado Trubin por Samuel Soares, Enzo Barrenechea por Leandro Barreiro, Dedic por Leandro Santos, e João Veloso por Bruma, substituiu Pavlidis, Akturkoglu, Richard Ríos, Aursnes e Dahl, por Obrador, Schjelderup, Prestianni, Henrique Araújo e Diogo Prioste. 


Pouco depois, Bruma, que não estava particularmente feliz, lesionou-se gravemente. Tão gravemente - rotura completa do tendão de Aquiles esquerdo - que poderá significar o fim da carreira. E foi substituído por Tiago Gouveia, muito aplaudido.


Admitia-se que tantas trocas, e com a saída de figuras de primeiro plano, no período em que a equipa de Mourinho estava tão por cima do jogo, ficasse mais difícil ganhar o jogo e o troféu da homenagem a Eusébio. Mas aconteceu o contrário, e o Benfica retirou o domínio ao adversário e voltou a colocar-se por cima do jogo.


Henrique Araújo colocou justiça no marcador, ao marcar o terceiro, aos 81 minutos, num lance de antecipação ao (excelente) guarda-redes Livakovic, em movimento de ponta de lança. Idêntico - e não é por acaso, é porque quem sabe, sabe - ao do quarto golo, festejado exuberantemente, por ele e por todo o Estádio, mas anulado, depois, pelo VAR.


E como o jogo também foi arbitragem, não há como não falar dela. Hélder Carvalho, que das bancadas até parecia o Luís Godinho, é mais um desta nova ordem lagarta. Já conhecíamos os seus serviços do Benfica-Farense, de há pouco mais de três meses, ou do Sporting-Estoril, pela mesma altura. Não esteve sozinho neste jogo inaugural da Luz, a mostrar aos novos jogadores o que é a arbitragem em Portugal. Na cidade do futebol estiveram Paulo Barradas (VAR) e Pedro Felisberto (AVAR) também com lugar proeminente nesta nova ordem do futebol português. Cada golo do Benfica, sem que qualquer sombra de irregularidade pairasse, demorou uma eternidade a ser validado. Até que ao quarto, ao que me dizem, sem linhas e com o pé esquerdo do defesa contrário a deixar Joshua Wynder em jogo, conseguiram mesmo anulá-lo. Pelo contrário, o segundo golo do Fernerbaçe, foi prontamente validado.


Tudo isto já sem falar de nem um amarelo, para amostra, nas sucessivas faltas, muitas delas maldosas, sobre o Richard Rios. Ou nas duas vezes em que Otamendi foi agarrado dentro da área adversária. 


Continua um caso sério, esta arbitragem portuguesa. Ver como o Sporting ganhou ao Villa Real os seus "cinco violinos" incomoda. Mas incomoda muito mais o que já se sabe que aí vem. Outra vez!


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


E em Paris ganhou um alemão... Não é grande novidade. Nos Campos Elíseos ganhou Andre Greipel!


Ganhou pela quarta vez, como fizera o seu compatriota Kittel no ano passado, confirmando-se indiscutivelmente como o melhor sprinter doTour. Não se sabe se o melhor do  mundo, porque Kittel, não tendo podido - por doença - estar lá, está aí.


Desceu o pano sobre um dos maiores espectáculos do mundo, para o ano há mais. Porque este é, entre todos os grandes acontecimentos desportivos mundiais, o único que se repete todos os anos.


Ontem, quando tudo ficou resolvido, referi-me aqui à forma como este Tour se decidiu, ao erro de cálculo da Movistar, que ganhou colectivamente mas podia também ter ganhado com Quintana, e aos protagonistas maiores da classificação geral. Falta referir outras figuras de uma competição fantástica, mas demasiado previsível.


Começo por aqui, pela previsibilidade. Que é o maior inimigo do espectáculo desportivo, da própria competição. Sem um verdadeiro contra-relógio individual - no mínimo um, é indispensável - e com inevitáveis estratégias de equipa a determinarem tudo o que se passa na corrida, este Tour tornou-se demasiado previsível. Repare-se como até os momentos mais espectaculares - os ataques de Quintana - eram previsíveis. Todos iguaizinhos... Primeiro Valverde, a ganhar uns metros. Sabia-se que depois viria o colombiano.


Há que referir Peter Sagan, o vencedor por pontos (camisola verde) pela quarta vez consecutiva. Ao contrário dos anos anteriores, o (ainda) jovem eslovaco não ganhou uma única etapa. Mas foi o rei dos segundos lugares... 


E os portugueses. Rui Costa foi forçado a abandonar muito cedo, nunca se recompondo da queda colectiva em que se viu envolvido logo na terceira etapa, mas também vítima de uma série de problemas gástricos. O Sérgio Paulinho não esteve presente, ficou-se pelo Giro, para ajudar o Contador a ganhar, e vai regressar na Vuelta, para ajudar o polaco Rafal Majka (27º, a mais de hora e meia). Os três restantes estiveram muito discretos, quase não ouvimos falar deles. O Nelson Oliveira (44º, a pouco mais de 2 horas, no meio de gente grande: logo atrás - mais 37 segundos - de Sagan, e à frente de Richie Porte) foi o melhor, e ainda apareceu uma ou outra vez. Como hoje, quando deu umas voltas aos Campos Elíseos na frente, que lhe valeu... muita televisão. O Tiago Machado (67º, a quase 3 horas), numa equipa de ponta - a Katusha, de José Azevedo - não teve qualquer protagonismo. E o José Mendes (134º, a mais de 4 horas) ainda conseguiu entrar numa fuga, no dia em que ganhou o Ruben Plaza, o colega do Rui e do Nelson que foi um dos animadores - entrou em todas as fugas - dos Alpes. 


Para o ano há mais. Para os portugueses, também...

sábado, 26 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Ricardo Salgado saiu do tribunal sujeito prisão domiciliária, ficando em casa vigiado por dois polícias. Há exactamente uma ano também foi ouvido em tribunal. Então levado pela polícia, detido para apresentação em tribunal. Então, a medida de coação foi uma caução de 3 milhões de euros...


Desta vez a caução seria um grande embaraço. Donde viria o dinheiro, com as contas supostamente congeladas e todos os bens arrestados? 


Alguma coisa teria de ficar à mostra. Daí a prisão domiciliária, mas sem o estigma da pulseira electrónica...


Estranho? 


Mas estranho é que, há um ano, em pleno centro da crise BES/GES, Ricardo Salgado foi ouvido e sujeito à prestação da tal caução no âmbito do processo Montebranco. E que, num ano, não haja qualquer percepção de que alguma coisa tenha avançado...


Mais estranho é que um ano depois do colapso do BES, e seis meses depois de uma comissão parlamentar de inquérito ter tornado público o que tornou, a Justiça não tenha incomodado Ricardo Salgado. Estranho é que tenha acabado de ser interrogado pelo tribunal, não por iniciativa do Ministério Público, mas por processos movidos por terceiros, lesados evidentemente.


Mais estranho ainda é que, um ano depois, quando num país a sério os culpados estavam encontrados e condenados, do MInistério Público não se conheça sequer uma iniciativa. Estranho é que quando há milhares de portugueses lesados, roubados pelo BES e enganados pelo Banco de Portugal, o Ministério Público faça de conta que não ouve, não lê e não vê. Provavelmente para esconder a falta de meios para investigar... 


Mas ainda mais estranho é que se diga que vivemos num Estado de Direito!

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Chris Froom venceu - vai ganhar amanhã - pela segunda vez o Tour de France. Venceu, mas desta vez não convenceu...


Não convenceu porque o jovem colombiano Nairo Quintana deixou a ideia que era mais forte. Porque lhe ganhou por duas vezes, e apenas perdeu para o britânico por uma vez, logo naquela primeira abordagem aos Pirinéus, que decidiu - como então aqui se prevera - o vencedor deste ano. Porque o minuto e doze segundos que no cimo do Alpe d´Huez lhe faltou anular é bem menos que os mais de dois minutos que perdeu na primeira semana, naqueles cortes que o vento sempre provoca. E porque, no fim, ficou a ideia que Quintana atacou tarde de mais. Que, para recuperar os quase quatro minutos de atraso que resultaram dos tais cortes provocados pelo vento e da única vez que foi, de facto, derrotado por Froom, naquela décima etapa, teria de atacar mais cedo. Mais cedo, mesmo que já nos Alpes. Ou, em última análise, mais cedo mesmo na etapa de ontem.


Ontem atacou - a sério - apenas quando faltavam cinco quilómetros. Hoje corrigiu, mas já era tarde. Atacou na nova subida de hoje ao Croix de Fer, a mais de quarenta quilómetros da meta, para abdicar pouco depois. E lançou o ataque definitivo à entrada da subida final para o Alpe d´Huez, com a mesma estratégia de sempre: ataque inicial de Valverde - que grande Tour, o do campeão espanhol! -  para depois sair que nem uma flecha para se lhe juntar. Ganhou perto de minuto e meio - numa dúzia de quilómetros - em cima do meio minuto de ontem, em cinco. Seria difícil ganhar muito mais do que isso em cada etapa a um ciclista como Froome, com uma equipa como a Sky, que tem sempre três ou quatro corredores disponíveis para ajudar. Como hoje voltou a acontecer, com Porte - que, de saída da equipa e a fazer um fraquíssimo Tour, já tinha sido decisivo na tal décima etapa - a levá-lo montanha acima. 


Claro que nunca se saberá se Quintana poderia fazer mais. Sabe-se é que Froome, não!


Lá no alto foi Pinault - também ele a fazer uma parte final da prova em crescendo - que ganhou, resistindo por 18 segundos à subida demolidora do colombiano, com Valverde, em quarto, a chegar com Froome. E a confirmar, com inteiro mérito, o seu lugar no pódio. Este foi o melhor Tour de sempre de Valverde, que foi dos maiores animadores da competição.


Os quatro candidatos que aqui se perfilaram acabam por ocupar as primeiras cinco posições da classificação. Valverde, e logo no terceiro lugar, foi o intruso. Froome ganhou, como se esperava se bem que talvez como não se esperasse. E ganhou ainda o prémio da montanha. Quintana foi segundo, mas bem podia ter sido primeiro. Que seguramente será, dentro em breve... Nibali - que hoje foi francamente azarado, quando teve uma avaria no início da última subida que o afastou do centro de decisão da etapa, mas não o impediu de mais uma clara demosntração de categoria - acabou em grande, a honrar o número 1 que ostentava nas costas. Pode dizer-se que corrigiu os Pirinéus com os Alpes. Onde esteve ao nível do melhor dos melhores: basta ver que ficou a 8 minutos de Froome, quando logo na primeira etapa dos Pirinéus já estava a 7!


Contador foi o quinto, mas sem grande honra e não mais glória. Pode ter alimentado a ideia de que estaria ao seu alcance a proeza de ganhar o Giro e o Tour. Mas ficou apenas a ideia que o Giro foi a sua única hipótese de este ano ganhar alguma coisa!

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Tour de France 2025 (VII)


O Tour chegou hoje aos Alpes, com a 18ª etapa, nos mais de de 171 quilómetros entre Vif e Courcherel, com a meta no Col de La Loze. Era a etapa rainha deste Tour, com três montanhas de categoria especial, a última na meta. Se os dois primeiros lugares do pódio, em Paris, não tivessem ficado decididos há quase uma semana, no contra-relógio em Peyragudes, seria dela, desta etapa de hoje, que tudo se esperaria.


Mas pode dizer-se, com propriedade, que a montanha pariu um rato.


Como se não lhe bastasse toda a importância que lhe era atribuída, a etapa ficará ainda marcada pelo abandono de dois nomes grandes do ciclismo, e do espanhol em particular: Enric Mas e Carlos Rodriguez. 


Depois de se ter aguentado muito bem na primeira semana, sempre na parte superior do top ten, Enric Mas afundou na classificação e desapareceu. Reapareceu no Mont Ventoux, mostrando-se e acabando por chegar à meta praticamente lado a lado com Pogaçar e Vingegaard, no sétimo lugar na etapa. Muito pouco para o líder da Movistar. Carlos Rodriguez, que liderava a Ineos, teve sempre prestações modestas. Mesmo sempre dentro do top ten, que precisamente fechava, nunca esteve à altura do seu estatuto.


Os corredores começaram logo a subir e, ainda antes de corridos os primeiros 40 quilómetros, já escalavam os 22 quilómetros da primeira contagem especial Col du Glandon, aos quase 2 mil metros de altitude. Aproveitou-a - foi mesmo isso, aproveitar enquanto podia - Lenny Martinez para procurar  os pontos que lhe dessem alguma vantagem para a camisola das bolinhas da montanha que veste, e persegue, mesmo sabendo que ela depende bem mais da vontade de Pogaçar que da dele.


Menos de 20 quilómetros à frente já se começava a subir o mais íngreme, e mais alto, Col de la Madeleine. Em que a Visma apostou tudo para testar a UAE e Pogaçar. 


A UAE ficou-se nas covas e a Visma brilhava a grande altura. Pogaçar ficara ali sozinho, à mercê de um Vingegaard rodeado de companheiros de equipa. A primeira guerra parecia ganha, e a 80 quilómetros da meta o dinamarquês lançou o ataque que tudo prometia. Parecia uma loucura, mas não havia outra forma.


Só que Pogaçar não estava pelos ajustes, e nunca lhe deu uma nesga. Foram ambos por ali acima, e lá chegaram juntos ao alto da Madeleine, deixando toda a gente para trás. Faltavam  muitos quilómetros para a meta, quase sessenta. E faltavam os mais de 26 quilómetros até aos 2304 metros de altitude de La Loze.


Por isso Pogaçar decidiu controlar a corrida. Deixar andar, até que toda a gente que fora destroçada pelo ataque que tudo prometia regressasse. Apenas o australiano Ben O´Connor (Jayco), e o colombiano Rubio, da Movistar, não estiveram de acordo com aquela "pax pogaçariana" e fizeram-se ambos à vida.


Quando se iniciou a subida para o Col de La Loze o grupo do camisola amarela era praticamente o mesmo que a Visma tinha dizimado 60 quilómetros atrás. E aí tudo foi virado do avesso. Não foi propriamente a vingança da UAE, mas também não foi qualquer coisa de muito diferente.


E foi com Vingegaard submetido a Pogaçar, que atacou quando quis e muito bem entendeu, para chegar á meta já só atrás de Ben O´Connor. 


Vingegaard, e a sua equipa, fizeram o que podiam. Fizeram bem, mas Pogaçar não lhes permite  poderem mais. Não tivesse tudo há tanto resolvido e teria sido outra a história desta etapa rainha. E a montanha não teria parido o rato!


Há sempre efeitos colaterais nestas histórias. Há outros a ganhar e a perder. O jovem britânico Oscar Onley,(Picnic PostNL) foi quem mais ganhou com a história de hoje, e é agora mais sério candidato à camisola branca (da juventude) e ao último lugar do pódio).

A vingança dos pastéis de nata

Portugal precisa de “nova onda de reformas” para crescer, admite o ex ...


Depois das "negas" de Vítor Gaspar e Ricardo Reis, e de revertida pela pressão mediática a tentação de reconduzir Centeno, conforme prometido para hoje, o governo acabou por anunciar Álvaro Santos Pereira para governador do Banco de Portugal.


É (pelo menos) terceira escolha. Mas o que é isso importa?


Nada. Nada mesmo, comparado com o bullying a que foi sujeito na sua passagem pelo governo de Passos Coelho. Ah ... e a foto escolhida para ilustrar o texto não é para virem agora dizer que foi uma nomeação do Observador. Parece. Mas talvez só pareça ...


Se já era conhecida a revolta dos pastéis de nata, esta é a vingança dos pastéis de nata!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Após dois anos de investigação, a Comissão Europeia apresentou uma participação ao Ministério Público sobre os fundos europeus atribuídos à empresa Tecnoforma


O inquérito aberto pelo Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF), em 2013, revelou a prática de infrações penais e financeiras e concluiu que a Tecnoforma e os seus dirigentes cometeram crimes susceptíveis de serem sancionados do ponto de vista financeiro e criminal.


Recordo que tem a ver com a famosa burla do projecto de formação para aeródromos, que Relvas na altura ofereceu à empresa, ao que se dizia na altura, administrada por Passos Coelho. 


Não sabemos o que o DCIAP irá fazer com essa participação, esperamos todos que não fique esquecida numa gaveta qualquer. O que sabemos é que o actual primeiro-ministro não tem que temer. Nem por onde recear. Está ilibado pelo irrefutável testemunho público do seu patrão: "o Pedro abria as portas todas"!


Sossegai, pois. Não vamos ter mais problemas com ex-primeiros ministros. Passos não vai ter qualquer dificuldade - nem precisa de nenhum João Araújo - em provar que não tem nehuma responsabilidade, nem financeira nem criminal, na fraude. Era apenas o porteiro, só abria portas, não tem nada a ver com isso...

quarta-feira, 23 de julho de 2025

A escola de candidatos

Rui Moreira estreia-se como comentador da TVI24: "É uma das vozes mais ...


As presidenciais do próximo ano parecem ter mel. Em breve teremos mais candidatos à Presidência da República que à do Benfica (pronto, também é mais importante!). 


Aos estabelecidos Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes, António José Seguro e António Filipe - por ordem de chegada, que no caso é de partida - fala-se ainda de Sampaio da Nóvoa, Cotrim de Figueiredo e Paulo Portas. De fora já ficaram Augusto Santos Silva e, presume-se, André Ventura. E a correr por fora estão o inevitável Tino de Rãs, e a nova inevitável Joana Amaral Dias.


Agora surge Rui Moreira, o ainda Presidente da CM Porto, ele próprio a chegar-se agora à frente.  Ele que, há pouco mais de um mês, quando o seu nome foi soprado, garantia não estar talhado para o cargo, considera agora que já está apto.


Há muito quem se interrogue sobre o que, de repente, talhou Rui Moreira para o cargo. A resposta só pode ser uma - a televisão: o espaço de comentário na televisão.


Depois de Marcelo ter mostrado como se faz, fez escola que o comentário na televisão é o tirocínio de eleição para os candidatos a presidente. Para formar presidentes, pelo que tem percebido pelo exemplo à vista, não é propriamente uma escola recomendável. Mas, na foma(ta)ção de candidatos, dá cartas. O Rui Moreira acredita tanto que nisso que lhe bastaram dois meses de estúdio e câmaras para ficar talhado!


PS: o texto foi editado para corrigir Artur Santos Silva para Augusto Santos Silva


 

Ozzy Osbourne (1948-2025)

Ozzy Osbourne best songs all time from Black Sabbath frontman


 


Chamaram-lhe "Príncipe das Trevas", mas também lhe podiam ter chamado "Príncipe do heavy metal".

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Juncker, que como se sabe é um desbocado, veio dizer que o primeiro-ministro de Portugal se opôs ao alívio da dívida da Grécia antes das eleições em Portugal.


Nada que nos surpreenda, não estivessemos fartos de saber que Passos não tem procurado outra coisa que não seja fazer a vida negra à Grécia. Nada que nos surpreenda, pela utilização eleitoralista que lhe temos visto fazer da Grécia. Nada que nos surpreenda, perante a repetida mentira do "que se lixem as eleições"...


O que nos surpreende é a reacção de Passos ao desbocado presidente da Comissão Europeia. O que surpreende é que alguém que dorme com a mentira venha dizer que o que Juncker disse é "meia verdade". E "meio mal entendido"!


De meias verdades - em boa verdade de menos do que isso - sabe ele. Por isso explicou: a meia verdade é que realmente é contra a discussão da reestruturação da dívida grega. A outra metade é que é uma mentira inteira: que não é por causa das eleições!


O "meio mal entendido" era só para a confusão. Para esconder a outra metade da verdade que não é mentira...

terça-feira, 22 de julho de 2025

Tour de France 2025 (VI)

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Hoje subiu-se o Mont Ventoux, icónico, árido e desafiador. E houve espectáculo, mesmo que poucas mexidas na classificação.


À partida de Montpelier, para os mais de 170 quilómetros até o mítico alto da montanha que faz parte dos Alpes ocidentais, na sua secção dos Pré-Alpes da Provença, uma baixa de peso: Mathieu van der Poel, um dos maiores animadores da primeira semana do Tour, foi obrigado a desistir por ter contraído uma pneumonia, segundo informou a sua equipa, a Alpecin - Deceuninck.


Depois foi a corrida louca do costume, com médias acima dos 50 quilómetros/hora, e muitas fugas. Desta vez com dois grupos, bem numerosos, na frente. Do primeiro acabou por sair Enric Mas (Movistar), já montanha acima, mas claramente cedo de mais para enfrentar sozinho "o monstro". Foi valente mas, lá em cima, acabou em sétimo. Acabou por ser do segundo grupo que sairiam os que vieram a discutir a vitória. Healy, o irlandês da Education First que andou de amarelo, voltou a ser protagonista. Foi ele próprio espectáculo, mas em cima da meta não resistiu ao francês Valentin Paret-Peintre, da Soudal Quick Step, na primeira vitória francesa, ajudado à última-hora pela repentina chegada à frente do belga Van Wilder, seu colega de equipa, que ainda sobrava dos dois grupos da fuga inicial.


No início da subida a sério, naqueles 15 quilómetros finais, o grupo do camisola amarela estava a 6 minutos da frente. Quando, a menos de 4 quilómetros da meta, Jonas Vingegaard atacou, levando Pogaçar na roda, a diferença ainda superava os 3 minutos. A forma como devoraram minutos enquanto se atacaram e contra-atacaram - mais espectáculo! - deixava a ideia que iriam ainda discutir a vitória na etapa. Não foram porque, como nenhum fugia ao outro, e sabendo Vingegaard que, na meta, Pogaçar não lhe dava hipótese, terão ambos entendido evitar maior desgaste.


Na meta Pogaçar não lhe deu hipótese. Novamente. Foram quinto e sexto, com mais 40 segundos, e voltaram a ganhar tempo a toda a gente que lhes sucede na classificação geral.


O alemão Lipowitz (Red Bull - Bora) reforçou também o seu terceiro lugar. Foi 10º na etapa, mas fez melhor que todos os aspirantes ao último lugar do pódio.

Benfica District

Estádio da Luz tem sido alvo de algumas intervenções nos últimos anos mas irá mudar por completo de figura dentro do projeto Benfica District


A apresentação - hoje - do projecto Benfica District, revela-nos duas coisas:


- A primeira é a "pulhice" de Luís Filipe Veiria;


- A segunda é que, quando se juntam eleições em Outubro, junta-se a "fome" de Moedas, com a "vontade de comer" de Rui Costa.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Já pode dizer-se que é oficial: Passos Coelho é um mentiroso compulsivo!


Mente por tudo e por nada. Mente por um punhado de votos, sempre que cheire a eleições. Mente quando quer que as eleições se lixem. Mente para salvar a pele, quando as trapalhadas do seu passado lhe atrapalham o presente, e as trapalhadas do presente lhe não dão jeito nenhum para o futuro. 


Mente por isto e por aquilo, mas mente porque já não consegue viver sem mentir. Mente até por acaso... Por acaso um dia teve a ideia de mentir, e nunca mais a largou...


Teria sido por acaso que reivindicou a autoria da ideia do fundo de privatizações da Grécia: "até tivemos por acaso, a ideia que desbloqueou o impasse ... fui eu que sugeri..." Seria sempre certamente por acaso... Uma ideia que seja, só mesmo por acaso. Não foi no entanto por acaso que mais uma vez mentiu. Não teve ideia nenhuma, nunca tem ideia nenhuma e, se por insondável e inexplicável razão, alguma vez tivesse uma ideia qualquer, ela não valeria de nada. Não chegaria a lado nenhum, simplesmente porque a quem só sabe abanar com a cabeça nunca ninguém reconhece ideia nenhuma. Os cachorrinhos não têm ideias!


Nem ideias nem sentido do ridículo. Não foi apenas  o ridículo do "por acaso foi ideia minha" parodiado nas redes sociais que Passsos Coelho não percebeu. Não percebeu ainda que, mais que ridículo, é humilhante ser desmentido pelos seus próprios pares. 


Em entrevista a sete jornais europeus, entre os quais o Kathimerini, Financial Times e Le Monde, Donald Tusk, o presidente do conselho europeu, diz com todas as letras que a proposta tinha sido apresentada pelo primeiro-ministro holandês Mark Rutte.


Claro que, entre os sete jornais europeus, nenhum é português. Talvez por isso tenha sido dada tão pouca relevância á notícia de mais uma mentira... Ou simplesmente, para a imprensa nacional, as mentiras de Passos Coelho não são já notícia. Afinal é coisa que se aprende logo na primeira aula de jornalismo: notícia não é o cão que mordeu no homem; é o homem que mordeu no cão!

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Coisas que batem certo

Governador do Banco de Portugal pede prudência nos aumentos salariais ...


De repente a compra da nova sede do Banco de Portugal passou para a ribalta mediática. Não domino a matéria, não possuo quaisquer dados, não investiguei coisa nenhuma. Não faço a mínima ideia se alguma coisa ali cheira mal. Se alguma coisa ali não bate certo. 


Pode ser que venha a interessar-me pelo assunto, e tente perceber alguma coisa daquilo. Para já, para as primeiras impressões, apenas me ocorre que, depois de terem sido alvitrados tantos nomes de pessoas próximas do governo de Montenegro para governador o Banco de Portugal que, pelos vistos, foram ficando pelo caminho, nos últimos dias os jornais têm vindo a revelar que, afinal,  Centeno poderá ser o seu próprio sucessor. Montenegro até já veio dizer que Centeno reúne todos os requisitos para continuar no cargo.


Ao ocorrer-me isto, ocorre-me que alguma coisa bate certo. Diria mais - bate tudo certo!


 


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


 


O Ministério Público está a investigar o(s) negócio(s) da PT que a levaram à ruína. Tudo começou com a venda da VIVO à Telefonica, se bem se lembram. E depois veio a OI, e o descalabro. Pelo meio, tudo o que serviu para a classe política se prostituir nos negócios... Nesses e noutros, ainda sem investigação...


Mas nesses sabe-se que houve envolvimento pessoal de Sócrates - e nos outros também, Sócrates estava em todas - e de Lula da Silva. Por cá, Sócrates está preso. Por lá , sabe-se que Lula da Silva não está nos seus melhores dias, e que está presa gente que lhe é muito próxima, como  José Dirceu e Octávio Azevedo, já detidos  no âmbito do escândalo “Lava Jato”.


Quem está fora disto é Passos Coelho, que garante que Lula nunca lhe meteu cunha nenhuma. E que, da sua parte, se limitou a manifestar-lhe a estranheza por nenhuma empresa brasileira surgir interessada nas privatizações em Portugal.


Está visto que cada um é para o que nasce. E Passos nasceu para isto: o seu negócio é privatizações!


 

domingo, 20 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Que a crise grega não deixaria nada na mesma, já se sabia. O que não se sabia é que Merkel e Schauble viessem tão depressa tornar pública tanta divergência. E o que nem se imaginaria é que embalasse definitivamente François Hollande a alta velocidade para liderança da Europa…


Uma Europa a duas velocidades – ou a três, ou até mesmo parada, como tem estado – é uma coisa. Velha, até… Outra é, para isso, recuperar estatutos ou invocar privilégios. De fundador ou de outra coisa qualquer… Esta não lembraria mesmo a mais ninguém que a um francês… pequenino!


A gente percebe, nem precisa de explicar muito...É a Senhora Le Pen, não é? Mas não é assim que as coisas se resolvem, pois não?


 

sábado, 19 de julho de 2025

Tour de France 2025 (V)

Tour de France 2025 - Stage 14


Depois da crono-escalada de ontem - 11 quilómetros, entre Loudenvielle e Peyragudes, os últimos oito dos quais em autêntica rampa - pode dizer-se que o Tour ficou decidido ainda antes de sair dos Pirenéus.


Pogaçar voltou a não dar qualquer hipótese aos rivais, e ganhou (com o tempo de 23 minutos) a sua quarta etapa, e a segunda consecutiva. E Vingegaard voltou a não deixar qualquer sombra de dúvida que é o melhor, a seguir ao esloveno. Foi segundo na etapa, a apenas 36 segundos.


Mas não saiu derrotado, pelo contrário. Protagonizou o momento do contra-relógio, ao dobrar Remco Evenepoel, que tinha partido dois minutos antes. Ganhou-lhe esses dois minutos e acrescentou-lhe ainda 39 segundos. Foi visível como a motivação especial dessa dobragem contribuiu para o registo de Vingegaard.


Quem também saiu reforçado do contra-relógio foi Roglic, terceiro, já a um minuto e vinte. Pelo contrário, Evenepoel foi o grande derrotado, no 12º lugar a 2´:39´´. De resto acabaria por não resistir à derrota, abandonando na etapa de hoje, à primeira dificuldade, no mítico Tourmalet.


A etapa de hoje, a 14ª, entre  Pau, sempre presente no Tour, e Luchon-Superbagnères, com 183 quilómetros e quatro contagens de montanha, a primeira delas no Tourmalet, a 2115 metros de altitude, era a etapa-rainha dos Pirenéus. Esperava-se que fosse a terceira vitória consecutiva de Pogaçar, a fazer o pleno nos Pirenéus.


Não foi. Por pouco, mas não foi. Formaram-se vários grupos na frente, por onde andou Arensman, o holandês da Ineos, que se isolou a mais de 30 quilómetros da meta, já depois de ultrapassado o Col d´Aspin. Subiu já sozinho o Col de Peyresourde, que dobrou com uma vantagem de cerca de 4 minutos sobre o grupo do camisola amarela. 


A subida final até Superbagnères, mais de 12 quilómetros com uma pendente que em muitas zonas chegava aos 16%, para uma pendente média 7,5%, deu para o grupo das principais figuras, ao ritmo da UAE,  ir engolindo os fugitivos. Contudo não beliscava muito a vantagem de Arensman. Os quilómetros iam passando, o holandês ia-se aguentando, e Pogaçar não parecia muito interessado em ganhar a etapa. Até que, já a menos de 5 quilómetros do fim da subida, e da meta, Vingegaard teve a coragem de quebrar aquela paz podre, e atacar. 


Pogaçar respondeu, claro. E lá foram os dois, sozinhos por ali acima, a comer minutos a Arensman. Ficou a ideia que ainda estariam a tempo de anular toda a desvantagem, mas Pogaçar entendeu não sair da roda do adversário, e desferir apenas o golpe final em cima da meta. O que permitiu a Arensman segurar o minutinho que lhe deu a vitória, a primeira no Tour, e a primeira da discreta Ineos nesta edição.


Na meta, com toda a naturalidade, Pogaçar voltou a bater Vingegaard. Sobre quem já tem bem mais de 4 minutos de vantagem. Para o alemão Lipowitz, da Red Bull Bora, no terceiro lugar, a vantagem vai no dobro.


Por isso, sem nada de acidental, o que nunca se pode dar por garantido, o Tour está decidido. À 14ª das 21 etapas. Antes de concluída a segunda das três semanas!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não admira que Pedro Passos Coelho continue a mentir desavergonhadamente a cada intervenção pública, a cada entrevista, em cada flash. Mentiroso é mesmo a principal característica que os portugueses lhe atribuem, como se ficou a saber numa sondagem recentemente divulgada. Não impressiona por isso que faça da mentira uma forma de vida. Ou uma forma de caçar votos...


O que impressiona é que na era do Google, do Twitter, do Facebook, ou do Instagram, com tudo o que é informação disponível ao segundo, com a possibilidade de tudo se confirmar ou desmentir à distância de um click, Pedro Passos Coelho continue impunemente a mentir, dia após dia, sem que um único entrevistador, um único repórter, o confronte de imediato com a mentira. Sem que ninguém lhe interrompa o chorrilho de aldrabices com um simples "olhe que não... olhe que não"... 


A última entrevista à SIC é simplesmente exemplar. O Jornal de Negócios até fez isso, até utilizou esses recursos. Mas não fez a entrevista...


 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

A cartilha, o cartilheiro e o frete

Exclusivo Glorioso 1904 - Carlos Janela 'baba' por suplente do Benfica ...


Que Luís Filipe Vieira se tenha agarrado à Cofina do Correio da Manha (sem til) - não tem faltado promoção à entrevista para o fim de semana - da CMTV e do Record, para preparar o que imagina ser o regresso ao Benfica, compreende-se. Quem quer fazer mal ao Benfica não tem dificuldade em encontrar quem queira mal ao Benfica. Nem onde lhe fazer mal.


O que não se percebe é que tenha escolhido Carlos Janela para o pontapé de saída. Ao ir ao fundo do baú retirar o velho cartilheiro, Vieira deixa cair a máscara logo à partida: não tem mais ninguém para lhe fazer o frete.


Não merecem qualquer crédito, mas vêm com muita vontade de fazer mal. E já começaram ...


 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Primeiro foi Mme Lagarde. E logo os do costume saltaram a dizer que a senhora só falava assim porque colocava o FMI de fora. A senhora continuou a insisitir que agora vê claramente visto o que antes não conseguia enxergar... E que até já vê os credores a aproximarem-se, e a verem como ela vê.


Depois, Mario Draghi. Esse mesmo... Até já manda calar Schauble, e não tem dúvida nenhuma que é necessário aliviar a dívida grega


Então, e agora? 

Tour de France 2025 (IV)

girodociclismo.com.br tour de france 2025 tadej pogacar vence 12a etapa em ataque fulminante e retoma a lideranca geral confira os resultados e a chegada image 6


O Tour chegou hoje aos Pirenéus, na primeira etapa de verdadeira montanha, na chegada a Hautacam,  mais de 180 quilómetros depois da partida em Auch, a capital da região histórica da Gasconha.


Foi uma etapa espectacular, como dificilmente deixaria de ser. Pogaçar deu uma sapatada logo no início da subida, de categoria especial, para o Hautacam, e ninguém mais o segurou.


Faltavam 12 quilómetros para a meta, a UAE tinha acabado de pegar na corrida, com Tim Wellens, que incorporara o grupo de fugitivos que tinham passado na frente os quilómetros anteriores, e as duas montanhas já ultrapassadas, caiu da fuga para pegar a frente do reduzido grupo do "camisola amarela". Na verdade não havia muito mais na equipa: Sivokov andou adoentado e ainda não recuperou; Soler e Adam Yates também não estavam nos melhores dias. Quando Tim Wellens abriu sobrava Jhonathan Narvaéz, olharam um para o outro, e ambos para Pogaçar. Que não respondeu com os olhos, mas com a sapatada que explodiu com todo o grupo.


Vinguegaard, como sempre, foi o único a conseguir responder. Mas por pouco. Nova explosão e Pogaçar passou a voar para a meta, sozinho naqueles 12 quilómetros que não paravam de subir, nem pareciam ter fim. Lá no alto ganhava pela terceira vez neste Tour, deixando Vinguegaard a mais de 2 minutos, com Lipowitz à perna. O alemão da Red Bull-Bora começou por tentar que Roglic saísse vivo daquela explosão, trazendo-o por ali acima. Depois, e bem, acabou por entender que tinha muito mais para dar ao espectáculo que apenas aquilo. 


Sendo terceiro na etapa, foi o único a acompanhar o espectáculo de Pogaçar por aquela montanha acima. E subiu a quarto na classificação geral. Em terceiro mantém-se Remco Evenepoel (Soudal) que, depois de verdadeiramente despedaçado pela explosão de Pogaçar, fez uma notável recuperação que lhe garantiu o sétimo lugar na etapa, que lhe permite manter um lugar no pódio.


Se a etapa de hoje foi de um grande espectáculo de ciclismo, a de ontem foi a de uma extraordinária lição da dimensão do ciclismo. A menos de 4 quilómetros da meta, em Toulouse (a 11º etapa teve início e fim em Toulouse), quando os ataques se sucediam na perseguição aos três fugitivos ali á mão, Pogaçar caiu. Um corredor desviou-se para acompanhar o comboio que se deslocava para a direita, atravessou-se-lhe à frente e provocou-lhe a queda, aparatosa. 


Logo ali perdeu de imediato 30 segundos. Naquela fase da corrida era inimaginável que o grupo não acelerasse, e Pogaçar perderia sempre perto de dois minutos. Mas o grupo, onde estavam o camisola amarela, o irlandês Healey (EF Education) que lha tinha retirado na véspera do descanso, e todos os principais adversários, esperou. E imediatamente Pogaçar pôde regressar, de antebraço esfolado.


Foi uma lição de fair play, e de desportivismo. Mas acima de tudo foi uma lição de respeito. De respeito enorme. Por um campeão, sim. Mas por uma pessoa!


E isso não é coisa que se veja muito nos dias que correm.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Já tínhamos percebido que a maioria no governo iria fazer da Grécia o alfa e o ómega da campanha eleitoral. Vai fazê-lo até à exaustão: "olhem para a Grécia e vejam do que vos livramos"...


O que ainda não tínhamos percebido é que o PS vai fazer o mesmo. Já aí está à vista de todos: "olhem para o que o Syriza fez à Grécia e vejam lá onde vão votar"... 


Acredito que não  ouviremos isso da boca de António Costa. Não pode,  ficaria muito mal na fotografia se o fizesse, depois do entusiasmo que começou por manifestar. Mas também não precisa.


Não lhe falta gente para isso, e Francisco Assis, Jorge Coelho e Luís Amado já começaram a dizer como se faz. Assis, sem surpresa. Por convicção. Coelho, por pantominice. Mas também sem surpresa. Já Amado diz outra coisa, para dizer o mesmo... De outra forma, mas ainda sem surpresa.


Que falta de imaginação!

LFV ainda (se) mexe

Capa Jornal Record


"Vieira vai a eleições com Sérgio Conceição", está aqui no fundo da primeira página do Record.


Ora aí está o que já se sabia: Vieira tem um acordo com Sérgio Conceição para treinar o Benfica. Das duas uma: ou Luís Filipe Vieira acredita mesmo que os benfiquistas são indigentes; ou está desesperado!


Em qualquer delas o Vieira ainda (se) mexe. 


 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Há pouco mais de uma semana os gregos disseram "não" a mais austeridade. Ontem, uma sondagem inidicava que os gregos diziam "sim" a mais um programa de austeridade, aprovado pelo Parlamento já madrugada dentro, bem para além do limite da meia-noite imposto pelos credores (sim, não há outra designação). 


Tsipras não acredita no programa, e disse-o com todas as letras. Que assinou, que teve de assinar e defender no Parlamento grego. Que o aprovou com votos de oposição, com a maioria dos votos contra a partir do partido de Tsipras. 


É destes paradoxos que se faz hoje a história da Europa. Foi até aqui que o directório alemão que manda na Europa nos trouxe. Todos querem expulsar a Grécia, mas ninguém quer ficar com esse ónus. Queriam que fosse o Syriza a fazer-lhe o favor, mas Tsipras percebeu isso. E percebeu que nesta altura está tudo virado ao contrário. E que é justamente o seu eleitorado, os mais desfavorecidos dos gregos, os que mais sofrem, que mais ainda teria a perder. Ganhar, ganhavam os outros, os que tinham dinheiro e o tiraram todo do país... para depois, incólume e reforçado, se servir à vontade do espólio que sempre fica entre os destroços.  


E para que a história dos pardoxos não acabe aqui, os mercados acordaram esta manhã em euforia com o "sim" grego. Como se só eles não percebessem nada do que se está a passar... Como se só eles estivessem convencidos que aquilo que o Parlamento grego votou tem algum tipo de aplicabilidade, quanto mais alguma probabilidade de sucesso.


 

Sinais dos tempos

Bairro do Talude: Famílias que viram as suas casas demolidas vão ficar em pensões, mas responsabilidade de encontrar casa é sua


Há não tantos anos assim, por esta altura, às portas de eleições autárquicas, os presidentes de câmara, à procura da reeleição, andavam em grande azáfama a entregar chaves de casas novas a gente que delas estava carenciada. Hoje vemos presidentes de câmara, à procura da reeleição, com bulldozers em vez de chaves, a desalojar gente carenciada sem lhes dar outra alternativa que o céu aberto.


E não são presidentes de câmaras do Chega, que ainda não tem uma sequer...


Sinais dos tempos?


Ou será o tempo a ceder finalmente ao velho clamor do António Mourão, e a voltar para trás?

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Depois do dia de descanso, à décima etapa, chegaram aos Pirinéus. É aqui, e para a semana nos Alpes, que o Tour se vai decidir. Não é novidade nehuma.


Novidade não é que se tenha começado a decidir tudo. Novidade é que já tudo tenha já ficado decidido!


Tudo... tudo não. Mas o mais importante, sim. O que a primeira abordagem à alta montanha disse foi que dificilmente a camisola amarela mudará de corpo até Paris. Froome confirmou o que se desconfiava, e mostrou, logo à primeira, que não tem rival à sua altura. Tem a melhor equipa, também isso já se sabia, e é - está? - melhor que qualquer outro.


Hoje, na subida ao alto de La Pierre-Saint Martin - a última da etapa, com mais de 15 quilómetros e com a inclinação média de 7,5% - onde a meta coincidia com o prémio da montanha de categoria especial, o festival começou com Richie Porte a abrir as hostilidades para levar o líder Froome para a frente, para deixar logo ali  toda a concorrência. Nibali, primeiro. Contador, logo depois.


A confirmar aquilo que aqui deixara escrito anteontem, apenas Quintana conseguiu acompanhar os dois corredores da Sky. Mas foi sol de pouco dura: a mais de 6 quilómetros da meta, Froome saltou da roda do seu colega e partiu a solo até à meta. O colombiano não respondeu à aceleração mas, no seu ritmo, encetou a perseguição talvez à espera que o camisola amarela viesse a baixar o ritmo, lá mais para cima. 


Nada disso. Froome era imbatível, sempre a aumentar a vantagem, e o seria próprio Porte a alcançar, e logo a seguir a deixar para trás o jovem colombiano, e a dar a dobradinha à Sky. E pronto: Nibali caiu para o décimo lugar, e já está a 7 minutos, Contador a mais de 4, em sexto, e Nairo Quintana a mais de 3, em terceiro.


Ironia das ironias: no ano em que a organização quis levar a incerteza da classificação até mesmo ao fim, deixando o Alpe d`Huez para o penúltimo dia, o Tour tem o vencedor encontrado logo ao décimo dia!


Foi um dia muito difícil para Rui Costa, que depois do ataque da Sky mais parece que, em vez de subir montanha acima, caiu montanha abaixo. Foi 100ª na etapa, a mais de 17 minutos... E fica a ideia que só não foi pior porque o Nelson Oliveira (e até o José Mendes) não o largou, num dia em que até poderia ter aproveitado do bom desempenho do colega de equipa Rafael Valls, 12º na etapa. Caiu para 33º, a mais de 22 minutos de Froome.


Esperemos que tenha apenas sido um mau - muito mau - dia!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...