terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Um jogo tranquilo e as suas circunstâncias


Foi um jogo realmente tranquilo para o Benfica, este que esta noite disputou em Arouca, correspondente à primeira jornada da segunda volta. O mais tranquilo destas três deslocações sucessivas, quando tinha tudo para ser o mais complicado.


Desde logo pela qualidade do adversário. O Arouca, a fazer uma excelente época, o em sexto lugar no campeonato e semi-finalista da Taça da Liga, onde acabou por chegar em vez do Benfica, é claramente superior aos dois últimos. Ainda no último jogo, há precisamente uma semana, na "final four" da Taça da Liga, em Leiria, tinha dado água pela barba ao Sporting, perdendo à tangente o acesso à final.


Mas também pelas circunstâncias em que se realizou o jogo: no dia do fecho do mercado, com o desfecho da novela Enzo Fernandez, que já nem saíra de Lisboa, com a cabeça cheia dos milhões do Chelsea; sem Enzo, portanto, mas também sem Gonçalo Ramos, lesionado em Paços, no último jogo, e ainda sem Rafa; e num campo com mais areia que relva, que claramente acrescenta dificuldades ao jogo de maior requinte técnico do Benfica.


Estas contrariedades acabaram apenas por valorizar o desempenho do Benfica, e por fazer salientar a tranquilidade da exibição. Roger Schemidt pode ter que abdicar de muita coisa, mas não abdica dos seus princípios. Teve que abdicar de Enzo, e viu-se bem a que contragosto - e até a desilusão com a ingratidão do jogador - mas não abdica da sua ideia de jogo.


Por isso entregou os papéis de Enzo, Rafa e Gonçalo Ramos a Chiquinho, a Neres e a Gonçalo Gudes.


Chiquinho, que Schemidt tornou jogador, e que não será ingrato como a personagem que o treinador lhe pediu que representasse, levou o papel a sério. Tão a sério que tentou fazer tudo o que agora jogador do Chelsea vinha fazendo. Não consegue fazer exactamente o mesmo, evidentemente. Mas não tem já nada a ver com o Chiquinho que conhecíamos, e não se saiu nada mal.


David Neres também não fez rigorosamente o que Rafa faz, mas esteve bem melhor nesse papel do que tem estado no seu próprio. No papel que era o seu, e que não vinha desempenhando com grande brilhantismo nos últimos tempos.


Acabou até por ser Gonçalo Guedes quem mais dificuldades teve com o papel do seu homónimo Ramos. Mas aí a equipa ajudou. Todos os outros, a representarem os seus próprios papéis, fizeram-no com brilho. Todos mesmo, à excepção de Vlachodimos que, por "culpa" deles, não teve nada para fazer.


Quer isto dizer que o Benfica fez uma exibição deslumbrante em Arouca?


Não, de todo. Fez a exibição necessária e suficiente para dominar o jogo de princípio a fim, para o ganhar claramente, sem qualquer margem de contestação e, ainda, para oferecer um espectáculo que não se admitia possível naquele areal. Entrou forte, e asfixiou o Arouca praticamente até ao primeiro golo, a meio da primeira parte. Fez três golos - dois do "goleador" João Mário e um de Musa, finalmente, que substituíra Gonçalo Guedes, a dez minutos do fim -  com meia dúzia de remates, nos três enquadrados com a baliza, e em três das quatro ou cinco jogadas de golo de grande espectáculo. 


Da mesma forma que não se pode secundarizar esta exibição pelo desfecho da situação de Enzo, também não de pode fingir que hoje só houve este jogo. Não, hoje perdemos um jogador como há muito não tínhamos. Mas perdemos mais que isso, perdemos muita ilusão. E perdemos a oportunidade de lembrar este jogador pelo que de bom fez nestes 6 meses com o manto sagrado.


A partir de hoje Enzo será apenas lembrado por ter feito tudo para sair do Benfica sem lisura. Por ter feito crer que tudo o que acontecera naqueles dias da passagem do ano estava resolvido e ultrapassado, apenas para esticar a corda no momento próprio em que ela partisse. No último dia.


Depois de termos sido levados a pensar que o caso Enzo tinha sido exemplarmente gerido pelo presidente Rui Costa, acaba por ficar a ideia contrária. A que fica é que, se era este o desfecho fatal - este é mesmo o adjectivo, é a fatalidade da subversão das cláusulas de rescisão, tão fatal como pagar comissões sobre vendas que não se querem fazer - deixá-lo para a última hora, sem qualquer possibilidade de contratar um substituto, foi uma péssima decisão. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Nunca é de vez

Tribunal Constitucional chumba lei da eutanásia pela terceira vez -  Atualidade - Correio da Manhã


Temos um velho problema com a terceira vez!


Temos o "não há duas sem três", mas também temos que "às três é de vez". Desta vez "às três não foi de vez" e são já três as vezes em que a lei da eutanásia votada no Parlamento volta para trás.


Não temos nada que nos diga que não há três sem quatro. E cinco não rima com vez. E, com Marcelo em Belém, vez é coisa que a eutanásia nunca terá.


Essa é que é essa!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Foi de surpresa, é certo. Mas não foi remodelação nenhuma. Nem light, nem soft!


Saíram seis secretários de estado e entraram sete. Sem mexer em ministros não há remodelação. E como para manter Relvas, Passos não pode mudar qualquer ministro…


 

A forma

Um ano após a maioria absoluta. A entrevista de António Costa na RTP


Na entrevista de há pouco do primeiro ministro a António José Teixeira, na RTP,  António Costa recuperou a forma. Não me refiro à forma física, nem sequer a política, onde são conhecidas as suas aptidões. Ou habilidades. 


Recuperou na forma  - a única que poderia recuperar, já que a substância nunca foi o seu forte - que também tinha perdido. Na realidade não disse nada de novo. Não esclareceu, e muito menos limpou, uma, que fosse, das múltiplas trapalhadas do governo. Não apontou para a saída de um, que fosse, dos  becos em que estamos metidos. Mas foi António Costa, quando se duvidava que ainda o conseguisse ser.


Mas também, com tudo o que lhe aconteceu nestes últimos dois meses, só faltava que quisesse continuar a ser Luís XIV!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


António Costa esperava por uma vaga de fundo, uma onda que o levasse, na sua crista, ao ponto mais alto do poleiro socialista. Ouviu falar na onda da Nazaré, que levaria o nome desta minha praia - será sempre a minha praia, mesmo que aquela não seja a minha onda - ao topo do mundo,  e pensou que… era aquela. Que aquela onda gigante não tinha aparecido na Nazaré para Garret McNamara surfar e voltar a  bater o seu recorde mundial, mas apenas para o levar ao destino que há muito o destino lhe traçara.


Foi já tarde, bem tarde, que percebeu o que se estava a passar. Aquela era uma onda demasiado grande e, como o pobre faz da esmola quando é grande, desconfiou. E não a pegou, deixou que morresse na praia... perante desespero dos socratistas.


Aquela era a sua – deles - onda, onde tudo tinham apostado, convencidos da já crónica fraca memória dos portugueses. E convencidos também que, com o sol da ambição a bater-lhe nos olhos, Costa não perceberia que aquele seria um sol de pouca dura!


Uma sucessão de erros de cálculo que acabou num triste espectáculo. Mas clarificador!


Sócrates, lá por Paris, deve ter ficado a perceber que, para apanhar a onda, terá que ser ele a trepá-la. Não tem cá tropas que lhe façam isso.


António Costa deve ter percebido que não lhe chega ter boa imprensa. Precisa de tropas - que não tem – porque com as tropas dos outros não chega lá. Saiu pela porta pequena, e com sérios riscos de até Lisboa perder.


Seguro, que não tem autoridade nenhuma para acusar quem quer que seja de falta de lealdade – porque disso pode toda a gente acusá-lo, conspirou na sombra durante todo o consolado de Sócrates mas sempre sem coragem para dar a cara, sempre escondido por trás dos arbustos -, provavelmente com mais facilidade do que alguma vez imaginara, ganhou novo fôlego. Que, já se percebeu, não lhe servirá para muito…


Quem se fica a rir é Passos Coelho, que sabe que pode dormir descansado. Assim a consciência lho permita…

domingo, 29 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Como seria de esperar, muita tinta corre e muita mais irá correr à volta de Lance Amstrong. Aos poucos, novos e surpreendentes dados chegam ao conhecimento público.


O que o Rui Antunes nos conta no Sol é arrepiante. A ser assim, não é o mito e o herói que caem. Cai apenas um monte de merda. E isso não tem importância nenhuma!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A disputa interna no PS, e a marcação da data do congresso – antes ou depois das autárquicas é a questão - transformou-se rapidamente no tema da semana.


Sempre me pareceu óbvio que seria do interesse de Seguro marcá-lo para depois das próximas eleições de Outubro: os resultados do partido serão necessariamente bons, penalizando o partido no governo, como sempre acontece. Em Lisboa, ainda e sempre o resultado mais relevante, Seguro ganharia sempre: ganharia se Costa ganhasse, ganharia se Costa perdesse e ganharia ainda se Costa não ganhasse nem perdesse. Porque ganhando, ganharia o partido. E perdendo, mais do que perder o partido, perderia o seu rival. Se António Costa decidisse não ir a jogo, o PS ficaria sem candidato ganhador. O partido perderia provavelmente Lisboa, o que não deixaria de ser levado a débito do actual presidente da Câmara de Lisboa, por ter colocado os seus interesses acima dos do partido.


António Costa, pelo contrário – evidentemente – teria interesse em que o Congresso precedesse as eleições autárquicas. Porque Seguro não teria oportunidade de tirar partido da expectável vitória eleitoral e porque não seria ele próprio obrigado a expor-se a um resultado eleitoral, com o qual tem pessoalmente pouco a ganhar e muito a perder. Ficando ainda com grande espaço de manobra para lidar com a gestão da sua decisão sobre a recandidatura a Lisboa.


Curiosamente não é esta a perspectiva da maior parte dos comentadores encartados. Marcelo Rebelo de Sousa, que os comparava, ontem, à tv a cores (António Costa) e a preto e branco (Seguro) entende precisamente o contrário. Mas a verdade é que não explica porquê, limitando-se a concluir que, numa disputa antes das eleições, António Costa sairá derrotado, embora argumente que, "para Seguro, é ideal a eleição do líder ser antes das autárquicas, porque apanha António Costa no meio de duas corridas: PS e Lisboa”.


Não me parece que o argumento colha. Até porque, como já se percebeu, António Costa já descartou Lisboa. Utilizou-a para se esconder há dois anos atrás, permitindo que esta ” tv a preto e branco” chegasse à liderança do partido, porque o único cheiro que captava era o da areia do deserto. Descarta-a agora, que o cheiro a poder entra pelas narinas dentro! 

Coerência

Aeroporto. Luís Montenegro alerta que vai colaborar na decisão e não  “decidir por ninguém” – Observador


Há apenas uma semana, no pico dos casos e casinhos, e no meio das maiores trapalhadas deste governo, Luís Montenegro secundava o Presidente Marcelo, e nem queria ouvir falar de dissolução do Parlamento. Era claro nessa posição, tão claro que nem sequer em votaria a favor da moção de censura apresentada pelos liberais, mesmo sabendo que dele nada resultava. Que não teria qualquer consequência prática, e que, a troco de nada, estava a correr riscos futuros. Que, num futuro mais ou menos próximo, seria sempre acusado de, na realidade, se ter posto ao lado do governo. Ou até de cumplicidade.


Entretanto surge a primeira sondagem depois desse pico, que inevitavelmente penalizam o partido do governo e, pela primeira vez em largos anos, apontam o PSD como partido com mais intenções de voto, mesmo que sem condições para formar governo. Nem mesmo com o Chega, dado que a IL, com nova liderança ainda fresquinha, não faz como o PSD, e diz claramente que, ao Chega, não se chega.


Mas logo, poucas horas depois, já Montenegro afirmava que “está preparado para ser primeiro-ministro” e que caso António Costa não esteja à altura do momento não hesitará em ir ao Palácio de Belém pedir eleições antecipadas.


Para quem ainda no dia anterior não queria ouvir falar de eleições antecipadas, não está nada mal... Para quem as sondagens não queriam dizer nada, também não!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Antes de dizer que este foi um grande jogo – talvez melhor, uma grande primeira parte – apetece-me dizer que, ao contrário dos últimos, este foi um jogo fair. Sem truques, sem quebras na iluminação, comportamento imaculado do público e dos jogadores e sem arbitragens habilidosas. Tão fair que nem o Lima festejou o seu golo, o que, mesmo como benfiquista, aplaudo. O respeito é sempre de aplaudir, e não mancha coisa nenhuma!


Pronto. Agora já posso dizer que, se não foi um super jogo, foi um grande jogo, com uma super primeira parte!


Porque a segunda parte não foi, nem tão bem jogada, nem tão intensa, nem tão espectacular. Mas foi, do lado do Benfica, a confirmação – se é que era necessária – da grande pecha da equipa. Daquilo que lhe falta para ser uma grande equipa de futebol em qualquer parte do mundo!


Não há equipa que possa controlar todo um jogo, e todos os jogos, exclusivamente a partir de um domínio avassalador, vertiginoso e mesmo frenético. É preciso saber controlar os jogos quando não é possível dominá-los!


Sempre que o Benfica pretende controlar um jogo através de mecanismos de simples controlo, abdicando dos seus princípios dominadores, as coisas não saem, nem de perto nem de longe, com a mesma eficácia. Com 2-0 ao intervalo, o Benfica surgiu na segunda parte numa atitude táctica de contenção. Na tal tentativa de controlar o jogo e de defender o resultado que, mais uma vez, lhe retirou a supremacia no jogo.


Não foi novidade, num jogo de novidades. De novidades tácticas no Benfica, da novidade de Jesus, pelo Benfica, vencer em Braga e de saudáveis novidades no ambiente da Pedreira!


Foi curiosamente com alguma novidade que o Braga chegou ao golo, na precisa altura em que o Benfica parecia conseguir controlar o jogo, mesmo sem manifestamente se superiorizar ao adversário. Só o pouco tempo que sobrava, e depois a expulsão – decisão acertada do árbitro, porque o Lima ficava isolado na cara do guarda redes do Braga - do seu defesa, já nos últimos minutos, impediram que o Braga conseguisse ameaçar seriamente a justa vitória benfiquista.


Quatro notas finais. Duas para saudar dois regressos: o regresso de Gaitan à posição 10, pelo impedimento de Cardozo, e o de Urreta Viscaya, curiosamente numa época marcada pela inflação de jogadores das alas. Outra para saudar o fim do mito dos árbitros internacionais: as melhores arbitragens não estão claramente aí. E, the last not the least, a homenagem a MIklos Feher: não teve pompa nem circunstância, mas o seu nome ouviu-se no estádio na parte final do jogo. Não sei de onde veio, se de benfiquistas, de braguistas se de ambos. Sei que, no final do jogo, quando o resultado do jogo prendia as emoções, se cantou nas bancadas “Miklos Feher…Miklos Feher …”


E isso foi bonito! 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Tão iguais e tão diferentes


Jogou-se hoje o Paços - Benfica, um jogo antecipado correspondente à 20ª jornada, em razão do calendário europeu do Benfica, que os dirigentes da equipa da capital do móvel só não impediram porque não puderam. O jogo iria cair entre as deslocações a Braga, para os quartos de final da Taça, e a Bruges, para os oitavos da Champions. 


Sem ser o primeiro jogo do calendário da segunda volta, aconteceu que foi o primeiro jogo da segunda volta. Para o Benfica, e para o Paços, primeiro e último da classificação. Mas nem por isso tido por fácil. Porque não há jogos fáceis, como é mais que sabido, e porque o último classificado, e já com grandes dificuldades em evitar a descida, depois do inédito regresso de César Peixoto ao banco, depois de despedido, vinha de boas exibições, como na do último domingo, quando deu água pela barba ao Braga, e fechou - com muita injustiça e até polémica no golo que lhe ditou a derrota, já para lá do tempo de compensação - a janela que a primeira vitória, na jornada anterior, em Vila de Conde, parecia abrir.


O benfica entrou novamente muito bem no jogo, com dois golos nas duas primeiras oportunidades. Em apenas quatro minutos, e praticamente nos primeiros dez. Bastante parecido com o que acontecera em Ponta Delgada, no último jogo com o Santa Clara. Como parecido foi o jogo.


Parecido, com muitas semelhanças mas, ainda assim, com muitas diferenças. As semelhanças estão nos dois golos madrugadores, desta vez de Grimaldo, em mais um livre cobrado com a habitual classe e mestria, logo aos 7 minutos. E de João Mário, aos 11, depois de uma excelente desmarcação de Gonçalo Guedes para Aursnes rematar para a defesa de Marafona, como pôde. Que mais não pôde que defender para a frente, deixando a bola ao alcance de João Mário. E estão nas oportunidades criadas e desperdiçadas pelo Benfica até ao intervalo.


Mas estão também na quebra da equipa na segunda parte, mesmo que nunca tão acentuada como no último jogo.


As diferenças são que o Benfica, depois, não levantou tanto o pé. Mas, apesar disso, permitiu oportunidades de golo ao adversário. E não conseguiu chegar ao terceiro golo.  


Se o jogo deixou sempre uma sensação de facilidade idêntica ao dos Açores, foi apenas porque o Paços não conseguiu concretizar qualquer das oportunidades, acabando até com três bolas nos ferros, a última na derradeira jogada do encontro. 


Independentemente dos circunstancialismos do jogo é visível o progresso na qualidade do futebol praticado, já mais perto do período anterior à interrupção para o Mundial. E a melhoria da forma dos jogadores que mais tinham caído, como é particularmente evidente no caso de Bah. E de Enzo, esse pelas razões conhecidas. A esta melhoria, e pese embora a ausência de Rafa, acresce que Gonçalo Guedes assenta que nem uma luva nesta equipa. E neste futebol.


Ainda independentemente dos circunstancialismos, este jogo confirmou o que há muito se vem notando que falta, e que este Benfica de Shemidt já teve. Que perdeu, sem que se veja recuperação: a capacidade para a transição rápida, o contra-ataque, como dantes se chamava; e o aproveitamento das bolas paradas.


A equipa não consegue aproveitar o adiantamento dos adversários, e isso permite-lhes ousadia e confiança. Como hoje se voltou a ver. Os mecanismos de transição em velocidade falham quase que invariavelmente, e permitem sempre a recuperação defensiva do adversário.


E, à excepção dos livres directos de Grimaldo, onde conta apenas a sua competência específica, e classe pessoal, a equipa não aproveita qualquer lance de bola parada, sejam livres laterais, sejam cantos. Todas as equipas trabalham estes esquemas tácticos - o Paços dispôs apenas de um livre lateral, e fez dele uma grande oportunidade de golo. Nos primeiros meses da época o Benfica marcava frequentemente na sequência de cantos, e de livres. Ainda hoje se viu que, de 10 cantos, nada resultou. E sempre marcados da mesma forma. Se antes estes lances eram preparados nos treinos, não se entende por que terão deixado de ser. Até porque o Benfica é a equipa com mais cantos na Liga. 


Faltam estes dois "momentos" do jogo para que possamos dar a equipa por regressada ao bom caminho que trazia. 


Apenas duas notas finais: uma para a preocupante lesão - muscular, ao que tudo indica - de Gonçalo Ramos. Musa voltou a confirmar que não dá. Outra para dizer que ainda dá gosto ver Gaitan jogar à bola. E saudade!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


 É sem dúvida o soundbyte da semana. Bem treinada e melhor encenada, foi a resposta ensaiada por António José Seguro perante as primeiras ofensivas dos seus adversários, pressionando a antecipação do congresso.


Não sei se Seguro merece a sorte que protege os audazes. Como há muito se sabe que audácia é coisa que lhe não sobra, sou levado a crer que não a merecerá. E, não tendo dessa sorte, provavelmente não terá doutra!


Sem sorte e sem engenho não há nada que lhe corra bem. Por mais ensaiado que seja, ou mesmo que se esforce um bocadinho. Numa semana em que o governo apostou forte, e em que foi praticamente demolidor, Seguro, sem engenho nem arte para desmontar a encenação governamental, e acossado – também por via disso – pelos seus adversários internos, refugiou-se no soundbyte. Pior forma de reagir a resultados - mais a mais resultados que o governo apregoava como feitos notáveis - que um soundbyte só um soundbyte muito teatralizado!


Para acabar de vez com a imagem e a capacidade de afirmação de António José Seguro, pior ainda que um soundbyte muito teatralizado, só um soundbyte muito teatralizado logo esvaziado. Quando logo a seguir, com toda a pressa, marcou de urgência a reunião da Comissão Política Nacional para debater a situação política interna esvaziou o seu muito teatralizado soundbyte. Pior: virou o feitiço contra o feiticeiro. E acabou de vez com a escassa margem de manobra política que lhe restava. Está agora encurralado!

Pantominices

 Câmara de Lisboa diz que altar de €4.200.000 para o Papa vai ser  reutilizado em "eventos internacionais" mas não diz quais: "Seria  prematuro" - CNN Portugal


É um altar. Mas como custa 5,3 milhões de euros - curioso como a generalidade das notícias referem 4 milhões, deixando de fora as fundações; se o altar fosse obra de outros seria de 7 milhões, o valor com IVA convenientemente arredondado - não é só um altar, garante Moedas. É um altar que fica para o futuro, e que vai servir para outras coisas.


Quais? Isso agora não interessa nada!


Por ajuste directo com a empresa onde pontifica Paulo Portas. Mas isso para Moedas não importa nada, porque "não podemos como cidade, como país, não acolher o papa, respeitando aquilo que é a regra de um evento que nunca se fez em Portugal". Ah... e este foi o melhor preço encontrado. Metade do que chegaram poraí a pedir...


Respeitando a "regra". E a pantominice!


 


 


 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A RTP já não será privatizada. Nem concessionada, na fórmula descoberta pelo senhor que ontem decretou o fim da austeridade


Portas 1 – Relvas 0. Não se sabe se o jogo terminou ou se apenas está no intervalo, mas o resultado lá está!


Mas a questão não é tanto saber se o jogo terminou ou não. Questão mesmo é ficarmos sem saber se Relvas já pode ir embora do governo…

Insólito

Presidente da República recebeu carta com uma bala a pedir um milhão de  euros


Há pouco mais de dois meses soube-se que o Presidente Marcelo recebera uma carta com uma bala, e com ameaça de morte. Tanto quanto me lembro a notícia ficava por aqui, não tendo então sido referido que o motivo era extorsão, com a exigência de um milhão de euros.


Hoje, com a notícia da detenção do suspeito da autoria, ficou a saber-se dessa exigência. E que, para agilizar procedimentos, a carta indicava o NIB para onde deveria ser transferido o dinheiro e ainda um telemóvel para facilitar o contacto.


Depois de tudo o que vamos conhecendo a cada dia que passa, já não podem restar dúvidas a ninguém que esta é mesmo uma República das bananas. E este um país verdadeiramente insólito.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


As notícias que por aí circulam sobre o défice de 2012 são apenas mais do mesmo: propaganda!


Ainda não está apurado défice nenhum. Há uns números, que dizem calculados numa base de caixa e que dão jeito à propaganda, actualmente em maré alta. Com sucessivas ondas gigantes, num tsunami comunicacional raramente visto!


Se na mentira este governo já nada fica a dever ao de Sócrates, na propaganda, onde a máquina socratista parecia imbatível, dá-lhe autênticas cabazadas…

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Fintas

Fernando Santos: «Paulo Bento tem de continuar» - Mundial 2014 - Jornal  Record


Há poucos dias, já sobre o final da semana, Paulo Bento era anunciado como a escolha da Federação Polaca de Futebol (FPF) para tomar conta da sua selecção. Hoje sabe-se que, afinal, é Fernando Santos o escolhido.


Nas estórias das FPF´s  há sempre uma estória de Fernando Santos a passar a perna a Paulo Bento. Já no campo é mais o inverso!


Depois de Paulo Sousa lhe ter passado a perna, parece que esta FPF (do P de Polaca) acredita mesmo que os treinadores portugueses são melhores a fintar que os jogadores.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Estranho que o povo não tenha saído à rua em festa pelo regresso da Pátria aos mercados. Pelo que se vai ouvindo através das máquinas de propaganda as ruas das cidades deste país deveriam transbordar de gente em festa. De gente feliz, a saltar e a cantar vivas a Vítor Gaspar!


Mas o povo não está na rua. Nem feliz. Nem canta nem salta… O país real, mais uma vez, não coincide com o da propaganda. O país de Gaspar e Passos continua desfasado do país dos portugueses!


O regresso aos mercados estava anunciado para Setembro deste ano, mas a maior parte dos analistas, tendo em conta o andamento da economia portuguesa, sempre duvidou da concretização desse objectivo.


Portugal saiu dos mercados e entregou-se ao resgate da troika porque os juros exigidos se tornaram incomportáveis, ultrapassando rapidamente a tal taxa crítica de 7% que o ministro Teixeira dos Santos tinha estabelecido e anunciado. E isso aconteceu porque o país estava sobre-endividado, a economia não crescia e o défice orçamental estava sem controlo, como bem nos lembramos. Os mercados não acreditavam que o país pudesse pagar!


Passados quase dois anos sobre o resgate da troika, a dívida – como não poderia deixar de ser – é maior, bateu já o recorde de 120% do PIB, a economia não só nunca mais cresceu como entrou em forte recessão e de lá não sai. Sobre o défice estamos conversados: já teve que ser revisto em alta e, graças a receitas extraordinárias, o ministro Gaspar lá anda a dizer que irá ser cumprida a revista meta dos 5%. O país tem um orçamento que por toda a gente é dado por inexequível e, mesmo assim, provavelmente inconstitucional. Isto é, com sérios riscos de não existir…


As agências de rating continuam a classificar a dívida da República como lixo, com a Standard & Poor´s inclusivamente a ameaçar baixar ainda mais o rating no caso do Tribunal Constitucional declarar inconstitucionalidades no orçamento, veja-se bem. Também aqui nada mudou, e acresce que a maior parte dos agentes do mercado – sejam países sejam fundos de pensões - está impedida de adquirir dívida que não AAA!


Quer dizer, não está reunida uma única das condições para o regresso aos mercados. Não está agora, como não estará em Setembro. E no entanto regressa-se. E faz-se a festa que o país não percebe!


Devo dizer que, tal como nas taxas de juro nos mercados secundários que a propaganda pretende atribuir à credibilidade externa que o governo reconquistou, aqui apenas há dedo do BCE. Os juros baixaram não porque a credibilidade do país tenha substancialmente crescido, mas apenas porque no Verão do ano passado Mario Draghi mudou a agulha do BCE, que passou a funcionar como garante último. E Portugal vai hoje ao mercado – antes de conhecida a decisão do Tribunal Constitucional, antes de conhecidos dados da execução orçamental e exactamente quando está a pedir o alargamento dos prazos de pagamento dos financiamentos da troika – não porque tenha condições para isso. Apenas porque o BCE só pode comprar dívida de países com acesso aos mercados. E para que em Setembro, na tal data que não é mágica mas que é crítica na renovação de boa parte da dívida pública, o BCE possa comprar dívida portuguesa não há data mais favorável para encenar este regresso aos mercados que esta. Precisamente!


Perguntará o leitor: então isto é tudo uma farsa? Precisamente!


Ainda se não conhecem os resultados deste fantástico regresso aos mercados com esta operação de de 5 mil milhões de euros a 5 anos. Ainda não se sabe se os bancos que tomaram a operação conseguiram colocar boa parte ou mesmo a totalidade daquelas obrigações do tesouro no mercado - e a operação é um sucesso – ou se ficaram com todas ou grande parte delas em carteira, mas a operação continua a ser um sucesso!


Percebe-se agora a importância dos bancos. Percebe-se por que é que nada lhes pode faltar, por que é sempre mãozinha por baixo e mãozinha por cima.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A recuperar do isolamento imposto pelo temporal vou-me dando conta que o mundo não parou. Que entretanto Obama tomou posse para o seu segundo mandato, num imenso happening em Washinton.


Que entretanto afinal o governo pediu “mais tempo”, o tal que não seria necessário. Nem nunca pediria porque, diziam, importante era vermo-nos rapidamente livres da troika. Tretas, como se sabia! De mansinho Vítor Gaspar chama-lhe revisão de maturidades


Que entretanto Seguro continua à toa e sem rumo. Achando que isto está para brincadeiras, diz que tem surpresas para os portugueses… Assim... tipo Kinder!


Ó Tó Zé, já não há nada que nos surpreenda. Vocês são todos tão iguais e tão previsíveis… E tão irresponsáveis!

sábado, 21 de janeiro de 2023

Fim da primeira volta. Venha de lá a segunda!


O Benfica fechou a primeira volta do campeonato com uma vitória clara em Ponta Delgada, no terreno do Santa Clara, num jogo em que teve uma primeira parte bem conseguida. 


Não foi ainda um jogo completamente ao nível do que melhor a equipa produziu no período que antecedeu a paragem para o Mundial, mas foi um Benfica impositivo, dominador e fiel à matriz do seu futebol. Sem Rafa, de novo afastado por lesão muscular, e sem Otamendi - de fora por conta daquele amarelo estapafúrdio com que Soares Dias o presenteou logo no início do dérbi, há uma semana - e com o Veríssimo a apitar, que é sempre uma má notícia, o Benfica começou o jogo com vontade de tornar fácil o que poderia ser complicado.


A receita foi a do costume - pressão alta, concentração competitiva e velocidade na circulação da bola. Depois, dois golos nas duas primeiras oportunidades, ajudou. O desperdício veio depois, mas com a equipa já sentada no conforto de uma vantagem de dois golos conquistada no quarto de hora inicial, ambos com a marca de água de Enzo Fernandez. No primeiro, com um cruzamento perfeito para Aursenes marcar, de cabeça. No segundo, com um passe de ruptura para Grimaldo cruzar para a entrada da pequena área, onde Gonçalo Ramos surgiu, de rompante e com classe, a desviar a bola para dentro da baliza.


A equipa não baixou o ritmo, e continuou a mandar no jogo, a exibir futebol de qualidade, e a criar novas oportunidades claras para aumentar o marcador. Três, pelo menos, de golo feito. Draxler, sempre o elo mais fraco, e sem justificar a titularidade - nem sequer a manutenção no plantel - falhou uma delas, sozinho, na cara do guarda-redes adversário. Gonçalo Ramos - com mais um grande jogo - falhou duas já em cima do intervalo. Que chegou com um resultado que, sendo interessante, estava longe de corresponder ao que se tinha passado no relvado naqueles 45 minutos.


Que não voltou exactamente a repetir-se na segunda parte. O Benfica baixou a pressão e a intensidade, e o Santa Clara estendeu-se mais no terreno e começou a ter chegada à área benfiquista. Poderia compreender-se a estratégia de abrandamento: com a subida a equipa açoriana deixava espaço para explorar nas costas da sua defesa, para arrumar definitivamente com o jogo. Assim teria sido se Gonçalo Ramos, logo aos 7 minutos, não tivesse desperdiçado um golo fácil, ao rematar ao lado da baliza quando, só com o guarda-redes pela frente a meio do meio campo adversário, tinha todo o tempo e espaço para o contornar e enviar tranquilamente a bola para a baliza deserta.


Como não foi, o Benfica passou por um quarto de hora complicado. Passou a perder os duelos e as segundas bolas, e deixou de ter condições para construir saídas que intimidassem o adversário. Que não construiu grandes oportunidades para marcar, mas manteve presença duradoura no meio campo benfiquista e conquistou cantos atrás de cantos. E quando assim acontece, o golo pode surgir quando menos se espera.


Estava o jogo nisto, e corria o minuto 64, quando Roger Schemidt fez entrar Neres, Chiquinho e ... Gonçalo Guedes, para a ansiada estreia, neste saudado regresso a casa. Saíram João Mário, que já pouco dava ao jogo, Aursenes, que tinha sido contemplado com um amarelo pelo Veríssimo, e Florentino, sem razão que se percebesse. Em campo mantinha-se Draxler, igualmente sem razão que se percebesse. E que por lá se manteria até ser substituído pelo menino João Neves, a 10 minutos do fim, e quando o jogo tinha acabado de ficar definitivamente resolvido com o golo de Gonçalo Guedes, na estreia perfeita.


Se o "nosso filho pródigo" e Chiquinho acrescentaram, Neres não. Mais uma vez. Preocupantemente, está a "drexlerizar-se". E o Benfica acabou com aquele quarto de hora que não foi de terror, mas não foi bonito de ver, já depois de António Silva ter evitado o golo, na única clara oportunidade dos açorianos em todo o jogo.


Nos restantes 25 minutos do jogo o Benfica voltou ao comando e ao controlo do jogo, e voltou a criar, e a desperdiçar, mais umas quantas oportunidades para voltar a marcar. Só não falhou Gonçalo Guedes, ao minuto 80, depois de mais uma assistência de Enzo Fernandez. O melhor em campo, e definitivamente "regressado".


Houve ainda tempo para a última substituição, com Musa a render Gonçalo Ramos, em cima do minuto 90. Ainda a tempo de falhar disparatadamente duas oportunidades - quase tão disparatadamente como Neres já tinha feito - , e de voltar a confirmar que é mais um dos que não tem qualidade para jogar nesta equipa. 


E assim fechou o Benfica a primeira volta. Que fica como a terceira melhor neste formato da Liga. Da melhor, que há apenas um mês pensávamos que seria ultrapassada, a da época 2019-20, de Bruno Lage, nem nos queremos lembrar... Mas isso foi noutros tempos. Agora é tempo de fazer com que a segunda seja, pelo menos, igual a esta primeira. Não há os 7 pontos de vantagem, que da outra vez fugiram tão depressa mas, perdendo apenas os mesmos 7 perdidos nesta primeira volta, dificilmente deixará de haver festa no Marquês, em Maio.

Coluna vertebral

Pedro Nuno Santos assume que sabia e autorizou indemnização a Alexandra  Reis - SIC Notícias


Foi preciso que a CEO da TAP fosse ao Parlamento para o ex-ministro Pedro Nuno Santos  "reconstruir a fita do tempo" e lembrar-se que, afinal, teve conhecimento da indemnização à tal senhora. A tal que, depois de receber os 500 mil euros, ele nomeou para o topo da gestão da NAV.


Não tivesse a senhora Christine Ourmiéres-Widener ido à Assembleia da República dizer que o accionista tinha sido informado, e que tinha autorizado a indemnização, e Pedro Nuno Santos ainda continuaria sem dela ter tido conhecimento, e até a achar inaceitável, e de bradar aos céus, que uma empresa que vive com com dinheiro do contribuinte, e com o que cortou nos salários dos trabalhadores, possa dar 500 mil euros a alguém.


Se é sobre esta coluna vertebral que se ergue a esperança do PS, venha ela do lado direito ou do esquerdo, estamos entendidos...


 


 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Nas antípodas

Jacinda Ardern renuncia ao cargo de primeira-ministra da Nova Zelândia -  Atualidade - SAPO 24


Enquanto por cá não há dia sem notícias da nossa classe governante - depois de, ontem, Paulo Cafôfo, hoje, para não fugir à regra, volta Fernando Medina à cena, sem que ainda de lá tivesse saído, desta vez por buscas na Câmara Municipal de Lisboa que não anunciam nada que não mais do mesmo, e voltam mais indemnizações na TAP, desta vez com gente indemnizada mesmo sem sair - das antípodas chegam-nos notícias de uma governante ... nas antípodas.


Jacinda Ardern, a primeira-ministra da Nova Zelândia que protagonizou a mais inspiradora forma de servir um país a governar, mesmo que a "Jacindamania" não tenha frutificado como exemplo para o planeta, anunciou a renúncia ao cargo. Eleita pelo Partido Trabalhista para chefiar o governo neo-zelandês, em 2017, com 37 anos, disse que o seu “tanque está na reserva”. Que "é humana", e que "chegou a hora": "Estou de saída porque com um trabalho tão privilegiado vem uma grande responsabilidade. A responsabilidade de saber quando você é a pessoa certa para liderar - e também quando você não o é." 


Aos 42 anos, Jacinda Ardern sai para viver a sua vida. Para criar a filha, que amamentou em plena Assembleia Geral da ONU. E para casar com o companheiro e pai da filha. Nem para casar tinha tido tempo...


Nas antípodas, as antípodas ...


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Há muito que não se via - creio mesmo que no Ocidente nunca se terá visto - o FMI tão interventivo como acontece actualmente em Portugal. O FMI opina sobre tudo, aconselha como se não houvesse amanhã, mete-se em tudo... Nunca visto, nem num protectorado!


O pior é que, nesta ânsia de intervenção - parece que ninguém quer ficar atrás, não deve haver tipo que não queira dar o seu palpite -, diz tudo e o seu contrário.


Admite que a situação social e política atingiu os limites. Mas diz que há ainda que cortar mais deduções fiscais, que ainda subsistem uns subsídios para tributar, volta a insistir na redução da contribuição patronal para a TSU, e diz até que ainda há taxas de IVA para aumentar. Mas, como aquelas cabeças não param, também diz que há taxas que podem ser eliminadas. Que alguns aproveitam para anunciar que, afinal, o FMI quer reduzir o IVA ... Teria graça se não fosse dramático!


Diz até quem é que deve mandar no governo. Em que mãos deve ficar a condução da sua política: surpresa - nas de Vítor Gaspar!


Foi o governo que se não deu ao respeito. Mas é o país que deixou de ser respeitado...

Hoje*

Eu, Psicóloga | O que aprendi com a morte da minha mãe – LITORAL CENTRO –  COMUNICAÇÃO E IMAGEM


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


* Texto publicado todos os anos, neste dia 19.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


 


Há muito que se sabia! Já restavam poucas dúvidas que fora com mácula que Lance Amstrong entrara no Olimpo para, durante muitos anos, ali ocupar o lugar mais alto…


Não o tinha explicitamente assumido mas já percebêramos que a sua anunciada desistência de lutar contra as acusações de que era alvo significava a admissão da mácula. Admitida, mas não confessada, o que fazia toda a diferença!


Há uns dias que se anunciava a confissão final. Num programa de televisão, já gravado e que iria ontem para o ar, Lance Amstrong confessava os seus pés de barro. Sim, era verdade, dopara-se durante todos aqueles anos!


Vi as imagens e arrepiei-me. Aqueles sim…sim…sim ainda me soam na cabeça como um martelo


Um homem só, num programa de televisão que já não é um simples programa de televisão. É o programa da Oprah Winfrey, da maior (e mais rica) estrela de televisão mundial, com tudo o que isso signifique. Porquê ali? Porquê precisamente ali?


Um homem só, que confessa tudo. Com um simples e monocórdico sim para cada pergunta seca e definitiva. A lembrar tantas e tantas confissões…


Um homem que não assume apenas toda a culpa só para si: iliba expressamente todos e qualquer um de coisas que nunca podem ser de um homem só!


“Era tudo perfeito”, diz Lance a dada altura, para concluir que não podia ser assim. Que não podia ficar assim!


Agora, que nem sequer é perfeito, também não pode ficar assim… Não podia. Não deveria…


 

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Da cartola saiu um tiro no pé

Pode ser ministro ou secretário de Estado? Responda aqui ao novo  questionário do Governo - Renascença


O famoso questionário que a ministra Mariana Vieira da Silva anunciou com 34 questões, que afinal são 36 é, como aqui disse na altura, a ideia mais estúpida e parva de António Costa. E é exclusivamente o resultado do estado a que António Costa se deixou chegar.


Este inquérito "estúpido e parvo", que tem exactamente o efeito contrário do anunciado, surge por três razões fundamentais:


1) Progressiva degradação da exigência para o exercício de cargos políticos, da responsabilidade dos partidos, em especial dos dois maiores que, mais que dividir, têm repartido o poder;


2) Criação de uma sensação de impunidade, agravada com a recente maioria absoluta, com manifestos sinais de absolutismo, levados à exuberância naquela pose pombalina de António Costa na entrevista à Visão, há cerca de um mês;


3) Sucessão de casos neste governo, um dos quais com António Costa apanhado de "calças na mão" em plena Assembleia da República, obrigando-o a recorrer à sua especialidade de tirar coelhos da cartola, donde acabaria por sair precisamente este.


António Costa tem responsabilidade em todas estas três instâncias. Tem-na na primeira, porque lidera o partido vai para dez anos. E porque toda a sua vida foi feita lá dentro. Tem-na na segunda porque criou a ideia de senhor absoluto do partido, do governo e do país. Com essa ideia, cria à sua volta uma ideia de impunidade. Quem está com ele, por muito mal que tenha feito, acredita que nada de mal lhe pode acontecer. E, claro, não é por ter sido Mariana Vieira da Silva a fazer aquela triste figura, que não tem a exclusiva responsabilidade neste "coelho" que ele próprio "tirou da cartola".


Que não evita que cheguem aos mais altos cargos da governação quem não tem condições para ser governante. Pelo contrário, evita que lá cheguem quem quem as tem. 


Pessoas credenciadas, rigorosas, honestas, escrupulosas, realmente imbuídas de espírito de serviço público, pessoas realmente de bem, não aceitam sequer sujeitarem-se a assinar aquele questionário e um compromisso de honra a atestar a sua probidade. Se, pela crescente degradação da vida política do país, já vinha sendo difícil recrutar os melhores para os governos, a partir de agora passa a ser impossível!


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


 


A rapaziada do BES está a tornar-se cliente habitual do DIAP. Uma espécie de cliente frequente, como a banca tanto gosta…


Nem tudo é mau. Pelo menos para os cofres do Estado: parece que cada vez que Ricardo Salgado lá vai aviva-se-lhe a memória e apresenta uma nova declaração de IRS. Sempre com mais uns milhões em cima da anterior!


Rotinas, nada mais. Sempre e só as mesmas rotinas…

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Gina Lollobrigida (1927-2022)

10 filmes com Gina Lollobrigida Lady Hollywood


Foi padrão de beleza nos anos 50 do século passado, quando passou a ser reconhecida como a mulher mais bela do mundo, também por interpretar o papel da cantora lírica Lina Cavalieri, justamente no filme "La donna più bella del mondo", em 1955.


La Lollo, como era conhecida, também tentou, mais tarde, já no ocaso da vida, carreira na política italiana, com bem menos sucesso. E muito menos encanto!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Acabo de assistir a uma notável entrevista de Freitas do Amaral à Judite de Sousa, na TVI 24.


Não sei se a vida política portuguesa tem lugar para senadores. Acredito que não, que tem sempre sido suficientemente atribulada para o impedir.


Mas, se houver, este homem deve ser ouvido como tal. Poderão alguns acusá-lo de mudar abissalmente de posição política, de se ter movimentado de uma ponta para a outra da geografia política.


A esses lembraria que não é assim há tanto tempo que se aceita que é a Terra que se desloca à volta do Sol… Ou que muitas vezes estamos parados e é a paisagem que está em movimento!

domingo, 15 de janeiro de 2023

O dérbi que teria de ser ganho


 


Sessenta e duas mil e quinhentas almas nas bancadas esgotaram a Luz para assistirem ao dérbi eterno. Que, não tendo sido dos mais vibrantes, não deixou de ser um bom espectáculo de futebol, nem de ter os ingredientes que fazem dele, sempre, um jogo único, e sem paralelo no panorama do futebol em Portugal.


Quando se esperaria que fosse o Benfica a entrar forte no jogo, até porque se anunciara que Roger Schemidt teria mesmo pedido isso aos jogadores, e porque o adversário não tinha razões para trazer muita confiança na bagagem, foi o Sporting que entrou melhor no jogo. E fez do jogo, no primeiro quarto de hora, aquilo queria exactamente dele - ter bola. Depois, poderia querer mais, mas para começar o que queria mesmo era ter a bola. Quem tem a bola não têm que correr atrás dela. Nem é atacado. 


Rúben Amorim sabia que se o Benfica tivesse bola as coisas se complicariam, e muito. Como, de resto, o próprio jogo viria a confirmar. Por isso quis ter bola simplesmente para a ter, e não tanto para "ferir" - para utilizar uma horrível expressão que é agora usada - o adversário.


Conseguiu-o durante pouco mais que esse primeiro quarto de hora. A partir daí o Benfica não lhe permitiu mais que fosse o dono da bola, e passou a tê-la e a jogá-la como sabe, e a meio da primeira parte já era Adan a safar o golo, em duas ocasiões consecutivas. E já era um Benfica galvanizado, apostado em não sair de cima da área sportinguista.


Valeu então ao Sporting a matreirice de Paulinho. Foi o seu momento "matreirice 1". Simulou que tinha sofrido uma falta, rebolou pelo chão, entrou a equipa médica ... e acabou com aquilo que já começava a cheirar a sufoco. E a verdade é que aquela espécie de intervalo, convocado pelo experiente e matreiro avançado do Sporting, resultou. Quebrado o ritmo, o Benfica voltou a ter que reaquecer o motor e, para que tudo fosse ainda pior, logo a seguir, numa carambola dentro da área, foi nessa altura que o Sporting marcou. Na realidade não marcou, mas foi golo, e conta na mesma. A bola primeiro ressaltou em Otamendi, e deixou Vlachodimos batido. Depois, ressaltou em Bah (que continua completamente fora de forma, numa altura em que nem há Gilberto) para dentro da baliza.


O Benfica teve que reaquecer os motores rapidamente, e a máquina voltou a funcionar. E 10 minutos depois do auto-golo sofrido o Benfica empatou, numa jogada de insistência de António Silva, que serviu Rafa para partir os rins a Matheus Reis, e assistir Gonçalo Ramos, na cara de Adan. Daí até ao intervalo só deu Benfica, mas não deu mais golos. Mesmo que o miúdo - a anunciar más notícias para o que estava para vir - logo a seguir tenha assustado, ao falhar um atraso de cabeça para Vlachodimos e deixar a bola ao dispor de Trincão, sozinho, só com o guarda-redes grego pela frente. Mas reagiu tão rapidamente "a tirar-lhe o pão da boca" (na imagem) que até pareceu que tinha feito de propósito, a exemplo daqueles cabeceamentos para a trave de própria baliza, para evitar o canto.


Logo a abrir a segunda parte, sem que o jogo tivesse ainda dito o que quer que fosse, o VAR manda Soares Dias ver em imagens o momento "matreirice 2" de Paulinho. Depois de cinco minutos "a deliciar-se com as imagens", o árbitro - que até aí só tinha tido cartões para mostrar a jogadores do Benfica, por muito que Ugarte se tivesse esforçado para que lhe fosse mostrado por nem sei quantas vezes - assinalou penálti. Que o Pote aproveitou para o seu já clássico golo na luz. 


E o Benfica começava a segunda parte a perder um jogo que poderia e deveria ter saído do balneário a ganhar. Com um penálti em que a "matreirice" de Paulinho contou com a colaboração da "verdura" de António Silva. Pré-anunciada, como se vira!


O Benfica voltou a pegar no jogo e o empate final demorou, de novo, apenas dez minutos. Mais uma bela jogada de futebol com Florentino a abrir para Grimaldo, na esquerda, e este a assistir para Gonçalo Ramos bisar, ainda, e de novo na cara, de Adan.


Logo a seguir Schemidt trocou Aursenes por Neres. Para ganhar o jogo, pensou-se. 


Mas não. Porque Neres também está longe dos seus melhores momentos. Mas também porque a equipa tem agora intermitências que antes não tinha. O futebol é o mesmo, a intensidade, a pressão, a velocidade, e também a inspiração e a confiança dos jogadores, é que não são tão constantes quanto eram. E nem mesmo a confiança do treinador, como se viu por se ter ficado pela entrada de Neres (a de Chiquinho, nos últimos dois minutos, não conta para essas contas).


Por isso não ganhou um jogo que, como se viu, teria de ganhar.  Até porque, sempre que o jogo teve futebol digno de se ver, foi praticado pela equipa do Benfica. 


E assim acabou o pleno de vitórias que marcava esta época na Luz. E assim se perderam cinco pontos em três jornadas. Depois de, sempre a somar, de seguida, deixar cair uma das competições e de perder a invencibilidade... É também por isto que este dérbi teria de ser ganho!


 

sábado, 14 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Por linhas tortas, o Relatório do FMI que veio a público na semana passada – de que o Aventar, em mais um serviço público da blogosfera e num notável espírito de cidadania, já disponibiliza a tradução portuguesa – veio definitivamente abrir a discussão sobre as funções do Estado e aquilo a que correntemente se chama Estado Social. Por linhas tortas porque este Relatório tem tudo, incluindo a sua génese, menos essa intenção!


Creio que a grande maioria dos portugueses tem a perfeita consciência da necessidade de reavaliar e reformar as funções do Estado. Transformar esta consciência individual em consciência nacional e estabelecer consensos na sociedade portuguesa a este respeito era o desafio que se colocava ao governo de Portugal nesta altura.


Mas o governo, este governo, está a falhá-lo, como tem falhado todos os outros. E ao falhar este desafio o governo transforma-se no maior inimigo da reforma do Estado e na principal força de bloqueio àquilo que diz pretender levar a cabo, bem diferente daquilo que efectivamente pretende.


Identificaria duas ordens de razões para este falhanço do governo: o tempo, no sentido da oportunidade, e o conceito.


É claro para toda a gente que o governo entrou no tema por força do determinismo da aritmética. Quando, feitas as contas, percebeu que havia 4 mil milhões de euros a cortar na coluna das despesas do orçamento porque, na das receitas, já nada mais podia fazer. Foi por força desta realidade e não para reformar o que quer que fosse. E pior, depois de dois anos de cortes nos salários e de assalto fiscal aos portugueses. E, pior ainda, nem assim atingindo qualquer das metas orçamentais apresentadas como autênticos desígnios nacionais!


Em vez de lançar mãos a esta tarefa logo após a tomada de posse – como se impunha a um primeiro-ministro que declarara conhecer bem todos os problemas do país e estar preparado para governar – o governo pegou-lhe apenas em último o recurso. Quando já tudo falhara!


A despesa – entrando agora no domínio do conceito, a segunda das duas ordens de razões – distribui-se pelas várias funções do Estado (sociais – que determinam o Estado Social – justiça, segurança, defesa, etc.) mas também pela sua própria sustentação. O Estado gasta dinheiro a prestar serviços aos cidadãos mas também gasta dinheiro em consumos próprios, muitos deles exagerados, como todos percepcionamos. Onde estão chamadas gorduras, que têm a particularidade de variar conforme a perspectiva donde se olham: o que era massa gorda quando o primeiro-ministro estava na oposição passou à mais sólida massa muscular logo que chegou ao governo. E gasta dinheiro em juros, muito dinheiro: 8 mil milhões de euros, tanto quanto na mais sensível das funções sociais: na saúde!


Há ainda que acrescentar a esta visão global do funcionamento e da despesa do Estado uma perspectiva de gestão. Há recursos a administrar, controlos a efectuar e decisões a tomar, seja no funcionamento da máquina administrativa seja na execução das funções sociais.


Olhar para tudo isto e procurar 4 mil milhões de euros para cortar já é, em si, um acto falhado. Olhar apenas para as funções sociais e procurar aí os mesmos 4 mil milhões é uma fraude!


Foi para aqui que precisamente o governo trouxe o debate.


Fora de tempo, em desespero de causa, o governo procura um corte 4 mil milhões – a partir de um Relatório que aponta para mais do dobro, a pensar em dividendos políticos – em regime de chantagem política. Sem quaisquer intenções de reformar o Estado, esgotando todos os seus ímpetos reformadores na legislação laboral e na fraude a que chama reforma autárquica - limitada à fusão de umas quantas freguesias, para manter tudo na mesma, sem tocar nos interesses instalados –, sem sequer tocar nos milhares de institutos e fundações, os mais adiposos das gorduras inventariadas, sem pensar sequer numa forma de reduzir o maior dos encargos do Estado, o governo aposta tudo no aproveitamento das actuais circunstâncias do país para levar por diante a sua agenda ideológica!

Um país ingovernado à beira da ingovernabilidade

TAP: PSD quer explicações urgentes do primeiro-ministro sobre “desgoverno  do país”


Que Portugal é um país sem governo - ingovernado - não vai parecendo carecer de prova. 


A maioria absoluta é o maior axioma da governabilidade. As agências internacionais, que procuram encontrar sinais de estabilidade nos países para garantir a sua viabilidade, que é como quem diz, estabilidade para os investimentos, e que muitas vezes se baralham, e precipitam nas suas conclusões, vêm sempre com os melhores dos olhos as maiorias absolutas de governação. 


António Costa, acabado de receber no colo a tão inesperada quanto desejada maioria absoluta, ainda a beliscar-se para confirmar que não estava a sonhar, apressou-se a declarar que  “a maioria absoluta não significa poder absoluto. Pelo contrário, a maioria absoluta corresponde a uma responsabilidade absoluta para quem governa”. Só que rapidamente trocou a ordem dos pressupostos, com o "poder absoluto" a passar a perna à "responsabilidade absoluta", a ponto de asfixiar por completo a responsabilidade. Absoluta ou relativa!


E caiu na irresponsabilidade. É certo que nem tudo é culpa exclusiva da maioria absoluta. Esta, conjugada com ausência de oposição - com o maior partido mergulhado na sua própria incapacidade, e o segundo, que  apenas espera que a receita do populismo levede, a servir-lhe de fermento - acabou por convencer António Costa que "o poder absoluto" tornava a responsabilidade dispensável. Daí, ao absoluto descontrolo da governação dos últimos meses, foi um pequeno passo para António Costa, mas um grande salto para o "desgoverno".


 Basta então encontrar sinais de ingovernabilidade.


É evidente que o "desgoverno" acabará, mais dia menos dia, com este governo. Tão evidente como a incapacidade  e a pulverização da oposição se revela incapaz de gerar alternativas fiáveis. A erosão a que este governo fatalmente condenará o PS torna a "geringonça" irrepetível. E o populismo, levedo, acabará por tomar conta da alternância que tínhamos por adquirida, sem que se torne alternativa. 


Se isto se não tornar evidente para António Costa, e se, mesmo que se torne, não tiver já condições para assumir as responsabilidades que lhe cabem, esta maioria absoluta acabará com a governabilidade e, definitivamente, com o regime. 


Se é que não acabou já! 


 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Esperei… esperei… Já passaram mais de 15 horas e nada. Nenhuma reacção. A máquina – altamente lubrificada, sempre operacional e tão rápida e eficaz a reagir, a que nem sequer uma suposta gafe de trinta segundos escapa – engasgou!


Ficou sem capacidade de resposta… Gripou!


Não. Não foi Luís Filipe Vieira que calou Pinto da Costa. Foi Pinto da Costa que se calou a si próprio: “pela boca morre o peixe”!


O presidente do Benfica limitou-se a usar a memória. Mesmo a recente. A lembrar… Coisa que mais ninguém faz e de que, pelos vistos, o vitalício presidente do Porto não gosta muito!


Penso eu de que… Sim, porque falar de arbitragens é ridículo e estúpido!

MEP

Perguntas e respostas: O que se sabe sobre o mecanismo para escrutínio de  novos governantes - Atualidade - SAPO 24


O mecanismo de escrutínio prévio (mep), apresentado por uma ministra em esfinge palerma (mep), a Mariana  estrela precoce (mep) do governo, é apenas a ideia mais estúpida e parva (mep) de António Costa. Mais uma, sem ponta por onde se lhe pegue.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Meia hora diabólica – com quatro golos em sete minutos, entre os 8 e os 15 – e, depois, um último quarto de hora de controlo. Do jogo e das emoções. Foi assim a primeira parte deste clássico.


E foi quase ao contrário na segunda: só no último quarto de hora regressou algum frenesim ao jogo. Foi tempo do Benfica procurar o golo – o jogo teve uma única oportunidade clara de golo, aos 77 minutos, com Cardozo, isolado, a permitir que o Helton desviasse a bola, que seguiria para o poste e deste para a linha final pelo lado de fora da baliza – e do Porto defender o empate e a fechar a porta, fazendo entrar mais um defesa e passando a jogar com três centrais.


Enquanto foi jogado em alta intensidade, com ambas as equipas a marcarem alto, logo à saída da defesa contrária, o jogo não foi sempre bem jogado. Foi sempre emotivo mas nem sempre teve alta qualidade.


E confesso que se notou mais a falta da qualidade do jogo do Benfica. Porque sendo maior nota-se mais, e porque o Porto esteve mais perto do seu padrão qualitativo. No entanto e curiosamente os dois golos do Benfica resultam de jogadas de construídas com grande qualidade de jogo, enquanto os dois do Porto são fortuitos. O segundo, então, apenas acontece porque é uma imperdoável oferta do Artur.


De resto as equipas foram dignas uma da outra, e mostraram pertencer, em Portugal, a outra galáxia. Apetece dizer que não perdem com ninguém. Nem entre elas …


O treinador do Porto, Vítor Pereira, é que uma vez mais não foi digno, nem do jogo nem das equipas. E mais não digo…

Mais do mesmo

Operação Vórtex. O que está em causa e como é que PS e PSD estão  envolvidos? - Renascença


No meio de toda a pouca vergonha que tem dominado a actualidade política só faltava mesmo esta da Câmara de Espinho, a atingir, não um, mas dois presidentes. O actual - que já não é -, e o anterior, que ainda é deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD e vice-presidente de Luís Montenegro. Não um, mas os dois partidos de poder.


O actual, que já não é, começou por dizer que "a investigação incide essencialmente sobre operações urbanísticas realizadas no mandato anterior". E o anterior, que isso era apenas para "desviar o foco da investigação" pois que "o contexto investigatório reporta ao ano de 2022 e respeita a intenções de investimento não concretizadas e a operações urbanísticas tramitadas no actual mandato autárquico, ainda que algumas possam ter transitado de mandatos anteriores"


Diz-se que o actual, que já não é, foi fotografado com "a boca na botija", e escutado a acertar com que notas se fariam os 25 mil euros do seu preço pela aprovação de uns projectos manhosos. As tais "operações urbanísticas realizadas no mandato anterior" que talvez sejam "operações urbanísticas tramitadas no actual mandato autárquico, ainda que algumas possam ter transitado de mandatos anteriores", porque que vai tudo dar no mesmo.


Ou não fosse tudo o mesmo. E mais do mesmo!


 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


É grande, como se sabe, a confusão no Sporting. Enquanto uns penhoram acções, outros penhoram quotas!


Enquanto toda a gente acha que Alvalade está à beira de fechar as portas, há uns tipos de uns bancos que acreditam que haverá sócios a pagar quotas durante os próximos 40 anos.


Acreditam em cada coisa, estes bancos... Depois queixem-se! 


Ou venham-nos pedir mais...

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Boas e más notícias da Póvoa


O Benfica assegurou hoje, na Póvoa de Varzim, a passagem aos quartos de final da Taça de Portugal, com uma vitória por 2-0 sobre o velho Varzim Sport Club. 


Começo pelo desfecho porque é mesmo a melhor notícia que esta noite chegou da Póvoa. E só não é a única boa notícia deste jogo porque há notícias de Enzo Fernandez. E boas!


Não que tenha feito um grande jogo. Que não fez, como dificilmente poderia fazer, mas jogou, mostrou-se empenhado, marcou o golo da tranquilidade e bateu no peito, mostrando aos adeptos o emblema da águia, mostrando que ficou. E que está. Pelo menos enquanto estiver. E, no fim, aquele abraço com Roger Schemidt no meio do campo, foi um abraço cheio. Cheio de reconhecimento pelo treinador, acredito. E cheio de mensagem do treinador para os adeptos, para que o perdoem.


 Enzo Fernandez está perdoado. E não fica amuado!


Do jogo propriamente dito, uma única boa notícia - o grande golo de Grimaldo, a abrir o marcador, logo aos 4 minutos. O resto foi uma primeira parte na linha dos últimos jogos, com muita bola - muita parra, para pouca uva. Nove remates mas, à excepção do livre de Grimaldo superiormente executado, apenas um à baliza. Com o Varzim a defender com duas linhas de cinco, onde o Benfica sistematicamente tentava entrar pelo meio, em tabelas com reduzidas hipóteses de sucesso. Não deu para o habitual desperdiçar de oportunidades golo, porque nem deu para as criar. Nem uma!


Apesar disso, e porque o jogo esteve sempre controlado, parecia que não haveria motivos para preocupações de maior. Mas havia. É que nas poucas oportunidades que os jogadores varzinistas tiveram para agarrar na bola, via-se como se despachavam bem no um para um. Chegou a ver-se, e não foi tão poucas vezes quanto isso - e nem apenas um único - passarem facilmente pelos jogadores do Benfica. E às vezes até a passarem por dois ou três.


Acontecer isto num jogo que estava completamente controlado, era um aviso para o que poderia vir.


E, se poderia vir, veio mesmo. Veio com aquela primeira meia hora da segunda parte, absolutamente pavorosa, com os jogadores do Varzim a ganharem todos os duelos, a ficarem com todas as segundas bolas, e a obrigarem Vlachodimos a ter muito mais trabalho que o velho Ricardo, na outra baliza. Essa meia hora tenebrosa só não acabou mal porque o guarda-redes do Benfica fez uma grande defesa e ... porque a arbitragem não assinalou um penálti (de Grimaldo) que, se calhar, bem poderia ter assinalado. 


Schemidt mexeu na equipa - já tinha trocado Neres por João Mário, ao intervalo, mas apenas para gerir a condição física do brasileiro - trocando o (mais uma vez) nulo Draxler por Florentino, e Grimaldo, tocado, por Ristic. E foram justamente Florentino e João Mário a pôr a ordem na casa que acabou com aquele filme de terror de meia hora. A tempo de lançar o jogo para um quarto de hora final, em que o Benfica recuperou o domínio do jogo, criou finalmente oportunidades, e marcou o tal segundo golo, do Enzo.


Não será este onze inicial (com Lucas Veríssimo - bem a defender, mas mal no passe - e Morato - pouco bem em tudo - no centro da defesa, e sem Florentino, João Mário e Rafa), a equipa base para os próximos confrontos. Mas as indicações deixadas não são as mais tranquilizadoras. Quando o Chiquinho consegue ser dos melhores, fica tudo dito. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Recuemos até à entrada do último Outono: Vítor Gaspar começou por falar de um enorme desvio entre o que os portugueses esperam do Estado e o que por isso estam dispostos a pagar e, logo a seguir, Passos Coelho introduzia a refundação. Com grande confusão – como é hábito – começou em refundação do Memorando da Troika e logo passou a refundação do Estado, ou das suas funções!


Daí ao corte dos 4 mil milhões foi um ver se te avias. Um passo de anão… O número entrava rapidamente na cabeça dos portugueses, com os comentadores do regime a fazerem as contas que não existiam para, mais que o explicar, justificá-lo. Metê-lo - e mantê-lo - bem nas nossas cabeças!


Como numa boa receita de culinária ficou a marinar. Até que ontem, de repente e vindo de uma fuga de informação encomendada, surgia um Relatório do FMI com um role de medidas assustadoras, que representam qualquer coisa como 10 mil milhões de euros de corte nas funções sociais do Estado.


Seguem-se explicações e até desmentidos. Que não, que não é nada daquilo. Que se trata apenas de sugestões, o documento servirá tão só  para ajudar à discussão pública… Mas que está muito bem feito, lá isso está – apressou-se a adiantar o inefável Carlos Moedas!


Mas ele aí está, a fazer livremente o seu caminho. A entrar na cabeça das pessoas, com a ajuda dos fazedores de opinião que vão construindo o edifício da inevitabilidade. E da oposição, que nada faz. Que se limita a chavões de ocasião na mesma lástima de sempre!


Um caminho aberto para o objectivo do governo, onde se chegará mas, então, por obra do esforço e boa vontade de Passos e Portas. A quem haveremos de ficar eternamente gratos por conseguirem que ficássemos por metade daquilo que o FMI recomendava!


É este o guião!


Mesmo o que às vezes parece desorganização e incompetência, faz parte do guião. Bem preparado por gente que não brinca em serviço!


 

Portas giratórias em roda livre

Visão | Portas giratórias na justiça


A recém ex-secretária de Estado do Turismo, que abandonou o governo há cerca de um mês nesta onda de casos que tornou o governo num caos, vai ocupar funções numa empresa turística. Que tutelou, e a quem concedeu benefícios.


A lei impõe um período de nojo de três anos. Período mínimo para que um titular de cargo político possa exercer funções em empresas privadas, relativamente às quais tenha tido intervenção directa. A lei, a mesma, define como sanção, no caso de incumprida, a proibição de regresso ao exercício de funções públicas no idêntico período de três anos. Ou seja, a lei que determina "o crime", determina também que "o crime compensa". E que, quanto maior, mais compensa ainda. De tal forma que nem a ex-secretária de Estado, nem a empresa que a contratou, vêm nela algum tipo de constrangimento. Rita Marques, assim se chama a senhora, fala mesmo de um entusiasmante regresso "legítimo" ao sector privado. A empresa, anuncia um "reforço para alavancar a forte aposta na área do turismo".


No centro do furacão de casos no governo, este não é mais um. É mais que isso!


Porque, sendo mais um gritante caso de desvalorização da ética no serviço público, e mais um flagrante exemplo de falta de auto-crítica da parte de quem hoje preenche o espaço de recrutamento para o exercício de funções governativas, demonstra a falta de vontade, ou a incompetência - é só escolher - do legislador para travar as portas giratórias por onde a promiscuidade circula livremente entre o interesse público, que é de todos, e o privado, que é de cada um.


E sempre dos mesmos!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ao mesmo tempo que dá uns tiros na coligação o governo segura-a com o melhor dos cimentos: o boyismo!


À tempestade do Relatório do FMI, com ministros e deputados do CDS a ameaçar partir a loiça toda, segue-se a bonança de mais um conselho de administração nas mãos de um dos seus boys.


Fica-se sem saber se é o governo a dar uma no cravo e outra na ferradura ou se apenas a estratégia clássica do mais pequeno, que berra para lhe darem o brinquedo.


Manuel Queiró é o novo presidente da CP. Boa pessoa, certamente. Capaz, eventualmente. Aos 60 anos – ou à beira disso -, não se lhe conhece currículo para tamanha tarefa. Não se lhe conhece o exercício de funções executivas onde quer que fosse nem qualquer experiência ou especiais aptidões em transportes, ferroviários ou outros. Mas entrega-se-lhe a responsabilidade maior pela gestão da maior das empresas do sector que mais dores de cabeça dá ao país!


Continuamos a brincar: é o que é. E depois diz-se que o Estado é mau gestor. Tem que começar a dizer-se é que mau accionista… Não sabe escolher os seus gestores!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Alguém fez aparecer aí um Relatório do FMI sobre os cortes na despesa do Estado, a tal refundação. Ninguém sabe quem encomendou este súbito aparecimento, mas percebeu-se que a encomenda deu jeito a Carlos Moedas – ele próprio uma grande encomenda!


Resultado: mais um tiro na coligação. Estes dois tipos são tenebrosos… 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

O novo seleccionador

Martínez ″feliz″ por comandar ″uma das seleções com maior talento do mundo″


Está apresentado o novo seleccionador nacional - Roberto Martinez, o espanhol que abandonou a selecção belga depois do mundial. É o terceiro estrangeiro no cargo, depois de Otto Glória - que no épico mundial de 1966 era treinador, que não seleccionador, esse era Manuel da Luz Afonso - e de Scolari, e será porventura uma das melhores opções para, nesta altura e nestas circunstâncias, substituir Fernando Santos.


Gorada a aventureira, e irracional, hipótese Mourinho, actualmente apenas um "Fernando Santos" mais caro, e sem alternativas credíveis disponíveis no mercado nacional, um treinador estrangeiro experimentado e testado em contexto de selecção - ainda mais numa de topo, a que mais duradouramente liderou o ranking FIFA nos últimos anos - seria sempre uma das melhores escolhas.


Poderá criticar-se a duração do contrato, por entrar já no mandato da próxima direcção. Mas também não seria fácil contratar um treinador de primeira linha sem uma perspectiva de ciclo. E este é já o do mundial de 2026!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Há deputados de que nunca ouvimos falar. Estão lá, levantam-se e sentam-se quando lhes mandam… Fazem parte dos números que contam os votos a favor, as abstenções e os votos contra!


Não sabemos quem são nem de onde vêm. Não sabemos sequer que existem…


Às vezes ouvimos falar deles. Quase sempre pelas piores razões!


É este o sentido de responsabilidade, de rigor e de ética desta partidocracia decadente que consome o país…

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...