
A recém ex-secretária de Estado do Turismo, que abandonou o governo há cerca de um mês nesta onda de casos que tornou o governo num caos, vai ocupar funções numa empresa turística. Que tutelou, e a quem concedeu benefícios.
A lei impõe um período de nojo de três anos. Período mínimo para que um titular de cargo político possa exercer funções em empresas privadas, relativamente às quais tenha tido intervenção directa. A lei, a mesma, define como sanção, no caso de incumprida, a proibição de regresso ao exercício de funções públicas no idêntico período de três anos. Ou seja, a lei que determina "o crime", determina também que "o crime compensa". E que, quanto maior, mais compensa ainda. De tal forma que nem a ex-secretária de Estado, nem a empresa que a contratou, vêm nela algum tipo de constrangimento. Rita Marques, assim se chama a senhora, fala mesmo de um entusiasmante regresso "legítimo" ao sector privado. A empresa, anuncia um "reforço para alavancar a forte aposta na área do turismo".
No centro do furacão de casos no governo, este não é mais um. É mais que isso!
Porque, sendo mais um gritante caso de desvalorização da ética no serviço público, e mais um flagrante exemplo de falta de auto-crítica da parte de quem hoje preenche o espaço de recrutamento para o exercício de funções governativas, demonstra a falta de vontade, ou a incompetência - é só escolher - do legislador para travar as portas giratórias por onde a promiscuidade circula livremente entre o interesse público, que é de todos, e o privado, que é de cada um.
E sempre dos mesmos!
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