sexta-feira, 31 de maio de 2013

UMA ALFORRECA PARA A MESA DO CANTO

Por Eduardo Louro


 


Depois dos insectos, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura recomenda agora que comamos alforrecas.


Não achei grande piada a essa dos insectos. Não é que me choque a ideia de uma imperial com umas pernas de formiga bem passadas. Ou que, na falta de refeições baratas, não aceite refeições de baratas. Formigas e baratas é coisa que nem falta em muitos restaurantes e cervejarias, só que não constam na ementa. É apenas porque isso vai dar numa corrida a tudo o que seja insecto e pôr em causa os mais insuspeitos equilíbrios ecológicos…


Mas, quanto às alforrecas… nada a opor. Só tenho que aplaudir. Afinal aquilo até nem deve ser muito diferente da gelatina, e pode servir para muito mais que mera sobremesa. Há que extingui-las, antes que sejam elas a acabar de vez com o nosso peixinho... E depois ainda há a variante política, muito apreciada nos dias que correm…


 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O SUCESSO ESTÁ A PASSAR POR AQUI

Por Eduardo Louro


 


Vamos percebendo, pelo que nos dizem o Gaspar e o Schauble, o governo e a UE, que está tudo a correr bem. De Gaspar, que está tudo tão bem que até já chegou um novo tempo, o de olhar para o investimento. De Schauble, que graças ao nosso pequeno génio das finanças, o processo de ajustamento português é um exemplo que deve correr mundo. Da UE, que Portugal é um caso de sucesso…


Quando se completam dois anos de intervenção da troika, será interessante pegar em dois ou três dos principais indicadores económicos e ver o que se passou, não esquecendo que nestes dois anos já se passou de tudo. Desde juras a pés juntos de Passos e Gaspar de que as metas seriam cumpridas custasse o que custasse ao nem mais dinheiro nem mais tempo. Desde o falhanço de todas as precisões de Gaspar à revisão das metas em todos os anos!


No quadro abaixo faz-se esse exercício pegando nas metas para 2013 do Memorando assinado há dois anos, para o desemprego, o défice orçamental e a dívida pública, estes, um e outra, o alfa e o ómega do programa de ajustamento. E comparando-as com os últimos números do governo, mas também com os do Relatório da OCDE, ontem apresentado.


 


   Desemprego     Défice  Dívida 
       Pública
Memorando da Troika  13,5% 3,0% 114,9%
Última revisão (Março 2013) 17,7% 5,5% 123,0%
Relatório da OCDE (ontem) 18,2% 6,4% 132,0%
       
Variação  34,8% 113,3% 14,9%


E percebe-se, como todos sentimos, que nada está a correr bem. E percebe-se por que é que Gaspar, ao mesmo tempo que diz que, cumprida a fase da austeridade chegou agora a altura do investimento, vai dizendo que se enganou uma vez ou outra – pedindo pelo meio que tenham pena dele por ser do Benfica - mas que o problema é do Memorando, que foi mal negociado. Exactamente o mesmo que PSD e CDS pediram, cuja negociação teve em Catroga o principal protagonista, que Passos anunciou como programa de governo e para além do qual juraram ir. Como se percebe, porque é um exercício de contorcionismo do mesmo grau de dificuldade, que diga que as diferenças entre as previsões da OCDE e do governo são umas pequenas décimas… Que se explicam por aquele organismo não ter levado em conta o recente Super Crédito Fiscal! 


O tal com que Gaspar quer convencer não sei quem que vêm aí charters de investidores nos próximos seis meses. Para instalar negócios e empresas, desenhar e arrancar com projectos de investimento num contra-relógio diabólico que lhes irá garantir um bom desconto no IRC que irão pagar pelos lucros que haverão de vir das vendas que irão fazer num mercado que não existe. Claro, se todas as licenças e autorizações necessárias não demorarem dois, três, quatro, dez anos a emitir… 


Não se percebe é por que é que os senhores da UE dizem que o sucesso está a passar por aqui...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

SEM RUMO... VÁ LÁ PARA ONDE FOR!

Por Eduardo Louro


 


Já todos perdemos a capacidade de nos indignarmos com a desfaçatez dos políticos que nos governam. Com a falta de vergonha, com a falta de sentido do ridículo, com a aldrabice…


Só isso poderá explicar que Vítor Gaspar diga estas coisas sem que ninguém se importe. Ouvir nesta altura Gaspar dizer, com o ar mais sério deste mundo e a maior das convicções, que “o país está agora numa situação em que pode entrar numa nova fase da recuperação, menos baseada nas exportações”, e que depende agora mais “da dinâmica interna e do investimento produtivo”, dá voltas ao estômago de qualquer um.


Quando tudo falhou, quando até o comportamento estóico das exportações nacionais começa também a ceder, quando já não há tábua a que o náufrago se possa agarrar, Vítor Gaspar vem dar o dito por não dito, inverter o discurso, dizer que é bom o que antes era mau.


Fica provado que Vítor Gaspar tinha um rumo, só que nem ele nem ninguém alguma vez soube qual era. Limita-se a seguir um senhor numa cadeira de rodas, acreditando que ao seu lado, vá ele para onde for, vai bem!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

NÃO HÁ CONDIÇÕES...

Por Eduardo Louro


 


Jorge Jesus irá ocupar por estes dias o centro do debate destas coisas da bola.


Parece-me que o povo benfiquista é hoje, ao contrário de há dois dias atrás, maioritariamente pela saída do treinador. Não sei se o mesmo se passará na opinião publica(da) benfiquista, onde muita gente continua fiel a Jesus.


Não é esse o meu caso, como já manifestei. E não vou, nem repetir argumentos que já utilizei, nem aduzir muitos outros que ainda não apresentei. Vou antes deter-me sobre os argumentos que poderão pesar na sua continuidade.


Diz-se que o Benfica nunca facturou como com Jesus. Que nunca jogou um futebol tão atractivo. Que atingiu um patamar, nacional e internacionalmente, donde há muito estava afastado. Que valoriza jogadores como nunca se viu na Luz.


Tudo isso são verdades. Que não sendo escamoteáveis, cabem – quase todas - na grande questão das atribuições do treinador e da estrutura do negócio do futebol. Se tudo se deve a Jesus. Se o Benfica nada fez por isso, se Luís Filipe Vieira não só pactuou com o afastamento de Rui Costa, como assinou por baixo a entrega de toda a estratégia e de toda a operação do negócio a Jorge Jesus.


Pelo que é possível perceber, fica a ideia de que assim foi. Que LFV entregou tudo nas mãos do treinador que, saindo, tudo levará. Porque não se percebe - pela comunicação, verdadeiramente desastrada, pela (falta de) interacção com a equipa B, pela gestão de jogadores, com evidente tratamento diferenciado entre os contratados pelo treinador e os outros, que já estavam, de formação ou não - uma estrutura homogénea e coesa a funcionar em perfeita harmonia.


Só que Jorge Jesus partiu a corda da confiança que o ligava aos adeptos e, bem pior, a que o ligava ao balneário. A confiança dos adeptos poderia até ser recuperável, sabe-se como é curta a distância de besta a bestial: bastaria iniciar bem a próxima época. Mas, sem a confiança do balneário, perdido como é claro que está o balneário, isso é uma utopia…


Jesus não tem condições de ficar na Luz, como – creio – toda a gente percebe. Só que isso – é esse o drama - lança-o para os braços de Pinto da Costa, que esperou meticulosamente por este momento. Um momento de supremo de gozo! De tanto gozo que acabará por lhe turvar a racionalidade e a clarividência…


Que Jesus continue no Benfica, sem quaisquer condições de êxito, mas apenas para evitar isto, é que não faz sentido!

DEBATE FORA DE HORAS

Por Eduardo Louro


 


Por mais de uma vez dei aqui nota da minha surpresa pela falta de debate em torno da co-adopção, chegando a adiantar algumas hipóteses – umas simpáticas, outras nem tanto - para isso.


Começa agora a perceber-se que a discussão que faltou antes não falta agora, depois de aprovada a lei. É mesmo o tema de hoje do Pós e Contras, o programa da RTP que, sem que perceba bem por quê, foi transformada no grande fórum de debate das grandes questões nacionais…


E já se percebeu por que é que o debate está agora lançado. É que, tal como há quinze anos atrás, no primeiro referendo à legalização do aborto, as contas saíram furadas. Na altura foi um dia de sol de finais de Junho que tornou a praia bem mais apelativa. Dando como certa a vitória do SIM, as pessoas preferiram a praia à Assembleia de Voto, mesmo não sendo incompatíveis. Agora, foi a liberdade de voto dada aos deputados do PSD que trocou as voltas aos que davam como certo o chumbo da proposta de lei do PS. A surpresa não foi muito diferente!


Os surpreendidos de então tiveram de esperar quase dez anos. A oportunidade para legalização do aborto chegaria só em 2007. Os surpreendidos agora não estão dispostos a esperar. Querem resolver isto já, mesmo que seja em Belém. E lançam agora o debate que não fizeram por serem favas contadas!


 

LER OS OUTROS

Por Eduardo Louro


 


A imperdível crónica de Ferreira Fernandes, no DN. Brilhante:


 


"Quem não se sente não é filho de boa gente. Cavaco Silva tem razão em indignar-se por aquilo que um cronista fez publicar ontem num jornal. Uma coisa é criticar, e todos somos passíveis de que não gostem de nós, mesmo injustamente. Mas há palavras e palavras. Pode dizer-se que Cavaco Silva não é brilhante a falar e que se engasga em público mais do que seria de esperar num político. Mas não se pode dizer aquilo. Quer dizer, poder dizer, pode-se: em matéria de opinião, pode dizer-se tudo. Mas isso em conversa de tribunal, onde a liberdade de opinião (e felizmente) está defendida. Dito isto, não se diz aquilo que foi dito e publicado, ontem, sobre Cavaco Silva. Uma coisa é chamar-lhe "burlesco" ou "cómico" ou qualquer outra palavra similar, tanto essas palavras estão - infelizmente, mas é assim - conotadas com os políticos. Mas o que o cronista disse ontem fere o homem público no âmago do que ele faz, desqualifica-o na sua função: "Sozinho, completamente sozinho, o dr. Cavaco Silva conseguiu arruinar a Presidência da República. A Presidência da República não tem hoje autoridade, influência ou prestígio", foi dito por Vasco Pulido Valente, ontem, e publicado no Público. É opinião e eu já disse aqui várias vezes que processar uma opinião é como tentar caçar o vento. Só enobrece Cavaco não ter perguntado ao Ministério Público se há ou não matéria para processo no maior insulto que lhe fizeram esta semana".

domingo, 26 de maio de 2013

VIRAR A PÁGINA

Por Eduardo Louro


 


Fui sempre um crítico de Jorge Jesus, o que nunca me impediu de lhe reconhecer muitos dos seus indiscutíveis méritos. Mas não é sobre os seus méritos e deméritos que hoje pretendo aqui discorrer, sobre isso já muito escrevi. De só saber de futebol, de que resulta nem de futebol saber, da (in)capacidade de comunicação, da gestão do plantel, da capacidade de valorizar de jogadores, mas também de desvalorizar, das apostas bem sucedidas, mas também das que não passam de teimosia, da falta de senso e de equilíbrio – mais do que de humildade - que acaba em arrogância…


É para dizer que, ao contrário da grande maioria da opinião benfiquista, há muito que entendo que o seu contrato não deve ser renovado. Começo por dizer que, sendo incomum, não é absurdo que um treinador que ganha tão pouco como Jesus ganhou tenha contado, quatro anos depois, com um apoio tão esmagadoramente maioritário. Esse apoio justifica-se, antes de tudo, pela História recente, marcada pela hecatombe por que o clube passou nos consulados de Manuel Damásio e Vale e Azevedo, que hipotecou duas décadas da vida do Benfica. E, depois, porque foi Jesus que devolveu o bom futebol ao Benfica, e com ele a aproximação ao Porto e a capacidade de fazer sonhar os benfiquistas. A ilusão de que o sucesso está próximo, de que para o ano é que é, é maior que as desilusões destes últimos três anos, e por isso lhe perdoam os erros que estão por trás dos sucessivos inêxitos.


Estou em crer que a decisão da renovação de Jesus, se exclusivamente baseada em critérios de racionalidade, teria de passar pela resposta a uma questão central. Que é a de saber se o patamar que o futebol do Benfica atingiu com Jorge Jesus, o mesmo que o Porto há muito atingiu, é obra exclusiva de Jorge Jesus. Se tudo o que tem envolvido o futebol do Benfica está nas mãos do treinador ou se, pelo contrário, corresponde ao desenvolvimento de uma estrutura que acompanhou, mas não se deixou substituir, antes se afirmou com Jesus.


Parece que a resposta seria clara: se este patamar é obra do treinador, é a prova que é indispensável. É verdade que não ganhou, mas se sair tudo terá que ser recomeçado do zero e, em vez de poder ganhar já para o ano, vamos ter de voltar a esperar – algo que não aconteceu com o próprio Jesus, que apenas ganhou no primeiro ano, mas que é opinião respeitável. Ao invés, se a resposta fosse contrária, se a estrutura do Benfica é capaz de manter o futebol da equipa neste patamar, a função de Jesus estaria cumprida e seria hora de mudar de treinador.


Sucede que se a estrutura do futebol do Benfica nada tem a ver com o crescimento do futebol, se todos os méritos são de Jesus, só pode ser incompetente. Não há treinadores que cubram uma estrutura incompetente… e não é Ferguson quem quer!


Claro que, depois de perdida também a Taça, é mais fácil não renovar com Jorge Jesus, e a maioria que ontem reclamava a renovação do contrato será hoje uma imensa minoria. E no entanto a exibição e a derrota da final da Taça não trouxe nada de novo para cima da mesa. Nada do que se passou foi novo… Foi uma equipa imatura, que não sabe controlar um jogo. Que, se não tem condições para o jogar em alto ritmo, já não o sabe jogar. Uma equipa mentalmente destruída, sem motivação, sem querer e sem crer E esse é outro dos pontos fracos de Jesus: o trabalho mental e motivacional. Não aprendeu, já não aprende!


Jesus não tem condições para continuar. Perdendo como perdeu, perdeu autoridade de continuar a dizer qual é o caminho para o futebol do Benfica. Se não resultou, quem acredita que venha a resultar?


Quem também chegou ao fim da linha é Cardozo. Pelo episódio que protagonizou no Jamor mas, para além disso, porque condiciona em demasia o jogo da equipa. Prende a equipa, bloqueia-a e limita-a. E não é jogador para ser suplente, entrar e resolver um jogo.


Tal como a Jesus, estamos agradecidos pelos seus préstimos. Mas é hora de virar a página!

PESADELO

Por Eduardo Louro


 


Não há qualquer desculpa. Não há desculpa nenhuma do golo fora de jogo, não há nada para desculpar com o super dragão que apitou o jogo…


Há o pesadelo de uma derrota que, de circunstancial, tem apenas os três golos que fizeram o resultado. De resto uma derrota que se tornou esperada desde o início da segunda parte. Só faltava saber se seria, como as outras, aos 93 minutos…


O que se passou hoje no Jamor não tem nada a ver com o que passou no Dragão, nem com o que passou em Amsterdão. Hoje foi muito pior …


Hoje defrontavam-se uma equipa que não tinha nada a perder e outra que tinha tudo a perder? Uma, que se ganhasse ganhava tudo e outra que, ganhando ganhava pouco?


Quando assim é a motivação de uma equipa não tem nada a ver com a da outra?


Tretas… O Benfica não ganhou nada. Aqueles treinadores e aqueles jogadores não ganharam nada. Só tinham que ganhar aquilo que ainda havia para ganhar, e não pode haver mais motivação que essa!


Tem é que ser preparada. Com competência!  

sábado, 25 de maio de 2013

UMA GRANDE FINAL

Por Eduardo Louro


 Bayern conquista o quinto título europeu


Um grande jogo, uma grande final!


Foi a primeira final alemã, a revelar o futebol alemão em todo o seu esplendor, a confirmar o início de uma nova era no futebol europeu, e talvez mundial. As meias-finais da Champions já tinham marcado esta passagem do testemunho, quando os dois primeiros classificados do campeonato alemão eliminaram os dois primeiros do campeonato espanhol. Esta final confirmou que a Alemanha domina o futebol na Europa como domina tudo o resto. Só que futebol é futebol, o domínio exerce-se de outra maneira: gera admiração e não revolta!


Foi uma daqueles jogos em que raramente um jogador perde a bola, é sempre o adversário que a ganha. Sempre disputado em alta intensidade, com níveis de exigência física e técnica absolutamente insuperáveis, entre duas equipas de excepção. Que, com plantéis de qualidade superlativa, fizeram (cada uma) a primeira substituição, em simultâneo, aos 90 minutos!


E o Bayern, com toda a justiça, ganhou. Quebrando o enguiço e ganhando o triplete - campeonato e taça da Alemanha e Champions – que, com o Benfica, com os resultados conhecidos, perseguia.


Benfica que não esgotava nessa hipótese de triplete os pontos de contacto com este Bayern, liderado por uma dos treinadores de mais má memória no Benfica. É que, para além de serem duas equipas que apresentam o futebol que mais se assemelha, são os que mais finais europeias perderam. Mas, acima de tudo e agora o mais importante, a vitória de hoje da equipa bávara garantiria, como garantiu, o Benfica no pote 1 do próximo sorteio da Champions!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

CARREGAR NO BOTÃO

Por Eduardo Louro


 


Não sei se estará para breve a queda do governo. Se estiver, cai por dentro, como sempre acontece!


O que sei é que já não é Portas a única hipótese para carregar no botão. Há mais gente a chegar-se à frente. O PSD está a mexer-se. E de que maneira!  

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O ÚLTIMO A SABER

Por Eduardo Louro


 Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira


Ontem vi a entrevista do Ministro da Economia à RTP - ao Vítor Gonçalves - onde Álvaro Santos Pereira teve momentos de meter dó, de quase não dizer coisa com coisa. Hoje esteve ao lado de Vítor Gaspar, e no meio de toda equipa das finanças, na apresentação do dito pacote de estímulos à economia, do super-crédito fiscal, como lhe chamam.


Fiquei com a ideia que, ontem à noite, terminada a entrevista, o Álvaro não fazia a mínima ideia que hoje estaria ali. E que nem lhe passava pela cabeça do que haveria para anunciar… Quer dizer, fiquei com a ideia que o Álvaro já não é ministro há muito tempo mas que ainda não o sabe. E que será sempre o tal, o último a saber!

VIRAR PALHAÇADA

Por Eduardo Louro


 


Ao que se vai sabendo, à medida que o que se lá passou vai sendo trazido cá para fora – porque há gente que lá está que faz disso modo de vida -, a reunião do Conselho de Estado esteve quentinha, e não correu nada ao jeito do Presidente, que só estava interessado no pós-troika. Bom, convergência e consenso também davam jeito…


De resto, se percebemos muito bem por que Marques Mendes convocou o Conselho de Estado - obviamente para alimentar três ou quatro dos seus programas televisivos: um a anunciá-lo e dois ou três a chibar-se sobre o que lá se passou – ainda não conseguimos perceber por que é que Cavaco confirmou essa convocatória. Para pagar dívidas, provavelmente…


A coisa foi de tal ordem que só faltaram cadeiras pelo ar, porque de resto houve de tudo. Até um comunicado final imposto pelo Presidente, que nada tinha a ver com o que lá se passara. Bonito… Sem dúvida. E bem demonstrativo do Presidente que temos …


Houve naturalmente quem não gostasse e tivesse liderado uma rebelião. E o Comunicado esteve por um fio…até que lá veio Marcelo Rebelo de Sousa, sempre conciliador, a pôr água na fervura. E a cozinhar aquela coisa do “adequado equilíbrio entre disciplina financeira, solidariedade e estímulo à actividade económica”. Ou do “enfrentem, com êxito, o flagelo do desemprego que os atinge e reconquistem a confiança dos cidadãos”. Sem dizer nada do que lá se tivesse passado: isso ficaria para si próprio e para o seu colega de partido e de ofício…


Não tenho grandes dúvidas que, por muito que Marques Mendes insista, Cavaco não voltará tão depressa a convocar o Conselho de Estado. Tenho é dificuldade em perceber por que é que toda aquela gente se aguentou lá aquelas horas todas sem bater com a porta e deixar o Presidente a falar sozinho, mesmo que sozinho nunca ficasse: dois deles ficariam sempre até ao fim, para poder contar tudo…


Não fiquem já a pensar que foi isso que fez Mário Soares. Esse apenas tinha que se deitar cedo…


É também por isto que o regime virou palhaçada...


 


 

CO-ADOPÇÃO

 Convidada: Clarisse Louro *


 


A Assembleia da República aprovou na passada sexta-feira a co-adopção, lei que permite a extensão da adopção ao cônjuge homossexual e que, sem qualquer dúvida, abre as portas à adopção plena por casais homossexuais, colocando Portugal - o quinto país a aprová-la - na vanguarda mundial nesta que é uma das matérias fracturantes nas sociedades actuais.


Irei eventualmente desiludir quem pudesse já estar à espera que eu começasse por manifestar e defender a minha posição nesta questão. Mas aviso desde já que não é isso que me move. Estou mais interessada em reflectir sobre a maneira como me pareceu que a sociedade portuguesa se alheou deste debate. E é por aí que vou, se não se importam…


Lembro-me do debate da legalização do casamento entre homossexuais. Lembro-me de um debate aceso e lembro-me que os que se lhe opunham acabavam por, de certa maneira, lhe relativizar a importância para projectar a da adopção. Diziam que a legalização do casamento entre homossexuais era apenas um passo para a adopção. E que esse sim, seria o problema…


Isto passou-se há pouco mais de três anos. Se era um passo e esse o problema, a co-adopção é agora o passo decisivo e final. E no entanto não se percebeu que o debate tivesse sido vivo, que tivesse atravessado a sociedade portuguesa, nem sequer que tivesse deixado para trás quaisquer fracturas.


É certo que houve algum esboço de debate, mas limitou-se praticamente à blogosfera. E mesmo aí apenas pela mão de meia dúzia de fundamentalistas de direita, com a utilização de argumentação primária – “estão a dar dois pais ou duas mães a crianças que têm direito a uma família”, ou “uma família nunca são dois pais ou duas mães”, ou, menos aceitável ainda, “que essas crianças correm o risco de, chegadas à adolescência, serem seduzidas pelos pais” – facilmente rebatível por quem estava do outro lado. Há dezenas de milhares de crianças que, pelas mais diversas razões perdem o pai ou a mãe, e que não são criadas em família convencional. E nunca ninguém poderá dizer que, para uma criança, qualquer coisa seja preferível a ser criada por uma mãe e uma avó, ou por um tio e um irmão mais velho…


Mas a verdade é que, fora desse nicho, a sociedade portuguesa passou ao lado deste debate. O que permite duas ou três
leituras: ou a sociedade portuguesa cresceu de tal forma nestes últimos três anos que atingiu já a maturidade cívica das sociedades mais desenvolvidas da vanguarda mundial, e este é, por isso, um tema pacífico, que não merece grande discussão; ou a sociedade portuguesa está tão debilitada, de tão massacrada por este processo de destruição que atravessa o país, que já não tem reserva moral para este tipo de debate; ou mesmo que a pressa foi tanta que o debate não chegou verdadeiramente a ser lançado.


Confesso que me inclino mais para as duas últimas. Mas poderei estar enganada!


Gostaria, muito, de estar enganada. Para que a aprovação desta lei possa representar o real alargamento do campo de oportunidades para tantas e tantas crianças para quem só adopção rima com projecto de vida. Que não se esgota na própria adopção, na família – convencional ou nem por isso - mas que passa, decididamente, pela forma como a sociedade, depois, a aceita. E as aceite. A elas, a essas crianças, porque são elas, e não os homossexuais nem os seus lóbis, que têm de ser o princípio e o fim desta lei!


 


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

quarta-feira, 22 de maio de 2013

TROCA DE EMBAIXADORES

Por Eduardo Louro


 


Pelo que vejo por esta blogosfera fora (aquiaqui e aqui, por exemplo, porque o tema está em todo lado e tratado de todas as formas) não percebo como é que o ministro Miguel Poiares Maduro não substituiu ainda o outro Miguel, empossado pelo anterior Miguel na pasta, pelo novo herói do empreendedorismo, o Martim. Se o outro, um espalha brasas a bater punho, é a cara do Relvas, do velho Miguel este, ainda mais jovem, sem olhos esbugalhados nem ar de esgazeado, e de voz suave, vai bem melhor com a imagem deste novo Miguel…


E se ambos têm o mesmo e infalível certificado de garantia do Prós e Contras, não é fácil de perceber por que é que o ministro Miguel Poiares Maduro não trocou já o embaixador do Impulso Jovem!

MULHERENGAR

Por Eduardo Louro


 


Temos a ideia que o caciquismo é coisa de zonas mais rurais, do interior do Portugal profundo. Coisa do analfabetismo. Que nas zonas mais desenvolvidas, nos concelhos que atingem os mais altos índices de desenvolvimento, com os mais altos níveis de educação, o caciquismo não tem condições de medrar… É por isso que o Isaltino não é cacique. É apenas um inveterado mulherengo… 


Isaltinar não é mais, afinal, que ter um fraquinho por mulheres. Mulherengar

terça-feira, 21 de maio de 2013

COISAS DE HOJE XI

Por Eduardo Louro


 


Não se percebe bem como, mas parece que é verdade: três anos depois, Portugal abandonou o clube da bancarrota.


A gente vê estas coisas e fica a achar que cada vez percebe menos disto...


O Presidente confirma a convocatória do Conselho de Estado oportunamente feita por  Marques Mendes, e anuncia que é para discutir o pós troika: agora já nem há que discutir. Foram sete horas de reunião - apenas duas para o Dr Soares que, naquela idade, tem de ir cedo para a cama - que, pela ausência de conclusões, deverão ter sido passadas a perceber como o Benfica perdeu o campeonato. Ou a arbitragem do jogo do Porto com o Paços ... 


A dívida não pára de subir, e a Alemanha empurra-nos com toda a força para os mercados - quer é ver-se livre de nós - onde iremos de bater de frente com taxas de juro insuportáveis, para que para eles sejam negativas. O défice é cada vez maior, o que significa mais dívida para cima da dívida. A recessão e o desemprego seguem em via verde, fazendo que mesmo a mesma dívida seja ainda mais dívida. Mas já é uma dívida sem risco. Está bem: quase não há risco... Estamos ali ombro a ombro com o Iraque, um rival de peso, como se percebe...


 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

CONSELHO DE ESTADO

Por Eduardo Louro


  



 


Compete ao Conselho de Estado (artigo 145º da Constituição da República):



  1. Pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República e das Assembleias Legislativas das regiões autónomas;

  2. Pronunciar-se sobre a demissão do Governo, no caso previsto no n.º 2 do artigo 195.º;

  3. Pronunciar-se sobre a declaração da guerra e a feitura da paz;

  4. Pronunciar-se sobre os actos do Presidente da República interino referidos no artigo 139.º;

  5. Pronunciar-se nos demais casos previstos na Constituição e, em geral, aconselhar o Presidente da República no exercício das suas funções, quando este lho solicitar.


Ao abrigo desta última alínea: o pós-troika. Obviamente!


No pasa nada...


 


 

domingo, 19 de maio de 2013

PARA O ANO HÁ MAIS

Por Eduardo Louro


 


O campeonato acabou hoje. Para mim acabara na semana passada…


Prematuramente?


Não! Para o Benfica é que acabara prematuramente, duas semanas antes, na Madeira. Vá lá saber-se porquê!


Parece-me que há uma jogada e um jogo que têm muito a ver com este insólito desfecho do campeonato. E nem o jogo é o do Estoril - nem o primeiro do campeonato, na Luz, com o Braga, do golo invalidado a Cardozo no último minuto, nem o de Coimbra dos tais dois penaltis, nem o do Nacional... - nem a jogada é aquela do Kelvin-Liedson-Kelvin…


A jogada é aquela obra de arte que culminou no 2-0 ao Sporting. Estranho?


Talvez, mas aquela fantástica jogada teve consequências muito para além do golo de Lima. Deu origem ao limpinho… limpinho, com tudo o que isso trouxe. E acabou por ter algo  de enganador, que maquilhou uma realidade que precisava de ser enfrentada. Porque é bom ganhar quando nem tudo está bem, mas não é bom não o perceber.


O jogo foi o da Madeira, com o Marítimo. Que, vá lá saber-se por quê, não foi encarado como mais um jogo que tinha de ser ganho, mas como o jogo que ganhava o campeonato…


Claro que, hoje, só Fátima poderia provocar outro desfecho na Mata Real mas, como se sabe, o plafond de milagres ficou esgotado com o fecho da sétima revisão da troika… Em vez disso houve passadeira vermelha, não estendida pelo adversário, como a da Madeira há duas semanas atrás, mas nem por isso menos estendida… Logo aos vinte minutos o árbitro resolve inventar um penalti. Com expulsão. E pronto…


Para o ano há mais. Que não seja do mesmo...


 

Distracções

Por Eduardo Louro


 


Não me apercebi de qualquer impacto destas palavras. Se calhar é porque tenho andado distraído...

sábado, 18 de maio de 2013

FRASE DA SEMANA

Por Eduardo Louro


 


- “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”.


- “Ainda está para nascer alguém mais sério que eu”


- “Eu avisei…”


Todos conhecemos o autor destas frases, e o culto do ego que está por trás delas. A todas estas acrescenta-se agora aquela que foi a frase da semana:


 “…uma inspiração do 13 de Maio, é o que a minha mulher diz”.


Frase que, lida em conjunto com a que a antecedeu – “foi tomada hoje uma decisão muito importante para o futuro…” – poderá não elevar o fecho da sétima avaliação da troika a acontecimento da semana, mas eleva o seu autor, na sua própria apreciação, mais do que à simples condição de salvador da pátria, a agente de intermediação divina!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

DÚVIDAS (III)

Por Eduardo Louro


 


Lembro-me do debate da legalização do casamento entre homossexuais. Lembro-me que os que se lhe opunham acabavam por mitigar essa sua posição, relativizando a importância desse acto para enfatizar um outro, que estaria afinal por trás da legalização do casamento. Diziam que a seguir viria a adopção, e que esse sim, seria o problema…


Isto passou-se há pouco mais de três anos. Hoje, quando na Assembleia da República se votam dois projectos sobre a matéria, pelo que se vê, a co-adopção não levanta grandes fracturas na sociedade portuguesa. Nem entre os que há três anos atrás encontravam aí o grande problema do casamento que então se legalizava…


Quererá isto dizer que a sociedade portuguesa progrediu em três anos mais que anteriormente em décadas? Que atingiu a maturidade política e cívica das sociedades mais desenvolvidas, civilizadas e educadas?


Ou será que a crise também tem alguma coisa a ver com isto? 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

INCOMPETÊNCIA: DIZ ELA...

Por Eduardo Louro



Pois… Agora é toda a gente contra a austeridade. Desconhece-se é o que é que isso vale…


O governo foi para além da troika. E da troika veio o troco: não tem nada a ver com esta desgraça, a responsabilidade é de quem governa e aplicou o programa. Durão Barroso, em vez de presidir à Comissão Europeia, portou-se sempre como mero porta-voz dos interesses alemães. Como o cachorrinho de Merkel…


Poderíamos dizer que “Roma não paga a traidores”. Ou que Berlim mata o mensageiro para acabar com a mensagem… Mas também que Durão Barroso merece esta capa!

MAIS COISAS QUE NÃO SE PERCEBEM

Por Eduardo Louro




Só faltava isto. Não sei se sou eu que estou a ficar velho, se é esta malta nova que está a passar os limites...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

VIVA O BENFICA!

Por Eduardo Louro


 


Não há vitórias morais. Mas… Viva o Benfica!


Não há sorte e azar. Mas há!


Não há bruxas. Mas até parece… O mesmo resultado, o golo no mesmo último minuto…


O Benfica foi superior ao Chelsea nesta final. Completamente: individual e colectivamente, técnica e tacticamente. Só não o foi no plano físico mas, mesmo aí e surpreendentemente – para quem tem visto os últimos jogos – o Benfica esteve bem. Não rebentou, embora a perspectiva do prolongamento fizesse temer o pior.


Jogou melhor, muito melhor que o Chelsea. Mas não chega. Para o Benfica nunca chega jogar melhor que os adversários. É sempre preciso qualquer coisa mais… Foi anulado um golo – que seria o primeiro do jogo – sem que ainda agora consiga perceber por quê. E sofreu logo a seguir um golo, que começa num lançamento longo do guarda-redes: nem devia valer!


O Benfica reagiu bem, não teve medo e continuou a ser melhor. Chegou rapidamente ao empate, e continuou por cima. Jorge Jesus tinha arriscado tudo, já jogava com Gaitan a lateral esquerdo. E perdeu Garay. Perdeu Garay, o melhor defesa, e com Enzo e Matic o melhor jogador em campo, e a oportunidade de mexer na equipa, esgotando aí as substituições!


Faltavam dois minutos para os 90 quando Lampard acerta no ferro da baliza de Artur. Era o sinal por que se esperava: tinha sido assim ao longo da competição, a seguir a uma bola no ferro o Benfica marcava. Voltou a ter oportunidade para isso, mas voltou a falhar, como tantas vezes tinha já falhado. E no último minuto… Se o primeiro nem devia valer, o segundo, então…


Nasce de um canto em que Jardel – que substituíra o Garay - é passarinho. Depois, continuou passarinho, a olhar para a bola, sem a atacar, deixando que o André Almeida deixasse sozinho o mais alto e melhor cabeceador do Chelsea, o sérvio Javanovic.


A bola foi ao centro, e Cardozo tem ainda mais uma oportunidade imensa de voltar a marcar. Não se percebe o que lhe aconteceu aos pés e voltou a falhar… É isso, nestas andanças não se pode falhar. A concentração competitiva e a força mental – que se trabalham, como a condição física e a qualificação técnica - são mais importantes que tudo o resto. Sem isso há sempre muito azar. É o nosso fado!


Claro que não há nada a apontar aos jogadores. Que, face ao que se passara no sábado, poucos esperariam que entrassem em campo como entraram. E que fizessem o jogo que fizeram. Claro que vamos ao aeroporto receber os jogadores em festa. Claro que no próximo domingo vamos encher a Luz, com aquela fé imensa, como os jogadores merecem. Mas estou farto do azar. Estou farto que, quando realmente importa, a sorte esteja sempre do outro lado…  

É PARA GANHAR!

Por Eduardo Louro


 


A exemplo do último sábado de má memória, o Benfica parte em desvantagem para a final de hoje em Amsterdão. Uma desvantagem que decorre, como na do jogo de sábado, da História, mas também da mesma simetria de comportamento competitivo nesta altura da época, com o Chelsea a abordar esta fase final das competições em clara curva ascendente, bem evidente na forma como fechou o terceiro lugar na Liga Inglesa, em aproximação rápida ao City e a despedir-se de Arsenal e Totteham, deixando-os ambos a contas com o quarto lugar que dá Champions. E Vilas Boas a disputar o seu verdadeiro campeonato, mercê do objectivo declarado para a época: ficar à frente do Arsenal. Parece que não o atinge!


Ao Benfica, o desgraçado resultado de sábado, apenas acentuou fase descendente em que já há alguns jogos entrara. E, evidentemente, bem abalou os índices de confiança que se pretendiam reforçados para esta final.


A História, que como então aqui disse, não ganha jogos mas mete fantasmas lá dentro, aqui é diferente. E aqui há duas Histórias – uma velha e longa, feita das oito finais europeias do Benfica, e outra nova e curta, feita apenas do ano passado. Em que o Benfica foi superior e superiormente prejudicado, mas que foi o Chelsea a ganhar, até chegar a campeão europeu.


Pouco diz, esta História recente. Até porque este Chelsea que hoje se vai apresentar na Arena de Amesterdão é – parece-me claro – bem melhor que o que conquistou o título máximo do futebol que ainda hoje ostenta (o Chelsea poderá, se vencer hoje, tornar-se no primeiro clube portador, em simultâneo, dos dois maiores títulos europeus). A outra sim. É pesada: nas oito finais já disputadas o Benfica apenas ganhou as primeiras duas. Com ou sem maldição de Guttman, é a História!


Mas, como os recordes são para abater, também a História é para ultrapassar. Para ficar para trás, não fosse a História feita disso.


As finais são para se ganhar! É uma frase feita, mas também o paradigma do espírito vencedor. Disputar uma final só pode servir para a ganhar, mesmo que percebamos que há quem nos queira fazer crer do dever cumprido pelo simples facto de lá chegar…

terça-feira, 14 de maio de 2013

QUE FIZEMOS NÓS PARA MERECER ISTO?

Por Eduardo Louro


 


Não vale a pena. Por mais que nos esforcemos nunca seremos capazes de perceber os limites deste senhor...


E depois desculpa-se com a mulher. Triste, muito triste... Será mesmo que não mereceríamos outra coisa?


 


 

EM PARIS...

Por Eduardo Louro


 


Depois do FMI, agora que já ninguém se lembra do que foi o seu Relatório, das boas às más propostas, chegou a vez da OCDE. Com o mesmo destino: primeiro pôr a mão por baixo das medidas que o governo anuncia e, depois, seguir para o caixote do lixo!


Neste Relatório a OCDE quer acabar com tudo. Com tudo menos com o que realmente nos aflige. Mas alegremo-nos: o défice para este ano deverá ficar nos 5,5% e já se prevê crescimento económico … para 2020!


Tudo isto dito em Paris. É verdade, um Relatório encomendado pelo governo português e sobre Portugal, é apresentado com pompa e circunstância  em ... Paris. Com a presença do primeiro-ministro. Sem ponta de vergonha, evidentemente!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

DO TAXI À LAMBRETA

Por Eduardo Louro


 


O CDS, este CDS/PP de Portas, tornou-se rapidamente no mais desprezível dos partidos. Representa hoje, como mais nenhum – o que com este PSD e este PS era francamente difícil – o pior do sistema partidário que seca o país e asfixia o regime.


É o que Portas vem fazendo. É o que Portas acabou de fazer, acabando por ser ele a passar a linha que não podia ser passada. É o que o seu estado-maior - incluindo pessoas que o país se habituara a respeitar, como por exemplo António Pires de Lima – está a fazer, com piruetas que nos enojam. Com a taxa sobre as pensões que só por cima do cadáver de Portas, mas que … nada. E nada se passa, que fica no papel, que é compromisso mas que não é para cumprir…


É o Nuno Melo, a estrela ascendente do partido, o valor seguro e credível. Que no fim da semana passada passeava a sua indignação pelas televisões sobre a possibilidade admitida pela Comissão Europeia dos depósitos superiores a 100 mil euros serem envolvidos nos resgates dos bancos. Quando, segundo contava o Expresso no último sábado, e como aqui é reproduzido, o tema anda há meses a ser discutido, com a proposta da Comissão Europeia sujeita a intensa negociação na comissão de assuntos económicos do Parlamento Europeu, de que o próprio é membro suplente. Onde têm sido apresentadas dezenas de propostas de modificação, incluindo do seu colega de partido, Diogo Feio, e das deputadas Elisa Ferreira e Marisa Matias, mas onde nunca a sua voz se fez ouvir. Nunca apresentou uma proposta, nunca participou na discussão. E no entanto veio para cá e encheu as televisões fazendo o show que fez!


Se este país ainda tiver algum juízo o CDS já nem ao táxi regressa. Basta-lhe a lambreta que o outro deixou de usar... Caiu na palhaçada, no descrédito total!

O JEITO DE DIZER

Por Eduardo Louro


Ouvi hoje numa estação de televisão e da boca do Arcebispo do Rio de Janeiro – que presidiu às cerimónias deste 13 de Maio, em Fátima - uma expressão a que não consegui ficar indiferente. Entre inúmeros encómios ao culto mariano, deixou escapar esta:”Maria deixou-se seduzir pelo Espírito Santo”!


Não sei se é próprio deste português açucarado dos brasileiros, se da sua forma mais enxuta de olhar para as coisas. O que sei é que, de repente, com este jeito de dizer, esta espécie de ménage à trois que envolve a concepção de Jesus, para mim, ganhou outra dimensão! 

domingo, 12 de maio de 2013

BOM DIA PARA AS FARMÁCIAS... E O HÁBITO DE GANHAR

Por Eduardo Louro


 


Ouve-se dizer por aí que o negócio vai mal para as farmácias – corre bem a quem? – que fecham todos os dias, numa escalada de falências. Não sei se é bem assim ou não, sei é que terão hoje um grande dia de negócios, de casa cheia, inundada de benfiquistas e portistas a esgotar stocks. Benfiquistas numa procura desenfreada de Kompensan e portistas a levarem até à última embalagem de Hirudoid… Uns à procura de tratar de um nó no estômago, bem pior do que se tivesse acabado de levar com um gancho certeiro do Cassius Clay dos bons velhos tempos. Outros com o corpo cheio de nódoas negras de, incrédulos, tanto se beliscarem. Para confirmar que estão bem acordados, que não foi um sonho, que aquilo aconteceu mesmo…


Naquele minuto 92, quando o Liedson (mas este tipo tem que nos perseguir até ao inferno?) recebe a bola e a coloca à frente do Kelvin, como em nenhum dos dias dos últimos três meses - à excepção destes últimos cinco - não havia portista que acreditasse que fosse possível ganhar este campeonato. Acho que era o Benfica que o mereceria ganhar, mas também acho que o Porto tem mérito.


Acho, como já escrevi, que não se pode resumir as coisas à sorte e ao azar, mas não acho que o mérito do Porto tenha sido o de acreditar. De acreditar sempre, como dizem. E como diz o Vítor Pereira… Não foi, até porque, como foi mais que evidente, ninguém acreditava. E a toalha foi atirada ao chão, toda a gente viu.


O mérito do Porto foi outro: ganhar todos os seus jogos durante estes dois ou três meses, não ceder num único jogo a partir do momento em que viu o Benfica fugir com uma vantagem de quatro pontos. E esse mérito é bem maior. Tudo é mais fácil quando se acredita, quando se persegue qualquer coisa. Difícil é não ceder quando em causa está apenas a obrigação de ganhar. Naturalmente, sem mais…


É isso que normalmente o Benfica não consegue fazer, e que simplesmente vem do hábito de ganhar!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...