Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

domingo, 31 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Não foi ontem. Foi hoje, logo aos primeiros minutos deste primeiro dia de Novembro!


Um dia que não foi apenas mais um dia, foi o dia em que fiquei avô. Um dia longo, de uma felicidade imensa que me deixa sem palavras… Apenas a desfrutar. E como desfrutei…

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Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O dia de hoje – este dia 31 de Outubro de 2011 - nasceu lindo, cheio de sol e de promessas! O último de um Outubro que fugira do Outono porque quis ser Verão. Deixou-se apanhar já perto do fim e não resistiu a uns dias de chuva e vento, de temporal que fez das suas, de Norte a Sul. Roubando vidas a Norte e bens a Sul. Onde deixou de cabelos em pé centenas de turistas que, à procura do sol que ninguém nos consegue tirar, rumaram ao aeroporto de Faro destruído pelo temporal de há precisamente uma semana!


Também este último dia de Outubro, que nasceu lindo, vai ficando Outono. É o Outono a lembrar-lhe que o apanhou, que não vale a pena fugir-lhe porque é e será sempre seu!


Este não é apenas o dia em que Outubro se despede, um Outubro finalmente convencido que é Outono. É o dia em que, na proclamação simbólica da ONU, a Humanidade passa oficialmente a contar com 7 mil milhões de seres humanos. Um número esmagador, certamente mais impressionante se olharmos para trás: 300 milhões há 2 mil anos, ao tempo de Cristo e 2 mil milhões no final do primeiro quartel do século passado.


O ser humano 7 mil milhões, na simbologia da ONU, é uma menina que nasceu pouco depois da meia-noite em Manila, capital das Filipinas - no profundo terceiro mundo que alimenta a vida mas ainda mais a morte - e chama-se Danica May Camacho (na foto).


Eu esperava muito deste dia, confesso. Percebi que terei que esperar por amanhã, já Novembro, no dia de Pão por Deus!


 

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sábado, 30 de outubro de 2021

Hora de inverno

 


horário Continente e RAM


 


É hora de bónus de uma hora. Vamos lá aproveitá-la bem. Nem que seja a dormir...

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Que filme!


Falava-se de um jogo difícil para o Benfica, nesta curta deslocação ao Estoril. Ia defrontar o quarto classificado do campeonato, que é dado como uma boa equipa, com um futebol positivo e bem jogado. Não foi no entanto um jogo difícil de ganhar, o que vimos. Não vimos um adversário a justificar os créditos que lhe eram atribuídos, não vimos uma equipa do Estoril de grande competência, nem nunca vimos um jogo que levantasse grandes dificuldades ao Benfica. 


O que vimos é aquilo que temos visto - uma equipa do Benfica incompetente, a criar a si própria as dificuldades que o adversário não lhe coloca. Se é um adversário que se fecha lá atrás, o problema é que só defende e o Benfica não consegue criar espaços para o desequilibrar. Se, pelo contrário, como fez o Estoril, o adversário joga no campo todo, o Benfica não consegue atacar os espaços que ficam livres. Este Benfica é preso por ter cão, e preso por não ter cão. É sempre preso!


Na verdade nunca, em nenhum momento do jogo, vmos que fosse um jogo difícil. Para que fosse ainda mais fácil, o Benfica marcou logo a abrir o jogo. De canto, por Lucas Veríssimo, ainda não estava esgotado o segundo minuto de jogo. Tudo fácil!


As dificuldades começaram a ser criadas pela própria equipa, logo de imediato. Com aquele futebol do costume, de passo para trás e para o lado, de jogo morno e adormecido, a deixar passar o tempo. A atacar o relógio, em vez de atacar o jogo. 


Com um adversário inofensivo, espalhado pelo campo mas sem chegar à baliza de Vlachodimos, o Benfica ia trocando a bola sem sair do mesmo sítio, com os jogadores parados à espera que a bola lhe chegasse aos pés. Sem um rasgo, sem uma desmarcação, sem nunca atacar o espaço. Sem dinâmica colectiva, como onze jogadores que se encontram por acaso para um jogo de futebol. Como se durante a semana não tivessem horas de treino diário pela mão do mais caro treinador de sempre em Portugal. E um dos mais caros do mundo. Este é o take 1 do filme. 


No take 2, os avançados pressionavam a saída de bola do Estoril, mas os médios ficavam vinte ou trinta metros mais atrás. Eram presa fácil para os defesas do Estoril, que depois batiam a bola na frente, sobrevoando o meio campo, onde encontravam os seus avançados em igualdade numérica com a defesa encarnada. Que normalmente ganhava a primeira bola, sobrando depois a segunda para o meio campo estorilista. Que depois a perdia por não saber muito bem o que fazer com ela.


Nos intervalos era Rafa, como sempre tem sido, o úníco a procurar desequilibrar, romper com a bola e dar uma sapatada naquela dormência. Mas Rafa não dá para tudo, mesmo que às vezes até pareça que dá. Não pode atacar uns espaços, descobrir outros, criar e finalizar. Nem ele nem ninguém.


Depois vem o take 3, dedicado às substituições. Aí, o realizador tem a tarefa simplificada. Mas só em metade. Há cinco substituições para fazer, e escolher os cinco que saem é muito fácil. Se há oito ou nove que não estão lá a fazer nada, é muito fácil acertar em cinco. Aí Jorge Jesus acerta sempre. Já só tem para errar nas escolhas para entrar, mesmo que aí também se perceba, por tudo o que tem feito até aqui, que não tem muito por onde acertar. Estão todos fora de forma, e em miserável condição mental.


Pizzi e Rafa não podem jogar juntos, garante o mestre. Não defendem. Mas, Rafa com Everton, já pode ser. Então entra o Everton. E quando chegar a vez de Pizzi entrar tem de sair o Rafa. Mesmo que continue a ser o único que justifica estar em campo. Mesmo que tenha acabado de criar mais uma das poucas situações de possível golo.


É este o filme que vi. Um filme que se repete a cada jogo, sem uma surpresa, nem um momento de suspense. É sempre o mesmo, só muda o nome. Este poderia chamar-se "quem com ferros mata, com ferros morre". Ao segundo minuto do início marcou, de canto, por um central. Ao segundo minuto do fim, sofreu o golo do empate, por um central. Pelo meio, simplesmente medonho. No fim, só o estrondo da queda de primeiro para terceiro. Quedas com estrondo é tudo o que pode ser anunciado nos próximos números desta saga de terror que Jesus criou especialmente para o Benfica!


 

à(s) outubro 30, 2021 3 comentários:
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Etiquetas: benfica, estoril, futebol, liga portuguesa de futebol 2021/2022, quinta emenda

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O caso Duarte Lima, a que regresso sem de novo entrar propriamente nele, trouxe ao de cima a inexistência de acordo de extradição entre Portugal e o Brasil. Não é o primeiro caso de figuras públicas protegidas por essa lacuna, ainda há não muito tivemos a Fátima Felgueiras a tirar proveito dessa situação.


O Brasil tem acordos de extradição com uma imensidão de países – a começar já aqui em Espanha – mas não tem com Portugal. Ao ponto de ter já apanhado por aí – creio que vinda do bastonário da Ordem dos Advogados – uma ideia curiosa. A ideia é esta e foi expressa mais ou menos assim: Duarte Lima, para não ser preso, sujeita-se a ficar preso em Portugal.


Pois é. O Brasil tem acordos de extradição com toda a gente menos com o país irmão. E vice-versa! É estranho! Em vez de cooperarem entre si para a sã aplicação da justiça aos seus cidadãos, parece que os dois países irmãos se preocuparam mais em servir de recíproco covil de malfeitores. Uma solidariedade com o crime pouco explicável! Entre irmãos espera-se mais!


Esta é uma solidariedade nada fraternal, mais própria de outros laços familiares… De outras famílias. E dos seus padrinhos!

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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Esta é a centésima edição do Futebolês. É o número 99, mas como o primeiro foi o número zero… Não é razão para festejar, se o fosse comemorar-se-ia hoje o número 100, que só surgirá na próxima semana. Como se faz com as passagens de década, de século e de milénio. Em 1999, com a passagem para o ano 2000, festejou-se a passagem do milénio. Em 2009, a primeira década deste século. Indevidamente, porque não houve ano zero; o primeiro ano foi o ano 1, ao contrário do que se passa aqui no Futebolês.


Talvez porque estes números mais redondos nos levam sempre a olhar para trás, hoje regresso a uma certa dimensão erótica da bola que por aqui passou, em particular no número 1 (Beijar), que foi justamente o segundo, mas também noutros dos primeiros números. É aquela ideia da bola transformada na mais apetecida das beldades, que 22 rapazes disputam até ao limite das suas forças (o futebol feminino começa a dar cabo desta narrativa idílica, mas deixem passar). Numa beldade rebelde e insinuante que tão depressa se entrega, dócil e meiga, apaixonada, como, de repente, ultrapassa todos os limites da irreverência, salta de uns braços (leia-se pés) para outros sem que ninguém a segure, ninguém a domine e ninguém lhe possa chamar sua.


Evidentemente que, num campo cheio de rapazolas na flor da idade, não faltaria quem lhe quisesse oferecer o corpo. Uma beldade destas - insinuante, rebelde, muito dada a uma certa vadiagem e pouco a fidelidades - tem muito por onde escolher. Atrevida, manda-se a eles!


E é este manda-se a eles que reverte a situação, acabando por transformar a oferta do corpo – bem diferente de venda do corpo, como se percebe, e que estabelece as fronteiras desta dimensão erótica, fechadas à pornografia – numa missão de sacrifício. Oferecer o corpo à bola não é, assim, uma simples oferta que se aceita ou rejeita. Nem junta o prazer da oferta – oferecer é normalmente um acto de prazer – aos prazeres do corpo.


Oferecer o corpo à bola é sempre um acto deliberado. O corpo entrega-se – dir-se-ia de corpo e alma - à bola, ao contrário do que acontece noutros encontros de ocasião. Que os há, e bem suspeitos!


E não pensem que tenho apenas em mente aqueles encontros de particular abuso, em que a bola ultrapassa os limites da rebeldia e do atrevimento e atinge o puro descaramento, atirando-se directamente às chamadas partes baixas dos rapazes. Não, estou também a pensar em fugazes e escondidos jogos de mãos, de carícia aqui e afago ali, sempre que a ocasião o permita.


Não tem, claro, o arrebatamento da grandeza destemida de oferecer o corpo à bola, às claras e à vista de todos. Dê no que der. Nem a exuberância de movimentos contorcionistas de uma bolada nas ditas partes baixas. Mas tem a adrenalina do flirt, a sensação única da transgressão e aquele prazer indescritível da cumplicidade escondida ou mesmo secreta. Como sempre acontece nestas circunstâncias, toda a gente está a ver. Eles é que, como os jovens de antigamente, tão enamorados quanto ingénuos, pensam que ninguém vê. Acontecem no recato e no aconchego da grande área, precisamente para onde toda a gente tem os olhos virados, tão expostos quanto num banco de jardim numa tarde de sábado cheia de sol. O Rolando, por exemplo, é um dos maiores especialistas desta marmelada. É useiro e vezeiro em passar a mão pelo pêlo da bola em plena grande área, pensando que, lá porque conta com a cumplicidade do árbitro, ninguém mais vê. Mas lá está, toda a gente vê. Menos quem deveria!


Não digo que não seja rapaz de dar o corpo à bola – embora tenha por lá colegas bem mais dados à tarefa - mas do que ele gosta mesmo é destes encontros de ocasião. Que, como se vai vendo - especialmente em ambientes a que está menos habituado, na selecção ou mesmo nos jogos europeus do seu clube – lhe começam a criar algumas dificuldades. Logo a ele que foi o primeiro a falar em dar o salto, contando até que o André Vilas Boas não perdesse o seu número de telefone.


E, já que isto foi desaguar ao novo Dragão de Ouro, cá estamos já todos à espera – 30 anos passam num instante - das suas memórias, com prefácio de Pinto da Costa. Prefácio e título: A Cadeira de Sonho!


Um verdadeiro especialista em dar o corpo à bola, este Pinto da Costa!

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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Os dramas também acabam em comédia

Após chumbo do Orçamento, Marcelo saiu de Belém para ir... ao multibanco


Acontece muitas vezes que comédias acabem em drama. O contrário é menos comum, mas também sucede. É por isso mais notável e, mais ainda, quando sucede imediatamente ao ponto mais alto do drama. 


Aconteceu desta vez. Com o anunciado chumbo do Orçamento, ontem na Assembleia da República, o drama atingiu a sua expressão mais alta, para logo acabar numa comédia, em que o último a rir é ... quem ri melhor. E o país vai para eleições, como António Costa pretendia. E Marcelo, não queria!


Querem melhor comédia? É difícil!


Porque não queria eleições nesta altura, o Presidente ameaçou com elas, convencido que, com medo, a esquerda encontraria o consenso para aprovar este orçamento, e passar mais um ano. Precioso, para o tempo que a direita neste momento precisa. Porque queria eleições nesta altura - não teria outra melhor, como facilmente se compreenderá - António Costa fingia (e como ele sabe fingir!) que tudo fazia para que o Orçamento fosse aprovado para, ao mesmo tempo, fazer tudo para que o não fosse.


E no fim saiu a rir. Em campanha eleitoral e a anunciar uma nova geringonça, quando o corpo desta ainda estava quente. E percebe-se porquê. Já Marcelo saiu a correr para o Multibanco, e não se percebe porquê!


 

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Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A presunção de inocência é um instituto das sociedades civilizadas plasmado nos conceitos de Direito e de Justiça: todas as pessoas são inocentes até prova em contrário. Apenas os tribunais, depois transitado em julgado, podem selar o rótulo de condenado!


Visa-se, assim, preservar o bom nome – direito sagrado das pessoas.


Assim é e assim deve ser, nenhuma dúvida a esse respeito!


Sabemos, porém, que raramente assim é e todos os dias vemos esse direito atropelado. Irremediavelmente, quase sempre!


Da suspeita à condenação pública, ao assassinato do bom nome, é um passo de criança. É sempre assim, e é tanto mais assim quanto mais pública for a figura do suspeito. A presunção da inocência é, no entanto, logo invocada sempre que o assunto chega aos telejornais e são ouvidos, a propósito, os diferentes especialistas da justiça. Dizer que é invocado porque o suspeito é figura de proa é redundante, porque apenas esses casos chegam ao espaço mediático com direito a consultas de opinião especializada.


Vem isto a propósito da acusação de homicídio a Duarte Lima pela Justiça Brasileira, que está a ocupar as manchetes de jornais e telejornais. Depois de dadas as mais diversas explicações sobre os contornos processuais em causa, sobre o que a Justiça Portuguesa pode ou não pode fazer ou sobre a impossibilidade de extradição, lá vem o alerta final da presunção de inocência. Que, como sempre, para a opinião pública já não serve de nada.


Duarte Lima tem, evidentemente, esse direito. Mas a verdade é que não está a fazer nada para que lhe seja reconhecido. E devia!


O lugar de destaque que ocupa (ou ocupou) na sociedade obrigá-lo-ia – mais ainda pelo papel que assumiu na sequência da grave doença que o afectou há uns anos do que propriamente pelas funções políticas que assumiu - e que lhe garantiram também esse estranho direito a uma dessas subvenções vitalícias, de que não abdicou - a defender esse seu direito à presunção da própria inocência. Assim, desaparecido em parte incerta ou escondido num buraco qualquer, é que não! Por si, por nós todos e pelo fundamental princípio da presunção da inocência!

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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Um jogo estranho


 


Foi um bom jogo de futebol, este que  as equipas do Vitória e do Benfica disputaram esta noite, em Guimarães, para decidir o apuramento para a final four da Taça da Liga. Mas estranho. Ou nem tanto!


Um bom jogo, mas nisso o quinhão do Vitória é maior que o do Benfica. E estranho porque o Benfica entrou mandão no jogo, e a jogar bem. E isso é neste momento estranho. Com uma equipa bem diferente do onze habitual, do qual apenas sobravam dois centrais - Otamendi e Lucas Veríssimo - e Grimaldo. Todos os restantes oito jogadores que iniciaram a partida não contam habitualmente para Jorge Jesus, à excepção de Everton. Que esse conta, não é titular habitual, mas joga em todas as partidas.


Mas a equipa entrou muito bem no jogo, muito por mérito da acção de Pizzi, um dos que não conta. E até Mejté jogou bem. Tal como Nemaja, na ala direita, e titular pela primeira vez. Que logo no arranque protagonizou a primeira oportunidade de golo. Que não tardou muito, surgiu logo aos 7 minutos, marcado na própria baliza pelo Alfa Semedo, quando Taarabt já estava fora do jogo, por lesão. Pouco depois, à beira do quarto de hora de jogo, surgiria o segundo, obra de ... Pizzi. 


Em vez de se galvanizar com este início de jogo, a fazer lembrar o de há cerca de um mês, para o campeonato, pareceu que os jogadores se começaram a deslumbrar. Mesmo com esse ar de deslumbramento, o terceiro poderia ter surgido logo a seguir. João Mário, que entrara para substituir Taarabt, isolado, permitiu a defesa a Bruno Varela. E no lance de resposta o Vitória marcou, na primeira falha da defesa do Benfica, que perdeu todos os ressaltos que havia para ganhar dentro da área. 


Nada que pusesse em causa a sobranceria que os jogadores do Benfica já evidenciavam, até porque, seis ou sete minutos depois, Pizzi voltava a assistir para Nemaja fazer um belo golo, repondo a vantagem de dois golos. Ainda nem meia hora estava jogada, e o Benfica deu o jogo por ganho, lembrando-se do tal jogo de há um mês.


Na última jogada da primeira parte o Vitória marcou. Mais um golo estranho, com Estupiñán a cabecear entalado entre Otamendi e Lucas Verísismo. Inacreditável!


A segunda parte iniciou-se com os mesmos jogadores, e com a oportunidade de o Benfica fazer o quarto golo - o remate de Pizzi, sempre ele, saiu ligeiramente ao lado do poste. Mas depois veio o banho de táctica que Pepa deu a Jorge Jesus, e só deu Vitória. Pepa acertou as substituições todas. O "mestre" da táctica falhou-as todas!


O Vitória empatou, e mesmo que em fora de jogo, que o habilidoso Hugo Miguel deixou passar, justificou não só o empate, como justificaria até a vitória, e a eliminação do Benfica logo à primeira.


Seria estranho que o Benfica ficasse desde já arredado da disputa desta Taça da Liga num jogo que não só esteve a ganhar com dois golos de vantagem, como deu a sensação de poder dominar a seu bel prazer. Acabaria por não ser assim tão estranho porque, afinal, estranho mesmo, foi o que se passou naquela primeira meia hora. Estranho foi que Pizzi tivesse regressado àquele nível. Que Mejté até parecesse finalmente jogador. Ou que Nemaja tenha mostrado o que já lhe vimos fazer na selecção sérvia, mesmo que também tenha mostrado que defender não é a sua praia.


Também Jorge Jesus achou isso estranho. Tanto que tratou de os tirar da equipa logo que pôde!


Mais uma vez, salvou-se o resultado, que permite manter em aberto o acesso à final four de Leiria. É preciso ganhar por mais de dois golos ao Covilhã, na Luz. Não será tarefa de grande dificuldade mas, como as coisas estão, nunca se sabe. 

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Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Durou até às tantas. Entrou pela madrugada dentro mas, ao ouvirmos Durão Barroso, e mesmo Passos Coelho, parece que valeu a pena. Um diz que a cimeira acordou finalmente no que ele anda há muito a dizer, e vê-se que isso o deixa feliz. O outro, o nosso primeiro-ministro, diz que a cimeira, também finalmente, resolveu o problema da Grécia e, com isso, Portugal ficou livre de pedir nova ajuda! Via-se que, se não ficara também ele feliz, ficara pelo menos aliviado.


Vamos por partes, e comecemos pelo corte - o hair cut, como se diz – de 50% da dívida grega, com a participação da banca privada. Quer dizer, sem incidente de crédito, que iria desencadear os resseguros, os chamados CDS (credit default swap) e provocar uma autêntica guerra atómica que pouco do edifício financeiro global deixaria de pé.


O problema não é quem é que sai mais ajudado desta medida. Se a Grécia, que fica ainda a correr atrás do objectivo de fixar a sua dívida nos 120% do PIB lá para 2020, se a banca credora que, em boa verdade, fica a perder metade quando já tinha perdido tudo: a dívida da Grécia valia zero! O problema é que a Grécia nunca conseguirá pagar uma dívida dessa ordem. Parece-me que cortar 50% é curto e, nesse sentido, isto é mais um adiamento, mais uma das habituais medidas a conta-gotas, que em vez de decisivamente resolver os problemas os empurra com a barriga.


O reforço do FEEF para mais do dobro – de 440 mil milhões para um bilião de euros – também não foge muito disto. Do conta-gotas. Não chega para Portugal – ninguém tem dúvidas que teremos de lá voltar a curto prazo, pois não? -, para a Itália e para a Bélgica - que provocará réplicas de alguma intensidade em França -, já para não falar da Espanha nem da Irlanda, que parecem empenhadas em transformar os PIGS em PIB, que é muito mais saudável.


A terceira medida que saiu da cimeira foi a implementação da tão badalada governação económica. Durão Barroso anunciou, já hoje no PE, que apresentará em Novembro um plano geral de governação económica, com base no reforço do papel do executivo comunitário saído da cimeira. Coisa vaga, mais uma vez! Sobre a verdadeira solução – o inevitável orçamento comunitário – nem uma palavra!


Por último a recapitalização da banca que, até por ser uma medida complementar - directamente relacionada com a decisão do corte da dívida grega - é a mais objectiva, pacífica e consensual. É efectiva – terá que estar concluída até ao final de Junho de 2012 -, tão efectiva que resolve de vez a rábula da banca portuguesa. Os principais banqueiros nacionais, que ainda ontem continuavam a garantir que não precisavam, porque não queriam dizer que de não quereriam (não queriam o Estado lá dentro, apesar das garantias do primeiro-ministro de que o Estado seria um sleeping partner), já todos hoje anunciaram a adesão ao plano de recapitalização. E as suas cotações subiram de imediato na sessão de hoje da Bolsa, com o BES – o único a dizer que cumpre o respectivo aumento de capital através dos seus accionistas, sem recorrer ao fundo estatal dos célebres 12 mil milhões – a bater recordes.


E foi isto o que saiu da cimeira que, dizem alguns optimistas militantes, voltou a meter o euro no trilho certo. Longe disso, bem longe disso, digo eu!

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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


O Conselho de Estado é o órgão político de consulta do Presidente da República, por ele presidido.


Ao Conselho de Estado compete pronunciar-se sobre um conjunto de actos da responsabilidade do Presidente da República…


Se nos dermos ao trabalho de ir saber o que diz a Constituição sobre este Órgão lá encontraremos, no artigo 145º, as competências do Conselho de Estado:



  1. Pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República e das Assembleias Legislativas das regiões autónomas;

  2. Pronunciar-se sobre a demissão do Governo, no caso previsto no n.º 2 do artigo 195.º;

  3. Pronunciar-se sobre a declaração da guerra e a feitura da paz;

  4. Pronunciar-se sobre os actos do Presidente da República interino referidos no artigo 139.º;

  5. Pronunciar-se nos demais casos previstos na Constituição e, em geral, aconselhar o Presidente da República no exercício das suas funções, quando este lho solicitar.


Coisa séria, portanto!


Quando me fui apercebendo de certas pessoas que por lá se sentavam – algumas mesmo pouco recomendáveis e que, apesar de saberem que já toda a gente o sabia, se recusaram a levantar e dar o lugar a outros – comecei a pensar que, afinal, sendo coisa séria, nem sempre seria para levar a sério. Daí que já não tivesse levado a coisa muito a sério quando, há cerca de um mês, o Presidente anunciou a convocatória do dito. Coisas da crise, pensei eu!


Calma, não é o que pensam. Coisas da crise porque a vida não está fácil e o valor da senha de presença dá uma ajudita! Realmente não via outra razão, e convido a reler o primeiro parágrafo para confirmar esta conclusão.


Já sei. Releram e descobriram que aquela última alínea do tal artigo tem uma escapatória: “…e, em geral, aconselhar o Presidente da República no exercício das suas funções, quando este lho solicitar”. Esta pequena frase dá cobertura a tudo, cá está a justificação da convocação deste Conselho de Estado!


Mas, que se saiba, não aconselhou o Presidente a coisa nenhuma. Não se percebe nada disso do comunicado final. Seis horas – seis – para, depois, sair isto: "No momento em que, na Assembleia da República, decorrem os trabalhos para a aprovação do Orçamento do Estado para 2012, o Conselho de Estado apela a todas as forças políticas e sociais para que impere um espírito de diálogo construtivo capaz de assegurar os entendimentos que melhor sirvam os interesses do país, quer a estabilização financeira, quer o crescimento económico, a criação de emprego e a preservação da coesão social"


Isto poderia o Presidente escrever no facebook, não era necessário maçar aquela gente toda e sempre se poupava nas senhas de presença e numas viagens da Madeira e dos Açores. E não se tinha dado mais uma martelada nas instituições: se, pela sua composição e pelas próprias birras que arrasta, já não era pelo Conselho de Estado que as instituições da nossa democracia se salvavam, estas reuniões e estes comunicados condenam-nas sem remissão.


Quando o governo diz que a solução está no empobrecimento o Conselho de Estado faz apelo a entendimentos que sirvam o crescimento económico, a criação de emprego e a coesão social. É tudo brincadeira, não é?

à(s) outubro 25, 2021 Sem comentários:
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domingo, 24 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A tempestade a que fiz referência no texto anterior, em baixo, não deixará de condicionar fortemente o debate político mediático, em particular o debate espectáculo que anima os serões televisivos da programação alternativa às telenovelas.


Não sei se o elenco de actores destes autênticos talk-shows irá ou não sofrer cortes tão drásticos como os do Orçamento de Estado. Se ainda houvesse vergonha, ou ponta dela, certamente que o campo de recrutamento estaria substancialmente restringido: depois de descobertas as carecas das subvenções vitalícias, a maior parte desta gente não deveria sentir-se muito confortável à frente das câmaras…


Sabemos todos que vergonha é coisa do passado – hoje já ninguém sabe o que isso é – e, por isso, não acredito que, de repente, os directores das diferentes estações de televisão andem, de candeia na mão, à procura de outras caras.


Vão continuar lá todos. Mas com mais trabalho, espero. Mesmo sem vergonha, não poderão manter o mesmo discurso; terão que puxar mais um bocadinho pela cabeça para encontrar narrativas de substituição para os eixos centrais do seu discurso. É que, como não são parvos, sabem que se continuarem com o discurso dos direitos adquiridos e acusar os portugueses de viverem acima das suas possibilidades, arriscam-se a ter alguém à espera à saída do estúdio!

à(s) outubro 24, 2021 Sem comentários:
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Ver o que está à vista


 


Mais uma exibição deplorável, a do início desta noite, em Vizela, bem na linha das que se vêm sucedendo. O que se passou hoje, não é diferente do que se passou há uma semana, na Trofa. Salvou-se o resultado, em ambos os jogos. Há uma semana, com o golo de André Almeida, no prolongamento; hoje, com o golo de Rafa, no último minuto. No minuto 8, que prolongava os sete de compensação, de que se não jogou no primeiro, e onde o treinador do Vizela ainda fez uma substituição, daquelas que são mesmo, e apenas, para "roubar" tempo ao jogo.

 

O futebol de Jorge Jesus está esgotado, e é hoje muito fácil de anular para qualquer adversário. Lento, repetitivo e sem intensidade. Passes para trás e para o lado, com o jogadores agarrados à relva como se fossem bonecos de uma mesa de matraquilhos. Sem presença na área, e sem linha de fundo, com os defesas adversários de cadeirinha, sempre de frente para a bola.

 

Foi assim toda a primeira parte, em que o Benfica rematou pela primeira vez à baliza já a primeira meia hora tinha ficado para trás. E já o Vizela tinha rematado uma serie de vezes. E, mesmo com alguns jogadores a soltarem-se um pouco mais dos varões a que estão agarrados, pouco diferente na segunda. É confrangedor ver a bola a circular entre os centrais e os médios centro, para trás e para o lado, com os jogadores da frente parados, a assistir impávidos e serenos. É confrangedor ver cantos e livres laterias sempre marcados da mesma forma, com os adversários sempre a saberem onde a bola vai cair, e a limitarem-se a esperar lá por ela.

 

Depois, claro. O tempo vai passando, os adversários vão constatando que o tigre é de papel, que não assusta ninguém. E acreditam, acreditam cada vez mais. Hoje os do Vizela acreditaram tanto que nesse último minuto quiseram sair para o ataque, como tinham acabado de fazer. Um deles escorregou e a bola ficou ali à mercê de Radonjic, que a meteu em Pizzi (ambos entrados na segunda parte, como ainda Gonçalo Ramos, Taraabt e Everton) na direita que, com a defsa vizelense em contra-pé, assistiu Rafa como só ele sabe.

 

Objectivamente, não tivesse sido aquela escorregadela, lá tinham ficado mais dois pontos. Coisa que, de resto, o Vizela fez por merecer.

 

O futebol do Benfica está em queda livre, e a desmobilizar os adeptos. Hoje o Vizela tinha mais adeptos nas bancadas que o Benfica. Nunca acontecia, em estádios que não os dos dois grandes rivais, ou o de Guimarães, os adeptos da casa superarem em os benfiquistas. Mas já está a acontecer. E isto deve querer dizer alguma coisa. Jorge Jesus não vê nada disso. Vê um campeonato competitivo, e os treinadores portugueses como os melhores do mundo. 

 

Esperemos que Rui Costa possa estar a ver outras coisas, em vez dessas. Que veja o rumo que o futebol da equipa tomou. Que veja o estado de forma da totalidade dos jogadores, em que apenas se salvam os centrais, e Rafa. Que veja como estão a ser queimados certos jogadores, e levados ao colo outros. E que veja como está em causa o futuro do Benfica com o que está a acontecer aos jogadores da formação. A continuar assim, em pouco tempo não há miúdos a quererem fazer a sua formação no Benfica. E os que lá estão vão querer ir embora depressa.

 

Que veja também as deploráveis conferências de empresa do mister. Como a de hoje. E que olhe para o calendário para ver como aquele produto esgotou há muito o seu prazo de prazo de validade.
à(s) outubro 24, 2021 9 comentários:
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Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos veio desencadear a tempestade que acabou de vez com este Verão que, nada incomodado com o que de mal se vive neste país, ia teimando em resistir e ficar por cá, bem ao contrário da vontade da maioria de todos nós.


Uma tempestade maior que a da noite passada: foi o Presidente, foi a Associação Sindical dos Juízes, foram até ministros e secretários de Estado, que lá tiveram que deitar fora os seus subsídios de alojamento. Até o ministro da defesa, que não só renega ao subsídio como recusa utilizar a residência oficial, no Forte de S. Julião da Barra, outrora habitado por Portas e onde, há muitos anos, alguém caiu de uma cadeira. Chegou mesmo às subvenções vitalícias da infindável lista de antigos titulares de cargos públicos que, coitados, se vêm agora na eminência de perder o seu rendimento mínimo de inserção. Que há-de ser da vida deles, agora que se vêm na contingência de ter de viver com os míseros ordenados dos múltiplos lugares nas administrações e demais órgãos sociais das empresas do regime, que a sua desinteressada e missionária passagem pelo poder lhes havia garantido?


Desconfio bem que haja já muita gente arrependida de ter tomado esta medida!


A verdade é que – talvez por não acreditarem muito nas previsões meteorológicas e admitirem que o sol continuaria a brilhar – muitos dos ideólogos desta ofensiva liberal defendiam a medida com unhas e dentes. E apostavam na sua institucionalização definitiva, alargando-a, evidentemente, ao sector privado porque, dizem (ou diziam) que não faz sentido nenhum trabalhar onze meses e ganhar por catorze. Coisa que só em Portugal, garantiam! No Expresso deste último sábado lá vinha o inultrapassável Mário Crespo a dizer que tinha tentado explicar a um casal amigo americano que, em Portugal, havia um mês em que não se trabalhava e se ganhava a dobrar. A aberração é tal que os seus amigos, não conseguindo compreendê-la, apenas riram perdidamente. Enfim, problemas de quem só tem amigos na América…


Como a troika também se refere vagamente a esta idiossincrasia portuguesa, a ideia de acabar de vez com os subsídios de Natal e de férias está fazer caminho. Mesmo que não se corte no rendimento anual há que acabar já com esta aberração que nos cobre de vergonha por esse mundo fora: repercutem-se os catorze meses de vencimento nos doze do calendário, e aí estamos de novo de cara lavada e cabeça bem erguida!


Parece-me que, com esta febre toda que por aí vai, com a ânsia incontrolável de carregar cada vez mais o pé no pescoço de tudo o que tenha a ver com o factor trabalho, há gente que perde por completo a noção das coisas.


Vamos lá a ver. A economia de consumo fez do Natal a sua estação alta. Transformou esse período no maior pique de consumo do ano, ao ponto de muitos sectores da sociedade, crentes e não crentes (não é aí que fica a fronteira), verberarem - sem contudo lhe conseguirem resistir – e condenarem a febre consumista que há muito tomou conta do Natal. Desvirtuando-o, diz-se amiúde!


Não preciso de dizer muito mais. Já se percebeu a origem do subsídio de Natal. E a sua utilidade!


As férias – conquista, do ponto de vista histórico, bem recente – tornaram-se no segundo ponto alto da curva de consumo. Enquanto as pessoas trabalham não estão a consumir, tem que se lhes dar tempo para isso. E dinheiro, evidentemente! Pronto, também já se percebeu…


Esta gente, que agora quer atirar sobre tudo o que mexe, deveria perceber que o sistema precisa destes dois subsídios. Que, se não precisasse, não os tinha criado. E que os criou para que funcionassem como um plano de poupança, como um mealheiro onde se guarda o dinheiro para gastar nos bens não essenciais que o mercado obriga a consumir. Distribuir o rendimento dos catorze meses pelos doze é acabar com esse mealheiro e promover um ligeiro acréscimo de consumo corrente de bens essenciais e matar os consumos de Natal e das férias. E com eles de largos sectores da economia!


Estão a passar-se coisas que tenho dificuldade em perceber. Defeito meu certamente!

à(s) outubro 24, 2021 Sem comentários:
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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Coisas que não batem certo

 


                                 Capa Público                 Capa Público


Há tanta coisa que não bate certo neste nosso país... Trabalhadores sobrequalificados, e gestores subqualificados, é só uma delas. Que, se calhar, explica muitas das outras ...

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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Mexer é tocar. Também pode ser apalpar, agitar ou até misturar. Depende das circunstâncias, e às vezes da hora e do local. Mexer na equipa é futebolês, o que quer dizer que não é nada disso!


E é caso para dizer que ainda bem. Quando os adeptos – mais as adeptas, deve dizer-se – se empurram e se esticam todos, em ambiente de maior ou menor histeria, pretendem a penas tocar nos jogadores. Admitamos que um(a) ou outro(a) possa mesmo querer apalpar este ou aquele, mas nunca mexer na equipa!


Mexer na equipa é privilégio único do treinador. Por muita que seja a tentação de alguns presidentes este é, entre muitos outros, um privilégio do treinador. Mesmo que, para muitos, isso se transforme num autêntico calvário!


Alguns treinadores são mesmo tentados a tocar nos jogadores, não por qualquer tendência ou orientação mais íntima, mas porque, às vezes, se comportam mesmo como adeptos. Lembrar-se-ão, pelo menos alguns dos menos jovens, de Quinito – um setubalense de gema que, depois de uma interessante carreira como jogador, por cá (Académica, Belenenses e Braga, que me recorde) e por Espanha (integrou aquela primeira vaga – se é que se pode chamar vaga – de emigração para o lado de lá da fronteira, onde jogou no Santander), teve uma curta carreira de treinador, onde se celebrizou mais pelas suas expressões patuscas (muitas entraram directamente no léxico do futebolês) que pelo sucesso dos seus resultados – que, quando Pinto da Costa o contratou para treinador do Porto, apareceu nos jornais a dizer que a primeira coisa que faria era pedir autógrafos aos jogadores. Correu mal, um mês depois estava desempregado e, se não estou em erro, nunca mais voltou a treinar!


Na verdade o Quinito não pretendia portar-se como adepto. Ele não queria tocar nos jogadores, queria tocar os jogadores! Com aquilo ele não pretendia exactamente mexer na equipa mas, aumentando-lhes o ego, mexer com a equipa. Que é outra coisa, e esta já não exclusiva do treinador!


Quando o treinador mexe na equipa está, na realidade, a mexer na sua constituição, a introduzir alterações. A substituir jogadores mas também a substituir ideias, a corrigir posições individuais ou posicionamentos colectivos, ou a emendar opções tácticas, seja no decorrer do jogo seja entre jogos, no decorrer da competição. Quando mexe com a equipa está a entrar no domínio mental e psíquico da equipa, introduzindo-lhe, se bem sucedido, factores de motivação. Ou destruindo-os quando, como aconteceu ao Quinito, as coisas, por erro de cálculo – na circunstância o ego dos jogadores encheu em demasia e roubou a autoridade ao treinador - não correm bem!


Em equipa que ganha não se mexe - é o axioma mais dogmático do futebol! Ninguém o discute. Mas foi isso que tramou Paulo Bento no jogo da selecção na Dinamarca: a equipa não tinha jogado nada no Dragão, com a Islândia. A defesa fora miserável, sofrendo três golos de uma equipa da terceira divisão europeia. Mas, como a equipa tinha ganho, o seleccionador nacional seguiu a regra e não lhe mexeu! Foi o que se viu…


Quem já não consegue dormir só de pensar em mexer na equipa é Vítor Pereira, o treinador do Porto. É cada tiro cada melro! Quando chega a hora de mexer na equipa invariavelmente retira do campo o que estiver a jogar melhor. Quem estiver menos mal, assim é mais bem dito.


Claro que estas coisas têm muito de sorte e azar, ao ponto de muitos treinadores gostarem de comparar as substituições aos melões. Só depois de abertos… E o Vítor Pereira não tem realmente sorte!


Reparem: integrava uma equipa técnica de onde saiu apenas o seu membro mais mediático. O mais competente – ele próprio, que ensinava o miúdo Vilas Boas e que, por isso, foi de imediato a primeira opção do infalível Pinto da Costa – e a restante equipa ficaram. Do quadro de jogadores apenas saiu um. Um único, e entraram mais uns dez, num plantel que acabara de ganhar quase tudo o que havia para ganhar. Tudo perfeito, nada havia para mexer! Era só continuar, a inércia faria o resto!


É mesmo preciso ter azar! Com tudo tão perfeito, só mesmo com muito azar seria obrigado a mexer na equipa! E isso não de lhe poderia acontecer. Logo a ele que, caramba, pode não ter muito jeito para mexer na equipa, mas sabe mexer com a equipa. Nota-se logo num discurso colado com cuspo ao de Mourinho. Ou ao de Vilas Boas? Ele que até sabe como se recortam jornais para colar no balneário…

à(s) outubro 21, 2021 Sem comentários:
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Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O mundo estava suspenso da cimeira europeia de domingo. O G20 tinha avisado que agora é que teria de ser, que nada mais poderia ser adiado!


Merkel e Sarkosy trataram de a matar à nascença! Marcando uma nova cimeira para a próxima quarta-feira – prática recorrente desta dupla - já ninguém percebe para que servirá a de domingo, que o Eurogrupo está neste momento a preparar. Talvez se perceba! Percebe-se que é a UE no seu ritmo próprio, a preparar a cimeira de domingo que irá preparar a de quarta-feira… À espera de milagres!


Mas não há milagres. Ao adiar o inadiável a França e a Alemanha continuam presas às suas vistas curtas. Querem fugir com o rabo dos seus bancos à seringa do hair cut da dívida grega. Não percebem que não vale a pena! Que, assim, apenas se aproximam mais e mais seringas. Cada vez com agulhas mais compridas e - quem sabe? – se já sem rabo para tanto!


Nesta altura do campeonato já não é só o mexilhão que se lixa. Lixam-se todos, vejam lá se percebem!

à(s) outubro 21, 2021 Sem comentários:
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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Inglório? Certamente! Mas...


 


Durante 70 minutos do jogo desta noite, na Luz, vibrante, o Benfica alimentou a ilusão de ter condições de o disputar com o colossal Bayern. De discutir o resultado, e até que perder não era a fatalidade anunciada.


Claro que poderia ter sofrido golos durante esse período, e sofreu até dois que, bem, o VAR anulou. Mas também poderia ter marcado e, acima de tudo, nunca foi uma equipa dominada e submetida. O Bayern resolve sempre os seus jogos muito cedo. No último domingo, com o Bayer Leverkusen, com quem então partilhava a liderança da Bundesliga, à meia hora de jogo já ganhava por cinco. O resultado em branco aos 70 minutos, com uma equipa que é uma máquina de marcar golos, e com o Benfica a fazer bem mais que simplesmente resistir, fazia oscilar os adeptos entre a esperança num bom resultado e o receio que, para aquela máquina de futebol, o golo seja apenas  uma questão de tempo. Ou de um erro!


Não se esperaria era que fosse numa bola parada. Já tinha havido duas ou três ocasiões para isso, e nenhuma tinha saído bem a Sané. Mas foi: Yaremchuk, na barreira, em vez de saltar, encolheu-se. E a bola passou por ali, direitinha às redes de Odysseas, sem possibilidade de fazer o que quer que fosse para o evitar. Aquele minuto 70 tornou inglório todo o esforço da equipa até aí.


E a partir daí foi o descalabro, perante um adversário impiedoso, com os erros a sucederem-se, e os golos a surgirem a um ritmo nunca antes pensável, até à temida goleada. Em casa, como já sucedera às outras duas equipas portuguesas na Champions. Por muito que o Benfica tenha feito bem mais neste jogo, perdendo por quatro, que então tinham feito os seus adversários nacionais, e companheiros de desventura nesta Champions, quando perderam por 5-1. 


Ninguém se fica a rir. Essa é que é essa. Como é este o nosso futebol no espaço competitivo europeu. O resto é conversa!


 

à(s) outubro 20, 2021 30 comentários:
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Olha quem fala

Salvador, o nadador: do bar da praia a presidente da câmara (até ser braço  direito de Rio) – Observador


 


Rui Rio vai a jogo, anunciou ontem Salvador Malheiro, o seu fiel escudeiro, apontando desde logo a uma vitória sobre os "caciques".


Se calhar não foi a melhor maneira de Rio fazer as coisas, mas isso também não é de estranhar. Normalmente é assim, nunca escolhe a melhor maneira. Nem a mais simples. 


Podia ter sido ele próprio a anunciá-lo. E podia até tê-lo feito de imediato, sem tabus. Teria sido um sinal de força e de determinação. Não quis assim, e lá terá as suas razões, mesmo que a razão as desconheça.


Mas que Salvador Malheiro, precisamente ele - himself, lui même - a anuncie falando de caciques e de caciquismo, que Rui Rio vai à luta para lhes dar uma tareia, só não nos deixa de boca aberta porque já nada nos espanta.


 



 

à(s) outubro 20, 2021 Sem comentários:
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Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boashttps://quintaemenda.blogs.sapo.pt/120789.html


O Presidente Cavaco Silva tem alguns problemas com o sentido de oportunidade. Quando deve falar não fala, e fala quando deve ficar calado! Raramente diz o que deve e é frequente dizer o que não deve!


Na semana passada, no Instituto Universitário Europeu, em Florença, com a excepção, confirmou a regra. Quando, no seu melhor discurso sobre a Europa – de que raramente o tínhamos ouvido falar – apontou as origens da crise europeia, os seus responsáveis - a Alemanha e a França, os primeiros a violar o limite do défice – e as medidas que importa urgentemente tomar, foi oportuno: disse exactamente o que deveria ser dito, no momento próprio, e no local apropriado. Já quando permaneceu mudo perante a situação da Madeira ou quando, como ontem, se pronunciou sobre o Orçamento, os cortes nos subsídios de natal e férias e a desigualdade na distribuição dos sacrifícios, regressou ao seu normal desempenho: calado quando teria de falar e a falar quando teria de estar calado!


Devo começar por dizer que estou inteiramente de acordo, como não poderia deixar de ser pelo que por aqui tenho escrito, com tudo que o PR disse. Acontece que ele não pode dizer aquilo que eu, ou qualquer outro cidadão normal, posso. E não é sequer pelas abismais diferenças de responsabilidade, é simplesmente pelas consequências.


O que o Presidente ontem disse sobre as medidas constantes no Orçamento tem que ter consequências, num momento em que não pode ter nenhuma!


Quando, no seu discurso de posse, Cavaco afirmou que os sacrifícios dos portugueses tinham limites, abriu a caixa de Pandora. Naquele momento ficou impedido de, agora, ficar calado. Dizendo o que então disse, Cavaco não poderia deixar de criticar os imensamente maiores sacrifícios que agora este governo está a exigir; não poderia deixar de dizer que não mudou de opinião porque mudou o governo.


O problema é as consequências. Quando, em Março, produziu aquele discurso, as consequências foram imediatas. E óbvias: a corda esticou e partiu de imediato, com o famoso PEC IV a não servir de mais que simples adereço fúnebre do governo de Sócrates. Agora, as consequências não seriam menos óbvias: pedido de verificação de constitucionalidade ou mesmo veto do orçamento! O PR não pode promulgar um orçamento com medidas que condena e reprova e que, embora o não tenha expressado directamente, deixa entender serem inconstitucionais.


Cavaco não pode deixar de tomar esta atitude. Mas também não a pode tomar!


Cavaco, para além do político no activo com mais anos de actividade e com mais experiência política, é ainda apresentado pelos analistas políticos como o mais sagaz, calculista e matreiro de todos. Custa a perceber como se deixou enrolar nesta ligadura gigante…


A primeira consequência deste imbróglio é evidente: o PS, que o governo tanto queria colar à aprovação deste orçamento, fica completamente desobrigado de não votar contra. E com as costa bem quentes!   

à(s) outubro 20, 2021 Sem comentários:
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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Afinal, ao contrário do que por aí se dizia, o governo está preocupado com a economia. E tem estratégia!


Questionado sobre o assunto quando apresentava o OE 2012, o ministro das finanças disse claramente que a estratégia para a economia portuguesa era a consolidação orçamental e a estabilidade financeira. Eu não percebi! Como que por milagre – provavelmente o mesmo que irá impedir que a economia caia mais que os 2,8% previstos – percebeu que eu não estava convencido e resolveu explicar melhor, explicar como só ele sabe: a consolidação orçamental e a estabilidade financeira vêm trazer credibilidade, que é o que a economia precisa!


Continuei sem perceber. Mas como não houve mais milagres fiquei a pensar que o problema era meu!


Estava eu nisto quando eis que surge novo milagre: o ministro da economia veio falar! Bom, apenas meio milagre. Milagre completo seria se, para além de simplesmente falar, dissesse alguma coisa. Alguma coisa importante, bem entendido, e com algum jeito!


O Álvaro disfarçou-se de vendedor da banha da cobra e veio dizer alto e bom som que há vida para além da austeridade. É pouco? Não é nada?


Não, não! É muito! Afinal o homem está a fazer-se, já não falta tudo para termos aí um ministro da economia à séria. Produziu o seu primeiro sound byte! Coisa de que não o julgávamos capaz e que, como bem sabemos, é a essência da condição de ministro!


Pela minha parte fiquei muito feliz com esta entrada do ministro da economia – na conferência “O Estado e a Competitividade da Economia Portuguesa”, organizada em Lisboa pela Antena 1 e pelo Negócios – e à espera do viria a seguir. Do que seria essa vida!


Explicou que a isso se chamava combater a subsídio dependência, reformar sem medos e receios contra lóbis e proteccionismos. Bem dito, gostei de ouvir! Chamo a isso limpar a economia, são medidas de higiene económica. Mas então por que é que, quando se apresenta um orçamento destes, não se fala das PPP? Por que é que, quando o escândalo das estradas está na ordem do dia - com o Estado obrigado a entregar aos concessionários 600 milhões de euros em razão de um contrato revisto à medida – subsistem medos e receios contra lóbis e proteccionismos?


Depois, para compor o ramalhete, umas não medidas (não se pode voltar a relançar o crescimento económico através de subsídios; não se pode voltar a obras públicas faraónicas…) e uma grande novidade, que nem estamos fartos de ouvir: "Portugal tem de levar a cabo as reformas estruturais de que precisa”!


Ora aí está um governo cheio de ideias para a economia! E a gente a pensar que o governo não passava duma gigantesca Repartição de Finanças… Estamos bem entregues! Estamos, estamos…

à(s) outubro 19, 2021 Sem comentários:
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A evolução natural da amnésia

Amnésia, o que é e como saber se você tem? Tipos, causas e tratamentos


Sabíamos que a amnésia é uma doença que ataca transversalmente toda as pessoas com queda para a criminalidade económica, também chamada de colarinho branco. Nunca ninguém se lembra de nada. Há amnésia para todos os gostos - há quem não se lembre das empresas que tem, nem das funções que nelas desempenha, de alguma vez ter constituído uma off-shore ...


Há até quem não faça ideia nenhuma das dívidas que tem:  "O segundo maior devedor, eu? Nem me diga uma coisa dessas!"; ou outro - "eu não tenho dívidas"!


Receio que a amnésia tenha já evoluído para estádios mais avançados e perigosos. Que de simples sintoma tenha avançado para a fase mais grave da doença.


Talvez nem tudo seja assim mau. A partir de agora já ninguém vai ter de dizer que não se lembra. A partir de agora já nem ao desconforto de dizer que não faz a mais pequena ideia do que se tenha passado ninguém dessa gente terá que se incomodar. Basta invocar Alzheimer!


 


 


 

à(s) outubro 19, 2021 8 comentários:
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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Andámos anos e anos a fazer auto-estradas, por todo o país, muitas vezes umas ao lado de outras. Sem dinheiro para as portagens, deixamo-las ao abandono e, agora, restam-nos apenas dois simples caminhos: o caminho da Grécia e o da Irlanda!


Nunca soubemos bem para onde íamos - sempre tivemos problemas de orientação - mas parece-nos que vamos a caminho da Grécia. Lá de Bruxelas, dizem que vamos no outro, a caminho da Irlanda. Mas nós bem sabemos como eles se vêm gregos com a nossa sinalética, que nunca foi famosa

à(s) outubro 18, 2021 Sem comentários:
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Ritual perigoso

Expresso | Estado de emergência: Marcelo preocupado com a “perceção” sobre  o congresso do PCP. Conheça as novas medidas em cima da mesa


Os orçamentos devem ser aprovados por si próprios. Pelo que valem, pelo que aportam ao país e aos portugueses. Não por medo de eleições. E se for por razões de estabilidade política, leia-se de manter o status quo, como pretende o Presidente Marcelo, então que apele ao centro do sistema político.


Marcelo, e o mainstream, entende que a estabilidade deve ser garantida à custa do medo de eleições. Ora, parece-me que isso é a negação do sistema democrático, e um apelo à máxima do faz de conta que há muitos anos impera na sociedade portuguesa, com os resultados que se conhecem.


Nesta narrativa os maus da fita são sempre os partidos mais à esquerda ou, na mesma narrativa, da extrema esquerda. Nunca o PS, nem António Costa. Que partiu para a geringonça por interesses próprios, a fazer de conta que abria um ciclo nunca experimentado de uma experiência governativa à esquerda.


Na primeira legislatura a experiência funcionou. Porque o país vinha de quatro anos de garrote, imposto pela troika e aplicado por um governo ideologicamente disposto a ir para além dela e, com a economia com condições para crescer, havia muito do perdido para repor. Era fácil encontrar consensos numa agenda com tanta coisa para recuperar.


Esgotada essa agenda, esgotada a legislatura e ganhas as novas eleições, António Costa e o PS decidiram não repetir a experiência. E recusaram qualquer esforço de entendimento à esquerda para assegurar a estabilidade governativa, ao mesmo tempo que descartavam qualquer hipótese à sua direita. Porque entenderam, não sem alguma arrogância, que lhes bastaria essa declaração e agitar o papão do regresso da direita ao poder.


E pensaram, PS e Costa, que bastaria proclamar que governavam à esquerda, e negociar à la carte a aprovação de cada orçamento. Se não fosse possível com uns e outros, ora com uns, ora com outros. E, assegurada a aprovação, ir mantendo numa gaveta bem fechada os compromissos antes assumidos. 


E foi assim que apenas num ano, e num único orçamento, chegamos aqui. Ao ponto em que hoje estamos.


E voltamos à narrativa do main stream: os partidos da esquerda são irresponsáveis, só querem despesa, estão-se nas tintas para o défice e para a dívida, e são os responsáveis pela crise política que aí vem. Como se ela aí não estivesse há muito!


Mas está. Está desde que António Costa aproveitou essa mesma esquerda para chegar ao poder, sem perceber que teria de encontrar consenços sérios, e para levar a sério, de governação. E não teria sido assim tão difícil, bastar-lhe-ia assumir os compromissos que queria e poderia cumprir. E depois cumpri-los!


Fez tudo ao contrário, e não poderia ter chegado a outro destino que não este. Em que as eleições, lá ao fundo da reta, são o precipício para que todos correm a louca velocidade. Nenhum lá quer precipitar-se mas, como nos filmes da especialidade, ninguém pode ser o primeiro a travar.


Nunca este ritual foi tão perigoso!

à(s) outubro 18, 2021 4 comentários:
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domingo, 17 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


No segundo semestre de 2007 a crise financeira internacional começou a mostrar a cara. Era uma crise com origem no subprime americano, que toda a gente já sabe o que é e no que deu. Um ano depois, em 2008 – faz agora três anos – surge o acontecimento que veio virar do avesso o sistema financeiro internacional: a falência do Lehman Brothers.


Por cá atravessávamos uma grave crise económica, com o país já em recessão, depois de quase uma década sem crescimento económico. Depois da entrada do euro, no início da década - e do século e do milénio – a nossa economia não mais crescera. Roubaram-lhe o único instrumento de crescimento que conhecia: a desvalorização cambial!


Mas o governo de José Sócrates, pese embora os sinais de capacidade reformadora, e até de controlo orçamental, que começara por dar, não quis saber. Já a pensar nas eleições do ano seguinte, Sócrates anunciava que Portugal, porque se tinha preparado bem, não seria afectado pela crise internacional e o ministro da economia – o incontornável Manuel Pinho – declarava solenemente o fim da crise. Até às eleições de 2009 todos sabemos o que se passou, com BPN, aumento dos salários da função pública, tudo a esconder e negar a crise. Que, só depois das eleições, o governo finalmente admitiria!


Mas já não era crise, velha de anos, que Manuel Pinho declarara extinta. Não! Agora diziam que era a crise importada, a crise internacional, a tal que Sócrates garantira de que estávamos a salvo. O país começara a perceber que Sócrates mentia, que a crise era a mesma, a velhinha, que não nos largava. Que, PEC atrás de PEC, se agravava a cada dia. A oposição nega qualquer vestígio estrangeiro no genes da crise e o Presidente da República só já depois da entrada em funções do actual governo – que, agora que já não é oposição, também muda de posição - se converte à ideia de que tudo isto provém lá de fora, e que é mesmo a União Europeia a culpada disto tudo.


A crise é evidentemente de origem interna e resulta de mais de uma década sem crescimento, do esgotamento de uma economia desestruturada e viciada. O resto veio depois! Os mercados financeiros, que começaram a pressionar Grécia pela simples razão de que não poderia ser de outra forma – não foi por critérios económicos que a Grécia integrou a UE, foi razões de estratégia geopolítica, cujo preço algum dia teria de ser pago – e, logo a seguir, a Irlanda, porque teve que acorrer ao seu sistema financeiro – esse sim atingido pelo efeito subprime – voltaram-se para Portugal. Por uma simples razão: repararam que um país que não cresce há mais de dez anos, e que nem sequer tem condições de inverter esse bloqueamento, não consegue pagar o que deve.


É esse o nosso problema. O nosso défice orçamental e a nossa dívida pública não seriam problema nenhum se não fosse a nossa crise económica endémica. Não conseguimos, nem ninguém consegue, pagar o que deve quando está cada vez mais pobre! E quando um credor percebe isto não só não empresta nem mais um chavo como exige de volta o que emprestou…


A troika, à boa escola do FMI, aplica a mesma receita para todos os casos, fazendo crer que a terapia não tem que ter a ver com a doença. Que lhe basta ser punitiva: o tratamento está na punição severa!


É como alguém estar com uma doença hepática, eventualmente até por alguns excessos alcoólicos e, em vez de se lhe retirar o álcool e tratar do fígado, lhe receitar exercício físico. Do mais violento e com umas cervejas para matar a sede!


Discute-se agora – tanto e nas mesmas bases (de conveniência política ou ideológica) como, há bem pouco, se discutia se a crise era interna ou externa – se as medidas poderiam ser outras. Se, afinal, isto poderia ser diferente. Claro que sim, que as medidas poderiam ser outras, as acertadas para a doença. Se o mal está na falta de crescimento, medidas que agravam o mal resolvem o quê?


Mas não podemos esperá-las de quem já se percebeu que não está preparado para as exigências do momento. E esse é, há muito, outro dos nossos grandes dramas!


 

à(s) outubro 17, 2021 Sem comentários:
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Etiquetas: 10 anos, quinta emenda

sábado, 16 de outubro de 2021

Incompetência gritante


 


Foi um Benfica de todo incompetente este que se apresentou esta noite na Trofa, para iniciar a sua participação na Taça de Portugal desta época.


Incompetente e mau de mais. A meter nojo. E a acabar o prolongamento com os jogadores completamente de rastos,  praticamente todos amarelados, com o guarda-redes a queimar tempo e toda a equipa encostada às cordas, a despachar bolas para a frente como uma equipa dos campeonatos distritais.


Ah ... mas o Benfica mereceu ganhar, podia ter marcado quatro ou cinco golos, e o Trofense marcou o golo na única oportunidade que teve, e sem muito bem saber como. Pois, mas tudo isso apenas reforça a enorme incompetência da equipa. De todos e de cada um dos 17 (!) jogadores utilizados! 


É difícil encontrar tanta incompetência e tanta incapacidade numa equipa de futebol!


Depois de uma jornada europeia ... é um problema. Depois das selecções ... é um problema... É só problemas. E desculpas que não têm desculpa. 


 

à(s) outubro 16, 2021 1 comentário:
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Etiquetas: benfica, futebol, quinta emenda, taça de portugal, trofense

Brincar com o fogo


 


O preço dos combustíveis ameaça tornar-se no maior factor de instabilidade da sociedade portuguesa. É aquilo que os portugueses mais obviamente percepcionam, para além do que sentem na pele.


Sobem todas as semanas. Dá para comparar com as cotações do preço do petróleo - há nove ou dez anos o petróleo cotava pelos 100 dólares o barril, tem andado pelos sessenta, e só agora ameaça chegar aos 80. É dos mais altos da Europa, bem acima da média europeia, e dá para comparar com os salários mínimos dessa mesma Europa. Com a Espanha, aqui ao lado, para não ir mais longe. Se mais longe formos mais evidentes são as diferenças. E, conforme a imagem acima, sabe-se até que o preço dos combustíveis, sem impostos, é mais alto em Espanha que em Portugal, e bem mais que a média europeia, quando, no fim, com os impostos, aqui ao lado, o preço é até inferior ao da média europeia.


Por tudo isso, os preços da gasolina e do gasóleo podem muito bem ser a chave da ignição da mobilização do descontentamento generalizado dos portugueses que, como se sabe, não é electrónica - leva muito tempo a aquecer. Mexem muito mais com os portugueses que as questões do Orçamento: se é ou não aprovado, se o governo cai ou não, e se há ou não eleições antecipadas, instabilidade política e orçamento por duodécimos.


E no entanto o governo brinca com isto. Tem almofadas para tudo, tem margem para negociar isto e aquilo com os parceiros de aprovação do orçamento. Mas não tem almofada nem margem para baixar a carga fiscal sobre os combustíveis, e surge agora - ontem, a anunciar para hoje - a baixar o imposto sobre o gasóleo em 1 cêntimo e sobre a gasolina em dois. Porque, afinal, o aumento dos preços desde o início do ano, que já vai próximo dos 40 cêntimos, gerou um valor de IVA adicional (60 milhões de euros, diz) que entende dever, agora, devolver dessa forma aos consumidores em sede de ISP.


Os preços dos combustíveis, que integram todos esses impostos, são sempre actualizados no início da semana, à segunda-feira. Se isto não fosse uma brincadeira, esta insignificante redução seria incorporada no novo aumento da próxima segunda-feira. Mas não. O governo antecipou-a para hoje, sábado, para, depois de amanhã, os preços voltarem a subir. Para preços que bebem de um só golo essa descida. Os golos seguintes já são de novo por nossa conta. 


Se isto não é brincar com o fogo...


 

à(s) outubro 16, 2021 23 comentários:
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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

E pronto… Já está!

                                      Capa PúblicoCapa Diário de Notícias


As janelas mais atingidas pelo pontapé de Marcelo naquela bola perdida foram mesmo as de Rui Rio. Provavelmente com mais de pontaria afinada, do que de acidental. A bola não terá ido bater nos vidros de Rio, terá sido chutada para lá com pontaria afinada. 


Já Cavaco, no tão propalado artigo no Expresso do passado sábado, tinha apontado para lá. Teve em mira mais algumas janelas, mas aquela também lá estava. Cavaco tem pouco jeito para muita coisa, mas na fisga é bom. De fisgas sabe ele, e com fisgas também se partem vidros. Não é só com boladas.


E lá está Rui Rio com os vidros todos partidos, e com a casa feita em cacos e a arder. Já não tem por onde se safar, e já não tem condições para dar luta a um inclemente (também já perdeu, e quem já perdeu, em política ao contrário de grande parte do resto, tende a ser mais inclemente), Paulo Rangel. Quando nem o Conselho Nacional tem na mão - a sua tentativa para adiar as directas, com que tentou evitar que a bola de Marcelo e a fisga de Cavaco lhe atingissem a janela, foi claramente derrotada com 70 votos contra e apenas 40 a favor - já não tem por onde resistir... 


Poderá ensaiar a velha táctica política do tabu. Mas não vale a pena, o tabu não resiste a mais que um par de semanas.


 

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Etiquetas: cavaco, paulo rangel, presidente marcelo, psd, quinta emenda, rui rio

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O futebolês também se faz de termos correntes da nossa língua como este: sorteio. Que tem a ver com sorte, às vezes com sorte e azar, e que tanto serve de instrumento de marketing, e mesmo de comunicação – então em tempos de crise como este não há mãos a medir, seja para ajudar a vender qualquer coisita ou pura e simplesmente para enganar os mais incautos – como instrumento de receita para qualquer iniciativa, das mais nobres às mais obscuras, ou ainda como instrumento de alimentação de fantasias excêntricas de milhões de pessoas a sonhar com milhões. Só que em futebolês não tem o mesmo significado: limita-se à arrumação dos jogos numa competição, o sorteio dos jogos para os campeonatos nacionais, para as diferentes taças, para as competições de clubes e de selecções da UEFA e da FIFA. Que têm a ver com sorte – basta ver, por exemplo, como muita gente fala das suas expectativas de êxito com a sorte nos sorteios – mas também com muita manipulação de interesses. Sempre financeiros, como não poderia deixar de ser!


No campeonato nacional os três grandes não se podem defrontar nas cinco primeiras jornadas: não vindo daí mal ao mundo não deixa de ser uma manipulação! Já nas provas da UEFA, quer de clubes quer de selecções, e nas de selecções da FIFA, a coisa pia mais fino: os sorteios são completamente manipulados para favorecer os mais fortes, com a história dos potes e dos cabeças de série, que evitam caprichos da sorte e, com eles, indesejáveis processos de canibalização dos mais fortes.


Ainda agora, neste sorteio do derradeiro play-off de apuramento dos mais atrasados na corrida à fase final do Euro 2012, para onde a nossa selecção se deixou cair, se viu que os designados cabeças de série se não podiam defrontar, sem que ninguém tivesse percebido muito bem por que razão, por exemplo, a Irlanda ficou com esse estatuto em desfavor da Turquia. Pela parte que nos toca veremos se justificamos esse estatuto quando, daqui por um mês, tivermos que nos haver com a Bósnia!


Não fosse o futebol um jogo com forte dose de imprevisibilidade – afinal aquilo que o torna no mais apaixonante dos jogos – e seriam sempre os mesmos a ganhar. Quer dizer, aqueles que teriam por principal missão defender o jogo, são os que mais agridem a sua principal fonte de vida: precisamente essa ideia mítica de que são onze contra onze, que a bola é redonda e que, no fim, qualquer um pode ganhar. Um paradoxo que o dinheiro ajuda a explicar!


Em Portugal, a prova onde o sorteio é mais flagrantemente manipulado é a Taça da Liga – chamo-lhe assim porque, com os patrocinadores a mudarem todos anos, só mesmo assim poderá ser conhecida – onde não é possível evitar a presença de pelo menos um dos grandes na final. Não fosse a tal imprevisibilidade, e também algum facilitismo circunstancial de algum desses grandes, e o desígnio do sorteio ditaria mesmo uma final vedada a intrusos. É que, doutra forma, não haveria nem patrocinadores nem espectadores!


A UEFA é o mais descarado manipulador de sorteios, quer na milionária Liga dos Campeões quer na pobre Liga Europa, porque o truque é o mesmo. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que uma equipa de um clube que não integre o grupo dos tubarões passar da fase de grupos! Longe vai o tempo da Taça dos Campeões Europeus, disputada apenas pelos campeões de cada país que se defrontavam em regime de sorteio puro!


As grandes potências europeias do futebol – Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha – asseguram logo quatro representantes cada. Passa-se ao sorteio e as equipas são arrumadas em quatro potes: no pote 1, os multimilionários, no 2, os ricos, que vêm a seguir, no 3, os pobres e, no 4, os bobos da festa, constituindo-se cada grupo por um de cada pote. Apurando-se os dois primeiros, está-se mesmo a ver que possibilidades restam para os pobres e para os bobos da festa!


Segue-se o sorteio do calendário que estabelece a ordem dos jogos. Que, para que nada corra mal, é também manipulado tratando de, na fase decisiva do calendário da prova – o último jogo da primeira volta e o primeiro da segunda – agendar os dois jogos consecutivos entre o milionário e o bobo da festa. Ou seja, se alguma coisa estiver a correr menos bem ao milionário – veja-se o caso actual do Manchester United, do grupo do Benfica, com apenas 2 pontos à entrada do último jogo da primeira volta, que terá agora oportunidade de fazer seis nos dois jogos com o bobo que veio da Roménia – é-lhe dada a oportunidade dar uma sacudidela na crise e de embalar para o lugar que desde sempre lhe está reservado.


Passada esta fase, e apurados naturalmente o milionário e o rico, por esta ordem, segue-se a fase dos jogos de eliminação directa. À sorte? Qual quê, sempre o milionário contra o rico!


Excepcionalmente – a excepção que confirma a regra – os sortilégios do futebol pregam uma partida a esta gente. Aconteceu uma única vez - em 2004 – e deu numa irrepetível final entre o Mónaco e o Porto. Que o Porto soube aproveitar bem e Mourinho melhor! Em 2004, quando até a  Grécia foi campeã da Europa, à nossa custa.


Se, como se diz, a sorte dá muito trabalho, estes sorteios dão ainda mais!

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quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Bola para os vidros

Chumbo do Orçamento? ″O país não deve ter seis meses de paragem por causa  de eleições″


 


O ritual de dramatização está aí, como se esperava. Ou não fosse um ritual. 


Mais cedo, mais coreografado, e com uma nova (velha) personagem em palco - o Presidente Marcelo, evidentemente. E como ele gosta de palco, como gosta de grandes planos, como gosta de ser o primeiro ...


Podia ter esperado mais uns dias, ou umas semanas. A procissão ainda vai no adro e muitas são ainda as cenas por gravar. Tinha tempo para esperar calmamente pela sua vez, e se ela não chegasse não se perdia nada. Mas não, assim que a apanhou uma bola perdida, ali a saltar à frente, chutou-a com força.


Deslumbrado com a execução do pontapé, ali ficou em auto-contemplação, desligado de tudo. A bola, essa, seguia a toda a velocidade direitinha às janelas da vizinhança. Quando deu por si viu-se o ar de miúdo traquina a vibrar com os vidros a estilhaçados ali à volta...


 

à(s) outubro 14, 2021 1 comentário:
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Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O país levou com mais um soco no estômago, para usar a expressão celebrizada pelo próprio primeiro-ministro. Mais que as medidas anunciadas para o Orçamento do Estado do próximo ano creio que o golpe mais duro do murro, aquele que espetou o estômago já vazio dos portugueses nas costelas, foi ver o primeiro-ministro falar durante meia hora de mais e mais impostos, de mais e mais austeridade, sem uma única palavra para a economia, sem uma única referência às reformas fundamentais sempre adiadas e sem apontar o dedo às vacas sagradas instaladas no regime.


Como não acredito que o primeiro-ministro se limite a comunicar sacrifícios aos portugueses por mera inabilidade política – apesar de disso ser, e há muito, frequentemente acusado – tenho de concluir que ele o faz pela simples razão de que o governo não tem outras soluções que não aumentar impostos e cortar nos magros rendimentos do trabalho. No governo anterior chegamos de PEC em PEC onde chegamos. Neste, vamos sucessivamente mais longe que a Troika para chegar a lugar nenhum.


No governo anterior Sócrates mentia-nos, apresentava cada PEC com a arrogância e o cinismo de quem nada tinha a ver com o anterior e falava como um lunático de um país que não existia. Neste, Passos Coelho vai para além da troika com a humildade que apreciamos, pede desculpa e mostra-se até arrependido de aqui ter chegado. Os seus gabam-lhe a coragem, como os de Sócrates lha gabavam – mais a determinação e a força do animal feroz que puxava pelo país - que nós não encontramos. Vemos, sim, cobardia! A cobardia do mais do mesmo, a cobardia de quem ataca os fracos para não tocar nos fortes.


Claro que sei que é de medidas destas que, numa lógica cada vez mais difícil de entender, os nossos credores internacionais estão à espera. Já vieram, de resto, aplaudi-las com a Srª Merkel a dizer já que Portugal está no bom caminho. Mas não está, porque este é o caminho da Grécia, que já vimos onde vai dar!


O velho desvio colossal – que foi e deixou de ser sem nunca ter sido explicado – vai agora, ao que nos diz o primeiro-ministro, nos 3 mil milhões. Este buraco, que será tapado por receitas extraordinárias - eufemismo de contabilidade criativa -, e por isso irrepetíveis, comporta os ditos 600 milhões do da Madeira (hão-de ser mais, é só esperar mais uns meses …) e mais um ou outro dos esqueletos encontrados nos armários, até porque os mais robustos desses esqueletos foram directamente a défices anteriores. A fatia mais significativa destes 3 mil milhões vem da execução do orçamento deste ano, por descontrolo na despesa mas, fundamentalmente, por derrapagens na receita. Porque a actividade económica caiu bem mais do que o esperado e algumas das receitas fiscais não passam de miragens!


É aqui Passos Coelho se engana! E nos engana a nós, pelo menos enquanto não conhecermos as premissas macroeconómicas do orçamento para o próximo ano. É que os efeitos recessivos das medidas anunciadas são, esses sim, colossais e terríveis na procura interna. E é que a economia portuguesa depende em 2/3 do mercado interno. E é ainda que, se outras razões não existissem, bastariam as limitações de crédito para limitar o crescimento das exportações. A única parte da economia que cresce é a informal que, se serve de pequena almofada social, não contribui para a receita!


Passos Coelho garantiu hoje no Parlamento que não iria andar a anunciar pacotes de austeridade uns atrás dos outros. Só há uma razão para que não tenha voltado a mentir: é já não haver por onde. Lá para meados do próximo ano voltaremos a ouvir falar de desvio orçamental e poderá ser que, então, quando já nada mais haja para retirar aos portugueses, se ouça falar de energias alternativas, de renegociação de parcerias público-privadas (PPP), de responsabilização criminal dos responsáveis por certos contratos a que o Estado está agarrado ou das denúncias de Paulo Morais (o antigo vice-presidente da Câmara Municipal do Porto e actual responsável da TIAC, Transparência e Integridade Associação Cívica) – entre as quais a de que, nos últimos anos o Parlamento se transformou num escritório de representação de negócios (na última legislatura eram 70 – 1/3 – os deputados que ocupavam lugares na administração de empresas que tinham negócios com o Estado e, na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, quase metade dos deputados eram administradores de empresas do sector).


Coragem, coragem era enfrentar estas formas de crime organizado. Coragem era chegar ao FMI e à UE e explicar-lhes que o ajustamento que Portugal tem que fazer não é possível em dois anos e que austeridade é um meio – a usar criteriosamente – e nunca um fim. Explicar-lhes que um programa de ajuda tem de ajudar, não pode matar! E mostrar-lhes que temos soluções, que o governo não passa o tempo a fazer simples operações aritméticas para chegar a um número qualquer que sempre lhe haverá de fugir, mas a trabalhar num programa de reformas e de desenvolvimento económico para o país.


 

à(s) outubro 14, 2021 Sem comentários:
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quarta-feira, 13 de outubro de 2021

O nacionalista Miguel Vasconcelos

O incompreendido Miguel de Vasconcelos | Blog


 


A Espanha celebrou ontem o dia da Hispanidade, na data que assinala a chegada de Cristóvão Colombo à ilha de Guanani, no arquipélago das Bahamas, em 12 de Outubro de 1492. É o "10 de Junho" deles, mas mais à "dia da raça" do que a "dia de Camões de das comunidades".


Pelo menos assim o celebra o VOX. Que reclama a anexação de Portugal e um império com todas as antigas possessões ultramarinas espanholas e portuguesas, com capital em Madrid.


A anexação de Portugal nunca deixou de ser o sonho da direita fascista e franquista espanhola, pelo que não é esta celebração do VOX que surpreende. Até porque nem é a primeira vez que o faz. Nem será a última. Ia dizer que o que surpreende é a vassalagem que o André Ventura lá foi prestar no passado fim de semana. Mas também não, não surpreende nada nem ninguém. Também não foi a primeira vez. Até nas questões mais básicas Ventura é tudo e exactamente o seu contrário.


Nacionalista, patriota e Miguel Vasconcelos, tudo na mesma personagem. Como um fantoche.


 


 

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terça-feira, 12 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Nem mais. E nós que pensávamos que os ares de Teerão lhe poderiam fazer bem à cabeça!


Mas não. Bastou que o seu Irão goleasse a fortíssima selecção do Bahrein – reduzido a 10 logo no primeiro minuto, no que foi a expulsão mais rápida na história do futebol – e que a selecção nacional regressasse aos seus tempos para que fizesse logo, sem perder tempo, prova de vida.


E, com este Queiroz que há muito perdeu a cabeça, prova de vida é isto! E quando não é isto…é pior!


Mas nem tudo é mau. É que também se pronunciou a propósito do tema mais importante da actualidade: Hulk! Não, não foi para dizer se ele deve esperar para cumprir pena de prisão ou pirar-se já daqui para fora. Foi mesmo para desmentir que tivesse passado pela cabeça de alguém convidá-lo para a selecção nacional!


E disse que isso era uma patetice. E quem o diz é pateta!


Eu, que ouvi ontem Pinto da Costa afirmar que o Carlos Queiroz lhe havia pedido para consultar o Hulk nesse sentido – e aproveitar para acrescentar que o jogador recusara de imediato, porque aspirava legitimamente a jogar na selecção brasileira, como ontem mesmo se confirmava com a primeira titularidade – gritei: Bingo! Carlos Queiroz chamava pateta a Pinto da Costa, coisa que muita gente pensa mas ninguém ousa dizer… Logo ele, por quem, como se sabe, Pinto da Costa nutre pública simpatia!


Pena que, com tanta patetice, esta não passe de mais uma. Assim ninguém leva a sério o que seria a sua mais forte prova de vida: chamar pateta a Pinto da Costa!

à(s) outubro 12, 2021 Sem comentários:
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Rituais

OE2022: segurança interna cresce 8% com orçamento de 2.311 milhões de euros  | TVI24


Ontem lá se cumpriu mais um ritual do Orçamento. A meia hora de acabar o último dia para a sua apresentação ao Parlamento, meia dúzia de carros sairam do Terreiro do Paço para S.Bento, para entregarem qualquer coisa ao Presidente da Assembleia da República, na presença de dezenas de jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara. 


Captadas as imagens, sempre centradas naquela qualquer coisa, o ministro das finanças falou qualquer coisa, e respondeu qualquer coisa ao que os jornalistas lhe perguntaram. Para hoje de manhã ficava o resto.


Se se percebe por que a entrega do orçamento tenha sempre de ficar, não para a última da hora, mas para o último minuto - é essa a nossa maneira de funcionar, não há volta a dar-lhe - já não se percebe por que, podendo seguir por via electrónica, num simples e-mail, qualquer coisa tem de ser entregue em mão, à meia-noite, numa caravana de 5 ou 6 carros e numa festa com largas dezenas de pessoas. Até porque, certamente,  o orçamento seguiu por mesmo por e-mail, e que naquela festa está apenas aquela qualquer coisa em figura de envelope. 


É na realidade apenas mais um ritual num orçamento cheio de ritualidade. Começa com um autêntico ritual de acasalamento, com o macho a procurar seduzir fêmeas insinuantes a fazerem-se de difíceis, passa por este ritual de pompa e acaba num outro de suspense que se prolonga até ao Natal. Ou acabava, dantes. Porque agora só acaba no ano seguinte, no ritual da cativação introduzido por Mário Centeno, de que João Leão não abre mão, para enterrar juras, promessas e deslumbramentos da quente e excitante época de acasalamento. 

à(s) outubro 12, 2021 2 comentários:
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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


A União Europeia (UE) já não existe. É meramente virtual!


Começou a desaparecer quando deixou de haver quem mandasse, como sempre acontece com tudo o que é organização. A velha questão da liderança!


À falta de quem mandasse, a Alemanha, com a Srª Merkel, chegou-se à frente e começou a falar grosso. E começou a mandar, coisa em que, no fundo, nem os alemães estavam assim tão interessados. Ao ver isso a França de Sarkosy começou a pôr-se em bicos de pés – não leve a mal Mr Sarkozy, isto de bicos de pés não é ironia -, e a aconchegar-se ao lado da senhora, a dar a ideia de que haveria um eixo franco-alemão a tomar conta do estabelecimento. Mera ilusão, não saiu dali nada de jeito!


A partir daí a desagregação acelerou-se. Cada estado membro passou a preocupar-se apenas com os interesses do seu próprio país, e daí até que cada líder nacional passasse a preocupar-se com o seu futuro político imediato foi um ver se te avias! As decisões já não eram tomadas em função do interesse da União, nem sequer do interesse do país membro, mas do interesse imediato de quem aí ocupava circunstancialmente o poder.


E a UE passou a ser governada com os olhos nas eleições que todas as semanas ocorriam num qualquer canto da Europa. Passou a ficar refém do eleitorado de um estado alemão qualquer, de um município francês ou austríaco. Ficamos suspensos das eleições finlandesas, como nós portugueses nos lembramos bem. E, de repente, damos com a União à mercê, já não dos interesses particulares de cada país membro, nem sequer das conveniências eleitorais deste ou daquele líder nacional, mas do simples jogo político de um qualquer pequeno partido que integre uma coligação qualquer no poder de um qualquer pequeno país.


A Eslováquia encarregou-se de mostrar com toda a clareza que a UE já não existe. A ratificação da medida salvadora – o reforço do Fundo de Estabilização Financeira (FEF) – que os europeus saudaram em 21 de Julho ficou presa no parlamento eslovaco nas mãos de um pequeno partido. Uma decisão fundamental que foi de férias e, quando regressou, três meses depois, ficou à porta do parlamento de um país com três milhões de europeus!


Mas a senhora Iveta Radicova – primeira-ministra eslovaca – já veio dizer que a birra do seu parceiro de coligação vai passar. Que na próxima semana a coisa se resolverá!


Surreal!

à(s) outubro 11, 2021 Sem comentários:
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