quinta-feira, 31 de março de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Toda a gente sabe o que é um pé grande. Ou pequeno. Ou elegante, como o da Cinderela. Mas, pé alto, só no futebolês!


O que é então um pé alto?


Não! Não é um pé enfiado nestes sapatos de senhora que se usam agora. Tão altos que temos dificuldade em perceber como é que aquilo não se desmancha tudo e vem cá parar abaixo com, pelo menos, uns entorses dos valentes. Nem sequer é o pé do Sarckosy, apostado em trepar os oito centímetros que separam o seu mísero metro e sessenta e oito do imponente metro e setenta e seis da Carla Bruni. Nem o pé alto do copo do vinho, da taça de champanhe ou do candeeiro. 


Pé alto é tão simplesmente quando os jogadores disputam a bola, nas alturas, com os pés. Os inventores do futebol acharam que, sendo jogado com os pés, também podia ser jogado com a cabeça. Mas que, cada macaco no seu galho: à cabeça o que é da cabeça; aos pés o que é dos pés! Nas alturas a bola disputa-se com o peito e com a cabeça. No chão com os pés. Fora disto nada mais é permitido!


Atenção que falamos de disputa da bola, não de jogar a bola. Quando se trata de apenas jogar a bola, sem ter de a disputar directamente com ninguém, cada um joga-a como quer. Melhor, como pode! Se a tanto ajudar o engenho e a arte, pode fazer-se um remate a um metro e oitenta do solo com os pés, num espectacular pontapé de bicicleta, como com a cabeça a um palmo da relva num voo picado arrepiante.


O pé alto é pois uma infracção às leis do jogo penalizada, nos termos das mesmas, com livre indirecto. Sem a chamada punição disciplinar, que já tem lugar se o pé, para além de alto, também for em riste. O pé em riste é um pé alto mas em atrevido, direitinho às pernas – e às vezes mais do que isso – do adversário.


O problema deste pé alto é que, frequentemente, são dois. Na maioria das vezes, quando um jogador levanta o pé para disputar a bola, o adversário faz exactamente o mesmo.


Quem é que o árbitro deve punir? O que o faz em primeiro lugar... Quem é que pune? O jogador do nosso clube, invariavelmente!


Ainda na última jornada do campeonato vimos isso. Isso e muito mais!


O Aimar e um adversário (do Olhanense) disputam uma bola no ar com os pés. Pé alto, de ambos, e livre indirecto. Contra o Benfica, naturalmente, porque quem levantou o pé em primeiro lugar foi o jogador do Olhanense, que não é o meu clube. O meu é o Benfica, via-se logo quem teria de ser o penalizado com o livre indirecto…


O pior foi quando, sem pé em riste nenhum e sem obviamente ter sido o primeiro a levantar o pé ao alto, aparece na mão do árbitro não o cartão amarelo do pé em riste mas o vermelho de uma agressão. De uma das mais estranhas agressões que terão acontecido no futebol. Logo à partida um jogador como Pablo Aimar a agredir um adversário é coisa estranha, de verdadeira ficção. Não cabe na cabeça de ninguém!


Bom, não é bem assim, até porque esta estranha agressão, que teve a particularidade de não ter sido sentida pelo suposto agredido – que se confessou surpreendido com a decisão do árbitro (“foi o que o árbitro entendeu” – foram as suas palavras) –, apenas foi vista por portistas e sportinguistas (e braguistas, que também os há e reclamam voz). Para os sportinguistas - que nestas coisas não gostam de deixar os seus créditos por mãos alheias - foi mesmo uma agressão brutal, que bem poderia ter incapacitado para sempre o jogador do olhanense, pondo mesmo em risco uma das suas principais funções do homem… Que dizer do que a fotografia abaixo documenta, exactamente no mesmo jogo, e que passou em claro? Ao árbitro, aos sportinguistas, às televisões, a toda a gente ...


Quem também não fez a coisa por menos foi a comissão disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que decidiu punir Aimar com dois jogos de suspensão. E que jogos: Braga e Sporting! Quando, em todas as expulsões ocorridas por cartão vermelho directo durante os cerca de 200 jogos do campeonato, a sanção se ficou sempre pelo único jogo de suspensão.


Quer dizer, os senhores que compõem este órgão disciplinar da FPF, não acham apenas que se tratou de uma agressão. Acham que foi a mais violenta agressão que aconteceu em Portugal durante toda esta época!


No que pode dar um simples pé alto ...


 

Marcelo a ser Marcelo e António Costa a ser António Costa

Os avisos de Marcelo e as promessas de Costa na tomada de posse do XXIII  Governo Constitucional - SIC Notícias


Temos finalmente governo, o XXIII da Constituição, em funções. Foi ao fim da tarde de ontem empossado, no Palácio da Ajuda.


Depois de longo desfile de personalidades a rabiscar a assinatura de comprometimento solene com a sua honra de cumprirem com lealdade as funções confiadas, o presidente Marcelo iniciou o seu discurso com uma prolongada viagem pela guerra em curso na Ucrânia. Parecia um discurso na ONU, mas não. Era só o caminho cheio de curvas para o ponto de chegada: que António Costa nem pensasse, em nenhuma altura do percurso governativo, sair da estrada e tomar o rumo para Bruxelas, deixando o volante da governação na mão de um dos seus delfins.


Aquele volante é dele, e só dele. Se o entregar a alguém, toda a gente salta fora da carroça. Ficou dito e, dito isso, pouco importa o que mais disse. Até porque não havia mais nada de novo para dizer. Que quer reformas, e que não gosta muito desta maioria absoluta, que gostava mais de outra, não é novidade para ninguém. Que gostou que nada tivesse ficado na mesma, mas só porque isso lhe legitimou a decisão de dissolver o Parlamento, em Outubro passado, também não.


No resto, foi Marcelo a ser Marcelo. Incluindo o desprezo no cumprimento a João Gomes Cravinho, o novo Ministro dos Negócios Estrangeiro, sem sequer o olhar. E António Costa a ser António Costa, a pintar de cor de rosa um país pintado de cor de rosa, pouco incomodado por Marcelo ser Marcelo.


 

quarta-feira, 30 de março de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


No debate quinzenal desta manhã na Assembleia da República, aquela senhora deputada dos Verdes muito quezilenta, refilona e estridente – Heloísa Apolónia de seu nome – às tantas, disse ao primeiro-ministro que ele estava a ficar socrático.


Estamos todos – ou quase – habituados às tiradas desta senhora deputada, sucessivamente eleita às cavalitas do PCP naquela velha coligação de que nunca se percebeu outro objectivo que não fosse o de esconder a foice e o martelo no boletim de voto. Algumas até poderão ter alguma graça – facilmente abafada pela estridência – mas raramente têm conteúdo sustentável. Esta de hoje, porém, deixou-me a pensar…


A razão que a senhora deputada invocava para referir essa linha de tendência tinha a ver com a fuga às questões, com a arte de Sócrates falar sobre o que lhe apetecia deixando sem resposta as perguntas incómodas. Não acompanhei o debate se não exactamente no momento desta tirada, pelo que não faço ideia se a senhora tinha ou não razão para concluir daquela forma.


O que me deixou a pensar, e a dar razão à senhora, não tinha pois nada a ver com o que se tivesse ou não passado no debate. Nem o ponto de contacto entre ambos que aquela tirada me sugeria podia ser a tal habilidade para deixar as perguntas sem resposta. Tem a ver com o optimismo que agora se apoderou do primeiro-ministro!


De repente Passos Coelho virou optimista. O que não é uma má notícia, antes pelo contrário. Já ninguém suportava aquele ar de quem só tinha más notícias para dar, ainda por cima sempre com um certo teor punitivo. Mas pretender fazer crer que as previsões do Banco de Portugal ontem publicadas – que chocam frontal e violentamente com a sua declaração de luz ao fundo do túnel lá para o último trimestre do ano – faz lembrar Sócrates. Lá isso faz!


E, pegar no anúncio da OPA da BRISA para, em vez de perceber ali uma manobra preventiva face à baixa cotação das acções, ver lá sinais de confiança dos investidores, faz lembrar Sócrates. Sinal de confiança dos investidores seria a Bolsa a subir para cotações no mínimo próximas dos valores das empresas cotadas. Se assim fosse, se houvesse confiança dos investidores mesmo a sério, os accionistas da BRISA não precisariam de apresentar esta OPA.


 

terça-feira, 29 de março de 2022

Uf... estamos no Mundial


Não fizeram a vontade a Cristiano Ronaldo. A música não foi interrompida para que o hino fosse cantado à capela, e ficou chateado. Visivelmente chateado, mas não amuou. Se amuou, passou-lhe logo que o árbitro apitou.


Não que tivesse desatado a jogar. A primeira vez que tocou na bola foi aos 14 minutos, logo na primeira oportunidade de golo do jogo. Isto porque, ao contrário do que se esperaria, a equipa da Macedónia mandou claramente no jogo nos primeiros 15 a 20 minutos, ocupando bem todos os espaços, ganhando todas as bolas divididas e obrigando até os jogadores portugueses a serem eles a correr atrás da bola. Ao contrário de tudo aquilo que se estava à espera.


Os macedónios conquistaram até os primeiros cantos. Dois, de enfiada. De canto, o primeiro da selecção portuguesa, surgia a segunda oportunidade de golo, num remate de cabeça de Diogo Jota, cima para baixo, como deve ser. A bola saiu poucos centímetros por cima da barra, com o guarda-redes macedónio completamente batido. Começou aí a mudar o jogo, e  passou mesmo a mudar pouco depois, à meia hora, com o golo de Bruno Fernandes, até aí pouco menos que desastrado, como que a confirmar que a selecção não é mesmo a sua praia. Pode não ser, por culpa própria ou alheia, mas acabou por se tornar no "homem do jogo". Não porque tivesse finalmente conseguido uma exibição à altura do seu estatuto, mas porque marcou os dois golos do jogo - bons, ambos, mas de grande qualidade técnica o segundo. 


E quem marca os golos tem que ser o "homem do jogo"!


Sem fazer um grande jogo, e mesmo sem qualquer brilhantismo, a selecção nacional foi sempre melhor. Nunca deixou que nos passasse pela cabeça  a ideia que a presença no campeonato do Mundo no Catar pudesse estar em causa, e justificou por completo a vitória. Mesmo que todos os planos para o jogo tenham saído furados.


A equipa esperaria certamente um jogo diferente. À luz do que a Macedónia fizera contra a Itália, na meia-final do play-off, esperar-se-ia um autocarro à frente da baliza, e um jogo com muita bola, na procura constante de espaço, e de uma brecha para o remate. E, encontrado o espaço, e aberta uma brecha, encontrar pela frente um guarda-redes inspirado, a defender tudo, ou perto. 


Não foi nada disso. Faltou espaço, é certo, quando a equipa esteve em ataque continuado. No pouco tempo em que teve oportunidade de jogar dessa forma. Mas nunca a selecção da Macedónia apresentou o autocarro, nem metade dos remates que os italianos tinham feito, o guarda-redes fez apenas uma defesa, e os dois golos, em três remates enquadrados com a baliza, resultaram de transições rápidas. O primeiro a partir uma recuperação de bola do Bruno Fernandes, na intercepção de um passe de risco do Ristovski (que jogou no Sporting), e o segundo em puro contra-ataque.


E ainda bem que não foi nada disso. Que tudo correu bem, e que acabou bem. Nem tudo está bem quando acaba bem, e na verdade a selecção, tendo sido mais equipa, nem esteve assim tão melhor do que tinha estado no falhado apuramento directo. E está muito longe de poder alimentar a ilusão do seleccionador de ser campeão do mundo. Jogadores não faltam, alguns até sobram - e outro, garante, joga quando quiser, ele é que manda - mas falta muito futebol.


Mas a verdade é que, de pé frio, o homem não tem nada!

Parlamento novo


Já há parlamento. Amanhã, haverá governo ... e novos deputados, no lugar onde estavam sentados os que sentarão na bancada do executivo.


A primeira sessão da legislatura elegeu o novo Presidente da Assembleia da República, a segunda figura na hierarquia do Estado - Artur Santos Silva, um peso pesado do PS. Essa eleição, e o notável discurso do novo Presidente - o agressivo cão de guarda que virou diplomata e estadista - , constituíram o ponto alto desta primeira sessão do novo plenário.


O ponto baixo ficou, claro, a cargo de André Ventura. Com onze deputados a seu lado, a diferença só está no barulho que fazem. O discurso é o mesmo, vazio, exclusivamente para consumo televisivo. A arruaça e a provocação são as mesmas ... Se alguém pensasse que dali poderia vir algum contributo, alguma coisa de novo, ficou esclarecido. Logo à primeira ficou a saber o que pode esperar do terceiro grupo parlamentar da Assembleia da República nesta legislatura. 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O governo vai aprovar hoje em conselho de ministros o orçamento rectificativo que, como infirmou o primeiro-ministro na entrevista de ontem à TVI – apresentada, tratada e comentada como entrevista ao primeiro-ministro quando, na realidade, foi uma entrevista ao chefe do governo e ao chefe do PSD, com o congresso em fundo – não trará novas medidas de austeridade. Mas, como também disse que não podia “jurar que não sejam precisas mais medidas”, e porque se mantém o inatingível défice de 4,5%, podemos ficar todos à espera de novos orçamentos rectificativos, lá mais para a frente, com medidas de austeridade cada vez mais insondáveis.


Nunca um governo apresentou um orçamento rectificativo ainda no primeiro trimestre, o que quer dizer, com todas as letras, que nunca um governo revelou tanta incompetência na preparação de um orçamento. O que não será exactamente abonatório para o propalado ministro da competência, Vítor Gaspar. Mas há gente a quem tudo se perdoa…


 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Boas maneiras

Joe Biden critica Vladimir Putin em discurso na Polônia: 'Pelo amor de  Deus, este homem não pode permanecer no poder' | Ucrânia e Rússia | G1


Biden, na Polónia, entusiasmou-se e saiu do roteiro escrito do discurso para apelar à destituição de Putin, na Rússia, deixando a diplomacia ocidental desconfortável. Sim, a destituição de Putin é com o que toda a gente sonha como solução para a guerra. Não passa de um sonho, e há gente que, podendo sonhar, não pode viver de sonhos. Ou que, podendo sonhar, não pode contar os seus sonhos.


Biden é uma dessas pessoas!


Na noite dos óscares, a surpresa não foi "Coda - No ritmo do coração" ter arrebatado o de melhor filme (e ainda o de melhor argumento adaptado e do melhor actor secundário), foi uma agressão à bofetada em pleno palco. Chris Rock, o comediante que apresentava a gala, fez uma piada sobre a falta de cabelo de Jada Pinkett-Smith, a mulher de Will Smith, que tem uma doença auto-imune. O actor, que conquistaria o óscar pelo seu desempenho em "King Richard", não gostou e subiu ao palco, deu uma valente bofetada no apresentador e regressou ao seu lugar para soltar mais uns impropérios a partir da plateia. 


Há pessoas que não sabem com o que não se deve brincar. Chris Rock foi uma dessas pessoas.


E há pessoas que acham que há coisas que se resolvem com uma simples bofetada. É bem possível que Will Smith seja uma dessas pessoas ... 


 


Da bofetada de Will Smith à mensagem política. 4 momentos que marcaram os  Óscares - Renascença V+

domingo, 27 de março de 2022

Continua o espectáculo

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Continua o espectáculo. A segunda corrida da época, no Grande Prémio da Arábia Saudita, marcada por um atentado bombista que o chegou a pôr em causa, e pelo acidente  de Mick Shumacher, nos treinos de qualificação (mais do que por mais uma batida de Latifi, um especialista, desta vez sem decidir o título, como na última)  confirmou todas as expectativas do grande espectáculo da fórmula 1 para este ano. No palco estão ainda apenas a Ferrari e a Red Bull, o que será quando lá chegar também a Mercedes?


Por enquanto está entregue a Versttapen e Perez, e a Leclerc e Sainz. A Red Bull e a Ferrari chegaram mais cedo e, para já, desalojaram a Mercedes. Deve ser apenas uma questão de tempo para os Mercedes reencontrarem a competitividade que perderam em pista, já que nas boxes, e na estratégia de corrida, parece há muito que não conseguem competir com os melhores. 


Antes, a superioridade dos carros iludia essa desvantagem. Agora, sem a superioridade dos motores, o que perde nas boxes ... soma ao que perde em corrida. Hamilton, que partiu do fim da grelha por ter falhado a passagem ao final da qualificação, não passando da Q2, ainda chegou onde podia chegar - ao sexto lugar, atrás do seu colega, Russel, que se limitou a deixar correr a corrida e a manter a sua posição à partida. Mas depois, na hora de trocar pneus, voltou a falhar tudo. Falhou o timing  (incrível como não fez a troca com o safety car virtual activado para entrar nas boxes já quando a pista estava livre) e deitou tudo a perder, acabando no 10º lugar.


Como nos concertos das grandes bandas, também o palco em Jeddah foi entregue, primeiro, para a primeira parte, a segundas figuras. E, como tantas vezes acontece nesses concertos, vêm daí grandes espectáculos. Foi o que fizeram os Alpine de Alonso e Ocon. O prato principal ficaria mais para o fim, e só podia mesmo estar reservado para os Ferrari e os Red Bull.


Sergio Perez tinha partido da pole, a primeira da sua carreira, depois de uma surpreendente volta canhão à última hora (ele próprio disse que nunca mais seria capaz de repetir aquilo), e garantiu a liderança da corrida até à troca de pneus, quando foi enganado pelo bluf de Leclerc, e acabou para cair para o quarto lugar. Leclerc, que partira do segundo lugar da grelha, passou para a frente. Verstappen, que subira de quarto para terceiro, batendo Sainz (que, atrás do seu colega de equipa, não podia forçar o arranque) na largada, trocados os pneus, ficou atrás atrás do monegasco. E subiu então o pano para o ponto alto do espectáculo, com ultrapassagens sucessivas, à medida do DRS de cada um. Até à ultima volta, com o campeão do mundo à frente, eventualmente a beneficiar das bandeiras amarelas no primeiro sector, e a somar os primeiros pontos da época.


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


As rendas da EDP não podem ser mexidas, como toda a gente já sabe. Explicam-nos que é o preço a pagar pelo grande negócio da privatização: os chineses só deram tanto dinheiro porque elas lá estavam. Os tipos compraram a EDP e as rendas que os consumidores estão obrigados a pagar-lhe… Pague um e leve dois!


O que não sabíamos é que, pelo mesmo preço levavam ainda, de brinde, os dividendos do ano anterior. Esqueceram-se de nos explicar é que se tinham enganado no cartaz promocional: afinal é pague um e leve três

sábado, 26 de março de 2022

No Teatro de Mariupol

Expresso | Teatro de Mariupol, onde estariam pelo menos mil pessoas, foi  destruído. Os ataques à cidade estratégica são constantes há mais de 10 dias


 

As imagens e as notícias que nos chegam na Ucrãnia dão-nos conta dos mais inqualificáveis horrores da guerra em Mariupol, uma cidade completamente destruída, com os sobreviventes das balas e das explosões condenados ao não menos horrível extermínio pela agonia da fome, da miséria e da degradação humana, por falta de água, de alimentos e de medicamentos. Com os que ainda sobrevivem transformados em farrapos humanos a atropelarem-se, na lei do mais forte, na disputa do escassíssimo apoio que ainda lá chega. 

 

São imagens e notícias que só têm paralelo nas de Alepo, na Síria ... que não nos chegaram com a mesma veemência. Mas são também imagens e notícias que não nos chegam despidas de informação. Por que é que a devastação e o horror de Mariupol não têm paralelo em qualquer outra cidade ucraniana?

 

É pela sua localização geo-estratégica no conflito?

 

Não, mesmo que seja crucial. É um importante porto do Mar de Azov, de onde saem as principais exportações da Ucrânia, especialmente cereais, ferro e aço. Assegura um corredor para a ligação terrestre entre o Donbass e a Crimeia, e encontra-se no território da agora declarada (por Putin) República Popular de Donetsk. Mas não é essa importância estratégica que explica a barbárie instalada. É porque é aí que estão em acção os neo-nazis do batalhão Azov, pela Ucrânia e, pela Rússia, os mercenários neo-nazis do grupo Wagner, de Valeryevich Utkin, e a Guarda Nacional chechena. Os mesmo de Alepo!

 

No Teatro de Mariupol, destruído e reduzido a pó a cobrir 300 cadáveres de mulheres e crianças. está apenas em cena o primeiro acto da peça  aqui anunciada há dias.

 

quinta-feira, 24 de março de 2022

Maleitas escondidas com rabo de fora


A selecção nacional mantém aberta a perspectiva da presença no campeonato do mundo de futebol, no final do ano. Lá para o Natal porque, depois de terem obrigado a tanta coisa, os petrodólares do Catar, mesmo que cheirem mal, também a isso obrigam.


Afastada a Turquia, esta noite no Dragão, falta agora; à mesma hora e no mesmo local, dar a volta à ... Macedónia do Norte. Isso mesmo, ganhou à campeã europeia. E a Itália falha o segundo mundial consecutivo, coisa nunca vista.


A selecção apresentou-se com alguns jogadores que não têm sido presença habitual na equipa, o que não quer dizer nada de renovação. De novidade só mesmo o jovem guarda-redes do Porto, Diogo Costa, que é bem capaz de ter acabado com o velho reinado de Rui Patrício. O resto eram repescados, por força das ausências de Cancelo, Rúben Dias e Pepe, e velhos conhecidos de Fernando Santos. Ganhou e teve até momentos em que jogou bem. Mas não apagou nenhum dos  males que há muito a apoquentam, e que lhe cortam as asas que a actual geração de extraordinários jogadores lhe dá. Continuam lá, bem vivos.


Como de costume, a selecção até entrou bem. Com Cristiano, claro. E para todo o sempre. Marcou ainda cedo, ao quarto de hora de jogo, e como de costume, em vez de aproveitar o balanço, abanou. E durante largos minutos, à volta do meio da primeira parte, entregou-se à pressão da equipa da Turquia. E de repente passou a perder sucessivamente bola sempre que saía a jogar, não conseguindo ligar uma jogada. O Diogo Costa passou a chutar a bola para a frente, e com a ajuda das segundas bolas, acabou por passar conseguir ultrapassar o problema e voltar a ficar por cima do jogo. E marcou o segundo, já perto do intervalo.


Com 2-0 ao intervalo, estava resolvido, terá toda a gente pensado. Todos, menos os que desconfiam sempre ... 


Com a entrada na segunda parte parecia que não haveria razões para desconfiar. Mas rapidamente começaram a surgir sintomas de outro dos males da selecção - adormecer ela própria quando decide adormecer o jogo. Adormeceu - estavam mesmo a dormir - e a Turquia marcou. A equipa, que tinha sobrevivido à pressão turca depois do primeiro golo, não sobrevivia ao seu adormecimento. E de repente, com meia hora para jogar, com aquele golo entregou o ouro ao bandido, como tinha feito com a Sérvia, que a meteu nestas alhadas do play-off


Mesmo sendo este um bandido um bocado mais fraquinho, poderia mesmo levar o ouro. Até porque, logo a seguir, apareceu um penálti que o VAR não deixou passar. Valeu a Nossa Senhora de Fátima de Fernando Santos, e o Burak Ylmas atirou para a bancada. E valeu a tamanha diferença de qualidade dos jogadores portugueses que, com o adversário adiantado à procura do empate falhado com o penálti desperdiçado, dava para construir sucessivas jogadas de transição que iam pondo em sentido os turcos. E deu ainda para o terceiro golo, já bem dentro dos cinco minutos de compensação.


Mesmo com as maleitas do costume deu para ganhar a esta selecção turca. Como terá que dar para ganhar à Macedónia do Norte, por maior que seja a sensação que transporta na bagagem que traz para o Porto. Mas, se continuarem apenas escondidas e sem ser tratadas, estarão de volta no Catar. E Fernando Santos, hoje bestial - dizem eles -, voltará a ser besta!

Um mês de guerra

Ucrânia. Um mês de morte, destruição e medo na Europa


A guerra na Ucrânia leva já um mês, cumpre-se hoje. Foi há um mês, em 24 de Fevereiro, que a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia, que há muito vinha sendo anunciada. 


Poucos terão admitido que, um mês depois, estivesse no ponto em que está. Putin estava em crer, e queria fazer acreditar, que a invasão seria um passeio, e que a operação especial - que quis impor como expressão para a guerra que desencadeou - se resolveria no fim de semana. Em dois dias tomaria Kiev, tinha confidenciado sem grande confidencialidade.


Não foi assim. Estava enganado. Enganado pela sua megalomania e enganado pela corte de sequazes que o acompanha. Enganado na sua própria capacidade militar, na competência e na operacionalidade das suas forças militares. Enganado na capacidade de resistência dos ucranianos. E enganado na reacção internacional, que lhe trocou o fechar dos olhos, e o assobio para o lado de duas décadas, pelo isolacionismo e por sanções mais a sério.


Um mês depois, sabe-se Putin já perdeu a guerra; isso é um mês depois evidente. Mas sabe-se também que a Ucrânia não a ganhou. Nunca seria possível ganhá-la. Sabe-se que, perdida a guerra, Putin passou à cobarde destruição total da Ucrânia. Como fizera, e como lhe tinham deixado fazer na Chechénia, e na Síria. E não se sabe até onde chegará na escalada que já iniciou, sabendo-se que a ameaça nuclear explícita já passou a barreira da insinuação.


Sabe-se que a guerra continua e não sabe quando nem como terminará. E sabe-se que a Ucrânia corre sérios riscos se tornar um país adiado durante as próximas longas décadas. Não só pela prolongada e dolorosa reconstrução que já tem pela frente, mas ainda pelo caldo de imprevisibilidade em que ficará mergulhada.


Sabe-se que ao embrião de milícias paramilitares e militares de extrema-direita, financiadas ao longo dos anos pelos oligarcas ucranianos, como o Azov, o Dnipro 2, o Shakhtarsk, o Aidar ou o Poltava, a coberto do legítimo apelo de Zelensky à constituição de uma Legião Estrangeira para defender o país, se juntaram activistas de extrema-direita provenientes das mais diversas partes do mundo. Sabe-se que a legião estrangeira na Ucrânia é composta de gente que, sem dúvida, quer ajudar a combater a invasão, seja por militância e internacionalismo, ou simplesmente por desejo de aventura. Mas também por gente de extrema-direita que apenas procura armas, treino militar, contactos internacionais e...  legitimação. Até o neo-nazi Mário Machado aproveitou a circunstância (o facto de, ao que parece, a Ucrânia lhe ter recusado a entrada, só reforça o patetismo da decisão da juíza do TIC de Lisboa de o libertar das medidas de coacção  face à “situação humanitária vivida na Ucrânia e as finalidades invocadas pelo arguido para a sua pretensão”)!


Sabe-se ainda que do lado dos russos estão também na Ucrânia mercenários neo-nazis do grupo Wagner, a empresa de mercenários de Valeryevich Utkin, um ex-oficial do exército da Rússia, neonazi e condecorado pelo presidente Putin. E a máquina de terror da Guarda Nacional chechena.


Sabe-se que, em guerra e nestas circunstâncias, a Ucrânia, não tem possibilidade de qualquer controlo sobre as armas distribuídas. Não é difícil de prever a tempestade!


Sabe-se o que aconteceu no Afeganistão, e como da resistência à invasão soviética nasceu a Al-Qaeda. Ou como da Primavera Árabe nasceu o Daesh.


E sabe-se como tudo isto é perigoso para o mundo que, também por isso, não voltará a ser o que era há um mês!


 


 


 

quarta-feira, 23 de março de 2022

Birras à parte, temos governo!


Já há governo. Que não havia - lembram-se? - porque as eleições do círculo da Europa tiveram de ser repetidas. Já foram, os votos contados ainda estão quentes ... E dão os dois deputados a António Costa. Antes tinham-nos distribuído irmãmente entre Costa e Rio. Que lixou aquilo tudo, e até que processos crime encomendou para o pessoal das mesas de voto. Acabou a perder. Não sei se foram os emigrantes que não acharam muita graça, ou se é  apenas o destino ... de Rui Rio. Perder!


Mas vamos ao governo, novinho em folha. E com birras. Marcelo fez birra e não recebeu Costa, que ia todo contente entregar-lhe a listazinha. Quis fazer crer que fez birra porque as televisões divulgaram os nomes do ministros antes de ele próprio os conhecer. Não foi. As televisões fizeram o seu trabalho, arriscaram em nomes, e acertaram. Em 70 ou 80% dos nomes, mas não na totalidade. Falharam alguns nomes, falharam as surpresas. Ou os segredos mais bem guardados. 


Marcelo fez birra para embirrar com a maioria absoluta de António Costa, contra o que pouco mais pode fazer que birras. Esta foi apenas a primeira oportunidade. António Costa fez birra e foi lanchar com a mulher...


Marcelo já tinha feito birra. Já tinha embirrado com João Gomes Cravinho. Não o queria na Defesa, com quem tem de trabalhar de perto. Por birra, Costa entregou-lhe os Negócios Estrangeiros ... com quem tem de trabalhar ainda mais perto. 


Birras que as birras tecem...


Birras à parte, temos governo. O XXIII governo constitucional. Com muitas mulheres, como nunca. O que se saúda. E nele, o primeiro-ministro é ministro de tudo, ou perto; Mariana Vieira da Silva a super ministra e "ai Jesus" de Costa; e Elvira Fortunato, no ensino superior, ciência e tecnologia, a estrela. Com 17 ministérios não será tão enxuto como anunciado.


Do anterior transitam directamente, nas mesmas pastas, cinco nomes - Ana Mendes Godinho, Marta Temido, Pedro Nuno Santos, Ana Abrunhosa e Maria do Céu Antunes. Todos polémicos, à excepção dos que nem sequer ouvimos falar. Pelo caminho ficou Pedro Sisa Vieira, que deverá ter caído com estrondo. Dos restantes 9, para além dos três já acima referidos, fazem parte os já aqui anunciados António Costa e Silva e Fernando Medina; os pouco conhecidos João Costa (Educação), Helena Carreiras (Defesa), e Catarina Sarmento e Castro (Justiça); e os prémio fidelidade. Do aparelho - Ana Catarina Mendes (Adjunta e de ligação ao Parlamento), José Luís Carneiro (MAI), e Duarte Cordeiro (Ambiente). Ou de outros carnavais - Pedro Adão e Silva, na Cultura, justamente no dia em que começara a apresentar trabalho nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.


Boa sorte, e competência, é o que se deseja. E do que nós todos precisamos!


 


 

48 anos e 48 anos

Golpe Militar de 28 de maio de 1926 – Museu do Aljube


Iniciam-se hoje as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Hoje, pelo simbolismo de ser hoje o dia em que os 48 anos do regime democrático nascido do 25 de Abril de 1974, igualam os 48 anos da ditadura instalada em 28 de Maio de 1926. 


Amanhã, quando comemorarmos os 60 anos da crise académica de 1962 - que será sempre uma marca da resistência à ditadura de Salazar - já teremos mais tempo de democracia que de ditadura na História recente de Portugal.


É muito tempo, 48 anos. Mas nem o tempo suficiente para fazer tudo o que havia para fazer, nem o tempo suficiente para apagar tudo o que havia para apagar. Estes últimos 48 anos desenharam um país muito diferente do dos outros 48, mas não apagaram, ainda assim, muitos dos traços mais carregados dos anteriores 48 anos. São muitos os que perduram, que marcaram e continuam a marcar gerações sucessivas, décadas e décadas depois. E que eventualmente continuam a contribuir para que falte fazer muito do que havia para fazer.


Há 45 anos, Portugal se livrava da ditadura - Brasil 247


 

terça-feira, 22 de março de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A notícia anda por aí: Vítor Gaspar quer nomear Teixeira dos Santos, o seu antecessor, para a administração da PT em representação da Caixa Geral de Depósitos!


E é fantástica! Ou Vítor Gaspar não está bom da cabeça, coisa que nem é de todo de descartar, ou acha que o seu antecessor não tem nada a ver com a situação em que encontrou o país, o que, por si só, faria de Teixeira dos Santos um dos maiores farsantes da nossa História.


Ao que se diz, o resto do governo, com Paulo Portas à cabeça, não está pelos ajustes e parece que está disposto a medir forças com o grande Vítor Gaspar. Nada que tenha impedido já responsáveis do PSD de dizer que esse é um assunto da CGD e da PT, o que já é um sinal.


Só fica um bocadinho mais difícil de entender como é que o governo, e os partidos que o suportam, podem continuar a acusar o governo anterior de conduzir o país à banca rota. Mas, se esta gente extraordinária é capaz de tudo, também é bem capaz de ultrapassar esta pequena dificuldade!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Já nem a greve geral tem o mesmo encanto. Confesso que o que mais me encantava nas greves gerais era a guerra dos números, os 8% de adesão do governo e os 80 dos sindicatos. Aquilo é que era, não havia vergonha. Era mesmo assim!


Nunca ninguém ficava a conhecer a verdade, mas sempre dava para entreter, tipo palavras cruzadas ou sudoku. Uns achavam que fazendo a média aritmética dos dois números se chegaria lá. Outros, mais eruditos na matemáticas, propunham algoritmos mais complexos… Mas a verdade é que essa – a verdade – permanecia incógnita de uma equação irresolúvel.


Até isso nos tiraram. Já nem sei para que é que serve agora uma greve geral…

segunda-feira, 21 de março de 2022

A emoção está de volta

Moto GP: Miguel Oliveira vence Grande Prémio da Indonésia | MAISFUTEBOL


 


A Primavera chegou, e com ela as emoções da velocidade.


O Mundial de MotoGP já tinham começado há duas semanas, no Catar, mas para nós começou ontem, na Indonésia, com a vitória Miguel Oliveira num autêntico recital à chuva. Tanta que o o Grande Prémio da Indonésia de MotoGP teve de ser encurtado em sete voltas, acabando à vigésima. 


Foi a quarta vitória do Miguel na maior competição mundial de motociclismo de velocidade!


O Mundial de Fórmula 1 de 2022, esse, arrancou mesmo ontem, com o GP do Bahrein. Com muitas novidades, e com os carros ainda mais bonitos. Quase todos, talvez à excepção dos Mclaren. E dos Alpine. Com mais emoção, ainda. E com o regresso da Ferrari ao topo, a confirmar que tem condições para finalmente desafiar a superioridade da Mercedes nos últimos anos. E da Red Bull que, depois de parecer ser a única equipa em condições de discutir a corrida, acabou com os dois carros, do discutido e controverso campeão do mundo Max Verstappen e de Perez, fora da corrida, a não resistirem nas últimas voltas. E a deixarem a dobradinha para a Ferrari, com Leclerc, vindo da pole, e que pouco antes do meio da corrida travou com Verstappen um duelo espectacular, a vencer, à frente Carlos Sainz.


A Mercedes nunca na pista mostrou andamento para realmente competir com os adversários. Também na estratégia de corrida, e nas boxes, esteve bem atrás do desempenho da Ferrari e da Red Bull, e só mesmo o surpreendente abandono destes dois carros lhe minimizou os prejuízos, com o terceiro (Hamilton) e quarto (George Russel, no lugar de Bottas, agora na Alfa-Romeo, também renascida) lugares.


As muitas alterações introduzidas para este nova época parecem fazer aumentar o espectáculo. Os carros conseguem andar mais tempo mais próximos uns dos outros, e isso faz aumentar o despique. A luta pelos diferentes lugares é muio mais intensa e as ultrapassagens são muito mais frequentes. Mas também mais civilizadas, com o ataque e a defesa da posição mais balizados. Desde logo com uma nova linha branca que define o limite da pista.


A emoção está de volta!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


À saída para o intervalo, com o resultado em 2 a 2 e depois de três bolas no ferro - duas bolas do Luisão e uma do Aimar – tantas quantos os remates do Porto - um deles contra o Javi, que desvia a bola para a baliza e dá no primeiro golo – o narrador da SIC pergunta ao comentador Joaquim Rita: resultado justo, Joaquim?


- Sim, é um resultado justo: respondeu o Joaquim!


Melhor que isto só Vítor Pereira. E Pinto da Costa!


O Benfica foi superior em três quartos da primeira parte. No único quarto em que o Porto se superiorizou, quando passou do 1 a 1 para o 2 a 1, chegou a pairar a ideia de que o Benfica voltava a ser vítima da síndrome que ultimamente tem passado pela Luz. Que faz galvanizar o Porto e encolher o Benfica. E que faz com que os remates do Benfica morram nas costas dos jogadores do Porto, enquanto os do Porto batem nas costas dos jogadores do Benfica apenas para encontrar o caminho da baliza e trair o guarda-redes.


Mas foi sol de pouca dura. Rapidamente o Benfica dá a perceber que só com muito mais azar deixaria de ganhar o jogo, tal a superioridade que só o Joaquim não viu.


A segunda parte foi menos intensa e mais repartida e, no fim, um resultado simétrico do do último clássico. Só que com golos legais!


E sem casos, mas com bloqueios nas bolas paradas, segundo o Vítor Pereira. Que perdeu o jogo porque o árbitro marcou muitas faltas, a proporcionar bolas paradas, em que o Benfica é superior pelos tais bloqueios sistemáticos, de que é preciso avisar os árbitros. E porque há um fora de jogo a Hulk.


Ele afinal vê coisas. Mas há coisas que não vê: não vê que a equipa foi abaixo fisicamente, nem vê que não estão a jogar nada. É já um clássico!


Mas Pinto da Costa está a ver. Pareceu-me demasiado nervoso… O que não é um clássico!


 

domingo, 20 de março de 2022

Copo meio cheio ou meio vazio?


Com meia casa na Luz, no segundo jogo consecutivo em casa no regresso ao campeonato depois da vitória em Amesterdão e de se ficar a saber que o Liverpool é o freguês que segue nos quartos de final da Champions, o Benfica recebeu o Estoril. Tem sido em casa que as coisas têm corrido mal - ou pior, para bem dizer, porque tem corrido mal praticamente em todo o lado - mas hoje não havia que lembrar isso. Hoje importava saudar a equipa pelo feito na Champions, e ajudar a encaminhar os jogadores no rumo para a recuperação.


Por isso não faltou apoio à equipa, como de resto também não tem faltado. Não tem sido por aí que as coisas têm falhado.


A verdade é que hoje voltaram a falhar, acabando por se salvar o resultado - melhor, os três pontos da vitória. Nem deu para ficar com aquela sensação que a equipa até entrou bem no jogo, porque logo aos oito minutos o Estoril só não marcou porque a bola bateu no poste esquerdo da baliza de Vlchodimos. Que, logo a seguir, evitou o golo do espanhol Sória, com uma grande defesa. E seguiram-se mais de vinte minutos de de falso equilíbrio no jogo porque, se na verdade o Estoril não voltou a desfrutar de de oportunidades de golo - já tinha tido as mais flagrantes - estava melhor no jogo, controlando-o e jogando até de forma mais vistosa.


O Benfica era então um deserto de ideias, e tacticamente cheio de equívocos. O maior desses equívocos é já estrutural: os jogadores da defesa, com medo das suas costas, não sobem; e os do meio campo, com medo da defesa, encostam-se a eles atrás, deixando uma cratera entre os avançados e o resto da equipa. Nessa cratera jogam os adversários, à vontade, sem qualquer tipo de pressão. 


É assim sempre, não foi só hoje. Só não é assim quando jogam todos a defender, como em Amesterdão. Aí já não há costas dos defesas, e os do meio campo e os da frente estão juntinhos numa única linha, encostados aos defesas. 


Outro equívoco é Meité a jogar ao lado de Weigl. A defender e a segurar a bola, em registo puramente defensivo, é útil. Viu-se como o foi com o Ajax, na passada terça-feira. Fora desse registo é um travão. Não reconhece os momentos do jogo, acha que o seu papel é apenas o de segurar e prender a bola. E por isso mata à nascença qualquer transição ofensiva rápida. Se a bola lhe chegar, e na zona do terreno que ocupa é difícil que não lhe passe ali perto, é garantido que o adversário tem todo o tempo para se recolocar defensivamente.


Estava o jogo nisto, com a equipa do Estoril confortavelmente instalada no jogo a cobrar mais um canto, quando Rafa interceptou a bola, junto à linha lateral da grande área defensiva. Com um primeiro drible tirou da frente o primeiro adversário, o destinatário da bola no canto, e olhou à volta. Não apareceu ninguém a quem passar a bola, e resolveu arrancar por ali fora, sozinho. Correu, correu, correu ... sempre com a bola nos pés. Passou por um, dois, três ... Quando acabou de passar por todos,  já só restava o guarda-redes. Estava demasiado encaminhado para a esquerda, e o Dani Figueira tinha-lhe fechado o  ângulo de remate, mas conseguiu encontrar engenho e arte para lhe colocar a bola fora de alcance.


Um golo do outro mundo. Só ao alcance de Maradona. Ou de Messi. Poborsky também fez com o manto sagrado uma coisa muito parecida. 


Um golo destes nunca se imagina que possa acontecer. Aconteceu neste jogo, e só poderia acontecer num jogo jogo como este. O relógio marcava o minuto 34.


Até ao intervalo a equipa pareceu ficar contagiada por aqueles segundos mágicos que Rafa demorou a ir de uma baliza à outra, e teve então o seu melhor período. Mesmo assim apenas por uma vez esteve próxima do segundo golo, por Gonçalo Ramos.


À entrada para a segunda parte foi o Estoril que voltou à carga, e Vertonghen salvou o golo do empate em cima da linha de golo. O que parecia ser o regresso do Estoril ao comando do jogo acabou por ser liquidado por Gonçalo Ramos - definitivamente um valor confirmado - que aos 8 minutos fez o segundo golo. Iniciou e concluiu a jogada com o golo, depois de tabelar com Gilberto.


O Estoril sentiu o golo, como sentira o primeiro. E o Benfica começou a levantar a questão do copo meio cheio ou meio vazio. Se quisermos ver o copo meio cheio, diremos que vinha de um jogo super desgastante, de elevada exigência, e que, por isso, teria que entrar em regime de controlo. De poupança. E iremos buscar aquela estória do acrescido grau de dificuldade dos jogos pós Champions. Se virmos o copo meio vazio, diremos que a equipa voltou a fazer uma demonstração de falta de ambição para partir para uma exibição e um resultado galvanizador e, depois, de falta de qualidade para assegurar o controlo dos jogos. E diremos que esta equipa nunca marca mais de dois golos. E que sofre sempre pelo menos um.


O golo de André Franco, praticamente no último lance do jogo, e até a sua própria exibição, se calhar leva-nos a ver o copo meio vazio.  


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Quando Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo e Poul Thomsen, até há pouco chefe da delegação do FMI, reconhecem - depois de toda a gente - os erros estratégicos do plano de resgate à Grécia (igualzinho ao nosso), em visita pelos Estados Unidos, o ministro das finanças, Vítor Gaspar, apostado em contrariar essas declarações, quis mostrar a luz ao fundo túnel e afirmou acreditar que Portugal pode sair da crise mais depressa que o previsto. Garantiu “que estamos a aproximar-nos do meio da ponte.


Aqui, acho que tem razão: estamos exactamente aí. No ponto onde não sabemos se seguir em frente ou voltar para trás. No sítio onde voltar para trás é muito complicado - já andamos muito, temos outro tanto para andar e desperdiçamos o esforço de duas viagens, o que sempre nos aterroriza – e onde questionamos o destino. Será que vale a pena continuar em frente?


Vítor Gaspar não poderia ter encontrado melhor frase para expressar o seu insuspeitável optimismo…

sábado, 19 de março de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Contados os votos das eleições presidenciais em Timor, seguem para a segunda volta – ainda sem data marcada - dois ex-companheiros da resistência armada: Francisco Guterres Lu Olo e Taur Mantan Ruak, os dois mais votados.


O ainda presidente - José Ramos Horta - ficou-se pelo terceiro lugar, o que, por si, poderia já ser notícia. Mas não é, e ainda bem que o não é.


Notícia – excelente notícia – é que o presidente que falhou a reeleição, ainda antes da realização do acto eleitoral, tenha dito que o país ficaria bem entregue qualquer que fosse o resultado das eleições. E que na declaração de derrota – que não é nada disso, mas tão só mais um motivo de esperança para Timor – o tenha reafirmado. Que os dois que vão disputar a segunda volta são heróis nacionais e que qualquer deles dará um excelente Presidente da República, razão pela qual não irá dar apoio público a nenhum deles. Irá votar como qualquer timorense, mas sem tornar pública a sua opção.


Excelente notícia é que também Rogério Lobato, candidato que se ficou pelo quinto lugar nestas eleições, com menos de 4% dos votos, se tenha declarado satisfeito com os resultados e, enquanto militante da Fretilin, pronto a apoiar o candidato do seu partido - Francisco Guterres Lu Olo. Rogério Lobato, ex-ministro do interior e ex-vice presidente da Fretilin, esteve envolvido (em 2006) numa das muitas crises políticas e de segurança que têm marcado a História de Timor independente, e condenado a perto de 8 anos de prisão em 2007, de que se livrou por indulto presidencial de 2008.


São estas notícias que nos trazem sinais de mudança em Timor. Estas eleições presidenciais parecem enterrar decididamente o cenário de inviabilidade política do país, confirmar a reconciliação de uma nação e legitimar, finalemnte, a esperança num futuro de paz e desenvolvimento para o povo timorense.


Agora sim, começa a perceber-se que valeu a pena!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


É impossível analisar este jogo sem falar da arbitragem” – lançou o repórter da TVI a Sá Pinto, na “flash interview”, há momentos, no fim do Gil Vicente – Sporting (2-0). E Sá Pinto – que no final do jogo correu para o relvado para encaminhar os seus jogadores e afastá-los do árbitro - faz a sua análise do jogo, ponderada e lúcida, sem uma referência à arbitragem.


Contrariando o repórter, sedento de sangue e polémica, era afinal possível comentar o jogo e só o jogo. Mas não desistiu: “como comenta os lances dos penaltis e da expulsão?”


Imperturbável, Sá Pinto limitou-se a dizer que precisava de ver os lances na televisão para poder formar uma opinião, deixando no repórter evidente frustração.


Sá Pinto está a surpreender muita gente. Não tanto pelo rasgo e pelo talento – hoje, mais uma vez, não esteve bem nas substituições – mas pela notável forma como superou o seu lado mais frágil.


Parabéns, Sá Pinto!

sexta-feira, 18 de março de 2022

Valores que servem para servir

Entenda a importância da missão, visão e valores para sua empresa!


Já aqui me referi por algumas vezes à espécie de hooliganismo e de talibanização que, em torno guerra em curso na Ucrânia, se instalou na sociedade portuguesa a partir de um espaço mediático virado para a exploração de emoções.


Nada acontece por acaso. E esta escalada teria de ter consequências. Como é natural, não tardaram a surgir!


Hoje os jornais trazem-nos dois exemplos. No Expresso, Miguel Sousa Tavares,  reserva a sua habitual página semanal à notícia da criação do "Clube Liberal Português" e á transcrição dos seus princípios fundadores. E o Observador publica um artigo de um tal José Crespo de Carvalho, professor no ISCTE e dirigente  de uma plataforma que se dá pelo nome de "We Help Ukraine, Organizações cívicas e sociais. A platform to help Ukraine refugees find living support worldwide".


Ambos suficientemente elucidativos. No primeiro - procurei mas não encontrei mais informação deste "Clube Liberal Português", pelo que recorro exclusivamente à publicação do MST no pressuposto que tudo o que lá está seja verdadeiro - encontramos princípios doutrinários que de liberal não têm nada. Pelo contrário, todos aqueles dez pontos poderiam constar de qualquer manifesto do mais profundo totalitarismo. No segundo, a coberto de uma estrutura de suposto apoio a refugiados ucranianos, encontramos alguém com uma posição que não se distingue muito da das máfias que se juntaram nas fronteiras da Ucrânia para caçar mulheres e crianças para alimentar redes de prostituição e escravatura sexual.


As ondas criam-se para ser surfadas. Os valores, os apregoados valores, que se lixem. Só servem enquanto servirem para servir!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Depois de tanto se especular sobre a demissão de Álvaro Santos Pereira, é agora ele próprio que a anuncia. Quando, na entrevista ao Expresso deste sábado, o Ministro da Economia diz que “há sectores com um nível de protecção inaceitável” e que quer acabar com isso, está a anunciar a sua demissão.


Tenho a impressão que aquela declaração, devidamente traduzida, significa qualquer coisa do tipo: “gostei muito deste bocadinho - isto de ser ministro até tem a sua graça - mas agora, como o meu Secretário de Estado dizia há dias, tenho uns assuntos pessoais e familiares a tratar”!


Pois é, agora é apenas uma questão de tempo: ele só não disse quando.


É só uma impressão!

quinta-feira, 17 de março de 2022

Depois dos filetes, o arroz de peixe

Bom Arroz de Marisco - Avaliações de viajantes - Cabrinha - Tripadvisor


Conto esta estória frequentemente. E até já a trouxe aqui, se bem que pela pior das circunstâncias - há mais ou menos dois anos, quando a Casa Aleixo fechou portas. E abro um parênteses para dizer que também a Casa Inês, que nascera em 2012 de uma dissidência entre os herdeiros da mesma Casa Aleixo, também já fechou portas, fechando-se a história dos melhores filetes de polvo e de pescada alguma vez conhecidos.


Eu não gostava de filetes - nunca tinha tido uma boa experiência, e por isso não gostava. Ponto! Até àquele dia, há mais de 30 anos, quando o Ramiro me disse que comia filetes ... ou comia filetes. Que só poderia não gostar de filetes quem nunca tivesse provado aqueles. 


Como há esses anos todos não gostava de filetes, também não gostava de arroz de peixe. Nem de marisco. Gosto de arroz de todas as maneiras e feitios. Gosto muito de peixe, e de marisco. Misturados, é que não. Nunca tinha tido uma boa experiência...


Hoje almocei no Olaias, na Figueira da Foz, que não conhecia. Fomos atendidos pela Joana, de empatia fácil e profissionalismo sério. Explicou tudo - muito bem explicadinho, como deve ser - e sugeriu ... arroz de peixe. De garoupa.


Contei-lhe dos filetes, e perguntei-lhe se ela achava que a história se repete. Tardou a responder, mas a resposta já eu tinha ainda antes de fazer a pergunta - venha ele!


Veio. E a história repetiu-se. Que fantástico arroz de peixe! 


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Do nada não pode sair se não nada! Tirar alguma coisa do nada é uma impossibilidade óbvia. Pois, mas em futebolês não é bem assim: há muita coisa que vem do nada! Até golos, imagine-se. É verdade, há golos que vêm do nada!


Umas vezes porque vêm mesmo do nada, outras porque, não vindo do nada, vindo de alguma coisa, há quem não a veja. Por incapacidade de ver ou por má-fé!


O Porto ganhou o jogo desta noite na Madeira, no campo do Nacional, com o melhor exemplo do que é um golo vindo do nada. Repare-se: a meio da primeira parte um jogador do Nacional, sem qualquer pressão, na faixa direita do campo, com todo o tempo do mundo e com todos os colegas a posicionarem-se para o início de mais uma jogada ofensiva, resolve chutar a bola com força contra um jogador adversário. Podia ressaltar para qualquer lado; o mais natural seria ressaltar para fora do campo, pela linha lateral ou pela final. Mas não, a bola ressaltou para a frente da sua baliza e, perante a surpresa do seu guarda-redes, direitinha ao novo avançado austríaco do Porto, que já ia a correr para o seu meio campo e só teve de se virar e empurrá-la para a baliza. Não conheço melhor exemplo de um golo vindo do nada!


Porque também se diz que uma equipa ganha com um golo vindo do nada quando, por exemplo, está sujeita a enorme pressão do adversário e, num golpe de sorte qualquer, consegue aproximar-se da grande área adversária e fazer golo. Pois bem, foi o que aconteceu no segundo golo do Porto, já no período de compensação.


Quer dizer, uma equipa que não joga nada – e não sou eu a dizê-lo, ouvi esta semana um dos paineleiros oficiais da agremiação portista gritar bem alto: “o meu Porto não joga naaaadaaa” – mantém-se à frente do campeonato com golos vindos do nada. E de fora de jogo!


Não deixa de ser interessante perceber como é que estas vozes oficiais de Pinto da Costa conseguirão articular esta constatação – “o meu Porto não joga nada” – com o mérito, que têm por inquestionável, da liderança. E até da eventual conquista do campeonato. Já avisaram, de resto, que se o campeão vier a ser a equipa que mais e melhor joga, corresponderá à maior das injustiças!


A equipa não joga nada – como eles dizem e todos nós constatamos – mas merece liderar o campeonato. E merecem ser campeões!


Pensam que há aqui algum problema de consistência? Que falta coerência? Que a bota não joga com a perdigota?


Nada disso. Isto é apenas para que se possa dizer que é um campeão vindo do nada, que têm por mais simpático do que, por exemplo, um campeão da fruta. Ou um campeão das viagens ao Brasil. Ou o campeão da Olivedesportos. Ou o campeão da Sport TV. Ou o campeão do guarda Abel. Ou o campeão do Martins dos Santos, do Calheiros, do Pratas, do Duarte, do Proença, do Xistra...

terça-feira, 15 de março de 2022

Heróis


"Heróis" - estava escrito na manga das camisolas pretas com que os jogadores do Benfica disputaram este jogo em Amesterdão, em que garantiram o apuramento para os quartos de final da Champions. Um equipamento todo preto, o secundário usado na época passada, que nunca me pareceu bonito se não hoje. Pena que o glorioso símbolo ao peito tenha perdido as cores, e  ficado apenas a preto e branco.


E foi isso que foram os jogadores do Benfica - heróis. Como a pescada - antes de o ser já o eram! Foi tão feliz a ideia que até se perdoa que tenham deixado o símbolo a preto e branco.


Não foram pescados os jogadores do Benfica. Nem caçados, nunca se deixaram apanhar. Os heróis são assim, e o Benfica deixou de fora a equipa com o melhor desempenho na fase de apuramento, a máquina de fazer futebol e golos que antes tinha cilindrado todos os adversários que tinha encontrado. O Sporting que o conte, com os nove golos com que foi presenteado.


O Benfica ganhou o jogo, exactamente da mesma forma como tem perdido tantos. O Ajax dominou, com um domínio que chegou a ser asfixiante, na primeira parte. Mas foi o Benfica a ganhar o jogo, em que apenas conseguiu efectuar quatro remates, com um golo no único que atingiu a baliza do regressado Onana. 


Ganhou o jogo, e a eliminatória que tinha conseguido deixar em aberto na Luz, com aquele empate a dois golos, defendendo. Sabendo defender durante todo o jogo, mas sabendo fazer mais alguma coisa na segunda parte. Porque, na primeira, só defendeu mesmo. Mais nada saiu bem.


Os jogadores do Ajax foram sempre mais rápidos, mais fortes e melhores - técnica e tacticamente. Os jogadores do Benfica não conseguiram ligar uma jogada, sempre que recebiam a bola já tinham um ou dois adversários em cima. Que chegavam sempre primeiro, que eram sempre mais fortes nos duelos, e por isso recuperavam imediatamente a bola, para depois fazer das faixas laterais um quebra cabeças para a equipa do Benfica. 


Para esse desequilíbrio muito contou a pressão dos jogadores da equipa holandesa - a partir de hoje, depois de ouvir toda a gente do Ajax falar em Holland, não lhe chamo mais neerlandesa, nem Países Baixos -, mas também o inesperado desacerto de Rafa, a quem não deixaram tocar na bola, e o esperado desacerto de Taarabt, cuja inclusão na equipa, para este tipo de jogo, é muito difícil de compreender. Não é preciso conhecer muito de futebol para saber que Taarabt não sabe defender e, muito menos, segurar a bola e passá-la. No seu melhor, e com espaço, será capaz de a conduzir em progressão, mesmo que na maioria das vezes para nada.


Na primeira parte, Rafa e Taarabt simplesmente não existiram para o jogo. Só que de Rafa espera-se sempre alguma coisa, e muitas vezes muitas. Nelson Veríssimo terá pensado isso mesmo, e deixou-o ficar para a segunda parte, e até ao fim do jogo. Taarabt apenas lhe facilitou a dor de cabeça que tem sempre nas substituições. Trocou-o ao intervalo por Meité, e acertou.


Com o francês que veio do Turino a saber defender e segurar a bola, e com Rafa a acabar por aparecer - os jogadores do Ajax também já não conseguiram manter a pressão da primeira parte - a máquina de futebol montada na equipa holandesa começou a engasgar, e a avalanche sobre a área do Benfica passou a ser intermitente. É certo que o Ajax continuou por cima do jogo, com mais bola, mais ataques e mais remates. Mas nunca chegou ao domínio avassalador da primeira parte, e em especial do último quarto de hora.


O Benfica que defendia bem, mas perdia imediata e sucessivamente a bola, continuou a defender bem, mas já não perdia bola logo. Já a segurava e a trocava. Não dava para muito, mas sempre dava para conquistar umas faltas, uns livres e uns cantos. Dos três cantos conquistados na primeira parte - de resto consecutivos - já se tinha percebido que poderia ser por ali.


E foi. Uma falta bem conquistada pelo Gonçalo Ramos deu num livre lateral. Batido pelo Grimaldo - sempre nas bolas paradas - a preceito, e concluído de cabeça pelo Darwin, ganhando de cabeça ao defesa Timber e antecipando-se a Onana. Que não fez uma única defesa. O relógio marcava o minuto 77, e só não estava encontrado o herói do jogo porque todos eram, e foram, heróis.


Sentiu-se - sentiram-no os jogadores e sentimo-lo todos - que o jogo estava ganho, e que o lugar entre os oito melhores da Champions já não fugiria. Já só era preciso sofrer mais um bocadinho, e os heróis sabem fazê-lo. O resto era trazer para o jogo as lições que aprendem em todos os jogos do nosso campeonato, para ajudar a passar o tempo. 


Que foi passando, sem grandes sobressaltos. Mesmo com 6 minutos de compensação, que passaram a 7, e acabaram em oito. Valeram bem, esses dois minutos acrescentados: no primeiro, Yaremchuk, que havia substituído Everton ainda antes do golo, isolou-se e bem poderia ter marcado o segundo. Teria bastado que, primeiro, tivesse sido mais expedito no remate e, depois, não o tendo sido, que tivesse conseguido dar a bola a Rafa, ali ao lado. O segundo deu a oportunidade a Vlachodimos para verdadeiramente brilhar no jogo, com uma grande defesa. Que não contou para as estatísticas por o lance ter sido anulado por fora de jogo. Cobrou o livre, e o árbitro apitou.


Para a festa. Dos heróis de Amesterdão e de todos nós. Em especial dos de nós que lá estavam, e tomaram conta do fantástico Johan Cruijff Arena, engalanado para receber este jogo memorável.


 

Não sair da cepa torta

Primeira Página - Jornal de Negócios


 


O governo decidiu ajudar as empresas a suportar o aumento do mísero salário mínimo nacional, decisão, por si só, discutível. Mas deixemos isso para outra altura.


Ao que sabíamos, a ideia seria apoiar empresas de mão-de-obra intensiva, dos sectores mais tradicionais da economia portuguesa, que mais recorrem a trabalho não qualificado e, por isso, com maiores dificuldades em acomodar o aumento do salário mínimo na sua estrutura de custos. Era isso, não era?


Pois...Parece que não. O Jornal de Negócios diz-nos hoje que esse apoio foi inteirinho parar à empresas de trabalho temporário e aos supermercados. E, ao dizer isto, diz-nos tudo sobre a história da maioria dos apoios públicos e dos subsídios à economia. Que nunca são o que dizem ser, nem nunca servem para o que devem servir. 


Será que o governo não sabia que a maior mancha de salário mínimo não está nos sectores mais tradicionais e menos competitivos da nossa economia? Será que não sabia que as poucas empresas desses sectores que têm essa prática salarial nem sequer dispõem de meios para correr a esses apoios?


Claro que sabia, e sabe. Mas é assim que as coisas (não) funcionam. E é por estas e por outras que não saímos da cepa torta!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Para o que lhes havia de dar! Uma marca Salazar… 


Não sei se isto é mau gosto, se é saloiice ou parvoíce. Não sei se isto é ignorância ou chico-espertismo.


Sei que deixou este país muito marcado, não precisa de deixar mais marcas.


Mas, se insistirem, aqui fica uma sugestão para o rótulo...


Não é lá muito sugestivo? Pois... a ideia também não!

segunda-feira, 14 de março de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Não me lembro de muitas comissões de inquérito parlamentares que tenham servido para alguma coisa. Nem me lembro de muitas que tenham sido conclusivas e que tenham servido para esclarecer o que quer que fosse.


A comissão de inquérito ao BPN de há três ou quatro anos não serviu para muita coisa, para além de dar notoriedade a dois ou três deputados (um deles, o Nuno Melo, aproveitou-a bem!). Mas funcionou bem e esclareceu algumas coisas, o que lhe bastou para passar a figurar como exemplo positivo das comissões parlamentares. Sempre que alguém diz mal das comissões parlamentares faz sempre a excepção da do BPN!


Parece que vem aí mais uma (ou mais) comissão parlamentar de inquérito ao BPN para acabar com esse bom exemplo. Ou pelo menos para obrigar a dobrar a língua, obrigando a dizer-se: “a primeira comissão de inquérito ao BPN”. Ou - quem sabe – “a do Nuno Melo”!


 

É o que é

Almeirim de portas abertas a refugiados ucranianos


Vi há pouco, numa das televisões, imagens da recepção a duas crianças refugiadas ucranianas numa escola em Itália. Eram apenas duas, as crianças ucranianas e toda a comunidade dessa escola - de crianças a educadores - a recebê-las com palmas, numa manifestação impressionante.


Não faço ideia do que terá passado pela cabeça daquelas duas crianças, mas não me é difícil imaginar o conforto que terão sentido, depois da dolorosa experiência a que foram sujeitas, serem recebidas daquela forma, naquele local desconhecido a que acabavam de chegar, à entrada daquelas portas que cruzavam pela primeira vez. Será certamente uma imagem que jamais apagarão da sua memória, que provavelmente se sobreporá a tantas outras, de angústia e sofrimento, que as marcará para sempre.


São imagens que impressionam. Mais pelo tributo, pelo reconhecimento do estatuto de heróis a estes refugiados da guerra, já que a solidariedade com os ucranianos está a ser amplamente documentada todos os dias, por toda a Europa. Em contraste absoluto com tudo o que conhecemos do nosso comportamento colectivo perante a onda de refugiados que tem chegado doutras partes do mundo, em particular à Europa, na última década. Que são igualmente pessoas, e que igualmente fogem da guerra, do sofrimento, da impiedade e da tirania.


Um contraste que se tem tornado em mais um ponto de clivagem nas sociedades europeias, e particularmente em Portugal. Até aqui era fácil dividir as ideias políticas, as sociedades e, em última análise as pessoas - cada uma - entre universalistas e humanistas, por um lado, e xenófobos e racistas, por outro. Entre os que defendiam a abertura das fronteiras aos deserdados do mundo, e os que lhas fechavam. Entre os que lhes defendiam o acolhimento, e os que levantavam arame farpado para impedir a sua entrada.


A solidariedade e o acolhimento aos ucranianos rompeu com esta divisão. Desde logo a partir dos países fronteiriços, onde o arame farpado era mais leve de levantar. E, depois, no tabuleiro político nacionalista, e até no claramente xenófobo e racista. 


Se não deixou de ser claro que boa parte da esquerda não ficou lá muito confortável no seu posicionamento perante a invasão russa, e a guerra, também não deixa de ser claro o seu desconforto com rompimento daquela linha divisória. Custou-lhe a perceber um fenómeno que deixava do mesmo lado quem antes estava do outro, e procurou a explicação na cor da pele e dos olhos.


Alguns poderão ter ficado satisfeitos com a explicação. Mas acredito que tenham sido mais os que não ficaram convencidos, e que terão percebido que a História, a civilização, a cultura e tudo aquilo que faz o que somos, e como vivemos, conta mais que simplesmente a cor da pele, dos olhos ou do cabelo. 


Perceber isso não é aceitar o racismo, nem a xenofobia. É simplesmente perceber que há modos de vida que se chocam. E que, isso, é o que é. E não o que gostaríamos que fosse!

domingo, 13 de março de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Henrique Gomes deixou de ser o Secretário de Estado da Energia e fica como a primeira baixa no governo.


Oficialmente apresentou a demissão por razões pessoais e familiares, mas é do conhecimento público que não é nada disso. São conhecidas as tensões entre Henrique Gomes e os mandões do sector, agora que, pela sua mão, se estava a entrar na parte do Memorando da Troika que trata da energia: umas páginas do Memorando que primeiro-ministro e ministro das finanças gostam de passar depressa, enquanto assobiam para o lado. Como conhecidas são as suas posições contra a política rentista que alimenta e engorda a EDP, à custa de todos nós.


Para o seu lugar foi nomeado, e tomará posse dentro de poucas horas, Artur Trindade. Que ocupava o lugar de director de Custos e Proveitos da Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE)! Dadas as circunstâncias da demissão de Henrique Gomes é fácil de perceber o posicionamento de novo Secretário de Estado. De que lado está…


Há muito que entendemos o papel da regulação em Portugal. Percebemo-lo por esta mesma ERSE, pelo Banco de Portugal, etc. Percebemos e sentimo-lo todos os dias com os combustíveis. Estamos fartos de saber de que lado é que está o regulador!


Não era nada preciso que nos fizessem o desenho…

sexta-feira, 11 de março de 2022

À conta da pouca vergonha


Já nada falta acontecer ao Benfica nesta malfadada época, e nesta Liga manhosa. Hoje era finalmente a altura do Benfica da era Veríssimo alcançar a primeira sucessão de três jogos a ganhar. A ninguém passaria pela cabeça que não fosse desta, com o Vizela, na Luz. Mas não foi!


Começou cedo a desenhar-se este insucesso. Logo no início do jogo, quando Taarabt ... foi Taarabt. Uma besta, como é tantas vezes. E deixou a equipa a disputar todo o jogo com menos um jogador. Aquelas perdas de bola, sempre da mesma maneira, ou acabam em golo para o adversário, ou acabam em amarelos e vermelhos. E nem se fala do jogo de braços, que geralmente não acaba em nada de muito diferente, porque nem teve tempo para isso.


Desta vez aconteceu logo aos 5 minutos de jogo. O árbitro - Manuel Oliveira - sancionou com amarelo. O VAR - André Narciso - achou que aquilo era para vermelho. Teve razão, perdeu-a toda ao longo do jogo, mas naquele momento teve-a. Perdeu-a quando, mais tarde, não viu uma entrada exactamente igual sobre o Rafa. Quando não viu dois penáltis sobre o Darwin. E quando não viu um defesa do Vizela a tirar a bola com a mão da cabeça de Vertonghen, dentro da área.  E lá começou o jogo de 11 contra 10.


O Benfica, com 10 jogadores, tem a obrigação de ganhar ao Vizela, com 11? Tem, claro que sim. E acabou a prová-lo. Porque esteve mais próximo de ganhar este jogo do que de esteve de ganhar qualquer dos últimos que não ganhou na Luz, em igualdade numérica com o adversário. E, mesmo que com diversos roubos de igreja, bem menos que os três desta noite.


Mas, à excepção dos últimos vinte minutos do jogo, nunca foi claro que a equipa tivesse estratégia e alma para tanto. Durante a primeira parte, mesmo assim, o Benfica foi superior ao Vizela, e podia ter chegado ao intervalo em vantagem, se tivesse aproveitado as duas claras oportunidades de golo que criou.


A segunda parte começou com mais uma oportunidade de golo para o Benfica. Mas também com duas substituições no Vizela à procura de soluções que lhe potenciassem a superioridade numérica de jogadores em campo, que não tinha sabido aproveitar. E durante perto de 20 minutos aproveitou-a para tomar conta do jogo. Durante esse período questionou-se se o Benfica tinha a alma e raça sempre necessárias para ganhar jogos, e imprescindíveis para os ganhar com menos um jogador. De tal forma que o golo do Vizela pareceu apenas uma questão de tempo. E foi. Chegou aos 65 minutos, e não foi surpresa nenhuma. Surpresa foi a forma como o Benfica reagiu ao golo, então sim, com raça e alma, muita dela vinda das bancadas. Que veio também do banco, com Nelson Veríssimo desta vez a acertar nas substituições. Primeiro com a substituição do - mais uma vez - nulo Diogo Gonçalves por Meité, finalmente a dar o equilíbrio ao meio campo que faltava desde a expulsão Taarabt, mais de uma hora antes. E, mais decisiva ainda, ao tirar um defesa (Mourato, no lugar do poupado Otamendi) para meter mais um avançado - o miúdo Henrique Araújo.


Poucos minutos depois de entrar Meité atirou à barra (mais uma para a estatística da equipa com mais bolas nos ferros do campeonato). Antes, no minuto anterior, o tal desvio da bola da cabeça de Vertonghen com a mão, no terceiro penálti que nem Manuel Mota nem André Narciso quiseram ver. E a primeira vez que o miúdo tocou na bola foi para marcar o golo do empate.


A partir daí foi um autêntico festival de desperdício. Com defesas impossíveis do guarda-redes vizelense, com cortes sobre a linha de golo, ou por falta de discernimento para tomar as melhores decisões, em especial de Darwin, o mais afectado pelas incidências do jogo, se for isso que chamem a uma arbitragem tão escandalosa. E lá ficaram na Luz mais dois pontos. Mais dois à conta da pouca vergonha instalada no futebol em Portugal!


E fica ainda uma factura para Amesterdão. Deveria ser apresentada a Tarrabt, mas vai ser paga por todos na terça-feira.


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


estória que vou contar ouvi-a na passada quinta-feira numa sessão da SEDES, em Leiria, e tem a ver com a directiva que a Comissão Europeia pariu (ou pôs?) sobre o bem-estar animal, na circunstância as galinhas poedeiras.


A directiva é bem conhecida, foi já suficientemente divulgada, e entrou em vigor em Janeiro, impondo, entre outros factores de qualidade de vida (?) para as pobres aves, uma maior área (o triplo) por cabeça, um poleiro, areia e até um dispositivo para afiar as unhas. Condições que obrigam a uma completa reestruturação dos aviários e significativos investimentos.


Os principais produtores europeus de ovos são países do sul: Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia. Os mais prejudicados (sempre os mesmos) e os que passam por maiores dificuldades, como é sabido.


Muitos produtores não estavam em condições de fazer esses investimentos e fecharam as suas unidades. Resultado: diminuição da produção e necessidade de importar – fala-se de 500 mil toneladas – ovos. Da América: Estados Unidos, Brasil e Argentina, principalmente!


Ovos que são produzidos nas mesmas, se não em piores condições. Mas, como diz a outra, isso agora não importa nada. Como não importou nada que a Europa tivesse escancarado as portas a produtos doutras paragens do globo, fabricados a baixo custo à conta dos mais elementares direitos dos trabalhadores.


O governo português, que acaba de aumentar em 10 mil as vagas para idosos em lares, não à custa de novos equipamentos, nem do alargamento da capacidade dos existentes, mas simplesmente da alteração do respectivo licenciamento, reduzindo as áreas per capita dos quartos e demais instalações, foi lesto na transposição desta directiva. Dando a ideia que as galinhas são mais importantes que as pessoas, quando afinal se trata da simples confirmação do bom aluno, bem comportado! Nem que para isso o que pareça é!


A Derovo, uma empresa de Pombal que nasceu da associação de produtores de ovos da região de Leiria – região que, á data, concentrava cerca de 30% da capacidade produtiva nacional – com o objectivo de responder às vicissitudes e oscilações do mercado, e de encontrar uma resposta industrial para os subprodutos derivados transformou-se, em apenas uma dúzia de anos, no líder mundial na transformação de ovos. É um caso de sucesso, estudado internacionalmente e um dos expoentes da inovação nacional.


Desenvolveu novos produtos, adaptando o ovo a cada utilização final. Tem produtos específicos para a restauração ou para a pastelaria. Internacionalizou-se e estabeleceu parcerias para segmentos especializados, como as sobremesas e as bebidas. Desenvolveu produtos, aproveitando as inesgotáveis capacidades alimentares do ovo, para dar resposta a necessidades prementes de doentes com problemas de ingestão e ou digestão de alimentos.


Fez tudo e bem, como poucos fazem em Portugal. Fez o que se exige ser feito para que a economia portuguesa abandone o seu marasmo congénito. Inovou, desenvolveu, internacionalizou-se e exporta. E está agora com grandes dificuldades em matéria-prima para dar resposta à dinâmica que criou!


Porque não acautelou os efeitos desta directiva? Não. Essa é a segunda parte da estória.


A Derovo antecipou esta realidade e, fazendo o percurso inverso ao da sua criação, chamou os produtores e desafiou-os a participar num investimento para um milhão de galinhas nas novas condições exigidas, em Proença-a-Nova. Para que, chegada esta altura, tivesse asseguradas as suas necessidades de matéria-prima. 


 Só que esperou dois anos pela aprovação do projecto de impacto ambiental. Isso mesmo, uma empresa de referência, um projecto PIN, esteve dois anos à espera de um despacho governamental. E não se pense que o líder da empresa, Amândio Santos, esteve durante esses dois anos sentado na sua secretária à espera que o ovo saísse. Não, andou a bater à porta de tudo o que era secretário de estado. E teve todo o apoio do incansável Presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova. Imagine-se se não fosse assim!


Espera agora que, quando em Outubro a unidade abrir as portas para receber as sortudas galinhas, não seja tarde de mais…

Ao lado da guerra

Guerra da Ucrânia inaugura nova era na informação em tempo real - Notícias  - R7 Tecnologia e Ciência


Já na terceira semana da guerra, desta guerra que é já o maior conflito armado na Europa desde a II Guerra Mundial, poderemos visitar alguns dos seus dramas à margem dos mais marcantes que são, evidentemente o sofrimento, a destruição, a morte e tudo o que é a desumanidade de se alimenta. E que a alimenta.

 

Esta é uma guerra diferente das outras. Em todas há a tendência para as dividir entre bons e maus, e nós colocarmo-ns sempre do lado dos bons. O lado dos bons é sempre o nosso, onde quer que nos posicionemos. Nesta Putin facilitou-nos a vida, é certo. Mas não foi só ele. Foi também a cobertura mediática, e essa nunca foi tão grande.

 

Em todas as guerras tivemos imagens de destruição, de cidades arrasadas, de espoliados, e notícias de refugiados. Nesta tivemo-las ao vivo, diariamente, com rostos e relatos na primeira pessoa. Esta entrou por nós dentro como nenhuma outra tinha antes entrado, e mostrou-nos a mentira de muitos dos pressupostos de uma das partes - a do agressor Putin. Se a Ucrânia não existia como país, mostrou-nos não só que existia, como o conhecíamos, mas que existia também a nação, que desconhecíamos. E que provavelmente não existia antes. Se os ucranianos fossem povo russo não poderiam ser bombardeados, expulsos e sacrificados como estão a ser.

 

Foi por isso fácil escolher o nosso lado nesta guerra. Mas para o espaço mediático não bastou que escolhêssemos o lado certo da guerra. Foi preciso fazê-lo sem vírgulas nem reticências em cada frase. Sem advérbios explicativos. Apenas com pontos de exclamação!

 

Qualquer "mas" era a ponte para o outro lado. Como qualquer explicação, como sucedeu com os comentários dos militares nas televisões, que tanta polémica abriu. Uma ponte que não servia de passagem, mas de expulsão para o outro lado.

 

Nesta espécie de orgia comunicativa foram, há uma semana, por decisão do Conselho Europeu, encerradas as televisões russas que operavam na Europa, um silenciamento inédito e - francamente - pouco consentâneo com os nossos valores, os do nosso lado. E, ontem, aberta a permissão no Facebook e no Instagram a apelos á violência contra russos e a ameaças de morte a Putin e a Lucashenco sempre que o assunto seja a invasão na Ucrânia. Como se também isso caiba nos nossos valores. por muito que caiba nos dos interesses da Meta, do Sr Zuckerberg, onde a violência, tout court, e os apelos à dita, são pratos fortes do menu.

 

Percebido isto, direi que talvez se possa começar a introduzir vírgulas e reticências nas frases. Mais, que talvez já dê para substituir alguns pontos de exclamação por pontos de interrogação. É que só esses provocam respostas, em particular a alguns dos outros dramas desta guerra.

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Cabem os três num pontinho! Tão juntinhos que estão…


Mas… Na última jornada o Porto ganhou, e o Benfica perdeu, com o golo em fora de jogo. Ontem o Braga ganhou porque ao seu adversário – União de Leiria – foi anulado um golo. Limpo, não havia qualquer fora de jogo!


Ontem o Porto empatou com a Académica. Com um golo marcado através de um penálti que o árbitro assinalou. Bem! Mas já não assinalou outro que houve a favor da Académica. Penáltis que, se a favor do Benfica, os árbitros transformam em falta atacante, por simulação, com o correspondente cartão amarelo. Aconteceu por duas vezes. Hoje, em Paços de Ferreira, Bruno César e Nelson Oliveira, depois de carregados dentro da área, viram o árbitro mostrar-lhes o cartão amarelo ...


Se para deixar os três assim juntinhos foi o que foi, o que é que não será daqui para a frente? Vai ser bonito! Vai, vai…

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...