sexta-feira, 30 de junho de 2017

Demitam-se*

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A caminho de se completarem duas semanas sobre a tragédia do Pedrógão Grande o país, ou boa parte dele, exige que rolem cabeças. “Demitam-se”, grita o país, ou boa parte dele, todos os dias.


Demitam-se. Demitam-se as estruturas de comando da GNR, que mandou as pessoas para a Estrada Nacional 236. Demita-se a Secretaria Geral do Ministério, que acusa a Protecção Civil. E a PSP, que ainda ninguém sabe o que é que tem a ver com isto. Demitam-se as estruturas do SIRESP, que diz que tudo funcionou em pleno, mesmo que todos tenham visto que não funcionou, não funciona, nem sequer se sabe quando poderá funcionar. Demita-se a Autoridade Nacional da Protecção Civil. Demita-se o Instituto do Mar e da Atmosfera. Demita-se a ministra da administração interna. Porque tudo se passa na sua tutela, porque se chegou à frente para as câmaras, porque chegou tarde, porque nunca mais de lá saiu mas, acima de tudo, porque o Jorge Coelho também se demitiu.


Demita-se o Director Nacional da Polícia Judiciária, que se apressou a dizer que não houvera mão criminosa. Demita-se o presidente da Liga dos Bombeiros, porque desconfia que houve.


Demita-se o Presidente da República, que garantiu ter sido feito tudo o que era possível ser feito. E não foi, nem nada que se parecesse. Demita-se o primeiro-ministro, que só faz perguntas, e não dá respostas. E que, há pouco mais de 10 anos, e então ministro, em vez de enterrar definitivamente a já ilegal PPP do SIRESP - assinada pelo governo de Santana Lopes a três dias das eleições - resolveu salvá-lo, recauchutando-o na falsa ideia de poupar 50 milhões ao Estado. Demita-se Passos Coelho, que não ligou nenhuma ao relatório da auditoria da KPMG ao sistema, identificando as falhas. Que meteu os pés pelas mãos, e estas pelos eucaliptos. E que se apressou cavalgar a tragédia acrescentando-lhe suicídios soprados por um correligionário, um dinossauro autárquico em trânsito pela Santa Casa lá do sítio, em tempo de fazer tempo para fintar a lei, e regressar em Outubro ao poiso. Demita-se o provedor da Santa Casa lá do sítio, e demita-se o dinossauro soprador.


Demitam-se. Mas demitam-se mesmo todos. E venham outros para demitir a seguir … Porque isto ... é o diabo. À solta!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Cistermúsica: música com marca

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Aí está o Cistermúsica, de novo. Pela vigésima quinta vez. Isso: o XXV Cistermúsica!


Começa amanhã, e é todo um mês de grande música. Com marca, com uma grande marca.


São quarenta espectáculos imperdíveis. A não perder pitada!

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Keep calm

Capa do i


O governo encomendou uma série de estudos para saber como ficou de popularidade, depois dos incêndios. Segundo o jornal i, Costa respirou de alívio... 


A notícia que a tragédia de Pedrogão Grande tinha posto termo ao estado de graça era francamente exagerada. António Costa continua na sua fase Salvador Sobral, mesmo que o peido tenha trazido molho. E do grosso. Da grossa!


As coisas que Passos Coelho consegue fazer...


 


 


 

As responsabilidades (não) servem para ser sacudidas

 


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Já se começou a perceber que a responsabilidade é uma batata quente a saltar das mãos da Protecção Civil para as do SIRESP ao ritmo da Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna. Mais que os relatórios, que não convencem ninguém de que sirvam para mais que, cada um, fugir com o rabo à seringa, é essa insustentável batuta nas mãos da ministra que mais lhe pesa nesta altura.


As responsabilidades podem ser sacudidas - do SIRESP para a Protecção Civil, da Protecção Civil para a GNR... - como entenderem, mas nunca saem do MAI. E quando caírem, é lá que caem. É que não podem cair noutro lado.


Parece-me que a senhora ministra já percebeu isso... Que, quando os ventos não as ajudam a empurrar, não adianta sacudir responsabilidades. Acabam por cair sempre ali!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Suicídios... políticos

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Sabia-se que Passos Coelho não conseguiria resistir - a desorientação é grande e tudo o resto bem pequeno. Depois da saga Sebastião Pereira, e de uma tal Sofia Vala Rocha ter aproveitado a tragédia para anunciar que o diabo chegou mesmo, Passos não podia esperar mais. E tratou de arranjar suicídios: “Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, de pessoas que puseram termo à vida, pessoas que, em desespero, se suicidaram, e que não receberam, a tempo, o apoio psicológico que devia ter existido".


Não tinha. Um correlegionário, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Pedrogão Grande e candidato do partido à presidência da Câmara Municipal local, na imagem, com desmedida vontade de apresentar serviço, tinha-lhe dado conhecimento de um suicídio. Não confirmou, e logo transformou em plural. Não o plural majestático, mas o plural patético.


Foi desmentido. Por todos os agentes e pela própria realidade. Em vez de recuar, deu mais um passo: não tinha morrido ninguém, mas havia muito gente internada em hospitais por tentativas de suicídio. Voltou a ser desmentido. E só não foi envergonhado porque já não tem vergonha. Mas devia ter...  

A ironia de um ciclo

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É sempre assim. Há sempre alguém que faz um esforço enorme para atingir um objectivo e ... corre mal. Logo a seguir, sem o menor esforço, traquilamente, outro qualquer estica a mão e agarra-o.


Todos nos lembramos do esforço de Sócrates para que a PT abarbatasse a TVI. O que o homem fez, pelo que teve de passar... Agora, sem qualquer sinal de esforço, na maior das tranquilidades, aí está a TVI - mais que a TVI, a Media Capital toda, embora já sem as acções da União de Leiria - nas mãos da PT. Que já não se chama PT, e tem agora o afrancesado nome de Altice.


Pelo qual a ex-PT já paga royalties. Sim, porque, tal como nos almoços, também não há nomes grátis. E para duplicar a receita, e ajudar a compor a carteira para ir às compras, vai passará a pagá-las também pela utilização da marca, logo que a mesma Altice substitua a marca MEO. Mas aqui não há nada a dizer, toda a gente percebe uma estratégia de marketing que entra pelos olhos dentro: substituir uma marca desconhecida e sem qualquer notoriedade, como é o caso da MEO, por outra com a força e a imagem avassaladora que a Altice tem no mercado!


Os ciclos abrem-se e fecham-se. Não deixa de ser irónico que o ciclo da destruição da PT se tenha iniciado com a tentação da TVI, e se esteja a fechar com a sua aquisição.

domingo, 25 de junho de 2017

Taça das Confederações

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Tudo normal na Taça das Confederações. Para as meias-finais seguiram os campeões das regiões mais desenvolvidas no que a futebol diz respeito: a Europa, a América do Sul, e a Améra do Norte, Central e Caraíbas. E o campeão do mundo, naturalmente. 


Pelo caminho ficaram os campeões de Àfrica, da Oceania e da Ásia, que por acaso até é também lá das antípodas. E o convidado para a festa, na qualidade de organizador do próximo mundial. Para quem até tinham desenhado o calendário mais agradável para esta fase da prova. 


Mas como isto é para campeões, e não para convidados, foi a selecção nacional, que ganhou o grupo, a sentar-se à mesa que estava posta para a Rússia. E lá vai discutir a presença na final, com o Chile, na próxima quarta-feira. Para chegar à final, e ganhar - esperamos todos - a que será a ultima edição da prova. 


 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Três países em três dias*

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De repente, o país eufórico, aos pulos e meio embriagado de tanto e tão propagado sucesso, foi surpreendido por uma das maiores tragédias dos últimos largos anos.


Foi como que um murro no estômago, ou um balde de água gelada em tanta euforia. O país que achava que já nada de mal aí podia vir, que agora era sempre a ganhar... No futebol, nas cantigas, no défice, nas agências de rating, nos mercados, ou em Bruxelas. O país do sucesso, na moda e a abarrotar de turistas, de repente olhou para o espelho e viu-se outro país, que já não queria reconhecer.


Viu-se o país que desertificou o seu interior. Que virou costas ao campo e fugiu para as cidades, e para o mar. Que se urbanizou e esqueceu as origens. Que se deixou seduzir pelo eucalipto. Que vê passar anos e governos que deixam tudo na mesma, quando tudo na mesma é cada vez pior. Um país que não cumpre as leis que cria. Um país que deixa morrer pessoas que não tinham que morrer. Um país sempre a apontar o dedo, mas nunca o apontando para o futuro…


E é já este país desolado e cabisbaixo que está agora frente ao espelho ainda embaciado que, incrédulo, começa a ver erguer-se lá atrás um país solidário, capaz de lhe trazer ainda, e de novo, um país com razões para acreditar que não serão as chamas a matar-lhe a esperança.


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Miguel Beleza (1950-2017)

  


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É assim, sempre sem se esperar... De repente só ouvimos dizer que morreu. Desta vez foi Miguel Beleza, indiscutivelmente um dos melhores de nós.


Sempre que, cedo de mais, perde um dos seus, o país fica mais pobre. Quando perde os melhores fica ainda mais pobre...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O avião que não caiu e o "jurnalismo" do boato

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A notícia do avião que não caiu, numa crónica em que a única ficção é a presença do primo do Adérito perante o juíz. A crónica, é - não podia deixar de ser - do mestre, de Ferreira Fernandes. Intitula-se "Jurnalismo" e não pode deixar de ser lida: 


"Sô doutor juiz, eu deitar boatos da boca pra fora?! Seja, mas tenho atenuantes. O Adérito, um primo meu que abalou para Madrid, já faz um ror de anos, é que me telefonou a perguntar que coisa foi essa de a avioneta cair no quintal. A informação, portantos, eu não a inventei. Veio-me cá ter. Também é verdade que horas antes telefonei ao Nuno - é um irmão do Adérito, que também emigrou para Espanha - e eu disse ao Nuno que foi cá um estrondo o que tinha ouvido para as bandas do quintal, até parecia um avião a explodir, daqueles com piloto inglês como havia antigamente na Grande Guerra. Confirmo mas isso com o Nuno não tem nada a ver, são conversas entre primos. Agora, quando de Espanha me telefonam a perguntar do quintal e do Canadére e do inglês e tudo, eu digo: "Olá..." O que conta é que a coisa chegava-me do estrangeiro e com aqueles pormenores todos... Desculpe, meretíssimo, diz que...? Ah isso... Sim, sim, o Adérito também é primo, aliás, eu já o dissera, mas, esse, é atilado, nada a ver com o Nuno, um estroina. É para o senhor doutor perceber a diferença: se a notícia vem do Adérito fiquei alerta. Mas não me pus logo com atoardas. Fui averiguar. Deitei-me a caminho do posto da Guarda, e perguntei ao sargento: "Que é isso do avião?" Ele olhou-me e não desmentiu - juro pela minha mãezinha, não desmentiu. Desbobinei tudo, o avião, o quintal, o estrondo, a bigodaça loura do piloto... E o comandante da Guarda, népias. Mas eu bem vi que ele chamou um guarda, que se meteu num jipe e, veja a coincidência, foi para as bandas do meu quintal. Tava confirmado. Quanto a mim, fui para a taberna. Durante hora e meia do que é que eu havia de falar? Claro... Mas está aí outro mistério! Se não tinha caído nenhum avião, porque é que me permitiram falar durante hora e meia do avião, do meu quintal e isso tudo? E depois, eu é que sou o boateiro, sô doutor juiz?!"

Dia do solstício

  


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Ninguém diria, mas acaba de chegar o Verão. Desta vez sem motivo para festa...

terça-feira, 20 de junho de 2017

Outras explosões

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Com o país de luto, e a agenda mediática esgotada na tragédia que o assolou, quase nem se deu pela detenção de Hermínio Loureiro, suspeito das coisas do costume: "corrupção passiva e activa, prevaricação, peculato e tráfico de influência". Falta lá a "participação económica em negócio", o que não deixa de ser estranho numa operação baptizada de "ajuste secreto".


O que não é segredo é que Hermínio Loureiro seja um dos últimos expoentes da arte de bem misturar o futebol e a política, bem representada neste "ajuste secreto". Lá estão o passado, o presente e o futuro da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis. E ainda um antigo deputado, e também antigo presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte e do Conselho de Administração da Assembleia da República.


Isto anda bonito...

domingo, 18 de junho de 2017

O país de luto. E o outro...

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Nem o estado de luto nacional, oficialmente decretado pelo governo que, como se sabe, se destina a fazer destes dias tempo de prioridade aos mortos, de reflexão e respeito pelas vidas perdidas em circunstâncias tão dramáticas, conseguiu instalar no país das televisões a reserva, a serenidade e o respeito próprios da morte.


Há sempre alguém a pôr-se á frente, com pressa em dizer qualquer coisa, quanto mais irrelevante melhor. Sempre assim foi, agora é ainda mais assim. Com as redes sociais, onde é fácil escrever a primeira coisa que vem à cabeça. E com jornalistas que trocam a relevância da informação e o interesse público pelo interesse particular de quem lhe paga, sempre para além de todos os limites da decência.


O país que, de luto, está a dar esta fantástica resposta solidária não merece que, ao lado, esteja o outro que nem os mortos sabe respeitar.


 


PS: Ontem, quando aqui escrevi, ainda não havia fotografia do abraço. Que, estranhamente, também incomodou muita gente..

sábado, 17 de junho de 2017

Tragédia no Pinhal

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A tragédia de Pedrogão Grande - Figueiró dos Vinhos revelou-nos um Secretário de Estado de grande dignidade. E de enorme dimensão humana, bem patente naquele abraço comovido ao Presidente da República, na sua chegada ao teatro de operações.


Chama-se Jorge Gomes, e é Secretário de Estado da Administração Interna. Não atenua a dimensão da tragédia, nem minimiza o sofrimento dos que perderam haveres e familiares, mas é reconfortante que, das das chamas que nada poupam, tenha emergido um governante que só pode ser um homem bom.


 


 


 

Escândalo anunciado

Benfica ou FC Porto vão festejar título


  


 


O escândalo estava anunciado. Mas não se imaginava que pudesse ter a dimensão que acabou por ter.


Disputava-se hoje a última jornada do campeonato nacional de hóquei em patins, com o Benfica a defrontar o Sporting e a necessitar de ganhar o jogo para se sagrar campeão - tri-campeão. O Sporting marcou o jogo para um pavilhão em Alverca, impróprio para a prática da modalidade e com reduzida lotação, que os adeptos sportinguistas rápida e facilmente esgotaram.


A Federação, ao aceitar que um jogo decisivo se realizasse naquelas condições, disse de que lado estava. A equipa de arbitragem nomeada há muito que o tinha dito.


O clímax do escândalo estava reservado para o final do jogo, quando o Benfica, depois de dar a volta ao resultado, marcou o golo da vitória a 40 segundos do fim. Um golo limpo, sem qualquer irregularidade, como ficou provado nas imagens televisivas, que o árbitro confirmou e que, naturalmente, os jogadores do Benfica - não havia lá mais ninguém para festejar - festejaram o golo que valia o título.


Feitos os festejos, inexplicavelmente e sem que ninguém percebesse, o árbitro anulou o golo e entregou o campeonato ao Porto. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Helmut Kohl (1930-2017)


 


Foi o mais duradouro chanceler alemão do pós-guerra. Mas também o mais influente da nova era da História alemã, com o ponto mais alto na reunificação do país. E é indiscutivelmente o último dinástico da geração de grandes políticos europeus!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Deslumbramento e limitação de danos

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Os jornais e as televisões não se cansam de nos tentar surpreender com os louvores de Schauble a Portugal que, para que não restassem dúvidas acabou, perante as cãmaras, de se voltar a dirigir a Mário Centeno como o "Ronaldo das finanças".


O próprio Presidente Marcelo que, evidentemente, não podia deixar o assunto por comentar vai, sem surpresa, no mesmo sentido. E salienta, tal como o governo, que até os maiores adversários de país, aqueles que mais dificuldades lhe criaram, se converteram à sua doutrina por obra e graça do milagre das finanças portuguesas.


O deslumbramento não permite a ninguém dar conta do que Schauble realmente diz. Do que quer dizer, e do que lhe interessa dizer. E o que diz, com a expressão "Ronaldo das Finanças" pelo meio a lançar charme, é que o sucesso do governo português é a prova provada do sucesso do programa de ajustamento. Que impôs e que defendeu como mais ninguém. Nem o seu "Messi", o nosso Vítor Gaspar de má memória.


Shauble não está a fazer nada que o seu admirador Passos Coelho não tenha já feito. Ambos anunciaram e desejaram o diabo. Como o diabo não veio, que não vá tudo para o diabo... Foram-se os anéis, que fiquem os dedos, ou a teoria da limitação dos danos.


A única diferença é que Schauble ainda está no poder. E se calhar isso dá-lhe um ar bem menos ressabiado.

Roaming

 


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Hoje é um dia histórico: acaba o roaming na União Europeia!


O roaming, como se sabe, é uma espécie de sobretaxa que os utilizadores de comunicações móveis nacionais pagam fora do seu país. Numa União Europeia de livre circulação de pessoas e bens de qualquer espécie, as comunicações eram a excepção que o lobby das operadoras de telecomunicações tentou prolongar o mais possível.


Mantiveram-na até hoje, 25 anos depois de Maastricht, 20 depois Schengen, e 16 depois de concluído o actual edifício da União Europeia.


Por isso, mesmo que não fique associado a qualquer nome, a qualquer cidade, ou a qualquer Tratado, o dia de ontem vai ficar na História da Europa como o dia em que foi derrubada a última (?) fronteira entre os seus países membros.


Mas, como sempre tem acontecido, não há bela sem se não.


Portugal vende turismo e, para isso, importa turistas. Muito mais do que os que exporta. Quer isto dizer que as operadoras nacionais entendem que saem prejudicadas. E isso nunca pode acontecer. Nas telecomunicações, nas energias, nos bancos…


Por isso as operadoras nacionais já avisaram que são os portugueses a ter que pagar esse diferencial. A não ser que passemos todos a ir embora…


É sempre assim, e o que parece que é bom acaba sempre por não o ser. Também nisto do roaming


































terça-feira, 13 de junho de 2017

Fiscalidades

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Depois de Messi, Cristiano Ronaldo não podia ficar atrás, e lá tem também os seus "quês" com o fisco espanhol. Nem podia ser de outra forma...


O que vale é que não é a mesma coisa, dizem os entendidos. Messi "evadiu" mesmo. Cristiano fez o que é normal fazer-se nas circunstâncias, que é levar "o coiso" a dar uma volta por uma empresa, de preferência numa off-shore. É dar a volta "à coisa", e estaremos de acordo que não seja crime. 


Isso é uma coisa. Outra, é o Lobo Xavier dizer que Cristiano Ronaldo até pagou mais impostos que os exigidos pelo fisco espanhol. Não é preciso tanto. Bem sei que que a "cajadada" tem que ser grande para matar dois coelhos daqueles... Mas ... assim tanto?

Era uma vez...

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A eurodeputada Ana Gomes é uma desbocada. Mário Ferreira, o homem da Douro Azul, é um respeitável empresário. E de sucesso.


Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo - outra obra-prima do governo anterior - construiram um navio por encomenda do governo regional dos Açores. Chamaram-lhe Atlântida, não se sabe bem quanto custou, mas teria  um valor de cerca de 50 milhões de euros. 


Certamente coberto de legitimidade, o governo regional dos Açores quebrou o contrato. Depois veio Hugo Chavez... Depois, os Estaleiros, ou o governo de Passos, ou Aguiar Branco, ou lá quem foi, venderam o Atlântida à Douro Azul, por 8,5 milhões de euros. Investir em barcos é, na actividade da  Douro Azul, especialmente centrada no turismo Douro acima e Douro abaixo, um acto de gestão normal. Comprar um equipamento muito abaixo do seu preço de mercado é aproveitar uma oportunidade. Vendê-lo oito meses depois pelo dobro do preço é aproveitar outra.


As investigações não deram em nada. Ana Gomes é uma desbocada. E Mário Ferreira pede ao Parlamento Europeu o levantamento da imunidade parlamentar da deputada... 


Moral da história: uns sabem aproveitar todas as oportunidades, outros nem a de ficar calado...

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O furacão francês

 


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Já não há dúvidas: Macron é o furacão que destruiu o sistema partidário francês. 


Em apenas um ano formou um novo partido, tornou-se Presidente da República e passou a dominar por completo a cena política francesa, destroçando socialistas e republicanos, até aqui donos e senhores da política francesa. Nem a extrema-direita de Le Pen escapou.


A França já abanou. Espera-se que o abanão atinja a Europa...


Um lamento: com tanta agitação, não se esperava que fossem tantos os franceses a virar as costas às urnas. Um voto: que emendem isso na segunda volta. O momento histórico por que a França está a passar merece mais, não deve ficar manchado por abstenções de mais de 50%.

sábado, 10 de junho de 2017

Sete anos!

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Já lá vão sete anos. Sete anos de estórias e opiniões, umas vezes simples palpites, outras, meras curiosidades e uma ou outra brincadeira. Sempre no legítimo direito de não ficar calado.


Pois é: o Quinta Emenda faz hoje sete anos.


Começou assim, Começou com a imagem do Speaker`s Corner, do Hyde Park, entretanto desaparecida, engolida pela dinâmica de refrescamento que o tempo naturalmente impõe, mesmo que tenha resistido ao primeiro lifeting.


Não se sabe como vai acabar. Nem quando...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Dama de lata?

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As coisas não correram bem a Theresa May. Tendo herdado o poder há um ano, já por também não terem corrido bem as coisas a Cameron - que, por querer "sol na eira e chuva no nabal", quis brincar aos referendos e saiu-lhe a fava do brexit - quis aproveitar os ventos de feição (as sondagens davam-lhe então vinte pontos de avanço sobre os trabalhistas) não só para se legitimar, como para se reforçar no poder.


Saiu-lhe o tiro pela culatra. Saiu-lhe tudo ao contrário, e nem se pode dizer que tenha sido um azar dos diabos, com aqueles atentados terroristas praticamente sucessivos. É certo que lhe foram assacadas responsabilidades pelo desinvestimento na segurança interna, responsável que foi, na qualidade de ministra do interior, pela significativa quebra no efectivo policial. Foi mesmo apontada a dedo pelo "mayor" de Londres, clara e frontalmente. Mas isso foi só uma parte do seu percurso ziguezagueante, onde disse tudo e o seu contrário. Sendo que tudo era sempre mau de mais, sem que o seu contrário conseguisse ser diferente.


Chegou até - imagine-se - a avançar com a ideia de pôr os mortos a pagar os custos da sua assistência social ... Não era fácil fazer pior. Nem ser pior! 


No meio disto tudo, mesmo assim, o melhor que lhe aconteceu foi mesmo o resultado eleitoral. Que, sendo mau - os resultados, a esta hora, não estão fechados mas não há dúvidas que o Partido Conservador foi o mais votado - foi bem melhor do que o que merecia. 


Parece que a dama de ferro é, afinal, de lata. Dêm os resultados as voltas que (ainda) derem! 


 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O resto é conversa...

   


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Do debate anual de ontem, na SIC, entre o primeiro-ministro em exercício e o auto-proclamado primeiro-ministro sombra, fica o que fica. E o que fica é:


- "Eu não lhe quero estragar o amor que tem aqueles 4 anos"';


- "Parece que só fica contente quando Schäuble critica Portugal";


- “Diga lá um país onde gostasse de viver. Mesmo comigo como primeiro-ministro, diga lá se prefere ir para outro país!”


O resto é conversa...

Nem ética nem vergonha

 


 


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Há em Portugal um naipe de gestores de élite que começou a cair como um castelo de cartas.  Habituámo-nos a confundi-los com as próprias empresas que dirigem, sempre monopolistas, onde acabaram por ir parar sem que se lhes reconhecesse particular especialidade ou especial experiência. E a vê-los condecorados com as maiores comendas que Cavaco tinha à mão.


Estes "super gestores" são gente súper bem paga, que enche a boca com a "defesa do accionista" quando, na verdade, estão apenas preocupados com a sua própria defesa, que cuidam como mais nada e como ninguém. Fazem da gestão um exercício de administração da influência de poder, que lhes flui pela proximidade ao poder político, que cultivam nesse quintal maravilha chamado centrão.


Depois de Jardim Gonçalves, Zeinal Bava, Granadeiro, e tantos outros, António Mexia é uma das últimas cartas desse castelo, e provavelmente a mais flagrante de todas. Concentra tudo: é o mais bem pago, dirige a mais monopolista desses monopólios, dirigiu a empresa sob capital público e continuou a dirigi-la depois de "privatizada" (entre aspas, foi uma privatização que a entregou a um Estado), saiu para o governo, onde contratou com a empresa, para depois regressar e usufruir dos proveitos desses contratos, e cultiva uma imagem de exposição pública - ainda há poucos dias dizia que em Portugal a electricidade não era cara, os portugueses é que tinham casas mal construídas.


Estes "super gestores" são a imagem do país, e de um regime de captura do interesse público. Um regime que permite que o "interesse do accionista" se sobreponha ao da sociedade, e que o do "súper gestor" se sobreponha a todos os outros. 


Já sabíamos que, ao contrário do que, em falinhas mansas e voz bem colocada, sempre pretendem fazer crer, não é a ética que os guia. Não são éticos nos seus salários, não é ético negociar pelas duas partes, não é ética a transumância entre as empresas e os governos que as tutelam...


Ontem, António Mexia voltou a fazer da ética um capacho. Quando um arguido, isto é, uma pessoa sob investigação criminal, surge numa conferência de imprensa com o propósito de prestar esclarecimento público sobre o caso, e apenas fala da empresa e dos incontornáveis, blindados e sempre legais contratos, já não lhe falta apenas ética. Falta-lhe também um mínimo de vergonha!


 


 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Toca a todos

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Parece que a Santa Casa da Misericórdia de LIsboa vai virar banqueira, e tornar-se accionista de referência do Montepio. Ainda ninguém o confirmou mas ... não se fala de outra coisa. E se Marques Mendes o disse, está feito. Com ele é dito&feito!


Depois desta coisa nos bancos já ter tocado a todos, toca agora á Santa Casa. Se há lá dinheiro, vamos a ele - terão dito o governo e o Banco de Portugal um para o outro. Depois encontramos ali uns tracinhos comuns na matriz assistencial e explicamos que isto até faz sentido. Não têm estado muito de acordo mas, agora, ao "mata-se", de um, seguiu-se de imediato o "esfola-se", do outro.


Santana Lopes é tipo avisado, que não precisa de conselhos. Mas se calhar convém que não se esqueça que este jogo não é bem como os outros. No outros ganha sempre, neste já não é bem assim. Às vezes torna-se até muito perigoso...


 

domingo, 4 de junho de 2017

Coisas de há 50 anos...

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Há pouco mais de 24 horas, em Londres, aconteceu mais um vil ataque terrorista.


Há 50 anos, os quatro rapazes de Liverpool, então já famosos, mostravam ao mundo o "Sargento Pimenta", e deixavam ao futuro um mundo novo de música feito. Há cinquenta anos, o então jovem Estado de Israel também quis mudar o mundo.


E às 7:45 desse 5 de Junho de 1967, sob as ordens de Moshe Dayan - o falcão dos falcões da guerra - os caças israelitas lançaram-se sobre nove aeoportos militares, destruindo-os e bloqueando a força aéra egípcia, impossibilitada de sequer levantar voo. Por terra, as forças militares israelitas invadiam e ocupavam a Faixa de Gaza, a península do Sinai, os montes Golã e a Cisjordânia, com a parte oriental de Jerusalém. Tudo em apenas três dias, metade dos que a História lhe deu por nome ...


De nada valeu a famosa resolução 242 da ONU, a mandar Israel de regresso às anteriores fronteiras. Ou as sucessivas condenações da instalação de colonatos nesses territórios.


Há quem diga que isto está tudo ligado. Que tudo começou aí. Há 50 anos, com o som das bombas a rapidamente abafarem os acordes que já se ouviam de Sargent Pepper´s Lonely Heart Club Band.


 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Revelação da semana

   


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Sem surpresas, já fora eleito (apesar disso) com essa promessa, Trump mandou oficialmente o Acordo de Paris às ortigas.


Para isso não disse apenas "covfefe", disse alarvidades bem maiores. Disse que não há quaisquer problemas ambientais. Que não passa de invenção, essa história de o Homem andar a dar cabo do planeta. E que o Tratado de Paris não tem nada a ver com clima e alterações climáticas, mas tão só com a forma que o mundo encontrou de tramar a América.


E, já se vê, para tramar a América está lá ele, não precisa nada que seja o mundo a fazê-lo.


Claro que também trama o mundo. Mais do que isso - assusta-o. Mas trama antes de tudo a América, primeiro isolando-a do resto do mundo e, depois, deixando-a para trás no caminho do desenvolvimento técnico, científica, industrial e económico.


É com desafios como os que hoje o planeta e as alterações climáticas colocam que, como diz o poeta, "o mundo pula e avança". Com Trump, a América não só não sai do mesmo sítio, como recua. A América não é apenas a América rural e profunda, de ignorância, crendices e fundamentalismos que elegeu Trump. A América é também a maior e a mais dinâmica economia do mundo, a maior e mais dinâmica comunidade científica do planeta, e o maior centro de inovação do globo. E esta América não quer ficar para trás. Sabe que não pode ficar para trás, e sabe quanto lhe custa (directamente, em mercado) estar do lado errado da História.


Por isso as elites americanas estão contra Trump. Por isso, os responsáveis máximos das maiores e mais icónicas empresas da América e do mundo, e até os das petrolíferas americanas - tidas como as mais interessadas no "covfefe"- estão contra esta decisão "covfefiana". E é por isso legítimo admitir que, se  os EUA se estão nas tintas para o ambiente, as empresas e a economia americana, não. 


E, se assim for, as consequências de mais uma estúpida decisão de Trump pouco mais serão que "covfefe".


E pronto: já descobriram que fui eu a decifrar o maior enigma do mundo nesta semana. É isso - "covfefe", quer dizer isso. Nada.


Não quer dizer nada. Podia lá ser outra coisa?

Tour de France - V

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