quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A Bela e o Monstro*

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Foi conhecida esta semana mais uma decisão bizarra do não menos bizarro juiz Neto de Moura. Lembramo-nos de, há pouco mais de um ano, ter dado por normal bater numa mulher com uma moca cheia de pregos. Numa decisão de Outubro passado, agora vinda a público, em sede de recurso a uma pena suspensa de prisão, vem agora libertar o arguido da pulseira electrónica que prevenia os riscos de aproximação à vítima, a mulher.


Os factos provados estão descritos por “murros em várias zonas da cabeça da mulher, incluindo os ouvidos, provocando-lhe perfuração do tímpano esquerdo, além de edemas, hematomas e escoriações” mas, para o juiz, “não revelam uma carga de ilicitude particularmente acentuada”.


E explica mesmo que os murros foram excepcionais. Que tudo o resto não passou de ofensas verbais e ameaças.


Mas não foram estas as únicas atenuantes que este bizarro julgador encontrou para dar razão ao arguido, e o libertar da incómoda pulseira electrónica. Argumenta ainda que “nunca o arguido utilizou … qualquer instrumento (de natureza contundente ou outra) ou arma de qualquer espécie, embora a tenha ameaçado de morte quando tinha na sua posse um objecto não identificado, com a aparência de arma de fogo”.


Não, isto não é uma aberração jurídica, como muitas a que nos vamos infelizmente habituando. Isto é um monstro a sancionar as monstruosidades que vão crescendo no silêncio das quatro paredes que aterrorizam e matam tantas mulheres em Portugal!


Nada que, ao que parece, incomode muito uma jovem médica ortopedista de Coimbra, que escolheu esta mesma semana para incendiar a opinião pública/publicada com um texto de raro obsoletismo ideológico, e cheio de preconceitos retrógrados, publicado num conhecido jornal “on line”.


Tem o direito de se manifestar contra a corrente, como toda a legitimidade para, se a tanto a ajudassem o engenho e a arte, ridicularizar muitos dos estereótipos do mais folclórico activismo feminista. Mas não foi isso que fez. Limitou-se a confirmar que é mais fácil romper tímpanos, a murro, que preconceitos, por maior que seja o nível instrução, e mais acentuada que seja a clivagem geracional. E limitou-se mesmo a seguir, jovem e esbelta, de braço dado com um velho e caquéctico juiz, pelo rumo mais obscuro da civilização.    


 


*A minha crónica de hoje na Cister FM

Making America great

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Afinal a cimeira de Hanói não acabou no esperado tremendo sucesso. Talvez não desse jeito que parecesse assim tão fácil... Afinal, nunca uma cimeira falhada terminou com tantos elogios entre as partes!


Nada que nada tivesse a ver com o que se passava em Washington, com o ex-advogado de Trump, Michael Cohen, desiludido e desfeito (A minha lealdade a Donald Trump custou-me tudo: a felicidade da minha família, a minha licença de advogado, a minha empresa, o meu sustento, a minha reputação e a minha liberdade") a acusá-lo na Câmara de Representantes de "racista, vigarista e trapaceiro"... 


 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Pensamentos

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"Os pobres fizeram-se para a gente os transformar em classe média" - a frase é de Alexandre Soares dos Santos, mais uma, numa entrevista ao Observador.


Na lógica "produtiva" do senhor do Pingo Doce os pobres são a matéria-prima que o sistema transforma em classe média. Nada mais nobre: uma indústria social que pega em pobres e faz deles gente bem na vida. 


Desconfio bem que o Sr Soares dos Santos vai ficar mais famoso pelo seu pensamento que pela sua fortuna...

Enfeitiçado


EPA


 


Trump volta hoje a encontrar-se com Kom Jong-un, desta feita em Hanói. É o segundo encontro desta súbita e estranha amizade, numa cimeira que serve apenas para alimentar a bizarra obsessão de Trump pelo prémio Nobel da Paz.


Depois de entregar ao primeiro-ministro japonês a responsabilidade de lançar tão absurda candidatura, Trump aposta as fichas todas na Coreia do Norte para lhe dar corpo. Daí que tenha começado por dizer, ainda na América, que, se os americanos o não tivessem elegido, os Estado Unidos estariam neste momento envolvidos numa guerra devastadora com os norte-coreanos. Ou que a Coreia do Norte tem neste momento um futuro brilhante à sua frente. E que, no fim desta cimeira vietnamita venha, como não poderá deixar de ser, declarar o seu tremendo sucesso.  


Poderia dizer-se que destas brincadeiras não vem grande mal ao mundo - fosse isto o que de pior Trump tem para dar ao mundo - não tivéssemos todos já percebido que nesta relação de amor é Trump o enfeitiçado. E se Trump é perigoso, enfeitiçado pode ser mais perigoso. E mais imprevisível!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Hoje no menu havia tiki-taka

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Em véspera do jogo de (quase) todas as decisões o Benfica voltou a mostrar o seu grande futebol, com os jogadores a dizerem aos adeptos: "keep calm", nós estamos cá!


O jogo até nem começou lá muito bem, foram até do Chaves o primeiro remate e, logo depois, a primeira oportunidade de golo. Não passaram no entanto de meros incidentes de jogo, logo se percebeu que o Chaves pretendia apenas manter-se fechado lá atrás, com duas linhas de cinco jogadores muito juntas, sem espaço para lá entrar quem quer que fosse.


Como este Benfica transforma cada ameaça numa oportunidade - as ausências de André Almeida e Ferro foram simplesmente oportunidades para duas boas exibições de Corchia e Samaris, a central - este posicionamento da equipa flaviense foi a oportunidade para mostrar o tiki-taka que ainda não tinha apresentado. E sufocou o adversário, retirando-lhe todo o ar que precisava para respirar. 


O primeiro golo, aos 18 minutos por Rafa, então o rematador-mor da equipa, nasceu disso mesmo, desse sufoco. Que não fez o Chaves alterar a estratégia que trouxera para a Luz, pelo que o Benfica continuou com o seu tiki-taka, com momentos de grande brilhantismo. Só com o segundo, aos 37 minutos, por João Félix, o Chaves abandonou o sistema das duas linhas defensivas encostadas, permitindo ao Benfica passar ao segundo acto, então com o jogo mais esticado, onde Gabriel (o melhor em campo e de luto, no dia da morte da avó) é um solista emérito. Não rendeu mais que um golo, este segundo acto. Por Seferovic, a ilustrar bem a qualidade deste seu futebol mais vertical.


Com 3-0, em nove oportunidades claras, pela Luz passou a lembrança do que se passou com o Nacional, há quinze dias. Mas na segunda parte as coisas acabaram por correr de forma algo diferente. Até porque o desperdício de três ou quatro grandes oportunidades logo no arranque, e mesmo a arbitragem de Manuel Mota, sempre na linha do costume, prolongaram o resultado da primeira parte até próximo do fim do jogo. E isso, e provavelmente já com o próximo jogo na cabeça dos jogadores, levou-os a abrandar o ritmo. E nalguns momentos alguma concentração, mesmo que nunca abaixo do níveis de compromisso que são a marca desta equipa.


Foi então oportunidade de matar um pouco "da fome de bola de Jonas" - a tempo de ver mais um amarelo das mãos de Manuel Mota, e de fechar o marcador nos 4-0, já em cima do minuto 90 - e de estrear mais um puto maravilha: Jota, pois claro!


E agora ... vamos esperar tranquilamente pelo Dragão. E pelo que, até lá, de lá certamente virá!

La Fontaine, a propósito de Pedro Santana Lopes

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Santana Lopes tem-se na conta de pop star da direita portuguesa a quem os deuses da fama nunca regateiam os holofotes e os grandes planos. A vaidade que o leva a esse auto-convencimento faz lembrar a fábula da rã, com uma pequena e decisiva diferença: é que rodeia-se de gente que, ao contrário das rãs, lhe responde sempre que sim... Por isso ainda não rebentou. E, mesmo que sempre aos trambolhões, lá se vai aguentando por aí... É esta a sua história.


Desta vez, insuflado pela cobertura mediática do primeiro congresso do partido que criou só para si, vem propor uma coligação com o partido que acabou de abandonar... Num mundo com a decência moral do de La Fontaine, desta vez rebentaria mesmo!


 


 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A fotografia*

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Hoje vou fazer qualquer coisa verdadeiramente inédita, que não tenha passado pela cabeça de ninguém. Vou mostrar uma fotografia na rádio. Não tenho a certeza que o vá conseguir, mas vou tentar.


Vou, pelo menos, falar dela. De uma fotografia que, sendo das mais reproduzidas – ou partilhadas, como se diz agora – da História, voltou esta semana à ribalta a que de vez em quando regressa. Desta vez pelas piores razões, o que apenas confirma o seu estrelato no mundo fotográfico. Mesmo nas piores razões, encontra sempre motivo para brilhar.


A má razão é a morte. A morte de um senhor chamado George Mendonsa, por acaso, ou talvez não - adivinhava-se ali qualquer coisa - de origem portuguesa. Um luso-descendente. Que, em 1945, jovem marinheiro ao serviço das forças militares americanas no Pacífico mas de folga em Nova Iorque, a passear em Times Square, ao ouvir a notícia do fim da guerra se atirou a uma enfermeira que passava e lhe “arrefinfou” – para quem não pode mostrar a fotografia esta terminologia informal será mesmo a mais adequada – um daqueles beijos de cortar a respiração.


Um foto-jornalista estava ali à mão, não perdeu “o boneco”, e dali saiu uma fotografia que fez História. Esta fotografia que aqui vos mostro, que ganhou fama e deixou famosos a enfermeira, o marinheiro e fotógrafo. Que, no fim de contas, terá sido quem mais saiu a ganhar, mesmo que só a fotografia tenha tido honras de estátua (na foto). Em Sarasota, na Florida.


Nunca, ao longo destes 73 anos, a fotografia levantou qualquer polémica. Dela ficavam a espontaneidade, a euforia, e a oportunidade, mas também o amor e a paz… Ele dissera que tinha bebido uns copos, e que aquilo foi instintivo. Ela, que ele a agarrou e que aquilo não fora um beijo, fora uma forma de dizer que “graças a Deus a guerra acabou”…


Hoje, 73 anos depois, ninguém já vê isso na fotografia. Garanto-vos que a fotografia é a mesma, mesmo que isto seja a rádio, e que eu a não possa mostrar aqui… Como não posso também mostrar as bonitas pernas da estátua grafitadas de vermelho com a inscrição "Me Too".


 



 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

A eficácia conta

Liga Europa: Benfica-Galatasaray, 0-0 (crónica)


 


O Benfica (dos meninos) apurou-se para os oitavos de final da Liga Europa ao empatar, sem golos, com o Galatasaray no jogo da segunda mão, esta noite na Luz, naquela que terá sido a menos conseguida exibição desta era Bruno Lage. 


A qualidade daquele futebol exuberante que tem patenteado apenas apareceu a espaços neste jogo. Não foi, nem perto disso, tão constante quanto tem vindo a ser. Pode haver outras justificações, pode até colocar-se a hipótese de a equipa estar, individual e colectivamente, a sair do topo da curva de forma que vinha apresentando - estas coisas são sempre representadas por uma curva - mas há duas atenuantes: a própria competição, e a forma como se decide, por um lado e, por outro, a quebra abrupta na eficácia de finalização.


O resultado muito favorável da primeira mão, numa competição a eliminar, condiciona sempre a atitude estratégia de qualquer equipa. Isso foi decisivo na abordagem do jogo, e pode ter tido suficiente influência nas intermitências da qualidade exibicional. Da mesma forma que, se tem tido um coeficente mínimo de aproveitamento na meia dúzia de oportunidades de golo que, mesmo assim, criou, a confiança aumentaria e a equipa ficaria menos exposta à possibilidade de falhar nalgumas decisões, e particularmente no passe. E provavelmente não estaríamos a falar de um jogo menos conseguido, mas num jogo na linha dos anteriores.


Porque, em Istambul, há uma semana, como hoje, em Lisboa, o Benfica foi sempre superior ao adversário que é uma equipa de Champions, e não uma das mais fracas das que estavam nesta competição. Às seis oportunidades claras de golo que o Benfica construiu, o Galatasaray respondeu com uma, duas no máximo. Incluindo aquela, aos 85 minutos, que o árbitro anulou, ao assinalar fora de jogo no remate defendido por Odysseas, antes da recarga que levaria a bola para o fundo da baliza. Numa decisão muito contestada por Fatih Terim que, de resto, não fez outra coisa aolongo de todo o jogo. Só não constestou nos dois penaltis por assinalar a favor do Benfica. Nem nas vezes que o árbitro romeno perduou o segundo amarelo ao Marcão. Nem nas vezes que os seus jogadores cobravam os livres largos metros à frente do local da falta assinalada ...


Enfim ... turcos. Tão parecidos com os portugueses...

Olhar para dentro

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Inicia-se hoje no Vaticano, às ordens do Papa Francisco, uma cimeira que colocará a Igreja a olhar para si própria à luz dos abusos sexuais, e em especial daqueles em que se tem visto envolvida. 


Hoje, com os olhos no Vaticano, o mundo espreita para dentro da Igreja, à espera de lá ver mais alguma coisa mais que as muitas coisas feias que lá tem visto.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Palhaçadas

"Por aqui há um palhaço". Maduro pede eleições a Guaidó


 


 


"Por aqui há um palhaço que diz ser Presidente interino. A primeira coisa que deve fazer um Presidente interino é convocar eleições. Porque não convoca eleições, para o derrotar já com os votos do povo"?


"Por aqui há um palhaço"... Havia alguém que não tivesse notado?

E vem-nos à memória...

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(Imagem daqui)


 


Está a decorrer no Tribunal de Leiria a fase de instrução do processo dos incêndios de Pedrogão Grande, em Junho de 2017, com treze os arguidos, entre os quais os presidentes, então em funções, dos três municípios abrangidos: Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. 


Na última sessão, um então administrador (José Revès, assim se chama) da empresa (Ascendi Pinhal Interior) concessionária da manutenção da "estrada da morte", explicou ao juiz de instrução  que "aquando da intervenção da troika no nosso país houve uma renegociação do contrato de concessão com o Estado, em Maio de 2013, o que obrigou a diminuir os serviços. Por isso, a faixa de gestão de combustível passou para exclusivamente três metros".


Puxamos um bocadinho pela memória e lembramo-nos todos das apregoadas renegociações das PPP rodoviárias do governo de Passos Coelho. E dos anunciados ganhos para o Estado que se festejaram. Mas já não precisamos de puxar tanto pela memória para nos lembramos das responsabilidades de António Costa, e de todos os seus ministros, nas trágicas mortes naquela estrada...


Pois é ... e o Estado falhou.


E vem-nos à memória, não uma frase batida, como canta o Sérgio, mas o que se está a passar na Saúde...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Isto é História

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É uma das fotografias mais reproduzidas da História, esta captada pela lente do foto-jornalista Alfred Eisenstaedt para a revista Life, em 1945. E retrata um dos beijos mais icónicos, mesmo o mais famoso dos beijos -se Hollywood der licença -, a assinalar o fim de II Guerra Mundial.


Está hoje no topo da actualidade pela notícia da morte do marinheiro que deixou famoso. Chamava-se George Mendonsa, e era luso-descendente. Mas também o poderia estar pela simples razão que, hoje, nunca teria deixado ninguém famoso.


A guerra tinha acabado. E - contou ele - chegado a Times Square, viu uma enfermeira. E, como tinha bebido um bocado... Foi instintivo... "De repente, um marinheiro agarrou-me"- contaria ela. Porque ela estava vestida de enfermeira, a quem ele estaria agradecido - justificou. Não foi um beijo, foi uma forma de dizer que  'Graças a Deus a guerra terminou'", contou Greta Zimmer Friedman, que morreu há pouco mais de dois anos...


A História é isto. E isto é História!


 





Talhar o sistema eleitoral

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Agora, aqui ao lado, fala-se da importância dos sistemas eleitorais nos regimes. E de como os regimes os talham à sua medida...


 


 


 


 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Assim, até o impossível deixa de o ser!


(Foto de A Bola)


 


Mais um passo nesta caminhada imaculada que o Benfica iniciou ainda não há mês e meio, com mais uma exibição de excelência, esta noite na Vila das Aves.


Na linha do que vem acontecendo, o Benfica entrou muito forte e marcou cedo. Desta vez, logo aos três minutos, numa fantástica execução de Seferovic. Num jogo que se advinhava de elevado grau de dificuldade, bem percebida por Bruno Lage, como tinha dado a entender nas opções para a deslocação à Turquia, contra um adversário moralizado pela sequência de resultados depois da substituição de José Mota por Augusto Inácio, que joga muito fechado, num campo já de si mais pequeno, marcar cedo poderia ser decisivo. 


Durante o quarto de hora seguinte o Benfica continuou a mandar no jogo, e a criar mais uma ou outra oportunidade. Depois, o detentor da Taça de Portugal, começou a discutir mais o jogo no meio campo, a ganhar alguns duelos e a maioira das bolas divididas, e a conseguir soltar os seus dois jogadores mais avançados, sempre muito rápidos, fisicamente fortes e ... com muita matreirice.


Foram 10 a 15 minutos de jogo dividido. Aos 36, Rafa, em mais uma execução fabulosa, faz um golo extraordinário e o Benfica voltou a controlar e a comandar o jogo. Na entrada para a segunda parte o domínio passou a ser avassalador, com o terceiro golo a fugir por três vezes, em menos de 10 minutos. Acabaria por surgir ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora, numa inteligente execução do miúdo Francisco Ferro, a fechar as portas ao resultado quando pareciam abertas as de mais uma goleada. Que só fugiu porque, cinco minutos depois, o autor do terceiro golo viu um justificada expulsão interromper-lhe mais uma exibição de grande categoria.


Com menos um jogador, e com meia hora para jogar, previam-se então as esperadas mas nunca confirmadas dificuldades do Benfica. Acabaram por nem assim chegar, a equipa adaptou-se à nova realidade (Samaris recuou para central), e acabaram ainda assim por lhe pertencer as melhores oportunidades para voltar a marcar. 


Não ha dúvidas. Nesta altura a equipa não tem medos. E os adeptos também não, mesmo que saibamos, ou tenhamos de saber, que não é possível ganhar sempre. Não há equipas que ganhem sempre. Um dia isso não irá acontecer. Esperemos é que não seja tão depressa, e que este futebol de sonho se possa prolongar pelos próximos meses. Porque, a jogar assim, até o impossível pode acontecer!

Notícias de um fim-de-semana sem notícias

Criando botão estilo interruptor com CSS3


(Foto daqui)


 


Quando logo pela manhã, bem cedinho, dei uma vista de olhos pelos jornais fiquei com a ideia que este foi um fim-de-semana em que, sem que tivesse acontecido grande coisa, muita coisa aconteceu. 


Admito que esta ideia construída assim tão à pressa tenha a ver com a forma como gastei o tempo num fim-de-semana bem generoso, que me abandonou aos pequenos prazeres da vida. E, naturalmente como condição indispensável, com os botões todos no "off". E como nem o Benfica jogava...


Às vezes estamos de tal modo formatados para esponja que, sempre que ostensivamente viramos as costas à actualidade, acabamos capturados num certo complexo de culpa. Depois de "hoje não quero saber de nada do que se está a passar" vamos querer saber tudo o que se passou e parece-nos que não perdemos grande coisa. Mas ficamos desconfiados...


É certamente por isso, por ter ficado desconfiado, que no fim desse passar dos olhos pelos jornais fiquei com essa ideia.


O fim-de-semana começara com o anúncio du uma moção de censura. A apresentação de uma moção de censura ao governo é sempre um acontecimento político relevante, como não pode deixar de ser. A não ser que seja apresentada por Assunção Cristas...


Trata-se de mais uma entrada maldosa de Cristas às penas de Rio. Que nem se queixou, entretido que estava lá com o seu CEN (Conselho Estratégico Nacional), novidade e inovação. E que, tanto quanto deu para me aperceber, correu bem. Pelo menos as hostes vinham animadas, e com o segredo bem guardado de uma certa fezada. Até já dizem que agora é que é!


A remodelação do governo também nunca pode deixar de ser um acontecimento. A não ser que que não toque em nada do que está sob os holofotes da crítica e da contestação... Um remodelação só para substituir ministros premiados nas listas das europeias, é meio pífia.


Pois é. Aconteceu muita coisa. Mas não aconteceu grande coisa... Diz-se que a popularidade de António Costa está nos mínimos da legislatura, e a maioria absoluta há muito que deixou de passar nos sonhos do primeiro-ministro. Que o PSD está a subir nas sondagens. E que, na Aliança de Santana Lopes, há um vice com uns problemas que vêm dos tempos em que foi presidente da Câmara da Covilhã. Que também nunca foi uma Câmara fácil, como nos lembramos...

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Segredinhos de Estado

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Se, como diz o povo, que é sempre quem mais sabe destas coisas, o segredo é a alma do negócio, como o negócio é a alma da nossa relação com o Estado, o segredo é a alma da relação entre o Estado e os cidadãos.


Uma relação assim tem tudo para não dar certo. Sabemos bem que a relação perfeita é aquela onde não há segredos. Sempre que queremos demonstrar a solidez de uma relação, seja em que domínio for, não encontramos melhor forma de a expressar que dizer “entre nós não há segredos”.


Tretas. Sabemos que não dizemos isso porque seja rigorosamente verdade. Quando dizemos isso da nossa relação com os nossos filhos, que é excelente porque entre nós não há segredos, sabemos bem que não é assim. Sabemos que nos escondem em segredo tudo o que entendem que não temos nada que saber. Como não é bem assim com a/o nossa/o companheira/o, onde há sempre muita coisa que o melhor, mesmo, é que o outro não saiba. E muito menos com os nossos amigos, se prezarmos os mínimos da prudência. Já a minha avó me dizia em pequenino: “não contes o teu segredo a ninguém, se tens um amigo, o teu amigo, amigos tem”… 


Na verdade, quando dizemos que “entre nós não há segredos” não estamos a revelar uma relação perfeita mas, apenas, a puxar do sentido de Estado que há em cada um de nós para a credibilizar. Mais nada!


Com o Estado as coisas não funcionam assim. Já aqui vimos que o Estado e os cidadãos fazem da sua relação um jogo de gato e do rato. Cada um só pensa na maneira mais rápida e mais ágil de enganar o outro e, quando assim é, vale tudo. Ou pelo menos o segredo vale muito!


Talvez seja por isso que, achando o segredo um direito inalienável, valorizemos tanto o(s) segredo(s) de(o) Estado.


Repare-se:


- “Isso não posso revelar, é segredo de Estado”!


- “Pronto, não se fala mais disso”…


Mas se fôr:


- “Isso não posso revelar, a Maria pediu-me segredo”


- “Vá lá, deixa-te disso, conta lá”…


Se algum dos nossos amigos argumenta com o segredo, já sabe que … está feito. Não se safa dali sem se desbocar completamente. Já o homem (que me desculpem as mulheres, mas…) de Estado, quanto mais segredos invocar, mas estadista fica. Quanto mais explorar a sua condição de dono do segredo, mais pose de Estado adquire e mais sentido de Estado exala!


 


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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Tema da semana*

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O anúncio da intenção dos principais grupos privados do negócio da saúde romperem os acordos estabelecidos com a ADSE ocupa esta semana o topo da actualidade.


O assunto prestou-se – e presta-se - às mais diversas discussões à volta dos mais diversos temas. Cabem lá quase todos… Mas vou focar-me num pequeno ponto.


É sintomático que, a meio da discussão que esta semana tomou conta do espaço mediático, se tenha ficado a saber que, no regime convencionado, ADSE paga um preço pelas consultas muito abaixo do valor de mercado. A ADSE tem dois regimes de consultas: o convencionado, ou seja as consultas dentro da rede de clínicos contratados, que paga directamente ao prestador do serviço; e o livre, onde o beneficiário escolhe o médico, paga a consulta, e é depois parcialmente reembolsado do valor que a ADSE pagaria se dentro da rede. Pouco, o tal preço que o bastonário da Ordem do Médicos classificou de escandaloso. E que o Professor Manuel Antunes, o conhecido e consagrado cirurgião, num programa televisivo revelou ser de 11 euros por hora de consulta. 


Sejamos claros. Não pode haver outra a leitura: os grupos privados apenas aceitaram preços tão “escandalosamente” baixos, como dizem, por terem dado por garantido que facilmente compensariam nos restantes serviços, de mais difícil escrutínio, e provavelmente com grande vantagem, os baixos preços desses actos médicos.


É aquela expressão bem enraizada no espírito português: “uma mão lava a outra…” Só que, neste caso, “as duas não lavam o rosto”…


É isto! Como um pequeno detalhe diz tudo sobre a forma como o Estado tem cuidado das PPP´s. De todas!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Miúdos com chama imensa

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O Benfica, este Benfica de Bruno Lage e dos miúdos, foi a Istambul buscar a primeira vitória em solo turco. Mas, mais do que isso, foi ao terreno do Galatasaray resgatar o prestígio perdido, e confirmar que nada do que se está a passar é fruto do acaso. 


Bruno Lage optou por deixar em Lisboa três jogadores nucleares da equipa: Grimaldo e Pizzi por óbvia sobrecarga de jogos, e Jonas porque a sua condição física tem que ser gerida com pinças. Já em Istambul optou ainda por poupar André Almeida, que tem participado em todos os jogos ao longo da época,  Rafa, que vem de uma lesão e que deve implicar cuidados, e Gabriel, sem tanta carga de jogos acumulada, mas em todos os últimos jogos desta nova era. 


No total, seis jogadores sairam da equipa, que apresentou outros tantos, seis, nada menos, miúdos do Seixal. Tudo isto no chamado inferno de Istambul, e perante um adversário recheado de jogadores de grande experiência e com nome no futebol mundial. É obra!


Bruno Lage conhece-os, sabe do que valem. E sabe que não o deixam ficar mal. E não deixaram. Os miúdos foram soberbos. Rúben Dias (já capitão), Ferro, Florentino, Gedson e João Félix jogaram como grandes craques, jogadores feitos. Yuri Ribeiro, o sexto, não atingiu esse patamar, mas não comprometeu. longe disso.


Entraram no jogo sabendo bem o que tinham a fazer, naquele ambiente meio fantástico, meio louco. Sem medo, e com a lição na ponta da língua. E tomaram conta do jogo, passando por cima do decisivo primeiro quarto de hora sempre por cima do jogo. Depois a equipa turca equilibrou e passou até por uma fase de alguma ascendência, definitivamente encerrada com o primeio golo do Benfica, num penalti convertido por Salvio, ia o jogo apenas no minuto 25. 


A partir daí, o Benfica controlou sempre o jogo, nunca tendo passado pelo sofrimento que praticamente todas as equipas passam naquele estádio. Iniciou a segunda parte a jogar o futebol de qualidade que tem apresentado, e foi contra a chamada corrente do jogo que, bem cedo, sofreu o golo do empate, mal sofrido, no seguimento de um lançamento lateral.


Nem mesmo chegando ao empate bem cedo, logo aos 10 minutos da segunda parte, e com o inigualável apoio do seu público, o Galatasaray conseguiu empurrar o Benfica para a sua área e limitar-lhe o alcance da sua qualidade de jogo. É certo que o Odysseas salvou o golo do empate, ao minuto 90, com uma defesa espectacular, mas o Benfica, antes e depois do golo da vitória, numa excelente finalização de Seferovic, criou sempre mais oportunidades. 


E, quando se esperava o assalto final da equipa turca, foi o Benfica a manter a bola e a fazê-la rodar pelos seus jogadores.


Não foi, nem com tantas alterações na equipa poderia ter sido, uma exibição fantástica, ao nível da elevada fasquia a que estamos habituados. Mas foi suficente para se superiorizar a um adversário que não é nenhuma pêra doce.


E suficiente para manter bem viva a chama imensa!

ADSE - ameaças e oportunidades

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Vivem-se dias agitados na Saúde. O Serviço Nacional de Saúde paga agora a factura de anos e anos de desinvestimento, e as greves dos enfermeiros, cirúrgicos e cirúrgicas, deixaram-no em pé de guerra. De guerra é também a imagem das urgências hospitalares, de há bastante tempo a esta parte. Entramos numa urgência de um hospital e ficamos com a ideia que estamos a viver uma catástrofe, com um afluxo de emergência próprio de uma guerra e de uma calamidade nacional semelhante.


Na própria greve dos enfermeiros há quem veja mão de outros interesses, que não os meramente corporativos desta classe profissional, particularmente suscitados pela forma inovadora com tem vindo a ser financiada, mas também pela emergência de sindicatos que desafiam o enquadramento orgânico convencional.


É neste quadro, por acaso ou talvez não, que o anúncio da rotura dos principais grupos privados do negócio da saúde com a ADSE surge, esta semana, no topo da actualidade.


Não será certamente por acaso que, começando por esconder que em causa estava a exigência da devolução de 38 milhões de euros recebidos em excesso em 2015 e 2016, os principais grupos privados de Saúde, uns atrás dos outros, concertadamente, como num cartel, vieram anunciar a intenção de romper com o subsistema de saúde criado para os funcionários públicos, numa posição a que dificilmente deixamos de poder chamar chantagem.


A ADSE foi a primeira alavanca das PPP´s da saúde, com todas as suas vicissitudes, com o melhor e o pior que estas parcerias comportam. No pior está, nestas como noutras PPP´s, a forma como o Estado descura o rigor no seu controlo e, consequentemente, os seus interesses, que são afinal os de nós todos.  


Criada em 1963, a ADSE passou de integralmente financiada pelo Estado a integralmente financiada pelos beneficiários, como qualquer seguro de saúde, através do pagamento de um prémio que começou em 0,5% do vencimento dos funcionários no activo (com os reformados isentos) em 1979, fixando-se em 1% logo no ano seguinte por quase 30 anos. Em 2007 passou para 1,5% e os reformados passaram a contribuir com 1% do valor da pensão, para na governação de Passos Coelho passar para 2,5% até se fixar, em 2014, nos actuais 3,5% e sair da esfera do Orçamento do Estado. Só em 2017, contudo, se estruturou e atingiu um estatuto autónomo, com a passagem a Instituto Público que lhe garantiu recursos para passar a exercer o controlo a que os prestadores de serviços não estavam habituados.


É sintomático que, no meio da discussão que esta semana tomou conta do espaço mediático, se tenha ficado a saber que, no regime convencionado, ADSE paga um preço pelas consultas muito abaixo do valor de mercado. É que – e não pode ser outra a leitura – os hospitais privados aceitaram esses preços pela simples razão de darem por garantido que facilmente compensariam nos restantes serviços, de mais difícil escrutínio, e provavelmente com grande vantagem, os baixos preços desses actos médicos.


Porque não há volta a dar, e toda a gente sabe que o sector privado da Saúde ainda – saliento, ainda – não pode dispensar o negócio da ADSE, da mesma forma que, no actual estado das coisas, o país não pode dispensar o funcionamento da parceria, as partes estão condenadas a entenderem-se. Seria bom que aproveitassem para o fazer com a máxima transparência e sem deixar esqueletos nos armários...


O povo diz que "há males que vêm por bem". Os gurus da gestão chama-lhe "transformar ameaças em oportunidades". Chamem-lhe o que quiserem, mas "ponham isso no são". Se forem capazes...


 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A ponta por onde se pega

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Pegar nas coisas pela ponta que lhe dá mais jeito, nem sempre quer dizer  que se lhe pegue pela que está mais à mão. Às vezes obriga mesmo a dar-lhe uma grande volta.


A notícia do anúncio do abandono de 25 militantes do Bloco de Esquerda, entre os quais, ao que se diz, dois irmãos de Francisco Louçã, presta-se a um exemplo disso mesmo, como se viu numa certa imprensa e nuns certos blogues que, para abrir os braços ao que lhe dá mais jeito, não se importam nada de voltar as costas ao que está mais à mão.


Pelo que é dado a conhecer na noticiada carta enviada à Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, os signatários manifestam acima, e antes de tudo, a sua oposição ao processo de institucionalização do partido. Os militantes demissionários acusam o partido de aburguesamento, de abandono do radicalismo e de cedência às regras do jogo da formalidade democrática. De conformismo e de conformidade. De já não falar da renegociação da dívida, e até de estar do "lado errado do combate anti-racista". Saem porque "pouco resta do projecto original do BE de ser uma força alternativa à sociedade existente" e porque pretendem contribuir para uma "clarificação política entre uma esquerda com um projeto radical para a sociedade e outra paliativa em que o resultado da sua ação é a integração no sistema que deveria combater". 


Ou seja, estes 25 militantes anunciam o abandono por entenderem que o partido já não é o partido radical, de extrema esquerda, do lado fora do quadro institucional da democracia representativa. Saem a atestar justamente o contrário do que o mainstreaming apregoava.


Não lhes ficaria tão mal - a esses jornais e a esses blogues - se, por exemplo, dissessem que são muito maus, maus de mais, mas nem assim conseguem ser tão maus como todos eles gostariam. Percebia-se, e ninguém os acusaria de hipocrisia. Mas não, o que fizeram foi ignorar que a "debandada", como até chegaram a chamar à saída de 25 militantes, tinha a ver com o abandono do radicalismo e do extremismo, que antes condenavam, para salientar o "taticismo" e "o apoio a um governo que perpetua a austeridade", que agora lhes dá jeito!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Definitivamente encharcado

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Carlos Costa tem passado estes quase 10 anos que leva de governador do Banco de Portugal a, andando à chuva, tentar evitar molhar-se. Umas vezes tentando passar entre os pingos, outros bem debaixo do chapéu de chuva que sempre lhe têm estendido.


Parece que já não dá para mais, e o homem está todo encharcado. Percebe-se por que foi tão difícil dar a conhecer o Relatório da Auditoria da Ernst & Young à Caixa...


Até aqui sabia-se que Carlos Costa tinha tomado no Banco de Portugal decisões muito discutíveis, pelas quais pagamos já cerca de 15 mil milhões de euros. E que, reconduzido por Passos Coelho nas vésperas das últimas eleições, não teve a elegância - para não lhe chamar seriedade - de se demitir quando delas saiu um novo governo.


Agora sabe-se que é apenas mais um dessa espécie de seres pouco recomendáveis que nunca viram, nunca ouviram, nunca sabem e nunca se lembram... de nada. Sabe-se que era administrador da Caixa nesses anos loucos em que milhões corriam desenfreadamente por baixo do seu nariz. E sabe-se que, mesmo que não se lembre, participou na reunião do Conselho Alargado de Crédito que aprovou os empréstimos a  Manuel Fino. E na que aprovou o crédito à Vale do Lobo, que inclusivamente consta da Operação Marquês. E sabe-se que quando esteve com Jardim Gonçalves na administração do BCP as coisas também não correram bem, não tendo mesmo então escapado a multas do Banco de Portugal por comportamentos inadequados.


Mas sabe-se mais. Sabe-se que, ao pedir escusa na participação nas avaliações do Banco de Portugal dos factos revelados no Relatório de Auditoria, Carlos Costa está a revelar que não tem condições para exercer as mais básicas das suas funções do governador porque está contaminado. Limitando-se a pedir escusa, contamina também resto da sua equipa, cortando-lhe evidentemente a liberdade e independência.


Se isto não põe em causa a idoneidade de Carlos Costa, e não configura condição necessária e suficiente para a sua remoção do cargo, é porque as coisas são sempre ainda mais graves do que a percepção que delas temos.

Orçamento (mol)Estado

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Molestar o orçamento?


Mas quem é que anda  a fazer mal ao orçamento?


Não é bem isso... Está aqui ao lado.


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Dez (de) Chalana(s)

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Não se adivinhava fácil este jogo de hoje na Luz, engalanada para comemorar o 60º aniversário do nosso mágico, o inesquecível Chalana, a passar mais uma vez por momentos difíceis. Como tanto lhe tem acontecido…


Pelo adversário, o inconstante Nacional de Costinha, capaz do melhor – pôs Alvalade em sentido quando o Sporting respirava os melhores ares do arranque de Keizer, e assustou o Dragão, apesar de tudo - e do pior, reflectido na defesa mais batida da competição, o que leva sempre a desconfiar, mas por si próprio. Pela euforia que indesmentivelmente se sente nos adeptos à volta da equipa e porque, se até agora o desafio era não perder terreno para a frente, agora era o da aproximação decisiva, do penúltimo ataque ao primeiro lugar da Liga, há muito dado por irreversivelmente utópico.


Depois de irrepreensivelmente cumpridos os desafios do início da segunda volta, os tais testes dados por inultrapassáveis por Bruno Lage, este era mais um desafio, mas agora à maturidade competitiva da equipa. Vencida a batalha exibicional, agora era a batalha da consistência competitiva, o velho chavão do estofo, introduzido no léxico da bola há umas décadas pelo mentor da guerra norte/sul. No futebol, e não só…


Pode parecer despropositado começar com esta introdução para escrever sobre um jogo que acabou em 10-0, um resultado invulgar, verdadeiramente excepcional. Histórico!


Não me parece. A envolvência era aquela, e os desafios estavam lá, e eram aqueles. E a resposta foi esta, a confirmar o estofo desta equipa que está a praticar um futebol de sonho. Perfeita, com uma exibição de luxo, coroada com 10 golos. Dez. Do número da gloriosa camisola de Fernando Chalana!


Um resultado de 10-0 não se explica. Saboreia-se. Desfruta-se, responsavelmente. E com humildade. E com respeito, muito respeito pelo adversário. Como o Benfica fez, como fizeram os jogadores e o treinador. A exibição sim, essa explica-se. E explica-se pelo que o Benfica tem vindo a fazer, pelo extraordinário crescimento da qualidade de jogo em apenas um mês. Pela qualidade de jogadores fantásticos que, há um mês, não passavam de jogadores banais, perdidos em campo sem saber o que fazer, incapazes de correr, ou sequer de saber para onde correr. Se pudessem...


Poderá dizer-se que um golo na bola de saída, aos trinta e poucos segundos, ajuda. Sem dúvida nenhuma que é melhor começar o jogo a ganhar que a perder. Mas todos nos lembramos que, há muito pouco tempo, também o Benfica entrou a ganhar no jogo com o Moreirense, na Luz. E do que se seguiu…


O golo no pontapé de saída, que começou a ser construído a partir da defesa, não foi um incidente do jogo. Foi a afirmação da qualidade do jogo que está implementada, da vontade da equipa em iniciar o seu trabalho logo ao primeiro segundo, e da consciência do que estava em jogo, conforme aquela introdução inicial, não tão despropositada quanto poderia parecer.


A partir daí tudo foi fácil. Fácil e muito bonito, porque são as coisas fáceis que fazem o futebol bonito. Ora em jogadas envolventes, com requintes técnicos de arregalar, pela direita, pela esquerda ou pelo centro; ora em passes a rasgar a estrutura defensiva adversária a solicitar desmarcações de laboratório; ora em lances de bola parada, que agora dão golo, ou muito perto disso. Sempre assim, 90 minutos assim…As oportunidades de golo sucederam-se a um ritmo alucinante. E os golos a metade desse ritmo: Grimaldo, Seferovic (duas vezes), João Félix, Pizzi, Ferro, na estreia a titular, Rúben Dias, Jonas (também por duas vezes), no regresso à equipa, e Rafa…


E aí está, a um ponto do primeiro lugar. Há um mês eram sete!


A reconquista de 2014 começou com onze Eusébios. A de 2019 arrancou com 10 Chalanas… Porque o Odysseas, que até garantiu o zero, não tem o número 1. Se o tivesse, o seu 1, como 0 que garantiu, também dava 10!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Orçamento (t)Estado

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Aqui ao lado ... Não é o Orçamento que é testado aqui ao lado. Mas é do Orçamento do Estado que se fala aqui ao lado.


 


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Explicar o inexplicável

Jornal Económico


 


Hoje ficamos a saber que ao Novo Banco não chegam os 850 milhões de euros que o Orçamento lhe destinava para este ano. Que, para este ano, precisa de mais de mil milhões de euros... Hoje ficamos a conhecer mais uma parcela da factura da "resolução" de Carlos Costa, o inexplicavelmente intocado, e intocável, governador do Banco de Portugal.


E ficamos também a saber que está fora da avaliação de idoneidade que, na sequência do relatório de auditoria agora conhecido, o banco central mandou fazer aos antigos gestores da Caixa Geral de Depósitos. Isto é, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, mandou avaliar a honestidade, a integridade e a credibilidade de todos os administradores do banco público nestes anos da desgraça, à excepção de ... Carlos Costa. Dele próprio, administrador entre 2004 e 2006, exactamente quando foi concedido a Joe Berardo e a Manuel Fino o inadmissível crédito para especularem com o poder no BCP,  que nos custaram, só esses, 161 milhões de euros.


A promiscuidade entre reguladores e regulados é isto. É o principal cancro do regime, e explica muito do que está por explicar!


 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Ironias

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Depois de ter feito chegar o relatório final da auditoria da Ernst & Young à Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo vai hoje ser ouvido na Assembleia da República. E já fez saber que não se pode meter tudo no mesmo saco, nem que é má gente, toda a gente que passou pela Caixa.


É verdade. Nem tudo é má gente, mas tudo é gente dos partidos do arco do governo. Tudo é gente cujo atributo fundamental era o da cor política. Mesmo que, muitas vezes, numa espécie de Tratado de Tordesilhas, a cor contrária à do governo.


O actual presidente da Caixa é do PSD, como se sabe. Acredito - não sei é se acreditamos todos - que a escolha de Paulo Macedo pelo governo do PS não tem nada a ver com essa lógica de partilha partidária. Mas não deixa de ser irónico!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A fasquia estava alta


 


A grande expectativa para este primeiro jogo, na Luz, das meias-finais da Taça, não era tanto se o Benfica repetiria a grande exibição do passado domingo, em Alvalade. Era mesmo se o apelo de Jorge Andrade encontrava eco nos jogadores do Sporting.


Não foi preciso esperar muito. Logo que o árbitro Luís Godinho (mais, do mesmo) apitou para dar início ao jogo tivemos a resposta. As respostas, foram duas, de imediato. Primeiro, Gudelj e, logo a seguir, o regressado e talhado Ilori. À segunda o árbitro puxou do amarelo, parecendo avisado para o que poderia vir a passar-se. 


Pura ilusão. A partir daí, portanto durante todo o jogo, fizeram impunemente as faltas que quiseram sobre o miúdo. E a mão ficou leve para amarelos aos jogadores do Benfica... O ridículo bateu no teto com o amarelo ao João Félix ... por bater com a mão na bola. 


Quanto ao jogo ... Bom... o Benfica tinha deixado a fasquia muito alta. Seria difícil chegar lá perto, e o jogo foi francamente mais repartido. Especialmente na primeira parte. Mais dividido, porque, qualidade, só se viu no jogo do Benfica. Num jogo de qualidade bem inferior ao último, só o Benfica, a espaços, jogou futebol de qualidade. 


Na segunda parte o Benfica jogou muito mais. Chegou cedo ao 2-0, e sobraram oportunidades claríssimas para o terceiro. Esteve pelo menos por três vezes perto do 3-0.


Mas não marcou, e como não marcou, o treinador do Sporting resolveu apostar nos últimos 10 minutos à procura de alguma coisa que lhe abrisse perspectiva de um resultado que lhe deixasse viva a eliminatória. O jogo estava numa fase em que qualquer jogador do Sporting sabia que seria falta sempre que se mandasse para o chão. 


Numa dessas vezes, faltavam 8 minutos para o fim, o Bruno Fernandes protagonizou o único momento de verdadeira qualidade do Sporting em todo o jogo, e fez o golo. Foi uma grande execução, sem dúvida, mas o Svilar foi muito mal batido. Em vez de utilizar a barreira para esconder a baliza, utilizou-a para se esconder. Escondido atrás da barreira, não só deixou todo o lado direito da sua baliza escancarado, como nem viu a bola partir!  


O 2-1 volta a ser um resultado mentiroso. E, tendo em conta que se mantém a disparatada regra de os golos fora valerem a dobrar para efeitos de desempate, não é um grande resultado. Mesmo que já ninguém se lembre dele quando se jogar a segunda mão desta meia-final, será o que vai contar nessa altura.


Ah... E mais uma estreia. Bem vindo Ferro!


 


 

Cobertos de vergonha

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Tinha dois anos, e morreu às mãos do próprio pai, que a estrangulou até ao último suspiro. Tinha dois anos, a Lara...


Os pais estavam divorciados aos mesmos dois anos. E há também dois anos que entrara uma queixa em tribunal por violência doméstica. O processo saiu da PSP com o rótulo de "violência doméstica de risco elevado", ou seja, as autoridades policiais ficaram alarmadas com o conteúdo da queixa, mas, ao recebê-lo, o Ministério Público classificou-o "coacção e ameaça". Classificação que, ao contrário da de violência doméstica, que é crime público (e não admite desistência), carece de queixa. Que Sandra, a mãe de Lara, não apresentou, agora em sede de Ministério Público. Há um ano, em Janeiro do ano passado, o processo foi arquivado por desistência da ofendida.


A Lara morreu no dia em que o Tribunal iria decidir a quem atribuir a sua guarda. Morreu no carro, de onde não chegou a sair quando, depois do fim-de-semana, o pai, em vez de a entregar de volta, degolou a avó.


Morreu porque não teve quem a protegesse. Morreu porque nós falhamos, e lhe faltamos sempre que ela precisou. O pequeno relato acima mostra apenas uma pequena parte das nossas falhas. Mostra o nosso traço cultural de tolerância da violência doméstica, que nos impede de a combater com a prioridade que tem de ter, como imperativo nacional que as estatísticas impõem.


Repare-se como, apenas e também ontem, a propósito daquele despacho do juiz Neto Moura, aqui trazido por diversas vezes, o Conselho Superior da Magistratura condenou pela primeira vez um juiz claramente alinhado com esse traço. E como lhe aplicou uma pena de advertência registada como se de um pena exemplar se tratasse. Votada pela diferença mínima, quando, perante o crime de agressão selvática de uma mulher, pelo marido e pelo amante, com uma moca com pregos, o juiz recorreu a legislação do século XIX e a citações bíblicas para humilhar a vítima e desculpabilizar os criminosos!


 


 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Regionalização (de volta)

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Regresso à descentralização do Estado, depois do enquadramento aqui feito há dias.


É um regresso que se deve ao tema propriamente dito mas, acima de tudo, porque fervilha autenticamente na actualidade política nacional. E, não… Não é porque o país continental, do Minho ao Algarve, está a discutir em Assembleias Municipais as competências que o governo da nação decidiu transferir do centro para a periferia do Estado. É mesmo porque, vinte anos depois, a regionalização está de volta ao centro das preocupações políticas do centrão.


Nunca seria uma boa notícia, porque essa gente que verdadeiramente dispõe do país deveria ter no centro das suas preocupações coisas realmente centrais, para o país e para os cidadãos. Coisa que a regionalização não é, e está longe de ser. É no entanto tão pior quanto se percebe estar a ser cozinhada às escondidas, assim como quem não quer a coisa para, no último momento, nos apresentarem estudos, relatórios, pareceres e afins que demonstrem à evidência que, sem o dividir em regiões autónomas, o país não vai a lado nenhum.


É verdade, a acreditar no que se pôde ler num semanário do fim-de-semana, tudo está a ser preparado até ao mais ínfimo pormenor, no mais escondido dos segredos.


Na Assembleia da República já está criada uma comissão para a descentralização. Chamam-lhe “Comissão Independente para a Descentralização”, mas é constituída gente nomeada pelos partidos, todos conhecidos pelo seu fervor regionalista. Nada melhor para lhe justificar o nome: uma comissão independente constituída por gente escolhida pelos partidos entre os que, nas suas próprias fileiras, mais acerrimamente defendem a bandeira da regionalização! 


A Freitas do Amaral, que há 40 anos anda envolvido em tudo o que é comissão sobre a matéria, e que frequentemente reclama que a regionalização é a única parte não cumprida da Constituição, foi já encomendado um estudo. Independente, já se vê.


Há meses que se sabia que os dois principais partidos do regime se tinham entendido sobre a descentralização. Não se entendiam sobre nada, mas sobre descentralização, sim, tinha sido possível um esforço de convergência. Mas só se sabia isso, que havia entendimento. Não se sabia em quê, o que angustiava muitos dos profissionais do comentário político.


Começa hoje a perceber-se. A mesa de repasto está a ficar demasiado pequena. Adivinham-se mais quatro anos de seca... E o melhor é mesmo que o Estado precise de mais Estado. Não há entendimento que falhe!


 


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Vista da paróquia

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O governo português associou-se aos restantes países europeus, e às instituições europeias, no reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.


Todos os governos que partilharam esta posição a justificam com razões de democracia, de liberdade, etc. Por princípios!


O governo português, não. Justifica-a por conveniência. Por entender ser a que melhor defende os interesses da comunidade luso-venezuelana. É assim ... Nem nas grandes questões da política internacional perdemos a nossa visão paroquial do mundo!

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Que grande Benfica!


 


Seis golos, e mais três anulados, dois penaltis, uma expulsão ... Que grande dérbi veio Cristiano Ronaldo ver a Lisboa!


Sim, um grande jogo, um grande dérbi mas, acima de tudo, um grande Benfica, este que Bruno Lage moldou com as suas próprias mãos, e que hoje chegou a Alvalade para simplesmente não dar qualquer hipótese ao Sporting. Que esteve por várias vezes à beira do KO e acabou por ser sempre salvo por um milagre qualquer. Na parte final da primeira parte quando, completamente grogue, tinha a sorte de estar a perder por apenas 0-2, foi Samaris - Gabriel é que é nome de anjo - o autor do milagre, ao perder uma bola quando não tinha como perder, que deu o golo ao Sporting.


Para trás ficava então um grande espectáculo de futebol com uma exibição de gala dos jogadores do Benfica. Mas apenas dois golos... a contar...


Seferovic abriu o marcador aos onze minutos, mas logo aos quatro, numa grande jogada de Grimaldo, já a bola não tinha entrado porque ... não quis. Onze minutos depois do primeiro, mais um grande golo de João Félix, que o VAR não quis que valesse, descobrindo uma daquelas faltas no início da jogada que só valem se for para penalizar o Benfica. Dois minutos depois, Seferovic apareceu sozinho na cara de Renan, que negou o golo. Dez minutos depois nova grande jogada e golo do miúdo. Nem festejou. Os jogadores do Benfica já nem festejam os golos. Sabem bem que há sempre um VAR pronto a invalidá-los!


Ir para o intervalo com o Sporting ainda dentro do jogo foi o milagre do dérbi. Um banho de futebol, cinco claríssimas ocasiões de golo, três golos de grande categoria, não jogavam com aquele resultado.


Logo na reentrada o Benfica fez o terceiro golo, o primeiro de Rúben Dias no campeonato, e voltou a encostar o Sporting às cordas. Pouco depois Seferovic voltou a marcar. Desta vez um golo que roubou ao Benfica, ao não permitir que fosse João Félix, ali encostado, a fazer o remate. O internacional suíço vinha de fora de jogo, e o miúdo estava em posição legal. Logo a seguir é o ferro que rouba novo golo a Seferovic. E até ao quarto golo, por Pizzi na conversão de uma grande penalidade, por falta do guarda-redes do Sporting sobre ... João Félix, o Benfica nunca tirou o pé do acelerador. E logo no minuto seguinte, sozinho à frente da baliza deserta, inexplicavelmente o miúdo não acertou na baliza. O relógio assinalava o minuto 78, e ficou a ideia que os jogadores do Benfica começaram a deslumbrar-se.


Logo a seguir o Sporting marcou, mas em fora de jogo. E por isso não valeu, e cinco minutos depois o VAR descobriu um penalti do Odysseas sobre ... Bas Dost. Soares Dias expulsou o guarda-redes do Benfica e, na conversão da grande penalidade, o holandês fechou o resultado num mentiroso 4-2.


Uma grande vitória e um grande resultado em Alvalade. Mas nunca, nem nos 3-6 de 1994, a vingança dos 7-1 de há 32 anos, esteve tão perto de se servir fria. Hoje o jogo teve tudo para que o score superasse esse resultado mítico.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

A contar espingardas

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Nas ruas de Caracas contam-se espingardas. Que se fiquem por aí e, contas feitas, resistam à tentação de as usar!


 


 


 

O Estado e o cidadão, ou ... o gato e o rato!

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Regresso ao estafado “o Estado somos nós”. Não é que esteja obcecado com esta frase feita, é mesmo por mau feitio.


Como é que o Estado pode ser nós, ou mesmo nós poderemos ser o Estado, se não há relação mais conflituosa do que aquela que mantemos reciprocamente?


Quando numa relação entre duas partes, cada uma não pensa se não em receber o máximo e dar o mínimo, está tudo dito. Maior conflitualidade … é impossível.


O cidadão exige tudo do Estado. Tudo. Segurança, assistência, saúde, educação, justiça … da boa. Até emprego. E bem pago, de preferência. E que nunca lhe atrapalhe a vidinha. Que não o fiscalize. Nem quando vai no seu carrinho na estrada com o pezito mais pesado, nem quando foge em excesso de velocidade ao IVA ou ao IRS. Ou ao IRC da sua empresa. Ou quando lá na empresa mete a mão nos fundos europeus, e desvia o empreiteiro das novas instalações fabris, para exportar mais, para a piscina lá de casa.


  E, como se vê, não está muito interessado em dar o que quer que seja.


O Estado, por sua vez, não faz muito melhor, e às vezes até parece que quer dar razão aos cidadãos que dele só querem fugir. Vai-lhes ao bolso sem dó nem piedade, e passa a vida a estudar a melhor forma de lhe apertar o cerco, sem lhes deixar escapatória, como num jogo do gato e do rato.


E quando chega a hora de retribuir, é uma chatice … Nunca há dinheiro. E quando há, está cativo. Não se lhe pode tocar!


Estado e cidadãos comportam-se mesmo como aqueles dois simpáticos animaizinhos. Muito simpáticos, mas não se podem ver!  


E ainda dizem que “o Estado somos nós”… Então não somos?


 


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Estado-Nação

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Quando se diz que “o Estado somos nós” não se quer dizer exactamente isso. O Estado é o Estado, e nós somos nós. Nem nós somos o Estado, nem o Estado é nós. Quanto muito será nosso. Não por posse, mas por cabimento… Por circunstância, não por desejo …


Quando dizemos que “o Estado somos nós” estamos apenas a tentar racionalizar um determinado tipo de comportamento cívico – chamemos-lhe assim – na nossa relação de cidadania com o Estado. Não tanto pela elegância do trato, mas sim pelas suas consequências. Não porque achemos que nos devemos portar bem com o Estado, ser aquilo a que se convencionou chamar educado, cumprimentar com deferência ou até ligeiramente curvado. Nada disso, ninguém acha que o Estado lhe merece isso. É, apenas e só, porque sabemos que tudo o que de mal aconteça ao Estado nos vem cair em cima.


Entendamo-nos: “o Estado somos nós” porque, no fim, ninguém tem dúvidas que a conta vem cá parar. Não é por qualquer outra razão!


O Estado não nos diz nada. Não estabelecemos com ele qualquer tipo de afectividade. É, na maior parte da vida de cada um, muito mais vezes inimigo que amigo. E muito menos amigo em quem se possa confiar.


A Nação sim. É a Nação que nos une uns aos outros, que através da etnia, de tradições, de costumes e da língua estabelece entre nós, num determinado território, laços de comunhão capazes de estabelecer “eus” colectivos, com vontades e aspirações próprias. Que fazem a História, que consolida ainda mais a Nação.


É na Nação que os povos se revêm, nunca no Estado!


O Estado-Nação constitui por isso a suprema aspiração de qualquer Estado. É o estado mais sólido da realização do Estado, que todos ambicionam atingir.


Quanto mais perfeita for a sobreposição do mapa do Estado com o da Nação, maior é a legitimidade natural da máquina da administração do poder, e mais fácil é resolver a esmagadora maioria das dificuldades que se podem colocar a um Estado.  E aos povos, como a História tem mostrado...


 


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Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...