quarta-feira, 31 de outubro de 2012

APROVADO?

Por Eduardo Louro


 


O Orçamento Geral do Estado para 2013 foi hoje aprovado, como se sabia. Não se sabia é que haveria de ser aprovado à pressa…Nem que a Presidente da Assembleia da República iria negar essa bem notada pressa - "foi seguido o mesmo método do ano passado", diria contornando a verdade - dando mais uma ajudinha para o descrédito da chamada casa da democracia. Mesmo que de uma democracia que convive bem com a ditadura dos partidos e dos respectivos aparelhos…


Não fosse assim e este orçamento não teria sido aprovado!


Sobre o orçamento nada mais há a acrescentar, já aqui se disse tudo o que havia para dizer. O governo e a maioria que obrigatoriamente o sustenta não quiseram nem querem discuti-lo. Sabem que é uma fraude e, por isso, quanto menos se fale dele, melhor!


Introduziram por isso o tema da revisão das funções do Estado, com o sentido de oportunidade de que ainda ontem aqui se deu conta.


A verdade é que a estratégia foi relativamente bem sucedida. Fala-se e tem-se falado nos últimos dias muitíssimo mais das funções do Estado do que do Orçamento, das opções que lhe são subjacentes e das fragilidades e incompetência que documenta.


Poucos teremos dúvidas que há real necessidade de reavaliar as funções do Estado, porque muita coisa mudou. Mas creio que serão muitos os que têm dúvidas que seja este governo o mais indicado – pela gritante falta de competência, pela falta de consistência no rumo, pelo fundamentalismo ideológico, etc. - para o fazer. Como muitos serão os que não compreenderão muito bem que se questionem as funções sociais do Estado, num período como o que o país atravessa, sem que se questione o garrote financeiro da troika, em particular os juros, a taxas inaceitáveis, que representam a fatia maior de toda a despesa do Estado. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

COISAS DE HOJE III

Por Eduardo Louro


 




(foto daqui)




Na discussão do Orçamento de Estado na Assembleia da República discutiu-se tudo menos o dito. A politquice do costume, com mais ou menos encenação e com a amnésia do costume. PS e PSD muito esquecidos: um de que foi governo e do que aí foi feito, e outro, tanto como das promessas feitas, da garantia que nunca se desculparia com a pesada herança. O governo e a maioria na realidade já não têm outro argumento que não a governação anterior, esquecendo duas coisas: que garantiram não recorrer a esse expediente e que estão a governar há quase ano e meio.


Mas a verdade é que na discussão do orçamento não se discute o orçamento, a provar aquilo que aqui tem repetidamente sido dito: que este orçamento apenas existe porque é preciso haver um. Se não vale de nada, se não serve para nada, se nem o governo que o apresenta nem a maioria que o defende e aprova acreditam nele, o que é que há a discutir?


Quando se deveriam estar a discutir os enormes aumentos de impostos” do Orçamento, o primeiro-ministro apresenta medidas contingentes – mais impostos - para a falha da execução orçamental. Está a apresentar o Orçamento e o seu primeiro rectificativo, ele que, neste ano, bateu o recorde de orçamentos rectificativos, ultrapassando os governos provisórios do PREC!


Quando se deveriam estar a discutir os cortes de despesa do Orçamento, o primeiro-ministro, refundador, alarga a refundação ao Estado, depois do pontapé de saída dado na semana passada pelo ministro das finanças com aquela depensar nas funções do estado e no preço que se está disposto a pagar por elas”.


O governo que prometeu reformar o Estado, que foi eleito também com essa promessa, em ano e meio não mexeu uma palha. Mas quando apresenta um orçamento que não consegue executar, repara que a única saída que tem é cortar funções ao Estado. É, quando mais tira aos portugueses para dar ao Estado, que mais vai tirar no que o Estado tem para dar aos portugueses.


E é quando desperdiçou toda credibilidade que chegou a ter, depois de perder todas as muitas oportunidades que teve, e depois de ter esgotado toda a boa vontade, compreensão e disponibilidade de colaboração da parte do PS, que vem apelar – de forma pública e alvoraçada, sem o mínimo tacto político – à ajuda de Seguro para consensos na reforma do Estado. Faz algum sentido?


Nunca tanta incompetência junta foi vista neste país…


Valha-nos que um banqueiro nosso amigo – e muito competente - acha que tudo vai bem. E que é com mais austeridade - que o país aguenta, garante – que nos salvamos do destino da Grécia. “Ai aguenta, aguenta” – diz ele! Até poderá aguentar, Sr Ulrich, mas esse é mesmo o caminho da Grécia. Com o mesmo destino, como já toda a gente viu!


Excepto os banqueiros, claro…


 


 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

REFUNDAÇÃO

Por Eduardo Louro


 


As jornadas parlamentares da coligação deste fim-de-semana, com que os partidos da maioria quiseram mitigar a crise que os une, trouxe-nos, a par de alguns momentos de humor proporcionados pelo ministro Aguiar Branco, pelo ministro Relvas ou até pela ministra Teixeira da Cruz, um novo enigma político.


Vítor Gaspar já tinha começado a falar de maratona, mas como pouco depois Aguiar Branco falava de rações de combate para duas legislaturas, sem perceber bem que o seu forte não é certamente o humor, a imagem das dificuldades da maratona lá por volta do quilómetro 35 ficou um bocado perdida. E lá veio depois Passos Coelho com a refundação: a refundação do Memorando da Troika!


Depois de toda a gente ter percebido que as coisas corriam muito mal, chegou a vez de ser o governo a ter essa percepção. Ou de começar a dela dar conta!


A fase do “nem mais dinheiro nem mais tempo já lá vai e Vítor Gaspar diz-nos que é grande a probabilidade não conseguirmos concluir a maratona. E Passos Coelho, que nunca quis sequer ouvir falar em renegociação, fala de refundação.


Ninguém sabe o que é que entende por refundar o Memorando da Troika. Nem António José Seguro, que deveria saber... E perceber por que era o PS para ali chamado.


Mas sabe-se – Passos Coelho sabe, e Seguro deveria saber - que a próxima avaliação da troika, já em Novembro, vai estourar com o Memorando. E que virá outro (a) caminho. Não há refundação nenhuma, o que aí vem é um segundo resgate. E nele vai ser preciso envolver o PS: é disso que refundação é eufemismo!


A teimosia e a incompetência de Gaspar e Passos deram nisto como, há muito, muitos sabíamos…Deu na Grécia, sempre um passo à nossa frente. Já no terceiro resgate, e em mais perdão de dívida: agora tocam-nos 1.100 milhões que nos calharam em sorte – por solidariedade, não era? - em 2010 e já em 2011. Lembram-se?


 

sábado, 27 de outubro de 2012

AINDA NÃO CHEGOU O INVERNO, MAS JÁ CHEGOU A SUA HORA...

FUTEBOLÊS#134 LIGAR

Por Eduardo Louro


 


Desta vez o futebolês fixa-se num simples verbo: ligar. Com várias aplicações, mas sempre à volta do mesmo!


A equipa não está ligada, ou não consegue ligar o jogo ou mesmo manter a equipa ligada ao jogo ou voltar a ligar-se ao jogo – que é a mesma coisa - são expressões do futebolês à volta do verbo ligar. Mas não mais do que estas: não ligar ao jogo, por exemplo, já não é futebolês!


Quando a equipa não liga ao jogo, como tantas vezes acontece, deixando toda a gente à beira de um ataque de nervos – por exemplo, o Porto não ligou nada ao jogo com uma equipa de nome Santa Eulália, do passado fim-de-semana para a Taça, e o Vítor Pereira passou-se – o futebolês não se preocupa. Se o resultado der para o torto, o que não foi o caso do Porto – um miserável 1-0 ao tal Santa Eulália, mas ganhou – então lá vêm os tomba-gigantes, a estória de David e Golias e mais umas tantas frases feitas. Mas nada que o futebolês tenha criado!


Não estar ligada, ou não conseguir ligar o jogo - ou o inverso, na afirmativa - é a mesma coisa mas dita de forma diferentes. Não assim tão diferentes, mas diferentes!


Se a equipa não está ela própria ligada, com os diferentes sectores – a defesa, o meio campo e o ataque - a comunicarem fluentemente entre si, ligados que nem elos de uma corrente, não consegue ligar o jogo. O jogo não resulta fluente, consistente, harmonioso e consequente. Pelo contrário, surge como que curto circuitado, aos repelões, sem bola - porque perdida muito rapidamente – e sem nexo, causal ou qualquer outro.


A caixa que comanda a ligação - da equipa e do jogo – é o meio campo – talvez por isso há quem lhe chame o coração da equipa - onde cada peça é como um interruptor. O pivô ou os pivôs – pode ser um ou dois, o 6 ou o 6 e 8 – asseguram a ligação na primeira fase de construção, e o 10 a ligação à segunda fase, a decisiva.


É porque as coisas funcionam assim que o Benfica não está a funcionar. Com as saídas em simultâneo do Javi (6) e do Witsel (8) e com Aimar e Carlos Martins (os dois 10) permanentemente de fora, a equipa não tem sequer interruptores. E sem interruptores não há como ligar a equipa e, se a equipa não está ligada, não consegue ligar o jogo. Bem pode Jorge Jesus ir ao baú cheio de alas para procurar interruptores… Não resulta, como já se viu! E não se vê como é que, assim, Luís Filipe Vieira irá conseguir pagar a promessa dos três campeonatos em quatro anos, já para não falar de uma competição europeia…


Já no Sporting as coisas são diferentes. O Sá Pinto, provavelmente chamado ao comando por fazer faísca com facilidade, nunca conseguiu que a equipa ligasse o jogo, e rapidamente virou passado. O Oceano pegou na equipa, mas continuou desligada, sem fio de jogo. E no entanto os interruptores estão lá, o que não funciona são os próprios circuitos. Acreditam que os engenheiros (electrotécnicos) belgas sejam melhores que os portugueses, mas não é o que se diz por aí…


Manter a equipa ligada ao jogo é outra coisa bem diferente. Tem a ver com a reacção à marcha do resultado, que é preciso não deixar desnivelar.


Quando o resultado começa a pesar – dois, três, quatro – a equipa tende a desligar do jogo, a ficar cada vez mais longe da possibilidade de discutir o resultado. Às vezes basta um golo para trazer de volta a equipa, para a voltar a ligar ao jogo. Para lhe dar a ilusão e a crença de que ainda é possível. E por vezes surgem reviravoltas espectaculares, como sucedeu na semana passada na Alemanha, onde a selecção da Suécia, depois de estar a perder por 4-0, desatou a marcar e ficou de tal forma ligada ao jogo que só parou no último segundo, mesmo a tempo de chegar ao espectacular 4-4 final!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O MEU VOTO

Por Eduardo Louro


 




O Benfica vai hoje a votos. Pelo que a esta hora se sabe, a afluência estará tão longe de bater recordes quanto de ser uma decepção. Longe da compreensível mobilização das eleições de há doze anos, quando foi preciso correr o pano sobre o período mais negro da sua História, e provavelmente aquém do esperado para uma disputa a dois.  


Não será porventura grande a mobilização da nação benfiquista para estas eleições: a campanha não foi entusiasmante, antes pelo contrário. Foi, no meu entendimento, desinteressante e de pouca utilidade. À boa maneira de tudo o que é eleições em Portugal, viveu de sound byte, da demagogia e de populismo. Mas passou ainda das marcas, com o debate num nível muito baixo, centrado no ataque pessoal, que acabaria numa espiral de violência verbal que não enobrece os candidatos. Nem o Benfica!


Ainda bem que tudo acaba hoje. Corria-se o risco de não saber até onde chegaria esta espiral de demagogia. Luís Filipe Vieira já não faz a coisa por menos: 3+1+50. Quer ele dizer que os próximos quatro anos são para ganhar 3 campeonatos, 1 competição europeia e 50 títulos nas modalidades. Rui Rangel não foi tão longe – não poderia ir – mas também não ficou aquém ao prometer o título já para este ano. Do mal, o menos, e ainda bem que isto acabou aqui: corriam-se riscos de fortes contributos para o anedotário do clubismo nacional e de encher um certo bloco de notas, pronto a usar para memória futura.


A única coisa séria que sobrou desta espécie de debate foi mesmo a dos direitos de transmissão televisiva, e a ruptura com a Olivedesportos. Mas, apesar de me parecer que em regime pay per view não seja muito difícil superar os valores oferecidos por Joaquim de Oliveira, até disso tenho dúvidas: não serei certamente dos mais surpreendidos se daqui por um mês ou dois houver uma reviravolta e tudo acabe por ficar na mesma…


É por isto que o meu voto, desta vez, é um simples voto de que mais nada sobre desta campanha eleitoral que os próprios resultados da eleições, pacífica e democraticamente aceites por todos os benfiquistas. Com votos de que  melhores dias venham…


 


PS: Afinal, e para surpresa minha, a afluência às urnas acabou por ser a maior de sempre. Ainda bem!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

É PRECISO TER LATA (II)

 Por Eduardo Louro


 


 


(foto tirada daqui)


 


Acompanhei mais uma entrevista de um banqueiro. Desta vez foi Nuno Amado, o presidente do BCP, na TVI 24.


Que, também ele, fale como um banqueiro e que digam todos o mesmo não surpreende. O que surpreende é que agora todos falem do Tribunal Constitucional. Ao que dizem, o diabo que agora ameaça dar cabo do país!


O que surpreende é que, quando toda a gente, de todos os quadrantes – sejam eles quais forem – já se pôs de fora das opções políticas e económicas do governo, os banqueiros permaneçam firmes e hirtos na defesa desta política de destruição da economia que o governo prossegue. E que, eles e apenas eles, não poupem elogios ao ministro das finanças!


Por que será? Estranho, não é?


Ah! Já sei: se calhar é por isto. Se calhar é porque é muito interessante ir buscar dinheiro ao BCE de borla e aplicá-lo na dívida pública às taxas de juro dos malandros dos mercados. Se calhar é porque se a política fosse outra, e como o dinheiro não estica, para financiarem a economia não poderiam meter a mão no pote destas rendas. Sim, também os banqueiros gozam de rendas, não são apenas as EDP´s, as PT`s ou as grandes distribuidoras…


Ah! Percebo: os banqueiros são coniventes com este processo de destruição do país. Com tamanha lata que nem se preocupam em disfarçar um bocadinho…


 

REMODELAÇÃO - PARTE II

 Por Eduardo Louro


 


Aí está a remodelação no governo!


Bem me parecia que não haveria remodelação nenhuma…

O TRIBUNO

 Por Eduardo Louro


 



(foto daqui)


 


Em boa parte das vezes não concordo com as suas posições, mas não posso deixar de concordar que se trata de um dos mais brilhantes parlamentares da democracia portuguesa, e seguramente o mais brilhante de todos os que com ele partilharam o Parlamento nos últimos treze anos. Falo de Francisco Louçã, que anunciou hoje o abandono da actividade parlamentar!


Se na condução da sua actividade política nem sempre foi exemplar, se – e as últimas imagens são sempre as que perduram – não foi exactamente feliz no que dispôs para a sucessão da sua liderança no Bloco de Esquerda, a verdade é que deixa uma imagem de um tribuno parlamentar único. Pela cultura, geral e política, pela inteligência e pela sagacidade!


Com espectáculo – é verdade, mas um tribuno é também um actor, é representação – mas com substância. Com verdade. Com verticalidade, mesmo se pisando as marcas dos limites…


Faz parte da minha geração, somos da mesma idade e fomos colegas no velho ISE, no Quelhas. Não me parece que esteja velho… Não posso aceitar que esteja velho. São opções. É a política...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

BIZARRO

 Convidada: Clarisse Louro *


 


Está aí um orçamento que será, sem dúvida, o mais bizarro de sempre. E nós que pensávamos que nisto de orçamentos e bizarrias já tínhamos visto tudo: longas horas de espera, entregas às prestações, quadros errados, e sei lá mais quê…


É um orçamento que vai dar cabo do que ainda resta da classe média, da economia e do país. É um orçamento que claramente não é meio para coisa nenhuma, mas um fim em si mesmo. Um orçamento que esgota na sua própria existência a sua única razão de ser. Não importa que nada ali faça sentido, que os números não joguem uns com os outros, que nada daquilo seja exequível ou que possa vir a ser declarado inconstitucional. É preciso que haja um orçamento, e um orçamento com os números que façam a vontade à Srª Merkl.


E no entanto é um orçamento sem alternativas: ou ele ou a bancarrota.


Um orçamento que é aprovado em reunião de conselho de ministros pela mesma força política que, fora governo, se lhe opõe. Que, depois de o aprovar no seio do governo, vem contestá-lo como oposição para, com o maior dos descaramentos, vir uns dias depois anunciar que o votará favoravelmente. Com as mais bizarras justificações e com o bizarro compromisso de contribuir para melhorar no parlamento o orçamento que não melhorou no governo.


Com este orçamento a liderança política do país atingiu os limites da esquizofrenia. Não admira que, quando o FMI reconhece que a receita da austeridade falhou, que estava errada, venha o ministro das finanças dizer que não é nada disso, que não passou de um problema de tradução. E que o primeiro-ministro tenha passado pela reunião do euro-grupo da semana passada, no Luxemburgo, sem que se tenha falado da situação do país.


Nem admira que enquanto o país empobrece patrimonial e moralmente, enquanto largas faixas da população engrossam as filas de pobres que estendem a mão à caridade, e jovens que consumiram recursos públicos na sua educação têm que partir - sem, ao contrário do ministro das finanças (!!!), terem a oportunidade de devolver ao país esse investimento -  as elites do poder se entretenham em jogos de propaganda cada vez mais fáceis de desmascarar, mesmo que com cada vez menos imprensa livre e independente para o fazer.


Cantam-se hossanas ao fantástico equilíbrio das contas externas. Que só uma vez acontecera na história da economia portuguesa, em plena segunda guerra mundial. Que as exportações estão a aproximar-se dos 50% do PIB. Mas ninguém diz que isso decorre do empobrecimento do país, que resulta da própria recessão - um PIB cada vez mais pequeno facilita uns indicadores mas prejudica outros - que é conjuntural. Ou que nas exportações pesa cada vez mais a venda do espólio das famílias, das peças de ouro herdadas e conservadas ao longo de gerações e que agora os portugueses vão entregar – não ao prego, como há décadas atrás – mas às milhares de lojas que invadiram o país a comprar os anéis que já levam dedos agarrados.


Bizarro… Esquizofrénico!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

LIMITE DE TOLERÂNCIA

 Por Eduardo Louro


 


Vítor Gaspar, o nosso administrador de falências, brindou-nos hoje com mais umas preciosidades. No dia seguinte à Economist ter garantido aquilo que já todos nós percebemos – que Poortugal está á beira de um segundo resgate e o euro à beira do colapso – e do INE ter revelado o acentuar do desastre da sua execução orçamental, a quebra na receita fiscal e o agravamento do défice no terceiro trimestre, o ministro das finanças ignora tudo isto e diz que o problema é que os portugueses não estão dispostos a pagar aquilo que acham que o Estado lhes deve fornecer.


Ora aí está! O problema não é o Estado e a administração que dele têm feito, não são sequer os juros – usurários, mas nem essa é a questão – que são, de longe, a primeira rubrica de despesa, e se tornaram num ministério. Oculto, mas nem por isso dos mais gastadores! Não são os BPN´s e todos os escândalos de corrupção que desgraçaram e desgraçam este país.


Não. Para Vítor Gaspar “o problema fundamental, difícil” – como acentuou – é que os portugueses querem serviços sociais mas não querem pagar impostos. Como se pagassem pouco…


Portugal poderá estar no limite de tolerância da troika - como ameaça - mas ele já ultrapassou o limite de tolerância dos portugueses!


 

MAIS UMA PROPOSTA: SÓ UMA PROPOSTA

 Por Eduardo Louro


 


Tomaram-lhe o gosto ... não querem outra coisa. Agora foi a vez do subsídio de desemprego!


O Ministério da Solidariedade anunciou baixar o valor mínimo do subsídio mensal de desemprego de 419,22 para 377,29 euros. Enviou a proposta aos parceiros sociais para, logo perante as primeiras reacções, imediatamente vir dizer que era só uma proposta.


É a velha estafada estratégia de mandar o barro à parede, particularmente cara a este governo e onde todos querem fazer o seu número. Mas, francamente: ainda não perceberam que são apenas mais tiros nos pés?


Seria assim tão difícil encontrar outra medida que produzisse o mesmo efeito de euros no corte de despesa? Têm a noção que se está a falar de 6,3 milhões de euros? Será que sabem que nós sabemos que continuam a entrar pelo governo dentro boys à tripa forra?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

ADEUS CHAMPIONS

 Por Eduardo Louro


 


Com mais um jogo pouco menos que deplorável o Benfica deitou fora praticamente todas as possibilidades de continuar na Champions. Sem ideias, sem velocidade, sem querer - em suma, sem futebol - a equipa conseguiu a proeza de transformar os banais Celtic e Spartak de Moscovo em fortíssimos candidatos a prosseguir na mais importante prova do futebol.


Afinal era a isto que Jorge Jesus se referia quando prometeu não repetir este ano o erro de apostar na Champions…


Lamentável! 

LANCE AMSTRONG

 Por Eduardo Louro


 


Sou certamente apenas um entre os muitos milhões de admiradores de Lance Amstrong ainda em estado de choque. Serei apenas um dos muitos que acham que há qualquer coisa que não bate certo nesta história. E serei certamente um entre muitos dos que sentiram a mais profunda das revoltas ao ouvir o presidente da UCI dizer que o nome de Lance Amstrong já não fazia parte do ciclismo.


Não percebo como é que alguém que preside ao organismo máximo do ciclismo encontra legitimidade para banir do ciclismo o nome da sua maior figura.


Lance Amstrong foi condenado exclusivamente por denúncias de antigos colegas de equipa, sem qualquer prova material. Claro que temos consciência que o recurso ao doping no ciclismo – como no desporto em geral – é um jogo do gato e do rato, mas onde nem a UCI é o gato nem o ciclista o rato. O gato e o rato que jogam este jogo representam os mesmos interesses que se cruzam e encontram na UCI, raramente no ciclista.


Os mesmos interesses a quem Lance Amstrong serviu, sempre sob a batuta tutelar da poderosa UCI. Lance tinha tudo para ser o herói perfeito, servia a todos os interesses instalados à volta da que se transformou numa das modalidades desportivas que mais interesses comerciais mobiliza.


Se Amstrong fez toda a sua carreira à margem da verdade desportiva, enganando todos os gatos durante tantos anos, é difícil deixar de responsabilizar os gatos. Se durante esse período a UCI apanhou e puniu tantos e tantos nomes de primeiro plano, baniu equipas completas, é difícil de perceber como Lance conseguiu sempre, e só por si, escapar. A ideia que fica é que a UCI quis deixar cair lance Amstrong e que, depois de o deixar cair, uma vez caído e inerte no chão, saltou para cima dele sem dó nem piedade.


E isso é feio. E cobarde… Quem é capaz de fazer isso não tem moral para banir o nome de Lance Amstrong do ciclismo. Pode até fazê-lo, mas ninguém o leva a sério!


 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

domingo, 21 de outubro de 2012

FUTEBOLÊS#133 BLOCO BAIXO OU AUTOCARRO?

Por Eduardo Louro


 


Bloco baixo: poderá parecer linguagem de construção civil mas não é. Aplica-se ao futebol e é mesmo futebolês!


Diz-se a propósito da postura de uma equipa em campo. Ou da forma como dispõe os jogadores em campo. Refere-se, no caso, à colocação dos jogadores na zona de protecção da sua área, no resguardo da sua baliza.


Antigamente, antes da explosão do futebolês como língua erudita dos especialistas das coisas da bola, dizia-se simplesmente que uma equipa estava a jogar à defesa e… fé em Deus. Defendia com onze – porque não podia jogar com mais – sempre de frente para a bola, sempre atrás da linha da bola, como também é fino dizer-se. Agora é mais erudito dizer que a equipa se apresenta com um bloco baixo: dizer exactamente a mesma coisa mas com mais classe. Acima de tudo com mais fair-play, sem achincalhar a equipa.


Para isso, para achincalhar, surgiu uma nova expressão: autocarro! Usa-se no futebolês popular, que já não diz que a equipa se apresenta num bloco baixo, nem sequer que vem jogar à defesa mas, de forma bem mais acintosa, que a equipa estacionou o autocarro!


Creio não estar errado – se o estiver, desde já as minhas desculpas – que é Mourinho o pai desta expressão. Pela minha parte não tenho dúvidas que foi da boca dele que a ouvi pela primeira vez. Substituindo uma expressão elegante como é o bloco baixo, e sendo, pelo contrário, achincalhante e acintosa, não admira que tenha mesmo sido criada por José Mourinho. Por ter sido a ele que a ouvi pela primeira vez e por ser tão ajustada à sua própria personalidade, é para mim indiscutível que é Mourinho o pai do autocarro!


Era então treinador do Chelsea, em pleno processo de dilatação do ego – um processo que apenas teve paralelo no da dilatação do fígado daqueles patos franceses para produzir o foie gras -, na altura em que se intitulou de special one, e deve tê-la usado para justificar um fracasso qualquer. Quem julgasse que o Mourinho tinha descoberto esta expressão numa célebre noite em que jogou com o Inter em Barcelona só podia estar distraído ou, de todo, não o conhecer.


Mal imaginava ele, na altura, que um dia haveria de vir a treinar uma equipa italiana e provar do seu próprio veneno… Na realidade sentiu-lhe o sabor. Se puxarmos pela memória lembrar-nos-emos que sentiu sempre a necessidade de justificar esse autocarro com o árbitro, como também não podia deixar de ser. Foi obrigado a isso porque o árbitro lhe expulsou um jogador - justificou. Mesmo que toda a gente tivesse dado pelo autocarro, lá bem estacionado, desde que o árbitro apitou mas para dar início ao jogo!


Mal imaginaria ainda que seria o seu Chelsea, anos mais tarde e então nas mãos de um treinador italiano, a repetir, no mesmo local e nas mesmas condições - meias-finais da Champions - o mesmo autocarro. Só que sem a desculpa de um a menos!


Ironicamente a história repetiu-se: os autocarros cumpriram a missão e ambos chegaram  à final, ambos encontraram o Bayern, e ambos acabaram por se sagrar campeões europeus. O Inter pela terceira vez, quarenta e cinco anos depois, e o Chelsea pela primeira!


 

sábado, 20 de outubro de 2012

TEMA DA SEMANA #7

 Por Eduardo Louro


 


Que o espectro de um esquizofrénico chumbo no Parlamento de um orçamento por parte de um mesmo partido que o aprovara no governo esteja afastado, está.


Que a coligação esteja de boa saúde e se recomende, não. De todo! Que tudo possa continuar como se nada se tivesse passado, não. Que PSD e CDS, Passos e Portas, possam fingir que confiam uns nos outros, podem. Mas ninguém acredita! Que possam fingir que nada aconteceu e tudo foi empolado, não. De forma alguma! Que o orçamento seja exequível e leve o país a algum destino, não. Também! Que a crise política esteja ultrapassada, não. Não está porque não se circunscreve apenas a divergências entre partidos e personalidades que constituem a coligação. Mas também não o estaria mesmo que se resumisse a isso!


 


 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

IMPRENSA

 Por Eduardo Louro


 


 


Enquanto uns jornais vão despedindo jornalistas, outros já estão em mãos angolanas, mas despedindo na mesma, e outros, ainda, para lá caminham.


Joaquim Oliveira está a vender a Controlinveste a angolanos. Lá vão o DN, o JN e a TSF … O “Público” agoniza


Chamam-lhe o quarto poder, e um dos pilares de sustentação da democracia. Está decididamente a ir-se abaixo esta nossa democracia… Não se está a aguentar!


 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

VAMOS LÁ A VER SE É DESTA...

Por Eduardo Louro


 



Sem grande história este jogo de estreia do Benfica na Taça, uma competição que há muito não ganha. Desde 2004, quando ganhou ao Porto de Mourinho. Voltaria a marcar presença na final no ano seguinte, quando podia e devia ter feito a dobradinha, mas, por inexplicável negligência e irresponsabilidade – com a equipa a perder-se nos festejos do título e até com uma viagem à Hungria, em romagem ao túmulo do saudoso Miklos Feher – acabaria por permitir que a Taça fosse para Setúbal.


Para a História fica o resultado de 4-0, a presença dos dois candidatos - ou melhor, de um candidato e do presidente - na terra do capão, e o Benfica mais português dos últimos anos, com a utilização de cinco jogadores portugueses, todos eles em bom plano, apesar do André Almeida – utilizado como lateral direito – precisar claramente de afinar o último passe e o cruzamento. O Paulo Lopes fez duas defesas que evitaram outros tantos golos, e o Luizinho, que não começou bem, foi crescendo, ganhando confiança e acabou em bom nível. O André Gomes confirmou, com um golo de grande execução mas não só, as esperanças que os benfiquistas nele depositam: está ali um grande jogador de futebol!


O Carlos Martins esteve muito bem e é claramente um jogador que faz muita falta na equipa. É criterioso, pensa e percebe o jogo como mais ninguém. Tem uma capacidade de passe ímpar e remata de fora da área como mais nenhum outro. Pena que, neste regresso, tenha sido o primeiro a sair, ainda antes da hora de jogo. Saiu visivelmente insatisfeito. Não havia necessidade…


Esteve mal Jorge Jesus: substituiu-o pelo Bruno César, que entrou para o meio, quando, minutos depois, substituiria o Salvio pelo André Gomes, que foi ocupar a posição momentânea do Chuta-Chuta, que passou para a posição que era do argentino, na ala direita. Fosse Jorge Jesus verdadeiramente competente na gestão deste tipo de pormenores – que rapidamente se transformam em pormaiores - e a primeira substituição seria directamente de Salvio por Bruno César, substituindo de seguida Carlos Martins por André Gomes. Mas já sabemos que o mestre da táctica tem grande dificuldade em lidar com a gestão de sensibilidades!


Fecha-se como se abriu: a Taça anda a fugir há muito. Vamos lá a ver se é desta…

SEDUÇÃO

 Por Eduardo Louro


 Morreu a estrela do filme "Emmanuelle"


Deu-se a conhecer, e deslumbrou, em Emmanuelle, o filme “softcore” de 1974 que, de olhos esbugalhados ainda pouco habituados àquelas coisas, vimos já em plena Revolução.


Emmanuelle – melhor, Sylvia Kristel - encheu o imaginário de muitos de nós e transformou-se no mito erótico de uma geração que é a minha. Ela que era holandesa – natural de Utrecht - como holandesas eram as maiores fantasias dos jovens daquele tempo…


Morreu esta noite, vítima de cancro, enquanto dormia – rezam as crónicas. Tinha 60 anos e deixa saudades… Talvez saudades daqueles tempos. E certamente daquela sedução!


 

PAULO PORTAS

Por Eduardo Louro


 Paulo Portas não quer abrir uma crise política


Paulo Portas não falou. Continua remetido ao seu silêncio patriótico!


Mas disse: Disse através de comunicado que o CDS iria aprovar o Orçamento. Dificilmente poderia deixar de ser assim, mas também me parece que, da mesma forma que sempre acreditou que poderia passar entre os pingos da chuva, Portas acredita mesmo que tem mais vidas que os gatos…


 

É PRECISO TER LATA

 Por Eduardo Louro


 


Acompanhei a entrevista de Fernando Ulrich na RTP. Que fale como um banqueiro não surpreende ninguém. Também a hipocrisia não surpreende: embora não pareça rima com banqueiro.


Mas a lata surpreende. Nem é por dizer que as empresas portuguesas não têm falta de crédito, que têm é falta de capitais próprios e de mercados. Ou que o não há milhares de portugueses a ficar sem as suas casas, obrigados a entregá-las aos bancos. Que no BPI não acontece nada disso. Ou que a Banca não teve nada a ver com a decisão dos portugueses de comprar habitação, e que essa foi uma decisão exclusiva dos portugueses, por sinal a melhor que tomaram… É por dizer que o governo deveria pôr os desempregados a trabalhar – de borla, evidentemente – nas grandes empresas. No seu BPI, pois claro…


É preciso ter lata!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

PASSOS, O REFÉM

 Por Eduardo Louro


 


Que Passos Coelho estava refém de Relvas já há muito se sabia. Se não antes, pelo menos desde os tempos dos agora conhecidos favores empresariais.


Que Passos Coelho estava nas mãos de Vítor Gaspar também já há algum tempo se tinha percebido. Depois disto está também refém do homem que nos está a devolver tudo o que o país nele investiu!


Se o destino de Passos se entrelaçava com o de Relvas, agora embrulha-se ainda com o de Gaspar. Quer dizer: não há remodelação possível!


 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

JOGO CEM OU JOGO SEM?

 Por Eduardo Louro


 


A selecção nacional voltou a falhar: pelo segundo jogo consecutivo! Só que desta feita foi em casa e contra um adversário da terceira divisão europeia, que como credencial trazia um empate com o Luxemburgo, em casa.


E desta vez ninguém se salvou. Mesmo aqueles que nunca falham, hoje, falharam: Moutinho, Pepe, Cristiano Ronaldo…


A equipa voltou a não mostrar qualidade, e a verdade é que parece muito difícil que uma equipa que tem Hélder Postiga, Eder, Miguel Lopes, Rúben Micael … possa ter qualidade. Repare-se que bastou que faltassem dois dos jogadores titulares – Meireles e Coentrão – para que se levante claramente a questão da (falta de) qualidade!


As dificuldades na recepção da bola – e sabe-se como a recepção é determinante para a qualidade e fluidez do jogo – que se tinham identificado na Rússia não tinham, afinal, nada a ver com o piso sintético. No bom relvado do Dragão repetiram-se de forma ainda mais gritante: o problema não está no relvado, está na qualidade dos jogadores…


Mas também na mentalidade. Não é aceitável que, perante um adversário tão fraco, a equipa não tenha conseguido tomar consistentemente conta do jogo, imprimir-lhe intensidade. Mesmo depois de chegar ao empate, com bem mais dez minutos ainda para jogar, a equipa permitiu que fosse o adversário a controlar o ritmo e o tempo de jogo.


Também Paulo Bento está longe do seu melhor, com opções cada vez mais discutíveis e com critérios pouco compreensíveis. Por exemplo: é discutível que tenha deixado o Eliseu de fora, mesmo depois da lesão de Coentrão, quando preferiu chamar o Nelson, e não se compreende que tenha apostado em Nelson Oliveira, quando e como o fez para, agora, deixar de contar com ele.


O caminho para o Brasil começa a complicar-se. O primeiro lugar no grupo – aquele que garante o apuramento - começa a parecer impossível, até porque a Rússia continua a ganhar e sem sofrer golos (hoje ganhou ao Azerbaijão, em Moscovo, com um golo de penalti – inexistente, a falta existiu mas fora da área – já nos últimos minutos), mas essa é também a nossa sina. E a nossa história, afinal a selecção nacional tem assegurado a presença nas últimas fases finais de europeus e mundiais sempre através de play-off entre segundos classificados. O cliente tem sido a Bósnia, mas nem sempre assim será!


Foi triste este jogo número 100 de Cristiano Ronaldo. Parecia que este era mais o jogo cem de Cristiano Ronaldo do que um jogo fundamental para o apuramento para o mundial do Brasil. Afinal, mais que o jogo cem este foi um jogo sem: sem alma, sem chama, sem qualidade e … sem a anunciada Grândola Vila Morena…


Anunciada para o segundo 12 do minuto 20, faltou. Fica a ideia que a política nunca quer perder o futebol, mas que o futebol não quer nada com a política…


 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ESTICAR A CORDA

 Por Eduardo Louro


 


Na sessão de apresentação do Orçamento deste fim de tarde Vítor Gaspar fez mais que uma prova de vida. Fez - ou quis fazer - uma demonstração de força. Disse: quem manda aqui sou eu!


Encurralado e enfraquecido, Vítor Gaspar, reagiu. Reagiu como reagem os animais feridos, enfraquecidos e encurralados: em ataque desesperado! Vítor Gaspar quis fazer uma demonstração de força quando na realidade está enfraquecido - interna e externamente - como se percebe por uma orçamento de emergência, que não é meio para coisa nenhuma, mas um fim em si mesmo.


É assim que o ministro das finanças acaba por impor o seu orçamento. Impô-lo ao governo - num processo que, pelo que foi possível perceber, não terá sido nada fácil - e vai agora impô-lo ao país: impondo-o ao Parlamento, impondo-o ao Presidente e impondo-o ao Tribunal Constitucional. Quando Gaspar afirma solenemente que não há alternativa a este orçamento, que, da parte da intervenção estrangeira, não há qualquer margem de manobra, está a tentar a dizer ao país que é este orçamento ou a bancarrota. E aposta tudo na atemorização do CDS, de Paulo Portas em particular, de Cavaco Silva e do próprio país…


Vítor Gaspar esticou a corda: agora é só esperar para ver por onde parte. Porque vai partir, se não for em Portas nem em Cavaco será noutro ponto qualquer!


Até porque, pelo que vamos percebendo, a quinta avaliação da troika correu mesmo muito mal. Muito pior do que o que nos foi dado imaginar…

MUITO MAIS QUE UM PÉSSIMO ORÇAMENTO

 Por Eduardo Louro


 


O governo entregará hoje o Orçamento na Assembleia da República, depois de não sei quantas intermináveis reuniões extraordinárias do Conselho de Ministros e de quilómetros quadrados de paredes rebocadas de tanto barro que foi atirado.


Temos assistido a muitas e pitorescas cenas à volta da apresentação de orçamentos: entregas atrasadas, quadros errados, mapas em falta… Um houve até que ficou conhecido como o Orçamento do queijo limiano. Nunca, no entanto, nenhum foi tão acidentado quanto este. E nunca nenhum outro foi tão fiel espelho da governação do país como este Orçamento para 2013!


Peguemos em três variáveis chave de uma governação, qualquer que seja: credibilidade, estratégia e liderança!


Ninguém acredita neste Orçamento, seja ele o que for, como ninguém acredita no governo. Ninguém acredita que o que lá venha faça qualquer sentido, porque se percebe que nada é reflectido, nada é sustentado, que tudo é feito em cima do joelho. Ninguém acredita – a começar nos próprios Passos e Gaspar (se há medidas que teoricamente produzem resultados muito acima dos requeridos é porque não acreditam mesmo que elas produzam os resultados esperados) - que seja para cumprir porque, como já o deste ano já demonstrou, as previsões e os pressupostos são de quem anda lá por cima, donde se lançou ontem o austríaco Felix Baumgartner.


Não se percebe uma estratégia. É um orçamento sem rumo, exactamente como sem rumo está o governo, perdido, sem saber por onde seguir. As sucessivas mediadas que foram sendo conhecidas, lançadas como barro a parede, são a prova disso. Mas é o espectáculo desta ponta final do orçamento que é mais elucidativo: um orçamento enquadrado numa estratégia, minimamente sério e credível, há muito que estaria preparado, e não andaria agora a passar por todo este experimentalismo errático de última hora.


Não há liderança: Passos Coelho nunca liderou e Vítor Gaspar, cuja liderança nos trouxe até aqui, está desacreditado. Interna e externamente: quando Lagarde e Durão Barroso tiveram a lata, cada a sua, de dizer o que disseram, o tapete fugiu-lhe definitivamente debaixo dos pés. Perdeu qualquer capacidade de liderança! Marcelo Rebelo de Sousa dizia ontem que reuniões de 13,15 ou 20 horas apenas demonstram falta de liderança. Sem dúvida!


A fuga de informação, fazendo chegar às redacções dos jornais dezenas de páginas da proposta orçamental, é outra prova inequívoca da falta de liderança no governo, mas também do ambiente de conspiração, desconfiança e traição que mina o governo e a coligação.


O orçamento não é apenas um orçamento muito mau, que acaba com o que resta da classe média e que arrasa completamente a economia – e isso já seria motivo para intervenção presidencial – é, ainda, uma imensa tela onde se projecta um governo acossado, sem estratégia, sem missão, perdido, sem rumo, desavindo e completamente tolhido de movimentos.


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...