quinta-feira, 29 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


- Quem é?


- É a Croácia!


- Faça favor de entrar. Não repare, está tudo desarrumado. Nota-se a confusão, não é?


- Pois, se calhar a altura não é a melhor…


- Que não seja por isso, ponha-se à vontade…


- Sim, não se incomodem, eu sei o que são estas coisas. Tive algum tempo – e cuidado, por que não dizê-lo – para não ser surpreendida. E trago até uma carta de recomendação, com uma taxa de desemprego superior a 18%, ao nível de Portugal, e só atrás da Grécia e da Espanha. E com uma taxa de desemprego jovem de vos fazer inveja, já nos 52%. E também já vimos habituados à pobreza: o nosso poder de compra está 40% abaixo da média cá da casa!


- Com certeza, por quem sois…

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


- “O problema do governo não é comunicar. O problema é de competência. É fazer! O governo tem pouco para comunicar…”


- “Temo que o primeiro-ministro esteja só, que não tenha quem lhe diga como está o país, como as pessoas sofrem, como as pessoas vivem…”


 Retive estas duas frases entre muitas outras que acabei de ouvir da boca de um histórico do PSD. Não, não foi Manuela Ferreira Leite. Pacheco Pereira? Também não!


Esses, entre muitos outros, há muito que dizem isso e pior. Mas esses  – diz a máquina de propaganda do governo -  são revanchistas, são radicais que extremaram posições, que não são para levar a sério.


Quem disse isto – e muito mais – foi, há momentos, Ângelo Correia, na SIC Notícias à conversa com a Ana Lourenço. Precisamente esse velho barão do PSD que, mais que apadrinhar, criou Pedro Passos Coelho!


O próprio criador nega a criatura. Ao contrário do guião, é o criador que se vira contra a criatura. A criatura, essa, há muito que se virou contra toda a gente. Há muito que caminha sem rumo nem destino. Sozinha: cega, surda e muda. Sem que ninguém a pare, sem que ninguém a impeça de arrastar uma nação completa para o maior desastre da sua História… 

quarta-feira, 28 de junho de 2023

"Tudo o que for necessário"

BCE procura todos os trunfos para combater a inflação sem afundar a  economia – ECO


Há onze anos Mario Draghi disse que o BCE "fará tudo o que for necessário" para garantir a sobrevivência do euro. Começou aí a histórica descida das taxas de juro, que se prolongou por 10 anos, em que foram mantidas a níveis nunca antes vistos.


A Senhora Christine Lagarde veio a Sintra formular a mesma determinação do BCE mas, agora, "tudo o que for necessário" para baixar a inflação. Mas, para o BCE de Lagarde, "tudo o que é necessário" é não aumentar salários,  acabar com as ajudas dos governos às suas populações, e continuar a aumentar as taxas de juros.


A Senhora Lagarde disse, ainda há bem pouco tempo, que dois terços do aumento da inflação provêm do aumento das margens de lucro das empresas de sectores fundamentais da economia. A generalidade dos economistas, e mesmo grande parte dos indefectíveis das causas liberais, há muito que reforça que as raízes desta inflação não estão na procura, mas na oferta.


Pois. Na determinação de Lagarde "tudo o que é necessário" é nada do que é necessário. Não é determinação, é uma fixação!

terça-feira, 27 de junho de 2023

Há 10 anos

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Morreu hoje a União Desportiva de Leiria, SAD. Não morreu ainda o tipo de dirigismo que a matou. Desse existirão sempre resquícios enquanto houver futebol…


Salvou-se o clube, o União Desportiva de Leiria nascido em 6/6/66 que, embora tarde, ainda foi a tempo de se demarcar da irresponsabilidade manhosa que há muito tomara conta da SAD. Recomeçou na segunda divisão distrital do calendário da Associação de Futebol de Leiria - onde, sob o comando do velho capitão Bilro, se sagrou campeão, resultando de um empate os únicos pontos perdidos – e veremos se tem condições para repetir o brilhante percurso sempre ascendente da sua primeira encarnação. E para se projectar na cidade e na região, para dela ser bandeira, modelo de referência e motivo de orgulho. Mesmo que os tempos não estejam para isso! 

Há 10 anos

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Enquanto irrompem por todo o mundo gigantescas manifestações de protesto, como as que temos visto no Brasil e na Turquia, cá pelo país – com muitas, as mesmas se não mais razões - tudo parece calmo. Enquanto as sociedades por esse mundo fora se agitam e revoltam, e saem à rua a reclamar soluções ao poder, por cá… nada. Uma meia dúzia canta Grândola aqui, outra meia dúzia levanta um cartaz ali, um que manda o presidente trabalhar… E que caro lhe sai!


Mais nada!


E no entanto sobra tensão na sociedade portuguesa. Sente-se essa tensão em todo o lado: na rua, no trabalho, até entre amigos. Revele-se ela em medo ou em ansiedade. Nos nervos à flor da pele ou na intolerância. Percebe-se na sociedade portuguesa uma panela de pressão muito próxima de explodir. E percebe-se que não há válvula para soltar a pressão…


As movimentações sociais - sabe-se – são normalmente as válvulas de escape mais eficazes. Comportam sempre alguns riscos de desvirtuação, seja por manipulações de cúpulas seja por infiltrações. Às vezes alguns conseguem controlá-las e apropriarem-se delas, desvirtuando o que de puro e genuíno possa estar na sua génese. Outras vezes há infiltrações, há grupos que se infiltram para, a coberto de qualquer turbilhão humano, prosseguirem os seus fins, quase sempre criminosos. Mesmo assim, mesmo correndo sempre esses riscos, continuam a ser a fórmula mais saudável mas também mais eficaz de a sociedade libertar a pressão.


Mesmo em Portugal. Todos recordaremos momentos da nossa História recente em que bastou uma grande manifestação de massas, umas poucas horas que fossem, para se passar a respirar melhor.


Nada que se assemelhe ao que se tem passado no Brasil, ou mesmo na Turquia. Os portugueses não se dão coisas desse tipo. De dias e dias de resistência. Somos pouco resilientes e muito de baixar os braços, de achar sempre que é o outro que tem de fazer aquilo que nos compete. De, como cantam os Deolinda, “vai lá tu que eu já lá vou ter”…


Se somos assim – e somos – há no entanto, em meu entendimento, algo que tem estado a ser feito para que sejamos ainda mais assim. Perigosa e irresponsavelmente, porque está a tapar essa válvula de escape!


Cada vez mais perdido no exercício da governação e cada vez mais acossado, o governo enveredou por uma – perigosa e irresponsável, repito - estratégia de divisão na sociedade portuguesa. Apostou em colocar os portugueses uns contra os outros: os empregados contra os desempregados, os trabalhadores do sector privado contra os funcionários públicos, os trabalhadores no activo contra os reformados e pensionistas, os novos contra os velhos, os alunos, os pais e toda a gente contra os professores… Verdadeiramente paradigmático o que se passou nos últimos dias, com o governo a recusar alterar a data dos exames que coincidia com a da greve dos professores - não para defender os alunos que, como se viu, não sairiam defendidos, mas para os usar e pôr toda a gente contra os professores - mas sem hesitar em alterar a data dos que, hoje, coincidiriam com a greve geral.


Esta é uma estratégia miserável. Porque numa sociedade como a nossa, é eficaz. Facilmente nos pomos uns contra os outros, porque isso faz parte da idiossincrasia lusitana, muito marcada por uma inveja latente, tão bem retratada naquele tão nosso provérbio da galinha da vizinha… sempre melhor que a minha!


 E o governo sabe disso, sabe que está a alimentar aquilo que lhe competia combater. É imperdoável!

Há 10 anos

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Criado o mito da credibilidade externa, e voltando a recorrer à táctica da mentira repetida e à memória curta dos portugueses, o governo passou a criar e a alimentar outro, o mito número dois: que está a fechar o programa de resgate encomendado e assinado por outros.


À medida que se foi deixando encurralar pelos seus sucessivos falhanços o governo começou a lançar a ideia de que nada tinha a ver com a troika e com o seu programa. Que simplesmente lhe tinha calhado em sorte a missão patriótica - quiçá divina - de salvar o país, que está a levar a cabo com grande constrangimento mas não menor determinação. Começou pelo discurso da pesada herança - a que tinha começado por tentar resistir- e rapidamente passou para o papel de quem não tem nada a ver com isto.


Hoje, na Assembleia da República, ao primeiro momento de aperto, Passos Coelho voltou a sacar do seu mito número dois, pouco preocupado se um dia jurara ir para além da troika. Nada incomodado por ter anunciado que o programa de resgate era o seu programa de governo. Rigorosamente nada constrangido pelas imagens de Catroga nas televisões e no seu próprio telemóvel, na assinatura do memorando da troika. Que, com Portas, usou como escadote para subir ao pote...


E, claro, sem sombra de preocupação em dizer que está tão à beira (um ano, precisamente) de fechar um resgate como de abrir outro. Bem mais difícil, infelizmente!

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Há 10 anos

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A crise não está a impedir o enriquecimentos de alguns portugueses: há mais milionários em Portugal!


Esta é uma boa notícia. Pena é que o aumento dos pobres seja muito maior. A má notícia é que todos os dias há mais pobres, muitos mais pobres, muito abaixo do limiar da pobreza. Sem comer...


Uma coisa não tem que ver com a outra? Se calhar não tem... Mas, se calhar, tem!


Boa, mesmo boa, seria a notícia de que há mais ricos mas também menos pobres em Portugal... E muito mais saudável!

Nada bate certo, mas no fim dá certo ...

Prigozhin annuncia la rivolta. Putin risponde: "Chi ha tradito verrà  punito" | LA7


Ainda ninguém percebeu nada do que se passou naquelas 36 horas que mediaram entre o momento em que Prigozhin pôs uma coluna de 400 viaturas de guerra a caminho de Moscovo, no sábado, e aqueloutro, a meio de domingo, mais de mil quilómetros de estrada depois, e a apenas 200 do destino, em que, para evitar derramamento de sangue - estranha preocupação de uma criatura destas - pôs fim à marcha, rendido às negociações de Lukashenko.


Se calhar não há muito para perceber. Ali nada bate certo. Nem nada é que o que querem que pareça que seja. Afinal, o que se percebe é que o poder militar da Rússia se esgota num botão. Que a Putin basta o medo que o botão mete. E que Prigozhin haverá, mais dia menos dia, de lançar a mão à moleta de uma porta, pegar numa chávena de chá, ficar ao alcance da ponta de um chapéu, ou abeirar-se de uma janela num qualquer quinto andar.

domingo, 25 de junho de 2023

Há 10 anos

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Juros da dívida portuguesa à beira dos 7%. Lembram-se de Teixeira dos Santos, há quase três anos, avisar que esse seria o tecto da resistência?


Não? Aqui vai uma ajuda


Pois é. Há três anos Teixeira dos Santos declarava que a taxa de juro de 7% seria o limiar a partir do qual o país teria de chamar o FMI. O país não conseguia suportar taxas de juro dessa ordem. Foi imprudência, claro. Os mercados especulativos ficavam na altura a saber que poderiam esticar até aí ...


Este governo tem falhado tudo o que havia para falhar, como estamos fartos de saber e já ninguém consegue negar. Temos no entanto visto que aquele pequeno grupo de pessoas que, na esfera dos dois partidos que suportam o governo, ainda defende esta governação socorre-se, para isso, de um único argumento: o da credibilidade externa. Esse escasso número de apoiantes deste governo agarra-se ao único mérito que lhe reconhece:  a recuperação da credibilidade junto dos credores. E invariavelmente recorrem logo a seguir a um argumento que, por muito repetido, dão por certo e verdadeiro:"como se prova pela descida dos juros"!


É verdade: a taxa de juro que há pouco mais de dois anos era dramaticamente insustentável é hoje a única coisa que os apoiantes deste governo têm para lhe creditar!


O resgate da credibilidade internacional não passa de um mito. É sabido que uma mentira muitas vezes repetida passa a verdade. Mas a máquina de propaganda do governo faz mais: mais do que uma simples verdade, faz da mentira muitas vezes repetidas um mito! 

sábado, 24 de junho de 2023

Criaturas e criador

Líder do grupo Wagner vai para a Bielorrússia, processo criminal contra ele cairá


O que estava a acontecer na Rússia deixou de estar, a 200 quilómetros de Moscovo. E foi como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu - a criatura não matou o criador, mas deixou-o em mau estado. 


Putin sai mais fraco. E ainda mais desacreditado. Yevgeny Prigozhin ... perdeu o negócio, que não a ambição. Para já  terá apenas ganho uma reforma dourada no albergue do Lukashenko. Outra criatura.

Luís Aleluia (1960-2023)

Ator Luís Aleluia vive fase menos positiva a nível de saúde


 


O menino (Tonecas) que era um homem. Um bom homem!

Há 10 anos

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Paulo Braga Lino foi Director Administrativo e Financeiro da Metro do Porto, e nessa qualidade responsável por aqueles contratos ruinosos a que decidiram chamar swaps - a única coisa que têm a ver com swaps deverá ser o momento da assinatura, foram provavelmente assinados ao mesmo tempo que os contratos de swaps. Mais nada!


Entrou depois para o governo, onde foi Secretário de Estado da Defesa, donde saiu em finais de Abril. Foi, como mais alguns dos envolvidos naqueles contratos - a Secretária de Estado Maria Luís Albuquerque é a excepção, não para confirmar a regra mas por ser o braço direito de Gaspar –, demitido do governo. Porque não podia ser de outra maneira…


Demitido em finais de Abril, Braga Lino passou os primeiros dias de Maio a tentar explicar-se por tudo o que era jornal e televisão. Percebe-se agora por quê!


É que já estava – nem uma semana de férias, vejam bem – de volta à Metro do Porto. Já era o Director Administrativo – sem Financeiro – da empresa onde, como Director Administrativo e Financeiro, tinha dado cabo de umas centenas de milhões de euros que todos nós estamos a pagar.


Quer dizer, ao contrário do que o despedimento do governo poderia – e quisera – sugerir, este boy – exactamente como todos os outros, que apenas rodaram à volta da mesa das empresas públicas - não foi penalizado coisísssima nenhuma. Mas nós voltamos a ser. É que a função administrativa e financeira da Metro do Porto custa-nos agora o dobro. Pelo menos, se é que, agora Director Administrativo na qualidade de ex-governante, não vai receber mais que o anterior Director Administrativo e Financeiro, agora sem o Administrativo, apenas Director Financeiro!


Um mimo em toda a linha esta rapaziada…Também nos boys não fica a perder para ninguém! 

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Alguma coisa está a acontecer na Rússia

Who Is Yevgeny Prigozhin, Russian Tycoon and Putin's Ex-Confidant


 Entretanto, na Rússia, alguma coisa está acontecer ...


Depois de muito falar, Yevgeny Prigozhin está a mexer-se.  A caminho de Moscovo, diz-se.


Do líder do Grupo Vagner nada de bom há a esperar. Independentemente do sucesso desta sua aventura a caminho de Moscovo, uma coisa parece certa: nada vai continuar como está. A começar pela guerra na Ucrânia. Que Prigozhin declara inaceitável, e exclusivamente assente na mentira do Kremlin e na ambição da nomenklatura militar russa.


A rota de colisão com Putin parece estabelecida. Se é para levar a sério, não é ainda uma certeza. Certeza é que Prigozhin não é melhor, por muito que muitos o achem útil.


 

Há 10 anos

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Hoje o governo está por cá. Chegou há pouco – a conta gotas – e foi recebido pelo Presidente da Câmara (aqui não há dúvidas: é da Câmara). Lá dentro, porque cá fora foi recebido por bastante mais gente - se bem que poucos, apesar de tudo – que, em vez das boas vindas, logo à chegada lhe lembrava que “está na hora, está na hora de ir embora”!


Confesso que não estive lá, nem sequer na esplanada do Capador, aquele sítio onde sempre poderia estar sem que lá se estivesse. Só sei que desde de manhã cedo que quase não se podia circular cá para as bandas do mosteiro. Polícia, já muita polícia por todo o lado, e todo o estacionamento impedido, obrigando-nos a alterar aquelas rotinas sagradas do fim-de-semana, e do sábado em especial. Aquelas pequenas coisas que pensávamos que o governo nunca nos tiraria…


Afinal este governo tem sempre mais qualquer coisa para nos tirar. Hoje fez-me abdicar de mais um luxo. Este pequeno luxo de estacionar o carro – pagando evidentemente – ali ao lado do mosteiro, ir comprar os jornais e começar a lê-los ali na esplanada, na companhia da bica e de quem quer que vá passando, metendo conversa e acabando por se sentar também, porque cabe sempre mais um.


E no entanto o governo veio cá – ou veio para cá – para nos dizer justamente o contrário. Que já não nos vai tirar mais nada, que a partir de agora é para voltar a dar. Ou, talvez mais bem dito - porque também veio para cá para dizer que passaria a comunicar de outra forma - para dizer que vai voltar a dar. Assim possa, para tanto o ajude o engenho e a arte que têm andado perdidos.


É verdade, o governo vem dizer-nos que há um antes e um depois de Alcobaça. Antes, era o governo da austeridade, do aumento de impostos, da recessão e de desemprego. Depois, é o governo do crescimento económico, do investimento e da redução dos impostos. O que se passou, o que provocou esta viragem, não sabemos. Sabemos é que vai ser assim, basta o governo dizê-lo…


Antes, era o governo das trapalhadas, cada um dizia o que lhe apetecia, uma coisa num dia e o seu contrário no seguinte, uma coisa por um ministro e seu contrário por outro. Em que mesmo as boas intenções nunca passavam disso, sistematicamente atraiçoadas pelo discurso, pela comunicação. Falava-se em falta de coordenação, mas não era nada disso: simplesmente a comunicação falhava! Porque Relvas… lembram-se?


Pois, mas agora há Poiares Maduro, e a música é outra. Também não começou lá muito bem, reconheça-se, mas … está a tempo da viragem. E vai então passar a falar com os jornalistas não uma vez por semana. Não duas vezes por semana, mas todos os dias. Isso: todos os dias o ministro Maduro - ainda que demasiado verde – vai estar com os jornalistas, para que não mais a comunicação traia a enorme capacidade de desempenho do governo!


Depois de Alcobaça, portanto, o governo não vai apenas fazer bem o que antes fez mal. Vai ainda comunicar bem o que antes fazia mal… Antes de Alcobaça, o governo queria que as eleições se lixassem. Depois, claro que não!


Alcobaça já não é, portanto, só a cidade bonitinha, calma e pacata, que aqui há uma décadas parou no tempo. Já não é só a terra do Alcoa e do Baça, de Pedro e de Inês, e dos seus amores. Do mosteiro. Onde quem passa não passa sem cá voltar, como um dia Belo Marques se lembrou de fazer cantar. Alcobaça é, a partir de hoje, um marco histórico!


Pena que o seja logo deste governo. Merecia mais sorte, a minha terra!

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Vidas com valores diferentes

Missing Titanic-bound submarine: What we know so far | SBS News


O mundo inteiro está a olhar para o fundo do mar, no Atlântico Norte, a acompanhar ao segundo as operações de busca pelo Titan, o submersível com cinco pessoas - que pagaram 227 mil euros cada para, através de uma única e pequena janela de 53 centímetros de diâmetro, espreitar de perto os destroços do Titanic - desaparecido desde o passado domingo.


Não se sabe o que aconteceu ao mini-submarino - ou cápsula submergível, ou lá o que seja. Sabe-se que, a manter-se intacto, o oxigénio que permitiria a sobrevivência dos ocupantes estará a esgotar-se aceleradamente. E que, a sobreviverem, a História registará mais uma fantástica operação de resgate, e mais uma épica história de sobrevivência. Como a dos 33 mineiros no Chile, em 2010, o da equipa de futebol na gruta de Tham Luang, na Tailândia, em 2018, ou o do "milagre" dos Andes,  em 1972.


E sabe-se que, se se olhasse para o Mediterrâneo com uma ínfima percentagem dos meios que estão agora a ser utilizados no Atlântico Norte, seriam salvadas milhares de vidas. Enquanto este submergível se fazia ao mar para esta viagem fatídica, um navio de pesca com 750 migrantes naufragava ao largo da Grécia, sem que nada fosse feito para o evitar e salvar a grande maioria daquelas pessoas. Viraram-lhes as costas, para não ver.


As vidas ainda não contam todas o mesmo. Mas isso já se sabia!


 

Há 10 anos

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Poderia ser Trigo. E sabia-se que era trigo, e não outra coisa qualquer.


Poderia ser Milho, Aveia ou Cevada. E sabia-se o que era. De onde vinha e para onde ia…


Mas não. É Seara!


Pode ser qualquer coisa. Pode ser o que (se) quiser. Pode vir de onde vier e ir para onde for…


Um campo de trigo é um campo de trigo. Um de milho é isso mesmo. Como de aveia e cevada. Uma seara pode ser um campo de trigo. Ou de milho, ou de aveia, ou de cevada!


Não se sabe de que é. Sabe-se que dá para tudo, independentemente da semente lançada e do cereal ceifado…


É assim nas televisões, onde é um dinossauro dos programas da bola. Onde supostamente estaria para defender o clube que diz ser o seu, num espaço que os adversários sabem usar com critério e estratégia. Mas que não está. Está para se insinuar. Está para se promover. Está para garantir apoios, agradando a gregos e troianos. Porque se num campo de trigo precisa dos gregos, noutro, de cevada, precisa dos troianos


É assim na política, onde salta do campo de milho para o de aveia. E onde apresenta boas vindas na hora da despedida, porque o que é preciso é aparecer. Ver e ser visto, de bem com todos e de todos velho amigo. Do peito e de velha data!


Há nomes que se colam às pessoas. E há pessoas que não podiam mesmo ter outro nome… Talvez isso ajude a separar o trigo do joio!

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Há 10 anos

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Hoje, no Maracanã (Espanha 10 - Tahiti 0!!!) ouviu-se: "o povo unido jamais será vencido". Pela primeira vez desde o início da competição o sentimento das manifestações populares passou as portas dos estádios. Para Blatter ouvir, certamente!


Mas ele já lá não está. Viajou para a Turquia - para a abertura do campeonato do mundo de sub 20 - onde, como saberá, o futebol não é a coisa mais importante  que por lá acontece. 


A torneira que abre a comunicação entre a rua e os estádios está decididamente aberta!

terça-feira, 20 de junho de 2023

Aprender depressa


Há poucos meses em Portugal, o homem expressa-se em português e canta o hino. Mas não é só isso - há poucos meses em Portugal, o homem está um autêntico dinossauro do futebol português.


Roberto Martinez não aprendeu depressa. Já trazia a lição bem estudada.


Por isso nada mudou, nada muda e nada mudará. Era esse o objectivo - mudar para que tudo ficasse na mesma. 


Mudança, mesmo, apenas nos três centrais. Uma mudança por nada, e para mais nada que continuar a desperdiçar o talento destes jogadores. Nem "o pé quente" mudou. Sem jogar nada, a selecção continua a ganhar. 


Quatro jogos, quatro vitórias. O melhor de sempre em fases de qualificação, dizem. Sim, quatro vitórias ... com o Liechtenstein e o Luxemburgo, em Março, e com a Bósnia, no sábado passado, e a Islândia, hoje. Se, no sábado, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e o exagero do resultado (3-0) ainda conseguiram disfarçar alguma coisa hoje, nada, nem o resultado (1-0, à última da hora, caído do céu) nem ninguém, conseguiu esconder que "o rei vai nu". Que a equipa é uma confusão, que as substituições são só absurdas, servem apenas para emendar a mão, e minorar os erros das disparatadas opções iniciais, e que a opção dos três centrais é uma aberração à luz do naipe de jogadores de que dispõe. 


Bem pode Roberto Martinez falar português, e cantar o hino. Aquela sua primeira viagem mostrou ao que vinha. A disparidade de tratamento que deu a uns assobios e a outros confirmou que não é por bem.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Há 10 anos

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Isto é que é um país de gente séria. Até dá gosto!


Uma consultora - de que, certamente por limitação minha, nunca ouvira falar - faz um estudo, encomendado pelos concessionários das auto-estradas, que conclui esta coisa fantástica: viajar por auto-estrada é mais barato (5%, para não dar muito nas vistas) que o mesmo percurso por estradas sem portagens!


O país está asfixiado por estas coisas e por gente desta. Qualquer interesse ameaçado encomenda um estudo a qualquer consultora que, sempre idónea e acima de qualquer suspeita, o desenvolve com total isenção e rigor técnico para, invariavelmente, chegar às mais profissionais conclusões que melhor defendem os mais sagrados interesses de quem fez a encomenda.  E, depois, lá estão os media - todos igualmente gente séria - para nos fazer chegar tão insuspeitos resultados!


Para cuidar de nós, para olhar pelos nossos interesses, mesmo que deles, com grande surpresa, nunca tivessemos dado conta. Como, de resto, bem explica o presidente da associação dos concessionários: "Nos últimos anos, temos assistido a uma regressão da procura das auto-estradas em Portugal e essa regressão resulta da recessão económica, mas também de desconhecimento e de má informação sobre as auto-estradas. E foi isso que nos levou a encomendar este estudo".


Nem mais: porque, por mera ignorância e nada mais que isso, deixamos de usar as auto-estradas sem perceber quanto nos estávamos a prejudicar; eles, sempre preocupados comnosco, mandaram fazer um estudo para nos esclarecer. Para acabar  com a nossa ignorância e, esclarecidos, regressarmos em força às auto-estradas do nosso orgulho. Hoje museus, que nem para guardar memórias servem. Porque, para  levar até aos nossos filhos e netos as memórias dos velhos tempos de glória de um país que se julgou rico, bem chegam as dívidas que elas cá lhes deixam para pagar. 

Má consciência vs casos e casinhos

Costa esteve em Budapeste a convite da UEFA e ao lado de Orbán - Política -  RTP Madeira - RTP


Não há volta a dar - nem os casos e casinhos largam este governo, nem o governo os quer largar. Desta vez é o próprio primeiro-ministro, o mais improvável do mais provável, a prová-lo. 


O que é que terá levado António Costa, em trânsito para Chisinau, capital da Moldova, para uma Cimeira da Comunidade Política Europeia, num Falcon, da Força Aérea Portuguesa, a fazer escala em Budapeste para assistir a um jogo de futebol, ao lado Orban?


Funções de Estado, não foram, isso está fora do campo de hipóteses. Não é credível que tenha sido a sua paixão pelo futebol, e o abraço a Mourinho, que o Presidente Marcelo (desta vez tão compreensivo e benevolente ) dá como justificação, nunca o poderia ser. 


Já hoje, como sempre depois do assunto ter migrado para mais um caso, António Costa veio dizer que simplesmente respondeu a um convite do Presidente da UEFA. Que, ou não fez a nenhum dos primeiros-ministros dos países das equipas envolvidas (Roma e Sevilha); ou, se o fez, ambos declinaram. Entre as duas, venha o diabo e escolha a menos abonatória. 


E o que é que o terá levado a pensar que o poderia esconder, sem que ninguém o viesse a saber?


Aqui, a resposta é fácil: má consciência. Com razões de sobra!


Na verdade, António Costa vai acumulando ainda mais actos e omissões de má consciência do que mesmo casos e casinhos!


 


 


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Os protestos começaram há uma semana, em S. Paulo, contra o aumento dos preços dos transportes. Rapidamente alastraram a várias outras cidades do Brasil e, rapidamente também, ganharam novas motivações. Um país há mais de uma década governado à esquerda, aproveitou invejáveis taxas de crescimento económico para traçar um novo mapa da sociedade brasileira, a partir de uma nova e florescente classe média. Mas acaba por não resistir ao fechar do portão do crescimento: quando tem que se limitar às taxas de crescimento anémico que hoje caracterizam a economia mundial, quando em vez dos sete e oito por cento passa a crescer apenas 1%, a economia deixa de manter os portões abertos que escoam toda aquela torrente social.


A contestação social não precisa de mais do que um simples argumento para quebrar a inércia. Uma vez em marcha vêm ao de cima todos os problemas que uma década de crescimento exponencial não resolveu, nem poderia resolver. E ficam à vista muito das fragilidades da grande potência que há-de ser!


E muitas contradições, algumas bem curiosas. O país do futebol, que supostamente suspiraria por um mundial em casa, revolta-se, não contra o futebol, mas por causa do futebol. Contra a organização da Copa do Mundo, contra os gastos exorbitantes em estádios e mais estádios - nada menos que dez - à vontade dessa organização pouco recomendável chamada FIFA. E contra a corrupção que alimenta, com derrapagens nos custos dos estádios - nada que não tenhamos conhecido bem por cá, há dez anos atrás - que chegam a multiplicar por seis o valor do orçamento inicial. E no entanto surgem nas manifestações, como ainda hoje se pôde ver em Lisboa, numa acção de apoio ao que lá se passa, vestindo as camisolas amarelas da selecção brasileira, com o número e o nome de Neymar nas costas.


E no entanto, quando a repressão policial ultrapassou todos os limites, quando a polícia não poupa ninguém à sua violência, a presidenta – como gosta que lhe chamem – Dilma surge do outro lado. Do contra poder, como Lula. Como se nada tivesse a ver com isso de gastar dinheiro em estádios de futebol em vez de em saúde ou educação. Como um casal que gasta o dinheiro em roupas de luxo em vez de comprar comida para os filhos, como passa num vídeo populista que por aí circula...


"O Brasil hoje acordou mais forte”…“Essas vozes das ruas precisam ser ouvidas. Elas ultrapassam, e isso ficou visível, os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos políticos, das entidades de classe e da própria mídia” … Quero dizer que o meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. O meu governo está empenhado e comprometido com a transformação social"- são frases que Dilma incluiu ontem em declaração pública!

domingo, 18 de junho de 2023

CAMPEÕES

Hóquei em patins: jogo 4 da final entre Sporting e Benfica (Lusa)


 


Tudo perfeito no melhor campeonato do mundo de hóquei em patins (pela quantidade e qualidade de jogadores estrangeiros em Portugal percebe-se porque tem o melhor campeonato do mundo quando a selecção está cada vez mais longe de ser a melhor): superioridade clara do Benfica, festa do título em casa do rival, e "fair play", que é coisa cada vez mais rara no panorama desportivo nacional.


O campeão voltou, também no hóquei. E, com o 24ª título nacional, o Benfica já igualou o Porto no topo do campeonato dos campeonatos. 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Vi esta notícia e achei que era a natureza finalmente ao nosso lado, solidária com este povo que sofre aqui neste cantinho da Europa, que já foi jardim à beira mar plantado.


Acabar com o Atlântico é tirar a Portugal aquilo a que deixou de dar uso. Não prejudica o país, que há muito lhe voltou costas. Ainda nos servia de praia mas, sem subsídio de férias e sem feriados e pontes, já nem para isso nos serve.


Mas, mais do que livrarmo-nos de uma coisa que já não usamos, acabar com o Atlântico é fazer-nos americanos. E isso não é só o cumprimento do desejo máximo do governo de acabar com os portugueses. De os mandar embora, já sem que tenham que emigrar. É também o cumprimento do maior sentimento de vingança dos portugueses, deixando a Europa a falar sozinha. É deixar o centro e o norte da Europa sem sol, sem praias e sem uns tipos para chatear… É deixar a Alemanha com o seu clube de amigos e satélites, cheia de gente chata, loura, de olhos azuis e muito produtiva…


E ainda dávamos boleia aos espanhóis, que finalmente nos ficariam a admirar. E eternamente gratos…


Mas nada de ficar já a esfregar as mãos. Isto não é coisa de atar e pôr ao fumeiro, demora o seu tempo. Tudo para cima de uns 200 milhões de anos…    

sábado, 17 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A greve dos professores aí está, certamente com os números díspares de sempre, com os sindicatos a puxá-los para cima e o governo para baixo, como sempre acontece. Mas desta vez há outros números, esses sim objectivos, inquestionáveis, que ultrapassam os dois lados da barricada. Desta vez haverá um número: o das vítimas, a parte dos 75 mil alunos que hoje não fará exames. Será esse que se sobreporá a qualquer outro porque, mais que greve de professores, esta é a greve aos exames!


Todas as greves provocam instabilidade. Introduzem perturbação, porque é essa a sua natureza. Nesta, a perturbação foi introduzida ainda bem antes de ser produzida. Antes de perturbar os exames, e com eles os alunos, esta greve perturbou o governo, o ministro e todo o ministério.


Por isso ministros se expuseram, dizendo o que não sabiam e acabaram desmentidos. Por isso o ministro subverteu a negociação, e em vez de negociar sobre as causas, quis negociar a própria greve. Crato não se preocupou em negociar sobre a matéria reivindicada, para impedir a greve.  Nem, ao que parece, sequer em negociar. Preocupou-se apenas em alterar a data da greve, para não ceder na data dos exames: tudo estaria bem se a greve passasse para Julho ou Agosto. De preferência entre a meia-noite e as cinco da manhã!


 

sexta-feira, 16 de junho de 2023

O ranking do solstício

SIC Notícias on Twitter: "Depois de anos marcados pela pandemia em que as  escolas estiveram encerradas, o ano letivo de 2021/2022 traduziu-se numa  transição e adaptação à normalidade para milhares de alunos.


Nesta altura do ano, tão certo como o regresso do solstício é o regresso do ranking das escolas. O solstício chega na próxima quarta-feira, o ranking chegou hoje. E é uma festa!


Compara o incomparável, mas isso não importa nada. Compara escolas onde não há dinheiro, com colégios onde nada falta. Escolas onde não há professores, ou estão em greve, com colégios com quadros de docentes estabilizados, do primeiro ao último ano de escolaridade. Escolas com calendários escolares de meio dia, e ainda assim sujeitos às intermitências dos humores dos sindicatos e do ministério, com colégios com oito horas de ensino curricular, e pausas preenchidas com actividades extra-curriculares para todos os gostos e necessidades. Escolas com filhos da desgraça, e enteados de um país desigual, com colégios que disputam os alunos entre os filhos das melhores famílias. 


Mas é assim, e viva o ranking!


No deste ano, o primeiro é o Grande Colégio Universal, no Porto, que atingiu a média de 16,6 nos exames nacionais. Nada que, para o respectivo director, tenha alguma coisa a ver com assimetrias sociais e elitismos. Diz mesmo que “é preciso desconstruir a ideia de que o ensino privado é elitista”, e que "a diversidade social [no seu estabelecimento de ensino] é uma riqueza que sempre tivemos.”


A avaliar pelo valor da mensalidade, que informou não ir muito para além dos quatrocentos euros, percebe-se "a riqueza da diversidade social"...


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Este foi um fim-de-semana marcado pela violência, pela tragédia e pela morte. Não estávamos em Portugal habituados a isso!


Íamo-nos habituando a assaltos cada vez mais violentos, é certo. Íamos percebendo a multiplicação de actos de violência, e íamos levando – também isso – à conta da crise prolongada onde caímos e donde não vemos maneira de sair.


Mas agora começa a haver razões para temer uma escalada de violência. Pela crise económica, pela crise social. Pelo desespero que cada vez mais se apodera de cada vez mais pessoas… Mas acima de tudo pela violência que gera violência!


 

quinta-feira, 15 de junho de 2023

CPI TAP - último capítulo

Pedro Nuno atira a gestão de Galamba: “Não foi no meu tempo como ministro  que havia uma cópia do plano de restruturação só num computador” –  Observador


A telenovela da CPI à TAP chegou aos últimos episódios. Como é próprio do guião do género, os últimos episódios são os mais entusiasmantes, e o inevitável final feliz começa a anunciar-se.


As oito horas da audição de hoje de Pedro Nuno Santos seguiram o guião à risca. E no último episódio, anunciado para amanhã, Fernando Medina  já sabe que não terá o papel principal. Nem volta a dar ao final feliz do ex-ministro e futuro sabe-se lá o quê. Se calhar o que quiser... 


 Pensa ele.

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Aí está mais um lote de jogadores fabulosos ao dispor da selecção brasileira de futebol. Pena que estejam nas mãos de Scolari, que não sabe o que fazer de tanto talento. É um desperdício. Pena nossa e azar deles!


 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

A marioneta

Marcelo Rebelo de Sousa junta-se a António Costa no Jamor


Não nutro qualquer simpatia, antes pelo contrário, pela personagem João Galamba. É coisa que já vem de longe, dos tempos malditos de Sócrates, de quem, a par do actual Presidente da Assembleia da República, e do eurodeputado Pedro Silva Pereira, foi um dos principais escudeiros e, para mim, todos para sempre cúmplices. 


Desses tempos guardei uma imagem de arrogância, de manipulação, e de desfaçatez. Neste tempo actual sugere-me pena. Dó. Que não é lisonjeiro. 


Sobreviveu à primeira imagem, não sobreviverá a esta segunda.


Foram as mesmas arrogância, manipulação, e desfaçatez que o enfiaram no buraco onde está metido. São no entanto outros traços de carácter que não lhe permitem de lá sair, acabando na triste e penosa figura de marioneta no jogo de sombras que Marcelo e Costa resolveram disputar.


Marcelo decidiu desde cedo iniciar o "jogo" a brincar com o cutelo da dissolução. A folhas tantas trocou a dissolução pela remodelação. E surge João Galamba, que Costa lhe dava de barato, mas que não lhe bastava. Era demais, Costa "não se ficou" e fez de Galamba ... marioneta. Aceitou, provavelmente por excesso de vaidade e escassez de dignidade e lucidez, e hoje dá pena. Mete dó!


Prestou-se a tudo. Até a ser exibido nas comemorações do 10 de Junho onde a marioneta se fez de bombo da festa. 


Sairá inevitavelmente na inevitável remodelação que, em vez de solução para o problema da governação, e do país, é apenas mais uma parte do jogo em que Costa e Marcelo continuam entretidos. Sem honra nem glória. Nem sequer compaixão. Como "ramo morto" caído da árvore e desaparecido no meio dos despojos.


 


 


 


 


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Um cidadão chamou palhaço a Cavaco numa entrevista publicada num jornal. O cidadão é figura pública e aceita até que se excedeu. O Presidente Cavaco - atitude inédita, não? - pediu a intervenção da Procuradoria Geral da República. Não lhe fica bem, não é assim que se dá ao respeito, como bem deveria saber. Mas também não deixa de ser um direito do Estado de Direito.


Um outro cidadão, este anónimo, no meio de uma multidão, manda Cavaco ir trabalhar. Admitamos que acrescentou malandro. Ou mesmo mais um ou outro desabafo. Fê-lo em privado, não no recato de quatro paredes, mas no recato de pouco mais que igual número de pessoas que, entre a multidão, o circundavam. Só que uma dessas era polícia. À paisana, disfarçado, como na PIDE. Que o prende, como a PIDE, e o apresenta a Tribunal. Que o julga sumariamente…


Cavaco seguiu para a Europa, indiferente ao direito de um Estado polícia. Foi trabalhar, como lhe tinha ordenado o cidadão anónimo que agora já tem nome: Carlos Costal. Que também terá de ir trabalhar – se tiver trabalho – para pagar a multa a que foi condenado.


Ou talvez não - soube-se já hoje -, o Ministério Público não está pelos ajustes: pediu a nulidade do julgamento… É raro, mas às vezes sobra uma pontinha de vergonha neste país...


Também hoje foi deduzida a primeira acusação da famosa Operação Furacão. Teve início há nove anos. É muito mais complicado, este Estado está muito bem preparado para apanhar cidadãos a chamar nomes ao Presidente. Para apanhar malfeitores de colarinho branco é que não tem jeito nenhum…


Diferenças de Estado!

terça-feira, 13 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O Presidente da República e chefe do governo, resolveram atacar a troika. Isto, é claro, é que é notícia. Criticar a troika até já é moda, mas esta era gente que a qualquer mata-se da troika respondia sempre com esfola-se. Sempre para a frente, para além da troika!


Cavaco, lá para Estrasburgo, disse que o FMI não estava lá a fazer nada. Que o melhor era mesmo fazer as malas e deixar-nos só com as instituições europeias, porque eles só se preocupam com reestruturações financeiras, não querem saber de desenvolvimento, nem de crescimento. O BCE e a Comissão Europeia são outra loiça, sabem que a Europa precisa de se desenvolver harmoniosamente…


Depois do que lhe temos andado a ouvir, não admira!


Já o ataque de Passos Coelho, não sendo tão sectário, é bem mais violento.


Revolta-se contra o memorando? Não. Não pode, era o seu programa de governo!


Invoca as dificuldades por que o país está passar? O desemprego ou o empobrecimento, que Cavaco ainda ousou aflorar no Parlamento Europeu?


Nada disso. Para Passos Coelho o problema é que é muito mau que as instituições da troika se não entendam. Que o FMI diga uma coisa e as instituições europeias outra. Que o FMI diga que errou e que a Comissão Europeia ache que isso não se diz…


Já nem nos lembrávamos que há quem diga que Cavaco é o mais esperto dos políticos portugueses! Vejam lá se não foi para lá dizer que era o FMI que estava a mais?


 

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Silvio Berlusconi (1936-2023)

Morreu Silvio Berlusconi


Não sei se terá sido um "italiano vero", mas não teria sido Berlusconi se não fosse italiano. Representou muito do que é Itália, mas muito pouco do que de melhor a Itália tem.

Sinais trocados

António Costa pede a mulher que não responda a manifestantes e chama  "racista" a professor


Claro que os cartazes exibidos por professores na Régua, no espaço das comemorações do 10 de Junho, não têm natureza racista. São de mau gosto, porventura impróprios (pelo carácter ofensivo) e inapropriados (pela mensagem de quem deveria ter por missão educar), mas nunca de teor racista. E não são sequer novos, já foram utilizados noutras circunstâncias, em manifestações mais, ou menos, apropriadas à chamada "luta" dos professores.


António Costa sabe-o bem, mas quis atacá-los pelo lado do racismo. Não o fez por acaso. Raramente o faz. Fê-lo para isolar o mais inorgânico, controverso e mediático dos sindicatos. Fê-lo para lhe colocar o rótulo de extrema direita de que faz seguro de vida.


Com isso trocou os sinais, pregou até mais um prego na desvalorização do racismo, e perdeu uma boa oportunidade para, se não fazer de André Pestana um "ramo morto", pelo menos aproveitar a falta de paciência dos portugueses para ele e para os seus fiéis seguidores.

domingo, 11 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


É o subsídio de férias, que o governo não paga. E que não deixou de aproveitar para mais confusão e mais trapalhada… Mais uma oportunidade para malhar nos funcionários públicos, e mais uma oportunidade para provar que é o espírito punitivo e não o reformista que o move.


Depois do chumbo, pelo Tribunal Constitucional, do corte do subsídio de férias o governo nem hesitou em trocar o subsídio de férias pelo de Natal, que estava a ser pago em duodécimos. Em vez de repor o pagamento do subsídio de férias, em Junho como a lei estabelece, resolveu meter os pés pelas mãos. Poderia ter dito que não pagava porque não há dinheiro, mas não. Porque logo grande parte da administração pública – quase toda a administração local e ainda o governo regional dos Açores – garantiu ter liquidez e, por isso, a intenção de o pagar, Passos Coelho fez questão de dizer que não era problema de dinheiro. Que era, agora, um problema de lei: não há lei que permita fazer o pagamento. Não há nem é preciso que haja porque, como logo adiantou, não há problema nenhum: o subsídio de férias está a ser pago em duodécimos e o de Natal será pago em Novembro. Como habitual, como sempre…


Curioso é que no mesmo dia em que garante não pagar o subsídio de férias – porque não há lei – garanta ir já a correr fazer uma lei - que não há – para lhe permitir a requisição civil dos professores.


Depois de tudo o que tem feito aos professores o governo admirou-se e achou inaceitável que tivessem marcado a greve para os dias dos exames. Apetece perguntar: estavam à espera de quê?


Depois, não teve a mínima preocupação em gerir o assunto. Preferiu partir para o braço de ferro, sem sequer tentar qualquer alternativa. Nem a última, que seria o adiamento dos exames. Depois de tudo o que tem feito aos professores, o braço de ferro é, certamente, a saída menos aconselhada. Vai correr mal, nem pode ser de outra forma!


Curioso é também que tudo isto se passa no mesmo dia em que o governo declara que o problema dos swaps com o JP Morgan está ultrapassado. O banco americano que se havia recusado a renegociar os famosos swaps, e que tinha mesmo decidido avançar com o assunto para tribunal, mas que, estranhissimamente, tinha sido escolhido pelo governo para consultor da privatização dos CTT.


Um governo de rins flexíveis para a banca – nacional e internacional – mas duríssimo de rins para os portugueses.


Forte com os fracos e fraco com os fortes?


Sim, mas mais do que isso: um governo para quem a pimenta no rabinho dos portugueses é refresco!


Depois admiram-se de não poderem sair à rua…


É o subsídio de férias, que o governo não paga. E que não deixou de aproveitar para mais confusão e mais trapalhada… Mais uma oportunidade para malhar nos funcionários públicos, e mais uma oportunidade para provar que é o espírito punitivo e não o reformista que o move.


Depois do chumbo, pelo Tribunal Constitucional, do corte do subsídio de férias o governo nem hesitou em trocar o subsídio de férias pelo de Natal, que estava a ser pago em duodécimos. Em vez de repor o pagamento do subsídio de férias, em Junho como a lei estabelece, resolveu meter os pés pelas mãos. Poderia ter dito que não pagava porque não há dinheiro, mas não. Porque logo grande parte da administração pública – quase toda a administração local e ainda o governo regional dos Açores – garantiu ter liquidez e, por isso, a intenção de o pagar, Passos Coelho fez questão de dizer que não era problema de dinheiro. Que era, agora, um problema de lei: não há lei que permita fazer o pagamento. Não há nem é preciso que haja porque, como logo adiantou, não há problema nenhum: o subsídio de férias está a ser pago em duodécimos e o de Natal será pago em Novembro. Como habitual, como sempre…


Curioso é que no mesmo dia em que garante não pagar o subsídio de férias – porque não há lei – garanta ir já a correr fazer uma lei - que não há – para lhe permitir a requisição civil dos professores.


Depois de tudo o que tem feito aos professores o governo admirou-se e achou inaceitável que tivessem marcado a greve para os dias dos exames. Apetece perguntar: estavam à espera de quê?


Depois, não teve a mínima preocupação em gerir o assunto. Preferiu partir para o braço de ferro, sem sequer tentar qualquer alternativa. Nem a última, que seria o adiamento dos exames. Depois de tudo o que tem feito aos professores, o braço de ferro é, certamente, a saída menos aconselhada. Vai correr mal, nem pode ser de outra forma!


Curioso é também que tudo isto se passa no mesmo dia em que o governo declara que o problema dos swaps com o JP Morgan está ultrapassado. O banco americano que se havia recusado a renegociar os famosos swaps, e que tinha mesmo decidido avançar com o assunto para tribunal, mas que, estranhissimamente, tinha sido escolhido pelo governo para consultor da privatização dos CTT.


Um governo de rins flexíveis para a banca – nacional e internacional – mas duríssimo de rins para os portugueses.


Forte com os fracos e fraco com os fortes?


Sim, mas mais do que isso: um governo para quem a pimenta no rabinho dos portugueses é refresco!


Depois admiram-se de não poderem sair à rua…

13 anos!

3D Gold Thirteen on white background Stock Photo by  ©Curioso_Travel_Photography 21745165


Hã 10 anos, o Quinta Emenda fazia três. Hoje, completa 13!


Pois. Já lá vão treze anos. Não serão de ouro, mas são 13!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Quinta Emenda faz anos. Três, quase tão velho como a crise, quase tão velho como a recessão que vivemos! 


Três anos a renegar o direito de ficar calado. A falar… A falar disto, a falar daquilo. E disto e daquilo!


Já mudou de imagem. Duas vezes. Nos três primeiros anos, três imagens diferentes. Este ano não muda. Vai, pela primeira vez manter a imagem, por mais de um ano!


Os conteúdos - esses – não mudam. São os que a actualidade dita, e os que a disponibilidade permite. Sem qualquer ideia persecutória, embora admita que às vezes até pareça. Irão ver que não! 


Na sua apresentação, quando o Quinta Emenda afirmava ter nascido, perguntava-se: Porquê hoje?


A resposta foi dada, mas não vem agora para o caso. Mas referiu-se ao day after de muitas coisas, uma delas a declaração de insustentabilidade do país pelo Presidente da República (PR) – Cavaco Silva. É verdade, o PR – que tanta página deste blogue tem enchido – há três anos, no dia em que o Quinta Emenda nascia, dizia que o país era insustentável. Já vivíamos esta crise que nos consome, já esta recessão que destrói a riqueza do país estava instalada. Já o desânimo tomava conta de muitos de nós, já o desemprego roía a sociedade portuguesa…


O país era, para o PR, então insustentável. Hoje, está optimista com o país, conforme confirmava ainda há pouco, na entrevista a Fátima Campos Ferreira, na RTP. Hoje, não é só o país que é sustentável, é também a dívida – que, entretanto e como se sabe, subiu exponencialmente – que se tornou sustentável. Disse que hoje há confiança no país. Que os credores acham que o país tem capacidade para lhes pagar os juros e lhes reembolsar a dívida.


Foi um retrato de sucesso, o que o PR deu do país. Uma só falha, se bem que, como expressou, falhanço é palavra exagerada para o que se está a passar com o desemprego!


Pois é. O Presidente Cavaco também quis associar-se a este terceiro aniversário … Não quis deixar de reforçar a justeza de ser a  figura da classe política nacional mais referida no Quinta Emenda. Não é perseguição, como se vê! 

sábado, 10 de junho de 2023

Finalmente a "Champions"

Confira a lista completa e atualizada de campeões da Champions League com Manchester  City


O Manchester City conquistou finalmente, tantos anos e tantas centenas de milhões depois, a "Champions", depois de vencer ("à rasquinha") o Inter de Milão, esta noite , no Atatürk, em Istambul.


O favoritismo da equipa de Guardiola era total, mas não o conseguiu confirmar no jogo. Porque lhe faltou o seu futebol, realmente superior e sem rival no planeta, "curto-circuitado" pelo meio campo do Inter. Que conseguiu fazer ao City de Guardiola, com todas as suas estrelas, aquilo que fizera ao Benfica, na Luz. 


O único golo do jogo foi marcado, aos 68 minutos, pelo espanhol Rodri, assistido por Bernardo Silva, numa jogada que desequilibrou por completo a intransponível defesa da equipa de Simone Inzaghi. E só então o jogo ganhou a dimensão de espectáculo de uma final da "Champions".


Até aí foi um jogo enfadonho, com o City aprisionado na maldição  "Champions" e na teia italiana, e o Inter preso à estratégia que o tinha trazido até Istambul. A partir daí, o Inter soltou-se, o jogo tornou-se excitante, poderia ter acabado com um resultado diferente, e poderia até ter ido para prolongamento.


Não foi, acabou assim. E o Manchester City conquista finalmente a "Champions", juntado-a ao campeonato e à taça de Inglaterra. O "treble", como eles dizem, por lá. E quatro benfiquistas são campeões europeus : Ederson, Rúben Dias e Bernardo Silva - provavelmente o jogador da final -, mas também "o proscrito" João Cancelo.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Mais do que o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, o 10 de Junho é o dia em que o regime olha para o seu umbigo.


Mais do que o dia em que o país honra os seus melhores, é o dia em que o regime condecora os seus… Às vezes, os melhores dos seus!


Cada vez mais do outro lado, cada vez mais...assobiam e apupam...

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Vai valer tudo e muito mais ...

Trump acusado: veja pelo que o ex-presidente pode responder e o que  promotoria precisa provar para obter condenação


Trump está novamente acusado. Desta vez, de 37 crimes relacionados com os documentos de Estado que indevidamente levou para casa, que se recusou a devolver, e que, segundo a acusação, põem em causa a segurança nacional.


Que esta acusação não demove a sua base eleitoral, não é novidade. Se é suficiente para pôr em causa a sua nomeação pelo Partido Republicano, é ainda uma incógnita. Certo é que, se conseguir concorrer às eleições do próximo ano, e porventura as ganhar, tratará de mandar arquivar tudo. Se assim acontecer nunca chegará a ser julgado.


Para Trump sempre valeu tudo. A partir de agora, vai valer tudo e muito mais!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A selecção nacional ganhou à Rússia e deixa ver a luz do segundo lugar lá ao fundo. Segundo lugar que poderá, finalmente, levar-nos ao Brasil, através de um apuramento a discutir com outro segundo classificado.


Mas, francamente, não empolgou. O resultado foi melhor que a exibição, como é comum dizer-se em futebolês. Não foi famosa, de facto. Como se esperava, porque há muito que a selecção abandonou as boas exibições. Mas também como se poderia esperar para esta altura do ano, em final de época. E como se poderá esperar daqui para a frente, pela exiguidade do campo de recrutamento, com a falta de novos valores num futebol completamente estrangeirado.


Falta classe na selecção portuguesa, e isso notou-se neste jogo. Entrou mesmo pelos olhos dentro em muitas fases do jogo e só foi minimamente disfarçado com a entrada de Nani. Um dos poucos jogadores de categoria mundial da actual equipa nacional, mas que vem de uma época para esquecer. Cristiano Ronaldo continua na selecção nacional como peixe fora de água, raramente conseguindo emprestar-lhe o seu imenso talento. E João Moutinho, o terceiro jogador de grande qualidade, destaca-se por muitos atributos. Mas não se distingue exactamente por aquilo a que se chama classe!

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ontem, Vítor Gaspar garantiu que não havia investimento por culpa da chuva. Hoje a chuva apareceu só para dizer que não. Que não tem culpa nenhuma disso. Nem do Vítor Gaspar ser parvo!


E deixou-se ficar. Não que ache que isto seja sítio para se ficar, mas porque acha que quem o aguenta há tanto tempo também a aguenta bem num fim-de-semana prolongado. Mesmo que às portas do Verão!

Astrud Gilberto (1940-2022)

Astrud Gilberto, a primeira "rainha da bossa nova" - Folha PE


Era brasileira, mas talvez pouco. O nome denuncia-o, o apelido, herdado do casamento com o "monstro" João Gilberto, desmente-o. 


Foi, por mero acaso, a voz de uma das canções mais famosas de sempre do mundo inteiro. Não foi por acaso contribuiu para a universalização de "A garota de Ipanema", vestindo-a de inglês. Nem é por acaso que este seja o mais reconhecido feito da voz desta brasileira mais estrangeira que brasileira.


 


 

terça-feira, 6 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Pablo Aimar, um dos mais fantásticos jogadores que passaram pelo Benfica e uma dos mais brilhantes estrelas da história do futebol, apresentou-nos ontem as suas despedidas. Escolheu a Benfica TV para o fazer… digamos que mais na intimidade. Hoje, todos os media difundiram a notícia, como quem tivesse espreitado pelo buraco da fechadura e agora desse conta do que viu!


Na hora do adeus quero agradecer-lhe por um dia ter escolhido o Benfica. Por ter decido dizer sim quando Rui Costa, chegada a hora de despir a sua camisola 10, que usou bem menos vezes do que todos desejaríamos, olhou para o mundo e não viu ninguém a quem melhor a pudesse confiar. Por ter sabido guardar e honrar durante cinco anos aquela mítica camisola 10, que foi de Rui Costa, que foi de Eusébio, mas também de Mário Coluna.


Vai partir sem ter a quem a entregar. Sem poder fazer como Rui Costa, sem passar esse testemunho de glória. É também isso que nos aumenta o sentimento de perda - perdemos o Aimar e, com ele, perdemos o 10!


É certo que o futebol já não é o que era, foi perdendo romantismo e com ele foi perdendo esse espaço de magia que só um 10, e um 10 como Aimar, guarda e transporta no tempo. Vive, hoje, de seis e de oitos, de compensações e de cavalgadas. De roubar espaços e de queimar etapas e tempos. Espaço e tempo, precisamente o ar que o 10 respira…


Aimar é um dos grandes jogadores deste início de século. Tão grande que se tornou, ele próprio, no ídolo de grandes ídolos - é Messi quem o confirma! Mas é também um ser humano de enormíssima dimensão: educado, sereno, elegante, disciplinado, correcto…


Tudo nele, jogador e homem, é de referência. É também isso que nos aumenta já a saudade mas, mais, bem mais que a saudade que já sentimos, é também isso que nos aumenta o sentimento de injustiça de que foi vítima neste último ano. De que se não queixa – nunca ninguém foi tão elegante na hora da despedida - mas que existiu!


No final da época passada, Aimar poderia ter saído, ainda a tempo de garantir um bom contrato num qualquer canto arábico do planeta. Ficou, não sei se muito ou pouco obrigado a isso. Sei é que ficou, e se ficou é porque o clube entendeu que era importante que ficasse. E porque também ele entendeu que tinha uma contribuição a dar para os objectivos do clube!


Não foi nada disso, e aí está mais um dos grandes erros de Jorge Jesus na época que há pouco acabou, mergulhada em frustração. Nesta época de despedida, Jesus não deixou apenas de contar com Aimar. Fez pior: fez-lhe o que não se faz a ninguém, mas que, feito a Aimar, é pecado imperdoável. Não lhe dando ritmo de jogo, impediu-lhe o rendimento ajustado à sua categoria, e isso penalizou e pôs em causa o sucesso da equipa. Colocando-o em campo sistematicamente nos cinco minutos finais - e no último jogo, na final da taça, com a equipa derrotada e abatida - não o respeitou. Não lhe atingiu a dignidade nem a imagem porque, nele, são grandes demais. Mas não se faz!


Nem o Aimar merecia despedir-se do Benfica com uma época destas, nem o Benfica merecia esta mancha na despedida a Aimar. E, no entanto, ele desfez-se em agradecimentos e em simpatia. Disse terem sido estes os cinco anos mais felizes da sua vida. Glorificou a grandeza do Benfica. Enalteceu a beleza do estádio, o melhor em que jogou. Exaltou a paixão única dos adeptos, como nunca tinha visto. Agradeceu-lhes o carinho, o carinho de sempre e o carinho adiantado. Esse carinho que recebeu à chegada, à cabeça, antes de dar o que quer que fosse…


Obrigado Pablito!

Portugal - um país divorciado os portugueses?

10 de Junho assinalado nos Açores com poucos convidados e sem condecorações  — dnoticias.pt


Os números da economia portuguesa têm sido amplamente destacados. Tanto pelo governo, que pretende encontrar neles a legitimidade que a governação lhe rouba, como pela generalidade da opinião publicada.


Em 2022 o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,7%, o maior crescimento anual deste século. E o crescimento homólogo de 2,5% no primeiro trimestre deste ano surpreendeu toda a gente, do governo à Comissão Europeia, e ao Fundo Monetário Internacional levando-os, todos, a rever em alta as suas previsões. Quase triplicaram, e já se aponta agora para um crescimento 2,6%, no final do ano.


O défice orçamental, mais que a dívida, - o "alfa e o ómega" da política económica do governo - também têm tido um comportamento elogiado, e elogioso. E no final do ano só não teremos superavit orçamental porque António Costa irá ter de "despejar" dinheiro sobre os problemas que ele próprio criou, para limitar os danos políticos de uma governação errática e desastrada.


É do senso comum que os portugueses não sentem nada destas melhorias no seu dia a dia. Que, pelo contrário, vivem cada vez com mais dificuldades. O próprio Ministro da Economia, António Costa Silva, diz que “a melhoria significativa da economia […] ainda não chegou ao bolso dos portugueses”. O problema desta declaração está na utilização do advérbio de tempo. "Ainda" não chegou, e dificilmente chegará!


Na realidade o crescimento de 2022 - o tal maior deste século - decorre da quebra provocada pela pandemia. Em  2020, no primeiro ano da pandemia, o PIB nacional teve uma quebra de 8,7%, e foi dos que mais caiu na Europa. E o fascinante crescimento deste ano está apenas alavancado no turismo.


Os "números dizem" que o PIB está a crescer pelo crescimento das exportações, e que o consumo privado, e o investimento, estão a cair. Os menos atentos poderão ser levados a pensar que não é bom que o consumo e o investimento caiam, mas que é muito bom que as exportações cresçam. Seria assim se as exportações não fossem pouco mais que o turismo.


Na realidade é este o modelo de "desenvolvimento" da economia portuguesa, onde a produção industrial - com a maior quebra da União Europeia - foi substituída pelo crescimento exponencial da actividade económica relacionada com o turismo. De baixo valor acrescentado, de baixos salários, e de trabalho precário. 


O resto, já se sabe. São salários baixos, cada vez mais baixos e cada vez com menos peso no PIB, e preços altos. Pela inflação natural, pela especulativa, e pela que resulta da procura induzida, especialmente na habitação, pelo turismo. 


Daí a ilusão do advérbio de tempo na declaração de António Costa e Silva.


Há perto de 10 anos, Luís Montenegro, então líder parlamentar de Passos Coelho, ficou famoso pelo "país está melhor, os portugueses é que não". Hoje, é o Ministro da Economia a dizer que a melhoria da economia não está a chegar aos portugueses. É este o drama de Portugal - um país que parece divorciado dos portugueses!


E tudo isto já sem falar na desigualdade (brutal, escandalosa, e inadmissível no domínio fiscal) com que trata os residentes estrangeiros e os nacionais!


Vem aí o 10 de Junho. Sabe-se que as comemorações só dão em festa e condecorações, mal amanhadas, tantas delas. Mas não ficaria nada mal darem também em reflexão...

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O primeiro-ministro resolveu assinalar os dois anos da sua vitória eleitoral com uma série de patetices. Dir-se-ia que dois anos destes não poderiam ser assinalados se não com patetices, mas não era preciso tanto.


Na Amadora, numa reunião partidária e de apresentação de uma candidatura autárquica da coligação no governo, Passos Coelho apresentou-se e falou como primeiro-ministro. Num discurso patético disse não ter medo de eleições nem dos portugueses, ele que não aparece em sítio nenhum senão protegido por um exército de seguranças. Falou de transformação nacional – e essa percebemo-la todos os dias – e de transformação local. Que as eleições são distintas, mas também interligadas, porque não há compartimentos estanques na política.


Disparates, coisas sem nexo. Patetices, mas nenhuma com a dimensão da que faria – que não fez - capa de jornal:  "Hoje Portugal e os portugueses são vistos como gente trabalhadora, cumpridora e honrada".


Choca que nos diga que não éramos cumpridores nem honrados, mas uma cambada de calões e preguiçosos. Choca a arrogância de tal transformação, da parte de quem destruiu o pouco que ainda havia para destruir. Choca que, depois de condenados à pobreza e à miséria, tenhamos passado a ser gente séria e cumpridora. Choca que, depois de destruído o trabalho de centenas de milhares de portugueses, lhes passe a chamar gente trabalhadora.


Mas choca muito mais a intolerável ideia de regeneração pela pobreza. A honra na pobreza, pobrezinhos mas honrados. A ideia que estes dois anos mais não são que a penitência a que fomos condenados por todos os pecados cometidos. O castigo implacável, mas merecido, de quem nunca quis trabalhar, sempre foi rebelde e incumpridor, desonesto e desonrado, de quem sempre viveu acima das possibilidades. A ideia que o governo impôs aos portugueses estes dois anos de privação para remissão de todos estes pecados. Que Passos, o bom pastor, em apenas dois anos nos redimiu. Libertou-nos. Regenerou em apenas dois anos um povo e uma nação com quase nove séculos de História!


Mais do que patético, isto é loucura!

domingo, 4 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


No dia em que passam dois anos sobre as eleições que levaram Passos Coelho ao poder, a própria efeméride já era dada a avaliações, a olhar para o que ficou para trás, a olhar para resultados. Maus, como se sabe.


Já não bastava que hoje nos lembrássemos das expectativas criadas com as eleições de 5 de Junho de 2011. E falhadas, todas, umas atrás das outras. Do apoio que este governo chegou a ter, e que foi desbaratando. Dos aliados que foi perdendo, uns atrás dos outros… Está hoje, ao fim de dois anos, isolado, com um único aliado, não menos isolado também ele!


Já não bastava que nos lembrássemos das promessas falhadas – invertidas mesmo - de Passos Coelho. Das reformas sempre adiadas que viriam agarradas à intervenção externa e que ficaram na gaveta. Que, sempre que mexiam com interesses instalados e protegidos, continuaram adiadas. Poderá hoje desconfiar-se se a própria reforma laboral resulta de uma concepção reformista, se de mera muleta ideológica de sustentação da política austeritária e de empobrecimento do país. E no entanto ainda ontem ouvi em Leiria Álvaro Santos Pereira dizer, com o ar mais convencido deste mundo, que este governo implementou nos últimos dois anos o programa de reforma mais ambicioso na Europa desde a era Thatcher.


Como se tudo isso não bastasse, o INE divulga hoje os números do primeiro trimestre. E diz que, num ano, o PIB caiu 4%. Quer dizer, em termos homólogos, comparando o primeiro trimestre deste ano com o do ano passado, esta foi a maior queda no PIB dos últimos quatro anos.


Se não haveria pior maneira de comemorar os dois anos da vitória eleitoral de Passos Coelho, também não havia forma mais irónica de o fazer!

Grande Prémio de Espanha


A questão, na fórmula 1 actual, não é quem é primeiro. Verstappen e a Red Bull, não permitem discussão - faz a "pole", ganha, lidera as corridas da primeira à última volta, e faz o melhor tempo de volta. No fim, também não será quem é o segundo. Perez, mesmo alternando boas classificações com últimos lugares na classificação, contará sempre com a supremacia do carro da Red Bull para as mais surpreendentes recuperações em corrida.


A questão é, pois, quem se consegue entre-por na esmagadora superioridade da Red Bull. Com o  melhor carro, a melhor estratégia de corrida, e a maior competência nas boxes. 


Hoje, em Barcelona, no Grande Prémio de Espanha, não foi diferente. Aconteceu tudo isso, com Verstappen a apenas mudar de pneus quando tem garantida a saída, na mesma, na frente. A fazer a pole, a volta mais rápida, a seguir na frente do arranque até à bandeira de xadrez, a conquistar a 40ª vitória da carreira, a consolidar a liderança no campeonato, e a consolidar, a meio da temporada, o mais que anunciado terceiro título mundial consecutivo . E com Perez a sair dos últimos lugares da grelha para acabar em quarto. 


A novidade foi a Mercedes, com Hamilton, a sair da quarta posição na grelha, a terminar em segundo, e Russel em terceiro, saído da 12ª posição, à partida. Na primeira vez em que outra equipa, que não a Red Bull, conseguiu dois lugares no pódio. Mercedes já é segunda no mundial de construtores, quando parecia já ter sido ultrapassada até por construtores há pouco tempo de segunda linha.


É verdade que a Ferrari continua a desiludir, como voltou hoje a fazer. Sainz tinha obtido o segundo melhor tempo na qualificação, e saiu na primeira linha da grelha. Mas nem isso lhe valeu mais que o quinto lugar no fim. E Leclerc que, penalizado, tal como Pierre Gasly, começou por partir das boxes, nem nos pontos acabou (11ª lugar). 


 Quando até a Maclaren (com Norris na terceira posição na grelha, mas a afundar-se na corrida) a ameaçava empurrar ainda mais para baixo, já depois de claramente ultrapassada pela Aston Martin, a Mercedes ressuscitou em Barcelona. A dúvida, agora, é se esta é a evolução normal do seu W14, ou se apenas um caso de especial apetência pela pista catalã. Seja o que for, a aproximação à Red Bull continua difícil!


Aos espanhóis, naturalmente figuras do cartaz, é que a sua corrida não correu nada bem. Sainz ainda fez figura na qualificação, com o segundo tempo, mas acabou em quinto. E Alonso ficou sempre atrás do seu colega Stroll. Na qualificação, onde não conseguiu melhor que o oitavo tempo, com Stroll em quinta. E na corrida, em sexto, mas ainda atrás do seu colega de equipa.


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não podia ter saído do país. A obra de Carlo Crivelli -"Virgem com o Menino”- faz parte da lista de bens de interesse patrimonial do Estado, mas saiu das mãos de Pais do Amaral e do país e, por três milhões de euros, voou para Paris. 


Quem autorizou? 


Foi o então Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. Mas não se lembra nada disso!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...