segunda-feira, 5 de junho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O primeiro-ministro resolveu assinalar os dois anos da sua vitória eleitoral com uma série de patetices. Dir-se-ia que dois anos destes não poderiam ser assinalados se não com patetices, mas não era preciso tanto.


Na Amadora, numa reunião partidária e de apresentação de uma candidatura autárquica da coligação no governo, Passos Coelho apresentou-se e falou como primeiro-ministro. Num discurso patético disse não ter medo de eleições nem dos portugueses, ele que não aparece em sítio nenhum senão protegido por um exército de seguranças. Falou de transformação nacional – e essa percebemo-la todos os dias – e de transformação local. Que as eleições são distintas, mas também interligadas, porque não há compartimentos estanques na política.


Disparates, coisas sem nexo. Patetices, mas nenhuma com a dimensão da que faria – que não fez - capa de jornal:  "Hoje Portugal e os portugueses são vistos como gente trabalhadora, cumpridora e honrada".


Choca que nos diga que não éramos cumpridores nem honrados, mas uma cambada de calões e preguiçosos. Choca a arrogância de tal transformação, da parte de quem destruiu o pouco que ainda havia para destruir. Choca que, depois de condenados à pobreza e à miséria, tenhamos passado a ser gente séria e cumpridora. Choca que, depois de destruído o trabalho de centenas de milhares de portugueses, lhes passe a chamar gente trabalhadora.


Mas choca muito mais a intolerável ideia de regeneração pela pobreza. A honra na pobreza, pobrezinhos mas honrados. A ideia que estes dois anos mais não são que a penitência a que fomos condenados por todos os pecados cometidos. O castigo implacável, mas merecido, de quem nunca quis trabalhar, sempre foi rebelde e incumpridor, desonesto e desonrado, de quem sempre viveu acima das possibilidades. A ideia que o governo impôs aos portugueses estes dois anos de privação para remissão de todos estes pecados. Que Passos, o bom pastor, em apenas dois anos nos redimiu. Libertou-nos. Regenerou em apenas dois anos um povo e uma nação com quase nove séculos de História!


Mais do que patético, isto é loucura!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...