segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Pantominice

Portugal: manifestação do partido Chega contra a imigração


Que Portugal precisa de imigrantes é hoje inquestionável. Os empresários dizem-no todos os dias: "fechar as portas à imigração seria desvastador para a economia". A demografia, e a "Segurança Social" demonstram-no com clareza.


No entanto o "pantomineiro-mor" do país troca esta realidade pela narrativa que lhe alimenta a pantominice, e marca uma grande manifestação para Lisboa contra a imigração. Freta autocarros por todo o país, e arregimenta todas as estruturas para este objectivo principal do partido. Disse-se por aí que quem não apresentasse resultados ficaria com contas para ajustar.


E ontem lá se encontraram todos - gente que não sabia o que ali estava a fazer, gente que também tinha sido emigrante, "mas dos bons, nada destes que para cá vêm", e gente que sabia bem ao que vinha, como um tal Mário Machado com o "seu" 1143 - percorrendo precisamente o eixo da capital mais marcado pelas mais degradantes imagens da exploração associada à imigração.


O pantomineiro tinha à sua volta câmaras e microfones que bastassem. Para elas dizia que não, que não era nada contra a imigração, enquanto descia pela Almirante Reis debaixo da gritaria "nem mais um, nem mais um". Novo microfone à frente e, de novo, não, aquilo era apenas contra a desregulação, contra a "bandalheira" das portas abertas.


As tais que, dizem os empresários deste país, a fecharem-se, seria devastador!


Pantominice é isto. Também lhe chamam populismo, mas isto é mais propriamente pantominice!

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Carlos Moedas foi hoje ouvido no Parlamento Europeu, numa espécie de prestação de provas, na condição de comissário europeu indigitado. Provas - nesse sentido - tanto mais necessárias quanto, pela evidente falta de peso político, o parlamento desconfiava da sua preparação para a função.


Saiu-se bem, dizem. Apresentou-se como um produto do fenómeno de mobilidade social ascendente, imagem de marca da democracia europeia, o que é sempre bonito, e fez a sua mais surpreendente revelação quando disse que esteve muitas vezes em desacordo com a troika.


A surpresa - ninguém nunca deu por nada, antes pelo contrário, alinhou sempre pela ala mais dura do governo, na linha da frente da defesa da troika - deixou de ser surpresa quando se percebeu que, antes, o próprio Parlamento tinha criticado fortemente a intervenção da troika no nosso país. É sempre a mesma coisa: o que é preciso é saber dançar certinho ao som da música de cada momento. Acertar com a música...E isso aprende-se facilmente por Wall Street e pela City...

Pontapés na gramática I

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA! – “Xipalapala” de João de Sousa | BigSlam


"Vão haver falências" - escarrapacha hoje o Jornal Económico


Não é o primeiro, nem será certamente o último, a pontapear a gramática de forma grosseira e violenta. Sucedem-se diariamente agressões à língua portuguesa nas primeiras páginas dos jornais - de todos, dos generalistas aos desportivos e aos económicos, como neste exemplo -, nas reportagens, nas notícias e nos comentários das televisões portugueses. Sempre sem que nada se passe. Sem a mínima responsabilidade de quem tem a obrigação de ter a máxima. Sem que ninguém simplesmente peça desculpa...


A primeira obrigação de quem vive da escrita é escrever sem erros. É cumprir o mínimo. Se nem esse cumpre, cai em falência. Ainda primeiro que as tintas ...

domingo, 29 de setembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


O país vibrou com as primárias do PS, disso não me parece que fiquem dúvidas. Muita gente correu a inscrever-se para votar e muita gente seguiu a par e passo a campanha, como o provam as próprias audiências dos debates televisivos.


Não sou dos que pensam que isto represente um sobressalto cívico, que o país tenha de repente saltado da cadeira – ou do sofá – e acordado para o activismo perdido. Que de repente o país se reconciliou consigo próprio, e quer intervir activamente no seu destino. Nada disso, os números ainda não dão para isso. E os partidos ainda são muito como o clube de futebol…


Mas também não acho que se possa ficar pela mera escolha de um novo líder partidário, que foi verdadeiramente a escolha de um candidato a primeiro-ministro, exista ou não essa figura.


Não sei se esta ideia das primárias veio assim tanto para ficar quanto nos vão dizendo muitos dos analistas políticos. Enquanto primárias, não me parece. Mas enquanto forma de legitimação democrática e agente da transparência e da revitalização que é necessário levar aos partidos políticos e, por essa forma, ao regime, não tenho qualquer dúvida que é muito importante que seja uma ideia para ficar. Quero com isto simplesmente dizer que não me parece que se institucionalize como ideia de primárias propriamente ditas, mas que não poderá deixar de ser a forma dos partidos escolherem as suas lideranças.


Para além do que deste processo fique para o futuro do regime, também este resultado expressivo de dois terços que António Costa alcançou, se torna no mais relevante e decisivo facto político desta parte final da legislatura.


É que ninguém no PSD pensará neste momento que Passos Coelho, com o que foi e é o governo e ainda com todos os problemas que o envolvem, e que, tantas as contradições e trapalhadas, estão longe de estar ultrapassados, tenha qualquer hipótese de ganhar as próximas eleições a António Costa. Que, há não muito tempo, sagaz, anunciou ser Rui Rio o seu adversário


Mas Rui Rio não é apenas o adversário que o PSD tem para António Costa. É também, e acima de tudo, o líder que o PSD tem para se coligar com Costa. Quer isto dizer que o PSD percebe neste momento que só com Rui Rio garante a manutenção do poder. Contra António Costa ou com António Costa!


Creio que Passos Coelho percebe isto. E percebe que, se como António José Seguro insistir em resistir ao óbvio, poderá abrir a caixa de Pandora que afastará por muitos anos o PSD do poder. Posso estar enganado, mas não vejo como Passos possa estar a fazer outra coisa que não seja escolher a melhor forma de sair pelo seu pé… 


Mais que o primeiro dos últimos dias do governo, este é um ponto de viragem!

sábado, 28 de setembro de 2024

Festa do jogo


De novo na Luz, de novo cheia que nem um ovo, de novo o "novo" Benfica de Bruno Lage entrou a perder. Ainda se não tinha percebido - nem nada perto disso - o que o jogo tinha para dar  e já Gil Vicente marcava, logo na primeira vez que chegava à baliza de Trubin. Ia o jogo com 8 minutos!


Nada de novo. Já assim tinha acontecido no último jogo na Catedral, o primeiro de Lage. Como já tanta vez tem acontecido. O Benfica - a equipa e os quase 60 mil nas bancadas - não se deixou abater, e partiu à procura da reviravolta. O que foi novidade foi, à medida que o jogo ia prosseguindo, perceber que nada disso - o golo prematuro do Gil e a reacção pronta do Benfica - dava ao jogo um sentido único.


Surpreendentemente a equipa de Barcelos dividia o jogo com o Benfica. Que, surpresa ou não, pagou com a mesma moeda: não foi à primeira vez que chegou à baliza adversária - pelo contrário, foi até no quarto canto conquistado - mas marcou na primeira oportunidade, menos de 10 minutos depois. Foi de novo um golo de canto, a novidade da era Lage. E foi o primeiro de Otamendi nesta época. Mais importante foi ter sido a resposta do capitão à sua própria responsabilidade no golo sofrido, nove minutos antes. 


Com o Gil a continuar a dividir o jogo e a praticar futebol de qualidade, melhor mesmo só consumar a reviravolta à segunda oportunidade. Foi o que aconteceu apenas oito minutos depois e a meio da primeira parte, quando Kerem Aktürkoglu respondeu de cabeça a um grande cruzamento de Aursenes. A meio da primeira parte três golos, em três oportunidades. Só depois houve tempo para desperdícios, ainda assim poucos: dois para o Benfica; um para o Gil. 


O Benfica veio para a segunda parte decidido a acabar com o atrevimento do adversário. No primeira metade demonstrou-o claramente, assumindo o domínio do jogo, sufocando mesmo, e criando sucessivas oportunidades de golo. Pouco antes do meio da segunda parte Andrew, o guarda-redes do Gil, provocou uma paragem no jogo para ganhar ar e quebrar o sufoco. E resultou!


O Gil voltou a ter bola, e a jogá-la bem. À entrada do último quarto de hora sentia-se que as bancadas tinham sido invadidas pelo receio. O Benfica não aproveitara aqueles 20 minutos de absoluta superioridade, o resultado estava em aberto, e o Gil já voltara ao registo da primeira parte. Bruno Lage já tinha mexido na equipa - fora mesmo o primeiro a fazê-lo - com a entrada de uma assentada de Cabral, Rollheiser e Amdouni (saídas de Pavlidis, Koçu e Aktürkoglu), mas nem isso tranquilizava as bancadas da Luz.


A equipa consegue dominar os jogos. Mas quando não tira proveito disso, e o resultado continua em aberto, tem evidentes dificuldades na altura de o controlar. Já se tinha percebido, e aqueles minutos confirmavam que esse é, para já, um problema que Bruno Lage tem para resolver.


Desta vez tudo acabou em bem - e até na maior goleada da época - porque Amdouni acabou com "o galo" dos ferros, e arrancou um grande golo, no momento certo. Foi como o ketchup, e os golos soltaram-se a partir daí. Florentino marcou o quarto, decalcado do que fizera da última vez na Luz - canto ao primeiro poste, desvio de Otamendi e finalização do médio, quase a meias com Cabral.


Antes, naquela dúzia de minutos que mediou entre o terceiro e o quarto golo, já mais umas tantas oportunidades de voltar a marcar tinham ficado para trás. Ao todo foram onze!


Depois, já na compensação, acabado de entrar, Prestiani (parece a perder espaço nesta configuração de Bruno Lage) assistiu o compatriota Rollheiser para o quinto da noite. Acabando em festa um jogo que foi isso mesmo - uma festa.


De que o Gil fez parte. E não foi por ser o bombo! 


 

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


 


Foi dia de Costa. De António, e em grande. Que para o Rui... não deu. Nem lá perto. Ganhou o polaco Kwuiatowski, também um grande ciclista!


Mas foi acima de tudo dia dos rapazes do ténis de mesa. Grande vitória!

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

A segunda vez de Draghi

Relatório de Draghi sugere "mudança radical" na Europa


Embalada pelo canto da sereia da globalização a Europa desindustrializou-se, crente que a sua superioridade tecnológica, e as suas capacidades de investigação e inovação, seriam suficientes para continuarem a garantir às suas marcas confortáveis posições dominantes nos mercados mundiais. E às suas principais economias lugares destacados à cabeça do produto mundial.


Sem darmos conta - se não tivesse sido a pandemia a mostrar-nos como já não conseguíamos fabricar máscaras e ventiladores, o estado a que chegou a indústria europeia seria provavelmente ainda escamoteado - a Europa, que em 1990 detinha 44% da produção mundial de semicondutores, não passa hoje dos 9%. E a China, transformada na fábrica do mundo, deixou de copiar e passou a liderar, como demonstra o novo paradigma da indústria automóvel, da era do eléctrico.


Sem darmos conta, a Europa da superioridade tecnológica de há 30 anos não tem hoje uma única empresa entre os líderes tecnológicos globais. E está claramente a ficar para trás, muito longe do que acontece na América, na "revolução" da inteligência artificial.


É desta perda de competitividade que trata o "Relatório para a Competitividade da Europa” que Mario Draghi apresentou há dias. O diagnóstico é certeiro. Reconheçamos que acertar também não era muito difícil. As soluções é que, agora, são bem mais difíceis.


Há uma década, quando a União Europeia andava convencida que a "crise do euro" (chamaram-lhe crise das dívidas soberanas, mas era mesmo do euro) se resolvia com austeridade, e com bons alunos um pouco por todo o lado, Draghi viu que não era assim, e fez o que tinha de ser feito para salvar o euro. Mas era então Presidente do BCE; tinha o poder. Tomara ele próprio a decisão e dispunha ele próprio dos meios para a executar.


Hoje, não tem nada disso. E provavelmente as suas propostas - algumas ainda muito vagas - irão acabar enroladas nas indefinições estruturais da União Europeia. Na sua falta de decisão política e nos seus dogmas!

Há 10 anos

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CENTRO PORTUGUÊS para a COOPERAÇÃO – dito assim, com este nome pomposo, até parece que estamos a falar de coisa séria e respeitável, acima de qualquer suspeita. Ouvido assim, de braço dado com uma palavra de honra, parece salvo-conduto. Abre-te Sésamo, sem ladrões mas com mil e uma noites.  Resolve tudo. Não se fala mais nisso…


E ninguém pergunta o que é isso. Nem para que uma empresa privada precisa de uma ONG. Nem por que os administradores de uma são os administradores da outra…


Nem para que servem tantas Fundações e ONG`s, tudo farinha do mesmo saco…

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


O PSD tinha ontem anunciado que o primeiro-ministro esclareceria hoje tudo e, mesmo que ainda antes do início do debate quinzenal já os jornais adiantassem que a explicação estava nas despesas de representação, a expectativa era, por isso, grande.


António José Seguro teria certamente percebido que este debate de hoje, nestas circunstâncias e nesta altura, a dois dias das eleições internas, mais que mais uma oportunidade, era uma oportunidade única caída do céu, depois dos debates televisivos com o seu opositor. Se bem que já todos saibamos do que Seguro (não) é capaz, esperava-se que a súbita capacidade de combate recentemente revelada desse agora em alguma coisa.


A Procuradoria Geral da República, provavelmente fazendo o que teria de fazer, fez o que se esperava que fizesse. Que chutasse para canto, como Passos Coelho bem sabia quando, depois de se ter refugiado na Assembleia da República, decidiu pedir-lhe a investigação.


Era este o cenário que dominava o debate quinzenal desta manhã, o último reduto que sobrou a Passos Coelho. Por escolha própria ou porque fosse a parede a que se foi encostando, mais que deixar-se encostar.  


Encurralado, socorreu-se do último argumento a que agora podia lançar mão: a sua palavra de honra, que para uns pode valer muito e, para outros, nada. Antes, fazendo-a valer ainda menos, mais uma cambalhota: as despesas de representação eram ainda terreno muito movediço – como bem sabe quem dedica alguma atenção às coisas da Contabilidade e da Fiscalidade – e era preciso corrigir isso para pagamento de despesas, mesmo que ninguém lhe lembrasse que para se efectuarem despesas em serviço é preciso estar ao serviço, mesmo que a abrir portas. E que se está ao serviço de alguém de forma remunerada ou a título gratuito… E que, como ainda ontem dizia o António Lobo Xavier, poderia não se lembrar de quanto ganhara em cada um dos meses dos últimos vinte anos, mas lembrava-se perfeitamente quando trabalhara de graça…


No fim de contas, depois da estranha coisa de não se lembrar de coisa nenhuma, de, pela mão de um Secretário Geral fiel, diligente e disposto a meter os pés pelas mãos, buscar ilibação na Assembleia da República, e de procurar ganhar tempo e poeira na PGR, Passos Coelho pensa que, entre aplausos de dezenas de deputados "encarneirados", conseguiu criar a parede de fumo suficiente espesso para continuar em cena.


Esta cabia-lhe a ele, ninguém o podia substituir. Agora a máquina trata do resto!

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

ONU - uma velhinha de 80 anos

Arranca 79.ª Assembleia-Geral da ONU com foco no progresso dos ODS - Balai


O Planeta reuniu os seus líderes em Nova Iorque, na 79ª Assembleia Geral da ONU, a Organização Internacional criada em 1945, sobre os destroços da guerra, para que nada mais de terrível voltasse a acontecer. 


Lá reunidos, reconhecem todos que acontecem coisas cada vez mais terríveis, a que o planeta não vai conseguir resistir. As guerras, as alterações climáticas, a fome, a desigualdade - reconhecem - são coisas cada vez mais insuportáveis. Como reconhecem que acontecem porque querem que aconteçam, num simples passo para declarar a inaptidão e a incapacidade da Organização criada para as evitar.


Afinal foram todos para Nova Iorque ajudar uma velhinha de quase oitenta anos atravessar a rua. Fizeram boa figura. Fica sempre bem!

Há 10 anos

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À entrada da recta final do mandato, o governo dá mostras de uma exaustão que, se até poderia entender como normal no final de uma legislatura como esta, marcada por uma intervenção externa duríssima, que se encarregou de tornar ainda mais difícil, não deixa de causar alguma estranheza, e de revelar até alguns paradoxos.


Tanto mais que, depois da gravíssima crise da meia-idade, aquela que Paulo Portas desencadeou a meio do mandato, com a sua irreversível mas revertida demissão, do próprio governo emergiu um primeiro-ministro com algumas capacidades políticas escondidas, e até surpreendentes. E alguns sinais de insuspeitável coesão que lhe deram algum fôlego, muito reforçado por uma oposição inócua, e mesmo inexistente. Das inevitáveis derrotas eleitorais de permeio, nas autárquicas e nas europeias, não tirou a oposição quaisquer dividendos. Antes pelo contrário, como também inevitavelmente se viu no seu principal opositor!


A um governo supostamente reunificado sucederam-se dois governos: o do PSD e o do CDS. De um governo, passou-se a dois governos. Um de continuidade, mal ou bem fiel à sua estrutura ideológica e agarrado à sua matriz, e outro de rotura consigo próprio, decidido a marcar a sua actuação a partir de um marco histórico por ele próprio inventado, um tal 1640 inventado para Maio de 2014. Como rapidamente a realidade se encarregou de demonstrar essa invenção, também rapidamente o governo do CDS passou as fronteiras do ridículo, passando os seus protagonistas principais – Paulo Portas e Pires de Lima, evidentemente – a surgir frequentemente como verdadeiras caricaturas, ou mesmo autênticos cromos.


O governo ia no entanto fazendo o seu percurso, um percurso cada vez mais facilitado por um PS inoperante, e agora virado exclusivamente para si próprio, em processo autofágico. Inevitável, repito. Até que, na rentrée, surgem a abertura do ano lectivo e a do ano judicial, dois acontecimentos propícios a incidentes, e normalmente momentos quentes da governação.


O ano climático tratou de arrefecer o terceiro momento quente da governação desta altura do ano – os incêndios. O Verão não foi generoso para as férias dos portugueses, mas foi-o para o governo, poupando-o às agruras das faltas de meios e de políticas de prevenção que sempre fazem mossa. Só que, o que as condições climatéricas lhe deram, a inépcia e a incompetência de alguns ministros lhe tiraram. E logo dois dos três principais focos de incêndio que consomem os portugueses começaram a soltar labaredas de proporções gigantescas. Se na Saúde, com gente que morre à espera de intervenções cirúrgicas e greves de enfermeiros e médicos, ainda foi possível – porque mora por lá alguma competência, o que faz sempre a diferença – controlar os fogos, na Educação e na Justiça tudo está a arder sem qualquer tipo de controlo. E o país está verdadeiramente a arder, como se estivéssemos no pico de um Verão que não chegou a aparecer!


Num governo dado como arrogante e autoritário surgiram até os pedidos de desculpa. Com o Ministro da Educação, um especialista da Matemática, a pedir desculpa por fórmulas matemáticas erradas, e a Ministra da Justiça a pedir desculpa por não saber em que cítius se deixou a Justiça.


No meio disto tudo os ministros do CDS fazem-se agora de mortos, e só dão sinais de vida para falar em baixar impostos, e o primeiro-ministro faz por puxar a carroça sozinho, arranjando uns números bem preparados – o da Tecnoforma, em que levanta uma lebre para depois ser ele a caçá-la, é de mestre – para distrair o pagode


 

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Lage e os jogadores estão a fazer o seu trabalho. Faltam outros!


Ao terceiro jogo fora, a primeira vitória nessa condição. Ao quarto de Bruno Lage, a quarta vitória. Aconteceu no Bessa, onde os adeptos benfiquistas voltaram a não faltar. Foi como jogar em casa.


O futebol do Benfica já não tem nada - mesmo nada - a ver com o do tempo de Roger Schmidt. É certo que não tem havido tempo para treinar, e é claro que, com dois jogos por semana - pelo menos, e para já, até lá para o fim do ano - não vai haver. No entanto, sem tempo para treinar, a equipa joga de forma completamente diferente, e deixa-nos a sensação que irá evoluindo em competição, que o seu futebol vai sendo aprimorado com os jogos.


Hoje o Benfica tem profundidade e largura no seu futebol. Tem linha de fundo, e variações rápidas de flanco. E isso faz toda a diferença. Os adversários já não defendem comodamente, de cadeirinha, como faziam com o Benfica de Schmidt. E não faziam com os outros adversários.


Os jogadores parecem felizes, livres de constrangimentos, com fome de bola e olhos na baliza. Entram em campo para resolver os jogos, e resolvem. 


Hoje, contra um Boavista dado por frágil - é curioso como foi preciso jogar com o Benfica para que fosse dada ênfase ao impedimento de contratar jogadores, como se esta não fosse uma situação que os axadrezados atravessam há já dois anos -, mas muito competitivo e pressionante em todo o campo (Cristiano Bacci, o treinador italiano a quem temos de tirar o chapéu, explicou que, sem jogadores experientes, não dá para especular com o jogo, e defender em cima da grande área à espera de uma oportunidade de contra-ataque que possa resultar), o Benfica foi avassalador.


Sob o comando de Kokçu (não importa se é 8 ou 10, joga no seu lugar e joga como nunca tinha jogado) e Aursnes (que já não "é pau para toda a obra", e joga no sítio onde o faz melhor), o 4x3x3 assume uma nova dinâmica. Os laterais fazem as alas (Carreras, cresce a olhos vistos e, com Bah lesionado, foi utilizado Tomás Araújo na direita), Di Maria abre as defesas, Akturkoglu fura-as e Pavlidis martela-as. Pelo meio marcam golos.


Poucos para as oportunidades criadas. Dois na primeira parte: o primeiro logo aos 11 minutos, à ponta de lança, depois de Carreras desmarcar Akturkoglu, que furou por ali fora até deixar Pavlidis ser ponta de lança, e marcar); o segundo às portas da meia hora, num grande remate de Kokçu. O último já nos último minutos, por Cabral, acabado de entrar.


Poucos, também, por falta de decência das arbitragens. Penáltis só para os rivais, já ambos bem aconchegados com uma média próxima de um por jogo. No Bessa voltaram a ficar mais dois por marcar. Se no primeiro, na primeira parte, sobre Pavlidis, o árbitro João Pinheiro ainda se deu ao trabalho de se desculpar com uma inventada falta de Tomás Araújo, já no último, aos 73 minutos, sobre Di Maria, ele e o VAR (Tiago Martins) quiseram apenas ser o que são. 


Era importante que alguém da estrutura falasse nisto. Que não continuasse a passar ao lado do que as arbitragens repetem todas as jornadas. E não é só nos penáltis que marcam para uns, e não marcam para outros. É também nos cartões, tantas vezes mais importantes ainda. 


É que Lage e os jogadores podem fazer muito. Mas não conseguem fazer tudo!


 


 

Há 10 anos

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Quis que o tiro fosse grande e certeiro. Sabe com o que pode contar, com gente espalhada por todo o lado, e com poucos escrúpulos. Uns querem vir a ser Presidente da República, outros querem simplesmente manter o tacho do topo administrativo da casa da democracia que o partido lhe pôs à frente. Capazes de tudo: no pasa nada, foi tudo sem querer, já prescreveu... Capazes até de meter a Assembleia da República no lamaçal... 


Afinal o tiro está a sair-lhe pela culatra!

Vida a arder

6.200 operacionais combatem 172 fogos. Proteção Civil prevê madrugada  difícil e considera "situação complexa"


Estava fora nesta semana em que o país ardeu. Em que, em apenas quatro dias deste final de Setembro, e de Verão, ardeu seis vezes mais território do que tinha ardido até aqui. Não acompanhei por isso tão de perto a catástrofe e não tive acesso ao que - imagino - tenham sido os desfiles de infindáveis especialistas da matéria pelas televisões. 


Escapou-me certamente muita coisa. Mas vi que arderam casas, fábricas, oficinas, explorações agrícolas, animais, equipamentos... Para além das mortes de pessoas, ardeu vida. Vida económica. Ardeu investimento, ardeu emprego. Ardeu actividade económica criada para fixar pessoas naquelas zonas, justamente para evitar que, abandonados, aqueles territórios ficassem despovoados, a servir de pasto a chamas a caminho do descontrolo.


Vi gente que perdeu a vida que trouxe para aqueles territórios dizer que tinham os seus bens e os seus investimentos protegidos com áreas limpas à sua volta. E fiquei a pensar que, contrariamente ao que presumivelmente muitos especialistas terão deixado dito pelas televisões, as cargas térmicas que empoderam as chamas não resultarão tanto de abandonos, mas bastante mais de invasões. De eucaliptos, por muito que não queiram que seja dito!

domingo, 22 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Com o terceiro e último debate nas televisões, desta feita na RTP, fechou-se a página pricipal da campanha para as primárias do PS. Agora só falta votar, já no próximo domingo!


A televisão tem uma enormíssima influência em qualquer processo eleitoral, admito que mais nuns que noutros, mas não me parece que menos neste que noutros. Por uma razão decisiva: é que estes debates não são vistos apenas por quem vota neste processo, são vistos por esses e pelos outros, que irão votar nas legislativas que aí vêm, e provavelmente mais depressa do que se esperaria. Estes debates são tão mais decisivos nos resultados das primárias do PS quanto estas são mais primárias das próprias legislativas. Os que forem votar no próximo domingo vão votar no candidato com que mais se identifiquem, mas irão antes de tudo votar no que acharem em melhores condições para convencer o eleitorado do país, que assistiu aos debates...


António José Seguro estava convencido que ganharia com os debates. Não me parece fácil de perceber por quê, nada apontaria para que pudesse levar aí vantagem sobre Costa. Mas a verdade é que começou mesmo por levarvantagem. No primeiro debate, mais por demérito do adversário do que por mérito próprio - é hoje claro -, Seguro, com uma estratégia de grande agressividade que apanhou Costa de surpreza, ganhou em toda a linha. No segundo já não foi assim, nem um foi tão imprevidente nem outro tão ríspido e hoje, no último e no pior dos três, Costa deixou Seguro estendido no tapete, inanimado!


Seguro ainda tentou repetir a estratégia do primeiro debate, mas Costa estava preparado, e não teve dificuldade em defender-se e devolver-lhe os golpes: "Se tu tivesses tido um décimo da agressividade que tens contra mim na oposição a este governo, este governo já tinha caído". Mortal, como diria alguém que já não está entre nós!


Quando, em desespero de causa, deitou mão ao nome de Nuno Godinho de Matos que trazia preparado - tão preparado que, à falta de oportunidade, teve que começar por inventar uma insistência do moderador ("já que insiste ", quando não tinha havido insistência nenhuma) - Seguro enfiou-seu num buraco donde não mais conseguiu sair. Não tinha por onde, mas a verdade é que também não merecia outra coisa que ficar lá!

sábado, 21 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Perante as notícias da ilegalidade de determinados recebimentos da Tecnoforma, Passos Coelho limitou-se a dizer que não se lembrava e que a Assembleia da República se devia pronunciar sobre isso. Ontem, na sua homilia dominical Marcelo tinha sossegado o país: nada fora intencional e tudo já prescrevera. Hoje, a Lusa alavancou a ordem de Passos e pôs a questão aos serviços do Parlamento, que logo disseram que à época o actual primeiro-ministro não usufruia do subsídio de 10% sobre o vencimento que ditaria a exclusividade. A notícia encheu os jornais e ecoou por toda a comunicação social, como Passos desejava...


Nesta altura estará o leitor a perguntar onde é que está a notícia para além da notícia de que não houve qualquer ilegalidade. Ou, mais, se depois da divulgação da notícia da ilegalidade, não é mais que justificada a amplificação da notícia que a nega?


Pois, mas a notícia é outra. A notícia é a mestria com que Passos Coelho trata destas coisas, a forma exímia como ele lida com as técnicas de imagem na construção do culto da personalidade. 


Há dois dias atrás dei aqui conta do estranho que era, não só Passos Coelho não se lembrar, como remeter para esclarecimentos da Assembleia da República. E, dizia eu ainda, que era muito estranho que, perante matéria de um assunto como a Tecnoforma, Passos Coelho não tivesse uma resposta preparada na ponta da língua. Hoje temos a resposta, não foi preciso esperar muito. Não era mesmo para esperar muito...


Um político, chamemos-lhe normal, do tipo convencional, teria realmente dado a resposta pronta, teria marcado uma posição, como referi no paralelo estabelecido com Luís Filipe Menezes. Mas Passos Coelho já joga noutro campeonato, e é hoje insuperável na arte do cinismo político. Evidentemente que sabia que não estava em exclusividade, e que por aí não havia qualquer ilegalidade. Mas sabia que tinha muito mais força parecer que não dava importância nenhuma ao assunto. E ainda mais fazer com que fosse a Assembleia da República, e não ele, a dar a resposta!


Por isso a agência Lusa lhe fez de imediato o frete. Com serviço completo...


E, claro... Que Passos Coelho recebesse 5 mil euros por mês por, ao mesmo tempo que era deputado, ser porteiro da Tecnoforma nunca mais tem importância nenhuma. Nem qualquer relevância política!


Está um mestre, este Passos Coelho... Quem o menosprezar está a cometer um erro que pagará bem caro... Ouviu António Costa?

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


O Benfica ganhou (3-1) ao Moreirense, teve fases de bom futebol no jogo e podia até ter goleado. Mas nem sempre tudo está bem quando acaba bem!


Começou a perceber-se desde muito cedo que este seria um jogo muito complicado para o Benfica: como seria de esperar, os jogadores do Moreirense estavam muito bem arrumados em campo e, como não se podia esperar, corriam mais do dobro dos do Benfica. Essas dificuldades começaram no entanto a adivinhar-se muito antes: dois dias antes, quando se percebeu que Jorge Jesus estava mais preocupado com o Dartagnan que com o jogo, quando disse, a propósito da estreia de Júlio César, que este era um jogo – “pensamos”, salientou – que dava para pôr jogadores pela primeira vez na equipa.


Qualquer jogo dá para estrear jogadores, assim estejam eles preparados para isso. O que não pode haver é jogos para facilitar, como foi a ideia que deixou.


Foi por isso sem grande surpresa que vimos os jogadores do Benfica desconcentrados, sem intensidade, a jogar a passo e a ver correr os adversários. E a perder, logo ao fim do primeiro quarto de hora!


Depois, claro, é difícil criar oportunidades de golo, e com os índices de aproveitamento da equipa, sem avançados e com Lima já sem saber marcar golos, é mesmo necessário criar muitas oportunidades para fazer um golo. O tempo é cada vez menos e os jogadores adversários, sempre no chão, contorcidos com dores, não têm contemplações: queimam tempo, ritmo de jogo e a paciência de toda a gente.


E tudo isto nasce de uma entrada displicente, bastam os primeiros minutos… Basta o pontapé de saída quando, coisa nunca vista, o Benfica perdeu de imediato a bola, parecendo até que a saída tinha pertencido ao adversário. Depois, as variáveis estatísticas acumulam percentagem de posse de bola, cantos e remates… Golos é que não!


Nem sempre as pilhas do adversário acabam muito primeiro que o jogo. Nem sempre o adversário fica em inferioridade numérica. E nem sempre há inspiração para um grande golo, que acabe por desbloquear o jogo… Por isso o melhor mesmo é não desperdiçar sequer o pontapé de saída, e entrar sempre em força, sem facilitar. Porque também nem sempre os adeptos estão dispostos a perdoar essas coisas… Às vezes também amuam, e não estão dispostos a levar a equipa ao colo... Que não se esqueçam!

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Não faço a mínima ideia se o que por aí se fala de Luís Filipe Menezes e de Pedro Passos Coelho é simplesmente coisas de jornais, com ligação ou não à forma com a Justiça atingiu recentemente os socialistas, quer no processo Face Oculta quer no caso Maria de Lurdes Rodrigues. Não faço ideia e recuso-me a qualquer especulação sobre o assunto.


Também não meto no mesmo saco as notícias sobre o anterior presidente da Câmara de Gaia e do actual primeiro-ministro, mas não consigo deixar de notar que as reacções de cada um a essas notícias são completamente opostas.


Menezes negou com veemência as acusações que lhe são feitas. Valha isso o que valer, a verdade é que marcou uma posição!


Passos Coelho diz que não se lembra do que se passou há 15, 17 ou 18 anos, "não tem presente". E remete a investigação do caso para a Assembleia da República, o que não deixa de ser estranho. Mas, com toda a franqueza, o que não convence ninguém é que alguém possa receber 5 mil euros por mês durante 30 meses sem disso se lembrar. Mais a mais em acumulação com as funções de deputado em regime de exclusividade, e sabendo que isso era ilegal.


É muito estranho que não se lembre de nada disto. Mas é ainda mais estranho que seja essa a única resposta que tenha para dar quando o tema é Tecnoforma, que ele sabe que há muito o persegue. E que mais o irá perseguir a partir do momento em que o seu ex-patrão há apenas quatro meses dizia que ele abria as portas todas... Para um tema destes um primeiro-ministro tem que ter uma resposta na ponta da língua. E minimamente convincente!

Entrar a ganhar


O Benfica entrou a ganhar na Champions. Ganhar é sempre bom; entrar a ganhar na maior competição de futebol do mundo é ainda melhor.


Falou-se do ambiente em Belgrado, no Maracanã das Balcãs. No Estrela Vermelha campeão europeu. Que não perdia em casa há não sei quanto tempo. Que o heptacampeão sérvio. Depois de o Benfica ganhar já não se falava de nada disso. Falava-se apenas que, nos últimos onze jogos da Champions, perdera dez. E empatara o outro. E que a segunda parte foi má.


É verdade que o Benfica da segunda parte não foi o mesmo da primeira, quando dominou o jogo praticamente como quis, e construiu um resultado (golos de Aktürkoğlu, logo aos nove e minutos, e de Kokçu, ainda antes da meia hora) relativamente confortável. Não sei se, com a lesão de Bah (por falta para vermelho que nem o velho conhecido Michael Oliver, nem o VAR, quiseram ver) poderia ter sido, mesmo que não se tenha visto necessidade de baixar as linhas tanto quanto o fez. A saída do lateral direito dinamarquês teve muita influência no jogo, pelas próprias dificuldades do Kaboré - que entrou a substituí-lo - que obrigaram Bruno Lage a transferir Aktürkoğlu para a direita, e a abdicar de tudo o que ela fazia na frente, incluindo pressionar alto.


Mas também é verdade que o golo da equipa sérvia, a 4 minutos do fim, foi meramente acidental. E que o melhor que se viu, ainda que pouco, tenha sido apresentado pelo Benfica. Como aquele lance concluído com o remate de Amdouni ao poste. Quando o internacional suíço -  que entrou com Beste, Barreiros e Aursenes, num regresso que se saúda - deixar de acertar nos ferros vai ser bonito de ver... 


 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Muita gente na Europa pôde hoje acordar descansada. Na Grã-Bretanha, ém Espanha, mas também em França, na Bélgica e na Itália. E até em Portugal, onde gente que gosta de apimentar tudo o que lhe põem à frente se lembrou que até a Madeira tem velhas pretensões independentistas...


Não ganhou na Escócia, o único sítio onde, por tudo e apesar de tudo, poderia ganhar. Por tudo o que de substancialmente diferente tem aquela autonomia, por tudo o que ainda mais lhe prometeram, e por tudo o que um pouco por todo o mundo foi feito por esse resultado. E apesar do seu nacionalismo vincado, da sua cultura, e acima de tudo da sua História...

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Há 10 anos

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De golpada em golpada, de habilidade em habilidade, cada vez mais populista e cada vez mais ridículo, lá vai o Tó Zé, seguro que levará a água ao seu moinho. A sua última habilidade, o coelho que tirou da cartola – a proposta de reduzir dos actuais 230 para 181 os deputados da Assembleia da República – não é apenas a face visível do populismo em que decidiu apostar. É, para além disso, a maior evidência de que perdeu definitivamente o rumo. Não sabe onde está, nem para onde vai. Nem sequer para onde quer ir!


A redução dos deputados é, como se sabe, uma medida populista que cai bem em largas faixas do eleitorado que não estão particularmente preocupadas com o que a democracia perde com isso. Com o que se perde, com a perda de representação dos pequenos partidos, na diferença de opiniões e soluções.


Mas é, acima de tudo, uma medida que, ao reforçar ainda mais os dois principais partidos, aprofunda os problemas e os defeitos do regime esgotado justamente nesses, e por esses, dois partidos. E, francamente, não sei o que é mais desprezível: se o populismo, se o oportunismo político de António José Seguro. Que não hesita em dar o braço ao PSD para uma medida que este sempre desejou mas para a qual nunca ousou avançar.


Podia ter apresentado medidas de combate ao despesismo, tantas são as áreas com evidentes e injustificáveis excessos. Mesmo na esfera dos deputados, na Assembleia da República, como, ao que se diz, a sumptuosa cantina, as falsas ajudas de custo, ou as frotas dos grupos parlamentares. Podia falar das Fundações e Institutos que afinal, depois de tanta conversa, acabaram intocáveis. Ou nas contratações pornográficas com os escritórios de advogados, que até almoços cobram… Mas não. Tinha de seguir pela via mais vil e chamar-lhe, pasme-se, uma "nova forma de fazer politica".


Será certamente a sua "forma de fazer politica". Mas não é, longe disso, uma "nova forma de fazer politica".

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Fala-se muito de sorte e azar no futebol, mas nem sempre se percebe muito bem do que se está a falar.


Deixo aqui a minha pequena contribuição para ajudar a perceber o que é isto de sorte e azar: Num sorteio da Champions uma equipa está no pote 1, e as bolinhas ditam-lhe sucessivamente para adversários as equipas mais fracas dos restantes potes. Quando chegam ao último, ao pote das mais fracas, quem de lá sai é mesmo a mais fraca de todas as que alguma vez disputaram a competição. Sorteiam-se os adversários e sorteia-se o calendário, e o primeiro jogo é em casa, frente ao adversário mais fraco, o mais fraco de todos, na Champions, como se viu. Chega-se ao jogo, o primeiro, em casa, com a equipa mais fraca que há, e logo aos cinco minutos, o guarda-redes da equipa adversária tem a bola na mão e, em vez de a entregar a um colega de equipa, entrega-a ao adversário, ali à frente, de bandeja, para o primeiro golo. Pouco depois, um jogador pega na bola no seu meio campo e corre com ela até à área adversária sem que ninguém se lhe atravesse àfrente, para o importunar que seja, remata tranquilamente e faz o segundo. Cinco minutos depois, é um jogador da equipa adversária que desmarca um jogador adversário numa ala, que sozinho, sem oposição, cruza para o terceiro, ainda o intervalo vem longe... E assim, sucessivamente, até chegar à meia dúzia!


Pois bem, sorte é isto. Mesmo que ouçamos - como vamos certamente ouvir - chamar-lhe outra coisa qualquer. Azar é outra coisa qualquer, se calhar é ouvir tudo o que irão chamar a esta sorte!

domingo, 15 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Vítor Bento bateu com a porta e foi-se embora, de mãos a abanar, não se cansa a imprensa de salientar, como se o normal na vida real, não seja – e deva ser – isso, quando alguém sai ao fim de dois meses.


Não é no entanto esse o ponto. Por agora o ponto é que Vítor Bento foi embora e, percebemos todos rapidamente que fez um grande favor ao governador Carlos Costa. Porque, como explicou o próprio demissionário, era oportuno que fosse substituído por alguém alinhado com o accionista.


O motivo do desalinhamento é, obviamente – tão óbvio quanto a forma como surgiu e foi divulgada a pressa –, a urgência súbita na venda do banco. Vítor Bento sabe, como todos sabemos, que vender à pressa é sempre sinónimo de vender mal. E sabendo isso, mesmo que sem recorrer à parodiada rábula de Seguro (qual é a pressa? …qual é a pressa?), não percebe qual é a pressa!


A pressa, esta pressa, é apenas mais um traço do calendário político que, percebe-se agora com toda a clareza, sempre marcou o maior escândalo financeiro do país, agravando-lhe as consequências. Foi a agenda política – do governo e da troika, não sobra hoje qualquer dúvida – que fez com que a bomba, descoberta no final de 2013, fosse atirada para a frente, para vir a cair já depois da saída limpa. É a agenda política que agora impõe a venda à pressa, para que o governo se desfaça, antes das eleições, do incómodo embrulho que também criou.


São os interesses políticos a sobreporem-se a todos os outros, sempre com os piores resultados. Sabendo-se que os actos mais danosos cometidos pela administração Espírito Santo aconteceram durante o corrente ano, e especialmente no segundo trimestre, ao que diz o próprio Banco de Portugal, fica a saber-se que teriam sido evitados se o interesse nacional se tivesse sobreposto ao interesse político de esconder o problema até à saída do programa da troika, a tal data épica, histórica, que Paulo Portas comparou ao 1º de Dezembro de 1640.


O preço dessa intrujice é hoje fácil de calcular, e atinge muitos milhares de milhões de euros. O desta serão apenas mais uns milhares de milhões em cima desses milhares de milhões… Sempre com Passos Coelho sem nada a ver com isto, a apenas ter que enaltecer o papel do governador do Banco de Portugal... Que lata!

sábado, 14 de setembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Encerraram no final da semana as inscrições de simpatizantes nos cadernos eleitorais para as primárias do PS, com números que se não forem surpreendentes não andarão lá muito longe. As notícias indicam que tenham adquirido capacidade eleitoral cerca de 150 mil simpatizantes que, com os 90 mil militantes, constituem o universo de cerca de 240 mil portugueses que vai decidir a disputa dos Antónios. 


Depois de terem faltado quatro meses, já só faltam agora duas semanas. E o que para António Costa parecia favas contadas parece agora um rabo difícil de esfolar, o que explica bem o empurrão de quatro meses que Seguro quis dar nesta data.


Com as eleições para as Federações Distritais ficou a saber-se que, pelos militantes, Seguro ganharia. Por poucos (o resultado foi de 10 contra 9 a favor de Costa - mas pode até ser invertido porque as eleiçoes de Leiria, ganhas por Costa, foram inpugnadas e parece que serão repetidas - mas o somatório geral de votos foi favorável a Seguro), mas ganharia, o que parece confirmar a tese do domínio do aparelho. A ideia que paira é que Costa ganhará no universo dos simpatizantes, mas é só isso: uma ideia que anda no ar. 


Mesmo que não pareça em causa a convicção generalizada de que Costa virá a ganhar, é hoje praticamente aceite que resultado será muito mais apertado do que o que se previa. Seguro conquistou espaço nestes meses porque foi picado, e depois de picado passou a revelar uma energia e uma acutilãncia que ninguém lhe reconheceu na oposição ao governo que, curiosamente, continuou a não fazer sem que por isso fosse penalizado. Mas, acima de tudo, Seguro ganhou com uma estratégia dual de vitimização e sacanice. Vestindo sistematicamente a pele de vítima, Seguro conquistou os corações mais sensíveis, nem que para isso tivesse e de lançar mão do seu lado mais sacana que, por sua vez, cativa ainda as mentes mais preversas. Para ilustrar esta estratégia nada melhor que o filme que acaba de fazer chegar à campanha: ele, coitadinho, planta e cuida com todo carinho um cravo que cresce, vermelho e lindo, para o vilão Costa chegar e abusivamente cortar e pôr ao peito. É de sacana!


Costa, por si, mas especialmente pelas companhias, também lhe deu um impulso significtativo, que só não será decisivo porque é atenuado pela crónica memória curta dos portugueses. É que, em cada sessão de campanha, lá estão as câmaras, impiedosas, a mostrar o que de pior o PS tem. Fosse outra a memória das pessoas e aquelas caras, de que há apenas quatro anos toda a gente se queria ver livre, bastariam para enterrar de uma só vez as aspirações todas de António Costa.


Como se ouvíssemos Seguro: fica-te mal António... fica-te mal teres essa gente ao teu lado!

Reviravolta


Depois da mudança de treinador, do fecho do mercado (as entradas de Akturkoglu e Amdouni, e a saída de Marcos Leonardo foram mesmo o último suspiro à janela), do regresso dos jogadores das selecções - esta paragem, com outra já dentro de um mês, é um absurdo -, e daquele episódio deprimente com que alguém que não tem noção (quem não tem a noção do tempo, não consegue ter a noção de nada) quis fazer prova de vida, o Benfica regressou à Luz. Que voltou a encher-se, como sempre, mas desta vez com a esperança renovada.


Com apenas dois dias para preparar o jogo, Bruno Lage manteve toda a linha defensiva. A partir daí apenas Florentino - a desempenhar sozinho a função de cobertura no meio campo -, Di Maria e Pavlidis se mantiveram na equipa. Kokçu e Rollheiser jogaram nas funções de construção, e Akturkoglu entrou directamente na equipa para completar, na esquerda, o trio de ataque.


O ambiente das bancadas era de entusiasmo, do maior que se viu nos últimos largos tempos. Foi sobre esse entusiasmo que, logo aos 20 segundos, o golo do Santa Clara caiu que nem um balde de gelo.


Não havia pior maneira de começar. A primeira vez que um jogador do Benfica tocou na bola foi para a tocar no círculo central, donde os jogadores da equipa açoriana tinham acabado de a tocar no pontapé de saída. Atrasaram-na para o guarda-redes, que a chutou para a frente. Otamendi, num movimento digno de um juvenil, falhou o corte e a bola ficou ali à frente do avançado do Santa Clara, bastando a Vinicius dar-lhe um toque para a fazer passar por cima de Trubin.


Se, por tudo o que acontecera nos últimos dias e semanas, a tarefa dos jogadores do Benfica já não era fácil, com este arranque de jogo - era o golo, mas era ainda consequência de um erro tremendo do capitão - ficava ainda mais complicada.


A equipa reagiu, mas as coisas não saíam bem. Via-se que a equipa procurava outra dinâmica - Bruno Lage tinha dito que mais importante que o sistema era a dinâmica - mas a ansiedade dos jogadores, e também naturalmente a falta de treino, levavam a uma sucessão de passes falhados, mesmo de baixo risco, que emperrava qualquer dinâmica. Há uma ou duas semanas, as bancadas reagiriam com assobios. Hoje estavam incondicionalmente com a equipa, e isso foi fundamental. 


Se o colectivo não funcionava, se o jogo associativo se ia perdendo nos passes falhados e na oposição do adversário que, apanhando-se a ganhar, não saía lá de trás, tiveram que ser as individualidades a tentar resolver. Normalmente isso não funciona, mas hoje foi a forma da equipa se ir recompondo, passar a dominar o jogo, criar oportunidades para marcar. Ter marcado na primeira -antes Pavlidis vestiu-se de  Gyokeres, mas não foi feliz no remate - também ajudou. Tranquilizou os jogadores e deu-lhes a confiança necessária para que as coisas passassem a correr melhor.


O primeiro golo, o do empate, resultou claramente da qualidade individual de Kokçu (passe picado para ultrapassar a densa linha defensiva contrária) e do estreante e seu compatriota Arkturkoglu, a desmarcar-se e marcar com um toque de classe. Seis minutos depois, aos 34, no primeiro canto do desafio, consumava-se a reviravolta.


Foi o primeiro golo de canto da equipa que mais cantos tem no campeonato. Percebeu-se o trabalho que antes se percebia não existir: canto curto, cruzamento rigoroso de Di Maria para o segundo poste, donde Otamendi assistiu, de cabeça para o golo de Florentino, de rompante no lado contrário.  


Era o segundo golo, em duas oportunidades. Só a partir daí o Benfica passou a criar oportunidades sem concretizar em golo. Também o Santa Clara criou então a sua segunda oportunidade de golo, num remate ao poste direito da baliza de Trubin.


Ao terceiro canto, logo no arranque da segunda parte, num cabeceamento de António Silva, o Benfica fez o terceiro. Se já dominava completamente o jogo, com o terceiro golo, jogadores e adeptos sentiram que já nada impediria a vitória. O resultado acabou por se fechar com o espectacular golo de Di Maria, ainda antes de atingido o primeiro quarto de hora da segunda parte, num coeficiente de aproveitamento na ordem dos 40%. 


Bruno Lage ainda chamou a jogo Amdouni (Rollheiser), Prestiani (Di Maria), Schjelderup (Arkturkoglu), e Cabral (Pavlidis). E bem. Sem ser no último minuto, e todos com tempo e oportunidade de mostrar que podem também ser titulares.


Bruno Lage tinha referido que a dinâmica importa mais que o sistema. Com dois dias de trabalho já foi possível ver que a equipa foi mais dinâmica. E - parece-me - é possível esperar que o treino trará as rotinas e dinâmicas de um futebol entusiasmante por que há muito aguardamos. E para a reviravolta!

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Ao que se vai sabendo pelos jornais de hoje, Marques Mendes não terá tirado ontem grandes coelhos da cartola, daquelas coisas que faz questão que se saiba que só ele sabe e que nós sabemos que nem ele deveria saber, e que até preferíamos saber por outras vias mais covencionais. 


Depois de na semana passada ter revelado que o o Novo Banco é para vender todo, de uma só vez e de imediato - uma das "circunstâncias que se alterararam profundamente", e que levaram à demissão de Vítor Bento - desta vez o que a imprensa, sempre ávida das revelações do comentador bufo, salienta é a crítica de Marques Mendes à actuação do governo nos desenvolvimentos que se vão conhecendo no Novo Banco. 


"É muito feio o que o governo está a fazer" - diz ele. É, mas é muito feio há muito tempo, não é apenas de agora. O governo sempre quis dar o ar de quem não tem nada a ver com aquilo. Com aquilo tudo, desde os crimes praticados que levaram à destruição de um terço do sistema financeiro nacional, à solução negociada com a comissão europeia que, em vez dos anunciados banco bom e banco mau, criou dois bancos maus, passando pelo meio pelo crime de lesa pátria, o maior atentado ao instituto da confiança que foi o aumento de capital. 


O governo quer fingir que aparece de mãos limpas nisto tudo, mas tem-nas cada vez mais sujas. Não se sabe se os ziguezagues de Carlos Costa em todo este processo são ziguezagues do governador do Banco de Portugal ou do governo. Mas é muito fácil de perceber que, mesmo que sejam exclusivamente do Banco Central, ao governo exigia-se que lhe corrigisse a trajectória, e nunca que andasse a tentar passar entre os pingos da chuva!

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Não bastava tudo o que já se conhece. Não bastava a mácula inapagável de um Banco bom que, ficando - ao que nos disseram, sem que ninguém pedisse para explicar melhor - com tudo do que do BES era bom, deixando para o mau tudo o que era mau precisa, logo à cabeça, de quase 5 mil milhões de euros. Ainda era preciso que já ninguém se entendesse, que em apenas um mês o Banco de Portugal, cada vez mais enterrado neste lamaçal, se pusesse de candeias às avessas com a administração que escolheu…


Isto continua cheio de histórias mal contadas… E vai correr mal, muito mal!

O apregoado Estado de Direito

Precisamos falar de democracia (por Céli Pinto) - Sul 21


Não sei se ainda alguém se lembra que a lei que despenaliza a morte medicamente assistida foi aprovada no Parlamento, promulgada pelo Presidente da República e publicada em Diário da República há mais de um ano.


Não sei se alguém se lembra que, antes, já a Assembleia da República tinha aprovado por cinco vezes - cinco -, e por larga maioria, versões da lei sobre a mesma despenalização. Duas foram objecto de veto político do Presidente da República, Marcelo. Outras tantas foram paradas pelo Tribunal Constitucional. Umas e outras exigiram ao poder legislativo sucessivas revisões e clarificações até chegar à versão final, aprovada pelo Parlamento há ano e meio, com todas as revisões, todas as clarificações, e todos os acertos que possibilitassem, por fim, a promulgação pelo Presidente da República.


Resultou de um dos mais participados debates na sociedade portuguesa, e provavelmente do mais criterioso processo legislativo da democracia portuguesa. Ainda assim, a chamada lei da eutanásia, continua a não existir. Tudo se mantém como se não tivesse sido amplamente discutida, maioritariamente consensualizada, e criteriosamente posta em Lei. Como se não existisse, nem nada tivesse acontecido.


Porque lhe falta a regulamentação, aquele apêndice legislativo que dá sempre muito jeito para atrasar a entrada em vigor da Lei. O que dá muito jeito a quem não a quer aplicar.


Não se compreende que, ao anterior governo, nove meses não tenha sido tempo suficiente para  regulamentar e fazer entrar a lei em vigor. Como não foi certamente por falta de tempo, só pode ter sido por um dos muitos anacronismos que o apoquentaram. Já que o actual continue a protelar essa regulamentação é fácil de compreender: o CDS está lá, e nem quer ouvir falar do assunto. E sabe-se como o CDS não precisa de vencer nada para obter vencimentos de causa... 


Em causa está, evidentemente, o Estado de Direito. Como hoje bem recorda um manifesto assinado por 250 personalidades de várias latitudes profissionais, sociais e políticas. 


O assunto entrou na "ordem do dia", e o governo teve de dizer alguma coisa. E disse!


Que não irá regulamentar o diploma sem que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre os pedidos de fiscalização sucessiva (um entregue há quase um ano por um grupo de deputados do PSD, e outro pela Provedora de Justiça). Mais valia ter dito que se tinha esquecido, e que um dia destes iria pensar no assunto.


É que assim apenas está a dizer que o Estado de Direito Democrático é para apregoar, mas não para funcionar. E que, ilegítima e ilegalmente, vai protelar a aplicação da Lei - se não mesmo "rasgá-la" - até quando quiser. 


Ilegitimamente porque contraria a vontade expressa da maioria, e confirmada por mais quatro vezes.


Ilegalmente porque os pedidos de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional não têm efeitos suspensivos da lei.


Até quando quiser porque não há prazos fixados para os juízes se pronunciarem sobre os pedidos de fiscalização sucessiva. E pode sempre forjar, na esfera dos interesses que integra, os pedidos de fiscalização sucessiva que forem necessários.


É lastimável, mas é assim que somos governados em democracia. Como seria, se não fosse? 


 

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Há 10 anos


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Mais previsível que a notícia da saída de Paulo Bento da selecção, só a notícia de que Marinho Pinto deu um pontapé no cu do Partido da Terra para fundar o seu próprio partido. 

O debate e o que fica dele

Kamala x Trump: quem ganhou o debate? - BBC News Brasil


Para nós já foi a 11 de Setembro, no nine eleven, que Kamala Harris mostrou que Trump não tem que ser uma fatalidade. Como o destino. Para eles, para os americanos que seguiram o debate de Filadélfia através das câmaras da ABC, ainda foi a 10 - nine ten


Eles, e nós, vimos a "sova" de Kamala ao Donald. Vimos como basta competência, decência e sanidade mental para saltar para um cavalo em corrida, que tinha despejado o cavaleiro, montá-lo, alcançar o adversário embalado na frente... e  ganhar.


Isso é o que viu, quem viu. Quem não viu só vai ver o que hoje vai aparecer nas redes sociais. Cada um dos lados tem os seus especialistas, sendo que os de Trump são mais especializados na especialidade. E é isso que vai ficar!


Quer isto dizer que a tareia de Kamala a Trump no debate desta noite não será assim tão decisiva?


Sim. Quer dizer isso mesmo. Hoje, quando passam 23 anos sobre o nine eleven, que mudou a forma de olhar para o mundo, as pessoas estão formatadas para viver das - e pelas - redes sociais. A realidade virtual prevalece sobre os factos!

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Afinal o pé conteve-se um pouco, e não voltou a fugir assim tanto para o chinelo. E a roupa suja desta vez ficou em casa...


Fez bem António José Seguro em arrepiar caminho. E em emendar a mão e segurar o pé... E fez bem António Costa em preparar-se um bocadinho, depois de perceber que a coisa ontem não tinha mesmo corrido bem...


Não deu para ficarmos exactamente descansados. Ninguém, no seu perfeito juízo, pode ter ficado convencido que o país têm ali quem lhe resolva os problemas, mas - verdade seja dita - também não ficou mais desiludido do que já estava. Como as coisas estão, serviços mínimos, já não é mau de todo...

Há 10 anos

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Estamos infelizmente habituados a tudo e já nada nos surpreende. Mas não é fácil encontrar nada mais concentrado: seis em um!


No mais obscuro dos negócios do Estado – o dos submarinos –, na véspera da entrada em incumprimento de um dos contratos de contrapartidas, um ministro – Álvaro Santos pereira – alarga o prazo contratual e evita, assim e in extremis, o incumprimento do fornecedor que, entretanto, respondia já em Tribunal por outros incumprimentos. Questionado no Parlamento sobre essa decisão, o ministro defende-se dizendo que essa revisão do contrato estava suportada por um Parecer Jurídico contratado a uma sociedade de advogados (PLMJ), assinado por Nuno Morais Sarmento - por acaso, era membro do governo que tinha comprado os submarinos - e emitido três semanas depois de assinada a alteração ao contrato. Quer dizer o ministro Álvaro não pediu um Parecer para fundamentar a sua decisão. Não, primeiro assinou o contrato e depois foi pagar para que lhe fosse dada cobertura…


Vamos por partes: (1) negócio dos submarinos; (2) perdão de um incumprimento, a incumpridor sucessivo, com prejuízo do Estado; (3) mentir ao Parlamento; (4) violação do princípio da independência; (5) compadrio; (6) desperdício de dinheiros públicos. Seis em um. Pelo menos, porque à pouca vergonha já ninguém liga!

Mudança

Marcelo pede que não se crie alarme e se dê tempo para investigar fuga de  reclusos


Três dias depois da fuga dos cinco presos perigosos de Alcoentre, o governo continua sem dizer nada sobre o assunto, a não ser que a Ministra da Justiça falaria hoje. 


O presidente Marcelo, que dantes não deixava nada sem comentário - "bom" ... se fosse uma coisa desta gravidade eram recados e ameaças para uma hora de directos -, percebeu que, com o governo calado, teria de dizer alguma coisa. E então disse que a Ministra da Justiça não tinha nada que dizer e que achava muito bem que o governo não dissesse nada.


Como isto tudo mudou!


Entretanto a Ministra ainda não falou, mas o Director Geral dos Serviços Prisionais já lhe entregou o Relatório e o pedido de demissão. Aceite. Aceites, ambos!


 

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Na semana passada foi divulgado pelo Fórum Económico Mundial o ranking mundial da competitividade 2014/2015, que colocava Portugal no 36º lugar, à custa de uma subida de 15 posições.


Não sei o que é que isto vale, mas não me parece que valha de grande coisa. Lembra-me até, agora que tanto se fala do tema, que a selecção nacional de futebol há pouco mais de dois meses, à chegada ao Brasil era, pelo ranking da FIFA, a quarta melhor do mundo…


Mas sei que a política deste governo tem tido grande preocupação com a competitividade do país, mas também sei à custa de quê. Sei que o governo, de tão preocupado com a concorrência com os países de leste e até dos asiáticos, achou que o melhor para competitividade seria recriar esses países em Portugal. Com êxito – se calhar o êxito que lhe permitiu subir quinze degraus de uma só vez, o tal pulo gigante de Paulo Portas -, o país está já mais pobre que muitos desses países...


E sei que nesta dialéctica pré-eleitoral que se instalou nos partidos da coligação, em que a dupla Passos Coelho/Maria Luís aposta no rosto fechado dos duros e a Paulo Portas/Pires de Lima no riso de orelha a orelha dos comediantes, este ranking veio mesmo a jeito para o côr de rosa com que esta dupla está a pintar o país. Por isso ainda hoje se ouviu Pires de Lima voltar a esse ranking para criticar a oposição por ignorar este sucessoOu Paulo Portas zangado com a Srª Christine Lagarde, que só por lapso poderia ter dito que só a Espanha está a progredir... já que se não pode zangar com Maria Luís Albuquerque, que em vez de lhe fazer a vontade e dizer que vai baixar o IRS diz que, a baixar, será o IRC!

domingo, 8 de setembro de 2024

Vuelta 2024 - a quarta de Roglic

Classificação final da Volta a Espanha 2024: Roglic vence pela 4ª vez,  O'Connor e Mas completam o pódio final | Ciclismoatual.com


Terminou a Vuelta, em Madrid, num contra-relógio de cerca de 25 quilómetros, onde o suíço Stefan Kung foi o mais rápido com 26´e 28´´, menos 31 segundos que Roglic, que foi segundo, mas ganhou pela quarta vez esta grande competição.


Foi uma competição aberta, com muitas fugas, e a grande maioria delas bem sucedidas, mas nem por isso foi de grande espectáculo. Verdadeiramente espectacular foi  Wout van Aert, até que uma queda o obrigou a desistir, na 16.ª etapa, quando seguia na frente da corrida a caminho dos Lagos de Covadonga, era virtualmente vencedor da classificação por pontos, e liderava ainda a classificação da montanha. Mas também Pablo Castrillo, que ninguém conhecia e brilhou na alta montanha. 


Roglic ganhou, igualou as quatro "Vueltas" de Roberto Heras - ultrapassando Alberto Contador e Tony Rominger -, foi o indiscutivelmente o melhor, mas nunca foi absolutamente dominador e autoritário. Aqueles 5 minutos para Ben O'Connor, cavados naquela sexta etapa que o australiano da AG2 R ganhou com 7 minutos de vantagem, levaram 13 dias a superar. Apenas na antepenúltima etapa, na chegada a Moncalvillo, na sua terceira vitória, e na única verdadeira prestação colectiva da Red Bull, Primoz Roglic recuperou a liderança depois de sucessivos pequenos ganhos. Pelo meio teve ainda de recuperar de  uma penalização de 20 segundos, na etapa da subida ao Cuitu Negru quando, tendo optado por mudar de bicicleta (para uma mais apropriada à escalada, que de nada lhe valeu), aproveitou depois descaradamente o cone de ar do carro da equipa para recuperar o terreno perdido na operação.


No início da Vuelta tinha apontado dez candidatos à vitória. Uns mais que outros mas, dizia então. E que, se nada de anormal acontecesse ao longo destas três semanas a nenhum destes 10 ciclistas ali estaria o top ten.


Aconteceram anormalidades que deixaram de fora João Almeida, Lennert van Eetvelt e Daniel Martinez (como a maioria da equipa da Red Bull, por intoxicação alimentar no penúltimo dia). Sobram sete. Desses, Roglic foi primeiro, Ben O´Connor, segundo, Carapaz quarto, Mikel Landa oitavo, e Carlos Rodriguez décimo. E apenas dois falharam essa expectativa: Sepp Kuss, o vencedor do ano passado e a grande decepção desta Vuelta (fazer as três grandes voltas a competir, como fez em 2023, traz factura a pagar no ano seguinte) na 14ª posição; e Adam Yates, também com uma prestação decepcionante, mesmo ganhando uma etapa, na 12ª.


De fora vieram Enric Mas, de que já aqui falara, que fechou o pódio, fora das minhas expectativas, mas dentro das anormalidades. Mattias Skjelmose (LIDL - Trek) foi quinto, e primeiro da juventude. David Gaudu (Groupama - FDJ) foi sexto, e a surpresa positiva, pelo protagonismo que teve na corrida. Florian Lipowitz (Red Bull - Bora - Hansgrohe) foi sétimo, e segundo da juventude. E Pavel Sivakov o 9º, e melhor da UAE Team Emirates, que ficou literalmente aos papéis depois de perder o João Almeida.


Os australianos J Vine, da UAE - 1º classificado da montanha -, e Kaden Groves - 1º da classificação da montanha - limitaram-se a herdar as respectivas camisolas com o abandono do sensacional Wout van Aert.

Há 10 anos

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Aproximam-se finalmente as eleições primárias do PS, uma inovação no panorama partidário nacional que, mesmo que menos entusiasmante do que à partida poderia parecer, não deixará de, mais tarde ou mais cedo, vir a alargar-se a outros partidos. De resto, razões de entusiasmo, à entrada daquilo a que se poderá chamar o período oficial de campanha, quando se multiplicam entrevistas aos dois candidatos e se vão iniciar os debates televisivos – onde, confesso, temo o pior – é coisa que não abunda por aí.


O que se está a passar no PS interessa, e muito, ao país, não fosse este um partido estruturante da democracia portuguesa, com uma contribuição decisiva para o que é hoje o país. Esteve no melhor, mas também no pior destes 40 anos de democracia, e só uma revolução, um verdadeiro furacão, o afastará do centro das decisões do país.


Passa por um período difícil, porque difícil foi também a situação em que Sócrates o deixou. Sócrates não deixou apenas o país atolado em dificuldades, deixou também o partido em estado comatoso, despido de identidade e arrebatado por teias de interesses, na maioria dos casos ilegítimos. Nessas circunstâncias, e nas do país, ao PS não estaria reservada uma simples cura de oposição, mas uma longa e dolorosa travessia do deserto, à procura do poder perdido mas especialmente da regeneração.


Era, teria de ser, esta a missão de quem sucedesse a Sócrates. Não era seguro que fosse Seguro o líder certo: faltava-lhe dimensão e estatuto moral para isso, até pelo caminho que escolheu para chegar ao poder: sempre escondido atrás dos arbustos, sem assumir convicções, e manipulando peça a peça um aparelho cujo funcionamento desde a juventude conhecia bem. E não foi!


Ao longo destes três anos Seguro foi apenas a confirmação de tudo isso, sem rompimentos de qualquer ordem, preferindo sempre o compromisso à frontalidade do confronto, arrastando sem resolver, sem chama, sem capacidade de liderança, sem carisma. Em suma – sem competências de mobilização. Com tudo isto, e com o pecado original da aprovação do Tratado Orçamental – o seu maior erro político, logo a abrir – a Seguro era impossível sequer fazer oposição, quanto mais regenerar o partido.


Pensou que, como fizera para ganhar o partido, para chegar ao poder lhe bastaria manter-se quieto. Que não teria que fazer nada, que o determinismo da alternância faria tudo. Por isso nunca deixará de ver no desafio de António Costa – que julgava atado à sua estratégia de compromisso – outra coisa que traição, mesmo que tenha percebido que todos percebemos que foi o seu desempenho que empurrou as ambições de António Costa para uma decisão que, perante o partido, mas também perante o país, não poderia mais adiar.


Foi certamente por isso que tratou de empurrar o calendário para a frente. Quatro meses depois já pouca gente se lembraria das reais circunstâncias que determinaram a disputa da liderança. Seriam mais quatro meses em que não faria oposição – agora com justificação – mas faria de vítima, no que é verdadeiramente especialista. E sempre lhe poderia dar tempo para – quem sabe? - tirar algum coelho da cartola, como porventura a separação entre política e negócios…


Não é novidade nenhuma que António Costa não se demarcou, antes pelo contrário, da chamada tralha socrática. Dificilmente, por isso e por outras razões, poderá regenerar o partido, mas será certamente ele a devolver-lhe o poder. Percebe-se por isso o entusiasmo das hostes socialistas, como se percebe, até pela reduzida adesão às inscrições nos cadernos eleitorais, que os portugueses não vêm razões para grandes entusiasmos. António Costa será capaz de promover a alternância, mas isso já não basta. Isso é deixar tudo na mesma, são apenas outros a fazer a mesma coisa, mesmo que às vezes por caminhos diferentes…

sábado, 7 de setembro de 2024

Coisas extraordinárias

Fuga de cinco reclusos: “O abandono total do Governo aos serviços  prisionais deu nisto”


Em 1978, 124 homens fugiram da prisão de "alta segurança" de Vale dos Judeus por um túnel de 35 metros de comprimento, que demorou três meses a escavar.


Hoje fugiram de lá 5, dos mais perigosos, de forma bem mais simples: com uma escada escalaram o muro da prisão, e nunca mais ninguém os viu. Um deles é o homem mais procurado da América do Sul. Tinha sido detido cá, por assaltar bancos. 


Receberam uma escada no lado de dentro. Outra estaria certamente do lado de fora, também certamente com os meios de transporte necessários à fuga. E ao sumiço!


Já só falta que alguém assalte o Ministério da Administração Interna, protegido por segurança privada.


Ups! Não, afinal já nem isso falta ...

Há 10 anos

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Há três ou quatro meses a dívida não se discutia. Um grupo de personalidades quis lançar o debate e levá-lo à Assembleia de República ... mas nada. A dívida paga-se, não se discute!


Hoje, a dívida já se discute. A ministra das finanças foi a esse poço de ideias em efeverescência instalado todos os anos em Castelo de Vide dizer que quer toda a gente a discutir a dívida na Assembleia da República. E logo veio o Presidente - que finalmente falou do BES, para dizer que o Banco de Portugal fez o que era melhor para Portugal - dizer que sim senhor, que é bom que a dívida se discuta - apressando-se logo a chamar a atenção que, discutir a dívida, não é falar na sua reestruturação - no parlamento porque, assim, terão oportunidade de estudar alguma coisa sobre o assunto. E puxou dos galões para lembrar que é a sua especialidade - tratou-o na sua tese de doutoramento, há 40 anos, que foi publicada nos Estados Unidos e em Inglaterra...


Mais que Gente Extraordinária, Cavaco é um cromo!

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Sérgio Mendes (1941-2024)

Morreu o cantor brasileiro Sérgio Mendes - Expresso


Nasceu na Bossa Nova. A ditadura brasileira levou-o a escolher viver em Los Angeles. Misturou o samba e o jazz e fez-se nome grande da música mundial. 

Há 10 anos

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O BCE decidiu, não diria baixar ainda mais as taxas de juro, que já estavam nos incríveis 0,15%, mas acabar praticamente com os juros. Mário Draghi fixou a taxa de juro em 0,05% – zero, na prática –, decidiu ainda cobrar sobre depósitos dos bancos centrais e avisa que não vai parar nos estímulos ao investimento.


O BCE, que tem existido para se preocupar com a inflação, só está preocupado com o investimento porque tem, agora, de preocupar-se com a deflação, que é bem pior. Que resulta da austeridade imposta pelo fundamentalismo europeu, que destruiu o consumo e o investimento. Que se deslocou para outras partes do mundo, especialmente para Ásia que entretanto começou a crescer e … a consumir.


A Europa precisa, e há muito, de incentivos à procura, e não à oferta. É, como toda a gente sabe, e os neo-liberais melhor deviam saber, a procura que motiva a oferta, e não o contrário. Estimular a oferta quando não há procura não faz simplesmente sentido. O Senhor Draghi sabe isso perfeitamente, e como sabe que tem que fazer qualquer coisa, faz o que pode. E isso, baixar as taxas de juro, ele pode. No lado da procura é que não!


Porque não tem instrumentos para isso e, mesmo que tivesse, a Senhora Merkel e o Senhor Schauble não o permitiriam. Repare-se como estes jihadistas da austeridade lhe puxaram publicamente as orelhas quando, na semana passada em Jackson Hole (EUA), ousou falar na necessidade de "impulso da procura agregada". Ou como reagem sempre que se fala na necessidade de subir os salários alemães…


A deflação está aí, e com ela nova e mais complicada recessão. O estranho é que aquele par alemão não perceba que, desta, nem a Alemanha escapará! 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Há 10 anos

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Durão Barroso revelou que Putin lhe tinha dito que, se quisesse, tomava Kiev em duas semanas, e deixou os líderes europeus de cabelos em pé. E foram reagindo, até que o Kremlin desmentisse e desse dois dias a Barroso para se retratar, sob pena de revelar integralmente a conversa. Acabou hoje o prazo, e o ainda presidente da Comissão Europeia, de rabinho entre as pernas, veio dizer que a declaração tinha sido tirada do contexto. E que tinha sido divulgada uma conversa privada, acusando terceiros, como fazem as crianças quando a coisa dá para o torto, do que tinha sido exactamente ele a fazer: nem mais nem menos que, de uma conversa privada, retirar uma expressão do seu contexto!


É um tipo deste calibre que presidiu à União Europeia nos últimos 10 anos. Como é que alguém se pode admirar do estado a que isto chegou?


Tanta Gente Extraordinária neste país... E de caracter!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...