sábado, 31 de março de 2018

Letra de cor

Benfica-V. Guimarães, 2-0 (destaques)


 


Não foi nada fácil, este primeiro jogo das últimas sete finais. Cada vez mais será assim, jogos difíceis onde o que importa é ganhar. Gostaríamos que fosse de outra forma, que as últimas exibições se repetissem sucessivamente, com os mesmos resultados, mas sabemos que não vai ser assim. Porque tudo aperta, e na hora do aperto...


A Luz estava bonita, como sempre, e o Benfica entrou bem no jogo. Com ritmo, muita bola, muita variedade naquele jogo de toca e foge, de muita tabela e muita desmarcação. O Vitória (de Guimarães) foi-se aguentando, muito recuado, com as linhas muito juntas, e com muita dinâmica defensiva - também há dinâmica a defender, não é só a atacar. E à medida que o tempo ia passando - é dos livros - foi ganhando confiança e, com ela, começou a aventurar-se por terrenos mais adiantados. De tal forma que lhe pertenceu o primeiro canto do jogo. E depois o segundo, e o terceiro e o quarto...


Quer isto dizer que o Vitória começou a superiorizar-se e a criar perigo junto da baliza de Varela? Não. De maneira nenhuma!


Quer apenas dizer que, embora dominado, nunca foi asfixiado. Que o domínio do Benfica era evidente, mas o ritmo era intermitente e, nessas intermitências, o Vitória, que nunca foi submisso, esticava o jogo. E a  partir de metade da primeira parte o jogo do Benfica começou a revelar uma pressa que o levou a perder fluência. Passes longos, e de maior risco, em vez de transporte de bola e de tabelas rápidas, começavam a ser características de um jogo que começava a não correr bem.


Estávamos nisto quando, ao terceiro canto favorável ao Benfica, surgiu o penalti que daria no primeiro e decisivo golo. Quando o defesa João Aurélio, na área, desviou com a mão uma bola a que Jonas não chegara e que iria acabar por sair pela linha de fundo. Toda a gente viu, menos o árbitro, Carlos Xistra. O  VAR também viu e e contou-lhe o que viu. Ou, no mínimo, aconselhou-o a ir também ver. Foi o que fez, e a partir daí fez o que só podia fazer - assinalar penalti. Que desta vez Jonas converteu de forma irrepreensível, quando faltavam dois minutos para o intervalo, que deixaria para trás uma primeira parte de grande domínio (68% de posse de bole) mas poucas oportunidades de golo. Duas, apenas ...


Para a segunda parte o Benfica atacava para a "baliza grande" - sempre que escolhem campo os adversários decidem contrariar a crença benfiquista - e esperava-se mais e melhor. Tudo prometia ser assim, com uma entrada fortíssima. Nos primeiros cicno minutos, três grandes oportunidades de golo, duas delas de Grimaldo, que justificava já o estatuto de melhor em campo.


Foi sol de pouca dura porque... aí está. São este jogos assim. Se a bola não entra, se os jogadores começam a perceber que não é dia sim, activam outro comando para o plano de jogo. E ao fim do primeiro quarto de hora da segunda parte já o jogo estava tão incaracterístico quanto estivera na maioria do primeiro tempo. Com a agravante de Fejsa ter sido amarelado muito cedo - ficando à beira de supensão, tal como Jardel, mais tarde - num jogo muito exigente para a sua posição.


A entrada de Raul Jimenez, aos 69 minutos e talvez tardia, ajudou a arrumar com o jogo. Aos 77 minutos, num fantástico passe de letra - não havia alternativa para aquela bola, mas isto é só para quem sabe a música (e a letra) de cor - colocou a bola na cabeça de Jonas, para fazer o segundo golo e fixar o resultado final. Curto, face às oportunidades de golo apesar de tudo criadas - Zivkovic falharia, aos 85 minutos, a mais flagrante de todas - e face ao domínio exercido (72% de posse de bola, no final) mas aceitável face às dificuldades do jogo. E do momento!


E, por falar em momento, talvez este fosse o melhor para a pior exibição deste ano. Porque este deve mesmo ter sido o jogo mais fraco do Benfica deste ano de 2018, se é que, com uma letra daquelas, se pode dizer isso.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Novidades (e surpresas) da ciência*

 


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A notícia é nova, acabadinha de chegar. E surpreendente. Diria mesmo, inacreditável!


Uma bomba: acabou de ser descoberto um novo órgão no corpo humano!


Isso mesmo, quando julgávamos que sabíamos tudo do nosso corpo, que conhecíamos todas as células pelo nome, mesmo as mais remotas e disfarçadas, eis que todo um órgão novo se nos revela.


Mas vamos a ele, sem mais demoras: chama-se interstício – não é bonito, mas deve ter sido o que se pôde arranjar – e, para maior surpresa, é até um dos maiores do corpo humano. Era anteriormente conhecido apenas como um espaço - um espaço entre células – já designado de espaço intersticial (daí o nome ter sido o que se pôde arranjar) ou de “terceiro espaço” – por vir depois do sistema cardiovascular e do linfático – e reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário. E daí o seu tamanho, como se percebe!


A primeira pergunta parece óbvia: “como é que, sendo tão grande, nunca ninguém tinha dado por ele?


A resposta não é menos surpreendente: porque, à imagem daqueles suportes das mensagens da “missão impossível”, se destrói ... em contacto com as lâminas microscópicas. Só que a diferença, faz mesmo diferença – enquanto o “livro de instruções” da “missão impossível” se destruía depois de fazer o seu papel, o interstício destruía-se antes, sem se dar a conhecer. 


Não estava no entanto preparado para resistir às novas técnicas de observação. E acabou surpreendido por novos materiais e equipamentos de investigação, como de surpresa apanhou os cientistas quando deram com uma coisa nunca vista em nenhum manual da anatomia. Como surpreendidos continuamos nós a ser todos os dias!


Ah… Faltava-me dizer que que esta descoberta traz um mundo novo à medicina, especialmente relevante no combate ao cancro. É que, o que a ciência acaba de revelar, é uma espécie de auto-estrada por onde circula 20% do volume de fluido que se movimenta no corpo humano. O que quer dizer que determina fortemente a mobilidade das células metastizadas… Por exemplo.


 Boa Páscoa!


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

quarta-feira, 28 de março de 2018

O preço da genialidade

 


 


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Foram ontem, finalmente, apresentadas as contas do Novo Banco. Sem surpresa, mais 1,4 mil milhões de prejuízos. Porque a "herança" de Ricardo Salgado, que Carlos Costa nos transmitiu, é pesada e a Lone Star não vai em conversas.


É curioso como, no mesmo dia em que o Novo Banco nos apresenta o que desejamos seja a última factura, se ouviu, na assembleia geral que aprovou as contas de 2016 e 2017 da Mutualista do Montepio, Tomás Correia garantir com toda a convicção que “ao serem aprovadas as contas, a Associação Mutualista Montepio sai do ciclo de crise mais preparada do que estava no período que a antecedeu, com rácios de capital que lhe conferem solidez e confiança para o futuro”.


Genial! Com uma simples habilidade contabilística, sem um tostão, Tomás Correia tira a dona do  Montepio da crise econfere-lhe a solidez que projecta confiança e futuro. 


Foi com estes génios financeiros que aqui chegamos. Estranhamente continuam por aí!

Diplomacia e palermices

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Não aprecio - antes pelo contrário, como por aqui tenho muitas vezes deixado claro - a figura de Santos Silva, o ministro dos negócios estrangeiros. Mas não consigo deixar de lhe atribuir mérito, e particularmente bom senso, na posição oficial do país nesta guerra diplomática contra a Rússia. Não é de resto a primeira vez que consigo acompanhá-lo, o que não muda nada da opinião pessoal que dele tenho. 


Tudo leva a implicar os serviços secretos russos na entativa de envenamento de um antigo espião (Skripal, de seu nome) e da sua filha, em Salisbury, no sul de Inglaterra, naquilo que é, nas palavras do próprio ministro, “ a primeira vez que depois da guerra fria se utilizam armas químicas em solo europeu”. Mas a verdade é que no mundo da espionagem nem sempre o que parece é. E no actual clima de nova guerra fria, do outro lado está Donald Trump, uma "coisa" que nunca existiu, sem padrão de comportamento. Ou melhor, com comportamento cujo padrão é fugir aos padrões.


Neste quadro, e mesmo tendo o Estado português o poder e a influência que tem neste cenário - muito pouco ou nenhum -, faz todo o sentido este "wait and see" da nossa diplomacia. Que alinhe a sua posição nas instituições internacionais que integre, como na Nato, mas que, sabendo que a verdade dificilmente se virá a descobrir, que provavelmente nunca se encontrarão provas irrefutáveis da autoria do ataque, em vez de uma "Maria que vai com as outras", tenha a sua própria posição. E, nesse sentido, a chamada a Lisboa do embaixador em Moscovo não é uma posição nem dúbia, nem fraca.


Fraca - fraquíssima - é a de Paulo Rangel. Considerar a decisão do governo português "inexplicável" não é muito abonatório da sua competência política; considerá-la "jogo ideológico", para agradar aos seus parceiros, é ainda menos abonatório da sua lucidez e da sua seriedade intelectual. Mas ameaçar com o "Foreign Office" é francamente deplorável. Uma palermice, Paulo Rangel!


 


 

terça-feira, 27 de março de 2018

"É tão bom, não foi?"

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O menor défice da democracia (0.9%), conseguido à custa da maior receita de impostos (que não necessariamente da maior carga fiscal, como alguns pretendem) e das maiores cativações dos últimos largos anos, chegou para acomodar mais uma factura da banca - desta vez de 4,5 mil milhões de euros, da CGD - sem que o país furasse o tecto do défice excessivo, garantido que já estava que a UE não a consideraria para efeitos de procedimento.


Uma coisa é a política, outra é a matemática. Politicamente, o governo tinha conseguido que a UE não considerasse o "envelope" da Caixa para procedimento por défice excessivo. Mas, nas contas, esse envelope não tem outro sítio para onde ir se não para o défice. Por saber isso é que Mário Centeno apertou por todo o lado!


Por isso o governo fica sozinho a celebrar um défice muito abaixo de todas as previsões, numa espécie de "é tão bom, não foi?"... Por isso, porque sabemos o que as cativações nos têm custado e quanto nos custa pagar os impostos que pagamos, temos que deixar o governo a festejar sozinho. Porque não somos capazes de esquecer que, nos últimos 10 anos, já demos mais de 17 mil milhões para o peditório dos bancos. Nem que, como aqui repetidamente se diz, o dinheiro nunca desaparece. Apenas muda de mãos! 


 


 

segunda-feira, 26 de março de 2018

Curto, para tamanhos objectivos ...


 


A selecção nacional concluiu esta dupla jornada na Suiça, com mais uma exibição imprópria do título que ostenta e do prestígio de que desfruta. Se no primeiro jogo, na passada sexta-feira, com o Egipto, ainda conseguiu salvar o resultado nos quatro minutos da compensação, hoje não conseguiu fugir a uma derrota copiosa com a Holanda, com uma primeira parte assustadora.


Ao intervalo estava feito o resultado (0-3) e montado um cenário futebolisticamente apocalíptico. A selecção holandesa, que entrara convencida que ia defrontar a campeã europeia e uma equipa do top do futebol mundial, a que historicamente pertence mas do qual está agora afastada, acantonada lá atrás, com toda a gente a defender, demorou tempo a perceber que estava enganada. Só percebeu quando os golos começaram a surgir na baliza portuguesa a cada oportunidade que criava, sem que nada se passasse na sua grande área.


Claro que Fernando Santos tem tudo a ver com isto. Ao mudar radicalmente a equipa, com jogadores que nunca tinha jogado juntos, sem um trinco, nem ninguém nessa posição nevrálgica do jogo, o seleccionador nacional devia estar à espera de mais um milagre. A fé tem destas coisas...


O seleccionador não esteve apenas mal na constituição da equipa de hoje. Esteve mal na convocatória, esteve mal nas dispensas e nas substituições que não fez. E esteve mal, como normalmente está, em permanentemente adaptar a equipa e a estratégia de jogo ao adversário. Uma selecção campeã da Europa, cujo objectivo declarado é o título mundial, tem que ser impositiva. Tem que ter o seu padrão de jogo, e não pode partir para cada jogo à procura das armas para se defender do adversário. Tem que o atacar, não tem que se defender dele.


Quem não perceber isto, se não viu, vá ver o Alemanha-Espanha da passada sexta-feira, em Dusseldorf. Duas grandes equipas que não abdicaram nunca do seu futebol. E foi ina fidelidade às suas ideias que cada uma encontrou o caminho para alternadamente se superiorizar à outra.


Dos jogadores que hoje alinharam de início, à excepção do Cristiano Ronaldo, nenhum está condições para ser titular no mundial. E poucos, muito poucos, estarão em condições de incluir nos 23. De toda a defesa apenas o estreante Mário Rui, o lateral esquerdo do Nápoles, mostrou condiçoes para ir à Rússia. Do meio campo, apenas o Bruno Fernandes e no ataque, pelo que é, não pelo que jogou (como poderia?), Cristiano Ronaldo. E Quaresma, que dá sempre jeito ter no banco...


João Cancelo, hoje expulso, perde para a concorrência. E José Fonte e Rolando não têm lugar nesta selecção. Adrien, André Gomes e João Mário podem ter lugar cativo. Mas estão muito longe da condição mínima aceitável, e o que não faltam é jogadores para os substituir. André Silva é outro caso de perda de espaço na selecção. Não revela o entendimento que se tem pretendido fazer crer com CR7. Nem com ninguém. Gonçalo Paciência é hoje um ponta de lança bem mais capaz.


Muita coisa pode ainda acontecer mas, a pouco mais de dois meses do início do campeonato do mundo, não vejo como aqueles sete jogadores possam recuperar condição para estar à altura dos objectivos - não é dos sonhos - de Fernando Santos. Irrealistas, mas enfim... 

Os motards

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Ouvi a notícia pela primeira vez na Antena 1, a meio da tarde de sábado, dando conta que um gangue de "motards", armado de facas, paus e martelos, invadiu um restaurante no Prior Velho para um ajuste de contas com um gangue rival, fugindo depois de deixar um rasto de violência e pelo menos três feridos graves.


Há gangues em Portugal. E muitos. E há motards, uns mais e outros menos ortodoxos. Mas, de gangues de motards em Portugal é que, francamente, eu não tinha conhecimento. Mas se calhar há - pensei para os meus botões.


À noite, numa televisão, vi as imagens, sem prestar muita atenção. De repente, com um indivíduo rua abaixo a berrar que aquilo não ficaria assim, e "que se estava apenas no intervalo do filme". a reportagem agarra-me. De uma primeira sensação de "conheço esta cara", à sua completa identificação, foram uns centésimos de segundo: era Mário Machado. Que até pode ser motard, mas que não é daí que é conhecido. É antes conhecido pela cara da extrema direita, sucessivamente acusado e condenado pelos mais variados crimes de racismo e xenofobia.


A comunicação social, entre ela a pública, entendeu esconder uma guerra entre gangues rivais de extrema direita. E para isso inventou gangues de motards. Já nem se estranha muito a comunicação social, mas que é de estranhar o silêncio dos motards portugueses, se calhar, é!

domingo, 25 de março de 2018

A obra de Rajoy

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Nunca se deve substimar a inabilidade e a incompetência política. Ao conseguir de uma figura como Carles Puidgemont fazer um herói, Rajoy é a prova provada deste ensinamento. 


Não viria grande mal ao mundo se a sua incompetência se limitasse a fazer heróis improváveis. O problema é que não se fica por aí!


 

quinta-feira, 22 de março de 2018

Medo. Muito medo!*

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Há muito que muita gente desconfia das novas tecnologias e em particular das redes sociais. Uns por cepticismo militante, desconfiam de tudo e desconfiam mais de tudo o que é novidade. Não é a esses que me refiro, até porque os coloco no mesmo saco dos outros, no outro extremo, que nunca desconfiam de coisa nenhuma e se entregam acriticamente, de alma e coração, a tudo o que de novo lhes apareça pela frente.


Outros porque vêm outros utilizá-las como janelas escancaradas para a sua vida, mesmo que para lá espreitem como espreitariam por qualquer buraco de fechadura. E outros porque, reconhecendo-lhe um potencial inesgotável, desconfiam da utilidade que a perversidade, nas suas mais diversas formas, lhe possa dar.


Notícias dadas esta semana por dois jornais de referência mundial, o New York Times e o London Observer, a partir de investigações que levaram a cabo, fizeram disparar todos os alarmes destes últimos.


Não deixaram apenas o Facebook em alvoroço. Em alvoroço e sem umas larguíssimas dezenas de milhares de milhões de dólares. Deixaram-nos com medo. Com muito medo. E no entanto apenas confirmavam aquilo que há muito corria: que o Facebook tinha sido usado para eleger Donald Trump, no ano passado, na América. A novidade, nestas notícias, é que identificou quem e como – uma empresa inglesa, a Cambridge Analytica, já a espalhar o negócio pelo mundo fora, pronta a intervir na manipulação de tudo o que seja eleições por todos os continentes – e através da apropriação dos dados de 50 milhões de americanos, utilizadores da rede, com o envolvimento de gente da ciência e da Universidade.


Sabe-se que o mesmo já tinha acontecido no Brexit. Que os catastróficos resultados do referendo à continuidade britânica na União Europeia tinham sido manipulados a partir das redes sociais. Que o mesmo aconteceu mais recentemente nas eleições no Quénia, ou acabou de acontecer em Itália. Disse-nos Matteo Salvini, o líder da extrema-direita italiana, quando, conhecidos os resultados, se apressou a agradecer: “Graças a Deus internet, graças a Deus redes sociais, graças a Deus Facebook.”


Olhamos para este fabuloso mundo da conectividade digital e vemos Trump, brexit… Rússia, Putin, cibercrime e ciberespionagem … Fake news… E temos medo. Muito medo…


Porque jornalismo sério, como este do New York Times e do London Observer, capaz de denunciar estes crimes contra a humanidade, a liberdade e a democracia, não passa já de um simples e raro resquício do passado…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

Hoje deveria ser feriado!

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Hoje deveria ser feriado. Hoje temos cá o Bob Dylan, e não percebo como não é feriado nacional. Hão-de arrepender-se!

quarta-feira, 21 de março de 2018

Abuso de confiança

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Volta a falar-se do Facebook. Porque usa a infinita informação que lhe entregamos para os mais ilegítimos fins. Usa e é usado, abusando de uma estranha relação de confiança que impôs às pessoas. A ponto de lhe confiarem toda a intimidade, de com ele partilharem todos os seus segredos. Para isso, para conquistar essa relação de confiança, sempre se apresentou como pessoa de bem, nascida do bem e benfazeja.


Para a reforçar, por cada vez que falha, começa por dizer que nada de grave falhou, para logo depois jurar que vai melhorar e prometer não voltar a falhar. Como um(a) namorado(a), quando faz porcaria...


Se tudo o que se está a falar do Facebook se ficar pelos 40 mil milhões de dólares de capitalização perdidos nos últimos dois dias, é pouco. Muito pouco, rapidamente os recupera, logo que disto se deixe de falar. Muito, se calhar decisivo, seria se acabasse por romper com tão estranha relação de confiança. Se, quebrada essa relação de confiança, as pessoas se passassem a reservar mais, a expor-se menos. Mas, fundamental, e verdadeiramente importante, seria que a quebra dessa relação de confiança levasse as pessoas a deixar de acreditar em tudo o que lá vêem.  


Já era um bom ponto de partida para que este fosse apenas mais um extraordinário instrumento de aproximação das pessoas!


 

terça-feira, 20 de março de 2018

Primavera

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Entretanto, a Prima mais desejada da época está a chegar. É a Vera, vem disfarçada de equinócio e toda airosa, toda ela graça. E fresca como só ela... Dá cá um abraço PrimaVera!

Por que será?

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A morte de Marielle Franco chocou o globo. Mas não chocou a Globo.


Nem a SIC, nem a TVI, nem a RTP...


Por que será?

segunda-feira, 19 de março de 2018

Notícias do fim de semana

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Do fim de semana sobram as notícias da reeleição de Putin, e a demissão de Feliciano Barreiras Duarte, mais conhecido por "Nanito". O que é têm em comum?


Muita coisa. Estavam garantidas, não constituem surpresa nenhuma. Estão ambas recheadas de histórias aterrorisadoras. E mostram como tudo isto está perigoso e mal frequentado. 


Inesperada é a notícia da sondagem que dá a Assunção Cristas o quinto lugar, com uns expressivos 6,6% de intenções de voto. Logo a seguir ao congresso do CDS, mantido no topo da actualidade por toda a semana, quando já toda a gente acreditava que tínhamos mulher, uma sondagem com estes resultados ... Nem devia valer!

sábado, 17 de março de 2018

O espectador que não pagou bilhete

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Benfica tinha hoje mais uma final. Desta vez na Feira, na última visita ao Norte (as saídas de Lisboa, para norte, são sempre ao Norte), num jogo tido por elevado grau de dificuldade. Bem apregoado, e com rábulas várias, a começar na dos bilhetes.


Terá no entanto sido o mais fácil dos últimos jogos do Benfica, com um resultado que não tem nada a ver com o que se passou no campo. Mesmo sem ter feito uma grande exibição, que não fez, a superioridade do Benfica foi absolutamente evidente durante todos os minutos do jogo. Que começou a construir-se logo no pontapé de saída - o Benfica empurrou o Feirense lá para trás, para a sua baliza, e não mais lhe permitiu que de lá saísse. Com a equipa azul remetida à sua área, o Benfica usou preferencialmente as alas para conduzir a bola para a finalização. Os cruzamentos sucediam-se, como se sucediam os cortes da defesa adversária. E os cantos. Remates é que poucos. Muita construção para pouca finalização, porque faltava presença na grande área sobrelotada de jogadores do Feirense.


Mesmo assim meia dúzia de oportunidades de golo, a mais flagrante das quais num remate de Rafa ao poste, numa das poucas jogadas pelo centro do terreno, em que o mais infeliz rematador do Benfica fez gato-sapato da desfesa adversária. Varela tocou na bola três vezes: duas para a repôr, em dois pontapés de baliza, e uma para a recolher de um balão da defesa feirene.


Chegou-se assim ao intervalo. Assim, e com a expulsão de um jogador do feirense - Tiago Silva. Inevitável: depois de um primeiro amarelo que já deveria ter sido vermelho, fez falta por trás sobre Rafa, isolado a caminho da baliza.


A segunda parte abriu no mesmo tom, mas com o Benfica com mais qualidade. Os primeiros cinco minutos foram um sucessão de bom futebol e de oportunidades flagrantes, mas a bola continuava a teimar em não entar. Até que entrou Raul Gimenez. A provar que tinha chegado atrasado, fez golo na primeira vez que tocou na bola. E não foi por acaso, foi porque trouxe de facto novas coisas ao jogo, que o Benfica não tinha e que lhe faziam falta.


O golo trouxe outro jogo, como quase sempre acontece. O Benfica recuou e chamou o Feirense para a frente, convidando-o a abandonar o conforto da sua área. Mesmo não tendo aceite o convite sem reservas, o Feirense lá se adiantou um bocadinho uma vez por outra. Bastou isso para o Benfica encontrar espaço para as saídas rápidas, coisa nova no jogo, e para que Rafa, que já era o melhor em campo, se passasse a sentir como peixe na água. E a continuar a mandar bolas ao poste, a continuar a perder duelos com o guarda-redes, e até a marcar. O segundo do jogo e o seu segundo no campeonato. Faltava jogar o último quarto de hora, e faltava o golo de Jonas.


Esperou-se, esperou-se ... mas não apareceu. Mas não foi por falta de oportunidades, nem por ter sido seguido à pedrada. Foi porque ... há dias assim. E hoje foi dia de a bola se embeiçar pelos postes - por três vezes foi bater no lado errado do poste -, pelas pernas dos jogadores e pelo próprio guarda-redes do feirense.


No fim, ficou um resultado escasso para tanto futebol. Mais umas entradas maldosas sobre jogadores do Benfica, mas apenas mais uma expulsão, mesmo já no fim. E tanta superioridade. Num jogo em que o Varela foi mais um dos milhares de espectadores benfiquistas. Com a vantagem de não ter sido obrigado a pagar um preço escandaloso pelo bilhete!


 


 


 


 

quinta-feira, 15 de março de 2018

Histórias fantásticas*

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A América sempre foi dada por terra de oportunidades, pelo símbolo maior do empreendedorismo, pelo paradigma da mobilidade social, pelo chamamento à aventura e pelos desafios à superação das capacidades individuais.


A sua própria história é feita disso. De gente que lá chegou que nada tinha a perder, só uma vida nova para ganhar. O sonho americano, o maior mito da América, é isto!


Encontram-se por todo o mundo histórias fantásticas de sucesso individual, de gente que do nada se fez tudo. Mas em nenhuma outra parte do mundo se encontram tantas como na América. Umas mais conhecidas que outras. E nem todas épicas… “Épicas”, não disse “éticas”. Mas poderia ter dito!


Trago hoje aqui, porque faz parte da actualidade, uma dessas histórias. E das menos épicas.


É a história de Martin Shkreli, que vem de uma família de imigrantes albaneses e croatas, que ganharam a vida a trabalhar nas limpezas. No nada, do nada! 


Aos 22 anos, há apenas doze, criou um fundo de investimento e começou a enriquecer em Wall Street. Pouco tempo depois já constava da famosa lista dos sub 30 da Forbes. Mais famoso ficaria quando, em 2015, já dono de uma grande empresa na poderosa indústria farmacêutica, passou a ser conhecido pelo “homem mais odiado do mundo”, ao adquirir a patente de um medicamento para combater doenças como a Sida, o cancro ou a malária, para multiplicar o seu preço em mais de 5.500%. O resto desta história é uma sucessão episódios de fraudes e crimes financeiros e das mais insólitas extravagâncias, que culminou numa acusação de perto de uma dezena de crimes, que lhe davam direito à pena de 20 anos de prisão.


Na passada sexta-feira - faz hoje uma semana – o tribunal de Brooklyn, em Nova Iorque, deu-o por culpado em 3 dos crimes de que estava acusado e condenou-o a 7 anos de prisão.


Martin Shkreli, como já devem ter reparado, tem 34 anos...


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Vergonhoso e cobarde!

 


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Preparou-se a "marosca" com a Santa Casa da Mesiericórdia de Lisboa mas, à última, "berrou". Caiu, mas logo se encontrou um Plano B.


 Inviabilizada a entrada da Santa Casa da Mesericórida no capital da Associação Mutualista do Montepio (a sério porque, para salvar algumas faces, mantém-se uma participação simbólica), que tinha a cara do ministro Vieira da Silva, partiu-se para a habilidade contabilística. À boa maneira portuguesa: não há dinheiro, maquilham-se os números, e tudo se resolve. Não há 200 milhões em dinheiro, há 800 milhões em números!


A nova "marosca", mesmo pertencendo ao restrito e especial universo da Contabilidade, é facil de contar. A Associação Mutualista do Montepio, mesmo sendo a holding do Banco, é uma IPSS e, como tal, isenta de IRC, o imposto sobre os lucros das empresas. Lucros que, como se sabe, é coisa que há muito por lá não aparece. Apenas prejuízos, aos muitos milhões. Nada que impedisse a alteração da sua situação fiscal de isenta de IRC, para sujeita a IRC, e por isso a instituição liderada por Ricardo Salgado - perdão, Tomás Correia - pediu ao Ministério das Finanças que a libertasse dessa chatice de não ter que pagar impostos. Ao que o MInsitério das Finanças respondeu: "com certeza, por quem sois"! 


Parece tudo virado ao contrário, não é? Um contribuinte dispensado de pagar impostos, pedir ao fisco para passar a pagá-los, é coisa que não cabe na cabeça de ninguém. Errado. Cabe na cabeça de Ricardo Salgado - lá estou eu outra vez, desculpem, na de Tomás Correia. Não para pagar impostos, porque não tem lucros. Mas para deixar de os pagar no futuro, quando e se alguma vez vier a ter lucros nos quais irá abater, para contas de impostos a pagar, as centenas de milhões de prejuízos que o colocam na falência, e reconhecer agora no Balanço o que então, nesse futuro hipotético, poderá vir a deixar de pagar.


O leitor menos familiarizado com estas coisas interrogra-se-á: mas isto é possível?


É! Faz parte das regras e dos "princípios contabilisticos" - acreditem, disso sei eu. Chama-se "impostos diferidos" ou, no meu entendimento com menos propriedade, "crédito fiscal". Só que com dois problemas de vício insanável, tão evidentes que não se acredita que ninguém  no  Ministério das Finanças, no Banco de Portugal ou nos auditores, possa não ter visto: o primeiro é o da própria falácia da alteração do estatuto, e o segundo é o do valor atribuído a esse crédito: 800 milhões de euros, para baixo dos quais a falência foi varrida. Que, estando provavelmente ajustado à enormidade dos prejuízos acumulados pela ruinosa gestão de Ricardo Salgado - perdão, Tomás Correia - é simplesmente um activo irrealizável. Mesmo que sobreviva e volte aos lucros, é impossível realizar lucros a tempo de realizar tamanho volume de impostos diferidos.


No Banco de Portugal, Carlos Costa é o mesmo. E do mesmo espera-se o mesmo. O governo, que herdou do anterior todos os problemas do sistema financeiro e que apanhou com o do Banif logo à chegada, tinha agora oportunidade - e obrigação - de fazer diferente, de se demarcar do servilismo na relação com a banca. Não o fez, e é escandaloso que não o tenha feito. Se no plano A víamos a cara do ministro Vieira da Silva, no B vemos a de Mário Centeno. Se o Plano A era vergonhoso, o B é vergonhoso e cobarde!

quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking (1942-2018)

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Uma mente brilhante num corpo que desafiou todos os limites. Até os da ciência, que ele próprio tornara mais inacessíveis.


Morreu hoje, aos 76 anos, 53 depois do prazo prognosticado pelos médicos quando, aos 21, lhe foi diagnosticada esclerose lateral amiotrófica (ELA).


 

terça-feira, 13 de março de 2018

O programa de Cristas ... a primeira ministra

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Do congresso do CDS, para além de se ficar a saber quem vai para Bruxelas e Estrasburgo, ficou a saber-se que, às ordens do Adolfo Mesquita Nunes, Pedro Mexia e Nadia Piazza vão escrever o programa eleitoral com que Cristas vai concorrer a primeira-ministra nas legisativas do próximo ano.


A escolha de Pedro Mexia não surpreende. É uma figura pública com espaço mediático, alinhado à direita dita moderna, liberal, que mandou o conservadorismo às urtigas, mesmo à medida do coordenador. Só não é a cara chapada do Adolfo porque é de outra proeminência fisionómica.


Já a escolha da senhora que emergiu dos incêndios do início do Verão passado ... Também não. É mesmo à medida da líder. Sem desprimor de qualquer espécie, é uma escolha que é a cara chapada de Cristas!


 

segunda-feira, 12 de março de 2018

Mais do mesmo

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Temos cada vez mais diifculdade em perceber o que é a ética. Pelo menos na política.


Repare-se: Rui Rio apresentou-se como o paladino da ética, o homem que devolvia a seriedade à política, acima de qualquer suspeita. Mas começou a construir a sua liderança, logo nas eleições internas, em cima do caciquismo de Salvador Malheiro, premiando-o depois com a elevação ao topo da hierarquia partidária, de quem fez "o seu" Marco António Costa. E agora desvaloriza a fraudulenta viciação do cúrriculo do seu Secretário Geral  - não há volta  a dar, no PSD é muito difícil resistir à tentação de "armar ao pingarelho" académico - que o próprio Marques Mendes entende (como a Ordem dos Advogados já fizera público) dever ser objecto de intervenção do Ministério Público. O que para o político comentador, tal como para a Universidade usada, que denunciou o abuso, tem gravidade criminal, para o supra sumo da ética, não passa de um simples "aspecto do currículo de Barreiras Duarte que estava  a mais". Sem importância nenhuma. Já está corrigido, e não se fala mais nisso.


Já não sei se é Rui Rio que não tem muita sorte com as escolhas que faz, ou se é mesmo assim. Mais do mesmo, e cada vez pior!

sábado, 10 de março de 2018

Há coisas que nunca perceberemos

 


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O congresso do  CDS, do CDS de Cristas - é a própria a chamar-lhe "o meu CDS" - tem tido cobertura televisiva de gente grande. Tratamento de primeira liga, a que, nas mesmas palavras da própria, aspira vir a pertencer. Tratamento diferenciado.


Se calhar é por isso, por as televisões tratarem os seus 5% de representatividade eleitoral como se fossem 30%, que todas elas, e todos os infindáveis comentadores de cada uma, acharam normal e sério que Cristas se tenha assumido candidata a primeira-ministra nas próximas legilativas.


Que ha rãs que querem ser bois, sabemos. Aparecem até nas histórias com fins educativos, para que as crianças comecem a perceber a diferença entre o bom senso e o ridículo, entre a ambição natural e a desmedida e espalhafatosa... Mas há coisas que nunca perceberemos...


Será que as televisões continuam a soprar na rã só para não perderem o momento em que rebenta?

Mais uma final. Mas não há coincidências...


 


 


O Benfica não entrou bem neste jogo com o Aves, uma das noves finais que tinha pela frente, com a Catedral novamente bem perto de cheia, com mais 50 mil nas bancadas. Os primeiros dez minutos, sempre importantes na definição dos jogos, deram ao jogo o tom morno, que viria a ser difícil retirar-lhe. 


O Desportivo Aves não entrou na moda da pressão alta. O José Mota é raposa velha, e sabe bem que isso desgasta muito e rende pouco. Esperou sempre mais atrás, e apostou sempre na redução dos espaços, o que não o impediu de manter o jogo equilibrado nos primeiros dez minutos, tendo mesmo sido a primeria equipa a rematar, já no fim desse período. 


O Benfica respondeu logo a seguir com o remate de Rafa, a concluir a primeira boa jogada da equipa. A partir daí tomou conta do jogo e, tivesse Rafa (hoje o melhor em campo) resolvido o seu problema com o golo, como já resolveu praticamente todos os outros, tê-lo-ia resolvido ainda na primeira parte. Com o Aves sempre encostado á sua baliza, a bola encontrava sempre mais uma perna, mais umas costas ou mais uma cabeça para se desviar do caminho da baliza. E o Benfica não conseguia tiirar do jogo outra coisa que não cantos.


O arranque da segunda parte prometeu logo golos, com três oportundades claras para marcar. A que o Rafa falhou só tem mesmo explicação na sua insanável relação com o golo.


A partir daí, desses primeiros três ou quatro minutos, bem cedo portanto, o jogo pareceu querer voltar ao regime da primeira parte. Muita bola, muitos cantos, mas poucos sobessaltos, poucas roturas, pouco ritmo e pouca intensidade... Parecia que os minutos, à medida que iam passando, levavam consigo a crença dos jogadores do Benfica. Nunca desistiram de procurar o golo, é certo, mas nem sempre as coisas não corriam bem. Aqui uma má recepção, ali um mau passe, em evidentes falhas técnicas, preocupavam. Do outro lado, o adversário ia ganhando cada vez mais confiança. Era este o cenário a meio da segunda parte.


A partir daí o Benfica ganhou novo ânimo, aumentou a intensidade e partiu para o assalto final. E o golo acabou finalmente por surgir - por Jonas, evidentemente - na primeira vez em que se percebeu que a bola teria mesmo que entrar. A substituição do João Carvalho (mais um excelente jogador que tarda em explodir) pelo Raúl Gimenez ajudou a resolver o problema, porque era evidente que, com Jonas muito e bem marcado, era necessário colocar mais gente na área. Três minutos depois, numa recarga a um remate do ponta de lança mexicano, safado por mais uma grande defesa do guarda redes avense, que já então brilhava a grande altura, Rúben Dias fez o segundo. É já o quinto golo do miúdo!


E o último quarto de hora do jogo acabou por ser de uma tranquilidade - mesmo com a (expectável) entrada do Paulo Machado sobre o Cervi, já no fim e que só lhe valeu amarelo, para fazer mal - de todo inesperada. O Benfica criou ainda mais algumas oportunidades para marcar, o guarda-redes Adriano (que tirou o lugar a Quim, e sentou no banco o Artur, duas velhas glórias benfiquistas) continuou a brilhar, mas o resultado não se alterou. Pode até dizer-se que, apesar ter criado nove oportunidades claras para marcar, a exibição do Benfica, hoje, não dava para muito mais.


Não sei as coisas são mesmo como Rui Vitória diz. Que na sua "Caixa Forte" não entra nada que perturbe a equipa. Sei é que a exibição de hoje esteve bem abaixo das que a equipa tem vindo a efectuar. Poderá não passar de uma simples coincidência...


 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mantendo a ponte

 


 


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Parece-me que, como já é costume, se empolou a questão das obras de conservação na Ponte 25 de Abril. Sabe-se como a imprensa gosta destas coisas, de criar alarme. Mas isso não me impede de achar que nos cortes do investimento e da despesa pública já se estão a pisar todas linhas vermelhas, e a correr sérios riscos de muitas coisas começarem a correr muito mal.


Também me parece que em qualquer tipo de actividade económica o normal será que quem recolhe as receitas pague os custos. Mas estamos fartos de saber que, nas famosas parcerias público-privadas que não se podem reverter, as coisas não são bem assim. Se calhar os custos da Lusoponte são os salários dos portageiros e umas comissões á Brisa...


O que é preciso é manter a ponte. Essa e a outra, a que liga o Estado aos interesses de alguns. Ou a alguns interesses, o que vai dar no mesmo... Na outra margem.


 

Coisas extraordinárias

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Os CTT têm vindo a perder lucros desde que foram privatizados. Os de 2017 cairam para menos de metade dos do ano anterior. Ao contrário - e ao contrário de tudo, quer mesmo dizer, contra tudo - os dividendos sobem para o dobro. Ou seja, quanto menos lucros tem, mais lucros os CTT distribuem pelos accionistas. 


E não se pense que é a primeira vez que isto acontece. Não é. Já em 2016, com muito menos lucros que no ano anterior, a administração dos CTT distribuíra mais do que os que tinha realizado. É bem provável que já estejam a distribuir lucros anteriores à privatização. O que acaba por explicar mais uma privatização do novo professor catedrático que, na altura, ninguém entendeu...

terça-feira, 6 de março de 2018

Patifarias e toupeiras

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Vamos lá a ver se percebi. Alguém acedeu ilegitimamente a sistemas informáticos, violou correspondênicia, roubou e divulgou ficheiros com informação privada e confidencial. Alguém pegou em toda essa informação e toda essa correspondência e passou a divulgá-la selectiva e manipuladamente ao longo de meses, a um ritmo semanal, através de um canal televisivo. Para interromper essa escalada, altamente lesiva dos seus interesses económicos, da sua honra e do seu bom nome, a vítima apresenta em Tribunal uma providência cautelar com vista à suspensão dessa divulgação. Um juiz do Tribunal nega provimento a essa providência, num acórdão que incita à continuidade da violação da lei e dos princípios do Estado de Direito. A vítima recoirre dessa decisão para a instância superior. Dez meses depois, por unanimidade dos três juízes desse Tribunal, um acórdão notavelmente justificado arrasa a decisão da primeira instância, e proíbe finalmente esse longo processo de divulgação pública e manipulação abusiva de dados e correspondência privados, fixando uma elevada penalização financeira para o incumprimento. O que já estava, já estava. O mal feito, feito estava, não havia nada a fazer, evidentemente.


Passadas poucas semanas, sem que nada se continuasse a saber sobre a investigação aos crimes reconhecidamente praticados, e sem quaisquer arguídos constituídos, a vítima é objecto de uma mega busca policial. Um assessor jurídico da vítima é detido, acusado de corrupção sobre dois funcionários judiciais, para obter deles informações sobre os processos que correm sobre o assunto.


O detido, e assessor da vítima, tem um passado particularmente activo naquele alguém que, para ilegítimo proveito próprio, pegou naqueles dados e correspondência ilegalmente subtraídos à vítima e procedeu à ilegal divulgação.


É isto, não é?


Pobre vítima. Pobre Benfica. Quanta glória derramada em tanta patifaria... Quanta chama perdida nas catacumbas de tanta toupeira...

segunda-feira, 5 de março de 2018

Cátedra papista

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Não há volta a dar. Passos Coelho tem o condão de dividir o país... Desta vez é o destino que deu à sua carreira - depois de abandonar, primeiro, a liderança do partido e, logo a seguir, o Parlamento - que divide o país. Se não ao meio, perto disso...


O país começa logo por dividir-se quanto à natureza da coisa: se é um destino ou uma origem. Porque, na realidade, trata-se de iniciar agora uma carreira profissional. Na verdade nunca se lhe conheceu profissão, do seu passado profissional nada se conhece se não umas trapalhadas pouco edificantes na Tecnoforma. 


Estou em crer que é exactamente isto que dá importância ao assunto. Não tinha origens, não tinha sítio nenhum para regressar. Não tinha referências, que não umas breves alusões a uma suposta apetência para abrir portas


E por isso o país diviede-se entre os que acham que poderia manter-se Assembleia da República, prolongando o seu estado profissional e os que acham que, aproveitando-se da condição de ex-primeiro ministro, poderia ter dado o salto para qualquer instituição nacional ou internacional, pública ou privada. Uma parte do país acha que manter-se deputado seria resignar-se a um comodismo indigno do estatuto que atingiu. Outra que, aproveitar-se desse estatuto, não seria ajustado à dimensão da sua seriedade e à sua condição austera. E outra ainda que acha que quem só tem jeito para abrir portas só serve mesmo para porteiro.  


A melhor saída era mesmo tentar a carreira académica. Nisto, nem o país nem a doutrina se dividem. É o meio, onde está a virtude. A virtude e o passaporte para o segundo fôlego da sua carreira política, daqui a uns anos: nem a passividade do dolce fare niente, nem a ambição desmedida do lobismo, nem a falta de escrúpulos do exercício da magistratura de influências. 


A parte gaga da coisa não está sequer na (falta de) competência académica. Em última análise, quem serviu para governar o pais também servirá para dar umas aulas. Alguma coisa pode ter aprendido que possa agora ensinar... A parte gaga está no papismo mais papista que o papa da qualificação que lhe foi entregue. Professor catedrático, no escalão mais alto do vencimento, com as exigências e as dificuldades que as Universidades colocam a quem nelas faz profissão e carreira, não fica muito bem neste retrato... 


 


 


 


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"Arriverdeci"!

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A Alemanha tem finalmente, cinco meses depois das eleições, condições para formar governo. Ontem os mlitantes social-democratas do SPD confirmaram em referendo o "bloco central", e com isso o novo fôlego de Merkel. E a União Europeia mais ou menos no mesmo tom, mesmo que Macron o queira um bocadinho mais carregado.


Coisa em que, pelos vistos, a Itália não está interessada. Nas eleições de ontem, os italianos não adiantaram lá grande coisa à governação do país - aquilo parece ingovernável - , mas não deixaram grandes dúvidas que não vão em cantigas - isto é ainda efeito do festival - europeias. Se aqueles resultados não dão para governar, já dão bem para perceber um "arriverdeci" à União Europeia, bem claro no pontapé no rabo de Matteo Renzi, o primeiro-ministro que fora uma espécie de comissário político designado pela União Europeia.


 

sábado, 3 de março de 2018

O futebol (do Benfica) é isto mesmo!

 



 


"O futebol é isto mesmo". É um jargão do futebolês, mas se dissermos que "o futebol do Benfica é isto mesmo" estaremos a descrever o que se passou hoje na Luz - praticamente cheia - numa noite diluviana para receber, desta vez, o Marítimo. 


O jogo até nem começou lá muito bem. Pertenceram ao Marítimo o primeiro remate e o primeiro canto - a até o segundo - do jogo. Com uma pressão muito alta, os jogadores da equipa insular não condicionavam apenas a saída de jogo do Benfica. Ganhavam permanentemente a bola, e logo com a baliza do Varela ali à mão.


Foi assim no primeira dúzia de minutos. Mas... aí está - o "futebol do Benfica é isto mesmo", e percebia-se que os jogadores do Marítimo eram apenas os pardais a tentar aproveitar o primeiro milho. Quando o primeiro quarto de hora se despedia do jogo já o Benfica rompia a teia, construia a primeira jogada do seu "futebol que é isto mesmo" e fazia o primeiro golo: Jonas, claro. Com a classe que só Jonas dá aos golos...


A tendência direitista vinda da semana passada mantinha-se. Era da ala direita que o Benfica desferia os golpes, uns logo a seguir aos outros. À famosa ala esquerda de Grimaldo e Cervi, assessorada por Zivkovic, respondia, à procura da mesma fama, a ala direita de André Almeida e Rafa, assessorada por Pizzi. Tudo,  da direita ou da esquerda, a desaguar na classe dos golos de Jonas. Se o primeiro tinha sido muito bom, o segundo - terceiro do jogo, porque o segundo, com certificado de denominação de origem na esquerda, fora obra de Grimaldo, seis minutos depois do primeiro - foi uma obra de arte, em mais uma assistência de André Almeida. 


Faltavam 10 minutos para o intervalo quando Jonas assinou essa obra prima. Até o terceiro, quarto do Benfica, sete minutos volvidos, na cobrança de um penalti cometido sobre Rafa em mais uma jogada do "futebol do Benfica  que é isto mesmo", foi notável. Depois de ter falhado dois penaltis (Belenenses, que custou dois pontos, e Boavista) Jonas quis mostrar como se marcam penaltis indefensáveis. E com categoria.


Com quatro a a zero ao intervalo perspectiva-se um recorde de golos. Sete, oito, sabia-se lá...


O início da segunda parte apontava para aí. Tivessem sido mantidos os índices de eficácia e assim teria sido. Mas não foram, e o Marítimo defendeu-se muito mais. Especialmente depois de, já perto da hora de jogo, ter ficado reduzido a dez jogadores, pela inevitável expulsão de Gamboa, por sugestão do VAR confirmada pelo árbitro, depois de consultar as imagens. A partir daí o Marítimo só defendeu.


Defendeu com dez, e o Benfica só marcou por mais uma vez - aos 81 minutos, num golaço de Zivkovic. Até deveria ter valido por dois!


Nem a chuva pára este "futebol do Benfica  que é isto mesmo". Com o que se tem visto, até pode nem dar para o penta, mas que é - de longe, a enormíssima distância - o melhor futebol que por cá se vê, lá isso é!


 


 

sexta-feira, 2 de março de 2018

A tragédia do século

 



(OMAR SANADIKI-REUTERS)


 


Começou com a esperança da Primavera àrabe, há apenas 7 anos, e transformou-se na mais sangrenta e complexa guerra deste século. Interminável. Acontece na Síria, mais um país parido pela primeira guerra mundial, desenhado à revelia das diferentes tribos e das autonomias das diferentes regiões, e não admite tréguas, por breves horas que sejam, para assistência humanitária. À responsabilidade de uma ONU que tem no terreno agentes capazes de a trocar por sexo, deixando às pobres mulheres sírias a trágica opção entre salvar os filhos ou salvar a sua própria reputação.


Uma ONU polticamente ineficaz e ignorada, bloqueada no seu Conselho de Segurança, onde têm assento todos os interesses na guerra. Com os interesses geo-estratégicos da Rússia à cabeça. Os dos Estados Unidos, porque lá está o terrorismo islâmico, mas porque lá está a Rússia. E os da China, porque lá está o Irão, do xiismo e donde lhe vem o petróleo. 


Lá está também a Turquia, porque lá está a oportunidade de atacar os curdos e as suas aspirações independentistas. Lá está a Arábia Saudita, porque lá estão os xiitas do Irão. E lá está até a Coreia do Norte, com as armas químicas que mais ninguém quer mostrar, mesmo que bloqueada pelas sanções internacionais, que não pelo cinismo da guerra.


E cá está a União Europeia, aqui tão perto, impávida e hipócrita: os que lá estão a morrer já não passam o Mediterrâneo para cá. São centenas de milhar!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...