terça-feira, 30 de setembro de 2025

Chelsea 1 - Benfica 0

Liga dos Campeões 2025/25: Chelsea 1-0 Benfica


O Benfica está numa fase em que tudo lhe acontece. Quando acabava de sair vivo - mais que isso, claramente por cima do jogo, com duas excelentes oportunidades de golo, uma delas a bola ao poste de Lukebakio - do primeiro quarto de hora do jogo, liquida essa superioridade com um auto-golo.


Se a este Benfica acontece tudo, a Rios acontece tudo e mais alguma coisa. Um ou dois minutos antes de, com um ímpeto que ainda lhe não tinha sido visto, se antecipar a três defesas da sua própria equipa, para marcar na baliza de Trubin, por lhe faltar metade - ou menos - desse ímpeto, em frente da linha de golo da baliza do Chelsea, falhara o golo na baliza certa.


Não foi apenas isto o jogo de Stamford Bridge - onde Mourinho, neste regresso, voltou a ser aplaudido - mas foi apenas isto a segunda derrota nos dois jogos do Benfica na presente edição da Champions. 


Como já se deixou perceber, o Benfica entrou bem no jogo. Mourinho não fez muitas alterações (relativamente ao último jogo, com o Gil Vicente) no onze inicial, mas mudou a abordagem táctica da equipa. Enzo  - o nosso, o outro, o capitão deles, foi o alvo do ódio de estimação dos muitos benfiquistas que se deslocaram a Stamford Bridge, que durante mutas fases do jogo dominaram também nas bancadas - regressado do castigo, juntou-se ao duo (Rios e Aursenes) do meio campo do último jogo, que passou a três. Da frente saiu Schjelderup, com o lado esquerdo entregue a Sudakov, mantendo-se Lukebakio e Pavlidis. 


Tacticamente bem, mesmo com uma ou outra hesitação de um ou outro jogador, o Benfica demonstrava não temer o campeão do mundo. Não quer dizer que dominasse por completo o jogo, nem que exibisse um futebol exuberante, mas jogou o suficiente para estar por cima do jogo, e para chegar a ser entusiasmante. Na primeira parte o Chelsea construiu dois lances de golo - nenhuma delas foi a do auto-golo de Rios -, o Benfica, três ou quatro.   


A diferença foi feita pelo auto-golo. Que é um acidente de Rios, mais que um erro de Rios. O erro, que já tinha ocorrido num lance anterior, é de Dedic, que foi fechar no meio, onde estava Rios, e podia estar ainda Enzo, deixando Garnacho completamente livre. 


Na segunda parte o Chelsea não foi melhor. E o Benfica foi ainda um pouco melhor. Sem deslumbrar, sem grandes e claríssimas ocasiões de golo, mas melhor durante mais tempo. Com a impetuosidade de Rios no auto-golo, muita da produção ofensiva teria certamente acabado em grandes oportunidades e, algumas delas em golos.


Assim, aconteceu apenas que o Benfica, a dar melhor conta de si, perdeu um jogo (competitivo) que não merecia perder. Depois de perder (com o Qarabag) o jogo que tinha de ganhar, hoje o Benfica perdeu a oportunidade de não perder com o Chelsea. 


 

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Grande Vitória vitória (não é gafe, nem  tem nada a ver com um jogador que anda por aí, que está na moda, é mesmo grande a vitória, e o Vitória) do Benfica no Vincente Calderon, perante o Atlético de Madrid de Simeone que, reza a história, nunca aí tinha perdido em jogos europeus. Onde levava oito jogos sem sofrer golos...


Abri assim, com este toque meio épico, porque, para além da exibição, salpicada de classe e de personalidade - até as transições rápidas regressaram em todo o esplendor -,  hoje foi dia de enterrar todos os fantasmas. 


Os profectas do Benfica calamitoso que só ganhava em casa, que fora de portas tinha sempre a derrota como certa e inevitável, para quem nada de casuístico havia na derrota inaugural com o Sporting, no regresso de uma endinheirada mas desastrosa digressão de pré-temporada. Nem na estúpida derrota com o Arouca, onde trinta remates à baliza não deram para um só golo. Nem na do Porto, depois de uma exibição que nada teve a ver com aquilo que era habitual ir lá fazer, ficaram hoje sem argumentos. Já podem meter a viola no saco...


Mas a pedra de toneladas que hoje foi colocada sobre o túmulo de todos os fantasmas foi carregada pelos miúdos Nelson Semedo e Gonçalo Guedes, ambos sensacionais, ao nível dos suspeitos do costume, os enormes  Gaitan e Jonas. E dos também enormes Luisão e Jardel. O epitáfio é simples, e está na tabela classificativa: Champions - dois jogos seis pontos!


Não sabíamos o que era isso. Sabíamos - e vimos confirmar-se - é que os imbecis das tochas continuam por aí, à solta e impunes. Eles e quem os protege. Até quando?

Uma tragédia

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Portugal é o segundo país da OCDE com maior desigualdade social. Pior, só os Estados Unidos, de Trump!


É a própria OCDE que o diz, no Relatório "Ter e não ter - Como ultrapassar a desigualdade de oportunidades", divulgado na semana passada, o primeiro a ser publicado no âmbito do Observatório sobre Mobilidade Social e Igualdade de Oportunidades, criado em 2022. 


A impressão que dá é que Portugal está com sérios problemas com elevadores. Devem ser de manutenção. Agora é o elevador social. Parou, ninguém consegue subir sequer um degrau do patamar em que nasceu. Onde se juntam multidões a olhar lá para cima, onde uns poucos estão cada vez mais acima, mais alto e mais longe, sem ninguém lhes poder chegar.


Às vezes corre mal. Com carga a mais, o elevador nunca mais consegue arrancar. E, como se viu há semanas, basta um cabo qualquer ceder para vir tudo descontrolado por aí abaixo.


É uma tragédia!

domingo, 28 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Nasceu uma nova palavra. É germanófila, e não fazia falta nenhuma, porque já cá tínhamos de mais. Se há coisa que não falta na língua portuguesa é riqueza de expressões ajustadas ao acto de enganar, ludibriar, iludir, surrupiar, lixar, mentir dolosamente ou simplesmente mentir com simples dolo. Mesmo assim, aí está: Volkswagenizar!


Toda a gente volkswageniza e nesta altura, mais, ainda. Passos e Portas volkswagenizam  em grande, à Passat ou Phaeton, volkswagenizam como se não houvesse amanhã.


Maria Luís é também viciada em Volkswagens. Segue-as à risca, tim tim por tim tim

Pogaçar - mas também Evenepoel - outra vez!

El Mundial de ciclismo de ruta 2025 se correrá en Ruanda


Correu-se hoje, pelas colinas da capital Kigali, a prova de estrada dos campeonatos do mundo 2025, no Ruanda, pela primeira vez no continente africano.  Num traçado que incluía a interligação de dois circuitos num total de  267,5 km, num dos Mundiais mais exigentes de sempre, tanto pelo acumulado de subida (5.500 metros) como pela altitude (Kigali ronda os 1.850 metros), e com desafios especiais na Côte de Kimihurura (1,3 km a 6,3%), na Côte de Kigali Golf (800 metros a 8,1%), na Côte de Péage (1,8 km a 5,9%) e, especialmente, a subida final á meta, em paralelepípedos, no Muro de Kigali (400 metros a 11,0%).


Depois de, há oito dias, na competição de contra-relógio, ter sido brutalmente batido (tendo mesmo sido dobrado, e ficando fora das medalhas, por 1 segundo no quarto lugar) por Remco Evenepoel, que conquistou o 3º título mundial, Pogaçar voltou ao esplendor, vencendo com autoridade e revalidando o título mundial. Com tanta autoridade quanto a do ano passado, em Zurique. 


Não foi muito diferente, o desempenho do melhor corredor de bicicletas do mundo. No ano passado Pogaçar atacou a 100 quilómetros da meta, e avançou sozinho para os últimos 51 quilómetros, cortando a meta com 34 segundos sobre os australiano Ben O`Connor. Este ano, depois da fuga onde contou com o precioso apoio do mexicano Isaac del Toro, seu colega da UAE (nestas competições de selecções o espírito de equipa predomina muitas vezes sobre o da selecção do respectivo país), partiu sozinho a mais de 60 quilómetros da meta, e venceu com cerca de 1,5 minutos de vantagem sobre Evenepoel, o segundo, juntando a medalha de prata à de ouro no contra-relógio.


Remco Evenepoel, que talvez pudesse ter feito ainda melhor, não fosse duas mudanças de bicicleta, a última meio desastrada teve, ainda assim, um desempenho notável. Protagonizou a perseguição a Pogaçar durante muitos quilómetros, no trio que compôs com irlandês Ben Healey e o dinamarquês Mattias Skjelmose, até perceber que, que se era para puxar, que teria de o fazer sozinho. E, sozinho como Pogaçar, não perdeu tempo para o esloveno.


A medalha de bronze, foi para Ben Healey, que na subida final se despediu de Mattias Skjelmose.


Portugal participou com apenas quatro ciclistas - Ivo Oliveira, Tiago Antunes, António Morgado e Afonso Eulálio. Que, em nono - a fechar o terceiro grupo, já em cima dos 7 minutos, com o italiano Ciccone, o dinamarquês Skujns, o mexicano Isaac del Toro, e o espanhol Ayuso -, ficou bem dentro  do top ten mundial.


Uma nota para a participação, a título individual, de Artem Nich, o bi-campeão da Volta a Portugal, no 24ºlugar, a 10 minutos de Pogaçar.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Elegendo mais deputados, os partidos independentistas da Catalunha não obtiveram mais votos, trazendo à evidência uma possibilidade que por cá se tem posto.


Mau grado as paralelas que a História tantas vezes traçou entre Portugal e a Catalunha isso não tem importância nenhuma. Importante - seja para lado for - é que ainda não foi desta que a questão da independência foi resolvida. Por muito que os independentistas - o Juntos pelo Sim, de Artur Mas e da Candidatura de Unidade Popular (CUP) - possam dizer que é um resultado que lhes permita avançar para a independência de forma unilateral, a verdade é que, na maior participação eleitoral dos últimos anos, que mobilizou o voto de perto de 80% dos catalães, a maioria dos votos expressos – 51,94% - foi para partidos que não defendem esse caminho.


Há precisamente uma semana, num programa de uma rádio, onde falava de coisas à volta do futebol, para exemplificar a ligação entre futebol e política, referi o Barça como bandeira do nacionalismo catalão, para perspectivar o paradoxo dessa ligação nas eleições de ontem. Ao anunciar que não aceitaria a inscrição de clubes estrangeiros, a posição da Federação Espanhola de Futebol estava a deixar claro que, numa Catalunha independente, o Barcelona ficaria impedido de competir na Liga espanhola,  e assim imediatamente ameaçado no seu estatuto de uma das maiores potências do futebol mundial e, consequentemente, morto como bandeira da nacionalidade.


Não sei se alguém dedicará algum tempo a investigar a influência deste paradoxo nos resultados eleitorais de ontem. O meu palpite é que, tendo que escolher entre a coisa e o seu símbolo, os catalães  preferem o símbolo.

sábado, 27 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Sabendo, pela experiência dos jogos que tem feito em casa neste início de época, que o primeiro golo é a chave do sucesso, o Benfica entrou a todo o gás no jogo de hoje com o Paços, com o objectivo bem nítido de encontrar essa chave bem cedo.


Só que foi sol de pouca dura. À passagem do primeiro quarto de hora já parecia que tinha desistido… Não terá sido por opção própria que abandonou aquele ritmo asfixiante dos primeiros quinzes minutos de jogo, até porque – bem o sabemos – não é fácil manter estes ritmos diabólicos por muito tempo. Mas não foi só isso!


O Paços teve culpas. E grandes… Resistiu como pôde a esses 15 minutos avassaladores, com faltas de toda a maneira e feitio, e algumas bem feinhas, chutando para onde estavam virados e cedendo cantos uns atrás dos outros. Mas depois conseguiu começar a respirar, organizou-se e começou a subir no terreno. A subir muito, a pressionar a saída da bola do Benfica, onde quer que fosse, e a complicar o jogo ao Benfica.


O antídoto para o tipo de jogo que o Paços impunha em campo passa por aquilo que tinha sido a imagem de marca do futebol do Benfica nos últimos anos, aquilo que em futebolês se chamam transições rápidas. E que se percebe que perdeu. Não sei se é uma ideia abandonada, assim como quem atira fora uma ferramenta que acha que já não precisa. Mas sei, porque se vê, que falta a muitos jogadores a velocidade de execução e a qualidade do passe e de recepção, que são o factor crítico de sucesso das transições rápidas.


Sem este antídoto – em todo o jogo o Benfica conseguiu por uma única vez uma transição ofensiva capaz de fazer lembrar o ano passado, e foi desperdiçada por Mitroglou, que ao contornar o guarda-redes permitiu-lhe desviar a bola do golo – valeu mais uma vez a classe dos dois mais categorizados jogadores da equipa. Primeiro, Jonas, a fazer do golo uma obra de arte. Sublime, pouco passava da meia hora de jogo, a fazer o resultado ao intervalo. Porque, pouco depois num remate com a mesma espantosa execução, a bola não quis voltar a entrar.


A segunda parte - pese sempre o grande desequilíbrio na posse de bola (75% para o Benfica na primeira parte) -  não foi muito diferente. Até ao segundo golo, o primeiro de Gonçalo Guedes na equipa principal do Benfica, a meio da segunda parte.


Um golo que matou de facto o jogo e que tem história: porque resulta de uma nouance táctica (Gonçalo Guedes a jogar mais por dentro, com a ala toda entregue ao outro miúdo, Nelson Semedo) e porque surge em circunstâncias anteriormente ensaiadas, sempre com o remate do miúdo a bater numa das muitas pernas que ocupavam aquela zona central da entrada da área. Voltou a bater numa dessas pernas, só que desta vez, ao contrário de todas as outras, seguiu o caminho da baliza.


Curiosamente também o terceiro golo, de novo de Jonas, sete minutos depois, foi uma jogada (Gaitan-Guedes-Jonas) a papel químico de uma outra poucos minutos antes.


No fim ficou um jogo que, apesar da boa imagem que o futebol do Paços deixou, bem poderia ter registado mais uma das goleadas da Catedral. Oportunidades não faltaram!


Diz que os outros dois empataram… Fizeram eles bem!

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Benfica 2 - Gil Vicente 1


Durante um mês e meio o Benfica teve sempre um jogo a menos que os adversários do campeonato. Hoje, chega ao final do dia com mais um. Como também tem bastantes mais - mais cinco - nas outras competições, os jogadores estão com uma sobrecarga bem maior que a dos adversários. Como não tiveram férias, nem pré-época, a desvantagem competitiva aumenta. Como as coisas correram mal, e tiveram de mudar de treinador, as dificuldades aumentam ainda mais um bocado. Como a carga competitiva não deixa tempo para treinar, a ponte de um treinador para o outro fica mais difícil de fazer, a cabeça fica mais pesada e, com pernas e cabeça pesadas, os jogadores não conseguem jogar.


Parece-me que é mais ou menos isto que marca o momento do Benfica. E é à luz deste momento que tem de se analisar a prestação da equipa, esta noite, na Luz, perante o Gil Vicente. Que não é uma equipa qualquer, é uma das que, até agora, melhor futebol pratica em Portugal. Como mostrou em todos os jogos que já disputou, incluindo no único que havia perdido, com o Porto, logo nas primeiras jornadas.


Foi preciso este jogo com o Gil Vicente para que todos percebêssemos a realidade actual do Benfica.  Até aqui havia a ideia que a equipa tinha dificuldades contra equipas que estacionavam o autocarro à frente da baliza. Que o problema era não ter soluções para enfrentar essas equipas que defendem em bloco baixo, que fazem anti-jogo durante todo o tempo. Os jogos com o Santa Clara e, mais ainda, o último, com o Rio Ave, alimentavam essa ideia. 


Hoje, o Gil Vicente mostrou que, jogando abertamente à bola, olhos nos olhos, colocou ao Benfica muito mais problemas que os outros adversários, que só defenderam. E deixou a nu que, também para esses, o Benfica não tem solução. Não porque não tenha, mas porque não consegue ter.


O Gil Vicente, de César Peixoto, foi melhor durante os mais de 100 minutos que a partida durou. Jogou muito melhor futebol, criou muitas mais oportunidades de golo - mais do dobro das do Benfica -, teve mais posse de bola (51%), mais cantos (7-0), mais remates (17-10), e mais do dobro dos remates enquadrados (9-4), para o que não contam os três que bateram nos ferros da baliza de Trubin. Nem o do golo anulado, no início da segunda parte, por 6 centímetros de fora de jogo!


Com Enzo afastado, o primeiro a atingir o quinto amarelo no campeonato (e Otamendi já vai no quarto, o que também revela muito do que por aí vai),  Mourinho puxou Aursenes para a posição de médio defensivo. Deu a primeira titularidade a Lukebakio, na direita, antes do norueguês e, com  Schjelderup na esquerda, deixava a equipa com asas para voar. Só que foi a equipa de César Peixoto a começar a voar, logo no pontapé de saída, com Trubin a impedir o golo por duas vezes no mesmo lance.


Não marcou aí, marcou logo a seguir, aos 10 minutos, num livre directo bem cobrado pelo maestro da equipa, Luís Esteves, mas ferido de ilegalidade. É que o lance nasce de uma falta, grosseira até, sobre o António Silva que João Gonçalves, mais um habilidoso árbitro do Porto, não assinalou. 


O Benfica reagiu, especialmente por Lukebakio. Mesmo sem ser melhor, a equipa reagiu e, em quinze minutos, fechou o resultado, com dois golos de Pavlidis. O primeiro numa jogada de insistência, ao segundo remate. O terceiro na conversão de um penálti, depois de uma recepção de enorme classe de Lukebakio, após um grande passe de Otamendi, pouco passava de meio da primeira parte.


Na segunda parte o domínio dos gilistas acentuou-se ainda mais. A equipa grande foi sempre a de César Peixoto. A de Mourinho defendia. E passava a queimar tempo, logo a partir dos 80 minutos, o que serviu de pretexto a João Gonçalves para mais um amarelo a Richard Rios.


Podendo continuar a queixar-se da arbitragem, desta vez o Benfica não se pode queixar da sorte!

Deprimente - parte II

Rui Costa: "Benfica está a atravessar uma fase da época que não esperávamos"


A entrevista de ontem à noite, na TVI/CNNP, a Rui Costa é mais um exemplo da completa falência do jornalismo em Portugal. Já, nos mesmos moldes, e com os mesmos intérpretes, assim tinha sido, há precisamente um mês e uma semana, a deprimente "entrevista" a Luís Filipe Vieira, então com o parti pris apenas mais acintoso.


Seria difícil perceber outro objecto para a entrevista que não a re-candidatura do Presidente do Benfica às eleições daqui a um mês, mas não foi esse o que a benfiquista, de facção, Sandra Felgueiras, e o portista Joaquim Sousa Martins, prosseguiram. Nada disso. Sobre o projecto, a equipa, o programa eleitoral, enfim alguma coisa que tivesse a ver com o que Rui Costa tem para propor aos sócios do Benfica, nada. Roupa suja, chafurdice, isso sim. E, sim, com Rui Costa sem habilidade para se não deixar chafurdar.


Já o interrogatório entregue aos avençados da estação é uma absurda caldeirada de algazarra e incompetência, temperada com umas pitadas de oportunismo.


Mau de mais!


Rui Costa não tem culpa nenhuma disso. Mas também não tem mais para dar do que aquilo que deu ... para aquele peditório.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Cavaco - anuncia hoje o SOL - já não exige maioria para dar posse ao novo governo. Não sendo frequente que mude de opinião - há mesmo quem diga que é um incorrigível teimoso, que raramente tem dúvidas e que nunca se engana - o que é que o terá feito mudar de ideias?


O que é mudou?


Não estou bem a ver... Estão aqui a dizer-me que o que mudou foram as perspectivas eleitorais da coligação. Não. Não pode ser, não estou a ver que um presidente da República, possa ser tão parcial. Isso seria batota...


Mas já que estão a falar nisso... Então, quando toda a gente pensava que o PS ia ganhar as eleições, Cavaco avisava que só os deixaria governar se tivessem maioria. Porque o país precisa de estabilidade, o que a vitória sem maioria de António Costa não garantia, ainda que tivesse, á esquerda, todo um largo espectro de hipóteses de construir consenos, pontuais ou mais estruturais. Agora, que as sondagens apontam para a vitória da sua coligação, que sem maioria não tem por onde nunca lá chegar, Cavaco vem dizer que afinal pensou melhor, e que não é preciso maioria nenhuma. Nem estabilidade, o que é mesmo preciso é que esta sua gente continue a tomar conta disto tudo...


Como dizia o velho anúncio:"palavras para quê"?

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Enquanto o jovem défice de 2014 é objecto da maior campanha de lavagem que algum défice alguma vez conheceu, o de 2015 segue-lhe apressadamente os passos.


Um invejoso, este défice de 2015. Ao ver a benção europeia ao seu irmão mais novo, logo quis ser grande como ele... A mãe é que não lhe despensa os mesmos mimos, e garante que não o deixa crescer. Ninguém acredita que seja capaz de o contrariar, desconfia-se é que o abandone. Ou que até lhe dê outro pai...


 

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Cláudia Cardinale (1938-2025)

Claudia Cardinale Claudia Cardinale, Beautiful Celebrities, Beautiful ...


Foi uma das maiores estrelas de cinema do século passado. Bonita, ainda mais atraente, rebelde e talentosa, esta diva do cinema europeu, francesa - nascida na Tunísia, então protectorado francês, viveu em Nemours, perto de Paris, onde ontem faleceu - mas italiana de coração, provocou muitos e infindáveis sobressaltos nos sonhos da rapaziada da minha geração. 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Antes de rumar a Bruxelas para a reunião do Conselho Europeu – que voltou a aplicar, agora para os refugiados, a única receita que a Europa conhece: mandar dinheiro para cima dos problemas, fingindo com isso resolvê-los – Passos Coelho que, já no início da semana, com aquela sua enorme facilidade de deixar fugir a boca para a mentira, trocava o pagamento de obrigações do tesouro de dez anos com a antecipação de pagamentos ao FMI, veio dizer-nos que essa coisa do défice não conta para nada. O défice do ano passado fica nos 7,2%, mas isso é um simples episódio estatístico, garantiu sem pingo de vergonha.


Quer dizer, e como salienta o Pedro Santos Guerreiro, “… andamos há anos a penar, a pagar e a minguar pelo défice orçamental…”. Por ele passamos pelo aumento colossal de impostos e de lá nunca mais saímos. Por ele cortaram despesa na Saúde, na Educação, na Cultura. Cortaram salários. Cortaram pensões. E cortaram tudo o que era prestação social... Mas depois, e afinal de contas, o défice é passado, é só contabilidade, coisa de estatística e nada mais. Que para nada releva e que não tem importância nenhuma…


E é um primeiro-ministro destes que vai ser reeleito?


Não acredito. Sinceramente que não!


Mesmo que o challenger continue sem acertar o passo, e a fazer (quase) tudo ao contrário… Foi mais uma vez o Bloco de Esquerda, e Catarina Martins, a mostrar como se faz: “ a campanha eleitoral da direita morreu hoje”. Assim, simples e directo!


O que fez António Costa? Dirigiu-se a Portas, e falou dos défices dos governos do PS. Era possível fazer pior? Tenho dúvidas…


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Benfica 1 - Rio Ave 1


Os benfiquistas, esquecidos do que tem acontecido na Luz, tudo perdoado à equipa, Lage - qual cordeiro emulado - por longe, e cheios de fé na estreia de Mourinho, voltaram em massa à Luz. Mais de 57 mil, numa noite de terça-feira, para assistir à degola do inocente Rio Ave - há quatro dias depenado pelo Porto, em Vila do Conde - adversário da primeira jornada, adiada até hoje por força dos jogos da terceira pré-eliminatória de acesso à Champions, com o Nice, de boa memória.


Festa, muita festa à chegada. Tanta quanto a desilusão, à saída. Porque houve muito, se não tudo, de mais do mesmo.


Mais do mesmo na primeira parte. Mais do mesmo jogar para trás e para o lado, numa falsa ilusão de domínio pela posse de bola, que não servia para nada. Mais da mesma passividade, da mesma falta de agressividade. Mais do mesmo conformismo, com o tempo a passar sem que nada de futebol se passasse. 


Se a primeira parte na Vila das Aves tinha parecido um jogo de solteiros e casados, esta, esta noite na Luz, parecia um jogo de infantis. Os do Rio Ave não saíam lá de trás, queimavam tempo desde o pontapé de saída, defendiam com tudo e com todos, chegavam sempre primeiro às bolas divididas, e ganhavam todos os ressaltos. Os do Benfica regalavam-se com a bola, a circulá-la para trás e para o lado, e que deixava os oponentes regalados. Sempre que fosse para dar à bola outro destino, os do Benfica perdiam-na. Ou porque falhavam passes, dos mais ousados aos mais simples, de um ou dois metros, ou porque se deixavam antecipar, ou porque eram passarinhos.


Ao intervalo o resultado não podia ser outro que o 0-0, com o desespero a instalar-se nas bancadas, que descarregavam a ansiedade nos assobios ao anti-jogo do Rio Ave, em particular nas reposições de bola do guarda-redes.


Mais do mesmo, ainda no primeiro quarto de hora da segunda parte. Até porque do balneário veio tudo na mesma.


Foi então tempo da primeira defesa do guarda-redes Miszta, aos 55 minutos, a um cabeceamento de Pavlidis. Mas também da ovação a Dedic, por evitar uma transição perigosa do Rio Ave com um sprint e uma recuperação notáveis.


À entrada do segundo quarto de hora, o golo do Benfica marcava o fim do mais do mesmo. Como no primeiro golo das Aves, resultou da presença na área adversária, e acabou no golo de António Silva, à primeira, depois de a bola ter sido tirada de dentro da baliza, confirmado por Pavlidis. Só que o VAR viu qualquer coisa. Ainda não vi mas, chamado de Oeiras, o árbitro Sérgio Guelho - porque ligo pouco a árbitros, um nome que nem conhecia, mas que é, também, mais do mesmo (foi conivente com 90 minutos de anti-jogo, mostrou um amarelo logo no início do jogo a Ivanovic, por pretensa simulação fora da área, mas nunca penalizou qualquer jogador do Rio Ave, quando todos abusaram de conduta anti- desportiva, e com isso incendiou as bancadas, e desestabilizou os desestabilizados jogadores do Benfica) - disse que "o jogador número trinta pisou o adversário".


Logo a seguir, portanto já em pleno segundo quarto de hora, José Mourinho, que tinha repetido o 11 inicial da Vila das Aves, com Ivanovic, na esquerda, a não ser carne (ponta de lança) nem peixe (ala, ou extremo) resolveu mexer na equipa, corrigindo precisamente por aí, pelos alas que faltavam à equipa. Entraram Schjelderup, para a esquerda, e o estreante Dodi Lukebakio, para a direita, para a lógica saída de Ivanovic, e de Dahl, com Aursenes, o pau (para toda a obra) que começa a quebrar, a passar para lateral esquerdo.


Lukebakio agitou o jogo, e o Benfica passou então a deixar a ideia que o golo seria mesmo uma questão de tempo. As oportunidades sucediam-se, umas atrás das outras. Foi o chapéu do próprio Lukebakio. Foi a oferta de bandeja, que Rios falou em cima da linha de golo.


Até que o tempo chegou, na fórmula clássica do golo, tão simples e tão velha, que não se percebe porque não faz parte do cardápio do futebol da equipa: Lukebakio - quem mais? - foi à linha de fundo e cruzou para rasteiro para a zona de penálti. Lá estava Sudakov, no sítio certo, para o segundo golo em dois jogos. 


O relógio marcava 86 minutos, e a Luz, em festa, respirava de alívio. Mas foi tempo de regressar ao mais do mesmo. A mais um golo sofrido nos descontos, no único remate à baliza. Com mais dois pontos ingloriamente perdidos, que colocam desde já, ainda em Setembro, a fasquia do título muito lá em cima.


 


 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Confesso-me cada vez mais impressionado com o que acontece neste país que é o nosso. Dois ou três chicos espertos - meia dúzia, vá lá - conseguem fazer com que se passem meses de campanha eleitoral sem uma palavra sobre o vendaval de destruição que passou pelo país nestes quatro anos de governação. E sem que  nInguém discuta uma única linha do seu programa para os próximo quatro, porque simplesmente não há, nem ninguém se preocupa nada com isso.


Hoje, mais uma notícia impressionante: está na capa do Correio da Manhã, mas é da OCDE - 485 mil portugueses tiveram de emigrar nestes quatro anos. O número impressiona, como impressiona a confirmação que Portugal é, de todos os que integram aquela Organização, o que mais gente obriga a emigrar. Não tínhamos notícias oficiais destes números, apenas algumas referências da oposição. E o que verdadeiramente espanta é que o número que tínhamos ouvido à oposição se ficasse pelos 300 mil.


O espanto perde gás quando percebemos que tem de ser uma Organização internacional a fornecer estes números, que as estatísticas internas deixam esquecidos. Porque isso já não espanta, esta gente já nos habituou a essas coisas, a esconder tudo o que atrapalha a realidade virtual que impõe ao país...


Há notícias que vão para além da notícia. Esta vai muito para lá de dar um número a um fenómeno que toda a gente conhece e sente. Explica as inexplicáveis sondagens que todos os dias nos avisam para o que aí vem. E explica por que - como comecei - meia dúzia de chico espertos conseguem meter no bolso todo um país! 


Só não explica é por é que havemos de deixar que as coisas sejam assim...


domingo, 21 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Embalado pela demagogia pela rua da aldrabice abaixo, Passos não pára. Não consegue travar e, claro, dá em espalhanço. Dá malho, e dos grandes!


Mas Passos é isto, plástico. Oco. Um primeiro-ministro não pode desconhecer o que tem a pagar a quem. Não pode confundir uma obrigação de pagamento, na data de vencimento, com uma antecipação de um pagamento. Não pode achar que tudo o que o país deve, deve ao FMI, a quem tudo o que paga é antecipação... 


A um primeiro-ministro exige-se mais que simplesmente aproveitar tudo para se lançar rua abaixo, sem travões nem tino!

Estado da Palestina

Itamaraty apoia reconhecimento internacional do Estado da Palestina ...


Hoje, no dia em que acaba o Verão, Portugal reconhece finalmente o Estado da Palestina, numa conferência em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU. Portugal, com mais nove Estados - França, Reino Unido, Canadá, Bélgica, Austrália, Luxemburgo, Malta, S. Marino e Andorra - vão hoje engrossar o conjunto de países que reconhece o que a comunidade internacional há muito determinou.


A partir de hoje o Estado da Palestina é reconhecido por quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.


Não vale de muito, em nada diminui o sofrimento em Gaza, nem em nada reduzirá a barbaridade criminosa de Netanyahu, mas é uma mensagem de decência.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O Dragão pôde assistir, na primeira parte, ao melhor Benfica da sua história. Não me lembro, nesta dúzia de anos que o Dragão leva de vida, de um Benfica tão afirmativo, tão assertivo e tão mandão como foi hoje durante 35 minutos.


À excepção dos primeiros 5 minutos e dos últimos cinco da primeira parte, o que se viu foi o Benfica a mandar no jogo e a criar ocasiões de golo. Ia ainda a primeira metade do jogo a meio e já o Benfica criara três grandes oportunidades de golo. Duas negadas por Casillas, com enorme classe.


Os jogadores do Porto não sabiam para onde é que se deviam virar. E quando assim é viram sempre para o mesmo lado, para a quezília e o conflito. A primeira acabaria com Maicon – que já tinha ensinado ao Maxi como se faz – no ponto mais alto (literalmente) desse ambiente intimidativo que faz da agressão (Jonas foi um mártir) um modo de vida. Ou de jogo. Aproveitou o facto do árbitro já ter apitado para o fim da primeira parte mas, provou-o a segunda, não tinha necessidade disso.


Logo aos 5 minutos o Maxi – que bom aluno que é! – demonstrou que não havia nada a recear, que podiam repetir-se os golpes de karaté do mestre Maicon que o árbitro Soares Dias não se importava.


Poderá não ter sido por isso – mas também poderá ter sido – mas a segunda parte foi outra coisa. O Benfica não repetiu, nem de perto nem de longe o que de bom tinha feito, foi caindo fisicamente e à entrada do último quarto de hora do jogo o Porto passou a mandar claramente no jogo. Chegou ao golo já perto dos 90, numa jogada de contra-ataque que se percebeu logo que iria acabar em golo, tão flagrante que era a superioridade numérica criada.


E pronto, Lopetegui lá conseguiu ganhar um jogo ao Benfica… Um jogo que não foi só de Maicons e Maxis. Teve também coisas bonitas: o abraço de Aboubakar a Júlio César, depois de um choque entre ambos, ou a atitude de Gaitan, a dar a protecção a Maxi que, percebemos depois, ele afinal não precisava. Terá sido por isso, por saber que não precisava, que nem ficou agradecido. E teve uma verdadeira curiosidade: qual é jogador – qual é ele – que pode chegar a esta altura da época sem ter competido num único jogo e dar confiança a um treinador para um jogo desta importância?


Claro: é André Almeida! Nenhum outro jogador é capaz de tal coisa. E de jogar bem… até poder. Porque não há milagres.


Não há clássico sem ses. E este tem dois: se o melhor Benfica tivesse podido contar com o melhor Gaitan, tudo teria sido diferente. E se o árbitro do Porto tivesse expulsado – como não poderia deixar de fazer – o Maicon, no final da primeira parte e o Maxi, aos 5 minutos da segunda, como é que teria sido?


Ah… E o André André é um grande jogador, e está em grande forma Parece-me que há ali dedo do Rui Vitória… Ou não?

sábado, 20 de setembro de 2025

AFS 0 - Benfica 3


Na Vila das Aves hoje foi dia de festa. Receber o Benfica é sempre motivo de festa para as localidades visitadas, e em especial para o tesoureiro dos seus clubes. Mas hoje era diferente, hoje era a estreia de Mourinho, no regresso ao comando da Benfica, 25 anos depois. E isso fez da Vila das Aves a capital do futebol, como bem se percebeu pelos jornalistas estrangeiros presentes na conferência de imprensa.


O jogo não esteve no entanto ao nível do acontecimento em que se tornou. Especialmente na primeira parte, em que foi francamente mau. Teve mais fases próprias de um jogo entre solteiros e casados (não sei se ainda há disso, mas o conceito subsiste) do que propriamente dignas de um jogo de futebol profissional num campeonato que pretende vir logo atrás dos big five


José Mourinho tinha dito que os jogadores do Benfica tinham de morder. Qualquer coisa que já Bruno Lage tinha sinalizado quando reclamava mais agressividade no campo (e fora dele) para o Benfica, mas nunca logrou. No entanto - e Mourinho sabe tudo, mas talvez não saiba isto - o Benfica nunca conseguirá igualar o morder dos adversários no campeonato português. É impossível, porque contra o Benfica eles mordem como nunca.


Não se pode dizer que o Benfica tenha mordido, à luz do que se viu fazer aos jogadores da SAD do Vilafranquense deslocalizada para as Aves, com o nome de AFS, não mordeu; deu uns beliscões. Que no entanto deram para perceber uma nova atitude dos jogadores.


Os jogadores do Benfica lutaram. Entregaram-se à luta. Jogar era outra coisa, isso eles não conseguiam fazer. Nem eles nem ninguém, a bola andava sempre para o ar. No chão, apenas os jogadores do AFS, onde sucessivamente se iam deitando para que o jogo parasse. Por isso os jogadores do Benfica passaram metade do tempo a lutar pela bola lá nas alturas; a outra metade passaram-no à espera que os adversários se levantassem.


Foi assim durante toda a primeira parte. Quando os jogadores do Benfica ganhavam a bola preferencialmente chutavam-na para frente, à solteiros e casados. Lá na frente alguma coisa haveria de acontecer. Ia acontecendo logo nos primeiros minutos, mas Ivanovic - a única alteração de Mourinho ao último onze de Lage, retirando Schjelderup,  - decidiu tecnicamente mal, rematando, descaído para a direita, com a parte interior do pé direito. Ou pouco depois, quando Ivanovic marcou, mas que o árbitro Bruno Costa (outro velho conhecido) anulou por, alegadamente, Dahl ter cruzado a bola já depois de ter passado na totalidade a linha final, coisa que nem aquela câmara manhosa do poste de iluminação, que ainda lá deve estar desde que validou aquele golo do Sporting, na época passada, desta vez não confirmou, nem desmentiu. Ou depois da meia hora quando, já depois de ter ultrapassado o guarda-redes, o mesmo Ivanovic - que, ao contrário do que sucedia com Lage, e como parece mais natural, jogou mais perto da àrea, com Pavlidis mais dedicado à construção - enviou a bola para a baliza, interceptada in extremis pelo velho conhecido Devenish. E acabou mesmo por acontecer mesmo em cima do intervalo, e já depois do remate de Tomané ao poste esquerdo da baliza de Trubin, com o golo de estreia de Sudakov. Golo que resulta directamente de uma novidade relativamente aos últimos jogos: forte presença na área adversária. 


Isso mesmo. Foi por, ao contrário do que vinha sucedendo com Bruno Lage, ter muita gente na área que foi possível disputar e ganhar sucessivamente a bola que, à segunda, Sudakov rematou com êxito para o golo redentor.


A ganhar, na segunda parte os jogadores do Benfica tranquilizaram-se. A perder, mas também já com bem menos pilhas, os do AFS passaram a morder menos, e a deixar que se jogasse mais à bola. 


Jogar mais à bola significa ainda, e muito, jogar para trás e para o lado. O Benfica tem essa dependência mas, a ganhar, isso não tem grande mal. Hoje serviu para "chamar" os jogadores adversários, para os retirar lá de trás, donde, a perder pela diferença mínima, estas equipas não saem.


O penálti, sobre Otamendi, ainda antes de fechado o primeiro quarto de hora, que Pavlidis converteu, confirmou a mudança no jogo, e estabilizou definitivamente a equipa. Que então já funcionava com alguma fluidez pelas alas, com Dahl a preencher toda a esquerda, e Sudakov mais interior, e Dedic a carburar bem com Aursenes.


Bastaram menos de cinco minutos para o terceiro golo, finalmente por Ivanovic, bem construído pelos dois pontas de lança, depois de um passe de enorme categoria de Sudakov. Faltava ainda meia hora ao jogo, mas foi como se tivesse acabado ali!


O resto ... foi Mourinho. Na conferência de imprensa já só deu Mourinho. Os dois grandes trunfos que aporta ao Benfica, que aqui referi na altura própria, ficaram já à vista !

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Nos meus tempos do liceu o sumário de cada aula era escrito no quadro. Às vezes lá aparecia: “Continuação da aula anterior”. Nas campanhas eleitorais, os partidos apresentam programas – ninguém lhes liga muito, é verdade, mas apresentam. Comos os professores apresentavam os sumários. A coligação não apresenta programa, o sumário é: continuação da governação anterior.


Chegados aqui parece que é fácil perceber o que está em causa nestas eleições. O eleitorado só teria que dizer se quer a continuação da aula anterior, ou se quer matéria nova. Se quer manter a governação destes últimos quatro anos e tal – o tal é o que Cavaco quis acrescentar ao mandato – ou se quer outra coisa. Postas as coisas nestes termos, e sabendo – como se sabe pelos estudos de opinião, independentemente dos resultados das sondagens para todos os gostos que todos os dias nos chegam – que mais de 70% dos portugueses está contra este governo e esta governação, admitir que a coligação possa ganhar as eleições não poderia passar de uma aberração. Não faria sentido nenhum, não teria ponta por onde lhe pegar…  


Como bem sabemos não é nada disso que se passa. Não é nada disso, e a coligação poderá até não ganhar as eleições, mas neste momento ninguém tem dúvidas que a coisa está muito apertada.


Por várias razões, certamente. Mas por duas, fundamentais. A primeira porque, em Portugal, muita gente – alguns milhões de pessoas – entende os partidos políticos como um clube. Ligam-se a um partido como se ligam a um clube, de futebol ou de outro domínio qualquer. Projectam num partido os seus sentimentos de pertença e as suas necessidades de integração e interacção. E, como se sabe, muda de tudo mas nunca se muda de clube…Quando se diz que o Partido Comunista é o que melhor fixa o seu eleitorado, é disto que se fala. Mas este é um fenómeno que em Portugal é transversal a todos os partidos, e quando chega a hora de depositar o voto muita gente fá-lo no seu partido do coração. Podem estar até revoltadas com o governo, mas quando vão votar é o seu partido que está ali no boletim, não é o governo onde o seu partido lhe fez todas as malfeitorias.


A segunda é de outra ordem, e tem a ver com a formatação de um pensamento único que não admite alternativas. Veio da Europa. Embrionado na moeda – também – única, cresceu com a crise do euro e das dívidas soberanas, e tornou-se soberano com o Tratado Orçamental. Ao assinarem o Tratado Orçamental os partidos social-democratas assinaram a sua certidão de óbito, e todos foram desaparecendo do mapa político do poder na Europa.


O PS – que tão apressadamente tratou, pela mão de Seguro, de assinar aquele Tratado – não consegue fugir deste cerco. Tem, como os outros, a sua base eleitoral, os simpatizantes com e sem cartão de sócio, mas esses nunca chegam para ninguém ganhar eleições. E aos outros é difícil convencer que sejam alternativa. Asseguram alternância. Do mal, o menos, em democracia... Mas nem sempre chega. E quanto maiores forem os medos e as ameaças, maior é a probabilidade de não chegar…


Entre a cópia e o original, as pessoas tendem a escolher o original. E quando António Costa diz que devolve em dois anos o que Passos diz devolver em quatro, só está a dizer que não é alternativa nenhuma. É, como me dizia um amigo (do PSD) com quem discutia o tema, como duas pessoas que se oferecem para, no seu carro, levar alguém ao mesmo sítio e uma diz que vai a 180 e a outra diz que vai a 120.


Pode haver quem ache mais excitante ir a 180. Ou quem valorize chegar lá um bocadinho mais cedo. Mas há certamente muita gente que acha que não vale a pena correr todos os riscos de ir a 180. Que é mais tranquilo e mais seguro fazer a viagem a 120!


Pois é…Não há leituras inteligentes dos tratados!

Bicampeão do mundo!

Pedro Pichardo


(Foto daqui)


Mais uma medalha de ouro nos mundiais de atletismo de Tóquio. Desta vez no triplo salto, e de novo com elevada nota de emoção. 


Pedro Pichardo tinha-se apurado para a final de hoje com a terceira marca (17,09), atrás do argelino Yasser Mohammed Triki (17,26) e do jamaicano Jordan Scott (17,19). Ainda assim era o mais conceituado finalista, detentor do maior salto entre os finalistas (18,08), apesar de, neste ano, também não ter melhor que terceira marca mundial (17,47), atrás de do italiano Andy Díaz (17,80),  e do mesmo jamaicano Jordan Scott (17,52).


Nesta final, o atleta que o Benfica trouxe há oito anos para Portugal seguia à penúltima ronda na frente, com muita gente convencida que nem se apresentaria para o último salto. Só que, na última ronda, na derradeira tentativa, surpreendentemente, contra todas as probabilidades, o italiano Andrea Dallavalle, vice-campeão europeu em Munique 2022, saltou 17,64 metros, marca que lhe passou a dar a liderança e, pensou-se, que lhe garantiria o título mundial.


O italiano já festejava o seu primeiro, e surpreendente, título mundial quando Pedro Pichardo se aprontou para o último salto da competição. Concentrou-se, pediu o apoio do público, e lançou-se para, num espectacular salto de 17,91 metros, estabelecer a melhor marca mundial do ano, e se sagrar campeão do mundo, pela segunda vez, depois de Eugene, nos Estados Unidos, há três anos. E também depois de, também em Tóquio, em 5 de Agosto de 2021, nos Jogos de 2020, se ter tornado campeão olímpico. 


cubano Lázaro Martínez ficou com a medalha de bronze, com 17,49.


Portugal fecha assim, a dois dias do fim, os mundiais de Tóquio 2025 com duas medalhas de ouro. Que engrandecem o desporto nacional, e o país. Por dois nomes que podem e devem ser lidos em qualquer parte. E sucessivamente referidos em nome da decência!

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Prometi voltar à treta  como lhe chamei – quem chamou a troika porque me parece que transporta o verdadeiro paradigma da actual campanha eleitoral. Por isso cá está!


Se bem nos lembramos veremos que tudo começou numa daquelas frases feitas, chame-se-lhe sound byte ou o que se quiser, de que se faz a política: ir para além da troika. António Costa, a páginas tantas do seu debate televisivo com Passos, acusou-o de ter sido um entusiasta do programa da troika, ao ponto de se ter anunciado disposto a ir mais longe: para além da troika.


Passos Coelho, que a última coisa que quer é falar destes quatro anos de governação, e a primeira é (ou era) falar de Sócrates, fez o seu papel, respondendo de imediato que não fora ele, mas o PS, a chamar a troika.


E a coisa ficou por aqui. Seguiu para bingo, e ninguém viu António Costa acusar Passos de ter sido ele a chamar a troika, para que o debate passasse a ficar marcado por esta polémica que nunca existiu. Mas alguém quis que existisse. Alguém tratou de a deixar no centro do debate, assim como se lá tivesse sido deixada por esquecimento. E como se sempre lá tivesse estado.


Não sei quem foi, mas sei que há gente que se dedica a isso. E que faz isso muito bem, para rapidamente inundar todo o espaço mediático, cada vez mais cheio de gente que faz, sem se preocupar muito por que faz.


E de repente, o mais importante na campanha era mesmo apurar quem tinha chamado a troika, como se não estivéssemos perante um acontecimento com apenas quatro anos, presente na memória de toda a gente. Como se não estivéssemos todos fartos de saber quem chamou a troika, por que chamou a troika, e quem queria e quem não queria chamar a troika.


Como se não soubéssemos que naquela altura, já então eminente figura do aparelho, Marco António Costa decidira que era hora de pôr a mão no pote, e fizera a Passos um aviso solene: “se o país não fosse a votos, teria que ir o partido”!


Como se não estivéssemos todos fartos de saber que o país, todo o país à excepção de Sócrates e a sua reduzida corte, não via já qualquer alternativa. Como se não soubéssemos todos que muitos dos portugueses viram então a chegada da troika como motivo de esperança. Não para os castigar, mas para castigar uma classe política e um regime esgotados, esses sim, habituados a viver acima das possibilidades. Convencidos que vinha aí quem os obrigasse a fazer o que por iniciativa própria nunca tinham querido fazer.


Podemos não estar fartos de saber, mas temos a obrigação de saber, que o regime não tem, como continua a não ter, mais que uma alternativa. E que, naquelas circunstâncias, em que o mais importante era o país libertar-se do socratismo e de tudo o que ele representava, a alternativa era Passos Coelho. Nem precisaria de fazer as promessas que não cumpriu, bastava-lhe cavalgar a onda …


A questão não é, como nunca foi, quem chamou a troika. A verdadeira questão é o que Passos e Gaspar, e depois Portas, fizeram com um programa que os portugueses tinham visto como redentor. O problema é que executaram o programa sem nunca atingir nenhum dos seus objectivos, falhando-os todos, ao ponto de Gaspar fazer as malas e partir para o FMI. O problema é que nenhuma das reformas que a intervenção externa anunciara, e que os portugueses esperavam, foi executada. Em vez de cortar nas gorduras anunciadas que entupiam veias e artérias que deviam alimentar o desenvolvimento, cortaram a eito na economia e nos rendimentos dos portugueses.


O problema é que Passos, Gaspar e Portas agarraram no programa e viraram-no do avesso, para que assentasse que nem uma luva na matriz ideológica que pretendiam instalar na sociedade portuguesa. Não para fazer de Portugal um país para os portugueses, mas para fazer de Portugal uma coutada dos interesses mais poderosos. À custa de todos os outros.


O problema é que Gaspar já cá não está para responder por nada disso. Mas Passos e Portas estão. E não estão nada interessados em que nada disso seja discutido. E para que não se fale em nada disso lá estão os spin doctors sempre a arranjar umas tretas para incorporar no espectáculo mediático em que transformam as campanhas eleitorais.

A decisão de Rui Costa

Oficial: Benfica anuncia José Mourinho como novo treinador


 


Independentemente do momento eleitoral no Benfica, o momento do futebol da equipa obrigava à tomada de decisões. "Entre a espada e a parede", ou na desconfortável posição de "preso por ter cão e por não ter cão", como por aqui já deixei escrito, Rui Costa tinha de tomar a decisão de despedir Bruno Lage, e tinha de tomar a decisão de contratar um treinador.


Como também já por aqui escrevi em repostas a alguns comentários, Rui Costa decidiu encurralar-se por becos sem saída. Depois disso, nunca lhe restaram com grandes alternativas.


Decidiu extemporaneamente renovar com Roger Schmidt. Depois de perceber o erro dessa decisão, voltou a errar não o despedindo oportunamente, no final da época, e decidindo arrancar para 2024/2025 com um treinador inferiorizado por resultados e exibições, e contestado pelo plantel. Teve de o despedir à quarta jornada do campeonato, no último dia de Agosto, mas já sem qualquer alternativa  que não ... Bruno Lage.


Rui Costa não tinha alternativa. Não é que não a houvesse. Haveria sempre, mas não para o perfil de Rui Costa, sem rasgo, sem ver mais além, sem capacidade de risco ... 


Bruno Lage dera-nos, a nós benfiquistas, as maiores alegrias dos nossos últimos anos. Mas também nos dera todas as razões para não o repetir.


Dera-nos a épica "remontada" de 2018/2019, numa segunda volta inesquecível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, triunfos em todo o lado - Dragão,  Alvalade, Braga e Guimarães -, e um título nacional que nos fazia acreditar na hegemonia que LFV dinamitara ao abdicar do penta, que daria em hexa e hepta. Tinha lançado jogadores da formação, e lançado João Félix para o estrelato mundial. Deu-nos a goleada na Supertaça ao Sporting (5-0), a maior em dérbis nos últimos 35 anos, e que nos resgatava completamente dos maiores pesadelos nessa competição, no sinal de partida para a  extraordinária primeira volta de 2019-20, com 18 vitórias nos primeiros 19 jogos.


Depois disso, desses oito meses de 2019 distribuídos pelas duas épocas, todo o edifício desmoronou como um castelo de cartas, sem que ninguém percebesse exactamente como. Mais tarde, pela mão de Jorge Mendes, Bruno Lage foi parar a Wolverhampton. Arranque espectacular, com um futebol que era um regalo para a vista. De repente, do nada, o colapso total. Mais algum tempo depois, foi o Botafogo, nas trevas do futebol brasileiro. Novo arranque espectacular, com rápida liderança avantajada para, novamente de repente, o repetido colapso.


No regresso ao Benfica foi diferente. A exuberância já nunca voltou. Bruno Lage não aproveitou a oportunidade que se abriu com a saída de Rúben Amorim do Sporting, e com a desastrada passagem de João Pereira pelo comando do rival, mesmo com tudo o que sabemos que aconteceu, no campeonato, e na final da Taça. Ainda assim  ganhou ao rival a Taça da Liga, goleou o Porto, em casa e fora, passou por uma excelente participação na Champions, com uma notável goleada ao Atlético de Madrid, que levou o clube ao top dez do ranking da UEFA, e acabou numa participação honrosa no primeiro mundial de clubes.


Que que também terá contribuído para esconder tudo o que já vinha vindo à tona. 


Provavelmente, sem a interferência das arbitragens, e das restantes estruturas de poder de que Varandas se apropriou, o Benfica teria tido outros resultados, e conquistado até a dobradinha, e o comportamento de Bruno Lage teria sido diferente. Mas não foi assim, e Bruno Lage, que tinha passado boa parte do tempo a defender-se contra a falta de confiança, passou a restante a defender-se contra os insucessos e, pelo meio, pronto a lamber todas as botas calçadas por quem o pudesse segurar.


É claro que o tempo é factor de desgaste de Bruno Lage. Entra bem, depois esgota-se. E as equipas que comanda caem. A pique, na maioria das vezes. O que o Benfica demonstrou neste início da época nem foi bem isso. Alternou jogos razoáveis no apuramento para a Champions, e na Supertaça, que conquistou ao Sporting, com jogos deprimentes no arranque da Liga.


Atentando ao percurso de Bruno Lage parece fácil concluir que perde o grupo. Que não tem capacidade de liderança, seja para manter o grupo focado e empenhado nos resultados, seja para o manter unido em torno de objectivos. Quem olha para os últimos dois jogos, com o Santa Clara e o Qarabag, percebe facilmente que perdeu os jogadores. Que todos parecem pior que quando chegaram, sem que nenhum se tenha visto crescer.


Rui Costa repetiu com Bruno Lage o que fizera com Schmidt. Voltou a entrar no beco. E voltou a não ter alternativa. Desta vez, por todas as circunstâncias, a José Mourinho. Não é, novamente, que não a houvesse. Só que, para o mesmo Rui Costa, e agora na luta pela sobrevivência, por maioria de razão não havia.


Era, não sei se sou dos muitos, se dos poucos, benfiquistas que não concordou com esta decisão de Rui Costa. Era dos que vêm em Mourinho o copo meio vazio. Agora, que Mourinho é o treinador do Benfica, é o meu treinador. E o copo meio vazio, está agora cheio.


Eliminei todos os riscos da contratação de Mourinho, mesmo que já se tenha percebido que, ao contrário do que quiseram fazer crer, o segundo dos dois anos de contrato é mesmo para valer, com direito a indemnização e tudo. A cláusula de rescisão pode não ter em absoluta consideração as circunstâncias eleitorais do clube (é curioso que volte um quarto de século depois em circunstâncias semelhantes), e que a sua "especialidade" se reduza à reciprocidade, por ventura à luz dessas coisas da selecção nacional. Já me esqueci do futebol pouco atraente, defensivo e resultadista, para guardar na memória a apresentação como treinador do Benfica de um Mourinho maduro, mas emotivo. Emocionado com a grandeza do Benfica e com o benfiquismo. Benfiquista, como se desconfiava. E ambicioso, como um jovem.


Não espero um Benfica a jogar um futebol empolgante. Não espero uma equipa demolidora, capaz de arrasar todos os adversários, goleadora, a espalhar perfume pelos relvados. Mas espero uma equipa rigorosa e competente, com jogadores empenhados, e capaz de, a bem ou a mal, ganhar. E tenho uma certeza: com José Mourinho no banco, e nas salas de imprensa, os árbitros, e a comunicação social, dois dos agentes que nos últimos anos mais o têm prejudicado, e gozado, vão passar a respeitar o Benfica!

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Abriu-se ontem a primeira brecha entre Jorge Jesus e Bruno de Carvalho, agora é só esperar pelo que sempre foi esperado... 


Impedido pelo presidente da utilizar Carrillo, o treinador, e até ontem dono daquilo tudo, respondeu deixando de fora Naldo e mandando para o jogo Tobias Figueiredo, um completo desastre. Mas também Slimani e Bryan Ruiz, quando já estava impedido, pela via disciplinar da UEFA, de utilizar João Mário. Não é grande novidade, Jesus já tinha feito destas noutras ocasiões.


Mas não se ficou por aqui. Foi mais longe e atacou Bruno de Carvalho, um ataque que as suas dificuldades de expressão esconderam atrás daquilo que fez passar por defesa: "Carrillo foi opção técnica, como Slimani e Bryan Ruiz" - sem nunca falar em Naldo -, "mas não vale a pena escamotear"... Assim, sem mais nem menos. E deixou um aviso: foi a última vez!


Foi o primeiro embate público de um violento choque frontal tido por inevitável. E nem se pode dizer que tenha sido mais cedo que o esperado... Estava na hora!

Putedo

2 em cada 3 minutos da grelha das televisões é de produção nacional ...


Peço desculpa pela linguagem, mas não encontro melhor palavra para definir isto. Bastaram meia dúzia de horas sobre o despedimento de Lage para que esse pessoal que desfila pelas televisões, que antes exigia a sua demissão, passasse a defendê-lo com uma compaixão enternecedora. Os mesmos que à meia noite davam Mourinho como solução para tudo lembram, agora que ele está praticamente confirmado como próximo treinador do Benfica, que este é o Mourinho dos últimos quinze de anos, o das indemnizações, e não o dos primeiros cinco. 


Se isto não é putedo, do mais ordinário, é o quê?

Campeão do Mundo!

Isaac Nader vence São Silvestre de Lisboa com recorde nacional dos 10 ...


Isaac Nader, o atleta algarvio de ascendência marroquina que veste as cores do Benfica, numa corrida espectacular, sagrou-se em Tóquio campeão mundial dos 1500 metros.


Andou longe da frente durante quase toda a prova. Na altura decisiva da corrida parecia entalado, na pista interior, tapado á frente e de lado. Sair dali para discutir uma medalha era missão impossível. Só que não e, depois de encontrar um buraco para fugir dali para a pista exterior, o único sítio para onde poderia fugir, o atleta do Benfica desatou a correr como nunca, e a passar sucessivamente por cada um dos cinco corredores na frente. Para, em cima da meta, metendo a cabeça - como disse nunca antes ter feito, mas também nunca antes tinha tido um título de campeão do mundo para discutir - bater, por 2 centésimos de segundo, o britânico Wightman. Surpreendidíssimo!


O queniano Cheruiyot, medalha de bronze, assistiu na primeira fila a esta épica vitória de Isaac Nader.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


E andamos nós tantos anos a dizer que o problema era a inteligência não se poder comprar na farmácia... Não faço ideia como se venda, mas há por aí gente que nem à tonelada resolve o problema!


Mas se alguém espera ver filas à porta das farmácias desengane-se. Quem lá for comprar esconde-se mais do que para comprar Viagra. É que, se há muitos que não se importam de se queixar da necessidade do famoso comprimido azul, ainda não vi ninguém queixar-se de falta de inteligência. E não é coisa nova: já disso dava conta Hans Christian Andersen - a que volto -, há quase dois séculos, quando nos contou a história do rei que ia nu.


Pois é. A ideia é boa, é bem capz de ser a maior descoberta da humanidade, mas não vai ser grande negócio. A não ser que as farmácias se transformem em clubes nocturnos, só com umas luzinhas encarnadas...


terça-feira, 16 de setembro de 2025

Benfica 2 - Qarabag 3

Bruno Lage Benfica 2


Bateu no fundo!


Contra um adversário do Azerbaijão, da quarta divisão europeia, com uma equipa maioritariamente constituída por jogadores provenientes das divisões secundárias do futebol português, depois de, à passagem do primeiro quarto de hora, estar a ganhar por 2-0, o Benfica cometeu a proeza de perder o jogo inaugural da Champions.  


Cometeu não só a proeza de perder o jogo, mas de se deixar claramente inferiorizar por uma equipa com Leandro Andrade, que jogou no Fátima e no Olhanense, e marcou o primeiro golo. Com Camilo Durán, que passou pelo Portimonense, Lusitânia Açores, Estrela Amadora, que marcou o segundo. Com Kadi Borges, que na segunda parte espalhou o pânico na defesa do Benfica, que jogou no Estoril e no Vilafranquense. Com Matheus Silva, que secou o Schjelderup, e veio do Moreirense. Com Pedro Bicalho, o melhor em campo, que jogou no Alverca, e no Santa Clara. Com Kevin Medina, que chegou e sobrou, primeiro para Pavlidis e, depois, para Ivanovic.


Pois, depois de meia hora que só tinha dado Benfica, este adversário atingia, ao intervalo, 49% de posse de bola. Teve a bola em seu poder desde o pontapé de saída para a segunda parte até marcar o golo do empate. Foram 3 minutos. Rematou mais à baliza (5 contra 3), obrigando Trubin a fazer duas grandes defesas, que evitaram outros tantos golos. E cometeu praticamente metade das faltas (6, contra 11 do Benfica).


Agora, que bateu no fundo, e já despedido pela bancada, Bruno Lage passou a decisão para Rui Costa. Não sei se lhe facilitou a vida, se o deixou entre a espada e a parede. Donde afinal nunca conseguiu verdadeiramente sair.


 

Robert Redford (1936-2025)

robert redford


 


Um grande nome do cinema. Tendo sido um dos mais famosos actores - brilhou, entre outros, em "Dois homens e um destino” (1969),  “Os Homens do Presidente” (1976),  “Os Três Dias do Condor” (1975),  “Golpe De Mestre” (1973) -, e um dos principais galãs de Hollywood, foi como realizador que ganhou o seu único Oscar (Gente Vulgar, 1980).

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Já podemos contar a história de crianças do Novo Banco, o banco bom. Como a fada boa, que também há a má, ou a madrinha e a madrasta, mas que afinal é como o lobo, que só há o mau. Não há história de lobo bom...


É a história de uma bela donzela lançada num baile de debutantes, a quem se anunciava uma fila de pretendentes babados sem fim, que acaba o baile sozinha, sem noivo e sem ninguém por perto. Objecto de desdém e até de chacota!


Sabe-se quem levou a donzela ao baile, mas não se sabe ao certo quem os mandou. O que se sabe é que em vez da fila imensa de pretendentes vindos do mais ricos e nobres castelos das redondezas, apareceram apenas três rapazolas novos ricos, que olharam de alto a baixo com desdém e, sem papas na língua, acabaram a dizer que a mim não me convém. Não me convém!!!


De volta a casa, a madrinha, enfurecida, diz que o acompanhante a devia ter deixado com um dos rapazolas, custasse o que custasse. Porque, mesmo custando o que custasse, com a sua varinha mágica isso não custaria nada a ninguém. O pai, esse diz que não há pressa. Sem conseguir evitar que a boca lhe volte a fugir para a mentira inocente diz mesmo que nunca houve. 

Vuelta 2025 (fim)

girodociclismo.com.br vuelta a espana 2025 classificacao final geral jonas vingegaard e campeao em etapa final lamentavel image


Terminou ontem, sem terminar, a Vuelta. Sem que os ciclistas cortassem a meta, e a festa se fizesse na Praça Cibeles. 


A anulação da etapa, depois da etapa 11, em Bilbau, ter terminado 3 quilómetros antes da meta, e sem vencedor, da etapa 15, o contra-relógio de Valladolid, ter sido encurtada para menos de metade da distância (correram-se apenas 12 dos 27 quilómetros previstos), e da etapa 16, em Castro de Herville, ter sido encurtada em 8 quilómetros, amputando-lhe a última e decisiva subida, não foi, de todo, surpreendente. 


Era expectável, como aqui foi sendo dada conta, que os protestos em favor da Palestina, provocados pela participação na prova da equipa de Israel, em Madrid - por ser a capital, por ser o fim de festa, com tudo aprontado e centrado num curto raio de acção, e por ser em circuito que os últimos quilómetros seriam disputados - levassem à anulação da última etapa. Que aconteceu a 56 quilómetros da meta. Para a presidente do governo regional de Madrid - a também Ayuso, mas Isabel -, bem como para todo o PP, por responsabilidade do Governo nacional. Já que José Luis Martínez-Almeida, perfeito de Madrid e também do PP, tinha garantido a segurança da última etapa com a mobilização de 3.000 polícias, a culpa do governo espanhol será certamente por ter declarado o reconhecimento do Estado da Palestina.


Para a História desta Vuelta, para lá dos protestos, e de todas as sua consequências, fica o pódio, com Vingegaard lá em cima, seguido de João Almeida, a 1 minuto e 16 segundos, e Pidckoc, a 3 e 11.


Mas também que o português confirmou que é neste momento o melhor do mundo ... depois de Pogaçar e Vingegaard.  Que o britânico foi a surpresa. Não era tido em grande conta para corridas de três semanas, e passará a contar.


Que Pellizzari, o jovem italiano da Red Bull, e Riccitello - parecendo nome italiano, é americano - da Israel, foram as revelações, nos sexto e quinto lugares, respectivamente. O italiano brilhou sempre mais, mas na Bola del Mundo perdeu o quinto lugar, e a liderança da juventude, para o americano.


Que Hindley, da Red Bull, quarto na classificação, é um valor seguro de top ten das grandes voltas. Como o austríaco Gall, da Decathlon, o oitavo. Que Kuss, o americano da Visma, o sétimo classificado, pode até andar desaparecido durante toda uma época, mas aparece sempre em Espanha. Que o norueguês Traeen, da Bahrain, o nono da classificação final e, depois de Vingegaard, quem mais dias andou de vermelho, foi a surpresa do top ten. Que o americano Jorgensen, o mais influente gregário da Visma, ainda conseguiu fechar.


Que Pedersen, o dinamarquês da Lidl-Trek, foi o primeiro da classificação por pontos. E J. Vine, o australiano da UAE, o vencedor da montanha.


E - the last, not the least - a imagem de uma UAE sem liderança nem estratégia, submetida aos egos das suas estrelas. Ganhou a classificação colectiva, com cerca de meia hora de vantagem sobre a Visma. Mas o top ten não engana: a Visma com três corredores  (1º, 7º e 10º); e a Red Bull, com dois (4º e 6º), foram sempre mais equipa que a UAE. E melhores!


 

domingo, 14 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Foi dia de abertura de Champions na Catedral. Que não feche tão cedo, é o que se deseja.


As coisas até nem começaram nada mal com duas preciosidades logo a abrir. Primeiro Gaitan, como que a avisar ao que vinha, e logo depois o puto Nelson. Só que depois percebeu-se que a equipa estava amarrada e que, ao contrário dos ponteiros do relógio que não paravam, tardava em soltar-se. Não acelerava o jogo nem lhe trazia intensidade. As oportunidades de golo não surgiam - daquelas flagrantes, apenas duas -, a equipa casaque começava a parecer confortável naquele jogo, e o próprio árbitro, naquilo que dependia dele, só atrapalhava, ignorando por exemplo um penalti sobre o Nelson Semedo.  


A esperança começou a voltar-se para a segunda parte. Tinha que ser - só podia ser - melhor. Só que logo que chegou assustou. E a sério: aquele primeiro minuto foi deveras assustador. 


Foi aterrador, mas foi só um minuto. Até porque pouco depois Gaitan, numa fabulosa jogada individual, inventou o golo que só ele podia inventar. Depois, já se sabe... Depois do primeiro golo solta-se o futebol de Vitória. E veio logo o segundo, então já numa fantástica jogada colectiva. E mais e mais oportunidades, muitas, até a equipa decidir repousar o jogo. E repousar no jogo.


Bem sei que vão dizer que era o Astana, muito bons nas bicilcetas mas fraquinhos de bola. Claro que é a equipa teoricamente mais fraca do grupo. Mas se ganhar é sempre bom, na Champions é ainda melhor. E ganhar com exibições fantásticas como a de Gaitan - mas também de Samaris - está perto da perfeição. Quase perfeito!

sábado, 13 de setembro de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Um fim de semana em cheio. Depois de fugir e de se esconder, em Braga, Portas descobriu a mulher, em Vagos.


Calma, não se apressem. Portas não descobriu uma mulher, não encontrou a cara metade para lhe "organizar a casa, pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos". Portas não descobriu mulher nenhuma, aproveitou apenas terreno fértil para recriar a mulher do doutor Salazar, como ele gosta de respeitosamente pronunciar!


Olhe, doutor Portas, caso não tenha reparado, isso já não se usa. Quero dizer-lhe, agora eu muito respeitosamente, que o doutor Salazar pensava assim, mas já foi há muito tempo...

Vuelta 2025 (IV)

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Só termina amanhã - se a etapa não vier a ser cancelada, em Madrid mas, como é da praxe, a Vuelta ficou hoje resolvida, na Bola del Mundo.


Hoje era dia D da Vuelta. A visita à Bola del Mundo, e a terrível subida para a meta no Puerto de Navacerrada, iria arrumar as contas finais da Vuelta. Para João Almeida era a oportunidade de a ganhar. Para a UAE já não havia mais oportunidade. Depois de ontem, a somar a tudo o que tinha sido uma corrida de costas voltadas para o seu melhor ciclista, ter demonstrado um amadorismo e uma displicência inconcebíveis, ao deixar Vingegaard fazer-se ao sprint intermédio em Salamanca, e acrescentar mais 4 segundos aos 40 que trazia de vantagem, a UAE não tinha como não ser protagonista nesta última etapa das decisões.


E foi-o, pela primeira vez à volta do seu chefe-de-fila. Tentou lançar corredores para fugas, eventualmente para poderem ajudar o João Almeida lá mais para a frente. Como a Visma lhe cortou essas intenções, pegou na frente do pelotão. Fez toda a etapa na frente, a puxar. Mas sem grandes resultados. Para além da natural anulação da fuga - essa seria sempre inevitável numa etapa destas -, mais nada!


A 9 quilómetros da meta, já em plena subida para o  Puerto de Navacerrada, mesmo que na cabeça do pelotão, a UAE já apenas dispunha de dois corredores (Grossschartner e Vine) ao lado do João. Dos seus oito. A Visma, dos seus 6, mantinha lá três, ao lado de Vingegaard. "O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita", foi um pouco assim. E o ritmo da UAE na cabeça do pelotão apenas fez estragos na própria UAE. Enquanto os seus corredores iam saindo para o lado, para darem a vez ao seguinte, os adversários iam ficando. A ver. E provavelmente a rir.


A 7 quilómetros da meta foi a vez de Grossschartner se desviar para o lado, ficando Vine a puxar. Então, sim, o ritmo do australiano era outro e os estragos começaram a ser visíveis nos adversários. Giulio Ciccone e Mikel Landa, os dois trepadores que resistiam da fuga inicial, foram finalmente ultrapassados, e o grupo que ficava na frente era drasticamente reduzido.


Quando Vine acabou, a 3 quilómetros lá do alto, o grupo na frente ficava reduzido a cinco ciclistas: João Almeida, que continuou a forçar o ritmo, com Vingegaard na sua roda, o seu colega kuss, e Hindley e Pidckoc. A subida era dura como poucas, com uma inclinação de 20%.


Primeiro atacou Hindley. Vingegaard seguiu-lhe a roda, e ganharam alguns metros, até o João recolocar tudo junto de novo. Percebia-se então que já não seria possível cavar diferenças que invertessem a classificação geral, e que o sonho do corredor português ganhar a Vuelta tinha morrido ali, naquela subida a 2300 metros altitude, onde o ar falta tanto como as forças. 


Para acentuar, ainda mais, isso a 1000 metros da meta, Vingegaard atacou e deixou os restantes quatro pregados ao cimento, que cobre aquele caminho estreito até lá ao alto. Onde ganhou pela terceira vez nesta Vuelta. Da forma mais clara de todas, e no momento mais certo de todos.


João Almeida acabaria por ser o último dos cinco a cortar a meta, a 20 segundos de Vingegaard. Que, com mais esta bonificação, vai ganhar com 1´e 16" de vantagem para o português. Que, sendo curta, transmite outro brilho à vitória do dinamarquês. Sem a vitória (clara) de hoje poder-se-ia sempre dizer que Vingegaard ganhara a Vuelta nas bonificações e na roda do João Almeida. Ainda por cima com uma verdadeira equipa ao seu serviço, com tudo o que faltara ao português.


E isso era capaz de não ser totalmente justo. 


Desta vez na segunda posição - repetindo o resultado de Joaquim Agostinho, em 1974 (decorria enquanto em Portugal acontecia o 25 de Abril), então por 11 suspeitos segundos para os espanhol José Manuel Fuente - João Almeida acaba por conquistar o seu segundo pódio numa grande volta, depois do terceiro lugar no Giro, em 2023. E isso só está ao alcance dos melhores, entre os melhores. 


Não sei se irá alguma vez ganhar uma grande volta. Tem dois galácticos na sua geração, e outros a caminho, mas tem condições próprias para tamanho feito. Desconfio é que, na UAE, nunca o conseguirá!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Termina amanhã, em Madrid, a excitante edição deste ano daquela que vem sendo a mais competitiva e espectacular das três maiores competições mundiais de ciclismo. Hoje ficou tudo resolvido: como é norma, estas provas não fazem horas extraordinárias, nem sequer deixam tudo para o fim. Tudo fica resolvido de véspera.


E que véspera foi esta! Desta vez foi tudo decidido no fim, mesmo que o fim seja de véspera. Só que esta Vuelta não valeu apenas pelo fim, valeu pelo todo. Desde o início.


Quando há precisamente uma semana aqui trouxe a Vuelta tinha brilhado Nelson Oliveira, e estava o italiano Fabio Aru em primeiro, seguido do espanhol Rodriguez, com o surpreendente holandês Dumoulin em terceiro. Hoje brilhou outro português, o José Gonçalves, mesmo que não tenha ganho - foi segundo na etapa, atrás de Rúben Plaza (que já correu no Benfica, e é colega de equipa do Nelson Oliveira e do Rui Costa, tudo nomes com cheiro a glorioso), que fez sozinho mais de 100 quilómetros, com duas montanhas de primeira categoria pelo meio. E os dois primeiros, depois de muitas voltas e reviravoltas, são exactamente os mesmos.


Depois dessa etapa que terminou em Tarrazona seguiam-se, no sábado, no domingo e na segunda, três etapas de alta montanha durante as quais Aru e Rodriguez alternaram na frente separados, vejam bem, por 1 segundo. Na penúltima dessas três estava Aru à frente, com o tal segundo de vantagem. Da última saiu o espanhol com a vermelha vestida ... com 1 segundo de vantagem. O holandês, que ninguém tinha por trepador mas que se sabia ser um grande contra-relogista, tinha-se aguentado e estava a menos - pouco menos - de 2 minutos. 


Depois veio o contra-relógio - onde mais uma vez os portugueses, e especialmente Nelson Oliveira (quinto ou sexto), estiveram a excelente nível - que Dumoulin ganhou categoricamente (Valverde foi segundo, a mais de 1 minuto). O italiano foi décimo e perdeu quase dois minutos, e el purito Rodriguez afundou-se, a perto de 4 minutos. Dos nomes mais importantes, para além do já referido Valverde, também o colombiano Nairo Quintana e o polaco Rafal Mjka tiveram bons desempenhos, não ficando de todo afastados das grandes decisões. No fim Dumoulin voltou a vestir a roja, pela terceira vez. Aru logo a seguir ... a 1 segundo, também de novo. E Rodriguez caiu para terceiro, a perto de 2 minutos...


Nas duas etapas que se seguiram o italiano fez tudo para passar para a frente. A estrada empinava e Aru atacava, afinal era só 1 segundo. Mas o holandês respondia sempre, com todo o à vontade, e ontem acabou mesmo por lhe ganhar mais 5 segundos. Hoje, com duas contagens de montanha de primeira categoria, tudo voltava a estar em aberto.


E a Astana - sim, o mesmo do adversário do Benfica na Champions, já na próxima terça-feira -, a equipa de Aru (e de Nibali, que havia sido desclassificado), jogou tudo. E bem. A Giant, a equipa de Dumoulin, não jogou nada. E quando deu por ela já o pobre do holandês estava sozinho, incapaz de responder aos ataques de Aru e dos seus teammates


Foi digno, foi valente. Mas nada disso o livrou de cair de primeiro para sexto, num trambolhão que se não é inédito anda lá perto. Mas até nisso, ou até por isso, esta penúltma etapa da Vuelta ficará na história como uma das mais espectaculares de sempre. Tudo até ao sexto lugar da classificação esteve em discussão até ser cortada a meta em Cercedilla. No fim, Aru ganha, Rodriguez é segundo a 1 minuto e 17 segundos, e Rafal Mjka terceiro com apenas mais 12 segundos. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Benfica 1 - Santa Clara 1

Liga Portugal Betclic | Benfica – Santa Clara: Transmissão, 11 provável ...


No Benfica só as bancadas nunca falham. 60 mil, mais uma vez, na Luz. Não é por falta de apoio que a equipa não sai da cepa torta!


Para a recepção à equipa açoriana Bruno Lage manteve aquele que tem sido o onze mais utilizado. A excepção foi Tomás Araújo, no lado direito da defesa, em vez de Dedic, impedido pela expulsão em Alverca, mas também pela lesão contraída ao serviço da sua selecção. 


E que falta fez!


É o único jogador capaz de criar desequilíbrios nos adversários. É o único que pega na bola e vai por ali fora, rompendo o bloco baixo do adversário, criando disrupções com a introdução de dificuldades não esperadas ... É o único capaz de romper com a paz podre que o futebol lento, previsível e sem profundidade do Benfica instala nos seus jogos. É a pedra que o Benfica tem para lançar ao charco que é o seu futebol! 


Sem ele o Benfica é o que se viu em Alverca, depois da sua expulsão. E o que se viu esta noite na Luz. E o que se viu foi uma equipa sempre capaz do pior. Pensávamos que, pior que na Amadora, não era possível. Mas Alverca conseguiu ser pior, e hoje, ainda pior.


A equipa voltou a não entrar propriamente mal no jogo. Mas bastou o primeiro quarto de hora para se esgotar por completo, e entrar na pasmaceira daquele futebol para o lado e para trás, de 75% de posse de bola para nada. E para o adversário ganhar a consciência que, dali, não sai nada. Aquilo a que chamam confiança.


Ao intervalo, com 75% de posse de bola,  a pasmaceira traduzia-se em três remates enquadrados, dois dos quais nos primeiros oito minutos. Mais nada. O Santa Clara teve dois, e 4 cantos. A mais clara oportunidade de golo pertenceu até aos açorianos, e quanto já estavam reduzidos a 10, pela expulsão do defesa direito a seis minutos do intervalo, por falta grosseira sobre o Tomás Araújo, que o VAR não deixou que João Pinheiro deixasse passar com o simples amarelo que exibira.


No recomeço Bruno Lage retirou o lateral direito da época passada para entrar Prestiani, passando a utilizar o lateral direito de há duas épocas - Aursenes. O primeiro quarto de hora voltou a ser mais espevitado, e acabou com o golo por que, equipa e adeptos, já desesperavam. De bola parada, coisa que na primeira parte nem existira. Numa recarga de Pavlidis.


Depois o jogo voltou à mesma pasmaceira. O tempo a correr e o Benfica sem fazer nada para acelerar o jogo, para sufocar o adversário, para não o deixar respirar. Nem para voltar a marcar, deve dizer-se. As substituições -  Sudakov, em estreia absoluta, para a saída de Schjelderup, um dos menos maus; Henrique Araújo, para o lugar de Ivanovic, o cúmulo do desacerto; e Barreiro para o de Rios, quando o Enzo, com um amarelo por protestos, estava claramente na mira de João Pinheiro - não mudaram nada.


Continuava dono da bola. Mantinha os mesmos 75% de posse. Empatou até no número de cantos, 5 para cada lado. Mas permitiu 9 remates ao adversário. Cinco, apenas menos dois que os 7 de que dispôs, deles enquadrados. E deixava-se claramente a jeito de qualquer imponderável. Que surgiu, quase que inevitável, aos dois minutos dos quatro do tempo extra concedido por João Pinheiro, numa tentativa falhada de Otamendi atrasar, de cabeça, a bola para Trubin.


E nem se pode dizer que não tenha sido um castigo merecido!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Noite de gala na Catedral. Já tínhamos saudades...


Ia  a primeira parte a meio quando dei comigo a pensar que desta vez o Benfica tinha trocado as voltas ao jogo. Que tinha trazido para os primeiros vinte minutos os últimos vinte minutos dos jogos anteriores. 


Aos poucos percebi que não era assim, que alguma coisa tinha mudado e que o espectáculo era para continuar. Então recostei-me melhor e deixei-me ir, deliciado e muitas vezes extaseado pela magia de Gaitan e pela arte de Jonas que um espantoso concerto colectivo não conseguia ofuscar.  


Um concerto que consertou de vez - espera-se - a máquina de Rui Vitória. Agora não pode haver mais espaço para dúvidas. Sabe-se que não vai ser sempre assim, que hão-de vir dias em que nem tudo corre assim bem. Mas não se pode andar para trás, este tem que ser o ponto de partida, nunca o ponto de chegada. 


A equipa pode não atingir sempre este altíssimo patamar exibicional, mas fica obrigada a entregar-se ao jogo da mesma forma, a pressionar da mesma maneira, a atacar a bola e o adversário com o mesmo entusiasmo, a mesma convicção e a mesma energia. Porque só assim pode marcar golos e sabe-se, já se sabia, que o Benfica é outro logo que marca o primeiro.


A chave do futebol deste Benfica de Rui Vitória está no primeiro golo. Por isso não há segredos: é entrar para marcar cedo, em vez de entrar à espera do que o jogo possa dar. É isso que se espera daqui para frente. Não se pede mais que isso. 


É que assim é mais fácil repetir noites de gala como esta. De vez em quando, também não se pode exigir isto todos os dias...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...