sábado, 13 de setembro de 2025

Vuelta 2025 (IV)

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Só termina amanhã - se a etapa não vier a ser cancelada, em Madrid mas, como é da praxe, a Vuelta ficou hoje resolvida, na Bola del Mundo.


Hoje era dia D da Vuelta. A visita à Bola del Mundo, e a terrível subida para a meta no Puerto de Navacerrada, iria arrumar as contas finais da Vuelta. Para João Almeida era a oportunidade de a ganhar. Para a UAE já não havia mais oportunidade. Depois de ontem, a somar a tudo o que tinha sido uma corrida de costas voltadas para o seu melhor ciclista, ter demonstrado um amadorismo e uma displicência inconcebíveis, ao deixar Vingegaard fazer-se ao sprint intermédio em Salamanca, e acrescentar mais 4 segundos aos 40 que trazia de vantagem, a UAE não tinha como não ser protagonista nesta última etapa das decisões.


E foi-o, pela primeira vez à volta do seu chefe-de-fila. Tentou lançar corredores para fugas, eventualmente para poderem ajudar o João Almeida lá mais para a frente. Como a Visma lhe cortou essas intenções, pegou na frente do pelotão. Fez toda a etapa na frente, a puxar. Mas sem grandes resultados. Para além da natural anulação da fuga - essa seria sempre inevitável numa etapa destas -, mais nada!


A 9 quilómetros da meta, já em plena subida para o  Puerto de Navacerrada, mesmo que na cabeça do pelotão, a UAE já apenas dispunha de dois corredores (Grossschartner e Vine) ao lado do João. Dos seus oito. A Visma, dos seus 6, mantinha lá três, ao lado de Vingegaard. "O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita", foi um pouco assim. E o ritmo da UAE na cabeça do pelotão apenas fez estragos na própria UAE. Enquanto os seus corredores iam saindo para o lado, para darem a vez ao seguinte, os adversários iam ficando. A ver. E provavelmente a rir.


A 7 quilómetros da meta foi a vez de Grossschartner se desviar para o lado, ficando Vine a puxar. Então, sim, o ritmo do australiano era outro e os estragos começaram a ser visíveis nos adversários. Giulio Ciccone e Mikel Landa, os dois trepadores que resistiam da fuga inicial, foram finalmente ultrapassados, e o grupo que ficava na frente era drasticamente reduzido.


Quando Vine acabou, a 3 quilómetros lá do alto, o grupo na frente ficava reduzido a cinco ciclistas: João Almeida, que continuou a forçar o ritmo, com Vingegaard na sua roda, o seu colega kuss, e Hindley e Pidckoc. A subida era dura como poucas, com uma inclinação de 20%.


Primeiro atacou Hindley. Vingegaard seguiu-lhe a roda, e ganharam alguns metros, até o João recolocar tudo junto de novo. Percebia-se então que já não seria possível cavar diferenças que invertessem a classificação geral, e que o sonho do corredor português ganhar a Vuelta tinha morrido ali, naquela subida a 2300 metros altitude, onde o ar falta tanto como as forças. 


Para acentuar, ainda mais, isso a 1000 metros da meta, Vingegaard atacou e deixou os restantes quatro pregados ao cimento, que cobre aquele caminho estreito até lá ao alto. Onde ganhou pela terceira vez nesta Vuelta. Da forma mais clara de todas, e no momento mais certo de todos.


João Almeida acabaria por ser o último dos cinco a cortar a meta, a 20 segundos de Vingegaard. Que, com mais esta bonificação, vai ganhar com 1´e 16" de vantagem para o português. Que, sendo curta, transmite outro brilho à vitória do dinamarquês. Sem a vitória (clara) de hoje poder-se-ia sempre dizer que Vingegaard ganhara a Vuelta nas bonificações e na roda do João Almeida. Ainda por cima com uma verdadeira equipa ao seu serviço, com tudo o que faltara ao português.


E isso era capaz de não ser totalmente justo. 


Desta vez na segunda posição - repetindo o resultado de Joaquim Agostinho, em 1974 (decorria enquanto em Portugal acontecia o 25 de Abril), então por 11 suspeitos segundos para os espanhol José Manuel Fuente - João Almeida acaba por conquistar o seu segundo pódio numa grande volta, depois do terceiro lugar no Giro, em 2023. E isso só está ao alcance dos melhores, entre os melhores. 


Não sei se irá alguma vez ganhar uma grande volta. Tem dois galácticos na sua geração, e outros a caminho, mas tem condições próprias para tamanho feito. Desconfio é que, na UAE, nunca o conseguirá!

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