segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Absolutamente

Resultados eleitorais das Legislativas 2022. Da maioria absoluta do PS ao  desaparecimento do CDS - Renascença


A surpreendente - absolutamente inesperada - maioria absoluta do PS nas eleições de ontem prova como as narrativas, em política como em muitos outros aspectos da vida, podem ganhar vida própria, com a criatura a sobrepor-se ao criador.


A estratégica de António Costa resultou em pleno. Nem tudo correu como era suposto, mas também não fugiu muito disso. Apenas pareceu que fugira, em determinados momentos. Especialmente quando o PSD reagiu a antecipar os seu calendário interno, e Rui Rio pareceu ganhar um novo fôlego e sugerir uma dinâmica de vitória. 


A maioria social de esquerda é estrutural na sociedade portuguesa. Não é fácil de alterar. Por isso Costa sabia que só tinha de ir "roubar votos" à sua esquerda, para o que lhe bastaria explorar a narrativa criada sobre o chumbo do orçamento, contando com toda a máquina do main stream. 


Este era guião, o resto teria de ser ajustado no percurso. Aí começou por fazer de "maioria absoluta" expressão proíbida, para depois a tornar palavra chave. Pareceu não correr bem, e introduziu o diálogo. Com todos, excepto com aquele que era óbvio. Tanto ziguezague poderia correr mal, mas a chegada do empate técnico às sondagens resolveu o problema. 


Diz-se que as sondagens falham. Não é verdade. As sondagens são a fotografia de cada momento. E no momento de depositar o seu voto muitos eleitores de esquerda, perante o espectro do empate técnico que, ou abria perspectivas da reedição da fórmula parlamentar da geringonça, inviável por tanta diabolização, ou abria um horizonte à direita, evidentemente com o Chega como protagonista, entenderam votar pelo seguro - o voto útil no PS. Que arrecadou mais 380 mil votos, 350 mil dos quais perdidos pela CDU e pelo Bloco. O PAN perdeu ainda 85 mil votos, bem mais que os 30 mil que compõem os ganhos dos socialistas que sobraram da conquista à esquerda.


A abstenção caiu significativamente, e isso saúda-se. Parece ter sido a direita que mais ganhou com a redução da abstenção, o que também não surpreende. Na realidade nada é mais surpreendente que a maioria absoluta, dada como uma impossibilidade para qualquer partido isolado por todos os analistas, e apenas explicada pela dinâmica do voto útil.


Poderá ser-se levado a admitir que tudo mudou no xadrez político nacional. Não terá sido bem assim, e provavelmente só a morte política do CDS, de resto sobejamente anunciada, e sem exagero, tem contornos decisivos. O Chega, preocupantemente como terceiro partido, é certo, dificilmente deixará de constituir o epifenómeno que efectivamente é. Ao contrário da Iniciativa Liberal que, com os quadros que já tem, e com os que irá buscar às cinzas do CDS, mas também a um PSD que continuará à espera de um Messias, tem tudo para continuar a crescer.


A esquerda do PS tinha o destino destas eleições traçado. Só que foi mais cruel do que o que esperaria. O Bloco foi o grande derrotado destas eleições, mas sabe-se que foi derrotado pelo voto útil. E o voto útil são votos emprestados, são resgatáveis. Mas é preciso fazer por isso, e esse é o desafio que o Bloco tem agora entre mãos. O PC é menos vulnerável ao voto útil, e não terá sequer essa miragem de resgate, pelo que terá de se enquadrar esta derrota no cenário de perda constante de eleitorado. Para já ficou sem o PEV, o partido parasita que nunca teve vida própria. Não virá agora a tê-la, certamente. 


O PAN e o Livre são agora os dois partidos de um deputado só. O PAN perdeu, mais deputados ainda que votos, sem surpresa. O que trouxe de novidade, não conseguiu segurar. Não tem substância para mais. E o Livre .... é Rui Tavares. E esse merece ser deputado!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Confesso que nunca acreditei muito naquelas notícias que davam o Benfica como interessado na contratação do Yannik Djaló. Pensava eu: se o rapaz só jogava bem contra o Benfica, ao contratá-lo retirava-lhe a única oportunidade de, pelo menos uma vez, jogar alguma coisa de jeito!


Afinal enganei-me! Enganei-me eu e enganou-se aquela malta do Sporting…Que, agora, quer inventar uma nova guerra com o Benfica, vá lá saber-se porquê! Desconfio que seja para encontrar pretexto para não pagar a factura da despesa do fogo posto nas bancadas da Catedral!


Mas pronto. O Yannik já lá está e o Jorge Jesus garante que irá fazer dele uma estrela mundial. Eu, que bem vi o que ele faz do Fábio Coentrão, sou levado a creditar. Já o estou a ver a partir tudo por aquela ala esquerda, diagonal para o centro, remate potente e colocado e … golo! E, olhando para o camarote, lá vejo a Luciana Abreu e a pequena Lyonce Viiktórya, equipadas a rigor a festejar o mesmo golo que eu…


Vejam bem o que o Benfica faz!

domingo, 30 de janeiro de 2022

Óleo de fígado de bacalhau


Os portugueses não gostam de maiorias absolutas .... mas com óleo de fígado de bacalhau, engolem-nas.


Os mais novos não saberão o que é o óleo de fígado de bacalhau, era coisa dos meus tempos de meninice. Nunca me calhou, mas sei que era uma coisa intragável que nesses tempos se obrigava os miúdos a meter pela goela abaixo para lhes abrir o apetite. Não sei se abria, mas bastava os miúdos ouvirem falar dele para engolirem a sopa de uma só vez. 


Depois veio o papão. Mas não tinha o mesmo efeito, os miúdos começaram a perceber que não vinha papão nenhum se não comessem a sopa. Já aquela xaropada existia mesmo, e era horrível enfiada pela boca dentro.


O empate técnico das sondagens foi o óleo de fígado de bacalhau servido aos portugueses para correrem a engolir esta maioria absoluta. Ninguém imaginaria que tantas gerações depois ainda funcionasse. António Costa, que ainda é do tempo dessa xaropada intragável, preferiu recorrer ao papão. As sondagens trataram de lhe dizer que a "estória" do papão não funcionava. Que óleo de fígado de bacalhau é que dava. E que o Fernando Medina até devia ter um frasco daquilo ainda dentro da validade.


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


É notícia: o Porto perdeu!


É notícia porque perde poucas vezes. Porque, mesmo perdendo poucas vezes, essas acontecem noutras competições. Rarissimamente no campeonato, ou na liga, como agora se chama. É ainda notícia porque, nesta competição, não perdia há 55 jogos e estava às portas de igualar o histórico registo do Benfica: 56 jogos sem perder, uma notável e irrepetível série iniciada à sexta jornada da época de 1976/77, prolongada por toda a época seguinte – época em que, com o mesmo número de pontos mas menor diferença de golos, veria o título fugir-lhe precisamente para o Porto, então o primeiro em 19 anos - e interrompida na primeira jornada da de 1978/79. E, claro, é ainda notícia porque deixa o Benfica fugir!


Na liga, e até ontem, o Porto ia conseguindo fugir do buraco, fundo e negro, onde já tinha caído em S. Petersburgo, em Coimbra ou em Limassol. Não convencia ninguém, mas lá ia ganhando, agarrado àquela ideia de igualar - e quiçá bater – aquele assinalável registo do Benfica. Já tinham arranjado maneira de somar alhos com bugalhos – campeonatos a somar com supertaças José Pratas, como se estivesse a somar a mesma coisa – para atingir o número de títulos do rival. Bater agora aquele registo seria a última credencial para reescrever a História!


 

sábado, 29 de janeiro de 2022

Em Leiria, como em Roma!

Luís Filipe Vieira assiste ao Benfica-Sporting em Leiria - Taça da Liga -  SAPO Desporto


Ganhar a Taça da Liga não salvava a época. Tinha-o dito Nelson Veríssimo e sabíamo-lo todos. Esta época já não tinha salvação! Mas não a ganhar e voltar a perder com o Sporting, como perdeu, como jogou, e com tudo o resto que se passou soltou as labaredas das profundezas do inferno da destruição do Benfica.


Em equipa que ganha não se mexe. Em equipa que não ganha ... também não. Deve ter sido isto que Nelson Veríssimo pensou, e por isso mudou apenas Paulo Bernardo por ... Meité. É verdade que não há muito por onde escolher ... a não ser nos jovens da equipa B, mar onde se pensaria que o treinador - justamente por ser quem é - pescasse  E também é verdade que, pelo que se viu na primeira parte, se percebeu a ideia de alinhar com um jogador que, ao fim de tanto tempo, ainda não permitiu perceber o que é que levou à sua contratação. Percebeu-se que pretendeu usar o seu físico para o combate ao meio campo. Para tentar equilibrar o poder físico do Sporting, mas esqueceu-se de tentar equilibrar o resto.


A primeira parte ainda disfarçou alguma coisa. Mesmo que o Benfica nunca se superiorizasse no jogo, nem individual nem colectivamente, nem táctica nem tecnicamente, ia ficando a ideia que, daquela forma e de uma maneira mais ou menos organizada, poderia minimamente controlar os danos, até porque a equipa do Saporting também não vive os melhores dias da era Amorim. E o golo de Everton, a meio da primeira parte, e no único remate à baliza (no jogo faria dois!), ajudava a admitir que até poderia correr bem.


A entrada na segunda parte até parecia reforçar essa ideia. Nos primeiros lances viu-se um Benfica mais pro-activo, a indiciar que poderia querer responder aos desafios do jogo. E viu-se um Sporting nervoso. No relvado, e no banco. A conjugação dos factores abria, pela primeira vez, a janela da esperança benfiquista. 


Só que, logo aos quatro minutos, num canto que resulta de uma carambola, e com Morato a limitar-se a fazer figura de corpo presente, o central do Sporting - Gonçalo Inácio, que já na primeira parte tinha ameaçado, e só não marcou porque Vlachodimos fez uma defesa apertada, e só possível por a bola lhe ter saído à figura - marcou o golo do empate. E pronto, lá foi a equipa pelo buraco abaixo, e com ela a ilusão dos adeptos.


A partir daí, mais notória que a superioridade leonina no relvado, foi a das bancadas. No relvado o Sporting  ganhou por 2-1, com o golo do Sarabia já dentro do último quarto de hora. Nas bancadas foi de goleada!


O grau de destruição que o Benfica atingiu já chegou ao seu principal activo - os adeptos, a massa adepta que foi quem em mais de um século fez a grandeza do clube. Irá seguir-se o benfiquismo.. A obra de Luís Filipe Vieira está concluída!


Hoje quis certificar-se disso, in loco. E foi a Leiria contemplá-la. Como Nero, em Roma, há 1958 anos!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Alguém disse, referindo-se a uma lei de alguém e para entalar outro alguém, que a “má moeda tende a expulsar a boa moeda”.


Também o mau Moedas tende a expulsar o bom Moedas. Se é que existe… Não serão apenas trocos?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

In(diferença)

A desumanidade não é mais exceção em tempos de barbárie - Em tempo - Portal  de notícias 24 horas de Manaus e do Amazonas


 


Aconteceu na noite de quarta-feira passada, numa rua de Paris. Mas acontece todos os dias, em ruas de todas as grandes cidades. A diferença é que o que aconteceu na passada quarta-feira, numa rua de Paris, acabou nas páginas dos principais jornais do mundo desenvolvido. 


René Robert, de 84 anos, caiu no chão, uma das mais movimentadas de Paris, no bairro dos cafés, ao lado da Place de la Republique. Seriam 21 horas,  Durante toda a noite lagas dezenas,  porventura  largas centenas, de pessoas terão desviado o passo e os olhos daquela pessoa caída no chão. Ficou ali nove horas, e acabou por morrer de hipotermia.


Era um conhecido e prestigiado fotógrafo. E tinha amigos que são pessoas conhecidas. E dos jornais - a diferença que fez a diferença, mesmo que já não fizesse diferença nenhuma. E que pouca diferença virá certamente a fazer na indiferença a que nos entregamos. 


Saiu nos jornais. e indignamo-nos. Mas não sair mais nos jornais, vamos deixar de ter de nos indignarmos. É mais uma maçada a que nos vamos poupar...

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Os postes fazem parte da baliza. Cada uma tem dois e, ao contrário da inseparável trave – que tanto lhe chamam trave, como travessa, travessão ou barra – respondem sempre e só pelo nome de poste.


Tempos houve em que eram de madeira, bem facetados, uns paralelepípedos longuilíneos. Outros, quando a bola se jogava nas ruas, em que nem passavam a barreira do virtual, quando quaisquer duas pequenas pedras davam para assinalar os dois únicos limites físicos de uma baliza, com postes e barra virtuais, imaginados a partir daquelas duas pedras. São, de há uns tempos a esta parte, em tubos metálicos redondos. Pintados de branco, como sempre…


Nada disto tem, em futebolês, especial relevância. Não é a isso que se dedica nem é com isso que se preocupa. Os postes estão lá para realizar a sua função, o que, para o futebolês é perfeitamente secundário!


O que para o futebolês é fundamental é perceber que, numa bola parada ofensiva, é decisivo colocar alguém ao primeiro poste que possa desviar a bola para um companheiro que entre ao segundo poste. Porque, assim, desposiciona a defesa adversária, irremediavelmente batida pelo desvio ao primeiro poste! Ou que, a defender um canto, não se deve descurar a cobertura ao primeiro poste. Ou mesmo a ambos, com um jogador bem encostado a cada um deles!


Ou ainda que, se o atacante está descaído para a direita, deve tentar colocar a bola no segundo poste. Porque o guarda-redes adversário terá a preocupação de tapar ao primeiro poste: quer dizer, por ali ela não passa. Neste caso ao segundo poste também se chama poste mais distante, sendo que o mais próximo é o primeiro poste!


Naturalmente que o mais fácil é rematar ao primeiro poste. Apenas os mais dotados conseguem, com êxito, rematar ao segundo poste. Através da trivela ou da folha seca porque, de outra forma, o mais certo é a bola acabar por sair mais perto da linha lateral do que do segundo poste.


Curiosamente estes dois postes deixam de ser o primeiro e o segundo para passarem simplesmente a ser o direito ou o esquerdo quando a referência é o seu mais fiel companheiro: o guarda-redes. Ninguém convive tão de perto com os postes como o guarda-redes, há ali uma intimidade óbvia e cumplicidades evidentes que constituirão razão suficiente para um tratamento diferenciado. Daí que, quando a referência é o guarda-redes, a bola não sai ao lado do segundo poste. Nem entrou junto ao primeiro poste. A bola saiu ao lado do poste direito do guarda-redes, ou entrou junto ao poste esquerdo


Se a bola vai ao poste, e se afasta das redes, é o romance entre o poste e o guarda-redes na sua maior exaltação. Já se do poste ela ressalta para dentro da baliza, alguma coisa de errado se terá passado entre ambos. Mas, em qualquer dos casos, a bola bateu no poste … direito. Ou no esquerdo. Nunca no primeiro ou no segundo poste!


Alguma coisa de errado se terá também passado à volta do jogo deste fim-de-semana entre o Feirense e o Benfica. Consta que o Feirense, para maximizar a receita do jogo e aproveitar da melhor forma o autêntico abono de família que são as visitas do Benfica, solicitou à Liga que o jogo se realizasse em Aveiro onde, de resto, a equipa tem jogado por ter o seu estádio em obras. Consta que a Liga não aceitou essa pretensão do clube de Vila da Feira, coisa que terá algo de errado. Ou que não se percebe. Ou que talvez se perceba de dermos ouvidos a um boato que por aí circula: que alguém terá oferecido ao Feirense o montante de compensação da receita. O que até explicaria os exorbitantes mais de 25 euros que cada adepto do Benfica terá de desembolsar para assistir ao jogo…


Enfim, outros postes… E outros romances!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Moral da história

LIÇÕES DE MORAL - https://mensagem.online


 


O PS começa por cima, e António Costa fala em maioria absoluta ... O PS começa a descer por aí abaixo. O PSD passa para cima, e Rui Rio pede de imediato  a António Costa que assuma a derrota com dignidade. E logo o PS volta para cima...


Isto não são sondagens. São folhetins de moral!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Luís Amado banqueiro? Nunca me passaria pela cabeça…


O Vara também foi, claro… Então percebeu-se: era Sócrates quem nomeava!


Aqui são os accionistas… Serão também chineses?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Banha da cobra para o crescimento

Intestino Poroso...mito ou realidade? - Scimed


Portugal tem um indesmentível e complexo problema de crescimento económico. Hoje tão iniludível que foi finalmente trazido para o debate eleitoral, nesta campanha. Se não se pode dizer que seja transversal a toda a campanha, menos se poderá dizer que tenha sido trazido em toda a sua plenitude. E, menos ainda, em modo de debate sério


Portugal tem vários problemas estruturais que confluem no problema do crescimento, como uma vasta rede de afluentes a desaguar no rio. Olhar para o estado do rio sem ver o que vem dos afluentes a montante é não querer perceber nada. E o que se não quer perceber, não se quer resolver.


É verdade que o tema veio para a campanha pela mão da direita, e em particular pela da Iniciativa Liberal, que dele faz prato principal. Daí passou para a agenda do PSD. A esquerda, mal, pouco mais fez que ignorá-lo, e deixou a direita sozinha a tratar do assunto da forma que entendeu. Com um mau diagnóstico, a receita nunca poderia ser mais que banha da cobra.


O diagnóstico partiu da comparação do crescimento dos países de leste, do lado de lá da antiga cortina de ferro, com o de Portugal. Não é por acaso, é um diagnóstico propositadamente enviesado para apontar ao fim político. Ignora que todos os países crescem mais nos primeiros 15 a 20 anos da adesão à Comunidade Europeia, por razões tão óbvias, que me dispenso de enumerar. Ignora as qualificações desses países à partida. Ignora o grau de especialização industrial da sua maioria. E ignora a sua centralidade geográfica e, em particular, as paredes meias com as maiores e mais desenvolvidas economias da União.


Ignora tudo isto para relevar as suas políticas liberais. De liberalismo.económico, evidentemente. Porque os outros não lhe importam. Os meios não devem justificar os fins, mas é campanha eleitoral... Temos de ser condescendentes.


O problema é a receita. Nessa já não pode haver condescendência. E a receita, adiantada por Cotrim de Figueiredo e logo apadrinhada por Rui Rio, é baixar o IRC. É simples: baixa-se o IRC e a economia desata a crescer!


Um vendedor de banha da cobra não faria pior. Mas esse nem disputa eleições nem se propõe a fazer crescer o país. Fica-se pelas dores de barriga e afins...


 

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Há 10 anos

 O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Na semana passada falou-se de ponto de viragem. Nesta diz-se que é preciso um segundo plano de resgate!


Na semana passada achamos estranha aquela mensagem de optimismo do ministro das finanças. Até porque, na anterior, ele mesmo tinha entrado naquela rábula do défice para este ano, no meio da qual eram, e logo deixavam de ser, necessárias adicionais medidas de austeridade.


De fora, dizem-nos que isto não está a correr bem. Antes pelo contrário! Di-lo a imprensa internacional, dizem-no os organismos internacionais e di-lo o risco de bancarrota do país que não pára de subir e já vai nos 67%. De dentro, do governo, começa a perceber-se um forte desnorte, com o primeiro-ministro a garantir que não há nada para renegociar e o ministro das finanças a irritar-se com as questões – já não dá aquelas respostas pausadas, como que a fazer o desenho para os atrasados mentais perceberem – e a deixá-las sem resposta. Tem que ser o ministro da economia – o super acossado Álvaro, vejam bem - a dar a cara e a dizer qualquer coisa. Pouca coisa e nada de relevante!


Os sinais que vêm da União Europeia também não ajudam. Ouvir agora o Sr Olli Rhen - porque começa a ver as barbas a arder – dizer que a solução da crise passa pelo crescimento económico, é desarmante!


O país está sem sentido. Em pleno ciclo vicioso da austeridade e da recessão - há muito e por muita gente avisado – e sem saídas à vista, o país precisava, mais do que nunca, de uma referência. Uma referência que, no xadrez político nacional, só pode encontrar-se no Presidente da República!


Se há alturas em que se sente a falta institucional do Presidente esta é, sem dúvida, uma delas. Não é para promulgar leis e decretos, para cortar fitas ou para discursar no 25 de Abril, no10 de Junho e no 5 de Outubro que o PR faz falta. Faz falta, e tem oportunidade de justificar e honrar a função e o título de mais alta figura do Estado, nestas alturas, quando o país está perdido, sem sentido e sem destino…


Pois é! Quando o país olha à volta e procura o Presidente o que é que encontra?


Encontra um Presidente kamikaze. Um Presidente que mais parece o comandante Schettino do Costa Concórdia – a sua estória das reformas, na forma e no tempo, tem lá tudo o que foi o indigno comportamento de Schettino – que abandona as suas responsabilidades e trai a sua honra porque, em vez de último é, sem olhar a meios e sem escrúpulos de qualquer espécie, o primeiro objecto do seu pensamento. Encontra um Presidente desrespeitado porque sucessivamente se não se deu ao respeito. Um Presidente achincalhado, literalmente de mão estendida, na valeta ou à porta do metro!


Sou um velho crítico de Cavaco, nunca lhe apreciei a forma e raramente me revi no conteúdo, mas não é por isso que não repudio os abusos de que sua imagem vem sendo objecto. Mas, mais que repudiar na simples esfera dos sentimentos ou do bom gosto, repudio esta degradação da imagem do presidente pelo que contribui para o desnorte do país.


Os portugueses – os que votaram em Cavaco há apenas um ano, os que nem sequer quiseram dar ao trabalho ir votar (não nos esqueçamos dos 56% de abstenção) ou os que já assinaram a petição para a sua demissão – não conseguem olhar para aquelas imagens e, ao mesmo tempo, acreditar que está ali o seu porto seguro, a referência que procuram, alguém capaz de desenhar pequenos mas decisivos pontos de equilíbrio na sociedade portuguesa.


Cavaco fez tudo para merecer isto! Se calhar nós também…

Sempre a cair


 


Sempre a cair. A cair ao longo do jogo, e a cair de jogo para jogo. É este o estado da equipa do Benfica!


Hoje, em Leiria, no primeiro jogo desta final a quatro que faz o formato da Taça da Liga, o Benfica confirmou a dinâmica de queda que não se sabe quando, e como, possa ser interrompida. Depois das péssimas exibições dos dois últimos jogos, contra adversários do fim da tabela classificativa do campeonato hoje, contra um Boavista mais que desfalcado (não tinha centrais, e teve que alinhar com laterais no centro da defesa), a equipa conseguiu ainda fazer pior. 


Pior, e sempre a piorar. Começou menos mal, e teve até nos primeiros minutos a única jogada em todo o jogo com qualidade, com Yaremchuk a permitir a defesa a Bracali. Depois chegou ao golo, mas isso foi uma oferta da defesa boavisteira, num erro clamoroso dos seus centrais, que eram laterais. A partir daí foi sempre a cair e, ao intervalo, com mais de 70% de posse de bola, o Benfica tinha efectuado três remates: o tal do avançado ucraniano - que continua a não ter nada a ver, nem de perto nem de longe, com o jogador da selecção ucraniana -. e dois de Everton, o do golo, e outro para as nuvens, na segunda oportunidade de golo criada. A terceira só aconteceria já no final do jogo


Jogou mal, porque teve muita bola sem saber o que fazer com ela, como é costume. O Boavista rematou muito mais, praticamente sem ter bola. Mas nunca incomodou muito, mais parecendo que rematava para a estatística. O que incomodava mesmo era o confrangedor futebol do Benfica!


Na segunda parte tudo foi diferente. O Benfica piorava ainda mais, e bastaram cinco minutos para o Mourato cometer um inacreditável penalti. Não me lembro de alguma vez ter visto tal coisa: a sair com a bola, dentro da área, deixa-se perder a posição para um adversário que vem de trás, a ponto de, para  jogar a bola, fazer penalti. Inacreditável!


O Boavista empatou e a partir daí tomou conta do jogo. Ganhou todos os duelos - como todos estão a ganhar -, ganhou todas as antecipações e tapou todas as linhas de passe ao Benfica com a maior das facilidades. Rematou - fez 16 remates, o dobro dos do Benfica - e já não era para a estatística. Era para golo. Valeu Vlachodimos, o único jogador do Benfica a salvar-se do descalabro geral. Evitou três golos, um deles num golpe de rins que mais pareceu milagre.


Como também já é crónico, Nelson Veríssimo não consegue, do banco, estancar a queda livre da equipa. E as substituições voltaram a ser incompreensíveis para quem quer que estivesse a assistir àquilo. Os piores dos piores continuaram em campo. Lázaro, o pior dos piores, lá continuou. Entrou Gonçalo Ramos, mas também Gil Dias, Meité e Rodanjic. Não tinha por onde correr bem, e não correu, evidentemente. Pizzi entrou a quatro minutos dos 90, mas já para os penaltis. Até essa correu mal - Pizzi ainda fez o único remate da segunda parte que poderia ter acabado em golo, mas falhou logo o primeiro penalti. De forma completamente displicente.


O que diz muito do que é Pizzi nesta altura. No que ele se fez, ou no que dele fizeram? Seria interessante saber a resposta!


O apuramento para a final de sábado acabou por cair do céu no desempate por penaltis. Nem aí o Benfica foi competente  - Pizzi foi incompetente e displicente, Verthonghen foi apenas incompetente, atirou ao poste. A competência de Grimaldo, Meité e Weigl só foi suficiente porque o Boavista foi ainda mais incompetente, falhando os primeiros três penaltis. Dois da forma verdadeiramente incompetente. O outro foi mais uma grande defesa de Vlachodimos, o grande responsável pelo afastamento do Boavista da final a que, no fim de contas, merecia ter chegado.


No próximo sábado lá estará o Benfica à procura do único troféu, não só da época, como das últimas três. E nunca as expectativas foram tão baixas!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Real Madrid por pouco não conseguiu a remontada e foi afastado da Taça do Rei pelo Barcelona. O costume, dirá quem não viu o jogo!


Não. Nada disso!


Estou em crer que hoje Mourinho libertou-se de um fantasma que o perseguia há dois anos. Desde aquela noite em que, com o autocarro neroazurri à frente da baliza, em Campo Nou qualificou o Inter para a final da champions, que viria a ganhar. Era esse fantasma que o levava a inventar sempre que defrontava o arqui-rival, transformando uma grande equipa de futebol num grupo de rapazes em pânico…


Nos jogos anteriores vimos sempre um Real Madrid derrotado e sem nada fazer para merecer a sorte que tinha. Hoje assistimos a um grande jogo onde o Madrid tudo fez para merecer a sorte que não teve… Com coragem, com classe, com vontade e capacidade para claramente vencer um adversário que antes achava imbatível. Que apenas não venceu por factores externos ao jogo. Mais que as contingências da sorte e do azar - o azar de uma bola na barra que cai na linha de golo e sai, de dois golos sofridos nos últimos dois minutos da primeira parte, de forma pouco mais que acidental – fez-se sentir uma arbitragem claramente adversa: um golo mal anulado logo no início do segundo tempo e um penalti claro (mão de Abidal na grande área) por assinalar!


Mourinho hoje ganhou, mesmo sem que tivesse ganho. Morreu na praia mas de pé, com honra e dignidade. E deixou claro que hoje ganhou o campeonato! Desde que não tenha nenhuma recaída, que não deixe que o fantasma volte a ganhar vida!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Não é sério. Mas é para levar a sério!

O que é uma ″tracking poll″


 


Escrevi aqui há dias sobre a inversão na tendência das sondagens, para responsabilizar a mal disfarçada obsessão de António Costa pela maioria absoluta por esse rumo. O rumo das sondagens indicava então a erosão da vantagem do PS sobre o PSD, confirmando a miragem da maioria absoluta.


Poucos dias depois estamos a ver passar para a opinião pública uma outra coisa completamente diferente. O que a partir do fim de semana vemos é dizer-se que o PSD já está à frente nas intenções de voto, e que a direita irá ser maioritária na Assembleia da República. É uma mudança brusca de mais para não nos levar a torcer o nariz. Há aqui qualquer coisa que não joga bem, a começar pelos números. Nos números que são soltados, com o PS a descer e o PSD a subir, o resultado da soma de ambos desce. Pode acontecer, mas não é normal!


O que está a acontecer é outra coisa. O que está a acontecer é que deixamos de seguir sondagens para passarmos a seguir essa coisa do tracking poll, que a CNN Portugal - é cada vez mais evidente que, de CNN, só tem a taxa de franchising - nos oferece, com um universo de 180 eleitores. Fazer da consulta de 180 pessoas uma sondagem não é sério. 


Mas temos que levar a sério. Porque é uma manipulação grosseira dos eleitores, e porque resulta. E o jornalismo, em vez de denunciar, segue na festa. E faz parte dela!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A estória conta-se em poucas palavras: Miguel Relvas levou a Fátima Campos Ferreira a Angola para, daí, a RTP emitir um programa lamentável, a lembrar um, designado de “25 milhões de portugueses”, que a RTP exibia há mais de 40 anos. Algumas pessoas desmascararam a manipulação descarada de Relvas e condenaram o servilismo da RTP que, sem olhar a custos e numa altura destas, se apressou a fazer a vontade ao patrão.  Uma dessas pessoas – Pedro Rosa Mendes – fê-lo em plena Antena 1, num espaço de opinião - Este Tempo – que partilhava com mais quatro cronistas. Hoje, Este Tempo acabou!


Calou-se Pedro Rosa Mendes e calaram-se os restantes quatro colegas. Não sem que a cronista de hoje – Raquel Freire – deixasse ao auditório e ao país o seu grito de revolta que aqui trago através, e com a devida vénia, do Aventar. Vale a pena ouvir...

domingo, 23 de janeiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Ouvi dizer por aí que este é o ano do dragão. Que começa hoje!


Nah!!! Há aqui alguma coisa que não bate certo: este é o ano do Benfica! Depois do que se viu ontem, alguém tem dúvidas?


Não vale a pena dizerem que começa hoje e que acaba a 9 de Fevereiro de 2013. Nada disso, é o ano do Benfica, começou no início de Agosto e acaba lá para meados de Maio…


O ano do dragão? Essa agora…

sábado, 22 de janeiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Despedimo-nos hoje do Engº Ribeiro Vieira, um empreendedor, empresário e gestor de excepção, mas também um activista militante da intervenção cívica. Homem da cultura e dos jornais, eclético como ninguém. Homem de projectos que não podia desaparecer tão cedo, ainda com tantos para juntar aos muitos a que deu corpo e vida. Homem de muitos amigos, que hoje se juntaram para o último adeus!


Leiria, a região e o país perderam um dos seus melhores! Logo quando dele mais precisávamos…

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Um espelho


 


Não, nem tudo está bem quando acaba bem. E o Benfica não só está mal, como está pior a cada jogo que passa.


Hoje, em Arouca, regressou às vitórias - a segunda em quatro jogos da nova era Nelson Veríssimo. E a mais dilatada, igualando o da Luz , com o Paços. Quando, bem lá no fundo, a luzinha da esperança ainda continuava acesa.


Mas, em qualidade, este foi o pior dos quatro jogos. Quando se pensava que a equipa batera no fundo no último jogo, na Luz, com o Moreirense, hoje, viu-se que não. Que há mais fundo para além do que tinha ficado à vista. Então a equipa jogara mal, muito mal. Mas criou oportunidades mais do que suficientes para ganhar esse jogo, e sofreu o empate com um golo ilegal, escandalosamente validado pela arbitragem.


Hoje, não. E ganhou-o porque foi finalmente assinalado um penalti (na imagem) a seu favor. O segundo da época, e o quarto em cerca de três anos. E porque o Arouca falhou o que teve a seu favor. Sim, foi muito mais um falhanço do marcador do que uma grande defesa de Vlachodimos.


Quando encontrou pela frente uma parede defensiva, a equipa não teve futebol para a contornar. Apenas para esbarrar contra ela. Apenas por uma dispôs (não criou, foi criada por um mau atraso de um adversário) uma situação de golo, por Darwin. salva sobre a linha de golo por um defesa arouquense. Se o não tivesse sido provavelmente não contaria, porque a bola teria roçado a mão do marcador. É já crónico, perante adversários que se fecham à frente da baliza - e em teoria será o caso da grande maioria deles - a equipa não tem soluções, e bloqueia. E foi o que aconteceu na primeira meia hora de jogo, até Darwin converter - com classe, diga-se - o penalti.


Depois, o Arouca saiu lá de trás e passou a discutir o jogo no campo todo. Até há pouco tempo, quando isso acontecia,  as coisas começavam a correr bem. Com espaço, a superioridade técnica dos seus jogadores vinha ao de cima, surgiam as chamadas transições rápidas e os golos. E as goleadas. Mas também já não há nada disso. Mesmo com o campo todo para jogar, não dá. A equipa não recupera a bola, perde os ressaltos, perde os duelos. E quando ganha a bola perde-a logo a seguir. Os jogadores ou não acertam um passe, ou não conseguem uma recepção limpa.


Não admirou que tivessem bastado 10 minutos para o Arouca poder empatar, para poder voltar a erguer-se em muro à frente da baliza. Mais uma falha defensiva, com Vlachodimos - incluído - a cometer penalti. Valeu que o jogador do Arouca - João Basso, que já tinha cometido o penalti sobre Darwin - quis imitar o saltinho do Bruno Fernandes e ... saiu mal.


Ao intervalo Nelson Veríssimo tentou experimentar outra coisa. Trocou o Yaremchuk - é verdade, ninguém o viu mas esteve em campo durante 45 minutos, durante grande parte dos quais o jogo decorreu em cima da área do Arouca - pelo Everton; e o 4-4-2 pelo 4-3-3. E chegou a parecer que iria resultar. O Everton pareceu entrar bem, João Mário e Paulo Bernardo ficaram mais libertos, com este último a subir claramente de rendimento. Não durou mais de 10 minutos, esse efeito. E duas oportunidades de golo - Everton e Rafa, praticamente seguidas.


Esgotados esses 10 minutos iniciais da segunda parte, o Benfica regressou ao seu pior. A perder o meio campo, e a perder sucessivamente a bola, sem conseguir dois passe seguidos. E durante mais de meia hora só deu Arouca. E só não deu o golo do empate por acaso. E porque Vlachodimos o evitou em duas ocasiões. A equipa caiu no inferno, e de pouco valeram as sucessivas substituições de Nelson Veríssimo. A de Paulo Bernardo, pareceu que por lesão, por Taarabt só agravou ainda mais as coisas, quando os jogadores do Arouca já juntavam frequentes entradas violentas à sua superioridade no jogo.


Uma dessas, já em período de compensação, deu num livre cobrado por Grimaldo que Gonçalo Ramos, que substituíra Darwin, concluiu com c único apontamento de verdadeira classe em todo o jogo. Que só aí ficou finalmente resolvido!


A equipa é hoje o espelho de um Benfica incompetente, incapaz e desorganizado. Se os jogadores fossem dirigentes eram bem capazes de estar a anunciar uma contratação por consumar, e a ficar nas mãos do contratado, à sua mercê. Se os dirigentes fossem jogadores eram incapazes de dominar e controlar um jogo contra uma qualquer equipa do fundo da tabela!


 

Não há coincidências e o subconsciente é tramado

ULTRAPERIFERIAS: Sondagem. PS mantém maioria com PSD a encurtar distâncias  mas Costa é o preferido para liderar


 


Não há coincidências!


O PS, que há poucos dias tinha nas sondagens uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o PSD, tem agora, na última, de ontem mesmo, apenas quatro. Tecnicamente, tendo em conta a margem de erro, significa empate.


Não há volta a dar. Pode especular-se sobre muitas razões, mas a única objectiva é a introdução sa maioria absoluta no discurso de António Costa. Os debates não correram assim tão bem a Rui Rio, nem assim tão mal a Costa. O desgaste deste não acelerou assim tanto nos últimos dias, como não acelerou assim tanto o élan de Rio. A pandemia acelerou, mas também já passou por drama maior, apesar de tudo.


E poderíamos continuar a desfilar razões de pormenor para procurar justificação para tão pronunciada inversão da tendência das sondagens. Não me parece que encontremos explicação para, de um resultado à beira da maioria absoluta, o PS cair para um que coloca em causa a simples vitória eleitoral, que não a menção clara e inequívoca à própria maioria absoluta.


"Os portugueses não gostam de maiorias absolutas" - era a convicção de António Costa. Em 2019, nestas mesmas circunstância de campanha eleitoral, afirmava, alto e bom som: "Eu não tenho dúvidas nenhumas que os portugueses não gostam de maiorias absolutas e têm más memórias das maiorias absolutas, seja do PSD, seja do PS".


Porquê, então, este tiro no pé?


Porque não tem memória, e julga que os portugueses também a perderam? Porque a soberba lhe toldou a razão? Por desrespeito a si próprio e aos eleitores?


Não creio, mesmo que qualquer desta hipóteses não possam, de todo, ser descartadas. Creio que é simplesmente o subconsciente a funcionar. Como Freud demonstrou nos ensinou, o subconsciente é uma zona intermédia do nosso processo psíquico, onde armazenamos tudo o que a consciência não aceita.


Conscientemente podemos mentir, e omitir. Mas o subconsciente não mente, tem sempre a verdade para mostrar!


Por muita má memória que tenhamos, e por muita lavagem cerebral que tenha sido feita, lembramo-nos bem de como a geringonça foi dinamitada. Lembramo-nos bem da inflexibilidade de Costa em todo o processo do Orçamento, o mesmo que agora mostra triunfalmente para as câmaras de televisão. Lembramo-nos daquele tempo. Tempo de PRR, e tempo de definhamento na oposição de direita, com o CDS em passo acelerado para a implosão, e com o PSD em guerra aberta e Rui Rio pelas ruas da amargura. O notório crescimento da extrema direita era só mais uma peça favorável do puzzle. Só ajudava. 


Lembramo-nos que foi assim, por muito que toda a gente nos tenha vindo a dizer outra coisa. Foi com este cenário que Costa contou as favas contadas. Para completar o cenário perfeito bastava-lhe acusar os seus antigos parceiros de geringonça pela responsabilidade da crise política, e isso não lhe colocava qualquer dificuldade.


A estratégia parecia não ter por onde falhar. Mas tinha. Ele só tinha controlo sobre a parte que lhe cabia, a demonização da geringonça. A crise nos dois partidos à sua direita não estava nas suas mãos. E escapou-lhe, apesar da ajuda do líder do CDS!


Tudo arrumado no subconsciente. Até que, logo após o debate com Rui Rio, na flash interview, com o consciente a constatar que não tinha corrido lá muito bem, o subconsciente emergiu. Com a verdade, como sempre.


E essa é muitas vezes tramada... 



 


 

 



 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Costuma dizer-se - e com mais acuidade nestes tempos que correm, nesta cultura do individualismo, do salve-se quem puder sem olhar nem a meios nem a fins – que ninguém dá nada a ninguém. Não há almoços grátis, como se diz na moderna terminologia desta sociedade armada ao fino, sendo que o fino, agora, é este ar executivo e tecnocrático onde o almoço atinge um estatuto verdadeiramente iconográfico.


Se assim é, se o tempo é de ninguém dar nada a ninguém, como é que se dão minutos, sendo que minutos são tempo, e tempo é outra das coisas que, no tempo que é este, ninguém tem. Muito menos para dar!


Poderíamos ser levados a pensar que se trataria daqueles trinta minutos de que tanto se tem falado. Mas não é, porque aí falava-se de dar meia hora!


Que, no fim, ninguém acabou por dar. E não foi exactamente por ninguém dar nada a ninguém porque, quando são obrigadas, as pessoas dão … tudo. Umas dão tudo para que outras não dêem nada, como acabou de se ver por aí!


Bom, mas isto é política, coisa a que o futebolês não passa muito cartão. Aqui dão-se minutos a jogadores: minutos de jogo que, para boa parte de jogadores, são preciosos. São a oportunidade por que esperam há meses…


No futebol há uma dinâmica de construção das equipas, como aqui já referi numa ou noutra oportunidade. No início, no arranque da época é o plantel, com o objectivo de dois jogadores para cada posição. Segue-se, com o arranque das competições oficiais, a construção da equipa. O onze titular assume uma prioridade absoluta, sendo certo que enquanto o treinador não estabilizar na constituição da equipa, não encontrar o seu onze, fica exposto e vulnerável à crítica, coisa de que ninguém gosta. Passados os primeiros quatro ou cinco meses de competição, os jogadores do onze titular começam a precisar de descanso. Estão rebentados! Enquanto descansam há que recorrer aos outros que, coitados, ou passaram estes meses todos a sarrafar o rabo pelo banco ou no ginásio a curar lesões graves e prolongadas. Que precisam de minutos, de competição menos exigente para atingir um ritmo competitivo mínimo que lhe permita substituir os mais cansados.


É neste período do ano que surgem as oportunidades para – como também se diz – rodar jogadores. Com a Taça da Liga e com a Taça de Portugal surgem as competições para os treinadores darem minutos aos jogadores. Na maioria dos casos os resultados não são muito entusiasmantes e, não raramente, os treinadores acabam por ter de recorrer aos artistas principais para resolver os problemas que adversários de segunda linha colocam a jogadores também de segunda linha. Mas pronto, os minutos não ficaram por dar, como é obrigatório nesta altura. Porque, quando essas competições chegarem às suas fases finais, acabou-se a rotação. Então aquilo é mesmo para ganhar!


Quem foge um bocado a este estereótipo é o Sporting. Sempre diferente!


Ali não há minutos para dar a ninguém. Mas a verdade é que também não há um onze daqueles de caras. Sempre das mesmas caras… Mais parece que o Domingos não tem feito mais nada que dar minutos. A Bojinov, a Polga, a Carriço, a Rodriguez… Alguns levam isto mesmo muito a sério, como o Bojinov que achou que, se lhe davam minutos, também lhe poderiam dar um penalti a marcar. Agora acabou-se: nem penaltis nem minutos, apenas o papel de bode expiatório.


Na Taça da Liga, onde festejou já dois empates – com o Rio Ave e o Moreirense – para se parecer com os mais directos rivais, Domingos rodou … o guarda-redes. Que, por acaso ou não, salvou a equipa de duas derrotas e de um humilhante adeus à Taça da Liga, e, ou muito me engano, mas é mesmo melhor que o outro, que até defende a baliza da selecção nacional.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


As duas centrais sindicais estão em guerra. Já lá vai o tempo em que dirimiam argumentos por alturas do primeiro de Maio, disputando terreiros e números, agora é mesmo nos tribunais…


O que a concertação desconsertou! Quando se abusa no fazer de conta nada se conserta e tudo se desconserta. Podem continuar a chamar-lhe dia histórico, e a fazer de conta que é mesmo histórico…


Bastou o austero e contido ministro das finanças ontem afirmar que estaríamos perto do ponto de viragem para que o primeiro-ministro, embalado pelo bem sucedido acontecimento histórico, viesse hoje dizer que este era o ano da viragem. Enquanto isto os indicadores de conjuntura do Banco de Portugal hoje tornados públicos dão conta, em Dezembro, dos piores resultados desde 1978. No mês do consumo, no Natal, o consumo privado registava a pior leitura em mais de 30 anos. Até se poderia falar em viragem se tantos outros antes o não tivessem feito, sempre com os resultados conhecidos!


Lá para a Madeira Jardim recusa-se a assinar a certidão de óbito do jardinismo. Custa a perceber para onde quererá levar aquele braço de ferro, se é que ainda não percebeu que já não tem tempo para fazer bluf.


O Banco de Portugal, para além de emitir boletins, também diz que não tem nada a ver com o que se passa no país. Que os cortes levam ao descontentamento e são injustos para os seus trabalhadores. E que compensa os cortes nos subsídios de natal e férias com o corte numa catrefada de benefícios – direitos adquiridos, bem entendido – como subsídio para a compra de livros, férias extra em função da antiguidade ou empréstimos em conta para a compra de segunda casa.


O Presidente da República, que como se sabe teve que optar e, tendo de o fazer, optou pelas pensões de reforma deitando fora o ordenado, está preocupado. É que as pensões já lhe não chegam para as despesas!


Uma dessas pensões – que nem sabe de quanto é - é precisamente do Banco de Portugal. Que, por isso mesmo, e para ver se dá para equilibrar com as despesas, não irá ser amputada dos dois meses… A outra é da Gulbenkian, e desta já sabe o valor: 1.300 euros! Parecida com a da mulher! Sobrevivem ambos porque são muito poupados!


No meio disto tudo ainda há 56% de portugueses que acreditam no velho jargão de Churchil. Que acham que a democracia é o melhor para Portugal. Os outros, não! Acham que isto precisa mesmo é de ditadores. Presumo que assumidos, sem disfarces…


Quando se atingem números destes parece mesmo que estamos a chegar a um ponto de viragem…


 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

O ciclo vicioso funciona. E não faz falta!

Do círculo vicioso dos problemas à espiral virtuosa das soluções em 8  passos – Análise de Falhas e Gestão do Conhecimento | Télios


Temos visto que, no debate político eleitoral, praticamente toda a gente clama contra os baixos salários em Portugal. Nesse discurso há dois temas que são transversais, e praticamente aceites por todos: o salário mínimo está muito encostado ao salário médio; e os baixos salários fazem com que os mais qualificados abandonem o país e partam para destinos que valorizam as suas qualificações.


O primeiro dos dois temas, sendo consensual porque é factual, é apresentado com propósitos diferentes. Uns evocam-no para argumentar contra o aumento o salário mínimo, e alguns desses até contra a sua própria existência. Outros, para concluir que há um problema de retrocesso salarial no país, depois de dez anos desregulação laboral e de cortes salariais.


Sabe-se quem são uns e outros. 


O segundo, igualmente consensual e factual, decorre apenas da conclusão a que chegam os outros, os segundos. Os uns, os primeiros, que se sabe quem são, só por cinismo o podem referir. Seja porque em tempos mandaram emigrar, seja porque, depois, congelaram carreiras e salários. Ou seja, ainda, porque fizeram da transferência geracional uma locomotiva para o downsizing salarial.


Dez anos depois não há trabalhadores disponíveis para trabalhar pelos baixos salários que são oferecidos, e não há trabalhadores qualificados porque se foram embora. Mas nem assim os salários sobem. Mesmo assim todos os anos caem na pobreza milhares de pessoas com trabalho.


Só o salário mínimo aumenta porque é imposto por lei. Os outros salários não podem subir - dizem - sem crescer a produtividade. E a produtividade não cresce sem trabalhadores qualificados. E não há trabalhadores qualificados porque os salários são baixos. 


"O liberalismo funciona", como não se cansa de reclamar o Cotrim de Figueiredo. Pois .... mas cá só funciona à força da lei. E mesmo assim só às vezes. O que por cá funciona mesmo é o círculo vicioso!


 

Hoje*

Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


* Texto publicado todos os anos, neste dia 19.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Em choque

Apagão interrompe debate entre partidos sem assento no Parlamento no momento em que se falava nos preços da eletricidade


 


Confesso que não tive paciência para assistir até ao fim ao debate entre os partidos que não têm representação parlamentar. Ainda nem sequer acabou... Foi demasiado deprimente, e difícil de tolerar para aguentar até ao fim.


E chocante. Especialmente chocante, para além de deprimente, como praticamente todas, a participação de um senhor chamado Bruno Fialho, de um partido chamado ADN. A do velho conhecido Manuel Pinto Coelho - do PNR, agora Ergue-te - já nem choca, apenas dá vomitos. 


Mas o que mais me chocou, o embate mais surpreendente e violento, foi o estado a que o MRPP chegou. Ainda estou sem palavras. Acredito que a rapaziada da minha idade me compreenda. Se calhar já só a minha geração se lembra do MRPP....

É a educação, estúpido!

Um debate de muitas disponibilidades e poucos compromissos


O debate de ontem à noite, entre os líderes das nove formações com representação parlamentar, na RTP, acabou por ser o único no registo de todos contra todos. E mostrou como teria de ser o único. Aquilo nem é fácil de gerir - na RTP só mesmo o Carlos Daniel tinha condições para o fazer, e bem, como fez - nem permite grandes esclarecimentos.


Não houve surpresas relativamente aos debates em duelo que marcaram as duas primeiras semanas do mês, ainda antes da abertura oficial da campanha. Não foi dito nada que não tivesse já sido dito, e em muitos caso até à exaustão. E,sobressaiu quem já tinha sobressaído no anterior modelo - justamente Cotrim de Figueiredo e Rui Tavares.


Em tudo o resto, o normal nestes debates. Perguntas que ficam sem respostas - muitas, e da parte de todos, mesmo que aí Costa seja imbatível -, respostas enviesadas, e respostas precipitadas.


Neste domínio o debate terá ficado marcado pela resposta que deu a Cotrim de Figueiredo sobre a ultrapassagem de Portugal pelos países do leste, chegados muitos anos depois à União Europeia. Ao seu jeito, António Costa passou rapidamente por cima da pergunta. Foi logo cercado, e não o deixaram prosseguir sem essa resposta. E ela veio célere da boca do líder do PS: "a isso responde a História". E prosseguiu o seu caminho, como se a questão tivesse ficado respondida. 


Não tinha, mesmo que a resposta fosse aquela. E estivesse certa. Só que, dada daquela forma, "en passant" , numa espécie de "deixem-me prosseguir e não me chateiem", não era resposta. Era gafe, para gáudio de adversários e comentadores.


É realmente na História que está a explicação para que boa parte dos países de leste, saídos da esfera soviética há 30 anos e há menos de 20 na União Europeia, tenham encontrado ritmos de desenvolvimento que lhes permitissem ultrapassar outros, como Portugal, há muito mais tempo integrados no projecto europeu. É que esses países dispunham de sistemas de educação efectivos e encontravam-se em patamares qualificação bem mais elevados que os de Portugal. 


A resposta poderia ter sido simples, e inspirada no "é a economia, estúpido", de James Carville, que tanto jeito deu a Clinton, e que ficou a marcar a História do debate político: é a Educação, estúpido! 


Tinha perdido o mesmo tempo, e prosseguido a sua rota pré-estabelecida, e saía com um golo de chapéu ao guarda-redes, do meio campo.


Para outra resposta já teria que perder mais tempo - e referir o desenvolvimento industrial de alguns desses países -, ou até recorrer a argumentos eventualmente inconvenientes, como o facto praticamente nenhum desses países integrarem o euro.


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Pepe Guardiola e o Barcelona continuam a fazer a vida negra a Mourinho e ao Real Madrid: um autêntico pesadelo sem fim! Sem fim e sem pausas…


O Barcelona faz do Santiago Barnabéu a casa assombrada dos madrlilistas. Em vez de entrarem com a confiança e o conforto de quem entra em casa, quando do outro lado está o Barça, os jogadores de branco entram borrados de medo, assustadíssimos e vêm fantasmas por todo o lado. Nada os tranquiliza, nem mesmo quando, como aconteceu hoje e já acontecera no último jogo – há pouco mais de um mês, que não consigo deixar de recordar aqui – os deuses estão a seu lado. Pura e simplesmente bloqueiam, como bloqueia o seu líder!


Mourinho transforma-se, como transforma a equipa, nestes jogos. Antes, durante e depois do jogo…


Desta vez, antes do jogo, optou por desvalorizar a Copa do Rei. Que não era importante, tinha sido importante no ano passado – único troféu conquistado, no único jogo que ganhou ao Barcelona – porque era um título que o Real há muito não ganhava. Este ano já não tem importância nenhuma…


Depois, já no jogo, abdica de todos os princípios do seu jogo e, ao atípico mas estandardizado 3X6X1 do adversário, reage com uma espécie de 7X3X0. A equipa fez um único remate em toda a primeira parte: o feliz remate de Cristiano Ronaldo, que deu o golo! No jogo todo fez três,  dois da segunda parte, um ao poste e outro para as núvens.


Um suplício bem evidente nas caras dos jogadores, vergados ao peso da superioridade (mas de 70% de posse de bola) de um adversário que lhes rouba o brilho e os transforma todos em jogadores mais que vulgares. Todos, não. O Pepe não se transforma num jogador vulgar, transforma-se numa besta!


Francamente: não consigo perceber como é que esse tipo tem permissão para continuar a pisar… relvados! As imagens televisivas estão aí: não servem para nada?


E o pesadelo continua. Na próxima semana há mais!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Falta de jeito e azar

Rui Rio: O homem que espera pela sua vez - Domingo - Correio da Manhã


 


Há gente com jeito para tudo, e como eu os invejo. Que tem jeito para a música, que dá umas pinceladas com propósito e graça, para quem não há Adamastor de bricolage que custe a dobrar. E ainda por cima bem disposta e de piada fácil. 


Não são muitos, mas ainda assim tantos que cada um de nós, nas nossas relações, é capaz de fazer uma listazinha com, pelo menos, meia dúzia de nomes.


Não sei se Rui Rio pinta alguma coisa de jeito, nem sei nada da sua vocação para trabalhos manuais. Mas parece que se julga com jeito para o humor. Tanto que acha que deve fazer da piada a sua afirmação política, ao ponto de pretender fazer dela o trampolim para outra coisa para que também não tem grande jeito para fazer - política!


Depois sai isto - cada tiro, cada melro!


Acabou por demonstrar ignorar o que é, e como funciona, o voto antecipado. E por lançar para a campanha, logo no primeiro dia, um tema que não tem nada de assunto, quando há tantos assuntos para tratar. Quando viu o ridículo emendou. E, como é também frequente, a emenda saiu-lhe pior:: Quem quiser levar isto muito a sério, que não vote em mim, vote naqueles que levem muito a sério !


Só porque acha que tem jeito para a piada, Rui Rio, que quer ser sério, e fazer disso a sua vantagem comparativa, queixa-se de o levarem a sério. E acaba a aconselhar quem o levar a sério a não votar nele!


Temos de reconhecer que Rui Rio não só não tem muito jeito para isto como ainda tem azar. É que até tem jeito para a bateria, mas na política a música é mais para violino!

domingo, 16 de janeiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Foi uma maratona, das grandes. Durou até alta madrugada e ganharam todos, como é costume: ganhou o governo porque dialoga e negoceia - imagem de que, nesta altura do campeonato, precisa tanto como de pão para a boca -; ganhou a UGT porque ganhou a meia hora e sempre lá vai dizendo que, sem a sua intervenção, ter-se-ia regressado ao tempo da escravatura; ganharam todas as Confederações Patronais, porque são elas próprias a dizer que ganhamos todos (e eu que sempre pensara que isso não existia, que quando uns ganham outros têm de perder); e até ganhou a CGTP, que abandonando aquilo logo à partida, ganhou em tempo e descanso. E, de fora, pode sempre continuar a dizer que o acordo é um regresso ao feudalismo e que a luta continua… e tal.


Não tenho dúvida nenhuma que a concertação e o diálogo social são instrumentos essenciais da democracia. Nenhuma dúvida a esse respeito!


Mais que as minhas dúvidas, as minhas preocupações surgem quando se começa a perceber que também estes instrumentos, a exemplo de tantos outros, contribuem decisivamente para o faz de conta. Já só praticamente se faz de conta…


Ontem falava aqui da integração das pontes nas férias, dessa falsa questão que empregados e empregadores há muito tinham resolvido em sede da verdadeira concertação social que se faz diariamente na gestão das empresas. Hoje pegaria noutra grande medida: a penalização das faltas – dois dias de salário – não justificadas em pontes ou junto ao fim de semana!


Olhando para a importância atribuída a esta medida só podemos concluir que Portugal tem um problema gravíssimo de absentismo. Reparando na distinção, concluiríamos que haverá gente que falta ao trabalho para prolongar feriados e fins-de-semana. Em princípio gente mais abastada, porque prolongar estes períodos de descanso para ficar em casa não é muito compreensível.


Que o absentismo é um factor de bloqueamento da competitividade não há dúvida nenhuma. Que o país já passou por esse problema, também não. Que, nesta altura, esse seja um problema sério da nossa economia é que não. E que seja uma prática dos trabalhadores mais bem pagos e, por consequência, dos de maiores níveis de responsabildiade, não faz sentido. De todo!


E já vão duas. Duas medidas de papel, a realidade já lá não está!


Mas pronto: faz-se de conta que estes é que são os problemas da nossa competitividade. Faz-se de conta que se resolvem. E faz-se de conta que as reformas estruturais que o país não pode mais adiar são as que têm a ver com o factor trabalho: reforme-se a legislação laboral que ficam resolvidos os problemas da concorrência, da justiça, da energia, da fiscalidade, do crédito, do licenciamento, da regulação, da burocracia, da corrupção…


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Continua a decorrer a reunião de concertação social para discutir as medidas de competitividade que nos ajudarão a sair deste buraco onde estamos metidos. Lá está a nata nacional – responsáveis máximos de patrões e trabalhadores e os principais ministros do governo, os superministros – a discutir os grandes problemas que afectam a economia nacional e bloqueiam o nosso futuro.


Como, por exemplo, a inclusão das pontes no calendário de férias! Como se essa não fosse uma prática antiga e mais do que instalada no sector privado da economia, perfeitamente aceite e percebida pelos trabalhadores. Em trinta e muitos anos de actividade profissional à frente de empresas privadas, não encontrei uma única onde o calendário de pontes não fosse estabelecido com o orçamento anual e tido em consideração na programação das férias, sempre com o acordo dos trabalhadores. Contra a lei? Talvez, mas a favor de empresas e trabalhadores, verdadeiramente concertados!


As nossas elites – a nata – andam distraídas. Ou são loiras! Com tantos e tão sérios problemas para resolver, a nata discute um problema que não existe e faz disso a coisa mais importante deste mundo!  


Acordem meus senhores: esse problema não existe. Álvaro, isso é como os pastéis de nata, já está! Já toda a gente faz isso, como já toda a gente come natas por esse mundo fora.


Devia ser de outra maneira? Deveria, mas quando a nata é assim…

sábado, 15 de janeiro de 2022

Em estado de emergência


 


Poderá sempre dizer-se que há jogos assim em todos os campeonatos. O Benfica teve pelo menos dez oportunidades claras de marcar, entre as quais duas bolas nos ferros, uma na barra e outra no poste. E marcou apenas um golo, por acaso numa jogada fortuita, e afortunada. Um golo até algo caricato. E sofreu outro, num auto-golo, na sequência de um lance ilegal, que ainda se está por perceber como o VAR validou.


O problema é que o Benfica já não tinha campeonato para jogos assim. E quando já não há campeonato para jogos assim, simplesmente não pode haver jogos assim!


Percebeu-se desde o início que este jogo com o Moreirense ia complicar-se. A equipa do Benfica entrou como teria entrado há algumas semanas, ou a alguns meses. Depois das indicações deixadas no último jogo, com o Paços, que apontavam para um futebol noutra direcção, e com outro rumo, a equipa voltou para trás. Na primeira metade da primeira parte não jogou nada. Absolutamente nada. Com um único remate, o de Rafa, à barra, ia o jogo já com 20 minutos. Nesse período o Moreirense, só a defender, fez quatro!


O futebol do Benfica resumiu-se a cruzamentos sem nexo. Sem qualquer critério e bombeados para a área contrária, com dois jogadores  do Benfica asfixiados por oito ou nove adversários, sempre de frente para a bola. Nunca chegou à linha de fundo, nunca rematou de fora da área, nunca conseguiu uma transição rápida. A bola nunca chegou aos pontas de lança - Seferovic e Darwin - e por isso nunca puderam fazer um remate, que fosse. À excepção de uma espécie de remate de cabeça de Seferovic, já perto do final da primeira parte.


Mesmo assim o Benfica acabou a primeira parte com quatro remates. Todos de golo. Todos que apenas por centímetros não acertaram na baliza, com o guarda-redes - que em todo o jogo fez apenas três defesas - batido. 


Pode até parecer que a segunda parte foi diferente. Mas não foi muito diferente. E não foi diferente a qualidade global da equipa. 


Já não houve tanto daqueles cruzamentos disparatados, em que Gilberto foi rei. Por uma ou outra vez a bola chegou à linha de fundo. A equipa rematou mais, mesmo que apenas quatro remates tenham sido enquadrados com a baliza. E criou mais seis ou sete ocasiões de golo. Mas veio ao de cima o que a equipa não tem. 


O Moreirense passou o jogo todo com 11 jogadores dentro da área. E entretido nas mais diversas práticas de anti-jogo, sempre com a complacência do árbitro - Rui Costa. Do Porto, como não pode deixar de ser com este Benfica. Ainda assim conseguiu arranjar tempo e forma de trocar a bola, e sair a jogar. E cada vez que passava do meio campo - o que acontecia para aí de 15 em 15 minutos - a defesa do Benfica deixava-nos à beira de um ataque cardíaco. Era uma aflição. Numa dessas aflições, um quarto de hora depois do recomeço, Gilberto marcou na própria baliza, em boa verdade a meias com Otamendi (a ilegalidade do lance não altera em nada a aflição). 


Ora isto só tem a ver com o que a equipa não teve hoje, nem tem há muito, sem o que se não ganham campeonatos. A equipa não pressiona o adversário. Às vezes imita essa pressão, mas não passa de uma imitação. Nunca consegue abafar o adversário. Não tem intensidade para isso. Não tem força mental para fazer isso. Não se sabe posicionar de forma a manietar o adversário, a impedir-lhe que troque a bola.e que surja com ela dominada em frente aos defesas.


Depois, vem a arbitragem. A de hoje, como a de praticamente sempre. E isso tem a ver com o estado a que chegou o Benfica. Acossado por todos os lados, perdeu a respeitabilidade. Nunca foi tão fácil faltar ao respeito ao Benfica!


Hoje a arbitragem voltou a ser parte activa do resultado. O golo do Morerirense - o auto-golo do desastrado Gilberto - tinha ser invalidado. Desde logo pelo árbitro assistente e, em última análise, pelo VAR. Há dois jogadores do Moreirense em claríssimo fora de jogo. Um deles disputou a bola com Otamendi, que despois a chuta contra Gilberto, antes de se encaminhar para a baliza. Há um lance, pelo menos esse, sobre o Grimaldo, em cima do intervalo, que teria de levar à exibição do cartão vermelho ao jogador do Moreirense. Permitiu todo o anti-jogo que os jogadores do Moreirense quiseram fazer, simulando lesões (depois de rebolarem e serem assistidos até piscavam o olho), assinalando faltas cada vez que se mandavam para o chão. Uma dessas vezes coube a Steven Vitória, na sua grande área, com a bola a seguir para Gonçalo Ramos, que a introduziu  na baliza. Rui Costa - o árbitro - apitou antes dela entrar, quando as regras mandam seguir o lance para, se acabar em golo, ser avaliado pelo VAR (sabemos que, da forma que as coisas estão, não daria em nada de diferente). E, no fim, com 10 substituições - em que as cinco dos jogadores de Sá Pinto tiveram todas prolongadas festas de despedida - e com outras tantas, ou mais, interrupções para o festival de simulações do Moreirense, compensou com 6 minutos.


Hoje, três dias depois, a entrevista do nosso Rui Costa morreu. Nada é possível construir em cima das ruínas que hoje sobram do Benfica. Sem jogadores, sem estrutura técnica e sem liderança não há projecto. Hoje, no Benfica, só há emergência. Também a conferência de imprensa de Nelson Veríssimo ajudou a confirmar isso mesmo. Na parte que lhe toca, que é pouca evidentemente. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Longe vão os tempos em que qualquer sítio era bom para jogar à bola. Jogava-se na rua, nas calçadas mais íngremes, no empedrado dos largos das igrejas, numas nesgas de terreno roubados ao mato… Sem qualquer preocupação com a inclinação, com os buracos, com as pedras, com os rasgões – nas calças ou nos joelhos – e, muito menos, com o árbitro. Que pura e simplesmente não era para ali chamado!


Hoje já não há disso. O chamado futebol de rua acabou, e não há autarquia que não tenha para oferecer aos seus munícipes uns quantos campos relvados, mais uns tantos sintéticos e ainda o seu polidesportivo. Sim, que nisso em auto-estradas, ninguém nos leva a palma!


Hoje só se joga à bola a sério e em belíssimos tapetes verdes. Direitinhos, sem buracos nem desníveis … E no entanto muitas vezes mais inclinados que a mais inclinada calçada das nossas terras. Mais inclinados que os acessos aos castelos das nossas vilas e cidades!


Por erro de engenharia ou de topografia? Não, apenas porque há forças que se encarregam de empurrar o jogo num certo lado do campo. Não são forças ocultas, mas são forças de bloqueio: bloqueiam um lado para desbloquear o outro!


É o árbitro – a equipa de arbitragem, para ser mais rigoroso – que dispõe dessa força. Que consegue empurrar uma equipa e mantê-la lá atrás. Lá em baixo! Com grande dificuldade em subir, enquanto a equipa adversária apenas tem que descer e cair-lhe em cima. E, como sabemos, a descer todos os anjos ajudam!


O processo de inclinação do campo é de fácil execução. Começa frequentemente pela expulsão de um jogador e passa, depois, por descobrir umas faltas sempre que a equipa pretenda sair em transição ofensiva. Uns foras de jogo milimétricos também dão jeito. Ajuda, ainda, o recurso ao cartão amarelo e a marcação de uma falta ao mínimo sopro, sempre bem perto da grande área, lá ao fundo.


Não deixa de ser curioso que um dos mais inclinados campos da actualidade seja também o mais verde. Um tapete verde como poucos! Um verde intenso, tão intenso que deixa verde tudo o que por lá passa. Não importa com que cor se lá entre, o certo é que de lá se sai verde!


As botas dos jogadores ficavam verdes. As luvas do guarda-redes, os calções e as camisolas pareciam pinturas alusivas à Primavera, tanto era o verde. Um verde que sujava e que não poderia, por isso, ser obra dos verdes. Dos ecologistas.


Era certamente obra de outros verdes, subitamente dados às artes. De repente apresentavam uma nova tendência, uma variante artística de recuperação da arte rupestre: as pinturas de paredes de nova geração! Uma variante pós-moderna, que recupera para os murais, depois dos motivos políticos do PREC, que atingem o auge na escola MRPP, e dos de protesto da nova vaga dos indignados, a recuperação da temática da caça e da guerra da primitiva arte rupestre!


O entusiasmo foi tal que das paredes passaram para a areia. Não para a variante da escultura, com obras de arte a encherem as nossas praias durante todo o Verão, mas ainda na disciplina da pintura. Pintar a areia era, agora, o último grito da pintura contemporânea!


Um regalo para a vista: onde antes víamos um rectângulo de areia salpicado por uns pequenos canteiros de relva mal semeada, vemos agora um lindo tapete verde que, visto pela televisão, em nada se distingue dos bem cuidados tapetes verdes dos grandes estádios, como o da Luz, sempre tido por referência, como se sabe.


Finalmente, depois de sete anos e outras tantas substituições do relvado, aí estava a solução. Mais que uma solução: uma saída artística que permitiu ainda aperfeiçoar a natural inclinação do campo, que tanto trabalho dera a construir!


Pena que os resultados não acompanhem tamanha inspiração artística. Mas não se pode ter tudo. Não se pode ter artistas plásticos a destilar talento pelas paredes dos balneários e pela areia do campo, talentosos cientistas da basculação hidráulica a queimar neurónios no desenvolvimento das melhores técnicas de inclinação e, ao mesmo tempo, jogadores talentosos, capazes de encher de magia, de classe, de golos e de glória aquele monte de areia de verde pintado!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Debates - o jogo grande


 


Chegou ao fim o campeonato,. Fechou com jogo grande, o clássico PS - PSD.


Este era o jogo grande do campeonato. O decisivo, mesmo que provavelmente decida pouco. Foi tudo em grande, e durante o dia não se falou de outra coisa. Foi um dia inteiro de pré-match. Foi grande mo tempo - os jogos não têm todos a mesma duração. Este teve o quádruplo do tempo dos outros. Passou em directo nas televisões todas. E por tudo isso até teve três equipas de arbitragem.


Tudo isto é capaz de dizer alguma coisa sobre a competição. Um campeonato em que os grandes não têm só os benefícios da arbitragem, são também favorecidos pela Organização.


Mas pronto, é a vida. Os grandes são sempre maiores!


António Costa entrava em campo com o élan das sondagens, donde vinha justamente de um dia bom. O que, pelo que se sabe, não era mau para Rui Rio. Se precisa de estar picado, hoje elas picaram-no. E bem, ao ver o PS a alargar a diferença, que até aqui tinha vindo a ser encurtada nas últimas semanas, para a maior distância até à data.


O tempo de jogo, o quádruplo de todos os restantes, também jogava a seu favor. António Costa assenta o seu jogo no rigor táctico e na concentração competitiva. E na vertigem. Isso favorece-o nos jogos mais curtos, mas penaliza-o nos muito longos. Rui Rio é mais a gasóleo, precisa de tempo para embalar. Depois de embalado solta-se.. E liberta o seu jogo solto, muitas vezes até anárquico. Sem a exigência dos rigores tácticos, sempre de grande desgaste mental, o tempo de jogo não lhe pesa. 


Por isso Rui Rio chegou ao fim do jogo em condições de desferir o golpe final. Fê-lo mesmo no fim do jogo, em cima do minuto 90, quando Rio levantou voo com a TAP.  Não se sabe se apanhou o avião em Madrid se em Lisboa, mas ganhou aí o jogo, nesse lance fulgurante da sua última jogada de ataque. Foi uma jogada estudada, bem treinada durante a semana, e que resultou em cheio. António Costa ainda tinha tempo para repor a igualdade, mas acusou o golpe, e não foi capaz de reagir.


Não foi um grande espectáculo. Os jogos grandes raramente o são. Está muita coisa em jogo para se preocuparem com o espectáculo. Mas foi muito disputado, intenso e sempre competitivo. E equilibrado, até àqueles últimos minutos que Rui Rio tinha guardado para o  golpe final!


Na flash interview, no fim do jogo, António Costa reconheceu que o adversário foi superior. Quando utilizou esse espaço para o jogo falado para, como nunca tinha feiro, falar - em gíria política diria dramatizar - em maioria absoluta, Costa reconheceu que neste jogo não tinha somado pontos às sondagens. Já Rui Rio aproveitou esse espaço para continuar a jogar, como se fosse uma espécie de tempo extra. E a acentuar a sua superioridade no jogo, como se não tivesse terminado, cortando pela base o jogo falado de Costa. Que foi bem pior que o que tinha jogado no tempo regulamentar!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 




Pedro Passos Coelho veio defender as nomeações para a Águas de Portugal (AdP), com justificações muito difíceis de engolir. Afinal, diz ele, a empresa tem um problema muito sério para resolver com as autarquias, que só autarcas poderão resolver. Autarcas devedores, acrescentaria eu! E em fim de mandato!


Ficar-lhe-ia melhor completar o perfil do administrador modelo para a Águas de Portugal: autarca, do PSD ou do CDS - por facilidade de ligação ao governo, imprescindível em razão da privatização que aí vem – com experiência em calotes à empresa, condição determinante para resolver o problema muito sério da empresa e, face á lei, impossibilitado de qualquer candidatura a novo mandato autárquico. Para combater o desemprego!


Fica muito difícil engolir tanta coisa. Faz-se um esforço, mas isto fica atravessado na glote, e daí para baixo não passa …


Mas o que dá mesmo vómitos são as declarações de Paulo Portas, para quem as críticas à quota do seu partido na administração da AdP têm a ver com xenofobia contra o Norte. Nem o pior de Pinto da Costa!


Um nojo: estão a ficar todos cada vez mais parecidos com o abominável Sócrates...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Debates - um cheirinho a Rúben Amorim


 


Ontem foi dia de um jogo só. Também para a Taça, mas agora o que conta é este campeonato.


PS e Bloco protagonizaram o único jogo do dia, que se previa quentinho. E foi!


Ambos jogaram ao ataque, mas sempre com muitas cautelas. Visíveis no jogo de António Costa, bem menos mandado para a frente que no jogo com Jerónimo de Sousa, agora fora do campeonato (na verdade, o seu, já era um mini-campeonato) para uma intervenção cirúrgica de urgência às carótidas. E, no de Catarina Martins, a travar ímpetos expostos em jogos anteriores, e a ter de contornar uns "obstáculos".


António Costa, naquele seu jeito meio trapalhão de conduzir a bola - "vamos lá ver": a comer palavras como quem come metros de relva em posse- -, foi procurando empurrar a adversária para ... a esquerda, tentando destapar-lhe um flanco radical que lhe permitisse entrar pelos seus territórios menos protegida, que basculam de eleição para eleição. Um espaço num território de "500 mil votos" que poderá ficar "livre". 


Catarina Martins, com um jogo mais directo, sem grandes trocas de bola, tentou manter António Costa lá atrás, destapando-lhe alguma inconsistência. Manteve o jogo directo sem nunca o deixar partir, e esse talvez tenha sido o seu maior mérito. Mas isso teve um preço. As cautelas para evitar que o jogo partisse limitaram-lhe a eficácia no contra-ataque, acabando por nunca o explorar após cada uma das sucessivas jogadas de ataque de Costa construídas a partir do chumbo do orçamento. E foi aí que saiu mais penalizada. 


As jogadas de construção, de ataque continuado, de Costa obedecem sempre à matriz do chumbo do orçamento. E a verdade é que, de tão treinadas, e de tão sistematizadas na matriz do seu jogo, resultam. É um pouco parecido com o Sporting de Rúben Amorim - os adversários sabem que joga sempre assim, mas nunca acertam no antídoto.


Catarina Martins seria até quem tinha mais antídotos - a recuperação de algumas pensões penalizadas versus a sustentabilidade da Segurança Social, e as cativações orçamentais, eram os mais fortes - mas, ao não conseguir aplicá-los com eficácia, acabou colhida pelo rolo-compressor do chumbo do orçamento.


E, de um jogo que teve muito mais "fel" do que "mel", ficou a certeza que muito dificilmente estes jogadores voltarão a partilhar o balneário!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Hoje o país mudou! Não, não tem nada a ver com o apagão televisivo, nem com as fabulosas oportunidades que a TDT lhe traz.


O país mudou – hoje mesmo – porque, finalmente encontrou um desígnio. O ministro Álvaro – temos que começar a pensar na estátua – sentenciou hoje que acabou o tempo de todos os falhanços na afirmação externa de Portugal: “meus amigos e minhas amigas, esse tempo acabou! E, sem perder tempo, decretou as exportações como desígnio nacional!


Andamos há séculos à nora, por aqui perdidos sem saber o que fazer para dar a volta a esta triste sina, mas eis que, vindo do cinzento e frio Canadá – e nós a pensarmos que, a chegar um dia, viria daqui do quente e luminoso norte de África – nos chega D. Sebastião em versão século XXI, visionário, de vistas largas e rasgadas sobre o mundo!


Perguntar-me-ão: mas se o homem já cá está há seis meses, por que é que andou tanto tempo escondido, sem dizer ao que vinha? Por que é não disse logo quem era? Pelo menos sempre pouparia, a nós, alguns meses de angústia e, a ele próprio, algumas das cenas de bullying de que, injustamente, tem sido vítima. Porque, ninguém tem dúvidas, o Álvaro tem sido o menino mais martirizado da turma…


São pertinentes, essas questões. Mas eu explico: o homem é um visionário mas não é mágico. Não podia chegar cá e… já está! Não, ele precisou destes seis meses de duro e rigoroso trabalho, todos os dias, sem feriados e com bem mais que a tal meia hora – com certeza que se lembram que, quando toda a gente o dava por desaparecido, quando, diziam, não havia ministro da economia ou estaria em parte incerta, ele surgiu a explicar que estava a trabalhar – para que surgisse o clique. E esse surgiu quando, após meses de trabalho árduo e intenso, descobriu o pastel de nata! As natas, na linguagem do Álvaro…


Se é isto a nata que temos…

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...