sábado, 30 de abril de 2016

Conta gotas entupido

Expresso


Mais um sábado, mais uma edição do Expresso nas bancas, mais novidades a conta gotas do Panama Papers... Podia ser assim, começou a parecer que assim seria...


Mas nem assim é. É ainda pior. E depois de um arranque em modo comendadores de Cavaco, e dos anúncios bombásticos de "listas de várias páginas", com "mais de uma centena de nomes" que “incluem várias pessoas influentes”, “políticos, autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas”, nada!


Tudo contimua à volta do saco azul do BES. Dali não sai. Mesmo que de volta esteja mais um comendador de Cavaco, mesmo que Alexandre Relvas seja bem mais que isso. E mesmo que no fundo nem tenham - ele e o seu sócio Boutom - grande coisa a ver com a coisa.


De políticos e jornalistas ... nada. É pouco sério. E pouco ético. E é curioso que só o Miguel Sousa Tavares tenha reagido... 


 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Isto não está a ser fácil...


 


Já ninguém tem dúvidas. Isto não está a ser fácil. Nem vai ser fácil... A equipa está longe da forma de há bem pouco tempo e, à excepção do guarda-redes - do fantástico Ederson - e dos dois centrais, todos os outros jogadores estão bem abaixo do seu melhor. Por cansaço, evidentemente que sim. A exigência física e mental tem sido imensa, e equipa está eprimida, já deu tudo... E não foi pouco, como toda a gente sabe!


E depois há o outro lado. Os adversários aproveitam os jogos com o Benfica para correr como nunca correm. Fazem desses os jogos das suas vidas... 


O Vitória de Guimarães, hoje, não foi diferente. Os jogadores correram como nunca, bateram-se (e bateram) como nunca e, enquanto não sofreram o golo, mandaram-se para o chão como nunca. E como todos os que têm sido os adversários do Benfica nos últimos jogos ...


A primeira parte foi exactamente assim: os jogadores da equipa de Guimarães passaram mais tempo no chão que de pé. E quando não estavam no chão a sua principal preocupação era deixar lá os do Benfica, sempre com a complacência do árbitro, devidamente pressionado durante a semana, como é hábito.


A segunda foi substancialmente diferente, porque o Benfica chegou ao golo logo no primeiro minuto. Golo que fez bem ... ao Vitória. Pelo menos à saúde dos seus jogadores, que não mais precisaram de assistência médica. E como tinham descansado muito, deitados no chão, durante toda a primeira parte, estavam frescos para continuar a fazer daquele o jogo das suas vidas. Não estou nada convencido que, jogando daquela maneira, o Vitória fosse já em onze jogos consecutivos sem ganhar...


 Criaram duas ocasiões, melhor, aproveitaram dois erros, um de Renato Sanches e outro de Jardel (também os tem, às vezes acontece), para as suas duas oportunidades de golo. Contra três ou quatro do Benfica, uma delas num remate á barra do Raúl Jimenez. Que brilhou ainda num espectacular remate de letra em cima da linha final, que o guarda redes minhoto desviou, sem que o árbitro visse.


Mas não deixa de ser curioso que, entre os dois jovens e excelentes guarda-redes, quem mais tenha brihado tenha sido o do Benfica. Que começa já a ter um lugar especial na conquista do título, se vier a ser o caso...


Ah... Já me esquecia: o Sérgio Conceição é um artista. Mas já toda a gente sabia disso...


 

O fundo


 GERARDO SANTOS/GLOBAL IMAGENS


 


Não sei se os partidos também batem no fundo, porque não sei se têm fundo. Sei que têm fundos (às vezes não têm, mas tudo se resolve), mas não sei têm fundo. Nem bom, nem mau, porque, no fundo, são sempre as pessoas que lhe dão o fundo. Bom ou mau.


Quando Maria Luís Albuquerque se chega á frente para tomar conta do PSD está, no fundo, a dar um bom exemplo de tudo isto. Que parece confuso, mas, no fundo, não é. É bem simples: é o PSD a bater no fundo!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Mudar as regras à medida das conveniências

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O governador do Banco de Portugal veio ontem dizer que tem de se encontrar outro índice de referência para as taxas de juro do crédito à habitação. Isto porque, com a(s) euribor(es) negativa(s), os agressivos spreads com que os bancos disputavam negócio há uns anos atrás começam a ser comidos e, em muitos casos, começam aritmeticamente a resultar em taxas negativas. E alguns, e de forma oficial - chamemos-lhe assim - o PC e o Bloco, reclamam que seja dada expressão prática e efectiva a esse resultado: que os bancos passem, agora, a pagar eles próprios (não seria devolver, obviamente, tratar-se-ia de abater ao capital em dívida o valor negativo dos juros) juros aos seus clientes.


Evidentemente que o bom senso aponta o dedo a este anacronismo. Evidentemente que se percebe que nem os bancos estão em condições de fazer isso, nem o próprio sistema resistiria muito tempo a essas condições. Tudo isto é verdade. Tão verdade como é verdade os bancos terem à sua disposição mecanismos para contornar o problema: basta-lhes - e muitos fazem-no - introduzirem nos respectivos contratos uma cláusula de impedimento. Ou até de fixação de uma taxa mínima.


Quando as taxas de juro subiam e deixavam muitas famílias em dificuldades, ninguém se preocupou. Pior: era lançado o anátema e a culpa sobre as pessoas. Coisas dos portugueses... Que não faziam contas, que queriam ter uma casa sem cuidar de saber se a poderiam ter. Nunca a culpa foi dos bancos, nem da publicidade agressiva que faziam ao crédito, nem do assédio aos clientes por todos os balcões do país. 


Quando o bico do prego se vira, mudam-se as regras. 


É certo que temos que colocar alguma contenção na nossa justificada indignação contra  bancos e banqueiros. O que grande parte deles fez ao país não pode ser esquecido, nem tem desculpa. Mas não podemos aceitar que o Banco de Portugal, o árbitro, venha mudar as regras durante o jogo.


Mas... Pronto: é mais uma pérola de Carlos Costa!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Com, ou sem número de contribuinte?

 


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No dia em que na Assembleia da República se discute, mas não vota - o que é bom para o (bom) funcionamento da dita geringonça -, o Programa de Estabilibilidade (não sei se ainda se pode chamar de crescimento, se nunca dá para crescer) para Bruxelas ver - e que bem se poderia chamar, com sotaque, para ter mais estilo, "vá... me engana, que eu gosto" -, volta a falar-se da legalização da prostituição.


Não, não é o Bloco. Desta vez é a JS, que há muito se não via por estas paragens. Quem faz trabalho sexual tem de ter direito a protecção social e a reforma, defende - e bem - o deputado João Torres, Secretário Geral da Juventude Socialista. Acredito até que, legalizada, passe a ser uma actividade pouco dada à evasão fiscal, dispensando assim os governos de medidas como as que implementou sobre os cabeleireiros e as oficinas de automóveis. A curiosidade fica para a resposta à sacramental pergunta: "com, ou sem número de contribuinte?"


 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Constrangimentos? Era o que faltava!


 


A política brasileira não pára nem para intervalo. O novo ministro do Turismo (empossado na sexta-feira passada) e a mulher decidiram-se por uma sessão fotográfica no gabinete ministerial. E decidiram - a senhora quis partilhar o seu "primeiro dia como primeira dama do ministério do turismo do Brasil" - dar-se a conhecer ao mundo.  Que não perdia nada por não conhecer o embevecido ministro e a sua voluptuosa esposa. Como se vê pela foto, já bem mais famosa pelo seu bumbum, que o ministro pela sua patetice...


Não defraudemos as expectaivas deste dois. Vamos lá dar uma espreitadela...


 


 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma no cravo...

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Nem tanta mudança de ciclo, nem tanto tempo novo, foram capazes de devolver um cravo à lapela do Presidente da República... Deram para o regresso dos mlitares de Abril à Assembleia da República, mas não deram para o regresso desse cravo há tanto desaparecido...

"Esqueceram certamente uma semente nalgum canto do jardim"...


 


E de repente, onde nada acontecia, tudo aconteceu. Onde nada podia acontecer, tudo era era possível acontecer... Onde, em cada esquina um bufo, em cada esquina um amigo. Em cada rosto amedrontado, igualdade


terra da fraternidade inundou-se de utopia e dela saíram cravos. Viçosos e vermelhos que juravam ter por por companheira a vontade de gente finalmente livre. Como uma gaivota que voava, voava...


Foi bonita a festa, pá!


Esqueceram certamente uma semente nalgum canto do jardim...


 


 

domingo, 24 de abril de 2016

Decisivo? Decisivo é o próximo!


 


Era mais ou menos consensual que o  jogo de hoje, em Vila do Conde, era decisivo para as contas do campeonato. Ganhando-o, como aonteceu, o Benfica não deixaria fugir o título desta época: o tri, que foge há 40 anos. O 35!


Lembro-me - lembramo-nos todos os benfiquistas - que há três atrás também se passou qualquer coisa semelhante. Então na Madeira, no jogo com o Marítimo. Como hoje, o Benfica ganhou. Como hoje, ficavam a faltar três jogos: dois em casa e um fora, como hoje. No jogo seguinte, na Luz, o Estoril, com um empate, estragou a festa. O resto da história já se conhece...


Começo por aqui exactamente para dizer que este jogo de hoje era tão decisivo como será o próximo. Era o mais importante porque era o próximo. Agora é o próximo, na sexta-feira, na Luz, com o Vitória de Guimarães!


Se o Benfica tinha - e queria - ganhar este jogo, o Rio Ave não queria mais que empatá-lo. Desde cedo se percebeu isso. Mesmo sendo dada como uma das equipas que melhor futebol pratica neste campeonato, o Rio Ave não fez nada de muito diferente do que têm feito os últimos adversários do Benfica: só defendeu... e queimou tempo. É certo que não defendeu como os dois últimos (Académica e Vitória de Setúbal), com dez jogadores à frente do guarda-redes. Tem outros argumentos, e conseguiu na maior parte do tempo defender um pouco mais á frente. Também não foi tão exuberante a queimar tempo, mas fez bem a sua parte....


O Benfica, que queria e tinha de ganhar o jogo, não foi mais competente - tem de dizer-se - que o Rio Ave na perseguição aos seus objectivos para o jogo. Entrou logo com uma grande oportunidade, mas depois, até ao fim da primeira parte, só conseguiu criar mais outra. Com pouca velocidade, com Renato Sanches e Pizzi longe do que têm feito, e com a bola a sair das alas sempre bem antes de chegar à linha final, o Benfica não conseguia desiquilibrar a certinha equipa do Pedro Martins.  


Na segunda tudo foi diferente. Ao conseguir meter mais velocidade - e com a subida de rendimento do Renato - o Benfica encostou o Rio Ave lá atrás. Que passou a defender com toda a gente em cima da área e, como sempre que assim é acontece, os erros começaram a aparecer. E as oportunidades de golo, umas atrás das outras... Até ao golo, na menos construída das muitas oportunidades. E no maior de todos os erros da equipa que não os cometia...


Porque é assim que se ganham os jogos: indo para cima do adversário, envolvendo-o, obrigando os jogadores adversários a sair das suas posições, a correr atrás da bola, a perder a concentração. Os decisivos e os outros!


É isso que a equipa tem de continuar a fazer nos três (já agora, nos cinco, porque a Taça da Liga também conta) jogos que faltam. O resto é com os adeptos, que continuam a encher todos os campos por onde o Benfica passa. E a Luz, como voltará a acontecer já na sexta-feira.


   

sábado, 23 de abril de 2016

Novos nomes no conta-gotas

 


Expresso


 


E pronto. Já ninguém liga nada aos nomes do "Panama Papers"... Nem o Expresso. O conta-gotas pode não entupir, mas as gotas já passam despercebidas...

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Um mau ano

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Este 2016 parece apostado em não querer nada com as maiores estrelas da música... Agora foi a vez do mais diferente de todos. E, se calhar, também do mais talentoso de todos...


Este é um mau ano.

Assustador

 


Deputados da oposição comemoram aprovação do processo de impeachment da Câmara.


 


Dilma vai aos Estados Unidos discursar na ONU e deixa a presidência entregue ao traidor-mor, o vice Michel Temer, antecipando - imagine-se - aquilo que está prestes a acontecer. Mas tudo aponta para que, ao impeachement de Dilma, se suceda o próprio impeachment de Temer. Não pelas acusações de corrupção que sobre ele pesam, mas porque a figura central de todo este processo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha - o mais acusado dos acusados de corrupção, e com o seu processo na Comissão de Ética guardado numa gaveta do congelador - ou da geleira, como por lá lhe chamam - já ameaçou fazê-lo. A não ser que Temer se comprometa a protegê-lo...


É isto a política no Brasil. Isto e aquilo que se viu naquele pavoroso desfile de deputados que esconderam a sua insignificância atrás de um voto de raiva e ódio, invocando Deus, filhos, netos e primos, versículos bíblicos aprendidos nas igrejas do dízimo, ou circunstâncias das suas regiões, cidades, sindicatos ou corporações. E até a "memória do coronel Brilhante Ustra", um dos maiores torturadores da ditadura militar, o pavor de Dilma Rousseff, a quem teria chegado a introduzir ratos na vagina... E, no país do futebol, sempre ao pontapé. A mesas, cadeiras ... tudo. Mas acima de tudo na gramática. Não na bola.


 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Bad news

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Quem segue a campanha para a nomeação dos candidatos às presidenciais americanas, e se preocupa com estas coisas da democracia, aguardava o dia de ontem em Nova Iorque com grande expectativa. De New York esperamos sempre tudo, esperamos sempre que nos dê o melhor que podemos esperar. No fundo, de New York, esperamos sempre que supere as nossas mais altas expectativas. Por isso é mítica...


Mas este New York não é a nossa New York: o Estado não é a Cidade que nos esmaga o imaginário. E confirmou a tendência de outras paragens que perderam a capacidade de nos surpreender, confirmando Trump - com 70% dos votos - e Hillary Clinton - com 60% - matando de vez a esperança que os americanos conseguissem encontrar um digno sucessor de Obama. E também um sucessor digno de Obama...


Depois da miséria brasileira que vimos entrar porta dentro, esta a não é uma boa notícia para a democracia "all over the world". Escolher entre um louco extremista reacionário e o pior do stablishment político é, agora, a opção que resta aos americanos.

terça-feira, 19 de abril de 2016

A reversão da reversão

                                           Correio Da ManhãJornal De Notícias


 


Concluída a reversão das medidas do anterior governo, segue-se a reversão das actuais. A reversão da reversão, porque é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma: "Bruxelas força corte das reformas". "Bruxelas quer travar corte do salário mínimo".


Volta o tal corte dos 600 milhões nas pensões, velho e famoso... E a comissão explica que o aumento do salário mínimo impede que baixe o desemprego de longa duração...


Nada que surpreenda, sabendo-se o que a casa gasta. Muita gente estava á espera disto. Alguns apostaram apenas nisto... Têm-lhe chamado plano B!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Há coisas inexplicáveis


 


 


Há coisas inexplicáveis, que ultrapassam qualquer capacidade de entendimento.


Percebe-se que, às vezes, os jogadores entrem a dormir. Percebe-se que às vezes tenham alguma difculdade em perceber que o jogo começa logo que o árbitro apita. E que também só acaba ao último apito. 


Percebemos que os jogadores do Benfica tivessem entrado a dormir, e sofrido um golo na bola de saída, aos 10 segundos. E percebemos como esse golo serviu de despertador. Como os jogadores acordaram e partiram para meia hora de sonho, mas bem acordados. A alta velocidade e numa pressão asfixiante sobre o adversário, com as oportunidades de golo a sucederem-se a um ritmo alucinante. Mas tanto volume e tanta qualidade de jogo, e tanta oportunidade só deu dois golos: aos 20 e aos 24 minutos. 


O que não percebemos é que, consumada a reviravolta, feito o segundo golo, a equipa tenha começado a desligar-se do jogo. Os últimos 10 minutos da primeira parte já foram uma chatice. Mas nada que fizesse esperar o que estava para vir...


Com o arranque da segunda parte os jogadores começaram a desaparecer. Um a um, todos foram desaparecendo e à passagem da hora de jogo já só lá andavam as camisolas, como que transportadas por fantasmas apostados em assombrar a noite da chuvosa da Luz. Valha que o Ederson ficou até ao fim - foi o único!


A partir dessa altura, dos 60 minutos, no Estádio ou em casa, em frente ao televisor, apenas se esperava pelo golo do Setúbal. Sentia-se que o Benfica não conseguia mais voltar a um jogo que já só tinha para dar o golo do empate. A cada minuto que passava mais se sentia isso. Não eram os briosos jogadores do Vitória de Setúbal que assustavam; eram mesmo os do Benfica.


De tal forma que, mesmo no fim, e como o adversário não conseguira criar uma única oportunidade nessa assustadora meia hora final, Pizzi, que não sabia o que era acertar um passe havia mais de uma hora, resolveu efectuar um passe a rasgar a sua própria defesa e isolar um avançado adversário. Valeu que o Ederson não se tinha ido embora, e com a sua incrível rapidez de decisão e de execução - verdadeiramente única - evitou o golo. E o empate. E sabe-se lá mais o quê...


Os adeptos, que voltaram a encher a Luz - mais de 55 mil numa segunda-feira! -, puxaram pela equipa. Deram-lhe todo o colinho, mas também se cansaram. E assobiaram, pela primeira vez desde há muito tempo.


Porque foi mesmo mau demais. Não há ressaca de Champions que consiga explicar o que se passou esta noite... Mas também não é fácil explicar a passividade de Rui Vitória perante aquela segunda parte. O homem é de gelo? 


 


 

domingo, 17 de abril de 2016

Inaceitável

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O governo empenhou-se na solução do problema do BPI, e tudo parecia ter acabado em bem, livrando o Banco das pesadas sanções do BCE. 


O acordo entre Isabel dos Santos e os catalães do La Caixa foi dado por certo à CMVM, e ao próprio BCE. Nos últimos dias começou a notar-se algum recuo do lado da filha do presidente angolano, e percebeu-se que nada era assim tão definitivo. Que havia trunfos na manga...


AcaResultado de imagem para isabel dos santos e carlos costabamos de perceber que Isabel dos Santos tinha pendentes umas declarações de idoneidade do Banco de Portugal, entre as quais a da sua própria idoneidade. E que, de pé atrás, terá achado prudente esperar que o Banco de Portugal despachasse o assunto para, então sim, assinar o acordo.


A verdade é que Isabel dos Santos, sem nunca ter invocado essa condição, fez depender a confirmação do acordo no BPI da atribuição de idoneidade para a nova admnistração do Banco BIC, que vai substituir Mira Amaral, de saída para a reforma. E a verdade é que isto é chantagem. E é inaceitável!


Mas há o outro lado. Não custará muito a admitir hipotéticas razões que justifiquem que o Banco de Portugal, bem menos criterioso em tantas outras circunstâncias, recuse a idoneidade a Isabel dos Santos (é isso que está em causa, evidentemente). Mas custa ainda menos admitir que, depois do envolvimento do governo na solução do caso BPI, ao que constou com o comprometimento num reforço da posição accionista de Isabel dos Santos no BCP, este seja mais um espisódio da guerra (ab)surda entre o administrador do Banco de Portugal e o governo. Dificilmente poderá deixar de ser mais uma batalha na guerra entre António e Carlos Costa... O que  não é menos inaceitável!


 

"A sorte apita para todos"

O Jogo


 


Que título certeiro: " A sorte apita para todos". Título, não disse tiro. Mas podia ter dito!


Tão certeiro que calou os que não se calam... Dois em um. Ou mais!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Novas revelações... e de novo a amostra

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As novidades dos Panama Papers deste sábado continuam à volta do GES/BES, passam por Sócrates e pela Operação Marquês, pelo também falido BPP de João Rendeiro e por mansões na Quinta do Patino, e revelam mais três nomes: Helder Bataglia - está em todas: BES/GES, Vale do Lobo, Operação Marquês - Manuel Tarré Fernandes e José António Silva e Sousa. Todos feitos comendadores por Cavaco Silva que, como bem se sabe, tem verdadeiro olho para a coisa. Já aqui se falou de amostra não ser significativa. 


Condecorações era com ele. Um mãos largas para gente acima de toda a suspeita. Como se veio vendo, e como não podia deixar de se ver neste escândalo das offshores... Já aqui se falou de amostra não ser significativa. Continua, à segunda vaga de divulgação, a não o ser. Se o fosse, poderia dizer-se que 85% dos condecorados por Cavaco não é gente muito recomendável. Cá estaremos para ver se à medida que a amostra ganha signnificado não ganham mais significado (ainda) os resultados.  

Isto vai bonito...

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O governador do Banco de Portugal pediu ao BCE que restringisse o acesso do Banif à liquidez do euro-sistema e, depois, veio utilizar as dificuldades que criou para fundamentar a resolução.


Parece macabro, mas é verdade. Quando Carlos Costa vem dizer que o BCE foi para além daquilo que propusera está apenas a confirmar essa verdade. O resto é jogo de palavras.


Isto logo depois da notícia que a dupla Passos/Maria Luís, em Maio passado, recusou uma oferta 700 milhões de euros pelo Banif. Com mais jogo de palavras: não era uma oferta, "era uma manifestação de interesse", de alguém já conhecida por não lidar muito bem com a verdade.


E no meio disto tudo é o Centeno que é chamado de volta para regressar à Comissão de Inquérito... Isto vai bonito...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Trocar de pneus

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Vem aí o Programa de Estabilidade a apresentar em Bruxelas. E com más notícias, que o governo está já a dar aos parceiros que o vão segurando.


Não se percebeu muito bem o que foi António Costa fazer a Atenas logo no início da semana. Nada do por lá se ouviu fazia muito sentido, e quanto a eficácia ... menos ainda. Percebe-se agora que foi perguntar a Tsipras como é que se anda tanto para trás sem cair. Como é que se recua tanto sem trocar os pés...


Tsipras tem um capital de experiência nessa matéria que António Costa acha que não pode desperdiçar. Recuou, recuou, recuou e não caiu. Conseguiu ir-se aguentando...


Já ninguém se irá admirar muito que dentro de pouco tempo a geringonça troque de pneus. Ou de rodas...

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Foi muito bonito

Benfica-Bayern Munique


(Foto daqui)


Foi muito bonito o ambiente da Luz esta noite. Foi muito bonito o jogo, foram muito bonitos aqueles onze minutos de chama imensa, intensamente acesa a iluminar a esperança de chegar às meias finais da Champions. E com o dois a zero ali tão perto...


Foi bonita a forma como o Benfica discutiu com o Bayern o acesso ao acesso à final de Milão. Mas só isso, dirão alguns... Não me parece, foi mais que isso. Foi a confirmação que o Benfica tem uma muito boa equipa, um excelente grupo de jogadores, que lhe permite encarar de frente um jogo destes sem três dos seus principais jogadores - e não me refiro evidentemente a Luisão e Júlio César, refiro-me a Gaitan, Jonas e Mitroglou -, toda a frente de ataque, e um grande treinador. Muito competente, muito capaz, sem precisar de se pôr em bicos de pés.


Porque - sejamos francos - não era provável eliminar o Bayern, uma equipa que dispõe de recursos técnicos e tácticos como nenhuma outra. Que conhece todos os segredos do jogo, que tem soluções - que varia e doseia como ninguém - para todos os problemas. Que ocupa o campo todo, não deixando um metro quadrado por utilizar. E que, como se tudo isto não fosse muito, nos momentos chave, quando um ou outro incidente do jogo o poderá marcar decisivamente, tem pelo seu lado quem pode decidir. Foi assim em Munique, num penalti que ficou por assinalar. E voltou hoje a ser assim, quando o árbitro holandês poupou o espanhol Javi Martinez à expulsão, evitando a superioridade numérica do Benfica no último quarto de hora, com a equipa galvanizada pelo golo (excelente, do Talisca) do empate.


Pena mesmo - mais ainda que aquela oportunidade perdida pelo Jimenez que daria o 2-0 logo a seguir ao primeiro golo - foi aquele miúdo de 18 anos, em noite de estreia na Champions e depois de uma recepção espantosa em plena grande área adversária, no último lance do desafio ter permitido a defesa a Newer. Teria sido o fim ainda muito mais bonito...


 

Só as bestas defendem a bestialidade

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Podia vir hoje aqui dizer que o Cristiano Ronaldo é uma máquina. Que o António Guterres - na sua especialidade - não lhe fica muito atrás. Que que o país está minado pela corrupção. Mas que, com o manifesto sucesso da investigação judiciária, isso não tem que ser uma fatalidade.


Mas venho aqui simplesmente dizer que o MMA não é desporto nehum, porque o desporto, mesmo cada vez mais longe da escola de virtudes que chegou a ser, nunca pode ser isto. E que só as bestas defendem a bestialidade...

terça-feira, 12 de abril de 2016

Trapalhadas

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Começaram as trapalhadas. Já não há dúvida nenhuma que o dossier Diogo Lacerda Machado é uma grande trapalhada.


É amigo, o maior amigo, do primeiro-ministro, e essa é, na óptica de António Costa, a mais insuspeita das suas qualificações. Afasta-o de qualquer limitação. Estranho!


Não integra o governo, nem é assessor. Nem foi recrutado para o gabinete do primeiro ministro. Estranho!


Já negociou em nome do governo em pelo menos três temas importantes: na reversão do negócio de privatização da TAP, nas negociações com os chamados lesados do ex-BES, e na intermediação para resolver a questão accionista no BPI. Mas sem qualquer competência formal para isso, sem poderes para o(s) acto(s), na gíria do notariado. Estranho!


Parece que também já estivera na negociação da ruinosa operação de manutenção que a TAP adquiriu no Brasil. Menos estranho...


E depois de toda a polémica, António Costa diz que, e apenas para que o seu trabalho não seja desvalorizado, é contratado por dois mil euros mensais... Até ao final do ano.


Se não é estranho, é trapalhada a mais. E que bem dispensavamos agora coisas estranhas... Melhor, muito melhor ainda, dispensavamos tanta trapalhada. 


 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Se os três primeiros nomes fossem amostra...


No âmbito da sua (dscutível, mas legítima) estratégia de divulgação pública das ligações portuguesas aos "papéis do Panamá", o Expresso apresentou no sábado os três primeiros dos anunciados 240 nomes, não considerando o já conhecido saco azul do BES: Manuel Vilarinho, Luís Portela e Ilído Pinho. Um ex-presidente do Benfica, e dois dos mais proeminentes empresários do país, ambos com fundações certamente destinadas a promover o bem comum.


Não deixa de ser interessante reparar nas reacções de cada uma destas três personalidades que tiveram o privilégio de abrir esta lista de celebridades (estou certo que, neste país de  brandos costumes, será assim que serão vistos): Manuel Vilarinho disse logo que já estava à espera de ser contactado, não negou nada e explicou tudo. Bem ou mal, não interessa agora, confirmou e deu a sua justificação para a coisa. Luís Portela, o presidente da Bial, negou que - ele ou o grupo - tivesse alguma relação com quaisquer offshores. Tem, sim, "uma filial no Panamá que coordena toda a actividade do grupo na América Latina”. E Ilídio Pinho, o comendador Ilídio Pinho, negou tudo: "não tenho, nem nunca tive, contas no Panamá" - apressou-se a garantir.


Ora, os dois jornalistas portugueses com acesso ao "Panama Papers" confirmaram a existência de documentos que indicam que Luís Portela controlava a Grandison International Group Corp, a offshore que o grupo farmacêutico adquiriu antes de criar a Bial América Latina SA, na cidade de Panamá. Mas vão mais longe no que se refere a Ilídio Pinho concluindo, através de ampla documentação que conta com a assinatura do comendador, que a offshore IPC Management Inc, que antes já fora Fraybell Company, e a Fundação Ilídio Pinho são a mesma coisa.


Estes três primeiros nomes não constituirão certamente uma amostra significativa que nos permita caracterizar o envolvimento português neste escândalo. Ainda bem, porque, pela amostra, poderíamos concluir que a vigarice aumenta á medida que aumenta o peso institucional dos intervenientes. Quanto mais referência são, quanto mais importância têm no regime, quanto mais comendas têm ... mais aldrabões são!


E isso seria trágico...

Ordem cumprida

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No último momento, à beira do precipício, quer dizer, mesmo à entrada da última hora do último dia, como num filme de suspense, os catalães do CaixaBank e a angolana Isabel dos Santos chegaram a entendimento. Fica cumprida mais uma ordem do BCE. No mesmo sentido das outras, mas certamente por mera coincidência...


O BPI fica a ganhar? Não. Ao perder a sua maior fonte de rendimento, só pode mesmo ficar a perder...  

domingo, 10 de abril de 2016

Com os Papéis do Panamá em cima da mesa, pior era difícil ...

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Com os Papéis do Panamá em cima da mesa, gostaria de ter ouvido do primeiro-ministro de Portugal qualquer coisa do género: Vamos criar um mecanismo para que os bancos tornem públicas as listas do seus devedores de todo o mal parado que têm em carteira, e as entreguem ao Ministério Público. E vamos criar mecanismos para que o Ministério Público actue sobre esses devedores, confiscando-lhes todos os bens e valores que detenham, directa ou indirectamente, ou de que, por qualquer forma, ususfruam.


Com os Papéis do Panamá em cima da mesa ouvi do primeiro-ministro de Portugal qualquer coisa como: Vamos criar um mecanismo para, à custa dos contribuintes, limpar todo o crédito mal parado do sistema financeiro.


 Com os Papéis do Panamá em cima da mesa, pior era difícil ...

sábado, 9 de abril de 2016

Tudo para correr mal. Mas não correu...


 


Desafiava mixed feelings este jogo de Coimbra. Por um lado a Académica, pelo baixo rendimento competitivo que vinha apresentando, nunca poderia ser um adversário a impôr muitos receios. Mas, por outro, com uma das sobrevivências mais ameaçadas, e sabendo-se como este tipo de ameaças são capazes de fazer de fraquezas forças, não poderia deixar de ser um jogo complicado. Pelo lado do Benfica, sabia-se que vinha de duas boas exibições: uma caseira, verdadeiramente empolgante, e outra, em Munique, francamente animadora, apesar do resultado. Mas sabe-se também como são difíceis estes jogos que se seguem a cada jornada europeia. É dos livros...


Logo que a bola começou a rolar percebeu-se ao que a Académica vinha. Começou a defender com onze atrás da linha de meio campo para, logo a partir dos primeiros dois minutos, passar a defender com os mesmo onze mas já em cima da sua grande área. Percebia-se que, a jogar assim, podia retardar o golo do Benfica. Mas não conseguira adiá-lo por todos os 90 minutos, seria praticamente impossível.


As coisas mudaram de figura quando, aos 17 minutos, na primeira vez que conseguiram descer à área benfiquista, o Eliseu assistiu autenticamente um jogador adversário para o golo da Académica. Não que o jogo tivesse mudado alguma coisa, que não mudou. Mas porque quando se está a perder o retardar do golo tem consequências mais complicadas. 


Os jogadores da Académica continuavam lá bem atrás, donde nunca saíam, com marcações muito em cima, roubando tempo e espaço aos do Benfica. Sem espaço e sem tempo para dominar a bola, a vida não estava fácil. O antídoto é qualidade no passe, para facilitar a recepção, e velocidade de execução, coisas que o Benfica parecia não ter levado para Coimbra.


A tudo isso juntaram ainda os jogadores da Académica, durante todo o tempo, um assinalável conjunto de práticas de anti-jogo, de faltas sucessivas a simulações de lesões, umas atrás das outras, tudo com a complacência do árbitro mais pressionado desta semana. Na próxima irá ser outro, naturalmente...


O jogo teve realmente tudo para poder correr mal. Acabou por não correr mal de todo, salvando-se o resultado. De indiscutível justiça!

O beco do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol

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Ao decidir não decidir, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol só poderia acabar por decidir assim. Esta é que é a verdadeira explicação para a inqualificável decisão de inocentar o jogador argelino do Sporting, Slimani. Ao atrasar a decisão, deixando evidente que no futebol em Portugal a pressão continua a compensar - quanto mais barulho, e mais jogo baixo, melhor -, o Conselho de Disciplina (CD) deixou de ter condições, como Jesus avisadamente previra, para sancionar disciplinarmente o que, como diz Rui Vitória, toda a gente viu. 


É por isso que ficam ainda mais ridículos "os factos dados como provados" pelo CD. Não sei se é mais ridículo dar por provado que Samaris não se sentiu "ofendido no seu corpo ou saúde", se dar provado que a agressão se justifica por Samaris constituir um obstáculo ao desejo de Slimani pressionar o Pizzi. 


Depois disto o Benfica não pode, no meu entendimento, deixar de recorrer para o Conselho de Justiça. Mesmo que se saiba que o Slimani nunca cumprirá qualquer castigo. É mais do que certo que, se vier a ser condenado, já cá não estará para o cumprir...


Mas não é por aqui que passa toda a estratégia de quem manda actualmente no Sporting?


 


 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Tradição e fait divers

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O Chefe de Estado Maior do Exército apresentou a demisão, pela tradição homofóbica das gentes das armas. A Joana Vasconcelos disse umas palermices, na tradição dos artistas do regime. João Soares ofereceu umas bofetadas a uns cronistas, no melhor da velha tradição republicana, agora que já não há duelos. Francisco Louçã fez sucesso no Conselho de Estado com a sua gravata azul. Ó pá... lá se foi a tradição...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif (2)

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Depois de Carlos Costa ter ido dizer à Comissão Parlamentar de Inquérito dizer que não tinha culpa nenhuma no que nos aconteceu com o Banif. E de Maria Luís Albuquerque, logo de seguida, lhe ter seguido as pisadas, que também não, que nem por sombras tem alguma responsabilidade naquilo, foi a vez de Mario Centeno desdizer isso tudo. E desancar de alto a baixo em ambos. 


Mais esclarecedor não pode ser. Agora é só esperar pelo Relatório, que vai dar no mesmo. Por entrepostas pessoas, à medida da representação parlamentar das mesmas teses.


Mario Draghi veio cá ao Conselho de Estado - orgão consultivo do Presidente da Repúbica, é bom não esquecer - explicar o que os mails (que ordenaram a venda do Banif ao Santander) já tinham explicado: quem é que manda. Ao que parece, de forma menos cuidada. Ou mais arrogante, como se queira...


 


 


 

Hoje é quinta-feira... Já é quinta-feira...

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Hoje é quinta feira. Os "Papéis do Panamá" começaram a ser revelados no domingo. Há muito tempo. Tanto que já um primeiro-ministro caiu: tempo suficiente para, na Islândia, o povo sair à rua a exigir a demissão do chefe do governo, o presidente resistir, o primeiro-ministro ser demitido e um novo ser nomeado e estar já em funções...


E no entanto, por cá, no que nos diz mais respeito, todos estes dias depois, sabemos o que sabíamos ao primeiro dia: 244 empresas, 23 clientes, 34 beneficiários e 255 accionistas. Sabemos isto, e nem sabemos o que é nada disto. 


Sabemos que, pela sua qualidade de membro do consórcio internacional que teve acesso aos ficheiros da Mossak Fonseca, o Expresso reserva para si o monopólio das notícias que respeitam a Portugal. E podemos até fazer um enorme esforço para perceber que, saindo a edição em papel ao sábado, o jornal entenda reservar as notícias para potenciar a tiragem e naturalmente as vendas. Mas é mesmo preciso fazer um esforço muito grande. Em primeiro lugar porque este é um tipo de conteúdo muito próximo - e próprio - das plataformas digitais. Em segundo porque, como de resto o Expresso anunciou em circunstâncias de alguma forma similares, a edição em papel privilegia o tratamento, mais que a simples divulgação da informação. E, por último, porque o tempo também mata a notícia, como se está a provar.


Torna-se por isso muito difícil de perceber as razões que poderão levar o Expresso a não soltar a informação do envolvimento português neste escândalo mundial. E quando mais difícil for perceber as coisas, mais fácil é especular sobre elas...


Hoje é quinta-feira. E o Presidente Marcelo reúne pela primaveira vez o Conselho de Estado. Pela primeira vez com um convidado especial. E que convidado: Mario Draghi, nem mais, nem menos!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Preocupações

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Faz hoje 5 anos que Portugal pediu ajuda externa ou, dito de outro modo, se entregou às mãos da troika. O que veio a seguir já sabemos... A dívida é maior, muito maior, os bancos são menos e piores. Como nós, afinal. Somos menos, grande parte foi embora, e provavelmente piores. Certo é que, se não somos, estamos. Pior. Ainda.


Ainda não sabemos quem são os portugueses - e as portuguesas - entre a fina flor da vigarice mundial nos papéis do Panamá. Mas sabemos que por cá, com ou sem recurso a offshores, mais dois destacados membros da Polícia Judiciária cederam à corrupção, e passaram para o lado de lá, ao serviço do narcotráfico, que diziam combater. Não são os primeiros, nem serão os últimos. A boa notícia é que foram apanhados. A má não é notícia, é preocupação: e quantos não são?


Preocupantes são também as declarações do Governador do Banco de Portugal, ontem na Comissão Parlamentar de Inquérito  ao Banif: não tem culpa de nada - nunca tem culpa de nada, coitado -, culpados são o governo anterior - ingrato! -, a administração do banco, o BCE e a Comissão Europeia. Ele é que não. Não tem culpa, porque não tem poderes... Coitado. Outra vez...

terça-feira, 5 de abril de 2016

Tributo ao Benfica

Liga dos Campeões em direto: Bayern Munique vs Benfica


 


Não há vitórias morais, em futebol. Sair de Munique da forma que o Benfica hoje saiu não é vitória nenhuma. Mas não há benfiquista que não sinta orgulho no jogo que hoje a equipa realizou frente ao Bayern. 


O resultado não deixa espaço para grande optimismo para a segunda mão, de amanhã a uma semana, na Luz. Outra coisa seria se o Benfica tivesse marcado nas duas grandes oportunidades de golo que criou. Ou se o árbitro tivesse assinalado o penalti no lance em que o Lham joga a bola com a mão, impedindo o Gaitan de seguir para o golo. Mas nem por isso os benfiquistas deixam de estar optimistas, e esse é o maior tributo que podem prestar a estes extraordinários jogadores, a esta fabulosa equipa.


O jogo até começou da pior maneira que podia começar: com um golo logo no primeiro minuto. Mas foi como se nada se tivesse passado, e a equipa soube, primeiro, manter-se equilibrada, e depois equilibrar o próprio jogo. 


O árbitro é que não pareceu muito interessado nesse equlíbrio. Não foi só no penalti que não quis assinalar. Foi em tudo, e ainda mais em tudo quanto mais o jogo se aproximava do fim. Nos últimos minutos a dualidade de critérios foi gritante.


A UEFA está muito interessada em ter o Bayern na final. E o Barcelona, pelo que deu para perceber no outro jogo...

A lição islandesa


 


 Podemos não ter a noção da dimensão da economia suja que grassa no submundo das offshores, mas estamos perfeitamemente conscientes que, mais que paraísos fiscais para um certo capitalismo selvagem, são resorts de alto luxo para a corrupção e para todas as formas de crime que inapelavelmente destroem o mundo. 


Talvez por isso não estejamos muito surpreendidos com as revelações - por ora poucas e no entanto tantas - do Panama Papers, e talvez também por isso, por esse mundo fora, a regra seja reacções de circunstância, num discurso previsível e politicamente correcto. Todas as regras têm excepções, e a excepção vem mais uma vez da Islândia: de imediato, logo que conhecida a notícia do envolvimento do seu primeiro-ministro, os islandeses sairam à rua a exigir a sua demissão. Em simultâneo lançaram uma petição no mesmo sentido, em poucas horas assinada por perto de metade dos 300 mil de islandeses.


A mesma Islândia que ainda há pouco tempo mostrava ao mundo como um pequeno país, numa sociedade democrática moderna, pode reagir à corrupção do Estado e aos crimes e abusos do sistema financeiro. A mesma Islândia que, ensinando, não aprendeu nada. Logo depois, com tudo esquecido, foi rápida a devolver o poder aos mesmos, e a deixar tudo como dantes. Como agora se provou!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Uma desgraça nunca vem só!


 


O Congresso do PSD tinha de dizer qualquer coisa sobre o que aí vem. E disse, coisa pouca, porque o tema por lá mais apetecido continua a ser o passado - como se lá pudessem encontrar alguma coisa de que se pudessem orgulhar - mas disse.


Melhor: deixou dito, nas entrelinhas. Deixou dito que Passos Coelho, depois de grande esforço, acredita finalmente que já não é primeiro-ministro. Mas que já não acredita que possa voltar a sê-lo. Por isso começou a preparar a sucessão, para assegurar a sua dinastia. Por isso deixou dito que seria Maria Luís Albuquerque a seguir-lhe na linha sucessória. Porque uma desgraça nunca vem só!

Panamá Papers


 


Copo meio cheio: Há sempre um português!


Copo meio vazio: Só há um português!


O Público foi  pelo copo meio vazio.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Parabéns a você...

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A Constituição faz hoje 40 anos. Está uma quarentona, mas diria que que pelos liftings, botoxes e outras recauchutagens - desculpem: revisões - parece mais velha. Talvez seja dos maus tratos, sabe-se como é... Não fazem bem a ninguém, nem uma quarentona balzaquiana o consegue disfarçar. A verdade é que tem sido muito maltratada. Veja-se só o que lhe fizeram nos últimos quatro ou cinco anos... Vejam o que lhe fizeram uns gajos que por aí andavam e que a acusavam de tudo. Até de não dar de comer a ninguém, como se essa fosse uma obrigação dela. E não deles...

Baile... Hoje foi noite de baile!


 


O Benfica não entrou bem no jogo. Bem, muito bem mesmo, entraram os adeptos, mais de 60 mil, que no minuto de silêncio de homenagem ao magriço e sportinguista Fernando Mendes acabaram por encontrar nas palmas a forma de abafar (o verbo está na moda, lá voltarei) a arruaça de uma meia dúzia. E bem, também muito bem, entrou o Braga, com 10 minutos extraordinários, a superiorizar-se claramente ao Benfica e a criar duas claras oportunidades de golo, uma das quais numa bola ao poste, no primeiro minuto.


A partir daí, e ainda antes de atingido o primeiro quarto de hora, o Benfica conseguiu libertar-se daquela teia, subiu no terreno e começou a pressionar o adversário logo à saída da sua área, invertendo por completo o que vinha sendo o jogo. Os erros, e os passes falhados na primeira fase de construção, que até ai tinham atingido o Benfica, passaram a acontecer no outro lado. Quando, aos 17 minutos, surgiu o primeiro golo, exactamente em consequência directa dessa pressão alta, já o Benfica tinha recuperado duas ou três bolas nas mesmas circunstâncias.


A partir daí o Benfica abafou - lá está o verbo de volta - o Braga por completo, fazendo desaparecer do jogo aquela que, na opinião de muito boa (ou talvez não) gente, era a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. E fazer isso, fazer eclipsar a excelente equipa do Braga, é coisa que ainda se não tinha visto por cá.


No regresso para a segunda parte o Benfica refinou ainda mais o jogo, chegando a atingir aquilo que vulgarmente se designa por baile. Foi isso - o Benfica deu baile!


Foram cinco, mais cinco golos da máquina de os fazer, bem poderiam ter sido mais. E um sofrido, de penalti, no último lance do jogo. O penalti que os adversários tanto têm reclamado chegou finalmente. Não foi a pedido, foi mesmo penalti. Desnecessário, evitável, mas penalti. Quando houve razões para um árbitro o assinalar, o penalti aconteceu. Nada de mais. É isso que se pretende, seja um ano ou um jogo depois. O resto, é o resto é conversa de quem vem atrás!


 

Não é mentira...

 


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... A não ser que seja a mentira da estação de rádio onde ouvi a notícia: " A PSP está hoje de volta ao bairro da Ameixoeira onde na passada terça-feira ocorreu o tiroteio que feriu cinco pessoas, duas das quais três polícias" - ouvido com estes dois, que a terra há-de comer...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...