O governador do Banco de Portugal veio ontem dizer que tem de se encontrar outro índice de referência para as taxas de juro do crédito à habitação. Isto porque, com a(s) euribor(es) negativa(s), os agressivos spreads com que os bancos disputavam negócio há uns anos atrás começam a ser comidos e, em muitos casos, começam aritmeticamente a resultar em taxas negativas. E alguns, e de forma oficial - chamemos-lhe assim - o PC e o Bloco, reclamam que seja dada expressão prática e efectiva a esse resultado: que os bancos passem, agora, a pagar eles próprios (não seria devolver, obviamente, tratar-se-ia de abater ao capital em dívida o valor negativo dos juros) juros aos seus clientes.
Evidentemente que o bom senso aponta o dedo a este anacronismo. Evidentemente que se percebe que nem os bancos estão em condições de fazer isso, nem o próprio sistema resistiria muito tempo a essas condições. Tudo isto é verdade. Tão verdade como é verdade os bancos terem à sua disposição mecanismos para contornar o problema: basta-lhes - e muitos fazem-no - introduzirem nos respectivos contratos uma cláusula de impedimento. Ou até de fixação de uma taxa mínima.
Quando as taxas de juro subiam e deixavam muitas famílias em dificuldades, ninguém se preocupou. Pior: era lançado o anátema e a culpa sobre as pessoas. Coisas dos portugueses... Que não faziam contas, que queriam ter uma casa sem cuidar de saber se a poderiam ter. Nunca a culpa foi dos bancos, nem da publicidade agressiva que faziam ao crédito, nem do assédio aos clientes por todos os balcões do país.
Quando o bico do prego se vira, mudam-se as regras.
É certo que temos que colocar alguma contenção na nossa justificada indignação contra bancos e banqueiros. O que grande parte deles fez ao país não pode ser esquecido, nem tem desculpa. Mas não podemos aceitar que o Banco de Portugal, o árbitro, venha mudar as regras durante o jogo.
Mas... Pronto: é mais uma pérola de Carlos Costa!
Costa: essa mente iluminada, que muito tem feito pelo país....
ResponderEliminarNão vejo nada mais justo do que os bancos terem de aplicar juros negativos quando as condições do mercado assim o ditam. Foram feitos contratos com base na Euribor e se esta está negativa tem de ser aceite por ambas as partes, tal como foi aceite por muitas pessoas quando elas estavam a 5%. Muitas pessoas perderam as suas casa, foi um risco que correram quando fizeram o empréstimo e depois não tiveram condições de cumprir. Se os bancos vão ter prejuízo com as taxas negativas isso não é problema dos clientes a quem eles venderam o credito a habitação.
ResponderEliminarO BCE está a injectar muito dinheiro na economia e esta é a forma natural de que todo esse dinheiro seja de alguma forma entregue ao bolso dos contribuintes europeus e não apenas aos bancos...
Não podemos ter o bolo e come-lo, e os bancos estão nos negócios e isso envolve riscos, tal como para os seus clientes, e eles sabem disso melhor do que ninguém. Portanto deixem-se de queixumes e aguentem, que é isso que o comum dos mortais tem feito nestes tempos de crise...
Será que a proposta para substituição da taxa de referência da euribor por qualquer outra manhosisse que venha a ser inventada é para aplicar apenas aos créditos concedidos ou também se aplicariam à rentabilidade de depósitos e/ou aplicações?
ResponderEliminarÉ que fica a impressão que o problema das taxas negativas é só prejuizo para os bancos. Coitaditos deles.
As taxas negativas da euribor não tem servido também para os bancos justificarem as ninharias que reembolsam pelos depósitos? Pois....
Dificilmente os bancos "perdem" dinheiro com taxas negativas. Poderá acontecer quando a euribor tropece para baixo dos 0,2%... mesmo assim, não é tão líquido quanto isso.
ResponderEliminarÉ que nos empréstimos feitos a partir de 2002, as clausulas já incluem muitos serviços. Quem agora for pedir um empréstimo, não consegue spreads abaixo de 1,5%. (E o pior engano é verem o spread a 0,8% mas, tem cartão de crédito, pelo qual pagam 100 euros por ano, ou não pagam nada mas, tem de fazer pagamentos acima de 2500 euros durante o ano, tem serviços bancários como domiciliação do ordenado ou outros tipos de produtos financeiros... o que dá um valor próximo do 1,5% ao ano,isto em receitas directas para o banco.)
Também há o lado dos seguros obrigatórios, onde a banca consegue ir buscar valores iguais ou superiores ao spread . Sendo que, muitos dos seguros, só mesmo num caso remoto podem ser accionados.
E há o caso que muita gente lembrou-se quando uma cadeira retalhista acabou com os pagamentos com cartão de crédito e débito, agora já se esqueceram... Qualquer pagamento feito com esses cartões, dá um pagamento entre 0,25% e 0,4% feito por quem tem a máquina para receber o pagamento. Só que as pessoas não lhes aparece essa saída da conta. É como se não existisse. Nos postos de combustíveis, vários franchising já tem a taxa de 0,50€ para pagamentos com cartões de crédito. Essa aparece e as pessoas lembram-se que estão a pagar ao banco para pagar o combustível com o cartão.
Isto tudo é receitas para os bancos. Para além disso, o financiamento que tem obtido é a taxas 0% ou negativas.
O que o Carlos Costa queria era fazer a média da rendibilidade dos depósitos a prazo. Essa coisa é pior que parasita, pois inclui aqueles depósitos "relâmpago" que a banca apresenta taxas de 1,25%... durante 3 meses e 0,005% durante 9 meses. Durante 1 ano, esse depósito é registado como tendo uma taxa de 1,25% para as médias. O que daria lucros na casa dos 1600 milhões de euros, à banca, só pela sua utilização. É isto que ele foi dizer... a banca precisa de mais lucros.
Apenas para colocar uma pergunta que eventualmente muitos portugueses já fizeram a si próprio.
ResponderEliminar- Mas quando é que os culpados destes sistemas e descalabros começam a pagar pelos erros cometidos?
Actualmente, os bancos, através do quantitative easing, recebem juros do BCE ao contraírem empréstimos...
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