sábado, 30 de setembro de 2023

Há 10 anos

 


RECORDAR | EducaSAAC


Mais do que o fim dos dinossauros, e a derrota expressiva dos seus mais mediáticos representantes. Mais do que a derrota de Menezes e a vitória de Rui Moreira, no Porto, mais que a vitória do PSD (de Rui Rio, Miguel Veiga ou Paulo Rangel) sobre o PSD de Passos Coelho e da sua turma. Mais que a derrota dos aparelhos partidários, em Sintra, em Matosinhos ou em Braga. Mais que a derrota da política do vale tudo, em Gaia. Mais do que a vitória da CDU e a restauração do poder autárquico comunista. Mais do que a vitória do PS, comemorada por Seguro em ambiente pouco menos que fúnebre. Mais que a vitória de António Costa, que é mais que a vitória em Lisboa, e mais que a expectativa do que irá fazer com ela. Mais que a derrota do Bloco, incapaz de sobreviver à geração que lhe deu vida. Mais que a derrota de Jardim, e a confirmação do fim do dinossáurio jardinismo na Madeira…


Mais que tudo isso, impressiona que a vitória eleitoral para uma Câmara, e logo num município que está no topo dos índices de desenvolvimento humano no nosso país, tenha sido comemorada à porta de um estabelecimento prisional. Não menos do que tudo isso impressiona que, com tudo isto a fervilhar nas televisões, as audiências fossem lideradas pela estreia de mais uma casa dos segredos

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Soube bem, mas a pouco!


Luz cheia - mais de 62 mil - como é já habitual. A transbordar. De festa, fervor e paixão!


Sem medos, nem tremideiras. Roger Schemidt deu o mote, como que a anunciar que isso é passado. "Neres e Di Maria são compatíveis" - tinha anunciado. Se são compatíveis, é para já. Sem medo!


A Luz gostou. Gostou dos dois desequilibradores nas duas alas, e gostou da mensagem de coragem que se lia na constituição da equipa. Com Neres e Di Maria no onze, Schemidt dizia que não tinha medo. E a mensagem parecia passar para o relvado, transportada pelos jogadores.


Mas esgotou-se rapidamente. Em poucos minutos. Foi "sol de pouca dura". Nem cinco minutos durou. Devia ser muito pesada, os jogadores não a conseguiram carregar mais tempo. E o Porto começou a parecer que queria mandar naquilo tudo. E como quando uns mandam os outros baixam as orelhas, os jogadores do Benfica começaram a baixá-las. Não deu bem para perceber se chegaram a ficar assustados, mas lá que deu para perceber que "baixaram as orelhas", deu.


Aproximava-se a primeira parte do meio quando o Fábio Cardoso, aspirante a Pepe, mas ainda sem a sua impunidade, foi (bem, indiscutivelmente!) expulso por, sem pernas para Neres, a caminho da baliza do Diogo Costa, o mandar abaixo, sem dó nem piedade. 


Só por isso, por passarem a jogar contra 10, se não chegou a perceber se os jogadores do Benfica estavam mesmo a ficar assustados. Mas percebeu-se que não estavam inspirados. A equipa poderia não ter medo, o problema é que não tinha mais nada. Não tinha velocidade. Não tinha intensidade. Não tinha coragem. E parecia até não ter lá grande vontade. A expulsão galvanizou mais (ainda mais!) as bancadas que os jogadores. A inspiração, essa, sobrou apenas para Trubin.


E que bem-vinda que é!


Não é que o guarda-redes do Benfica - a quem impuseram a necessidade de ter de provar tudo - estivesse a ser sujeito a muito trabalho. Mas fez - e bem - o que teve para fazer. Com duas intervenções - uma arrojada e corajosa saída aos pés do Taremi; e uma grande defesa a desviar o remate de Pepê, já perto do intervalo, quando o Porto já deveria estar reduzido a nove jogadores - impediu que corresse mal o que realmente poderia ter corrido mal.


Do lado do Benfica apenas uma oportunidade e meia de golo. A meia de Di Maria, quando o chapéu ao guarda-redes do Porto saiu ligeiramente por cima, logo no primeiro minuto, quando os jogadores ainda carregavam a coragem que Roger Shemidt lhe tinha posto às costas; e aquele lance pouco depois da meia hora, quando Neres fugiu pela esquerda, e o Diogo Costa defendeu o remate prensado, na mancha, para se levantar e afastar, com uma vistosa palmada, a bola que, no ressalto, ia a pingar para dentro da baliza. E, logo a seguir, uma escapada de Rafa pela direita, depois de ganhar em velocidade a David Carmo, acabando travado em falta quando se isolava. Num lance muito idêntico ao que acabara na expulsão do Fábio Cardoso. Tanto que o Soares Dias, desta vez no VAR, não teve dúvidas em dizê-lo ao árbitro João Pinheiro, que apenas sancionara com livre e amarelo. Que confirmaria, contrariando a opinião do insuspeito Soares Dias, depois de consultar as imagens.


O Porto poderia, e deveria - pareceu-me - ficar reduzido a nove jogadores a um pouco mais de 10 minutos do intervalo. Aí, ao intervalo, só havia uma certeza - não era esperança, era mesmo certeza: a segunda parte tinha de ser completamente diferente!


E foi. Roger Schemidt não mexeu no onze, mas foi outra equipa que regressou dos balneários. Foi o Benfica, a jogar à Benfica, sem permitir ao Porto disfarçar que estava a jogar com menos um. Foi para cima deles e não os largou. Empurrou o Porto lá para trás, e sufocou. 


As oportunidades de golo iam-se sucedendo. Claras, umas atrás das outras. O Porto não conseguia sair daqueles 20 metros à frente da baliza do Diogo Costa, que ia adiando o golo. Só nos primeiros 12 minutos da segunda parte, Musa falhou um golo feito, Kokçu atirou ao poste, Diogo Costa "roubou" o golo a Neres, isolado depois de  passar pelo João Mário (o defesa portista) e de deixar o Zé Pedro (o central que entrou com a expulsão, substituindo o Romário Baró (a surpresa do Sérgio Conceição) sentado na relva, e o remate de Otamendi à malha lateral.


Em pouco mais de 10 minutos, três grandes oportunidades de golo. O golo tardaria ainda mais 10 minutos. Obra de Neres e Di Maria, os dois. Juntos. E compatíveis. Já com Cabral em campo, acabadinho de entrar para substituir Musa.


A Luz explodiu em festa. E o Benfica não levantou o pé. Logo a seguir o (excelente) remate de Otamendi, com o guarda-redes batido, saiu a rasar o poste.  


O Porto, que na segunda parte fez um único remate, fraco e ao lado, tentou sair do sufoco e o Sérgio Conceição decidiu apostar nos últimos 10 minutos, lançando Ivan Jaime, o filho, Francisco e o Gonçalo Borges. Mas a circulação de bola do Benfica não lhes permitiu outra coisa que não fosse aumentar-lhes a frustração.


E sabe-se como aquela gente lida mal com a frustração ...


É uma vitória importante. É sempre importante ganhar. Mais ainda ganhar ao Porto. Mas é uma vitória que sabe a pouco. Um só golo, em seis ou sete oportunidades, é pouco!

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A culminar uma época brilhante Rui Costa sagrou-se hoje campeão mundial de estrada, em ciclismo, competição realizada na região italiana da Toscana, com chegada a Florença. O pódio completou-se com Joaquim Rodriguez, que o ciclista português venceu sobre a meta, e Alejandro Valverde, até aqui colega de Rui Costa na Movistar.


Portugal tem, pela primeira vez, um campeão do mundo de ciclismo!


Ao contrário do que é habitual nas provas do campeonato do mundo de estrada, provas habitualmente desenhadas para roladores, esta era uma corrida destinada a seleccionar os melhores – como o próprio pódio confirma - com muita e variada montanha nos seus mais de 200 quilómetros. Um aprova para fazer jus ao título de campeão do mundo!


Foi, para Rui Costa, a cereja no topo do bolo, depois da vitória na Volta à Suíça e da brilhante Volta à França, com vitória em duas etapas, que fazem deste o ano de ouro do ciclismo português. Também Rodriguez e Valverde confirmaram, com a sua presença no pódio, a excelente época que fizeram.


Como se esperava o alemão Tony Martin venceu ontem a prova de contra-relógio, revalidando o seu título de campeão mundial da especialidade pela terceira vez consecutiva. Nos restantes lugares do pódio ficaram o brtânico Bradley Wiggins) e o suíço Fabian Cancellara. 


Depois do tenista João Sousa se ter hoje tornado hoje no primeiro português a vencer um troféu do ATP, ganhando o torneio de Kuala Lumpur, bem se pode dizer que este foi um domingo de ouro para o desporto nacional!

Há sempre forma de arranjar mais problemas

Montenegro corta de vez com o Chega: ″Não é não, ponto final″


O IL não quis participar da maioria que haverá de suportar o governo de Miguel Albuquerque na Madeira. Não era problema, ainda havia o PAN. E anunciou-se o acordo com quem nunca se concorda... 


Pior. Com parte dele. Pior ainda - com a parte que o não pode assinar.


É a Lei de Murphy também aplicada à política. E a Miguel Albuquerque. E, porque para isso se pôs a jeito, a Luís Montenegro.


Está mesmo a correr mal. Primeiro, Miguel Albuquerque anunciou que não governaria se não obtivesse a maioria absoluta nas eleições. Depois, já não era nada disso que tinha dito, mas apenas que só governaria em maioria. E que essa já estava garantida. De tal forma que apresentaria o governo até ao fim da semana. 


Bom ... querem ver que o Chega - com quem nada de nada ... porque não fazia falta - ainda vai afinal fazer falta?


Há gente a quem nunca bastam os problemas que já têm. Têm sempre que arranjar mais. Não estarão todos no PSD, mas há por lá gente dessa que chega...

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Até há bem pouco tempo o FC Porto tinha sido fundado em 2 de Agosto de 1906, por José Monteiro da Costa. De acordo com a História oficial do clube de décadas e décadas, teria agora a bonita idade de 107 anos!


Entretanto, em 1988, acrescentaram-lhe 13 anos e uma estória. A estória de um cavalheiro apaixonado pelo beautiful game e, admite-se, por uma beautiful lady, que teria fundado um clube em 1893, justamente no dia 28 de Setembro, dia do 30º aniversário de El Rei D. Carlos. Porém, António Nicolau de Almeida - assim se chamava o dito cavalheiro e assim narra a estória – se bem o fundou melhor o abandonou, e rapidamente partiu para Inglaterra atrás das suas duas paixões que, ao que se conta, não eram lá muito compatíveis. Abandonado, consta que o clube morreu sem que mais alguém dele se lembrasse!


Até que, já depois da proeza de Madjer em Viena, em pleno reinado de glória de Pinto da Costa, alguém se lembrou de o ressuscitar para acrescentar mais 13 anos, e mais estórias, ao FCP. Nome que, diz-se para melhor temperar a estória, foi sugerido, lá de Inglaterra, pelo próprio António Nicolau de Almeida ao estudante José Monteiro da Costa, que de lá vinha.


Não importa se são 107 ou 120 anos, se a data a festejar seria 2 de Agosto ou 28 de Setembro. Até acho que 2 de Agosto não tem jeito nenhum, está tudo de férias – tenho uma filha que nasceu por esses dias e bem me lembro do que isso a irritava, nunca tinha os amigos para festejar – e que o 28 de Setembro é outra coisa. É uma data com um lugarzinho na História de Portugal - não é particularmente brilhante, mas está lá – e até já é tempo de campeonato a aquecer.


Por isso hoje é dia de festa, e há almas que cantam… A festa começou ontem, e bem. Para que nada falhasse lá estava o convidado especial para todas as festas - aquele que nunca falha, que nunca vira costas, que nunca diz que não - com a inevitável e preciosa prenda!


Sabia-se que assim seria. A coisa não está para brincadeiras e os trunfos são para se jogar quando é preciso!


Entretanto estão lançados mais uns episódios de suspense. Se o país já aguardava com grande expectativa pela tal participação à UEFA, agora a expectativa aumenta a aguardar que o Paulo Fonseca veja o lance da prenda de Pedro Proença. Ou que alguém explique o que é que aconteceu a uns jogadores do Guimarães que ainda no domingo jogaram com o Benfica...

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


É notícia que a Polícia não tem conseguido notificar Oliveira e Costa para ser ouvido em Tribunal, no processo – não, não é sobre o BPN, ninguém faz ideia de quando a Justiça trate disso – que envolve seu amigo e colega (de partido, de parlamento, de governo e de actividades criminosas e vigarice) Duarte Lima.


Foi também notícia esta semana a notificação de Jorge Jesus, o treinador do Benfica que no final da tarde de domingo, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, passou por aquilo que é público e do conhecimento geral.


Era fácil encontrar e notificar o treinador do Benfica: poderia estar em casa, poderia estar a trabalhar, no Estádio da Luz ou no Seixal, ou poderia estar de folga, ainda em casa ou noutro sítio qualquer. Era fácil, mas ainda assim poderia ter de ser procurado em vários locais diferentes: menos de 48 horas depois estava notificado!


Se era, como foi, fácil encontrar e notificar Jorge Jesus - que, mesmo assim, se declarou enganado pela Polícia, que a Polícia lhe passou uma rasteira - mais fácil seria encontrar e notificar Oliveira e Costa. Deveria estar na prisão, mas não está. Estando em casa, deveria ter o dispositivo de pulseira electrónica, mas não tem. Está apenas sujeito a termo de residência e de identidade, e bem podia já ter fugido para onde bem lhe apetecesse, como de resto se receava.


Mas não. Não fugiu, estava em casa. Mas não era notificado e foi preciso que a notícia andasse pelos jornais para que surgissem os seus advogados a falar de mal entendidos, e a disponibilizarem-se para contactarem com o tribunal para facilitar o agendamento do depoimento.


Há notificações e notificações, há Justiça e Justiça e há Polícia e Polícia. O que faz com que haja cidadãos e cidadãos…


Até nos lembramos de, há uns tempos, uma Polícia ter notificado o cidadão presidente do FC Porto para passar uma certa noite em Vigo. E valeu a pena, como se sabe!

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Há 10 anos

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Um barão é isto. O barão nasceu e cresceu no regaço do cavaquismo e reproduziu-se no aconchego do bloco central dos interesses, no centrão, no núcleo do regime.


O barão tem um percurso natural: do governo para a vida. Parte do governo – onde a prepara - para chegar à vida, ao conforto de uma vida institucional e empresarial cheia e preenchida. É um percurso de um só sentido, sem retorno: uma vez lá chegados, não mais regressam…


A escolha de Rui Machete para o governo foi um dos grandes absurdos de Passos Coelho. Por todas as razões, mas também por esta - pelo regresso contra-natura, fora de rota!


Por isso nunca mais saiu das primeiras páginas dos jornais. Por isso nunca mais de lá sairá, na espiral de “incorrecções factuais” e “erros involuntários” que fazem “a podridão dos hábitos políticos”!

Fartote na Madeira

Miguel Albuquerque espera apresentar um governo de maioria


As eleições regionais da Madeira, ontem realizadas, animaram o espectáculo político do país.


O PSD já tinha deixado de ganhar sozinho na Madeira, já tinha precisado de dar o braço ao CDS, quando ainda se sabia o que valia. Apresentou-se coligado com o velho parceiro, que hoje, nem na Madeira nem em qualquer outro lado, ninguém sabe o que vale. Sabe-se - calcula-se - que valha pouco. Ganhou. Ganharam. Claramente, mas sem maioria absoluta e, consequentemente, com a necessidade de alargar a base parlamentar de apoio ao novo governo aos novos partidos que chegaram pela primeira vez à Assembleia Regional madeirense Chega, PAN e IL.


Bastando-lhe para a maioria parlamentar o deputado eleito pelo PAN, ou o outro eleito pela IL, pôde dar-se ao luxo de descartar, e assim continuar a empurrar com a barriga, a sombra arrepiante do Chega. É até provável que Miguel Albuquerque se socorra de ambos para se precaver de qualquer percalço, assim a jeitos dos que têm acontecido nos Açores.


Até aqui tudo normal. Mas não tão normal para evitar um fartote!


A jeito de aperitivo, começou pelo PS, objectivamente o maior perdedor, com Sérgio Gonçalves, o líder regional, a festejar por ter "mais votos em conjunto do que a terceira e quarta forças políticas que participaram neste ato eleitoral" e a garantir ter ficado “claro que o Partido Socialista é a única alternativa de governo para Madeira”.  Continuou, como se fosse o prato de peixe, com Luís Montenegro a comparar "os 43,13% do resultado da coligação, os 41,37% que deram ao Doutor António Costa maioria absoluta". A caldeirada é prato de peixe, mas tão substancial que já dispensava prato principal.


Só que este não podia ser dispensado, porque há muito vinha sendo repetidamente anunciado por Miguel Albuquerque: "Não governo, não vou governar e recuso-me a governar se não tiver maioria, é impossível". O prato principal não desiludiu: obviamente não me demito e as “diligências já estão a ser feitas ... e até ao fim desta semana espero apresentar um Governo de maioria”!


Obviamente que não falta qualquer legitimidade eleitoral a Miguel Albuquerque para continuar à frente do governo regional. Legitimidade política e vergonha na cara é outra conversa!


E essa é conversa para continuar. A começar já no inevitável envolvimento do IL, do "menos Estado para tudo" na solução governativa que mais uso faz do " Estado para tudo" no nosso país!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Está a decorrer em Angola o campeonato do mundo de hóquei em patins. Os jogos da selecção nacional, que procura recuperar o título há muito perdido, estão a ser transmitidos no canal 2 da RTP.


Há muito que, também para mim, esta modalidade perdeu o encanto e o interesse. E digo também para mim porque a verdade é que é cada vez menor o interesse que desperta, mesmo nas poucas regiões do mundo onde ainda tem expressão. As pessoas e as instituições que têm por dever preocupar-se com isso vão lhe introduzindo regras novas, com o objectivo, de melhorar o espectáculo e a competição e, assim, reverter o clima de perda em que o hóquei em patins há muito entrou. E novas configurações que tornem a modalidade telegénica, capaz de captar os interesses das televisões, que hoje sustentam todas as grandes competições desportivas.


Estes têm sido objectivos sucessivamente falhados, deve dizer-se. Não há muito a fazer quando uma modalidade não tem expressão global, e o hóquei em patins passou ao lado da globalização. Perdeu a beleza estética que os portugueses lhe emprestaram, em particular nas décadas de 60 e 70 do século passado e, com isso, a dimensão de espectáculo capaz de agradar aos olhos do espectador. E perdeu dimensão competitiva, se é que se possa falar de competitividade numa modalidade que em toda a sua história tem cinco campeões do mundo, três dos quais, pode dizer-se, contingenciais: a Inglaterra, que apenas ganhou os dois primeiros, nos longínquos anos de 1936 e 39, e a Itália (1953,86,88 e 97) e a Argentina (1978,84,95 e 97) por quatro vezes cada. Espanha e Portugal - que já não ganha há 10 anos e que neste século apenas ganhou por uma vez (2003, em Oliveira de Azeméis) – com 15 campeonatos do mundo cada, somam 30: praticamente 80% dos títulos!


Também por isso não é modalidade olímpica, embora já lá tivesse passado como modalidade de exibição, em 1992, nos jogos de Barcelona - como não podia deixar de ser - e onde Portugal ficou fora das medalhas (Argentina, Espanha e Itália). E por isso um campeonato do mundo de hóquei em patins não tem, nem de perto nem de longe, nada que ver com uma qualquer grande competição mundial. E que, evidentemente, está a anos luz do futebol onde um Campeonato do Mundo, como do Brasil do próximo ano, é um acontecimento mundial que mobiliza milhões de pessoas por toda a parte.


Mas não foi para falar de hoquei em patins, nem de campeonatos do mundo, que iniciei este texto. Isso acabou por vir a talho de foice, porque, dizia eu, os jogos da selecção nacional estão a ser transmitidos na RTP2. Que ontem jogava precisamente com a selecção anftriã, num jogo que prometia  - em causa estava justamente o apuramento da selecção angolana para os quartos de final - e que me obrigou a uma irresistível espreitadela. O relato estava a cargo do Paulo Catarro, agora correspondente em Angola da estação pública de televisão, que, como se a transmissão não fosse a cores, entendeu dar-nos os pormenores dos equipamentos das duas selecções: "a selecção nacional apresenta-se com o seu equipamento alternativo, de meias e calções azuis e camisola branca" (cores recuperadas das décadas douradas de 60 e 70) e "a selecção angolana com o seu equipamento habitual de camisola vermelha e calção negro".


Nunca na minha vida, tratando-se de equipamentos, tinha ouvido falar de calções negros. Sempre ouvi falar de calções pretos e, para mim, os calções se são pretos, são pretos, não são negros. As calças, se são pretas, são pretas. Não são negras.


Fiquei a saber que, para este correspondente da RTP em Angola, os calções são negros. Como o preconceito...


Ah! A selecção nacional ganhou por 5-1 e a de Angola ficou fora do seu mundial!

domingo, 24 de setembro de 2023

Acabem lá com o fogo amigo


Começo a contar a história deste Portimonense-Benfica, referente à sexta jornada deste campeonato, e o segundo jogo consecutivo fora, por Roger Shemidt. Diz-se que o seu futebol é previsível. E é. De resto ele próprio o confirmou naquela "summit" qualquer do futebol de há dias, no Porto, quando disse que o Benfica joga sempre da mesma forma.


Se "joga sempre da mesma forma", é previsível, já diria La Palisse. Assim sendo, não seria muito difícil aos adversários contrariá-lo. A verdade é que, na enorme maioria das vezes, não o conseguem. Parece-me que por razões óbvias: porque, sendo previsível, é bem estruturado e executado por jogadores de qualidade que, em condições normais, tornam imprevisível o previsível. É isso que, de resto, permite que o Benfica jogue sempre da mesma maneira, e quase sempre bem.


Roger Schemidt não poderia ter esta ideia de jogo se não tivesse estes executantes. Tendo-os, faz bem em defendê-la.


Roger Schemidt tem impedido a saída de determinados jogadores, considerados fundamentais. Apontava-se-lhe com frequência que lhe faltava comprová-lo, dando-lhes utilização. Hoje comprovou-o, e não apenas no onze inicial, onde lançou Morato, Neres e Florentino - três deles - dois dos quais com implicações posicionais na equipa. Só Florentino rendeu directamente João Neves que, ao intervalo, rendeu directamente Kokçu. Morato, a prever o próximo jogo da Champions, em Milão, com o Inter, "obrigou" Otamendi a ocupar o lugar de António Silva, no lado direito do centro da defesa. E Neres (não faz sentido os adeptos reclamarem da bancada a sua entrada, como lamentavelmente aconteceu na quarta-feira), jogando na esquerda, "enviou" João Mário para a posição deixada livre por Di Maria. Talvez lesionado, ou talvez poupado. Como fazia sentido.


Criticar as opções de Roger Schemidt não é pecado. Pecado é fazê-lo com a ligeireza "do oito ao oitenta" dos adeptos, sempre disponíveis para embarcar em processos auto- destrutivos. 


Dito isto, o Benfica não deixou milho para os pardais, lançou-se ao jogo como lhe competia e teve 25 minutos avassaladores. Como é habitual só que, hoje, sem dar tempo para os pardais aparecerem.  E tudo começou logo a correr bem, com o primeiro golo aos 5 minutos. E melhor ainda por ter sido um grande golo e marcado por Bah, um dos jogadores mais necessitados de auto-confiança. E na realidade um dos mais afastados do desempenho da última época.


Quando, aos 17 minutos, Musa marcou o segundo, já a avalanche do futebol benfiquista em Portimão justificava mais golos. É compreensível que o elevadíssimo ritmo dos primeiros 25 minutos não possa ser mantido durante todo o jogo. É normal que assim seja, e o Benfica moderou a pressão no acelerador. Só aos 27 minutos o Portimonense conseguiu fazer a bola chegar à grande-área do Benfica, já o campeão nacional tinha desperdiçado oportunidades para duplicar o marcador. Na realidade nem lá chegou, simplesmente a sobrevoou.


Ainda assim, com mais moderação, o jogo corria bonito e de feição. Com dois "se nões": a recorrente falta de eficácia (Rafa acrescentou mais dois desperdícios - aos 32 e aos 36 minutos - aos anteriores); e a lesão de Bah que, com o grande golo que marcou, tinha tudo para estabilizar emocionalmente, e logo num lugar para que a alternativa ... é Aursenes. Só porque é alternativa para tudo!


Ao intervalo Roger Shemidt fez umas inéditas três substituições: Bah, lesionado, pelo regressado Jurasék - que foi para o seu lugar na esquerda, passando o norueguês para a direita - Musa, pelo "necessitado" Arthur Cabral, e Kokçu por João Neves. Nada que fizesse baixar o nível exibicional da equipa. 


O ponta de lança brasileiro não faz o que Musa faz, não tem o mesmo impacto na pressão e na recuperação defensiva, mas nem isso era problema. E dava até indicações claras de maior entrosamento com o resto da equipa. O golo é que continua muito arredado. Chegou a parecer que seria hoje, mas não voltou a aproveitar as oportunidades de que dispôs.


E lá voltou a acontecer o que tantas vezes tem acontecido. Depois dos 10 minutos iniciais, com mais três oportunidades desperdiçadas - Rafa, Neres e Arthur Cabral -, e de uma habilidade do árbitro Helder Malheiro, que entendeu que, não assinalar uma falta sobre Rafa na meia lua, era vantajoso para o Benfica, de uma perda de bola de Neres na área adversária saiu um contra-ataque e o golo. No primeiro remate à baliza. E Trubin voltava a sofrer mais um golo sem ter uma única defesa para mostrar.


Nem deu para pensar na malapata do 2-0. Nem para lembrar como vem sendo tão frequente transformar uma goleada virtual num assustador 2. É que, no minuto seguinte, nova perda de bola, remate à queima em cima de Morato e ... más notícias do VAR. Aquilo era para penálti, disse. Música para os ouvidos de Helder Malheiro.


Pela quarta vez numa semana, e em três jogos, Trubin tinha a bola ali a 11 metros, pronta para lhe entrar na baliza. Se tinha corrido bem com o golo de Bah, melhor correu com a defesa do penálti. O guarda-redes do Benfica, acossado e pressionado por todo o lado, em autêntico bulling, defendeu. Deu o corpo às balas de tanto fogo, muito dele dito amigo, e defendeu muito mais que um penálti. 


Agora, deixem-no em paz!


E um jogo que em poucos segundos passara virtualmente de goleada a empate, voltava a poder ser o mesmo que sempre tinha sido. A tranquilidade chegara nas luvas de Trubin. O golo da dita, o terceiro, chegaria 5 minutos depois, na classe de Rafa (o que joga este rapaz, lembrem-se do Grimaldo!). Ganhou a bola a um adversário e foi por ali fora, como só ele sabe, até a entregar para a finalização de Neres.


Assunto resolvido. Faltava jogar meia hora. Muito tempo, mas apenas tempo para mais quatro (quatro!) oportunidades para ampliar o marcador. E para lhe dar, no mínimo, um ar que tivesse alguma coisa a ver com o que  foi o jogo. 


Nos resultados, este campeonato vai equilibrado. De uma maneira ou outra, mais de uma do que outra, todos vão encontrando maneira de somar 3 pontos a cada jogo. Seja preciso o tempo que for, seja precisa a batota que for. A jogar à bola é que a diferença é muito grande!  

Regresso ao normal na Fórmula 1, e desporto e negócio.

Max Verstappen vence no Japão e Red Bull conquista título de Construtores na Fórmula 1


O GP do Japão, esta manhã corrido em Suzuka, foi o regresso "ao normal" da fórmula 1, como aqui se antecipara na extraordinária corrida de Singapura. Vesrtappen ganhou, "comme d´habitude" e a Red Bull assegurou já o título mundial de construtores, o sexto consecutivo, , apesar da desastrada corrida  de Perez. Que fez tanta "asneira"que nem teve tempo para cumprir a penalização por, ao aproveitar o "safety car" para mudar de pneus, aproveitar também para ultrapassar uns carros à saída das "boxes", em marcha ainda mais lenta por força do dito. 


O GP do Japão foi, ainda assim, isto é, apesar das asneiras de Perez, que ainda regressou à pista muitas voltas depois do abandono por ter batido em Magnussen e, por isso, voltar a ser penalizado, o regresso à normalidade. À normalidade de Verstappen ganhar (a 47ª vitória da carreira, e a 13ª da temporada) aproveitando até a desastrada corrida de Perez para garantir a renovação do título já no GP do Catar, no Circuito Internacional de Losail, em Doha; à normalidade dos (poucos) altos e (muitos) baixos da Ferrari e da Mercedes`e à "normalidade" dos anormais intrusos. À inesperada intrusão da Aston Martin na primeira metade da temporada, sucedeu-se o inesperado regresso da Maclaren. Que desta vez completou o pódio, no segundo (Norris) e terceiro (Piastri) lugares.


Mais uma vez, a Mercedes teve culpa própria. Foi a principal protagonista dos duelos na primeira metade da corrida, justamente entre Hamilton e Russel. Chegaram até a tocar-se. E voltou a sê-lo, na parte final, quando atrasou a ordem para Russel não dificultar mais a  ultrapassagem de Hamilton, então muito mais rápido.


Pelo meio, levou ao limite a aposta numa única mudança de pneus de Russel. Com isso chegou a deixá-lo na liderança da corrida. Mas, com isso limitou-o, também, a estender a passadeira para Verstappen regressar a essa liderança que tinha desde o início, na "pole position". Com tudo isso acabaram por, no final, alternar nas posições seguintes com a Ferrari, sempre a perder. Com Hamilton (quinto) atrás de Leclerc; e Russel (sétimo) atrás de Carlos Sainz!


Como não há muito mais a dizer sobre a corrida, e apesar desta nem ter sido das mais marcadas pelo efeito DRS, dedico-lhe - ao "DRS" . precisamente as últimas linhas.


O desporto, todo ele, começou por ser uma competição saudável entre seres humanos. Rapidamente se transformou em espectáculo, e tinha tudo para isso. Depois, praticamente à mesma velocidade, passou a negócio, aumentando a necessidade de potenciar o seu "climax".


Nesta transformação surgiram regras com esse propósito. Estabelecendo um paralelo entre o futebol e o automobilismo, esse "climax" encontra-se no golo, no futebol; e na ultrapassagem, no automobilismo. Nessa transformação, o futebol foi sempre tido por mais conservador. É certo que foi introduzindo regras para facilitar quem ataca, muitas vezes aplicadas com a controvérsia do julgador - o eterno árbitro, com as suas eternas vulnerabilidades - , e que, ainda esta época, aumentou as limitações ao guarda-redes na sua maior dificuldade, a tentativa de defesa das grandes penalidades. Mas nunca mudou as fundamentais: as divisões e dimensões do campo de jogo e, principalmente, as das balizas. 


No automobilismo as ultrapassagens - o  "climax" - apenas existe nas corridas de pista (por muito que, infelizmente, muitos dos automobilistas comuns o queiram encontrar nas estradas do dia a dia). Não é assim nos ralis, nem nas provas de estrada de velocidade e perícia. 


Na fórmula 1- a "champions" e o "mundial" do futebol - para atingir esse "climax" introduziu-se o "DRS" ("(Drag Reduction System", ou  Sistema de Redução de Arrasto)


Posso estar errado - e sei que a minha opinião é susceptível de grande controversa - mas entendo o "DRS" como anti-desportivo. Serve ao negócio, mas não serve o desporto automóvel onde, muitas vezes, altera a "verdade desportiva". 


Não aconteceu flagrantemente na corrida de hoje, no Japão. Porque, aí, houve o regresso ao normal. Mas foi flagrante em Singapura, onde houve competição a sério!

sábado, 23 de setembro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Era hoje. Era para hoje, 23 de Setembro de 2013, que Vítor Gaspar tinha agendado o regresso aos mercados.


O processo de ajustamento, um ano antes do fim do programa da troika, estaria concluído e Portugal regressaria hoje aos mercados… A certeza era tanta que até dava para fixar um dia. Exactamente, com toda a precisão!


Não sei se tinha alguma coisa a ver com as eleições na Alemanha. Se seria a homenagem que Vítor Gaspar quereria prestar à senhora Merkel. Sei – sabemos – que este 23 de Setembro dá para Merkel festejar. Os alemães adoram-na, deram-lhe 41,5% dos votos, mesmo que lhe tenham deixado nas mãos a batata quente de formar governo sem a sua habitual bengala, os liberais do FDP. E que, por cá, em vez de regresso aos mercados, se fala de novo resgate. E que lá por fora Portugal não é mais o bom aluno, mas o problema maior do euro

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Medidas de apoio ao crédito à habitação e aos bancos

Crédito à habitação. Medidas do Governo não agradam aos partidos da ...


O governo decidiu e anunciou, ontem, depois da habitual reunião do Conselho de Ministros das quintas-feiras, duas medidas para mitigar os efeitos dos sucessivos aumentos das taxas de juro no agravamento das prestações do crédito à habitação, que há muito vêm asfixiando grande parte das famílias portuguesas: revisão da (já existente) bonificação das taxas de juro; e possibilidade dos devedores solicitarem aos bancos a redução da prestação, para um valor fixo por um período de dois anos - entretanto já hoje corrigido por Fernando Medina para quatro - , que decorre da aplicação de uma taxa de juro implícita que não ultrapasse os 70% da Euribor a seis meses.


São naturalmente medidas que se saúdam.


A primeira é uma decisão da exclusiva competência do governo. É o governo, e só o governo, que tem capacidade para uma intervenção deste tipo. É ao governo, e só ao governo, que compete estabelecer os limites e condições deste apoio às famílias. E fê-lo determinando que se destina a contribuintes até ao 6.º escalão de IRS (até 38.632 euros de rendimento colectável anual), que a bonificação incide sobre o que exceda a taxa de 3%, fixando-a em 75% desse diferencial, para taxas de esforço (valor da prestação do crédito à habitação face ao rendimento) entre 35 e 50%,  ou na totalidade quando ultrapassem os 50%, e alargando o anterior limite de 720 euros por ano para 800.


É o que o que os apoios sociais sempre são. Pouco para cada um, não chega a 67 euros por mês, mas muito quando são tantos! 


A segunda, não só não é da estrita competência do governo, como é uma medida que, por mera racionalidade de gestão, caberia aos bancos. Houvesse concorrência no mercado bancário em Portugal, e fosse a banca portuguesa gerida por administradores que não se limitassem a estar repimpados nas almofadas que a Senhora Lagarde lhes ofereceu para os confortáveis cadeirões, mas que se preocupassem a sério com o negócio, e teriam sido eles, há muito, a tomar a iniciativa de avançar com propostas deste tipo para os clientes que, sabem como mais ninguém, estão em dificuldades. 


Sabe-se que são muitas as famílias que têm estado a recorrer ao crédito ao consumo para pagar as prestações da casa. E nem me admiraria nada que isso estivesse a acontecer na esfera do próprio banco, todos eles a operar neste negócio da galinha de ovos de ouro!


É  assim. Eles sabem que o Estado nunca lhes faltará. Faz-lhes tudo. Até leis para que cumpram actos de gestão de senso comum!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Perdidos os primeiros pontos na primeira dificuldade de um calendário que mais pareceu escolhido a dedo do que por bolinhas da sorte, perdido o conforto da sucessão de vitórias que um calendário à medida prometia garantir, fosse lá como fosse, como se vira em Setúbal e em Felgueiras, Paulo Fonseca apressou-se vir a palco desempenhar o papel que lhe tinha sido distribuído. 


Percebeu-se que ninguém contava que fosse tão cedo chamado àquele papel. O desempenho em palco acabou por deixar à vista que os ensaios estavam atrasados, que nem o texto estava ainda bem estudado. A interpretação ressentiu-se e a mensagem passou mal, com grande dificuldade.


Valeu-lhe a ajuda da comunicação social, que não se limitou a emitir uma boa crítica. Encarregou-se ela própria de fazer passar a mensagem. Direitinha, fluente, sem hesitações nem tempos mortos…


Mesmo que não esclarecesse a atabalhoada confusão com os três campos. O primeiro e o segundo tinham ficado claros: Alvalade, onde o Sporting se deixou superiorizar pelo Rio Ave, não teve oportunidade de marcar em fora de jogo e viu o árbitro negar-lhe um penalti. E Amoreira, onde o Porto continuou a jogar pouco, viu uma mão de Otamendi - que já não devia estar em campo desde o início do jogo, por ter derrubado um jogador do Estoril que seguia isolado para a baliza de Helton -,  fora da área, transformada num penalti. Mas, e o terceiro?


Em Guimarães não era certamente, porque aí voltou a ser mais do mesmo: um penalti daqueles universais – e não é por ser do tamanho do mundo, é por sê-lo em qualquer parte do universo onde se jogue à bola -, outro daqueles que, se a favor da sua equipa ou contra a do autor das preces, são sempre marcados, e dois foras de jogo mal assinalados, com Enzo Peres na cara do guarda-redes da casa. Em Arouca também não: aí prosseguiu a série de penaltis que os árbitros vêm perdoando ao Braga. Que pé ante pé, penalti aqui penalti ali, já está no segundo lugar, a um único pontinho…


Pois é Paulo, a mensagem passou, mas não ficou bem na fotografia. Não saiu bem e não foi bonito de ver. E já que lhe exigem esse papel, o melhor mesmo é acelerar os ensaios…


Mesmo assim, com horas extras nos ensaios, veja lá se consegue arranjar um bocadinho para visitar na prisão um colega de profissão que, ao que diz, lhe ensinou alguma coisa.


É que já não há dúvida nenhuma, o Jesus vai preso. Só não ficou logo preso porque a polícia teve medo!


Talvez se encontre lá com o Caldeira. Com o Pinto da Costa é que não... aproveitaria logo para o contratar!


Uma comédia, estas coisas da bola cá do burgo!

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Más sensações


Não sou muito dado a superstições, nem mesmo na bola. Mas, já dizem os espanhóis que não acreditam em bruxas, "pero que las hay, las hay". Ainda não tinha aquecido a cadeira e chegava a primeira sensação de que a coisa não ia correr bem: o voo da águia Vitória não acabou limpinho, e isso não dá boas sensações. Logo a seguir, à entrada dos jogadores, Trubin vestido de azul, também não.


A águia Vitória lá foi recolhida do relvado, e dela não se voltou a dar conta. Já de Trubin ... bem pelo contrário. E não há duas oportunidades para uma primeira boa impressão!


Cantámos "ser do Benfica ... "  até esgotar as gargantas naquele "saltitantes" final. Ouvimos o hino da Champions, e cumprimos, os 61 mil, o minuto de silêncio pelas vítimas do sismo em Marrocos, e das cheias na Líbia. Houve um que não teve paciência, nem civismo para tanto, e soltou um "Benfica, caralho" para cima daquele silêncio.


A bola de saída pertenceu ao Salzburgo, e naquele primeiro minuto apenas dois jogadores do Benfica tocaram na bola. Um para interceptar um cruzamento, e deixá-la para um adversário à entrada da área, e outro para levar com ela a desviá-la para canto. No canto, Turbin vai para socar a bola com as duas mãos (!) mas, em vez de acertar na bola, acertou num adversário. Penálti. Encarregado de o marcar, Karim Konaté atirou bem por cima da baliza.


Afinal poderia ser que as más premonições se não confirmassem. Não foi assim, e esse foi o único momento de sorte do Benfica no jogo. E viu-se de imediato que não seria mesmo assim. O Salzburgo trazia a lição bem estudada, e viu-se como tinha preparado bem o antídoto para o futebol do seu ex-treinador. Posicionamento táctico irrepreensível, a secar completamente a fonte do futebol benfiquista. Aquilo não era bem a mesma coisa que temos visto nos jogos desta época, quando os adversários entram em campo a pressionar e a correr como loucos para entupir o caudal de jogo do Benfica. O que já aqui tenho referido como o primeiro milho para os pardais, que  rapidamente enxotam. Não aquilo não era nem pressão alta, nem tinha correrias. Era posicionamento puro. Aquilo não rebentava os jogadores da equipa austríaca, engasgava colectivamente o Benfica, e baralhava individualmente boa parte dos jogadores, em especial Bah, esta época simplesmente desastrado.


Mesmo que se percebesse que aquilo não exactamente "o primeiro milhos dos pardais", e ainda assim, poderia até ter sido. Bastaria que a sorte se não tivesse esgotado no penálti falhado, e que a arbitragem turca não tivesse sido à portuguesa. Aos 10 minutos não entendeu que era penálti o que realmente um corte com a mão de um defesa do Salzburgo dentro da área. E começou aí o autêntico festival de dualidade de critérios que durou o jogo todo. A incrível permissividade a tudo o que os jogadores da equipa austríaca fizessem. Faltas, perdas de tempo sucessivas, fosse a marcar cantos, desinteressados da bola, e a atravessar o campo a passo, fosse o guarda-redes a repôr a bola, fosse nas substituições, fosse no que fosse.


Aos 12 minutos, a bola rematada por João Mário poderia ter entrado. Mas o poste não deixou. No lance imediato Bah - sempre ele - falha mais um passe e entrega a bola a um adversário. Ao tentar cruzá-la para a área bate no próprio Bah, sobe, sobe e desce até cair sob a barra. Quando António Silva a tenta interceptar, o desvio na barra acaba a encaminhá-la para a mão do defesa do Benfica, em cima da linha de golo. Cartão vermelho, e penálti. Desta vez sem a sorte do outro, e o Benfica ficava a perder e com um jogador a menos.


Roger Schemidt entendeu tirar João Mário - não terá sido a melhor opção, mas nem nisso o treinador surpreende ninguém - para repôr a defesa, com Morato. Se já estava a ser difícil, mais ficava ainda.


Ainda assim os jogadores foram valentes, conseguiram jogar e ganhar ascendente no jogo. Depois daquele primeiro quarto de hora tenebroso, com 10, o Benfica chegou a jogar bem e chegou ao intervalo, com apenas 5 minutos de compensação depois de todo o tempo perdido pelos autríacos, e de dois penáltis, a justificar outro resultado, com três boas oportunidades de golo. Valeu aos austríacos o seu guarda-redes, que se revelou inspiradíssimo e inultrapassável. E a sorte. Quando estava batido havia sempre o poste, onde Di Maria voltaria a certar, aos 25 minutos.


Era evidentemente difícil, com 10, manter aquele domínio na segunda parte. E da sorte já nada havia para esperar. Mas o Benfica regressou, com os mesmos 10, e a dominar. Di Maria deixou morrer uma jogada em que esteve isolado, e gritou-se golo de Musa, depois de um grande trabalho na área. Schlager, é este o nome do guarda-redes que tinha dado jeito estar do outro lado, fez mais uma defesa impossível. Imediatamente a seguir, Morato, que tinha estado a alto nível, saiu a jogar sem qualquer protecção nas suas costas, e perdeu a bola. Aursenes teve ainda oportunidade de interceptar o primeiro passe, mas também falhou, e ficaram dois jogadores isolados frente ao sempre nervoso e intranquilo Trubin. 


De novo, depois de mais uma grande oportunidade para marcar, o Benfica sofria o segundo golo. O resto do jogo foi mais do mesmo. Os jogadores do Salzburgo a queimarem tempo, o guarda-redes a defender tudo (mais duas defesas de golo, uma negando-o a João Neveso, e outra a Otamendi (num espectacular remate de bicicleta); o árbitro a fazer vista grossa a faltas claras, a amarelar os jogadores do Benfica pelos protestos, e provavelmente a perdoar-lhes mais um penálti (aos 70 minutos).


Schemidt não mexia na equipa, e nas bancadas gritava-se por Neres. Que entraria já perto da entrada no quarto de hora final, com ... Chiquinho. Substituindo Di Maria, já há muito esgotado, e Kokçu. As duas restantes substituições chegariam já bem perto do final, com Tengsted (o Cabral, dos vinte e tal milhões, que vinha substituir o Gonçalo Ramos, é a última das três opções para ponta de lança!) e Tiago Gouveia (em estreia absoluta num jogo destes!), a substituírem os esgotadíssimos e massacrados Musa e Rafa.


E assim abriu o Benfica a Liga dos Campeões desta época. A perder, em casa, o jogo com o adversário menos cotado do grupo, que se sabe dos mais equilibrados. A perder, em casa, o jogo que não havia dúvidas que ganharia. Depois do que fez na passada!

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Enquanto o PSD anda a correr à volta da mesa a tentar agarrar o próprio rabo, com o tipo que saiu do governo para ir para o partido às turras, por causa do FMI, com o tipo que saiu do partido para ir para o governo – quer dizer, o PSD do governo a não se entende muito bem com o PSD das autárquicas - o CDS fala a uma só voz: a de Portas. Nem que seja para, em pleno comício eleitoral das autárquicas, dizer que já saímos do fundo, que já só falta saber a que velocidade se está a fazer a descolagem.


Percebe-se que há um PSD para governar e outro para disputar as autárquicas. E que só há um CDS - não chega para tudo - que, mesmo assim, só quer falar de governação. 


Pois: Quem só tem um cavalo não pode apostar em dois. Tem que apostar no que tem, mesmo que vá em contra-mão!


 

Censura e amores que se pagam

Rejeitada moção de censura. Só Chega e Iniciativa Liberal votam a favor


Hoje houve moção de censura ao governo apresentada pelo Chega, que António Costa agradeceu.  Como, em Janeiro, o Chega tinha votado a do Iniciativa Liberal, igualmente bastante interessante para Costa, desta vez a IL retribuiu. 


Amor, com amor se paga. Mesmo se se odeiam, como dizem. 


André Ventura já gastou as cartas todas. Mas dá-as por bem empregadas. Só ajudou Costa e o seu partido, mas também é de lá que lhe tem chegado a maior ajuda. 


Lá está: amor, com amor se paga. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não sei se já repararam como tudo mudou depois das férias. Não sei se já repararam como "acabou o Verão e voltamos à realidade".


Antes era a economia que tinha crescido no segundo trimestre, era a economia a dar completamente a volta. Era o novo ciclo. Era Passos, pelo segundo ano consecutivo, na festa do Pontal, a decretar a vitória final sobre a crise, seguro (seguro - estão a ver!) do êxito da sua brilhante governação. Mal compreendida, mas inequivocamente eficaz...  Até o desemprego já estava a cair, e Passos já roçava a arrogância a anunciar tantos sucessos!


Era Pires de Lima na pele ministro da economia maravilha, o novo IRC de Lobo Xavier que fazia milagres e Portas a falar grosso com a troika...


Bastou uma semana para tudo isto desaparecer, bastou uma semana para parecer que mudamos de país. Numa única semana, nesta, que nem sequer ainda chegou ao fim, a Standard & Poor´s ameaça de corte o rating, que já classificara em lixo, e fala da iminência de um segundo resgate, o país está às voltas com a troika - a quem Cavaco pede bom senso - para rever a meta do défice,  e até Ramalho Eanes diz que o país está sem saída. As más notícias sucedem-se, umas atrás das outras. O FMI diz-nos que fomos cobaias e que a experiência correu mal, que correu mal o que Passos ainda há duas semanas se vangloriava de ter corrido bem.


Tudo isto apesar do barulho ensurdecedor da campanha eleitoral. Agora imagine-se no que aí virá depois do fim do mês...


Será que dá para entender este país? 


Não dá, mas não é esta resposta que me preocupa. Preocupa-me é a resposta se mudarmos a pergunta: Será que dá para acreditar num país assim?

Vuelta 2023 - Ponto Final

Volta a Espanha - Dia de consagração para Kuss - TopCycling


Terminou ontem em Madrid a Vuelta deste ano. As próximas pedaladas da grande corrida espanhola serão dadas em Lisboa, ponto de partida da Vuelta 2024.


Tudo tinha ficado resolvido na quinta feira, na 18ª etapa, mesmo que a de sábado fosse a tal de montanha russa. Era a mais longa desta Vuelta, com quase 210 kms num traçado que percorria a Sierra de Guadarrama e voltava a ser ao jeito de Rui Costa, como então aqui tinha dado nota. E foi. Não deu para ganhar mas voltou a ter um excelente desempenho, andou sempre na frente, num grupo de luxo constituído pelos grandes nomes excluídos do topo 10, e acabou em sexto. Também não deu para Evenepoel, que estava empenhado em ganhar tudo. Foi segundo, batido no sprint final por Wout Poels.


Dez minutos depois chegou o grupo dos primeiros da geral onde, na dura subida Alto de San Lorenzo de El Escorial, e no pouco que ficou a restar para a meta, João Almeida impôs o ritmo para defender o quarto lugar do seu colega Ayuso, afinal o único que poderia estar em risco.


Na chegada a Madrid, a Vuelta seria completada num circuito de15 voltas pelas ruas da capital, com passagens pelos principais pontos de referência da cidade. Aí acabou a festa e o passeio, próprios das etapas de consagração. E aconteceu tudo o que raramente acontece nestas etapas finais das grandes voltas. Porque a Vuelta é mesmo assim. Só não houve novidade nos animadores. Rui Costa foi um deles, e até dos principais. Evenepoel, inevitavelmente, outro. 


Rui Costa foi o primeiro a sair e a isolar-se, com mais dois ciclistas da Bora. Um deles Lennard Kämna, velho conhecido do Rui. Estiveram sempre juntos em todas fugas em que participaram, e foram muitas. Quando o Rui ganhou, ganhou a Kämna. Depois foi Evenepoel a atacar, e a acabar por se lhes juntar. Como o belga punha em risco a camisola dos pontos de Grooves, o corredor da Alpecin- Deceuninck colou-se-lhe. É normal que o melhor sprinter ganhe na última etapa. Mas Grooves percebeu que tinha de seguir Evenepoel para conseguir ganhar.


Até nisto a Vuelta é diferente. Depois de um final emocionante, com o pelotão a anular a fuga em cima da meta, mas já sem nem tempo, nem forças, para qualquer comboio de lançadores de sprint, foi Grooves quem ainda estava em melhores condições para ganhar. Ganhou, como era suposto, mas completamente fora do que era suposto. E consolidou a primeira posição nos pontos. Rui Costa acabou por voltar a repetir o sexto lugar do dia anterior.


E ponto final. Kuss ganhou, como deveria ser. Vingegaard e Roglic fecharam o pódio. De uma única equipa, todos da imbatível Jumbo. Que pela primeira vez ganha as três maiores competições do ciclismo mundial: Roglic, no Giro, Vingegaard, no Tour e Kuss na Vuelta.


Evenepoel ganhou a montanha. E só não ganhou nos pontos porque, nesta classificação, as vitórias em etapas de montanha valem apenas 20 pontos. Contra os 50 das etapas planas. E mesmo assim ainda tentou, da forma que se viu, buscar o 50 pontos de Madrid. Suficientes apenas e só se Grooves não pontuasse. E acabou por proporcionar os melhores momentos de espectáculo de ciclismo desta Vuelta. 


Dos portugueses, Rui Costa acabou por fazer uma grande prova. Como João Almeida, que talvez pudesse ter feito algo mais. O nono lugar da geral sabe a pouco, especialmente depois do pódio no Giro, mas não deixa de ser um bom resultado. Nelson Oliveira viu-se aqui ou ali. Mais ali, no contra-relógio. Os outros não deixaram história. Porque não puderam. Guerreiro pela infelicidade da queda, bem cedo.


Para o ano há mais. E em Lisboa!


 

Os (i)limites de Marcelo

Comentário de Marcelo gera críticas - Diário do Distrito


Que o Presidente Marcelo comenta tudo, sobre tudo e sobre nada, já não é novidade. Há muito que se sabe disso. Que nem sempre o faz cumprindo com os mínimos da sensatez e da elegância, também é sabido. 


Que chegasse à deselegância de chamar gorda a uma mulher, ridicularizando em público a senhora a sentar-se numa cadeira, ("olhe que a cadeira pode não a aguentar") parecia o limite do intolerável que a Marcelo se tolera. Mas não, não era ali o limite. Ontem, na visita oficial ao Canadá, no meio de emigrantes que ali estavam, no país que os recebeu, os integrou e lhes deu a dignidade que nunca encontrariam no seu, em manifestação de apreço pelo presidente do país que tudo lhes negou, provavelmente à espera da selfie que é a imagem de marca do populismo que o alimenta, a fasquia subiu para níveis já intransponíveis. 


De dedo em riste a apontar para o decote de uma jovem, advertindo-a que se poderia constipar, Marcelo não foi só infeliz. Nem ridículo. Foi deselegante, machista e bota de elástico salazarento. Tudo impróprio para um Presidente, mas de todo intolerável sabendo que, atrás do seu dedo estendido, seguiam as câmaras das televisões que iriam expor ao mundo não só o decote, mas a cara e o corpo de uma jovem que, provavelmente, apenas estaria ali porque a mãe, ou o pai, a teriam convencido a vir conhecer o mais alto responsável do país longínquo que, apesar de tudo lhes ter negado, continuam a amar.


PS: Claro que a fotografia que encabeça este texto nunca poderia ser a do decote da jovem.

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não há dúvida. Esta gente gosta mesmo de brincar connosco!


De vez em quando saem-se com umas destas, mas tudo fica sempre na mesma. Porque tudo está a correr pelo melhor, como diz Herr Schauble, que fala disto como de experiências com ratos.

domingo, 17 de setembro de 2023

É notícia: a Red Bull não ganhou!


A qualificação para este GP de Singapura não correu bem à Red Bull, com Verstappen e Perez na 11ª e 13ª posição da grelha de partida. A corrida até nem lhe correu tão mal, e ainda deu para o holandês chegar à quinta posição no fim, e o mexicano à sétima.


Pela primeira vez neste campeonato a equipa que domina a fórmula 1 há  tempo de mais, não ganhou. E Verstappen interrompeu a mais longa série de vitórias consecutivas.


Com o "eclipse" da Red Bull ganhou a corrida. E este GP de Singapura foi a mais espectacular corrida de fórmula 1 dos últimos anos. Na última volta tínhamos quatro carros colados, a discutir a vitória. Coisa nunca vista!


A Ferrari dominou o fim de semana, e saiu com o primeiro (Carlos Sainz) e o terceiro (Charles Leclerc) para a corrida. Pelo meio, o Mercedes de  Russel, na primeira linha, atrás de Sainz. Que arrancou mal. Depois, o Mclaren de Norris e o Mercedes de Hamilton. Que partiu fortíssimo, passou de imediato Norris e, quando ia a passar também pelo seu colega de equipa, não conseguiu concluir a curva e saiu pela escapatória, já à frente de Russel.


E assim seguiu ainda algumas voltas, dando a direcção da corrida até a indicação que o incidente estaria sanado. Russel reclamou á equipa que Hamilton lhe devolvesse a posição, e a resposta - estranha, estranhíssima - foi a de Hamilton devolver não só a posição a Russel, mas também a Norris. Que, claramente, tinha sido ultrapassado dentro dos limites da pista, ainda antes da saída de Hamilton pela escapatória. 


O final da corrida mostraria como esta decisão foi decisiva para o seu desfecho. Nunca é possível demonstrar o que não aconteceu, mas é indiscutível que, se tudo tivesse decorrido como a corrida acabou por acontecer, teria sido Hamilton a ganhar em Singapura.


Mas voltemos àquela incrível última volta, com os carros de Sainz, Norris, Russel e Hamilton colados. O espanhol ia gerindo a sua liderança como podia. Com os pneus em pior estado que os adversários, foi gerindo a aproximação de Norris, para lhe dar o DRS que lhe permitisse manter Russel e Hamilton atrás de si. Enquanto os Mercedes, na altura claramente os melhores em pista - com um ritmo que lhes tinha garantido ganhar a enormidade de 3 segundos por volta, em média -, estivessem trás de Norris não estariam atrás de si próprio. E resultou.


Russel vinha há duas voltas a tentar passar Norris, com Hamilton colado à sua traseira, à espreita. Qualquer movimento de ultrapassagem poderia resultar em tudo. Tudo mesmo. Passando Norris, tanto Hamilton como Russel poderiam praticamente de seguida passar também Sainz. Mas também poderia correr tudo mal. E correu, com Russel a espetar-se, a destruir o Mercedes contra o muro, e a acabar ali com a corrida. Com a dele, e com o pouco, que poderia ter sido muito, que dela restava. A inevitável bandeira amarela acabaria por funcionar como a axadrezada da meta. Já nada mais podia acontecer!


Sainz acabou por ganhar bem. Fez uma grande corrida, plena de inteligência. Norris, o segundo, teve igualmente uma grande prestação, a confirmar que a Mclaren está mesmo de volta. Mas foi a Mercedes que a perdeu. Perdeu-a naquela decisão inicial imposta a Hamilton. Mas também na mudança de pneus, onde contava com o grande - e único - trunfo de ter dois jogos de pneus novos ainda para utilizar, com aquela bizarra decisão de mandar parar os dois carros em simultâneo.


Mas que foi uma grande corrida, foi. Por mim, já tinha saudades. Mas não tenho ilusões: vem aí o GP do Japão, e tudo voltará a ser como dantes. Não deve ser por acaso que a Red Bull nunca ganhou em Singapura.


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Quando parecia que a tempestade dos swaps teria já passado e que Maria Luís Albuquerque - mais trapalhada menos trapalhada, mais mentira menos mentira, mais omissão menos omissão – poderia agora dormir um bocadinho melhor, surge Almerindo Marques na comissão parlamentar de inquérito a garantir que a Estradas de Portugal, antes de fazer o seu swap, pediu  parecer ao Instituto de Gestão do Crédito Público. E que esse parecer não só foi positivo como vinha justamente assinado por Maria Luís Albuquerque.


Já todos há muito sabíamos que a ministra das finanças estava metida nesta estória dos swaps até às orelhas. Que mentira descaradamente no Parlamento e que, para a proteger, o governo a nomeara juíz em causa própria. Que até arquivos foram destruídos...


O que não imaginávamos era que os factos resistissem tanto. E que teimassem em não deixar esquecer aquilo que toda a gente quer que se esqueça!

sábado, 16 de setembro de 2023

Coisas do diabo


Hoje em Vizela o Benfica matou o fantasma. Não conseguiu foi matar o diabo. Um fantasma, mata-se. O diabo é que não!


O fantasma das paragens para as selecções morreu em Vizela, esta noite. E bem morto. Com uma exibição de luxo, exuberante mesmo na primeira hora de jogo, o Benfica demonstrou que as interrupções do campeonato não quebram a dinâmica da equipa, não afectam o ritmo exibicional, nem interrompem o estado da forma individual dos jogadores. É certo que dois deles - João Mário e Rafa - já não vão à selecção portuguesa, e só ganham com isso. Poupam-se pelo menos ao enxovalho, e isso já não é pouco. 


Desta vez o Benfica nem sequer permitiu aquela coisa do primeiro milho, já quase crónica. Nos jogos anteriores tinha-se sempre visto que os adversários entravam de peito feito, a pressionar e a ter bola. Não era por muito tempo, às vezes nem mais de 3 minutos, mas todos tinham começado assim. Hoje, nem isso. Foi desde o apito inicial a carregar sobre o adversário, torrentes contínuas de futebol atacante, bonito, vistoso e entusiasmante.


Os jogadores do Vizela não conseguiam sair da sua grande área. Só tocavam na bola para para interceptar uma ou outra tabela, um ou outro drible. O resto era correr atrás dela, e vê-la passar. Não sei como é a que Sport TV faz as estatísticas mas, se forem bem feitas, os 29% de posse de bola que atribuíram ao Vizela só podem corresponder ao somatório das fracções de micro-segundos que dura cada toque na bola para a interceptar. Mas como essas mesmas estatísticas davam apenas 4 oportunidades de golo atribuídas ao Benfica, coisa bem mais fácil de apurar, o mais provável é que não estejam bem feitas... Já para o Vizela, que fez o primeiro remate para a primeira - e creio até que única - defesa de Turbin, hoje estreado na baliza do Benfica, aos 65 minutos, contavam uma.


É que, só os dois golos, uma bola no poste e outra na trave, já somam quatro. Mas pronto, essa é uma história já velha.


O Benfica podia ter chegado ao intervalo com a história do resultado, e do jogo, resolvida. Mas não aconteceu assim. E na história ficam apenas dois golos. O primeiro bem cedo, aos 9 minutos, já para aí à sétima ou oitava jogada de puro regalo para a vista, concluída por Musa, de regresso á titularidade. E o segundo meia hora depois, num livre espectacularmente cobrado por Di Maria. Pela execução do génio argentino, e pela estratégia de ocupação da barreira, a impedir o guarda-redes de ver a bola partir. Nem se mexeu!


A morte do fantasma é pois uma boa notícia. Mas ... lá está. O diabo não morre. E chegou para acabar com um jogo tranquilo, controlado, dominado e cheio de espectáculo e transformá-lo numa coisa do ... diabo. Entrou pela cabeça do Aursenes, já por volta do minuto 70. Só mesmo o diabo podia puxar aquela mão para as costas do jogador do Vizela, dentro da área.


O diabo também tem coisas. E do céu, sem mais nem menos, caiu um penálti. Que Turbin o defendesse logo na estreia, era coisa de Deus. Não do diabo. E de repente, escapado de uma goleada, o Vizela passava a perder por 2-1. Que é sempre aquele resultado capaz de fazer levantar quem está de rastos. E os jogadores do Vizela passaram a parecer que tinham o diabo no corpo. Mas não. Foi sol de pouca dura.


O Benfica não voltou a ter controlo do jogo que sempre tinha tido. Mais por medo do diabo que do adversário. Ainda assim voltou a criar mais duas ou três oportunidades para restabelecer a tranquilidade no resultado. Mas lá voltou o diabo, agora na pele de Buntic, o guarda-redes do Vizela.


Nunca mais de lá saiu. E quando se viu em risco de sair, foi dar uma volta à Cidade do Futebol. Buntic defendia tudo - o diabo também faz milagres. E defendeu até, com a mão, fora da área, uma bola que Rafa lhe passava por cima para ficar com a baliza à espera do golo.


O árbitro não viu. O assistente, também não. O VAR viu, e chamou Luís Godinho para ver as imagens e expulsar o guarda-redes do Vizela. Só que enquanto o árbitro atravessou o campo para chegar ao monitor, o diabo fez a viagem do Minho a Oeiras. É isso, o diabo corre mais que o João Neves. Quando chegou às imagens já o diabo estava na Cidade do Futebol, a descobrir um fora de jogo de Rafa no momento do passe de Otamendi para ... Neres. Que tinha substituído Di Maria. Ou talvez para Cabral, que já substituíra Musa. Rafa já estava em jogo quando recebeu a bola de um deles, confesso que não sei exactamente qual.


As coisas do diabo são como o futebol - "são isto mesmo"! E lá arranjaram umas linhas com Rafa em fora de jogo por 22 centímetros no momento do passe de Otamendi. Que o passe para ele não tivesse sido aquele, para o diabo não interessa nada. E lá continuou o Vizela com 11 jogadores, e com o Buntic, a valer por seis ou sete. E a fazer que assustava.


Não assustava, mas nós chegamos a assustar-nos. Coisas do diabo. Ele anda por aí!


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O governo especilaizou-se em eufemismos. Na semana passada lançou mais um corte nas pensões dos reformados da função pública, cortando a eito tudo o que vá para lá dos seiscentos euros, e chamou-lhe regime de convergência de pensões. 


Há expressões que, mesmo não passando de autênticas fraudes, acabam por se entranhar, e esta é uma delas. Trata-se de um corte abusivo, imoral e inaceitável nas pensões da Caixa Geral de Aposentações, e não de nenhum regime de convergência nenhuma, como o próprio Marcelo Rebelo de Sousa reconhecia ontem, no seu habitual comentário televisivo dos domingos.


Dizia ele que se “a ideia é aproximar os trabalhadores públicos dos privados” então “não me convence porque ninguém me explica porquê”. Mas que havia uma explicação que o poderia convencer: é que, nos cofres da Caixa Geral de Aposentações, entram 4 mil milhões de euros por ano e saem 9 mil milhões. E concluía que, assim, não sendo o sistema sustentável, o governo teria que deixar de falar em convergência.


Nem mais: não há aqui nenhuma questão convergência dos sistemas de pensões no sector público com o do privado – essa é a estafada fórmula do governo de pôr portugueses contra portugueses – mas sim uma questão de sustentabilidade.


Mas há mais. Não basta deixar de lado este eufemismo mentiroso, é preciso explicar este problema de sustentabilidade, e isso Marcelo não quis fazer. É que a Caixa Geral de Aposentações foi obrigada a incorporar os fundos de pensões - com que todos os últimos governos, incluindo o actual, mascararam os défices, logo desde Manuela Ferreira Leite, no governo de Durão Barroso – dos CTT, da PT e da Banca.


Pois, da Caixa Geral de Aposentações saem todas estas pensões. E por conta delas não entra nada: entrou como receita extraordinária para as contas dos governos de Barroso, Santana Lopes, Sócrates e Passos. Entrou e desapareceu, para tapar défices, com a devida autorização da UE… como irá ter de voltar a acontecer!


Já não há é mais fundos de pensões…


É por isso que, sendo um corte abusivo, é imoral e inaceitável. E uma fraude chamar-lhe regime de convergência!

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Acabou a Vuelta 2013, agora é só chegar a Madrid. As três últimas etapas por terras – altos e baixos – asturianas apenas confirmaram a espectacularidade da Vuelta!


Tinha aqui dito à chegada do último dia de descanso, depois do Pirenéus, que as coisas se decidiriam entre os quatro - Nibali, Horner, Valverde e Rodriguez. Um deles seria o vencedor; um deles ficaria fora do pódio!


Fora do pódio ficou Joaquim Rodriguez - El Purito - não conseguindo no seu país repetir o que acabara de fazer em França. A confirmar a enorme dificuldade de estar no topo em duas - nas três é impossível - das grandes comeptições de três semanas. No último lugar do pódio ficou Valverde, que não lograra em França, apesar de excelente desempenho no Tour. A confirmar também o menor favoritismo que aqui lhes atribuíra, justamente pelo Tour que lhes pesava nas pernas.


A decisão da vitória ficou - e bem - entregue a Nibali e a Horner. E foi simplesmente espectacular!


Nibali foi resistindo ao longo das montanhas mas sempre em perda. O que ganhara no contra-relógio deu-lhe para gerir a liderança. Até certo ponto, até anteontem!


A primeira das três últimas e decisivas etapas, na chegada a Peña Cabarga, reduziu-lhe a vantagem para apenas 3 segundos. No dia seguinte, na chegada ao Alto Naranco, onde José Mendes chegou a dar a ideia de poder ganhar, chegando isolado ao último quilómetro, Horner atacou e ganhou 6 segundos, revertendo para si exactamente a mesma vantagem.


Ontem, na última, na mítica chegada ao Angliru, Nibali atacou, como não podia deixar de ser. Por duas vezes esteve na condição de virtual vencedor, por duas vezes o velho (42 anos e careca de sexagenário) Horner, cujo director desportivo é o nosso José Azevedo, respondeu. Foram os dois por ali acima, deixando para trás os dois espanhóis com que sempre conviveram na frente, e, quando parecia que a Nibali, com melhor ponta final, bastariam as bonificações na meta para ganhar, o americano quis deixar bem claro o que toda a gente já percebra: que era o melhor desta Vuelta!


Foi embora e ganhou. Espectacular!


Brilhantes os dois portugueses nesta terceira semana, sempre na frente naquelas subidas de arrepiar.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Vuelta 2023 - Lições

Team Quick Step's Belgian rider Remco Evenepoel celebrates winning the stage 18 of the 2023 La Vuelta


A 18ª etapa da Vuelta, hoje corrida pelas montanhas das Astúrias, era a última de alta montanha. Das três que faltam apenas a de sábado, a penúltima, uma daquelas tipo montanha russa de que Rui Costa gosta, poderá alterar, e ainda assim muito pouco, do pouco que pode mudar na classificação.


Sendo uma etapa de elevado grau de dificuldade, e tendo praticamente decidido a Vuelta, foi mais que uma etapa de confirmação da classe de Evenepoel, que entrou em fuga 12 quilómetros depois da partida, correu na frente os restantes 167, deixou para trás quem quis, e quando quis, ganhou as três classificações de montanha e garantiu a  respectiva camisola, e chegou isolado à meta, com quase 5 minutos de vantagem para o segundo (Caruso) e 10 para os principais da classificação geral. Foi uma lição de vida!


Foi, antes de mais, uma lição de ciclismo de Evenepoel. Mas também uma lição de vida. Esteve para abandonar depois da "catástrofe" do Tourmalet. Disse que foi a mulher que lhe pediu que não o fizesse e, por ela, continuou. E voltou a dar espectáculo como nenhum outro, e a ganhar. Ontem parecia ter desaparecido, depois de ter entrado em mais um fuga. Não desapareceu, apenas percebeu que não valia a pena investir nela. Que não era a certa, e mais valia resguardar-se para hoje. Para ganhar pela terceira vez, e demonstrar que é, física e mentalmente, um campeão.


Mas foi acima de tudo uma lição de vida de Vingegaard. A novela da Jumbo, com Kuss, Vingegaard e Roglic como personagens, tem aqui sido bastamente relatada. Quando, ontem, a juntar ao que já se passara na véspera, depois de deixar a liderança de Kuss presa apenas por 8 segundos, Vingegaard disse que gostaria que o seu companheiro ganhasse a Vuelta, a declaração soou ao mais vil da hipocrisia. Kuss só não acabara de perder a "vermelha" por ter tido a ajuda de Mikel Landa, e por em cima da meta o ter passado para assegurar os pontos da bonificação pelo terceiro lugar. Pediu desculpa ao corredor espanhol, disse-lhe que tinha vergonha do que acabara de lhe fazer, mas que a isso tinha sido obrigado pelos colegas de equipa.


É difícil intrepretar de outra forma aquela declaração do vencedor do Tour. Mas é possível acreditar que se arrependeu. Mas também que a direcção da equipa, porventura com receios de danos de imagem, tenha sido obrigada a reconhecer que os ataques de Roglic e Vingegaard a Kus passavam a ser intoleráveis.


Fosse pelo que fosse, a verdade é que, hoje, o campeão dinamarquês redimiu-se. A apenas 8 segundos do seu colega de equipa, hoje teve tudo para lhe ganhar essa diferença e até muito mais. E renunciou sempre. Na última subida, nos últimos 4 quilómetros, a mais de 10 minutos de Evenepoel, o grupo dos primeiros estava reduzido a seis corredores. Eles os três, e ainda os espanhóis Ayuso,  Mikel Landa e Enric Mas, os três a disputar o quarto lugar da geral, separados por 30 segundos. 


Todos atacaram, para se atacarem. A cada ataque de cada um deles, bastaria a Vingegaard responder para deixar Kuss para trás. Nunca o fez. Pelo contrário manteve o ritmo, impediu as tentações de Roglic, segurou sempre Kuss e acabou sempre a anular as tentativas dos espanhóis. Mas fez mais: nos últimos metros abrandou e deixou que os outros cinco se fizessem à meta, entregando 9 segundos ao seu colega. Para lhe dar a tranquilidade de 17 segundos de vantagem na liderança!


Não tenho a certeza que tenha sido bonito, mas foi o final feliz de uma novela que não estava a ser bonita. E Kuss vai certamente ganhar a Vuelta. Como merece. Como é justo. Não é o ciclista mais forte desta Vuelta, onde só faltou Pogacar para estarem todos os melhores do mundo. Evenepoel - traído pela súbita quebra no Tourmalet, mas isso é ciclismo -, Roglic e Vinguegaard, são mais fortes. Sem dúvida. Mas, por tudo o que tem feito por eles ao longo de anos, Kuss merecia a gratidão que tardou em ser demonstrada.


E só não consigo dizer que foi bonito porque Jonas Vingegaard deu, mas quis mostrar que estava a dar. Bonito é dar sem exibir. Já Roglic, nem isso.


João Almeida hoje não esteve nos melhores dias. Descolou do grupo dos primeiros ainda na penúltima subida, para depois fazer o que já é habitual - ir recuperando lugares. Perdeu cerca de 1 minuto, um pouco menos, para os seis primeiros. E manteve naturalmente o 9º lugar na geral, de onde dificilmente sairá.


 


 


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Um conjunto de figuras públicas, complementado – de forma que me não parece inocente - por uns jovens desconhecidos começou a surgir-nos nos ecrãs de televisão a avisarem-nos que “querem matar uma instituição com mais de dois séculos de História”. Depois interrogam-se (interrogam-nos): porquê?


A “instituição com mais de dois séculos de História” é o Colégio Militar. E a ameaça de morte é a admissão de meninas. Das meninas de Odivelas, exactamente!


Com a extinção do Instituto de Odivelas, igualmente uma escola do exército, mas feminina, as alunas foram transferidas – a ver vamos se integradas – para o Colégio Militar, coisa que levou o pavor à nobre, fidalga e marialva associação de ex-alunos daquela instituição centenária. E que me trouxe a mim enormes surpresas.


Desde logo a de alguém ver um mal naquilo que é um bem. Eu, que ainda sou do tempo da rígida separação de turmas masculinas e femininas, fico parvo de surpresa ao saber que, hoje, nestes dias que todos vivemos, uma escola masculina morre por se abrir a raparigas. Como é que aquilo que para mim seria uma bênção dos deuses é para esta gente um instrumento de morte?


Depois, a surpresa de ainda me não ter apercebido de nenhuma reacção feminista. Activistas que todos conhecemos, e em particular na blogosfera, estão surpreendentemente caladas. Reacções institucionais, que eu saiba, nada…


Bom, não conheço aqueles rapazes que aparecem a disfarçar aquele quadro de figuras públicas. Admito que sejam dos mais puros marialvas. Também não conheço o Luís Esparteiro se não das telenovelas que não vejo - o que não me impede de saber que é o que faz na vida - mas reconheço-lhe até um certo ar de marialva… Também não são os generais que por lá passam a surpreederem-me.


Mas se o marialva Adriano Moreira me surpreende, para o marialva José Fanha não encontro palavras. Dizer que me surpreende é pouco. E que me intriga não chega!


Porquê?

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Vuelta 2023 - Liberdade na ditadura da Jumbo

Roglic no cree que el Tour vaya a ser un duelo entre Pogacar y él


Tinha aqui escrito que Vingegaard e Roglic aguardariam ansiosamente um ataque de Ayuso, o quarto da geral e o primeiro fora da Jumbo para, nas últimas altas montanhas desta semana final, atacarem a liderança de Kuss.  Queria com isso dizer que tinha por certo que ambos queriam ganhar a Vuelta, mas que, nem eles, nem a direcção da Jumbo, teriam "lata" para atacar directamente o colega. O fiel escudeiro que tanto tem trabalhado para as suas vitórias, e que inesperadamente vira chegar a sua vez de ganhar. 


Estava enganado. Nem Ayuso, nem qualquer outro adversário, lhes deram essa oportunidade, e precisaram de outros pretextos. E até de pretexto nenhum.


Ontem, na 16ª etapa, entre Liencres Playa e Bejes lá no alto de La Hermida, bastou a Vingegaard o pretexto de  homenagear o colega Van Hooydonck, vítima nesse mesmo dia de um ataque cardíaco, seguido de despiste, quando seguia ao volante do seu carro, na Bélgica, e em crítico estado de saúde. Ganha-la-ia de qualquer forma, sem necessitar de deixar Kuss em dificuldades. Mas não. Atacou a sério, para ganhar a etapa e atacar a liderança. Ganhou mais de um minuto a Kuss e a Roglic, ficando a apenas 29 segundos da vermelha, e retirando o segundo lugar ao esloveno.


Hoje, na etapa mais dura da Vuelta, com a meta no mítico L`Angliru, já nem precisaram de pretexto algum. Simplesmente seguiam os três na frente, e iriam repetir o inédito feito do Tourmalet. Mas não. E desta vez foi Roglic. Atacou e Vinguegaard seguiu-o, deixando Kuss para trás. Era o dia do aniversário do americano, mas nem isso lhe valeu. 


Valeu-lhe o espanhol Mikel Landa, um adversário da Bahrein, que se lhe juntou e o levou na roda até à meta, onde Roglic fora primeiro, sem discussão com Vingegaard (também era só o que faltava). kuss até acabou por ser terceiro, repetindo o feito da equipa no Tourmalet. Mas foi um adversário que lhe deu a prenda de anos que os colegas lhe negaram, e que lhe permitiu até manter a camisola vermelha, agora presa por apenas 8 segundos. Para Vingegaard. Para Roglic, é mais um minuto. Nada que não resolvam certamente amanhã, o último dia de alta montanha.


Dizem, da equipa, que os três gozam de liberdade total para fazerem o que quiserem na corrida. Afinal há liberdade na ditadura que a Jumbo instalou nesta Vuelta. Não há é gratidão. Nem sequer respeito.


Também na UAE não funciona essa coisa a que se chama equipa. Já se tinha visto noutras ocasiões, em muitas delas com João Almeida com razões de queixa. Hoje foi ao contrário. Foi o português, com mais uma excelente prestação - sexto na etapa, a 58 segundos de Roglic - que se esteve nas tintas para Ayuso e para Soler. O jovem espanhol ainda se aguentou. Foi nono na etapa e segurou o quarto lugar da geral, se bem que já muito apertado por Landa, a apenas 16 segundos. Soler afundou-se, e caiu de sexto, a apenas 3 minutos de Kuss, para 13º, a 22. E foi justamente à sua conta que João Almeida, a acabar a Vuelta ao seu melhor nível (Kuss deve-lhe a ele não ter perdido já ontem a liderança, pois foi ele a "dar sapatada" que reduziu a vantagem de Vingegaard) subiu a nono, e praticamente garantiu um lugar no top 10. 


Ah... E Evenepoel já não é notícia. Mas ainda tem que defender amanhã o primeiro lugar da classificação da montanha.

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Admito que já nem todos se lembrem, mas o grande objectivo do governo e a bandeira de Vítor Gaspar, o regresso aos mercados, estava marcado para 23 de Setembro. Bem sei que não é na próxima segunda feira, é na outra!


Falta uma semana, e em vez de vermos os mercados a fervilhar de expectativa à nossa espera, ansiosos por nos receberem de braços abertos, vemo-los de costas viradas, lá muito longe, afastados como há muito não víamos. É exactamente isso que quer dizer a taxa de juro já bem acima dos 7% nos mercados secundários, ao nível do pior de 2011, quando o resgate era inevitável!


Quer isto dizer que, ao contrário do que vinha sendo apregoado pela máquina de propaganda ao serviço do governo, o país não recuperou confiança nenhuma. Os credores não acreditam que Portugal possa alguma vez pagar o que deve, e não há regresso nenhum aos mercados. Nem na data marcada por Passos e Gaspar nem em qualquer outra!


Porque, como sempre se disse, o programa da troika não batia certo e, no que batia, não foi executado. Veja-se a paradigmática reforma do Estado: absolutamente indispensável (reforma administrativa, reforma da justiça, desburocratização, eliminação de serviços duplicados e triplicados, reforma da administração local, reforma do sistema eleitoral, etc.) foi transformada numa mal amanhada junção de umas freguesias e no corte cego funcionários públicos.


E, por isso, como Vítor Gaspar enunciou sem rodeios na sua carta de demissão que quis tornar pública, tudo falhou.


Os objectivos de controlo do défice falharam sucessivamente, como irão continuar a falhar. Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque andaram toda a semana, em Bruxelas e em Washington, a tentar convencer a troika a mais uma flexibilização (de 4 para 4,5%). Sem êxito, ao que parece, mas também sem convicção, com a ministra das finanças já hoje a garantir que a meta estabelecida é para cumprir, que não há pedido nenhum de flexibilização, em conformidade com o seu chefe natural e em confrontação aberta com o chefe que lhe foi imposto. Bonito!


A dívida, que a máquina de propaganda do governo diz ser para pagar e estar a ser paga, não parou de subir e já passa dos 130% do PIB. Impagável, como toda a gente sabe. Se antes se falava da renegociação da dívida como condição sine qua non para o sucesso da recuperação económica e financeira do país, hoje já não há economista sério que não tenha que dizer que sem perdão de dívida, sem hair cut, não há recuperação possível.


É por isto que ninguém já acredita no chamado programa de ajustamento.  Mas, para Maria Luís Albuquerque, não é por nada disto. 


É pelo Tribunal Constitucional. Exactamente em conformidade com o seu chefe natural e, mais uma vez, em confrontação com o chefe imposto!


Dramático. Por cá ninguém põe ordem nisto: não há oposição, Seguro é cada vez mais uma anedota e Cavaco auto mutilou-se. E a União Europeia continua congelada pelo frio do norte, imobilizada, como se nada percebesse do que se está a passar, como se voltou a ver hoje na reunião do eurogrupo. Ou irresponsavelmente na lua, na pessoa do seu suposto responsável máximo...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...