domingo, 31 de agosto de 2014

Como é que dois golos daqueles valem o mesmo?

Por Eduardo Louro


 


O dérbi deu empate, a um golo. Mas nem devia valer que aqueles dois golos valessem a mesma coisa.


Por isso o resultado é injusto. Mas não é só por isso. É também injusto porque o Benfica teve mais oportunidades de golo, foi mais assertivo no jogo e foi melhor que o Sporting durante mais tempo. E quando foi melhor, foi melhor que o Sporting quando foi melhor!


À parte disto tudo parece-me que foi um jogo marcado por um factor muito importante, em tudo na vida, mas particularmente no futebol. Não, não é de sorte que estou a falar. É de confiança!


A confiança que Artur roubou à sua equipa e que simultaneamente deu ao adversário. E a confiança que Jorge Jesus não tem nos jogadores que estão sentados ao seu lado no banco.


Quando tanto se falou das opções de Jesus para a baliza, achando, uns que entregar a titularidade a Júlio César seria um risco desnecessário, e outros que Artur passa rapidamente de herói a vilão, ou que terá mais aptidões para vilão que para herói, o treinador do Benfica optou pela decisão mais confortável, esperando que fosse o número 1 a resolver-lhe o problema. Pena que ao resolver-lhe o problema tenha resolvido também o resultado!


Depois, Jorge Jesus deixou claro que não tem grande confiança nos jogadores que não escala directamente para o onze inicial. Só isso explica que tenha feito uma única substituição, e aos 86 minutos, quando tirou o Talisca entrar o Derlei.


Mas tem toda a confiança justamente no jogador que substituiu, que insiste em manter como segundo avançado, perdendo uma boa opção para o meio campo para não ganhar um segundo avançado e acabar a perder a única opção a que deita mão: Lima. Talisca é mesmo o mais estranho caso na actual equipa do Benfica. Percebe-se que tem dois grandes atributos: a capacidade de passe à distância, e a altura, fora do comum. Ao usá-lo como segundo avançado perde-se por completo o seu maior atributo técnico, a capacidade de passe, e ao utilizá-lo na marcação das bolas paradas, em especial nos cantos e livres laterais, perde-se a possibilidade de usar a sua elevada estatura. Parece-me, não sei…


O Sporting foi Rui Patrício, que salvou o empate. E Wiliam Carvalho. E não foi Nani, mas pode ser que ainda venha a ser!


E o árbitro tinha de ser o Pedro Proença. Não havia volta a dar, depois do que se vira nas duas primeiras jornadas… Não foi tão mau como de costume, e não foi por ele que o Benfica deixou de ganhar o jogo. Mas, e apenas por exemplo, os dois centrais do Sporting conseguiram chegar ao fim do jogo sem um único amarelo, quando um aos 8 minutos já podia estar com o segundo e o outro, um armário descomunal, passou o jogo todo a atropelar quem lhe aparecesse à frente.

sábado, 30 de agosto de 2014

Combinação perfeita

Por Eduardo Louro


 


 


A entrevista de Judite de Sousa a Cristiano Ronaldo foi, sem qualquer dúvida, o acontecimento televisivo da semana. E mais um grande êxito para a TVI!


O entrevistado é garantia de sucesso de audiências, sem dúvida, mas a entrevistadora, neste momento, não o seria menos. O regresso de Judite de Sousa aos ecrãs, depois do drama pessoal por que passou, e que encheu páginas e páginas das revistas que vivem da exploração sem limites de tudo o que envolva figuras públicas – quanto mais públicas, e quanto mais extremas as circunstâncias que as envolvam, melhor – seria sempre um grande sucesso de audiências. Estou convencido que o entrevistado passaria sempre para segundo plano, fosse quem fosse. Não tenho grandes dúvidas que o sucesso de audiências seria igualmente garantido se o regresso acontecesse nas conversas de domingo com Marcelo Rebelo de Sousa. As pessoas queriam vê-la e ouvi-la – como está vestida, como se apresenta, se está abatida, se a voz lhe treme… – a ela, o entrevistado viria a seguir.


Só que Cristiano Ronaldo não é uma figura qualquer. É, na circunstância, uma vedeta de primeira grandeza mundial e acrescentaria sempre mais que qualquer outro entrevistado. Nestas circunstâncias, juntar à entrevistadora Judite de Sousa o entrevistado Cristiano Ronaldo era simplesmente a combinação perfeita. Uma combinação que, confesso, me surpreendeu.


Ouvi hoje dizer que foi o próprio Cristiano Ronaldo que, virando as coisas do avesso, tratou de procurar a jornalista da TVI e de se lhe oferecer para este regresso … e isso já não me surpreendeu nada.


Acredito que assim tenha sido. Não vejo, de resto, melhor razão para esta combinação perfeita!


Mais que a entrevista, e mais que alguns pormenores de biblioteca, nada inocentes – porque com o valor comercial da imagem de CR7 ninguém brinca, é tudo a sério –, o que mais me impressiona é esta capacidade que Cristiano Ronaldo tem para engrandecer a sua dimensão.


Não é apenas o melhor jogador do mundo. É muito mais que isso! 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Que pobreza!

Por Eduardo Louro


 


Esta seita é duma pobreza criativa confrangedora. Não conseguem ter imaginação para mais, então põem os jornais todos a anunciar aumentos de impostos no orçamento rectificativo para, depois, a notícia ser que não aumentaram os impostos!


O CDS vem e diz, alto e bom som, que não houve aumento de impostos, com aquela cara de quem, baixinho e de indicador espetado em direcção ao esterno, diz: fomos nós, fomos nós… se não fôssemos nós eles tinham aumentado os impostos. O PSD não lhe fica atrás e, pela voz de um Marco António triunfante, como se acabadinho de chegar de mais uma vitoriosa campanha de conquistas do império, ficamos a saber que há uma muito boa notícia: “não há aumento de impostos”!


Uma vez ainda teria graça, e até se poderia dizer que havia ali alguma imaginação. Agora, assim, tão repetido… E sem se rirem...


Que pobreza!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Estão muito caros, os milhões...

Por Eduardo Louro


ucl grupos


 


Ao Benfica, no sorteio dos grupos da Champions, não saiu a fava. Sairam as favas todas!


No pote 1, como o Porto -não deixa de ser curioso que, no pote dos mais fortes nos critérios da UEFA, com apenas quatro países representados, Portugal tenha dois clubes, tantos quanto a Inglaterra, menos um que Espanha e mais um que a Alemanha - o Benfica não foi feliz, ao contrário do Porto, e especialmente do Sporting, que integrava o pote 3, e a quem, do pote 1 saiu em sorte o Chelsea.


Do pote 2 saiu o Zénite para o Benfica, o Shakhtar Donetsk ao Porto e o Schalke 04 ao Sporting. Do pote 3, do Sporting, saiu o Bayer Leverkusen ao Benfica e o Athletic Bilbao ao Porto. E do pote 4, dos mais fracos de todos, saiu o Mónaco - que só lá podia estar por engano - ao Benfica, enquanto a Porto e Sporting saíam duas das pêras doces do pote, respectivamente o Bate Borisov e o Maribor.


O grupo do Porto é talvez o mais acessível de todos, e em dúvida está apenas quem o acompanhará no apuramento para os oitavos. É apenas por falta de história que o Sporting poderá não ter a obrigação de acompanhar o Chelsea, de Mourinho, no apuramento. Mas até por isso, por ausência de pressão, tem a vida facilitada e mesmo que tudo lhe corra muito mal tem garantida a presença na Liga Europa. Já no grupo do Benfica qualquer uma das qautro equipas pode aspirar ao apuramento. Mas toda a gente sabe do poderio do milionário Zenite de Vilas Boas, este ano ainda mais reforçado e cheio de jogadores que nos últimos anos brilharam no Benfica - Witsel, Javi Garcia e Garay. Ou do igualmente milionário Mónaco, de Leonardo Jardim, já desfalcado de James Rodriguez, mas reforçado pelo regresso de Falcão e ... por Bernardo Silva. E o Bayer Leverkusen é apenas, actualmente, a segunda melhor equipa alemã!


Quer dizer, os pontos que valem milhões estão muito caros para o Benfica e ao preço da uva mijona para o Porto... Mas parece que os jogadores também!

Meet para hoje

Por Eduardo Louro


 


Está marcado para hoje um meet ali para a Gomes Teixeira. É o clássico dos meets, o mais emblemático e junta muito mais gente, de muito mais má fama, que o de ontem, no Colombo. Mas também muito menos jornalistas e polícias!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Gente Extraordinária LI

Por Eduardo Louro


 


O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) achou que tinha finalmente chegado a hora de dar contas da avaliação do desempenho da selecção nacional no Mundial do Brasil. Dois meses depois!


A conclusão foi óbvia, e tem seguramente a vantagem de pôr toda a gente de acordo: incompetência, disse ele. A péssima prestação da selecção nacional foi fruto da incompetência. Incompetência de quem? Incompetência onde?


Isso não interessa nada. Incompetência (ponto).


A deslocação aos Estados Unidos foi uma decisão competente. Como Campinas, e o timing de chegada ao Brasil, foi competente. O seleccionador Paulo Bento foi, é e será mais que competente. Tão competente que até lhe foram reforçados os poderes. Foi promovido e deverá ser já o DDT (dono daquilo tudo). Fernando Gomes não pode ser juiz em causa própria, mas é seguramente competente. Tão competente que tinha renovado o contrato milionário do competente seleccionador nacional pouco tempo antes da partida para o Brasil, para que nada lhe faltasse. Nem a tranquilidade, a sua imagem de marca...


Houve portanto incompetência sem que tenha havido incometentes. Houve incompetência, mas não houve agentes dessa incompetência, o que, sendo uma originalidade nacional, já nem sequer é muito original.


Quem não acredita nestas originalidades ainda é levado a pensar que incompetentes foram os jogadores. Mas logo afasta essa ideia quando, sobre eles, nem uma palavra... Fernando Gomes falou de necessidade de renovação, mas isso não é falar de jogadores. E, com toda a certeza, a próxima convocatória de Paulo Bento, que está por dias, será mais do mesmo. Dos mesmos!


Ah! O médico Henrique Jones foi despromovido. Aí está... o incompetente. Bem me parecia!


Gente extraordinária este Fernando Gomes e esta da FPF... 


 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Taxas de juros em mínimos históricos

Por Eduardo Louro


 


Isto é que é governar... A dívida já vai nos 134% do PIB. O Estado gasta mais, mas também cobra mais impostos, e a execução orçamental treme mas não cai... E o rectifcativo segue, tranquilo...


As taxas de juro não param de cair. São o triplo das alemãs, mas o que importa é que estão abaixo dos 3%. Obra do governo, claro... E da credibilidade... E de tudo o que quiserem, que não será certamente pouco. 


Que importa que basta que Mário Draghi diga que já chega de austeridade na Europa para que as taxas de juro caiam logo seguir? Ou que nem assim os juros parem de crescer no total da despesa pública? Ou que o governo não dê estímulos à economia, justamente o que Draghi anuncia e provoca precisamente a queda das taxas de juro?

Força Ruben

Por Eduardo Louro


 


 


A espécie de polémica criada – ou pelo menos criada de forma tentada – à volta do sintético do Bessa, levou o Petit a apresentar alguns argumentos de defesa: a aprovação com classificação máxima pela FIFA e, o mais relevante, que durante os dois anos que lá jogou como jogador-treinador do Boavista não teve conhecimento de qualquer lesão grave.


Pareceu premonitório. Bastou que por lá passasse Ruben Amorim… O azarado jogador do Benfica, a quem as sucessivas lesões cortaram certamente as asas de uma carreira de nível mundial, não resistiu mais de meia hora: rotura completa de ligamentos … e mais sete ou oito meses de calvário!


Força Ruben. Vá campeão, já venceste tantas, vence mais esta… por nós e por ti!

Governo bom e governo mau reunidos em conselho de ministros

Por Eduardo Louro


 


O governo está reunido, dizem que à volta do orçamento rectificativo, o segundo do ano.


Os jornais anunciavam novo aumento do IVA, agora subindo a taxa máxima para 24%. A notícia foi ganhando vida, e a decisão seria tomada no conselho de ministros extraordinário de hoje.


O CDS, sempre a querer fazer-se passar pelo governo bom, é contra. Mas também se sabe que para Portas já não há linhas vermelhas… Passos não se importa muito de ser a cara do governo mau, convencido que isso facilmente se converte na cara de mau do governo que, bem trabalhada, com muito fotoshop, até dá para ficar bem na fotografia. E lá vai dizendo que por agora não há nenhum aumento de impostos, mas que para o ano não pode prometer nada…


Saia o que sair, a culpa será sempre do Tribunal Constitucional. Que, já descontando a interrupção no corte de salários, a despesa continue a subir, como ontem se ficou a saber, não é da conta do governo. Nem do bom, nem do mau. E que isso decorra do descontrolo nos gastos de funcionamento dos ministérios é pormenor que não interessa para nada…


Por exemplo, os jornais ainda ontem davam conta da despesa de um milhão de euros na frota de automóveis para os chefes de gabinete ... do governo bom e do governo mau. Mas isso certamente que já tinha dotação orçamental!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Peter Lim é o braço armado de Jorge Mendes?

Por Eduardo Louro



 


Peter Lim é o braço armado de Jorge Mendes?


Ou será ao contrário? 


Ou será o eterno problema do ovo e da galinha? 


Jackson Martinez vai ajudar a levantar a ponta do véu...


 

domingo, 24 de agosto de 2014

O regresso ao Bessa

Por Eduardo Louro


 


Mal acabou o jogo pus-me a andar para o largo do mosteiro, onde The Gift, a jogar em casa, se aprontavam para um grande concerto, provavelmente o melhor de sempre. Lá fui a correr, e de lá venho, de alma cheia.


Por isso deixo aqui apenas quatro notas sobre o jogo que marcou regresso do Bessa como grande palco do futebol indígena, e que o Benfica ganhou por um escasso golo e com alguma dificuldade.


A primeira para dizer que nem pareceu que o Boavista esteve fora estes anos todos. Estava tudo no mesmo sítio, como se ninguém tivesse mexido em nada, e nada tenha mudado: pontapé para a frente e canela até ao pescoço …  


A segunda para dizer que o árbitro Marco Ferreira foi mais uma nomeação cirúrgica. Chegou a dar para prever o pior, que acabou por não acontecer, mesmo que muita coisa errada tenha acontecido.


Depois para dizer que será muito difícil que uma equipa que jogue com Jara seja campeã onde quer que seja. Mas não o será menos difícil sem que Lima marque, um golo que seja. E não se está bem a ver quando é que isso poderá acontecer!


E finalmente para pedir que acabem de vez com a estória do Enzo Perez. Não é só porque já cheira mal… é que, do outro lado, o Jackson Martinez continua a jogar. E a marcar. E a resolver os jogos, todos a fio… Se todos sabemos que a situação de ambos é idêntica, e que irão os dois ao mesmo tempo e para o mesmo sítio, não se percebe por que é que, entretanto, um joga – e de que maneira, resolve tudo – e outro, o nosso, não!


Não queria dizer mais nada, eram mesmo só estas quatro notinhas. Mas tenho que também ter uma palavra para o treinador adjunto do Boavista (mas principal no papel, porque o Petit é o treinador de factum, mas não o pode ser de jure), Daniel Silva de seu nome: quem fala assim não é gago, mas também não sei o que é…


 

Dificuldades

Por Eduardo Louro


 


O United perdeu os seus dois centrais -Vidic e Ferdinand -, que não eram nada fáceis de substituir. Para dificultar ainda mais as coisas, Van Gaal - que, a continuar assim, há-de arranjar muitos amigos em Manchester - usa três centrais na equipa, como fazia com a selecção holandesa. Se já era difícil arranjar dois, mais difícil, evidentemente, é encontrar três.


Isto explica Rojo. Mas torna muito mais difícil de perceber Garay... É mesmo complicado este Van Gaal. Muito ele gosta de dificultar as coisas...


 

O mote

Por Eduardo Louro


 


A primeira intervenção pública de Passos Coelho, depois do Pontal, fez ontem uma semana, confirmou o acentuar do rumo populista para que apontou a agulha de final de mandato, virado para as eleições que aí vêm. Está lançado o mote!


Há pouco, em Valpaços, numas daquelas inaugurações que vêm mesmo a calhar, e que só servem mesmo para isso, enchia o seu discurso com conversa de igualdade de oportunidades e de tratamento.


Dizia que o Estado tem que olhar para todos de igual forma, sem previlégios sempre para os mesmos. E que os bancos não podem apoiar os conhecidos em desfavor dos que ninguém conhece... Que têm que olhar é para as ideias e para os projectos, e não para quem os apresenta. 


Pois... Quem diz isto não é só o chefe do governo que mais acentuou a desigualdade em Portugal, que mais retirou ao mais pobres, desde apoios sociais a serviços básicos, que mais favoreceu as grandes empresas e mais penalizou as pequenas...  Que num dia agradece a pipa de massa a Durão Barroso e no outro lhe coloca o filho no Banco de Portugal... É, para lá de tudo isso, ainda o tipo que na Tecnoforma abria as portas todas... 


 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

E passou a haver outras coisas para contar... (VII)

Por Eduardo Louro


 


Há uma certa dificuldade em perceber por que é que os activos do BES, estejam eles no banco bom (bom para quem? – é a pergunta que se começa a fazer) ou no mau, haverão de ser vendidos em saldo. Ou, pior ainda, sem total transparência...


Depois da OPA manhosa dos mexicanos da Angeles sobre o negócio da saúde, agora é a Tranquilidade a ser entregue aos americanos da Appolo Global Management por 50 milhões de euros.


A continuar assim vai tudo por lindo caminho. Vai...vai!


 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Atracção fatal

Por Eduardo Louro


 


Com o BPN foi o que se sabe, por muito que queiram fazê-lo esquecido. Agora com o BES é o que vê: participação directa no embuste, proclamando a almofada financeira. E silêncio absoluto, depois do desastre que, como diz hoje Miguel Cadilhe em entrevista ao Diário Económico, deixou Portugal de luto.


Não há escândalo financeiro em que o Presidente da República não veja o seu nome envolvido. O grupo Espírito Santo, enquanto tal mas também individualmente, foi o grande financiador das suas campanhas... 


Já nem à crítica do seu antigo ministro das finanças, e durante tanto tempo seu fiel escudeiro, escapa: "a elite portuguesa política, empresarial e institucional está toda posta em causa”. Como em causa estão "o regime e a estrutura da República, as instituições da República”. Sempre com a conivência de Cavaco Silva, permite concluir...


 


 

Populismo em férias*

Convidada: Clarisse Louro


 


Há muito que Passos Coelho, entre as muitas outras surpresas que me reservou, me surpreendeu com traços do mais primário populismo, manipulando cada vez com maior mestria dois dos seus mais eficazes factores de sustentação: a demagogia e o providencialismo.


Ainda no passado sábado, no seu discurso do Pontal – mesmo que longe do velho Pontal, de Faro, continua a servir à designação da rentrée política do PSD – isso foi mais, que evidente, chocante!


Poderia retirar justamente daí uma série quase infindável de passagens que atestam a forma como Passos Coelho mistura a demagogia mais básica e rasca com a missão providencial que, de tanto querer convencer os outros, já ele próprio está convencido que lhe foi destinada.


Por limitações de espaço – a que hoje tenho de obedecer – não seguirei esse filão e vou tentar transmitir a mesma ideia através de outro episódio mais simples, e por isso mais rápido de tratar. Refiro-me às suas famosas férias de Manta Rota!


Pedro Passos Coelho tem todo o direito de passar as férias onde quiser. Até em Manta Rota, onde, mas não como, ao que se sabe sempre fez. Ora aí está: tem todo o direito de fazer férias onde fazia, mas então teria de as fazer como as fazia.


Quer transmitir a ideia que mantém o regime de férias anterior ao exercício das suas funções de primeiro-ministro. Que não vai para resorts de mais ou menos luxo, longe da vista do povo. Que não vai de férias incógnito e para local desconhecido, em circunstâncias mais ou menos adequadas de privacidade e reserva que as suas funções impõem, mas à vista de toda a gente, na mesma praia e nas mesmas condições do cidadão comum e mesmo dos menos abonados, correndo até o risco, agora que abriu a perseguição fiscal a esse tipo de oferta turística, de lhe pedirem o recibo da renda da casa. Mas não dispensa um aparato de segurança invulgar, nem se incomoda com os incómodos que isso causa a todos os outros. Nem com o fecho de todas as ruas das imediações, tornando num inferno a vida dos que, ali, são seus pares. Nem sequer se sente incomodado com as câmaras de televisão que invariavelmente tem a cada chegada, a mostrar o caricato que é o primeiro-ministro, que em funções não dispensa o seu Mercedes classe S, chegar no seu Renaultzito…mas rodeado de carros com seguranças. E também não se preocupa que as suas férias, com o policiamento público e a segurança privada que exige, saiam muito mais caras ao erário público que uma estadia num resort de luxo!


Isto é populismo. Do mais rasca!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Um conto de Verão

Por Eduardo Louro


 


Era uma vez um jogador de futebol... Foi mandado para casa e impedido de entrar nas instalações por ter forçado o seu clube a aceitar as condições de uma desejada transferência, recusando-se a treinar. Dois ou três dias depois foi ao “perdoa-me”, o reality show que, mais que um programa, é a própria razão de ser da televisão de um clube de futebol.  Pediu desculpas e fez renovadas promessas de amor e fidelidade.


Logo se percebeu o final feliz e que aquele era o preço que o senhor com cara de mau exigia ser pago. Era aquele, só aquele e não o outro de muitos milhões que o senhor da cara de mau anunciara com voz grossa … Depois havia ainda outro jogador de futebol que há muitos, muitos anos tinha seguido caminho idêntico, de quem o clube encantado se queria agora ver livre, mesmo pagando. E muito. Só que o amor deste jogador de futebol ao clube donde há muito tinha partido já não era o que tinha sido. Não tinha nada a ver com o amor pelo outro jurado, e não estava nada interessado em regressar tantos anos depois de rabinho entre as pernas.


Reflectiu, pensou melhor, e lá chegou à conclusão que não era assim tão mau. Sempre seria preferível regressar a onde teria garantido o lugar de estrela da companhia a andar por aí aos caídos, correndo o risco de não encontrar clube ou, encontrando-o, de não conseguir a jogar mais que uns poucos minutos em todo o ano. E como não perdia nada, o clube encantado continuaria a pagar-lhe tudo...veio.


Foi a apoteose. A chegada o aeroporto teve o encanto das mil e uma noites no regresso do filho pródigo, enquanto um pouco mais abaixo o senhor da  voz grossa, mas já sem cara de mau, saía em ombros pela porta 10 A. Lá bem ao fundo, no meio da equipa B, Slimani contemplava embevecido…

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Podem estar descansados... Ai podem, podem!

Por Eduardo Louro


 


Já se sabia que o próximo seria o Montepio, como também já toda a gente reparou que a informação solta que vai caindo aqui e ali, não passa de preparação da opinião pública para mais um escândalo. Começou com os 150 milhões enterrados no GES, e logo a seguir com a auditoria forense...


Também já se sabia que eles são todos iguais, repetem todos as mesmas coisas. Mas já deviam saber que, se há hoje frases proibidas, a dos clientes podem estar descansados é a mais proibida de todas. Já toda a gente sabe o que vem a seguir... 


Por exemplo, logo a seguir começa a dizer-se que o banco tem 2 mil milhões de crédito concedido sem garantias. Que até pode nem ser bem assim, mas quando é o mesmo Tomás Correia, logo a seguir, a dizer que é normal e totalmente seguro ter crédito sem garantias, descansados é que os clientes não ficam...


Nem os outros!


 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

De volta ao sub-prime

Por Eduardo Louro


 


Se bem me lembro (saravá grande Vitorino Nemésio!) tudo isto começou com a crise do sub-prime, nos Estados Unidos. Que foi uma coisa que teve a ver com a bolha imobiliária, que levou o mercado a vender casas a quem não as podia comprar, e os mercados financeiros a esfregar as mãos com a oportunidade de enganar muita gente durante muito tempo, através de produtos financeiros cada vez mais complexos que tinham simplesmente na origem esse crédito concedido a quem nunca o poderia pagar. Depois, sabe-se como foi: começou tudo a cair que nem um baralho de cartas, faliu o Lehman Brothers e a coisa espalhou-se pelo mundo mais rapidamente que o ébola…  


Vieram as crises das dívidas soberanas, a crise do euro e, para cá, a troika e o Passos. Mas por que é que estarei a ir agora desenterrar isto, perguntará o leitor. Não o vou deixar mais tempo na expectativa…


É porque, por cá, não houve nenhuma crise de sub-prime, nem exactamente bolha imobiliária, apesar de lá ter andado perto. E no entanto, percebemos agora, a banca não deixou de, passados estes anos todos, ficar também encharcada em produtos tóxicos. Só que em vez de terem origem em crédito a maltrapilhas têm-na em crédito aos mais ricos de todos. Em vez de resultarem de imparidades de quem não pode pagar, resultam de imparidades de quem não quer pagar!


Por isso faliu agora o nosso Lehman Brothers, arrastando consigo dezenas de milhares de milhões de euros roubados à economia, muitas empresas e até, sabe-se lá, outros bancos. Mas, como se tudo isto não fosse já suficientemente grave, ainda vai sobrar agora o nosso sub-prime.


Não porque tenhamos tido de regresso qualquer bolha imobiliária – coitada da indústria, que já leva longos anos de agonia. Nem porque a banca tenha desatado a abrir os cordões à bolsa para crédito imobiliário, longe vão esses anos. Apenas e só em resultado da revolução fundamentalista que Passos Coelho determinadamente levou a cabo no país, uma espécie de lavagem de alma, de purificação dos portugueses mergulhados no pecado capital de viverem acima das suas possibilidades, que ficará conhecido como o maior processo de empobrecimento alguma vez imposto a um povo.


A vasta carteira de crédito à habitação da banca portuguesa é hoje um imenso sub-prime. O mercado imobiliário caiu mais de 50% e as casas objecto de crédito valem hoje, em muitas das vezes, menos de metade do valor em crédito. E os devedores, que á data da contratação do crédito tinham rendimentos que garantiam a sua sustentabilidade, estão hoje desempregados ou com cortes de 30 ou 40% no rendimento.


Quer dizer, depois destes anos todos, voltamos ao início de tudo! 

domingo, 17 de agosto de 2014

Quebrado o enguiço

Por Eduardo Louro


 Benfica inicia defesa do título com triunfo


 


Aí está o campeonato. O campeonato do regresso do Boavista, agora certamente Boavistinho, que isto já não dá para Boavistões. E também o campeonato da Liga sem patrocínios, bem estampado na monocromia dos painéis expostos na zona das entrevistas rápidas. Preocupante, sem dúvida!


O Benfica contrariou a regra de não entrar a ganhar. Desta vez arrancou com uma vitória que, valendo os mesmos três pontos de qualquer outra, tem o seu quê de especial. Desde logo por quebrar um enguiço que quem assistiu ao início do jogo apostaria estar aí para durar…


Porque o Paços de Ferreira, marcado pelo regresso – com toda a dignidade, é de salientar – de Paulo Fonseca, entrou muito bem, superiorizando-se no meio campo e assegurando a partir daí o controlo do jogo, mas também porque desde logo se percebeu que Cosme Machado estava ali por encomenda. Bem se esforçou para que a tradição se mantivesse, começando por amarelar logo a abrir o Enzo Perez para, pouco depois, inventar um penalti contra o Benfica. Depois, e até ao fim, foi sempre igual a si próprio, ele que é um velho conhecido…


O Benfica não jogou especialmente bem, durante muito tempo faltou-lhe velocidade e dinâmica, com os jogadores muitas vezes sem profundidade. Mas passados os primeiros vinte minutos, em que o Paços foi claramente superior e em que Artur, apostado em vender caro o lugar, segurou o jogo quando defendeu o penalti, e alcançado o golo inaugural numa combinação de excelências – o excelente toque do excelente Gaitan para a excelente desmarcação, com o não menos excelente remate do excelente Maxi (o homem do jogo) –, o Benfica assegurou definitivamente o domínio do jogo.


Os problemas que o jogo pôs, para além dos postos pelo Paços, tiveram a ver com Enzo, que nunca se encontrou com o jogo, o que só por isso não é tão estranho como a sua saída, ainda na primeira parte, e que deverá querer dizer algo de muito parecido com adeus. E com Talisca, que sendo evidentemente jogador, não é um avançado... Por isso Jorge Jesus teve de andar às voltas com aquele meio campo, que só verdadeiramente estabilizou com André Almeida e Rúben Amorim. 


No fim de contas valeram os dois golos da ala direita, porque também o segundo, do Salvio, foi excelente. E valeu que Luisão voltou a mostrar por que é que não pode sair para lado nenhum! 


E parece que afinal, porque saiu quem saiu e virá a sair quem vier ainda a sair, Jara vai mesmo ficar no plantel. E hoje até jogou qualquer coisa... Se o Jesus vier a fazer dele jogador será certamente a cereja no topo do bolo. Não acredito, mas cá estarei para, com todo o gosto, dar a mão à palmatória.

sábado, 16 de agosto de 2014

Remediar o irremediável?

Por Eduardo Louro


 


 


A semana que está a terminar marca o regresso dos bombardeamentos americanos ao Iraque. Hoje mesmo, logo depois da meia-noite, os caças-bombardeiros norte-americanos lançaram o maior dos ataques até ao momento contra posições dos jihadistas do Estado Islâmico (EI), depois de umas primeiras notícias que davam conta da estratégia americana de armar os curdos, para lhes entregar as tarefas de combate ao fundamentalismo islâmico a quem os deslumbrados, ignorantes e irresponsáveis Bush, Blair, Asnar e Barroso entregaram o Iraque.


É difícil remediar o irremediável, e  na política externa americana tem sido frequente que a emenda saia pior que o soneto. O próprio Iraque, e Sadam, foram exemplo disso, e da última vez que decidiram armar uns para combater outros deu no que deu no Afeganistão…


Já nada consegue remediar os disparates aventureiros de Bush, o Iraque jamais voltará a ser o tampão que era ao crescimento do jihadismo e o mundo nunca mais será tão seguro como era até 2003, mas seria talvez tempo de aprender alguma coisa com a História.


Por isso, e porque não é bonito mandar limpar aos outros a porcaria que fizemos – mas esse é o lado para os americanos dormem melhor –, é bom que, se forem capazes, resolvam agora o problema, sem voltar a mexer em mais um enxame…

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Rentrée

Por Eduardo Louro


 


Não poderei dizer que estou a ouvir o chamado discurso do Pontal de Passos Coelho. Falta-me paciência para isso…


Mas cada vez que olho para a televisão ouço um tipo a falar de coisas que tem para fazer, que estão mal e têm de ser mudadas… Como se não fosse primeiro-ministro há mais de três anos e não estivesse a meses de concluir o mandato. Ou talvez precisamente por isso! 


As rentrées este ano serão assim, a olhar para o ano que vem... À excepção do PS, que não tem rentrée. Não sei se por não terem férias se por, a fazê-la, ter de fazer duas...


Ah... E ouvi falar de maioria silenciosa. Mas deveria ser a brincar, porque já nem o Pontal existe...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Uma questão de tempo

Por Eduardo Louro


 


 


Posso estar enganado, mas creio bem que era mais aguardada a entrevista de Luís Filipe Vieira que a decisão do Tribunal Constitucional, os dois happenings do dia.


E Luís Filipe Vieira não desiludiu, não frustrou as expectativas e foi igual a ele próprio. O que quer dizer que disse o mesmo de sempre – mesmo quando o que há para dizer é diferente – e convenceu os mesmos de sempre, que era aliás o seu objectivo. O tempo se encarregará de o desmentir, mas isso depois já não conta para nada. Porque a memória é sempre curta, e quando o não for é sempre possível um refresh: voltar a tirar o mesmo coelho da cartola!


O entrevistador - Hélder Conduto - foi, como sempre, sério e a entrevista foi profissional, o que tanto o honra a ele como à BTV. A entrevista correu como têm corrido todas as que o presidente do Benfica tem dado a todas as outras estações. O Helder Conduto aceitou as explicações das saídas de Oblak e de Garay, e não questionou a inevitabilidade subjacente. Não perguntou, por exemplo, por que o contrato de Oblak não foi revisto logo no final da época, com a consequente revisão da cláusula de rescisão. Nem por que carga de água, estava tão zangado com o jogador, que elevou à categoria de vilão, e nada incomodado com a atitude do Atlético de Madrid, ao ponto de, quando tinha tanto por onde, lhe não colocar nenhuma dificuldade. Nem se não teria sido um bom negócio para o Benfica renovar atempadamente com o Garay, ou mesmo em última instância no início do ano, então já mesmo que à custa de um salário proibitivo. Mas temporário e perfeitamente justificável... Mas também nunca vi nenhum outro jornalista esmiuçar coisas deste tipo. Ao presidente do Benfica ou a qualquer outro!


O resto é coisa de tempo. De pouco, ou mesmo de muito pouco tempo!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O (merecido) descanso de férias!

Por Eduardo Louro


 


Já foi há uns anos – há já seis, o tempo realmente voa – mas todos nos lembramos deste Presidente da República interromper as suas férias na casa da Coelha para se dirigir ao país sobre um tema de alta relevância nacional que, se bem nos lembrarmos, trazia o país em alvoroço: o Estatuto de Autonomia dos Açores. Ninguém se lembra se o país ardia, e provavelmente ardia, tem ardido todos os anos excepto neste (neste momento larguei o teclado e desatei a bater na mesa: lagarto, lagarto, lagarto…) 2014 mal amado pelo Verão. Mas toda a gente se lembra da cara dos portugueses nas ruas, nas praias, nas esplanadas… angustiados com o Estatuto de Autonomia dos Açores!


Lembramo-nos também que, apesar da diligência patriótica de Cavaco, a coisa não ficou melhor depois da comunicação do Presidente, mas isso já é habitual em Cavaco… Deu-se à maçada de interromper as férias mas nem assim nos tranquilizou, antes pelo contrário, avisou como só ele sabe avisar, dos enormes perigos que espreitavam o país a partir dos Açores!


Andávamos todos preocupadíssimos por Cavaco não interromper as férias, nem que por momento fosse, para dizer alguma coisa sobre o BES, cuja saúde cheia de almofadas proclamara ao país uma semana antes do banco estoirar. Já não digo que fosse para pedir desculpas a todos que poderá ter levado ao engano, e que provavelmente fiando-se na sua insuspeitável opinião de Chefe de Estado e acreditando na sua valiosíssima opinião de Professor de Economia, foram comprar acções do banco. Mas ao menos para manifestar a sua preocupação com o desaparecimento de um momento para o outro do maior banco privado, do principal financiador das PME´s. Com o rombo que provoca na economia nacional ou com as consequências disto tudo na confiança. Na confiança dos portugueses nas instituições, mas também da confiança dos investidores, especialmente os internacionais, no país…


Esperamos dias a fio que Cavaco, já que não é possível apanhá-lo a caminho da praia, como sucede com o primeiro-ministro, pelo menos emitisse um comunicadozinho, uma coisinha simples que fosse, nem que fosse para repetir que não vai sair um cêntimo dos bolsos dos portugueses. Mas nada!


Até que hoje Cavaco decidiu mesmo interromper as férias e emitir um comunicado a lamentar a morte de Emídio Rangel e a salientar o seu «largo percurso profissional» e a sua «participação de cidadania».


Nada, evidentemente, contra Emídio Rangel. Que descanse em paz!


Ou deveria ter utilizado o plural?


 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Robin Williams (1951-2014)

Por Eduardo Louro


 Mundo da música presta homenagem a Robin Williams


 


Robin Williams não era apenas o melhor actor da minha geração. E da dele. Era, depois disso, a anti-vedeta que nos entra pelo coração dentro… E que por lá fica. O gajo que em vez de fãs tem amigos. Se calhar não teve tempo de perceber isso…


Que pena!

Gente Extraordinária L

Por Eduardo Louro


 


 


Maria Luís Albuquerque está, agora no caso da resolução do BES, a repetir a figura que fez no caso dos Swaps. Só que agora mais amadurecida pelo sol do poder e mais confiante pela condição de estrela a que foi levada pelos mesmos do costume. O que simplesmente quer dizer muito mais arrogante. Vou repetir devagarinho: muito mais arrogante…


 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

E passou a haver outras coisas para contar... (VI)

Por Eduardo Louro


 


Os que se encarregaram glorificar a resolução do BES, porque eles próprios não acreditavam que fosse uma boa solução, e muito menos a melhor, foram os mesmos que, pouco a pouco, começaram a soltar notícias que deram para perceber que a solução do governo e do Banco de Portugal não era afinal nem do governo nem do Banco de Portugal – era do Banco Central Europeu (BCE).


Sabe-se por isso hoje que, mais uma vez, fomos enganados e que governo e Banco de Portugal andaram afinal a assobiar para o lado, e mais não fizeram do que aquilo que o BCE exactamente mandou. Nada assim de tão estranho, porque não tem sido outra coisa que o governo tem feito: obedecer a ordens do exterior, custe o que custar, e não tomar iniciativa nenhuma!


Mas não se pode deixar de denunciar a hipocrisia que reina no país. Creio não correr grandes riscos de errar se afirmar que nunca na História de Portugal se viveu num clima de tamanha hipocrisia.


Repare-se: O Banco de Portugal apresenta uma solução que, num momento, acaba com a maior marca da banca privada que, poucos dias antes, dava como um banco garantidamente seguro e solvente. Que dois dias antes tinha apresentado resultados catastróficos – que toda a gente entendeu como consequência de uma estratégia ultra defensiva da nova administração, decidida a, olhando fundamentalmente para o seu próprio interesse, criar provisões sobre tudo o que mexesse – mas, ainda assim, com capitais próprios de 3,2 mil milhões de euros. O governo, que criou toda a legislação relâmpago para o efeito, começou por se pôr de lado, como se nada tivesse a ver com aquilo. Só depois de ter colocado todo o exército em acção nas televisões e nos jornais, a preparar o terreno, é que apareceu. Depois da contestação começar a surgir e de se terem começado a pôr a nu as fragilidades da solução, começam a soltar-se informações para sacudir a água do capote e salpicar o BCE. Que na comunicação de Carlso Costa ao país, fez ontem uma semana, tinha apenas cortado o crédito ao BES e, com isso, obrigado o Banco de Portugal à solução anunciada. Quando, uma semana depois, ontem mesmo, se vem a ter conhecimento que, de acordo com a Acta da reunião desse mesmo dia do Conselho de Administração do Banco de Portugal, o BCE tinha ainda obrigado o BES a devolver os 10 mil milhões de euros de crédito concedido, e que isso tinha obrigado o banco central a entregar ao BES, quer dizer, a meter no buraco 3,5 mil milhões. Acta que é divulgada por uma sociedade de advogados!


Para compôr este inacreditável ramalhete, Marcelo Rebelo de Sousa dizia ontem, na sua tribuna dominical, que a inside information - cuja suspeita se levantou aqui desde a primeira hora - teria origem nas instituições europeias...


Não há memória de tanta hipocrisia e de tanta aldrabice. Mas também de tanta incompetência!

domingo, 10 de agosto de 2014

A supertaça? Partiu-se logo...

Por Eduardo Louro


 Artur Moraes dá a quinta Supertaça ao Benfica


 


Foi um jogo de sentimentos contraditórios, um jogo de sinais contrários, como que um jogo de espelhos.


O Benfica jogou bem e criou muitas oportunidades de golo. Mas falhou-as sucessivamente, umas atrás das outras, e sabe-se que haverá poucos jogos com metade das oportunidades hoje criadas. O que quer dizer que, com esta taxa de eficácia, não se ganham jogos. E viu-se que não é com Talisca que se marcam golos. E esperar que sejam os defesas adversários a fazê-lo… Bom, foi até Jardel quem mais perto esteve disso…


Jogou bem, e Enzo e Gaitan fizeram a diferença. Mas sabe-se que qualquer deles, ou mesmo ambos, poderão sair até ao fim do mês. 


Jogou bem, a equipa mostrou rotinas. Mas também só no prolongamento teve mais que dois jogadores chegados esta época. E lá vem o copo: meio cheio ou meio vazio. Meio vazio porque o Enzo já disse adeus, e o copo fica logo vazio. Meio vazio porque já não houve banco…


Meio cheio para os militantes do optimismo, porque só falta a finalização... E como vem aí o tal avançado...


Mas também o próprio jogo foi todo ele feito de uma coisa e do seu contrário. O Benfica só atacou, mas não conseguia marcar, e o Rio Ave, que só defendeu, não podia. O inevitável prolongamento parecia ser mais penalizante para a equipa de Vila do Conde, que jogara a pré-eliminatória para a Liga Europa na passada quinta-feira, quando o Benfica tinha feito o último jogo há uma semana. Mas também poderia ser ao contrário: o Rio Ave está muito mais adiantado na preparação, e no Benfica três jogadores chave – a dupla de centrais e Enzo – jogaram pela primeira vez nesta época. E foram mesmo os jogadores do Benfica que mais acusaram o esforço do prolongamento. Sem golos, evidentemente. Porque o Benfica continuou a falhar e porque o Jardel falhou o auto-golo.


Chegaram os penaltis, e aí o favoritismo ia todo direitinho para o Rio Ave. De um lado estava um guarda-redes moralizado, que tinha defendido tudo, e ainda sem sofrer um único golo nos três jogos oficiais. Do outro estava o super causticado Artur, um dos réus da pré-época e inclusivamente posto de fora por toda a imprensa da especialidade.


E foi precisamente o Artur a resolver, defendendo não um, não dois, mas três penaltis…


No meio disto tudo, se calhar o menos importante é que a supertaça tenha voltado às vitrinas do museu do Benfica. Sempre me pareceu que a supertaça não tinha grande importância. O que importa é o que ela diz, o que em cada momento simboliza… Se calhar é por isso que logo se fez em cacos!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...