terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ninguém nos diz nada do que a Troika por aí anda a fazer. E a curiosidade é muita, até porque desta vez não vem para assinar o cheque.


O governo não diz coisa nenhuma. Anda calado. O primeiro-ministro vai aqui e ali, todos os dias sai e todos dias é vaiado, entre pela porta da frente ou pela dos fundos. Mas não diz mais nada que generalidades. “Que compreende os protestos, mas que não resolvem problema nenhum” – e não sai daqui!


Percebe-se que está simplesmente à espera que o 2 de Março passe. Até sábado nada se saberá: não se saberá o que anda a Troika a fazer, não se saberá nada das conclusões há muito cozinhadas e, acima de tudo, não se saberá nada do tal programa de cortes, que tinha de estar concluído em Fevereiro. Que já está em posse da Troika, destes que aqui andam ou doutros quaisquer. Se, como bem sabemos - e toda a gente quis que soubéssemos – foram até eles que o fizeram…


Hoje, que a Troika tirou o dia para os parceiros sociais, pensamos que, de patrões a sindicatos, alguém nos daria notícias. E deram. Só que foi como se não dessem…


A UGT diz que a Troika vai flexibilizar. A CGTP diz que se mantém inflexível.


A CIP diz que a Troika vai aliviar a austeridade e que se mostrou aberta ao investimento e ao desagravamento da carga fiscal. A CCP confirma-lhe a inflexibilidade, e diz-se mesmo convencida que, pelo contrário, a Troika se prepara para agravar a austeridade.


Sem ponta por onde se lhe pegue...

Parabéns, Benfica!

Benfica celebra 119 anos e recorda evolução do emblema


O Benfica completou hoje a bonita idade de 119 anos. E fez-se gala. Na Aula Magna, vestida de vermelho e a transpirar benfiquismo.


Foi bonito. De ver, de sentir... Bonito de ver como bonitas são as atletas do Benfica. Bonito de ver a homenagem a Chalana. E bonito, muito bonito de ouvir Fernando Pimenta. Recebeu o galardão Cosme Damião para atleta de alta competição do ano, mas também merecia o de adepto do ano.


Estava lá gente que não fazia falta nenhuma. Que não devia mesmo lá estar ... mas também ninguém lhe ligou nenhuma.

Evidentemente não havia necessidade

Montenegro desagradado com espaço dado a Lula no 25 de Abril


Evidentemente que a participação de Lula na cerimónia oficial das comemorações do 49º aniversário do 25 de Abril, na Assembleia da República, nem faz sentido, nem tem sentido de oportunidade.


Evidentemente que tal coisa sem sentido, e inoportuna, teve origem no Presidente Marcelo, que agora "tira o cavalinho da chuva". Evidentemente que o calendário estabelecido para a visita oficial a Portugal do Presidente do Brasil a atirava desde logo para uma situação destas.


Evidentemente que o MNE, ao tomar para si a revelação dessa participação, à revelia da formalidade institucional, e metendo a foice em seara que não lhe pertencia, meteu os pés pelas mãos e mandou-se, de cabeça, para mais uma trapalhada. Quando já tem tantas na sua conta.


Evidentemente que Ventura chamou-lhe "um figo". Evidentemente que Montenegro também quer o "figo". Evidentemente que a IL também gosta de  surf...


Evidentemente que Augusto Santos Silva vai "tomar conta da situação".


Evidentemente, não havia necessidade...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Em dia de aniversário – faz hoje 109 anos – o Benfica anuncia que o seu canal televisivo contratou os jogos de futebol da Liga Inglesa.


Luís Filipe Vieira tinha anunciado para hoje, não exactamente uma prenda, mas uma notícia relevante para o universo benfiquista. Aí está!


À partida esta será uma notícia que poderá revolucionar o paradigma do futebol em Portugal. Poderá quer dizer à Olivedesportos, sem deixar espaço a quaisquer dúvidas, que não andou a fazer bluf. Que o contrato chegou ao fim. Que acabou mesmo. Que não há renovação e que o Benfica vai mesmo para a frente com o seu futebol no seu próprio canal.


Poderá… Mas se assim for é inoportuna!


Não faço ideia se seria possível mantê-la em segredo. Não faço ideia se seria possível escondê-la da empresa de Joaquim Oliveira. O que sei é que a Olivedesportos, a partir do momento em que tenha por certo e garantido que o Benfica lhe fugiu, não mais deixará a equipa em paz. O que é certo é que, se assim for, nesta parte final do campeonato irá valer tudo!


Mas também poderá não querer dizer nada disto. E que, sendo a Liga Inglesa um grande produto de televisão, sirva apenas para juntar ao pacote Benfica e baralhar as contas do negócio com a Olivedesportos. É que este verdadeiro patrão do futebol português tem todos os contratos indexados ao do Benfica…


Também pode servir para deixar tudo na mesma. Apenas com Joaquim Oliveira a abrir tanto os cordões à bolsa quanto obrigue Luís Filipe Vieira a aceitar. Com a devida valorização da Liga Inglesa: business as usual!


Mas se assim for é igualmente inoportuna: não se faz isto em dia de aniversário!

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Assistimos hoje a um acontecimento inédito: a despedida do Papa!


Roma não tem agora nem Papa nem governo. E há quem queira que as coisas assim se mantenham… Sem Papa e sem governo!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Os mercados estão à beira de um ataque de nervos com os resultados eleitorais em Itália. A Europa não está mais tranquila, e a Alemanha, essa, já arranca cabelos!


Mas o que mais marcadamente caracteriza estes resultados das eleições em Itália é a normalidade. E a previsibilidade.


É o resultado normal porque, em boa verdade, a instabilidade política, e até a ingovernabilidade, é a principal característica do sistema político italiano. Foi sempre assim no pós guerra, e só deixou de o ser nos últimos anos, com os governos do Il Cavaliere, essa figura única nascida das cinzas do sistema, depois do ciclone que no final do século arrasou o edifício político do país.


E é um resultado previsível depois desta pouco original ingerência da União Europeia (UE) na política italiana. Na verdade Bruxelas resolveu suspender a democracia em Itália e impor aos italianos um governo de comissariado próprio em substituição do governo que tinham elegido. Impndo aos italianos, não só - como aos portugueses e aos gregos - uma política de austeridade, mas também um governo para a executar, nem a UE, nem ninguém, poderia esperar que os italianos votassem de outra maneira.


Aconteceu em Itália, como já tinha acontecido na Grécia – onde a solução acabaria por passar por novas eleições, onde os eleitores foram sujeitos à humilhação máxima de votar sob a ameaça de uma arma alemã apontada à cabeça. Não aconteceu em Portugal porque não houve eleições, tudo aconteceu em plena primavera do ciclo político. Mas lá virá!


Não se sabe bem quem ganhou as eleições. Acontece o que é costume: todos ganham, e ganham todos à medida de quem faz a avaliação. Bersani e Berlusconi dividiram 70% dos votos, mas para a direita, Berlusconi ganhou sem qualquer sombra de dúvida. E para o centro esquerda foi Bersani o vencedor. Para a esquerda, o Movimento 5 Estrelas do humorista Beppe Grillo – um movimento de cidadania, em terceiro lugar na contagem dos votos, com 25% - foi o grande vencedor destas eleições.


Mas sabe-se quem perdeu: Monti, o homem da Goldam Sachs, o comissário de Merkel. O homem dos mercados - que não o dos italianos – serviu para fantoche. Agora não fica a servir para nada. Nem certamente para muleta de Bersani!


Não sei se estas eleições italianas resultam no caos. Mas sei que estes resultados assustam mais os mercados e a nomenklatura europeia que os italianos. E como o que mais por cá falta é mesmo quem possa assustar os actuais senhores da Europa, esta é uma boa notícia!


 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

A perigosa rota do Minho


Não vão fáceis as viagens ao Minho, esta época. O jogo desta noite, em Vizela, confirmou as dificuldades que estão reservadas para o Benfica na longa rota minhota que integra o campeonato de há uns anos para cá. O Minho é hoje decisivo para a classificação do campeonato, mais parece o Rally de Portugal.


O Benfica entrou no jogo dentro do nível exibicional habitual, e na mesma linha estratégica. Quando assim acontece, o Benfica não joga mal. Pode não fazer tudo bem, nem da melhor da forma, e encontrar dificuldades. Mas não joga mal. E foi isso que aconteceu durante a primeira parte - sem fazer tudo bem, e longe de qualquer brilhantismo, o Benfica não jogou mal, e justificou a vantagem mínima que levou para o intervalo, materializada no golo de João Mário, aos 38 minutos.


Mesmo que a superioridade clara do Benfica se tenha começado a esvair a partir do início da segunda metade da primeira parte, altura em que o Vizela passou a acertar com as marcações, a jogar com mais velocidade e, acima de tudo, a disputar todas as bolas e a ganhar a maioria delas, as três jogadas de golo, e o marcado, justificarão o resultado ao intervalo. 


Mas as indicações já não eram as melhores. As do jogo, e as do ambiente que o rodeava. À volta do relvado, porque o que tem vindo a ser criado longe dos campos, nas televisões, nos jornais e noutras esferas ainda menos próprias, vale para este e para todos os jogos que faltam ao campeonato. 


No jogo, o Benfica chegara ao golo até no período de maior afirmação do Vizela, à custa de uma transição rápida, depois de um canto contra, que começou com Guedes a passar por toda a gente, e a conseguir, mesmo depois de derrubado em falta, libertar a bola para Neres fazer a sua parte, e deixá-la para João Mário marcar, perto da marca de penálti. No jogo, os jogadores do Vizela, pressionavam, e legitimamente, os do Benfica. Mas também, e aí com total ilegitimidade, a arbitragem.


Fora do relvado, era pior. A pressão sobre a arbitragem era enorme, e as provocações ao banco do Benfica ainda maiores. Durante todo o tempo, gente ali estrategicamente colocada e que não serão certamente adeptos vizelenses, disparou isqueiros, garrafas e cuspidelas sobre o banco. Tudo perante a indiferença das forças da ordem... E das câmaras da Sport TV. 


Conseguiram o que conseguiram. E conseguiram até fazer expulsar Roger Schmidt, indiscutivelmente o treinador de comportamento mais tranquilo e pacífico do campeonato. 


Com tudo isto, não era de esperar outra coisa que não uma segunda parte muito difícil, e cada vez mais complicada. Muito dificilmente os jogadores, mas também o treinador, conseguiriam ter o discernimento e a tranquilidade para tomarem as melhores decisões. E foi o aconteceu, não conseguiram, e o Benfica caiu na segunda parte para um dos piores jogos do campeonato, ao nível de Guimarães. Que não ainda ao de Braga.


A equipa sobreviveu a tudo isso, e à suas próprias limitações, e acabou até para marcar o segundo, num penálti indiscutível sobre Grimaldo, já dentro dos seis minutos de compensação. Que João Mário voltou a marcar, desta vez com enorme classe, tornando-se no surpreendente melhor marcador da Liga.


E o resultado acabou por ser claramente melhor que a exibição, francamente má durante grande parte da segunda metade do jogo. Que só não é preocupante porque teve todos aqueles atenuantes. E porque "é dos livros" que os campeonatos se ganham ganhando jogos destes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Aí está a sétima avaliação da troika. A do princípio do fim!


A do princípio do fim da intervenção externa, disse – ironicamente, digo eu - o ministro Gaspar. Não é! Esta só poderia ser uma avaliação fatal: os objectivos impostos pela troika estão cada vez mais longe, inatingíveis mesmo. Falhados. O orçamento que o governo - e a troika - pretendeu, contra tudo e contra todos e especialmente contra os factos e a realidade, que fosse levado a sério, implodiu: não resistiu sequer ao primeiro mês de execução. O governo já deitou a toalha ao chão, e fez o que sempre disse que nunca faria: pediu mais tempo. E mais tempo é sempre mais dinheiro!


Tudo razões mais que suficientes para Vítor Gaspar estar de coração nas mãos. Mas não está! Nota-se claramente que não está, e teve até o desplante de anunciar aquele princípio do fim…


Não sobrando grande suspense sobre os resultados desta avaliação – esta é, mais que qualquer outra, uma auto-avaliação – crescem no entanto as expectativas sobre a forma como serão comunicados. Sobre o que será dito e como será dito…


É que, como se costuma dizer, chegou a altura de dar pai à criança!

Um ano depois

Rede Sagrado | Gazeta Digital - GUERRA DA UCRÂNIA


A guerra já vai para dez anos, mas só contamos um. Faz hoje um ano que, naquela quinta-feria, a Rússia invadiu a Ucrânia. Com a ideia declarada que seria para resolver a guerra, já velha, num simples fim-de-semana.


Não foi nada disso, as contas de Putin estavam mais uma vez erradas.


Um ano depois, a Ucrânia resistiu, e uma boa parte do mundo, e também a parte boa, uniu-se à sua resistência. Uns, genuinamente, outros, com muita hipocrisia. Como a ilusão da integração europeia. Ou as sanções económicas á Rússia. Para a elite global só contam as sanções que não toquem nos seus interesses. Esses estão sempre noutro patamar, bem acima do dos valores, do dos princípios, e do sofrimento do povo ucraniano.Ou de qualquer outro. 


Um ano depois, Putin continua a poder financiar a guerra. E, enquanto o puder, não dará espaço à paz. E quando o vier a deixar de poder, pode até ser pior.  


Um ano depois, encheu um estádio de futebol, com 200 mil pessoas num comício de "Glória aos Defensores da Pátria", em êxtase,  a validarem uma operação de lavagem ao cérebro de duas horas. Como se não via na Europa desde 1935, na Alemanha.


Um ano depois, morreram nesta guerra 100 mil militares ucranianos (e 180 mil do lado russo) e, oficialmente, 8 mil civis. Que poderão ser, na realidade, 30 mil.


Um ano depois, oito milhões de ucranianos (20% da população) são refugiados em diversos países europeus. E seis milhões são desalojados no seu país.


Um ano depois, o PIB da Ucrânia caiu mais de 30%.


Um ano depois, a destruição provocada pelos bombardeamentos russos nas estruturas e equipamentos da Ucrânia rondará os 750 mil milhões de dólares.


Um ano depois, os danos ambientais da guerra ultrapassarão os 48 mil milhões de dólares.


Um ano depois, depois de nos terem sido "vendidas" tantas vitórias  e derrotas, já não conseguimos fazer ideia do que seja uma vitória e uma derrota. Sabemos apenas que, não tendo o mundo, afinal, mudado assim tão completamente, se tornou num lugar muito mais perigoso!


 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Está finalmente descoberto o grande enigma da lei da redução dos mandatos autárquicos. A descoberta aconteceu em Belém, e é de lá que acaba de sair a boa nova: é um problema de contracção da preposição. Haver ou não haver contracção – eis a questão!


Descobriu Cavaco que houve “um erro na publicação da Lei de Limitação dos Mandatos Autárquicos com a troca de um "da" por um "de" (onde está escrito "de" devia estar "da")”. E se descobriu isso, descobriu ainda uma coisa mais interessante: o espírito da lei, o verdadeiro Graal deste mistério que vem apaixonando a política nacional.


Há um erro: está escrito “de”, quando devia estar “da”!


A lei publicada em 29 de Agosto de 2005, impede um presidente de (Câmara ou Junta) de se candidatar após três mandatos sucessivos. Mas o decreto que o presidente recebera e promulgara impede o presidente da (Câmara ou Junta) nessas condições. Afinal o espírito (da lei) andou todos estes anos a penar por Belém (ou terá sido pela Travessa do Possolo?).


Pronto: já só há que mandar republicar a lei. Já agora, poderiam aproveitar para, por via das dúvidas, escrever que o presidente da Câmara de Gaia pode recandidatar-se à do Porto, o de Sintra à de Lisboa (o Futre agradece), o de Caldas à de Loures, o de Santarém à de Oeiras… Mas atenção: lá para o Alentejo também deverá haver umas quantas…


E ainda há por aí quem diga que este Presidente da República – aqui não há dúvida – não serve para nada…

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não sei o que ache mais normal. Se a solidariedade dos socialistas mais socratizados com o ainda ministro Relvas, se a deste governo com os socialistas mais socratizados, ao dizer agora que a culpa disto tudo é do exterior…


Tão cúmplices que eles são!


Um a um, os mais proeminentes socratistas (já outra coisa é o que faz Fernanda Câncio, não que seja menos socratista, mas porque não usa uma mão para lavar a outra) saltam em defesa de Relvas. Ninguém quer ficar para trás, vá lá saber-se porquê. E já não é de agora que, para Passos Coelho, a recessão em que o país mergulhou é culpa dos outros. Há um ano, como agora, o mal vem de fora. Como já Sócrates dizia, e como os seus discípulos ainda agora obrigavam Seguro a reconhecer. Por escrito!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Benfica apurou-se para os oitavos da Liga Europa, depois de nova vitória, agora na Catedral, sobre os alemães das aspirinas, deixando o Jorge Jesus como que em estado bipolar.


A coisa chegou a estar feia, especialmente na primeira parte. E os primeiros minutos da segunda parte não auguravam nada de melhor… Às duas bolas no poste da primeira parte seguiu-se, na parte inicial da segunda, um golo que não viria a valer, anulado por um fora de jogo bem menos evidente que o do João Moutinho, que deu o golo que valeu… a vitória sobre o Málaga. Sendo em fora de jogo, o golo da equipa alemã não podia valer, porque, como os homens, os foras de jogo não se medem aos palmos. Assinalam-se. Mas nem todos, como se sabe!


Quer isto dizer que o Benfica teve alguma sorte? Sim, teve. Mas seria um crime de lesa futebol que uma equipa que marca dois golos como o do Cardozo, na Alemanha, e o do Ola John, há pouco, fosse eliminada. E – francamente – o Benfica demonstrou ser melhor que o Bayer Leverkussen. Grande parte dos jogadores do Benfica é melhor que os que trazem a marca da aspirina ao peito. E quando a equipa deixou de estar atada ao discurso do seu treinador soltou o seu futebol e mostrou claramente a sua superioridade. E no fim de contas acabou com mais oportunidades de golo que o adversário...


Não bato mais no ceguinho, mas o discurso de Jorge Jesus é simplesmente lamentável. O que é que interessa o que interessa mais? Como é que se pode desvalorizar uma competição e, ao mesmo tempo, injectar ambição - o dínamo das vitórias – nos jogadores? Como é que se pode reclamar de favorito a uma prova de que sempre diz não ser prioritária, que só estorva? Como é que se pode motivar uma equipa para uma competição quando se diz que ela inviabiliza o objectivo principal? O objectivo principal é isso mesmo, o mais importante entre vários, se não seria único!


Dizer que quem primeiro sair das competições europeias é que ganha o campeonato é tão disparatado como estar neste momento a enviar mensagens de motivação para os jogadores do Paços de Ferreira. Para apelar à presença do público no próximo jogo com o Paços seria preciso  dizer que é tão importante como os jogadores? Que vai ser preciso o seu apoio porque a equipa vai passar por dificuldades? Os adeptos conhecem bem as dificuldades por que a equipa passa, não precisam de alertas públicos que motivem os adversários!


Definitivamente: não há ninguém que ensine o básico, os mínimos da comunicação a este homem?


Ai se ele não soubesse só de futebol…

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Magia branca

VÍDEO: O golaço de calcanhar de Darwin contra o Real Madrid


Champions ... é Real Madrid!

 

Antes ficaram famosas as "remontadas" em Chamartin. A forma épica como os madrilistas aí viravam jogos e eliminatórias já perdidos, como ainda na última época sucedeu por diversas ocasiões.

 

Agora, é no próprio campo do adversário, como hoje, em Liverpool, no inexpugnável Anfield Road!

 

De presa fácil no primeiro quarto de hora, passou a predador inclemente no resto do jogo. A perder por 0-2 aos 14 minutos, aos 67 já tinha dado a volta a tudo, com cinco golos, num jogo memorável. Que começou com o golo fabuloso de Darwin, um golo de calcanhar que foi muito mais que um "simples" golo de calcanhar, desde já candidato maior a melhor golo desta Champions. Passou por um erro inacreditável de Courtois, depois, por mais um golo de grande categoria, de Vinícius e, depois ainda, no empate, por Allison imitar o seu colega da outra baliza. Dois dos melhores guarda-redes do mundo, com dois dos maiores erros que os guarda-redes podem cometer.

 

Ambos sem hipótese de remissão porque, e este é apenas mais uma das coincidências deste jogo, apenas tiveram oportunidade de fazer uma defesa. Dos remates (enquadrados) à baliza das duas equipas, só um não foi golo.

 

O resto ... é Real Madrid e magia e a força do branco na Champions!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Sofrido, mas não tem comparação ...


Mais uma enchente na Luz, para receber o Boavista, em pleno Carnaval, e para mais um espectáculo bonito. Desde logo - e até ao fim - nas bancadas. Bonito de se ver!


O jogo também teve momentos bonitos, e não foram sequer poucos. E muitos de ansiedade. Este foi um jogo como tantas vezes acontece ao longo de uma prova longa, como é o campeonato. E como tantas vezes são os jogos com o Boavista na Luz. Têm sempre muita história para contar.


A deste começa a contar-se com uma entrada à Benfica. O primeiro quarto de hora foi o Benfica destes últimos jogos, pressionante, com ritmo e com o seu futebol de qualidade. Logo com uma boa oportunidade de golo (Rafa) no primeiro minutos. Só que, depois, tudo isso foi desaparecendo muito por culpa problemas no passe. Os passes falhados, onde Gilberto era rei, foram retirando ritmo e fluidez ao futebol habitual da equipa. E dando confiança ao adversário que passou a ter oportunidade para fazer mais alguma coisa que fosse correr atrás da bola. E dos jogadores do Benfica.


Aqui ou ali lá aparecia uma jogada mais bem conseguida. Mas não muito mais que isso. Até ao último minuto da primeira parte, apenas uma oportunidade de golo clara. De Gonçalo Ramos, ali pelo minuto 25, daquelas são a sua imagem de marca, e que normalmente ele não falha. Depois veio esse minuto final da primeira parte, igualmente com Gonçalo Ramos como protagonista - e Bracali - em que, por duas vezes, a bola não quis entrar. 


Nas bancadas queria acreditar-se que era o pronúncio para a segunda parte. E era!


Neres entrou ao intervalo para a direita, saindo Florentino, e passando Aursenes para o lado de Chiquinho (na verdade passou para todo o lado, e ao lado de todos), e João Mário da direita para a esquerda, e a segunda parte  arrancou a um ritmo vertiginoso. Aursenes podia logo ter marcado, numa bomba à entrada da área. Depois dois lances seguidos dentro da área boavisteira a deixarem suspeitas de penálti, sobre Rafa e Gonçalo Ramos, que o VAR não confirmou.


Foram 10 minutos de sufoco total sobre a baliza de Bracali, que tudo ia defendendo, culminando no primeiro golo. Um golo que só poderia ser marcado assim. Na "raça" com que Gilberto se atirou à recarga à defesa do guarda-redes do Boavista ao remate de cabeça de Gonçalo Ramos.


Pensou-se que o mais difícil estava feito, e que a partir dali seria um jogo igual a tantos outros, com os golos a surgirem naturalmente. Nada disso. Bastaram apenas três minutos para o jogo ficar empatado de novo. No primeiro ataque do Boavista, o primeiro remate ... e o golo. 


Foi duro, o choque com a realidade. No golo toda a defesa pareceu adormecida, sem capacidade de reacção. Pior fora que os minutos que mediaram entre o golo de Gilberto e o do empate foram passados com o Boavista a ter a bola, e a trocá-la entre os seus jogadores, como nunca tinha conseguido fazer.


A equipa reagiu, mas não conseguia voltar ao ritmo dos 10 minutos anteriores. E a ansiedade começou a passear-se pela Luz. Mais ainda quando, catorze minutos depois, João Mário não conseguiu bater Bracali na conversão de um penálti que, à terceira, o VAR finalmente viu. Porque o árbitro Hélder Malheiro não estava para aí virado.


Com tanta oportunidade de golo desperdiçada, depois de sofrer um golo no único ataque, e remate do adversário, o desperdício do penálti era o cocktail perfeito para um jogo que só podia acabar mal. Na Luz já se viam dois pontos a voar ingloriamente. 


Nem sempre as nuvens, por mais carregadas e negras, trazem a tempestade. O raio de sol chegaria a 8 minutos dos noventa, pela magia de Gonçalo Ramos. Num único metro quadrado da área axadrezada sentou o defesa que lhe saiu ao caminho, e desviou, com uma classe do outro mundo, a bola do alcance de Bracali.


Monumental. O golo, e o momento na Luz!


Depois, foi evitar que se repetisse o que acontecera a seguir ao primeiro golo. Continuar a mandar no jogo, sem cedências de qualquer espécie. Assim foi, e o jogo ainda deu para o terceiro golo, num extraordinário cruzamento de João Mário, para um excelente remate de cabeça, em voo, de Musa. O voo que, definitivamente, não levaria os dois pontos. E deu até, já mesmo no fim, para a única defesa de Vlachodimos, a evitar que uma bola desviada em Otamendi entrasse na baliza.


Foi sofrido, como certamente muitos outros ainda serão. A equipa não esteve sempre bem, como inevitavelmente voltará a acontecer. Mas quando, mesmo assim, a equipa constrói mais de uma dúzia de oportunidades claras de golo, nada se compara ao que se vê na concorrência. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Como há poucos dizia a verdade começa a passar por aí. Os dogmas indiscutíveis de ontem vão caindo, um após outro.


A descoberta da verdade e o abandono de dogmas são, normalmente, boas notícias. Será que o são aqui e agora?


É sempre melhor conhecer a verdade que viver na mentira. É sempre melhor saber que já não há dogmas, e que é possível escolher outros caminhos.


Mas por que é que em vez disto aumentar a nossa tranquilidade aumenta o nosso desassossego?


Porque percebemos que isso é apenas a consequência de bater na parede. Na parede que sempre ali esteve, que sempre se disse que ali estava…


Porque vamos finalmente percebendo que tudo é muito mais complexo e difícil do que nos quiseram fazer crer. Que nada é tão simples como termos vivido acima das possibilidades. Que devíamos ter feito coisas que deixamos por fazer, e que continuamos a deixar de lado, como se não fossem os verdadeiros nós górdios que prendem o país…


Porque vamos percebendo que na Europa a coisa está também preta. Que a UE não é mais uma União, mas um safe-se quem puder. E que cada uma esta á fazer pela sua vida, sem que nós façamos nada pela nossa. Que o Ocidente precisa urgentemente de respostas novas e que é preciso estar à altura de as procurar…


Porque, à medida que vamos percebendo estas coisas, olhamos para quem nos comanda, a quem entregamos o leme nesta tempestade, e vemos Passos Coelho, Relvas, Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira…


Porque, percebendo que com gente desta não temos qualquer hipótese, olhamos para as alternativas e vemos… António José Seguro… Porque percebemos que estamos condenados a não sair daqui…


Dramático!

PREC - Processo de Radicalização Em Curso.

Imagem


O pacote "Mais Habitação", em cuja apresentação António Costa voltou a ser António Costa - muita pompa e pouca substância; ou muita parra e pouca uva, vai dar no mesmo - tem pelo menos umas virtude: a de mostrar que, ao contrário do que hoje toda a gente quer fazer crer, o mercado não resolve tudo. Nem nada que se pareça!


A habitação é fundamental na dignidade da pessoa humana, e um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa. O Estado tem a responsabilidade de assegurar aos cidadãos os direitos que diz garantir-lhe. Parece-me simples de entender.


O Estado actua directamente na esfera dos outros direitos garantidos constitucionalmente. Na Educação e na Saúde dispõe de sistemas públicos para responder às suas responsabilidades. Passam por dificuldades e, como sabemos, já conheceram melhores dias. O desinvestimento nos serviços públicos, por razões orçamentais e até ideológicas, trouxeram-nos até aqui. Mas existem. E respondem a alguma coisa.   


Na habitação o Estado deixou tudo nas mãos do mercado. A intervenção do Estado limita-se a 2% do mercado, quando por essa Europa desenvolvida fora passa dos 40%. E o mercado não resolveu. Como não resolve em muitas outras situações!


Há coisas que só ao Estado competem. Chamamos-lhe Estado Social, e tem por função garantir o acesso a direitos básicos a quem não interessa ao mercado. 


Chamar a atenção, nesta altura, para estas coisas, é a virtude maior deste encenado pacote. Mas como é um tema fora de moda, e fora da agenda mediática, ninguém vai dar por ela. E a notícia é que vem aí outra vez o PREC. Porque só essa interessa à agenda política de outro PREC - Processo de Radicalização Em Curso.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Decidi passar ao lado do tema do dia – o assédio sexual de que é acusado o bispo D. Carlos Azevedo que, remontando a acontecimentos com 30 anos, prova que o passado não prescreve e que, servindo os interesses de alguém, estará sempre pronto a saltar para a actualidade – para regressar a Relvas e à indignação que por aí anda por parte daqueles que acham que a democracia está em riso.


Vejam bem ao que isto chegou: a democracia está em risco porque há muita gente que não está disposta a tolerar o que um ministro que está envolvido em tudo o que se sabe e que, noutro sítio qualquer minimamente democrático e de vergonha, há muito que não era ministro. Nunca sequer teria chegado a ser!


A democracia e a liberdade não estão em risco quando Relvas pressiona e condiciona a imprensa, quando ludibria e engana tudo e todos, seja nas suas supostas qualificações seja nas suas actividades públicas e privadas. Quando insiste em permanecer no poder à revelia de sentimentos tão básicos e estimáveis como a vergonha, a decência e o respeito pelos outros, já para não falar do sentido do ridículo.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida uma personagem como o ministro Relvas, de quem se não conhece um pensamento estruturado, de quem se não conhece uma linha escrita sobre o que quer que seja, para uma conferência de pensadores.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida - serão estes convites inocentes? - uma personagem como o ministro Relvas para encerrar um colóquio sobre o futuro da comunicação social.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando o primeiro-ministro segura este ministro Relvas sem perceber que é um problema de higiene pública. Sem perceber que destrói a autoridade do governo para manter a política que prossegue e que mina o moral que ainda resta ao país para a tolerar.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando uma se restringe a, de quatro em quatro anos, depositar um voto iludido por promessas nunca cumpridas, e a outra à de aceitar isso como uma inevitabilidade.


Não. Isso é para passar ao lado! A democracia e a liberdade estão em risco quando, fartos e cansados de tudo isto, fartos e cansados de serem enganados, fartos de desilusões e cansados da mentira, fartos de aturar gente que já não se pode aturar e cansados de sacrifícios que só a eles tocam, há gente que canta e grita para tão simplesmente dizer: nós sabemos quem és e por onde tens andado. Nós sabemos onde e com quem estiveste na passagem de ano. Vai-te embora, tem vergonha, sai daqui que já não te queremos ouvir…


Haja decência. Quem quer ser respeitado tem que se dar ao respeito!

Na forma do costume

Fernando Mendes denuncia chapada de Pepe a jogador do Rio Ave (VÍDEO)


O Porto levou um banho de bola do Rio Ave, no Dragão. Pepe agrediu um adversário dentro da sua área, e mandou-se para o chão agarrado à cara. O árbitro assinalou falta contra o Rio Ave. A Sport TV não voltou a mostrar imagens do lance. O VAR não viu nada.


Mais tarde, um jogador do Rio Ave, Hernâni, antigo jogador do Porto, recebeu a bola no peito, dentro da área portista, sozinho. O árbitro parou a jogada e assinalou mão ao jogador do Rio Ave. O VAR não podia intervir, e a Sport TV não queria mostrar.


Um corte a varrer, que em Pepe é imperial, num jogador do Rio Ave é falta e amarelo.


O Porto marcou no último segundo da primeira parte, na única oportunidade de golo de que dispôs. E chegou, para ganhar mais um jogo em que não jogou nada. Passado, grande parte, a "queimar tempo", e que acabou em "chutão" para onde estavam virados.


Para "Luís Feito Bobo", nada a apontar. Só a "naõseiquantésima" vitória do Porto. E o papel que Sérgio Conceição mandou para dentro de campo, e que dele saiu para que ninguém soubesse o que dizia. A não ser "Luís Feito Bobo"... E o melhor em campo foi Eustáquio.


No fim, nada de especial de passou. Sérgio Conceição não cuspiu em ninguém, a vitória foi justíssima, e estava feliz e bem disposto. Como Luís Freire, encantado com a exibição da sua equipa, que teria eventualmente merecido o empate. E sem nada de que se queixar.


É assim. É isto o futebol em Portugal. Com tudo alinhado na forma do costume. Há mais de quarenta anos!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Passos Coelho e Miguel Relvas foram ontem, uma vez mais, objecto de apupos e de manifestações hostis. O primeiro-ministro, em Aveiro, onde se deslocou para participar numa conferência da “Global Compact Network”,  e o seu ministro mais que tudo, em Gaia, onde o objecto da deslocação era a participação num encontro de um Clube dos Pensadores.


Acredito que a participação destes dois principais responsáveis do PSD e do governo seja importante para os organizadores daquelas conferências. Se não o fosse não os convidariam. Já para os próprios, não vejo, nesta altura do campeonato, qualquer ponta de interesse. Antes pelo contrário!


Mas, se vão, é porque certamente vêm algum interesse. E é isso que é preocupante, porque confirma o seu total afastamento da realidade do país. De Relvas já sabíamos que simplesmente não se enxerga. Acha que bastou passar três ou quatro meses em hibernação para regressar ao seu papel de eminência parda como se nada se tivesse passado. Depois, ambos - um e outro – estão-se nas tintas para o país, no conforto da presunção de que não têm que prestar contas a ninguém. Que se lixem as eleições!


Ninguém sabe – nem quer saber – o que é que Passos Coelho foi fazer a Aveiro. Ninguém sabe de que é que a conferência tratou, nem sequer o que é isso da “Global Compact Network”. A notícia são os protestos… A notícia é que Passos Coelho fugiu dos manifestantes!


Ninguém sabe o que é que Miguel Relvas foi fazer a Gaia. Nem o que é o Clube dos Pensadores. O que se sabe é que se cantou Grândola Vila Morena. O que se sabe é que ele, sem sentido de ridículo, tentou acompanhar o cântico. O que se sabe é que foi chamado de fascista, e que o pensador moderador da mesa se irritou profundamente… Provavelmente por não ter pensado que o pensamento de Relvas é a coisa que hoje mais irrita o pensamento dos portugueses!


 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Na mesma reunião partidária – com pompa e circunstância propagandística designada de Jornadas da Consolidação, Crescimento e Coesão - da passada sexta-feira, no Porto,  que anunciou a entrega da batata quente a Paulo Portas, e onde um anónimo companheiro de partido lhe disse que estava a dar cabo do país, Passos Coelho deu a consolidação como adquirida e por chegada a hora do crescimento.


Agora é tempo de investimento, disse! Até porque, continuava, a selecção natural está feita: as empresas fracas já ficaram pelo caminho, resistiram as melhores…


Se existe pensamento político em Passos Coelho é esta a ideia que o consubstancia. Esta ideia Darwinista da economia encerra, se não o pensamento político – são cada vez maiores as dúvidas sobre a sua existência –, a estratégia da governação de Passos Coelho. Este governo ignora e despreza a economia portuguesa, entende que no tecido empresarial nacional não cabem micro, pequenas e mesmo médias empresas, que não as estritamente necessárias para servir as grandes. Se não aquele restrito número de satélites que dá vida aos grandes planetas!


Depois de milhares de falências e de um milhão de desempregados Passos Coelho entende que agora sim, agora é que é tempo de investimento. Agora, que já cá não anda um monte de gente que só atrapalhava, venham de lá investir. De lá, porque de cá … não há!


Os que há continuam bem acomodados nas suas zonas de conforto. Protegidos dos incómodos e das chatices da concorrência, confortáveis nas suas rendas, não estão para isso. Os outros, havia. Já não há: foram parar a mãos estrangeiras, porque o governo assim quis. Ou porque as vendesse directamente, ou porque não quis ajudar a mantê-las em mãos nacionais, como aconteceu com a Cimpor, hoje em processo de completa desligação nacional. Porque a CGD - sempre disponível para todos os fretes a todos os governos -, que não hesitou em financiar jogos de especulação financeira e de disputa de poder noutros bancos, entendeu não só não financiar quem a podia manter em Portugal como se apressou - bastou apenas meia hora - a viabilizar a OPA que a levou de cá para fora.    


Não. Este não foi um processo de selecção natural onde, como Darwin nos explicou, os mais fortes foram resistindo à medida que os mais fracos iam sucumbindo. Este foi um processo em que pouco foi natural e muito foi batota. Em que os mais fortes foram levados ao colo e os mais fracos asfixiados… 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


"O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ficou com o encargo de apresentar perante o Governo e o país esse documento de guião de toda a discussão para a reforma do Estado"!
Sem oposição que se veja e que se sinta, Passos dá xeque-mate a Portas. Sem oposição externa, liquida qualquer réstia da oposição interna…


Poderia ser assim. E se assim fosse Passos estaria a dar um sinal de reforço de poder…


Não me parece. Nem sempre a força do poder varia no sentido inverso da da oposição!


Se calhar Passos Coelho começa a perceber que está em grandes dificuldades. É o que me parece…

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Está amplamente difundida pela blogosfera, e por isso a reproduzo aqui sem qualquer outra referência que não seja a de ter sido publicada no Público do passado dia de 10 de Janeiro. É uma uma carta que Teresa Pizarro Beleza - professora de Direito Penal  e directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, irmã de Leonor Beleza, antiga ministra da saúde e de Miguel Beleza, antigo ministro das finanças, sempre em governos do PSD - escreveu à sua mãe, falecida há pouco mais de dois anos.


Sem mais comentários:


 


 "Mãe, sabes que agora em Portugal mandam uns senhores que estão a dar cabo do Serviço Nacional de Saúde? E que dizem que é por causa de uma tal de troika, que agora manda neles? Lembras-te da "Lei Arnaut", que, segundo ele mesmo diz, tu redigiste, depois de muito pensares e estudares sobre o assunto, com a seriedade e o empenho que punhas em tudo o que fazias?


Lembras-te das nossas conversas sobre a necessidade de toda a gente em Portugal ter acesso a cuidados de saúde básicos de boa qualidade e de como essa possibilidade fizera em poucos anos baixar drasticamente a mortalidade materna e infantil, flagelos nacionais antigos, como uma das coisas boas que se tornaram realidade depois de 1974 e com a restauração da democracia?


Lembras-te de quando eu te dizia que eras tão mais socialista do que "eles", os do Partido Socialista, e tu te zangavas porque não era essa a tua imagem e a tua crença?


E quando eu te dizia que o ministro António Arnaut era maçon e tu não acreditavas, porque ele era (e é) um homem bom - e para ti a Maçonaria era a encarnação do Diabo...


Mãe, tu, que te dizias e julgavas convictamente monárquica, católica, miguelista, jurista cartesiana (isso era o que eu te dizia e que penso que eras, também), que conhecias a Bíblia e Teilhard de Chardin como ninguém e me ensinaste que Deus criara o homem e a mulher à Sua imagem, quando pronunciou o fiat, porque assim se diz no Génesis...


Tu que dizias que o problema dos economistas era que não tinham aprendido latim... e me tiravas as dúvidas de português e outras coisas, quando me não mandavas ir ao dicionário, como agora eu mando o meu Filho...


Tu que foste o meu "Google", às vezes renitente, quando este ainda não existia... Sabes que agora manda em Portugal gente ignorante e pacóvia, que nem se lembra já de como se vivia na pobreza e na doença, que julga que o Estado se deve retirar de tudo, incluindo da Saúde, e confunde a absoluta e premente necessidade de controlar e conter o imenso desperdício com a ideia de fechar portas, urgências claramente úteis social e geograficamente...


Sabes que fecharam o serviço de urgência e o excelente serviço de cardiologia do Hospital Curry Cabral sem sequer prevenirem ou consultarem o seu chefe? Onde irão agora todas aquelas pessoas tão claramente pobres, vulneráveis e humildes que tantas vezes lá encontrei e que não pareciam capazes de aprenderem outro caminho, outro destino, de encontrarem outros dedicados e pacientes "ouvidores"?


Sabes que um ministro qualquer disse que o edifício da Maternidade Alfredo da Costa não tinha qualquer interesse urbanístico ou arquitectónico, para além de condenar ao abate essa unidade de saúde, com limitações já evidentes, mas que tão importante foi para tanta gente humilde ter os seus filhos em segurança? Será mesmo que não a poderiam "refundar", como agora se diz? Ou quererão construir um condomínio fechado, luxuoso e kitsch, no meio de uma das minhas, das nossas cidades?


Lembras-te de me ires buscar à MAC quando nasceu o meu Filho e de como te contei da imensa dedicação do pessoal médico e de enfermagem e da clara sobre-representação de parturientes de origem social modesta, imigrantes, ciganas, ou simplesmente pobres?


Sabes que há muita gente que pensa que a iniciativa privada, incontrolada e à solta, é que vai salvar Portugal da bancarrota, e que ignora o sentido das palavras solidariedade, justiça, igualdade, compaixão?


Sabes, Mãe, eu lembro-me de ver pessoas que partiram de Portugal para o mundo em busca de trabalho e rendimento a viver em "casas" feitas de bocados de camioneta, de restos de madeira, de cartão e outros improváveis e etéreos materiais, emigrantes portugueses que foram parar ao bidonville em St Denis, nos arredores de Paris, num Inverno em que a temperatura desceu a 20 graus Celsius abaixo de zero (1970). Nas "paredes", havia toda a sorte de inscrições contra a guerra colonial e contra o regime que então reinava em Portugal.


O padre Zé, o nosso amigo da Mission Catholique Portugaise que me acompanhava e me quis mostrar o bairro, proibiu-me de falar português e de sair do carro enquanto ali passávamos... e aqui em Portugal eu vi tanta miséria envergonhada, homens de chapéu na mão a pedir emprego, mulheres e crianças a pedir esmola, apesar de todas as leis e medidas que o Estado Novo produziu para as esconder, como já fizera a Primeira República.


A pobreza e a vadiagem não se eliminam com Mitras e medidas de segurança, mas com produção e distribuição de riqueza e de justiça social. Com a promoção da igualdade e da solidariedade, como manda a Constituição.


E a Saúde, Mãe, que vão fazer dela? Da saúde dos pobres, dos velhos, das crianças, dos que não têm nem podem ter seguros de saúde de luxo, porque não têm dinheiro, porque já não têm idade, ou porque não têm saúde?


E as crianças, Mãe? Vão de novo morrer antes do tempo porque o parto foi solitário ou mal assistido, porque a saúde materno-infantil passou a ser de novo um bem reservado a alguns privilegiados, ou porque a "selecção natural" voltará a equilibrar a demografia em Portugal, recolhidas as mulheres a suas casas, desempregadas e de novo domesticadas, e perdida de novo a possibilidade de controlo sobre a sua própria fertilidade?


O planeamento familiar, que tu tão bem explicaste que deveria segundo a lei seguir a autonomia que o Código Civil reconhece na capacidade natural dos adolescentes - tu, católica, jurista, supostamente conservadora (assim te pensavas, às vezes?)...


Sabes que aqui há tempos ouvi uma jurista ignorante dizer em público que só aos 18 anos os jovens poderiam ir sozinhos a uma consulta de planeamento familiar, quando atingissem a maioridade, sem autorização de pai ou mãe? Ai, minha Mãe, como a ignorância é perigosa... Será que nos espera um qualquer Ceausescu ou equivalente, dado o progressivo estrangulamento político e social a que a necessidade económica e a cegueira política nos estão levando?


Os traços fascizantes que são visíveis na repressão da liberdade de expressão e de manifestação, em tudo tão contrários à Constituição da República, serão só impressão de uns "maníacos de esquerda", como dizem umas pessoas que há tão pouco tempo garantiam que essa coisa de esquerda e direita era coisa do passado?


Mas as crianças são o futuro, Mãe, que será deste país sem elas, sem a sua saúde e sem a sua educação, sem o seu bem-estar, sem a sua alegria? Eu lembro-me tão bem dos miúdos descalços e ranhosos nas ruas da minha infância... e da luta legal, tão recente ainda, quem sabe se perdida, contra o trabalho clandestino, ilegal e infame das crianças a coserem sapatos em casa, a faltarem à escola, a ajudarem as famílias, ainda há tão pouco tempo, ou dos miuditos com carregos e encargos maiores que eles, à semelhança das mulheres da carqueja a subirem aquela rampa infame que Helder Pacheco, o poeta-guia do nosso Porto, tão bem descreve...


"Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!..."


Mãe, se agora cá voltasses, ao mundo dos vivos, acho que terias uma desilusão terrível. Melhor que não vejas o que estão fazendo do nosso pobre país.


Da tua Filha, com muita saudade,


Maria Teresa"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Favoritismo confirmado, prestígio reforçado!


Era dada como favas contadas, esta eliminatória dos oitavos de final da Champions. E até este jogo da primeira mão da eliminatória em Bruges. Não havia quem não desse total favoritismo ao Benfica para este jogo na Bélgica, com o Club Brugge. Por cá, mas também por lá. E o jogo começou exactamente sob essa perspectiva, com o Benfica a impor o seu futebol e a equipa belga retraída no seu meio campo, claramente amedrontada e desconfiada de si própria.


Roger Schemidt não replicou o onze inicial de Braga, introduzindo-lhe duas alterações - Gonçalo Ramos, no lugar de Guedes, e Rafa, no de Neres. No resto, tudo na mesma. Nas bancadas, nem parecia que a equipa estava a jogar fora. Não que estivessem mais benfiquistas - eram à volta de 3 mil, 10% da lotação do estádio - mas porque foram sempre quem apoio mais forte deu à sua equipa. Foram fantásticos, e calaram durante duas horas os adeptos belgas, rendidos aos cânticos benfiquistas. Entre eles, Rui Costa. O presidente foi apenas mais um a cantar!


Dizia que o jogo começou com o Benfica a confirmar todo o favoritismo que lhe era atribuído, e foi assim mesmo naqueles três minutos iniciais. Só que, de repente, o Bruges alterou completamente a sua atitude e, de uma equipa recolhida e tolhida pelo medo, passou a uma equipa subida e aguerrida. Passou a disputar todos os lances com alta agressividade, lançou o jogo para a dimensão física, e passou a ganhar a maior parte dos duelos do meio campo. E a ganhar todos os ressaltos, e a grande maioria das segundas bolas.


A ignição para essa metamorfose foi uma escapada de Buchanan, pela esquerda, aos cinco minutos, que Vlachodimos anulou, junto ao poste direito. Durou cerca de um quarto, esse período mais complicado para o Benfica. Mas nem mais uma oportunidade para a equipa belga marcar, graças ao acerto da linha defensiva do Benfica.


A meio da primeira parte já o Benfica tinha recuperado a sua superioridade clara no jogo, e começava a iniciar um autêntico desfile de oportunidades de golo. Primeiro Aursenes, depois um corte que só por acaso não acabou em auto-golo, depois ainda, António Silva, com o remate de cabeça a sair ligeiramente por cima da trave. A seguir foi Rafa, a rematar aos ferros (mesmo no ângulo do poste com a barra), e depois Gonçalo Ramos, por três vezes.


"Quem não marca, sofre" - diz a velha máxima do futebol. E já em cima do intervalo, depois de tanto "não marcar", o axioma cumpria-se: uma perda de bola numa saída para o ataque obrigou Otamendi a uma falta sobre Lang (o melhor do Bruges), que lhe valeu um amarelo e, do livre, apareceu Odoi no segundo poste a cabecear para dentro da baliza. Valeu que estava em fora de jogo, por pouco, mas prontamente assinalado pelo "liner". E assim foi o jogo para intervalo, empatado. Sem golos, mas com muitas oportunidades para o Benfica.


A segunda parte iniciou-se exactamente nas mesmas bases e, logo no primeiro minuto, Gonçalo Ramos voltou a falhar a baliza, com tudo para fazer golo. Falhou o golo, mas ganhou um penálti, três minutos depois. Que João Mário marcou. Em força, ao contrário do que é habitual. Não fosse tanta e Mignolet teria defendido. Chegado ao golo, o Benfica tranquilizou. E refinou o controlo do jogo. Não recuou, não abrandou, mas temporizou mais o jogo.


Pouco depois da hora de jogo Shemidt trocou Ramos e Rafa (ainda longe da sua melhor condição) por Guedes e Neres, e a equipa revitalizou-se. Ganhou novo fôlego e voltou a criar novas oportunidades para voltar a marcar. Só o conseguiu já perto dos 90 minutos, por Neres. Que voltaria ainda a marcar, mas sem contar. Estava também em posição irregular.


No fim, fica mais uma exibição consistente do Benfica. E prestigiante. Colectiva e individualmente, sem elos mais fracos. Aursenes foi considerado pela UEFA o "homem do jogo". Talvez não tenha sido o melhor, por não ter estado tão bem a construir e finalizar como habitualmente. Mas esteve em cada metro quadrado do campo todo.  É até difícil escolher o melhor, quando António Silva e Otamendi, estiveram insuperáveis; Florentino, soberano naquele meio campo, João Mário decisivo em todo o jogo, Gonçalo Ramos, um mouro de trabalho e o desbloqueador do resultado ... E só não se pode dizer que Chiquinho já não surpreende porque ainda consegue surpreender. Como naquela recepção fantástica, digna de Zidane.


E ainda um resultado que, podendo ter sido bem mais dilatado, acaba por ser interessante, e praticamente garantir o acesso aos quarto de final desta Champions.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


É agora oficial que a recessão atingiu, no ano passado, os 3,2% do PIB. Isto é, começam agora a surgir os valores do PIB de 2012 – sabendo-se, como se sabe, que há umas semanas atrás o governo festejava o cumprimento da meta do défice, a revista para os 5%: o PIB só agora vai sendo conhecido, mas o défice sobre esse mesmo PIB já foi objecto de festejo – e percebe-se agora que a queda do PIB é bem maior do que o previsto. Que esta é a maior recessão em todos estes anos de democracia!


Nos mais variados espaços, entre os quais este mesmo, tem-se alertado para o processo de destruição em curso na economia portuguesa. Aqui, já nem têm conta as vezes em que se desmascarou o embuste talhado por este governo que culminou com o sucesso do regresso aos mercados. Aqui avisamos que o défice em 2012 não seria alcançado, que o desemprego é bem superior ao que os dramáticos números oficiais dizem e que não iria parar de crescer. Que o Orçamento para este ano é impossível de cumprir, e que toda esta combinação explosiva viria a rebentar lá para Abril, quando fossem conhecidos os dados da execução orçamental do primeiro trimestre.


No entanto, o governo, irresponsavelmente alheio a tudo isto, ia anunciando a boa nova e os sucessos da sua governação. Este seria o ano da viragem, mais de três quartos do processo de ajustamento já estavam cumpridos… Ainda havia aquele pequeno imbróglio dos 4 mil milhões de euros. Que ora era corte, ora era poupança. Ora eram fortes facadas no Estado Social, ora eram simples cortes de limpeza de gorduras, conforme o lado para que, a cada momento, a comunicação do governo estava virada.


Ainda ontem o ministro Relvas – a eminência parda de um governo que cada vez mais é a sua própria cara – enquanto afirmava respeitar a já famosa expressão do ex-Secretário de Estado da Cultura, dizia que o governo tinha atingido todos os objectivos de 2012. Ainda ontem, o autorizado e respeitado Relvas era a voz do sucesso realizador do governo!


Hoje, no debate quinzenal no Parlamento, onde foi obrigado a ouvir Grândola Vila Morena, Passos Coelho já admitia estarmos perante uma espiral recessiva. Admitia ter de rever a estratégia de consolidação orçamental, rever as previsões económicas que sustentam o orçamento em vigor, e até ter de recorrer à renegociação das condições do acordo com a troika. Ao sucesso ontem anunciado por uma das caras da moeda, corresponde o insucesso hoje confirmado pela outra face da mesma moeda!


A verdade começa a passar por aí. Ainda antes do que se esperava, mas nem por isso menos dura. Nem por isso menos dramática!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

No dia dos namorados ...

Expresso | E depois de Catarina? Mariana Mortágua é o nome mais provável  para liderar o novo Bloco


No dia dos namorados ficou a saber-se que o Bloco de Esquerda vai mudar de liderança. De Catarina para Mariana.


Não tem nada a ver com o dia que celebra essa coisa bonita - nem sempre, alguns jornais aproveitaram o dia para dar notícias sobre a violência no namoro, dizendo um deles que a PSP regista 10 queixas diárias desses actos indecorosos - que é namorar, mas terá certamente alguma coisa a ver com um namoro que se vê a olhos vistos por mau caminho. O namoro de António Costa com o eleitorado leva desavença a mais e amor a menos, e isso não passa despercebido ao Bloco. 


Tratando-se (o eleitorado) de alguém com muitos pretendentes, é natural que o Bloco se aperalte a preceito para tentar seduzir um namorado traído. E que já teve nos braços.


Catarina Martins, que até foi a mais bem sucedida em flirts antigos, percebeu que a "mudança (política) já aí está", e que, ao fim de dez anos, em que o melhor já ficou para trás, seria tempo de sair de cena. E deixar a outros esta nova oportunidade. 


Mariana Mortágua entende que esta é a sua vez. E é capaz de estar certa. Tão certa que ninguém se lhe atravessa à frente. É nova, tem notoriedade como ninguém mais, e jeitinho para a sedução também não lhe falta.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Quando as montras das lojas se vestem a rigor para a ocasião, quando a lingerie toma conta delas, quando os restaurantes acendem velas em menus especiais onde não faltam afrodisíacos, quando o comércio - à míngua – investe desenfreadamente no lado mais romântico da vida e desperta o namorado que há em cada um, há alguém que dispara quatro tiros na … namorada.


Um sul-africano de fama planetária, que tanto quis o reconhecimento do mundo para as suas pernas de carbono, revela-se-nos agora de coração oco e vazio. De carbono, frio…


Oscar Pistorius arrisca-se a não ser lembrado como campeão para olímpico, e como o primeiro atleta olímpico sem pernas… Mas como um tipo que, num dia dos namorados, matou a sua!


E mais não merecerá…

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Repugnâncias

Abusos na Igreja portuguesa. Comissão validou 512 testemunhos, mas pode haver quase 5000 vítimas. Foram enviadas 25 queixas para o MP


Conhecíamos monstruosidades do clero ao longo da História. Já sabíamos da monstruosidade dos abusos sexuais sobre crianças dos tempos históricos mais próximos. Da monstruosidade dos actos, e da não menor monstruosidade do seu encobrimento.


Sabê-lo, e conhecê-lo, através do estudo - de excelente qualidade e rigor científico - que a Comissão Independente liderada por Pedro Strecht hoje apresentou publicamente, que aqui se disponibiliza, só aumenta a repugnância. Pela monstruosidade, e pela sua monstruosa ocultação durante tantas décadas. 


Repugna saber que 77% dos abusadores eram padres, metade dos quais com relações próximas da criança. Repugna saber que "os principais locais de ocorrência dos abusos foram seminários, igrejas internas, confessionários, casas paroquiais e escolas católicas". Repugna saber o que é transcrito em discurso directo das vítimas. Diz uma que, depois do acto, o padre lhe disse: "Estiveste bem. Deus gostou!"


Não repugna menos, pelo contrário, que bispos e cardeais, que o topo da hierarquia católica, tenha sido cúmplice. Que tenha dado protecção aos abusadores e negligenciado as crianças. E que tenha resistido, até mais não poder, a aceitar e a colaborar com a investigação. 


Que esta resistência - bem nos lembramos como resistiu a disponibilizar o acesso aos seus ficheiros, e como isso atrasou os trabalhos da comissão - tenha acabado por empurrar a apresentação pública dos seus resultados para cima do maior evento católico no país, a que chamam "Jornadas Mundiais da Juventude", e ainda mais em cima dos escândalos com os seus gastos, não fosse a dimensão da tragédia, e seria simplesmente irónico.

Gente Extraordinária

Líder do PSD não fecha a porta a um acordo de governação com o Chega  “Falamos nessa altura” – Cheganos


Bem pode Luís Montenegro experimentar os mais arrojados exercícios de contorcionismo para se desviar das perguntas sobre coligações com o Chega, como o RAP ainda ontem mostrou no seu "Isto é gozar com quem trabalha". Bem pode meter os pés pelas mãos com respostas que não respondem. Bem pode jogar com palavras para encontrar respostas claras sem a clareza do "sim" ou do "não"...


Bem pode fazer estes números todos ...se, depois, recorre ao mesmo discurso do Chega. Sem tirar, nem pôr!


Dá para perceber que a estratégia de Montenegro é não ir dizendo o que faz, para ir dizendo o que o Chega diz. É o mesmo contorcionismo de palavras, mas com a vantagem de ir habituando as pessoas. Quando se olhar para o PSD "feito num 8" já ninguém fica surpreendido! 


Montenegro é, evidentemente, dessa gente de elevada estatura, digna de ser levada a sério. Daquela a que aqui chamamos gente extraordinária.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Sempre desconfiei dessa história do bom aluno. Portugal bom aluno? O governo português bom aluno? Mesmo com Relvas?


Agora é que percebi: afinal os professores é que lhe faziam as redacções. Pois... Assim é fácil!

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Quando o governo castiga os portugueses com impostos como nunca antes, e acha ainda que os deve castigar com multas por não pedirem factura, é evidente que todos temos o direito de expressar como entendermos o nosso direito à indignação.


O recente ex-Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, manifestou no seu blogue a sua revolta perante a absurda legislação com que o governo pretende sobrecarregar os contribuintes com a obrigação de se fiscalizarem uns aos outros. Fê-lo neste post. E neste, que de repente tomou conta dos cabeçalhos dos jornais!


 É natural. Usa uma expressão que estava mesmo a pedi-las!


O que me preocupa não é se a expressão é apropriada para alguém que ainda há pouco integrava o governo, este mesmo governo. Ou se fica bem numa carta aberta para um Secretário de Estado que há bem pouco tempo se sentava a seu lado. Nem sequer se, em nome da decência, Francisco José Viegas respeitou – ou se teria de respeitar – um período mínimo de nojo. Muito menos questionar se ele saiu do governo para poder dizer mal ou se diz mal porque saiu do governo…


O que me preocupa é a forma como um escritor, e o até há pouco mais alto responsável pela cultura neste país, mesmo com as suas ambiguidades sobre o Acordo Ortográfico, lida com a língua portuguesa, na sua variante mais popular. O que me interessa é a forma de expressão: se “tomar no cu” já não é coisa que se diga, “pedir para ir tomar no cu” então é qualquer coisa de nos deixar de boca aberta. Mas alguém pede a alguém para tomar no cu? O que é isso? É coisa que peça?


Manda-se. É uma ordem, não é um pedido…


Tomar? Como tomar um copo. Ou um chá? Ou mesmo tomar ar? Ou juízo?


“Vai levar no cu”! Assim é que, “à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel “ , em bom português, ele deveria responder ao fiscal…

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Quando o Sporting procura um presidente que traga 25 milhões no bolso - para já, para as primeiras impressões – aparece este mas… a querer receber!


Chamaram-lhe pesetero


Valha-lhes Bento XVI!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Miguel Cadilhe recebeu mais de 10 milhões de euros para assumir a presidência do BPN, em 2008…


Cabe tudo no BPN… O Banco com lugar para todos. Gente extraordinária, sempre sem escrúpulos!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


No futebol há maldições, umas mais antigas que outras, mas sempre maldições!


O jogo de hoje, na Madeira, onde o Benfica defrontava o Nacional, tinha à partida uma maldição: o árbitro, Pedro Proença. Que é, de há uns anos a esta parte, o maior assombramento que cai sobre o Benfica. Não há jogo que ele apite que o Benfica ganhe – e isso já é maldição suficiente – mas, bem pior, não há jogo do Benfica que ele apite em que consiga ser isento. Não prejudicar seriamente!


Pouco passava do início da segunda parte, cinco ou seis minutos, quando surgiu no jogo a segunda maldição: o score 2-2. É a maldição do score, uma maldição recente, desta época. Sempre que um jogo do Benfica atinge aquele resultado já dali não sai. Nem que para isso se exija ao árbitro um grande esforço. Começou assim logo na abertura, com o Braga. Repetiu-se uns meses depois em Coimbra. E depois na Luz, com o Porto. E hoje, tinha que ser!


Não há hoje qualquer dúvida que o Benfica, se quer ser campeão, tem que evitar estas duas maldições. A primeira não é fácil de evitar, não está pelo menos nas suas mãos. E sabe-se como não faltam encomendas para este que, para um organismo que decidiu ser o Sporting a melhor equipa portuguesa de 2012, é o melhor árbitro do mundo. E arredores, acrescento eu!


Viu-se o que por aí correu por ele não estar presente no último clássico da Luz. Viu-se o que ele e outros fizeram para que lá estivesse. Até um jogo se adiou… Viu-se, vê-se e ver-se-á o que por aí corre para não falte no Dragão na penúltima jornada. Se fizer falta, claro!


Evitar a segunda está nas mãos da equipa. E é simples: quando marcar o segundo, seja em que altura do jogo for, tem que de imediato procurar o terceiro como se fosse o da vitória. E tem que proibir, com pena pesada, as ofertas da defesa!


O Benfica hoje cumpriu apenas a primeira parte do cardápio. Partiu à procura do terceiro com toda a determinação mas, quando estava entretido nessas tarefas, o Artur – que já fez mais asneiras nesta época que em toda a anterior – deu um frango. Um frango na sequência da terceira oferta do lado esquerdo da defesa: a primeira, logo a abrir o jogo, não deu golo por milagre, mas a segunda, logo a seguir, deu o primeiro. Três ofertas, dois golos: resultado em 2-2. Ainda faltavam 40 minutos, mas … maldição é mesmo assim!


Claro que houve uma bola no poste, inúmeras oportunidades desperdiçadas, super defesas do guarda-redes Gotardi. Claro que o Salvio não jogou nada, que o Maxi não consegue chegar aonde andou no passado, e que o Luisinho provou que não tem categoria para jogar no Benfica. Claro que o Pedro Proença é como o escorpião da estória da rã: aquilo faz parte da sua natureza, está-lhe na massa do sangue. É que não há outra explicação para as expulsões do Cardozo e do Matic. Mas maldição é maldição!


Valha que, no Dragão, o Olhanense de Cajuda também conseguiu um empate, o primeiro que o Porto cedeu em casa. Mais do que as consequências que produz na classificação, este empate tem o condão de salientar mais um erro de comunicação de Jesus. Um erro grave: na flash interview Jorge Jesus deu como adquirido que o Porto ganharia ao Olhanense: “Joga em casa com o Olhanense… “- disse, sem cortesia nem respeito pela equipa algarvia. Nem inteligência!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Empurrados Taça fora


Esta noite, em Braga, estes jogadores desta equipa do Benfica disseram-nos que vão ser campeões. Por mais Tiagos Martins, Veríssimos, Soares Dias e mais não sei quantos que se lhe atravessem na frente, esta equipa está talhada para superar todas as dificuldades. Esta noite, em Braga, os jogadores mostraram que não quebram, nem torcem.


Estes quartos de final da Taça mostraram bem o que os espera. Nos jogos de ontem não houve expulsões, nem prolongamentos. No jogo de ontem, em Viseu, devia ter havido expulsões. João Mário, Uribe e Zaidu tudo fizeram para serem expulsos. Mas não, os cartões vermelhos estavam todos bem guardados para hoje. E em dupla dose dupla: dois para o Casa Pia, e outros dois para o Benfica. Acabaram ambas as equipas em nove contra onze. 


No caso do Benfica foi contra muitos mais, para aí dezasseis.


O Benfica entrou na Pedreira, com meia casa - os dirigentes bracarenses preferiram as bancadas meio vazias, a cheias com adeptos do Benfica, impedidos de comprar bilhetes para o jogo - com o onze dos últimos jogos, apesar de já ter Rafa e Gonçalo Ramos no banco. E com o mesmo futebol, bonito, autoritário e seguro. Sem qualquer memória daquele jogo de Dezembro, que continua a marcar a única derrota da época.


Entrou a dominar por completo o jogo e o adversário, e aos quinze minutos marcou. Na sequência de um canto, que era coisa que chegou a parecer perdida, com Neres a assistir Gonçalo Guedes, para um espectacular golo de cabeça. Logo a seguir, o mesmo Gonçalo Guedes foi carregado dentro da área do Braga. Penálti, a que Tiago Martins fez vista grossa. O VAR, também não quis ver.


Mas viu que a falta de Bah - desnecessária e despropositada - era merecedora de vermelho, e não do amarelo com que Tiago Martins tinha penalizado o lateral direito do Benfica. E era. O problema é que já não tinha visto o penálti sobre Gonçalo Guedes. E que também não iria ver, já na segunda parte, que a falta de Racic sobre o Aursenes foi exactamente igual, decidindo manter o cartão amarelo que o árbitro exibiu ao centro campista do Braga. Nem uma mão de um defesa do Braga dentro da área, em cima do intervalo. 


Esta é a folha de serviço do VAR. A de Tiago Martins não lhe fica atrás. Permitiu tudo aos jogadores do Braga - agarrar os jogadores do Benfica que lhes fugiam, atropelos sucessivos dos centrais, e todo o tipo de entradas. Para os do Benfica era amarelo certinho cada vez que se chegavam aos adversários. O primeiro amarelo a Morato, sem o qual o segundo, que o levou à expulsão, seria apenas primeiro, é apenas um exemplo. É certo que acabou por mostrar amarelos a quase todos os jogadores do Braga, mas quando o fez já havia perdoado dois ou três a cada um.


À meia hora de jogo, quando dominava completamente o jogo, e jogava o seu futebol prático e vistoso, o Benfica fica a jogar com 10. O jogo muda, como não poderia deixar de ser, e o Braga empata logo de seguida. No primeiro remate à baliza de Vlachodimos. E único, de toda a primeira parte.


O jogo mudou, mas não mudou como costuma mudar nestas circunstâncias. Roger Schemidt reconstruiu a equipa, deu-lhe um novo figurino táctico, com a entrada de Morato para passar a jogar com três centrais, e continuou a controlar por completo o jogo. Em mais de 90 minutos com superioridade numérica, apenas em três ou quatro, à volta dos 75 minutos, o Braga encostou o Benfica à sua área. Só nesses minutos obrigou Vlachodimos a duas defesas com algum grau de dificuldade.


Tudo o resto foi a demonstração do querer, da união, do estoicismo, e da categoria desta equipa do Benfica. Acabou por cair nos penáltis (o guarda redes do Braga defendeu o de Aursenes, enquanto Vlachodimos não conseguiu defender nenhum) mas só teve que chegar a essa forma de desempate porque, hoje, a arbitragem não olhou a meios para conseguir o que sistematicamente persegue. 


Hoje, ao Benfica foi negada a possibilidade de continuar a disputar a Taça de Portugal. Hoje, o Benfica viu fugir o segundo dos objectivos para esta época. Mas ficou claro que, nem com muitas mais arbitragens como esta, vão conseguir impedir estes jogadores de serem campeões em Maio!


 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Espiral trágica

INFOGRÁFICO: Terremoto na Turquia e na Síria teve mais de 40 réplicas em 12  horas | Mundo | G1


À medida que cresce o terrível número de vítimas do sismo que atingiu a Turquia e a Síria - a contagem já vai em 12 mil mortos, mas a ONU estima que chegue aos 20 mil - cresce também o milagre da sobrevivência. Como o do menino encontrado a dormir debaixo de escombros, ou o de uma mãe, encontrada com o seu bebé, depois de 30 horas de resistência sob os destroços da sua própria casa. 


O resto é desespero. O desespero dos que não encontram os seus, e que já não esperam milagres.


Na Síria, a tragédia do sismo soma à da guerra. Em Alepo, os destroços dos bombardeamentos misturam-se com os do terramoto. E há até notícias que o sinistro Bashar al-Assad terá mandado bombardear zonas afetadas pelo terramoto, somando ainda mais desgraça à espiral de tragédia que não larga aquele povo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Quando o governo parecia respirar de alívio – tranquilidade a que verdadeiramente não atribui grande valor, como bem se percebe – resolveu, com a nomeação de um Secretário de Estado, criar mais um factor de tensão e regressar ao clima de afronta.


Com o número do regresso aos mercados, e com a máquina de comunicação a funcionar em pleno e sem grandes argoladas, o governo, pela primeira vez nos últimos largos meses, logrou criar a impressão de que alguma coisa começava a correr bem. É certo que ia passando a ideia de dois países sem qualquer ponto de contacto: o país que regressava aos mercados não batia certo com o país da miséria crescente, do desemprego e da recessão. Mas sabe-se como é, de tão fartos de más notícias, tendemos a acreditar mais facilmente nas boas, mesmo que não sejam tão boas como as pintam!


Depois, o PS dava uma ajuda ainda maior. Se na realidade não vinha fazendo oposição nenhuma, deixando sempre ao governo uma larga zona de conforto, decidiu avançar para manobras de diversão que apenas mais o desacreditaram como alternativa.


A verdade é que, com papas e bolos para enganar os tolos, e sem oposição como alternativa, o governo começou a achar que as coisas começavam a perder toda a graça. Nada como agitar rapidamente as águas, procurar a turbulência que lhe devolve a adrenalina da governação.


E até um arremedo de remodelação lhe serviu para isso. A demissão de um secretário de Estado, ao que se disse por motivos de um concurso em que teria privilegiado um primo, deu o mote para uma remodelação sem “dignidade para ocupar grande destaque político”, nas próprias palavras do primeiro-ministro . Despachou seis secretários de Estado – mantendo, no entanto, o que se diz ser o verdadeiro patrão do ministério da economia e que, num rasgo só ao alcance de verdadeiros visionários, garante que o desemprego está a crescer porque no passado vivemos acima das nossas possibilidades, criando-se emprego que não era necessário - e foi buscar sete novos, entre os quais alguém que tinha no currículo – mesmo que convenientemente apagado – uma passagem pela administração da SLN, a sociedade proprietária do BPN da nossa ruína.


Não está em causa a competência do senhor, nem mesmo – enfim - a sua idoneidade, que poderá ser até pessoa respeitável. Nem sequer qualquer comparação, em contextos de alguma forma idênticos ou paralelos, entre a atitude de Miguel Cadilhe e a dele próprio. Não é disso que me vou ocupar!


O que importa e que na circunstância releva, é que qualquer pessoa percebia que aquela nomeação iria correr mal. O BPN está demasiado fresco na memória e no bolso de todos nós para que alguém que lhe esteja de algum modo associado possa integrar o governo à vista de todos nós. É certo que sabemos que Dias Loureiro continua com a sua influência intacta no governo, mas não se vê. É diferente!


O próprio agora Secretário de Estado da Inovação de do Empreendedorismo, percebeu isso. Tão bem que apagou – repondo depois de apanhado - isso do seu currículo. Pedro Passos Coelho - já o mesmo não direi do ministro Álvaro Santos Pereira, que é pessoa mais distraída e tem sempre a desculpa de não ser de cá, de vir de fora – sabia bem que ia correr mal. Sabia que, mais que mais um erro político grave, era mais uma afronta. Arrogante mesmo!


Mas não lhe consegue resistir. Ele gosta de desafios, da adrenalina sempre em alta. E começar desde já a reabilitar personagens ligadas ao maior escândalo político e financeiro de sempre é um desafio que não o assusta!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Mentira do tamanho do mundo

Incêndio na Mouraria: pelo menos 20 desalojados, vítimas são de  nacionalidade estrangeira - SIC Notícias


Nos 35 metros quadrados daquele rés-do-chão daquele prédio da Mouraria alojavam-se 22 pessoas. Sim, pessoas!


Se a área estivesse completamente livre, corresponderia a 1,59 metros quadrados por pessoa. Sim, por pessoa!


O resto já se sabe. Houve um incêndio, 14 pessoas, entre as quais 4 crianças, ficaram feridas. E duas morreram. Sim, 16 pessoas. As restantes seis, ou estavam na sua vez de não estar em casa; ou na camada superior da pilha de pessoas espalmadas para lá caberem, e conseguiram sair a tempo.


De pessoas que apenas se sabe donde vêm. Do sul da Àsia. E que pagam 150 euros por mês por um colchão que não pode ocupar mais 1,60 metros quadrados. Não se sabe mais nada. Não se sabe nem onde, nem no que trabalham. Sabe-se que são pessoas. E sabe-se que há pessoas que não têm vergonha de achar que não! 


Enquanto assim for, enquanto houver pessoas a achar que há pessoas que o não são, isto é tudo uma enorme mentira. Do tamanho do mundo!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...