sexta-feira, 29 de junho de 2012

EURO 2012 (XXVIII) - VENHA A FINAL!

Por Eduardo Louro


                                                                      


Fizemos aqui uma espécie de balanço da primeira fase deste Euro 2012, voltamos a fazê-lo quando o pano caiu sobre os quartos de final. Não há razão para que não o façamos sobre as meias-finais!


A esta competição, marcada por um certo paralelismo com a crise do euro – do outro, que afinal conta bem mais – e da Europa, chegaram em maioria os representantes dos PIIGS, todos representados nesta fase final deste Euro 2012. Na primeira fase caiu apenas um – a Irlanda -, coisa que se repetiu nos quartos de final, com a pobre Grécia a ser expulsa pela implacável Alemanha. Que se viu depois sozinha nas meias-finais rodeada de PIIGS por todos os lados, a reclamarem o protagonismo na bola que a economia e as finanças lhes negam no euro. E dispostos a vingar-se da Alemanha!


Portugal e Espanha, os vizinhos ibéricos em dificuldades, abriram a discussão pela presença na final, num jogo marcado pelo medo, como então aqui se caracterizou. Um medo que pareceu mais evidente na selecção espanhola, que abdicou do seu estilo de jogo habitual, recorrendo como nunca ao improvável jogo directo.


Normalmente, no futebol, quem abdica dos seus princípios de jogo, quem se descaracteriza em função do adversário, é penalizado. Esta é uma regra universal do futebol, sobejamente provada!


Não aconteceu isso desta vez porque os penaltis sorriram-lhe. E ninguém mais se lembrará que foi por essa unha negra que a Espanha chegou à final. Disse-se, e continua a dizer-se, que os espanhóis – que apenas se superiorizaram no prolongamento - ganharam porque tinham mais e melhores opções no banco. A que Del Bosque lançou mão com apurado sentido de oportunidade: no timing certo, as opções certas!


Sendo isto verdade, e tão mais evidente quanto Paulo Bento esteve no lado oposto, no timing – substituições muito tardias - e nas opções, com a entrada de Nelson Oliveira a ser completamente falhada e a de Varela, porque em substituição de Meireles, a esburacar o meio campo, a realidade é que a selecção nacional acabou por perder porque, antes de tudo isso acontecer, não conseguiu ganhar. Portugal podia e devia ter feito ganho o jogo nos 90 minutos. Não o tendo feito, não podia ter consentido que o domínio do jogo no prolongamento caísse para o lado dos espanhóis que, fisicamente mais desgastados, fizeram das fraquezas forças. E isto é do domínio mental. O factor mental pesou bem mais que o da qualidade do banco!


Porque falta-nos o hábito de ganhar, a rotina de vencer que faz com que se arrisque quando há que arriscar, que se percebam as dificuldades do adversário e que se entenda que é a altura do ataque fatal. Não é uma só uma questão de ambição – embora também passe por aí – é um problema de instinto. É o nosso fado do quase!


Esta Espanha do tiki-taka nunca como desta vez esteve tão ao alcance de Portugal. Não está, como desde o primeiro dia aqui se defendeu, ao nível de há anos atrás. Nem tem o melhor futebol da Europa!


Na outra meia-final, a imperial Alemanha, super favorita e disposta a impor o seu poder e a sua hegemonia também na Europa do futebol, encontrava-se com uma Itália surpreendente, com um futebol que ganhou atracção sem perder eficácia. E em crescendo, ao contrário do que começava a perceber-se na equipa alemã!


A Itália foi técnica e tacticamente muito superior à Alemanha, superioridade que o resultado não espelha. Por mérito próprio mas também por muito demérito alemão, pelo qual Low é principal responsável. Porque - mais uma vez o medo – abdicou também dos seus princípios de jogo para jogar em função do adversário. E desta vez não houve excepção à regra. Porque, mexendo muito na equipa de jogo para jogo, por ventura em excesso de confiança, lançou-a num processo descendente. E acabou com o fundamental Mario Gomez quando, esquecendo-se que um avançado vive de golos, o colocou de fora no jogo com a Grécia, quando era o melhor marcador em prova. Igualmente incompreensível a sua substituição ao intervalo. Erros a mais, perante um adversário que, ao contrário de Portugal, não está habituado a perdoar!


Ao lado do mérito italiano está, como a outra face da moeda, Prandelli. O treinador que, se não está a revolucionar o futebol da squadra azurri anda lá perto, tal é o salto de qualidade que evidencia. Um tipo de futebol que não abdica da habitual segurança defensiva, mas que defende muito mais alto, permitindo à equipa - e a Pirlo, o maestro e o melhor jogador deste europeu – recuperar a bola em zonas subidas do terreno, já mais perto da baliza contrária, onde depois chega com enorme facilidade. Tudo isto servido por jogadores de alta qualidade, em todos os sectores. E dois génios, um dos quais com muito de louco, de que todos temos um pouco!


Invariavelmente, nos períodos de maior lamaçal no calcio, a squadra azurri ganha o que houver para ganhar. É a minha favorita para amanhã levantar o caneco!

ORGULHOSAMENTE SÓS

Por Eduardo Louro


 


Enquanto ontem, em Bruxelas, a Itália e a Espanha se juntavam para tratar da vidinha, quer dizer, fazer valer o seu peso e os seus interesses no meio do mar de problemas em que navegam, em Varsóvia também a Itália se juntava à Espanha, marcando encontro para domingo, logo a seguir à cimeira, em Kiev.


Parece que, retida em Bruxelas e impossibilitada de estar em Varsóvia, Angela Merkel chorou.


Portugal não se junta a ninguém. Não se juntou a Itália e foi afastado pela Espanha…


Orgulhosamente sós é mais que uma sina. É um desígnio velho, de que não conseguimos fugir… Como do défice!


Não só não lhe conseguimos fugir, como é ele que foge de nós. Já vai nos 7,9%!


Mas é a chancelerina que chora… De nada nos vale gostarmos de a ver chorar!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

EURO 2012 (XXVII) - CIAO ALEMANHA

Por Eduardo Louro


                                                                      


A Itália empurrou a Alemanha para fora do Euro e, contrariando os desejos de Platini, vai ser ela a disputar a final com a Espanha.


Foi um grande jogo, uma meia-final que pouco teve a ver com a de ontem. Onde a Alemanha, com mais dois dias de recuperação e com muito menos para recuperar – a Itália até vinha de um apuramento através de um prolongamento e de grandes penalidades – como aqui havido sido dito, até entrou melhor no jogo. Mesmo surgindo com alterações ao seu modelo de jogo, em tão evidente quanto surpreendente sinal de receio – não sei se dos italianos se da história - dominou por completo o primeiro quarto de hora, com duas claras oportunidades de golo, a primeira salva por Pilro – começou cedo mais um festival - em cima da linha de golo, logo aos 5 minutos.


Só que o jogo tem seis quartos de hora, e os restantes cinco foram da Itália. Que só fez o seu primeiro remate à baliza de Neuer aos 17 minutos. Mas para fazer o segundo no minuto seguinte e o golo logo no outro a seguir. Em três minutos três remates, um dos quais golo. De Balotelli!


A resposta alemã ao golo só surgiria aos 33 minutos numa excelente iniciativa de Boateng, logo seguida de um grande remate de Kehdira, com uma enorme defesa de Buffon. No minuto seguinte, aos 36, Balotelli deu espectáculo e fez o segundo golo. E continuou o espectáculo, a tirar a camisola – e levar com o amarelo mais estúpido que há no futebol – e, em vez de festejar, a posar para a adoração.


Arrumou com o jogo. Com o jogo e com a Alemanha! Ninguém admitia que a Itália, com dois a zero, pudesse deixar de estar em Kiev, na final do próximo domingo. Ao intervalo os italianos tinham feito quatro remates, todos direitinhos à baliza, e dois golos. Dividiam a posse de bola com os alemães (50-50) e tinham corrido mais!


Ao intervalo, Joaquim Low fez duas substituições. Surpreendentemente trocou Mario Gomez por Klose, ficando sem o melhor goleador do Europeu quando precisava de marcar pelo menos dois golos.


A segunda parte continuou a ser um grande jogo, dos melhores do campeonato. Com o domínio técnico-táctico dos italianos a acentuar-se, sob o comando do melhor jogador presente na Ucrânia e na Polónia: Pilro, evidentemente! Uma, mais uma, exibição de sonho deste extraordinário jogador para que faltam adjectivos. Atenção à bola de ouro! Foi o homem do jogo, apesar de Balotelli que fez os dois golos. E que golos!


A Alemanha reduziria para 2-1, praticamente no último minuto, através de um penalti convertido por Ozil. Mas foi a squadra azurri quem, na sua praia, construiu mais e as melhores oportunidades de golo.


Cumpriu-se a história: a Alemanha nunca ganhou à Itália em jogos oficiais. Coisa de que mais ninguém se consegue orgulhar. E pôs fim a uma série notável de 15 vitórias consecutivas da Alemanha em jogos oficiais!


Quando se admitia que a final fosse discutida entre os apurados do Grupo B, o da morte – porque a Alemanha tinha lugar cativo desde o início – vai afinal ser discutida entre os apurados do grupo C. Não deixa de ser curioso!


Contra todas as expectativas – se bem que, mesmo depois de esmagada pela Rússia em Roma, socorrendo-me da história, lhe tenha aqui entregue uma boa dose de favoritismo – a Itália, que apesar de chegar à final com apenas duas vitórias, apresenta um futebol que foge dos velhos cânones do calcio, será provavelmente o novo campeão europeu!


Que pena Portugal não ter ontem aproveitado a sua oportunidade. Por todos nós e por Platini!


 

EURO 2012 (XXVI) - "QUE INJUSTIÇA"!

Por Eduardo Louro


                                                                      


No final do jogo de ontem, conhecido o desfecho da chamada lotaria dos penaltis – não é assim tão lotaria, é última forma de decisão, quando todas as outras falharam, é um ponto alto do espectáculo, e creio mesmo que, a curto prazo, o prolongamento será abolido porque não serve ao espectáculo, e é, cada vez mais, um teste importante à capacidade técnica e mental dos jogadores - quando as câmaras se dividiam entre as caras felizes dos jogadores espanhóis e as de desiludidas dos portugueses, privilegiando evidentemente Cristiano Ronaldo, percebeu-se no seu movimento labial este desabafo: “Que injustiça”!


Que injustiça – a eliminação de Portugal?


Que injustiça – não ter tido a oportunidade de marcar o seu penalti?


Que injustiça – aquele desfecho para ele próprio?


Que injustiça – não ter mais equipa para a sua dimensão?


Provavelmente poderão colocar-se mais hipóteses para interpretar aquele desabafo, mas creio que entre estas quatro estará a sua verdadeira substância.


Eventualmente a maioria achará que ele achava injusto o afastamento da selecção portuguesa da final do europeu. Poderá ter sido isso, mas uma das duas teria de ficar de fora, não poderiam ir ambas à final porque estavam a disputar precisamente esse direito. E não seria, naquela altura, menos injusto que fosse a Espanha a ficar de fora


Poucos acharão que ele terá achado injusto não ter tido oportunidade de marcar o seu penalti. Não sei se a decisão de ficar como marcador do quinto foi decisão sua ou de Paulo Bento. Mas a generalidade das opiniões é que Cristiano Ronaldo quis ficar com a posição de marcador do penalti decisivo, que lhe daria o protagonismo ímpar, a capa de todos os jornais e, evidentemente, um bónus eventualmente decisivo na corrida para a obsessiva bola de ouro. Sendo assim, também aqui não havia injustiça. Houve uma opção!


As duas últimas hipóteses são uma espécie de dois em um. E nelas ele coloca-se acima da equipa, pensa nele e não na equipa. E, paradoxalmente, é aí que ele terá mais razão em lamentar a injustiça…

quarta-feira, 27 de junho de 2012

EURO 2012 (XXV) - MALA SUERTE

Por Eduardo Louro


                                                                      


A selecção nacional foi afastada da final do campeonato da Europa, no desempate por grandes penalidades. Que é sempre uma questão de sorte e de azar…


Na circunstância da suerte espanhola no decisivo remate de Fabregas, quando a bola, do poste, segue para dentro da baliza; e do azar português, quando a bola rematada por Bruno Alves, da barra segue para fora!


Antes, o Rui Patrício – finalmente com a oportunidade de se mostrar – defendera, com grande brilho, o penalti de Xabi Alonso, hoje um dos melhores dos espanhóis. Alegria de pouca dura porque, logo a seguir, Moutinho – o jogador português que menos merecia que isto lhe acontecesse – marcou muito mal o primeiro (percebe-se, pela história recente, que Paulo Bento não tenha optado por Cristiano Ronaldo para abrir a série) dos penaltis nacionais, e permitiu a defesa de Casillas. E tinha Sérgio Ramos marcado à Panenka, esse sim, mais ou menos à Panenka!


Desconfio que, a partir deste europeu, com o impacto que esta irresponsabilidade teve na viragem do curso dos penaltis, irão multiplicar-se os Panenkas


E, antes de tudo isso, foram 90 minutos de um jogo que esteve longe de ser sequer aceitável. Com duas equipas dominadas pelo medo, às vezes mesmo de pânico. Foi tanto o medo que ambas traíram o seu modelo de jogo, no caso português seja lá isso o que for. Porque na realidade não se percebe bem!


Foi, por isso e não só, a Espanha quem mais infidelidades cometeu. Desde logo com a introdução de Negredo, um ponta de lança com que a equipa não sabe jogar. Mas também não conseguiu impor o seu tiki taka, nem atingir os tais níveis pornográficos de posse de bola (apenas 57%) nem sequer assumir o domínio no jogo. Da selecção nacional ficou a ideia que poderia ter jogado bem melhor, que teve condições para o fazer, e que só não o fez pelo medo que revelou, que não era perspectivável na conferência de imprensa de Paulo Bento na véspera do jogo. Só não diria que se descaracterizou tanto quanto a Espanha porque jogou de forma muito semelhante à dos piores períodos dos jogos anteriores. Aos vinte minutos iniciais do jogo com a República Checa ou a boa parte do jogo com a Dinamarca, com pouco critério no passe e muito chuto para a frente, sem condições de servir os nossos dois melhores jogadores, aqueles que têm condições para desequilibrar.


Portugal perdeu uma boa oportunidade de ganhar à Espanha e de voltar à final de um campeonato da Europa. Porque a Espanha teve muito medo da selecção nacional, porque a Espanha, por via disso e pelo cansaço que evidenciou, foi bem inferior ao que se espera e exige de um campeão do mundo e da Europa. A equipa nacional não aproveitou a oportunidade que Del Bosque e os jogadores espanhóis ofereceram e limitou-se a defender bem e a controlar o jogo. O que umas vezes basta e outras não!


Quando Del Bosque corrigiu - voltou ao seu sistema alérgico a pontas de lança, e tirou do banco as armas que Portugal tinha em campo mas não sabia utilizar (alas velozes e de grande categoria como são Pedro e Navas) - acabou-se. Manteve-se a defender bem – é certo – mas perdeu o controlo do jogo.


Quando se chegou ao prolongamento o jogo já era outro. A selecção espanhola, que sempre deixara a ideia de bem mais fatigada, foi então superior. O que não deixa de ser surpreendente, porque Paulo Bento deixara as substituições para mais tarde. Tarde de mais, mas também infelizes!


Não resultaram, ao contrário das que Del Bosque fez. Que, evidentemente, também tinha no banco opções que nada têm a ver com as de Paulo Bento.


Acabamos derrotados, com honra mas sem glória, pela armada invencível. Que foi apenas espanhola, não teve - como se receou – ajuda decisiva e visível de mais ninguém. O árbitro turco não esteve sempre perfeito – o maior erro terá sido um benefício ao infractor, quando, aos 30 minutos, marcou uma falta sobre Nani quando ele, resistindo, prosseguiu em direcção à baliza ou, dez minutos antes, quando não assinalou outra sobre o mesmo Nani, o melhor da frente na primeira parte, mas a desaparecer depois - mas também não interferiu em favor dos desejos do Sr Platini.


Nem o resultado nem a exibição de hoje retiram o que quer que seja ao que Portugal fez até aqui neste euro. A selecção nacional fez um grande europeu, muito acima do que seria legítimo esperar e muito acima dos seus limites. O que não quer dizer que sejam as melhores as perspectivas que se abrem, ao contrário do que afirmou Paulo Bento no final do jogo…

EURO 2012 (XXIV) - CONVICÇÃO E SUSPEIÇÃO

Por Eduardo Louro


                                                                      


Tinha aqui dito quando escrevia sobre o jogo Itália – Inglaterra, que apurou os transalpinos para as meias-finais deste euro, que Pedro Proença regressaria a casa, depois de mais uma brilhante actuação para a imprensa e comentadores portugueses, mas de nada disso do meu ponto de vista.


Normal seria que assim fosse, que tivesse regressado para umas férias que eu desejaria fossem inspectivas e de auto crítica, na perspectiva de preparar uma nova época em que se esforçasse por ser isento e competente, mas que seriam certamente de deslumbramento e de reforço do seu sentido de parcialidade que lhe acentuarão a sua vocação, natural ou trabalhada, para interferir activamente nas decisões do títulos indígenas. A selecção nacional está envolvida na discussão deste campeonato da Europa e o normal, repito, seria que, independentemente dos juízos que a UEFA e os jornalistas e comentadores nacionais façam da sua competência, ele estivesse naturalmente impedido de arbitrar qualquer dos três jogos que faltam.


Surpreendentemente, ficou! E, com o inglês Howard Webb e com o italiano Nicola Rizzoli, forma o trio de árbitros de prevenção para a final…


O que quer isto dizer?


Simplesmente que, para a UEFA, a hipótese de uma final entre a Itália e Portugal nem sequer se coloca. Quer dizer que o Sr Platini tem a forte convicção que a final é mesmo entre a Alemanha e a Espanha. Que o seu desejo é uma ordem!


Aumentam por isso as razões para a suspeição levantada com a nomeação do turco Cuneyt Çakir para o jogo de hoje com a Espanha. As ligações deste árbitro a Angel Villar - o eterno patrão do futebol espanhol e manobrador mor na UEFA –, neste contexto, cobrem esta nomeação de suspeitas.


Por mim, tenho a forte convicção que há motivo de suspeição. Tão forte como a que tenho que a selecção nacional, daqui a poucas horas, vai conseguir ganhar à Espanha, ao árbitro turco, à UEFA e ao Sr Platini!


 

terça-feira, 26 de junho de 2012

A LIÇÃO DA MOÇÃO DE CENSURA

Por Eduardo Louro


 


A moção de censura do PCP ontem debatida no Parlamento não servia para nada. António José Seguro declarou-a logo inoportuna, mesmo dizendo que o governo merecia censura.


Mas afinal serviu. Serviu para o Pedro Silva Pereira lembrar que a actual direcção do PS é que não serve para nada. Serviu para Pedro Silva Pereira passar um atestado de incompetência a António José Seguro. E serviu para ficarmos a saber que o Socratismo está de volta, mesmo que Sócrates vá renovando matrículas em Paris!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

EURO 2012 (XXIII) - ESPREITANDO AS MEIAS-FINAIS

Por Eduardo Louro


                                                                            


Estamos às portas das meias-finais, no meio de dois dias de descanso, sem futebol.


Meias-finais onde Portugal, sendo o primeiro a chegar não deixa de ser considerado um intruso. Um outsider!


Não deixa de ser curioso que tenha sido Laurent Blanc, o seleccionador francês – até por ser francês, com tudo o que é a ideia que temos dos franceses, como o Sr Platini – o único a não o considerar assim, quando, no final do jogo com a Espanha, afirmou que “estavam nas meias-finais as quatro maiores nações do futebol da Europa”.


Por muito simpático que isso seja para Portugal, não corresponde, nem de perto nem de longe, à verdade. Diferente seria se dissesse que estavam as quatro melhores equipas que disputaram este campeonato da Europa. Estão, de facto!


Tudo isto apenas reforça os méritos da selecção nacional e os créditos de Paulo Bento. Ninguém lhes podia pedir tanto, nem ninguém – ou muito poucos – ousou sonhar tão alto. É certo que, lograr o apuramento naquele grupo de qualificação, era por si só qualificante. Muitas eram as vozes que prognosticavam que daquele grupo A sairia o futuro campeão, ou até mesmo os dois finalistas. O grande mérito da selecção nacional está pois na forma como se saiu no chamado grupo da morte e, sobre isso, já aqui se escreveu.


Na realidade, nas meias-finais estão três das quatro grandes nações do futebol europeu. E estão representados três dos quatros principais campeonatos da Europa. Não é a mesma coisa!


Se falarmos nas quatro principais nações do futebol – retribuo, Sr Laurent Blanc – falta lá precisamente a França. Por tudo: pelo número de praticantes, pelo historial de títulos e pela quantidade e qualidade de jogadores de elite que fazem parte da sua História. Se estivermos a falar dos principais campeonatos falta lá a Inglaterra que, tendo na Premiere um dos dois melhores campeonatos, não só da Europa mas do mundo, não tem, nem nunca teve, uma selecção a esse nível. Em qualquer dos casos Portugal é sempre um intruso, e o único dos semi-finalistas virgem em termos de títulos. Todos os outros somam títulos de campeões europeus e mundiais!


Tem uma das quatros melhores selecções da Europa porque tem quatro jogadores do melhor que há no velho continente – um, mesmo o melhor -, mais uns tantos em momento de superação, e um treinador que, apesar de todos os defeitos que possa ter – e tem alguns -, soube pôr a equipa a funcionar. Cheguei a dizer aqui que, sendo este lote de jogadores o menos forte deste século, o todo (a equipa) estava, mesmo assim, abaixo da soma das partes (dos jogadores). E esta era a imagem da selecção à chegada à Polónia, deixada nos jogos disputados neste ano.


Hoje, já ninguém se lembra dessa imagem. O que não é bom, é óptimo!


Hoje o todo vale mais que a soma das partes, o que faz desta selecção uma das melhores equipas nacionais de sempre!  


A Espanha está com naturalidade nesta fase. Tinha colocado os campeões europeus e mundiais logo na segunda linha de favoritos, e é sem surpresa que aqui chegam. Sem o futebol espectacular de há quatro anos mas, mesmo assim, com o seu tiki taka a colocar enormes dificuldades aos adversários que, pelos vistos, ainda não encontraram o antídoto eficaz. Mas, como aqui disse, esse é hoje um instrumento eminentemente defensivo.


A Espanha do um a zero, que cria menos oportunidades de golo e remata pouco, serve-se da pornográfica posse de bola para defender. Por isso sofre poucos golos e, por isso, é proibido deixar que marquem em primeiro lugar. É o que a selecção nacional tem de fazer: impedir que os espanhóis marquem primeiro. E só há uma fórmula para isso: marcar primeiro que eles. Nem Lapalisse diria melhor, não há outra!


O que quer dizer que a equipa nacional tem potenciar todas as suas qualidades e entrar a jogar com o objectivo de marcar. Quanto mais cedo melhor. E não pode, de todo, alterar o que quer que seja que lhe corte ou reduza as suas qualidades.


A selecção francesa – para além das suas debilidades próprias e dos seus problemas internos - deu, nisso, uma boa ajuda. Laurent Blanc tanto se preocupou em contrariar o sistema espanhol que acabou por se descaracterizar por completo, deixando de fora jogadores fundamentais para a identidade da equipa e transformando um dos melhores laterais direitos que passou pelo europeu num médio de marcação.


Na outra meia-final os alemães surgem com alguma vantagem sobre os italianos. Vêm de 15 vitórias (!) sucessivas em jogos oficiais, têm mais dois dias de recuperação que os italianos e muito menos necessidade de recuperar. Porque garantiram o acesso a esta fase com muito mais tranquilidade e com possibilidade de rodar a equipa. E têm muitas mais soluções!


Mas os italianos - que também aqui referenciara de favoritos - quando chegam a esta fase da competição não costumam ficar por aqui. Como se viu no penúltimo mundial quando, na  própria casa alemã, lhe retiraram o pão da boca…


Bem que gostaria de uma final entre Portugal e a Itália. E não era só para chatear o Sr Platini!

SEJA UM FIDALGO, SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO!

Por Eduardo Louro


 


Perante o desvio colossal na receita de impostos com que o ministro das finanças perdeu o pio, o primeiro-ministro veio dizer que “ainda é cedo para estar a falar” em mais medidas de austeridade.


“Ainda é cedo”. Ficamos todos mais descansados! Basta preocuparmo-nos quando chegarem…


Claro que não basta. Que há razões de sobra para estarmos muito mais preocupados. Desde logo porque, quando estávamos fartos de saber que era aqui que tudo isto vinha dar, com o governo e troika a dizerem que estávamos no bom caminho, o primeiro-ministro ainda vem dizer que o Governo está a analisar em que medida a quebra de receitas fiscais pode pôr em causa o objectivo do défice. Objectivo que, reitera, vai ser cumprido!


Analisar em que medida pode pôr em causa o objectivo do défice? Mas está a brincar connosco?


Não há a mínima possibilidade de chegar ao fim do ano com o défice nos 4,5% estabelecidos. Toda a gente o sabe! Nem sequer com mais medidas de austeridade, nem sequer com o novo imposto que encomendaram ao Dr Miguel Cadilhe e que ele quer embrulhar no pacote da dívida e não no do défice. Pela simples razão que, sem ser nas folhas de Excel do Dr Vítor Gaspar, já não há de onde tirar mais!


A única alternativa é pedir à Srª Merkel, nem que seja de joelhos e fazendo uso da condição de aluno obediente - que não de bom aluno, como se diz -, que isso sabemos que Passos Coelho sabe fazer,  que reveja em alta os objectivos do défice que nos fixou para este e para o próximo ano.


Senhor Primeiro-Ministro: pode continuar a dizer que nem mais dinheiro nem mais tempo, pode dizer que está a analisar o que quiser, pode até dizer que a queda nas receitas não põem em causa o défice. Pode dizer todos os disparates que quiser mas, por favor, nas próximas quinta e sexta-feira, não se esqueça de tratar disso com a Srª Merkel. Nem que tenha que ir procurar aquela corda que há 900 anos serviu a Egas Moniz…


Seja um fidalgo, Senhor Primeiro-Ministro!

domingo, 24 de junho de 2012

EURO 2012 (XXII) - PIRLO

Por Eduardo Louro


                                                                      


E, ao enésimo dia, o primeiro jogo sem golos. E, ao quarto dos quartos de final, o primeiro prolongamento. E a primeira vez em que a decisão chega dentro do envelope das grandes penalidades.


Apetece-me dizer que ainda bem! Porque se assim não tivesse sido nunca veríamos o fabuloso penalti marcado pelo Pirlo. Valeu a pena esperar mais de duas para assistir àquilo. E não me venham com falta de sentido de responsabilidade. Aquilo é classe pura, e classe é classe. Responsabilidade – ou falta dela – é outra coisa…


Foi à Panenka? Não, foi à Pirlo! E não é preciso registar a marca, porque ninguém consegue copiar… À Panenka, até o Postiga conseguiu: pobres ingleses!


Desculpem, mas tinha de começar por aquele momento único. Agora vamos ao jogo que – apetece-me dizer – pôs frente a frente duas Itálias. A Itália – la vera – e a Inglaterra, italianizada. E o certo é que uma Inglaterra assim obrigou a Itália a ser menos italiana, o que quer dizer: a especular menos e a assumir mais o jogo!


E a Itália até não se deu mal nesse papel contranatura. Posse de bola à Barcelona (64%) e 35 remates (20 na baliza), contra apenas 9 (4 na baliza) dos ingleses. Nada que tenha surpreendido Cesare Prandelli, o seleccionador italiano, como se percebeu quando apresentou uma equipa em plano B, abdicando dos três centrais e dos laterais que servem o plano A. E chamando Balotelli!


A Inglaterra não apresentou novidades, agora que já pode contar com Rooney. E o jogo acabaria por valer pela primeira parte, jogada a grande ritmo e com alta intensidade. O jogo abriu mesmo assim: logo aos três minutos, um grande remate de De Rossi só parou no poste da baliza de Hart e, aos cinco, é Buffon quem, do outro lado, nega um golo feito (Johnson) com uma defesa impossível.


E assim foi a primeira parte, em ritmo vivo, de bola cá bola lá, mais lá – na baliza inglesa – e sempre muito mais trabalhada pela squadra azurra, com Pirlo - imperial, como sempre – e Montolivo no papel de donos da bola. E do jogo!


Do outro lado, Gerrard e Rooney iam dando conta do recado, que é como quem diz: da capacidade de resposta inglesa que mantinha os italianos em sentido.


A segunda parte foi diferente e começou com duas excelentes oportunidades de golo para os italianos, a segunda, aos 52 minutos, foi três em um. Com duas enormes defesas consecutivas de Hart para o terceiro remate sair por cima. Os ingleses só responderam aos 65 minutos por Walcott (no cruzamento) e Carroll, acabadinhos de entrar. Foi o canto do cisne!


A partir daí, com o estoiro de Gerrard – que Hogdson manteve em campo, e percebeu-se porquê – a Inglaterra não quis outra coisa que levar a decisão do jogo para os penaltis. Vá lá saber-se porquê...


Só a Itália parecia querer – e poder – ganhar o jogo, não obstante os 90 minutos se terem esgotado precisamente numa vistosa – como sempre é - bicicleta de Rooney, que até poderia ter saído para a baliza e não por muito por cima da barra. E o prolongamento foi mais do mesmo. Mas ainda mais devagar, porque já não havia quem pudesse com uma gata pelo rabo. E desse período ficam dois registos: um cruzamento de Diamandi a que Nascerino respondeu enfiando a bola na baliza, em fora de jogo milimétrico mas bem assinalado; e mais uma habilidade de Balotelli, ao exigir a cobrança de um livre – mal assinalado por Pedro Proença, que ao terceiro jogo foi obrigado a regressar a casa pelo envolvimento da selecção bacional nas meias-finais - que Pirlo se preparava, como sempre, para marcar. Atirou para as nuvens!


E lá se seguiu para a decisão pelos pontapés de grande penalidade, a tal por que, sem ninguém perceber porquê, os ingleses tanto ansiavam. Só vejo uma razão: o exacerbar de italianismo desta selecção inglesa!


Do período de alta tensão que precede aqueles minutos dramáticos da angústia dos penaltis, vem um enigma: o que terá Buffon ido fazer ao balneário antes de se posicionar na baliza?


Dos penaltis – francamente – nada mais interessa que aquela obra de arte de Pirlo. O resto é a maldição inglesa!


E já que se fala de penaltis, também se deve dizer que Pedro Proença, aos 65 minutos, transformou um puxão de De Rossi a Terry, na área italiana, num livre contra a Inglaterra. Situação que se repetiria aos 83, só que dessa vez não viu. Pelo menos não marcou falta ao inglês!


E pronto: está completo o quadro das meias-finais! E a Itália, com este trabalho suplementar de hoje e menos dois dias de descanso que a Alemanha, é bem capaz de ter dificuldade em evitar que os desejos de Platini sejam uma ordem!

sábado, 23 de junho de 2012

EURO 2012 (XXI) - É A ESPANHA!

Por Eduardo Louro


                                                   Euro 2012: Espanha vs França (EPA)                   


Já há dois dias que estávamos à espera do adversário para as meias-finais. Desconfiávamos que seria a Espanha, mas tivemos que esperar pela confirmação, hoje!


Desembaraçou-se facilmente da França, com dois golos do improvável Xabi Alonso: o primeiro – também improvável - de cabeça e o segundo de penalti. E também improvável, quando por lá estão Iniesta, Xavi ou Torres…


Tinha aqui dito há uns dias que estas duas selecções chegavam aqui com manchas no percurso do apuramento. E que se a mancha que a Espanha trazia seria muito difícil de limpar, a da França não. Isto porque a da Espanha vinha da arbitragem – e ainda amplificada pelas declarações de Paltini – enquanto a da França vinha do seu défice exibicional e do banho de bola que a eliminada Suécia lhe deu.


À França, para limpar essa mancha, bastava-lhe hoje uma boa exibição, independentemente do resultado. A Espanha não podia fazer nada …


A França acabou por não limpar nada. Pior: acrescentou ainda mais mancha à mancha!


A Espanha, de novo sem ponta de lança, como no primeiro jogo, com a Itália, dominou completamente o jogo. Mais acentuadamente na primeira parte mas nem por isso menos claramente na segunda. Sempre com o seu tiki taka a funcionar como uma cerzideira, fabricando linhas de passe e espaços que os franceses, sem antídoto, não conseguiam tapar.


Na primeira meia hora do jogo, e o golo de Xabi Alonso aconteceu aos 19 minutos, a França não saiu do seu meio campo. Só a partir dos 30 minutos a França começou a pisar, com alguma consistência, terrenos mais adiantados. Remates só de bola parada e, ainda assim, apenas dois - um à baliza!


Quer isto dizer que a Espanha fez uma grande exibição? Não! De maneira nenhuma, o que ainda penaliza mais a exibição dos franceses. Os espanhóis, depois de se encontrarem a ganhar, limitaram-se a ter a bola – 60% de posse de bola na primeira parte, como habitualmente – e a trocá-la, como só eles sabem, como naquelas brincadeiras da rabia, para trás e para os lados, sem criar oportunidades para marcar.


Era a confirmação do regresso da Espanha campeã do mundo na África do Sul. Da Espanha do um a zero - não era um elogio – que marca um golo e defende-o com unhas e dentes. Só que – e agora é que vem o elogio – da forma mais inteligente, competente e eficaz que há!


A segunda parte não foi mais do que isto, embora a França tenha tido mais bola - no final a posse de bola da Espanha era de apenas 55%, o que é muito pouco para os seus padrões – sem que qualquer das equipas criasse oportunidades para marcar e, à medida que o tempo passava, a darem sinais de contentes com o resultado. A Espanha, porque era a Espanha do um a zero, e a França porque acharia que perder por um é melhor que perder por mais.


O penalti que o árbitro assinalou no último minuto é que veio estragar isto tudo. Se foi o prémio imerecido para os espanhóis, foi o castigo merecido para os franceses!


E pronto, lá temos que nos haver com os nuestros hermanos. E com os desejos de Platini!


 

CAMPEÕES

Por Eduardo Louro


 


O Benfica acaba de reconquistar o título de campeão nacional em futsal!


Depois de uma época em que ganhara tudo o que havia para ganhar e de uma fase regular onde alardeou grande superioridade, o Benfica entrou na final – à melhor de cinco – a confirmar essa superioridade, com uma goleada. Que, depois, não conseguiria confirmar, com o Sporting a ganhar tangencialmente o segundo jogo, ainda na Luz e, da mesma forma, o terceiro, em Loures, a casa emprestada do Sporting. No quarto jogo, de novo em Loures, houve empate, com o Benfica a trazer a decisão para a Luz através das grandes penalidades.


Hoje era a decisão final. O Sporting entrou melhor e marcou primeiro, mas, ainda na primeira parte, o Benfica deu a volta ao marcador, chegando ao intervalo a ganhar por 2-1.


Na segunda parte o Benfica foi superior, criou e desperdiçou inúmeras oportunidades de golo. Chegou finalmente ao terceiro golo e, com dois golos de desvantagem, o Sporting lançou mão do guarda-redes avançado, estratégia que domina como poucos. Conseguiu chegar ao empate, tendo ainda um remate ao poste antes de o tempo regulamentar se esgotar.


Já na segunda parte do prolongamento o Benfica desempatou, numa jogada em que César Paulo, sozinho e rodeado pelos quatro jogadores adversários, conseguiu libertar a bola para Edesio que, tão sozinho quanto os restantes jogadores do Benfica, fez o golo. O Sporting voltou a pôr em campo o guarda-redes avançado, mas desta vez não resultou. Resultou, ao contrário, no quinto golo do Benfica.


O Sporting, mantendo com a estratégia, ainda chegaria ao quarto golo, a um minuto do fim. Mas não mais que isso!


Curioso é que o Benfica tenha ganho os três jogos sem Ricardinho, o outro melhor do mundo. E perdido os dois em que jogou. Não merecia isto, porque não é só o melhor do mundo, é uma grande pessoa humana e um grande benfiquista!


Não fora o futebol e esta tinha sido a época perfeita!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

EURO 2012 (XX) - GRÉCIA FORA DO EURO

Por Eduardo Louro


                                                                      


A Alemanha expulsou a Grécia do Euro. Ameaçou com uma expulsão violenta, mas acabou por ser uma saída controlada!


A posição da Grécia foi sempre difícil, desde cedo se percebeu que só um milagre poderia evitar o que estava dado como certo. Samaras - este - ainda deu alguma esperança aos gregos, coisa em que o outro terá mais dificuldades. Mas foi uma esperança efémera, porque já não há milagres!


Merkel – essa – lá estava. Não sei se na qualidade de amante de futebol se na de carrasco dos gregos. As imagens que dela as televisões nos trouxeram não deram para esclarecer. Não tinham as repetições suficientes, nem passaram em slow motion. Ordens da UEFA, certamente. Há dúvidas que não gostam de esclarecer!


Claro que este era mais que um jogo. Mas era acima de tudo um jogo de futebol, e acabou por não ser nada mais que isso. À parte a senhora Merkel e o destino, que quis que o golo do empate – e da esperança, curta mas nem por isso menos esperança – tivesse o nome do novíssimo – mas velho conhecido – primeiro-ministro grego, tudo não passou de um jogo de futebol, em que um que teria de ganhar e outro de perder. Não havia três resultados possíveis, não podia haver empate: um seguiria para as meias-finais, onde Portugal está sentado num confortável cadeirão a ver o que se passa volta, e outra para casa. Mesmo que essa fique na Grécia!


O seleccionador alemão surpreendeu ao apresentar toda uma frente de ataque nova, deixando no banco os famosos Mário Gomez, Muller e Podolsky, que nem chegaria a entrar. Para estrear o velho Klose e dois promissores miúdos: Reus e Schurrle.


Excesso de confiança ou estratégia? Se calhar nem uma coisa nem outra: apenas excesso de opções. Ou, se calhar, todas juntas!


Do outro lado, Fernando Santos não tinha problemas desses. Bastava-lhe o de não ter Karagounis, que não era pequeno!


O jogo começou e a Alemanha não perdeu tempo a dizer ao que vinha. Estava ali para fazer o serviço – quer dizer, despachar os gregos – e, à boa maneira alemã, foi-se a isso!


 Foi para cima dos gregos, encostou-os lá atrás – o que nem lhes exigiu grande esforço, porque eles também não estavam muito dispostos a sair de lá – e cedo as oportunidades de golo começaram a surgir. Mas o tempo ia passando, e de golos só havia o cheiro. Veja-se só: em apenas dois minutos - do 23 ao 25 – a Alemanha construiu quatro oportunidades de golo. No entanto, e como a Senhora Merkel ainda não tinha aparecido com toda a sua exuberância, a festa era dos gregos. Parecia que no estádio havia muito mais gregos que alemães, percebia-se pela festa, mas mais ainda pelos assobios. Estava-se nisto quando, aos 39 minutos, Lahm marcou o golo que há muito estava anunciado. A equipa grega estava metida dentro da sua grande área e esqueceu-se que os alemães sabem que, quando assim é, remata-se de fora. Pareceu um grande golo. O remate até foi bom, mas beneficiou de um desvio num defesa, que talvez tenha impedido o guarda-redes Sifakis – que não tem nada a ver com aquele Nikolaidis que nos fez a vida negra em 2004 -, que ainda tocou na bola, de evitar o golo. Até ao intervalo – em que os alemães tiveram 70% de posse de bola, 13 remates contra 2 da Grécia e cinco cantos, contra nenhum (a Grécia apenas beneficiou de um em todo o jogo) - apenas e ainda mais uma oportunidade de golo para a Alemanha, num grande remate de Schurrle.


E ao intervalo Fernando Santos fez aquilo a que já nos habituou: mexeu na equipa como só ele sabe. Fez duas substituições, mudou mais outras tantas peças e surgiu uma Grécia diferente. Não era a primeira vez!


E o golo do empate – o tal da esperança de Samaras – surgiu logo aos 10 minutos. Obra de Salpingidis – o mais excitante jogador grego, embora não seja o mais influente – que fugiu pela direita para cruzar para o golo. Quando parecia que o relógio andara para trás e que o jogo regressara à primeira parte, Khedira, pouco mais de cinco minutos depois, desfez o sonho grego com o que seria um grande golo, se porventura um golo com a canela pudesse ser isso. A Grécia ainda esboçou uma reacção nos 5 minutos seguintes – aconteceu então o único canto a favor – mas não passou disso. De um esboço!


Porque, logo a seguir, o velho Klose fez aquilo que há muito sabe fazer: não perdoar erros aos guarda-redes. Mais 5 minutos e seria o miúdo Reus a molhar também a sopa, fazendo o 4-1 que atiraria violentamente com a Grécia para fora do Euro. Valeu o penalti, já no fim – aos 88 minutos – que permitiu a Salpingidis suavizar um bocadinho o empurrão violento dos alemães!


Teria sido bonito umas meias-finais integralmente PIGS…

COISAS DE HOJE II

Por Eduardo Louro


 


O ministro Vítor Gaspar anda há pouco tempo nisto mas sabe bem como as coisas se fazem.


Aproveitou a euforia que tomou conta do país, com o apuramento da selecção nacional de futebol para as meias-finais do campeonato e, de mansinho, veio dizer o que há muito andamos todos a dizer. Que temos um grande problema com as receitas fiscais!


Sem quantificar coisa nenhuma veio dizer que há um desvio colossal nas cobranças fiscais e da segurança social. Como se não estivesse – ele e todos nós – farto de saber que assim era!


Como se não soubesse – e não estivéssemos fartos de saber – que não é possível cumprir o défice de 4,5%. Mas reafirmou, uma vez mais, que vamos cumprir. Que vamos cumprir tudo, e que não precisamos nem de mais tempo nem de mais dinheiro!


Mas disse outra coisa fantástica: que o Estado está a gastar menos. Em salários!


Que as despesas com pessoal caíram 7%. O Estado está a gastar menos? Importa-se de repetir?


Não. O Estado continua a gastar mais, como sempre. Só gasta menos em salários porque, como sabemos, rompeu com o contratualizado com os funcionários públicos, baixando-lhe os salários e comendo-lhe os subsídios de férias e Natal. Pelo lado mais fácil, como qualquer dos muitos impostos a que tem lançado mão.


Quer isto dizer – e quis ele dizer – que vem aí mais do mesmo. Como os comentadores do regime têm vindo a preparar…


Coisas de hoje. E de todos os dias!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

EURO 2012 (XIX) - SOMOS OS PRIMEIROS

Por Eduardo Louro


                                                                     Portugal com garra de campeão está nas meias-finais 


Somos os primeiros. Os primeiros a entrar às portas das meias-finais!


A selecção nacional até voltou a entrar mal. Entrar mal é um eufemismo, porque esteve mal durante toda a primeira parte, apenas disfarçando nos últimos minutos da primeira parte, quando podia até ter marcado naquele remate ao poste de Cristiano Ronaldo. Que, com mais um na segunda parte, à sua conta, já leva quatro. Esse título já ninguém certamente lhe tira!


A equipa não esteve bem, nem perto disso. Quer colectiva quer individualmente, onde apenas Coentrão e Pepe – sempre ele – estiveram em bom nível, apesar de os minutos finais terem dito que Cristiano Ronaldo não estava ali para passar ao lado do jogo. Mal Raul Meireles e, muito mal, João Pereira. E não foi apenas durante os primeiros vinte minutos, como diria Paulo Bento. É certo que é aos 25 minutos que a equipa nacional constrói a sua primeira jogada de ataque, mas logo a seguir surgem os amarelos a Nani e a Veloso. E a única jogada de perigo da equipa checa, através da também única corrida dos 100 metros de Selassie, o tal lateral direito de que aqui falara.


A equipa não conseguia ter bola – apesar de, mesmo assim a equipa ter, pela primeira vez, mais posse de bola (53%) que o adversário – nem criar espaços. A selecção checa tapava todos os caminhos, fechava o jogo e, em pressão alta, tornava o campo bem mais curto. Sem espaço, e falhando mesmo os passes curtos, a equipa portuguesa optava pelo passe longo, mais difícil e invariavelmente condenado ao insucesso.


Na segunda parte tudo foi diferente: como da noite para o dia!


A selecção nacional produziu uma das melhores – se não a melhor – das exibições que alguma equipa realizou neste europeu. Logo no primeiro minuto, Hugo Almeida – que entrara aos 39 minutos da primeira parte para o lugar do lesionado Postiga (talvez a lesão mais oportuna, para não dizer mais desejada – porque isso não faria sentido – pelos adeptos) – teve tudo para fazer golo. E pouco depois era Cristiano Ronaldo a acertar - pela segunda vez no jogo e pela quarta em dois jogos – no poste.


As ocasiões de golo sucediam-se a um ritmo inusitado. Anotei-as, mas seria fastidioso enumerá-las, tantas foram! O golo, esse e como sempre, é que tardava. Aos 58 minutos Hugo Almeida introduziu a bola na baliza de Petr Cech – que, não tendo feito uma exibição do outro mundo, à sua conta negou dois ou três golos – mas em fora de jogo. Ficou a ideia que poderia ter tido essa noção e ter deixado a bola para Ronaldo, em boa posição – e legal – para fazer golo. Surgiria finalmente aos 79 minutos, numa cabeça espectacular do melhor do mundo, antecipando-se ao etíope - que de corredor de fundo passou a polícia – para dar a melhor sequência à excelente jogada de João Moutinho.


A selecção checa, completamente dominada nesta segunda parte – apenas fez uma jogada de contra ataque (59 minutos), por Pilar, em bom estilo, batendo João Pereira e Pepe, que morreria nos pés de Veloso, e fez apenas dois remates em todo o jogo, nenhum deles à baliza – não tinha qualquer capacidade de reacção, e foi Portugal que teve ainda mais três oportunidades para colocar o marcador em números mais próximos daquilo que a exibição justificava, para além de um penalti que, aos 87 minutos, o senhor Webb deveria ter assinalado quando o pobre polícia Selassie, depois de mais um nó do seu fugitivo, o empurrou pelas costas dentro da área.


A qualidade da exibição de Portugal mudou, como disse, do dia para a noite. Como mudaram as de todos os jogadores, mas, especialmente, as de Raul Meireles e João Pereira que, mesmo no fim, não se lembrou que Cech estava na área portuguesa, e não foi expedito a colocar a bola á frente de Ronaldo, na linha de meio campo. Mas também a de João Moutinho, que fez uma segunda parte memorável, ao nível do que de melhor se pode ver. Para a UEFA o homem do jogo voltou a ser Cristiano Ronaldo mas, para mim, foi João Moutinho!


Claro que, quando a equipa joga como o fez na segunda metade deste jogo, Ronaldo brilha ainda mais. E, com a equipa a jogar assim e o melhor do mundo a brilhar desta maneira, não sei se, agora, será mais difícil vencer os espanhóis – se lá chegarem – se os desejos do Sr Platini!

COISAS DE HOJE I

Por Eduardo Louro


 Petr Čech


Toda a gente chama Peter ao guarda redes do Chelsea e da República Checa. São os jornalistas, todos, sem excepção. É o seu colega Raul Meireles, que diz que o Peter quer sempre ganhar!


O homem chama-se Petr. Petr Cech (o primeiro “C” tem um til, mas este teclado diz que não pode)! E lê-se Petra Txé!


Não é por ter ido há muitos anos para Londres – pela mão de José Mourinho – que se passou a chamar Peter!


Já agora, por conta deste contributo para o seu bom nome, só lhe peço que, daqui a pouco, não se esqueça de uma gracinha igual à que fez à Grécia. Não é pedir muito!

AÍ ESTÁ O VERÃO!

Por Eduardo Louro


 



Aí está o Verão!


Chegou meio triste e sem subsídio de férias… 


Mas há-de animar, lá mais para a frente. Quando, mesmo sem dinheiro, nos equecermos disso!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

EURO 2012 (XVIII) - TEMPO DE BALANÇO!

Por Eduardo Louro


                                                                      


Depois de quase três semanas cheias de jogos, todos os dias, chegou o primeiro dia de abstémia. Seguem-se, agora, mais quatro dias de futebol: um por dia, nos quartos de final!


Tempo, pois, de balanço. Como nas contas semestrais das empresas!


Dos que aqui considerara favoritos no início caíram dois: a Holanda, que considerara favorito de primeira linha, e a Rússia, que considerara de terceira linha. De terceira linha, não pela qualidade dos seus jogadores e do seu futebol, mas precisamente pelos habituais percalços competitivos.


A selecção Russa tinha tudo para, desta vez, fintar o destino e confirmar o excelente euro 2008. Tinha jogadores, tinha futebol e tinha equipa! E tinha vantagens comparativas assinaláveis: uma equipa constituída por jogadores que jogam em clubes do campeonato russo - a excepção Ismailov não é sequer relevante, pelo (pouco) que foi utilizado - mas, mais, com 70% de jogadores de um só clube – o Zénitt de Danny – o que, como se sabe, é fundamental numa selecção: pela coesão e pelos automatismos que lhe empresta. Mas, acima de tudo, tinha a vantagem do seu calendário competitivo. Os seus jogadores estão a meio da época, e não no fim, como os restantes. Muitos deles com 70 jogos de alto desgaste!


Mas, mais: não só entrou a ganhar – e sabe-se como é importante, neste tipo de competições, entrar a ganhar – entrou em grande estilo e a golear. Com tudo, mas tudo mesmo, a favor, falhou. Sem desculpa!


A selecção holandesa foi, contudo, mais decepcionante. A mesma equipa que brilhara há dois anos, no Mundial da África do Sul, com o mesmo treinador, recheada de estrelas e com os melhores marcadores das ligas inglesa e alemã, esteve irreconhecível. Terá ficado marcada pela inesperada e injusta derrota no primeiro jogo, com a Dinamarca, tida pelo adversário menos poderoso. Mas, parece-me agora, que esta derrocada holandesa terá começado a desenhar-se há um mês atrás, quando Roben falhou aquele penalti contra Petr Chech na final da Champions. Pode falar-se de egos, de guerra de estrelas, daquela defesa – realmente fraca – das discutíveis opções do treinador e mesmo daquele primeiro jogo, mas aquilo começou naquela noite de Munique. E só não foi uma saída mais humilhante porque a selecção nacional foi perdulária. Não fora isso e a Holanda ter-se-ia despedido vergada ao peso de uma goleada histórica!


Nas restantes seis selecções que já fizeram as malas e regressaram a casa não há exactamente surpresas. Nem nas da(s) casa(s), mesmo que a Ucrânia tenha sido aviada da maneira que foi. Mas há mais injustiças e coisas esquisitas!


À Croácia, num grupo onde contavam a Espanha e a Itália, ninguém poderia exigir o apuramento. Mas provou merecê-lo. E deixou uma mancha no percurso da Espanha que, em vez de se apagar, será tanto mais viva quanto mais La Roja se aproxime dos desejos de Platini. Que se espera não sejam uma ordem!


Se o apuramento da Grécia só é surpreendente pela forma como aconteceu – Rússia e Grécia seriam sempre as favoritas do grupo A – já o da República Checa, e com o primeiro lugar, é absolutamente inesperado. Mais ainda depois da imagem que deixou logo no primeiro jogo, goleada pela Rússia. Muito mérito há-de ter tido aquele treinador, que mudou tudo e conseguiu erguer uma equipa que vai tornar a vida muito difícil à selecção nacional.


No grupo B, onde a nossa selecção não era favorita, tudo se resolveu com a desgraça holandesa. E sobre o feito da nossa selecção – a única que nunca falhou os quartos de final, desde que foram introduzidos, em 1996, com a fase final a ser disputada por 16 selecções - já aqui se falou. A Alemanha apurou-se em primeiro lugar com naturalidade, mas - também ela a acentuar a maldição de Platini – a beneficiar de coisas esquisitas. E como as manchas custam a sair… A verdade é que o principal favorito deste europeu interrompeu no último jogo com a Dinamarca o processo ascendente - que lhe é tão habitual, quanto o seu poderio – que se lhe notara no segundo jogo, com a Holanda. E como foi precisamente com a Holanda…


No grupo C, de que se já falou, a Itália confirmou o rótulo de favorito que aqui se havia colado, apesar de Bolotelli, apurando-se sem mácula. Ao contrário da sua acompanhante!


E no grupo D apuraram-se, sem brilho, ingleses e franceses. Os ingleses porque estão longe do brilho – e não é só pela crónica falta de sol pelas suas bandas – é porque lhe faltam artistas, porque Roy Hodgson está a fazer regredir o futebol da selecção inglesa em algumas dezenas de anos e, the last not the least, pela mais suja das manchas da arbitragem . Os franceses, nem sei bem porquê!


Sei que a derrota e a exibição com a Suécia não só tiraram brilho ao apuramento como, acima de tudo, mancham a imagem desta selecção, que também integrava o lote dos favoritos.


Irão ser duas equipas manchadas – se bem que por razões diferentes – aquelas que fecharão os jogos dos quartos de final. Só a França terá oportunidade de limpar a sua. A Espanha, mesmo que ganhe, não o conseguirá ainda!


A Itália não deverá deixar de mandar os ingleses para casa. Se esta selecção inglesa, apesar de Rooney, não tem futebol para estar entre as oito melhores selecções da Europa, como poderá estar entre as quatro?


O confronto – a palavra não é acidental – entre a Alemanha e a Grécia será muito mais que um jogo de futebol. E, quando assim é, nunca sabemos muito bem no que dará. Mas, por muita vontade que tenha, mesmo com uma alma sem fim, a Grécia, apesar de Fernando Santos, terá muito poucas hipóteses. Seriam sempre muito poucas mas, órfã de pai e herói Karagounis, serão ainda menos.


A selecção nacional é favorita perante os checos. Não há volta a dar! O que não quer dizer que não tenha pela frente uma tarefa bem complicada. E muito menos que ganhe!


Para ganhar a selecção de Portugal terá de abandonar alguns dos genes que carrega no seu ADN. Por exemplo: tem que assumir o jogo o mais cedo possível, na perspectiva de marcar cedo para, depois, poder chegar à sua praia. Quer dizer, para que passem a ser os checos a fazer as despesas da partida, deixando os espaços que façam a praia portuguesa.


Se assim não fizer, se Portugal deixar o jogo correr, haverá de chegar a hora em que os checos, cheios de confiança, começam a carregar em sucessivas avalanches, já sem que os nossos jogadores tenham tempo, nem cabeça, para outra coisa que defender. E pontapé para a frente!


É isto que não pode acontecer. Pela minha parte vou gostar de ver como é que a coisa vai correr ali pelo lado direito da defesa checa, onde mora o etíope Selassie, um dos laterais direitos de que mais gostei. Vê-lo a correr ao lado de CR7 irá ser um espectáculo de atletismo dentro de um jogo futebol!

APROFUNDAMENTO POLÍTICO DA EUROPA

Por Eduardo Louro


 


Confesso que no apogeu das minhas euroconvicções, quando o meu euroentusiasmo batia recordes e via amanhãs que cantam espalhados pela União Europeia, era federalista. Achava que o projecto europeu desembocaria inevitavelmente aí, e que lá se deveria chegar o mais rapidamente possível.


À medida que a crise se foi instalando na Europa percebi que não havia projecto europeu, que isso não passara da maior mentira da História europeia dos últimos vinte ou trinta anos. A partir de 2009 senti-me abandonado pelo meu euroentusiasmo, e a ideia federalista levou o sumiço do fumo. Sei bem que foi a partir dessa altura que ela mais medrou na sociedade portuguesa. Quando se começou a perceber que as coisas por cá iam correr mal, enquanto lá mais para o centro e o norte da Europa nem tanto, antes pelo contrário, as pessoas começaram a pensar que, perder soberania para manter qualidade de vida, valia a pena. Começaram a pensar que a união política era a fórmula mágica que nos alimentaria a ilusão de sermos ricos!


Enquanto, nas minhas euroconvicções, eu entendia o federalismo como o processo natural do projecto europeu, a maioria entende-o como a sua salvação sebastianista. Não é a mesma coisa!


Ao vermos a abusiva e inqualificável interferência alemã nas eleições do passado domingo na Grécia percebemos que não é a mesma coisa. E quando ouvimos Angela Merkel falar de aprofundamento da união política - por mera coincidência em véspera dos resgates das terceira e quarta economias da união monetária - começamos a perceber o que isso poderá ser!

LER OS OUTROS

Por Eduardo Louro


 


Hoje recomendo:


 


No Delito de Opinão, Luís Menezes Leitão - http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4518596.html.

terça-feira, 19 de junho de 2012

EURO 2012 (XVII) - SIGA A DANÇA!

Por Eduardo Louro


                                                                       


Ficou hoje completa a lista dos eleitos para permanecer no euro, juntando-se, como esperado, as selecções francesa e inglesa às seis já conhecidas.


Sem brilho – ambas – deve dizer-se!


A França foi apurada depois de uma derrota por dois a zero e, por mais voltas que dê à cabeça, não consigo perceber como é que já o não estava. A França – uma das favoritas – deixou de o ser. Porque perdeu – e bem, sem espinhas – com a Suécia e porque, perdendo, foi segunda classificada no grupo e caiu na boca da Espanha. Que é mais favorita, como o próprio Platini confirma!


Desse jogo com a Suécia – que foi melhor contra a França e já o havia sido contra a Inglaterra, o que deixa mais próxima da Croácia do que da Holanda – ficam as oportunidades de golo construídas pelos nórdicos, fica a segunda arbitragem de Pedro Proença - ao nível da primeira -, fica uma enorme desconfiança sobre a capacidade dos gauleses mas, acima, bem acima de tudo isso, o golão de Ibrahimovic: o melhor desta fase do campeonato agora concluída, e que, se não vier a ser o melhor, ficará para sempre como um dos melhores deste euro 2012.


O que será um prémio para este extraordinário jogador, de quem se diz que passa sempre ao lado das grandes provas europeias e mundiais de selecções. Com este golo já ninguém poderá que Ibrahimovic não passou pela Polónia e pela Ucrânia!


E como foi bonita a festa sueca! Sem grande coisa para festejar, foi bonita de ver a forma como os adeptos suecos se despediram da sua selecção. Uma lição, como a dos irlandeses!


A Inglaterra acabou por conquistar o primeiro lugar do grupo - algo pouco provável depois de, na segunda jornada, a França ter ganho à Ucrânia por 2-0 – depois de ganhar um jogo em que jogou para empatar. Finalmente com Rooney – depois de cumprido o castigo de dois jogos -, um dos melhores cinco ou seis jogadores na prova, e o autor do golo da vitória, a Inglaterra apresentou-se hoje com um jogo mais ligado. Há uma Inglaterra sem Rooney e outra com ele. Mesmo assim, voltou a não convencer. Mas venceu! E venceu porque a arbitragem voltou a estar no centro do resultado, como já tinha estado noutros três jogos anteriores.


O árbitro húngaro – o senhor Viktor Kassai, um dos favoritos da nomenklatura da UEFA – não confirmou um golo da Ucrânia, depois de a bola estar, aos olhos de toda a gente, bem dentro da baliza. Que não aos olhos do Sr Kassai, nem do seu árbitro assistente… Nem sequer dessa figura ridícula que os organismos máximos do futebol europeu e mundial inventaram, a que chamam árbitro de baliza.


O senhor que estava a interpretar essa figura não viu uma bola à frente do seu nariz dentro da baliza. Como todos os outros senhores que fazem essa figura ridícula – não sei se já repararam, mas é frequente vê-los de cócoras com a cabeça de um lado para o outro para, sem que ninguém perceba para quê – sem que vejam penaltis cometidos debaixo do seu nariz, ou sequer quem realmente tocou a bola em último lugar. Mais ridículo que estas figuras já só a UEFA se, depois de hoje, as mantiver!


É bem possível que, quando é presidida por um senhor – que foi um grande jogador mas que não tem a mínima condição para dirigir o que quer que seja – que faz do ridículo profissão, a UEFA opte por manter-se exposta ao ridículo. Depois das impensáveis declarações de Platini, e especialmente destas três últimas arbitragens (Alemanha - Dinamarca, Espanha – Croácia e Ucrânia – Inglaterra) a decidir quem seguiu para os quartos de final, dificilmente este euro 2012 deixará de ser uma das páginas mais negras na História dos Campeonatos da Europa.


Siga a dança!


 


 

MORREU MUBARAK!

Por Eduardo Louro


                                                                      


Morreu Hosni Mubarak, o ditador egípcio que há semanas havia sido condenado a prisão perpétua. Pena leve, como se vê!


Com as confusões - eleitorais e não só - que se têm sucedido, e com a desesperança instalada no Egipto e com a manutenção do poder nas mãos dos militares, talvez esta morte represente mais para os que fizeram brotar a Primavera na praça Tarik do que propriamente o caminho onde a revolução desembocou!


 


PS: Deveria ter começado por: "Morreu - ou talvez não - Hosni Mubarak".


Esta não é uma das mortes em que as notícias sejam manifestamente exageradas. Mas uma daquelas em que as notícias se confirmam e desmentem à velocidade de um raio!



COISAS INTRAGÁVEIS XIII

Por Eduardo Louro


                                                                      


No domingo não houve apenas eleições na Grécia. Também houve em França. Como há um mês e pouco atrás… Então, em França votou-se para as presidenciais, para eleger Hollande e, na Grécia, para nada!


Há alguma coisa em comum entre estas duas eleições de domingo? Há, ambas são marcadas por sistemas eleitorais bizarros!


Se na Grécia o sistema dá um bónus de 50 deputados ao partido vencedor – na circunstância o partido da Nova Democracia elegeu 79 deputados e recebeu 50 de bonificação, o que significa que apenas 60% dos seus deputados são eleitos – em França, um partido com 30% dos votos elege mais de 50% dos deputados e outro, com 13%, elege um ou dois. Em França um pequeno partido cresce, cresce e, por mais que cresça, nunca consegue eleger um deputado!


São sistemas eleitorais vocacionados para promover a estabilidade política?


Serão. Mas também para evitar a mudança!


Não é que a democracia esteja em causa. Desde se conheçam as regras, e elas sejam iguais para todos, a formalidade democrática estará assegurada. Mas que estas formas de representação minam a democracia representativa, minam!


É votar para que tudo sempre fique na mesma. Ou perto disso!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

EURO 2012 (XVI) - AFINAL, POR ESPANHA TUDO CORRE BEM!

Por Eduardo Louro


                                                                      


Espanha e Itália, no grupo C, apuraram-se para os quartos de final. Dos PIIGS, apenas um saiu do Euro. Um I – a Irlanda – mas ficam, ainda assim, PIGS!


Espanha e Itália, como seria de esperar. Mas como podia muito bem não ter acontecido, porque a Croácia demonstrou que nada lhes devia. Não foi inferior à Itália, no jogo anterior, e arrisco a dizer que também não foi inferior à Espanha, no jogo de hoje. Com tudo o que isso possa ter de herético!


A verdade é que o jogo entre espanhóis e croatas não deixou de confirmar a ideia que aqui tinha ficado expressa antes do início da competição: “… não a coloco na primeira linha de favoritismo … porque … já há antídotos para o tiki-taka”. A Espanha não ganhou à Itália, mas aí até há a desculpa de ser o primeiro jogo, e logo com o suposto e confirmado parceiro de apuramento. Como depois goleou a Irlanda, exibindo o seu tiki-taka ao mais alto nível. A deixar a ideia enganadora de que tudo continua na mesma no reino do tiki-taka. Enganadora porque, como se percebeu, com a Irlanda aquilo resulta. Como resulta outra coisa qualquer, como o provaram italianos e croatas.


O jogo foi de grande emoção. Porque ambas se poderiam qualificar – o empate a dois, que desde cedo se percebeu de todo improvável, deixava a Itália de fora – e qualquer delas poderia ficar de fora, cenário que esteve bem nítido até ao fim do jogo. Até ao minuto 88!


A primeira parte foi jogada sob o signo do medo, que é sempre a pior visita que um jogo de futebol pode ter (os árbitros não são visitas…). Repare-se que só aos 12 minutos a Espanha consegui ligar uma jogada e apenas aos 21 conseguiu o primeiro remate do jogo, por Torres. Mesmo assim sem qualquer ângulo, o que quer dizer sem qualquer hipótese de êxito. O primeiro remate da Croácia surgiu quatro minutos depois, com defesa de Casillas. Até ao intervalo poucos mais remates houve e, de oportunidades de golo, nem sombras. Mas aconteceu algo de relevante: no minuto seguinte ao do primeiro remate dos croatas, aos 26, Sérgio Ramos faz penalti sobre Manduzik, que o árbitro alemão (que já havia arbitrado e adulterado o resultado do Polónia - Rússia) resolveu ignorar, provavelmente para retribuir idêntico favor do árbitro espanhol, ontem, no jogo da selecção do seu país com a Dinamarca.


Com os resultados ao intervalo a Itália, que ganhava por um a zero - ainda antes do espectacular golo de Balotelli e de De Rossi lhe ter tapado a boca, para que não fizesse mais asneiras – ocupava o primeiro lugar do grupo.


Percebeu-se logo de entrada que a segunda parte seria diferente. A Croácia estendeu-se no campo e começou a impedir a equipa espanhola de compor o seu jogo. Aos 58 minutos criava a primeira verdadeira oportunidade de golo do jogo, através de uma grande jogada do seu génio criativo: Modric. E aos 65, com duas substituições em simultâneo para alargar a companhia de Mandzukic, Bilic – um grande treinador, a par de Fernando Santos, o melhor no banco - o jogo mudava definitivamente!


A equipa da Croácia tinha de marcar: um golo para ganhar o jogo, ou dois golos para, empatando-o, se qualificar. E o jogo tornou-se emocionante, com a Croácia a partir para a frente mas a dar o espaço que nunca dera aos espanhóis. Ao minuto 79 volta a estar perto do golo, com defesa de Casillas. A Espanha tremia e continuava sem conseguir criar perigo junto à baliza de Pletikosa e, aos 87 minutos, na sequência de um pontapé de canto, o árbitro alemão volta a não assinalar novo penalti contra a Espanha, quando Sergio agarrou Corluka, impedindo-o de dar o melhor destino à bola. No minuto seguinte, aos 88, já com os jogadores da selecção dos Balcãs sem capacidade de recuperação, Fabregas isola Iniesta e Navas, já dentro da área, à frente do pobre do Pletikosa. Dois para um, e o golo de Navas a decidir tudo.


A Croácia caía, mas de pé. A Espanha não ganhou para o susto, e poderia estar a esta hora a fazer as malas. Viu-se livre de um dos adversários mais incómodos (para aquele seu tipo de jogo) e, agora mais importante que isso, vê-se livre de outros que por lá estão. Até à final, se lá chegar! Porque Inglaterra ou Ucrãnia, para já, e Portugal, como espero, depois, – repito, para aquele seu tipo de jogo - são do melhor que lhes poderia calhar!


 

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