segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Orçamento Geral do Estado para 2013 foi hoje aprovado, como se sabia. Não se sabia é que haveria de ser aprovado à pressa…Nem que a Presidente da Assembleia da República iria negar essa bem notada pressa - "foi seguido o mesmo método do ano passado", diria contornando a verdade - dando mais uma ajudinha para o descrédito da chamada casa da democracia. Mesmo que de uma democracia que convive bem com a ditadura dos partidos e dos respectivos aparelhos…


Não fosse assim e este orçamento não teria sido aprovado!


Sobre o orçamento nada mais há a acrescentar, já aqui se disse tudo o que havia para dizer. O governo e a maioria que obrigatoriamente o sustenta não quiseram nem querem discuti-lo. Sabem que é uma fraude e, por isso, quanto menos se fale dele, melhor!


Introduziram por isso o tema da revisão das funções do Estado, com o sentido de oportunidade de que ainda ontem aqui se deu conta.


A verdade é que a estratégia foi relativamente bem sucedida. Fala-se e tem-se falado nos últimos dias muitíssimo mais das funções do Estado do que do Orçamento, das opções que lhe são subjacentes e das fragilidades e incompetência que documenta.


Poucos teremos dúvidas que há real necessidade de reavaliar as funções do Estado, porque muita coisa mudou. Mas creio que serão muitos os que têm dúvidas que seja este governo o mais indicado – pela gritante falta de competência, pela falta de consistência no rumo, pelo fundamentalismo ideológico, etc. - para o fazer. Como muitos serão os que não compreenderão muito bem que se questionem as funções sociais do Estado, num período como o que o país atravessa, sem que se questione o garrote financeiro da troika, em particular os juros, a taxas inaceitáveis, que representam a fatia maior de toda a despesa do Estado. 

domingo, 30 de outubro de 2022

Suspiro de alívio

Veja em quais países Lula ganhou para presidente no segundo turno | O TEMPO


Lula venceu as eleições, e é, de novo, 12 anos depois, Presidente do Brasil. Com mais 2 milhões de votos que Bolsonaro, mas apenas 1% de vantagem. 


Respira-se de alívio. Mas também se pode conter a respiração, de medo. O país está dividido ao meio e carregado de ódio. E de armas. As instituições estão minadas. O sistema político é complexo e anacrónico, e o judicial pouco menos que isso. Não se sabe como Bolsonaro reagirá à derrota. Nem, mesmo que aceite como veredicto democrático, o que fará do país daqui até Janeiro, quando entregar o poder. 


 Com menos de 51% dos votos, minoritário na câmara dos deputados e no senado, e com a teia de compromissos contraditórios, muitos deles não menos anacrónicos, que  teve de construir para garantir a eleição, Lula da Silva tem pela frente uma espécie de missão impossível. 


Para esta missão impossível tem a seu favor o apoio internacional, e o das figuras mais marcantes da sociedade brasileira. E a esperança que tenha aprendido com o passado... 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Na discussão do Orçamento de Estado na Assembleia da República discutiu-se tudo menos o dito. A politquice do costume, com mais ou menos encenação e com a amnésia do costume. PS e PSD muito esquecidos: um de que foi governo e do que aí foi feito, e outro, tanto como das promessas feitas, da garantia que nunca se desculparia com a pesada herança. O governo e a maioria na realidade já não têm outro argumento que não a governação anterior, esquecendo duas coisas: que garantiram não recorrer a esse expediente e que estão a governar há quase ano e meio.


Mas a verdade é que na discussão do orçamento não se discute o orçamento, a provar aquilo que aqui tem repetidamente sido dito: que este orçamento apenas existe porque é preciso haver um. Se não vale de nada, se não serve para nada, se nem o governo que o apresenta nem a maioria que o defende e aprova acreditam nele, o que é que há a discutir?


Quando se deveriam estar a discutir os “enormes aumentos de impostos” do Orçamento, o primeiro-ministro apresenta medidas contingentes – mais impostos - para a falha da execução orçamental. Está a apresentar o Orçamento e o seu primeiro rectificativo, ele que, neste ano, bateu o recorde de orçamentos rectificativos, ultrapassando os governos provisórios do PREC!


Quando se deveriam estar a discutir os cortes de despesa do Orçamento, o primeiro-ministro, refundador, alarga a refundação ao Estado, depois do pontapé de saída dado na semana passada pelo ministro das finanças com aquela de “pensar nas funções do estado e no preço que se está disposto a pagar por elas”.


O governo que prometeu reformar o Estado, que foi eleito também com essa promessa, em ano e meio não mexeu uma palha. Mas quando apresenta um orçamento que não consegue executar, repara que a única saída que tem é cortar funções ao Estado. É, quando mais tira aos portugueses para dar ao Estado, que mais vai tirar no que o Estado tem para dar aos portugueses.


E é quando desperdiçou toda credibilidade que chegou a ter, depois de perder todas as muitas oportunidades que teve, e depois de ter esgotado toda a boa vontade, compreensão e disponibilidade de colaboração da parte do PS, que vem apelar – de forma pública e alvoraçada, sem o mínimo tacto político – à ajuda de Seguro para consensos na reforma do Estado. Faz algum sentido?


Nunca tanta incompetência junta foi vista neste país…


Valha-nos que um banqueiro nosso amigo – e muito competente - acha que tudo vai bem. E que é com mais austeridade - que o país aguenta, garante – que nos salvamos do destino da Grécia. “Ai aguenta, aguenta” – diz ele! Até poderá aguentar, Sr Ulrich, mas esse é mesmo o caminho da Grécia. Com o mesmo destino, como já toda a gente viu!


Excepto os banqueiros, claro…

sábado, 29 de outubro de 2022

Magia na relva


O Benfica continua a espalhar magia pela relva, sem intermitências. Hoje, de novo na Luz, de novo em festa, praticamente cheia, perante o Chaves, voltou a exibir o seu futebol entusiasmante, de primeiríssima água.


Havia alguns receios, as feridas antigas estarão saradas, mas as más memórias não são fáceis de apagar. O Chaves tinha ganhado em Alvalade. E em Braga. O jogo da passada terça-feira tinha tudo para ter deixado a equipa altamente confiante, e segura do seu valor. Mas também tinha sido muito exigente, física e mentalmente. Os jogadores tanto poderiam entrar em deslumbramento, como desgastados, como em relaxe. E depois havia a questão do chip - a mudança do modo "Champions" para o de campeonato nacional. Contra um adversário tranquilo, bem trabalhado, como se tem visto, e moralizado pela história já feita neste campeonato, deslumbramento, relaxe, cansaço e chip são coisas complicadas.


Só que este Benfica parece imune a essas coisas todas. Não há deslumbramento, não há relaxe, não há cansaço e só tem um chip, o do futebol de alto quilate. E nem deu tempo ao Chaves para sequer pensar que poderia na Luz repetir Alvalade, ou a Pedreira. Quando, com apenas dois minutos, Neres fez magia naquele golo espectacular, já o Benfica tinha conquistado dois cantos, e já o menino António Silva tinha tentado imitar o calcanhar do Rafa, da passada terça-feira. 


E nunca mais parou. Os jogadores nunca se cansam quando se divertem a jogar à bola. Estes jogadores a que Roger Schemidt devolveu o prazer de jogar à bola divertem-nos divertindo-se!


Bastaram pouco mais de cinco minutos para Grimaldo voltar a vestir a magia de golo. O jogo não ficava resolvido nos primeiros dez minutos porque já se sabe - o 2-0 é um resultado perigoso, diz-se. Dificilmente o será quando não se levanta o pé, quando o caudal de futebol enleante não seca. 


E o Benfica não levantou o pé, nem baixou a quantidade nem a qualidade do seu futebol. E Rafa, primeiro, e Gonçalo Ramos, depois, poderiam ter dobrado o resultado em pouco tempo.


A equipa nunca relaxou, mas abrandou então um pouco. Em ritmo e em concentração, mas foi em apenas dois ou três minutos, pouco depois da meia hora. Resultou em dois passes falhados, um dos quais só não deu em golo porque Vlachodimos também faz parte da equipa. E está também em grande forma!


Serviu de lição, e rapidamente chegou ao terceiro golo. De Gonçalo Ramos, assistido pelo fantástico Aursenes, mais um caso sério nesta equipa, acabando de vez com os perigos do 2-0, e abrindo as portas para uma segunda parte tranquila, como se pedia neste contexto competitivo, com a importante deslocação a Israel, donde poderá ainda trazer o primeiro lugar do grupo de apuramento na Champions.


E foi isso, a segunda parte. Tranquila. Mas nem por isso menos bem jogada, nem por isso sem a magia, que regressou logo no início. Primeiro numa grande jogada de Rafa, que assistiu João Mário para o golo que um defesa adversário evitou, desviando a bola para canto. Pouco depois, naquele mágico golo do fantástico Enzo. Não contou, foi depois anulado por fora de jogo (18 cm) de Aursenes, no início da jogada.


E regressaria mais vezes. No lance em que João Mário foi derrubado à entrada da área, mas ainda a tempo de deixar a bola em Rafa, isolado à frente do guarda-redes, pronto para o golo. Com o árbitro, Luís Godinho, a preferir assinalar a falta, beneficiando escandalosamente o infractor.


Mas é isto. A jogar desta forma, o Benfica não dá hipóteses aos adversários, nem aos árbitros habilidosos, como Luís Godinho. Não se limitou a impedir esse golo, teve ainda que, de uma só vez, amarelar Aursenes - por uma falta que nem falta pareceu - e Otamendi, por simplesmente usar o seu estatuto de capitão para chamar a atenção justamente para isso.


E regressaria no quarto golo, de Musa, assistido por Enzo, a concluir mais uma brilhante jogada tricotada já dentro da área flaviense. E no grande remate do Gilberto, à trave. Que deu a Rafa, na recarga, o quinto golo, igualando os números do melhor resultado da época, com o Marítimo, há semanas. Ainda assim longe do que, com melhor coeficiente de aproveitamento das oportunidades criadas, seria um resultado de mais condizente com a qualidade de mais esta excelente exibição de futebol!


   

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Perder (a) iniciativa

Iniciativa Liberal elege um deputado


O que se está a passar na IL é o que se passa em todos os partidos políticos - diria mesmo em todas as agremiações - quando atingem expressão de poder. Seja de que nível for, o poder divide. E divide-se.


Logo que os partidos passam a ter lugares para distribuir, entram em estado de conspiração. É sempre assim, mas é ainda mais assim com os liberais. Foi assim no PSD. E assim foi no CDS, quando os liberais tomaram as rédeas do partido. Volta a ser assim quando daí emigraram para criar a Iniciativa Liberal.


Enquanto foi um pequeno partido, sem expressão parlamentar, João Cotrim de Figueiredo conseguiu ser o mínimo denominador comum da Iniciativa Liberal. Logo que atingiu o respeitável número de oito deputados na Assembleia da República, deixou de ter condições para segurar o partido. E a ilusão de pouca dura que semeou pelas gerações mais novas.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


As jornadas parlamentares da coligação deste fim-de-semana, com que os partidos da maioria quiseram mitigar a crise que os une, trouxe-nos, a par de alguns momentos de humor proporcionados pelo ministro Aguiar Branco, pelo ministro Relvas ou até pela ministra Teixeira da Cruz, um novo enigma político.


Vítor Gaspar já tinha começado a falar de maratona, mas como pouco depois Aguiar Branco falava de rações de combate para duas legislaturas, sem perceber bem que o seu forte não é certamente o humor, a imagem das dificuldades da maratona lá por volta do quilómetro 35 ficou um bocado perdida. E lá veio depois Passos Coelho com a refundação: a refundação do Memorando da Troika!


Depois de toda a gente ter percebido que as coisas corriam muito mal, chegou a vez de ser o governo a ter essa percepção. Ou de começar a dela dar conta!


A fase do “nem mais dinheiro nem mais tempo já lá vai e Vítor Gaspar diz-nos que é grande a probabilidade não conseguirmos concluir a maratona. E Passos Coelho, que nunca quis sequer ouvir falar em renegociação, fala de refundação.


Ninguém sabe o que é que entende por refundar o Memorando da Troika. Nem António José Seguro, que deveria saber... E perceber por que era o PS para ali chamado.


Mas sabe-se – Passos Coelho sabe, e Seguro deveria saber - que a próxima avaliação da troika, já em Novembro, vai estourar com o Memorando. E que virá outro (a) caminho. Não há refundação nenhuma, o que aí vem é um segundo resgate. E nele vai ser preciso envolver o PS: é disso que refundação é eufemismo!


A teimosia e a incompetência de Gaspar e Passos deram nisto como, há muito, muitos sabíamos…Deu na Grécia, sempre um passo à nossa frente. Já no terceiro resgate, e em mais perdão de dívida: agora tocam-nos 1.100 milhões que nos calharam em sorte – por solidariedade, não era? - em 2010 e já em 2011. Lembram-se?

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Desta vez o futebolês fixa-se num simples verbo: ligar. Com várias aplicações, mas sempre à volta do mesmo!


A equipa não está ligada, ou não consegue ligar o jogo ou mesmo manter a equipa ligada ao jogo ou voltar a ligar-se ao jogo – que é a mesma coisa - são expressões do futebolês à volta do verbo ligar. Mas não mais do que estas: não ligar ao jogo, por exemplo, já não é futebolês!


Quando a equipa não liga ao jogo, como tantas vezes acontece, deixando toda a gente à beira de um ataque de nervos – por exemplo, o Porto não ligou nada ao jogo com uma equipa de nome Santa Eulália, do passado fim-de-semana para a Taça, e o Vítor Pereira passou-se – o futebolês não se preocupa. Se o resultado der para o torto, o que não foi o caso do Porto – um miserável 1-0 ao tal Santa Eulália, mas ganhou – então lá vêm os tomba-gigantes, a estória de David e Golias e mais umas tantas frases feitas. Mas nada que o futebolês tenha criado!


Não estar ligada, ou não conseguir ligar o jogo - ou o inverso, na afirmativa - é a mesma coisa mas dita de forma diferentes. Não assim tão diferentes, mas diferentes!


Se a equipa não está ela própria ligada, com os diferentes sectores – a defesa, o meio campo e o ataque - a comunicarem fluentemente entre si, ligados que nem elos de uma corrente, não consegue ligar o jogo. O jogo não resulta fluente, consistente, harmonioso e consequente. Pelo contrário, surge como que curto circuitado, aos repelões, sem bola - porque perdida muito rapidamente – e sem nexo, causal ou qualquer outro.


A caixa que comanda a ligação - da equipa e do jogo – é o meio campo – talvez por isso há quem lhe chame o coração da equipa - onde cada peça é como um interruptor. O pivô ou os pivôs – pode ser um ou dois, o 6 ou o 6 e 8 – asseguram a ligação na primeira fase de construção, e o 10 a ligação à segunda fase, a decisiva.


É porque as coisas funcionam assim que o Benfica não está a funcionar. Com as saídas em simultâneo do Javi (6) e do Witsel (8) e com Aimar e Carlos Martins (os dois 10) permanentemente de fora, a equipa não tem sequer interruptores. E sem interruptores não há como ligar a equipa e, se a equipa não está ligada, não consegue ligar o jogo. Bem pode Jorge Jesus ir ao baú cheio de alas para procurar interruptores… Não resulta, como já se viu! E não se vê como é que, assim, Luís Filipe Vieira irá conseguir pagar a promessa dos três campeonatos em quatro anos, já para não falar de uma competição europeia…


Já no Sporting as coisas são diferentes. O Sá Pinto, provavelmente chamado ao comando por fazer faísca com facilidade, nunca conseguiu que a equipa ligasse o jogo, e rapidamente virou passado. O Oceano pegou na equipa, mas continuou desligada, sem fio de jogo. E no entanto os interruptores estão lá, o que não funciona são os próprios circuitos. Acreditam que os engenheiros (electrotécnicos) belgas sejam melhores que os portugueses, mas não é o que se diz por aí…


Manter a equipa ligada ao jogo é outra coisa bem diferente. Tem a ver com a reacção à marcha do resultado, que é preciso não deixar desnivelar.


Quando o resultado começa a pesar – dois, três, quatro – a equipa tende a desligar do jogo, a ficar cada vez mais longe da possibilidade de discutir o resultado. Às vezes basta um golo para trazer de volta a equipa, para a voltar a ligar ao jogo. Para lhe dar a ilusão e a crença de que ainda é possível. E por vezes surgem reviravoltas espectaculares, como sucedeu na semana passada na Alemanha, onde a selecção da Suécia, depois de estar a perder por 4-0, desatou a marcar e ficou de tal forma ligada ao jogo que só parou no último segundo, mesmo a tempo de chegar ao espectacular 4-4 final!

terça-feira, 25 de outubro de 2022

"Quem ama o futebol ama o Benfica"


Foi com este cartão de visita que Roger Schemidt chegou, há cinco meses,  para começar a escrever a partitura deste hino ao futebol que o Benfica hoje apresentou na Luz. Neste fantástico estádio, cheio e vibrante, hoje a festejar o seu 19º aniversário.


Poderá haver quem ame o futebol sem amar o Benfica. O que não pode haver é quem ame o futebol sem se deixar apaixonar por este futebol do Benfica!


Quem não viu o jogo (nunca saberá o que perdeu!) e olhar apenas para este resultado tangencial de 4-3 com que o Benfica venceu a Juventus, e se apurou, desde já, para os oitavos de final da Champions, poderá até achar estranha esta exaltação à exibição desta noite, a melhor exibição deste sensacional Benfica de Roger Shemidt. E provavelmente a melhor de sempre do Benfica na Europa!


Por isso é melhor explicar que o jogo teve duas histórias: a do hino ao futebol que o Benfica interpretou, e a do resultado. E uma não tem nada a ver com a outra, do mesmo modo que uma não apaga a outra.


O resultado não se apaga. É este 4-3 que ficará para sempre. O recital de futebol com que o Benfica presenteou a Juventus, também não. Nada o apagará da memória de quem teve a felicidade de assistir ao jogo!


Tudo foi perfeito. O Benfica - a quem o empate também servia - entrou a dominar o jogo em todos os capítulos, e a empurrar a Juventus lá para trás. O  primeiro golo não tardou mais que 17 minutos, e anunciava a noite perfeita que aí vinha: era, finalmente, o primeiro golo do menino António Silva. O golo que já tantas vezes lhe tinha sido negado teria de chegar numa noite perfeita!


O cruzamento de Enzo foi perfeito. O remate de cabeça do menino, no meio dos três centrais adversários, foi mais que perfeito.


A partir daí a gala foi sempre em crescendo. Mas também foi a partir desse golo perfeito que se começou a escrever a história do resultado. Apenas 4 minutos depois, e na primeira vez que conseguiu chegar à area, no canto subsequente, a Juventus empatou. Depois de ressaltos e mais ressaltos acabou por ser Moise Keen a empurrar a bola para dentro da baliza de Vlachodimos, com o árbitro a assinalar fora de jogo, que o VAR não confirmou. Um golpe de infortúnio que o Benfica transformou num mero incidente de jogo. O "show" tinha de continuar.


E continuou. Bastaram mais 5 minutos para Aursenes - mais outra exibição deslumbrante - pôr a cabeça em água a Cuadrado. Só lhe restou a mão para tirar a bola ao norueguês, dentro da área. João Mário fez o que tem feito com competência, e estava feito o segundo, repondo a vantagem, que nunca se tinha justificado ser perdida.


O futebol do Benfica continuava imparável. E requintado, mágico mesmo. Magia foi o que não faltou, sete minutos depois, na jogada do terceiro golo. Magia é com Rafa, e só poderia mesmo ser uma obra-prima. De calcanhar, a responder ao passe de João Mário.


Faltavam 10 minutos para o intervalo, e o 3-1 no resultado era o que de melhor a Juventus levava da primeira parte.


Nada mudou para a segunda parte. E bastaram cinco minutos para novo solo de Rafa. Desmarcado por Grimaldo, foi por ali fora até ficar cara a cara com  Szczęsny. Depois foi a arte de lhe fazer passar a bola por cima. Era o bis de Rafa, e a goleada cravada no marcador.


Os jogadores da Juventus estavam de cabeça perdida. Um deles até apertou o pescoço ao Rafa, com a complacência do árbitro. Não sabiam para onde se virar. Os jogadores de vermelho surgiam-lhe todos os lados, como se fossem mágicos. A Luz era o inferno. E as oportunidades de golo sucediam-se. Szczesny negou mais um a Gonçalo Ramos. António Silva só não voltou a marcar por milímetros. Os jogadores do Benfica estavam no paraíso, e já só procuravam o hat-trick para Rafa. Que o teve nos pés aos 75 minutos, com a baliza ali à mercê, depois de mais uma brilhante assistência de João Mário. A bola saiu a rasar a trave.


Allegri já tinha esgotado as substituições, à procura de estancar a avalanche do futebol benfiquista. Roger Schemidt, nem uma. Não se podia estragar o que era perfeito.


De repente, do nada, viu-se que Allegri tinha metido no jogo um tal Illing-Junior, mais uma esperança do futebol inglês. Fugiu pela esquerda e cruzou para Milik, também lançado por Allegri, marcar. De uma goleada histórica, o resultado passava para 4-2.


A superioridade do Benfica era tal que ninguém viu qualquer ameaça naquele golo. Muitos terão mesmo pensado que aquele golo, não passava da velha regra do "quem não marca sofre", e que, como sucedera no primeiro, apenas serviria para relançar o Benfica para mais golos.


Só que, logo a seguir, o menino inglês repetiu a graça, e Mckennie, também ele saído do banco, marcou também. Em dois minutos, e a 11 dos 90, a Juventus conseguia dois golos e deixava o resultado em 4-3.


Não estava tudo contado. Contada estava a história do resultado. Rafa ainda tinha mais para dar ao jogo. E deu. Aos 85 minutos voltou a soltar magia, e a ir por ali fora, deixando toda a gente para trás, para acabar com a bola no poste esquerdo da baliza de Szczesny, depois de o obrigar a lançar-se para o lado oposto. Saiu logo a seguir, sob a maior ovação da História de 19 anos da nova Catedral.


É verdade que a Juventus poderia até ter empatado, num canto já no período de compensação. E é verdade que se sofreu. E que, depois do remate ao poste de Rafa, se temeu a repetição da velha máxima da bola.


Nada disto apagou a gala de futebol do Benfica desta noite. Acrescentou-lhe apenas a emoção que a transforma em épica!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Acompanhei mais uma entrevista de um banqueiro. Desta vez foi Nuno Amado, o presidente do BCP, na TVI 24.


Que, também ele, fale como um banqueiro e que digam todos o mesmo não surpreende. O que surpreende é que agora todos falem do Tribunal Constitucional. Ao que dizem, o diabo que agora ameaça dar cabo do país!


O que surpreende é que, quando toda a gente, de todos os quadrantes – sejam eles quais forem – já se pôs de fora das opções políticas e económicas do governo, os banqueiros permaneçam firmes e hirtos na defesa desta política de destruição da economia que o governo prossegue. E que, eles e apenas eles, não poupem elogios ao ministro das finanças!


Por que será? Estranho, não é?


Ah! Já sei: se calhar é por isto. Se calhar é porque é muito interessante ir buscar dinheiro ao BCE de borla e aplicá-lo na dívida pública às taxas de juro dos malandros dos mercados. Se calhar é porque se a política fosse outra, e como o dinheiro não estica, para financiarem a economia não poderiam meter a mão no pote destas rendas. Sim, também os banqueiros gozam de rendas, não são apenas as EDP´s, as PT`s ou as grandes distribuidoras…


Ah! Percebo: os banqueiros são coniventes com este processo de destruição do país. Com tamanha lata que nem se preocupam em disfarçar um bocadinho…


 

Corredor verde (escuro)

Portugal, França e Espanha alcançam acordo sobre interconexões ibéricas


Do chamado "acordo sobre as interconexões", também chamado "corredor verde" - provavelmente por ser potencialmente mais bonito - que agitou a política da caserna nestes últimos dias, não percebo nada. E creio que não estarei sozinho nesta ignorância, até porque, dele, nada se sabe. 


Como nada se sabia do anterior, o tal que, ao contrário deste, que prevê essa "interconexão" por mar, a previa pelos Pirenéus. Sabia-se apenas que fora assinado entre o governo de Passos - e talvez por isso tão defendido pelo PSD - e o de François Hollande. E que nunca chegou a existir, porque Macron sempre se lhe opôs.


É aqui, neste preciso ponto, que passamos a perceber o essencial deste novo acordo para levar energia para a Europa através do Mediterrâneo. Pela simples razão que somos levados a perceber que os interesses franceses, que Macron põe acima de quaisquer outros, terão a ver muito coisa, menos com a forma como lá chega o gás. E depois o hidrogénio, que ainda se não sabe quando, nem como, se começará a produzir. Por terra, ou por mar não muda muito. Pode custar mais ou menos dinheiro (e isso é com a Europa, já se sabe), mas chega lá à mesma, para atravessar o país, na mesma. É ao percebermos isso que percebemos por que nada se sabe de um acordo que não existe, e que, remetendo tudo para as calendas, dificilmente existirá. E que se resume à simpática fórmula encontrada por Macron para deixar tudo na mesma, fazendo parecer que alguma coisa mudou. 


Pelo meio, e aqui entra a Espanha, fica a saber-se que, se e quando vier a existir, este acordo privilegia os portos espanhóis e deixa de fora o porto de Sines.


Perguntar-se-á: então por que é que António Costa faz disto uma festa?


Creio que só há uma resposta: porque ele é mesmo assim. Gosta de festas!


E a política da caserna também!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Em boa parte das vezes não concordo com as suas posições, mas não posso deixar de concordar que se trata de um dos mais brilhantes parlamentares da democracia portuguesa, e seguramente o mais brilhante de todos os que com ele partilharam o Parlamento nos últimos treze anos. Falo de Francisco Louçã, que anunciou hoje o abandono da actividade parlamentar!


Se na condução da sua actividade política nem sempre foi exemplar, se – e as últimas imagens são sempre as que perduram – não foi exactamente feliz no que dispôs para a sucessão da sua liderança no Bloco de Esquerda, a verdade é que deixa uma imagem de um tribuno parlamentar único. Pela cultura, geral e política, pela inteligência e pela sagacidade!


Com espectáculo – é verdade, mas um tribuno é também um actor, é representação – mas com substância. Com verdade. Com verticalidade, mesmo se pisando as marcas dos limites…


Faz parte da minha geração, somos da mesma idade e fomos colegas no velho ISE, no Quelhas. Não me parece que esteja velho… Não posso aceitar que esteja velho. São opções. É a política...

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Vítor Gaspar, o nosso administrador de falências, brindou-nos hoje com mais umas preciosidades. No dia seguinte à Economist ter garantido aquilo que já todos nós percebemos – que Poortugal está á beira de um segundo resgate e o euro à beira do colapso – e do INE ter revelado o acentuar do desastre da sua execução orçamental, a quebra na receita fiscal e o agravamento do défice no terceiro trimestre, o ministro das finanças ignora tudo isto e diz que o problema é que os portugueses não estão dispostos a pagar aquilo que acham que o Estado lhes deve fornecer.


Ora aí está! O problema não é o Estado e a administração que dele têm feito, não são sequer os juros – usurários, mas nem essa é a questão – que são, de longe, a primeira rubrica de despesa, e se tornaram num ministério. Oculto, mas nem por isso dos mais gastadores! Não são os BPN´s e todos os escândalos de corrupção que desgraçaram e desgraçam este país.


Não. Para Vítor Gaspar “o problema fundamental, difícil” – como acentuou – é que os portugueses querem serviços sociais mas não querem pagar impostos. Como se pagassem pouco…


Portugal poderá estar no limite de tolerância da troika - como ameaça - mas ele já ultrapassou o limite de tolerância dos portugueses!

E lá vem mais um ...

Tory leadership race: Who is former chancellor Rishi Sunak? | Politics News  | Sky News


Ao conseguirem impor Rishi Sunak, as élites dos Conservadores britânicos, pela mão do Comité 1922, livraram o partido de mais dois dos momentos do ridículo que têm sido os últimos tempos. Primeiro, ao impedir Boris Johnson de regressar, semanas depois de ter sido obrigado a demitir-se. Depois, ao obrigar Penny Mordaunt a desistir da candidatura que levaria a decisão para as bases do partido, que ainda há poucas semanas tinham preferido Liz Truss a ...  Rishi Sunak.


Pelo meio, com o multi-milionário Rishi Sunak, conseguiu ainda satisfazer "os mercados" e evitar que se repetisse o ridículo a que Liz Truss conduziu a política inglesa nos últimos dias.


O que não conseguiu, e aí não tem volta a dar-lhe, foi estancar a degradação de 12 anos de poder, nem relegitimar o Partido Conservador no governo, agora entregue a quem não foi escolha dos britânicos, como fora Boris Johnson, nem sequer das bases do Partido, como tinha sido Liz Truss. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Tomaram-lhe o gosto ... não querem outra coisa. Agora foi a vez do subsídio de desemprego!


O Ministério da Solidariedade anunciou baixar o valor mínimo do subsídio mensal de desemprego de 419,22 para 377,29 euros. Enviou a proposta aos parceiros sociais para, logo perante as primeiras reacções, imediatamente vir dizer que era só uma proposta.


É a velha estafada estratégia de mandar o barro à parede, particularmente cara a este governo e onde todos querem fazer o seu número. Mas, francamente: ainda não perceberam que são apenas mais tiros nos pés?


Seria assim tão difícil encontrar outra medida que produzisse o mesmo efeito de euros no corte de despesa? Têm a noção que se está a falar de 6,3 milhões de euros? Será que sabem que nós sabemos que continuam a entrar pelo governo dentro boys à tripa forra?

sábado, 22 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Sou certamente apenas um entre os muitos milhões de admiradores de Lance Amstrong ainda em estado de choque. Serei apenas um dos muitos que acham que há qualquer coisa que não bate certo nesta história. E serei certamente um entre muitos dos que sentiram a mais profunda das revoltas ao ouvir o presidente da UCI dizer que o nome de Lance Amstrong já não fazia parte do ciclismo.


Não percebo como é que alguém que preside ao organismo máximo do ciclismo encontra legitimidade para banir do ciclismo o nome da sua maior figura.


Lance Amstrong foi condenado exclusivamente por denúncias de antigos colegas de equipa, sem qualquer prova material. Claro que temos consciência que o recurso ao doping no ciclismo – como no desporto em geral – é um jogo do gato e do rato, mas onde nem a UCI é o gato nem o ciclista o rato. O gato e o rato que jogam este jogo representam os mesmos interesses que se cruzam e encontram na UCI, raramente no ciclista.


Os mesmos interesses a quem Lance Amstrong serviu, sempre sob a batuta tutelar da poderosa UCI. Lance tinha tudo para ser o herói perfeito, servia a todos os interesses instalados à volta da que se transformou numa das modalidades desportivas que mais interesses comerciais mobiliza.


Se Amstrong fez toda a sua carreira à margem da verdade desportiva, enganando todos os gatos durante tantos anos, é difícil deixar de responsabilizar os gatos. Se durante esse período a UCI apanhou e puniu tantos e tantos nomes de primeiro plano, baniu equipas completas, é difícil de perceber como Lance conseguiu sempre, e só por si, escapar. A ideia que fica é que a UCI quis deixar cair lance Amstrong e que, depois de o deixar cair, uma vez caído e inerte no chão, saltou para cima dele sem dó nem piedade.


E isso é feio. E cobarde… Quem é capaz de fazer isso não tem moral para banir o nome de Lance Amstrong do ciclismo. Pode até fazê-lo, mas ninguém o leva a sério!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Se calhar o dicurso do papão dos credores vai ter de mudar. Bom, e o dos credores internacionais?


sexta-feira, 21 de outubro de 2022

O Benfica ganhou. E ganhou bem!


O Benfica voltou a ganhar no Dragão e, sendo muito cedo - esta é apenas a décima jornada -, deu um passo importante rumo ao há tanto adiado 38.


Os primeiros instantes do jogo deram a indicação de um Benfica descomplexado, e pronto a discuti-lo sem medos nem receios. Passados esses primeiros minutos começou a surgir a esperada pressão alta do Porto, e como ela os primeiros passes falhados do meio campo benfiquista. Os primeiros dos muitos, de mais mesmo, que marcaram hoje o seu futebol. E o Porto conheceu então o único período de superioridade no jogo.


Foram cerca de 10 minutos, os últimos do primeiro quarto de hora, que se esgotaria com a única ocasião de golo, negado por Vlachodimos, numa defesa extraordinária. 


A partir daí o Benfica passou a equilibrar o jogo e, depois da expulsão de Eustáquio, aos 27 minutos, a superiorizar-se em todos capítulos do jogo. E mereceria ter saído para o intervalo na frente do marcador, depois de duas ou três boas oportunidades de golo criadas, em especial aqueles dois remates aos ferros - Aursnes ao poste, e Rafa à barra.


Em vez disso, de sair a ganhar, saiu para o intervalo com uma carrada de amarelos para resolver. Até porque se sabia que, depois dos dois amarelos, em três minutos - quando o segundo deveria ter sido vermelho directo -, que ditaram a expulsão do jogador do Porto, naquele contexto, o segundo amarelo para cada um dos amarelados - João Mário, Bah, Enzo e Aursnes - seria uma questão de (pouco) tempo. Até porque o Porto já tinha em grande actividade todos os especialistas na pressão sobre o árbitro e nas simulações de faltas. 


Avisado, Roger Schemidt deixou logo três deles no balneário. Apenas Aursnes continuou, e concluiu todo o jogo. E bem, com uma grande exibição. 


A expulsão do Eustáquio, deixando o Porto reduzido a 10, condicionou o jogo. Mas os amarelos aos jogadores do Benfica não o condicionaram menos. Ao ficar órfão do futebol de João Mário e Enzo, o Benfica perdeu a orientação do seu futebol. E, na prática, ficou também a jogar com 10. Se Gilberto - que não esteve bem - ainda assim cumpriu, Draxler não existiu em campo. Saiu, lesionado, ao fim de 18 minutos, em que praticamente não tocou na bola. Dos três, apenas Neres, mesmo também amarelado desde cedo, teve verdadeira influência no jogo. Pelo que jogou, mas também porque, não fosse a superioridade numérica, não teria muito provavelmente entrado tão cedo.


Sérgio Conceição não fez alterações ao intervalo, e o Porto veio para defender. Com a equipa subida, mas a defender. E quando isso não fosse possível, então sim, lá atrás. E o jogo começou a correr-lhe de feição, até porque na sala de máquinas do Benfica não estavam nem Enzo, nem João Mário. As poucas ocasiões em que poderia marcar iam sendo desperdiçadas, e os jogadores começavam a acusar claro nervosismo. Viu-se em muitos deles, mas viu-se mais claramente no António - com o miúdo a acusar a perseguição que lhe foi movida nos últimos dias - e em Gilberto, que transformou um passe ao guarda-redes num remate que obrigou Vlachodimos a uma defesa complicada. 


Percebia-se que se entrara numa fase do jogo em que o Porto começava a acreditar que até poderia ganhar o jogo. Percebeu-se logo a seguir que acabaria traído pela ambição. Ao adiantar-se no terreno deixava o espaço que o Benfica não tinha ainda encontrado quando só defendia. Lá atrás, ou mais à frente.


Espaço que é oxigénio do futebol de Neres e Rafa. Combinaram pela esquerda, lá surgiu finalmente o golo. Que o árbitro João Pinheiro anulou de imediato, mesmo que fosse por demais evidente que David Neres estava em jogo quando recebeu a bola, antes de a devolver para que o Rafa a rematasse para dentro da baliza. Valeu o VAR!


Nem com o golo a equipa tranquilizou. Pelas mesmas razões anteriores, mas porque, logo a seguir, Musa - que entrara por troca com Draxler -  não matou o jogo, rematando por cima da barra uma bola que, a dois metros da baliza, só tinha que empurrar lá para dentro. 


Sucederam-se faltas e livres nas proximidades da área do Benfica. E truques, dos habituais no Dragão. E mais amarelos... mas nunca para o Octávio. Que teria de ter sido expulso, não fosse isso uma impossibilidade.


Houve sofrimento até ao fim. Mas a bola só esteve realmente perto de entrar na baliza do Diogo Costa. Que teve ainda tempo de fazer uma defesa tão grande que até tirou a bola de dentro da sua baliza. Há VAR, mas não há tecnologia da linha de golo. Vá lá perceber-se por quê.


Claro que nestes jogos, mais que em quaisquer outros, o mais importante é ganhar. Logo a seguir, é ganhar bem. O Benfica ganhou, e ganhou bem. Não jogou bem, mas isso nunca é possível nestes jogos no Dragão. É tão impossível como o jogo acabar com imagens de fair play. Ou como Sérgio Conceição aceitar uma derrota!

Crise geral


Parece que vai para aí uma onda de roubos de produtos alimentares nos supermercados, a crer na primeira página de hoje no jornal de referência da nossa tão pobre praça jornalística.


A notícia que faz primeira página é depois desenvolvida na secção "Sociedade". E aí começamos por ver que, da participação deste roubos à PSP, "só há dados até Junho", mas que " o crescimento de casos acelerou neste segundo semestre". Sem dados, e que ainda vai a meio...


Sem dados mas com um - um, repito - testemunho de um segurança de um supermercado. Pungente. Relata que "tem apanhado muitos idosos a tentar levar pão, salsichas ou atum". Que "há mulheres com filhos que dizem que já não têm como lhes dar de comer. E conta: "Prefiro que me peçam. Não sou rico, mas posso oferecer alguma coisa. E eu próprio vou à caixa pagar”.


No entanto, quando passa à informação que os supermercados estão a instalar alarmes em alimentos, a peça recorre ao testemunho de dois funcionários de uma cadeia onde isso está a acontecer, que o justificam  por haver "quem os leve em mochilas para depois os vender a preço mais baixo no mercado negro.” 


Escrevendo em manchete que a "crise faz disparar roubo de comida" este jornalismo de referência  fala de roubo de comida para matar a fome para, depois, se formos ler, misturar com o roubo de comida para alimentar expedientes.


É tudo resultado da crise. Até da crise do jornalismo que por cá vai engordando!

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Bloco baixo: poderá parecer linguagem de construção civil mas não é. Aplica-se ao futebol e é mesmo futebolês!


Diz-se a propósito da postura de uma equipa em campo. Ou da forma como dispõe os jogadores em campo. Refere-se, no caso, à colocação dos jogadores na zona de protecção da sua área, no resguardo da sua baliza.


Antigamente, antes da explosão do futebolês como língua erudita dos especialistas das coisas da bola, dizia-se simplesmente que uma equipa estava a jogar à defesa e… fé em Deus. Defendia com onze – porque não podia jogar com mais – sempre de frente para a bola, sempre atrás da linha da bola, como também é fino dizer-se. Agora é mais erudito dizer que a equipa se apresenta com um bloco baixo: dizer exactamente a mesma coisa mas com mais classe. Acima de tudo com mais fair-play, sem achincalhar a equipa.


Para isso, para achincalhar, surgiu uma nova expressão: autocarro! Usa-se no futebolês popular, que já não diz que a equipa se apresenta num bloco baixo, nem sequer que vem jogar à defesa mas, de forma bem mais acintosa, que a equipa estacionou o autocarro!


Creio não estar errado – se o estiver, desde já as minhas desculpas – que é Mourinho o pai desta expressão. Pela minha parte não tenho dúvidas que foi da boca dele que a ouvi pela primeira vez. Substituindo uma expressão elegante como é o bloco baixo, e sendo, pelo contrário, achincalhante e acintosa, não admira que tenha mesmo sido criada por José Mourinho. Por ter sido a ele que a ouvi pela primeira vez e por ser tão ajustada à sua própria personalidade, é para mim indiscutível que é Mourinho o pai do autocarro!


Era então treinador do Chelsea, em pleno processo de dilatação do ego – um processo que apenas teve paralelo no da dilatação do fígado daqueles patos franceses para produzir o foie gras -, na altura em que se intitulou de special one, e deve tê-la usado para justificar um fracasso qualquer. Quem julgasse que o Mourinho tinha descoberto esta expressão numa célebre noite em que jogou com o Inter em Barcelona só podia estar distraído ou, de todo, não o conhecer.


Mal imaginava ele, na altura, que um dia haveria de vir a treinar uma equipa italiana e provar do seu próprio veneno… Na realidade sentiu-lhe o sabor. Se puxarmos pela memória lembrar-nos-emos que sentiu sempre a necessidade de justificar esse autocarro com o árbitro, como também não podia deixar de ser. Foi obrigado a isso porque o árbitro lhe expulsou um jogador - justificou. Mesmo que toda a gente tivesse dado pelo autocarro, lá bem estacionado, desde que o árbitro apitou mas para dar início ao jogo!


Mal imaginaria ainda que seria o seu Chelsea, anos mais tarde e então nas mãos de um treinador italiano, a repetir, no mesmo local e nas mesmas condições - meias-finais da Champions - o mesmo autocarro. Só que sem a desculpa de um a menos!


Ironicamente a história repetiu-se: os autocarros cumpriram a missão e ambos chegaram  à final, ambos encontraram o Bayern, e ambos acabaram por se sagrar campeões europeus. O Inter pela terceira vez, quarenta e cinco anos depois, e o Chelsea pela primeira!

Foi mesmo breve

Liz Truss foi à sua vida. O que acontece a seguir? - CNN Portugal


Foi mesmo uma questão de dias!

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Que o espectro de um esquizofrénico chumbo no Parlamento de um orçamento por parte de um mesmo partido que o aprovara no governo esteja afastado, está.


Que a coligação esteja de boa saúde e se recomende, não. De todo! Que tudo possa continuar como se nada se tivesse passado, não. Que PSD e CDS, Passos e Portas, possam fingir que confiam uns nos outros, podem. Mas ninguém acredita! Que possam fingir que nada aconteceu e tudo foi empolado, não. De forma alguma! Que o orçamento seja exequível e leve o país a algum destino, não. Também! Que a crise política esteja ultrapassada, não. Não está porque não se circunscreve apenas a divergências entre partidos e personalidades que constituem a coligação. Mas também não o estaria mesmo que se resumisse a isso!

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Enquanto uns jornais vão despedindo jornalistas, outros já estão em mãos angolanas, mas despedindo na mesma, e outros, ainda, para lá caminham.


Joaquim Oliveira está a vender a Controlinveste a angolanos. Lá vão o DN, o JN e a TSF … O “Público” agoniza


Chamam-lhe o quarto poder, e um dos pilares de sustentação da democracia. Está decididamente a ir-se abaixo esta nossa democracia… Não se está a aguentar!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Deu-se a conhecer, e deslumbrou, em Emmanuelle, o filme “softcore” de 1974 que, de olhos esbugalhados ainda pouco habituados àquelas coisas, vimos já em plena Revolução.


Emmanuelle – melhor, Sylvia Kristel - encheu o imaginário de muitos de nós e transformou-se no mito erótico de uma geração que é a minha. Ela que era holandesa – natural de Utrecht - como holandesas eram as maiores fantasias dos jovens daquele tempo…


Morreu esta noite, vítima de cancro, enquanto dormia – rezam as crónicas. Tinha 60 anos e deixa saudades… Talvez saudades daqueles tempos. E certamente daquela sedução!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Paulo Portas não falou. Continua remetido ao seu silêncio patriótico!


Mas disse: Disse através de comunicado que o CDS iria aprovar o Orçamento. Dificilmente poderia deixar de ser assim, mas também me parece que, da mesma forma que sempre acreditou que poderia passar entre os pingos da chuva, Portas acredita mesmo que tem mais vidas que os gatos…

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Liz Truss, a breve!

Liz Truss - news, comment and analysis - New Statesman


Bastou pouco mais de um mês à frente dos destinos ingleses para Liz Truss confirmar toda a sua história de vida. A história de que todos os caminhos servem para quem não sabe para onde vai!


Ao longo da sua vida política Liz Truss foi tudo e o seu contrário. Quis ir a todo o lado, e a lado nenhum. Em pouco mais de um mês no nº10 de Dowing Street só não fez asneira nas primeiras duas semanas, enquanto esteve quietinha, com a nação entretida no longo funeral da rainha.


Já vai no segundo ministro das finanças, Jeremy Hunt. Que, com o mundo a desabar-lhe em cima, o primeiro anúncio que fez foi o de fazer "tudo ao contrário" do seu antecessor - Kwasi Kwarteng, ministro de Liz Truss por um mês. 


Os ingleses sabiam que seria assim. Os Conservadores, que por maioria de razão, melhor o deveriam saber, não se importaram; e agora terão de dar-lhe o caminho que acabaram dar a Boris Johnson. Diz-se que estará por dias. Ou até por horas ...


Os 52% que há pouco mais de seis anos, embalados por Boris Johnson, Theresa May e Liz Truss, votaram sim ao brexit, já devem ter percebido que foram enganados. E já não faltará muito para que os ingleses percebam que a União ao continente era a união das ilhas e do Reino. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Que Passos Coelho estava refém de Relvas já há muito se sabia. Se não antes, pelo menos desde os tempos dos agora conhecidos favores empresariais.


Que Passos Coelho estava nas mãos de Vítor Gaspar também já há algum tempo se tinha percebido. Depois disto está também refém do homem que nos está a devolver tudo o que o país nele investiu!


Se o destino de Passos se entrelaçava com o de Relvas, agora embrulha-se ainda com o de Gaspar. Quer dizer: não há remodelação possível!

domingo, 16 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A selecção nacional voltou a falhar: pelo segundo jogo consecutivo! Só que desta feita foi em casa e contra um adversário da terceira divisão europeia, que como credencial trazia um empate com o Luxemburgo, em casa.


E desta vez ninguém se salvou. Mesmo aqueles que nunca falham, hoje, falharam: Moutinho, Pepe, Cristiano Ronaldo…


A equipa voltou a não mostrar qualidade, e a verdade é que parece muito difícil que uma equipa que tem Hélder Postiga, Eder, Miguel Lopes, Rúben Micael … possa ter qualidade. Repare-se que bastou que faltassem dois dos jogadores titulares – Meireles e Coentrão – para que se levante claramente a questão da (falta de) qualidade!


As dificuldades na recepção da bola – e sabe-se como a recepção é determinante para a qualidade e fluidez do jogo – que se tinham identificado na Rússia não tinham, afinal, nada a ver com o piso sintético. No bom relvado do Dragão repetiram-se de forma ainda mais gritante: o problema não está no relvado, está na qualidade dos jogadores…


Mas também na mentalidade. Não é aceitável que, perante um adversário tão fraco, a equipa não tenha conseguido tomar consistentemente conta do jogo, imprimir-lhe intensidade. Mesmo depois de chegar ao empate, com bem mais dez minutos ainda para jogar, a equipa permitiu que fosse o adversário a controlar o ritmo e o tempo de jogo.


Também Paulo Bento está longe do seu melhor, com opções cada vez mais discutíveis e com critérios pouco compreensíveis. Por exemplo: é discutível que tenha deixado o Eliseu de fora, mesmo depois da lesão de Coentrão, quando preferiu chamar o Nelson, e não se compreende que tenha apostado em Nelson Oliveira, quando e como o fez para, agora, deixar de contar com ele.


O caminho para o Brasil começa a complicar-se. O primeiro lugar no grupo – aquele que garante o apuramento - começa a parecer impossível, até porque a Rússia continua a ganhar e sem sofrer golos (hoje ganhou ao Azerbaijão, em Moscovo, com um golo de penalti – inexistente, a falta existiu mas fora da área – já nos últimos minutos), mas essa é também a nossa sina. E a nossa história, afinal a selecção nacional tem assegurado a presença nas últimas fases finais de europeus e mundiais sempre através de play-off entre segundos classificados. O cliente tem sido a Bósnia, mas nem sempre assim será!


Foi triste este jogo número 100 de Cristiano Ronaldo. Parecia que este era mais o jogo cem de Cristiano Ronaldo do que um jogo fundamental para o apuramento para o mundial do Brasil. Afinal, mais que o jogo cem este foi um jogo sem: sem alma, sem chama, sem qualidade e … sem a anunciada Grândola Vila Morena…


Anunciada para o segundo 12 do minuto 20, faltou. Fica a ideia que a política nunca quer perder o futebol, mas que o futebol não quer nada com a política…

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Na sessão de apresentação do Orçamento deste fim de tarde Vítor Gaspar fez mais que uma prova de vida. Fez - ou quis fazer - uma demonstração de força. Disse: quem manda aqui sou eu!


Encurralado e enfraquecido, Vítor Gaspar, reagiu. Reagiu como reagem os animais feridos, enfraquecidos e encurralados: em ataque desesperado! Vítor Gaspar quis fazer uma demonstração de força quando na realidade está enfraquecido - interna e externamente - como se percebe por um orçamento de emergência, que não é meio para coisa nenhuma, mas um fim em si mesmo.


É assim que o ministro das finanças acaba por impor o seu orçamento. Impô-lo ao governo - num processo que, pelo que foi possível perceber, não terá sido nada fácil - e vai agora impô-lo ao país: impondo-o ao Parlamento, impondo-o ao Presidente e impondo-o ao Tribunal Constitucional. Quando Gaspar afirma solenemente que não há alternativa a este orçamento, que, da parte da intervenção estrangeira, não há qualquer margem de manobra, está a tentar a dizer ao país que é este orçamento ou a bancarrota. E aposta tudo na atemorização do CDS, de Paulo Portas em particular, de Cavaco Silva e do próprio país…


Vítor Gaspar esticou a corda: agora é só esperar para ver por onde parte. Porque vai partir, se não for em Portas nem em Cavaco será noutro ponto qualquer!


Até porque, pelo que vamos percebendo, a quinta avaliação da troika correu mesmo muito mal. Muito pior do que o que nos foi dado imaginar…

sábado, 15 de outubro de 2022

Houve Taça na Mata


Houve Taça na Mata!


Não "aconteceu Taça" porque a equipa da casa foi eliminada, nos penáltis. Mas houve Taça. E festa, a festa do futebol que só a Taça sabe fazer.


Quando acontecem destas coisas, quando o grande não consegue vencer o pequeno, é normal começar a desfilar os erros, as fraquezas e até o querer do grande. O Benfica não jogou bem, é certo. A maioria dos jogadores esteve muito longe dos mínimos que lhe são exigíveis. Mas, hoje, mais do que isso, e antes disso, tem que se começar pelo pequeno.


Que foi grande. O Caldas foi grande em tudo, nesta partida que marcou o arranque do Benfica nesta Taça. Disputou o jogo de princípio a fim, discutiu-o em todos os metros quadrados do relvado, novinho. A estrear. Sem autocarros, sem anti-jogo, sem truques. Tudo limpinho, jogando apenas o jogo pelo jogo. E não apenas porque os jogadores quiseram mais que os adversários como, não sendo aceitável, acaba sempre por ser normal, nestes jogos. Foi mesmo tacticamente superior em muitos períodos dos 120 minutos que jogo durou.


O Caldas deu uma lição à maioria das equipas da primeira liga. Mostrou-lhes que o futebol pode sempre jogado na perspectiva de valorizar o espectáculo. E com respeito pelo jogo. E pelo público, que paga o bilhete. E pelo adversário!


Dito isto, vamos ao resto. E ás incidências do jogo.


Depois de mais uma brilhante exibição na Champions, de novo com o PSG, desta vez em Paris, o Benfica corria riscos descompressão competitiva e mental, que nestas circunstâncias são comuns. Roger Schemidt fez aquilo que é também comum, nessas circunstâncias: alertou para as dificuldades, salientou que o desempenho do Benfica na Taça ao longo deste século está longe de brilhante, e fez alterações na equipa. Mas não muitas, para não dar a ideia que desvalorizava o jogo, e o adversário. Fê-lo numa perspectiva de gestão da utilização dos jogadores, e aqui o mais relevante, para garantir níveis de motivação dos jogadores. Em princípio, jogadores menos utilizados, têm a obrigação de mostrar que têm condições para o serem mais.


Fez cinco alterações na equipa inicial relativamente à que jogara em Paris na passado terça-feira, mesmo que em boa verdade poucas se enquadrassem no espírito da mobilização do querer. Helton Leite, em vez de Vlachodimos, cabe na velha lei da rotação de guarda-redes nas competições secundárias. Draxler, em vez de Rafa, é mais uma tentativa de dar competição ao internacional alemão, à espera do seu regresso ao nível que o celebrizou, cada vez mais adiado, deve dizer-se. Sobraram Brooks em vez de Otamendi, Gilberto, em vez de Bah, para quem, cada vez mais, está a perder o lugar, e Rodrigo Pinho, em vez de Gonçalo Ramos. Mas que também não cumpriram as expectativas.


E a rotação que tão bem tinha corrido no jogo com o Rio Ave, desta vez não funcionou. E quando meia equipa não funciona, a outra metade tem mais dificuldades.


O Caldas entrou com vontade, mas receoso. Bastou pouco tempo - o tempo para que o Benfica mostrasse que as poucas boas jogadas que ensaiava terminavam em desacerto - para que perdesse o medo, e começasse a jogar à bola. Fez até o primeiro remate do jogo, e criou a primeira grande sensação de golo, já perto do intervalo, naquele remate que Helton Leite defendeu para o poste. Para evitar o canto, certamente!


Ao intervalo, o que se poderia dizer era que o Caldas não ficava nada a dever ao empate.


Para a segunda parte entraram Diogo Gonçalves e Musa para os lugares do inoperante Rodrigo Pinho, e do amarelado Florentino. O croata mexeu com o jogo, e fez rapidamente, e com indiscutível mérito pessoal, o golo. Um belo golo, então já justificado. Só que, depois, entusiasmado, quis o pote só para ele. E desatou a desperdiçar jogadas de golo que poderiam ter resolvido o resultado.


Não resolveram, e o Caldas voltou a mostrar que não tinha medo, e que estava ali para continuar a discutir o jogo. O resultado, seria outra questão. Uma questão resolvida pela velha máxima "quem não marca sofre" e pela defesa do Benfica. Digo bem, não foi apenas pelo miúdo. Logo a seguir a Grimaldo ter rematado ao poste, numa troca de bola lá atrás, Brooks (por que é que um jogador tão grande precisa sempre de se empoleirar nos adversários para disputar as bolas altas?) passou-a a saltitar, o António Silva não a conseguiu dominar, o Gonçalo Barradas percebeu, atacou a bola, encontrou pela frente um Helton Leite de pernas abertas e levou a Mata à loucura.


Faltava um quarto de hora. E então sim, o Caldas teve finalmente de se defender lá atrás. Nesse quarto de hora, e no primeiro do prolongamento, o Benfica voltou a a criar, e a desperdiçar mais uma série de oportunidades de golo. A última acabou na barra do brilhante guarda-redes caldense, a remate de Enzo, já perto do final da primeira parte do prolongamento.


E quando se pensava que os jogadores do Caldas já não se aguentariam de pé, a surpresa não poderia ser maior ao vê-los discutir os 15 minutos da segunda parte do prolongamento exactamente como tinham feito em boa parte dos 90 minutos. E a levarem a decisão para os penáltis onde - admitia-se - a motivação dos seus jogadores, e em especial a do seu guarda-redes, e a frustração dos do Benfica, poderia fazer a diferença.


Acabou por não fazer. O Caldas falharia o primeiro penálti. E só não falharia o segundo porque o Helton Leite - um verdadeiro pesadelo - depois de o defender, mandou a bola para dentro da baliza. Enquanto o Benfica, depois de falhar tantos golos, não falhou nenhum. E lá continua sem qualquer derrota na época. Como o Caldas, de resto!


Espera-se sempre que estes jogos sirvam de lição. Pois que sirva. E, já que se livraram desta, vejam lá se ganham esta Taça. Já é tempo!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O governo entregará hoje o Orçamento na Assembleia da República, depois de não sei quantas intermináveis reuniões extraordinárias do Conselho de Ministros e de quilómetros quadrados de paredes rebocadas de tanto barro que foi atirado.


Temos assistido a muitas e pitorescas cenas à volta da apresentação de orçamentos: entregas atrasadas, quadros errados, mapas em falta… Um houve até que ficou conhecido como o Orçamento do queijo limiano. Nunca, no entanto, nenhum foi tão acidentado quanto este. E nunca nenhum outro foi tão fiel espelho da governação do país como este Orçamento para 2013!


Peguemos em três variáveis chave de uma governação, qualquer que seja: credibilidade, estratégia e liderança!


Ninguém acredita neste Orçamento, seja ele o que for, como ninguém acredita no governo. Ninguém acredita que o que lá venha faça qualquer sentido, porque se percebe que nada é reflectido, nada é sustentado, que tudo é feito em cima do joelho. Ninguém acredita – a começar nos próprios Passos e Gaspar (se há medidas que teoricamente produzem resultados muito acima dos requeridos é porque não acreditam mesmo que elas produzam os resultados esperados) - que seja para cumprir porque, como já o deste ano já demonstrou, as previsões e os pressupostos são de quem anda lá por cima, donde se lançou ontem o austríaco Felix Baumgartner.


Não se percebe uma estratégia. É um orçamento sem rumo, exactamente como sem rumo está o governo, perdido, sem saber por onde seguir. As sucessivas mediadas que foram sendo conhecidas, lançadas como barro a parede, são a prova disso. Mas é o espectáculo desta ponta final do orçamento que é mais elucidativo: um orçamento enquadrado numa estratégia, minimamente sério e credível, há muito que estaria preparado, e não andaria agora a passar por todo este experimentalismo errático de última hora.


Não há liderança: Passos Coelho nunca liderou e Vítor Gaspar, cuja liderança nos trouxe até aqui, está desacreditado. Interna e externamente: quando Lagarde e Durão Barroso tiveram a lata, cada a sua, de dizer o que disseram, o tapete fugiu-lhe definitivamente debaixo dos pés. Perdeu qualquer capacidade de liderança! Marcelo Rebelo de Sousa dizia ontem que reuniões de 13,15 ou 20 horas apenas demonstram falta de liderança. Sem dúvida!


A fuga de informação, fazendo chegar às redacções dos jornais dezenas de páginas da proposta orçamental, é outra prova inequívoca da falta de liderança no governo, mas também do ambiente de conspiração, desconfiança e traição que mina o governo e a coligação.


O orçamento não é apenas um orçamento muito mau, que acaba com o que resta da classe média e que arrasa completamente a economia – e isso já seria motivo para intervenção presidencial – é, ainda, uma imensa tela onde se projecta um governo acossado, sem estratégia, sem missão, perdido, sem rumo, desavindo e completamente tolhido de movimentos.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O PS, ao fim de 16 anos de poder e agora sem Carlos César, voltou a ganhar as eleições regionais e continuará a governar os Açores, abrindo um novo ciclo: o de Vasco Cordeiro!


Para o PSD - que já assumiu a derrota precisamente através de Pedro Passos Coelho – esta é, e disso sobram poucas dúvidas, apenas a primeira de uma longa série de derrotas eleitorais a que a desastrada e incompetente governação da sua actual liderança o condenou.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Indesculpáveis

Marcelo e Costa, um casamento de convergência


Depois de ter dito o que disse não ter dito, Marcelo pediu desculpa pelo que disse. Indesculpável. Ficou a faltar-lhe pedir desculpa por ter dito que não tinha dito.


Mas percebe-se. Foi por ele ter dito o que disse que não tinha dito que, também indeculpável, António Costa veio em sua defesa, e dizer que não tinha nada que pedir desculpa, que os portugueses é que lhe deviam pedir desculpa.


Há quem ache que o primeiro-ministro quis "dar graxa" ao presidente. Não partilho dessa ideia, António Costa já não é aluno de Marcelo. Disputa-lhe o título de catedrático do jogo político. Na realidade quis manietá-lo. E, não querendo deixar-se manietar, Marcelo reagiu rapidamente a pedir desculpa.


Não é um sincero pedido de desculpas. É apenas a inevitável jogada de contra-ataque de quem se não deixou encostar às cordas pelo adversário.


Afinal, para ambos, é apenas o jogo que conta. E isso é também indesculpável! 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Arma secreta é uma das mais conhecidas expressões do futebolês e enquadra-se nas expressões de origem bélica que tantas vezes são exportadas para outros domínios. Cada equipa joga com as armas que tem, diz-se frequentemente para justificar aquelas atitudes que mais chocam com o fair-play a que, normalmente, recorrem as equipas com menos recursos.


Na realidade cada equipa joga com os jogadores que tem. E as que os têm de menor valia tentam compensar isso com uma série de malandrices: umas, malandrices de anti-jogo, outras, apenas malandrices estratégicas, um bocado de jogo do gato e do rato. Mas chamam-lhe armas!


A arma secreta não é, claro, nada mais que um jogador. Um jogador que fica escondido, que não entra de início para, a dada altura do jogo entrar em campo e surpreender. Surpreender tudo e todos, revolucionar o jogo e decidir o resultado!


Por incrível que pareça, é normalmente grande a tentação – quer de treinadores quer de adeptos – de acabar com as armas secretas. Parecendo que toda a gente estaria interessada um preservar e guardar bem guardadinha a arma secreta, a verdade não é bem essa. A gula e a ambição desmedida são as grandes inimigas da arma secreta. Os adeptos pensam assim: se este tipo entra e resolve, tem de entrar logo no início para resolver o jogo sem correr riscos; se é este que resolve que sentido faz estar lá outro que não adianta nem atrasa? O treinador não pensa bem assim, mas pensa que, se este tipo entrou e resolveu merece ser titular da próxima vez. E pensa mesmo que se não lhe der a titularidade ele poderá perder o estímulo.


A própria arma secreta é auto-destrutiva. O próprio jogador raramente se sente bem na pele de arma secreta. Acha também que merece ser titular e, se não lhe for entregue, passa a reclamá-la.


Com tantos inimigos é natural que a arma secreta seja uma espécie em vias de extinção. E a verdade é que é. Já lá vai o tempo em que praticamente todas as principais equipas tinham uma arma secreta. Quem se der ao trabalho de puxar pela memória vai lembrar-se de muitas: o César Brito, no Benfica, o Juary, no Porto já lá vai uns anitos. Mais recentemente, em 2005, lembramo-nos do Pedro Mantorras, a verdadeira arma secreta de um título tão gostoso quanto improvável. Mais recentemente ainda, na última época, o James, no Porto e o Carrillo no Sporting, foram armas secretas. Inevitavelmente, deixaram de o ser: o James por responsabilidade dos adeptos; o Carrillo não se sabe porquê… Talvez porque no Sporting a arma secreta já não seja jogador, é treinador. Por isso é que muda tanto, para estar sempre a surpreender o adversário. O que se está a passar nesta altura não tem nada a ver com qualquer tipo de dificuldade em convencer alguém a vir treinar a equipa nos próximos seis meses. Tem apenas a ver com a dificuldade em encontrar alguém verdadeiramente capaz de surpreender: uma arma secreta!


Na selecção nacional também há uma arma secreta: o Varela. Também está em extinção mas não é por qualquer daquelas razões. Nem os adeptos acham que deva jogar de início, nem o Paulo Bento tem problema nenhum em mantê-lo no banco, nem ele próprio acha que mereceria ser titular. Simplesmente esgotou as pilhas!


 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Enterrar bem fundo a dignidade

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Marcelo perdeu definitivamente a impunidade. Podia dizer tudo o que lhe apetecesse, dos maiores disparates à maiores provocações, que ninguém levava a mal. Deixou de ser assim. Não se sabe se ele percebeu que deixou de ser assim, e sabe-se até que ele não deixará de ser assim, um irresponsável incontinente verbal que se acha acima da crítica.


Todos o ouvimos dizer que os 400 casos de abusos de menores na Igreja não era um número elevado. Foi claro e directo, e sem deixar espaço a qualquer  interpretação, nem a qualquer equívoco. Tratou, sem margem para qualquer dúvida ou interpretação diferente, de desvalorizar o grau de aberração e a gravidade dos crimes continuados da Igreja Católica, na linha, aliás, de intervenções anteriores - públicas, ou privadas, como os conhecidos telefonemas a avisar figuras da hierarquia da Igreja que estariam a ser investigadas.


Se isso é repugnante, a emenda que tentou fazer sobe o nível do nojo. Vir depois dizer que fora mal interpretado, e que quisera apenas dizer que achava que seriam muitos mais. ainda assim continuando a meter os pés pelas mãos, é apenas cavar mais fundo no descrédito para enterrar definitivamente o último assomo de dignidade exigido a um Presidente da República.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A selecção nacional poderá ter hoje complicado as contas do apuramento para o Mundial 2014. Ao perder na Rússia (0-1), com o adversário directo que tem marcado mais golos e que continua sem os sofrer, a selecção nacional começou a estreitar o caminho para o Brasil, que ameaça tornar-se mais apertado e difícil do que aquele que Pedro Álvares Cabral fez há 512 anos.


A equipa nacional não justificou no campo – um sintético a que os comentadores da RTP insistiram em chamar relvado – o estatuto de terceira selecção mundial que, sem que se perceba porquê, a FIFA lhe atribui. Dominou nas diversas variáveis estatísticas do jogo, com uma posse de bola à Barcelona (78%), mas em poucas ocasiões foi verdadeiramente superior ao adversário: uma Rússia muito italiana, que nada tem a ver com aquela equipa excitante – mas desequilibrada - que há pouco mais de três meses esteve no campeonato da Europa. É a diferença entre um Fábio Capello, velha raposa, e um Dick Advocaat à Jorge Jesus!


É certo que as coisas não correram de feição. Um golo sofrido logo no início, consequência do primeiro de muitos erros de Ruben Micael, e a lesão de Coentrão, revelaram-se decisivos. Até porque se a lesão de Meireles – substituído pelo desastrado Micael – já fora penalizadora, a de Coentrão, logo no início do jogo, foi-o ainda mais, com o Miguel Lopes a revelar-se uma completa nulidade a atacar e um susto permanente a defender. E com as substituições a não resultarem: o Varela, que habitualmente entra bem e muitas vezes até resolve, nunca se entendeu nem com o jogo nem com o resto da equipa, o Nani também não resultou no meio e o Ederzito será certamente uma história bonita, mas daí até ser jogador de selecção…


Cristiano Ronaldo, já se sabe, nunca será o mesmo do Real Madrid. Hoje teria sido necessário que andasse por lá perto, mas continuou bem longe. O Rui Patrício continua a complicar sempre que a bola lhe chega aos pés: hoje foi demais. Contribuiu para intranquilizar a equipa e reduziu-lhe, em muito, as opções. Muitas foram as ocasiões em que, passando a melhor opção por fazer a bola chegar ao guarda-redes, alguns jogadores – especialmente Pepe - evitaram atrasá-la, sentindo-se obrigados a abdicar desse instrumento, perdendo tempo ou perdendo a bola.


Ficou sempre a ideia que era jogo, se não de ganhar, pelo menos de não perder. Mas, bem vistas as coisas, a estratégia italiana agora ao serviço de uma selecção russa recheada de bons jogadores, foi sempre suficiente para controlar o jogo. Até parecia que eram os italianos – perdão, os russos – a alimentar a ideia de que o golo acabaria por surgir, como que a dizerem aos jogadores portugueses: vá lá, não ponham muita intensidade nisto porque não vale a pena. Está-se mesmo a ver que é uma questão de tempo, mais minuto menos minuto vocês vão marcar o golito que nos deixa, a todos, contentes!


Que manhosos...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Júri do Comité Nobel da Noruega revelou um desconhecido lado irónico que, bem vistas as coisas, não lhe fica mal. Realmente, e pensando melhor, nada obriga a levar tão a sério os prémios Nobel. Mesmo o da Paz, que é coisa muito séria!


Atribuir nesta altura o Prémio Nobel da Paz à União Europeia só pode ser brincadeira. O prémio monetário – enfim, ainda é qualquer coisa próxima do milhão de euros – pode ajudar a resolver qualquer coisa… Isto se a Alemanha se não quiser abotoar com ele todo!

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Quem diria?


Mais uma grande jornada do Benfica nesta Champions, e quase garantido o apuramento. À quarta jornada, em Paris!


Quem diria? 


Quem há poucos meses diria que o Benfica se bateria igual para igual com este PSG das super estrelas, discutir os dois jogos desta dupla jornada e sair dela no primeiro lugar, ombro a ombro com o colosso parisiense forrado com dinheiro do Qatar, que parece também estar a chegar a estas bandas? 


Mas é assim. Este Benfica já nos mostrou do que é capaz. E é muito capaz!


Foi-o em Turim, foi-o na Luz, há uma semana, e voltou a sê-lo esta noite, no Parque dos Príncipes. Num jogo diferente, muito diferente mesmo, do da Luz, na semana passada. Hoje foi um jogo sem balizas, não foram os guarda-redes a determinar o resultado.


O Benfica entrou personalizado, como sempre. Sem medo, e fiel ao seu modelo de jogo. Sem abdicar de qualquer dos seus princípios sagrados. E consagrados!


Não teve David Neres que, lesionado, ficara em Lisboa. E Roger Schemidt optou por colocar Aursnes no seu lugar. Não exactamente na sua função, até porque jogou na esquerda, com João Mário na direita, na posição do brasileiro. E, naturalmente, sem as capacidades de Neres, também sem o seu desempenho.


Foi uma decisão surpreendente. Esperar-se-ia que Neres fosse substituído por Draxler, ou por Diogo Gonçalves. Seria uma dessas a opção natural. Schemidt surpreendeu e, no fim, se havia quem ainda o não tivesse percebido, todos perceberam que é de treinador. 


Portanto o Benfica permaneceu fiel à sua ideia de jogo. E entrou bem, a dançar ao ritmo da música do jogo, que desde cedo começou a mostrar que teria pouca baliza. Sem balizas o jogo é sempre menos espectacular, mas pode ser igualmente bem jogado. Foi o caso. E o Benfica jogou-o bem, e disputou-o ainda melhor. 


Num jogo como este, golos, só mesmo de penálti. Foi assim, e não poderia ter sido de outra maneira.


Primeiro caiu para o lado do PSG, já perto do fim da primeira parte, aos 40 minutos. Depois de grande equilíbrio no jogo jogado, sem qualquer oportunidade de golo, e até mesmo sem remates. O primeiro remate do PSG coube a Sarábia, aos 34 minutos. Fraco, para defesa fácil de Vlachodimos.


O primeiro momento a quebrar esse registo, e de maior perigo junto a uma das balizas, pertenceu até ao Benfica, aos 18 minutos - dentro da primeira metade, quando o Benfica desfrutou de alguma ascendência no jogo - quando João Mário cruzou para a área e o lateral Hakimi desviou com a mão, dentro da área, a bola da cabeça de Aursnes. O árbitro assinalou penálti, mas depois reverteu a decisão a pretexto de fora de jogo de João Mário, que ninguém percebeu. Nem houve imagens que esclarecessem.


O segundo aconteceu durante aqueles três minutos, entre os 35 e os 38, em que o PSG pressionou mais alto e ganhou consecutivamente as segundas bolas, culminando no penálti cometido por António Silva sobre Bernat, na primeira vez em que o lateral esquerdo chegou à área benfiquista. Um penálti tão claro quanto infeliz do miúdo. Quem quiser acusá-lo de "verdura" pode enfiar a viola no saco, porque o miúdo prosseguiu imperturbável, e acabou por ser o melhor em campo, mesmo que a UEFA tenha decidido ter sido Mbappé que converteu o penálti no primeiro golo da partida.


O Benfica reagiu de imediato ao golo, e percebeu-se que não seria a morte de ninguém. Mas até ao intervalo o jogo acabou por regressar ao registo que trazia, com a má notícia de dois amarelos - para João Mário e, já no último minuto, mais preocupante, para Florentino.


Pensava-se que, a perder, ao intervalo Schemidt mexesse na equipa. Mas não, continuou fiel às suas ideias, manteve Aursnes, e o jogo prosseguiu nos mesmos moldes. Apenas quebrado num remate em arco de Mbappé, que saiu ao lado do poste direito de Vlachodimos, na única oportunidade de golo do PSG. E noutro, de cabeça, três minutos depois, de Gonçalo Ramos, e pouco antes do segundo penálti da partida.


Que o árbitro inglês deixou passar em claro. Verrati cometeu falta clara - claríssima - sobre Rafa. A dúvida era se fora, ou dentro da área. Valeu o VAR, e João Mário repôs o empate. 


Faltava cerca de meia hora para o final, e chegava então a altura de defender. E então o Benfica defendeu. Sempre bem, anulando todas as tentativas do adversário.


Roger Schemidt iniciou então as substituições. Logo a seguir ao golo, trocou Bah por Gilberto. Mais tarde, já pelo minuto 80, e com também Enzo já amarelado e constantemente provocado por Neymar, e por ter de se precaver com o amarelo de Florentino, recuou então Aursnes, e lançou Draxler, Diogo Gonçalves e Rodrigo Pinho.


Depois foram os ponteiros do relógio a fazer o seu percurso. Mesmo que às vezes nos parecesse sem muita pressa. No fim, mais um resultado notável, mais uma demonstração do valor desta equipa, e a quase certeza de mais uma presença nos oitavos de final da Champions.


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...